13 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

MMA divulga dados do monitoramento do desmatamento de três biomas

Taxas comparativas de todos biomas brasileiros entre 2008-2009 indicam que Pampa, Mata Atlântica e Pantanal registraram redução no ritmo de supressão da vegetação.

Em continuidade à série do Projeto de Monitoramento do Desmatamento nos Biomas Brasileiros por Satélite (PMDBBS), o Ministério do Meio ambiente (MMA) divulgou nesta quinta-feira (9), dados do desmatamento dos biomas Mata Atlântica, Pampa e Pantanal referentes ao período 2008-2009, cujos números mostram queda no ritmo do corte da vegetação no período. O estudo, que quantifica desmatamentos de áreas nativas, começou a operar em 2008 pelo Centro de Sensoriamento Remoto do Ibama, utilizando o ano de 2002 como referência com imagens do satélite Landsat.

 

O resultado mostra redução no ritmo comparado a 2008, apesar de os dados não apontarem tudo o que foi desmatado, não sendo possível, porém, identificar o que é desmatamento legal ou ilegal, disse a ministra Izabella Teixeira. Ela adiantou que os próximos desafios serão monitorar, junto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), além das áreas desmatadas em todos os biomas, as que estão em regeneração. A dinâmica está sendo utilizada pelo projeto TerraClass na Amazônia, que classifica a situação dos estados da região. Segundo Izabella, as bases de dados atualizadas geram informações para orientar nas políticas públicas de combate ao desmatamento ilegal até a regularização ambiental.

 

Para o secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA, Bráulio Dias, a novidade do monitoramento dos biomas extra-amazônicos é que, a partir de 2009, o Ibama passou a trabalhar com mapa de maior resolução com escala de 1-50 mil ha e área mínima mapeada de 2 a 3 hectares por bioma.  Até 2007, eram utilizadas imagens de menor resolução de 1-250 mil com referência a 2002.

 

Pampa - Entre 2008-2009, o Bioma perdeu 331 km² de área com a supressão de vegetação nativa , equivalente a taxa de 0,18%. Mas se comparado ao período de 2002-2008 (1,2%), houve pequeno decréscimo. Dos seus 177.767 km², o Pampa teve quase 54% de área original suprimida ao longo de sua ocupação histórica. Entre 2002 e 2008, foram perdidos 2.183 km², que equivale a 1,2% do bioma , ou 0,2% de taxa média anual de desmatamento. Alegrete, na fronteira do estado do Rio Grande do Sul, foi o município que mais desmatou neste período em números absolutos, sendo 51,93 km² equivalentes a 0,67% da área do município.

A rizicultura (plantação de arroz), a pecuária e a expansão do reflorestamento de vegetação nativa por plantada das espécies eucalipto e pinus são as atividades que pressionam o desmatamento no Pampa.

 

Mata Atlântica - A área desmatada corresponde a 248 km² no período 2008-2009, representando 0,02 % de perda da cobertura vegetal dentro do Bioma. A Mata Atlântica registrou a menor taxa de desmatamento entre os biomas brasileiros no período de 2008-2009. Dos estados cobertos pela Mata Atlântica, Minas Gerais foi o que mais desmatou, em números absolutos, entre 2008-2009, com supressão de 115,8 m² de vegetação nativa.

O secretário do MMA avaliou positivamente a baixa taxa de 0,02% de supressão no bioma indicando que a Mata Atlântica se aproxima do desmatamento zero.

 

Pantanal - Até 2008, o Bioma tinha 83,20% de sua área total com cobertura vegetal remanescente. O menor dos biomas brasileiros, com 151.313 km² de extensão, registra taxa de desmatamento acumulado de 2002 a 2009 de 15,31%, equivalente a uma área de 23.160 km². Entre 2008-2009, perdeu 188 km² de vegetação nativa, correspondente a 0,12% do bioma. Segundo o secretário do MMA, a taxa média atual declinou em relação ao período 2002-2008.

 

As ações de desmatamento no Pantanal, segundo Bráulio Dias, geralmente ocorrem no entorno do bioma, mas foi observado, a partir do monitoramento de 2008, uma frente de conversão da vegetação nativa no interior do Bioma para pastos plantados para criação de gado zebu em substituição ao rebanho pantaneiro.

Outra preocupação, segundo ele, apresenta-se na periferia do Pantanal com destaque para o assoreamento do Rio Taquari causado pelo desmatamento para uso da agricultura. Para o período de 2008-2009, Corumbá (MS) foi o município que  mais suprimiu áreas de vegetação nativa, em termos absolutos,  equivalente a  67,64 Km², ou seja, 0,11% da área do município.

 

O Pantanal é reconhecido como Patrimônio Nacional pela Constituição Federal e considerado Reserva da Biosfera e Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco, além de abrigar três Sítios Ramsar, Áreas Úmidas de Importância Internacional: Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense, Reserva Particular do Patrimônio Natural Sesc Pantanal e Reserva Particular do Patrimônio Natural Fazenda Rio Negro.

 

Comparativo - Dos dados gerais do desmatamento e comparativos nos biomas brasileiros entre 2008-2009, o Cerrado foi o que mais desmatou em valores absolutos (7.637 km²); Amazônia (7.464 km²); Caatinga (1.921 km²); Pampa (331 km²); Mata Atlântica (248 km²) e Pantanal (118 km²).

Para mais informações, acesse a página da Projeto de Monitoramento: http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&idEstrutura=72&idConteudo=7422.

Fonte: Ascom do MMA


3 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Metade da bacia do Pantanal está sob risco ambiental, avalia estudo

Foram avaliadas áreas no Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina.
Degradação de nascentes e barragens são apontadas como ameaças.

Metade da bacia do rio Paraguai, que abriga o Pantanal, está sob alto ou médio risco ambiental, mostra estudo divulgado nesta quinta-feira (02). Realizado ao longo de três anos pelo WWF, The Nature Conservancy e Centro de Pesquisas do Pantanal, ele coloca hidrelétricas e atividades humanas entre as maiores ameaças.

Planaltos e chapadões que circundam o Pantanal, onde nascem os principais rios da bacia, seriam as áreas que enfrentam os maiores riscos. A pesquisa avaliou regiões no Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina e tem como objetivo subsidiar os governos dos quatro países no desenvolvimento de uma agenda de adaptação do Pantanal às alterações do clima.

“A bacia do rio Paraguai apresenta alto risco ecológico potencial, requerendo ações urgentes e prioritárias de proteção das cabeceiras”, afirma o estudo.

As barragens e hidrelétricas, apontadas como fatores de risco, devem aumentar no Pantanal nos próximos anos. De acordo com o relatório, existem 115 barramentos previstos para a década, 75% de pequenas centrais hidrelétricas, o que deve elevar os riscos ambientais.

“Barramentos ameaçam a duração e a intensidade dos ciclos de cheias e vazantes, colocando em cheque a vida, economias e populações que dependem do equilíbrio ecológico do Pantanal”, considerou Albano Araújo, coordenador da Estratégia de Água Doce do Programa de Conservação da Mata Atlântica e das Savanas Centrais da The Nature Conservancy.

Entre as atividades humanas, as maiores ameaças seriam a pecuária e a agricultura. Desmatamento, hidrovias, rodovias e mineração também são apontados no estudo como fatores de risco.

Cabeceiras, nas bordas do Pantanal, enfrentam os maiores riscos, segundo pesquisa (Foto: Divulgação / WWF)

Cabeceiras, nas bordas do Pantanal, enfrentam os maiores riscos, segundo pesquisa (Foto: Divulgação / WWF)

Preservação
A pesquisa avalia que seriam necessárias novas medidas de preservação do Pantanal. Uma delas seria a criação de novas unidades de proteção, principalmente em áreas de cabeceiras. Atualmente, existem 170 áreas protegidas na bacia do rio Paraguai, mas elas não estão distribuídas de forma adequada, critica o estudo.

Outra medida seria a implantação de medidas de conservação em terras privadas, por exemplo, melhores práticas de manejo de água e solo em atividades agropecuárias. No caso das hidrelétricas, uma possível solução, de acordo com a pesquisa, seria a implementação de esquemas de operação que mantenham os ciclos de cheias e vazantes de modo semelhante ao natural.

O Pantanal é a maior planície inundável do planeta. Seus ciclos anuais de cheias e secas são fundamentais para a vida de milhares de espécies, além de terem importantes impactos econômicos, como a fertilização natural dos campos.

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


9 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Até 25% da Amazônia pode ficar sem proteção legal, alerta cientista

Pesquisadores solicitam emenda específica no novo Código para o bioma.
Proposta deixaria vulnerável área equivalente ao dobro do estado de SP.

Mudança em uma expressão no projeto do novo Código Florestal pode deixar 25% da Amazônia sem proteção legal. O alerta é de uma equipe coordenada pelo Museu da Amazônia (Musa) e pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Os cientistas solicitam que as áreas sujeitas a inundações da Amazônia e do Pantanal sejam tratadas por uma legislação específica. Em agosto, o grupo entregou um pedido de emenda no Projeto de Lei 30/2011, que trata da revisão do Código Florestal.

“A mudança no termo ‘margem média dos rios’, contida no artigo 4º da nova lei, pode deixar até 400 mil km² de floresta sem proteção”, diz Ennio Candotti, diretor do Musa e vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SPBC). “Ao todo, uma área de 1 milhão de hectares fica vulnerável em todo o país”.

“A lei, como está, pode até ser aplicada sem problemas em rios menores, mas não cabe aos grandes rios, principalmente na Amazônia”, explica Candotti. “Nossos rios têm uma variação de até 20 metros em sua profundidade entre os períodos de estiagem e cheia, e essa vazão de curso ‘médio’ previsto na lei praticamente não existe na região”.

Áreas úmidas
Novas redefinições indicam que 25% da Amazônia seriam áreas úmidas e podem também ser afetadas caso o PL 30 não seja modificado. “Novos estudos revelaram que a área sujeita a inundação na Amazônia é muito maior”, diz Maria Teresa Piedade, pesquisadora do Inpa. “Só as áreas inundáveis já correspondem a 7% da floresta, sem contar outras categorias de áreas úmidas que ficaram desprotegidas”, explica.

São consideradas “áreas úmidas”, segundo o estudo, aquelas alagadas ao longo de grandes rios de diferentes qualidades de água, como águas pretas, claras, brancas; áreas alagáveis nos interflúvios, entre dois cursos de água, como campinaranas, campos úmidos, veredas e brejos; e áreas úmidas dos estuários, como mangues, banhados e lagoas costeiras.

O pedido de mudança foi encaminhado aos senadores das quatro Comissões – Agricultura, Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente e Justiça – que avaliam o projeto de lei. A Academia Brasileira de Ciências, o SBPC e o governo do Amazonas também receberam a solicitação. “Outra questão é que a lei atual também contraria outras legislações, como a que estabelece o que é patrimônio da União”, conclui Candott do Musa.

Os relatórios das comissões devem ser votados até o final de setembro. Após a apresentação desses relatórios, o novo formato do Código Florestal vai ser analisado pelo Senado Federal e, se aprovado, levado à sanção da presidente Dilma Rousseff.

Discussão
Segundo a assessoria de imprensa do senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB/SC), ele não considera que exista inconsistência jurídica no PL 30, como levantou o Musa. Sobre as possíveis emendas, o senador afirma que só vai se posicionar após o relatório final das outras comissões. Luiz Henrique é responsável pelo projeto de lei em três das quatro comissões onde o projeto passa por adequações até sua votação. Apenas a comissão de meio ambiente possui outro relator, o senador Jorge Viana (PT/AC).

Uma comissão técnica do Ministério do Meio Ambiente (MMA) também defende uma legislação própria para Amazônia e o Pantanal. “Essas áreas são consideradas com Patrimônio Nacional pela Constituição Federal, e precisam ser tratados por uma legislação jurídica específica como acontece com a Mata Atlântica”, diz João de Deus, diretor de florestas do MMA, que integra a comissão ministerial responsável por avaliar o PL 30.

“Hoje se considerarmos a lei como está, sem as alterações que vão ser votadas, já existe uma interpretação subjetiva: são consideradas, para tratar as áreas de proteção, as margens dos rios a partir das cheias sazonais, ou seja, as cheias anuais. Isso é algo impossível de ser fiscalizado, pois exige uma leitura anual do que precisa ser preservado”, conclui João de Deus.

Na próxima terça-feira (13), a ministra do Meio Ambiente, Isabela Teixeira, vai se reunir com o senador Luiz Henrique para debater a proposta do novo código. A posição atual do ministério é que a lei vá para votação sem brechas legais ou contradições com a Constituição. No dia 14, a Comissão de Constituição e Justiça deve votar o primeiro relatório de Luiz Henrique.

Amazônia rio com plantas (Foto: Ana Castro - produtora de reportagem (TV Globo))

Área da Amazônia que ficaria sem proteção, caso a lei não seja modificada, equivale ao dobro do tamanho do estado de São Paulo, segundo cientistas (Foto: Ana Castro - produtora de reportagem (TV Globo)

Fonte: Juliana Arini, Globo Natureza, São Paulo


19 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Pesquisadores de MT monitoram ninhos de aves aquáticas do Pantanal

Trabalho é feito em ninhos de aves nos períodos de cheia e seca.
Balanço de 2010 apresentou sete novos ninhais nas áreas.

Pássaros são monitorados no Pantanal mato-grossense (Foto: Marcos Ferramosca/Sema-MT)

Pássaros são monitorados no Pantanal mato-grossense (Foto: Marcos Ferramosca/Sema)

Técnicos e pesquisadores de Mato Grosso que fazem o monitoramento nos ninhos das aves do Pantanal mato-grossense já observam novos ninhos. As áreas mapeadas desde 2006 abrigam colônias de reprodução de várias espécies de aves aquáticas.

Segundo Marcos Roberto Ferramosca, analista de meio ambiente da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), o trabalho de mapeamento é feito nos períodos de cheia e seca do Pantanal.

As áreas de monitoramento são consideradas por especialistas, um local preferencial para seis espécies de aves e os ninhos monitorados ficam nos municípios de Poconé, Barão de Melgaço, Nossa Senhora do Livramento e Cáceres.

Ainda de acordo com o analista, o mapeamento tem foco no desenvolvimento do potencial turístico e na conservação do meio ambiente. “O objetivo desse trabalho é mapear as áreas de ocorrência de ninhais na região do Pantanal, identificando as atividades que possam estar comprometendo a reprodução das aves e a consequente conservação destas áreas”, ressaltou.

As colônias de construção dos ninhos das aves aquáticas em árvores, chamados de viveiros ou ninhais podem ser formados por espécies como: biguás, biguatingas e baguaris (ninhais pretos) ou por garças, colhereiros e cabeças-secas (ninhais brancos).

Em 2010, no período de cheia, foram localizados 41 ninhais, sendo registrados seis novos. No período de seca, foram registrados 42 ninhais e apenas um novo.

Já no primeiro semestre de 2011 os técnicos observaram maior ocorrência de aves se reproduzindo em relação aos anos anteriores, inclusive com o registro de mais sete novos ninhais.

Outro fenômeno observado foi a antecipação do período reprodutivo da garça-branca-grande. “Essa espécie costuma se reproduzir nos meses de junho e julho e até mesmo em maio, em alguns ninhais. Mas, este ano, observamos vários ninhais com garças já no início de abril”, finalizou Marcos.

Novos ninhos foram registrados durante a pesquisa (Foto: Marcos Ferramosca/Sema-MT)

Novos ninhos foram registrados durante a pesquisa (Foto: Marcos Ferramosca/Sema-MT

Fonte: Do G1, MT


18 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas lançam livro e apresentam projetos realizados no Pantanal

A reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Maria Lúcia Cavalli destacou a importância das áreas úmidas para a regulação do clima e do ciclo hidrológico, purificando as águas e reabastecendo os lençóis freáticos. Essas declarações foram dadas na última segunda-feira (15), na abertura da 2ª Reunião de Avaliação do Comitê Científico Internacional, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Áreas Úmidas (INAU), realizado em Cuiabá, pelo Centro de Pesquisa do Pantanal (CPP).

Ela também fez uma explanação sobre a produção de conhecimentos na UFMT referente às áreas úmidas, que começou a tomar impulso na década de 90, com a parceria com o Instituto Max Planck da Alemanha, dentro do programa SHIFT (CNPq – BMF). Em 2000, quando o Pantanal foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, a instituição, buscou junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT a criação  do Centro de Pesquisa do Pantanal – CPP, envolvendo as instituições de ensino e pesquisas do Pantanal. Em 2008 foi criado o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Áreas Úmidas – INAU e neste mesmo ano foi anunciada pelo MCT a implantação do Instituto Nacional de Pesquisas do Pantanal – INPP no campus de Cuiabá da UFMT, que está na fase final de construção do espaço físico.

Dentre as diversas autoridades que participaram da abertura do evento, a reitora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS, Célia Maria Silva Oliveira, disse que a instituição apóia as pesquisas realizadas pelas universidades do Centro-Oeste, que são tão importantes para o mundo todo.

Lançamento do livro - O livro “O Pantanal – Ecologia, biodiversidade de uma grande área úmida sazonal neotropical” (The Pantanal. Ecology, biodiversity of a large neotropical seasonal wetland), editado pelos professores Wolfgang J. Junk, Carolina J. da Silva, Cátia Nunes da Cunha & Karl M. Watzen, foi lançado  no evento.

“Mesmo com o advento da internet, não faz parte do passado escrever um livro. Esta publicação engloba o trabalho de mais de 100 pesquisadores, e é um marco para os estudos científicos, pelo menos para os próximos 15 anos”, enfatizou Wolfgang J. Junk.

A professora Cátia Nunes da Cunha não escondeu sua emoção ao contar que é neta de pantaneiros e atualmente a mais jovem integrante da equipe de pesquisadores que editou este livro. “Sinto-me muito feliz e emocionada por retornar ao Pantanal contribuindo com o seu desenvolvimento e preservação através da produção de conhecimento, resultado de muitos anos de pesquisas que culminou na produção deste livro, que será uma referência na área”, disse Cátia.

Carolina J. da Silva, também uma das editoras do livro, contou que trata -se da mais  abrangente obra sobre o Pantanal, sendo uma referência para a pesquisa. “É um marco referencial teórico do Pantanal na história da ciência brasileira, quem for estudar este bioma tem que ‘passar’ pelo livro”, enfatizou. O livro pode ser adquirido pelo site www.pensoft.net.

Fonte: Ascom  CPP


3 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Turistas registram rara imagem de onça pintada na beira de rio em MS

Animal foi flagrado por turistas na região do Passo do Lontra, no Pantanal.
Especialista diz que é muito raro ver o felino em seu habitat natural.

O casal Marcos Sandoval Leonardo e Carmem Marisa Quinzani, que passava as férias de julho no Pantanal de Mato Grosso do Sul, registrou imagens de uma onça pintada em seu habitat natural. O flagrante do animal, que permaneceu deitado mesmo com a presença dos turistas, o que foi considerado raro pelo casal, aconteceu no local conhecido como Passo do Lontra, entre os municípios de Miranda e Corumbá.

“Foi muita sorte a situação de vê-la tranquila assim. É raro porque se você faz barulho, aponta, conversa alto ela normalmente se esconde no mato”, disse Leonardo ao G1. Ele e a esposa têm uma chalana no Pantanal há três anos e costumam passar temporadas no local.

Carmem diz ter sido a terceira vez a encontrar uma onça pintada, mas a primeira a conseguir registrar o animal tranquilo na paisagem alagada. “Adrenalina a mil. Não dá para descrever o que a gente sente na hora. O coração bate forte, a mão tremia. Era um sonho que eu tinha e foi muito tempo próximo dela”, disse.

De acordo com o biólogo doutor em ecologia José Milton Longo, deparar-se com onças pintadas é difícil em função da população desses animais existentes no Pantanal. “Não aumentou tanto a população de onças pintadas. Ela é a uma predadora de topo e não tem abundancias altas. Além da taxa de fecundidade, a redução dos ambientes naturais dela tem sido significativa”, diz o biólogo.

“Tem gente que mora lá há 70 anos e nunca viu (uma onça pintada). Eu vi onça duas vezes em mais de cinquenta idas ao Pantanal. É um privilégio você estar no lugar certo na hora certa”.

Turistas registram rara imagem de onça pintada na beira de rio em MS (Foto: Reprodução/TV Morena)

Onça foi flagrada na beira de rio em MS (Foto: Reprodução/TV Morena)

Fonte: Ricardo Campos Jr, do G1, Ms


1 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Documentarista percorre país de moto e registra belas imagens do Pantanal

Previsão é que expedição termine no dia 15 de dezembro deste ano.
Viagem deve totalizar cerca de 20 mil km, passando por 12 estados.

Iguana (Foto: Fernando Lara)

Iguana, também conhecida como sinimbú ou camaleão (Foto: Fernando Lara)

Oito estados percorridos, 8,6 mil quilômetros rodados e mais de três meses longe de casa. O roteiro faz parte da expedição “Rotas Verdes Brasil” do documentarista Fernando Lara. A bordo de uma motocicleta, ele registra com imagens e vídeos os biomas brasileiros. O trabalho será usado para a produção de um vídeo documentário e um livro digital, que será disponibilizado gratuitamente na internet, como garante o profissional.

A previsão é concluir a expedição em 15 de dezembro deste ano, quando já deverá totalizar cerca de 20 mil km, passando por 12 estados. Até agora ele passou por Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e agora Mato Grosso. Em solo mato-grossense, serão captadas as belezas naturais e biodiversidade do Pantanal, em sete dias. Lara destacou que o Pantanal mato-grossense será a única reserva privada a ser documentada.

No percurso, serão registrados 70 biomas, considerando a fauna e flora e os aspectos antropológicos. O material é editado rotineiramente e é disponibilizado parcialmente no site da expedição destinado aos que desejam acompanhar o trajeto do documentarista. Porém, ao final, todo o trabalho será reunido.

jacaré (Foto: Fernando Lara)

Fotografias, como do jacaré do Pantanal, estarão reunidas em livro digital (Foto: Fernando Lara)

Uma das observações feitas por Fernando Lara é em relação às intervenções do homem na natureza. “É impressionante a quantidade de animais mortos pela estrada. Já encontramos tamanduá bandeira, lobo guará e outros”, lamentou.

O livro digital, um dos frutos da aventura, vai especificar as características de cada reserva ambiental visitada, além de vídeos e fotografias para auxiliar o leitor. “O livro terá informações técnicas, fotografias e vídeos específicos de cada reserva, se elas estão abertas a visitação ou não”.

A preocupação ambiental é um dos fatores principais destes projetos, segundo o expedicionário, pois a motocicleta utilizada nas viagens tem como principal fonte de energia o etanol, que polui menos que os outros combustíveis. Após o término do trabalho, está prevista a plantação de árvores nativas da Mata Atlântica correspondentes à quantidade de gás carbônico emitidos pelo veículo. As árvores serão plantadas no Vale do aço, em Minas Gerais, pelo Instituto Estadual de Floresta (IEF) .

Educação ambiental

Conforme o expedicionário, os educadores que trabalham com temáticas ligadas ao meio ambiente poderão se cadastrar para receber fotos exclusivas, podendo utilizá-las em sala de aula. Para ele, esta é uma forma estimular as novas gerações a ter consciência ambiental.

Expedições futuras

O documentarista disse que já está planejando uma nova expedição que se chamará Rotas Verdes – Espinho de peixe. A nova viagem tem como objetivo visitar as principais reservas do interior do país. “A expedição que estamos fazendo agora abraçou o Brasil. Nessa segunda expedição iremos percorrer o esqueleto do país”, afirma o aventureiro.

Lobo (Foto: Fernando Lara)

Lobo Guará, um dos animais que sofre risco de extinção (Foto: Fernando Lara)

Fonte: Do G1, MT


27 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Em MS, Pantanal sul sofre efeitos da maior cheia dos últimos 20 anos

Residências e comércios já estão com água na porta em ilha fluvial.
Nível do Rio Paraguai chegou a 6,82 metros, segundo a Marinha.

A região sul do Pantanal está sofrendo tardiamente os efeitos da maior cheia dos últimos 20 anos ocorrida em três sub-bacias pantaneiras localizadas ao norte, em território sul-mato-grossense. Em Porto Murtinho, no sudoeste de Mato Grosso do Sul, o nível do Rio Paraguai chegou a 6,82 metros no dia 25 de julho, de acordo com a régua da Agência Fluvial da Marinha. O marcador pode chegar mais próximo dos 7 metros até o fim de julho.

Na ilha fluvial Margarita, que fica em frente à sede do município brasileiro e pertence ao Paraguai, a população enfrenta problemas com o elevado nível do rio. Residências e comércios estão com água na porta, e alguns atracadouros ficaram submersos. O gerente de uma loja, o brasiguaio Márcio Riquelme, disse que há 15 anos não via uma cheia tão grande como a atual. “Tem um vizinho que a loja está com um metro e meio de água. Na minha loja ainda não chegou, mas o movimento de clientes caiu bastante”, relata.

Na zona rural, pecuaristas tentam evitar prejuízos recolhendo o rebanho até as partes mais altas nas fazendas. Já na área urbana da cidade de 15 mil habitantes, um dique protege a cidade de alagamentos e suporta cheias de até 10 metros.

A elevação do Rio Paraguai em Porto Murtinho já era prevista pelos pesquisadores da Embrapa Pantanal, que fazem comparações entre a régua daquela cidade e a de Ladário, situada a cerca de 500 quilômetros em direção à nascente. O 6º Distrito Naval da Marinha em Ladário mantém desde 1900 uma régua de medição.

Em julho deste ano, a régua de Ladário marcou 6 metros, índice considerado acima da média. Na última década, o nível máximo atingiu 5,40 metros, em junho de 2006. Já o mínimo registrado pelo instrumento foi de 0,88 metro em novembro de 2005.

De acordo com a Embrapa, o volume maior de água – em parte ocasionado pelas chuvas de fevereiro e março nas sub-bacias do Aquidauana, Rio Negro e Miranda – foi o que provocou a elevação do nível do Rio Paraguai ao sul do Pantanal. Como o relevo pantaneiro é de baixa declividade (não mais de 1 metro por quilômetro em sentido leste-oeste e até 5 centímetros no norte-sul), as águas podem levar meses até escoar para o rio.

Rio Paraguai em Porto Murtinho está em 6,82 metros (Foto: Toninho Ruiz)

Movimento nas lojas da ilha paraguaia caiu,diz comerciante brasiguaio (Foto: Toninho Ruiz/Divulgação)

Chuvas acima da média
Em março deste ano, as populações das cidades ribeirinhas de Aquidauana e Anastácio, situadas no pantanal sul-mato-grossense, viveram os efeitos da chuva intensa na região. A precipitação provocou a cheia do Rio Aquidauana, que divide as duas cidades onde vivem 70 mil pessoas. As águas chegaram a nove metros de altura e transbordaram do leito. Como consequência, mais de 850 pessoas ficaram desabrigadas ou desalojadas, além de danos a imóveis, estradas, pontes e prejuízos na zona rural.

O tentene Landis, do Corpo de Bombeiros em Aquidauana, trabalhou no mutirão de resgate das famílias que viviam às margens do rio. Ele conta que algumas pessoas não queriam abandonar seus imóveis. “Teve um rapaz que nos procurou dizendo que o pai dele, um idoso, não queria sair da casa. O senhor ergueu todos os móveis na altura do teto. Foi difícil, mas convencemos o idoso a sair”, diz Landis.

A enchente sem precedentes na história recente das duas cidades mobilizou mais de 200 pessoas para ações de resgate e auxílio, entre membros do Corpo de Bombeiros, Exército e prefeituras. Após serem removidas dos locais de risco, as famílias foram transferidas para abrigos improvisados em escolas, ginásios e igrejas. Apesar da calamidade, não houve registros de afogamento ou morte no período, segundo Landis.

As cidades de Aquidauana e Anastácio margeiam o rio que é um dos afluentes do Pantanal. Toda a região pantaneira é caracterizada por ciclos prolongados de cheia e seca, alternadamente. Segundo meteorologistas, o fim da estação de verão também marca a proximidade do término do período chuvoso, que dura de outubro a março.

Atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul em 4 de março de 2011 (Foto: Reprodução/Cemtec)

Imagem de satélite mostra Zona de Convergência do Atlântico Sul em março (Foto: Reprodução/Cemtec)

De acordo com o Centro de Monitoramento do Tempo, do Clima e dos Recursos Hídricos (Cemtec-MS), a média histórica de precipitação na região de Aquidauana e Anastácio é de 125 milímetros em março. Mas neste ano, apenas nos primeiros 13 dias de março, choveu 216,6 milímetros, ou 173% do esperado para o mês inteiro. A meteorologista Cátia Braga aponta as causas da concentração severa de chuva: “O que provocou o fenômeno foi a Zona de Convergência do Atlântico Sul, que fica bem caracterizada nos meses de verão e altera o regime de chuvas nas regiões por onde passa”, diz.

As águas pluviais também deixaram estragos na zona rural, onde a pecuária constitui uma importante fonte geradora de riquezas. O presidente do Sindicato Rural de Aquidauana, Timóteo Proença, estima prejuízo de até 20% do rebanho dos produtores da região por causa da enchente. “Sempre fazemos o manejo do gado para as partes mais altas, mas este ano foi uma cheia diferente, atípica”, conta.

Embora o pantanal seja regulado pela alternância de fenômenos climáticos intensos, seus efeitos são extremamente benéficos para o bioma, de acordo com o doutor em recursos hídricos da Universidade Católica Dom Bosco, Felipe Dias. “É a cheia que mantém o equilíbrio e a diversidade da vida no pantanal”, afirma. Condição que se confirma pelos pecuaristas. “Depois da cheia fica ótimo, o pasto se renova e as águas eliminam naturalmente as pragas”, diz Timóteo Proença.

“O produtor tradicional sabe que em determinadas épocas pode ou não manejar o gado. Por isso consegue trabalhar de forma harmônica com a natureza. Quem pensar que pode adotar as mesmas práticas que no planalto, irá falhar”, explica Dias.

Rio Paraguai em Porto Murtinho está em 6,82 metros (Foto: Toninho Ruiz)

Comércios e residências em Isla Margarita, na divisa com o Paraguai, estão com água na porta (Foto: Toninho Ruiz/Divulgação)

Fonte: Hélder Rafael, Do G1, MS


25 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Expedição de pesquisadores inicia jornada pelo Pantanal em MS e MT

Pesquisa do Instituto SOS Pantanal vai mapear iniciativas de conservação.
Grupo dividiu Pantanal em nove rotas, trabalho que irá durar nove meses.

A expedição de uma equipe formada por técnicos ambientais, biólogos e jornalistas deve percorrer 19 mil quilômetros do Pantanal até dezembro para mapear iniciativas que contribuam para a conservação da região da Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai (BAP). A equipe do Instituto SOS Pantanal dividiu o percurso em nove rotas.

São mais de 160 mil quilômetros quadrados de Pantanal em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Uma área maior que a Holanda, Portugal e Bélgica juntos.

Foi na fazenda Caiman, em Miranda, que o Instituto SOS Pantanal fez o lançamento deste projeto ousado, a Expedição Pantanal. “Esta expedição vai conhecer pelo Pantanal quais são as boas práticas que existem”, diz o presidente do instituto, Roberto Kablin.

O lançamento oficial foi durante a premiação dos peões campeões de um torneio de laço. O peão pantaneiro se diverte praticando o que ele mais faz no campo e demonstra destreza e pontaria perfeitas. Nessa região de extremos, o homem precisa saber que quem manda é a natureza.

O banqueiro André Esteves comprou alguns milhares de hectares no Pantanal do Rio Negro, onde pretende tocar fazendas de pecuária e investir em preservação. “Não adianta a gente pensar em preservar o meio ambiente e não trazer uma alternativa econômica a isso, graças a Deus, aqui, esta equação é muito bem resolvida, temos isso há centenas de anos”.

A vice governadora Simone Tebet, que é da região do bolsão, também esteve presente e se encantou com as belezas pantaneiras. “Não tem como este projeto não colher algo fundamental para Mato Grosso do Sul, para o meio ambiente, que é analisar e perceber as nossas vulnerabilidades. Teremos condições de executar ações concretas para transformar aquilo que está colocando em perigo o nosso Pantanal em ações pioneiras e inovadoras de preservação.”.

Mas veio do senador Delcídio do Amaral (PT/MS) a promessa mais esperada: a de criar uma lei específica para proteger o bioma Pantanal. Isso é previsto na constituição de 1988, mas, até agora, não saiu do papel.

“Estabelecendo uma série de medidas para disciplinar a atuação do homem sobre o bioma pantaneiro; eu vou preservar, eu tenho que ser remunerado por aquilo que preservei e não adotarem um tipo de procedimento comigo semelhante ao que adotam para quem devasta, a quem não trata adequadamente o nosso bioma”.

Mesmo quem não é do Pantanal já descobriu que esse paraíso precisa de muita atenção. Tanto que uma empresa que fabrica automóveis investe muito em preservação e, aqui, é uma das patrocinadoras. “Encontramos uma sinergia nesta atividade, nós estamos muito felizes em participar disto”, disse o diretor executivo da Fundação Toyota, George Costa Silva

O papel da imprensa é fundamental para levar até as pessoas, as informações sobre o que acontece nesses recantos. “Eu acho nos temos uma grande discussão que é o Pantanal, o centro-oeste, enfim, o meio ambiente como um todo, da Amazônia até o sul, o Brasil é uma coisa só que temos que olhar com a mesma preocupação”, disse o vice-presidente do Grupo Zahran, Caio Turqueto.

Após o lançamento oficial, a equipe de expedicionários saiu rumo a primeira rota. A primeira parada foi no fim do aterro, a única estrada de acesso às fazendas. O grupo chega à Aquidauana, na fazenda Retirinho e encontra grande movimentação.

A fazenda, em março, estava completamente inundada, o rebanho foi retirado e levado para outra área. Os animas já retornaram depois que as águas abaixaram e, agora, o gado já está sendo transportado para o frigorífico. Este sistema de trabalho faz parte do trabalho de estudo da expedição.

“Embora a gente faça um pré-agendamento, a ideia é conhecer o dia a dia de cada prática que a gente está visitando, tudo isto é muito didático”, avalia Lucila Egydio, coordenadora da Expedição Pantanal.

No meio dos peões, está Jesus Xaviera, que há vinte anos na lida com o gado na região pantaneira. “A gente acostumou aqui”.

No único ponto onde as carretas chegam o fazendeiro construiu uma estrutura para embarcar o gado que é usada por toda a vizinhança, pois só assim conseguem embarcar o gado.

Muitos fazendeiros precisam voar para chegar as suas terras, o que torna o avião uma necessidade, principalmente em época de cheia. A casa do produtor Timóteo Proença construída há 50 anos, é um ponto de passagem para quem vai se embrenhar no Pantanal do Rio Negro.

Logo na recepção, que é feita com muita hospitalidade, o pessoal da expedição já começa a tentar entender um pouco a história da família e se preparam para o almoço, um verdadeiro banquete preparado pelas cozinheiras da fazenda. Depois do almoço sob a sombra fresca, às margens do rio Aquidauana, Timóteo explica como é a lida de quem depende do Pantanal.

“É uma prática sustentável. A própria natureza não deixa você o que quer, para que se preserve, isso aí tem que ter remuneração, é o caminho mais certo. Se você não tiver produzindo, vai ter que vender uma parte de sua área”.

Os caminhos no Pantanal mudam conforme a época. Quando vem a enchente são feitos atalhos, já não existem estradas, apenas trilhas que passam por dentro das fazendas.

A equipe chega na fazenda Nova Estância. Após o período de cheia o gado precisa ser levado para outro pasto. O produtor Kalil Ibrahim Zaher faz parte da terceira geração da família que vive no Pantanal, diz ter encontrado uma paixão e uma fonte de renda. A fazenda tem 11 mil hectares, 5,5 mil cabeças de gado. A natureza deu o pasto e onde tem mata ele preservou.

“Custo de produção é mais baixo, não precisa tanta tecnologia, como na serra. Aqui você não gasta com reforma de pastagem, o calcanhar de Aquiles da pecuária”.

São pelo menos 11 pantanais diferentes dentro do Pantanal. Dependendo da região, a paisagem é completamente diferente e o jeito de lidar nas fazendas também. Nas últimas décadas, muitas propriedades abriram as porteiras para o turismo.

Na pousada Barra Mansa, a expedição encontrou a catarinense Poliana, que se casou com neto de pantaneiro e há um ano é gerente da pousada da família. A expedição quer registrar esse mosaico, essas diferentes situações em que vive o Pantanal hoje.

O bioma está com mais de 80% da planície preservada por causa do estilo de vida do jeito pantaneiro de ser.

Fonte: TV Morena


5 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Dilma e a questão socioambiental no Brasil

Artigo do pesquisador Fabio de Castro publicado no site Radio Netherlands Worldwide e reproduzido por Pressenza International Press Agency.

Enquanto as opiniões se divergem a respeito do balanço do governo Lula no setor econômico, político e social, existe um consenso de que questões socioambientais têm perdido espaço nos últimos anos. A polarização entre políticas de desenvolvimento e de conservação que culminou na resignação da Ministra do Meio Ambiente revelou o isolamento das políticas ambientais.

 

O novo governo tem pela frente o desafio de criar propostas concretas para reparar a política socioambiental do governo anterior, marcada por severas contradições.

 

As diversas realizações durante o governo Lula na área socioembiental se revelam contraditórias quando contextualizadas dentro do programa nacional de outros setores. Em relação à política territorial, por exemplo, houve um aumento significativo de áreas protegidas, crescente inclusão de populações locais, e início do processo de regularização fundiária na Amazônia.

 

Estes feitos, porém, se contradizem com a aprovação da alteração do código florestal para subsidiar a expansão do agronegócio, o descaso às populações locais em áreas de conflito ambiental, o isolamento do Ministério do Meio Ambiente e sociedade civil no licenciamento ambiental de grandes projetos, e o desinteresse político em outros biomas relevantes como o cerrado e o pantanal.

 

Em relação à política energética, o governo anuncia com orgulho o aumento de energia de fonte renovável tais como hidroelétrica e agrocombustível, sua liderança internacional na produção de etanol, e a criação do selo social para inclusão do pequeno produtor na produção do biodiesel.

 

Esta política, porém, se contradiz com o impacto socioambiental decorrente da produção destas fontes energéticas, seja na construção de grandes hidrelétricas, na expansão desordenada da cana-de-açúcar, ou do domínio da soja na produção do biodiesel.

 

Na política climática, o governo brasileiro tem assumido uma posição de líder nas negociações internacionais, com metas claras de adaptação e mitigação, mecanismos de compensação para diminuição de emissão de carbono e manutenção de florestas, e resultados concretos de diminuição do desmatamento na Amazônia nos últimos anos.

 

Porém, a possibilidade de alteração do código florestal para viabilizar mais desmatamento, o processo de licenciamento ambiental sem transparência para viabilizar grandes projetos de alto impacto socioambiental e o elevado investimento para a exploração das novas reservas de petróleo favorece apenas o aumento de emissão de carbono através de desmatamento e consumo crescente de combustível fóssil.

 

Política Socioambiental Integrada às realizações do governo Lula na área socioambiental são positivas somente se analisadas de forma isolada. Quando se considera as conexões com políticas econômicas e sociais, tais feitos se revelam altamente problemáticos.

 

O aumento de áreas protegidas ironicamente legitima a expansão do agronegócio e de grandes projetos que direta ou indiretamente afeta a sua integridade socioambiental. Da mesma forma, o aumento de produção de energia renovável viabiliza a imagem de um estado verde, ocultando os custos socioambientais na produção destas fontes energéticas. Finalmente, o foco da política climática na conservação da Amazônia legitima o uso insustentável de outras áreas de relevância socioambiental como o cerrado e o pantanal, que sofrem forte pressão da expansão do agronegócio.

 

A política ambiental do Brasil, portanto, não pode continuar isolada de outras políticas do governo, uma vez que estão diretamente ligadas a questões sociais, econômicas e políticas. Recursos naturais ocupam uma importância singular na economia nacional, o crescimento econômico gera um aumento de consumo energético e a população está cada vez mais vulnerável a desastres ambientais, como a recente tragédia no Estado do Rio de Janeiro.

 

Mais do que o simples emprego do termo “ambiente” nos discursos de Dilma Rousseff, precisamos de um compromisso concreto de integração da questão socioambiental na política nacional para os próximos anos.

 

Fonte: Fábio de Castro, pesquisador do Centro de Estudos e Documentação Latino-Americanos (Cedla) em Amsterdã.


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13 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

MMA divulga dados do monitoramento do desmatamento de três biomas

Taxas comparativas de todos biomas brasileiros entre 2008-2009 indicam que Pampa, Mata Atlântica e Pantanal registraram redução no ritmo de supressão da vegetação.

Em continuidade à série do Projeto de Monitoramento do Desmatamento nos Biomas Brasileiros por Satélite (PMDBBS), o Ministério do Meio ambiente (MMA) divulgou nesta quinta-feira (9), dados do desmatamento dos biomas Mata Atlântica, Pampa e Pantanal referentes ao período 2008-2009, cujos números mostram queda no ritmo do corte da vegetação no período. O estudo, que quantifica desmatamentos de áreas nativas, começou a operar em 2008 pelo Centro de Sensoriamento Remoto do Ibama, utilizando o ano de 2002 como referência com imagens do satélite Landsat.

 

O resultado mostra redução no ritmo comparado a 2008, apesar de os dados não apontarem tudo o que foi desmatado, não sendo possível, porém, identificar o que é desmatamento legal ou ilegal, disse a ministra Izabella Teixeira. Ela adiantou que os próximos desafios serão monitorar, junto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), além das áreas desmatadas em todos os biomas, as que estão em regeneração. A dinâmica está sendo utilizada pelo projeto TerraClass na Amazônia, que classifica a situação dos estados da região. Segundo Izabella, as bases de dados atualizadas geram informações para orientar nas políticas públicas de combate ao desmatamento ilegal até a regularização ambiental.

 

Para o secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA, Bráulio Dias, a novidade do monitoramento dos biomas extra-amazônicos é que, a partir de 2009, o Ibama passou a trabalhar com mapa de maior resolução com escala de 1-50 mil ha e área mínima mapeada de 2 a 3 hectares por bioma.  Até 2007, eram utilizadas imagens de menor resolução de 1-250 mil com referência a 2002.

 

Pampa - Entre 2008-2009, o Bioma perdeu 331 km² de área com a supressão de vegetação nativa , equivalente a taxa de 0,18%. Mas se comparado ao período de 2002-2008 (1,2%), houve pequeno decréscimo. Dos seus 177.767 km², o Pampa teve quase 54% de área original suprimida ao longo de sua ocupação histórica. Entre 2002 e 2008, foram perdidos 2.183 km², que equivale a 1,2% do bioma , ou 0,2% de taxa média anual de desmatamento. Alegrete, na fronteira do estado do Rio Grande do Sul, foi o município que mais desmatou neste período em números absolutos, sendo 51,93 km² equivalentes a 0,67% da área do município.

A rizicultura (plantação de arroz), a pecuária e a expansão do reflorestamento de vegetação nativa por plantada das espécies eucalipto e pinus são as atividades que pressionam o desmatamento no Pampa.

 

Mata Atlântica - A área desmatada corresponde a 248 km² no período 2008-2009, representando 0,02 % de perda da cobertura vegetal dentro do Bioma. A Mata Atlântica registrou a menor taxa de desmatamento entre os biomas brasileiros no período de 2008-2009. Dos estados cobertos pela Mata Atlântica, Minas Gerais foi o que mais desmatou, em números absolutos, entre 2008-2009, com supressão de 115,8 m² de vegetação nativa.

O secretário do MMA avaliou positivamente a baixa taxa de 0,02% de supressão no bioma indicando que a Mata Atlântica se aproxima do desmatamento zero.

 

Pantanal - Até 2008, o Bioma tinha 83,20% de sua área total com cobertura vegetal remanescente. O menor dos biomas brasileiros, com 151.313 km² de extensão, registra taxa de desmatamento acumulado de 2002 a 2009 de 15,31%, equivalente a uma área de 23.160 km². Entre 2008-2009, perdeu 188 km² de vegetação nativa, correspondente a 0,12% do bioma. Segundo o secretário do MMA, a taxa média atual declinou em relação ao período 2002-2008.

 

As ações de desmatamento no Pantanal, segundo Bráulio Dias, geralmente ocorrem no entorno do bioma, mas foi observado, a partir do monitoramento de 2008, uma frente de conversão da vegetação nativa no interior do Bioma para pastos plantados para criação de gado zebu em substituição ao rebanho pantaneiro.

Outra preocupação, segundo ele, apresenta-se na periferia do Pantanal com destaque para o assoreamento do Rio Taquari causado pelo desmatamento para uso da agricultura. Para o período de 2008-2009, Corumbá (MS) foi o município que  mais suprimiu áreas de vegetação nativa, em termos absolutos,  equivalente a  67,64 Km², ou seja, 0,11% da área do município.

 

O Pantanal é reconhecido como Patrimônio Nacional pela Constituição Federal e considerado Reserva da Biosfera e Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco, além de abrigar três Sítios Ramsar, Áreas Úmidas de Importância Internacional: Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense, Reserva Particular do Patrimônio Natural Sesc Pantanal e Reserva Particular do Patrimônio Natural Fazenda Rio Negro.

 

Comparativo - Dos dados gerais do desmatamento e comparativos nos biomas brasileiros entre 2008-2009, o Cerrado foi o que mais desmatou em valores absolutos (7.637 km²); Amazônia (7.464 km²); Caatinga (1.921 km²); Pampa (331 km²); Mata Atlântica (248 km²) e Pantanal (118 km²).

Para mais informações, acesse a página da Projeto de Monitoramento: http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&idEstrutura=72&idConteudo=7422.

Fonte: Ascom do MMA


3 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Metade da bacia do Pantanal está sob risco ambiental, avalia estudo

Foram avaliadas áreas no Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina.
Degradação de nascentes e barragens são apontadas como ameaças.

Metade da bacia do rio Paraguai, que abriga o Pantanal, está sob alto ou médio risco ambiental, mostra estudo divulgado nesta quinta-feira (02). Realizado ao longo de três anos pelo WWF, The Nature Conservancy e Centro de Pesquisas do Pantanal, ele coloca hidrelétricas e atividades humanas entre as maiores ameaças.

Planaltos e chapadões que circundam o Pantanal, onde nascem os principais rios da bacia, seriam as áreas que enfrentam os maiores riscos. A pesquisa avaliou regiões no Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina e tem como objetivo subsidiar os governos dos quatro países no desenvolvimento de uma agenda de adaptação do Pantanal às alterações do clima.

“A bacia do rio Paraguai apresenta alto risco ecológico potencial, requerendo ações urgentes e prioritárias de proteção das cabeceiras”, afirma o estudo.

As barragens e hidrelétricas, apontadas como fatores de risco, devem aumentar no Pantanal nos próximos anos. De acordo com o relatório, existem 115 barramentos previstos para a década, 75% de pequenas centrais hidrelétricas, o que deve elevar os riscos ambientais.

“Barramentos ameaçam a duração e a intensidade dos ciclos de cheias e vazantes, colocando em cheque a vida, economias e populações que dependem do equilíbrio ecológico do Pantanal”, considerou Albano Araújo, coordenador da Estratégia de Água Doce do Programa de Conservação da Mata Atlântica e das Savanas Centrais da The Nature Conservancy.

Entre as atividades humanas, as maiores ameaças seriam a pecuária e a agricultura. Desmatamento, hidrovias, rodovias e mineração também são apontados no estudo como fatores de risco.

Cabeceiras, nas bordas do Pantanal, enfrentam os maiores riscos, segundo pesquisa (Foto: Divulgação / WWF)

Cabeceiras, nas bordas do Pantanal, enfrentam os maiores riscos, segundo pesquisa (Foto: Divulgação / WWF)

Preservação
A pesquisa avalia que seriam necessárias novas medidas de preservação do Pantanal. Uma delas seria a criação de novas unidades de proteção, principalmente em áreas de cabeceiras. Atualmente, existem 170 áreas protegidas na bacia do rio Paraguai, mas elas não estão distribuídas de forma adequada, critica o estudo.

Outra medida seria a implantação de medidas de conservação em terras privadas, por exemplo, melhores práticas de manejo de água e solo em atividades agropecuárias. No caso das hidrelétricas, uma possível solução, de acordo com a pesquisa, seria a implementação de esquemas de operação que mantenham os ciclos de cheias e vazantes de modo semelhante ao natural.

O Pantanal é a maior planície inundável do planeta. Seus ciclos anuais de cheias e secas são fundamentais para a vida de milhares de espécies, além de terem importantes impactos econômicos, como a fertilização natural dos campos.

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


9 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Até 25% da Amazônia pode ficar sem proteção legal, alerta cientista

Pesquisadores solicitam emenda específica no novo Código para o bioma.
Proposta deixaria vulnerável área equivalente ao dobro do estado de SP.

Mudança em uma expressão no projeto do novo Código Florestal pode deixar 25% da Amazônia sem proteção legal. O alerta é de uma equipe coordenada pelo Museu da Amazônia (Musa) e pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Os cientistas solicitam que as áreas sujeitas a inundações da Amazônia e do Pantanal sejam tratadas por uma legislação específica. Em agosto, o grupo entregou um pedido de emenda no Projeto de Lei 30/2011, que trata da revisão do Código Florestal.

“A mudança no termo ‘margem média dos rios’, contida no artigo 4º da nova lei, pode deixar até 400 mil km² de floresta sem proteção”, diz Ennio Candotti, diretor do Musa e vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SPBC). “Ao todo, uma área de 1 milhão de hectares fica vulnerável em todo o país”.

“A lei, como está, pode até ser aplicada sem problemas em rios menores, mas não cabe aos grandes rios, principalmente na Amazônia”, explica Candotti. “Nossos rios têm uma variação de até 20 metros em sua profundidade entre os períodos de estiagem e cheia, e essa vazão de curso ‘médio’ previsto na lei praticamente não existe na região”.

Áreas úmidas
Novas redefinições indicam que 25% da Amazônia seriam áreas úmidas e podem também ser afetadas caso o PL 30 não seja modificado. “Novos estudos revelaram que a área sujeita a inundação na Amazônia é muito maior”, diz Maria Teresa Piedade, pesquisadora do Inpa. “Só as áreas inundáveis já correspondem a 7% da floresta, sem contar outras categorias de áreas úmidas que ficaram desprotegidas”, explica.

São consideradas “áreas úmidas”, segundo o estudo, aquelas alagadas ao longo de grandes rios de diferentes qualidades de água, como águas pretas, claras, brancas; áreas alagáveis nos interflúvios, entre dois cursos de água, como campinaranas, campos úmidos, veredas e brejos; e áreas úmidas dos estuários, como mangues, banhados e lagoas costeiras.

O pedido de mudança foi encaminhado aos senadores das quatro Comissões – Agricultura, Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente e Justiça – que avaliam o projeto de lei. A Academia Brasileira de Ciências, o SBPC e o governo do Amazonas também receberam a solicitação. “Outra questão é que a lei atual também contraria outras legislações, como a que estabelece o que é patrimônio da União”, conclui Candott do Musa.

Os relatórios das comissões devem ser votados até o final de setembro. Após a apresentação desses relatórios, o novo formato do Código Florestal vai ser analisado pelo Senado Federal e, se aprovado, levado à sanção da presidente Dilma Rousseff.

Discussão
Segundo a assessoria de imprensa do senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB/SC), ele não considera que exista inconsistência jurídica no PL 30, como levantou o Musa. Sobre as possíveis emendas, o senador afirma que só vai se posicionar após o relatório final das outras comissões. Luiz Henrique é responsável pelo projeto de lei em três das quatro comissões onde o projeto passa por adequações até sua votação. Apenas a comissão de meio ambiente possui outro relator, o senador Jorge Viana (PT/AC).

Uma comissão técnica do Ministério do Meio Ambiente (MMA) também defende uma legislação própria para Amazônia e o Pantanal. “Essas áreas são consideradas com Patrimônio Nacional pela Constituição Federal, e precisam ser tratados por uma legislação jurídica específica como acontece com a Mata Atlântica”, diz João de Deus, diretor de florestas do MMA, que integra a comissão ministerial responsável por avaliar o PL 30.

“Hoje se considerarmos a lei como está, sem as alterações que vão ser votadas, já existe uma interpretação subjetiva: são consideradas, para tratar as áreas de proteção, as margens dos rios a partir das cheias sazonais, ou seja, as cheias anuais. Isso é algo impossível de ser fiscalizado, pois exige uma leitura anual do que precisa ser preservado”, conclui João de Deus.

Na próxima terça-feira (13), a ministra do Meio Ambiente, Isabela Teixeira, vai se reunir com o senador Luiz Henrique para debater a proposta do novo código. A posição atual do ministério é que a lei vá para votação sem brechas legais ou contradições com a Constituição. No dia 14, a Comissão de Constituição e Justiça deve votar o primeiro relatório de Luiz Henrique.

Amazônia rio com plantas (Foto: Ana Castro - produtora de reportagem (TV Globo))

Área da Amazônia que ficaria sem proteção, caso a lei não seja modificada, equivale ao dobro do tamanho do estado de São Paulo, segundo cientistas (Foto: Ana Castro - produtora de reportagem (TV Globo)

Fonte: Juliana Arini, Globo Natureza, São Paulo


19 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Pesquisadores de MT monitoram ninhos de aves aquáticas do Pantanal

Trabalho é feito em ninhos de aves nos períodos de cheia e seca.
Balanço de 2010 apresentou sete novos ninhais nas áreas.

Pássaros são monitorados no Pantanal mato-grossense (Foto: Marcos Ferramosca/Sema-MT)

Pássaros são monitorados no Pantanal mato-grossense (Foto: Marcos Ferramosca/Sema)

Técnicos e pesquisadores de Mato Grosso que fazem o monitoramento nos ninhos das aves do Pantanal mato-grossense já observam novos ninhos. As áreas mapeadas desde 2006 abrigam colônias de reprodução de várias espécies de aves aquáticas.

Segundo Marcos Roberto Ferramosca, analista de meio ambiente da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), o trabalho de mapeamento é feito nos períodos de cheia e seca do Pantanal.

As áreas de monitoramento são consideradas por especialistas, um local preferencial para seis espécies de aves e os ninhos monitorados ficam nos municípios de Poconé, Barão de Melgaço, Nossa Senhora do Livramento e Cáceres.

Ainda de acordo com o analista, o mapeamento tem foco no desenvolvimento do potencial turístico e na conservação do meio ambiente. “O objetivo desse trabalho é mapear as áreas de ocorrência de ninhais na região do Pantanal, identificando as atividades que possam estar comprometendo a reprodução das aves e a consequente conservação destas áreas”, ressaltou.

As colônias de construção dos ninhos das aves aquáticas em árvores, chamados de viveiros ou ninhais podem ser formados por espécies como: biguás, biguatingas e baguaris (ninhais pretos) ou por garças, colhereiros e cabeças-secas (ninhais brancos).

Em 2010, no período de cheia, foram localizados 41 ninhais, sendo registrados seis novos. No período de seca, foram registrados 42 ninhais e apenas um novo.

Já no primeiro semestre de 2011 os técnicos observaram maior ocorrência de aves se reproduzindo em relação aos anos anteriores, inclusive com o registro de mais sete novos ninhais.

Outro fenômeno observado foi a antecipação do período reprodutivo da garça-branca-grande. “Essa espécie costuma se reproduzir nos meses de junho e julho e até mesmo em maio, em alguns ninhais. Mas, este ano, observamos vários ninhais com garças já no início de abril”, finalizou Marcos.

Novos ninhos foram registrados durante a pesquisa (Foto: Marcos Ferramosca/Sema-MT)

Novos ninhos foram registrados durante a pesquisa (Foto: Marcos Ferramosca/Sema-MT

Fonte: Do G1, MT


18 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas lançam livro e apresentam projetos realizados no Pantanal

A reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Maria Lúcia Cavalli destacou a importância das áreas úmidas para a regulação do clima e do ciclo hidrológico, purificando as águas e reabastecendo os lençóis freáticos. Essas declarações foram dadas na última segunda-feira (15), na abertura da 2ª Reunião de Avaliação do Comitê Científico Internacional, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Áreas Úmidas (INAU), realizado em Cuiabá, pelo Centro de Pesquisa do Pantanal (CPP).

Ela também fez uma explanação sobre a produção de conhecimentos na UFMT referente às áreas úmidas, que começou a tomar impulso na década de 90, com a parceria com o Instituto Max Planck da Alemanha, dentro do programa SHIFT (CNPq – BMF). Em 2000, quando o Pantanal foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, a instituição, buscou junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT a criação  do Centro de Pesquisa do Pantanal – CPP, envolvendo as instituições de ensino e pesquisas do Pantanal. Em 2008 foi criado o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Áreas Úmidas – INAU e neste mesmo ano foi anunciada pelo MCT a implantação do Instituto Nacional de Pesquisas do Pantanal – INPP no campus de Cuiabá da UFMT, que está na fase final de construção do espaço físico.

Dentre as diversas autoridades que participaram da abertura do evento, a reitora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS, Célia Maria Silva Oliveira, disse que a instituição apóia as pesquisas realizadas pelas universidades do Centro-Oeste, que são tão importantes para o mundo todo.

Lançamento do livro - O livro “O Pantanal – Ecologia, biodiversidade de uma grande área úmida sazonal neotropical” (The Pantanal. Ecology, biodiversity of a large neotropical seasonal wetland), editado pelos professores Wolfgang J. Junk, Carolina J. da Silva, Cátia Nunes da Cunha & Karl M. Watzen, foi lançado  no evento.

“Mesmo com o advento da internet, não faz parte do passado escrever um livro. Esta publicação engloba o trabalho de mais de 100 pesquisadores, e é um marco para os estudos científicos, pelo menos para os próximos 15 anos”, enfatizou Wolfgang J. Junk.

A professora Cátia Nunes da Cunha não escondeu sua emoção ao contar que é neta de pantaneiros e atualmente a mais jovem integrante da equipe de pesquisadores que editou este livro. “Sinto-me muito feliz e emocionada por retornar ao Pantanal contribuindo com o seu desenvolvimento e preservação através da produção de conhecimento, resultado de muitos anos de pesquisas que culminou na produção deste livro, que será uma referência na área”, disse Cátia.

Carolina J. da Silva, também uma das editoras do livro, contou que trata -se da mais  abrangente obra sobre o Pantanal, sendo uma referência para a pesquisa. “É um marco referencial teórico do Pantanal na história da ciência brasileira, quem for estudar este bioma tem que ‘passar’ pelo livro”, enfatizou. O livro pode ser adquirido pelo site www.pensoft.net.

Fonte: Ascom  CPP


3 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Turistas registram rara imagem de onça pintada na beira de rio em MS

Animal foi flagrado por turistas na região do Passo do Lontra, no Pantanal.
Especialista diz que é muito raro ver o felino em seu habitat natural.

O casal Marcos Sandoval Leonardo e Carmem Marisa Quinzani, que passava as férias de julho no Pantanal de Mato Grosso do Sul, registrou imagens de uma onça pintada em seu habitat natural. O flagrante do animal, que permaneceu deitado mesmo com a presença dos turistas, o que foi considerado raro pelo casal, aconteceu no local conhecido como Passo do Lontra, entre os municípios de Miranda e Corumbá.

“Foi muita sorte a situação de vê-la tranquila assim. É raro porque se você faz barulho, aponta, conversa alto ela normalmente se esconde no mato”, disse Leonardo ao G1. Ele e a esposa têm uma chalana no Pantanal há três anos e costumam passar temporadas no local.

Carmem diz ter sido a terceira vez a encontrar uma onça pintada, mas a primeira a conseguir registrar o animal tranquilo na paisagem alagada. “Adrenalina a mil. Não dá para descrever o que a gente sente na hora. O coração bate forte, a mão tremia. Era um sonho que eu tinha e foi muito tempo próximo dela”, disse.

De acordo com o biólogo doutor em ecologia José Milton Longo, deparar-se com onças pintadas é difícil em função da população desses animais existentes no Pantanal. “Não aumentou tanto a população de onças pintadas. Ela é a uma predadora de topo e não tem abundancias altas. Além da taxa de fecundidade, a redução dos ambientes naturais dela tem sido significativa”, diz o biólogo.

“Tem gente que mora lá há 70 anos e nunca viu (uma onça pintada). Eu vi onça duas vezes em mais de cinquenta idas ao Pantanal. É um privilégio você estar no lugar certo na hora certa”.

Turistas registram rara imagem de onça pintada na beira de rio em MS (Foto: Reprodução/TV Morena)

Onça foi flagrada na beira de rio em MS (Foto: Reprodução/TV Morena)

Fonte: Ricardo Campos Jr, do G1, Ms


1 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Documentarista percorre país de moto e registra belas imagens do Pantanal

Previsão é que expedição termine no dia 15 de dezembro deste ano.
Viagem deve totalizar cerca de 20 mil km, passando por 12 estados.

Iguana (Foto: Fernando Lara)

Iguana, também conhecida como sinimbú ou camaleão (Foto: Fernando Lara)

Oito estados percorridos, 8,6 mil quilômetros rodados e mais de três meses longe de casa. O roteiro faz parte da expedição “Rotas Verdes Brasil” do documentarista Fernando Lara. A bordo de uma motocicleta, ele registra com imagens e vídeos os biomas brasileiros. O trabalho será usado para a produção de um vídeo documentário e um livro digital, que será disponibilizado gratuitamente na internet, como garante o profissional.

A previsão é concluir a expedição em 15 de dezembro deste ano, quando já deverá totalizar cerca de 20 mil km, passando por 12 estados. Até agora ele passou por Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e agora Mato Grosso. Em solo mato-grossense, serão captadas as belezas naturais e biodiversidade do Pantanal, em sete dias. Lara destacou que o Pantanal mato-grossense será a única reserva privada a ser documentada.

No percurso, serão registrados 70 biomas, considerando a fauna e flora e os aspectos antropológicos. O material é editado rotineiramente e é disponibilizado parcialmente no site da expedição destinado aos que desejam acompanhar o trajeto do documentarista. Porém, ao final, todo o trabalho será reunido.

jacaré (Foto: Fernando Lara)

Fotografias, como do jacaré do Pantanal, estarão reunidas em livro digital (Foto: Fernando Lara)

Uma das observações feitas por Fernando Lara é em relação às intervenções do homem na natureza. “É impressionante a quantidade de animais mortos pela estrada. Já encontramos tamanduá bandeira, lobo guará e outros”, lamentou.

O livro digital, um dos frutos da aventura, vai especificar as características de cada reserva ambiental visitada, além de vídeos e fotografias para auxiliar o leitor. “O livro terá informações técnicas, fotografias e vídeos específicos de cada reserva, se elas estão abertas a visitação ou não”.

A preocupação ambiental é um dos fatores principais destes projetos, segundo o expedicionário, pois a motocicleta utilizada nas viagens tem como principal fonte de energia o etanol, que polui menos que os outros combustíveis. Após o término do trabalho, está prevista a plantação de árvores nativas da Mata Atlântica correspondentes à quantidade de gás carbônico emitidos pelo veículo. As árvores serão plantadas no Vale do aço, em Minas Gerais, pelo Instituto Estadual de Floresta (IEF) .

Educação ambiental

Conforme o expedicionário, os educadores que trabalham com temáticas ligadas ao meio ambiente poderão se cadastrar para receber fotos exclusivas, podendo utilizá-las em sala de aula. Para ele, esta é uma forma estimular as novas gerações a ter consciência ambiental.

Expedições futuras

O documentarista disse que já está planejando uma nova expedição que se chamará Rotas Verdes – Espinho de peixe. A nova viagem tem como objetivo visitar as principais reservas do interior do país. “A expedição que estamos fazendo agora abraçou o Brasil. Nessa segunda expedição iremos percorrer o esqueleto do país”, afirma o aventureiro.

Lobo (Foto: Fernando Lara)

Lobo Guará, um dos animais que sofre risco de extinção (Foto: Fernando Lara)

Fonte: Do G1, MT


27 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Em MS, Pantanal sul sofre efeitos da maior cheia dos últimos 20 anos

Residências e comércios já estão com água na porta em ilha fluvial.
Nível do Rio Paraguai chegou a 6,82 metros, segundo a Marinha.

A região sul do Pantanal está sofrendo tardiamente os efeitos da maior cheia dos últimos 20 anos ocorrida em três sub-bacias pantaneiras localizadas ao norte, em território sul-mato-grossense. Em Porto Murtinho, no sudoeste de Mato Grosso do Sul, o nível do Rio Paraguai chegou a 6,82 metros no dia 25 de julho, de acordo com a régua da Agência Fluvial da Marinha. O marcador pode chegar mais próximo dos 7 metros até o fim de julho.

Na ilha fluvial Margarita, que fica em frente à sede do município brasileiro e pertence ao Paraguai, a população enfrenta problemas com o elevado nível do rio. Residências e comércios estão com água na porta, e alguns atracadouros ficaram submersos. O gerente de uma loja, o brasiguaio Márcio Riquelme, disse que há 15 anos não via uma cheia tão grande como a atual. “Tem um vizinho que a loja está com um metro e meio de água. Na minha loja ainda não chegou, mas o movimento de clientes caiu bastante”, relata.

Na zona rural, pecuaristas tentam evitar prejuízos recolhendo o rebanho até as partes mais altas nas fazendas. Já na área urbana da cidade de 15 mil habitantes, um dique protege a cidade de alagamentos e suporta cheias de até 10 metros.

A elevação do Rio Paraguai em Porto Murtinho já era prevista pelos pesquisadores da Embrapa Pantanal, que fazem comparações entre a régua daquela cidade e a de Ladário, situada a cerca de 500 quilômetros em direção à nascente. O 6º Distrito Naval da Marinha em Ladário mantém desde 1900 uma régua de medição.

Em julho deste ano, a régua de Ladário marcou 6 metros, índice considerado acima da média. Na última década, o nível máximo atingiu 5,40 metros, em junho de 2006. Já o mínimo registrado pelo instrumento foi de 0,88 metro em novembro de 2005.

De acordo com a Embrapa, o volume maior de água – em parte ocasionado pelas chuvas de fevereiro e março nas sub-bacias do Aquidauana, Rio Negro e Miranda – foi o que provocou a elevação do nível do Rio Paraguai ao sul do Pantanal. Como o relevo pantaneiro é de baixa declividade (não mais de 1 metro por quilômetro em sentido leste-oeste e até 5 centímetros no norte-sul), as águas podem levar meses até escoar para o rio.

Rio Paraguai em Porto Murtinho está em 6,82 metros (Foto: Toninho Ruiz)

Movimento nas lojas da ilha paraguaia caiu,diz comerciante brasiguaio (Foto: Toninho Ruiz/Divulgação)

Chuvas acima da média
Em março deste ano, as populações das cidades ribeirinhas de Aquidauana e Anastácio, situadas no pantanal sul-mato-grossense, viveram os efeitos da chuva intensa na região. A precipitação provocou a cheia do Rio Aquidauana, que divide as duas cidades onde vivem 70 mil pessoas. As águas chegaram a nove metros de altura e transbordaram do leito. Como consequência, mais de 850 pessoas ficaram desabrigadas ou desalojadas, além de danos a imóveis, estradas, pontes e prejuízos na zona rural.

O tentene Landis, do Corpo de Bombeiros em Aquidauana, trabalhou no mutirão de resgate das famílias que viviam às margens do rio. Ele conta que algumas pessoas não queriam abandonar seus imóveis. “Teve um rapaz que nos procurou dizendo que o pai dele, um idoso, não queria sair da casa. O senhor ergueu todos os móveis na altura do teto. Foi difícil, mas convencemos o idoso a sair”, diz Landis.

A enchente sem precedentes na história recente das duas cidades mobilizou mais de 200 pessoas para ações de resgate e auxílio, entre membros do Corpo de Bombeiros, Exército e prefeituras. Após serem removidas dos locais de risco, as famílias foram transferidas para abrigos improvisados em escolas, ginásios e igrejas. Apesar da calamidade, não houve registros de afogamento ou morte no período, segundo Landis.

As cidades de Aquidauana e Anastácio margeiam o rio que é um dos afluentes do Pantanal. Toda a região pantaneira é caracterizada por ciclos prolongados de cheia e seca, alternadamente. Segundo meteorologistas, o fim da estação de verão também marca a proximidade do término do período chuvoso, que dura de outubro a março.

Atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul em 4 de março de 2011 (Foto: Reprodução/Cemtec)

Imagem de satélite mostra Zona de Convergência do Atlântico Sul em março (Foto: Reprodução/Cemtec)

De acordo com o Centro de Monitoramento do Tempo, do Clima e dos Recursos Hídricos (Cemtec-MS), a média histórica de precipitação na região de Aquidauana e Anastácio é de 125 milímetros em março. Mas neste ano, apenas nos primeiros 13 dias de março, choveu 216,6 milímetros, ou 173% do esperado para o mês inteiro. A meteorologista Cátia Braga aponta as causas da concentração severa de chuva: “O que provocou o fenômeno foi a Zona de Convergência do Atlântico Sul, que fica bem caracterizada nos meses de verão e altera o regime de chuvas nas regiões por onde passa”, diz.

As águas pluviais também deixaram estragos na zona rural, onde a pecuária constitui uma importante fonte geradora de riquezas. O presidente do Sindicato Rural de Aquidauana, Timóteo Proença, estima prejuízo de até 20% do rebanho dos produtores da região por causa da enchente. “Sempre fazemos o manejo do gado para as partes mais altas, mas este ano foi uma cheia diferente, atípica”, conta.

Embora o pantanal seja regulado pela alternância de fenômenos climáticos intensos, seus efeitos são extremamente benéficos para o bioma, de acordo com o doutor em recursos hídricos da Universidade Católica Dom Bosco, Felipe Dias. “É a cheia que mantém o equilíbrio e a diversidade da vida no pantanal”, afirma. Condição que se confirma pelos pecuaristas. “Depois da cheia fica ótimo, o pasto se renova e as águas eliminam naturalmente as pragas”, diz Timóteo Proença.

“O produtor tradicional sabe que em determinadas épocas pode ou não manejar o gado. Por isso consegue trabalhar de forma harmônica com a natureza. Quem pensar que pode adotar as mesmas práticas que no planalto, irá falhar”, explica Dias.

Rio Paraguai em Porto Murtinho está em 6,82 metros (Foto: Toninho Ruiz)

Comércios e residências em Isla Margarita, na divisa com o Paraguai, estão com água na porta (Foto: Toninho Ruiz/Divulgação)

Fonte: Hélder Rafael, Do G1, MS


25 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Expedição de pesquisadores inicia jornada pelo Pantanal em MS e MT

Pesquisa do Instituto SOS Pantanal vai mapear iniciativas de conservação.
Grupo dividiu Pantanal em nove rotas, trabalho que irá durar nove meses.

A expedição de uma equipe formada por técnicos ambientais, biólogos e jornalistas deve percorrer 19 mil quilômetros do Pantanal até dezembro para mapear iniciativas que contribuam para a conservação da região da Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai (BAP). A equipe do Instituto SOS Pantanal dividiu o percurso em nove rotas.

São mais de 160 mil quilômetros quadrados de Pantanal em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Uma área maior que a Holanda, Portugal e Bélgica juntos.

Foi na fazenda Caiman, em Miranda, que o Instituto SOS Pantanal fez o lançamento deste projeto ousado, a Expedição Pantanal. “Esta expedição vai conhecer pelo Pantanal quais são as boas práticas que existem”, diz o presidente do instituto, Roberto Kablin.

O lançamento oficial foi durante a premiação dos peões campeões de um torneio de laço. O peão pantaneiro se diverte praticando o que ele mais faz no campo e demonstra destreza e pontaria perfeitas. Nessa região de extremos, o homem precisa saber que quem manda é a natureza.

O banqueiro André Esteves comprou alguns milhares de hectares no Pantanal do Rio Negro, onde pretende tocar fazendas de pecuária e investir em preservação. “Não adianta a gente pensar em preservar o meio ambiente e não trazer uma alternativa econômica a isso, graças a Deus, aqui, esta equação é muito bem resolvida, temos isso há centenas de anos”.

A vice governadora Simone Tebet, que é da região do bolsão, também esteve presente e se encantou com as belezas pantaneiras. “Não tem como este projeto não colher algo fundamental para Mato Grosso do Sul, para o meio ambiente, que é analisar e perceber as nossas vulnerabilidades. Teremos condições de executar ações concretas para transformar aquilo que está colocando em perigo o nosso Pantanal em ações pioneiras e inovadoras de preservação.”.

Mas veio do senador Delcídio do Amaral (PT/MS) a promessa mais esperada: a de criar uma lei específica para proteger o bioma Pantanal. Isso é previsto na constituição de 1988, mas, até agora, não saiu do papel.

“Estabelecendo uma série de medidas para disciplinar a atuação do homem sobre o bioma pantaneiro; eu vou preservar, eu tenho que ser remunerado por aquilo que preservei e não adotarem um tipo de procedimento comigo semelhante ao que adotam para quem devasta, a quem não trata adequadamente o nosso bioma”.

Mesmo quem não é do Pantanal já descobriu que esse paraíso precisa de muita atenção. Tanto que uma empresa que fabrica automóveis investe muito em preservação e, aqui, é uma das patrocinadoras. “Encontramos uma sinergia nesta atividade, nós estamos muito felizes em participar disto”, disse o diretor executivo da Fundação Toyota, George Costa Silva

O papel da imprensa é fundamental para levar até as pessoas, as informações sobre o que acontece nesses recantos. “Eu acho nos temos uma grande discussão que é o Pantanal, o centro-oeste, enfim, o meio ambiente como um todo, da Amazônia até o sul, o Brasil é uma coisa só que temos que olhar com a mesma preocupação”, disse o vice-presidente do Grupo Zahran, Caio Turqueto.

Após o lançamento oficial, a equipe de expedicionários saiu rumo a primeira rota. A primeira parada foi no fim do aterro, a única estrada de acesso às fazendas. O grupo chega à Aquidauana, na fazenda Retirinho e encontra grande movimentação.

A fazenda, em março, estava completamente inundada, o rebanho foi retirado e levado para outra área. Os animas já retornaram depois que as águas abaixaram e, agora, o gado já está sendo transportado para o frigorífico. Este sistema de trabalho faz parte do trabalho de estudo da expedição.

“Embora a gente faça um pré-agendamento, a ideia é conhecer o dia a dia de cada prática que a gente está visitando, tudo isto é muito didático”, avalia Lucila Egydio, coordenadora da Expedição Pantanal.

No meio dos peões, está Jesus Xaviera, que há vinte anos na lida com o gado na região pantaneira. “A gente acostumou aqui”.

No único ponto onde as carretas chegam o fazendeiro construiu uma estrutura para embarcar o gado que é usada por toda a vizinhança, pois só assim conseguem embarcar o gado.

Muitos fazendeiros precisam voar para chegar as suas terras, o que torna o avião uma necessidade, principalmente em época de cheia. A casa do produtor Timóteo Proença construída há 50 anos, é um ponto de passagem para quem vai se embrenhar no Pantanal do Rio Negro.

Logo na recepção, que é feita com muita hospitalidade, o pessoal da expedição já começa a tentar entender um pouco a história da família e se preparam para o almoço, um verdadeiro banquete preparado pelas cozinheiras da fazenda. Depois do almoço sob a sombra fresca, às margens do rio Aquidauana, Timóteo explica como é a lida de quem depende do Pantanal.

“É uma prática sustentável. A própria natureza não deixa você o que quer, para que se preserve, isso aí tem que ter remuneração, é o caminho mais certo. Se você não tiver produzindo, vai ter que vender uma parte de sua área”.

Os caminhos no Pantanal mudam conforme a época. Quando vem a enchente são feitos atalhos, já não existem estradas, apenas trilhas que passam por dentro das fazendas.

A equipe chega na fazenda Nova Estância. Após o período de cheia o gado precisa ser levado para outro pasto. O produtor Kalil Ibrahim Zaher faz parte da terceira geração da família que vive no Pantanal, diz ter encontrado uma paixão e uma fonte de renda. A fazenda tem 11 mil hectares, 5,5 mil cabeças de gado. A natureza deu o pasto e onde tem mata ele preservou.

“Custo de produção é mais baixo, não precisa tanta tecnologia, como na serra. Aqui você não gasta com reforma de pastagem, o calcanhar de Aquiles da pecuária”.

São pelo menos 11 pantanais diferentes dentro do Pantanal. Dependendo da região, a paisagem é completamente diferente e o jeito de lidar nas fazendas também. Nas últimas décadas, muitas propriedades abriram as porteiras para o turismo.

Na pousada Barra Mansa, a expedição encontrou a catarinense Poliana, que se casou com neto de pantaneiro e há um ano é gerente da pousada da família. A expedição quer registrar esse mosaico, essas diferentes situações em que vive o Pantanal hoje.

O bioma está com mais de 80% da planície preservada por causa do estilo de vida do jeito pantaneiro de ser.

Fonte: TV Morena


5 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Dilma e a questão socioambiental no Brasil

Artigo do pesquisador Fabio de Castro publicado no site Radio Netherlands Worldwide e reproduzido por Pressenza International Press Agency.

Enquanto as opiniões se divergem a respeito do balanço do governo Lula no setor econômico, político e social, existe um consenso de que questões socioambientais têm perdido espaço nos últimos anos. A polarização entre políticas de desenvolvimento e de conservação que culminou na resignação da Ministra do Meio Ambiente revelou o isolamento das políticas ambientais.

 

O novo governo tem pela frente o desafio de criar propostas concretas para reparar a política socioambiental do governo anterior, marcada por severas contradições.

 

As diversas realizações durante o governo Lula na área socioembiental se revelam contraditórias quando contextualizadas dentro do programa nacional de outros setores. Em relação à política territorial, por exemplo, houve um aumento significativo de áreas protegidas, crescente inclusão de populações locais, e início do processo de regularização fundiária na Amazônia.

 

Estes feitos, porém, se contradizem com a aprovação da alteração do código florestal para subsidiar a expansão do agronegócio, o descaso às populações locais em áreas de conflito ambiental, o isolamento do Ministério do Meio Ambiente e sociedade civil no licenciamento ambiental de grandes projetos, e o desinteresse político em outros biomas relevantes como o cerrado e o pantanal.

 

Em relação à política energética, o governo anuncia com orgulho o aumento de energia de fonte renovável tais como hidroelétrica e agrocombustível, sua liderança internacional na produção de etanol, e a criação do selo social para inclusão do pequeno produtor na produção do biodiesel.

 

Esta política, porém, se contradiz com o impacto socioambiental decorrente da produção destas fontes energéticas, seja na construção de grandes hidrelétricas, na expansão desordenada da cana-de-açúcar, ou do domínio da soja na produção do biodiesel.

 

Na política climática, o governo brasileiro tem assumido uma posição de líder nas negociações internacionais, com metas claras de adaptação e mitigação, mecanismos de compensação para diminuição de emissão de carbono e manutenção de florestas, e resultados concretos de diminuição do desmatamento na Amazônia nos últimos anos.

 

Porém, a possibilidade de alteração do código florestal para viabilizar mais desmatamento, o processo de licenciamento ambiental sem transparência para viabilizar grandes projetos de alto impacto socioambiental e o elevado investimento para a exploração das novas reservas de petróleo favorece apenas o aumento de emissão de carbono através de desmatamento e consumo crescente de combustível fóssil.

 

Política Socioambiental Integrada às realizações do governo Lula na área socioambiental são positivas somente se analisadas de forma isolada. Quando se considera as conexões com políticas econômicas e sociais, tais feitos se revelam altamente problemáticos.

 

O aumento de áreas protegidas ironicamente legitima a expansão do agronegócio e de grandes projetos que direta ou indiretamente afeta a sua integridade socioambiental. Da mesma forma, o aumento de produção de energia renovável viabiliza a imagem de um estado verde, ocultando os custos socioambientais na produção destas fontes energéticas. Finalmente, o foco da política climática na conservação da Amazônia legitima o uso insustentável de outras áreas de relevância socioambiental como o cerrado e o pantanal, que sofrem forte pressão da expansão do agronegócio.

 

A política ambiental do Brasil, portanto, não pode continuar isolada de outras políticas do governo, uma vez que estão diretamente ligadas a questões sociais, econômicas e políticas. Recursos naturais ocupam uma importância singular na economia nacional, o crescimento econômico gera um aumento de consumo energético e a população está cada vez mais vulnerável a desastres ambientais, como a recente tragédia no Estado do Rio de Janeiro.

 

Mais do que o simples emprego do termo “ambiente” nos discursos de Dilma Rousseff, precisamos de um compromisso concreto de integração da questão socioambiental na política nacional para os próximos anos.

 

Fonte: Fábio de Castro, pesquisador do Centro de Estudos e Documentação Latino-Americanos (Cedla) em Amsterdã.


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