10 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Antártida teve floresta tropical há 50 milhões de anos

Sedimentos coletados no fundo do oceano mostram pólen fossilizado de espécies diferentes de plantas, registro da diversidade da flora daquela época

Um grupo de pesquisadores encontrou evidências de que a Antártida, no Polo Sul, já teve temperaturas bem mais amenas e chegou a abrigar uma floresta tropical, com samambaias, palmeiras e baobás, além de vegetação de montanha, com coníferas e faias. A descoberta faz parte de um projeto internacional que analisa as mudanças climáticas do período Eoceno, que ocorreu entre 48 a 55 milhões de anos atrás. O estudo foi publicada na revista Nature.

A pesquisa foi coordenada por James Bendle, da Universidade de Glasgow, na Escócia. Bendle reuniu 36 cientistas e uma tripulação de 100 pessoas para estudar a Antártida. Os cientistas utilizaram uma espécie de broca para perfurar o fundo do oceano – quatro quilômetros abaixo da água e um quilômetro abaixo do solo do fundo do mar.

Os sedimentos coletados contêm pólen fossilizado, e a partir dele foi possível determinar que havia dois ambientes distintos.

Florestas na Antártida - O primeiro ambiente era de uma floresta tropical dominada por samambaias, palmeiras e vegetação da família Bombacaceae, cujos exemplares modernos são os baobás de Madagascar – conhecidos por “árvore da vida”, por reterem água em seus troncos. O segundo ambiente era uma floresta de montanha, com faias e coníferas.

O pólen também trouxe pistas sobre a temperatura à época. Segundo os pesquisadores, na costa da Antártica elas estiveram em torno de 16 °C, podendo atingir 21 °C nos verões e 10 °C no inverno.

“As amostras de sedimentos do Eoceno são a primeira evidencia detalhada do que ocorria na Antártida neste período. Fizemos a perfuração em meio a baixas temperaturas, geleiras enormes, montanhas cobertas de neve, icebergs. É incrível imaginar que, se fôssemos um viajante do tempo, poderíamos remar em águas quentes e chegar a uma floresta exuberante”, falou.

Pesquisa identifica pólen na Antártica, indício de que a área teve florestas tropicais e coníferas

Pólen achado na Antártica revela que a região já teve florestas tropicais e coníferas (Lineth Contreras e Goethe University Frankfurt)

 

Fonte: Veja Ciência


5 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Clima mais quente já afeta tamanho de plantas na Austrália, diz estudo

Mudança de temperatura no país reduziu largura de folha em 2 mm.
Segundo cientistas, vegetais se adaptam à nova realidade do planeta.

A mudança climática já afeta espécies de plantas da Austrália, alterando o tamanho das folhas.

É o que aponta uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Adelaide, na Austrália, divulgada na noite desta terça-feira (3) no site da Sociedade Real Britânica pela publicação “Biology Letters”.

Segundo o estudo, foram analisadas exemplares da planta popularmente conhecida como vassoura-do-campo, subespécie angustissima (Dodonaea viscosa subsp. Angustissima). Foram feitas comparações com amostras recolhidas entre 1880 até o presente momento, encontradas nas montanhas Flinders, no Sul da Austrália.

A análise revelou uma diminuição de 2 milímetros na largura da folha (em um total avaliado que variava de 1 a 9 milímetros) ao longo de 127 anos. Entre 1950 e 2005, houve um aumento de 1,2ºC nas temperatuas máximas no Sul da Austrália, mas pouca alteração na precipitação na região da montanha.

Em comunicado divulgado pela universidade, o principal autor do estudo, Greg Guerin, disse que a mudança climática é frequentemente discutida em termos de impactos no futuro, porém, segundo ele, “mudanças de temperatura nas últimas décadas já têm efeitos ecológicos significativos”.

Ainda de acordo com o Guerin, as alterações do clima estão impulsionando mudanças adaptativas nas espécies de plantas, assim como ocorreu com a subespécie de vassoura-do-campo. “Demonstra processo adaptativo em relação ao clima”, complementa o professor.

 

Fonte: Globo Natureza


4 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Impacto do aquecimento global nas plantas pode estar subestimado

Observações feitas em condições naturais mostram que os efeitos do aquecimento global em plantas são muito maiores do que experimentos artificiais sugerem

Um estudo publicado nesta quarta-feira na revista Nature revela que experiências que tentam simular o impacto do aquecimento global nas plantas subestimam o que acontece no mundo real. A pesquisa apoia observações feitas por fazendeiros e jardineiros, especialmente no Hemisfério Norte, segundo os quais plantas sazonais estão florescendo muito mais cedo do que no passado.

Experimentos artificiais sobre o aquecimento global costumam ser feitos com plantas em uma câmara similar a uma estufa sem tampa ou uma tenda com um pequeno aquecedor para replicar os efeitos do aumento da temperatura.

Estes experimentos mostraram que a florada e a folheação – surgimento de flores e folhas, respectivamente – ocorrem entre 1,9 e 3,3 dias mais cedo para cada 1 grau Celsius de elevação da temperatura. O novo estudo mostra que o número exato é muito maior: as plantas começam a desenvolver folhas e flores entre 2,5 e 5 dias antes a cada aumento de 1 grau Celsius na temperatura.

Esses dados foram encontrados a partir de observações feitas a longo prazo com 1.634 espécies de plantas na natureza e realizadas por 20 instituições de América do Norte, Japão e Austrália.

“Até agora, presumia-se que sistemas experimentais responderiam da mesma forma que os sistemas naturais respondem, mas não é o que acontece”, explicou em um comunicado o coautor da pesquisa, Benjamin Cook, do Observatório Terrestre Lamont-Doherty da Universidade de Columbia, em Nova York.

Estimativas conservadoras — De acordo com a pesquisa, os métodos experimentais podem falhar porque reduzem luz, vento ou umidade do solo, que afetam a maturidade da planta.

Segundo o Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), publicado em 2007, as temperaturas da superfície do globo subiram 0,74 grau Celsius entre 1906 e 2005.

Acredita-se que as tendências atuais de emissões de carbono, um dos fatores que causam o aumento da temperatura no globo, devem provocar uma elevação de 2 graus Celsius na temperatura da Terra ao longo do século XXI.

Para alguns especialistas, estas estimativas são conservadoras. Eles afirmam que muitos locais estão esquentando muito mais rápido do que a média do planeta.

“A floração das cerejeiras, em Washington, um fenômeno meticulosamente registrado e celebrado, se antecipou em cerca de uma semana desde os anos 1970″, destacou o comunicado, publicado pelo Instituto da Terra, da Universidade de Columbia.

Saiba mais

IPCC
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (em inglês, Intergovernmental Panel on Climate Change) foi criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a fim de produzir informações relevantes para a compreensão das mudanças climáticas. Por sua contribuição ao tema, o IPCC ganhou o Nobel da Paz em 2007. Entre os 831 especialistas do Painel que vão redigir seu quinto relatório de avaliação climática, a ser publicado em 2014, 25 são brasileiros.

Produção de plantas ornamentais em Guaratiba, plantação de Ruth Sebastiana Nunes, pequena produtora da região

Aquecimento global influencia o tempo de surgimento de flores e folhas (Marcos Michael)

Fonte: Veja Ciência


20 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Mudança climática já faz plantas ‘escalarem’ montanhas, afirma estudo

Picos mais frios têm recebido novas espécies de vegetais.
Montanhas do Mediterrâneo são as que mais perdem plantas devido ao calor.

Estudo liderado pela Academia Austríaca de Ciências aponta que a mudança climática já causa o deslocamento de espécies de plantas nas principais regiões montanhosas da Europa, o que pode acarretar o desaparecimento de vegetais em áreas afetadas por secas e falta de chuvas.

De acordo com uma pesquisa publicada nesta semana na revista “Science”, as plantas têm “escalado”, literalmente, as montanhas em direção ao cume para sobreviver em temperaturas que estariam mais amenas devido às alterações do clima.

O estudo constatou que algumas espécies chegaram a subir até 2,7 metros em busca de um ambiente melhor para sobrevivência.

Entre 2001 e 2008 foram analisados 66 picos de montanhas em 17 diferentes regiões da Europa, entre elas a área que margeia o Mar Mediterrâneo e as cadeias montanhosas das regiões boreais, mais próximas ao Ártico.

No período, novas espécies apareceram em 45 cumes, a maioria na região mais fria e houve redução de plantas em dez cumes, principalmente nos que estão próximos ao Mediterrâneo.

Segundo o estudo, a seca constante no Sul da Europa e a redução de chuvas estariam causando o desaparecimento ou migração dos vegetais para regiões mais frescas.

Fonte: Globo Natureza


19 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Estudo decifra como plantas crescem para fugir da sombra

Proteína é responsável por regular o crescimento das plantas na disputa por maior exposição ao sol

As plantas dependem de luz para viver, mas os cientistas não sabiam como funcionava o mecanismo que as faz crescer até os raios do Sol. Um estudo publicado neste domingo na revista Genes and Development, mostrou os mecanismos desencadeados em uma planta quando ela precisa competir por iluminação solar com suas vizinhas.

Plantas que crescem muito próximas uma das outras acabam tendo parte da luz solar bloqueadas por aquelas que estão ao seu redor. Cientistas já sabiam que existia uma relação entre a baixa captação de luz pelas folhas dessas plantas e o crescimento de seu caule em direção ao sol. O que não se sabia até o momento era de que forma a recepção de luz nas folhas estava relacionada com o aumento de auxina, hormônio que estimula a expansão do caule.

O estudo desenvolvido por pesquisadores do Instituto Salk de Estudos Biológicos, nos Estados Unidos, encontrou a peça responsável por relacionar os sensores celulares de luz de uma planta com sua produção de auxina. Trata-se de uma proteína chamada de fator de interação fitocromo 7 (PIF7).

“Nós sabíamos de que a forma as folhas percebiam a luz e que as auxinas comandavam o crescimento, mas não entendíamos o caminho que conectava esses dois sistemas fundamentais”, disse Joanne Chory, professora e diretora do Laboratório de Biologia de Plantas do Instituto Salk.

Em seu estudo, Chory e seus colegas, incluindo Joseph R. Ecker, um professor do Salk, usaram análises bioquímicas e genéticas para identificar a PIF7 como peça molecular chave que relaciona os sensores de luz da planta e sua produção de auxina.

Os pesquisadores mostraram que quando a Arabidopsis thaliana, planta usada neste estudo, é colocada na sombra, as células de suas folhas sofrem mudanças moleculares. O receptor de luz, presente nas folhas, causa mudanças químicas na proteína PIF7, que então ativa os genes produtores de auxina e provocam o crescimento do caule dessas plantas.

“Nós já sabíamos que a auxina é feita nas folhas e que ela viaja até o caule para estimular o crescimento”, diz Chory. “Agora nós sabemos como a sombra estimula as folhas a produzirem auxina. É um caminho extremamente simples para controlar uma função tão importante.”

Quando uma planta permanece na sombra por um período prolongado, ela pode florescer cedo e produzir poucas sementes. Esse comportamento é um último esforço da planta para ajudar seus descendentes a se espalhar em um local mais ensolarado. Na agricultura, esse fenômeno é conhecido como síndrome de fuga da sombra e resulta na perda de produção da safra. Isso acontece quando plantações são distribuídas em corredores muito próximos, fazendo com que uma planta bloqueie a luz da outra.

De acordo com a pesquisadora, as descobertas desse estudo podem trazer novos caminhos para o desenvolvimento de safras de plantas com melhor posicionamento de caules, principalmente em plantações com fileiras muito próximas. Isso tornaria essas plantas menos suscetíveis à síndrome de fuga da sombra.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Linking photoreceptor excitation to changes in plant architecture

Onde foi divulgada: revista Genes and Development

Quem fez: Lin Li, Karin Ljung,Ghislain Breton, Robert J. Schmitz, Jose Pruneda-Paz, Chris Cowing-Zitron, Benjamin J. Cole, Lauren J. Ivans, Ullas V. Pedmale, Hou-Sung Jung, Joseph R. Ecker, Steve A. Kay e Joanne Chory

Instituição: Instituto Salk de Estudos Biológicos

Dados de amostragem: plantas Arabidopsisthaliana

Resultado: A proteína fator de interação fitocromo 7 (PIF7) é responsável por relacionar a quantidade de absorção de luz com o aumento do hormônio que regula o crescimento de plantas locais com sombra.

Arabidopsis thaliana

Planta Arabidopsis thaliana, usada no estudo do Instituto Salks (Courtesy of the Salk Institute for Biological Studies)

Fonte: Veja Ciência


26 de março de 2012 | nenhum comentário »

Samambaias lançam esporos com o uso de catapultas

Através de câmeras de altas velocidades, pesquisadores conseguiram analisar o movimento que faz samambaias se reproduzirem

Ao contrário da maioria das plantas, assamambaias se reproduzem sem o uso de sementes ou flores. Em vez disso, elas usam esporos, que são lançados ao ambiente por uma estrutura denominada ânulo, que fica na parte de baixo das folhas.

Um novo estudo, publicado no periódico Science, explica como funciona esse mecanismo semelhante a uma catapulta.  “O mecanismo é conhecido há pelo menos um século”, afirmou Xavier Noblin, principal autor do estudo e pesquisador da Universidade de Nice e do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França.

“A novidade está no uso de uma câmera de alta velocidade para observá-lo.” Nas catapultas produzidas pelo homem, uma barra transversal trava a haste da catapulta na metade do caminho, o que garante que a munição seja lançada ao ar e não ao solo.

Usando a câmera de alta velocidade, Noblin e seus colegas puderam ver que o ânulo, que é semelhante a uma esponja, se abre e depois se fecha em dois tempos diferentes à medida que lança os esporos.
O primeiro movimento acontece da mesma forma que ocorreria com qualquer material elástico puxado para trás e depois solto. Ele ocorre em algumas dezenas de microssegundos.

O segundo movimento também é rápido, porém mais lento que o primeiro, ocorrendo em dezenas de milésimos de segundos (um milésimo de segundo é igual a mil microssegundos). Ele ocorre conforme a água corre através das paredes do ânulo.

Esse tempo menor garante que o movimento de catapulta seja interrompido bruscamente, da mesma forma que a barra transversal interrompe o movimento da catapulta artificial. Por esta razão, os esporos são ejetados para o exterior e para longe.

“Eu acredito que podemos sem dúvida extrair ensinamentos dessa descoberta”, afirmou Noblin. “Tenho certeza que ela será usada em tecnologia. Nossa primeira motivação foi apenas compreender os motivos.”

Fonte: Portal IG


21 de março de 2012 | nenhum comentário »

Plantas também sofrem danos devido à poluição sonora, diz estudo

Barulho afastaria animais que realizam dispersão de sementes e pólen.
Espécies de pinheiros seriam as principais afetadas, afirmam pesquisadores.

Pesquisa divulgada pela revista da Academia de Ciências do Reino Unido afirma que a poluição sonora causada por humanos pode causar grave impacto na sobrevivência das plantas, já que os métodos naturais de reprodução de vegetais seriam afetados.

De acordo com o estudo, realizado pelo Centro Nacional de Síntese Evolucionária  (NESCent, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, ruídos provenientes do tráfego intenso de veículos ou mesmo de máquinas afastariam animais de seus habitats, quando esses ficam próximos a áreas urbanas.

Essa fuga atrapalharia a distribuição de pólen entre flores, realizada por aves, e germinação de sementes de espécies como os pinheiros, feita mamíferos, como os roedores, o que pode levar à queda na população dessas plantas.

Muito barulho, pouca biodiversidade
A análise foi feita próxima a uma reserva do México. A região contém vários poços de extração de gás natural, muitos dos quais emitem alto som constantemente devido ao processo.

Os cientistas verificaram que nas áreas com mais barulho, algumas espécies de animais não se aproximavam, justamente aquelas que ajudavam na distribuição das sementes dessas árvores, pertencentes ao grupo das gimnospérmicas.

Segundo Clinton Francis, um dos autores do estudo, uma menor quantidade de árvores em áreas ruidosas acarretaria em menos plantas maduras e, consequentemente, uma redução drástica de habitats.

Pinheiro (Foto: Divulgação)

Espécies de pinheiros localizadas em locais ruidosos podem ser prejudicadas, afirma estudo. (Foto: Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


5 de março de 2012 | nenhum comentário »

Pinheiros sobreviveram à Era do Gelo na Escandinávia, diz estudo

Estudos anteriores diziam que árvores teriam ressurgido após retração do gelo.
Descoberta foi feita após análise do DNA de plantas modernas.e pólen antigo.

Pólen de pinheiro com cerca de 10 mil anos foi extraído de lago na Noruega e ajudou cientistas na descoberta  (Foto: Divulgação / Science / AAAS)

Pólen de pinheiro com cerca de 10 mil anos foi encontrado em lago na Noruega e ajudou cientistas na descoberta (Foto: Divulgação / Science / AAAS)

Novas descobertas científicas mostram que pinheiros e abetos sobreviveram à Era do Gelo na Escandinávia, ao contrário do que se pensava anteriormente. De acordo com uma pesquisa publicada na sexta-feira (2) na “Science”, as árvores teriam sobrevivido em refúgios livres de gelo.

Estudos anteriores afirmavam que as árvores teriam ressurgido na Península Escandinava quando o gelo retraiu, há 9 mil anos.

A descoberta foi feita por um grupo internacional de cientistas, após análise do DNA de pinheiros e abetos modernos. Segundo os pesquisadores, a grande quantidade de mutações encontradas prova que variedades das plantas são mais velhas que o último período glacial.

Também foi analisado o DNA de pólen obtido de sedimentos antigos obtidos na Noruega. A pesquisa descobriu que coníferas cresciam na região há 22 mil anos, quando a área ainda estava coberta por gelo.

Para os cientistas, a descoberta torna necessária a revisão dos modelos que analisam a proliferação de plantas boreais após a glaciação.

 

 

 

 

 

Fonte: Globo Natureza






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10 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Antártida teve floresta tropical há 50 milhões de anos

Sedimentos coletados no fundo do oceano mostram pólen fossilizado de espécies diferentes de plantas, registro da diversidade da flora daquela época

Um grupo de pesquisadores encontrou evidências de que a Antártida, no Polo Sul, já teve temperaturas bem mais amenas e chegou a abrigar uma floresta tropical, com samambaias, palmeiras e baobás, além de vegetação de montanha, com coníferas e faias. A descoberta faz parte de um projeto internacional que analisa as mudanças climáticas do período Eoceno, que ocorreu entre 48 a 55 milhões de anos atrás. O estudo foi publicada na revista Nature.

A pesquisa foi coordenada por James Bendle, da Universidade de Glasgow, na Escócia. Bendle reuniu 36 cientistas e uma tripulação de 100 pessoas para estudar a Antártida. Os cientistas utilizaram uma espécie de broca para perfurar o fundo do oceano – quatro quilômetros abaixo da água e um quilômetro abaixo do solo do fundo do mar.

Os sedimentos coletados contêm pólen fossilizado, e a partir dele foi possível determinar que havia dois ambientes distintos.

Florestas na Antártida - O primeiro ambiente era de uma floresta tropical dominada por samambaias, palmeiras e vegetação da família Bombacaceae, cujos exemplares modernos são os baobás de Madagascar – conhecidos por “árvore da vida”, por reterem água em seus troncos. O segundo ambiente era uma floresta de montanha, com faias e coníferas.

O pólen também trouxe pistas sobre a temperatura à época. Segundo os pesquisadores, na costa da Antártica elas estiveram em torno de 16 °C, podendo atingir 21 °C nos verões e 10 °C no inverno.

“As amostras de sedimentos do Eoceno são a primeira evidencia detalhada do que ocorria na Antártida neste período. Fizemos a perfuração em meio a baixas temperaturas, geleiras enormes, montanhas cobertas de neve, icebergs. É incrível imaginar que, se fôssemos um viajante do tempo, poderíamos remar em águas quentes e chegar a uma floresta exuberante”, falou.

Pesquisa identifica pólen na Antártica, indício de que a área teve florestas tropicais e coníferas

Pólen achado na Antártica revela que a região já teve florestas tropicais e coníferas (Lineth Contreras e Goethe University Frankfurt)

 

Fonte: Veja Ciência


5 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Clima mais quente já afeta tamanho de plantas na Austrália, diz estudo

Mudança de temperatura no país reduziu largura de folha em 2 mm.
Segundo cientistas, vegetais se adaptam à nova realidade do planeta.

A mudança climática já afeta espécies de plantas da Austrália, alterando o tamanho das folhas.

É o que aponta uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Adelaide, na Austrália, divulgada na noite desta terça-feira (3) no site da Sociedade Real Britânica pela publicação “Biology Letters”.

Segundo o estudo, foram analisadas exemplares da planta popularmente conhecida como vassoura-do-campo, subespécie angustissima (Dodonaea viscosa subsp. Angustissima). Foram feitas comparações com amostras recolhidas entre 1880 até o presente momento, encontradas nas montanhas Flinders, no Sul da Austrália.

A análise revelou uma diminuição de 2 milímetros na largura da folha (em um total avaliado que variava de 1 a 9 milímetros) ao longo de 127 anos. Entre 1950 e 2005, houve um aumento de 1,2ºC nas temperatuas máximas no Sul da Austrália, mas pouca alteração na precipitação na região da montanha.

Em comunicado divulgado pela universidade, o principal autor do estudo, Greg Guerin, disse que a mudança climática é frequentemente discutida em termos de impactos no futuro, porém, segundo ele, “mudanças de temperatura nas últimas décadas já têm efeitos ecológicos significativos”.

Ainda de acordo com o Guerin, as alterações do clima estão impulsionando mudanças adaptativas nas espécies de plantas, assim como ocorreu com a subespécie de vassoura-do-campo. “Demonstra processo adaptativo em relação ao clima”, complementa o professor.

 

Fonte: Globo Natureza


4 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Impacto do aquecimento global nas plantas pode estar subestimado

Observações feitas em condições naturais mostram que os efeitos do aquecimento global em plantas são muito maiores do que experimentos artificiais sugerem

Um estudo publicado nesta quarta-feira na revista Nature revela que experiências que tentam simular o impacto do aquecimento global nas plantas subestimam o que acontece no mundo real. A pesquisa apoia observações feitas por fazendeiros e jardineiros, especialmente no Hemisfério Norte, segundo os quais plantas sazonais estão florescendo muito mais cedo do que no passado.

Experimentos artificiais sobre o aquecimento global costumam ser feitos com plantas em uma câmara similar a uma estufa sem tampa ou uma tenda com um pequeno aquecedor para replicar os efeitos do aumento da temperatura.

Estes experimentos mostraram que a florada e a folheação – surgimento de flores e folhas, respectivamente – ocorrem entre 1,9 e 3,3 dias mais cedo para cada 1 grau Celsius de elevação da temperatura. O novo estudo mostra que o número exato é muito maior: as plantas começam a desenvolver folhas e flores entre 2,5 e 5 dias antes a cada aumento de 1 grau Celsius na temperatura.

Esses dados foram encontrados a partir de observações feitas a longo prazo com 1.634 espécies de plantas na natureza e realizadas por 20 instituições de América do Norte, Japão e Austrália.

“Até agora, presumia-se que sistemas experimentais responderiam da mesma forma que os sistemas naturais respondem, mas não é o que acontece”, explicou em um comunicado o coautor da pesquisa, Benjamin Cook, do Observatório Terrestre Lamont-Doherty da Universidade de Columbia, em Nova York.

Estimativas conservadoras — De acordo com a pesquisa, os métodos experimentais podem falhar porque reduzem luz, vento ou umidade do solo, que afetam a maturidade da planta.

Segundo o Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), publicado em 2007, as temperaturas da superfície do globo subiram 0,74 grau Celsius entre 1906 e 2005.

Acredita-se que as tendências atuais de emissões de carbono, um dos fatores que causam o aumento da temperatura no globo, devem provocar uma elevação de 2 graus Celsius na temperatura da Terra ao longo do século XXI.

Para alguns especialistas, estas estimativas são conservadoras. Eles afirmam que muitos locais estão esquentando muito mais rápido do que a média do planeta.

“A floração das cerejeiras, em Washington, um fenômeno meticulosamente registrado e celebrado, se antecipou em cerca de uma semana desde os anos 1970″, destacou o comunicado, publicado pelo Instituto da Terra, da Universidade de Columbia.

Saiba mais

IPCC
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (em inglês, Intergovernmental Panel on Climate Change) foi criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a fim de produzir informações relevantes para a compreensão das mudanças climáticas. Por sua contribuição ao tema, o IPCC ganhou o Nobel da Paz em 2007. Entre os 831 especialistas do Painel que vão redigir seu quinto relatório de avaliação climática, a ser publicado em 2014, 25 são brasileiros.

Produção de plantas ornamentais em Guaratiba, plantação de Ruth Sebastiana Nunes, pequena produtora da região

Aquecimento global influencia o tempo de surgimento de flores e folhas (Marcos Michael)

Fonte: Veja Ciência


20 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Mudança climática já faz plantas ‘escalarem’ montanhas, afirma estudo

Picos mais frios têm recebido novas espécies de vegetais.
Montanhas do Mediterrâneo são as que mais perdem plantas devido ao calor.

Estudo liderado pela Academia Austríaca de Ciências aponta que a mudança climática já causa o deslocamento de espécies de plantas nas principais regiões montanhosas da Europa, o que pode acarretar o desaparecimento de vegetais em áreas afetadas por secas e falta de chuvas.

De acordo com uma pesquisa publicada nesta semana na revista “Science”, as plantas têm “escalado”, literalmente, as montanhas em direção ao cume para sobreviver em temperaturas que estariam mais amenas devido às alterações do clima.

O estudo constatou que algumas espécies chegaram a subir até 2,7 metros em busca de um ambiente melhor para sobrevivência.

Entre 2001 e 2008 foram analisados 66 picos de montanhas em 17 diferentes regiões da Europa, entre elas a área que margeia o Mar Mediterrâneo e as cadeias montanhosas das regiões boreais, mais próximas ao Ártico.

No período, novas espécies apareceram em 45 cumes, a maioria na região mais fria e houve redução de plantas em dez cumes, principalmente nos que estão próximos ao Mediterrâneo.

Segundo o estudo, a seca constante no Sul da Europa e a redução de chuvas estariam causando o desaparecimento ou migração dos vegetais para regiões mais frescas.

Fonte: Globo Natureza


19 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Estudo decifra como plantas crescem para fugir da sombra

Proteína é responsável por regular o crescimento das plantas na disputa por maior exposição ao sol

As plantas dependem de luz para viver, mas os cientistas não sabiam como funcionava o mecanismo que as faz crescer até os raios do Sol. Um estudo publicado neste domingo na revista Genes and Development, mostrou os mecanismos desencadeados em uma planta quando ela precisa competir por iluminação solar com suas vizinhas.

Plantas que crescem muito próximas uma das outras acabam tendo parte da luz solar bloqueadas por aquelas que estão ao seu redor. Cientistas já sabiam que existia uma relação entre a baixa captação de luz pelas folhas dessas plantas e o crescimento de seu caule em direção ao sol. O que não se sabia até o momento era de que forma a recepção de luz nas folhas estava relacionada com o aumento de auxina, hormônio que estimula a expansão do caule.

O estudo desenvolvido por pesquisadores do Instituto Salk de Estudos Biológicos, nos Estados Unidos, encontrou a peça responsável por relacionar os sensores celulares de luz de uma planta com sua produção de auxina. Trata-se de uma proteína chamada de fator de interação fitocromo 7 (PIF7).

“Nós sabíamos de que a forma as folhas percebiam a luz e que as auxinas comandavam o crescimento, mas não entendíamos o caminho que conectava esses dois sistemas fundamentais”, disse Joanne Chory, professora e diretora do Laboratório de Biologia de Plantas do Instituto Salk.

Em seu estudo, Chory e seus colegas, incluindo Joseph R. Ecker, um professor do Salk, usaram análises bioquímicas e genéticas para identificar a PIF7 como peça molecular chave que relaciona os sensores de luz da planta e sua produção de auxina.

Os pesquisadores mostraram que quando a Arabidopsis thaliana, planta usada neste estudo, é colocada na sombra, as células de suas folhas sofrem mudanças moleculares. O receptor de luz, presente nas folhas, causa mudanças químicas na proteína PIF7, que então ativa os genes produtores de auxina e provocam o crescimento do caule dessas plantas.

“Nós já sabíamos que a auxina é feita nas folhas e que ela viaja até o caule para estimular o crescimento”, diz Chory. “Agora nós sabemos como a sombra estimula as folhas a produzirem auxina. É um caminho extremamente simples para controlar uma função tão importante.”

Quando uma planta permanece na sombra por um período prolongado, ela pode florescer cedo e produzir poucas sementes. Esse comportamento é um último esforço da planta para ajudar seus descendentes a se espalhar em um local mais ensolarado. Na agricultura, esse fenômeno é conhecido como síndrome de fuga da sombra e resulta na perda de produção da safra. Isso acontece quando plantações são distribuídas em corredores muito próximos, fazendo com que uma planta bloqueie a luz da outra.

De acordo com a pesquisadora, as descobertas desse estudo podem trazer novos caminhos para o desenvolvimento de safras de plantas com melhor posicionamento de caules, principalmente em plantações com fileiras muito próximas. Isso tornaria essas plantas menos suscetíveis à síndrome de fuga da sombra.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Linking photoreceptor excitation to changes in plant architecture

Onde foi divulgada: revista Genes and Development

Quem fez: Lin Li, Karin Ljung,Ghislain Breton, Robert J. Schmitz, Jose Pruneda-Paz, Chris Cowing-Zitron, Benjamin J. Cole, Lauren J. Ivans, Ullas V. Pedmale, Hou-Sung Jung, Joseph R. Ecker, Steve A. Kay e Joanne Chory

Instituição: Instituto Salk de Estudos Biológicos

Dados de amostragem: plantas Arabidopsisthaliana

Resultado: A proteína fator de interação fitocromo 7 (PIF7) é responsável por relacionar a quantidade de absorção de luz com o aumento do hormônio que regula o crescimento de plantas locais com sombra.

Arabidopsis thaliana

Planta Arabidopsis thaliana, usada no estudo do Instituto Salks (Courtesy of the Salk Institute for Biological Studies)

Fonte: Veja Ciência


26 de março de 2012 | nenhum comentário »

Samambaias lançam esporos com o uso de catapultas

Através de câmeras de altas velocidades, pesquisadores conseguiram analisar o movimento que faz samambaias se reproduzirem

Ao contrário da maioria das plantas, assamambaias se reproduzem sem o uso de sementes ou flores. Em vez disso, elas usam esporos, que são lançados ao ambiente por uma estrutura denominada ânulo, que fica na parte de baixo das folhas.

Um novo estudo, publicado no periódico Science, explica como funciona esse mecanismo semelhante a uma catapulta.  “O mecanismo é conhecido há pelo menos um século”, afirmou Xavier Noblin, principal autor do estudo e pesquisador da Universidade de Nice e do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França.

“A novidade está no uso de uma câmera de alta velocidade para observá-lo.” Nas catapultas produzidas pelo homem, uma barra transversal trava a haste da catapulta na metade do caminho, o que garante que a munição seja lançada ao ar e não ao solo.

Usando a câmera de alta velocidade, Noblin e seus colegas puderam ver que o ânulo, que é semelhante a uma esponja, se abre e depois se fecha em dois tempos diferentes à medida que lança os esporos.
O primeiro movimento acontece da mesma forma que ocorreria com qualquer material elástico puxado para trás e depois solto. Ele ocorre em algumas dezenas de microssegundos.

O segundo movimento também é rápido, porém mais lento que o primeiro, ocorrendo em dezenas de milésimos de segundos (um milésimo de segundo é igual a mil microssegundos). Ele ocorre conforme a água corre através das paredes do ânulo.

Esse tempo menor garante que o movimento de catapulta seja interrompido bruscamente, da mesma forma que a barra transversal interrompe o movimento da catapulta artificial. Por esta razão, os esporos são ejetados para o exterior e para longe.

“Eu acredito que podemos sem dúvida extrair ensinamentos dessa descoberta”, afirmou Noblin. “Tenho certeza que ela será usada em tecnologia. Nossa primeira motivação foi apenas compreender os motivos.”

Fonte: Portal IG


21 de março de 2012 | nenhum comentário »

Plantas também sofrem danos devido à poluição sonora, diz estudo

Barulho afastaria animais que realizam dispersão de sementes e pólen.
Espécies de pinheiros seriam as principais afetadas, afirmam pesquisadores.

Pesquisa divulgada pela revista da Academia de Ciências do Reino Unido afirma que a poluição sonora causada por humanos pode causar grave impacto na sobrevivência das plantas, já que os métodos naturais de reprodução de vegetais seriam afetados.

De acordo com o estudo, realizado pelo Centro Nacional de Síntese Evolucionária  (NESCent, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, ruídos provenientes do tráfego intenso de veículos ou mesmo de máquinas afastariam animais de seus habitats, quando esses ficam próximos a áreas urbanas.

Essa fuga atrapalharia a distribuição de pólen entre flores, realizada por aves, e germinação de sementes de espécies como os pinheiros, feita mamíferos, como os roedores, o que pode levar à queda na população dessas plantas.

Muito barulho, pouca biodiversidade
A análise foi feita próxima a uma reserva do México. A região contém vários poços de extração de gás natural, muitos dos quais emitem alto som constantemente devido ao processo.

Os cientistas verificaram que nas áreas com mais barulho, algumas espécies de animais não se aproximavam, justamente aquelas que ajudavam na distribuição das sementes dessas árvores, pertencentes ao grupo das gimnospérmicas.

Segundo Clinton Francis, um dos autores do estudo, uma menor quantidade de árvores em áreas ruidosas acarretaria em menos plantas maduras e, consequentemente, uma redução drástica de habitats.

Pinheiro (Foto: Divulgação)

Espécies de pinheiros localizadas em locais ruidosos podem ser prejudicadas, afirma estudo. (Foto: Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


5 de março de 2012 | nenhum comentário »

Pinheiros sobreviveram à Era do Gelo na Escandinávia, diz estudo

Estudos anteriores diziam que árvores teriam ressurgido após retração do gelo.
Descoberta foi feita após análise do DNA de plantas modernas.e pólen antigo.

Pólen de pinheiro com cerca de 10 mil anos foi extraído de lago na Noruega e ajudou cientistas na descoberta  (Foto: Divulgação / Science / AAAS)

Pólen de pinheiro com cerca de 10 mil anos foi encontrado em lago na Noruega e ajudou cientistas na descoberta (Foto: Divulgação / Science / AAAS)

Novas descobertas científicas mostram que pinheiros e abetos sobreviveram à Era do Gelo na Escandinávia, ao contrário do que se pensava anteriormente. De acordo com uma pesquisa publicada na sexta-feira (2) na “Science”, as árvores teriam sobrevivido em refúgios livres de gelo.

Estudos anteriores afirmavam que as árvores teriam ressurgido na Península Escandinava quando o gelo retraiu, há 9 mil anos.

A descoberta foi feita por um grupo internacional de cientistas, após análise do DNA de pinheiros e abetos modernos. Segundo os pesquisadores, a grande quantidade de mutações encontradas prova que variedades das plantas são mais velhas que o último período glacial.

Também foi analisado o DNA de pólen obtido de sedimentos antigos obtidos na Noruega. A pesquisa descobriu que coníferas cresciam na região há 22 mil anos, quando a área ainda estava coberta por gelo.

Para os cientistas, a descoberta torna necessária a revisão dos modelos que analisam a proliferação de plantas boreais após a glaciação.

 

 

 

 

 

Fonte: Globo Natureza