11 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

América Latina precisa acelerar projetos de energia, diz BID

Para chefe da organização, alguns países da região correm risco de enfrentar desabastecimento.

A América Latina e o Caribe precisam acelerar projetos de energia elétrica para evitar riscos de desabastecimento que podem frear a expansão econômica. A opinião é da chefe da equipe de projetos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Sylvia Larrea.

“Hoje, a oferta e a demanda estão equilibradas, mas a reserva está curta para o fornecimento de energia nos horários de maior consumo”, disse Larrea à BBC Brasil. “Por isso, é preciso pensar como acelerar projetos e aumentar esta reserva energética.”

Segundo ela, o sistema fica pressionado, por exemplo, no auge do verão e quando os rios baixam devido à seca. Isso porque, do total de 278 mil megawatts de energia instalada, 50% correspondem a hidrelétricas.

No Brasil, esse índice é ainda mais alto: 75% de abastecimento a partir de bases hídricas.

A especialista estima que, para que o setor de energia elétrica acompanhe o ritmo do crescimento regional e com as reservas necessárias, será preciso aumentar, o quanto antes, esta capacidade em 10 mil megawatts por ano.

“Com esta estimativa, estaríamos evitando problemas para a expansão econômica”, afirmou Larrea, acrescentando que apenas alguns países da região estão tomando providência para aumentar esta capacidade instalada de energia.

Bom planejamento
Por sua extensão geográfica e população, o Brasil consome cerca de um terço da energia da América Latina e Caribe (cerca de 100 mil megawatts). Com as atuais taxas de crescimento econômico (entre 4% e 5%), Larrea estima que só o Brasil precisaria ampliar seu potencial entre 4 mil e 6 mil megawatts por ano.

Larrea acha que o governo brasileiro está se preparando bem para suprir a alta da demanda. “O Brasil tem bom planejamento para o fornecimento de energia até 2020, incluindo as obras de hidrelétricas como Belo Monte e Jirau e linhas de transmissão.”

Ela ressalvou, porém, que outros países, como o Peru, não têm planos concretos ou possuem hidrelétricas com mais de 30 anos, que estão ultrapassadas.

Segundo a especialista, o déficit de energia ocorre, além do Peru, também em regiões da Argentina. “No norte do Peru, se vive quase uma emergência, mas, em 2013, esta área do país já deverá contar com linhas de transmissão e a questão deverá estar resolvida”, disse.

Larrea disse que o Peru, cuja economia cresce acima de 8% por ano, optou por usinas térmicas que funcionam a base de gás – gerando dependência do combustível.

O mesmo ocorre na Argentina, segundo o ex-secretário de Energia do país, Daniel Montamat. “Hoje, a Argentina tem apenas 35% de geração de energia hidrelétrica e 55% gerada pelas usinas térmicas, movidas a gás natural ou a diesel. E isto ocorre porque a construção das termoelétricas é mais rápida, mas não resolve o problema.”

Energia importada
Como os demais países da América do Sul, a Argentina registrou forte crescimento econômico entre 2002 e 2011 (média acima de 8%) e consumo intenso de energia.

“As usinas termoelétricas são de curto prazo e as hidrelétricas, de longo prazo. Mas as usinas termoelétricas foram a saída encontrada pelo governo para atender à demanda que acelerou com a expansão da economia”, disse Montamat.

Neste inverno, afirmou, a Argentina voltou a importar energia elétrica do Brasil para atender o incremento da demanda nestes dias de baixas temperaturas e uso constante de aquecedores.

O Paraguai, que conta com as hidrelétricas de Itaipu e Yaciretá, por falta de linhas de transmissão, enfrenta problemas de distribuição e abastecimento no território nacional. O país foi o que registrou maior crescimento econômico da região em 2010 (acima de 9%).

Brasil consome cerca de um terço da energia da América Latina e Caribe. (Foto: BBC)

Brasil consome cerca de um terço da energia da América Latina e Caribe. (Foto: BBC)

Fonte: BBC


6 de junho de 2011 | nenhum comentário »

SP vai licitar primeira termelétrica movida a lixo do Brasil

São Bernardo do Campo abre processo nesta segunda-feira (6).
Biodigestor vai eliminar resíduos e produzir energia para 200 mil habitantes.

O Brasil deve ganhar em breve sua primeira usina termelétrica movida a partir da queima de lixo. A tecnologia, empregada em 35 países, chega ao país atrasada na tentativa de resolver graves problemas relacionados à destinação dos resíduos sólidos.

A inédita unidade deve ser instalada em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. A prefeitura vai apresentar nesta segunda-feira (6) o edital de licitação do projeto, orçado em cerca R$ 600 milhões, e que terá capacidade de processar até mil toneladas de resíduos para gerar constantes 30 MW – suficientes para abastecer uma cidade com 200 mil habitantes.

620x650_incinerador_

A legislação sobre o tema, que vigora desde 2010, proíbe o funcionamento de lixões nas zonas urbanas a partir de 2014 e obriga as cidades a criarem aterros sanitários.

Dados da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) mostram que o Brasil gera mais de 195 mil toneladas de lixo por dia, sendo que 33 mil toneladas de resíduos vão para lixões.

Apesar da nova lei federal, as grandes regiões não têm espaço para aterrar de forma adequada as toneladas de lixo geradas diariamente.

Para solucionar a questão, o debate para a implantação de térmicas a lixo foi iniciado e começa a ter seus primeiros desdobramentos. A tecnologia, já empregada há décadas na Europa, tem o objetivo de tratar e recuperar energia do lixo orgânico, separar o que for reciclável e queimar o que não pode ser reaproveitado, transformando em luz elétrica.

“Isso resolve parte do problema do lixo e é possível afirmar com segurança de que não há danos à saúde ou ao meio ambiente”, afirmou Aruntho Savastano Neto, gerente da área de programas especiais da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental).

Potencial
A discussão sobre este tipo de empreendimento no país ocorre paralelamente em vários municípios do Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, estado mais avançados no debate. “Cidades com população próxima ou acima de 1 milhão de habitantes têm potencial para receber uma usina térmica”, disse Sérgio Guerreiro, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro e especialista no assunto.

Segundo a Cetesb, São Bernardo do Campo e Barueri, na Grande São Paulo, receberam licenças provisórias. Santo André discute com a população a instalação de um complexo e São José dos Campos, no interior paulista, abriu para consulta pública o pré-edital do projeto. Existem ainda estudos avançados para a instalação de uma usina no litoral.

Os complexos brasileiros funcionariam com técnicas mistas, ou seja, haveria geração de energia pelo lixo orgânico e pela queima de resíduos contaminados. A implementação seria por meio de uma parceria público-privada.

O lixo orgânico, considerado úmido, passaria por um processo chamado ‘digestão anaeróbica’ (parecido com a compostagem), em que o gás metano liberado na decomposição seria transformado em energia. Para a outra parte, a incineração, seria o destino dos resíduos que não podem ser reciclados.

Polêmica
Entretanto, existe polêmica quanto à emissão de gases gerados a partir da queima dos resíduos. Nos complexos que poderão ser instalados no país haveria um grande aparato de filtros para impedir a liberação do metano (causador do efeito estufa), além de substâncias como as dioxinas, que podem ser cancerígenas.

“Parece uma solução atraente, mas acaba transferindo o problema. Existe uma preocupação com a acomodação e diminuição na reciclagem, já que tudo pode ser queimado. Além disso, há o problema com as emissões. Temos que tomar cuidado com isso”, afirmou Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de energia do Greenpeace.

Para Sérgio Guerreiro, as cidades têm buscado adquirir este tipo de tecnologia, entretanto estão focando em investimentos errados. “Eles querem colocar usinas que tratam o lixo orgânico para gerar energia. Isso não é viável, é um preço absurdo e nenhuma cidade tem dinheiro para pagar por isso”, disse.

Enquanto uma prefeitura, com a de São Bernardo do Campo, paga atualmente R$ 60 para tratar a tonelada de lixo em aterros, na Holanda, por exemplo, o processamento em uma usina térmica chega a custar 90 euros (R$ 207). “No edital vamos escolher a empresa que nos oferece o menor preço para processar o lixo. A nossa previsão é que a partir de janeiro de 2012 as obras sejam iniciadas”, afirmou Alfredo Buso, secretário de Planejamento Urbano de São Bernardo.

Mas para o especialista em térmicas a lixo, há chances de estes projetos não vingarem por aqui. “Existem vários trabalhos sobre o tema no Brasil, mas acredito que esta tecnologia não será adotada. As prefeituras não estão dispostas a pagar mais caro. Elas querem continuar com os processos baratos de hoje. Enquanto o país pensar desta forma, ninguém vai fazer nada”, disse Guerreiro.

Fonte: Eduardo Carvalho, globo Natureza, em São Paulo.






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América Latina precisa acelerar projetos de energia, diz BID

Para chefe da organização, alguns países da região correm risco de enfrentar desabastecimento.

A América Latina e o Caribe precisam acelerar projetos de energia elétrica para evitar riscos de desabastecimento que podem frear a expansão econômica. A opinião é da chefe da equipe de projetos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Sylvia Larrea.

“Hoje, a oferta e a demanda estão equilibradas, mas a reserva está curta para o fornecimento de energia nos horários de maior consumo”, disse Larrea à BBC Brasil. “Por isso, é preciso pensar como acelerar projetos e aumentar esta reserva energética.”

Segundo ela, o sistema fica pressionado, por exemplo, no auge do verão e quando os rios baixam devido à seca. Isso porque, do total de 278 mil megawatts de energia instalada, 50% correspondem a hidrelétricas.

No Brasil, esse índice é ainda mais alto: 75% de abastecimento a partir de bases hídricas.

A especialista estima que, para que o setor de energia elétrica acompanhe o ritmo do crescimento regional e com as reservas necessárias, será preciso aumentar, o quanto antes, esta capacidade em 10 mil megawatts por ano.

“Com esta estimativa, estaríamos evitando problemas para a expansão econômica”, afirmou Larrea, acrescentando que apenas alguns países da região estão tomando providência para aumentar esta capacidade instalada de energia.

Bom planejamento
Por sua extensão geográfica e população, o Brasil consome cerca de um terço da energia da América Latina e Caribe (cerca de 100 mil megawatts). Com as atuais taxas de crescimento econômico (entre 4% e 5%), Larrea estima que só o Brasil precisaria ampliar seu potencial entre 4 mil e 6 mil megawatts por ano.

Larrea acha que o governo brasileiro está se preparando bem para suprir a alta da demanda. “O Brasil tem bom planejamento para o fornecimento de energia até 2020, incluindo as obras de hidrelétricas como Belo Monte e Jirau e linhas de transmissão.”

Ela ressalvou, porém, que outros países, como o Peru, não têm planos concretos ou possuem hidrelétricas com mais de 30 anos, que estão ultrapassadas.

Segundo a especialista, o déficit de energia ocorre, além do Peru, também em regiões da Argentina. “No norte do Peru, se vive quase uma emergência, mas, em 2013, esta área do país já deverá contar com linhas de transmissão e a questão deverá estar resolvida”, disse.

Larrea disse que o Peru, cuja economia cresce acima de 8% por ano, optou por usinas térmicas que funcionam a base de gás – gerando dependência do combustível.

O mesmo ocorre na Argentina, segundo o ex-secretário de Energia do país, Daniel Montamat. “Hoje, a Argentina tem apenas 35% de geração de energia hidrelétrica e 55% gerada pelas usinas térmicas, movidas a gás natural ou a diesel. E isto ocorre porque a construção das termoelétricas é mais rápida, mas não resolve o problema.”

Energia importada
Como os demais países da América do Sul, a Argentina registrou forte crescimento econômico entre 2002 e 2011 (média acima de 8%) e consumo intenso de energia.

“As usinas termoelétricas são de curto prazo e as hidrelétricas, de longo prazo. Mas as usinas termoelétricas foram a saída encontrada pelo governo para atender à demanda que acelerou com a expansão da economia”, disse Montamat.

Neste inverno, afirmou, a Argentina voltou a importar energia elétrica do Brasil para atender o incremento da demanda nestes dias de baixas temperaturas e uso constante de aquecedores.

O Paraguai, que conta com as hidrelétricas de Itaipu e Yaciretá, por falta de linhas de transmissão, enfrenta problemas de distribuição e abastecimento no território nacional. O país foi o que registrou maior crescimento econômico da região em 2010 (acima de 9%).

Brasil consome cerca de um terço da energia da América Latina e Caribe. (Foto: BBC)

Brasil consome cerca de um terço da energia da América Latina e Caribe. (Foto: BBC)

Fonte: BBC


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SP vai licitar primeira termelétrica movida a lixo do Brasil

São Bernardo do Campo abre processo nesta segunda-feira (6).
Biodigestor vai eliminar resíduos e produzir energia para 200 mil habitantes.

O Brasil deve ganhar em breve sua primeira usina termelétrica movida a partir da queima de lixo. A tecnologia, empregada em 35 países, chega ao país atrasada na tentativa de resolver graves problemas relacionados à destinação dos resíduos sólidos.

A inédita unidade deve ser instalada em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. A prefeitura vai apresentar nesta segunda-feira (6) o edital de licitação do projeto, orçado em cerca R$ 600 milhões, e que terá capacidade de processar até mil toneladas de resíduos para gerar constantes 30 MW – suficientes para abastecer uma cidade com 200 mil habitantes.

620x650_incinerador_

A legislação sobre o tema, que vigora desde 2010, proíbe o funcionamento de lixões nas zonas urbanas a partir de 2014 e obriga as cidades a criarem aterros sanitários.

Dados da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) mostram que o Brasil gera mais de 195 mil toneladas de lixo por dia, sendo que 33 mil toneladas de resíduos vão para lixões.

Apesar da nova lei federal, as grandes regiões não têm espaço para aterrar de forma adequada as toneladas de lixo geradas diariamente.

Para solucionar a questão, o debate para a implantação de térmicas a lixo foi iniciado e começa a ter seus primeiros desdobramentos. A tecnologia, já empregada há décadas na Europa, tem o objetivo de tratar e recuperar energia do lixo orgânico, separar o que for reciclável e queimar o que não pode ser reaproveitado, transformando em luz elétrica.

“Isso resolve parte do problema do lixo e é possível afirmar com segurança de que não há danos à saúde ou ao meio ambiente”, afirmou Aruntho Savastano Neto, gerente da área de programas especiais da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental).

Potencial
A discussão sobre este tipo de empreendimento no país ocorre paralelamente em vários municípios do Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, estado mais avançados no debate. “Cidades com população próxima ou acima de 1 milhão de habitantes têm potencial para receber uma usina térmica”, disse Sérgio Guerreiro, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro e especialista no assunto.

Segundo a Cetesb, São Bernardo do Campo e Barueri, na Grande São Paulo, receberam licenças provisórias. Santo André discute com a população a instalação de um complexo e São José dos Campos, no interior paulista, abriu para consulta pública o pré-edital do projeto. Existem ainda estudos avançados para a instalação de uma usina no litoral.

Os complexos brasileiros funcionariam com técnicas mistas, ou seja, haveria geração de energia pelo lixo orgânico e pela queima de resíduos contaminados. A implementação seria por meio de uma parceria público-privada.

O lixo orgânico, considerado úmido, passaria por um processo chamado ‘digestão anaeróbica’ (parecido com a compostagem), em que o gás metano liberado na decomposição seria transformado em energia. Para a outra parte, a incineração, seria o destino dos resíduos que não podem ser reciclados.

Polêmica
Entretanto, existe polêmica quanto à emissão de gases gerados a partir da queima dos resíduos. Nos complexos que poderão ser instalados no país haveria um grande aparato de filtros para impedir a liberação do metano (causador do efeito estufa), além de substâncias como as dioxinas, que podem ser cancerígenas.

“Parece uma solução atraente, mas acaba transferindo o problema. Existe uma preocupação com a acomodação e diminuição na reciclagem, já que tudo pode ser queimado. Além disso, há o problema com as emissões. Temos que tomar cuidado com isso”, afirmou Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de energia do Greenpeace.

Para Sérgio Guerreiro, as cidades têm buscado adquirir este tipo de tecnologia, entretanto estão focando em investimentos errados. “Eles querem colocar usinas que tratam o lixo orgânico para gerar energia. Isso não é viável, é um preço absurdo e nenhuma cidade tem dinheiro para pagar por isso”, disse.

Enquanto uma prefeitura, com a de São Bernardo do Campo, paga atualmente R$ 60 para tratar a tonelada de lixo em aterros, na Holanda, por exemplo, o processamento em uma usina térmica chega a custar 90 euros (R$ 207). “No edital vamos escolher a empresa que nos oferece o menor preço para processar o lixo. A nossa previsão é que a partir de janeiro de 2012 as obras sejam iniciadas”, afirmou Alfredo Buso, secretário de Planejamento Urbano de São Bernardo.

Mas para o especialista em térmicas a lixo, há chances de estes projetos não vingarem por aqui. “Existem vários trabalhos sobre o tema no Brasil, mas acredito que esta tecnologia não será adotada. As prefeituras não estão dispostas a pagar mais caro. Elas querem continuar com os processos baratos de hoje. Enquanto o país pensar desta forma, ninguém vai fazer nada”, disse Guerreiro.

Fonte: Eduardo Carvalho, globo Natureza, em São Paulo.