20 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Recomendado pela ONU, consumo de insetos na dieta já ocorre no Brasil

Tanajura é forma mais tradicional; prática não é oficialmente regulamentada.
Criação em MG serve para experiências de chefs e curiosos

O consumo de insetos na alimentação humana, recomendado em um relatório publicado nesta semana pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), já existe em algumas espécies que são consumidas no Brasil.

A mais comum é a formiga tanajura, que é um alimento relativamente tradicional em áreas do interior de Minas Gerais e do Nordeste, em forma de farofa. Outro inseto conhecido é a larva do besouro Pachymerus nucleorum, que se instala dentro de frutos, e que por isso também é conhecida como “larva do coquinho”. Seu consumo faz parte de brincadeiras na zona rural e de treinamentos de sobrevivência na selva.

Os órgãos oficiais ainda não dão muita importância ao assunto, apesar da recente recomendação do órgão da ONU. No Guia Alimentar para a População Brasileira, o Ministério da Saúde não faz nenhuma menção ao consumo de insetos. Já a Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan) do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) entende que esse hábito alimentar não faz parte da cultura brasileira e não tem estudos neste sentido. O Ministério da Agricultura, por sua vez, afirma que não há registro oficial de estabelecimentos que produzam insetos para o consumo humano.

“Eu espero fortemente que o governo brasileiro reconheça os insetos como fonte de alimentos dos brasileiros”, afirmou Eraldo Costa Neto, professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (BA) que pesquisa as relações entre humanos e insetos. “Infelizmente, o governo brasileiro ainda vê insetos como pragas”, completou o especialista, que foi o único brasileiro a participar da convenção da FAO que deu origem ao relatório publicado na segunda(13/05).

Torta feita com larvas (Foto: Liza Flores/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Torta feita com larvas (Foto: Liza Flores/Grupo Vale Verde/Divulgação)

À espera de reconhecimento
Apesar de o Ministério da Agricultura dizer que nunca registrou nenhum produtor de insetos para consumo humano, uma empresa de Minas Gerais afirma que já entrou com o pedido para obter a licença e que ainda não recebeu resposta.

Na verdade, a Nutrinsecta é especializada na produção de insetos para a alimentação de animais. No entanto, como os animais são tratados em um ambiente limpo e saudável, não há nenhum empecilho para o consumo humano. Isso atrai chefs de cozinha e curiosos, que, esporadicamente, usam esses ingredientes para desenvolver seus pratos.

Com a orientação da FAO, a empresa espera que o mercado cresça e se prepara para atender a uma possível demanda. “Hoje, eu estou muito feliz porque realmente nunca fiz nenhuma gestão para alimentação humana, exatamente pelo preconceito”, afirmou Luiz Otávio Gonçalves, presidente do Grupo Vale Verde, ao qual a Nutrinsecta pertence. “Mas agora eu posso sair do armário”, brincou o empresário.

Os insetos produzidos no local são os tenébrios — um tipo de besouro do qual se consome a larva, nos tipos comum e gigante — grilo preto, barata cinérea, larva de mosca e pupa de mosca.

A criação de insetos nasceu de um hobby de Gonçalves, que mantém um viveiro com aves raras em um parque mantido pela empresa em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ajudando, inclusive, a reproduzir espécies em extinção.

No início, as aves eram alimentadas com sementes, como na natureza. Porém, como gastam menos energia no cativeiro, o excesso de gordura das sementes prejudicava o sistema reprodutivo das aves. O criador pediu ajuda a especialistas e foi instruído a usar insetos como ração. “O nível de reprodução das aves foi de 35% para 70%”, contou.

A partir daí, o grupo começou a criar seus próprios insetos. Hoje, a produção está em uma tonelada por mês, com planos de expansão, mas a ideia principal continua sendo o uso como ração animal.

Grilos produzidos pela Nutrinsecta (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Grilos produzidos pela Nutrinsecta (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Valores nutricionais
A recomendação da FAO pelo consumo de insetos se dá pela grande quantidade de proteínas encontrada nestes animais. Os números variam muito de acordo com o tipo de inseto, mas as espécies já consumidas no Brasil e as produzidas pela Nutrinsecta têm valores bem acima dos alimentos tradicionais, como mostra a tabela.

Alimento Gramas de proteína (em cada 100 gramas do alimento cru)
Barata cinérea 60
Larva de mosca 50
Grilo preto 48
Larva de tenébrio 47
Tanajura 44,6
Larva do coquinho 33
Feijão 21,5
Carne de boi 20,2
Carne de frango 19,7
Carne de porco 18,5
Peixe 16,6
Arroz 7,2
Brócolis 3,3
Couve 1,4

“As proteínas são nutrientes necessários ao organismo para o crescimento, desenvolvimento e reparação dos tecidos corporais. Além de fazerem parte de diversas estruturas do organismo, compõem enzimas, hormônios, fazem transporte de nutrientes e compõem o sistema imunológico”, explicou a nutricionista Lara Natacci, responsável técnica da Dietnet Assessoria Nutricional, de São Paulo.

A orientação dos nutricionistas é que uma pessoa consoma entre 0,8 e 1 grama diária de proteínas para cada quilo de seu peso. Em outras palavras, quem pesa 50 kg deve ingerir entre 40 e 50 gramas de proteínas em um dia.

Embora o relatório tenha sugerido os insetos como uma forma de combate a fome, esse não é o único objetivo da organização. A ideia, em longo prazo, é criar o hábito e incluí-lo no cardápio como um todo. “Inseto não é para gente pobre e desnutrida. Inseto é para ser consumido por todos”, afirmou o especialista Eraldo Costa Neto.

Por serem ricos em proteínas, os insetos conseguiriam suprir a mesma produção de nutrientes do gado gastando menos recursos – água, área e alimentos. Como a tendência é que o preço da carne bovina suba muito ao longo do século, a dieta de insetos tende a ganhar adeptos. “É uma alternativa não só econômica, como também ecológica”, apontou Costa Neto.

Tenébrio (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Tenébrios (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/ Divulgação)

Os insetos também são muito ricos em gordura, mas o tipo de gordura é diferente do encontrado nos bovinos, por exemplo. “Eles têm gorduras poli-insaturadas, que não nos fazem mal, diferentemente da picanha”, indicou o pesquisador. Esse tipo de gordura é semelhante à encontrada em peixes e sementes oleaginosas, comumente indicada por médicos.

Outro ponto a favor dos insetos na tabela nutricional são os minerais – em especial o ferro, essencial para combater a anemia. Em geral, eles têm, no mínimo, a mesma quantidade de ferro presente na carne vermelha – que, por sua vez, já é considerada rica na substância.

Eles têm ainda quantidades significativas de sódio, potássio, zinco, fósforo, manganês, magnésio, cobre e cálcio, e a quantidade varia de espécie para espécie.

Cuidados
Os defensores desse tipo de alimentação não sugerem, no entanto, que insetos encontrados em casa sejam incluídos na dieta da noite para o dia. “Não se devem pegar animais a torto e a direito porque eles podem ter contaminantes”, alertou Costa Neto.

Com isso, o especialista não se refere apenas à sujeira que eles podem trazer, mas também a toxinas naturais que podem existir nesses organismos. Existem milhões de espécies de insetos e muitas delas não são comestíveis em hipótese nenhuma.

“Falta ainda muita pesquisa básica – de biologia – para saber que espécies de insetos estariam aptas para o consumo humano”, disse o especialista.

Outro cuidado necessário para quem tiver curiosidade em consumir os insetos tem que ter é em relação às alergias. Os crustáceos, como o camarão e a lagosta, pertencem ao mesmo filo que os insetos, o dos artrópodes. Assim, quem tiver alergia a um grupo possivelmente também terá reação alérgica ao outro.

Pão de queijo recheado com larvas é uma das receitas modernas com o uso de insetos (Foto: Eraldo Costa Neto/Divulgação)

Pão de queijo recheado com larvas é uma das receitas modernas com o uso de insetos (Foto: Eraldo Costa Neto/Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


21 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Empresas correm para aprovar projetos no mercado de carbono

Primeiro período de vigência do Protocolo de Kyoto vai até dezembro.
Burocracia pode atrapalhar andamento de iniciativas brasileiras.

A pouco mais de sete meses do final do primeiro período de vigência do Protocolo de Kyoto, empresas brasileiras dos setores de energia e resíduos sólidos correm para que o governo federal e a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovem a tempo projetos voltados à redução das emissões de gases de efeito estufa. O objetivo é captar recursos no mercado de créditos de carbono antes que as regras do protocolo mudem.

Entre as iniciativas que aguardam aprovação estão a instalação de equipamentos em aterros que evitam a emissão de gases do tratamento de lixo, a construção de pequenas centrais hidrelétricas ou torres eólicas para geração de energia e o reflorestamento de áreas para sequestro de CO2.

O Protocolo de Kyoto é um acordo global para reduzir a emissão de gases estufa, como o dióxido de carbono, para conter o avanço das mudanças climáticas. O mercado de créditos de carbono foi criado dentro de um instrumento do protocolo chamado “Mecanismo de Desenvolvimento Limpo” (MDL) e permite a países desenvolvidos (como os europeus) comprar toneladas de CO2 que não foram emitidas por países em desenvolvimento (como o Brasil) graças à implantação de tecnologias limpas em diferentes áreas. Um crédito de carbono equivale a uma tonelada não-emitida.

Na prática, empresas brasileiras que investem em tecnologias limpas podem vender seus créditos de carbono para empresas de países desenvolvidos, gerando renda.

O protocolo expiraria inicialmente em dezembro de 2012, mas foi renovado para um novo período, de 2013 até 2017 ou 2020 – a data final ainda será definida. Porém, países da União Europeia já sinalizaram que vão adquirir apenas créditos de projetos aprovados até o fim de 2012 — já que, a partir de 2013, as regras do mercado podem mudar. Por isso, a correria das empresas brasileiras.

A Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima (Cimgc), que reúne 11 diferentes ministérios brasileiros, espera um aumento no envio de projetos até o fim do ano.

Segundo Carlos Nobre, secretário de políticas e programas de pesquisa e desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), havia uma expectativa maior quanto à procura.

“Todo mundo tem ideias de requerer a aprovação de um projeto. Esperávamos um número grande esse ano, mas, por enquanto, a procura tem sido menor”, disse Nobre.

Em análise
Dados fornecidos ao Globo Natureza pelo MCTI mostram que 54 projetos das áreas de resíduos sólidos, energia e florestas estão na comissão para aprovação ou revisão. Um trâmite que é obrigatório antes de sua aprovação final pela Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), que coordena o Protocolo de Kyoto, com sede na Alemanha.

Uma das empresas que tentam acelerar a aprovação de projetos é a Estre, uma das maiores do setor de resíduos sólidos do Brasil. Desde 2006, a Estre tem cinco projetos implementados para reduzir as emissões de CO2 em aterros sanitários, que geraram 4,14 milhões de toneladas de carbono já negociados com a iniciativa privada da Europa.

Agora, a empresa tenta homologar outras cinco iniciativas nas comissões do Brasil e da ONU.

“Há uma corrida entre as empresas para conseguir aprovar os projetos até o final do ano, sendo que alguns são de aterros que nem foram inaugurados. Já há uma demanda de trabalho muito grande nesta área”, afirmou Bruno Caldas, especialista em biogás da Estre Ambiental.

Demora e risco
O Grupo Cemig, do setor de energia, que atua em Minas Gerais e em outros 18 estados brasileiros, também tenta aprovar na comissão interministerial projetos de instalação de parques eólicos para gerar 294 megawatts (MW) de potência.

Segundo Ezequiel Teodoro Elorde, responsável pelos projetos de MDL da Cemig, é preciso mais agilidade na aprovação de projetos por parte do governo para que as propostas sejam encaminhadas à ONU mais rapidamente, de preferência até o final do ano. “O prazo para obtenção do registro tem sido bastante moroso”, explicou.

Para Fernando Pinheiro Pedro, advogado e consultor do Banco Mundial sobre o mercado de crédito de carbono, a demora por parte do governo federal pode fazer com que muitas empresas “fiquem com o mico na mão”.

Ele explicou que muitas empresas que já implantaram tecnologias voltadas à redução de emissões podem não conseguir resgatar os créditos de carbono para investimentos ambientais. “Se esses projetos não forem aprovados no Brasil rapidamente, o risco de perda é alto”, alertou.

Nobre, do MCTI, diz que trabalha para reduzir o tempo de análise por parte da comissão interministerial. Segundo o secretário, o tempo de trâmite atualmente varia entre 100 e 110 dias (dados de 2009). Incluindo o prazo que as empresas têm para responder questionamentos da comissão, o trâmite pode chegar a 150 dias — cinco meses.

“Vamos reduzir o espaçamento entre as reuniões da comissão, que passarão a ser mensais, e a meta é acelerar nossas análises para aprovar projetos em, no máximo, 60 dias”, prometeu. Na ONU, o tempo médio de registro de um projeto pode levar até quatro meses.

O QUE É O MERCADO DE CRÉDITO DE CARBONO?
Criado dentro das normas do Protocolo de Kyoto, permite aos países desenvolvidos comprar toneladas de CO2 que não foram emitidas por países em desenvolvimento que implantaram tecnologias consideradas limpas. Um crédito de carbono equivale a uma tonelada de CO2 que deixou de ser enviada à atmosfera.

Crise do carbono
Na prática, o mercado de crédito de carbono é uma espécie de “permissão” para que os países ricos liberem gases de efeito estufa, se eles comprarem créditos dos países em desenvolvimento.

O documento prevê a redução de emissões de gases em 5,2% entre 2008 e 2012, em relação aos níveis de 1990. Mas o tratado não compreende os Estados Unidos, um dos principais poluidores, e não obriga ações imediatas de países em desenvolvimento, como China, Índia e Brasil. Mesmo assim, empresas nacionais e a BM&FBovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) criaram um mercado voluntário de créditos de carbono.

A crise que afeta a Europa prejudica a negociação do carbono enquanto commodity — como são chamadas as matérias-primas negociadas nas bolsas de mercadorias. De acordo com o escritório Pinheiro Pedro Advogados, a cotação atual da tonelada de carbono está entre US$ 5 e US$ 16.

Durante a realização da conferência da UNFCC em Durban, na África do Sul, o preço alcançou o menor patamar: US$ 3 – custo dez vezes menor aos US$ 30 alcançados em março de 2006, considerado seu ápice. Seu impacto já pode ser percebido, por exemplo, no terceiro leilão de créditos de carbono da Prefeitura de São Paulo, previsto para acontecer em 12 de junho.

Segundo a Secretaria de Finanças, o valor estimado de arrecadação é de R$ 5 milhões. A estimativa é bastante inferior ao que foi obtido nos dois leilões anteriores que arrecadaram, respectivamente, R$ 34 milhões (em 2007) e R$ 37 milhões (em 2008). Os recursos obtidos são, obrigatoriamente, investidos em projetos ambientais nas áreas próximas aos aterros.

Mercado interno de compensação
Para o advogado Fernando Pinheiro Pedro, é provável que o preço deste derivativo permaneça baixo por mais um ano, o que pode prejudicar as atividades brasileiras. “Principalmente os projetos mais custosos”, destacou.

Ele afirmou que uma solução é o próprio governo brasileiro criar um mercado regional de compensação de emissões, que estabeleça limites de emissões de gases e partículas que não estão contempladas no Protocolo de Kyoto.

“Isso vai obrigar as indústrias de estados mais ricos a limitar progressivamente seus níveis de poluição até chegar um momento em que vão necessitar comprar derivativos de outros estados para compensar. É um mercado de carbono interno e isso pode movimentar o setor”, disse.

Aterro da Estre em Paulínia, no interior de São Paulo, que implantou tecnologias para reduzir as emissões de CO2 desde 2006 e já negociu 600 mil toneladas no mercado de crédito de carbono. (Foto: Divulgação/Estre)

Aterro da Estre em Paulínia, no interior de São Paulo, que implantou tecnologias para reduzir as emissões de CO2 desde 2006 e já negociou 600 mil toneladas no mercado de crédito de carbono. (Foto: Divulgação/Estre)

Fonte: Globo Natureza


17 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Brasil contesta organização ambiental mundial proposta pela Europa

País quer órgão que considere lado econômico e social do desenvolvimento.
Segundo diplomata, agência só ambiental pode representar um retrocesso.

Brasil se colocou contra a criação de uma organização mundial de meio ambiente, nesta quinta-feira (16). Ela é uma proposta europeia, que será discutida na Cúpula de Desenvolvimento Sustentável da ONU, a Rio+20, no Rio de Janeiro, em junho.

Um dos objetivos da Rio+20, que reunirá líderes de todo o mundo entre 20 e 22 de junho, é fortalecer a governança internacional para conseguir enfrentar a crise ambiental do planeta e impulsionar acordos mundiais para o desenvolvimento sustentável.

“O que a maioria dos países em desenvolvimento acredita é que, quando criarmos uma nova estrutura de governança [internacional], ela terá que se concentrar no desenvolvimento sustentável” do planeta, levando em conta suas vertentes econômicas e sociais, não apenas o meio ambiente, disse o chefe de negociação do Brasil, André Corrêa do Lago, por telefone.

“Achamos que isolar o meio ambiente com uma organização mundial do meio ambiente” que não leve em conta as vertentes econômica e social do desenvolvimento sustentável “é dar um passo atrás”, disse o brasileiro.

Os críticos argumentam que o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), creado há 40 anos, carece de força e meios. Alguns propõe fortalecê-lo, enquanto outros propõem convertê-lo em agência.

A proposta de criar uma agência ou organização mundial do meio ambiente conta com o apoio de mais de 100 países, afirmou em janeiro Nathalie Kosciusko-Morizet, ministra do meio ambiente da França, país que lançou a ideia.

A Rio+20, destinada a obter consensos na luta contra a crise ambiental e impulsionar um crescimento econômico mais ‘verde’ e social, será a quarta cúpula mundial sobre o meio ambiente o o desenvolvimento sustentável, depois de Estocolmo, em 1972, do Rio de Janeiro, em 1992, e Joanesburgo, em 2002.

Fonte: AFP


24 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Pesquisa vai verificar impacto da mudança do clima nas aves do Brasil

Aumento do nível do mar afetaria reprodução de pássaros estuarinos.
Estudo será realizado na baía de Guaratuba, no litoral do Paraná.

Caso a previsão de aumento do nível do mar em decorrência da mudança climática se confirmar, conforme o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), a população de aves que vivem nas regiões úmidas da costa do Brasil, principalmente as áreas de estuário, pode ser afetada, ocasionando, inclusive, a extinção de espécies.

Um estudo realizado por pesquisadores do Paraná vai tentar identificar qual será o impacto desta transformação global no cotidiano de pássaros como o bate-bico (Phleocryptes melanopis) e a saracura (Pardirallus nigricans), que vivem em vegetações herbáceas de regiões estuarinas, ambiente de transição da água doce para a água salgada.

A análise será feita na Área de Proteção Ambiental de Guaratuba, no município de mesmo nome, e no entorno da Lagoa do Parado. Segundo Bianca Reinec, doutora em Biologia e integrante do projeto “Vulnerabilidade de aves estuarinas à mudança climática”, que recebeu financiamento da Fundação Boticário, essas e outras aves que vivem nesses locais úmidos costumam fazer ninhos na vegetação.

“Um pequeno aumento que seja do nível da água pode afetar a reprodução desses animais. Outro exemplo também previsto para a mudança do clima é o aumento da incidência de vendavais e tempestades que deverão atingir esses ambientes, destruindo ninhos e ovos”, disse a pesquisadora.

Evitar a extinção de espécies
Bianca afirma que o bicudinho-do-brejo (Stymphalornis acutirostris), ave endêmica do litoral do Paraná e de Santa Catarina, já foi afetado pelas alterações das marés, segundo especialistas. “A espécie foi descrita em 1995 e desde então houve diversas modificações no seu habitat devido às transformações do ambiente”, explica a bióloga.

Um dos principais objetivos do estudo, que vai começar neste fim de semana, será um censo para identificar quantas espécies de pássaros vivem nestes locais, além de conhecer também quais e quantas são as aves migratórias que dependem deste ambiente para alimentação e reprodução.

“A partir destes dados, vamos planejar formas de realizar futuramente o manejo de animais para outras localidades, etapa considerada a adaptação da mudança do clima. Não podemos evitar essas transformações, mas podemos trabalhar para criar ambientes artificiais para que as espécies continuem existindo”, disse Bianca.

 

Vista da baía de Guaratuba (à esquerda), local de estuário que será pesquisado. À direita fotos das aves bate-bico (acima) e saracura (abaixo), que podem ter a população afetada devido à mudança do clima (Foto: Divulgação/Ricardo Belmonte Lopes)

Vista da baía de Guaratuba (à esquerda), local de estuário que será pesquisado. À direita fotos das aves bate-bico (acima) e saracura (abaixo), que podem ter a população afetada devido à mudança do clima (Foto: Divulgação/Ricardo Belmonte Lopes)

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo.


24 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Na Amazônia, projeta luta pela preservação do gavião-real

Pesquisadores tentam conhecer melhor os hábitos da ave.
Em muitas regiões já é difícil encontrar o animal na natureza.

O ninho está a quase 40 metros de altura. Para chegar bem perto, são necessárias técnicas de esportes radicais. Lá de cima, os pesquisadores têm uma visão privilegiada do filhote ainda com as penas todas brancas.

Setenta ninhos de gavião-real já foram mapeados na Amazônia. Dez deles estão com filhotes.

Redes colocadas embaixo dos ninhos ajudam a coletar restos de presas do gavião. Assim, os pesquisadores podem conhecer os hábitos alimentares do predador.

O gavião-real é uma ave poderosa, capaz de carregar presas com quase o próprio peso. Uma fêmea adulta pode chegar a mais de dois metros de envergadura e quase 10 quilos.

Este ano, o projeto Gavião-Real recebeu quatro animais resgatados da natureza. Um macho foi entregue em um posto da Polícia Militar do Amazonas. No viveiro, ele passou por exames médicos e biométricos. É um jovem com aproximadamente dois anos, 1,77 metro de uma ponta da asa a outra e que pesa cinco quilos. Depois de quase dois meses em cativeiro, o animal está pronto para voltar à natureza.

A ave vai carregar nas costas uma pequena mochila com um radiotransmissor VHF. Os sinais vão permitir que os pesquisadores acompanhem os primeiros meses em liberdade e saibam se ele está se adaptando à nova vida.

O gavião é colocado em uma caixa e transportado até uma reserva a 43 quilômetros de Manaus. Depois de um momento de hesitação, finalmente levanta voo e reencontra a floresta, mas continua sob a vigilância dos pesquisadores, que agora só vão poder olhá-lo de longe.

Fonte: Globo Rural


16 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Pesquisadores vão remover espécie invasora para preservar mico-leão-dourado em Niterói/RJ

Até o final do ano, pesquisadores brasileiros vão começar a retirar grupos de mico-leão-de-cara-dourada de uma área em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo a coordenadora da operação, Maria Cecília Kierulff, diretora do Instituto Pri-Matas, há dez anos, essa espécie, considerada invasora, foi acidentalmente solta na área que já era habitada pelo mico-leão-dourado, natural da região.

“Ele é muito próximo do mico-leão-dourado. Essas espécies ocupam o mesmo tipo de ambiente, alimentam-se das mesmas coisas, dormem nos mesmos locais. Ele pode até, de alguma forma, excluir o mico-leão nativo se essas duas espécies se encontrarem”, explicou a pesquisadora, alertando que o encontro das duas espécies pode gerar uma disputa por áreas e comida.

Segundo um levantamento coordenado por Maria Cecília, em 2009, havia mais de 100 micos-leões-de-cara-dourada, espécie natural da Bahia, na floresta em Niterói. Desde o resultado da pesquisa, os pesquisadores começaram a captar recursos e reuniram, este ano, mais de R$ 500 mil, a partir de financiamento internacional e de investimentos de instituições e órgãos como a Câmara de Compensação Ambiental do Rio de Janeiro.

“É uma operação cara. Não é só tirar os micos dali. Eles serão colocados em quarentena e depois soltos na Bahia em uma área de floresta dentro da área original deles de distribuição. E não é só soltar lá. Vai ter uma equipe que será mantida por pelo menos dois anos para acompanhar a adaptação dos grupos na nova área. É um projeto grande que envolve várias equipes e dois estados”, disse a coordenadora do projeto.

Ela acredita que serão necessários mais de dois anos para concluir a remoção. “A gente pretende fazer a captura em, no máximo, em 15 meses. Vai ser um processo intenso. Depois disso, o último grupo capturado que tem que ser acompanhado na floresta [na Bahia] pelo menos durante mais seis meses.”

As equipes, que incluem veterinários e pesquisadores, trabalham ainda com a possibilidade de surpresas que podem estender o prazo previsto. Um deles pode ser resultado da convivência diária dos micos com os moradores que os alimentam com frequência. Para Maria Cecília, esse convívio pode gerar o aparecimento de alguma doença durante o período de quarentena, que exigiria o tratamento antes da soltura do animal.

Também podem ampliar o tempo estimado pelos cientistas a multiplicação e a migração da espécie invasora para outras áreas. “Depois que a gente terminar essa captura, vamos ficar mais um tempo fazendo um novo levantamento para identificar se existem [micos-leões-de-cara-dourada] em outras áreas. Se existirem, vamos capturar de novo, e isso pode prolongar o projeto”, acrescentou a pesquisadora.

Fonte: Carolina Gonçalves/ Agência Brasil


11 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Curitiba/PR aprova projeto que prevê controle de pombos

Os vereadores da Câmara de Curitiba aprovaram por unanimidade, na tarde desta quarta-feira (10), um projeto de lei que prevê o controle da população de pombos na cidade. De acordo com o autor da proposta, vereador Zé Maria (PPS), as aves devem ser capturadas, tratadas e soltas novamente. O objetivo é, em médio prazo, reduzir a circulação desses animais na área central e evitar a disseminação de doenças das quais os pombos são vetores. Para entrar em vigor, a lei precisa da sanção do prefeito Luciano Ducci.

O serviço deve ser realizado por uma empresa privada, que conte com equipe formada por zootecnista, biólogo e veterinário. Em locais onde há superpopulação de pombos, serão colocados contêineres especiais que funcionarão como grandes arapucas. As aves serão atraídas com água tratada e comida e, uma vez que entrem no dispositivo, ficarão presas.

“Os pombos serão recolhidos pela empresa e levados para uma chácara, onde receberão tratamento adequado, até serem soltos novamente”, diz o vereador. Segundo Zé Maria, as aves serão cadastradas e receberão um medicamento que inibe a postura de ovos. Ao serem postos em liberdade, os animais terão um anel de identificação afixado na pata.

De acordo com o projeto, a empresa responsável pelo serviço será escolhida por licitação pública. O vereador afirma que não haverá custos para a municipalidade. “O grupo que for realizar o trabalho, poderá explorar espaços publicitários nos contêineres”, explica.

Dentre as doenças transmitidas pelos pombos estão criptococose (doença do pombo) salmonelose, histoplasmose, toxicoplasmose, ornitose e alergias de maneira geral. As fezes desses animais também contêm fungos e bactérias nocivos à saúde humana.

Em Londrina – No ano passado, Londrina, no Norte do Estado, tentou uma série de medidas para reduzir a população de pombos no município. A pedido da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, o Insituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) autorizou o abate de 50 mil aves, em julho do ano passado.

Neste ano, a cidade testou um gel repelente para afugentar as aves. Em 2009, a prefeitura instalou aparelhos que emitem frequências sonoras inaudíveis ao ouvido humano, mas que são percebidos pelos pombos e afugentam essas aves. Um estudo apontou o aparelho provocou a redução de 40% da população em locais onde o dispositivo era usado.

Fonte: Gazeta do Povo/PR


3 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Transposição do São Francisco ficará 36% mais cara

As obras da transposição do Rio São Francisco ficarão 36% mais caras que a previsão inicial do governo. O orçamento de R$ 5 bilhões foi reestimado para R$ 6,85 bilhões. De acordo com o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, o aumento se deve a reajustes contratuais, necessidade de aditivos, elevação de preços para licitação de novos lotes e custos com compensações ambientais.

Em apenas quatro dos 14 lotes da obra, o ritmo dos trabalhos é considerado normal. Em três, o ritmo é lento e, em cinco, as obras estão paralisadas à espera de termos aditivos. Bezerra Coelho disse que o governo espera assinar os termos até o fim deste mês para que o trabalho seja retomado. Segundo o ministro, como a lei limita a assinatura de aditivos a 25% do valor global do empreendimento, algumas obras terão que ser relicitadas. No total, as alterações representarão aumento de R$ 771 milhões no custo da transposição.

Para a licitação dos lotes 5 e 8, que deve ocorrer ainda este ano, o governo calcula uma elevação de preços de 20% a 30% em relação aos valores contratados nas licitações feitas em 2007, o que também foi considerado na nova estimativa.

Além do reajuste nos valores das obras, o ministro disse que o novo custo incluiu gastos extras com a implantação de projetos básicos ambientais (PBAs), que serão necessários para a renovação da licença de instalação concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

“Na época da concessão da licença, o ministério se responsabilizou pela implantação de 38 PBAs. Já gastamos R$ 170 milhões e os técnicos agora estimam gastos de mais R$180 milhões com PBAs novos ou já existentes”.

Apesar da elevação de 36%, Bezerra Coelho disse que não há indícios de sobrepreços nos contratos e que a assinatura de aditivos é comum em obras de grande porte. “Os preços foram auditados, os contratos foram auditados. Qualquer insinuação de sobrepreço nas obras da transposição não se sustenta. E não é pela minha afirmação, isso está em relatórios do Tribunal de Contas da União e da Controladoria-Geral da União”.

O ministro ressaltou que o aumento na estimativa do custo da transposição está dentro da variação de preços para o mercado da construção nos últimos anos. “O valor do aumento do custo, de 36%, está em linha com os reajustes verificados nesse mesmo período com base no INCC [Índice Nacional de Custo da Construção], que no período foi de 39%”, comparou.

Na avaliação geral, 56,7% das obras da transposição estão concluídas. Com a assinatura de aditivos, o governo espera normalizar o ritmo das obras em todos os lotes. “Esperamos que até o fim do mês de setembro a obra possa estar toda remobilizada”, disse o ministro. Este ano, o governo deve desembolsar cerca de R$1 bilhão para o projeto.

Fonte: Luana Lourenço/ Agência Brasil


1 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Empresa de SP faz chuva artificial com avião bimotor

Desenvolvida por brasileiros, técnica é considerada não poluente pela ONU.
Próxima etapa é provocar tempestades em áreas do semiárido brasileiro.

Tecnologia para provocar chuva artificialmente, desenvolvida por um grupo de brasileiros, pode ser a solução para aliviar os períodos de forte seca no semiárido brasileiro e contribuir no combate à desertificação.

A produção de chuvas artificiais se dá com o lançamento de gotas de água em nuvens que concentram alta umidade a partir de um avião bimotor equipado com um tanque de 300 litros e um mecanismo que controla o tamanho das gotículas dispersadas.

O processo foi desenvolvido para ajudar a sanar problemas em sistemas de abastecimento de água em áreas urbanizadas, alimentar nascentes de rios em regiões de forte seca e para prevenir incêndios florestais em reservas e parques nacionais.

Motosserras
Segundo Ricardo Imai, 42 anos, sócio da Modclima, empresa que criou a técnica, a ideia das chuvas artificiais partiu de seu pai, o engenheiro mecânico Takeshi Imai. “Ele trabalhava com implementos agrícolas e tinha uma empresa que produzia motosserras e herbicidas para derrubar árvores. Entretanto, decidiu parar e começou a estudar o processo de crescimento das nuvens de chuva, no intuito de contribuir com a natureza”, conta o filho.

Ricardo Imai disse que o que ocorre é a aceleração de um processo natural. O avião entra nas nuvens cumulus, que concentram alta umidade, e lançam as gotas que “pegam carona” nos ventos ascendentes. Dentro da nuvem, elas se juntam e formam a chuva, que cai em local previamente determinado. A precipitação ocorre 30 minutos depois do início da operação.

Um longo processo de busca das nuvens ideais antecede as chuvas artificiais. Radares meteorológicos instalados em Bragança Paulista (SP) ajudam na “caça”, juntamente com imagens de satélite. “Passamos horas monitorando o deslocamento das nuvens, para saber se elas vão para as áreas de interesse e se podem ser semeadas com as gotículas de água. Às vezes, temos que esperar muito tempo”, diz Ricardo.

  (Foto: Editoria de Arte/G1)

Aplicação
Em 1998, quando o projeto começou a sair do papel, a técnica foi implementada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que contratou a empresa dos Imai para provocar chuvas artificiais na cabeceira dos sistemas Cantareira e Alto Tietê, responsáveis pelo abastecimento de 18 milhões de pessoas na Grande São Paulo. Foram mais de 500 voos, com ocorrências positivas de chuva em 50% deles.

As chuvas também foram empregadas no Nordeste a pedido de prefeituras da Bahia. Os municípios de Mirorós e Gentio do Ouro, localizados no semiárido brasileiro, sofriam com a seca intensa entre 2008 e 2009 e com a redução do nível da represa que abastecia esta região.

“Nessas áreas, a represa vinha perdendo água há cinco anos e as nascentes dos rios tinham sido gravemente afetadas por um incêndio. Fizemos 25 voos nessas localidades para fortalecer os lençóis freáticos e 17 deles tiveram resultados positivos”, disse. Lavouras também foram salvas devido às chuvas artificiais.

De acordo com Imai, o principal projeto da Modclima é contribuir com o Ministério do Meio Ambiente no combate às secas e queimadas em florestas e biomas como o Cerrado e Amazônia. “A chuva umedece o solo e a vegetação antes do período de estiagem, reduzindo os efeitos. Segundo estudo da Agência Nacional de Águas, 93 cidades brasileiras sofreram com fortes secas em 2010 e outros 490 municípios tiveram graves períodos de estiagem.

Exemplos de nuvens cumulus fotografadas durante um voo. (Foto: Modclima)

Exemplos de nuvens cumulus fotografadas durante um voo. (Foto: Modclima/Divulgação)

ONU
A técnica foi apresentada em 2010 na Convenção de Combate à Desertificação das Nações Unidas (UNCCD), realizada na Alemanha. Segundo Heitor Matallo, coordenador regional para a América Latina e Caribe da entidade, o método brasileiro de realizar  chuvas artificiais foi considerado não poluente em ações contra a desertificação em determinados países.

“É possível que a ONU utilize esta tecnologia, mas precisamos testá-la em diversos ambientes para comprovar sua eficácia. O governo brasileiro precisaria apresentar esta prática para que a Organização das Nações Unidas faça a recomendação desta técnica”, informou Matallo, de seu escritório no México, aoGlobo Natureza.

Fonte: Eduardo Carvalho, do Globo Natureza, em São Paulo


27 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Parceria vai analisar se bioquerosene de cana-de-açúcar é menos poluente

Combustível aviônico feito com produto reduziria emissão de CO2 em 80%.
Estudo de impacto será financiado pelo BID, Embraer e Boeing.

Parceria firmada entre o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) com duas das maiores fabricantes de aeronaves do mundo, a brasileira Embraer e a norte-americana Boeing, vai financiar pesquisa que avaliará o impacto de se desenvolver um combustível aviônico à base de cana-de-açúcar. O acordo foi divulgado nesta terça-feira (26).

A promessa é que o abastecimento de aeronaves a partir do bioquerosene, gerado a partir de moléculas de cana-de-açúcar e outros componentes, poderá reduzir em 80% as emissões de carbono na atmosfera. Tal fato contribuiria com o plano de ação das grandes companhias e entidades que comandam o tráfego aéreo mundial em diminuir em 50% a emissão de gases de efeito estufa até 2050.

Segundo Arnaldo Vieira de Carvalho, especialista de energia do BID e líder da iniciativa de biocombustíveis para aviação, o estudo será feito pela empresa Icone, especializada em trabalhos de análise com produtos provenientes da cana-de-açúcar, como o etanol brasileiro.

“Antes da realização de voos com este produto, temos que confirmar se o impacto da emissão de carbono será mesmo menor. Se isto for comprovado, vamos avaliar os aspectos de produção. Teremos que saber como fabricar o bioquerosene sem grandes impactos e ainda como desenvolver a plantação da matéria-prima por toda a América Latina, sem provocar o desmatamento de áreas nativas para o plantio desta cultura”, disse Carvalho ao Globo Natureza.

Aeronave Embraer 190 adquirida pela companhia Azul Linhas Aéreas. Modelo vai realizar voo com combustível alternativo em breve. (Foto: Divulgação/Embraer)

Aeronave Embraer 190 adquirida pela companhia Azul Linhas Aéreas. Modelo vai realizar voo com combustível alternativo feito com cana-de-açúcar no primeiro semestre de 2012. (Foto: Divulgação/Embraer)

América Latina
De acordo com ele, desenvolver o plantio de cana pelos países latino-americanos é importante, pois o combustível “menos poluente” terá que ser produzido em larga escala caso as companhias aéreas optem por utilizá-lo.

“O estudo vai definir ainda como expandir este mercado sem ocorrer barreiras comerciais. Pelo que percebemos, o desenvolvimento deste tipo de bioquerosene é iminente e temos boas expectativas quanto a isso”, afirmou o representante do BID.

No Brasil, pesquisas com combustível feito a partir da cana-de-açúcar é fomentado pelaEmbraer desde 2005, em parceria com a empresa Amyris, dos Estados Unidos. A companhia norte-americana mantém uma filial em Campinas, no interior de São Paulo, com laboratórios. A Boeing também investe em pesquisas no setor.

Planos
Em encontro realizado nesta semana no Rio de Janeiro, que reuniu empresas aéreas para o debate da sustentabilidade, colocou como prioridade sustentável no setor mundial de aviação a redução das emissões de CO2 em 50% até 2050.

Segundo Guilherme de Almeida Freire, diretor de estratégia e tecnologia para o Meio Ambiente da Embraer, de São José dos Campos (SP), o compromisso de cumprir esta meta foi firmado pela companhia brasileira e também por outras fabricantes como Boeing, Bombardier, Airbus e entidades de tráfego aéreo.

“As empresas têm pensado em uma cesta de soluções que não ficam apenas no desenvolvimento de combustíveis alternativos. São grandes investimentos para melhorar o desempenho dos aviões, dos aeroportos e do tráfego aéreo. São investimentos em soluções ambientalmente sustentáveis”, disse Freire.

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, em São Paulo.


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20 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Recomendado pela ONU, consumo de insetos na dieta já ocorre no Brasil

Tanajura é forma mais tradicional; prática não é oficialmente regulamentada.
Criação em MG serve para experiências de chefs e curiosos

O consumo de insetos na alimentação humana, recomendado em um relatório publicado nesta semana pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), já existe em algumas espécies que são consumidas no Brasil.

A mais comum é a formiga tanajura, que é um alimento relativamente tradicional em áreas do interior de Minas Gerais e do Nordeste, em forma de farofa. Outro inseto conhecido é a larva do besouro Pachymerus nucleorum, que se instala dentro de frutos, e que por isso também é conhecida como “larva do coquinho”. Seu consumo faz parte de brincadeiras na zona rural e de treinamentos de sobrevivência na selva.

Os órgãos oficiais ainda não dão muita importância ao assunto, apesar da recente recomendação do órgão da ONU. No Guia Alimentar para a População Brasileira, o Ministério da Saúde não faz nenhuma menção ao consumo de insetos. Já a Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan) do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) entende que esse hábito alimentar não faz parte da cultura brasileira e não tem estudos neste sentido. O Ministério da Agricultura, por sua vez, afirma que não há registro oficial de estabelecimentos que produzam insetos para o consumo humano.

“Eu espero fortemente que o governo brasileiro reconheça os insetos como fonte de alimentos dos brasileiros”, afirmou Eraldo Costa Neto, professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (BA) que pesquisa as relações entre humanos e insetos. “Infelizmente, o governo brasileiro ainda vê insetos como pragas”, completou o especialista, que foi o único brasileiro a participar da convenção da FAO que deu origem ao relatório publicado na segunda(13/05).

Torta feita com larvas (Foto: Liza Flores/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Torta feita com larvas (Foto: Liza Flores/Grupo Vale Verde/Divulgação)

À espera de reconhecimento
Apesar de o Ministério da Agricultura dizer que nunca registrou nenhum produtor de insetos para consumo humano, uma empresa de Minas Gerais afirma que já entrou com o pedido para obter a licença e que ainda não recebeu resposta.

Na verdade, a Nutrinsecta é especializada na produção de insetos para a alimentação de animais. No entanto, como os animais são tratados em um ambiente limpo e saudável, não há nenhum empecilho para o consumo humano. Isso atrai chefs de cozinha e curiosos, que, esporadicamente, usam esses ingredientes para desenvolver seus pratos.

Com a orientação da FAO, a empresa espera que o mercado cresça e se prepara para atender a uma possível demanda. “Hoje, eu estou muito feliz porque realmente nunca fiz nenhuma gestão para alimentação humana, exatamente pelo preconceito”, afirmou Luiz Otávio Gonçalves, presidente do Grupo Vale Verde, ao qual a Nutrinsecta pertence. “Mas agora eu posso sair do armário”, brincou o empresário.

Os insetos produzidos no local são os tenébrios — um tipo de besouro do qual se consome a larva, nos tipos comum e gigante — grilo preto, barata cinérea, larva de mosca e pupa de mosca.

A criação de insetos nasceu de um hobby de Gonçalves, que mantém um viveiro com aves raras em um parque mantido pela empresa em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ajudando, inclusive, a reproduzir espécies em extinção.

No início, as aves eram alimentadas com sementes, como na natureza. Porém, como gastam menos energia no cativeiro, o excesso de gordura das sementes prejudicava o sistema reprodutivo das aves. O criador pediu ajuda a especialistas e foi instruído a usar insetos como ração. “O nível de reprodução das aves foi de 35% para 70%”, contou.

A partir daí, o grupo começou a criar seus próprios insetos. Hoje, a produção está em uma tonelada por mês, com planos de expansão, mas a ideia principal continua sendo o uso como ração animal.

Grilos produzidos pela Nutrinsecta (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Grilos produzidos pela Nutrinsecta (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Valores nutricionais
A recomendação da FAO pelo consumo de insetos se dá pela grande quantidade de proteínas encontrada nestes animais. Os números variam muito de acordo com o tipo de inseto, mas as espécies já consumidas no Brasil e as produzidas pela Nutrinsecta têm valores bem acima dos alimentos tradicionais, como mostra a tabela.

Alimento Gramas de proteína (em cada 100 gramas do alimento cru)
Barata cinérea 60
Larva de mosca 50
Grilo preto 48
Larva de tenébrio 47
Tanajura 44,6
Larva do coquinho 33
Feijão 21,5
Carne de boi 20,2
Carne de frango 19,7
Carne de porco 18,5
Peixe 16,6
Arroz 7,2
Brócolis 3,3
Couve 1,4

“As proteínas são nutrientes necessários ao organismo para o crescimento, desenvolvimento e reparação dos tecidos corporais. Além de fazerem parte de diversas estruturas do organismo, compõem enzimas, hormônios, fazem transporte de nutrientes e compõem o sistema imunológico”, explicou a nutricionista Lara Natacci, responsável técnica da Dietnet Assessoria Nutricional, de São Paulo.

A orientação dos nutricionistas é que uma pessoa consoma entre 0,8 e 1 grama diária de proteínas para cada quilo de seu peso. Em outras palavras, quem pesa 50 kg deve ingerir entre 40 e 50 gramas de proteínas em um dia.

Embora o relatório tenha sugerido os insetos como uma forma de combate a fome, esse não é o único objetivo da organização. A ideia, em longo prazo, é criar o hábito e incluí-lo no cardápio como um todo. “Inseto não é para gente pobre e desnutrida. Inseto é para ser consumido por todos”, afirmou o especialista Eraldo Costa Neto.

Por serem ricos em proteínas, os insetos conseguiriam suprir a mesma produção de nutrientes do gado gastando menos recursos – água, área e alimentos. Como a tendência é que o preço da carne bovina suba muito ao longo do século, a dieta de insetos tende a ganhar adeptos. “É uma alternativa não só econômica, como também ecológica”, apontou Costa Neto.

Tenébrio (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Tenébrios (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/ Divulgação)

Os insetos também são muito ricos em gordura, mas o tipo de gordura é diferente do encontrado nos bovinos, por exemplo. “Eles têm gorduras poli-insaturadas, que não nos fazem mal, diferentemente da picanha”, indicou o pesquisador. Esse tipo de gordura é semelhante à encontrada em peixes e sementes oleaginosas, comumente indicada por médicos.

Outro ponto a favor dos insetos na tabela nutricional são os minerais – em especial o ferro, essencial para combater a anemia. Em geral, eles têm, no mínimo, a mesma quantidade de ferro presente na carne vermelha – que, por sua vez, já é considerada rica na substância.

Eles têm ainda quantidades significativas de sódio, potássio, zinco, fósforo, manganês, magnésio, cobre e cálcio, e a quantidade varia de espécie para espécie.

Cuidados
Os defensores desse tipo de alimentação não sugerem, no entanto, que insetos encontrados em casa sejam incluídos na dieta da noite para o dia. “Não se devem pegar animais a torto e a direito porque eles podem ter contaminantes”, alertou Costa Neto.

Com isso, o especialista não se refere apenas à sujeira que eles podem trazer, mas também a toxinas naturais que podem existir nesses organismos. Existem milhões de espécies de insetos e muitas delas não são comestíveis em hipótese nenhuma.

“Falta ainda muita pesquisa básica – de biologia – para saber que espécies de insetos estariam aptas para o consumo humano”, disse o especialista.

Outro cuidado necessário para quem tiver curiosidade em consumir os insetos tem que ter é em relação às alergias. Os crustáceos, como o camarão e a lagosta, pertencem ao mesmo filo que os insetos, o dos artrópodes. Assim, quem tiver alergia a um grupo possivelmente também terá reação alérgica ao outro.

Pão de queijo recheado com larvas é uma das receitas modernas com o uso de insetos (Foto: Eraldo Costa Neto/Divulgação)

Pão de queijo recheado com larvas é uma das receitas modernas com o uso de insetos (Foto: Eraldo Costa Neto/Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


21 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Empresas correm para aprovar projetos no mercado de carbono

Primeiro período de vigência do Protocolo de Kyoto vai até dezembro.
Burocracia pode atrapalhar andamento de iniciativas brasileiras.

A pouco mais de sete meses do final do primeiro período de vigência do Protocolo de Kyoto, empresas brasileiras dos setores de energia e resíduos sólidos correm para que o governo federal e a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovem a tempo projetos voltados à redução das emissões de gases de efeito estufa. O objetivo é captar recursos no mercado de créditos de carbono antes que as regras do protocolo mudem.

Entre as iniciativas que aguardam aprovação estão a instalação de equipamentos em aterros que evitam a emissão de gases do tratamento de lixo, a construção de pequenas centrais hidrelétricas ou torres eólicas para geração de energia e o reflorestamento de áreas para sequestro de CO2.

O Protocolo de Kyoto é um acordo global para reduzir a emissão de gases estufa, como o dióxido de carbono, para conter o avanço das mudanças climáticas. O mercado de créditos de carbono foi criado dentro de um instrumento do protocolo chamado “Mecanismo de Desenvolvimento Limpo” (MDL) e permite a países desenvolvidos (como os europeus) comprar toneladas de CO2 que não foram emitidas por países em desenvolvimento (como o Brasil) graças à implantação de tecnologias limpas em diferentes áreas. Um crédito de carbono equivale a uma tonelada não-emitida.

Na prática, empresas brasileiras que investem em tecnologias limpas podem vender seus créditos de carbono para empresas de países desenvolvidos, gerando renda.

O protocolo expiraria inicialmente em dezembro de 2012, mas foi renovado para um novo período, de 2013 até 2017 ou 2020 – a data final ainda será definida. Porém, países da União Europeia já sinalizaram que vão adquirir apenas créditos de projetos aprovados até o fim de 2012 — já que, a partir de 2013, as regras do mercado podem mudar. Por isso, a correria das empresas brasileiras.

A Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima (Cimgc), que reúne 11 diferentes ministérios brasileiros, espera um aumento no envio de projetos até o fim do ano.

Segundo Carlos Nobre, secretário de políticas e programas de pesquisa e desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), havia uma expectativa maior quanto à procura.

“Todo mundo tem ideias de requerer a aprovação de um projeto. Esperávamos um número grande esse ano, mas, por enquanto, a procura tem sido menor”, disse Nobre.

Em análise
Dados fornecidos ao Globo Natureza pelo MCTI mostram que 54 projetos das áreas de resíduos sólidos, energia e florestas estão na comissão para aprovação ou revisão. Um trâmite que é obrigatório antes de sua aprovação final pela Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), que coordena o Protocolo de Kyoto, com sede na Alemanha.

Uma das empresas que tentam acelerar a aprovação de projetos é a Estre, uma das maiores do setor de resíduos sólidos do Brasil. Desde 2006, a Estre tem cinco projetos implementados para reduzir as emissões de CO2 em aterros sanitários, que geraram 4,14 milhões de toneladas de carbono já negociados com a iniciativa privada da Europa.

Agora, a empresa tenta homologar outras cinco iniciativas nas comissões do Brasil e da ONU.

“Há uma corrida entre as empresas para conseguir aprovar os projetos até o final do ano, sendo que alguns são de aterros que nem foram inaugurados. Já há uma demanda de trabalho muito grande nesta área”, afirmou Bruno Caldas, especialista em biogás da Estre Ambiental.

Demora e risco
O Grupo Cemig, do setor de energia, que atua em Minas Gerais e em outros 18 estados brasileiros, também tenta aprovar na comissão interministerial projetos de instalação de parques eólicos para gerar 294 megawatts (MW) de potência.

Segundo Ezequiel Teodoro Elorde, responsável pelos projetos de MDL da Cemig, é preciso mais agilidade na aprovação de projetos por parte do governo para que as propostas sejam encaminhadas à ONU mais rapidamente, de preferência até o final do ano. “O prazo para obtenção do registro tem sido bastante moroso”, explicou.

Para Fernando Pinheiro Pedro, advogado e consultor do Banco Mundial sobre o mercado de crédito de carbono, a demora por parte do governo federal pode fazer com que muitas empresas “fiquem com o mico na mão”.

Ele explicou que muitas empresas que já implantaram tecnologias voltadas à redução de emissões podem não conseguir resgatar os créditos de carbono para investimentos ambientais. “Se esses projetos não forem aprovados no Brasil rapidamente, o risco de perda é alto”, alertou.

Nobre, do MCTI, diz que trabalha para reduzir o tempo de análise por parte da comissão interministerial. Segundo o secretário, o tempo de trâmite atualmente varia entre 100 e 110 dias (dados de 2009). Incluindo o prazo que as empresas têm para responder questionamentos da comissão, o trâmite pode chegar a 150 dias — cinco meses.

“Vamos reduzir o espaçamento entre as reuniões da comissão, que passarão a ser mensais, e a meta é acelerar nossas análises para aprovar projetos em, no máximo, 60 dias”, prometeu. Na ONU, o tempo médio de registro de um projeto pode levar até quatro meses.

O QUE É O MERCADO DE CRÉDITO DE CARBONO?
Criado dentro das normas do Protocolo de Kyoto, permite aos países desenvolvidos comprar toneladas de CO2 que não foram emitidas por países em desenvolvimento que implantaram tecnologias consideradas limpas. Um crédito de carbono equivale a uma tonelada de CO2 que deixou de ser enviada à atmosfera.

Crise do carbono
Na prática, o mercado de crédito de carbono é uma espécie de “permissão” para que os países ricos liberem gases de efeito estufa, se eles comprarem créditos dos países em desenvolvimento.

O documento prevê a redução de emissões de gases em 5,2% entre 2008 e 2012, em relação aos níveis de 1990. Mas o tratado não compreende os Estados Unidos, um dos principais poluidores, e não obriga ações imediatas de países em desenvolvimento, como China, Índia e Brasil. Mesmo assim, empresas nacionais e a BM&FBovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) criaram um mercado voluntário de créditos de carbono.

A crise que afeta a Europa prejudica a negociação do carbono enquanto commodity — como são chamadas as matérias-primas negociadas nas bolsas de mercadorias. De acordo com o escritório Pinheiro Pedro Advogados, a cotação atual da tonelada de carbono está entre US$ 5 e US$ 16.

Durante a realização da conferência da UNFCC em Durban, na África do Sul, o preço alcançou o menor patamar: US$ 3 – custo dez vezes menor aos US$ 30 alcançados em março de 2006, considerado seu ápice. Seu impacto já pode ser percebido, por exemplo, no terceiro leilão de créditos de carbono da Prefeitura de São Paulo, previsto para acontecer em 12 de junho.

Segundo a Secretaria de Finanças, o valor estimado de arrecadação é de R$ 5 milhões. A estimativa é bastante inferior ao que foi obtido nos dois leilões anteriores que arrecadaram, respectivamente, R$ 34 milhões (em 2007) e R$ 37 milhões (em 2008). Os recursos obtidos são, obrigatoriamente, investidos em projetos ambientais nas áreas próximas aos aterros.

Mercado interno de compensação
Para o advogado Fernando Pinheiro Pedro, é provável que o preço deste derivativo permaneça baixo por mais um ano, o que pode prejudicar as atividades brasileiras. “Principalmente os projetos mais custosos”, destacou.

Ele afirmou que uma solução é o próprio governo brasileiro criar um mercado regional de compensação de emissões, que estabeleça limites de emissões de gases e partículas que não estão contempladas no Protocolo de Kyoto.

“Isso vai obrigar as indústrias de estados mais ricos a limitar progressivamente seus níveis de poluição até chegar um momento em que vão necessitar comprar derivativos de outros estados para compensar. É um mercado de carbono interno e isso pode movimentar o setor”, disse.

Aterro da Estre em Paulínia, no interior de São Paulo, que implantou tecnologias para reduzir as emissões de CO2 desde 2006 e já negociu 600 mil toneladas no mercado de crédito de carbono. (Foto: Divulgação/Estre)

Aterro da Estre em Paulínia, no interior de São Paulo, que implantou tecnologias para reduzir as emissões de CO2 desde 2006 e já negociou 600 mil toneladas no mercado de crédito de carbono. (Foto: Divulgação/Estre)

Fonte: Globo Natureza


17 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Brasil contesta organização ambiental mundial proposta pela Europa

País quer órgão que considere lado econômico e social do desenvolvimento.
Segundo diplomata, agência só ambiental pode representar um retrocesso.

Brasil se colocou contra a criação de uma organização mundial de meio ambiente, nesta quinta-feira (16). Ela é uma proposta europeia, que será discutida na Cúpula de Desenvolvimento Sustentável da ONU, a Rio+20, no Rio de Janeiro, em junho.

Um dos objetivos da Rio+20, que reunirá líderes de todo o mundo entre 20 e 22 de junho, é fortalecer a governança internacional para conseguir enfrentar a crise ambiental do planeta e impulsionar acordos mundiais para o desenvolvimento sustentável.

“O que a maioria dos países em desenvolvimento acredita é que, quando criarmos uma nova estrutura de governança [internacional], ela terá que se concentrar no desenvolvimento sustentável” do planeta, levando em conta suas vertentes econômicas e sociais, não apenas o meio ambiente, disse o chefe de negociação do Brasil, André Corrêa do Lago, por telefone.

“Achamos que isolar o meio ambiente com uma organização mundial do meio ambiente” que não leve em conta as vertentes econômica e social do desenvolvimento sustentável “é dar um passo atrás”, disse o brasileiro.

Os críticos argumentam que o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), creado há 40 anos, carece de força e meios. Alguns propõe fortalecê-lo, enquanto outros propõem convertê-lo em agência.

A proposta de criar uma agência ou organização mundial do meio ambiente conta com o apoio de mais de 100 países, afirmou em janeiro Nathalie Kosciusko-Morizet, ministra do meio ambiente da França, país que lançou a ideia.

A Rio+20, destinada a obter consensos na luta contra a crise ambiental e impulsionar um crescimento econômico mais ‘verde’ e social, será a quarta cúpula mundial sobre o meio ambiente o o desenvolvimento sustentável, depois de Estocolmo, em 1972, do Rio de Janeiro, em 1992, e Joanesburgo, em 2002.

Fonte: AFP


24 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Pesquisa vai verificar impacto da mudança do clima nas aves do Brasil

Aumento do nível do mar afetaria reprodução de pássaros estuarinos.
Estudo será realizado na baía de Guaratuba, no litoral do Paraná.

Caso a previsão de aumento do nível do mar em decorrência da mudança climática se confirmar, conforme o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), a população de aves que vivem nas regiões úmidas da costa do Brasil, principalmente as áreas de estuário, pode ser afetada, ocasionando, inclusive, a extinção de espécies.

Um estudo realizado por pesquisadores do Paraná vai tentar identificar qual será o impacto desta transformação global no cotidiano de pássaros como o bate-bico (Phleocryptes melanopis) e a saracura (Pardirallus nigricans), que vivem em vegetações herbáceas de regiões estuarinas, ambiente de transição da água doce para a água salgada.

A análise será feita na Área de Proteção Ambiental de Guaratuba, no município de mesmo nome, e no entorno da Lagoa do Parado. Segundo Bianca Reinec, doutora em Biologia e integrante do projeto “Vulnerabilidade de aves estuarinas à mudança climática”, que recebeu financiamento da Fundação Boticário, essas e outras aves que vivem nesses locais úmidos costumam fazer ninhos na vegetação.

“Um pequeno aumento que seja do nível da água pode afetar a reprodução desses animais. Outro exemplo também previsto para a mudança do clima é o aumento da incidência de vendavais e tempestades que deverão atingir esses ambientes, destruindo ninhos e ovos”, disse a pesquisadora.

Evitar a extinção de espécies
Bianca afirma que o bicudinho-do-brejo (Stymphalornis acutirostris), ave endêmica do litoral do Paraná e de Santa Catarina, já foi afetado pelas alterações das marés, segundo especialistas. “A espécie foi descrita em 1995 e desde então houve diversas modificações no seu habitat devido às transformações do ambiente”, explica a bióloga.

Um dos principais objetivos do estudo, que vai começar neste fim de semana, será um censo para identificar quantas espécies de pássaros vivem nestes locais, além de conhecer também quais e quantas são as aves migratórias que dependem deste ambiente para alimentação e reprodução.

“A partir destes dados, vamos planejar formas de realizar futuramente o manejo de animais para outras localidades, etapa considerada a adaptação da mudança do clima. Não podemos evitar essas transformações, mas podemos trabalhar para criar ambientes artificiais para que as espécies continuem existindo”, disse Bianca.

 

Vista da baía de Guaratuba (à esquerda), local de estuário que será pesquisado. À direita fotos das aves bate-bico (acima) e saracura (abaixo), que podem ter a população afetada devido à mudança do clima (Foto: Divulgação/Ricardo Belmonte Lopes)

Vista da baía de Guaratuba (à esquerda), local de estuário que será pesquisado. À direita fotos das aves bate-bico (acima) e saracura (abaixo), que podem ter a população afetada devido à mudança do clima (Foto: Divulgação/Ricardo Belmonte Lopes)

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo.


24 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Na Amazônia, projeta luta pela preservação do gavião-real

Pesquisadores tentam conhecer melhor os hábitos da ave.
Em muitas regiões já é difícil encontrar o animal na natureza.

O ninho está a quase 40 metros de altura. Para chegar bem perto, são necessárias técnicas de esportes radicais. Lá de cima, os pesquisadores têm uma visão privilegiada do filhote ainda com as penas todas brancas.

Setenta ninhos de gavião-real já foram mapeados na Amazônia. Dez deles estão com filhotes.

Redes colocadas embaixo dos ninhos ajudam a coletar restos de presas do gavião. Assim, os pesquisadores podem conhecer os hábitos alimentares do predador.

O gavião-real é uma ave poderosa, capaz de carregar presas com quase o próprio peso. Uma fêmea adulta pode chegar a mais de dois metros de envergadura e quase 10 quilos.

Este ano, o projeto Gavião-Real recebeu quatro animais resgatados da natureza. Um macho foi entregue em um posto da Polícia Militar do Amazonas. No viveiro, ele passou por exames médicos e biométricos. É um jovem com aproximadamente dois anos, 1,77 metro de uma ponta da asa a outra e que pesa cinco quilos. Depois de quase dois meses em cativeiro, o animal está pronto para voltar à natureza.

A ave vai carregar nas costas uma pequena mochila com um radiotransmissor VHF. Os sinais vão permitir que os pesquisadores acompanhem os primeiros meses em liberdade e saibam se ele está se adaptando à nova vida.

O gavião é colocado em uma caixa e transportado até uma reserva a 43 quilômetros de Manaus. Depois de um momento de hesitação, finalmente levanta voo e reencontra a floresta, mas continua sob a vigilância dos pesquisadores, que agora só vão poder olhá-lo de longe.

Fonte: Globo Rural


16 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Pesquisadores vão remover espécie invasora para preservar mico-leão-dourado em Niterói/RJ

Até o final do ano, pesquisadores brasileiros vão começar a retirar grupos de mico-leão-de-cara-dourada de uma área em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo a coordenadora da operação, Maria Cecília Kierulff, diretora do Instituto Pri-Matas, há dez anos, essa espécie, considerada invasora, foi acidentalmente solta na área que já era habitada pelo mico-leão-dourado, natural da região.

“Ele é muito próximo do mico-leão-dourado. Essas espécies ocupam o mesmo tipo de ambiente, alimentam-se das mesmas coisas, dormem nos mesmos locais. Ele pode até, de alguma forma, excluir o mico-leão nativo se essas duas espécies se encontrarem”, explicou a pesquisadora, alertando que o encontro das duas espécies pode gerar uma disputa por áreas e comida.

Segundo um levantamento coordenado por Maria Cecília, em 2009, havia mais de 100 micos-leões-de-cara-dourada, espécie natural da Bahia, na floresta em Niterói. Desde o resultado da pesquisa, os pesquisadores começaram a captar recursos e reuniram, este ano, mais de R$ 500 mil, a partir de financiamento internacional e de investimentos de instituições e órgãos como a Câmara de Compensação Ambiental do Rio de Janeiro.

“É uma operação cara. Não é só tirar os micos dali. Eles serão colocados em quarentena e depois soltos na Bahia em uma área de floresta dentro da área original deles de distribuição. E não é só soltar lá. Vai ter uma equipe que será mantida por pelo menos dois anos para acompanhar a adaptação dos grupos na nova área. É um projeto grande que envolve várias equipes e dois estados”, disse a coordenadora do projeto.

Ela acredita que serão necessários mais de dois anos para concluir a remoção. “A gente pretende fazer a captura em, no máximo, em 15 meses. Vai ser um processo intenso. Depois disso, o último grupo capturado que tem que ser acompanhado na floresta [na Bahia] pelo menos durante mais seis meses.”

As equipes, que incluem veterinários e pesquisadores, trabalham ainda com a possibilidade de surpresas que podem estender o prazo previsto. Um deles pode ser resultado da convivência diária dos micos com os moradores que os alimentam com frequência. Para Maria Cecília, esse convívio pode gerar o aparecimento de alguma doença durante o período de quarentena, que exigiria o tratamento antes da soltura do animal.

Também podem ampliar o tempo estimado pelos cientistas a multiplicação e a migração da espécie invasora para outras áreas. “Depois que a gente terminar essa captura, vamos ficar mais um tempo fazendo um novo levantamento para identificar se existem [micos-leões-de-cara-dourada] em outras áreas. Se existirem, vamos capturar de novo, e isso pode prolongar o projeto”, acrescentou a pesquisadora.

Fonte: Carolina Gonçalves/ Agência Brasil


11 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Curitiba/PR aprova projeto que prevê controle de pombos

Os vereadores da Câmara de Curitiba aprovaram por unanimidade, na tarde desta quarta-feira (10), um projeto de lei que prevê o controle da população de pombos na cidade. De acordo com o autor da proposta, vereador Zé Maria (PPS), as aves devem ser capturadas, tratadas e soltas novamente. O objetivo é, em médio prazo, reduzir a circulação desses animais na área central e evitar a disseminação de doenças das quais os pombos são vetores. Para entrar em vigor, a lei precisa da sanção do prefeito Luciano Ducci.

O serviço deve ser realizado por uma empresa privada, que conte com equipe formada por zootecnista, biólogo e veterinário. Em locais onde há superpopulação de pombos, serão colocados contêineres especiais que funcionarão como grandes arapucas. As aves serão atraídas com água tratada e comida e, uma vez que entrem no dispositivo, ficarão presas.

“Os pombos serão recolhidos pela empresa e levados para uma chácara, onde receberão tratamento adequado, até serem soltos novamente”, diz o vereador. Segundo Zé Maria, as aves serão cadastradas e receberão um medicamento que inibe a postura de ovos. Ao serem postos em liberdade, os animais terão um anel de identificação afixado na pata.

De acordo com o projeto, a empresa responsável pelo serviço será escolhida por licitação pública. O vereador afirma que não haverá custos para a municipalidade. “O grupo que for realizar o trabalho, poderá explorar espaços publicitários nos contêineres”, explica.

Dentre as doenças transmitidas pelos pombos estão criptococose (doença do pombo) salmonelose, histoplasmose, toxicoplasmose, ornitose e alergias de maneira geral. As fezes desses animais também contêm fungos e bactérias nocivos à saúde humana.

Em Londrina – No ano passado, Londrina, no Norte do Estado, tentou uma série de medidas para reduzir a população de pombos no município. A pedido da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, o Insituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) autorizou o abate de 50 mil aves, em julho do ano passado.

Neste ano, a cidade testou um gel repelente para afugentar as aves. Em 2009, a prefeitura instalou aparelhos que emitem frequências sonoras inaudíveis ao ouvido humano, mas que são percebidos pelos pombos e afugentam essas aves. Um estudo apontou o aparelho provocou a redução de 40% da população em locais onde o dispositivo era usado.

Fonte: Gazeta do Povo/PR


3 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Transposição do São Francisco ficará 36% mais cara

As obras da transposição do Rio São Francisco ficarão 36% mais caras que a previsão inicial do governo. O orçamento de R$ 5 bilhões foi reestimado para R$ 6,85 bilhões. De acordo com o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, o aumento se deve a reajustes contratuais, necessidade de aditivos, elevação de preços para licitação de novos lotes e custos com compensações ambientais.

Em apenas quatro dos 14 lotes da obra, o ritmo dos trabalhos é considerado normal. Em três, o ritmo é lento e, em cinco, as obras estão paralisadas à espera de termos aditivos. Bezerra Coelho disse que o governo espera assinar os termos até o fim deste mês para que o trabalho seja retomado. Segundo o ministro, como a lei limita a assinatura de aditivos a 25% do valor global do empreendimento, algumas obras terão que ser relicitadas. No total, as alterações representarão aumento de R$ 771 milhões no custo da transposição.

Para a licitação dos lotes 5 e 8, que deve ocorrer ainda este ano, o governo calcula uma elevação de preços de 20% a 30% em relação aos valores contratados nas licitações feitas em 2007, o que também foi considerado na nova estimativa.

Além do reajuste nos valores das obras, o ministro disse que o novo custo incluiu gastos extras com a implantação de projetos básicos ambientais (PBAs), que serão necessários para a renovação da licença de instalação concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

“Na época da concessão da licença, o ministério se responsabilizou pela implantação de 38 PBAs. Já gastamos R$ 170 milhões e os técnicos agora estimam gastos de mais R$180 milhões com PBAs novos ou já existentes”.

Apesar da elevação de 36%, Bezerra Coelho disse que não há indícios de sobrepreços nos contratos e que a assinatura de aditivos é comum em obras de grande porte. “Os preços foram auditados, os contratos foram auditados. Qualquer insinuação de sobrepreço nas obras da transposição não se sustenta. E não é pela minha afirmação, isso está em relatórios do Tribunal de Contas da União e da Controladoria-Geral da União”.

O ministro ressaltou que o aumento na estimativa do custo da transposição está dentro da variação de preços para o mercado da construção nos últimos anos. “O valor do aumento do custo, de 36%, está em linha com os reajustes verificados nesse mesmo período com base no INCC [Índice Nacional de Custo da Construção], que no período foi de 39%”, comparou.

Na avaliação geral, 56,7% das obras da transposição estão concluídas. Com a assinatura de aditivos, o governo espera normalizar o ritmo das obras em todos os lotes. “Esperamos que até o fim do mês de setembro a obra possa estar toda remobilizada”, disse o ministro. Este ano, o governo deve desembolsar cerca de R$1 bilhão para o projeto.

Fonte: Luana Lourenço/ Agência Brasil


1 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Empresa de SP faz chuva artificial com avião bimotor

Desenvolvida por brasileiros, técnica é considerada não poluente pela ONU.
Próxima etapa é provocar tempestades em áreas do semiárido brasileiro.

Tecnologia para provocar chuva artificialmente, desenvolvida por um grupo de brasileiros, pode ser a solução para aliviar os períodos de forte seca no semiárido brasileiro e contribuir no combate à desertificação.

A produção de chuvas artificiais se dá com o lançamento de gotas de água em nuvens que concentram alta umidade a partir de um avião bimotor equipado com um tanque de 300 litros e um mecanismo que controla o tamanho das gotículas dispersadas.

O processo foi desenvolvido para ajudar a sanar problemas em sistemas de abastecimento de água em áreas urbanizadas, alimentar nascentes de rios em regiões de forte seca e para prevenir incêndios florestais em reservas e parques nacionais.

Motosserras
Segundo Ricardo Imai, 42 anos, sócio da Modclima, empresa que criou a técnica, a ideia das chuvas artificiais partiu de seu pai, o engenheiro mecânico Takeshi Imai. “Ele trabalhava com implementos agrícolas e tinha uma empresa que produzia motosserras e herbicidas para derrubar árvores. Entretanto, decidiu parar e começou a estudar o processo de crescimento das nuvens de chuva, no intuito de contribuir com a natureza”, conta o filho.

Ricardo Imai disse que o que ocorre é a aceleração de um processo natural. O avião entra nas nuvens cumulus, que concentram alta umidade, e lançam as gotas que “pegam carona” nos ventos ascendentes. Dentro da nuvem, elas se juntam e formam a chuva, que cai em local previamente determinado. A precipitação ocorre 30 minutos depois do início da operação.

Um longo processo de busca das nuvens ideais antecede as chuvas artificiais. Radares meteorológicos instalados em Bragança Paulista (SP) ajudam na “caça”, juntamente com imagens de satélite. “Passamos horas monitorando o deslocamento das nuvens, para saber se elas vão para as áreas de interesse e se podem ser semeadas com as gotículas de água. Às vezes, temos que esperar muito tempo”, diz Ricardo.

  (Foto: Editoria de Arte/G1)

Aplicação
Em 1998, quando o projeto começou a sair do papel, a técnica foi implementada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que contratou a empresa dos Imai para provocar chuvas artificiais na cabeceira dos sistemas Cantareira e Alto Tietê, responsáveis pelo abastecimento de 18 milhões de pessoas na Grande São Paulo. Foram mais de 500 voos, com ocorrências positivas de chuva em 50% deles.

As chuvas também foram empregadas no Nordeste a pedido de prefeituras da Bahia. Os municípios de Mirorós e Gentio do Ouro, localizados no semiárido brasileiro, sofriam com a seca intensa entre 2008 e 2009 e com a redução do nível da represa que abastecia esta região.

“Nessas áreas, a represa vinha perdendo água há cinco anos e as nascentes dos rios tinham sido gravemente afetadas por um incêndio. Fizemos 25 voos nessas localidades para fortalecer os lençóis freáticos e 17 deles tiveram resultados positivos”, disse. Lavouras também foram salvas devido às chuvas artificiais.

De acordo com Imai, o principal projeto da Modclima é contribuir com o Ministério do Meio Ambiente no combate às secas e queimadas em florestas e biomas como o Cerrado e Amazônia. “A chuva umedece o solo e a vegetação antes do período de estiagem, reduzindo os efeitos. Segundo estudo da Agência Nacional de Águas, 93 cidades brasileiras sofreram com fortes secas em 2010 e outros 490 municípios tiveram graves períodos de estiagem.

Exemplos de nuvens cumulus fotografadas durante um voo. (Foto: Modclima)

Exemplos de nuvens cumulus fotografadas durante um voo. (Foto: Modclima/Divulgação)

ONU
A técnica foi apresentada em 2010 na Convenção de Combate à Desertificação das Nações Unidas (UNCCD), realizada na Alemanha. Segundo Heitor Matallo, coordenador regional para a América Latina e Caribe da entidade, o método brasileiro de realizar  chuvas artificiais foi considerado não poluente em ações contra a desertificação em determinados países.

“É possível que a ONU utilize esta tecnologia, mas precisamos testá-la em diversos ambientes para comprovar sua eficácia. O governo brasileiro precisaria apresentar esta prática para que a Organização das Nações Unidas faça a recomendação desta técnica”, informou Matallo, de seu escritório no México, aoGlobo Natureza.

Fonte: Eduardo Carvalho, do Globo Natureza, em São Paulo


27 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Parceria vai analisar se bioquerosene de cana-de-açúcar é menos poluente

Combustível aviônico feito com produto reduziria emissão de CO2 em 80%.
Estudo de impacto será financiado pelo BID, Embraer e Boeing.

Parceria firmada entre o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) com duas das maiores fabricantes de aeronaves do mundo, a brasileira Embraer e a norte-americana Boeing, vai financiar pesquisa que avaliará o impacto de se desenvolver um combustível aviônico à base de cana-de-açúcar. O acordo foi divulgado nesta terça-feira (26).

A promessa é que o abastecimento de aeronaves a partir do bioquerosene, gerado a partir de moléculas de cana-de-açúcar e outros componentes, poderá reduzir em 80% as emissões de carbono na atmosfera. Tal fato contribuiria com o plano de ação das grandes companhias e entidades que comandam o tráfego aéreo mundial em diminuir em 50% a emissão de gases de efeito estufa até 2050.

Segundo Arnaldo Vieira de Carvalho, especialista de energia do BID e líder da iniciativa de biocombustíveis para aviação, o estudo será feito pela empresa Icone, especializada em trabalhos de análise com produtos provenientes da cana-de-açúcar, como o etanol brasileiro.

“Antes da realização de voos com este produto, temos que confirmar se o impacto da emissão de carbono será mesmo menor. Se isto for comprovado, vamos avaliar os aspectos de produção. Teremos que saber como fabricar o bioquerosene sem grandes impactos e ainda como desenvolver a plantação da matéria-prima por toda a América Latina, sem provocar o desmatamento de áreas nativas para o plantio desta cultura”, disse Carvalho ao Globo Natureza.

Aeronave Embraer 190 adquirida pela companhia Azul Linhas Aéreas. Modelo vai realizar voo com combustível alternativo em breve. (Foto: Divulgação/Embraer)

Aeronave Embraer 190 adquirida pela companhia Azul Linhas Aéreas. Modelo vai realizar voo com combustível alternativo feito com cana-de-açúcar no primeiro semestre de 2012. (Foto: Divulgação/Embraer)

América Latina
De acordo com ele, desenvolver o plantio de cana pelos países latino-americanos é importante, pois o combustível “menos poluente” terá que ser produzido em larga escala caso as companhias aéreas optem por utilizá-lo.

“O estudo vai definir ainda como expandir este mercado sem ocorrer barreiras comerciais. Pelo que percebemos, o desenvolvimento deste tipo de bioquerosene é iminente e temos boas expectativas quanto a isso”, afirmou o representante do BID.

No Brasil, pesquisas com combustível feito a partir da cana-de-açúcar é fomentado pelaEmbraer desde 2005, em parceria com a empresa Amyris, dos Estados Unidos. A companhia norte-americana mantém uma filial em Campinas, no interior de São Paulo, com laboratórios. A Boeing também investe em pesquisas no setor.

Planos
Em encontro realizado nesta semana no Rio de Janeiro, que reuniu empresas aéreas para o debate da sustentabilidade, colocou como prioridade sustentável no setor mundial de aviação a redução das emissões de CO2 em 50% até 2050.

Segundo Guilherme de Almeida Freire, diretor de estratégia e tecnologia para o Meio Ambiente da Embraer, de São José dos Campos (SP), o compromisso de cumprir esta meta foi firmado pela companhia brasileira e também por outras fabricantes como Boeing, Bombardier, Airbus e entidades de tráfego aéreo.

“As empresas têm pensado em uma cesta de soluções que não ficam apenas no desenvolvimento de combustíveis alternativos. São grandes investimentos para melhorar o desempenho dos aviões, dos aeroportos e do tráfego aéreo. São investimentos em soluções ambientalmente sustentáveis”, disse Freire.

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, em São Paulo.


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