20 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Recomendado pela ONU, consumo de insetos na dieta já ocorre no Brasil

Tanajura é forma mais tradicional; prática não é oficialmente regulamentada.
Criação em MG serve para experiências de chefs e curiosos

O consumo de insetos na alimentação humana, recomendado em um relatório publicado nesta semana pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), já existe em algumas espécies que são consumidas no Brasil.

A mais comum é a formiga tanajura, que é um alimento relativamente tradicional em áreas do interior de Minas Gerais e do Nordeste, em forma de farofa. Outro inseto conhecido é a larva do besouro Pachymerus nucleorum, que se instala dentro de frutos, e que por isso também é conhecida como “larva do coquinho”. Seu consumo faz parte de brincadeiras na zona rural e de treinamentos de sobrevivência na selva.

Os órgãos oficiais ainda não dão muita importância ao assunto, apesar da recente recomendação do órgão da ONU. No Guia Alimentar para a População Brasileira, o Ministério da Saúde não faz nenhuma menção ao consumo de insetos. Já a Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan) do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) entende que esse hábito alimentar não faz parte da cultura brasileira e não tem estudos neste sentido. O Ministério da Agricultura, por sua vez, afirma que não há registro oficial de estabelecimentos que produzam insetos para o consumo humano.

“Eu espero fortemente que o governo brasileiro reconheça os insetos como fonte de alimentos dos brasileiros”, afirmou Eraldo Costa Neto, professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (BA) que pesquisa as relações entre humanos e insetos. “Infelizmente, o governo brasileiro ainda vê insetos como pragas”, completou o especialista, que foi o único brasileiro a participar da convenção da FAO que deu origem ao relatório publicado na segunda(13/05).

Torta feita com larvas (Foto: Liza Flores/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Torta feita com larvas (Foto: Liza Flores/Grupo Vale Verde/Divulgação)

À espera de reconhecimento
Apesar de o Ministério da Agricultura dizer que nunca registrou nenhum produtor de insetos para consumo humano, uma empresa de Minas Gerais afirma que já entrou com o pedido para obter a licença e que ainda não recebeu resposta.

Na verdade, a Nutrinsecta é especializada na produção de insetos para a alimentação de animais. No entanto, como os animais são tratados em um ambiente limpo e saudável, não há nenhum empecilho para o consumo humano. Isso atrai chefs de cozinha e curiosos, que, esporadicamente, usam esses ingredientes para desenvolver seus pratos.

Com a orientação da FAO, a empresa espera que o mercado cresça e se prepara para atender a uma possível demanda. “Hoje, eu estou muito feliz porque realmente nunca fiz nenhuma gestão para alimentação humana, exatamente pelo preconceito”, afirmou Luiz Otávio Gonçalves, presidente do Grupo Vale Verde, ao qual a Nutrinsecta pertence. “Mas agora eu posso sair do armário”, brincou o empresário.

Os insetos produzidos no local são os tenébrios — um tipo de besouro do qual se consome a larva, nos tipos comum e gigante — grilo preto, barata cinérea, larva de mosca e pupa de mosca.

A criação de insetos nasceu de um hobby de Gonçalves, que mantém um viveiro com aves raras em um parque mantido pela empresa em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ajudando, inclusive, a reproduzir espécies em extinção.

No início, as aves eram alimentadas com sementes, como na natureza. Porém, como gastam menos energia no cativeiro, o excesso de gordura das sementes prejudicava o sistema reprodutivo das aves. O criador pediu ajuda a especialistas e foi instruído a usar insetos como ração. “O nível de reprodução das aves foi de 35% para 70%”, contou.

A partir daí, o grupo começou a criar seus próprios insetos. Hoje, a produção está em uma tonelada por mês, com planos de expansão, mas a ideia principal continua sendo o uso como ração animal.

Grilos produzidos pela Nutrinsecta (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Grilos produzidos pela Nutrinsecta (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Valores nutricionais
A recomendação da FAO pelo consumo de insetos se dá pela grande quantidade de proteínas encontrada nestes animais. Os números variam muito de acordo com o tipo de inseto, mas as espécies já consumidas no Brasil e as produzidas pela Nutrinsecta têm valores bem acima dos alimentos tradicionais, como mostra a tabela.

Alimento Gramas de proteína (em cada 100 gramas do alimento cru)
Barata cinérea 60
Larva de mosca 50
Grilo preto 48
Larva de tenébrio 47
Tanajura 44,6
Larva do coquinho 33
Feijão 21,5
Carne de boi 20,2
Carne de frango 19,7
Carne de porco 18,5
Peixe 16,6
Arroz 7,2
Brócolis 3,3
Couve 1,4

“As proteínas são nutrientes necessários ao organismo para o crescimento, desenvolvimento e reparação dos tecidos corporais. Além de fazerem parte de diversas estruturas do organismo, compõem enzimas, hormônios, fazem transporte de nutrientes e compõem o sistema imunológico”, explicou a nutricionista Lara Natacci, responsável técnica da Dietnet Assessoria Nutricional, de São Paulo.

A orientação dos nutricionistas é que uma pessoa consoma entre 0,8 e 1 grama diária de proteínas para cada quilo de seu peso. Em outras palavras, quem pesa 50 kg deve ingerir entre 40 e 50 gramas de proteínas em um dia.

Embora o relatório tenha sugerido os insetos como uma forma de combate a fome, esse não é o único objetivo da organização. A ideia, em longo prazo, é criar o hábito e incluí-lo no cardápio como um todo. “Inseto não é para gente pobre e desnutrida. Inseto é para ser consumido por todos”, afirmou o especialista Eraldo Costa Neto.

Por serem ricos em proteínas, os insetos conseguiriam suprir a mesma produção de nutrientes do gado gastando menos recursos – água, área e alimentos. Como a tendência é que o preço da carne bovina suba muito ao longo do século, a dieta de insetos tende a ganhar adeptos. “É uma alternativa não só econômica, como também ecológica”, apontou Costa Neto.

Tenébrio (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Tenébrios (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/ Divulgação)

Os insetos também são muito ricos em gordura, mas o tipo de gordura é diferente do encontrado nos bovinos, por exemplo. “Eles têm gorduras poli-insaturadas, que não nos fazem mal, diferentemente da picanha”, indicou o pesquisador. Esse tipo de gordura é semelhante à encontrada em peixes e sementes oleaginosas, comumente indicada por médicos.

Outro ponto a favor dos insetos na tabela nutricional são os minerais – em especial o ferro, essencial para combater a anemia. Em geral, eles têm, no mínimo, a mesma quantidade de ferro presente na carne vermelha – que, por sua vez, já é considerada rica na substância.

Eles têm ainda quantidades significativas de sódio, potássio, zinco, fósforo, manganês, magnésio, cobre e cálcio, e a quantidade varia de espécie para espécie.

Cuidados
Os defensores desse tipo de alimentação não sugerem, no entanto, que insetos encontrados em casa sejam incluídos na dieta da noite para o dia. “Não se devem pegar animais a torto e a direito porque eles podem ter contaminantes”, alertou Costa Neto.

Com isso, o especialista não se refere apenas à sujeira que eles podem trazer, mas também a toxinas naturais que podem existir nesses organismos. Existem milhões de espécies de insetos e muitas delas não são comestíveis em hipótese nenhuma.

“Falta ainda muita pesquisa básica – de biologia – para saber que espécies de insetos estariam aptas para o consumo humano”, disse o especialista.

Outro cuidado necessário para quem tiver curiosidade em consumir os insetos tem que ter é em relação às alergias. Os crustáceos, como o camarão e a lagosta, pertencem ao mesmo filo que os insetos, o dos artrópodes. Assim, quem tiver alergia a um grupo possivelmente também terá reação alérgica ao outro.

Pão de queijo recheado com larvas é uma das receitas modernas com o uso de insetos (Foto: Eraldo Costa Neto/Divulgação)

Pão de queijo recheado com larvas é uma das receitas modernas com o uso de insetos (Foto: Eraldo Costa Neto/Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


14 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Barulho de trânsito faz gafanhotos ‘cantarem’ mais alto, diz estudo

Pesquisa alemã comparou volume de insetos de ambientes diversos.
Ruído exagerado dos humanos pode prejudicar reprodução dos animais.

Conhecidos por seu “canto”, os gafanhotos ajustam o volume da melodia diante do barulho do trânsito, revela um estudo publicado nesta terça-feira (13) pela revista “Functional Ecology”, da Sociedade Britânica de Ecologia.

Estudos anteriores já haviam identificado o impacto de um ambiente ruidoso nos sons emitidos por pássaros, baleias e até rãs, mas esta é a primeira vez que o fenômeno é observado entre insetos, destaca a Sociedade Britânica de Ecologia.

Uma equipe de biólogos da Universidade de Bielefeld (Alemanha), dirigida por Ulrike Lampe, capturou 188 espécimes do machos de gafanhotos Chorthippus biguttulus, que têm um canto metálico característico. Metade foi capturada em locais tranquilos e a outra metade em zonas próximas a estradas de muito movimento.

O “canto” destes gafanhotos, que na realidade produzem o som ao esfregar as patas posteriores nas asas dianteiras, tem a função de atrair as fêmeas.

Os cientistas analisaram em laboratório as diferenças entre os “cantos” dos dois grupos de gafanhotos, incitados pela presença de fêmeas, e concluíram que os insetos capturados próximos as estradas produzem sons diferentes dos demais.

“Constatamos que em ambientes ruidosos os gafanhotos aumentam o volume da parte de baixa frequência de seu canto. Algo lógico, já que o ruído do tráfego pode ocultar sinais nesta parte do espectro” sonoro, explicou Lampe.

Segundo os cientistas, estes resultados são importantes porque evidencia que o ruído do tráfego pode transtornar o sistema de reprodução dos gafanhotos, “impedindo que as fêmeas ouçam corretamente os cantos nupciais dos machos”.

Gafanhotos usados na pesquisa viviam perto de vias barulhentas (Foto: Ulrike Lampe/Universidade de Bielefeld)

Gafanhotos usados na pesquisa viviam perto de vias barulhentas (Foto: Ulrike Lampe/Universidade de Bielefeld)

Fonte: Globo Natureza


14 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisadores brasileiros estudam enzimas de baratas para obter etanol

Substâncias no sistema digestivo dos insetos podem ajudar a criar álcool.
Resultados obtidos são promissores, afirma professor da UFRJ.

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) está estudando como usar baratas – mais precisamente enzimas especializadas no sistema digestivo delas – para ajudar na obtenção do etanol.

A ideia é usar as enzimas para degradar bagaço de cana e com isso obter açúcares, que podem ser usados para produzir etanol, aponta o professor Ednildo de Alcântara Machado, do Instituto de Biofísica da UFRJ. O álcool é obtido pela fermentação destes açúcares, realizada por fungos conhecidos como leveduras.

Dois tipos de baratas estão sendo pesquisados: a Periplaneta americana, espécie comum e encontrada em esgotos e escondidas nas casas; e a Nauphoeta cinerea, um tipo de barata da América Central, mas que hoje é encontrada em vários lugares do globo. Alimentados com bagaço de cana, os insetos se adaptaram e tornaram-se capazes de digeri-lo, produzindo enzimas especializadas para isso, diz o pesquisador.

“Os resultados são bastante promissores. Essa adaptação que o inseto faz ao bagaço tem sinalizado que dele podem vir novas fontes de enzimas”, afirma Machado. As baratas foram capazes de sobreviver por mais de 30 dias somente com o bagaço de cana, ressalta o cientista.

Ele afirma que a pesquisa, por enquanto, encontra-se nas etapas de condicionar as baratas para consumir o bagaço e de identificação das enzimas especializadas. O etanol ainda não foi obtido. “Não é uma coisa distante [a produção do etanol]“, diz Machado, “mas as etapas têm que ser trabalhadas em conjunto. Não sei dizer quando [vai ser produzido]“.

Fáceis de criar
O grupo de pesquisadores também estuda a degradação da biomassa usando cupins, o que ocorre com relativo sucesso, segundo Machado. “Mas as baratas são mais fáceis de criar em laboratório. Elas se adaptam com facilidade”, afirma. Ele ressalta que os dois insetos têm fisiologia parecida.

A ideia para o futuro é isolar as enzimas produzidas pelas baratas e tentar criar um “kit enzimático” que permita retirar o açúcar do bagaço da cana em laboratório, diz Machado. “Um dos desafios é o custo, a produção destas enzimas em escala industrial ainda é muito cara. O nosso modelo tem apelo porque é uma fonte nova de enzimas, pode ajudar a ter enzimas mais eficientes”, diz ele.

A barata 'Nauphoeta cinerea', nativa da América Central segundo o pesquisador da UFRJ (Foto: Divulgação/Universidade de Queensland)

A barata 'Nauphoeta cinerea', uma das espécies estudadas (Foto: Divulgação/Universidade de Queensland)

a barata comum, da espécie 'Periplaneta americana', é estudada por pesquisadores da UFRJ (Foto: Divulgação/Palomar Community College)

Barata 'Periplaneta americana', uma das estudadas na UFRJ (Foto: Divulgação/Palomar Community College)

Novas etapas
Pesquisar as enzimas é uma etapa importante para produzir o etanol, mas não é a única, diz o pesquisador. Outros pontos importantes são o tratamento do bagaço da cana, para que ele seja facilmente degradado, e a fermentação. O próximo desafio do grupo, de acordo com Machado, é aumentar a escala de produção das enzimas. “Se elas continuarem com a eficiência [encontrada], acredito que podem ajudar.”

As baratas “moldam” sua digestão a outras fontes de biomassa, como restos de papel, diz o cientista. “O que parece ser interessante é que quando você muda a biomassa usada como comida, ela se adapta. Em dez dias, em média, ela começa a produzir uma série de enzimas especializadas para quebrar o alimento”, afirma.

Diante da mudança de fonte de comida, a barata adapta também a sua microbiota, a “fauna” de micróbios que vivem em seu sistema digestivo, relata Machado. “São microorganismos de alto interesse tecnológico, eles produzem uma série de enzimas.”

Manipulação genética
Algumas enzimas do sistema digestivo da barata já foram identificadas, segundo o pesquisador. Um dos próximos passos é estudar como retirar partes do DNA dos insetos que definem a produção destas substâncias, para inseri-los em bactérias por manipulação genética.

Os micróbios “transgênicos” poderiam então produzir as enzimas e degradar a biomassa em escala industrial.

O pesquisador aponta um ganho ambiental com a produção do etanol desta maneira: a diminuição da necessidade de se plantar cana-de-açúcar. “Em vez de plantar mais cana, você aproveitaria o corpo das células da planta. Você aumentaria a produção do álcool sem plantar mais”, diz Machado.

 

Fonte: Globo Natureza


26 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Fotógrafo captura gotas de orvalho cobrindo mosca

Nicolas Reusens fez imagens impressionantes com lente macro no jardim de casa.

O fotógrafo amador Nicolas Reusens conseguiu capturar o momento em que uma mosca fica totalmente coberta por gotículas de orvalho.

Reusens fez a imagem no jardim de sua casa, em Madri, na Espanha. O fotógrafo de 36 anos usou lentes macro para capturar imagens ampliadas do inseto.

‘Precisei de cerca de oito minutos para conseguir esta foto, as condições estavam perfeitas e eu tinha que capturar (a imagem) bem ali e naquele momento’, afirmou o fotógrafo.

Reusens conta que a mosca parecia quase congelada sob o orvalho, ‘mas, depois que o orvalho evaporou, ela parecia bem e saiu zunindo sem problemas’.

O fotógrafo também captura outros insetos com a ajuda de suas lentes macro. As imagens mostram formigas e outros insetos em detalhe e cores vivas.

Em alguns casos é quase possível ver reflexos nos olhos dos insetos.

Reusens fez centenas de imagens de criaturas minúsculas, algumas do tamanho de uma unha, até conseguir as melhores.

O fotógrafo amador conta que ‘adoraria me transformar em um fotógrafo de vida selvagem em tempo integral e não me importaria (em fazer fotos) além do meu jardim’.

Fotógrafo captura gotas de orvalho cobrindo mosca (Foto: Nicolas Reusens/Caters )

Fotógrafo captura gotas de orvalho cobrindo mosca (Foto: Nicolas Reusens/Caters )

Fonte: Globo Natureza


20 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Estudo revela como insetos minúsculos sobrevivem à chuva

O corpo minúsculo e extremamente leve do mosquito cumpre papel chave para a sobrevivência do inseto quando voa na chuva, segundo cientistas americanos.

A equipe, do Georgia Institute of Technology, na Georgia, Estados Unidos, filmou colisões entre insetos e gotas de chuva.

O filme mostrou que seus corpos oferecem tão pouca resistência que, em vez de a gota de água parar repentinamente, o mosquito simplesmente ‘pega carona’ na gota e os dois continuam a cair juntos.

Os pesquisadores descrevem sua investigação na revista científica “Proceedings of the National Academy of Science”.

Além de ajudar a explicar como insetos sobrevivem em ambientes molhados, o estudo pode, no futuro, ajudar pesquisadores a projetar minúsculos robôs voadores que são tão impermeáveis aos elementos quanto os insetos.

“Espero que isso faça as pessoas pensarem sobre a chuva de forma um pouco diferente”, disse o líder da equipe, David Hu.

“Se você é pequeno, ela pode ser muito perigosa. Mas parece que esses mosquitos são tão pequenos que estão seguros”.

TAI CHI

Hu quer entender todos os “truques” que insetos minúsculos usam para sobreviver.

Após várias tentativas do que ele descreve como o jogo de dardos mais difícil da história, ele e seus colegas conseguiram atingir mosquitos voadores com gotas de água e filmar o resultado.

Cada gota tinha entre duas e 50 vezes o peso de um mosquito, então o que os cientistas viram os deixou surpresos.

Descrevendo os resultados, Hu citou a arte marcial chinesa Tai Chi.

“Existe a filosofia de que se você não resiste à força do seu oponente, você não vai senti-la”, ele explicou.

“É por isso que eles não sentem a força, simplesmente se unem à gota, (os dois) tornam-se um e viajam juntos”.

Quando um objeto em movimento se choca contra outro, a interrupção repentina do movimento produz a força destruidora. Por exemplo, quando um carro viajando a 50 km por hora atinge uma parede, a parede e o carro têm de absorver toda a energia carregada pelo carro em movimento, provocando estragos.

O truque, para um mosquito, é que ele provoca pouquíssima ou praticamente nenhuma diminuição na velocidade da gota e absorve quase nada de sua energia.

Para o pequenino mosquito, no entanto, o drama não termina quando ele sobrevive à colisão com a gota.

Ele ainda tem de escapar do casulo de água antes dele se arrebente contra o chão, a mais de 32 km por hora.

Nesse ponto, entra em ação uma outra técnica de sobrevivência do inseto: os pelos que cobrem seu corpo são impermeáveis à água.

Todos os mosquitos estudados pela equipe americana conseguiram se separar da gota de água antes de ela atingir o solo.

Pequenos insetos são capazes de sobreviver ao impacto com gotas de chuva, segundo experimento

Pequenos insetos são capazes de sobreviver ao impacto com gotas de chuva, segundo experimento. Foto:Georgia Tech /BBC

Fonte: Folha.com


13 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Borboletas preferem machos com asas mais vistosas

Pesquisadores de Yale estudaram o processo de evolução das asas da espécie ‘Bicyclus anynana’

Uma pergunta sempre intrigou os biólogos que estudam a seleção sexual (quando se trata não da disputa pela sobrevivência e sim pela chance de se reproduzir): se as borboletas fêmeas identificam os machos de sua espécie pelo padrão das manchas em suas asas, como novos padrões de asas se desenvolvem nos machos?

Para buscar a resposta, pesquisadores da Universidade de Yale fizeram um estudo com borboletas da espécie Bicyclus anynana e concluíram que as fêmeas são predispostas a gostar de um modelo específico, mas que ao longo da vida elas podem adquirir novas preferências, geralmente por machos com cores mais vistosas. O trabalho foi publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

As borboletas Bicyclus anynananaturalmente têm duas manchas em suas asas. Para descobrir como as fêmeas podem gostar de outros padrões de cores, os pesquisadores colocaram um grupo de fêmeas em contato com borboletas com quatro manchas. A partir de então, essas não deram mais preferência aos machos com duas manchas.

Em contrapartida, as fêmeas inicialmente expostas a machos com uma ou nenhuma mancha, com tons de cinza e marrom, não mudaram suas preferências originais.

“O que nos surpreendeu foi que as fêmeas adquiriam essa preferência depois de pouco tempo em contato com machos”, disse Erica L. Westerman, do Departamento de Biologia e Ecologia Evolucionista de Yale e principal autora do estudo.

“Existe um modelo de aprendizado, e elas aprenderam que ornamentação extra é melhor”, disse a escocesa Antónia Monteiro, pesquisadora de Yale e uma das autoras do estudo.

As descobertas de que o ambiente social pode mudar a preferência de borboletas fêmeas ajuda a explicar como novos modelos de asas evoluem, dizem os pesquisadores. Agora Westerman e sua equipe querem agora descobrir como as fêmeas aprendem a fazer as suas escolhas.

“Nós estamos agora investigando o que impede as fêmeas de se acasalarem com machos de outras espécies durante o período de aprendizagem,” diz Westerman.

borboleta

As borboletas Bicyclus anynana usam padrão de asa para identificar machos da mesma espécie (Cortesia - Universidade de Yale)

Fonte: Veja Ciência


17 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Genoma da borboleta determina suas cores e camuflagem, diz estudo

Espécie amazônica imita outras por ter mesmo padrão genético.
Sequência de DNA determina cores que afasta predadores.

Ao tentarem sequenciar o genoma de uma borboleta típica da América do Sul, cientistas descobriram que a habilidade incomum da espécie em imitar outras borboletas acontece por semelhanças no DNA. O estudo foi publicado nesta quinta-feira (17) na revista científica “Nature”.

Um consórcio internacional de 80 pesquisadores sequenciou o genoma da borboleta da espécie Heliconius melpomene, típica da Amazônia peruana.

Usando os dados de seu genoma como guia, eles também examinaram a composição genética de outras duas espécies relacionadas com a borboleta citada: a Heliconius timareta eHeliconius elevatus. Essas espécies foram selecionadas porque compartilham padrões de cores semelhantes em suas asas para afastar predadores.

Segundo o estudo, as várias espécies parecem iguais porque possuem as mesmas partes de seu DNA que lidam com padrões de cores.

“Descobrimos que as espécies compartilham as partes do genoma que codificam as cores padrão, com um impacto importante na sobrevivência destas borboletas na natureza”, explica o estudo.

Segundo os pesquisadores, essa partilha genética é o resultado do cruzamento entre espécies diferentes de borboletas.

Fonte: Globo Natureza


11 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Estudo mostra relação entre pesticida e desaparecimento de abelhas

A causa do sumiço drástico dos insetos intriga pesquisadores e criadores

Experimentos realizados por pesquisadores da Escola de Saúde Pública de Harvard encontraram relação entre o uso de inseticidas comuns e o Colapso das Colmeias (termo conhecido em inglês como Colony Colapse Disorder ou CCD), fenômeno onde abelhas abandonam suas colmeias. A pesquisa será publicada na edição de junho da revista Bulletin of Insectology.

Partindo da hipótese de que o inseticida imidacloprid é responsável por aumentar o desaparecimento de abelhas, cientistas estudaram o comportamento desses insetos quando expostos ou não à substância. O experimento foi realizado em Worcester County, no estado americano de Massachusetts.

Como o imidacloprid é bastante utilizado em plantações de milho dos EUA, as abelhas poderiam entrar em contato com essa substância através do néctar das plantas ou do xarope de milho, utilizado por apicultores para alimentá-las.

Em um período de 23 semanas, os pesquisadores monitoraram abelhas um total de 20 colmeias espalhadas em quatro campos distintos. A distância entre os campos era de 12 quilômetros e foram colocadas cinco colmeias em cada um. Quatro receberam diferentes níveis do inseticida e uma não teve contato com a substância. Até 12 semanas de dosagem de imidacloprid, não houve alteração nas colmeias. Passadas as 23 semanas, 15 das 16 colméias tratadas com o pesticida foram extintas enquanto as outras quatro, que não receberam doses da substância química, continuaram vivas. As primeiras a serem exterminadas foram aquelas expostas ao mais alto nível da substância química.

De acordo com o pesquisador, as características da morte das colmeias é condizente com o CCD. Após o desaparecimento das abelhas, foram encontrados apenas armazenamento de comida, pólen e jovens abelhas próximas de um pequeno grupo de abelhas mortas, caracterizando uma situação de abandono. Quando são outras as causas responsáveis pelo colapso de colmeias, como doença ou peste, é comum encontrar um grande número de abelhas mortas dentro e fora das colmeias afetadas. O experimento permitiu ao professor concluir que não é necessária uma grande quantidade do inseticida para afetar as abelhas “Nosso experimento usou quantidades de pesticida abaixo das normalmente encontradas no ambiente”, justifica.

Para Lu, o sumiço das abelhas não prejudica apenas os apicultores. Ele defende que descobrir a fundo os causadores do CCD é essencial já que, além de produzirem mel, as abelhas são as principais polinizadoras de aproximadamente um terço da safra dos Estados Unidos, incluindo plantações de frutas, vegetais, castanhas e de matérias-primas para produção de ração, como alfafa e trevo. O pesquisador prevê que o desaparecimento desses insetos poderia resultar na perda de bilhões de dólares para a agricultura.

Estudos semelhantes — Um grupo de pesquisadores franceses realizou recentemente outra pesquisa para relacionar o uso de inseticidas com o CCD. Os cientistas fizeram uma comparação entre dois grupos de abelhas, um sem contato com pesticida e um segundo que recebeu doses de thiamtethoxam (substância pertencente à mesma classe de inseticidas doimidacloprid, os neonicotinoides). Os dois grupos de abelhas foram afastados de suas colmeias e as que receberam doses de inseticida tiveram mais dificuldade para voltar para casa. O estudo é intitulado A commom pesticide decreases foragind success and survival in honey beese foi publicado na revista Science em março deste ano.

Glossário

COLAPSO DAS COLMEIAS
Chamado de Colony Colapse Disorder (CCD) em inglês, trata-se de um fenômeno onde abelhas abandonam suas colmeias deixando para trás suas crias e comida. O CCD atinge principalmente os Estados Unidos e começou a ser notado no final de 2006. Não se sabe ao certo porque acontece esse esvaziamento das colmeias, já que normalmente elas são encontradas vazias, com pouca ou nenhuma abelha morta.

abelhas

Desaparecimento drástico de abelhas, além de prejudicar a produção de mel, traz danos para agricultura (Frank Rumpenhorst/AFP)

Fonte: Veja Ciência


11 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Borrachudos podem ajudar no tratamento de inflamações

Cientistas descobrem uma proteína presente na saliva do inseto que, além de anticoagulante, ajuda a regular o processo de inflamação no organismo

Cientistas da Universidade da Georgia, nos Estados Unidos, encontraram uma utilidade para os borrachudos, conhecidos pela picada dolorida. Os pesquisadores descobriram que os insetos podem ajudar no combate ao processo de inflamação. O trabalho foi publicado no periódico PLoS One.

Para que os insetos se alimentem do sangue humano, eles precisam superar uma série de mecanismos de defesa do organismo presentes no sangue. Por exemplo, a saliva desses insetos possui anticoagulantes para aumentar a velocidade do fluxo de sangue no local da picada.

A equipe do entomologista Don Champagne descobriu que uma proteína presente na saliva do inseto e que inibe a formação de coágulo no sangue também controla o processo de inflamação por meio de duas enzimas, a elastase e a catepsina G.

Os cientistas acreditam que a descoberta pode abrir caminho para a criação de medicamentos para tratar, por exemplo, pacientes que se recuperam de doenças do coração. “A inflamação é uma das principais causas de lesão nos tecidos em doenças vasculares”, disse Champagne. “A ideia de um único fator capaz de inibir o coágulo e a inflamação ao mesmo tempo é muito interessante e inovadora.”

Saiba mais

BORRACHUDOS
Os borrachudos são pequenos insetos voadores da família Simuliidae. Gostam de locais úmidos, de preferência próximos a riachos e cachoeiras. Impressionam pela quantidade e pela picada, que pode causar alergia. O borrachudo transmite a oncocercose, uma doença parasitária que causa lesões na pele e secreção nos olhos.

ELASTASE
A elastase é uma enzima responsável pela degradação das fibras elásticas. Ela ajuda a determinar as propriedades do tecido conjuntivo, que dá sustentação e preenchimento ao corpo humano.

CATEPSINA
As catepsinas são proteínas que quebram outras proteínas e são encontradas em todos os animais.

O borrachudo é o nome popular de um pequeno mosquito que vive em regiões úmidas. No Brasil, são 50 espécies

O borrachudo é o nome popular de um pequeno mosquito que vive em regiões úmidas. No Brasil, são 50 espécies (Thinkstock)

Fonte: Veja Ciência


26 de março de 2012 | nenhum comentário »

Vespa gigante encontrada há 82 anos na Indonésia pertence a uma nova espécie

Machos da ‘Megalara garuda’ tem 6 centímetros de comprimento

Detalhe das garras em formato de foice, encontradas nos machos

Detalhe das garras em formato de foice, encontradas nos machos

Cientistas identificaram uma nova espécie de vespa que, com características bastante incomuns, já está sendo chamada de “rainha das vespas”. O animal — que fazia parte da coleção do Museu de História Natural de Berlim, na Alemanha — foi coletado em 1930 na ilha Sulawesi, na Indonésia, mas só agora foi estudado. Os resultados foram descritos no periódicoZooKeys.

A espécie possui um corpo preto enorme, de 6 centímetros de comprimento, e seus machos apresentam longas garras com formato de foice saindo da boca. Ela pertence à mesma família das vespas-cavadoras, a Sphecidae. As fêmeas desta família costumam picar e paralisar suas presas – outras espécies de insetos – para alimentar seus filhotes. A  “rainha das vespas” provavelmente age da mesma forma, mas ainda não se sabe de quais espécies ela se alimenta.

Como a vespa gigante nunca foi observada viva, pouco se sabe sobre sua biologia ou comportamento. É possível dizer que os machos são claramente maiores que as fêmeas. Como se pode deduzir de outros insetos com grandes garras, é provável que os machos as usem para se defender e para segurar suas fêmeas durante o acasalamento.

Devido à diferença no tamanho dos corpos e às garras dos machos, a grande vespa foi incluída em um gênero também inédito, chamado Megalara, que por enquanto compreende apenas esta espécie. O nome é uma combinação do termo grego ‘mega’, que significa grande, com ‘Dalara’, outro gênero de vespas semelhante à nova espécie.

Pesquisadores do museu alemão e da Universidade da Califórnia em Davis, nos Estados Unidos, que trabalharam juntos na identificação da vespa gigante, nomearam-na de Megalara garuda. A terminação é uma homenagem a uma figura mitológica hindu chamada Garuda, símbolo nacional da Indonésia, onde a espécie foi encontrada.

Devido ao tamanho, o animal está sendo chamado de "rei das vespas" pelos cientistas

Devido ao tamanho, o animal está sendo chamado de "rei das vespas" pelos cientistas (Dr. Lynn Kimsey / Dr. Michael Ohl)

Fonte: Veja Ciência


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20 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Recomendado pela ONU, consumo de insetos na dieta já ocorre no Brasil

Tanajura é forma mais tradicional; prática não é oficialmente regulamentada.
Criação em MG serve para experiências de chefs e curiosos

O consumo de insetos na alimentação humana, recomendado em um relatório publicado nesta semana pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), já existe em algumas espécies que são consumidas no Brasil.

A mais comum é a formiga tanajura, que é um alimento relativamente tradicional em áreas do interior de Minas Gerais e do Nordeste, em forma de farofa. Outro inseto conhecido é a larva do besouro Pachymerus nucleorum, que se instala dentro de frutos, e que por isso também é conhecida como “larva do coquinho”. Seu consumo faz parte de brincadeiras na zona rural e de treinamentos de sobrevivência na selva.

Os órgãos oficiais ainda não dão muita importância ao assunto, apesar da recente recomendação do órgão da ONU. No Guia Alimentar para a População Brasileira, o Ministério da Saúde não faz nenhuma menção ao consumo de insetos. Já a Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan) do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) entende que esse hábito alimentar não faz parte da cultura brasileira e não tem estudos neste sentido. O Ministério da Agricultura, por sua vez, afirma que não há registro oficial de estabelecimentos que produzam insetos para o consumo humano.

“Eu espero fortemente que o governo brasileiro reconheça os insetos como fonte de alimentos dos brasileiros”, afirmou Eraldo Costa Neto, professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (BA) que pesquisa as relações entre humanos e insetos. “Infelizmente, o governo brasileiro ainda vê insetos como pragas”, completou o especialista, que foi o único brasileiro a participar da convenção da FAO que deu origem ao relatório publicado na segunda(13/05).

Torta feita com larvas (Foto: Liza Flores/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Torta feita com larvas (Foto: Liza Flores/Grupo Vale Verde/Divulgação)

À espera de reconhecimento
Apesar de o Ministério da Agricultura dizer que nunca registrou nenhum produtor de insetos para consumo humano, uma empresa de Minas Gerais afirma que já entrou com o pedido para obter a licença e que ainda não recebeu resposta.

Na verdade, a Nutrinsecta é especializada na produção de insetos para a alimentação de animais. No entanto, como os animais são tratados em um ambiente limpo e saudável, não há nenhum empecilho para o consumo humano. Isso atrai chefs de cozinha e curiosos, que, esporadicamente, usam esses ingredientes para desenvolver seus pratos.

Com a orientação da FAO, a empresa espera que o mercado cresça e se prepara para atender a uma possível demanda. “Hoje, eu estou muito feliz porque realmente nunca fiz nenhuma gestão para alimentação humana, exatamente pelo preconceito”, afirmou Luiz Otávio Gonçalves, presidente do Grupo Vale Verde, ao qual a Nutrinsecta pertence. “Mas agora eu posso sair do armário”, brincou o empresário.

Os insetos produzidos no local são os tenébrios — um tipo de besouro do qual se consome a larva, nos tipos comum e gigante — grilo preto, barata cinérea, larva de mosca e pupa de mosca.

A criação de insetos nasceu de um hobby de Gonçalves, que mantém um viveiro com aves raras em um parque mantido pela empresa em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ajudando, inclusive, a reproduzir espécies em extinção.

No início, as aves eram alimentadas com sementes, como na natureza. Porém, como gastam menos energia no cativeiro, o excesso de gordura das sementes prejudicava o sistema reprodutivo das aves. O criador pediu ajuda a especialistas e foi instruído a usar insetos como ração. “O nível de reprodução das aves foi de 35% para 70%”, contou.

A partir daí, o grupo começou a criar seus próprios insetos. Hoje, a produção está em uma tonelada por mês, com planos de expansão, mas a ideia principal continua sendo o uso como ração animal.

Grilos produzidos pela Nutrinsecta (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Grilos produzidos pela Nutrinsecta (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Valores nutricionais
A recomendação da FAO pelo consumo de insetos se dá pela grande quantidade de proteínas encontrada nestes animais. Os números variam muito de acordo com o tipo de inseto, mas as espécies já consumidas no Brasil e as produzidas pela Nutrinsecta têm valores bem acima dos alimentos tradicionais, como mostra a tabela.

Alimento Gramas de proteína (em cada 100 gramas do alimento cru)
Barata cinérea 60
Larva de mosca 50
Grilo preto 48
Larva de tenébrio 47
Tanajura 44,6
Larva do coquinho 33
Feijão 21,5
Carne de boi 20,2
Carne de frango 19,7
Carne de porco 18,5
Peixe 16,6
Arroz 7,2
Brócolis 3,3
Couve 1,4

“As proteínas são nutrientes necessários ao organismo para o crescimento, desenvolvimento e reparação dos tecidos corporais. Além de fazerem parte de diversas estruturas do organismo, compõem enzimas, hormônios, fazem transporte de nutrientes e compõem o sistema imunológico”, explicou a nutricionista Lara Natacci, responsável técnica da Dietnet Assessoria Nutricional, de São Paulo.

A orientação dos nutricionistas é que uma pessoa consoma entre 0,8 e 1 grama diária de proteínas para cada quilo de seu peso. Em outras palavras, quem pesa 50 kg deve ingerir entre 40 e 50 gramas de proteínas em um dia.

Embora o relatório tenha sugerido os insetos como uma forma de combate a fome, esse não é o único objetivo da organização. A ideia, em longo prazo, é criar o hábito e incluí-lo no cardápio como um todo. “Inseto não é para gente pobre e desnutrida. Inseto é para ser consumido por todos”, afirmou o especialista Eraldo Costa Neto.

Por serem ricos em proteínas, os insetos conseguiriam suprir a mesma produção de nutrientes do gado gastando menos recursos – água, área e alimentos. Como a tendência é que o preço da carne bovina suba muito ao longo do século, a dieta de insetos tende a ganhar adeptos. “É uma alternativa não só econômica, como também ecológica”, apontou Costa Neto.

Tenébrio (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Tenébrios (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/ Divulgação)

Os insetos também são muito ricos em gordura, mas o tipo de gordura é diferente do encontrado nos bovinos, por exemplo. “Eles têm gorduras poli-insaturadas, que não nos fazem mal, diferentemente da picanha”, indicou o pesquisador. Esse tipo de gordura é semelhante à encontrada em peixes e sementes oleaginosas, comumente indicada por médicos.

Outro ponto a favor dos insetos na tabela nutricional são os minerais – em especial o ferro, essencial para combater a anemia. Em geral, eles têm, no mínimo, a mesma quantidade de ferro presente na carne vermelha – que, por sua vez, já é considerada rica na substância.

Eles têm ainda quantidades significativas de sódio, potássio, zinco, fósforo, manganês, magnésio, cobre e cálcio, e a quantidade varia de espécie para espécie.

Cuidados
Os defensores desse tipo de alimentação não sugerem, no entanto, que insetos encontrados em casa sejam incluídos na dieta da noite para o dia. “Não se devem pegar animais a torto e a direito porque eles podem ter contaminantes”, alertou Costa Neto.

Com isso, o especialista não se refere apenas à sujeira que eles podem trazer, mas também a toxinas naturais que podem existir nesses organismos. Existem milhões de espécies de insetos e muitas delas não são comestíveis em hipótese nenhuma.

“Falta ainda muita pesquisa básica – de biologia – para saber que espécies de insetos estariam aptas para o consumo humano”, disse o especialista.

Outro cuidado necessário para quem tiver curiosidade em consumir os insetos tem que ter é em relação às alergias. Os crustáceos, como o camarão e a lagosta, pertencem ao mesmo filo que os insetos, o dos artrópodes. Assim, quem tiver alergia a um grupo possivelmente também terá reação alérgica ao outro.

Pão de queijo recheado com larvas é uma das receitas modernas com o uso de insetos (Foto: Eraldo Costa Neto/Divulgação)

Pão de queijo recheado com larvas é uma das receitas modernas com o uso de insetos (Foto: Eraldo Costa Neto/Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


14 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Barulho de trânsito faz gafanhotos ‘cantarem’ mais alto, diz estudo

Pesquisa alemã comparou volume de insetos de ambientes diversos.
Ruído exagerado dos humanos pode prejudicar reprodução dos animais.

Conhecidos por seu “canto”, os gafanhotos ajustam o volume da melodia diante do barulho do trânsito, revela um estudo publicado nesta terça-feira (13) pela revista “Functional Ecology”, da Sociedade Britânica de Ecologia.

Estudos anteriores já haviam identificado o impacto de um ambiente ruidoso nos sons emitidos por pássaros, baleias e até rãs, mas esta é a primeira vez que o fenômeno é observado entre insetos, destaca a Sociedade Britânica de Ecologia.

Uma equipe de biólogos da Universidade de Bielefeld (Alemanha), dirigida por Ulrike Lampe, capturou 188 espécimes do machos de gafanhotos Chorthippus biguttulus, que têm um canto metálico característico. Metade foi capturada em locais tranquilos e a outra metade em zonas próximas a estradas de muito movimento.

O “canto” destes gafanhotos, que na realidade produzem o som ao esfregar as patas posteriores nas asas dianteiras, tem a função de atrair as fêmeas.

Os cientistas analisaram em laboratório as diferenças entre os “cantos” dos dois grupos de gafanhotos, incitados pela presença de fêmeas, e concluíram que os insetos capturados próximos as estradas produzem sons diferentes dos demais.

“Constatamos que em ambientes ruidosos os gafanhotos aumentam o volume da parte de baixa frequência de seu canto. Algo lógico, já que o ruído do tráfego pode ocultar sinais nesta parte do espectro” sonoro, explicou Lampe.

Segundo os cientistas, estes resultados são importantes porque evidencia que o ruído do tráfego pode transtornar o sistema de reprodução dos gafanhotos, “impedindo que as fêmeas ouçam corretamente os cantos nupciais dos machos”.

Gafanhotos usados na pesquisa viviam perto de vias barulhentas (Foto: Ulrike Lampe/Universidade de Bielefeld)

Gafanhotos usados na pesquisa viviam perto de vias barulhentas (Foto: Ulrike Lampe/Universidade de Bielefeld)

Fonte: Globo Natureza


14 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisadores brasileiros estudam enzimas de baratas para obter etanol

Substâncias no sistema digestivo dos insetos podem ajudar a criar álcool.
Resultados obtidos são promissores, afirma professor da UFRJ.

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) está estudando como usar baratas – mais precisamente enzimas especializadas no sistema digestivo delas – para ajudar na obtenção do etanol.

A ideia é usar as enzimas para degradar bagaço de cana e com isso obter açúcares, que podem ser usados para produzir etanol, aponta o professor Ednildo de Alcântara Machado, do Instituto de Biofísica da UFRJ. O álcool é obtido pela fermentação destes açúcares, realizada por fungos conhecidos como leveduras.

Dois tipos de baratas estão sendo pesquisados: a Periplaneta americana, espécie comum e encontrada em esgotos e escondidas nas casas; e a Nauphoeta cinerea, um tipo de barata da América Central, mas que hoje é encontrada em vários lugares do globo. Alimentados com bagaço de cana, os insetos se adaptaram e tornaram-se capazes de digeri-lo, produzindo enzimas especializadas para isso, diz o pesquisador.

“Os resultados são bastante promissores. Essa adaptação que o inseto faz ao bagaço tem sinalizado que dele podem vir novas fontes de enzimas”, afirma Machado. As baratas foram capazes de sobreviver por mais de 30 dias somente com o bagaço de cana, ressalta o cientista.

Ele afirma que a pesquisa, por enquanto, encontra-se nas etapas de condicionar as baratas para consumir o bagaço e de identificação das enzimas especializadas. O etanol ainda não foi obtido. “Não é uma coisa distante [a produção do etanol]“, diz Machado, “mas as etapas têm que ser trabalhadas em conjunto. Não sei dizer quando [vai ser produzido]“.

Fáceis de criar
O grupo de pesquisadores também estuda a degradação da biomassa usando cupins, o que ocorre com relativo sucesso, segundo Machado. “Mas as baratas são mais fáceis de criar em laboratório. Elas se adaptam com facilidade”, afirma. Ele ressalta que os dois insetos têm fisiologia parecida.

A ideia para o futuro é isolar as enzimas produzidas pelas baratas e tentar criar um “kit enzimático” que permita retirar o açúcar do bagaço da cana em laboratório, diz Machado. “Um dos desafios é o custo, a produção destas enzimas em escala industrial ainda é muito cara. O nosso modelo tem apelo porque é uma fonte nova de enzimas, pode ajudar a ter enzimas mais eficientes”, diz ele.

A barata 'Nauphoeta cinerea', nativa da América Central segundo o pesquisador da UFRJ (Foto: Divulgação/Universidade de Queensland)

A barata 'Nauphoeta cinerea', uma das espécies estudadas (Foto: Divulgação/Universidade de Queensland)

a barata comum, da espécie 'Periplaneta americana', é estudada por pesquisadores da UFRJ (Foto: Divulgação/Palomar Community College)

Barata 'Periplaneta americana', uma das estudadas na UFRJ (Foto: Divulgação/Palomar Community College)

Novas etapas
Pesquisar as enzimas é uma etapa importante para produzir o etanol, mas não é a única, diz o pesquisador. Outros pontos importantes são o tratamento do bagaço da cana, para que ele seja facilmente degradado, e a fermentação. O próximo desafio do grupo, de acordo com Machado, é aumentar a escala de produção das enzimas. “Se elas continuarem com a eficiência [encontrada], acredito que podem ajudar.”

As baratas “moldam” sua digestão a outras fontes de biomassa, como restos de papel, diz o cientista. “O que parece ser interessante é que quando você muda a biomassa usada como comida, ela se adapta. Em dez dias, em média, ela começa a produzir uma série de enzimas especializadas para quebrar o alimento”, afirma.

Diante da mudança de fonte de comida, a barata adapta também a sua microbiota, a “fauna” de micróbios que vivem em seu sistema digestivo, relata Machado. “São microorganismos de alto interesse tecnológico, eles produzem uma série de enzimas.”

Manipulação genética
Algumas enzimas do sistema digestivo da barata já foram identificadas, segundo o pesquisador. Um dos próximos passos é estudar como retirar partes do DNA dos insetos que definem a produção destas substâncias, para inseri-los em bactérias por manipulação genética.

Os micróbios “transgênicos” poderiam então produzir as enzimas e degradar a biomassa em escala industrial.

O pesquisador aponta um ganho ambiental com a produção do etanol desta maneira: a diminuição da necessidade de se plantar cana-de-açúcar. “Em vez de plantar mais cana, você aproveitaria o corpo das células da planta. Você aumentaria a produção do álcool sem plantar mais”, diz Machado.

 

Fonte: Globo Natureza


26 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Fotógrafo captura gotas de orvalho cobrindo mosca

Nicolas Reusens fez imagens impressionantes com lente macro no jardim de casa.

O fotógrafo amador Nicolas Reusens conseguiu capturar o momento em que uma mosca fica totalmente coberta por gotículas de orvalho.

Reusens fez a imagem no jardim de sua casa, em Madri, na Espanha. O fotógrafo de 36 anos usou lentes macro para capturar imagens ampliadas do inseto.

‘Precisei de cerca de oito minutos para conseguir esta foto, as condições estavam perfeitas e eu tinha que capturar (a imagem) bem ali e naquele momento’, afirmou o fotógrafo.

Reusens conta que a mosca parecia quase congelada sob o orvalho, ‘mas, depois que o orvalho evaporou, ela parecia bem e saiu zunindo sem problemas’.

O fotógrafo também captura outros insetos com a ajuda de suas lentes macro. As imagens mostram formigas e outros insetos em detalhe e cores vivas.

Em alguns casos é quase possível ver reflexos nos olhos dos insetos.

Reusens fez centenas de imagens de criaturas minúsculas, algumas do tamanho de uma unha, até conseguir as melhores.

O fotógrafo amador conta que ‘adoraria me transformar em um fotógrafo de vida selvagem em tempo integral e não me importaria (em fazer fotos) além do meu jardim’.

Fotógrafo captura gotas de orvalho cobrindo mosca (Foto: Nicolas Reusens/Caters )

Fotógrafo captura gotas de orvalho cobrindo mosca (Foto: Nicolas Reusens/Caters )

Fonte: Globo Natureza


20 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Estudo revela como insetos minúsculos sobrevivem à chuva

O corpo minúsculo e extremamente leve do mosquito cumpre papel chave para a sobrevivência do inseto quando voa na chuva, segundo cientistas americanos.

A equipe, do Georgia Institute of Technology, na Georgia, Estados Unidos, filmou colisões entre insetos e gotas de chuva.

O filme mostrou que seus corpos oferecem tão pouca resistência que, em vez de a gota de água parar repentinamente, o mosquito simplesmente ‘pega carona’ na gota e os dois continuam a cair juntos.

Os pesquisadores descrevem sua investigação na revista científica “Proceedings of the National Academy of Science”.

Além de ajudar a explicar como insetos sobrevivem em ambientes molhados, o estudo pode, no futuro, ajudar pesquisadores a projetar minúsculos robôs voadores que são tão impermeáveis aos elementos quanto os insetos.

“Espero que isso faça as pessoas pensarem sobre a chuva de forma um pouco diferente”, disse o líder da equipe, David Hu.

“Se você é pequeno, ela pode ser muito perigosa. Mas parece que esses mosquitos são tão pequenos que estão seguros”.

TAI CHI

Hu quer entender todos os “truques” que insetos minúsculos usam para sobreviver.

Após várias tentativas do que ele descreve como o jogo de dardos mais difícil da história, ele e seus colegas conseguiram atingir mosquitos voadores com gotas de água e filmar o resultado.

Cada gota tinha entre duas e 50 vezes o peso de um mosquito, então o que os cientistas viram os deixou surpresos.

Descrevendo os resultados, Hu citou a arte marcial chinesa Tai Chi.

“Existe a filosofia de que se você não resiste à força do seu oponente, você não vai senti-la”, ele explicou.

“É por isso que eles não sentem a força, simplesmente se unem à gota, (os dois) tornam-se um e viajam juntos”.

Quando um objeto em movimento se choca contra outro, a interrupção repentina do movimento produz a força destruidora. Por exemplo, quando um carro viajando a 50 km por hora atinge uma parede, a parede e o carro têm de absorver toda a energia carregada pelo carro em movimento, provocando estragos.

O truque, para um mosquito, é que ele provoca pouquíssima ou praticamente nenhuma diminuição na velocidade da gota e absorve quase nada de sua energia.

Para o pequenino mosquito, no entanto, o drama não termina quando ele sobrevive à colisão com a gota.

Ele ainda tem de escapar do casulo de água antes dele se arrebente contra o chão, a mais de 32 km por hora.

Nesse ponto, entra em ação uma outra técnica de sobrevivência do inseto: os pelos que cobrem seu corpo são impermeáveis à água.

Todos os mosquitos estudados pela equipe americana conseguiram se separar da gota de água antes de ela atingir o solo.

Pequenos insetos são capazes de sobreviver ao impacto com gotas de chuva, segundo experimento

Pequenos insetos são capazes de sobreviver ao impacto com gotas de chuva, segundo experimento. Foto:Georgia Tech /BBC

Fonte: Folha.com


13 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Borboletas preferem machos com asas mais vistosas

Pesquisadores de Yale estudaram o processo de evolução das asas da espécie ‘Bicyclus anynana’

Uma pergunta sempre intrigou os biólogos que estudam a seleção sexual (quando se trata não da disputa pela sobrevivência e sim pela chance de se reproduzir): se as borboletas fêmeas identificam os machos de sua espécie pelo padrão das manchas em suas asas, como novos padrões de asas se desenvolvem nos machos?

Para buscar a resposta, pesquisadores da Universidade de Yale fizeram um estudo com borboletas da espécie Bicyclus anynana e concluíram que as fêmeas são predispostas a gostar de um modelo específico, mas que ao longo da vida elas podem adquirir novas preferências, geralmente por machos com cores mais vistosas. O trabalho foi publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

As borboletas Bicyclus anynananaturalmente têm duas manchas em suas asas. Para descobrir como as fêmeas podem gostar de outros padrões de cores, os pesquisadores colocaram um grupo de fêmeas em contato com borboletas com quatro manchas. A partir de então, essas não deram mais preferência aos machos com duas manchas.

Em contrapartida, as fêmeas inicialmente expostas a machos com uma ou nenhuma mancha, com tons de cinza e marrom, não mudaram suas preferências originais.

“O que nos surpreendeu foi que as fêmeas adquiriam essa preferência depois de pouco tempo em contato com machos”, disse Erica L. Westerman, do Departamento de Biologia e Ecologia Evolucionista de Yale e principal autora do estudo.

“Existe um modelo de aprendizado, e elas aprenderam que ornamentação extra é melhor”, disse a escocesa Antónia Monteiro, pesquisadora de Yale e uma das autoras do estudo.

As descobertas de que o ambiente social pode mudar a preferência de borboletas fêmeas ajuda a explicar como novos modelos de asas evoluem, dizem os pesquisadores. Agora Westerman e sua equipe querem agora descobrir como as fêmeas aprendem a fazer as suas escolhas.

“Nós estamos agora investigando o que impede as fêmeas de se acasalarem com machos de outras espécies durante o período de aprendizagem,” diz Westerman.

borboleta

As borboletas Bicyclus anynana usam padrão de asa para identificar machos da mesma espécie (Cortesia - Universidade de Yale)

Fonte: Veja Ciência


17 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Genoma da borboleta determina suas cores e camuflagem, diz estudo

Espécie amazônica imita outras por ter mesmo padrão genético.
Sequência de DNA determina cores que afasta predadores.

Ao tentarem sequenciar o genoma de uma borboleta típica da América do Sul, cientistas descobriram que a habilidade incomum da espécie em imitar outras borboletas acontece por semelhanças no DNA. O estudo foi publicado nesta quinta-feira (17) na revista científica “Nature”.

Um consórcio internacional de 80 pesquisadores sequenciou o genoma da borboleta da espécie Heliconius melpomene, típica da Amazônia peruana.

Usando os dados de seu genoma como guia, eles também examinaram a composição genética de outras duas espécies relacionadas com a borboleta citada: a Heliconius timareta eHeliconius elevatus. Essas espécies foram selecionadas porque compartilham padrões de cores semelhantes em suas asas para afastar predadores.

Segundo o estudo, as várias espécies parecem iguais porque possuem as mesmas partes de seu DNA que lidam com padrões de cores.

“Descobrimos que as espécies compartilham as partes do genoma que codificam as cores padrão, com um impacto importante na sobrevivência destas borboletas na natureza”, explica o estudo.

Segundo os pesquisadores, essa partilha genética é o resultado do cruzamento entre espécies diferentes de borboletas.

Fonte: Globo Natureza


11 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Estudo mostra relação entre pesticida e desaparecimento de abelhas

A causa do sumiço drástico dos insetos intriga pesquisadores e criadores

Experimentos realizados por pesquisadores da Escola de Saúde Pública de Harvard encontraram relação entre o uso de inseticidas comuns e o Colapso das Colmeias (termo conhecido em inglês como Colony Colapse Disorder ou CCD), fenômeno onde abelhas abandonam suas colmeias. A pesquisa será publicada na edição de junho da revista Bulletin of Insectology.

Partindo da hipótese de que o inseticida imidacloprid é responsável por aumentar o desaparecimento de abelhas, cientistas estudaram o comportamento desses insetos quando expostos ou não à substância. O experimento foi realizado em Worcester County, no estado americano de Massachusetts.

Como o imidacloprid é bastante utilizado em plantações de milho dos EUA, as abelhas poderiam entrar em contato com essa substância através do néctar das plantas ou do xarope de milho, utilizado por apicultores para alimentá-las.

Em um período de 23 semanas, os pesquisadores monitoraram abelhas um total de 20 colmeias espalhadas em quatro campos distintos. A distância entre os campos era de 12 quilômetros e foram colocadas cinco colmeias em cada um. Quatro receberam diferentes níveis do inseticida e uma não teve contato com a substância. Até 12 semanas de dosagem de imidacloprid, não houve alteração nas colmeias. Passadas as 23 semanas, 15 das 16 colméias tratadas com o pesticida foram extintas enquanto as outras quatro, que não receberam doses da substância química, continuaram vivas. As primeiras a serem exterminadas foram aquelas expostas ao mais alto nível da substância química.

De acordo com o pesquisador, as características da morte das colmeias é condizente com o CCD. Após o desaparecimento das abelhas, foram encontrados apenas armazenamento de comida, pólen e jovens abelhas próximas de um pequeno grupo de abelhas mortas, caracterizando uma situação de abandono. Quando são outras as causas responsáveis pelo colapso de colmeias, como doença ou peste, é comum encontrar um grande número de abelhas mortas dentro e fora das colmeias afetadas. O experimento permitiu ao professor concluir que não é necessária uma grande quantidade do inseticida para afetar as abelhas “Nosso experimento usou quantidades de pesticida abaixo das normalmente encontradas no ambiente”, justifica.

Para Lu, o sumiço das abelhas não prejudica apenas os apicultores. Ele defende que descobrir a fundo os causadores do CCD é essencial já que, além de produzirem mel, as abelhas são as principais polinizadoras de aproximadamente um terço da safra dos Estados Unidos, incluindo plantações de frutas, vegetais, castanhas e de matérias-primas para produção de ração, como alfafa e trevo. O pesquisador prevê que o desaparecimento desses insetos poderia resultar na perda de bilhões de dólares para a agricultura.

Estudos semelhantes — Um grupo de pesquisadores franceses realizou recentemente outra pesquisa para relacionar o uso de inseticidas com o CCD. Os cientistas fizeram uma comparação entre dois grupos de abelhas, um sem contato com pesticida e um segundo que recebeu doses de thiamtethoxam (substância pertencente à mesma classe de inseticidas doimidacloprid, os neonicotinoides). Os dois grupos de abelhas foram afastados de suas colmeias e as que receberam doses de inseticida tiveram mais dificuldade para voltar para casa. O estudo é intitulado A commom pesticide decreases foragind success and survival in honey beese foi publicado na revista Science em março deste ano.

Glossário

COLAPSO DAS COLMEIAS
Chamado de Colony Colapse Disorder (CCD) em inglês, trata-se de um fenômeno onde abelhas abandonam suas colmeias deixando para trás suas crias e comida. O CCD atinge principalmente os Estados Unidos e começou a ser notado no final de 2006. Não se sabe ao certo porque acontece esse esvaziamento das colmeias, já que normalmente elas são encontradas vazias, com pouca ou nenhuma abelha morta.

abelhas

Desaparecimento drástico de abelhas, além de prejudicar a produção de mel, traz danos para agricultura (Frank Rumpenhorst/AFP)

Fonte: Veja Ciência


11 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Borrachudos podem ajudar no tratamento de inflamações

Cientistas descobrem uma proteína presente na saliva do inseto que, além de anticoagulante, ajuda a regular o processo de inflamação no organismo

Cientistas da Universidade da Georgia, nos Estados Unidos, encontraram uma utilidade para os borrachudos, conhecidos pela picada dolorida. Os pesquisadores descobriram que os insetos podem ajudar no combate ao processo de inflamação. O trabalho foi publicado no periódico PLoS One.

Para que os insetos se alimentem do sangue humano, eles precisam superar uma série de mecanismos de defesa do organismo presentes no sangue. Por exemplo, a saliva desses insetos possui anticoagulantes para aumentar a velocidade do fluxo de sangue no local da picada.

A equipe do entomologista Don Champagne descobriu que uma proteína presente na saliva do inseto e que inibe a formação de coágulo no sangue também controla o processo de inflamação por meio de duas enzimas, a elastase e a catepsina G.

Os cientistas acreditam que a descoberta pode abrir caminho para a criação de medicamentos para tratar, por exemplo, pacientes que se recuperam de doenças do coração. “A inflamação é uma das principais causas de lesão nos tecidos em doenças vasculares”, disse Champagne. “A ideia de um único fator capaz de inibir o coágulo e a inflamação ao mesmo tempo é muito interessante e inovadora.”

Saiba mais

BORRACHUDOS
Os borrachudos são pequenos insetos voadores da família Simuliidae. Gostam de locais úmidos, de preferência próximos a riachos e cachoeiras. Impressionam pela quantidade e pela picada, que pode causar alergia. O borrachudo transmite a oncocercose, uma doença parasitária que causa lesões na pele e secreção nos olhos.

ELASTASE
A elastase é uma enzima responsável pela degradação das fibras elásticas. Ela ajuda a determinar as propriedades do tecido conjuntivo, que dá sustentação e preenchimento ao corpo humano.

CATEPSINA
As catepsinas são proteínas que quebram outras proteínas e são encontradas em todos os animais.

O borrachudo é o nome popular de um pequeno mosquito que vive em regiões úmidas. No Brasil, são 50 espécies

O borrachudo é o nome popular de um pequeno mosquito que vive em regiões úmidas. No Brasil, são 50 espécies (Thinkstock)

Fonte: Veja Ciência


26 de março de 2012 | nenhum comentário »

Vespa gigante encontrada há 82 anos na Indonésia pertence a uma nova espécie

Machos da ‘Megalara garuda’ tem 6 centímetros de comprimento

Detalhe das garras em formato de foice, encontradas nos machos

Detalhe das garras em formato de foice, encontradas nos machos

Cientistas identificaram uma nova espécie de vespa que, com características bastante incomuns, já está sendo chamada de “rainha das vespas”. O animal — que fazia parte da coleção do Museu de História Natural de Berlim, na Alemanha — foi coletado em 1930 na ilha Sulawesi, na Indonésia, mas só agora foi estudado. Os resultados foram descritos no periódicoZooKeys.

A espécie possui um corpo preto enorme, de 6 centímetros de comprimento, e seus machos apresentam longas garras com formato de foice saindo da boca. Ela pertence à mesma família das vespas-cavadoras, a Sphecidae. As fêmeas desta família costumam picar e paralisar suas presas – outras espécies de insetos – para alimentar seus filhotes. A  “rainha das vespas” provavelmente age da mesma forma, mas ainda não se sabe de quais espécies ela se alimenta.

Como a vespa gigante nunca foi observada viva, pouco se sabe sobre sua biologia ou comportamento. É possível dizer que os machos são claramente maiores que as fêmeas. Como se pode deduzir de outros insetos com grandes garras, é provável que os machos as usem para se defender e para segurar suas fêmeas durante o acasalamento.

Devido à diferença no tamanho dos corpos e às garras dos machos, a grande vespa foi incluída em um gênero também inédito, chamado Megalara, que por enquanto compreende apenas esta espécie. O nome é uma combinação do termo grego ‘mega’, que significa grande, com ‘Dalara’, outro gênero de vespas semelhante à nova espécie.

Pesquisadores do museu alemão e da Universidade da Califórnia em Davis, nos Estados Unidos, que trabalharam juntos na identificação da vespa gigante, nomearam-na de Megalara garuda. A terminação é uma homenagem a uma figura mitológica hindu chamada Garuda, símbolo nacional da Indonésia, onde a espécie foi encontrada.

Devido ao tamanho, o animal está sendo chamado de "rei das vespas" pelos cientistas

Devido ao tamanho, o animal está sendo chamado de "rei das vespas" pelos cientistas (Dr. Lynn Kimsey / Dr. Michael Ohl)

Fonte: Veja Ciência


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