20 de março de 2013 | nenhum comentário »

Aves primitivas voavam com quatro asas, diz estudo

Após analisar fósseis com mais de 100 milhões de anos, paleontólogos chineses afirmam que aves primitivas possuíam penas nos membros traseiros, que auxiliavam no voo

Algumas aves primitivas possuíam dois pares de asas, que as auxiliariam no voo. O segundo par seria, na verdade, as patas desses animais cobertas de penas. Essa é a conclusão de um grupo de paleontólogos chineses, após analisar fósseis com mais de 100 milhões de anos. O estudo foi publicado nesta sexta-feira, na revista cientifica Science.

Para os pesquisadores, o processo evolutivo teria feito com que o segundo par de asas assumisse a função de patas traseiras, que passaram a apresentar penas menores com o tempo. Pesquisas anteriores tinham descoberto aves similares a dinossauros com penas nas extremidades traseiras, mas as provas eram poucas no caso dos pássaros.

O paleontólogo Xing Xu já havia defendido a ideia dos dois pares de asas em 2003. Em um estudo publicado na revista Nature, ele descreveu o Microraptor gui, espécie de dinossauro que teria, além das asas, penas nas patas de trás. Para os pesquisadores, essas asas auxiliares seriam utilizadas para planar de árvore em árvore. Essa descoberta reforça a hipótese de que as aves teriam evoluído a partir dos dinossauros.

Evolução – No estudo atual, foram analisados 11 fósseis de aves primitivas, de 100 a 150 milhões de anos, encontrados no Museu de História Natural de Shandong Tianyu, na China. De acordo com Xing Xu, integrante do grupo de pesquisadores, os 11 pássaros estudados são de cinco espécies relativamente robustas – maiores que um corvo, mas menores que um peru. Os pesquisadores acreditam que as asas traseiras poderiam ter ajudado essas aves a manobrar no ar, enquanto batiam as asas dianteiras para voar ou as esticavam para planar.

Para os autores, o fato de as aves modernas utilizarem as pernas para locomoção indica que a perda do segundo par de asas reflete um período de mudança no qual os ‘braços’ se especializaram no voo e as pernas na locomoção terrestre.

 

 

Controvérsias – Outros especialistas, no entanto, não estão tão certos de que as penas das patas tenham sido usadas para voar e destacam que poderiam ter sido usadas com outros fins, como por exemplo, atrair possíveis parceiras. “Ninguém pensa que estes animais agitavam as patas como faziam com as asas”, disse Kevin Padian, professor de Biologia Integrativa da Universidade da Califórnia em Berkeley e um dos especialistas que revisaram o estudo antes de sua publicação.

Segundo ele, “os autores não fazem ou citam nenhuma pesquisa que apoie uma hipótese de que as penas contribuíram para nenhum tipo de voo”, mas o ponto positivo da pesquisa seria mostrar como as penas das patas mudaram com o tempo.

Fóssil

Fóssil de ave primitiva analisado no estudo, com destaque para as marcas de penas nos membros traseiros (Divulgação)

Fonte: Veja Ciência


6 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas criam “árvore da vida” com todas as aves conhecidas

Levantamento permite posicionar no espaço e no tempo quando e onde as quase 10 000 espécies conhecidas se separaram de ancestrais comuns

Cientistas da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, criaram uma gigantesca árvore filogenética (estudo da relação evolutiva entre várias espécies que possuem um ancestral comum) com as 9.993 espécies de aves conhecidas. O mapeamento do parentesco evolutivo posiciona as especiações das diferentes espécies no tempo e no espaço. “É a primeira ‘árvore da vida’ de espécies com este tamanho colocada em um mapa global”, disse à revista Nature Walter Jetz, biólogo de Yale e um dos co-autores do artigo.

“Esse levantamento é importante porque mostra as relações entre as diferentes espécies. Quanto mais próximas nos ramos, mais relacionadas do ponto de vista evolutivo. Ou seja, partilham de um ancestral comum mais recente”, afirmou ao site de VEJA o professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Mercival Roberto Francisco.

O mapeamento começou com um levantamento filogenético concluído em 2008, produzido pelos mesmos autores do estudo publicado agora na Nature. O levantamento dividiu as espécies de aves conhecidas em 158 clados, ou grupos que teriam se desenvolvido a partir de um ancestral comum. As raízes dessa escala evolutiva foram construídas a partir de dez fósseis, que são um parâmetro para calcular a taxa de mudanças das espécies ao longo do tempo. Com essa base, eles organizaram em uma árvore 6.600 espécies sobre as quais a ciência tem alguma informação genética disponível.

O problema era saber como lidar com as 3.330 espécies sem dados genéticos conhecidos. Para contornar esse gargalo, os cientistas utilizaram a informação de pássaros considerados parentes próximos, podendo assim alocá-los na árvore. Tal aproximação suscitou algumas críticas. “Para uma árvore deste tamanho, qualquer pequeno erro ocasionado por suposições, integrado a quase 10.000 espécies, pode levar à detecção de variações que simplesmente não existiram”, disse à Nature Mark Pagel, biólogo evolutivo da University of Reading, no Reino Unido. Os pesquisadores de Yale dizem ter criado milhares de configurações possíveis para o banco de dados filogenético com o objetivo de reduzir as incertezas.

Conclusões – A pesquisa de Yale mostra que as diversificações das espécies observadas na árvore tornaram-se mais intensas nos últimos 40 milhões de anos. De acordo com o professor Mercival, da UFSCar, isso está de acordo com a teoria mais aceita, segundo a qual a concentração de oxigênio e as temperaturas nas eras mais recentes da Terra permitiram uma explosão da diversidade. Entender onde – e quando – as especiações ocorreram, diz Mercival, pode ajudar a elaborar estratégias de preservação. “Quando a gente fala em conservar a biodiversidade, precisamos proteger os processos que levam ao surgimento de novas espécies”, afirma. “É necessária uma atenção especial para as regiões que conservaram processos de geração de novas espécies em épocas mais recentes.”

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ESPECIAÇÃO

Processo evolutivo pelo qual as espécies se formam, podendo ser, por exemplo, pela divisão de uma espécie em duas, dando origem a duas linhagens diferentes, ou pela transformação de uma espécie em outra, quando essa espécie acumula tantas mutações que se transforma em outra.

passaros yales genetica

Por sequenciamento de DNA, a "árvore da vida" com todas as espécies conhecidas de pássaros mostra quando e onde as diversificações ocorreram (iStockphoto)

Fonte: Veja Ciência


6 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Na natureza, espécies que cooperam podem vencer trapaceiras

Em uma pesquisa feita com leveduras, cientistas provaram que evolução pode levar variedades cooperativas a vencer as trapaceiras

A cooperação e a trapaça não são fenômenos exclusivamente humanos. Existem diversas espécies na natureza que se dispõem a produzir bens comuns, que poderão ser usados por todos — são as cooperadoras. É o caso de animais que soltam um grito de alerta para avisar da presença de predadores, mesmo que isso revele sua localização para o inimigo, ou de bactérias que produzem compostos químicos que serão usados como nutrientes para outros seres. Mas também existem trapaceiros, que usam desses bens comuns produzidos por outros seres sem dar nada em troca.

A presença dos trapaceiros representa um problema para todo o ambiente à sua volta. Uma vez que consomem o que é de todos sem produzir nada em troca, eles tendem a se reproduzir mais rápido e, no final, exaurir todo o ambiente, levando à extinção. Pesquisadores da Universidade de Washington desenvolveram um sistema com leveduras (fungos unicelulares) para simular a batalha entre cooperadores e trapaceiros, a fim de descobrir quais estratégias poderiam impedir que estes levassem todo o sistema à ruína.

Para a surpresa dos pesquisadores, eles não precisaram pôr nenhuma estratégia em prática. Em boa parte das culturas de leveduras, os cooperadores ganharam a batalha naturalmente. Em uma pesquisa publicada na edição desta semana do periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS),os pesquisadores mostraram que apesar de os trapaceiros abrirem uma vantagem inicial, em alguns casos a evolução cuidou de selecionar os melhores cooperadores, que foram capazes de dominar a cultura.

Corrida evolutiva  – Em sua pesquisa, os cientistas usaram um tipo de levedura conhecida como Saccharomyces cerevisiae, também usada na fabricação da cerveja. A partir dessa espécie, produziram dois tipos de leveduras cooperativas. A primeira, vermelha, produzia uma substância chamada adenina e necessitava de outra substância chamada lisina para viver. Já a outra levedura, amarela, precisava da adenina e produzia a lisina. Era um sistema cooperativo perfeito, que permitia a sobrevivência de ambas em um ambiente onde originalmente não havia nenhuma das duas substâncias químicas.

A fim de atrapalhar esse equilíbrio, os pesquisadores adicionaram uma levedura azul à mistura, que consumia a lisina do ambiente, mas não produzia nenhum outro nutriente. A previsão dos cientistas era de que de que a variedade azul fosse crescer de modo rápido e levar o sistema cooperativo à destruição. No entanto, as diversas populações de leveduras, que foram criadas de modo totalmente igual, evoluíram de modos diferentes. Em uma parte, os trapaceiros venceram. Em outra, as cooperadoras conseguiram expulsá-los das culturas.

Segundo os pesquisadores, dentro de cada uma das culturas aconteceu uma espécie de corrida adaptativa, na qual cooperadores e os trapaceiros ganharam mutações para garantir sua sobrevivência. Nos casos onde cooperadores ganharam, suas mutações tiveram que, além de superar a desvantagem inicial, torná-los mais adaptados que os trapaceiros. Nesses casos, a cultura conseguiu sobreviver por muito tempo e a tragédia foi evitada. Já no caso onde as mutações favoreceram os trapaceiros, a morte dos cooperadores levou à completa extinção do sistema.

Levedura da espécie Saccharomyces cerevisiae

Os pesquisadores usaram leveduras da espécie Saccharomyces cerevisiae para estudar como impedir que trapaceiros vencessem dos cooperadores (Reprodução)

Fonte: Veja Ciência


10 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Isolamento geográfico permitiu rápida evolução de dinossauros na América do Norte

Novo estudo analisa as alterações geológicas e a relação com o desenvolvimento natural de herbívoros com chifres e da espécie bico-de-pato

O surgimento da cordilheira das Montanhas Rochosas pode ter impulsionado a evolução dosdinossauros que viviam na América Norte, na região onde hoje fica o oeste americano. A hipótese foi publicada no periódico científico Plos One.

Essa nova constatação, feita por pesquisadores americanos e alemães, explica os padrões já detectados de evolução e migração de espécies de dinossauros, como os bico-de-pato e herbívoros de chifres, no período que antecedeu a extinção da espécie, há 65 milhões de anos.

“No último século, paleontologistas descobriram uma variedade de fósseis de dinossauros que viveram há 75 milhões de anos. Mas no período que antecede a queda do asteroide na Terra e o fim do período Cretáceo (hipótese mais aceita para a extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos), havia poucas espécies destes animais na América do Norte”, disse Terry Gates, pós-doutor na Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, líder da pesquisa feita em conjunto com a universidade da Carolina do Norte e do Museu de Paleontologia e Geologia de Bavaria, na Alemanha.

Para preencher essa lacuna evolutiva, os pesquisadores passaram a fazer o registro geológico do oeste da América do Norte em busca de respostas.

Mudanças geológicas - A descoberta mostrou um quadro de profunda mudança geológica. Durante o início e em meados do período Cretáceo, o magma no interior do manto terrestre levantou o solo no oeste dos Estados Unidos, criando uma enorme cadeia de montanhas.

A área ao leste da cordilheira foi pressionada para baixo, e fez surgir um banco de areia e o Mar Interior Ocidental, que inundou o continente a partir do Ártico Canadense até o Golfo do México. Isso cortou o continente em três grandes ilhas ao norte, leste e oeste. Com a divisão, os dinossauros do oeste ficaram para uma ilha conhecida como Laramídia.

Juntos e mais diversos - A nova descoberta permite compreender como os dinossauros evoluíram em uma ilha após tamanha alteração na geografia, restringindo-os à ilha de Laramídia.

“Nossa hipótese é que esse isolamento facilitou uma rápida especialização e aumentou a diversidade nos animais”, explicou Albert Prieto-Márquez, colaborador da pesquisa.

As novas espécies de bico-de-pato e de dinossauros com chifres foram nascendo a uma taxa impressionante ao longo dos 100 mil anos entre a formação das montanhas e a extinção dos dinossauros, segundo os pesquisadores. “O isolamento das populações permitiu que as espécies evoluíssem novos recursos mais rapidamente, especialmente em detalhes de ornamentação do crânio, como cristas na cabeça e chifres”, disse Gates.

Segunda alteração - Mais tarde, uma das placas tectônicas sob a costa mudou de posição e forçou o surgimento de outra cordilheira, uma espécie de prenúncio das Montanhas Rochosas, ao leste. Essa segunda mudança geológica abriu amplo território para que os dinossauros se locomovessem, reduzindo novamente a rapidez da evolução da espécie.

As mudanças geográficas não só impactaram na diversidade dos dinossauros na América do Norte, mas também podem ter tido reflexos em outras partes do mundo, interrompendo rotas de migração e abrindo outras para a Ásia e América do Sul.

Dinossauros com bico-de-pato evoluíram mais rapidamente ao ter o habitat isolado geograficamente

Dinossauros com bico-de-pato evoluíram mais rapidamente ao ter o habitat isolado geograficamente (Thinkstock)

Diagrama ilustra a diversificação de dinossauros bico-de-pato e os dinossauros com chifres durante o Cretáceo, como resultado do surgimento do mar do interior e a elevação da montanha. A escala de tempo geológico está à esquerda do diagrama em verde. À direita, silhuetas da América do Norte com áreas cobertas por água do mar durante cada um dos períodos de tempo. Lindsay Zanno


11 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Todos os dinossauros carnívoros tinham penas, diz estudo

Fóssil encontrado na Alemanha está mais próximo da base da evolução dos predadores e mais distante daquela que originou as aves, e mesmo assim era coberto de penas

Um fóssil extremamente bem preservado (como pode se perceber na foto acima) encontrado na Alemanha pode mudar tudo o que sabemos sobre os dinossauros carnívoros predadores, como os Tiranossauros. O fóssil foi apresentado nesta segunda-feira em um estudo publicado no periódico científico PNAS (Proceedings of National Academy of Sciences) e a partir dele pesquisadores alemães sugerem mudanças profundas no modo como acreditamos ser o aspecto dos grandes predadores do Jurássico, período de 199 a 145 milhões de anos atrás, no qual os dinossauros dominaram o planeta.

“Todos os dinossauros predadores tinham penas”, afirma categoricamente Oliver Rauhut, coautor do estudo e paleontólogo do Museu de Paleontologia e Geologia do Estado da Baviera. “Não seria nenhuma surpresa descobrir que as penas estavam presentes em todos os ancestrais dos dinossauros”, disse Mark Norell, co-autor do estudo e presidente da Divisão de Paleontologia do Museu Americano de História Natural, instituição que ajudou a financiar a pesquisa.

Já se sabe que ‘primos’ dos dinossauros, como os pterossauros, tinham estruturas parecidas com pelos cobrindo o corpo. Já os celurossauros, dinossauros terópodos que viveram em quase todos os continentes, na metade final do período Jurássico, tinham penas multicoloridas.

É aqui que entra em cena o fóssil descoberto pelos alemães, um jovem megalossauro batizadoSciurumimus albersdoerferi. Foi encontrado com as mandíbulas abertas e o rabo estendido acima da cabeça em uma laje de calcário em uma pedreira da Baviera, na mesma região da Alemanha onde, há 150 anos, outra amostra de um dino com penas havia sido descoberta, oArchaeopteryx lithographica.

Sciurumimus ganhou o nome em homenagem ao esquilo (que pertence ao gênero Sciurus) em função de sua cauda. O dinossauro tinha o crânio grande, patas traseiras curtas, a pele lisa e — esta é a descoberta mais importante do estudo — estava coberto de penas. A estimativa é de que ele tenha vivido há 150 milhões de anos, no período Jurássico.

Mas o Sciurumimus, mesmo cheio de penas, foi identificado como um megalossauro, mais próximo da base da linha evolutiva dos terópodos do que dos celurossauros. E isso pode mudar a percepção da aparência de tiranossauros e megalossauros, tidos até hoje (inclusive em filmes como Jurassic Park) como grandes lagartos ou parecidos com grandes crocodilos no que se refere à pele.

“Tudo o que encontramos nesses dias nos mostram o quão antiga são as características dos pássaros modernos na linha evolutiva e como esses animais eram parecidos com pássaros”, disse Mark Norell. As aves modernas são consideradas descendentes diretos dos celurossauros.

Fósseis completos como o do Sciurumimus são extremamente raros, ainda mais sendo provavelmente de um recém-nascido. Segundo os pesquisadores, esta espécie deveria se alimentar de pequenas presas e insetos. Mas o tamanho reduzido do fóssil não quer dizer que ele fosse um pequeno dinossauro carnívoro. “Sabemos, a partir de outras descobertas, que os dinossauros podiam ter um ritmo de crescimento lento”, disse Rauhut. “O Sciurumimus adulto podia chegar a quase dois metros de comprimento. Os grandes predadores podiam ser cheios de penas, mas isso não muda o fato de que estavam no topo da pirâmide alimentar.”

Fóssil do Sciurumimus

Descoberta: Fóssil de dinossauro com penas, o Sciurumimus, encontrado em uma laje de calcário no Sul da Alemanha (Divulgação/Museu Americano de História Natural)

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DIAPSIDA
Grupo de tetrápodes (vertebrados de quatro membros: répteis, aves e mamíferos são os maiores grupos). O grupo diapsida reúne todos os répteis, com exceção das tartarugas, cágados e jabutis.

ARCOSSAUROS
Grupo surgido por volta de 240 milhões de anos atrás, no período Triássico. No grupo estão os dinossauros,pterossauros, os atuais crocodilos e jacarés e as aves (que são considerados descendentes diretos dos dinossauros, portanto, são répteis também).

DINOSSAUROS
Grupo de répteis gigantes extintos que surgiu por volta de 225 milhões de anos atrás e viveu até cerca de 65 milhões de anos atrás, quando todos os dinossauros não avianos (ou seja, exceto as aves) foram extintos. Apresentavam pernas dispostas como colunas abaixo do corpo (e não voltadas para os lados, como nos jacarés). Os dinossauros são descendentes do grupo archosauria e podem ser reunidos em dois grandes ramos: saurísquios e ornitísquios (tão diferentes quanto os mamíferos marsupiais e os placentários entre eles). Apesar de seus fósseis serem conhecidos há milhares de anos (a lenda dos dragões veio daí), o termo dinossauro (deinos=terrível saurus=lagarto) só foi criado em 1842, pelo primeiro curador do Museu de História Natural de Londres, Richard Owen.

ORNITÍSQUIOS
O nome do grupo significa ‘cintura de ave’, embora as aves tenham se originado de outra linhagem dos dinossauros. Eram tanto quadrúpedes (como o Triceratops e o Stegosaurus) quanto bípedes (Lesothosaurus).

SAURÍSQUIOS
Grande grupo de dinossauros herbívoros caracterizados pelo pela pata anterior alongada e pelo pescoço comprido, muitas vezes com o leve formato de ‘S’. Fazem parte do grupo dos saurísquios os gigantescos saurópodes (os dinossauros que apareciam usados como guindastes no desenho animado Flintstones) e terápodes. Os dinossauros mais antigos são saurísquios e foram encontrados na América do Sul.

PTEROSSAURO
Répteis voadores enormes, que viveram na mesma época dos dinossauros. Alguns chegaram a ter 20 metros de envergadura de uma asa à outra. Nenhum outro animal voador foi tão grande.

TERÓPODOS
Os terápodos eram todos predadores carnívoros bípedes, e tinham aqueles ‘bracinhos’ característicos dos Tiranossauros, e, geralmente, garras e dentes afiados. Apesar do tiranossauro estar extinto, tecnicamente os terápodos ainda existem, já que as aves são descendentes de pequenos terópodos, como o Archaeopteryx, um pequeno dinossauro emplumado do tamanho de um pombo. “Acredite: o beija-flor é um dinossauro terápode tanto quanto um Tiranossauro rex”, afirma o paleontólogo Luiz Eduardo Anelli em seu livro O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil.

MEGALOSSAURO
Grandes predadores terópodos que abatiam saurópodes e até o Stegosaurus. Viviam na região onde hoje fica a Europa e a América do Norte.

CELUROSSAURO
Os celurossauros reúnem os terópodos mais aparentados com as aves. Todos tinham várias semelhanças morfológicas com as aves.

MANIRAPTORA
Grupo dos celurossauros dos quais, acredita-se, evoluíram diretamente as aves, por volta de 150 milhões de anos atrás, no período Jurássico. Faziam parte do grupo dinossauros predadores carnívoros como o Velociraptor (aparecem no filme Jurassic Park em várias cenas, como na que perseguem as crianças na cozinha do parque). Tecnicamente as aves são do grupo maniraptora.

 

Fontes: Veja Ciência, O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil, Luiz Eduardo Anelli, The Princeton Field Guide To Dinosaurs, University of California Museum of Paleontology


5 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisa reforça tese de que dinossauros tinham sangue quente e metabolismo acelerado

Marcas de ossos que até então apareciam só em répteis indicando baixa na taxa do metabolismo foram encontradas em mamíferos

As evidências de que os dinossauros tinham metabolismo semelhante ao dos répteis, como sugerem algumas linhas de pesquisa, estão sendo derrubadas pouco a pouco e a teoria de que eles tinham sangue quente e metabolismo acelerado vem ganhando cada vez mais força.

Até então se acreditava que os dinossauros eram ectotérmicos, ou seja, não tinham o controle da temperatura do próprio corpo. Essa teoria era baseada nas evidências de fósseis de dinossauros, que apresentam marcas indicando que eles paravam de crescer quando havia condições adversas, como o frio ou a falta de comida.

Mas uma pesquisa divulgada pela revista Nature traz uma forte evidência que coloca em xeque a tese de ectotermia para os dinossauros — e a revelação veio por meio dos mamíferos.

A pesquisa, conduzida pela paleontologista Meike Köhler, do Instituto Catalão de Pesquisas e Estudos Avançados, mostrou que até mesmo os mamíferos, que são homeotérmicos (têm temperatura corporal constante), possuem as marcas de desenvolvimento sazonais nos ossos, chamadas de LAGs. A sigla vem da expressão em inglês ‘Lines of Arrested Growth’, que são sinais formados em períodos do ano quando o metabolismo desacelera, deixando os ossos mais densos. Foram analisados mamíferos de diversas partes do mundo, dos trópicos aos polos. Em todos esses habitats eles apresentam as marcas nos ossos. ”Isso significa que as LAGs não são mais argumento para dizer que os dinossauros são ectotérmicos”, disse Köler.
O anatomista John Hutchinson, do Colégio Real de Veterinária, de Londres, disse que o estudo derruba a tese de que mamíferos não podem ter as LAGs como parte natural do desenvolvimento.
Para Luiz Eduardo Anelli, especialista em dinossauros e autor do livro Dinos no Brasil,a pesquisa derruba um dos questionamentos que havia quanto ao metabolismo dos dinossauros. Segundo ele, além desta pesquisa, já havia outras evidências de que esses animais poderiam ter o sangue quente.
Fonte: Veja Ciência

29 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Quanto tempo levou para a Terra se recuperar da maior extinção em massa?

Imagem: Mater Natura

250 milhões de anos atrás, a crise do fim do período Permiano atingiu a Terra. Foi o pior desastre do tipo: a maior extinção em massa do nosso planeta, que nos fez perder 90% das espécies (estimativas chegam a dizer que até 99% da vida na Terra se extinguiu).

Alguns acreditam que a causa dessa extinção foi o impacto de um meteorito ou uma atividade vulcânica. Outros pesquisadores dizem que a crise desencadeou uma série de choques físicos ambientais, como o aquecimento global, a chuva ácida, a acidificação do oceano e a anoxia (ausência de oxigênio) dos oceanos. A conclusão, de qualquer forma, é de que esse desastre alterou a composição do ar radicalmente no planeta.

A intensidade dessa crise, e crises sucessivas, fizeram com que levasse cerca de 10 milhões de anos para a vida na Terra se recuperar, de acordo com um novo estudo feito por Zhong-Qiang Chen, da Universidade de Geociências em Wuhan, China, e Michael Benton, da Universidade de Bristol, Reino Unido.

Nós, seres humanos, já causamos a extinção de espécies do planeta. Durante o nosso “mandato”, estimativas sugerem que dizimamos cerca de mil espécies de animais. Como existem (de que temos conhecimento) cerca de 8 milhões de espécies vivas hoje, isso significa que, mesmo de acordo com as estimativas mais pessimistas, acabamos com 0,01% de toda a vida animal.

Isso certamente não é motivo de orgulho, mas é muito pouco quando comparado com as grandes extinções da natureza. A comparação serve para você entender a gravidade da situação; nesse cenário, será que 10 milhões de anos foi muito tempo para tal recuperação?

A crise principal foi dramática o suficiente, mas cinco a seis milhões de anos após o desastre, o mundo continuou enfrentando condições péssimas para a existência da vida, como crises repetidas de carbono e de oxigênio, além de aquecimento global.

Essas condições não propícias impediram que os cerca de 10% das espécies sobreviventes se recuperassem rápido. Alguns até conseguiram se recuperar de forma relativamente rápida, mas a formação de sistemas complexos permanentes só foi possível após cerca de cinco milhões de anos.

Passada a gravidade dessas crises ambientais, novos grupos de animais surgiram no mar, como caranguejos, lagostas e répteis marinhos, que formaram a base dos futuros ecossistemas modernos.

Aquecimento global, chuva ácida, acidificação dos oceanos… Esses não são termos estranhos para nós, não é? Se tudo isso foi capaz de dizimar no mínimo 90% das espécies da Terra no passado, o que impede de isso acontecer de novo?

“As causas da morte das espécies – o aquecimento global, a chuva ácida, a acidificação dos oceanos – soam estranhamente familiares para nós hoje. Talvez possamos aprender alguma coisa com estes acontecimentos antigos”, disse o professor britânico Benton.

E é melhor aprendermos mesmo, a não ser que estejamos dispostos a esperar mais 10 milhões de anos por uma segunda chance.

Fonte: Mater Natura


28 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Lagartixa deixou de ter pata colante 9 vezes durante evolução, diz estudo

Cientistas verificaram ainda que sola adesiva reapareceu outras 11 vezes.
Pesquisa foi publicada na revista PLoS ONE.

Cientistas descobriram que durante o processo evolutivo das lagartixas, sua sola pegajosa — que gruda em diversos tipos de superfícies e ajuda o réptil a escalar paredes, desapareceu ao menos nove vezes, mas reapareceu outras 11 vezes, de acordo com estudo publicado nesta quarta-feira (27) na revista PLoS ONE.

A investigação científica aponta a existência de 1.450 espécies conhecidas de lagartixas, sendo que 60% delas têm patas com característica pegajoda e adesiva.

Um grupo de estudiosos da Universidade Villanova, na Pensilvânia, Estados Unidos, conseguiu construir uma árvore genealógica de lagartixas a partir da análise do DNA de muitas espécies. Em seguida, eles acrescentaram a informação sobre a existência de patas colantes, fato que ajudaria a determinar, em diferentes versões, quando essa característica surgiu.

O modelo mais provável alcançado pelos cientistas é que as patas pegajosas apareceram 11 vezes durante a formação das espécies, mas desapareceram em outras nove ocasiões ao longo da evolução da lagartixa.

Lagartixa foi flagrada tentando salvar amigo que havia sido capturado por cobra. (Foto: Reprodução/YouTube)

Lagartixas penduradas na parede. Característica pegajosa das patas sumiu ao menos nove vezes durante processo evolutivo de espécies, apontam cientistas. (Foto: Reprodução/YouTube)

Fonte: Globo Natureza


15 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas decodificam código genético do bonobo

Com o sequenciamento genético de um dos parentes mais próximos do homem, os cientistas esperam descobrir como era o ancestral comum entre o ser humano e outros primatas

Um grupo internacional de cientistas decodificou o código genético do bonobo. Entre os símios – grupo de primatas formado por orangotangos, chimpanzés, gorilas e bonobos -, esse é o último a ter seu genoma decodificado. O sequenciamento genético do bonobo foi publicado nesta terça-feira na revista Nature.

Para realizar a pesquisa, os cientistas obtiveram dados de Ulindi, uma fêmea de bonobo do zoológico de Leipzig, na Alemanha. Com essa informação genética, os cientistas esperam conhecer melhor a linhagem humana.

Semelhanças e diferenças — A comparação entre os genomas do bonobo, do chimpanzé e do homem mostrou que os humanos têm uma diferenciação de 1,3% de ambos. Chimpanzés e bonobos são mais próximos: a diferença genética entre eles é de apenas 0,4%

Embora sejam similares em muitos aspectos, os símios africanos diferem em comportamentos sociais e sexuais importantes e alguns demonstram mais similaridade com os humanos do que entre si.

Para o cientista Kay Pruefer, biólogo do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva (Alemanha), a pesquisa forneceu mais informações sobre bonobos e chimpanzés do que sobre os humanos.

Em busca do ancestral comum — “Esperamos que o entendimento das diferenças entre bonobos e chimpanzés nos ajude, um dia, a entender como era o ancestral comum (de humanos, chimpanzés e bonobos)”, disse Pruefer. ”Seria muito interessante descobrir qual foi o traço que os humanos adquiriram em sua evolução ao longo de milhões de anos”, concluiu.

Os cientistas explicaram que o sequenciamento genético demonstrou que bonobos e chimpanzés não se misturaram ou cruzaram entre si depois que seus caminhos se separaram geograficamente, cerca de dois milhões de anos atrás, provavelmente na época da formação do Rio Congo.

Chimpanzés

Os machos competem agressivamente por domínio e sexo e unem forças para defender seu território atacando outros grupos.

Esses animais se espalham ao longo da África equatorial.

Bonobos

Os machos costumam ser subordinados às fêmeas, não competem por hierarquia e não tomam parte em confrontos. São animais brincalhões e fazem sexo por diversão, não apenas para se reproduzir.

Estão restritos ao sul do Rio Congo, na República Democrática do Congo. Devido ao seu hábitat pequeno e remoto, os bonobos foram a última espécie de símios “descoberta” nos 1920, e são os mais raros de todos os símios em cativeiro.

Espécie de chimpanzé banobo

Cientistas divulgaram nesta terça-feira o sequenciamento genético dos bonobos, um dos parentes mais próximos do homem (Issouf Sanogo/AFP)

Fonte: Veja Ciência


13 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Borboletas preferem machos com asas mais vistosas

Pesquisadores de Yale estudaram o processo de evolução das asas da espécie ‘Bicyclus anynana’

Uma pergunta sempre intrigou os biólogos que estudam a seleção sexual (quando se trata não da disputa pela sobrevivência e sim pela chance de se reproduzir): se as borboletas fêmeas identificam os machos de sua espécie pelo padrão das manchas em suas asas, como novos padrões de asas se desenvolvem nos machos?

Para buscar a resposta, pesquisadores da Universidade de Yale fizeram um estudo com borboletas da espécie Bicyclus anynana e concluíram que as fêmeas são predispostas a gostar de um modelo específico, mas que ao longo da vida elas podem adquirir novas preferências, geralmente por machos com cores mais vistosas. O trabalho foi publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

As borboletas Bicyclus anynananaturalmente têm duas manchas em suas asas. Para descobrir como as fêmeas podem gostar de outros padrões de cores, os pesquisadores colocaram um grupo de fêmeas em contato com borboletas com quatro manchas. A partir de então, essas não deram mais preferência aos machos com duas manchas.

Em contrapartida, as fêmeas inicialmente expostas a machos com uma ou nenhuma mancha, com tons de cinza e marrom, não mudaram suas preferências originais.

“O que nos surpreendeu foi que as fêmeas adquiriam essa preferência depois de pouco tempo em contato com machos”, disse Erica L. Westerman, do Departamento de Biologia e Ecologia Evolucionista de Yale e principal autora do estudo.

“Existe um modelo de aprendizado, e elas aprenderam que ornamentação extra é melhor”, disse a escocesa Antónia Monteiro, pesquisadora de Yale e uma das autoras do estudo.

As descobertas de que o ambiente social pode mudar a preferência de borboletas fêmeas ajuda a explicar como novos modelos de asas evoluem, dizem os pesquisadores. Agora Westerman e sua equipe querem agora descobrir como as fêmeas aprendem a fazer as suas escolhas.

“Nós estamos agora investigando o que impede as fêmeas de se acasalarem com machos de outras espécies durante o período de aprendizagem,” diz Westerman.

borboleta

As borboletas Bicyclus anynana usam padrão de asa para identificar machos da mesma espécie (Cortesia - Universidade de Yale)

Fonte: Veja Ciência


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20 de março de 2013 | nenhum comentário »

Aves primitivas voavam com quatro asas, diz estudo

Após analisar fósseis com mais de 100 milhões de anos, paleontólogos chineses afirmam que aves primitivas possuíam penas nos membros traseiros, que auxiliavam no voo

Algumas aves primitivas possuíam dois pares de asas, que as auxiliariam no voo. O segundo par seria, na verdade, as patas desses animais cobertas de penas. Essa é a conclusão de um grupo de paleontólogos chineses, após analisar fósseis com mais de 100 milhões de anos. O estudo foi publicado nesta sexta-feira, na revista cientifica Science.

Para os pesquisadores, o processo evolutivo teria feito com que o segundo par de asas assumisse a função de patas traseiras, que passaram a apresentar penas menores com o tempo. Pesquisas anteriores tinham descoberto aves similares a dinossauros com penas nas extremidades traseiras, mas as provas eram poucas no caso dos pássaros.

O paleontólogo Xing Xu já havia defendido a ideia dos dois pares de asas em 2003. Em um estudo publicado na revista Nature, ele descreveu o Microraptor gui, espécie de dinossauro que teria, além das asas, penas nas patas de trás. Para os pesquisadores, essas asas auxiliares seriam utilizadas para planar de árvore em árvore. Essa descoberta reforça a hipótese de que as aves teriam evoluído a partir dos dinossauros.

Evolução – No estudo atual, foram analisados 11 fósseis de aves primitivas, de 100 a 150 milhões de anos, encontrados no Museu de História Natural de Shandong Tianyu, na China. De acordo com Xing Xu, integrante do grupo de pesquisadores, os 11 pássaros estudados são de cinco espécies relativamente robustas – maiores que um corvo, mas menores que um peru. Os pesquisadores acreditam que as asas traseiras poderiam ter ajudado essas aves a manobrar no ar, enquanto batiam as asas dianteiras para voar ou as esticavam para planar.

Para os autores, o fato de as aves modernas utilizarem as pernas para locomoção indica que a perda do segundo par de asas reflete um período de mudança no qual os ‘braços’ se especializaram no voo e as pernas na locomoção terrestre.

 

 

Controvérsias – Outros especialistas, no entanto, não estão tão certos de que as penas das patas tenham sido usadas para voar e destacam que poderiam ter sido usadas com outros fins, como por exemplo, atrair possíveis parceiras. “Ninguém pensa que estes animais agitavam as patas como faziam com as asas”, disse Kevin Padian, professor de Biologia Integrativa da Universidade da Califórnia em Berkeley e um dos especialistas que revisaram o estudo antes de sua publicação.

Segundo ele, “os autores não fazem ou citam nenhuma pesquisa que apoie uma hipótese de que as penas contribuíram para nenhum tipo de voo”, mas o ponto positivo da pesquisa seria mostrar como as penas das patas mudaram com o tempo.

Fóssil

Fóssil de ave primitiva analisado no estudo, com destaque para as marcas de penas nos membros traseiros (Divulgação)

Fonte: Veja Ciência


6 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas criam “árvore da vida” com todas as aves conhecidas

Levantamento permite posicionar no espaço e no tempo quando e onde as quase 10 000 espécies conhecidas se separaram de ancestrais comuns

Cientistas da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, criaram uma gigantesca árvore filogenética (estudo da relação evolutiva entre várias espécies que possuem um ancestral comum) com as 9.993 espécies de aves conhecidas. O mapeamento do parentesco evolutivo posiciona as especiações das diferentes espécies no tempo e no espaço. “É a primeira ‘árvore da vida’ de espécies com este tamanho colocada em um mapa global”, disse à revista Nature Walter Jetz, biólogo de Yale e um dos co-autores do artigo.

“Esse levantamento é importante porque mostra as relações entre as diferentes espécies. Quanto mais próximas nos ramos, mais relacionadas do ponto de vista evolutivo. Ou seja, partilham de um ancestral comum mais recente”, afirmou ao site de VEJA o professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Mercival Roberto Francisco.

O mapeamento começou com um levantamento filogenético concluído em 2008, produzido pelos mesmos autores do estudo publicado agora na Nature. O levantamento dividiu as espécies de aves conhecidas em 158 clados, ou grupos que teriam se desenvolvido a partir de um ancestral comum. As raízes dessa escala evolutiva foram construídas a partir de dez fósseis, que são um parâmetro para calcular a taxa de mudanças das espécies ao longo do tempo. Com essa base, eles organizaram em uma árvore 6.600 espécies sobre as quais a ciência tem alguma informação genética disponível.

O problema era saber como lidar com as 3.330 espécies sem dados genéticos conhecidos. Para contornar esse gargalo, os cientistas utilizaram a informação de pássaros considerados parentes próximos, podendo assim alocá-los na árvore. Tal aproximação suscitou algumas críticas. “Para uma árvore deste tamanho, qualquer pequeno erro ocasionado por suposições, integrado a quase 10.000 espécies, pode levar à detecção de variações que simplesmente não existiram”, disse à Nature Mark Pagel, biólogo evolutivo da University of Reading, no Reino Unido. Os pesquisadores de Yale dizem ter criado milhares de configurações possíveis para o banco de dados filogenético com o objetivo de reduzir as incertezas.

Conclusões – A pesquisa de Yale mostra que as diversificações das espécies observadas na árvore tornaram-se mais intensas nos últimos 40 milhões de anos. De acordo com o professor Mercival, da UFSCar, isso está de acordo com a teoria mais aceita, segundo a qual a concentração de oxigênio e as temperaturas nas eras mais recentes da Terra permitiram uma explosão da diversidade. Entender onde – e quando – as especiações ocorreram, diz Mercival, pode ajudar a elaborar estratégias de preservação. “Quando a gente fala em conservar a biodiversidade, precisamos proteger os processos que levam ao surgimento de novas espécies”, afirma. “É necessária uma atenção especial para as regiões que conservaram processos de geração de novas espécies em épocas mais recentes.”

Saiba mais

ESPECIAÇÃO

Processo evolutivo pelo qual as espécies se formam, podendo ser, por exemplo, pela divisão de uma espécie em duas, dando origem a duas linhagens diferentes, ou pela transformação de uma espécie em outra, quando essa espécie acumula tantas mutações que se transforma em outra.

passaros yales genetica

Por sequenciamento de DNA, a "árvore da vida" com todas as espécies conhecidas de pássaros mostra quando e onde as diversificações ocorreram (iStockphoto)

Fonte: Veja Ciência


6 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Na natureza, espécies que cooperam podem vencer trapaceiras

Em uma pesquisa feita com leveduras, cientistas provaram que evolução pode levar variedades cooperativas a vencer as trapaceiras

A cooperação e a trapaça não são fenômenos exclusivamente humanos. Existem diversas espécies na natureza que se dispõem a produzir bens comuns, que poderão ser usados por todos — são as cooperadoras. É o caso de animais que soltam um grito de alerta para avisar da presença de predadores, mesmo que isso revele sua localização para o inimigo, ou de bactérias que produzem compostos químicos que serão usados como nutrientes para outros seres. Mas também existem trapaceiros, que usam desses bens comuns produzidos por outros seres sem dar nada em troca.

A presença dos trapaceiros representa um problema para todo o ambiente à sua volta. Uma vez que consomem o que é de todos sem produzir nada em troca, eles tendem a se reproduzir mais rápido e, no final, exaurir todo o ambiente, levando à extinção. Pesquisadores da Universidade de Washington desenvolveram um sistema com leveduras (fungos unicelulares) para simular a batalha entre cooperadores e trapaceiros, a fim de descobrir quais estratégias poderiam impedir que estes levassem todo o sistema à ruína.

Para a surpresa dos pesquisadores, eles não precisaram pôr nenhuma estratégia em prática. Em boa parte das culturas de leveduras, os cooperadores ganharam a batalha naturalmente. Em uma pesquisa publicada na edição desta semana do periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS),os pesquisadores mostraram que apesar de os trapaceiros abrirem uma vantagem inicial, em alguns casos a evolução cuidou de selecionar os melhores cooperadores, que foram capazes de dominar a cultura.

Corrida evolutiva  – Em sua pesquisa, os cientistas usaram um tipo de levedura conhecida como Saccharomyces cerevisiae, também usada na fabricação da cerveja. A partir dessa espécie, produziram dois tipos de leveduras cooperativas. A primeira, vermelha, produzia uma substância chamada adenina e necessitava de outra substância chamada lisina para viver. Já a outra levedura, amarela, precisava da adenina e produzia a lisina. Era um sistema cooperativo perfeito, que permitia a sobrevivência de ambas em um ambiente onde originalmente não havia nenhuma das duas substâncias químicas.

A fim de atrapalhar esse equilíbrio, os pesquisadores adicionaram uma levedura azul à mistura, que consumia a lisina do ambiente, mas não produzia nenhum outro nutriente. A previsão dos cientistas era de que de que a variedade azul fosse crescer de modo rápido e levar o sistema cooperativo à destruição. No entanto, as diversas populações de leveduras, que foram criadas de modo totalmente igual, evoluíram de modos diferentes. Em uma parte, os trapaceiros venceram. Em outra, as cooperadoras conseguiram expulsá-los das culturas.

Segundo os pesquisadores, dentro de cada uma das culturas aconteceu uma espécie de corrida adaptativa, na qual cooperadores e os trapaceiros ganharam mutações para garantir sua sobrevivência. Nos casos onde cooperadores ganharam, suas mutações tiveram que, além de superar a desvantagem inicial, torná-los mais adaptados que os trapaceiros. Nesses casos, a cultura conseguiu sobreviver por muito tempo e a tragédia foi evitada. Já no caso onde as mutações favoreceram os trapaceiros, a morte dos cooperadores levou à completa extinção do sistema.

Levedura da espécie Saccharomyces cerevisiae

Os pesquisadores usaram leveduras da espécie Saccharomyces cerevisiae para estudar como impedir que trapaceiros vencessem dos cooperadores (Reprodução)

Fonte: Veja Ciência


10 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Isolamento geográfico permitiu rápida evolução de dinossauros na América do Norte

Novo estudo analisa as alterações geológicas e a relação com o desenvolvimento natural de herbívoros com chifres e da espécie bico-de-pato

O surgimento da cordilheira das Montanhas Rochosas pode ter impulsionado a evolução dosdinossauros que viviam na América Norte, na região onde hoje fica o oeste americano. A hipótese foi publicada no periódico científico Plos One.

Essa nova constatação, feita por pesquisadores americanos e alemães, explica os padrões já detectados de evolução e migração de espécies de dinossauros, como os bico-de-pato e herbívoros de chifres, no período que antecedeu a extinção da espécie, há 65 milhões de anos.

“No último século, paleontologistas descobriram uma variedade de fósseis de dinossauros que viveram há 75 milhões de anos. Mas no período que antecede a queda do asteroide na Terra e o fim do período Cretáceo (hipótese mais aceita para a extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos), havia poucas espécies destes animais na América do Norte”, disse Terry Gates, pós-doutor na Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, líder da pesquisa feita em conjunto com a universidade da Carolina do Norte e do Museu de Paleontologia e Geologia de Bavaria, na Alemanha.

Para preencher essa lacuna evolutiva, os pesquisadores passaram a fazer o registro geológico do oeste da América do Norte em busca de respostas.

Mudanças geológicas - A descoberta mostrou um quadro de profunda mudança geológica. Durante o início e em meados do período Cretáceo, o magma no interior do manto terrestre levantou o solo no oeste dos Estados Unidos, criando uma enorme cadeia de montanhas.

A área ao leste da cordilheira foi pressionada para baixo, e fez surgir um banco de areia e o Mar Interior Ocidental, que inundou o continente a partir do Ártico Canadense até o Golfo do México. Isso cortou o continente em três grandes ilhas ao norte, leste e oeste. Com a divisão, os dinossauros do oeste ficaram para uma ilha conhecida como Laramídia.

Juntos e mais diversos - A nova descoberta permite compreender como os dinossauros evoluíram em uma ilha após tamanha alteração na geografia, restringindo-os à ilha de Laramídia.

“Nossa hipótese é que esse isolamento facilitou uma rápida especialização e aumentou a diversidade nos animais”, explicou Albert Prieto-Márquez, colaborador da pesquisa.

As novas espécies de bico-de-pato e de dinossauros com chifres foram nascendo a uma taxa impressionante ao longo dos 100 mil anos entre a formação das montanhas e a extinção dos dinossauros, segundo os pesquisadores. “O isolamento das populações permitiu que as espécies evoluíssem novos recursos mais rapidamente, especialmente em detalhes de ornamentação do crânio, como cristas na cabeça e chifres”, disse Gates.

Segunda alteração - Mais tarde, uma das placas tectônicas sob a costa mudou de posição e forçou o surgimento de outra cordilheira, uma espécie de prenúncio das Montanhas Rochosas, ao leste. Essa segunda mudança geológica abriu amplo território para que os dinossauros se locomovessem, reduzindo novamente a rapidez da evolução da espécie.

As mudanças geográficas não só impactaram na diversidade dos dinossauros na América do Norte, mas também podem ter tido reflexos em outras partes do mundo, interrompendo rotas de migração e abrindo outras para a Ásia e América do Sul.

Dinossauros com bico-de-pato evoluíram mais rapidamente ao ter o habitat isolado geograficamente

Dinossauros com bico-de-pato evoluíram mais rapidamente ao ter o habitat isolado geograficamente (Thinkstock)

Diagrama ilustra a diversificação de dinossauros bico-de-pato e os dinossauros com chifres durante o Cretáceo, como resultado do surgimento do mar do interior e a elevação da montanha. A escala de tempo geológico está à esquerda do diagrama em verde. À direita, silhuetas da América do Norte com áreas cobertas por água do mar durante cada um dos períodos de tempo. Lindsay Zanno


11 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Todos os dinossauros carnívoros tinham penas, diz estudo

Fóssil encontrado na Alemanha está mais próximo da base da evolução dos predadores e mais distante daquela que originou as aves, e mesmo assim era coberto de penas

Um fóssil extremamente bem preservado (como pode se perceber na foto acima) encontrado na Alemanha pode mudar tudo o que sabemos sobre os dinossauros carnívoros predadores, como os Tiranossauros. O fóssil foi apresentado nesta segunda-feira em um estudo publicado no periódico científico PNAS (Proceedings of National Academy of Sciences) e a partir dele pesquisadores alemães sugerem mudanças profundas no modo como acreditamos ser o aspecto dos grandes predadores do Jurássico, período de 199 a 145 milhões de anos atrás, no qual os dinossauros dominaram o planeta.

“Todos os dinossauros predadores tinham penas”, afirma categoricamente Oliver Rauhut, coautor do estudo e paleontólogo do Museu de Paleontologia e Geologia do Estado da Baviera. “Não seria nenhuma surpresa descobrir que as penas estavam presentes em todos os ancestrais dos dinossauros”, disse Mark Norell, co-autor do estudo e presidente da Divisão de Paleontologia do Museu Americano de História Natural, instituição que ajudou a financiar a pesquisa.

Já se sabe que ‘primos’ dos dinossauros, como os pterossauros, tinham estruturas parecidas com pelos cobrindo o corpo. Já os celurossauros, dinossauros terópodos que viveram em quase todos os continentes, na metade final do período Jurássico, tinham penas multicoloridas.

É aqui que entra em cena o fóssil descoberto pelos alemães, um jovem megalossauro batizadoSciurumimus albersdoerferi. Foi encontrado com as mandíbulas abertas e o rabo estendido acima da cabeça em uma laje de calcário em uma pedreira da Baviera, na mesma região da Alemanha onde, há 150 anos, outra amostra de um dino com penas havia sido descoberta, oArchaeopteryx lithographica.

Sciurumimus ganhou o nome em homenagem ao esquilo (que pertence ao gênero Sciurus) em função de sua cauda. O dinossauro tinha o crânio grande, patas traseiras curtas, a pele lisa e — esta é a descoberta mais importante do estudo — estava coberto de penas. A estimativa é de que ele tenha vivido há 150 milhões de anos, no período Jurássico.

Mas o Sciurumimus, mesmo cheio de penas, foi identificado como um megalossauro, mais próximo da base da linha evolutiva dos terópodos do que dos celurossauros. E isso pode mudar a percepção da aparência de tiranossauros e megalossauros, tidos até hoje (inclusive em filmes como Jurassic Park) como grandes lagartos ou parecidos com grandes crocodilos no que se refere à pele.

“Tudo o que encontramos nesses dias nos mostram o quão antiga são as características dos pássaros modernos na linha evolutiva e como esses animais eram parecidos com pássaros”, disse Mark Norell. As aves modernas são consideradas descendentes diretos dos celurossauros.

Fósseis completos como o do Sciurumimus são extremamente raros, ainda mais sendo provavelmente de um recém-nascido. Segundo os pesquisadores, esta espécie deveria se alimentar de pequenas presas e insetos. Mas o tamanho reduzido do fóssil não quer dizer que ele fosse um pequeno dinossauro carnívoro. “Sabemos, a partir de outras descobertas, que os dinossauros podiam ter um ritmo de crescimento lento”, disse Rauhut. “O Sciurumimus adulto podia chegar a quase dois metros de comprimento. Os grandes predadores podiam ser cheios de penas, mas isso não muda o fato de que estavam no topo da pirâmide alimentar.”

Fóssil do Sciurumimus

Descoberta: Fóssil de dinossauro com penas, o Sciurumimus, encontrado em uma laje de calcário no Sul da Alemanha (Divulgação/Museu Americano de História Natural)

Saiba mais

DIAPSIDA
Grupo de tetrápodes (vertebrados de quatro membros: répteis, aves e mamíferos são os maiores grupos). O grupo diapsida reúne todos os répteis, com exceção das tartarugas, cágados e jabutis.

ARCOSSAUROS
Grupo surgido por volta de 240 milhões de anos atrás, no período Triássico. No grupo estão os dinossauros,pterossauros, os atuais crocodilos e jacarés e as aves (que são considerados descendentes diretos dos dinossauros, portanto, são répteis também).

DINOSSAUROS
Grupo de répteis gigantes extintos que surgiu por volta de 225 milhões de anos atrás e viveu até cerca de 65 milhões de anos atrás, quando todos os dinossauros não avianos (ou seja, exceto as aves) foram extintos. Apresentavam pernas dispostas como colunas abaixo do corpo (e não voltadas para os lados, como nos jacarés). Os dinossauros são descendentes do grupo archosauria e podem ser reunidos em dois grandes ramos: saurísquios e ornitísquios (tão diferentes quanto os mamíferos marsupiais e os placentários entre eles). Apesar de seus fósseis serem conhecidos há milhares de anos (a lenda dos dragões veio daí), o termo dinossauro (deinos=terrível saurus=lagarto) só foi criado em 1842, pelo primeiro curador do Museu de História Natural de Londres, Richard Owen.

ORNITÍSQUIOS
O nome do grupo significa ‘cintura de ave’, embora as aves tenham se originado de outra linhagem dos dinossauros. Eram tanto quadrúpedes (como o Triceratops e o Stegosaurus) quanto bípedes (Lesothosaurus).

SAURÍSQUIOS
Grande grupo de dinossauros herbívoros caracterizados pelo pela pata anterior alongada e pelo pescoço comprido, muitas vezes com o leve formato de ‘S’. Fazem parte do grupo dos saurísquios os gigantescos saurópodes (os dinossauros que apareciam usados como guindastes no desenho animado Flintstones) e terápodes. Os dinossauros mais antigos são saurísquios e foram encontrados na América do Sul.

PTEROSSAURO
Répteis voadores enormes, que viveram na mesma época dos dinossauros. Alguns chegaram a ter 20 metros de envergadura de uma asa à outra. Nenhum outro animal voador foi tão grande.

TERÓPODOS
Os terápodos eram todos predadores carnívoros bípedes, e tinham aqueles ‘bracinhos’ característicos dos Tiranossauros, e, geralmente, garras e dentes afiados. Apesar do tiranossauro estar extinto, tecnicamente os terápodos ainda existem, já que as aves são descendentes de pequenos terópodos, como o Archaeopteryx, um pequeno dinossauro emplumado do tamanho de um pombo. “Acredite: o beija-flor é um dinossauro terápode tanto quanto um Tiranossauro rex”, afirma o paleontólogo Luiz Eduardo Anelli em seu livro O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil.

MEGALOSSAURO
Grandes predadores terópodos que abatiam saurópodes e até o Stegosaurus. Viviam na região onde hoje fica a Europa e a América do Norte.

CELUROSSAURO
Os celurossauros reúnem os terópodos mais aparentados com as aves. Todos tinham várias semelhanças morfológicas com as aves.

MANIRAPTORA
Grupo dos celurossauros dos quais, acredita-se, evoluíram diretamente as aves, por volta de 150 milhões de anos atrás, no período Jurássico. Faziam parte do grupo dinossauros predadores carnívoros como o Velociraptor (aparecem no filme Jurassic Park em várias cenas, como na que perseguem as crianças na cozinha do parque). Tecnicamente as aves são do grupo maniraptora.

 

Fontes: Veja Ciência, O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil, Luiz Eduardo Anelli, The Princeton Field Guide To Dinosaurs, University of California Museum of Paleontology


5 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisa reforça tese de que dinossauros tinham sangue quente e metabolismo acelerado

Marcas de ossos que até então apareciam só em répteis indicando baixa na taxa do metabolismo foram encontradas em mamíferos

As evidências de que os dinossauros tinham metabolismo semelhante ao dos répteis, como sugerem algumas linhas de pesquisa, estão sendo derrubadas pouco a pouco e a teoria de que eles tinham sangue quente e metabolismo acelerado vem ganhando cada vez mais força.

Até então se acreditava que os dinossauros eram ectotérmicos, ou seja, não tinham o controle da temperatura do próprio corpo. Essa teoria era baseada nas evidências de fósseis de dinossauros, que apresentam marcas indicando que eles paravam de crescer quando havia condições adversas, como o frio ou a falta de comida.

Mas uma pesquisa divulgada pela revista Nature traz uma forte evidência que coloca em xeque a tese de ectotermia para os dinossauros — e a revelação veio por meio dos mamíferos.

A pesquisa, conduzida pela paleontologista Meike Köhler, do Instituto Catalão de Pesquisas e Estudos Avançados, mostrou que até mesmo os mamíferos, que são homeotérmicos (têm temperatura corporal constante), possuem as marcas de desenvolvimento sazonais nos ossos, chamadas de LAGs. A sigla vem da expressão em inglês ‘Lines of Arrested Growth’, que são sinais formados em períodos do ano quando o metabolismo desacelera, deixando os ossos mais densos. Foram analisados mamíferos de diversas partes do mundo, dos trópicos aos polos. Em todos esses habitats eles apresentam as marcas nos ossos. ”Isso significa que as LAGs não são mais argumento para dizer que os dinossauros são ectotérmicos”, disse Köler.
O anatomista John Hutchinson, do Colégio Real de Veterinária, de Londres, disse que o estudo derruba a tese de que mamíferos não podem ter as LAGs como parte natural do desenvolvimento.
Para Luiz Eduardo Anelli, especialista em dinossauros e autor do livro Dinos no Brasil,a pesquisa derruba um dos questionamentos que havia quanto ao metabolismo dos dinossauros. Segundo ele, além desta pesquisa, já havia outras evidências de que esses animais poderiam ter o sangue quente.
Fonte: Veja Ciência

29 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Quanto tempo levou para a Terra se recuperar da maior extinção em massa?

Imagem: Mater Natura

250 milhões de anos atrás, a crise do fim do período Permiano atingiu a Terra. Foi o pior desastre do tipo: a maior extinção em massa do nosso planeta, que nos fez perder 90% das espécies (estimativas chegam a dizer que até 99% da vida na Terra se extinguiu).

Alguns acreditam que a causa dessa extinção foi o impacto de um meteorito ou uma atividade vulcânica. Outros pesquisadores dizem que a crise desencadeou uma série de choques físicos ambientais, como o aquecimento global, a chuva ácida, a acidificação do oceano e a anoxia (ausência de oxigênio) dos oceanos. A conclusão, de qualquer forma, é de que esse desastre alterou a composição do ar radicalmente no planeta.

A intensidade dessa crise, e crises sucessivas, fizeram com que levasse cerca de 10 milhões de anos para a vida na Terra se recuperar, de acordo com um novo estudo feito por Zhong-Qiang Chen, da Universidade de Geociências em Wuhan, China, e Michael Benton, da Universidade de Bristol, Reino Unido.

Nós, seres humanos, já causamos a extinção de espécies do planeta. Durante o nosso “mandato”, estimativas sugerem que dizimamos cerca de mil espécies de animais. Como existem (de que temos conhecimento) cerca de 8 milhões de espécies vivas hoje, isso significa que, mesmo de acordo com as estimativas mais pessimistas, acabamos com 0,01% de toda a vida animal.

Isso certamente não é motivo de orgulho, mas é muito pouco quando comparado com as grandes extinções da natureza. A comparação serve para você entender a gravidade da situação; nesse cenário, será que 10 milhões de anos foi muito tempo para tal recuperação?

A crise principal foi dramática o suficiente, mas cinco a seis milhões de anos após o desastre, o mundo continuou enfrentando condições péssimas para a existência da vida, como crises repetidas de carbono e de oxigênio, além de aquecimento global.

Essas condições não propícias impediram que os cerca de 10% das espécies sobreviventes se recuperassem rápido. Alguns até conseguiram se recuperar de forma relativamente rápida, mas a formação de sistemas complexos permanentes só foi possível após cerca de cinco milhões de anos.

Passada a gravidade dessas crises ambientais, novos grupos de animais surgiram no mar, como caranguejos, lagostas e répteis marinhos, que formaram a base dos futuros ecossistemas modernos.

Aquecimento global, chuva ácida, acidificação dos oceanos… Esses não são termos estranhos para nós, não é? Se tudo isso foi capaz de dizimar no mínimo 90% das espécies da Terra no passado, o que impede de isso acontecer de novo?

“As causas da morte das espécies – o aquecimento global, a chuva ácida, a acidificação dos oceanos – soam estranhamente familiares para nós hoje. Talvez possamos aprender alguma coisa com estes acontecimentos antigos”, disse o professor britânico Benton.

E é melhor aprendermos mesmo, a não ser que estejamos dispostos a esperar mais 10 milhões de anos por uma segunda chance.

Fonte: Mater Natura


28 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Lagartixa deixou de ter pata colante 9 vezes durante evolução, diz estudo

Cientistas verificaram ainda que sola adesiva reapareceu outras 11 vezes.
Pesquisa foi publicada na revista PLoS ONE.

Cientistas descobriram que durante o processo evolutivo das lagartixas, sua sola pegajosa — que gruda em diversos tipos de superfícies e ajuda o réptil a escalar paredes, desapareceu ao menos nove vezes, mas reapareceu outras 11 vezes, de acordo com estudo publicado nesta quarta-feira (27) na revista PLoS ONE.

A investigação científica aponta a existência de 1.450 espécies conhecidas de lagartixas, sendo que 60% delas têm patas com característica pegajoda e adesiva.

Um grupo de estudiosos da Universidade Villanova, na Pensilvânia, Estados Unidos, conseguiu construir uma árvore genealógica de lagartixas a partir da análise do DNA de muitas espécies. Em seguida, eles acrescentaram a informação sobre a existência de patas colantes, fato que ajudaria a determinar, em diferentes versões, quando essa característica surgiu.

O modelo mais provável alcançado pelos cientistas é que as patas pegajosas apareceram 11 vezes durante a formação das espécies, mas desapareceram em outras nove ocasiões ao longo da evolução da lagartixa.

Lagartixa foi flagrada tentando salvar amigo que havia sido capturado por cobra. (Foto: Reprodução/YouTube)

Lagartixas penduradas na parede. Característica pegajosa das patas sumiu ao menos nove vezes durante processo evolutivo de espécies, apontam cientistas. (Foto: Reprodução/YouTube)

Fonte: Globo Natureza


15 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas decodificam código genético do bonobo

Com o sequenciamento genético de um dos parentes mais próximos do homem, os cientistas esperam descobrir como era o ancestral comum entre o ser humano e outros primatas

Um grupo internacional de cientistas decodificou o código genético do bonobo. Entre os símios – grupo de primatas formado por orangotangos, chimpanzés, gorilas e bonobos -, esse é o último a ter seu genoma decodificado. O sequenciamento genético do bonobo foi publicado nesta terça-feira na revista Nature.

Para realizar a pesquisa, os cientistas obtiveram dados de Ulindi, uma fêmea de bonobo do zoológico de Leipzig, na Alemanha. Com essa informação genética, os cientistas esperam conhecer melhor a linhagem humana.

Semelhanças e diferenças — A comparação entre os genomas do bonobo, do chimpanzé e do homem mostrou que os humanos têm uma diferenciação de 1,3% de ambos. Chimpanzés e bonobos são mais próximos: a diferença genética entre eles é de apenas 0,4%

Embora sejam similares em muitos aspectos, os símios africanos diferem em comportamentos sociais e sexuais importantes e alguns demonstram mais similaridade com os humanos do que entre si.

Para o cientista Kay Pruefer, biólogo do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva (Alemanha), a pesquisa forneceu mais informações sobre bonobos e chimpanzés do que sobre os humanos.

Em busca do ancestral comum — “Esperamos que o entendimento das diferenças entre bonobos e chimpanzés nos ajude, um dia, a entender como era o ancestral comum (de humanos, chimpanzés e bonobos)”, disse Pruefer. ”Seria muito interessante descobrir qual foi o traço que os humanos adquiriram em sua evolução ao longo de milhões de anos”, concluiu.

Os cientistas explicaram que o sequenciamento genético demonstrou que bonobos e chimpanzés não se misturaram ou cruzaram entre si depois que seus caminhos se separaram geograficamente, cerca de dois milhões de anos atrás, provavelmente na época da formação do Rio Congo.

Chimpanzés

Os machos competem agressivamente por domínio e sexo e unem forças para defender seu território atacando outros grupos.

Esses animais se espalham ao longo da África equatorial.

Bonobos

Os machos costumam ser subordinados às fêmeas, não competem por hierarquia e não tomam parte em confrontos. São animais brincalhões e fazem sexo por diversão, não apenas para se reproduzir.

Estão restritos ao sul do Rio Congo, na República Democrática do Congo. Devido ao seu hábitat pequeno e remoto, os bonobos foram a última espécie de símios “descoberta” nos 1920, e são os mais raros de todos os símios em cativeiro.

Espécie de chimpanzé banobo

Cientistas divulgaram nesta terça-feira o sequenciamento genético dos bonobos, um dos parentes mais próximos do homem (Issouf Sanogo/AFP)

Fonte: Veja Ciência


13 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Borboletas preferem machos com asas mais vistosas

Pesquisadores de Yale estudaram o processo de evolução das asas da espécie ‘Bicyclus anynana’

Uma pergunta sempre intrigou os biólogos que estudam a seleção sexual (quando se trata não da disputa pela sobrevivência e sim pela chance de se reproduzir): se as borboletas fêmeas identificam os machos de sua espécie pelo padrão das manchas em suas asas, como novos padrões de asas se desenvolvem nos machos?

Para buscar a resposta, pesquisadores da Universidade de Yale fizeram um estudo com borboletas da espécie Bicyclus anynana e concluíram que as fêmeas são predispostas a gostar de um modelo específico, mas que ao longo da vida elas podem adquirir novas preferências, geralmente por machos com cores mais vistosas. O trabalho foi publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

As borboletas Bicyclus anynananaturalmente têm duas manchas em suas asas. Para descobrir como as fêmeas podem gostar de outros padrões de cores, os pesquisadores colocaram um grupo de fêmeas em contato com borboletas com quatro manchas. A partir de então, essas não deram mais preferência aos machos com duas manchas.

Em contrapartida, as fêmeas inicialmente expostas a machos com uma ou nenhuma mancha, com tons de cinza e marrom, não mudaram suas preferências originais.

“O que nos surpreendeu foi que as fêmeas adquiriam essa preferência depois de pouco tempo em contato com machos”, disse Erica L. Westerman, do Departamento de Biologia e Ecologia Evolucionista de Yale e principal autora do estudo.

“Existe um modelo de aprendizado, e elas aprenderam que ornamentação extra é melhor”, disse a escocesa Antónia Monteiro, pesquisadora de Yale e uma das autoras do estudo.

As descobertas de que o ambiente social pode mudar a preferência de borboletas fêmeas ajuda a explicar como novos modelos de asas evoluem, dizem os pesquisadores. Agora Westerman e sua equipe querem agora descobrir como as fêmeas aprendem a fazer as suas escolhas.

“Nós estamos agora investigando o que impede as fêmeas de se acasalarem com machos de outras espécies durante o período de aprendizagem,” diz Westerman.

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As borboletas Bicyclus anynana usam padrão de asa para identificar machos da mesma espécie (Cortesia - Universidade de Yale)

Fonte: Veja Ciência


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