23 de março de 2015 | nenhum comentário »

Pika-de-Ili, mamífero ‘fofinho’ raro, é redescoberto em montanhas da China

Espécie foi descoberta em 1983 e foi vista raras vezes desde então.
Mesmo cientista que a descobriu conseguiu fotografar exemplar em 2014

 

O cientista Weidong Li, do Instituto de Ecologia e Geografia Xinjiang, na China, descobriu por acaso uma nova espécie de mamífero em 1983: a pika-de-Ili (Ochotona iliensis). O pequeno animal, encontrado pela primeira vez na cordilheira Tian Shan, no noroeste da China, tem uma peculiar aparência de bichinho de pelúcia fofo.

Desde sua descoberta, foram raras as vezes em que o mamífero foi visto. Em 2014, durante uma expedição à cordilheira Tian Shan, o mesmo cientista que descobriu a espécie conseguiu registrar em foto uma rara aparição de um exemplar. A história do raro bichinho das montanhas e seu descobridor foi publicada na edição de março da revista “National Geographic China”.

Weidong Li partiu para as monhanhas em 2014 com alguns voluntários justamente para procurar exemplares da pika-de-Ili, segundo a revista. O exemplar típico do mamífero mede cerca de 20 cm, tem orelhas grandes e pêlo acinzentado com manchas marrons.

Um artigo publicado na revista científica “Oryx” por Weidong em  2005 fala sobre o possível declínio do número de exemplares de pika-de-Ili nos locais onde o animal havia sido visto anteriormente.

Segundo o artigo, o aumento da temperatura devido ao aquecimento global pode ter contribuído para o “dramático declínio” da população da espécie. O autor recomendava que a espécie fosse classificada como ameaçada de extinção.

  Rara foto de exemplar de pika-de-Ili foi fotografado em 2014 pelo cientista Weidong Li no noroeste da China  (Foto: Li Weidong/Wikimedia Commons)

Rara foto de exemplar de pika-de-Ili foi feita em 2014 pelo cientista Weidong Li no noroeste da China (Foto: Li Weidong/Wikimedia Commons)

 Fonte: Globo Natureza

20 de março de 2013 | nenhum comentário »

Pesquisadores esperam ‘reviver’ rã extinta há 30 anos com clonagem

Animal engolia ovos e incubava filhotes no estômago, diz estudo.
Cientistas conseguiram reativar núcleo de células ‘mortas’ de rã extinta.

Cientistas do Projeto Lazarus estão trabalhando para “reviver” uma espécie de rã australiana, extinta há cerca de 30 anos, utilizando técnicas de clonagem. Eles conseguiram implantar de forma bem-sucedida núcleos retirados de células “mortas” do animal, que estavam congeladas há anos, em células de um anfíbio de outra espécie aparentada.

A rã extinta, da espécie Rheobatrachus silus, era conhecida por sua forma bizarra de cuidar dos filhotes: ela engolia os ovos, incubava os filhotes no estômago e depois “dava a luz” a eles pela boca, segundo os cientistas.

O animal foi considerado extinto em 1983. Os pesquisadores preservaram exemplares da rã congelados e conseguiram, com repetidos experimentos, transferir núcleos de células somáticas (já especializadas em algum tecido, como a pele) para células embrionárias de outra espécie de anfíbio: a Mixophyes fasciolatus, uma “parente distante”, segundo os cientistas.

Divisão celular
Ao substituir o núcleo ativo das células da Mixophyes fasciolatus pelo núcleo “morto” da rã extinta, os cientistas conseguiram que ocorresse espontaneamente a divisão celular e que novas células surgissem. Os embriões, no entanto, morreram após alguns dias.

Apesar disso, testes genéticos confirmaram que as novas células obtidas continham material genético da rã extinta. “Nós estamos observando um ‘ressuscitar dos mortos’, passo a passo”, disse o professor Mike Archer, da Universidade de New South Wales, em Sydney, na Austrália.

“Nós reativamos células mortas usando células vivas e ‘revivemos’ o genoma da rã extinta no processo. Agora nós temos células preservadas criogenicamente do animal extinto, para usar em futuros experimentos de clonagem”, disse Archer.

“Estamos confiantes que os obstáculos agora são tecnológicos e não biológicos, e que vamos ser bem-sucedidos”, analisou o pesquisador no estudo.

Rã da espécie XYZ, que ficou congelada por 40 anos (Foto: Divulgação/Bob Beale/Projeto Lazarus)

'Rheobatrachus silus', rã que ficou congelada por 40 anos (Foto: Divulgação/Bob Beale/Projeto Lazarus)

Imagem de arquivo mostra a rã 'dando a luz' a filhote pela boca (Foto: Divulgação/Universidade de Adelaide)

Imagem de arquivo mostra a rã 'dando a luz' a filhote pela boca (Foto: Divulgação/Universidade de Adelaide)

Fonte: Globo Natureza


16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Cinco mamíferos são extintos da Mata Atlântica

Não é de hoje que biólogos da conservação sabem que pequenos fragmentos de floresta tropical, em meio a fazendas ou cidades, pouco contribuem para a sobrevivência de animais de médio e grande porte, que precisam de espaço para locomoção, alimentação e reprodução. Novo estudo de pesquisadores brasileiros mostra que, pelo menos para a Mata Atlântica, a realidade desafia essa teoria clássica.

Mesmo grandes remanescentes estão sendo incapazes de manter a biodiversidade. Sem proteção efetiva que impeça a entrada de pessoas, a pressão histórica e atual de caçadores diminui os benefícios de ter uma área remanescente grande com uma floresta relativamente intacta, explica o biólogo Carlos Peres, da Universidade East Anglia, que liderou a pesquisa publicada na revista PLoS ONE.

 

O trabalho inventariou 18 espécies de mamíferos em 196 fragmentos ao longo da Mata Atlântica, o bioma mais ameaçado, que já perdeu cerca de 90 % da cobertura original. Mais de 205 mil km de estradas foram percorridos. Os pesquisadores descobriram que cinco delas tinham sido totalmente ou virtualmente extintas numa escala regional: queixada, onça-pintada, anta, muriqui e tamanduá-bandeira. E observaram que o fator que fez mais diferença para a manutenção da biodiversidade foi uma proteção efetiva da área. Isso ficou claro quando compararam fragmentos de tamanhos parecidos em que a diferença entre era o nível de proteção – os mais protegidos tinham mais animais.

 

E falar em proteção significa não apenas criar unidades de conservação. Em muitos casos elas existem, mas não estão implementadas nem têm segurança, sendo incapazes de impedir, por exemplo, a entrada de caçadores ou madeireiros. “Apenas cinco dos remanescentes investigados eram protegidos na prática e foram os que apresentaram as maiores taxas de retenção de espécies”, diz Peres.

 

A situação se mostrou mais crítica nos fragmentos da Mata Atlântica na porção oeste do Nordeste, onde há menos unidades de conservação. “A disponibilidade de proteína animal nessa região é baixa, por conta das altas taxa de densidade demográfica na zona rural. A economia de muitas casas de baixa renda é subsidiada por um padrão de caça que varia de recreativo à subsistência. Só a fauna relativamente tolerante a essa pressão persiste”, conta Peres.

 

Muitas espécies de mamíferos desapareceram até do folclore. “Ninguém nunca viu um muriqui ou um tamanduá-bandeira. Naquele caso, as reservas já chegariam atrasadas”, complementa Gustavo Canale, primeiro autor do artigo, que fez a pesquisa para seu doutorado na Universidade de Cambridge (Inglaterra). “Mesmo se existirem populações muito isoladas, elas estão tão reduzidas que já não são mais viáveis”, diz o biólogo, professor da Universidade Estadual de Mato Grosso. “A gente vê aquela mata bonita, acha que tem bicho, mas a verdade é que são florestas vazias.”

 

Entre janeiro de 2004 e janeiro de 2006, ele, Peres e colegas entrevistaram 8.846 pessoas que viviam no entorno dos remanescentes florestais havia pelo menos 15 anos. Tinham intimidade com a mata. Em muitos casos eram caçadores ou madeireiros, apesar de ninguém se declarar como tal. “Todo mundo fala que come a carne daqueles bichos, mas ninguém admite que caça”, conta Canale.

 

A análise mostrou uma taxa impressionante de extinções locais na fauna de mamíferos. De 3.528 populações possíveis de existir nos 196 fragmentos, 767 foram contabilizadas. Os remanescentes retinham 3,9 das 18 espécies investigadas.

Fonte: O Estado de São Paulo


16 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Amazônia deve sofrer grande extinção de espécies até 2050

Pesquisa avalia o impacto local promovido pela perda de vegetação em 30 anos e aponta que ainda há tempo para agir.

As piores consequências do desmatamento sofrido pela Amazônia ao longo de 30 anos ainda estão por vir. Até 2050, podem ocorrer de 80% a 90% das extinções de espécies de mamíferos, aves e anfíbios esperadas nos locais onde já foi perdida a vegetação. A boa notícia é que temos tempo para agir e evitar que elas de fato desapareçam. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada na edição desta semana da revista Science.

 

Um trio de pesquisadores da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos considerou as taxas de desmate na região de 1978 a 2008 e levou em conta a relação entre espécies e área – se o hábitat diminui, é de se esperar que o total de espécies que ali vivem diminua, ao menos localmente.

 

Acontece que os animais têm mobilidade, podem migrar para locais vizinhos ao degradado. Lá vão tentar sobreviver, competindo por recursos com animais que já estavam no local, de modo que o desaparecimento não é imediato, podendo levar décadas para se concretizar.

 

É essa diferença, que os pesquisadores chamam de “débito de extinção”, que foi calculada no trabalho. Grosso modo, é uma dívida que teria de ser “paga” – em espécies animais – pelo desmatamento do passado. A ideia por trás do termo é tanto mostrar o que poderia acontecer se simplesmente o processo de extinção seguisse o seu rumo, quanto estimar qual pode ser o destino dessas espécies que dependem da floresta, considerando outros cenários de ações.

 

Mas em vez de calcular para toda a Amazônia – o que seria problemático, porque há uma diferença de riqueza de biodiversidade no bioma -, os autores mapearam os nove Estados em quadros de 50 quilômetros quadrados, a fim de estimar os impactos locais. Uma espécie pode deixar de ocorrer em uma dada área, mas isso não significa que ela desapareceu por completo.

 

Tanto que a literatura ainda não aponta a extinção de nenhuma espécie na Amazônia, explica o ecólogo Robert Ewers, do Imperial College, de Londres, que liderou o estudo. “Uma razão para isso é que o desmatamento se concentrou no sul e no leste na Amazônia, enquanto a mais alta diversidade de espécies se encontra no oeste da região. Mas não há dúvida de que muitas estão localmente extintas onde o desmatamento foi mais pesado.”

 

Na pior hipótese, a do “business as usual”, considera-se a continuidade do modelo da expansão da agricultura; na melhor, que o desmatamento zere até 2020. Os pesquisadores propõem, no entanto, que o cenário mais realista é o que considera a permanência da governança, ou seja, das ações governamentais que levaram à queda do desmatamento nos últimos anos.

 

Mas mesmo nessa situação é de se esperar que espécies sumam. Em 2050, os pesquisadores estimam que localmente (nos quadros de 50 km² podem desaparecer de 6 a 12 espécies de mamíferos, aves e anfíbios em média; enquanto de 12 a 19 podem entrar na conta do que pode ser extinto nos anos seguintes.

 

Eles reforçam que isso ainda não aconteceu e ações que aumentem as unidades de conservação e promovam a restauração de áreas degradadas têm potencial de evitar o danos. Os mapas mostram em quais áreas esse esforço poderia promover mais benefícios.

 

Em outro artigo na Science que comenta o trabalho, Thiago Rangel, da Universidade Federal de Goiás, pondera que a conjuntura atual é incerta. “O governo vai investir pesado em infraestrutura, estão previstas 22 hidrelétricas de grande porte, estão sendo reduzidas as unidades de conservação e o Código Florestal vai ficar mais frouxo. A trajetória dos dez anos que passaram dava uma sinalização otimista, mas são os próximos dez anos que vão dizer o que vai acontecer.”

Fonte: O Estado de São Paulo


12 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas encontram 11 cobras de espécie declarada extinta em 1936

Para organização, variedade é a ‘mais rara do mundo’.
Exemplares vivem em ilhota de Santa Lúcia, no Caribe.

Após um levantamento de cinco meses, pesquisadores anunciaram nesta terça-feira (10) ter encontrado 11 exemplares do que consideram ser a “cobra mais rara do mundo”, da espécie Liophis ornatos, na pequena ilha de Maria Major, que faz parte de Santa Lúcia, um país caribenho.

Essa cobra já foi abundante naquele país, mas mangustos trazidos da Ásia foram dizimando sua população. De acordo com o Durrel Wildlife Conservation Trust, uma das organizações que realizou o levantamento, já em 1936 a espécie foi considerada extinta. Contudo, em 1973, um exemplar foi encontrado na ilhota de Maria Major, que ficou livre dos mangustos.

No final de 2011, um time internacional foi até o local e, durante 5 meses, procurou e marcou 11 cobras com chipes de rastreamento. A análise dos dados desses animais levou à conclusão de que existem 18 indivíduos da espécie vivendo ali. Uma estimativa menos conservadora, feita por outro método científico, indica que podem chegar a até cem.

Apenas 11 exemplares desta cobra foram encontrados pelos pesquisadores.  (Foto: AP)

Apenas 11 exemplares da cobra foram encontrados em Santa Lúcia. (Foto: AP)

Fonte: Globo Natureza


11 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Todos os dinossauros carnívoros tinham penas, diz estudo

Fóssil encontrado na Alemanha está mais próximo da base da evolução dos predadores e mais distante daquela que originou as aves, e mesmo assim era coberto de penas

Um fóssil extremamente bem preservado (como pode se perceber na foto acima) encontrado na Alemanha pode mudar tudo o que sabemos sobre os dinossauros carnívoros predadores, como os Tiranossauros. O fóssil foi apresentado nesta segunda-feira em um estudo publicado no periódico científico PNAS (Proceedings of National Academy of Sciences) e a partir dele pesquisadores alemães sugerem mudanças profundas no modo como acreditamos ser o aspecto dos grandes predadores do Jurássico, período de 199 a 145 milhões de anos atrás, no qual os dinossauros dominaram o planeta.

“Todos os dinossauros predadores tinham penas”, afirma categoricamente Oliver Rauhut, coautor do estudo e paleontólogo do Museu de Paleontologia e Geologia do Estado da Baviera. “Não seria nenhuma surpresa descobrir que as penas estavam presentes em todos os ancestrais dos dinossauros”, disse Mark Norell, co-autor do estudo e presidente da Divisão de Paleontologia do Museu Americano de História Natural, instituição que ajudou a financiar a pesquisa.

Já se sabe que ‘primos’ dos dinossauros, como os pterossauros, tinham estruturas parecidas com pelos cobrindo o corpo. Já os celurossauros, dinossauros terópodos que viveram em quase todos os continentes, na metade final do período Jurássico, tinham penas multicoloridas.

É aqui que entra em cena o fóssil descoberto pelos alemães, um jovem megalossauro batizadoSciurumimus albersdoerferi. Foi encontrado com as mandíbulas abertas e o rabo estendido acima da cabeça em uma laje de calcário em uma pedreira da Baviera, na mesma região da Alemanha onde, há 150 anos, outra amostra de um dino com penas havia sido descoberta, oArchaeopteryx lithographica.

Sciurumimus ganhou o nome em homenagem ao esquilo (que pertence ao gênero Sciurus) em função de sua cauda. O dinossauro tinha o crânio grande, patas traseiras curtas, a pele lisa e — esta é a descoberta mais importante do estudo — estava coberto de penas. A estimativa é de que ele tenha vivido há 150 milhões de anos, no período Jurássico.

Mas o Sciurumimus, mesmo cheio de penas, foi identificado como um megalossauro, mais próximo da base da linha evolutiva dos terópodos do que dos celurossauros. E isso pode mudar a percepção da aparência de tiranossauros e megalossauros, tidos até hoje (inclusive em filmes como Jurassic Park) como grandes lagartos ou parecidos com grandes crocodilos no que se refere à pele.

“Tudo o que encontramos nesses dias nos mostram o quão antiga são as características dos pássaros modernos na linha evolutiva e como esses animais eram parecidos com pássaros”, disse Mark Norell. As aves modernas são consideradas descendentes diretos dos celurossauros.

Fósseis completos como o do Sciurumimus são extremamente raros, ainda mais sendo provavelmente de um recém-nascido. Segundo os pesquisadores, esta espécie deveria se alimentar de pequenas presas e insetos. Mas o tamanho reduzido do fóssil não quer dizer que ele fosse um pequeno dinossauro carnívoro. “Sabemos, a partir de outras descobertas, que os dinossauros podiam ter um ritmo de crescimento lento”, disse Rauhut. “O Sciurumimus adulto podia chegar a quase dois metros de comprimento. Os grandes predadores podiam ser cheios de penas, mas isso não muda o fato de que estavam no topo da pirâmide alimentar.”

Fóssil do Sciurumimus

Descoberta: Fóssil de dinossauro com penas, o Sciurumimus, encontrado em uma laje de calcário no Sul da Alemanha (Divulgação/Museu Americano de História Natural)

Saiba mais

DIAPSIDA
Grupo de tetrápodes (vertebrados de quatro membros: répteis, aves e mamíferos são os maiores grupos). O grupo diapsida reúne todos os répteis, com exceção das tartarugas, cágados e jabutis.

ARCOSSAUROS
Grupo surgido por volta de 240 milhões de anos atrás, no período Triássico. No grupo estão os dinossauros,pterossauros, os atuais crocodilos e jacarés e as aves (que são considerados descendentes diretos dos dinossauros, portanto, são répteis também).

DINOSSAUROS
Grupo de répteis gigantes extintos que surgiu por volta de 225 milhões de anos atrás e viveu até cerca de 65 milhões de anos atrás, quando todos os dinossauros não avianos (ou seja, exceto as aves) foram extintos. Apresentavam pernas dispostas como colunas abaixo do corpo (e não voltadas para os lados, como nos jacarés). Os dinossauros são descendentes do grupo archosauria e podem ser reunidos em dois grandes ramos: saurísquios e ornitísquios (tão diferentes quanto os mamíferos marsupiais e os placentários entre eles). Apesar de seus fósseis serem conhecidos há milhares de anos (a lenda dos dragões veio daí), o termo dinossauro (deinos=terrível saurus=lagarto) só foi criado em 1842, pelo primeiro curador do Museu de História Natural de Londres, Richard Owen.

ORNITÍSQUIOS
O nome do grupo significa ‘cintura de ave’, embora as aves tenham se originado de outra linhagem dos dinossauros. Eram tanto quadrúpedes (como o Triceratops e o Stegosaurus) quanto bípedes (Lesothosaurus).

SAURÍSQUIOS
Grande grupo de dinossauros herbívoros caracterizados pelo pela pata anterior alongada e pelo pescoço comprido, muitas vezes com o leve formato de ‘S’. Fazem parte do grupo dos saurísquios os gigantescos saurópodes (os dinossauros que apareciam usados como guindastes no desenho animado Flintstones) e terápodes. Os dinossauros mais antigos são saurísquios e foram encontrados na América do Sul.

PTEROSSAURO
Répteis voadores enormes, que viveram na mesma época dos dinossauros. Alguns chegaram a ter 20 metros de envergadura de uma asa à outra. Nenhum outro animal voador foi tão grande.

TERÓPODOS
Os terápodos eram todos predadores carnívoros bípedes, e tinham aqueles ‘bracinhos’ característicos dos Tiranossauros, e, geralmente, garras e dentes afiados. Apesar do tiranossauro estar extinto, tecnicamente os terápodos ainda existem, já que as aves são descendentes de pequenos terópodos, como o Archaeopteryx, um pequeno dinossauro emplumado do tamanho de um pombo. “Acredite: o beija-flor é um dinossauro terápode tanto quanto um Tiranossauro rex”, afirma o paleontólogo Luiz Eduardo Anelli em seu livro O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil.

MEGALOSSAURO
Grandes predadores terópodos que abatiam saurópodes e até o Stegosaurus. Viviam na região onde hoje fica a Europa e a América do Norte.

CELUROSSAURO
Os celurossauros reúnem os terópodos mais aparentados com as aves. Todos tinham várias semelhanças morfológicas com as aves.

MANIRAPTORA
Grupo dos celurossauros dos quais, acredita-se, evoluíram diretamente as aves, por volta de 150 milhões de anos atrás, no período Jurássico. Faziam parte do grupo dinossauros predadores carnívoros como o Velociraptor (aparecem no filme Jurassic Park em várias cenas, como na que perseguem as crianças na cozinha do parque). Tecnicamente as aves são do grupo maniraptora.

 

Fontes: Veja Ciência, O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil, Luiz Eduardo Anelli, The Princeton Field Guide To Dinosaurs, University of California Museum of Paleontology


9 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Lista Vermelha 2012 revela novos dados sobre a saúde da biodiversidade mundial

Imagem: Mater Natura

Segundo a nova atualização da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, lançada no dia 19 de junho, as fontes de alimentos, remédios e água potável, ou seja, os meios de subsistência de milhões de pessoas podem estar em risco com o rápido declínio do mundo animal, vegetal e de espécies de fungos. A lista mostra que, das 63.837 espécies avaliadas, 19.817 estão ameaçadas de extinção, incluindo 41% de anfíbios, 33% dos corais, 25% dos mamíferos, 13% das aves, e 30% de coníferas.

Amplamente respeitada, a Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza) estuda uma pequena proporção das espécies conhecidas no mundo de forma a fornecer um panorama sobre a saúde da biodiversidade do mundo.

“A sustentabilidade é uma questão de vida ou morte para as pessoas do planeta”, afirmou Julia Marton-Lefèvre, diretora geral da IUCN. “Um futuro sustentável não pode ser alcançado sem conservação da diversidade biológica – espécies animais e vegetais, seus habitats e seus genes, não só para a natureza em si, mas também para todos os 7 bilhões de pessoas que dependem dele”, concluiu.

As 63.837 espécies avaliadas pelo Livro Vermelho se enquadram em oito categorias de conservação: 27.937 como “de menos preocupação” ou “quase ameaçadas”, 255 consideradas em “menor risco”, 4.467 semi-ameaçadas. Outras 3.947 estão em risco critico, 5.766 em risco e 10.104 estão vulneráveis, totalizando 19.817 espécies ameaçadas. Por sua vez, 63 espécies se tornaram extintas na natureza e 801 desapareceram completamente. As 10.497 espécies remanescentes na pesquisa possuem dados insuficientes que impedem um julgamento preciso.

A perda de espécies frequentemente resulta da destruição do hábitat. Mas espécies invasivas e, de forma crescente, o impacto das mudanças climáticas, também são fatores.

O novo relatório lançou luz sobre a exploração irresponsável de oceanos, lagos e rios. Os ecossistemas de água doce estão sob pressão considerável devido à expansão da população humana e a exploração dos recursos hídricos. Uma importante fonte de alimento, os peixes de água doce, está enfrentando ameaças de práticas de pesca insustentáveis e destruição de habitats causados pela poluição e pela construção de barragens. Um quarto das pescarias do mundo está localizado no continente africano, mas 27% dos peixes de água doce na África estão ameaçados.

Segundo a IUCN, em algumas partes do mundo até 90% das populações costeiras vivem da pesca, o que reduziu algumas populações de peixes comerciais em mais de 90%. As arraias, por exemplo, possui 36% da sua população ameaçada de extinção.

Mais de 275 milhões de pessoas são dependentes de recifes de corais como fonte de alimentos e como meio de subsistência. Globalmente, a pesca de recifes de coral rende aos EUA 6,8 bilhões dólares anualmente. A sobrepesca afeta 55% dos recifes do mundo e de acordo com a lista vermelha da IUCN, 18% dos meros, uma família economicamente importantes de peixes de recife de grande porte, estão ameaçadas.

Os recifes de corais devem ser geridos de forma sustentável para garantir que eles continuem fornecendo o alimento essencial no qual milhões de pessoas dependem como fonte de proteína, afirmou a IUCN.

A produção de pelo menos um terço dos alimentos do mundo, incluindo 87 das 113 principais culturas alimentares, depende da polinização realizada por insetos, morcegos e pássaros, gerando recursos da ordem de US$ 200 bilhões por ano. De acordo com a Lista Vermelha da IUCN, 16% das borboletas endêmicas da Europa estão ameaçadas. Os morcegos, igualmente importantes polinizadores, também estão em risco com 18% da sua população global ameaçada.
A mais recente atualização da Lista Vermelha da IUCN mostra também que quatro membros da família do beija-flor, que é conhecida por seus serviços de polinização, estão agora em maior risco de extinção como a brilhante rosa-throated (Heliodoxa gularis) listada como vulnerável. Além de seu papel importante como polinizadores, os morcegos e os pássaros também ajudam no controle das populações de insetos que podem de outra forma destruir economicamente importantes plantas agrícolas.

Os anfíbios desempenham um papel vital na busca de novos medicamentos. Compostos químicos importantes podem ser encontrados na pele de muitos sapos. No entanto, 41% das espécies de anfíbios estão ameaçadas de extinção, incluindo o sapo recentemente descrito, Anodonthyla hutchisoni, de Madagascar, que agora é considerado ameaçado.
A Lista Vermelha da IUCN mostra também que 10% das serpentes endêmicas da China e Sudeste da Ásia estão ameaçadas de extinção, isso porque as cobras são utilizadas na medicina tradicional e na fabricação de soro anti-veneno, assim como alimento e fonte de renda com a venda de peles.

Quase 43% das espécies de serpentes endêmicas do Sudeste Asiático estão ameaçadas pelo uso insustentável. A maior serpente venenosa do mundo, a King Cobra (Ophiophagus hannah),está listada como vulnerável devido à perda de habitat e sua exploração para fins medicinais. A píton birmanesa (Python bivittatus), mais conhecido no Ocidente como uma espécie invasora em Everglades, Flórida, também está listada como vulnerável na sua área nativa, por causa do comércio e da exploração excessiva do animal como alimento e para a retirada da pele. No entanto, a China e o Vietnã, são os locais onde as espécies estão mais ameaçadas. Apesar de estarem designadas como uma espécie protegida na China, as populações de lá não mostram evidências de recuperação e a exploração ilegal continua.

Os dados apresentados no relatório auxiliam atualmente na implementação da Meta nº 12 do Plano Estratégico para a Biodiversidade (2011-2020), resultante do Protocolo de Nagoya, estabelecido durante a Convenção das Partes das Nações Unidas para a Biodiversidade, que ocorreu em 2010. Nesse trecho do documento é proposto que até o ano de 2020 a extinção de espécies identificadas como ameaçadas terá sido evitada e o status de conservação, particularmente das que estão em maior declínio, terá sido melhorada e mantida.

Fonte: Mater Natura


29 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Quanto tempo levou para a Terra se recuperar da maior extinção em massa?

Imagem: Mater Natura

250 milhões de anos atrás, a crise do fim do período Permiano atingiu a Terra. Foi o pior desastre do tipo: a maior extinção em massa do nosso planeta, que nos fez perder 90% das espécies (estimativas chegam a dizer que até 99% da vida na Terra se extinguiu).

Alguns acreditam que a causa dessa extinção foi o impacto de um meteorito ou uma atividade vulcânica. Outros pesquisadores dizem que a crise desencadeou uma série de choques físicos ambientais, como o aquecimento global, a chuva ácida, a acidificação do oceano e a anoxia (ausência de oxigênio) dos oceanos. A conclusão, de qualquer forma, é de que esse desastre alterou a composição do ar radicalmente no planeta.

A intensidade dessa crise, e crises sucessivas, fizeram com que levasse cerca de 10 milhões de anos para a vida na Terra se recuperar, de acordo com um novo estudo feito por Zhong-Qiang Chen, da Universidade de Geociências em Wuhan, China, e Michael Benton, da Universidade de Bristol, Reino Unido.

Nós, seres humanos, já causamos a extinção de espécies do planeta. Durante o nosso “mandato”, estimativas sugerem que dizimamos cerca de mil espécies de animais. Como existem (de que temos conhecimento) cerca de 8 milhões de espécies vivas hoje, isso significa que, mesmo de acordo com as estimativas mais pessimistas, acabamos com 0,01% de toda a vida animal.

Isso certamente não é motivo de orgulho, mas é muito pouco quando comparado com as grandes extinções da natureza. A comparação serve para você entender a gravidade da situação; nesse cenário, será que 10 milhões de anos foi muito tempo para tal recuperação?

A crise principal foi dramática o suficiente, mas cinco a seis milhões de anos após o desastre, o mundo continuou enfrentando condições péssimas para a existência da vida, como crises repetidas de carbono e de oxigênio, além de aquecimento global.

Essas condições não propícias impediram que os cerca de 10% das espécies sobreviventes se recuperassem rápido. Alguns até conseguiram se recuperar de forma relativamente rápida, mas a formação de sistemas complexos permanentes só foi possível após cerca de cinco milhões de anos.

Passada a gravidade dessas crises ambientais, novos grupos de animais surgiram no mar, como caranguejos, lagostas e répteis marinhos, que formaram a base dos futuros ecossistemas modernos.

Aquecimento global, chuva ácida, acidificação dos oceanos… Esses não são termos estranhos para nós, não é? Se tudo isso foi capaz de dizimar no mínimo 90% das espécies da Terra no passado, o que impede de isso acontecer de novo?

“As causas da morte das espécies – o aquecimento global, a chuva ácida, a acidificação dos oceanos – soam estranhamente familiares para nós hoje. Talvez possamos aprender alguma coisa com estes acontecimentos antigos”, disse o professor britânico Benton.

E é melhor aprendermos mesmo, a não ser que estejamos dispostos a esperar mais 10 milhões de anos por uma segunda chance.

Fonte: Mater Natura


20 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Extinção do mamute lanoso não foi repentina

Estudo aponta combinação de fatores para explicar o fim dos mamíferos gigantes, como elevação das temperaturas, mudança na vegetação e a caça

Um novo estudo, publicado na edição desta semana da revista Nature Communications,contesta as pesquisas que afirmaram que os mamutes lanosos foram extintos brutalmente. De acordo com o trabalho, a extinção dessa espécie aconteceu de forma lenta e progressiva e não teve uma única causa. Os fatores levaram ao fim da espécie são a elevação das temperaturas, a mudança na vegetação e a dispersão dos caçadores humanos.

Os cientistas já levantaram diversas hipóteses para explicar a extinção desses mamíferos gigantes que habitaram a Terra principalmente durante o Pleistoceno. Alguns cientistas dizem que o motivo foi a mudança climática, outros apostam na pressão da crescente população humana e há pesquisadores que acreditam em um cataclismo causado pelo impacto de um meteoro.

Um estudo publicado em agosto de 2010, por pesquisadores da Universidade de Durham (Inglaterra), indicava que os humanos não tiveram influência no processo de extinção dos mamutes. De acordo com este estudo, as mudanças da paisagem, como redução de pastagens e a expansão das florestas, foram responsáveis pelo fim dos mamutes.

O estudo atual não nega totalmente algumas dessas outras explicações, mas defende que foram múltiplos os fatores que levaram à extinção dos mamutes. “Não houve uma única causa que os eliminou de uma vez”, declarou o autor principal do estudo, Glen MacDonald, da Universidade da Califórnia.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores fizeram usaram uma base de dados de datações feitas por radiocarbono. Os resultados mostram declínio e ascensão da espécie em diferentes momentos e locais geográficos, indicando um processo lento e irregular.

Períodos de extinção — O estudo mostrou, por exemplo, que os mamutes de Bering (estreito que unia o atual Alasca e a Sibéria) eram abundantes entre 45.000 e 30.000 anos atrás. Durante o pico da Era do Gelo, 25.000 anos atrás, as populações do Norte diminuíram enquanto as que viviam na Sibéria aumentaram. A partir desse período, esses animais tiveram um longo declínio, enfrentando mudanças climáticas, de habitat e a presença humana. A maioria desapareceu por volta de 10.000 anos atrás e foram extintos definitivamente há 4.000 anos.

Saiba mais

MAMUTE LANOSO
O mamute lanoso (Mammtuhus primigenius) é uma espécie adaptada ao frio da Sibéria. Esses animais tinham o corpo coberto por pelos castanhos longos que formavam uma cobertura espessa contra o clima gelado. Compunham a megafauna do Pleistoceno e são parentes próximos dos elefantes asiáticos e africanos.

ERA DO GELO
É todo período geológico em que ocorre significativa diminuição na temperatura da Terra. Mantos de gelo se expandem pelos continentes e glaciações atingem a superfície e a atmosfera do planeta. Nos últimos milhões de anos, a Terra viveu várias eras glaciais, ocorrendo a intervalos de 10 mil a 100 mil anos. A última grande era glacial teve seu pico há 25.000 anos e terminou 11.000 anos atrás, aproximadamente.

PLEISTOCENO
Corresponde ao intervalo entre 1,8 milhão e 11.500 anos atrás. Na escala geológica, faz parte do período Quaternário da era Cenozoica. Aves e mamíferos gigantes, como mamutes e búfalos, caracterizam essa época. No pleistoceno ocorreram as mais recentes Eras do Gelo.

Mamute-lanoso

Novo estudo diz que os mamutes lanosos foram extintos lentamente e por uma combinação de fatores como alterações climáticas e a dispersão humana pelo planeta (Photoresearchers/Latinstock)

Fonte: Veja Ciência


4 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Embate entre conservacionistas define futuro de cavalos selvagens

Com a chegada do verão, as praias da ilha Corolla, na Carolina do Sul, Estados Unidos, ficarão repletas de carros e banhistas, mas na baixa estação o terreno é deixado para os cavalos selvagens. Pequenos, com uma coloração que varia entre o castanho e o preto, eles passeiam por entre as casas de veraneio em manadas de cinco ou seis.

Milhares desses cavalos já perambularam por todos os Outer Banks da Carolina do Norte, e eles são os prováveis descendentes das montarias que pertenceram aos exploradores espanhóis, cinco séculos atrás. Mas, agora, seu número diminuiu para umas poucas centenas de animais, das quais os mais conhecidos vivem na reserva federal de Shackleford Banks.

Contudo, a maior manada, que recentemente chegou a quase 140 garanhões, ocupa mais de 3.000 hectares de um terreno estreito que se estende do fim da Rodovia 12, em Corolla, até a divisa com a Virgínia, 11 quilômetros ao norte. Sem predadores naturais e presos pelas cercas que se lançam sobre o Atlântico agitado, o endocruzamento da manada é tão intenso que seus defensores temem que um colapso genético ocorra em questão de algumas gerações.

Seus apoiadores estão realizando uma campanha para salvar a manada de Corolla, e eles têm aliados poderosos no Congresso. Em fevereiro, a Câmara aprovou uma lei que mantêm a manada em cerca de 120 indivíduos e que permite a importação de novas éguas de Shackleford para introduzir genes frescos.

Conservacionistas da vida selvagem afirmam que a questão não é tão simples. As praias, pântanos, pradarias e florestas próximas de Corolla são uma parada para bandos de aves migratórias ameaçadas de extinção, e são o lugar onde as tartarugas marinhas põem seus ovos. Grande parte da área ocupada pelos cavalos pertence ao Refúgio Nacional de Vida Selvagem Currituck, e os defensores do habitat nativo temem que o atual tamanho das manadas sobrecarregue o ecossistema.

O futuro dos cavalos levanta questões mais amplas, como a de se um animal pode ser preservado em detrimento de outro – e quem deve decidir isso.

“Estamos falando sobre valores”, afirmou Michael Hutchins, diretor executivo da Wildlife Society, que representa biólogos e gestores da vida selvagem que se opõem à medida aprovada pela Câmara. “Eu gosto de cavalos; acredito que eles sejam animais fascinantes. Mas eu também valorizo profundamente o pouco que restou de nossas espécies nativas e de seus habitats.”

Ambos os lados invocam a ciência para defender sua causa. Mas os dados são esparsos e um estudo amplo sobre o impacto dos cavalos não deve ficar pronto antes do ano que vem.

Na arena dos sentimentos públicos e políticos, os cavalos ganham com facilidade. A ligação entre cavalos e seres humanos existe há séculos; esse é o animal que puxou os arados, que carregou os exércitos e os colonos em nome da civilização.

“Deus colocou essa coisa tão linda aqui – como podemos não querer protegê-la?”, afirmou Betty Lane, de 70 anos, que vive na região há mais de 40 anos, enquanto dirigia seu furgão como parte da patrulha civil que protege os cavalos. (Ela parou depois de confundir o repórter com um turista que tentava se aproximar demais dos cavalos, contrariando a lei da cidade.) Ela usava um colar com o nome Spec, em homenagem a um garanhão que foi atropelado por um motorista na praia.

A dedicação aos cavalos selvagens é algo tão arraigado nesta e em outras regiões, que muitos de seus apoiadores chegam a se irritar quando dizem que os animais “não são nativos”, citando fósseis que comprovam que cavalos viveram na América do Norte há mais de 11.000 anos, antes de serem extintos juntamente com outras criaturas do Pleistoceno, como os mastodontes.

Os cavalos selvagens de Corolla não surgiram aqui. Eles são animais domesticados que perderam sua domesticidade. Ainda que alguns céticos questionem se os cavalos são realmente espanhóis, uma pesquisa realizada pelo Grupo de Conservação das Raças Pecuárias dos Estados Unidos, além de outros grupos, observou as costas curtas dos cavalos, suas caudas baixas e outras características que os diferenciam dos demais animais norte-americanos. Uma análise de DNA, publicada em fevereiro na revista Animal Genetics, também aponta para uma origem comum entre esses cavalos, sugerindo que eles possam ser uma relíquia viva de uma variedade ibérica que não existe em nenhuma outra parte.

O estudo também confirma os medos de que o endocruzamento entre os cavalos esteja se tornando perigosamente grande. “Há manadas selvagens com pouca diversidade, mas não muitas”, afirmou Gus Cothran, especialista em genética equina na Universidade Texas A&M e principal autor do relatório. Ele afirma que uma manada de 60 animais seria capaz de sobreviver, desde que novas éguas fossem introduzidas no grupo a cada geração (cerca de oito anos). A lei federal estipula manadas de 110 a 130 animais, segundo Cothran, o número mínimo poderia diminuir a velocidade da erosão genética, caso os animais fossem mantidos isolados.

“Não estamos pedindo centenas de cavalos”, afirmou Karen McCalpin, diretora da Fundação Corolla de Cavalos Selvagens, que protege e cuida dos cavalos, realizando projetos de conscientização pública a seu respeito. O cerne do desentendimento com os conservacionistas da vida selvagem está no número de cavalos que o habitat é capaz de suportar. “Caso eles fossem prejudiciais ao meio ambiente”, afirmou, “isso já não seria evidente a essa altura?”.

Se não fosse pelas pessoas, essa questão seria mais fácil de responder. Outras manadas de cavalos dos Outer Banks vivem em áreas praticamente livres da presença humana. Mas os cavalos de Corolla vivem quase exclusivamente das terras e das paisagens humanas. Promotores de turismo gostam de mostrar cavalos brincando na areia e na arrebentação, com suas crinas balançando majestosamente ao vento. Contudo, é igualmente provável que esses animais sejam avistados pastando próximos às calçadas.

Além da genética, os turistas representam um perigo para as manadas: seja por colisões com motoristas distraídos, ou porque visitantes em busca de boas fotos burlam as regras do local, que criminalizam o ato de alimentar ou de se aproximar a menos de 15 metros de um cavalo, No último verão, um potro de duas semanas morreu por consequência de uma obstrução intestinal após comer cascas de melancia dadas a ele por visitantes.

Conforme Corolla se torna mais desenvolvida, os cavalos podem se afastar cada vez mais para terrenos dos santuários da vida selvagem. Preocupado com uma espécie de pássaro chamada açanã-preta, Mike Hoff, o diretor do refúgio, cercou uma faixa de 55 hectares de terreno pantanoso, no verão passado, depois de notar que o capim estava esgotado há diversas estações. “Isso não significa que queríamos excluir os cavalos porque não gostamos deles”, afirmou.

Um dos poucos estudos que examinam o impacto direto dos cavalos foi publicado em 2004 na revista The Journal of Range Management. Pesquisadores da Universidade da Carolina do Leste escreveram que, em geral, as plantas de Corolla se recuperaram no início do verão seguinte, após servirem de pasto por uma estação. Mas os dados foram colhidos em 1997, quando a população de cavalos estava estimada em 43 animais espalhados por 4.600 hectares. Atualmente, a área é quase 1.600 hectares menor, e a manada mais que triplicou de tamanho.

Os atuais estudos a respeito dos animais selvagens, financiados pelo Serviço de Peixes e Vida Selvagem e pela Universidade Estadual da Carolina do Norte, têm o objetivo de medir os efeitos causados por suínos e veados, além dos cavalos. Destacar o impacto dos cavalos “é uma questão difícil”, segundo o líder da pesquisa, Chris DePerno, mas ele acrescentou que “acreditamos que compusemos um estudo excepcional”.

Nesse caso, a política e a ciência podem estar funcionando em ritmos diferentes. O senado pode aprovar a lei antes que o estudo de DePerno esteja completo. McCalpin lamentou o fato de que os cavalos já estejam apresentando sinais de falência genética, com potros que nascem esporadicamente com um tamanho incrivelmente pequeno, ou com joelhos traseiros que travam, ao invés de dobrar.

“O tempo está se esgotando”, afirmou, acrescentando: “Eles estiveram aqui nos últimos cinco séculos. Eu fico triste em pensar que não estarão aqui nos próximos”.

Fonte: Portal iG


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23 de março de 2015 | nenhum comentário »

Pika-de-Ili, mamífero ‘fofinho’ raro, é redescoberto em montanhas da China

Espécie foi descoberta em 1983 e foi vista raras vezes desde então.
Mesmo cientista que a descobriu conseguiu fotografar exemplar em 2014

 

O cientista Weidong Li, do Instituto de Ecologia e Geografia Xinjiang, na China, descobriu por acaso uma nova espécie de mamífero em 1983: a pika-de-Ili (Ochotona iliensis). O pequeno animal, encontrado pela primeira vez na cordilheira Tian Shan, no noroeste da China, tem uma peculiar aparência de bichinho de pelúcia fofo.

Desde sua descoberta, foram raras as vezes em que o mamífero foi visto. Em 2014, durante uma expedição à cordilheira Tian Shan, o mesmo cientista que descobriu a espécie conseguiu registrar em foto uma rara aparição de um exemplar. A história do raro bichinho das montanhas e seu descobridor foi publicada na edição de março da revista “National Geographic China”.

Weidong Li partiu para as monhanhas em 2014 com alguns voluntários justamente para procurar exemplares da pika-de-Ili, segundo a revista. O exemplar típico do mamífero mede cerca de 20 cm, tem orelhas grandes e pêlo acinzentado com manchas marrons.

Um artigo publicado na revista científica “Oryx” por Weidong em  2005 fala sobre o possível declínio do número de exemplares de pika-de-Ili nos locais onde o animal havia sido visto anteriormente.

Segundo o artigo, o aumento da temperatura devido ao aquecimento global pode ter contribuído para o “dramático declínio” da população da espécie. O autor recomendava que a espécie fosse classificada como ameaçada de extinção.

  Rara foto de exemplar de pika-de-Ili foi fotografado em 2014 pelo cientista Weidong Li no noroeste da China  (Foto: Li Weidong/Wikimedia Commons)

Rara foto de exemplar de pika-de-Ili foi feita em 2014 pelo cientista Weidong Li no noroeste da China (Foto: Li Weidong/Wikimedia Commons)

 Fonte: Globo Natureza

20 de março de 2013 | nenhum comentário »

Pesquisadores esperam ‘reviver’ rã extinta há 30 anos com clonagem

Animal engolia ovos e incubava filhotes no estômago, diz estudo.
Cientistas conseguiram reativar núcleo de células ‘mortas’ de rã extinta.

Cientistas do Projeto Lazarus estão trabalhando para “reviver” uma espécie de rã australiana, extinta há cerca de 30 anos, utilizando técnicas de clonagem. Eles conseguiram implantar de forma bem-sucedida núcleos retirados de células “mortas” do animal, que estavam congeladas há anos, em células de um anfíbio de outra espécie aparentada.

A rã extinta, da espécie Rheobatrachus silus, era conhecida por sua forma bizarra de cuidar dos filhotes: ela engolia os ovos, incubava os filhotes no estômago e depois “dava a luz” a eles pela boca, segundo os cientistas.

O animal foi considerado extinto em 1983. Os pesquisadores preservaram exemplares da rã congelados e conseguiram, com repetidos experimentos, transferir núcleos de células somáticas (já especializadas em algum tecido, como a pele) para células embrionárias de outra espécie de anfíbio: a Mixophyes fasciolatus, uma “parente distante”, segundo os cientistas.

Divisão celular
Ao substituir o núcleo ativo das células da Mixophyes fasciolatus pelo núcleo “morto” da rã extinta, os cientistas conseguiram que ocorresse espontaneamente a divisão celular e que novas células surgissem. Os embriões, no entanto, morreram após alguns dias.

Apesar disso, testes genéticos confirmaram que as novas células obtidas continham material genético da rã extinta. “Nós estamos observando um ‘ressuscitar dos mortos’, passo a passo”, disse o professor Mike Archer, da Universidade de New South Wales, em Sydney, na Austrália.

“Nós reativamos células mortas usando células vivas e ‘revivemos’ o genoma da rã extinta no processo. Agora nós temos células preservadas criogenicamente do animal extinto, para usar em futuros experimentos de clonagem”, disse Archer.

“Estamos confiantes que os obstáculos agora são tecnológicos e não biológicos, e que vamos ser bem-sucedidos”, analisou o pesquisador no estudo.

Rã da espécie XYZ, que ficou congelada por 40 anos (Foto: Divulgação/Bob Beale/Projeto Lazarus)

'Rheobatrachus silus', rã que ficou congelada por 40 anos (Foto: Divulgação/Bob Beale/Projeto Lazarus)

Imagem de arquivo mostra a rã 'dando a luz' a filhote pela boca (Foto: Divulgação/Universidade de Adelaide)

Imagem de arquivo mostra a rã 'dando a luz' a filhote pela boca (Foto: Divulgação/Universidade de Adelaide)

Fonte: Globo Natureza


16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Cinco mamíferos são extintos da Mata Atlântica

Não é de hoje que biólogos da conservação sabem que pequenos fragmentos de floresta tropical, em meio a fazendas ou cidades, pouco contribuem para a sobrevivência de animais de médio e grande porte, que precisam de espaço para locomoção, alimentação e reprodução. Novo estudo de pesquisadores brasileiros mostra que, pelo menos para a Mata Atlântica, a realidade desafia essa teoria clássica.

Mesmo grandes remanescentes estão sendo incapazes de manter a biodiversidade. Sem proteção efetiva que impeça a entrada de pessoas, a pressão histórica e atual de caçadores diminui os benefícios de ter uma área remanescente grande com uma floresta relativamente intacta, explica o biólogo Carlos Peres, da Universidade East Anglia, que liderou a pesquisa publicada na revista PLoS ONE.

 

O trabalho inventariou 18 espécies de mamíferos em 196 fragmentos ao longo da Mata Atlântica, o bioma mais ameaçado, que já perdeu cerca de 90 % da cobertura original. Mais de 205 mil km de estradas foram percorridos. Os pesquisadores descobriram que cinco delas tinham sido totalmente ou virtualmente extintas numa escala regional: queixada, onça-pintada, anta, muriqui e tamanduá-bandeira. E observaram que o fator que fez mais diferença para a manutenção da biodiversidade foi uma proteção efetiva da área. Isso ficou claro quando compararam fragmentos de tamanhos parecidos em que a diferença entre era o nível de proteção – os mais protegidos tinham mais animais.

 

E falar em proteção significa não apenas criar unidades de conservação. Em muitos casos elas existem, mas não estão implementadas nem têm segurança, sendo incapazes de impedir, por exemplo, a entrada de caçadores ou madeireiros. “Apenas cinco dos remanescentes investigados eram protegidos na prática e foram os que apresentaram as maiores taxas de retenção de espécies”, diz Peres.

 

A situação se mostrou mais crítica nos fragmentos da Mata Atlântica na porção oeste do Nordeste, onde há menos unidades de conservação. “A disponibilidade de proteína animal nessa região é baixa, por conta das altas taxa de densidade demográfica na zona rural. A economia de muitas casas de baixa renda é subsidiada por um padrão de caça que varia de recreativo à subsistência. Só a fauna relativamente tolerante a essa pressão persiste”, conta Peres.

 

Muitas espécies de mamíferos desapareceram até do folclore. “Ninguém nunca viu um muriqui ou um tamanduá-bandeira. Naquele caso, as reservas já chegariam atrasadas”, complementa Gustavo Canale, primeiro autor do artigo, que fez a pesquisa para seu doutorado na Universidade de Cambridge (Inglaterra). “Mesmo se existirem populações muito isoladas, elas estão tão reduzidas que já não são mais viáveis”, diz o biólogo, professor da Universidade Estadual de Mato Grosso. “A gente vê aquela mata bonita, acha que tem bicho, mas a verdade é que são florestas vazias.”

 

Entre janeiro de 2004 e janeiro de 2006, ele, Peres e colegas entrevistaram 8.846 pessoas que viviam no entorno dos remanescentes florestais havia pelo menos 15 anos. Tinham intimidade com a mata. Em muitos casos eram caçadores ou madeireiros, apesar de ninguém se declarar como tal. “Todo mundo fala que come a carne daqueles bichos, mas ninguém admite que caça”, conta Canale.

 

A análise mostrou uma taxa impressionante de extinções locais na fauna de mamíferos. De 3.528 populações possíveis de existir nos 196 fragmentos, 767 foram contabilizadas. Os remanescentes retinham 3,9 das 18 espécies investigadas.

Fonte: O Estado de São Paulo


16 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Amazônia deve sofrer grande extinção de espécies até 2050

Pesquisa avalia o impacto local promovido pela perda de vegetação em 30 anos e aponta que ainda há tempo para agir.

As piores consequências do desmatamento sofrido pela Amazônia ao longo de 30 anos ainda estão por vir. Até 2050, podem ocorrer de 80% a 90% das extinções de espécies de mamíferos, aves e anfíbios esperadas nos locais onde já foi perdida a vegetação. A boa notícia é que temos tempo para agir e evitar que elas de fato desapareçam. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada na edição desta semana da revista Science.

 

Um trio de pesquisadores da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos considerou as taxas de desmate na região de 1978 a 2008 e levou em conta a relação entre espécies e área – se o hábitat diminui, é de se esperar que o total de espécies que ali vivem diminua, ao menos localmente.

 

Acontece que os animais têm mobilidade, podem migrar para locais vizinhos ao degradado. Lá vão tentar sobreviver, competindo por recursos com animais que já estavam no local, de modo que o desaparecimento não é imediato, podendo levar décadas para se concretizar.

 

É essa diferença, que os pesquisadores chamam de “débito de extinção”, que foi calculada no trabalho. Grosso modo, é uma dívida que teria de ser “paga” – em espécies animais – pelo desmatamento do passado. A ideia por trás do termo é tanto mostrar o que poderia acontecer se simplesmente o processo de extinção seguisse o seu rumo, quanto estimar qual pode ser o destino dessas espécies que dependem da floresta, considerando outros cenários de ações.

 

Mas em vez de calcular para toda a Amazônia – o que seria problemático, porque há uma diferença de riqueza de biodiversidade no bioma -, os autores mapearam os nove Estados em quadros de 50 quilômetros quadrados, a fim de estimar os impactos locais. Uma espécie pode deixar de ocorrer em uma dada área, mas isso não significa que ela desapareceu por completo.

 

Tanto que a literatura ainda não aponta a extinção de nenhuma espécie na Amazônia, explica o ecólogo Robert Ewers, do Imperial College, de Londres, que liderou o estudo. “Uma razão para isso é que o desmatamento se concentrou no sul e no leste na Amazônia, enquanto a mais alta diversidade de espécies se encontra no oeste da região. Mas não há dúvida de que muitas estão localmente extintas onde o desmatamento foi mais pesado.”

 

Na pior hipótese, a do “business as usual”, considera-se a continuidade do modelo da expansão da agricultura; na melhor, que o desmatamento zere até 2020. Os pesquisadores propõem, no entanto, que o cenário mais realista é o que considera a permanência da governança, ou seja, das ações governamentais que levaram à queda do desmatamento nos últimos anos.

 

Mas mesmo nessa situação é de se esperar que espécies sumam. Em 2050, os pesquisadores estimam que localmente (nos quadros de 50 km² podem desaparecer de 6 a 12 espécies de mamíferos, aves e anfíbios em média; enquanto de 12 a 19 podem entrar na conta do que pode ser extinto nos anos seguintes.

 

Eles reforçam que isso ainda não aconteceu e ações que aumentem as unidades de conservação e promovam a restauração de áreas degradadas têm potencial de evitar o danos. Os mapas mostram em quais áreas esse esforço poderia promover mais benefícios.

 

Em outro artigo na Science que comenta o trabalho, Thiago Rangel, da Universidade Federal de Goiás, pondera que a conjuntura atual é incerta. “O governo vai investir pesado em infraestrutura, estão previstas 22 hidrelétricas de grande porte, estão sendo reduzidas as unidades de conservação e o Código Florestal vai ficar mais frouxo. A trajetória dos dez anos que passaram dava uma sinalização otimista, mas são os próximos dez anos que vão dizer o que vai acontecer.”

Fonte: O Estado de São Paulo


12 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas encontram 11 cobras de espécie declarada extinta em 1936

Para organização, variedade é a ‘mais rara do mundo’.
Exemplares vivem em ilhota de Santa Lúcia, no Caribe.

Após um levantamento de cinco meses, pesquisadores anunciaram nesta terça-feira (10) ter encontrado 11 exemplares do que consideram ser a “cobra mais rara do mundo”, da espécie Liophis ornatos, na pequena ilha de Maria Major, que faz parte de Santa Lúcia, um país caribenho.

Essa cobra já foi abundante naquele país, mas mangustos trazidos da Ásia foram dizimando sua população. De acordo com o Durrel Wildlife Conservation Trust, uma das organizações que realizou o levantamento, já em 1936 a espécie foi considerada extinta. Contudo, em 1973, um exemplar foi encontrado na ilhota de Maria Major, que ficou livre dos mangustos.

No final de 2011, um time internacional foi até o local e, durante 5 meses, procurou e marcou 11 cobras com chipes de rastreamento. A análise dos dados desses animais levou à conclusão de que existem 18 indivíduos da espécie vivendo ali. Uma estimativa menos conservadora, feita por outro método científico, indica que podem chegar a até cem.

Apenas 11 exemplares desta cobra foram encontrados pelos pesquisadores.  (Foto: AP)

Apenas 11 exemplares da cobra foram encontrados em Santa Lúcia. (Foto: AP)

Fonte: Globo Natureza


11 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Todos os dinossauros carnívoros tinham penas, diz estudo

Fóssil encontrado na Alemanha está mais próximo da base da evolução dos predadores e mais distante daquela que originou as aves, e mesmo assim era coberto de penas

Um fóssil extremamente bem preservado (como pode se perceber na foto acima) encontrado na Alemanha pode mudar tudo o que sabemos sobre os dinossauros carnívoros predadores, como os Tiranossauros. O fóssil foi apresentado nesta segunda-feira em um estudo publicado no periódico científico PNAS (Proceedings of National Academy of Sciences) e a partir dele pesquisadores alemães sugerem mudanças profundas no modo como acreditamos ser o aspecto dos grandes predadores do Jurássico, período de 199 a 145 milhões de anos atrás, no qual os dinossauros dominaram o planeta.

“Todos os dinossauros predadores tinham penas”, afirma categoricamente Oliver Rauhut, coautor do estudo e paleontólogo do Museu de Paleontologia e Geologia do Estado da Baviera. “Não seria nenhuma surpresa descobrir que as penas estavam presentes em todos os ancestrais dos dinossauros”, disse Mark Norell, co-autor do estudo e presidente da Divisão de Paleontologia do Museu Americano de História Natural, instituição que ajudou a financiar a pesquisa.

Já se sabe que ‘primos’ dos dinossauros, como os pterossauros, tinham estruturas parecidas com pelos cobrindo o corpo. Já os celurossauros, dinossauros terópodos que viveram em quase todos os continentes, na metade final do período Jurássico, tinham penas multicoloridas.

É aqui que entra em cena o fóssil descoberto pelos alemães, um jovem megalossauro batizadoSciurumimus albersdoerferi. Foi encontrado com as mandíbulas abertas e o rabo estendido acima da cabeça em uma laje de calcário em uma pedreira da Baviera, na mesma região da Alemanha onde, há 150 anos, outra amostra de um dino com penas havia sido descoberta, oArchaeopteryx lithographica.

Sciurumimus ganhou o nome em homenagem ao esquilo (que pertence ao gênero Sciurus) em função de sua cauda. O dinossauro tinha o crânio grande, patas traseiras curtas, a pele lisa e — esta é a descoberta mais importante do estudo — estava coberto de penas. A estimativa é de que ele tenha vivido há 150 milhões de anos, no período Jurássico.

Mas o Sciurumimus, mesmo cheio de penas, foi identificado como um megalossauro, mais próximo da base da linha evolutiva dos terópodos do que dos celurossauros. E isso pode mudar a percepção da aparência de tiranossauros e megalossauros, tidos até hoje (inclusive em filmes como Jurassic Park) como grandes lagartos ou parecidos com grandes crocodilos no que se refere à pele.

“Tudo o que encontramos nesses dias nos mostram o quão antiga são as características dos pássaros modernos na linha evolutiva e como esses animais eram parecidos com pássaros”, disse Mark Norell. As aves modernas são consideradas descendentes diretos dos celurossauros.

Fósseis completos como o do Sciurumimus são extremamente raros, ainda mais sendo provavelmente de um recém-nascido. Segundo os pesquisadores, esta espécie deveria se alimentar de pequenas presas e insetos. Mas o tamanho reduzido do fóssil não quer dizer que ele fosse um pequeno dinossauro carnívoro. “Sabemos, a partir de outras descobertas, que os dinossauros podiam ter um ritmo de crescimento lento”, disse Rauhut. “O Sciurumimus adulto podia chegar a quase dois metros de comprimento. Os grandes predadores podiam ser cheios de penas, mas isso não muda o fato de que estavam no topo da pirâmide alimentar.”

Fóssil do Sciurumimus

Descoberta: Fóssil de dinossauro com penas, o Sciurumimus, encontrado em uma laje de calcário no Sul da Alemanha (Divulgação/Museu Americano de História Natural)

Saiba mais

DIAPSIDA
Grupo de tetrápodes (vertebrados de quatro membros: répteis, aves e mamíferos são os maiores grupos). O grupo diapsida reúne todos os répteis, com exceção das tartarugas, cágados e jabutis.

ARCOSSAUROS
Grupo surgido por volta de 240 milhões de anos atrás, no período Triássico. No grupo estão os dinossauros,pterossauros, os atuais crocodilos e jacarés e as aves (que são considerados descendentes diretos dos dinossauros, portanto, são répteis também).

DINOSSAUROS
Grupo de répteis gigantes extintos que surgiu por volta de 225 milhões de anos atrás e viveu até cerca de 65 milhões de anos atrás, quando todos os dinossauros não avianos (ou seja, exceto as aves) foram extintos. Apresentavam pernas dispostas como colunas abaixo do corpo (e não voltadas para os lados, como nos jacarés). Os dinossauros são descendentes do grupo archosauria e podem ser reunidos em dois grandes ramos: saurísquios e ornitísquios (tão diferentes quanto os mamíferos marsupiais e os placentários entre eles). Apesar de seus fósseis serem conhecidos há milhares de anos (a lenda dos dragões veio daí), o termo dinossauro (deinos=terrível saurus=lagarto) só foi criado em 1842, pelo primeiro curador do Museu de História Natural de Londres, Richard Owen.

ORNITÍSQUIOS
O nome do grupo significa ‘cintura de ave’, embora as aves tenham se originado de outra linhagem dos dinossauros. Eram tanto quadrúpedes (como o Triceratops e o Stegosaurus) quanto bípedes (Lesothosaurus).

SAURÍSQUIOS
Grande grupo de dinossauros herbívoros caracterizados pelo pela pata anterior alongada e pelo pescoço comprido, muitas vezes com o leve formato de ‘S’. Fazem parte do grupo dos saurísquios os gigantescos saurópodes (os dinossauros que apareciam usados como guindastes no desenho animado Flintstones) e terápodes. Os dinossauros mais antigos são saurísquios e foram encontrados na América do Sul.

PTEROSSAURO
Répteis voadores enormes, que viveram na mesma época dos dinossauros. Alguns chegaram a ter 20 metros de envergadura de uma asa à outra. Nenhum outro animal voador foi tão grande.

TERÓPODOS
Os terápodos eram todos predadores carnívoros bípedes, e tinham aqueles ‘bracinhos’ característicos dos Tiranossauros, e, geralmente, garras e dentes afiados. Apesar do tiranossauro estar extinto, tecnicamente os terápodos ainda existem, já que as aves são descendentes de pequenos terópodos, como o Archaeopteryx, um pequeno dinossauro emplumado do tamanho de um pombo. “Acredite: o beija-flor é um dinossauro terápode tanto quanto um Tiranossauro rex”, afirma o paleontólogo Luiz Eduardo Anelli em seu livro O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil.

MEGALOSSAURO
Grandes predadores terópodos que abatiam saurópodes e até o Stegosaurus. Viviam na região onde hoje fica a Europa e a América do Norte.

CELUROSSAURO
Os celurossauros reúnem os terópodos mais aparentados com as aves. Todos tinham várias semelhanças morfológicas com as aves.

MANIRAPTORA
Grupo dos celurossauros dos quais, acredita-se, evoluíram diretamente as aves, por volta de 150 milhões de anos atrás, no período Jurássico. Faziam parte do grupo dinossauros predadores carnívoros como o Velociraptor (aparecem no filme Jurassic Park em várias cenas, como na que perseguem as crianças na cozinha do parque). Tecnicamente as aves são do grupo maniraptora.

 

Fontes: Veja Ciência, O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil, Luiz Eduardo Anelli, The Princeton Field Guide To Dinosaurs, University of California Museum of Paleontology


9 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Lista Vermelha 2012 revela novos dados sobre a saúde da biodiversidade mundial

Imagem: Mater Natura

Segundo a nova atualização da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, lançada no dia 19 de junho, as fontes de alimentos, remédios e água potável, ou seja, os meios de subsistência de milhões de pessoas podem estar em risco com o rápido declínio do mundo animal, vegetal e de espécies de fungos. A lista mostra que, das 63.837 espécies avaliadas, 19.817 estão ameaçadas de extinção, incluindo 41% de anfíbios, 33% dos corais, 25% dos mamíferos, 13% das aves, e 30% de coníferas.

Amplamente respeitada, a Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza) estuda uma pequena proporção das espécies conhecidas no mundo de forma a fornecer um panorama sobre a saúde da biodiversidade do mundo.

“A sustentabilidade é uma questão de vida ou morte para as pessoas do planeta”, afirmou Julia Marton-Lefèvre, diretora geral da IUCN. “Um futuro sustentável não pode ser alcançado sem conservação da diversidade biológica – espécies animais e vegetais, seus habitats e seus genes, não só para a natureza em si, mas também para todos os 7 bilhões de pessoas que dependem dele”, concluiu.

As 63.837 espécies avaliadas pelo Livro Vermelho se enquadram em oito categorias de conservação: 27.937 como “de menos preocupação” ou “quase ameaçadas”, 255 consideradas em “menor risco”, 4.467 semi-ameaçadas. Outras 3.947 estão em risco critico, 5.766 em risco e 10.104 estão vulneráveis, totalizando 19.817 espécies ameaçadas. Por sua vez, 63 espécies se tornaram extintas na natureza e 801 desapareceram completamente. As 10.497 espécies remanescentes na pesquisa possuem dados insuficientes que impedem um julgamento preciso.

A perda de espécies frequentemente resulta da destruição do hábitat. Mas espécies invasivas e, de forma crescente, o impacto das mudanças climáticas, também são fatores.

O novo relatório lançou luz sobre a exploração irresponsável de oceanos, lagos e rios. Os ecossistemas de água doce estão sob pressão considerável devido à expansão da população humana e a exploração dos recursos hídricos. Uma importante fonte de alimento, os peixes de água doce, está enfrentando ameaças de práticas de pesca insustentáveis e destruição de habitats causados pela poluição e pela construção de barragens. Um quarto das pescarias do mundo está localizado no continente africano, mas 27% dos peixes de água doce na África estão ameaçados.

Segundo a IUCN, em algumas partes do mundo até 90% das populações costeiras vivem da pesca, o que reduziu algumas populações de peixes comerciais em mais de 90%. As arraias, por exemplo, possui 36% da sua população ameaçada de extinção.

Mais de 275 milhões de pessoas são dependentes de recifes de corais como fonte de alimentos e como meio de subsistência. Globalmente, a pesca de recifes de coral rende aos EUA 6,8 bilhões dólares anualmente. A sobrepesca afeta 55% dos recifes do mundo e de acordo com a lista vermelha da IUCN, 18% dos meros, uma família economicamente importantes de peixes de recife de grande porte, estão ameaçadas.

Os recifes de corais devem ser geridos de forma sustentável para garantir que eles continuem fornecendo o alimento essencial no qual milhões de pessoas dependem como fonte de proteína, afirmou a IUCN.

A produção de pelo menos um terço dos alimentos do mundo, incluindo 87 das 113 principais culturas alimentares, depende da polinização realizada por insetos, morcegos e pássaros, gerando recursos da ordem de US$ 200 bilhões por ano. De acordo com a Lista Vermelha da IUCN, 16% das borboletas endêmicas da Europa estão ameaçadas. Os morcegos, igualmente importantes polinizadores, também estão em risco com 18% da sua população global ameaçada.
A mais recente atualização da Lista Vermelha da IUCN mostra também que quatro membros da família do beija-flor, que é conhecida por seus serviços de polinização, estão agora em maior risco de extinção como a brilhante rosa-throated (Heliodoxa gularis) listada como vulnerável. Além de seu papel importante como polinizadores, os morcegos e os pássaros também ajudam no controle das populações de insetos que podem de outra forma destruir economicamente importantes plantas agrícolas.

Os anfíbios desempenham um papel vital na busca de novos medicamentos. Compostos químicos importantes podem ser encontrados na pele de muitos sapos. No entanto, 41% das espécies de anfíbios estão ameaçadas de extinção, incluindo o sapo recentemente descrito, Anodonthyla hutchisoni, de Madagascar, que agora é considerado ameaçado.
A Lista Vermelha da IUCN mostra também que 10% das serpentes endêmicas da China e Sudeste da Ásia estão ameaçadas de extinção, isso porque as cobras são utilizadas na medicina tradicional e na fabricação de soro anti-veneno, assim como alimento e fonte de renda com a venda de peles.

Quase 43% das espécies de serpentes endêmicas do Sudeste Asiático estão ameaçadas pelo uso insustentável. A maior serpente venenosa do mundo, a King Cobra (Ophiophagus hannah),está listada como vulnerável devido à perda de habitat e sua exploração para fins medicinais. A píton birmanesa (Python bivittatus), mais conhecido no Ocidente como uma espécie invasora em Everglades, Flórida, também está listada como vulnerável na sua área nativa, por causa do comércio e da exploração excessiva do animal como alimento e para a retirada da pele. No entanto, a China e o Vietnã, são os locais onde as espécies estão mais ameaçadas. Apesar de estarem designadas como uma espécie protegida na China, as populações de lá não mostram evidências de recuperação e a exploração ilegal continua.

Os dados apresentados no relatório auxiliam atualmente na implementação da Meta nº 12 do Plano Estratégico para a Biodiversidade (2011-2020), resultante do Protocolo de Nagoya, estabelecido durante a Convenção das Partes das Nações Unidas para a Biodiversidade, que ocorreu em 2010. Nesse trecho do documento é proposto que até o ano de 2020 a extinção de espécies identificadas como ameaçadas terá sido evitada e o status de conservação, particularmente das que estão em maior declínio, terá sido melhorada e mantida.

Fonte: Mater Natura


29 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Quanto tempo levou para a Terra se recuperar da maior extinção em massa?

Imagem: Mater Natura

250 milhões de anos atrás, a crise do fim do período Permiano atingiu a Terra. Foi o pior desastre do tipo: a maior extinção em massa do nosso planeta, que nos fez perder 90% das espécies (estimativas chegam a dizer que até 99% da vida na Terra se extinguiu).

Alguns acreditam que a causa dessa extinção foi o impacto de um meteorito ou uma atividade vulcânica. Outros pesquisadores dizem que a crise desencadeou uma série de choques físicos ambientais, como o aquecimento global, a chuva ácida, a acidificação do oceano e a anoxia (ausência de oxigênio) dos oceanos. A conclusão, de qualquer forma, é de que esse desastre alterou a composição do ar radicalmente no planeta.

A intensidade dessa crise, e crises sucessivas, fizeram com que levasse cerca de 10 milhões de anos para a vida na Terra se recuperar, de acordo com um novo estudo feito por Zhong-Qiang Chen, da Universidade de Geociências em Wuhan, China, e Michael Benton, da Universidade de Bristol, Reino Unido.

Nós, seres humanos, já causamos a extinção de espécies do planeta. Durante o nosso “mandato”, estimativas sugerem que dizimamos cerca de mil espécies de animais. Como existem (de que temos conhecimento) cerca de 8 milhões de espécies vivas hoje, isso significa que, mesmo de acordo com as estimativas mais pessimistas, acabamos com 0,01% de toda a vida animal.

Isso certamente não é motivo de orgulho, mas é muito pouco quando comparado com as grandes extinções da natureza. A comparação serve para você entender a gravidade da situação; nesse cenário, será que 10 milhões de anos foi muito tempo para tal recuperação?

A crise principal foi dramática o suficiente, mas cinco a seis milhões de anos após o desastre, o mundo continuou enfrentando condições péssimas para a existência da vida, como crises repetidas de carbono e de oxigênio, além de aquecimento global.

Essas condições não propícias impediram que os cerca de 10% das espécies sobreviventes se recuperassem rápido. Alguns até conseguiram se recuperar de forma relativamente rápida, mas a formação de sistemas complexos permanentes só foi possível após cerca de cinco milhões de anos.

Passada a gravidade dessas crises ambientais, novos grupos de animais surgiram no mar, como caranguejos, lagostas e répteis marinhos, que formaram a base dos futuros ecossistemas modernos.

Aquecimento global, chuva ácida, acidificação dos oceanos… Esses não são termos estranhos para nós, não é? Se tudo isso foi capaz de dizimar no mínimo 90% das espécies da Terra no passado, o que impede de isso acontecer de novo?

“As causas da morte das espécies – o aquecimento global, a chuva ácida, a acidificação dos oceanos – soam estranhamente familiares para nós hoje. Talvez possamos aprender alguma coisa com estes acontecimentos antigos”, disse o professor britânico Benton.

E é melhor aprendermos mesmo, a não ser que estejamos dispostos a esperar mais 10 milhões de anos por uma segunda chance.

Fonte: Mater Natura


20 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Extinção do mamute lanoso não foi repentina

Estudo aponta combinação de fatores para explicar o fim dos mamíferos gigantes, como elevação das temperaturas, mudança na vegetação e a caça

Um novo estudo, publicado na edição desta semana da revista Nature Communications,contesta as pesquisas que afirmaram que os mamutes lanosos foram extintos brutalmente. De acordo com o trabalho, a extinção dessa espécie aconteceu de forma lenta e progressiva e não teve uma única causa. Os fatores levaram ao fim da espécie são a elevação das temperaturas, a mudança na vegetação e a dispersão dos caçadores humanos.

Os cientistas já levantaram diversas hipóteses para explicar a extinção desses mamíferos gigantes que habitaram a Terra principalmente durante o Pleistoceno. Alguns cientistas dizem que o motivo foi a mudança climática, outros apostam na pressão da crescente população humana e há pesquisadores que acreditam em um cataclismo causado pelo impacto de um meteoro.

Um estudo publicado em agosto de 2010, por pesquisadores da Universidade de Durham (Inglaterra), indicava que os humanos não tiveram influência no processo de extinção dos mamutes. De acordo com este estudo, as mudanças da paisagem, como redução de pastagens e a expansão das florestas, foram responsáveis pelo fim dos mamutes.

O estudo atual não nega totalmente algumas dessas outras explicações, mas defende que foram múltiplos os fatores que levaram à extinção dos mamutes. “Não houve uma única causa que os eliminou de uma vez”, declarou o autor principal do estudo, Glen MacDonald, da Universidade da Califórnia.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores fizeram usaram uma base de dados de datações feitas por radiocarbono. Os resultados mostram declínio e ascensão da espécie em diferentes momentos e locais geográficos, indicando um processo lento e irregular.

Períodos de extinção — O estudo mostrou, por exemplo, que os mamutes de Bering (estreito que unia o atual Alasca e a Sibéria) eram abundantes entre 45.000 e 30.000 anos atrás. Durante o pico da Era do Gelo, 25.000 anos atrás, as populações do Norte diminuíram enquanto as que viviam na Sibéria aumentaram. A partir desse período, esses animais tiveram um longo declínio, enfrentando mudanças climáticas, de habitat e a presença humana. A maioria desapareceu por volta de 10.000 anos atrás e foram extintos definitivamente há 4.000 anos.

Saiba mais

MAMUTE LANOSO
O mamute lanoso (Mammtuhus primigenius) é uma espécie adaptada ao frio da Sibéria. Esses animais tinham o corpo coberto por pelos castanhos longos que formavam uma cobertura espessa contra o clima gelado. Compunham a megafauna do Pleistoceno e são parentes próximos dos elefantes asiáticos e africanos.

ERA DO GELO
É todo período geológico em que ocorre significativa diminuição na temperatura da Terra. Mantos de gelo se expandem pelos continentes e glaciações atingem a superfície e a atmosfera do planeta. Nos últimos milhões de anos, a Terra viveu várias eras glaciais, ocorrendo a intervalos de 10 mil a 100 mil anos. A última grande era glacial teve seu pico há 25.000 anos e terminou 11.000 anos atrás, aproximadamente.

PLEISTOCENO
Corresponde ao intervalo entre 1,8 milhão e 11.500 anos atrás. Na escala geológica, faz parte do período Quaternário da era Cenozoica. Aves e mamíferos gigantes, como mamutes e búfalos, caracterizam essa época. No pleistoceno ocorreram as mais recentes Eras do Gelo.

Mamute-lanoso

Novo estudo diz que os mamutes lanosos foram extintos lentamente e por uma combinação de fatores como alterações climáticas e a dispersão humana pelo planeta (Photoresearchers/Latinstock)

Fonte: Veja Ciência


4 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Embate entre conservacionistas define futuro de cavalos selvagens

Com a chegada do verão, as praias da ilha Corolla, na Carolina do Sul, Estados Unidos, ficarão repletas de carros e banhistas, mas na baixa estação o terreno é deixado para os cavalos selvagens. Pequenos, com uma coloração que varia entre o castanho e o preto, eles passeiam por entre as casas de veraneio em manadas de cinco ou seis.

Milhares desses cavalos já perambularam por todos os Outer Banks da Carolina do Norte, e eles são os prováveis descendentes das montarias que pertenceram aos exploradores espanhóis, cinco séculos atrás. Mas, agora, seu número diminuiu para umas poucas centenas de animais, das quais os mais conhecidos vivem na reserva federal de Shackleford Banks.

Contudo, a maior manada, que recentemente chegou a quase 140 garanhões, ocupa mais de 3.000 hectares de um terreno estreito que se estende do fim da Rodovia 12, em Corolla, até a divisa com a Virgínia, 11 quilômetros ao norte. Sem predadores naturais e presos pelas cercas que se lançam sobre o Atlântico agitado, o endocruzamento da manada é tão intenso que seus defensores temem que um colapso genético ocorra em questão de algumas gerações.

Seus apoiadores estão realizando uma campanha para salvar a manada de Corolla, e eles têm aliados poderosos no Congresso. Em fevereiro, a Câmara aprovou uma lei que mantêm a manada em cerca de 120 indivíduos e que permite a importação de novas éguas de Shackleford para introduzir genes frescos.

Conservacionistas da vida selvagem afirmam que a questão não é tão simples. As praias, pântanos, pradarias e florestas próximas de Corolla são uma parada para bandos de aves migratórias ameaçadas de extinção, e são o lugar onde as tartarugas marinhas põem seus ovos. Grande parte da área ocupada pelos cavalos pertence ao Refúgio Nacional de Vida Selvagem Currituck, e os defensores do habitat nativo temem que o atual tamanho das manadas sobrecarregue o ecossistema.

O futuro dos cavalos levanta questões mais amplas, como a de se um animal pode ser preservado em detrimento de outro – e quem deve decidir isso.

“Estamos falando sobre valores”, afirmou Michael Hutchins, diretor executivo da Wildlife Society, que representa biólogos e gestores da vida selvagem que se opõem à medida aprovada pela Câmara. “Eu gosto de cavalos; acredito que eles sejam animais fascinantes. Mas eu também valorizo profundamente o pouco que restou de nossas espécies nativas e de seus habitats.”

Ambos os lados invocam a ciência para defender sua causa. Mas os dados são esparsos e um estudo amplo sobre o impacto dos cavalos não deve ficar pronto antes do ano que vem.

Na arena dos sentimentos públicos e políticos, os cavalos ganham com facilidade. A ligação entre cavalos e seres humanos existe há séculos; esse é o animal que puxou os arados, que carregou os exércitos e os colonos em nome da civilização.

“Deus colocou essa coisa tão linda aqui – como podemos não querer protegê-la?”, afirmou Betty Lane, de 70 anos, que vive na região há mais de 40 anos, enquanto dirigia seu furgão como parte da patrulha civil que protege os cavalos. (Ela parou depois de confundir o repórter com um turista que tentava se aproximar demais dos cavalos, contrariando a lei da cidade.) Ela usava um colar com o nome Spec, em homenagem a um garanhão que foi atropelado por um motorista na praia.

A dedicação aos cavalos selvagens é algo tão arraigado nesta e em outras regiões, que muitos de seus apoiadores chegam a se irritar quando dizem que os animais “não são nativos”, citando fósseis que comprovam que cavalos viveram na América do Norte há mais de 11.000 anos, antes de serem extintos juntamente com outras criaturas do Pleistoceno, como os mastodontes.

Os cavalos selvagens de Corolla não surgiram aqui. Eles são animais domesticados que perderam sua domesticidade. Ainda que alguns céticos questionem se os cavalos são realmente espanhóis, uma pesquisa realizada pelo Grupo de Conservação das Raças Pecuárias dos Estados Unidos, além de outros grupos, observou as costas curtas dos cavalos, suas caudas baixas e outras características que os diferenciam dos demais animais norte-americanos. Uma análise de DNA, publicada em fevereiro na revista Animal Genetics, também aponta para uma origem comum entre esses cavalos, sugerindo que eles possam ser uma relíquia viva de uma variedade ibérica que não existe em nenhuma outra parte.

O estudo também confirma os medos de que o endocruzamento entre os cavalos esteja se tornando perigosamente grande. “Há manadas selvagens com pouca diversidade, mas não muitas”, afirmou Gus Cothran, especialista em genética equina na Universidade Texas A&M e principal autor do relatório. Ele afirma que uma manada de 60 animais seria capaz de sobreviver, desde que novas éguas fossem introduzidas no grupo a cada geração (cerca de oito anos). A lei federal estipula manadas de 110 a 130 animais, segundo Cothran, o número mínimo poderia diminuir a velocidade da erosão genética, caso os animais fossem mantidos isolados.

“Não estamos pedindo centenas de cavalos”, afirmou Karen McCalpin, diretora da Fundação Corolla de Cavalos Selvagens, que protege e cuida dos cavalos, realizando projetos de conscientização pública a seu respeito. O cerne do desentendimento com os conservacionistas da vida selvagem está no número de cavalos que o habitat é capaz de suportar. “Caso eles fossem prejudiciais ao meio ambiente”, afirmou, “isso já não seria evidente a essa altura?”.

Se não fosse pelas pessoas, essa questão seria mais fácil de responder. Outras manadas de cavalos dos Outer Banks vivem em áreas praticamente livres da presença humana. Mas os cavalos de Corolla vivem quase exclusivamente das terras e das paisagens humanas. Promotores de turismo gostam de mostrar cavalos brincando na areia e na arrebentação, com suas crinas balançando majestosamente ao vento. Contudo, é igualmente provável que esses animais sejam avistados pastando próximos às calçadas.

Além da genética, os turistas representam um perigo para as manadas: seja por colisões com motoristas distraídos, ou porque visitantes em busca de boas fotos burlam as regras do local, que criminalizam o ato de alimentar ou de se aproximar a menos de 15 metros de um cavalo, No último verão, um potro de duas semanas morreu por consequência de uma obstrução intestinal após comer cascas de melancia dadas a ele por visitantes.

Conforme Corolla se torna mais desenvolvida, os cavalos podem se afastar cada vez mais para terrenos dos santuários da vida selvagem. Preocupado com uma espécie de pássaro chamada açanã-preta, Mike Hoff, o diretor do refúgio, cercou uma faixa de 55 hectares de terreno pantanoso, no verão passado, depois de notar que o capim estava esgotado há diversas estações. “Isso não significa que queríamos excluir os cavalos porque não gostamos deles”, afirmou.

Um dos poucos estudos que examinam o impacto direto dos cavalos foi publicado em 2004 na revista The Journal of Range Management. Pesquisadores da Universidade da Carolina do Leste escreveram que, em geral, as plantas de Corolla se recuperaram no início do verão seguinte, após servirem de pasto por uma estação. Mas os dados foram colhidos em 1997, quando a população de cavalos estava estimada em 43 animais espalhados por 4.600 hectares. Atualmente, a área é quase 1.600 hectares menor, e a manada mais que triplicou de tamanho.

Os atuais estudos a respeito dos animais selvagens, financiados pelo Serviço de Peixes e Vida Selvagem e pela Universidade Estadual da Carolina do Norte, têm o objetivo de medir os efeitos causados por suínos e veados, além dos cavalos. Destacar o impacto dos cavalos “é uma questão difícil”, segundo o líder da pesquisa, Chris DePerno, mas ele acrescentou que “acreditamos que compusemos um estudo excepcional”.

Nesse caso, a política e a ciência podem estar funcionando em ritmos diferentes. O senado pode aprovar a lei antes que o estudo de DePerno esteja completo. McCalpin lamentou o fato de que os cavalos já estejam apresentando sinais de falência genética, com potros que nascem esporadicamente com um tamanho incrivelmente pequeno, ou com joelhos traseiros que travam, ao invés de dobrar.

“O tempo está se esgotando”, afirmou, acrescentando: “Eles estiveram aqui nos últimos cinco séculos. Eu fico triste em pensar que não estarão aqui nos próximos”.

Fonte: Portal iG


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