25 de novembro de 2010 | nenhum comentário »

Comitiva polonesa conhece projetos na área florestal

SEMA 22/11/2010

O secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Jorge Augusto Callado Afonso, recebeu nesta segunda-feira (22), em Curitiba, representantes das universidades polonesas Poznan University of Technology e Poznan University of Life Sciences. A comitiva veio conhecer os projetos ambientais do Paraná e propor acordo de cooperação técnica na área de monitoramento florestal.

O secretário explicou as ações desenvolvidas pelo Governo do Estado que contribuem para o equilíbrio ambiental. ‘Ao monitorar as florestas, nós monitoramos a biodiversidade como um todo e que, embora tenhamos uma diferença de ecossistemas e de clima, as bases utilizadas são as mesmas’ destacou o secretário. Ele ainda disse, que a troca de experiências com a Polônia também poderá resultar em importantes estudos acadêmicos na área ambiental.

Técnicos e diretores da Secretaria do Meio Ambiente, Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Instituto de Terras, Cartografia e Geociências (ITCG) promoveram para a comitiva polonesa um workshop sobre as possibilidades de aplicação e cooperação para implantar um sistema avançado de monitoramento de florestas no Paraná. Também participaram do Seminário, representantes da Embrapa Florestas e de organizações não governamentais (ONG) como a Mater Natura e The Nature Conservancy – TNC. Todas estas instituições já desenvolvem o monitoramento das Áreas Estratégicas para a Conservação e Recuperação da Biodiversidade do Paraná.

ESTRATÉGIA – As margens dos rios Ivaí, Piquiri, Cinzas e Iguaçu, em toda a sua extensão, são algumas das áreas apontadas como estratégicas para conservação. Também foram incluídas no levantamento áreas de remanescentes de floresta nativa existentes na região central do Paraná, nascentes de rios importantes, locais onde há grande diversidade de fauna e flora e áreas de floresta que podem ser conectadas a outros remanescentes florestais para construção de corredores de biodiversidade.

A primeira fase do programa identificou os principais remanescentes de vegetação do Paraná (áreas consideradas estratégicas para conservação) a partir do qual foram definidas as áreas necessárias para recomposição da vegetação. O mapeamento utilizou imagens de satélites (INPE 2008) considerando estudos do Ministério do Meio Ambiente sobre as áreas prioritárias para a biodiversidade; Projeto rede da biodiversidade; o sistema estadual e federal de Unidades de Conservação, Estações Ecológicas e áreas prioritárias definidas pelo Sisleg

‘Apresentamos aos nossos visitantes projetos que estão trazendo resultados positivos e toda a experiência dos nossos técnicos, contribuindo para o acordo de cooperação’, conta o engenheiro e técnico da Secretaria Sérgio Mudrovitsch de Bittencourt.

Integram a comitiva da Polônia Mikolaj Sobczak, PhD e chefe dos laboratórios de pesquisa sobre Sistemas Móveis; Andrzej Labedzki, PhD e entomologista florestal; Maciej Ulatowski, da área de Desenvolvimento de Negócios e Comercialização; o chefe de pesquisa dos Laboratórios sobre Sistemas Móveis, Szymon Wasik, e o pesquisador sênior Kamil Sedlak. 

Fonte: Agência de Notícias do Estado do Paraná – AEN

download movie s.w.a.t.: firefight hd

23 de novembro de 2010 | nenhum comentário »

Projeto autoriza Estados a regular uso de margens de rios

Autor do projeto alega que legislação do Código Florestal é um “exagero”

 

A Câmara analisa o Projeto de Lei 7183/10, que autoriza os Estados e o Distrito Federal a regular a utilização das áreas de florestas ou outra formas de vegetação situadas nas margens de rios, lagos, lagoas ou reservatórios de água naturais ou artificiais, quando se tratar de áreas urbanas. O projeto, do deputado Fernando Lopes (PMDB-RJ), modifica o Código Florestal (Lei 4.771/65), que considera essas áreas como de preservação permanente (APPs).

APPs são faixas de terra ocupadas ou não por vegetação nas margens de nascentes, córregos, rios, lagos, represas, no topo de morros, em dunas, encostas, manguezais, restingas e veredas. Essas áreas são protegidas por lei federal, inclusive em áreas urbanas. Calcula-se que mais de 20% do território brasileiro estejam em APPs.

Os casos excepcionais que possibilitam a intervenção ou supressão de vegetação em APPs, previstas no Código Florestal, são regulamentados pelo Ministério do Meio Ambiente.

Segundo o autor, o projeto vai corrigir o “exagero” contido no Código Florestal, que impede a utilização das faixas de terra próximas a córregos e lagoas. A faixa de terra protegida pela lei depende da largura do curso d’água, variando de 30 a 500 metros. Para Lopes, a consequência do “exagero” é o descumprimento da lei.

– Embora a regulação da utilização dessas faixas às margens dos córregos e lagoas seja vedada, observa-se a progressiva ocupação irregular das mesmas, inclusive comprometendo mais ainda a qualidade dos corpos d’água – argumenta.

O deputado acredita que, em áreas urbanas densas, não faz sentido usar as regras gerais do Código Florestal, “até porque não há, salvo raras exceções, propriamente florestas, mas tão somente e, no máximo, alguns poucos espécimes muitas vezes exóticos”.

Fernando Lopes acredita que uma legislação estadual “mais próxima da realidade”, associada às regras municipais aplicáveis, é a melhor solução para essas áreas.

 

movie big mommas: like father, like son online

Fonte: http://www.canalrural.com.br/canalrural/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&action=noticias&id=3114619&section=noticias


16 de novembro de 2010 | nenhum comentário »

Cerrado vai ganhar corredor ecológico de 20 quilômetros

Área será ligação entre o parque nacional da Chapada dos Veadeiros e reserva na Serra do Tombador

O cerrado -segundo bioma mais ameaçado do Brasil, atrás apenas da mata atlântica- ganhará um corredor ecológico ligando dois de seus principais polos de conservação: o parque nacional da Chapada dos Veadeiros e a reserva particular da Serra do Tombador, em Goiás.

Com cerca de 20 quilômetros de extensão em linha reta, o corredor permitirá que os animais da região circulem com facilidade entre as duas áreas de preservação.

Além de facilitar o tráfego das espécies, o corredor irá permitir a fuga dos animais para ambientes seguros em caso de incêndios.

Atualmente, há vários pontos de desmatamento no caminho entre essas duas reservas, o que dificulta a circulação e deixa os bichos mais vulneráveis à caça e a outras ameaças.

Pelo atual Código Florestal, os terrenos particulares do cerrado precisam manter 20% de sua área preservada: a chamada reserva legal.

Idealizadora do projeto, a Fundação Boticário de Proteção à Natureza -que administra a reserva da Serra do Tombador- pretende criar o corredor usando as áreas de reserva legal das propriedades que ficam no caminho.

Apesar da norma, é comum que os proprietários desmatem além do limite permitido, devido à falta de fiscalização e repressão.

“Para criar o corredor e ajudar o ecossistema, não é preciso grandes invenções. Basta fazer com que os fazendeiros preservem o que a lei determina”, afirma a engenheira florestal e ex-professora da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) Maísa Guapyassú.

“Já que o governo não dá conta de tantas as demandas, é fundamental que a iniciativa privada colabore”, disse Guapyassú, que é analista de projetos da fundação.

No projeto do corredor, o georreferenciamento, parte mais cara da iniciativa, será financiada pela fundação e ONGs (organizações não governamentais) parceiras.

O alto custo desse levantamento -que mapeia detalhadamente o terreno e identifica com coordenadas de GPS os principais “pontos de interesse”, como estradas e nascentes de rio- é apontado como o principal entrave aos projetos de conservação.

Embora as negociações para a implantação do corredor estejam adiantadas, os coordenadores do projeto alertam que uma eventual mudança no Código Florestal -que já está sendo discutida no Congresso- pode dificultar sua implementação.

“Todos os estudos para o corredor foram baseados na legislação atual. Se o percentual de reserva legal for reduzido, como em alguns casos prevê o novo código, teremos problemas”, afirma a pesquisadora da fundação.

Queimadas são a maior ameaça à preservação

O fogo e as queimadas naturais -causadas pela queda de raios- fazem parte da dinâmica do cerrado e até contribuem para o desenvolvimento de algumas espécies adaptadas a essas condições.

Já os incêndios provocados pelo homem, principalmente para a preparação de lavoura e para a mineração, são muito mais intensos e, consequentemente, mais perigosos.

the chaperone film divx

“O fogo natural tem temperatura menor e normalmente só atinge a parte baixa das plantas. O incêndio provocado é muito mais quente e tem labaredas altas, dificultando a proteção das plantas”, diz a engenheira florestal Maísa Guapyassú.

Segundo ela, minas clandestinas de manganês são um dos maiores focos de incêndio nos arredores da serra do Tombador.

“Os garimpeiros colocam fogo para enxergar melhor os veios do metal. Não raro, essas queimadas saem de controle”, diz.

Em setembro, um incêndio atingiu mais de 50% do parque nacional da Chapada dos Veadeiros.

Um mês antes, o parque nacional das Emas, também em Goiás, teve seu pior incêndio e perdeu 90% da cobertura vegetal em dois dias.

Bioma tem mais de 150 reservas particulares

Com 8.900 hectares, a reserva da serra do Tombador, localizada no interior de Goiás, é a maior RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) do Estado e quarta maior do Cerrado.

Esse tipo de reserva,que é criada voluntariamente pelo proprietário do terreno, foi regulamentada em 1990.

Uma vez criada, a reserva só pode ter projetos ligados à pesquisa científica, turismo e algumas poucas atividades de baixo impacto ambiental.

Embora sejam relativamente comuns no cerrado- existiam, até janeiro de 2009, 152 reservas privadas, protegendo 121 mil hectares- as RPPN são pouco conhecidas do grande público.

A inclusão na categoria não anula o direito de propriedade, mas obriga o fazendeiro a cumprir obrigações, como a criação de um plano de manejo.

Como contrapartida, não paga o ITBR (imposto territorial rural), além de ter prioridade na análise de projetos encaminhados ao Fundo Nacional de Meio Ambiente.

“No papel, esses incentivos parecem muito bons. Na prática, ainda são insuficientes. Os custos de manutenção são bastante elevados, e o incentivos econômicos, baixos”, diz Maísa Gapyassú, da Fundação Boticário, que mantém a reserva.

Declarada RPPN em 2009, a reserva do Tombador é mantida como se fosse um parque nacional.

Estudos preliminares na reserva já identificaram 435 espécies de plantas, algumas ameaçadas, como a peroba-rosa e o angico-verde.

A quantidade de animais registrados também é expressiva: 47% dos mamíferos de médio e grande porte do cerrado são encontrados lá. Quase a metade deles está classificada como ameaçada de extinção.

“Nosso cerrado é a savana mais rica em biodiversidade do mundo. Por isso, as reservas privadas têm um grande papel na conservação”, diz Guapyassú.

(Giuliana Miranda – Folha de SP, 14/11)


20 de abril de 2009 | nenhum comentário »

Estudo vê floresta atlântica maior e mais fragmentada

Remanescentes têm o dobro da área estimada, mas tamanho de ilhas limita preservação. Nova análise de dados de satélite foi liderada por grupo da USP e sugere que fragmentos do bioma ainda podem ser reconectados

Afra Balazina escreve para a “Folha de SP”:

Um estudo que dissecou a mata atlântica traz uma notícia relativamente boa e dados muitos dados alarmantes. A área que ainda resta dessa floresta é maior do que as previsões anteriores indicavam: em vez de 7% a 8%, ela ocupa hoje entre 11,4% e 16% da sua extensão original. Porém, os fragmentos de mata estão pequenos – mais de 80% têm menos de 50 hectares, tamanho incapaz de preservar a maioria das espécies florestais.

As informações estão em artigo publicado neste mês no periódico “Biological Conservation”. Os autores são ligados à USP, ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e à Fundação SOS Mata Atlântica.

Segundo Jean Paul Metzger, pesquisador do Instituto de Biociências da USP e um dos autores do trabalho, a diferença no dado de “quanto sobrou” de mata atlântica se deve ao fato de a pesquisa ter levado em conta remanescentes menores e florestas em estágios mais iniciais de regeneração.

sacrifice ipod

O atlas dos remanescentes da mata atlântica, produzido pela SOS Mata Atlântica e pelo Inpe, não contabiliza, por exemplo, fragmentos com menos de 100 hectares. Mas, segundo Metzger, estes também têm valor ecológico e não podem ser desprezados. Eles têm papel fundamental, por exemplo, na redução do isolamento entre fragmentos grandes.

Entretanto, muitos animais acabam “ilhados” nesses espaços reduzidos de floresta. O estudo revelou que, em média, a distância entre as áreas com remanescentes de mata atlântica é de 1,4 km, o que torna difícil, senão impossível, que as espécies cruzem de um fragmento ao outro. Isso aumenta o risco de extinção local.

“Se o isolamento fosse menor, a possibilidade de uma ave, inseto ou mamífero de pequeno porte sair de um fragmento e migrar para outro seria muito maior. (…) E, quanto maior a taxa de troca de indivíduos entre fragmentos, maior é a possibilidade de aumentar a variabilidade genética”, afirma o pesquisador Milton Cezar Ribeiro, da USP, também autor do artigo.

São Paulo possui a maior extensão contínua dessa floresta: a serra do Mar. O local é o único remanescente do bioma ameaçado que possui mais de 1 milhão de hectares – de um total de 245.173 fragmentos de mata atlântica identificados.

Nova ameaça

Para Metzger, a palavra mais importante quando se fala em mata atlântica hoje é restauração. E, para que haja uma recuperação da mata e para que os fragmentos sejam conectados, será preciso envolver os proprietários particulares.

“Noventa e nove por cento da mata atlântica está em áreas privadas. Obrigatoriamente teremos de trabalhar em parceria com os proprietários”, afirma.

Uma lei aprovada em Santa Catarina e sancionada na semana passada pelo governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB), porém, vai justamente na direção contrária: permite a redução das áreas protegidas ao longo dos rios no Estado. A lei teve apoio dos agricultores e a objeção de ambientalistas.

Maria Cecília Wey de Brito, secretária de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, demonstra preocupação com a “tentativa constante e insistente dos nossos políticos e colegas de outros setores” de usar as áreas de mata atlântica para agropecuária.

“É impressionante você achar que o Brasil vai precisar acabar com o que tem de mata atlântica para se manter como produtor agrícola”, afirma ela.

Ela ainda não teve acesso aos resultados do novo estudo. Porém acredita que os dados serão úteis na formulação de políticas públicas. O ministério considera que o total de mata atlântica restante é de 27% (22,4% são remanescentes exclusivamente florestais e 4,6% estão em áreas de manguezal e restinga, principalmente).

Segundo a secretária, o uso de metodologias diferentes pode explicar a diferença do dado.

Para ela, o fato de o ministério apontar maior área de floresta não prejudica a mobilização para protegê-la. Principalmente quando se trata de ocupar áreas com agricultura. “Se falamos que existe 7% de mata atlântica, quer dizer que 93% pode ser usado. Mas, se existe cerca de 20%, pode-se usar uma área menor.”

Para acompanhar o desmatamento, o ministério iniciou na quinta-feira o monitoramento via satélite oficial da mata atlântica e de outros biomas. A secretária diz que até o final do ano os primeiros dados poderão ser divulgados.
(Folha de SP, 20/4)


20 de abril de 2009 | nenhum comentário »

Corredores florestais ajudam a conservar a fauna

O desmatamento tem reduzido as florestas a pequenos remanescentes isolados e provocado diversas ameaças à diversidade. Uma das propostas para atenuar esses efeitos é a implantação de corredores florestais ligando os remanescentes, o que aumentaria o intercâmbio de animais entre essas porções de vegetação. Estudo realizado no estado do Rio de Janeiro mostra que os corredores são usados por algumas espécies de pequenos mamíferos e revela sua importância para a conservação da região.

Muitas vezes, viajando de carro ou de ônibus, podemos ver fragmentos de floresta em topos de morro cercados por vegetação de pasto. Provavelmente, todo o campo era uma floresta e as áreas planas foram desmatadas para a criação de gado. Mas, para onde foram todos os animais que viviam na floresta que existia ali? Será que estão todos espremidos na floresta remanescente no alto do morro?

Não. Um fragmento isolado não consegue garantir a existência da mesma quantidade de espécies que a antiga floresta contínua podia manter. Algumas espécies precisam de grandes extensões de mata para se alimentar e se reproduzir. Portanto, não têm como sobreviver em áreas menores. E as que não precisam de grandes áreas para se manter podem experimentar um rápido declínio no tamanho de suas populações, dependendo do tamanho do fragmento remanescente.

Diante desses fatos e do atual cenário de devastação, conservacionistas buscam soluções para minimizar os efeitos da fragmentação florestal. Uma das iniciativas é a implantação de corredores, estruturas compostas de vegetação nativa (remanescente ou plantada) que conectam fragmentos antes isolados na paisagem. Sua principal função é permitir a passagem e a troca de indivíduos entre as “ilhas” de vegetação.

Solução? – Como tudo o que está sob experimentação, os corredores não são uma unanimidade. Sua implantação apresenta benefícios, mas também pode trazer problemas. Por isso, os corredores têm sido objeto de muitos estudos. Um deles foi realizado em dois conjuntos, cada um com um corredor ligando dois fragmentos e ambos rodeados por áreas de pasto (chamadas de matriz), em Silva Jardim (RJ). Os corredores foram criados pela Associação Mico-Leão-Dourado nos anos de 1997 e 2001.

Armadilhas para a captura viva de pequenos mamíferos foram colocadas nesses corredores com o objetivo de verificar seu uso pelos animais. Foram realizadas 470 capturas, de 166 indivíduos pertencentes a 11 espécies: cinco de roedores (rato-de-chão, camundongo-doméstico, pixuna, rato-d’água e rato-de-espinho) e seis de marsupiais (cuíca-lanosa, gambá, cuíca-graciosa, cuíca-cinza, cuíca e cuíca-cinza-de-quatro-olhos). Do total de espécies, seis apresentaram indivíduos que se moveram entre as áreas, e indivíduos de quatro espécies foram capturados nos corredores. O sucesso das capturas nas áreas de pasto foi baixo nos dois conjuntos, mostrando que a maioria das espécies não habita esses locais.

Em 2004, os ecólogos Ernesto B. Viveiros de Castro e Fernando A. S. Fernandez, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mostraram que os animais que nunca são encontrados na matriz são os mais prejudicados pela fragmentação. Os corredores seriam, portanto, mais importantes para essas espécies, já que apenas por eles poderiam realizar seus movimentos e se dispersar para outro fragmento. Além disso, sabe-se que os corredores podem trazer espécies novas, vindas de outros fragmentos, aumentando o número de espécies em todo o complexo.

É preciso considerar o fato de que, no presente estudo, apenas quatro espécies (rato-d’água, rato-de-chão, cuíca e cuíca-lanosa) usaram, com certeza, o corredor. Isso indica que o mesmo corredor pode ser útil ou não dependendo da espécie. Alguns indivíduos de rato-d’água, rato-de-chão e cuíca, por exemplo, usaram os corredores não para transitar entre os fragmentos, mas para residência. Se, por acaso, essas espécies forem territorialistas (realizarem a defesa do território), podem impedir que outros indivíduos usem o corredor, o que diminui a eficácia dessas estruturas.

Há ainda outras dificuldades. Em primeiro lugar, a criação de corredores não é barata. É alto o custo do plantio das mudas que irão compor o corredor, e também o de sua manutenção. Outro possível malefício decorre do fato de que a maior conectividade pode facilitar o espalhamento do fogo, ampliando os estragos de incêndios. Os corredores podem também facilitar a entrada de organismos indesejáveis no ecossistema, e por serem, em geral, mais estreitos que os fragmentos, podem favorecer a caça ou a predação dos animais que os utilizam.

takers movie dvdrip

Esperar que os corredores sejam a solução para todos os problemas gerados pela fragmentação e que favoreçam todas as espécies é um tanto ingênuo. Mas, de modo geral, os estudos mostram que a maioria das espécies responde de forma positiva à existência dessas estruturas. A aplicação dessa ferramenta parece ter grande potencial no que diz respeito à melhora da situação da fauna e da flora, que têm sofrido cada vez mais com os malefícios trazidos pela fragmentação. (Fonte: JB Online)






Categorias

Tópicos recentes

Meta

 

setembro 2017
S T Q Q S S D
« mar    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
252627282930  

25 de novembro de 2010 | nenhum comentário »

Comitiva polonesa conhece projetos na área florestal

SEMA 22/11/2010

O secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Jorge Augusto Callado Afonso, recebeu nesta segunda-feira (22), em Curitiba, representantes das universidades polonesas Poznan University of Technology e Poznan University of Life Sciences. A comitiva veio conhecer os projetos ambientais do Paraná e propor acordo de cooperação técnica na área de monitoramento florestal.

O secretário explicou as ações desenvolvidas pelo Governo do Estado que contribuem para o equilíbrio ambiental. ‘Ao monitorar as florestas, nós monitoramos a biodiversidade como um todo e que, embora tenhamos uma diferença de ecossistemas e de clima, as bases utilizadas são as mesmas’ destacou o secretário. Ele ainda disse, que a troca de experiências com a Polônia também poderá resultar em importantes estudos acadêmicos na área ambiental.

Técnicos e diretores da Secretaria do Meio Ambiente, Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Instituto de Terras, Cartografia e Geociências (ITCG) promoveram para a comitiva polonesa um workshop sobre as possibilidades de aplicação e cooperação para implantar um sistema avançado de monitoramento de florestas no Paraná. Também participaram do Seminário, representantes da Embrapa Florestas e de organizações não governamentais (ONG) como a Mater Natura e The Nature Conservancy – TNC. Todas estas instituições já desenvolvem o monitoramento das Áreas Estratégicas para a Conservação e Recuperação da Biodiversidade do Paraná.

ESTRATÉGIA – As margens dos rios Ivaí, Piquiri, Cinzas e Iguaçu, em toda a sua extensão, são algumas das áreas apontadas como estratégicas para conservação. Também foram incluídas no levantamento áreas de remanescentes de floresta nativa existentes na região central do Paraná, nascentes de rios importantes, locais onde há grande diversidade de fauna e flora e áreas de floresta que podem ser conectadas a outros remanescentes florestais para construção de corredores de biodiversidade.

A primeira fase do programa identificou os principais remanescentes de vegetação do Paraná (áreas consideradas estratégicas para conservação) a partir do qual foram definidas as áreas necessárias para recomposição da vegetação. O mapeamento utilizou imagens de satélites (INPE 2008) considerando estudos do Ministério do Meio Ambiente sobre as áreas prioritárias para a biodiversidade; Projeto rede da biodiversidade; o sistema estadual e federal de Unidades de Conservação, Estações Ecológicas e áreas prioritárias definidas pelo Sisleg

‘Apresentamos aos nossos visitantes projetos que estão trazendo resultados positivos e toda a experiência dos nossos técnicos, contribuindo para o acordo de cooperação’, conta o engenheiro e técnico da Secretaria Sérgio Mudrovitsch de Bittencourt.

Integram a comitiva da Polônia Mikolaj Sobczak, PhD e chefe dos laboratórios de pesquisa sobre Sistemas Móveis; Andrzej Labedzki, PhD e entomologista florestal; Maciej Ulatowski, da área de Desenvolvimento de Negócios e Comercialização; o chefe de pesquisa dos Laboratórios sobre Sistemas Móveis, Szymon Wasik, e o pesquisador sênior Kamil Sedlak. 

Fonte: Agência de Notícias do Estado do Paraná – AEN

download movie s.w.a.t.: firefight hd

23 de novembro de 2010 | nenhum comentário »

Projeto autoriza Estados a regular uso de margens de rios

Autor do projeto alega que legislação do Código Florestal é um “exagero”

 

A Câmara analisa o Projeto de Lei 7183/10, que autoriza os Estados e o Distrito Federal a regular a utilização das áreas de florestas ou outra formas de vegetação situadas nas margens de rios, lagos, lagoas ou reservatórios de água naturais ou artificiais, quando se tratar de áreas urbanas. O projeto, do deputado Fernando Lopes (PMDB-RJ), modifica o Código Florestal (Lei 4.771/65), que considera essas áreas como de preservação permanente (APPs).

APPs são faixas de terra ocupadas ou não por vegetação nas margens de nascentes, córregos, rios, lagos, represas, no topo de morros, em dunas, encostas, manguezais, restingas e veredas. Essas áreas são protegidas por lei federal, inclusive em áreas urbanas. Calcula-se que mais de 20% do território brasileiro estejam em APPs.

Os casos excepcionais que possibilitam a intervenção ou supressão de vegetação em APPs, previstas no Código Florestal, são regulamentados pelo Ministério do Meio Ambiente.

Segundo o autor, o projeto vai corrigir o “exagero” contido no Código Florestal, que impede a utilização das faixas de terra próximas a córregos e lagoas. A faixa de terra protegida pela lei depende da largura do curso d’água, variando de 30 a 500 metros. Para Lopes, a consequência do “exagero” é o descumprimento da lei.

– Embora a regulação da utilização dessas faixas às margens dos córregos e lagoas seja vedada, observa-se a progressiva ocupação irregular das mesmas, inclusive comprometendo mais ainda a qualidade dos corpos d’água – argumenta.

O deputado acredita que, em áreas urbanas densas, não faz sentido usar as regras gerais do Código Florestal, “até porque não há, salvo raras exceções, propriamente florestas, mas tão somente e, no máximo, alguns poucos espécimes muitas vezes exóticos”.

Fernando Lopes acredita que uma legislação estadual “mais próxima da realidade”, associada às regras municipais aplicáveis, é a melhor solução para essas áreas.

 

movie big mommas: like father, like son online

Fonte: http://www.canalrural.com.br/canalrural/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&action=noticias&id=3114619&section=noticias


16 de novembro de 2010 | nenhum comentário »

Cerrado vai ganhar corredor ecológico de 20 quilômetros

Área será ligação entre o parque nacional da Chapada dos Veadeiros e reserva na Serra do Tombador

O cerrado -segundo bioma mais ameaçado do Brasil, atrás apenas da mata atlântica- ganhará um corredor ecológico ligando dois de seus principais polos de conservação: o parque nacional da Chapada dos Veadeiros e a reserva particular da Serra do Tombador, em Goiás.

Com cerca de 20 quilômetros de extensão em linha reta, o corredor permitirá que os animais da região circulem com facilidade entre as duas áreas de preservação.

Além de facilitar o tráfego das espécies, o corredor irá permitir a fuga dos animais para ambientes seguros em caso de incêndios.

Atualmente, há vários pontos de desmatamento no caminho entre essas duas reservas, o que dificulta a circulação e deixa os bichos mais vulneráveis à caça e a outras ameaças.

Pelo atual Código Florestal, os terrenos particulares do cerrado precisam manter 20% de sua área preservada: a chamada reserva legal.

Idealizadora do projeto, a Fundação Boticário de Proteção à Natureza -que administra a reserva da Serra do Tombador- pretende criar o corredor usando as áreas de reserva legal das propriedades que ficam no caminho.

Apesar da norma, é comum que os proprietários desmatem além do limite permitido, devido à falta de fiscalização e repressão.

“Para criar o corredor e ajudar o ecossistema, não é preciso grandes invenções. Basta fazer com que os fazendeiros preservem o que a lei determina”, afirma a engenheira florestal e ex-professora da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) Maísa Guapyassú.

“Já que o governo não dá conta de tantas as demandas, é fundamental que a iniciativa privada colabore”, disse Guapyassú, que é analista de projetos da fundação.

No projeto do corredor, o georreferenciamento, parte mais cara da iniciativa, será financiada pela fundação e ONGs (organizações não governamentais) parceiras.

O alto custo desse levantamento -que mapeia detalhadamente o terreno e identifica com coordenadas de GPS os principais “pontos de interesse”, como estradas e nascentes de rio- é apontado como o principal entrave aos projetos de conservação.

Embora as negociações para a implantação do corredor estejam adiantadas, os coordenadores do projeto alertam que uma eventual mudança no Código Florestal -que já está sendo discutida no Congresso- pode dificultar sua implementação.

“Todos os estudos para o corredor foram baseados na legislação atual. Se o percentual de reserva legal for reduzido, como em alguns casos prevê o novo código, teremos problemas”, afirma a pesquisadora da fundação.

Queimadas são a maior ameaça à preservação

O fogo e as queimadas naturais -causadas pela queda de raios- fazem parte da dinâmica do cerrado e até contribuem para o desenvolvimento de algumas espécies adaptadas a essas condições.

Já os incêndios provocados pelo homem, principalmente para a preparação de lavoura e para a mineração, são muito mais intensos e, consequentemente, mais perigosos.

the chaperone film divx

“O fogo natural tem temperatura menor e normalmente só atinge a parte baixa das plantas. O incêndio provocado é muito mais quente e tem labaredas altas, dificultando a proteção das plantas”, diz a engenheira florestal Maísa Guapyassú.

Segundo ela, minas clandestinas de manganês são um dos maiores focos de incêndio nos arredores da serra do Tombador.

“Os garimpeiros colocam fogo para enxergar melhor os veios do metal. Não raro, essas queimadas saem de controle”, diz.

Em setembro, um incêndio atingiu mais de 50% do parque nacional da Chapada dos Veadeiros.

Um mês antes, o parque nacional das Emas, também em Goiás, teve seu pior incêndio e perdeu 90% da cobertura vegetal em dois dias.

Bioma tem mais de 150 reservas particulares

Com 8.900 hectares, a reserva da serra do Tombador, localizada no interior de Goiás, é a maior RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) do Estado e quarta maior do Cerrado.

Esse tipo de reserva,que é criada voluntariamente pelo proprietário do terreno, foi regulamentada em 1990.

Uma vez criada, a reserva só pode ter projetos ligados à pesquisa científica, turismo e algumas poucas atividades de baixo impacto ambiental.

Embora sejam relativamente comuns no cerrado- existiam, até janeiro de 2009, 152 reservas privadas, protegendo 121 mil hectares- as RPPN são pouco conhecidas do grande público.

A inclusão na categoria não anula o direito de propriedade, mas obriga o fazendeiro a cumprir obrigações, como a criação de um plano de manejo.

Como contrapartida, não paga o ITBR (imposto territorial rural), além de ter prioridade na análise de projetos encaminhados ao Fundo Nacional de Meio Ambiente.

“No papel, esses incentivos parecem muito bons. Na prática, ainda são insuficientes. Os custos de manutenção são bastante elevados, e o incentivos econômicos, baixos”, diz Maísa Gapyassú, da Fundação Boticário, que mantém a reserva.

Declarada RPPN em 2009, a reserva do Tombador é mantida como se fosse um parque nacional.

Estudos preliminares na reserva já identificaram 435 espécies de plantas, algumas ameaçadas, como a peroba-rosa e o angico-verde.

A quantidade de animais registrados também é expressiva: 47% dos mamíferos de médio e grande porte do cerrado são encontrados lá. Quase a metade deles está classificada como ameaçada de extinção.

“Nosso cerrado é a savana mais rica em biodiversidade do mundo. Por isso, as reservas privadas têm um grande papel na conservação”, diz Guapyassú.

(Giuliana Miranda – Folha de SP, 14/11)


20 de abril de 2009 | nenhum comentário »

Estudo vê floresta atlântica maior e mais fragmentada

Remanescentes têm o dobro da área estimada, mas tamanho de ilhas limita preservação. Nova análise de dados de satélite foi liderada por grupo da USP e sugere que fragmentos do bioma ainda podem ser reconectados

Afra Balazina escreve para a “Folha de SP”:

Um estudo que dissecou a mata atlântica traz uma notícia relativamente boa e dados muitos dados alarmantes. A área que ainda resta dessa floresta é maior do que as previsões anteriores indicavam: em vez de 7% a 8%, ela ocupa hoje entre 11,4% e 16% da sua extensão original. Porém, os fragmentos de mata estão pequenos – mais de 80% têm menos de 50 hectares, tamanho incapaz de preservar a maioria das espécies florestais.

As informações estão em artigo publicado neste mês no periódico “Biological Conservation”. Os autores são ligados à USP, ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e à Fundação SOS Mata Atlântica.

Segundo Jean Paul Metzger, pesquisador do Instituto de Biociências da USP e um dos autores do trabalho, a diferença no dado de “quanto sobrou” de mata atlântica se deve ao fato de a pesquisa ter levado em conta remanescentes menores e florestas em estágios mais iniciais de regeneração.

sacrifice ipod

O atlas dos remanescentes da mata atlântica, produzido pela SOS Mata Atlântica e pelo Inpe, não contabiliza, por exemplo, fragmentos com menos de 100 hectares. Mas, segundo Metzger, estes também têm valor ecológico e não podem ser desprezados. Eles têm papel fundamental, por exemplo, na redução do isolamento entre fragmentos grandes.

Entretanto, muitos animais acabam “ilhados” nesses espaços reduzidos de floresta. O estudo revelou que, em média, a distância entre as áreas com remanescentes de mata atlântica é de 1,4 km, o que torna difícil, senão impossível, que as espécies cruzem de um fragmento ao outro. Isso aumenta o risco de extinção local.

“Se o isolamento fosse menor, a possibilidade de uma ave, inseto ou mamífero de pequeno porte sair de um fragmento e migrar para outro seria muito maior. (…) E, quanto maior a taxa de troca de indivíduos entre fragmentos, maior é a possibilidade de aumentar a variabilidade genética”, afirma o pesquisador Milton Cezar Ribeiro, da USP, também autor do artigo.

São Paulo possui a maior extensão contínua dessa floresta: a serra do Mar. O local é o único remanescente do bioma ameaçado que possui mais de 1 milhão de hectares – de um total de 245.173 fragmentos de mata atlântica identificados.

Nova ameaça

Para Metzger, a palavra mais importante quando se fala em mata atlântica hoje é restauração. E, para que haja uma recuperação da mata e para que os fragmentos sejam conectados, será preciso envolver os proprietários particulares.

“Noventa e nove por cento da mata atlântica está em áreas privadas. Obrigatoriamente teremos de trabalhar em parceria com os proprietários”, afirma.

Uma lei aprovada em Santa Catarina e sancionada na semana passada pelo governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB), porém, vai justamente na direção contrária: permite a redução das áreas protegidas ao longo dos rios no Estado. A lei teve apoio dos agricultores e a objeção de ambientalistas.

Maria Cecília Wey de Brito, secretária de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, demonstra preocupação com a “tentativa constante e insistente dos nossos políticos e colegas de outros setores” de usar as áreas de mata atlântica para agropecuária.

“É impressionante você achar que o Brasil vai precisar acabar com o que tem de mata atlântica para se manter como produtor agrícola”, afirma ela.

Ela ainda não teve acesso aos resultados do novo estudo. Porém acredita que os dados serão úteis na formulação de políticas públicas. O ministério considera que o total de mata atlântica restante é de 27% (22,4% são remanescentes exclusivamente florestais e 4,6% estão em áreas de manguezal e restinga, principalmente).

Segundo a secretária, o uso de metodologias diferentes pode explicar a diferença do dado.

Para ela, o fato de o ministério apontar maior área de floresta não prejudica a mobilização para protegê-la. Principalmente quando se trata de ocupar áreas com agricultura. “Se falamos que existe 7% de mata atlântica, quer dizer que 93% pode ser usado. Mas, se existe cerca de 20%, pode-se usar uma área menor.”

Para acompanhar o desmatamento, o ministério iniciou na quinta-feira o monitoramento via satélite oficial da mata atlântica e de outros biomas. A secretária diz que até o final do ano os primeiros dados poderão ser divulgados.
(Folha de SP, 20/4)


20 de abril de 2009 | nenhum comentário »

Corredores florestais ajudam a conservar a fauna

O desmatamento tem reduzido as florestas a pequenos remanescentes isolados e provocado diversas ameaças à diversidade. Uma das propostas para atenuar esses efeitos é a implantação de corredores florestais ligando os remanescentes, o que aumentaria o intercâmbio de animais entre essas porções de vegetação. Estudo realizado no estado do Rio de Janeiro mostra que os corredores são usados por algumas espécies de pequenos mamíferos e revela sua importância para a conservação da região.

Muitas vezes, viajando de carro ou de ônibus, podemos ver fragmentos de floresta em topos de morro cercados por vegetação de pasto. Provavelmente, todo o campo era uma floresta e as áreas planas foram desmatadas para a criação de gado. Mas, para onde foram todos os animais que viviam na floresta que existia ali? Será que estão todos espremidos na floresta remanescente no alto do morro?

Não. Um fragmento isolado não consegue garantir a existência da mesma quantidade de espécies que a antiga floresta contínua podia manter. Algumas espécies precisam de grandes extensões de mata para se alimentar e se reproduzir. Portanto, não têm como sobreviver em áreas menores. E as que não precisam de grandes áreas para se manter podem experimentar um rápido declínio no tamanho de suas populações, dependendo do tamanho do fragmento remanescente.

Diante desses fatos e do atual cenário de devastação, conservacionistas buscam soluções para minimizar os efeitos da fragmentação florestal. Uma das iniciativas é a implantação de corredores, estruturas compostas de vegetação nativa (remanescente ou plantada) que conectam fragmentos antes isolados na paisagem. Sua principal função é permitir a passagem e a troca de indivíduos entre as “ilhas” de vegetação.

Solução? – Como tudo o que está sob experimentação, os corredores não são uma unanimidade. Sua implantação apresenta benefícios, mas também pode trazer problemas. Por isso, os corredores têm sido objeto de muitos estudos. Um deles foi realizado em dois conjuntos, cada um com um corredor ligando dois fragmentos e ambos rodeados por áreas de pasto (chamadas de matriz), em Silva Jardim (RJ). Os corredores foram criados pela Associação Mico-Leão-Dourado nos anos de 1997 e 2001.

Armadilhas para a captura viva de pequenos mamíferos foram colocadas nesses corredores com o objetivo de verificar seu uso pelos animais. Foram realizadas 470 capturas, de 166 indivíduos pertencentes a 11 espécies: cinco de roedores (rato-de-chão, camundongo-doméstico, pixuna, rato-d’água e rato-de-espinho) e seis de marsupiais (cuíca-lanosa, gambá, cuíca-graciosa, cuíca-cinza, cuíca e cuíca-cinza-de-quatro-olhos). Do total de espécies, seis apresentaram indivíduos que se moveram entre as áreas, e indivíduos de quatro espécies foram capturados nos corredores. O sucesso das capturas nas áreas de pasto foi baixo nos dois conjuntos, mostrando que a maioria das espécies não habita esses locais.

Em 2004, os ecólogos Ernesto B. Viveiros de Castro e Fernando A. S. Fernandez, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mostraram que os animais que nunca são encontrados na matriz são os mais prejudicados pela fragmentação. Os corredores seriam, portanto, mais importantes para essas espécies, já que apenas por eles poderiam realizar seus movimentos e se dispersar para outro fragmento. Além disso, sabe-se que os corredores podem trazer espécies novas, vindas de outros fragmentos, aumentando o número de espécies em todo o complexo.

É preciso considerar o fato de que, no presente estudo, apenas quatro espécies (rato-d’água, rato-de-chão, cuíca e cuíca-lanosa) usaram, com certeza, o corredor. Isso indica que o mesmo corredor pode ser útil ou não dependendo da espécie. Alguns indivíduos de rato-d’água, rato-de-chão e cuíca, por exemplo, usaram os corredores não para transitar entre os fragmentos, mas para residência. Se, por acaso, essas espécies forem territorialistas (realizarem a defesa do território), podem impedir que outros indivíduos usem o corredor, o que diminui a eficácia dessas estruturas.

Há ainda outras dificuldades. Em primeiro lugar, a criação de corredores não é barata. É alto o custo do plantio das mudas que irão compor o corredor, e também o de sua manutenção. Outro possível malefício decorre do fato de que a maior conectividade pode facilitar o espalhamento do fogo, ampliando os estragos de incêndios. Os corredores podem também facilitar a entrada de organismos indesejáveis no ecossistema, e por serem, em geral, mais estreitos que os fragmentos, podem favorecer a caça ou a predação dos animais que os utilizam.

takers movie dvdrip

Esperar que os corredores sejam a solução para todos os problemas gerados pela fragmentação e que favoreçam todas as espécies é um tanto ingênuo. Mas, de modo geral, os estudos mostram que a maioria das espécies responde de forma positiva à existência dessas estruturas. A aplicação dessa ferramenta parece ter grande potencial no que diz respeito à melhora da situação da fauna e da flora, que têm sofrido cada vez mais com os malefícios trazidos pela fragmentação. (Fonte: JB Online)