29 de agosto de 2013 | nenhum comentário »

Pesquisadores descobrem nova espécie de carnívoro que é “mistura de gato com urso de pelúcia”

O olinguito, da família do guaxinim, vive nas florestas do Equador e da Colômbia e é a primeira espécie de carnívoro descoberta no Ocidente nos últimos 35 anos

Olinguito: pesando cerca de um quilo, o mamífero carnívoro é o primeiro mamífero descoberto no ocidente nós últimos 35 anos

Olinguito: pesando cerca de um quilo, o mamífero carnívoro é o primeiro mamífero descoberto no ocidente nos últimos 35 anos (Mark Gurney)

Pesquisadores do Museu Nacional de História Natural Smithsonian, nos Estados Unidos, finalmente desfizeram um mal-entendido que durou mais de um século: um animal já observado na natureza, em museus e até em zoológicos havia recebido a identificação errada por todos esses anos. Ao corrigir o erro, os cientistas encontraram o olinguito, primeiro carnívoro descoberto no ocidente nos últimos 35 anos.

O olinguito, que recebeu o nome científico deBassaricyon neblina, é o último membro identificado da família dos Procionídeos, à qual pertencem o guaxinim, o quati, o jupará e os olingos. Pesando cerca de um quilo, o olinguito tem olhos grandes e pelo marrom-alaranjado, que o fazem parecer “um cruzamento entre um gato doméstico e um urso de pelúcia”. Na natureza, ele vive nas florestas nebulosas da Colômbia e do Equador (de onde vem o termo “neblina” de seu nome científico).

“A descoberta do olinguito nos mostra que o mundo ainda não foi completamente explorado, e seus segredos mais básicos ainda não foram revelados”, afirma Kristofer Helgen, curador de animais do museu e principal autor do estudo. “Se novos carnívoros ainda podem ser encontrados, que outras surpresas nos esperam? Tantas espécies ainda não são conhecidas pela ciência. Documentá-las é o primeiro passo em direção a um entendimento de toda a riqueza e diversidade da vida na Terra”, diz o pesquisador. O estudo que descreve o olinguito foi publicado nesta quinta-feira, no periódico ZooKeys.

Longo caminho – A descoberta foi o resultado do trabalho de uma década. O objetivo inicial da pesquisa era estudar as diversas espécies de olingos, carnívoros do gênero Bassaricyon.Mas uma análise de mais de 95% dos exemplares desses animais presentes em museus, aliada a testes genéticos e dados históricos, revelou a existência do olinguito, que não havia sido descrito até então.

A primeira pista veio dos dentes e do crânio do animal, que são menores e apresentam formato diferente do olingos. Os animais da nova espécie também são menores e têm pelagem mais longa e densa. Porém, como as informações das quais os cientistas dispunham vinham de observações e exemplares capturados no início do século XX, era preciso descobrir se o olinguito ainda existia na natureza.

Para isso, os pesquisadores se uniram a Roland Kays, diretor do Laboratório de Biodiversidade e Observações da Terra do Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte, que ajudou a organizar uma expedição de campo. “Os dados dos exemplares antigos nos deram uma ideia do que procurar, mas ainda parecia um tiro no estudo”, conta Kays.

Habitat natural – Em uma expedição de três semanas, os pesquisadores encontraram os olinguitos e documentaram tudo o que puderam sobre o animal e seu habitat. Eles descobriram, por exemplo, que o olinguito é mais ativo durante a noite, se alimenta principalmente de frutas, raramente desce das árvores e tem um filhote de cada vez.

Os pesquisadores estimam que 42% de seu habitat já tenha sido transformado em áreas agrícolas ou urbanas. “As florestas nebulosas dos Andes são um mundo à parte. repletas de espécies que não são encontradas em outros lugares, muitas das quais podem estar ameaçadas. Nós esperamos que o olinguito possa ser um ‘embaixador’ para as florestas do Equador e da Colômbia”, afirma Helgen.

Fonte: Veja Ciência


23 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Pesquisadores descobrem duas novas espécies de aracnídeos no Nordeste

Descoberta feita na Caatinga e na Mata Atlântica amplia abrangência de grupo de aracnídeos, que antes se acreditava habitarem apenas florestas úmidas

Duas novas espécies de aracnídeos escavadores foram descobertas no Nordeste brasileiro. As espécies medem menos de quatro milímetros de comprimento e foram encontradas em regiões de cavernas no Ceará e no Rio Grande do Norte. Os animais pertencem ao grupo chamado deSchivomida, parentes dos escorpiões, aranhas e carrapatos, e ainda pouco conhecido da Ciência. Os pesquisadores supõem que eles se alimentas de insetos que vivem nas cavernas e comem fezes de morcegos.

A descoberta destas duas novas espécies reforça a ideia de que este grupo de aracnídeos não habita só regiões de florestas úmidas. “Várias espécies deste grupo foram encontradas no Caribe e em países amazônicos, mas agora vimos que elas também habitam ecossistemas diferentes como a Mata Atlântica e a Caatinga”, disse ao iG Adalberto dos Santos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e autor do estudo publicado esta semana no periódico científico PLOS ONE .

A espécie encontrada no Parque Nacional Ubajara, no Ceará, recebeu o nome de Rowlandius ubajara. Os animais foram encontrados em regiões de cavernas em uma área remanescente de Mata atlântica entre a Caatinga. A outra espécie, descoberta em uma região da Caatinga no Rio Grande do Norte recebeu o nome de Rowlandius potiguar .

As duas novas espécies de aracnídeos têm o que os pesquisadores chamam de falso olho, também comum em outros animais do grupo Schivomida . Eles possuem uma membrana no lugar dos olhos e acredita-se que os animais se orientem, não pela visão, que provavelmente é ruim, mas por outros sensores. “Vimos, inclusive, algumas espécimes fora da caverna, o que nos leva a crer que como não enxergam, para eles tanto faz estar dentro ou fora da caverna”, disse Santos.

Dois tipos de macho
Os pesquisadores notam que entre os indivíduos da espécie encontrada no Rio Grande do Norte havia dois tipos de machos, um com as segundas patas compridas e outros com patas mais curtas. A segunda pata, que recebe o nome de pedipaldo, tem função sensorial e para captura de presas. “A variação é impressionante. Alguns machos têm o comprimento do pedipalpo igual a metade do comprimento do corpo, que é de pouco menos de 3 milímetros, enquanto que outros chegam a ter 4 milímetros de comprimento de pedipalpo, maior que o próprio corpo”, disse Santos.

O pesquisador afirma que fenômenos como este já foram observados em outras espécies de aracnídeos.

“Porém, não temos ideia de como isto acontece nos Schivomida , porque não há estudos sobre o comportamento destes bichos, mas a variação morfológica dos machos nos sugere que o acasalamento deles deve ser muito interessante”, disse.

Encontrar animais tão pequenos – a fêmea mede quase 4 milímetros e os machos, 3 – não é uma tarefa muito fácil. “Certamente a gente conhece a minoria das espécies”, disse Santos. Além do tamanho diminutos, os animais são escavadores vivem em ambientes escuros de cavernas. “Sabemos mais ou menos em que ambientes podemos encontrar novas espécies, mas é o que eu digo, para encontrá-los é preciso sujar as mãos e procurar”, disse.

A imagem mostra uma fêmea da espécie Rowlandius ubajara descoberta no Ceará. Foto:Divulgação

Fonte: IG


20 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Cientistas descobrem 15 novas espécies de aves na Amazônia

Em 140 anos, é a maior variedade identificada de uma só vez.
Espécies vivem no sul da Amazônia, na região do ‘Arco do Desmatamento’.

Um grupo de 15 novas espécies de aves que vivem na Amazônia brasileira foi descrito por cientistas de três instituições do Brasil e uma dos Estados Unidos. Os pesquisadores afirmam que essa quantidade identificada é a maior da ornitologia brasileira dos últimos 140 anos.

Em cima, da esquerda para a direita: Bico-chato-do-sucunduri. Cancao-da-campina e Chorozinho-do-aripuanã; na parte de baixo: Arapaçu-de-bico-torto; Poiaeiro-de-chicomendes e Rapazinho-estriado-do-oeste  (Foto: Montagem/Vítor Q Piacentini/Fabio Schunck/Mario Cohn-Haft)

Em cima, da esquerda para a direita: Bico-chato-do-sucunduri. Cancão-da-campina e Chorozinho-do-aripuanã; na parte de baixo: Poiaeiro-de-chicomendes; Arapaçu-de-bico-torto e Rapazinho-estriado-do-oeste (Foto: Montagem/Vítor Q Piacentini/Fabio Schunck/Mario Cohn-Haft)

Os cientistas reuniram dados de trabalhos feitos anteriormente, além de análises genéticas e comparações morfológicas, para chegar à conclusão de que se tratavam de novas espécies que vivem no bioma amazônico, um dos que possui a maior biodiversidade do mundo.

As novas espécies foram encontradas no sul da Amazônia, em áreas dos estados do Amazonas, Pará, Acre, além de trechos de Rondônia e Mato Grosso. Quase todas vivem em áreas próximas de rios, como o Tapajós, Madeira, Roosevelt e Purus, ou em regiões isoladas, ora com vegetação alta, ora com mata rasteira, conhecida como campina ou campos amazônicos.

Segundo Luis Silveira, professor doutor do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) e um dos pesquisadores do trabalho, os artigos científicos serão publicados entre o fim de junho e começo de julho em um volume especial da publicação “Handbook of the birds of the world”, especializada em detalhar novas aves de diversas partes do mundo.

Dados como nomes científico ou informações sobre localização e hábitos das espécies não puderam ser antecipados pelos pesquisadores. Não há imagens registradas de todas as aves, já que, em  alguns casos, foram feitas apenas observações e, posteriormente, ilustrações que serão divulgadas no livro.

G1 teve acesso a 12 dos 15 nomes populares da aves, além da avaliação sobre a situação destas espécies na natureza.

Para se obter tal informação, Silveira explica que é feito um cálculo baseado em três fatores: tamanho efetivo da população, pressão sofrida pelo habitat e características próprias da história deste animal.

Veja nomes de 12 das 15 novas aves da Amazônia

Rapazinho-estriado-do-oeste
Choquinha-do-rio-roosevelt
Poiaeiro-de-chicomendes
Arapaçu-barrado-do-xingu
Arapaçu-do-tapajós
Choquinha-do-bambu
Chorozinho-do-aripuanã
Cancao-da-campina
Chorozinho-esperado
Cantador-de-rondon
Bico-chato-do-sucunduri
Arapaçu-de-bico-torto

Mais descobertas
Silveira afirma que o número de novas espécies na Amazônia pode aumentar nos próximos anos, já que outros animais que aparentemente ainda não foram descritos já foram localizados pelos cientistas em incursões pela floresta. “Dessa nova leva, devemos ter mais cinco novas espécies de aves descritas nos próximos anos”, explica.

Das 15 novas aves, 11 só são encontradas no Brasil. As demais podem ser vistas também no Peru e na Bolívia. Porém, a descoberta vem acompanhada de um alerta: ao menos quatro espécies já são consideradas vulneráveis na natureza: o arapaçu-barrado-do-xingu, o arapaçu-do-tapajós, o poiaeiro-de-chicomendes e a cancao-da-campina.

Outra coincidência alarmante é que os membros recém-descritos da fauna brasileira vivem em uma região denominada “Arco do Desmatamento”, trecho que compreende uma faixa entre a Bolívia e o Brasil, que passando por Mato Grosso, Pará e Rondônia, e é conhecida pelas altas taxas de destruição da floresta e queimadas devido ao avanço dos centros urbanos e ao aumento das atividades agropecuárias.

“Várias destas espécies são bichos com hábitos especializados. Qualquer alteração nesses pontos específicos pode representar sua eliminação. Queremos chamar a atenção para esse volume de descobertas para que se possa tomar uma decisão mais sábia e sustentável para o uso deste bioma”, afirma.

Mapa Aves da Amazônia (Foto:  )Nova gralha pode desaparecer
Uma das espécies consideradas vulneráveis é a gralha cancão-da-campina, que vive em uma área de campina amazônica, entre os rios Madeira e Purus, ao sul de Manaus (AM).

O ornitólogo Mario Cohn-Haft, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), tenta desde 1998 obter informações desta ave, descoberta por acaso durante uma expedição.

Em 2005 ele conseguiu mais dados sobre esta espécie, apesar de descrevê-la apenas agora. No entanto, segundo ele, a população desta ave já estaria sentindo uma queda no número de indivíduos devido ao avanço das atividades humanas.

Essas gralhas vivem no limite entre os campos amazônicos e áreas de floresta densa. Seu habitat é, justamente, o limite entre essas vegetações rasteira e alta. No entanto, de acordo com o pesquisador, as áreas abertas em que essas aves são encontradas – que não são trechos desmatados, mas terrenos naturalmente savanizados – são alvos frequentes da agricultura e da pecuária.

“Há uma lógica popularmente divulgada, mas sem efeito científico, de que campos abertos podem ser usados para a agropecuária, pois não seriam caracterizados como áreas de desmate e não afetariam o meio ambiente. Converter qualquer ambiente natural em uma diferente estrutura altera a biodiversidade daquela região”, explica Cohn-Haft.

Outras ameaças citadas pelo cientista são a proximidade da área com a rodovia federal BR 319, que liga Manaus a Porto Velho, a construção das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau em Rondônia, além da expansão agropecuária e atividades mineradoras em municípios como Humaitá, Boca do Acre (no AM).

“A Amazônia realmente tem uma diversidade grande. Mesmo tendo um dos grupos de aves mais conhecidos, descobrir novas espécies ‘debaixo do nosso nariz’ chama a atenção para a riqueza da floresta. A Amazônia continua oferecendo surpresas, muito além do que imaginávamos”, afirma o cientista.

Os trabalhos foram feitos por cientistas e estudantes de pós-graduação da USP, do Inpa, além do Museu Paraense Emílio Goeldi, de Belém (PA), e do Museu de Ciência Natural da Universidade Estadual da Louisiania, dos Estados Unidos.

Exemplares da gralha cancao-da-campina, encontradas nas áreas de campinas amazônicas: ocupação humana ameaça espécie (Foto: Divulgação/Luciano Moreira Lima)

Exemplares da gralha cancão-da-campina, encontradas nas áreas de campinas amazônicas: ocupação humana ameaça espécie (Foto: Divulgação/Luciano Moreira Lima)

 

 

Fonte: Globo Natureza


1 de abril de 2013 | nenhum comentário »

Descoberta nova espécie de anfíbio

Filhotes de ‘Microcaecilia dermatophaga‘ se alimentam de pele da mãe.

Foi publicada este mês no periódico PLoS One a descrição de uma nova espécie de gimnofiono, a mesma ordem  da “cobra-pênis”, como ficou conhecido na imprensa e em redes sociais um animal raro encontrado no Brasil em 2011, por causa de seu formato. Essa ordem inclui também os bichos popularmente conhecidos como “cobras-cegas”.

A nova espécie agora anunciada vive na Guiana Francesa e se chama Microcaecilia dermatophaga. Apesar de parecer uma cobra ou verme, trata-se na verdade de um anfíbio, ou seja, tem relação evolutiva mais próxima com um sapo do que com qualquer serpente.

Microcaecilia dermatophaga, a nova espécie descrita na PLoS One (Foto:  Wilkinson et al/PLoS One/Creative Commons)

Microcaecilia dermatophaga, a nova espécie descrita na PLoS One (Foto: Wilkinson et al/PLoS One/Creative Commons)

Microcaecilia dermatophaga tem uma característica especial: os exemplares mais jovens da espécie se alimentam da pele da mãe – daí o termo “dermatófago” em seu nome científico.

Recentemente, teve grande repercussão na internet a descoberta de outro gimnofiono como aMicrocaecilia dermatophaga. Tratava-se da descoberta de um raro exemplar de Atretochoana eiselti no canteiro de obras da Usina de Santo Antônio.

Atretochoana eiselti foi descoberta no Rio Madeira (Foto: Juliano Tupan/Divulgação)

Exemplar de Atretochoana eiselti, que é da mesma ordem da nova espécie encontrada na Guiana Francesa, foi descoberta no Rio Madeira e ganhou o apelido de 'cobra-pênis' (Foto: Juliano Tupan/Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


1 de abril de 2013 | nenhum comentário »

Biólogos identificam duas novas espécies de lêmures

Animais endêmicos de Madagascar estão entre os menores primatas do mundo e os mais ameaçados de extinção

lêmur

O Microcebus marohita foi colocado na lista de espécies ameaçadas de extinção antes mesmo de ser formalmente descrito pelos pesquisadores (Bellarmin Ramahefasoa)

Biólogos alemães identificaram nas florestas de Madagascar duas novas espécies de lêmures do gênero Microcebus, que reúne as menores espécies de primatas do mundo —  e também as mais ameaçadas de extinção. Os animais foram descritos, após análises genéticas e morfológicas, em uma pesquisa publicada nesta terça-feira na revista International Journal of Primatology.

Os lêmures foram descobertos durante visitas de campo realizadas por pesquisadores do Centro de Primatas da Alemanha à ilha de Madagascar entre 2003 e 2007. Segundo os biólogos, os animais são minúsculos, pesando menos de cem gramas. A espécieMicrocebus tanosi tem a cabeça vermelha e pelos marrons e negros pelo corpo. Na barriga, seus pelos são castanhos e cinzas. Já o Microcebus marohita possui uma cauda longa e espessa e grandes patas traseiras.

Ameaça - Por causa do isolamento geográfico de Madagascar, todos os seus primatas, 90% de suas plantas e 80% de seus anfíbios e répteis são espécies endêmicas – ou seja, só são encontradas na ilha. Os lêmures, por exemplo, não existem fora dali. Na última década, com as pesquisas realizadas na região,  o número de espécies identificadas de lêmures mais que triplicou.

A floresta onde as duas novas espécies foram encontradas sofreu grande degradação na última década, fazendo com que a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) colocasse uma das novas espécies na lista das ameaçadas de extinção antes mesmo que ela tivesse sido formalmente descrita pelos pesquisadores. A situação de degradação na ilha é tão devastadora que um relatório publicado no ano passado pela entidade destacou que o lêmure mais raro do mundo, o lêmure-esportivo-do-norte (Lepilemur septentrionalis), não contava com mais de dezenove espécimes vivos.

Fonte: Veja Ciência


17 de dezembro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas encontram nova espécie de primata que tem mordida tóxica

Mamífero conhecido como lóris foi encontrado na ilha indonésia de Bornéu.
Apesar de venenosa, espécie está ameaçada de extinção na natureza.

Primata venenoso (Foto: Divulgação/Ch'ien Lee)

Imagem de exemplar do lóris kayan, encontrado recentemente na Indonésia (Foto: Divulgação/Ch'ien Lee)

Cientistas da Universidade de Missouri Columbia, nos Estados Unidos, identificaram na região de Bornéu, naIndonésia, uma nova espécie de primata do gênero Nycticebus, conhecido como lóris lento e que tem uma mordida venenosa.
Durante um trabalho de identificação de primatas, os cientistas conseguiram diferenciar quatro espécies de lóris lento ao analisar a coloração da pele, principalmente em partes do corpo e do rosto – onde as diferentes cores funcionam como uma impressão digital do animal.

Com isso, foi possível colher detalhes de três espécies, até então pouco estudadas, e a confirmação da existência de um novo animal, batizado de Nycticebus kayan, também conhecido como lóris kayan. O trabalho foi divulgado no periódico “American Journal of Primatology”.

Venenosos, mas vulneráveis
Os lóris lentos são animais classificados como vulneráveis ou ameaçados de extinção pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) e estão distribuídos pelo Sul da Ásia, como a região de Bangladesh, parte da China e na área de Bornéu.

Esses primatas são relacionados aos lêmures, devido às semelhanças na aparência. No entanto, a diferença entre eles é que os lóris detêm uma mordida tóxica, característica rara entre os mamíferos.

Uma toxina produzida por uma glândula existente em seu braço é ativada quando é misturada à saliva. O veneno, segundo os pesquisadores, inibe ataques de predadores – como seres humanos, águias e orangotangos.

Segundo um dos autores do estudo, a descoberta da nova espécie é um indício de que grande parte do território de Bornéu, que, apesar de ser protegido sofre com a ação humana, precisa ser ainda mais conservado, já que pode abrigar animais que não foram ainda descritos pela ciência. Os estudiosos alertam ainda para o intenso tráfico de lóris lentos que ocorre na Indonésia.

 

Fonte: Globo Natureza

 


7 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisador do Butantan descobre 9 espécies de aranhas caranguejeiras

Novas espécies habitam árvores em diferentes regiões do Brasil.
Descobertas foram publicadas na revista ‘ZooKeys’.

Um pesquisador do Instituto Butantan, sediado em São Paulo, descobriu nove espécies novas de aranhas caranguejeiras brasileiras, naturais de vegetações de Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga. O estudo com a descrição dos animais foi publicado na última semana no periódico “ZooKeys”.

As espécies, pertencentes a três gêneros distintos, são Typhochlaena ammaTyphochlaena costaeTyphochlaena curumimTyphochlaena paschoali, Pachistopelma bromelicola,Iridopelma katiaeIridopelma marcoiIridopelma oliveirai e Iridopelma vanini.

As caranguejeiras são encontradas em áreas do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste brasileiros, segundo o aracnólogo Rogério Bertani, pesquisador do Butantan e responsável pelo achado. Ele ressalta que os animais têm hábitos arborícolas, isto é, vivem em árvores e plantas.

Algumas espécies são bem pequenas. “Dá para dizer que são as menores [caranguejeiras] arborícolas do mundo”, disse Bertani. Um dos três gêneros tem características antigas, o que torna algumas das aranhas “quase relíquias”, na visão do cientista. “São remanescentes. É como algo que sobreviveu ao tempo.”

Duas das novas espécies vivem dentro de bromélias, comportamento raro em aracnídeos deste tipo, informa o pesquisador. Como as espécies são coloridas e chamativas, ele teme pelo impacto do tráfico de animais.

Apesar de não haver pesquisas que mostrem que as espécies estão ameaçadas, algumas delas são raras e podem correr risco de desaparecer, segundo o cientista. Ele aponta fatores que reforçam o risco, como a dependência de vegetação, já que as aranhas são arborícolas; a destruição dos habitats naturais, que sofrem há anos com o desmatamento; e o fato de os animais viverem em áreas específicas, com distribuição limitada pelo território brasileiro.

Para Bertani, a descoberta das novas espécies é importante para mostrar que existe uma grande fauna na Mata Atlântica e no Cerrado, que precisa ser melhor estudada por ser pouco conhecida.

As caranguejeiras brasileiras possuem veneno, em geral, mas não são consideradas peçonhentas porque o efeito é fraco para as pessoas. A aranha usa a substância para capturar insetos e outros pequenos animais usados em sua alimentação.

'Typhochlaena costae', tarântula encontrada em Palmas, no Tocantins, segundo o estudo (Foto: Reprodução/'ZooKeys')

Uma fêmea da caranguejeira 'Typhochlaena costae' (Foto: Reprodução/'ZooKeys')

Aranha 'Typhochlena curumim', encontrada na Paraíba (Foto: Reprodução/'ZooKeys')

Aranha 'Typhochlena curumim', encontrada na Paraíba, segundo o estudo (Foto: Reprodução/'ZooKeys')

Aranha 'Typhochlaena amma', encontrada no Espírito Santo, segundo o estudo (Foto: Reprodução/'ZooKeys')

Uma fêmea da aranha caranguejeira 'Typhochlaena amma' (Foto: Reprodução/'ZooKeys')

Fonte: Globo Natureza


6 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Mais de 40 novas espécies de peixes são encontradas no Rio Madeira

A descoberta foi feita durante trabalho de monitoramento.
Rio Madeira tem quase mil espécies, algumas ainda desconhecidas.

Uma pesquisa feito na Bacia do Rio Madeira, em Porto Velho, encontrou peixes que não passam dos 30 centímetros de comprimento e que possuem estruturas ósseas, morfologia dentária, padrão de cores, olhos e número de escamas nunca antes descritos pela ciência. As 40 novas espécies ainda serão catalogadas e reconhecidas científicamente.

Seja em dois metros de profundidade, seja em 60 metros, o Rio Madeira não para de surpreender. A maior parte dos novos animais encontrados são de pequeno porte, que dificilmente atingem mais de 15 centímetros e são encontrados em profundidades de dois a 60 metros.

Arraia encontrada no Rio Madeira. Nome cientifico Potamotrygon motoro, com tamanho de 60 cm. Possui um ferrão na calda (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

Arraia encontrada no Rio Madeira. Nome cientifico Potamotrygon motoro, com tamanho de 60 cm (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

Peixe raro encontrado somente em lençóis freáticos. A espécie não tem olhos (Foto: Unir/Divulgação)

Peixe raro encontrado somente em lençóis freáticos. A espécie não tem olhos (Foto: Unir/Divulgação)

Entre as novas espécies encontradas, o maior animal registrado mede 30 centímetros e recebeu o nome de Ageneiosus spn. Vittatus, tem a cabeça alongada e com um filamento que se parece com uma antena, é da cor branca com listras marrons. Como ainda estão sendo estudadas, não se sabe muito sobre os hábitos e comportamentos destas novas espécies.

“Descobrir exemplares novos também pode ser um indicativo de que determinada espécie está se extinguindo antes que possamos conhecê-la e isso pode ser um reflexo da interferência humana no ecossistema”, reflete o biólogo e coordenador do inventário taxonômico da pesquisa, João Alves de Lima Filho.

Uma das novas espécies encontradas. Nome cientifico Ageneiosus sp n vittatus (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

Uma das novas espécies encontradas. Nome cientifico Ageneiosus sp n vittatus (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

A pesquisa
Foram monitorados 1,7 mil quilômetros do Rio Madeira, entre os estados de Rondônia, Mato Grosso e Amazonas. Foram catalogadas 907 espécies, o que garante ao Rio Madeira o primeiro lugar como o rio mais em diversidade de peixes do mundo.

Uma coleção de ictiofauna [estudo dos peixes] está sendo montada por biólogos e pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (Unir) a partir do resultado do monitoramento, que foi desenvolvido durante quatro anos para conhecer as consequências da construção da Usina Hidrelétrica Santo Antônio. Os estudos fazem parte das condicionantes impostas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos  Naturais Renováveis (Ibama) para a liberação da Licença de Operação à concessionária Santo Antônio Energia.

Esta já é a coleção que possui o segundo maior banco de registros genéticos do Brasil, com 16 mil amostras e também o terceiro maior em número de espécies.

Loricarideo em reprodução, com os ovos no  ventre. Uma das espécies que fazem parte da coleção de ictiofauna da Unir (Foto: Diogo Hungria/Unir/Divulgação)

Loricarideo em reprodução, com os ovos no ventre. Uma das espécies que fazem parte da coleção de ictiofauna da Unir (Foto: Diogo Hungria/Unir/Divulgação)

Segundo o biólogo coordenador da coleção, João Alves, todas os indivíduos que não foram identificados estão em processo de estudo.

O estudo é feito manualmente, a medição e análise das caracteríscas e do ambiente. Além disso, é feita a aferição do código genético dos animais encontrados.

“No final, para divulgação da nova espécie e suas especificidades é redigido um artigo científico que é publicado para que a comunidade científica tome conhecimento da descoberta”, conta João Alves.

Espécie rara na Bacia Amazônica, encontrada apenas em regiões profundas do rio. Nome cientifico Planiloricaria cryptodon com tamanho aproximado de 25.3 cm (Foto: Unir/Divulgação)

Espécie rara na Bacia Amazônica, encontrada apenas em regiões profundas do rio. Nome cientifico Planiloricaria cryptodon com tamanho aproximado de 25.3 cm (Foto: Unir/Divulgação)

Em novembro, a Unir espera que pelo menos uma das novas espécies seja reconhecida. “Um dos nossos pesquisadores está finalizando o artigo sobre um dos novos animais descobertos. Essa seria uma nova espécie de lambari”, antecipa João.

O estudo para a publicação de um artigo como este demora em média um ano e meio. “O primeiro passo é descrever essas espécies, e posteriormente iniciar os estudos de sua biologia e ecologia”, conta João Alves.

Monitoramento e captura?
Os pesquisadores vão à campo no Rio Madeira e seus afluentes com uma metodologia padronizada de captura dos animais.

Captura dos animais para estudo e monitoramento da ictiofauna na Bacia do Madeira. Aplicação da metodologia de rede de cerco.  (Foto: Maria Fonseca/Unir/Divulgação)

Captura dos animais para estudo e monitoramento da ictiofauna na Bacia do Madeira. Aplicação da metodologia de rede de cerco. (Foto: Maria Fonseca/Unir/Divulgação)

Todo os espécies coletados em campo passam por um processo de análise e armazenamento específico para que possa fazer parte da coleção de estudos e para poder durar até 150 anos em bom estado de conservação.

Fonte: Globo Natureza


26 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Nova espécie de macaco com juba é encontrada na África

Uma nova espécie de macaco foi encontrada na África

Uma nova espécie de macaco foi encontrada na África. Foto: BBC

Uma nova espécie de macaco foi encontrada na África. É apenas a segunda espécie de primata a ser identificada em 28 anos, de acordo com cientistas.

O primata foi descoberto na República Democrática do Congo, onde ele é conhecido como ”lesula”.

Dois rios, o Congo e o Lomani, separam o habitat da espécie de seus dois primos mais próximos.

Ambientalistas afirmam que a descoberta ressalta a necessidade de proteger a vida selvagem na Bacia do Congo.

A descoberta foi divulgada na publicação científica especializada online Public Library of Science.

ENGAIOLADO

O primeiro contato que cientistas tiveram com o macaco foi quando eles encontraram uma fêmea jovem, mantida em uma gaiola por um professor de escola primária, na cidade de Opala.

O animal agora está sob cuidados de um instituto especializado e sendo monitorado por cientistas.

Seis meses depois de encontrar o animal preso, especialistas conseguiram achar outros primatas da espécie no ambiente selvagem.

”Quando demos início às nossas investigações, não sabíamos o quão importante do ponto de vista biológico seriam as nossas descobertas”, afirma John Hart, da Fundação Lukuru, que comandou o projeto.

”Não esperávamos encontrar uma nova espécie, especialmente entre um grupo tão conhecido como os macacos guenon africanos”, acrescenta o pesquisador.

No documento que descreve os animais, os cientistas detalharam seus traços distintos: “Uma juba de longos fios loiros rodeando um rosto pálido e nu com um focinho com uma faixa cor de creme vertical”.

ROSTO PECULIAR

O rosto desnudo do lesula é diferente do rosto negro e peludo do parente mais próximo do animal.

O primata ganhou o nome científico de Cercopithecus lomamiensis, em homenagem ao rio Lomani, localizado na região de seu habitat natural.

Os pesquisadores acreditam que o animal viva em uma área de cerca de 17 mil quilômetros quadrados na região central da República Democrática do Congo.

Os especialistas temem que devido ao fato de a espécie viver concentrada em uma mesma região ela poderia estar mais ameaçada por ações predatórias, como a prática da caça para usar sua carne como alimento.

O antropólogo Andrew Burrell, da Universidade de Nova York, disse à BBC que ”a descoberta pode representar talvez a primeira desta floresta notável, mas pouco conhecida na parte central da República Democrática do Congo, uma região de grande diversidade de primatas”.

 

Fonte: Folha.com


3 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisadores descobrem nova espécie de ave em Minas Gerais

Vasculhando montanhas com cerca de 1.500 m de altitude no coração de Minas Gerais, pesquisadores encontraram uma nova espécie de pássaro, mais ou menos do tamanho de um sabiá (embora seu “primo” mais conhecido seja o joão-de-barro).

A ave, apelidada por eles de pedreiro-do-espinhaço, é um enigma evolutivo: seus parentes mais próximos, que também gostam de montanhas e de frio, estão a milhares de quilômetros dali, no Rio Grande do Sul, nos Andes e até na Patagônia.

Enquanto tentam entender como o bicho foi parar na serra do Espinhaço, a apenas 50 km de Belo Horizonte, os cientistas também estão levando em conta considerações mais práticas. Para eles, a espécie já “nasce” para a ciência como ameaçada de extinção.

É que o habitat do animal, uma combinação única de rocha e vegetação rasteira adaptada a altitudes elevadas, corre o risco de sumir com a mudança climática, além de sofrer a pressão da atividade humana.

É OU NÃO É?

A pesquisa que levou à descoberta da nova espécie é assinada pelo ornitólogo Guilherme Freitas e por seus colegas Anderson Chaves, Lílian Costa, Fabrício Santos e Marcos Rodrigues, todos da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

A equipe levou vários anos para cravar que se tratava de um bicho novo, em parte, porque as diferenças entre o pedreiro-do-espinhaço e seus parentes da região Sul (que moram na serra Geral, entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina) são pequenas.

Freitas conta que a descoberta começou com o avistamento de um único indivíduo, em 2006. “Bati umas fotos e achei que só podia ser ele [a espécie do Sul." Talvez fosse um pássaro especialmente aventureiro, tendo voado uns 1.000 km rumo ao norte, pensou o ornitólogo.

Procura que procura, ele e seus colegas foram achando mais bichos, até toparem com casais e filhotes, sinal de que se tratava de uma população residente, e não de alguns pássaros desgarrados.

A equipe conseguiu capturar alguns exemplares e gravar o canto dos pássaros. Análises comparativas da aparência, do padrão de canto e do DNA dos animais levou os pesquisadores a acreditarem, que, de fato, tratava-se de uma espécie nova.

"As diferenças são sutis. Mas, somadas, fortalecem essa hipótese", diz Freitas.

NÁUFRAGO

É difícil saber como a nova espécie acabou evoluindo. É possível que áreas mais baixas fossem propícias à sua presença dezenas de milhares de anos atrás, na Era do Gelo. Conforme o planeta esquentou, a população da serra do Espinhaço teria ficado isolada e adquirido suas características únicas.

Por outro lado, sua origem pode ser ainda mais remota. "As montanhas brasileiras são antigas se comparadas aos Andes, e há vários registros de 'fósseis vivos' no Espinhaço", diz Freitas.

O habitat peculiar da ave são os chamados campos rupestres, terrenos pedregosos cobertos por plantas herbáceas e frequentemente cobertos por neblina, formada pela umidade que vem do mar.

Nesse ambiente, o pedreiro-do-espinhaço caça invertebrados em meio a rachaduras na rocha, musgos, líquens e gramíneas.

Por suas características únicas e por seu isolamento, os campos rupestres são pródigos em animais e plantas endêmicos, ou seja, que só existem lá, e em nenhum outro lugar do mundo.

De 1990 para cá, por exemplo, a serra do Espinhaço já tinha sido palco da descoberta de três outras espécies de aves, coisa rara no planeta hoje.

A descrição científica oficial da espécie será publicada na edição do mês que vem da revista científica "Ibis", especializada em ornitologia.

Editoria de Arte/Folhapress

Folha.com


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29 de agosto de 2013 | nenhum comentário »

Pesquisadores descobrem nova espécie de carnívoro que é “mistura de gato com urso de pelúcia”

O olinguito, da família do guaxinim, vive nas florestas do Equador e da Colômbia e é a primeira espécie de carnívoro descoberta no Ocidente nos últimos 35 anos

Olinguito: pesando cerca de um quilo, o mamífero carnívoro é o primeiro mamífero descoberto no ocidente nós últimos 35 anos

Olinguito: pesando cerca de um quilo, o mamífero carnívoro é o primeiro mamífero descoberto no ocidente nos últimos 35 anos (Mark Gurney)

Pesquisadores do Museu Nacional de História Natural Smithsonian, nos Estados Unidos, finalmente desfizeram um mal-entendido que durou mais de um século: um animal já observado na natureza, em museus e até em zoológicos havia recebido a identificação errada por todos esses anos. Ao corrigir o erro, os cientistas encontraram o olinguito, primeiro carnívoro descoberto no ocidente nos últimos 35 anos.

O olinguito, que recebeu o nome científico deBassaricyon neblina, é o último membro identificado da família dos Procionídeos, à qual pertencem o guaxinim, o quati, o jupará e os olingos. Pesando cerca de um quilo, o olinguito tem olhos grandes e pelo marrom-alaranjado, que o fazem parecer “um cruzamento entre um gato doméstico e um urso de pelúcia”. Na natureza, ele vive nas florestas nebulosas da Colômbia e do Equador (de onde vem o termo “neblina” de seu nome científico).

“A descoberta do olinguito nos mostra que o mundo ainda não foi completamente explorado, e seus segredos mais básicos ainda não foram revelados”, afirma Kristofer Helgen, curador de animais do museu e principal autor do estudo. “Se novos carnívoros ainda podem ser encontrados, que outras surpresas nos esperam? Tantas espécies ainda não são conhecidas pela ciência. Documentá-las é o primeiro passo em direção a um entendimento de toda a riqueza e diversidade da vida na Terra”, diz o pesquisador. O estudo que descreve o olinguito foi publicado nesta quinta-feira, no periódico ZooKeys.

Longo caminho – A descoberta foi o resultado do trabalho de uma década. O objetivo inicial da pesquisa era estudar as diversas espécies de olingos, carnívoros do gênero Bassaricyon.Mas uma análise de mais de 95% dos exemplares desses animais presentes em museus, aliada a testes genéticos e dados históricos, revelou a existência do olinguito, que não havia sido descrito até então.

A primeira pista veio dos dentes e do crânio do animal, que são menores e apresentam formato diferente do olingos. Os animais da nova espécie também são menores e têm pelagem mais longa e densa. Porém, como as informações das quais os cientistas dispunham vinham de observações e exemplares capturados no início do século XX, era preciso descobrir se o olinguito ainda existia na natureza.

Para isso, os pesquisadores se uniram a Roland Kays, diretor do Laboratório de Biodiversidade e Observações da Terra do Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte, que ajudou a organizar uma expedição de campo. “Os dados dos exemplares antigos nos deram uma ideia do que procurar, mas ainda parecia um tiro no estudo”, conta Kays.

Habitat natural – Em uma expedição de três semanas, os pesquisadores encontraram os olinguitos e documentaram tudo o que puderam sobre o animal e seu habitat. Eles descobriram, por exemplo, que o olinguito é mais ativo durante a noite, se alimenta principalmente de frutas, raramente desce das árvores e tem um filhote de cada vez.

Os pesquisadores estimam que 42% de seu habitat já tenha sido transformado em áreas agrícolas ou urbanas. “As florestas nebulosas dos Andes são um mundo à parte. repletas de espécies que não são encontradas em outros lugares, muitas das quais podem estar ameaçadas. Nós esperamos que o olinguito possa ser um ‘embaixador’ para as florestas do Equador e da Colômbia”, afirma Helgen.

Fonte: Veja Ciência


23 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Pesquisadores descobrem duas novas espécies de aracnídeos no Nordeste

Descoberta feita na Caatinga e na Mata Atlântica amplia abrangência de grupo de aracnídeos, que antes se acreditava habitarem apenas florestas úmidas

Duas novas espécies de aracnídeos escavadores foram descobertas no Nordeste brasileiro. As espécies medem menos de quatro milímetros de comprimento e foram encontradas em regiões de cavernas no Ceará e no Rio Grande do Norte. Os animais pertencem ao grupo chamado deSchivomida, parentes dos escorpiões, aranhas e carrapatos, e ainda pouco conhecido da Ciência. Os pesquisadores supõem que eles se alimentas de insetos que vivem nas cavernas e comem fezes de morcegos.

A descoberta destas duas novas espécies reforça a ideia de que este grupo de aracnídeos não habita só regiões de florestas úmidas. “Várias espécies deste grupo foram encontradas no Caribe e em países amazônicos, mas agora vimos que elas também habitam ecossistemas diferentes como a Mata Atlântica e a Caatinga”, disse ao iG Adalberto dos Santos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e autor do estudo publicado esta semana no periódico científico PLOS ONE .

A espécie encontrada no Parque Nacional Ubajara, no Ceará, recebeu o nome de Rowlandius ubajara. Os animais foram encontrados em regiões de cavernas em uma área remanescente de Mata atlântica entre a Caatinga. A outra espécie, descoberta em uma região da Caatinga no Rio Grande do Norte recebeu o nome de Rowlandius potiguar .

As duas novas espécies de aracnídeos têm o que os pesquisadores chamam de falso olho, também comum em outros animais do grupo Schivomida . Eles possuem uma membrana no lugar dos olhos e acredita-se que os animais se orientem, não pela visão, que provavelmente é ruim, mas por outros sensores. “Vimos, inclusive, algumas espécimes fora da caverna, o que nos leva a crer que como não enxergam, para eles tanto faz estar dentro ou fora da caverna”, disse Santos.

Dois tipos de macho
Os pesquisadores notam que entre os indivíduos da espécie encontrada no Rio Grande do Norte havia dois tipos de machos, um com as segundas patas compridas e outros com patas mais curtas. A segunda pata, que recebe o nome de pedipaldo, tem função sensorial e para captura de presas. “A variação é impressionante. Alguns machos têm o comprimento do pedipalpo igual a metade do comprimento do corpo, que é de pouco menos de 3 milímetros, enquanto que outros chegam a ter 4 milímetros de comprimento de pedipalpo, maior que o próprio corpo”, disse Santos.

O pesquisador afirma que fenômenos como este já foram observados em outras espécies de aracnídeos.

“Porém, não temos ideia de como isto acontece nos Schivomida , porque não há estudos sobre o comportamento destes bichos, mas a variação morfológica dos machos nos sugere que o acasalamento deles deve ser muito interessante”, disse.

Encontrar animais tão pequenos – a fêmea mede quase 4 milímetros e os machos, 3 – não é uma tarefa muito fácil. “Certamente a gente conhece a minoria das espécies”, disse Santos. Além do tamanho diminutos, os animais são escavadores vivem em ambientes escuros de cavernas. “Sabemos mais ou menos em que ambientes podemos encontrar novas espécies, mas é o que eu digo, para encontrá-los é preciso sujar as mãos e procurar”, disse.

A imagem mostra uma fêmea da espécie Rowlandius ubajara descoberta no Ceará. Foto:Divulgação

Fonte: IG


20 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Cientistas descobrem 15 novas espécies de aves na Amazônia

Em 140 anos, é a maior variedade identificada de uma só vez.
Espécies vivem no sul da Amazônia, na região do ‘Arco do Desmatamento’.

Um grupo de 15 novas espécies de aves que vivem na Amazônia brasileira foi descrito por cientistas de três instituições do Brasil e uma dos Estados Unidos. Os pesquisadores afirmam que essa quantidade identificada é a maior da ornitologia brasileira dos últimos 140 anos.

Em cima, da esquerda para a direita: Bico-chato-do-sucunduri. Cancao-da-campina e Chorozinho-do-aripuanã; na parte de baixo: Arapaçu-de-bico-torto; Poiaeiro-de-chicomendes e Rapazinho-estriado-do-oeste  (Foto: Montagem/Vítor Q Piacentini/Fabio Schunck/Mario Cohn-Haft)

Em cima, da esquerda para a direita: Bico-chato-do-sucunduri. Cancão-da-campina e Chorozinho-do-aripuanã; na parte de baixo: Poiaeiro-de-chicomendes; Arapaçu-de-bico-torto e Rapazinho-estriado-do-oeste (Foto: Montagem/Vítor Q Piacentini/Fabio Schunck/Mario Cohn-Haft)

Os cientistas reuniram dados de trabalhos feitos anteriormente, além de análises genéticas e comparações morfológicas, para chegar à conclusão de que se tratavam de novas espécies que vivem no bioma amazônico, um dos que possui a maior biodiversidade do mundo.

As novas espécies foram encontradas no sul da Amazônia, em áreas dos estados do Amazonas, Pará, Acre, além de trechos de Rondônia e Mato Grosso. Quase todas vivem em áreas próximas de rios, como o Tapajós, Madeira, Roosevelt e Purus, ou em regiões isoladas, ora com vegetação alta, ora com mata rasteira, conhecida como campina ou campos amazônicos.

Segundo Luis Silveira, professor doutor do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) e um dos pesquisadores do trabalho, os artigos científicos serão publicados entre o fim de junho e começo de julho em um volume especial da publicação “Handbook of the birds of the world”, especializada em detalhar novas aves de diversas partes do mundo.

Dados como nomes científico ou informações sobre localização e hábitos das espécies não puderam ser antecipados pelos pesquisadores. Não há imagens registradas de todas as aves, já que, em  alguns casos, foram feitas apenas observações e, posteriormente, ilustrações que serão divulgadas no livro.

G1 teve acesso a 12 dos 15 nomes populares da aves, além da avaliação sobre a situação destas espécies na natureza.

Para se obter tal informação, Silveira explica que é feito um cálculo baseado em três fatores: tamanho efetivo da população, pressão sofrida pelo habitat e características próprias da história deste animal.

Veja nomes de 12 das 15 novas aves da Amazônia

Rapazinho-estriado-do-oeste
Choquinha-do-rio-roosevelt
Poiaeiro-de-chicomendes
Arapaçu-barrado-do-xingu
Arapaçu-do-tapajós
Choquinha-do-bambu
Chorozinho-do-aripuanã
Cancao-da-campina
Chorozinho-esperado
Cantador-de-rondon
Bico-chato-do-sucunduri
Arapaçu-de-bico-torto

Mais descobertas
Silveira afirma que o número de novas espécies na Amazônia pode aumentar nos próximos anos, já que outros animais que aparentemente ainda não foram descritos já foram localizados pelos cientistas em incursões pela floresta. “Dessa nova leva, devemos ter mais cinco novas espécies de aves descritas nos próximos anos”, explica.

Das 15 novas aves, 11 só são encontradas no Brasil. As demais podem ser vistas também no Peru e na Bolívia. Porém, a descoberta vem acompanhada de um alerta: ao menos quatro espécies já são consideradas vulneráveis na natureza: o arapaçu-barrado-do-xingu, o arapaçu-do-tapajós, o poiaeiro-de-chicomendes e a cancao-da-campina.

Outra coincidência alarmante é que os membros recém-descritos da fauna brasileira vivem em uma região denominada “Arco do Desmatamento”, trecho que compreende uma faixa entre a Bolívia e o Brasil, que passando por Mato Grosso, Pará e Rondônia, e é conhecida pelas altas taxas de destruição da floresta e queimadas devido ao avanço dos centros urbanos e ao aumento das atividades agropecuárias.

“Várias destas espécies são bichos com hábitos especializados. Qualquer alteração nesses pontos específicos pode representar sua eliminação. Queremos chamar a atenção para esse volume de descobertas para que se possa tomar uma decisão mais sábia e sustentável para o uso deste bioma”, afirma.

Mapa Aves da Amazônia (Foto:  )Nova gralha pode desaparecer
Uma das espécies consideradas vulneráveis é a gralha cancão-da-campina, que vive em uma área de campina amazônica, entre os rios Madeira e Purus, ao sul de Manaus (AM).

O ornitólogo Mario Cohn-Haft, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), tenta desde 1998 obter informações desta ave, descoberta por acaso durante uma expedição.

Em 2005 ele conseguiu mais dados sobre esta espécie, apesar de descrevê-la apenas agora. No entanto, segundo ele, a população desta ave já estaria sentindo uma queda no número de indivíduos devido ao avanço das atividades humanas.

Essas gralhas vivem no limite entre os campos amazônicos e áreas de floresta densa. Seu habitat é, justamente, o limite entre essas vegetações rasteira e alta. No entanto, de acordo com o pesquisador, as áreas abertas em que essas aves são encontradas – que não são trechos desmatados, mas terrenos naturalmente savanizados – são alvos frequentes da agricultura e da pecuária.

“Há uma lógica popularmente divulgada, mas sem efeito científico, de que campos abertos podem ser usados para a agropecuária, pois não seriam caracterizados como áreas de desmate e não afetariam o meio ambiente. Converter qualquer ambiente natural em uma diferente estrutura altera a biodiversidade daquela região”, explica Cohn-Haft.

Outras ameaças citadas pelo cientista são a proximidade da área com a rodovia federal BR 319, que liga Manaus a Porto Velho, a construção das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau em Rondônia, além da expansão agropecuária e atividades mineradoras em municípios como Humaitá, Boca do Acre (no AM).

“A Amazônia realmente tem uma diversidade grande. Mesmo tendo um dos grupos de aves mais conhecidos, descobrir novas espécies ‘debaixo do nosso nariz’ chama a atenção para a riqueza da floresta. A Amazônia continua oferecendo surpresas, muito além do que imaginávamos”, afirma o cientista.

Os trabalhos foram feitos por cientistas e estudantes de pós-graduação da USP, do Inpa, além do Museu Paraense Emílio Goeldi, de Belém (PA), e do Museu de Ciência Natural da Universidade Estadual da Louisiania, dos Estados Unidos.

Exemplares da gralha cancao-da-campina, encontradas nas áreas de campinas amazônicas: ocupação humana ameaça espécie (Foto: Divulgação/Luciano Moreira Lima)

Exemplares da gralha cancão-da-campina, encontradas nas áreas de campinas amazônicas: ocupação humana ameaça espécie (Foto: Divulgação/Luciano Moreira Lima)

 

 

Fonte: Globo Natureza


1 de abril de 2013 | nenhum comentário »

Descoberta nova espécie de anfíbio

Filhotes de ‘Microcaecilia dermatophaga‘ se alimentam de pele da mãe.

Foi publicada este mês no periódico PLoS One a descrição de uma nova espécie de gimnofiono, a mesma ordem  da “cobra-pênis”, como ficou conhecido na imprensa e em redes sociais um animal raro encontrado no Brasil em 2011, por causa de seu formato. Essa ordem inclui também os bichos popularmente conhecidos como “cobras-cegas”.

A nova espécie agora anunciada vive na Guiana Francesa e se chama Microcaecilia dermatophaga. Apesar de parecer uma cobra ou verme, trata-se na verdade de um anfíbio, ou seja, tem relação evolutiva mais próxima com um sapo do que com qualquer serpente.

Microcaecilia dermatophaga, a nova espécie descrita na PLoS One (Foto:  Wilkinson et al/PLoS One/Creative Commons)

Microcaecilia dermatophaga, a nova espécie descrita na PLoS One (Foto: Wilkinson et al/PLoS One/Creative Commons)

Microcaecilia dermatophaga tem uma característica especial: os exemplares mais jovens da espécie se alimentam da pele da mãe – daí o termo “dermatófago” em seu nome científico.

Recentemente, teve grande repercussão na internet a descoberta de outro gimnofiono como aMicrocaecilia dermatophaga. Tratava-se da descoberta de um raro exemplar de Atretochoana eiselti no canteiro de obras da Usina de Santo Antônio.

Atretochoana eiselti foi descoberta no Rio Madeira (Foto: Juliano Tupan/Divulgação)

Exemplar de Atretochoana eiselti, que é da mesma ordem da nova espécie encontrada na Guiana Francesa, foi descoberta no Rio Madeira e ganhou o apelido de 'cobra-pênis' (Foto: Juliano Tupan/Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


1 de abril de 2013 | nenhum comentário »

Biólogos identificam duas novas espécies de lêmures

Animais endêmicos de Madagascar estão entre os menores primatas do mundo e os mais ameaçados de extinção

lêmur

O Microcebus marohita foi colocado na lista de espécies ameaçadas de extinção antes mesmo de ser formalmente descrito pelos pesquisadores (Bellarmin Ramahefasoa)

Biólogos alemães identificaram nas florestas de Madagascar duas novas espécies de lêmures do gênero Microcebus, que reúne as menores espécies de primatas do mundo —  e também as mais ameaçadas de extinção. Os animais foram descritos, após análises genéticas e morfológicas, em uma pesquisa publicada nesta terça-feira na revista International Journal of Primatology.

Os lêmures foram descobertos durante visitas de campo realizadas por pesquisadores do Centro de Primatas da Alemanha à ilha de Madagascar entre 2003 e 2007. Segundo os biólogos, os animais são minúsculos, pesando menos de cem gramas. A espécieMicrocebus tanosi tem a cabeça vermelha e pelos marrons e negros pelo corpo. Na barriga, seus pelos são castanhos e cinzas. Já o Microcebus marohita possui uma cauda longa e espessa e grandes patas traseiras.

Ameaça - Por causa do isolamento geográfico de Madagascar, todos os seus primatas, 90% de suas plantas e 80% de seus anfíbios e répteis são espécies endêmicas – ou seja, só são encontradas na ilha. Os lêmures, por exemplo, não existem fora dali. Na última década, com as pesquisas realizadas na região,  o número de espécies identificadas de lêmures mais que triplicou.

A floresta onde as duas novas espécies foram encontradas sofreu grande degradação na última década, fazendo com que a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) colocasse uma das novas espécies na lista das ameaçadas de extinção antes mesmo que ela tivesse sido formalmente descrita pelos pesquisadores. A situação de degradação na ilha é tão devastadora que um relatório publicado no ano passado pela entidade destacou que o lêmure mais raro do mundo, o lêmure-esportivo-do-norte (Lepilemur septentrionalis), não contava com mais de dezenove espécimes vivos.

Fonte: Veja Ciência


17 de dezembro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas encontram nova espécie de primata que tem mordida tóxica

Mamífero conhecido como lóris foi encontrado na ilha indonésia de Bornéu.
Apesar de venenosa, espécie está ameaçada de extinção na natureza.

Primata venenoso (Foto: Divulgação/Ch'ien Lee)

Imagem de exemplar do lóris kayan, encontrado recentemente na Indonésia (Foto: Divulgação/Ch'ien Lee)

Cientistas da Universidade de Missouri Columbia, nos Estados Unidos, identificaram na região de Bornéu, naIndonésia, uma nova espécie de primata do gênero Nycticebus, conhecido como lóris lento e que tem uma mordida venenosa.
Durante um trabalho de identificação de primatas, os cientistas conseguiram diferenciar quatro espécies de lóris lento ao analisar a coloração da pele, principalmente em partes do corpo e do rosto – onde as diferentes cores funcionam como uma impressão digital do animal.

Com isso, foi possível colher detalhes de três espécies, até então pouco estudadas, e a confirmação da existência de um novo animal, batizado de Nycticebus kayan, também conhecido como lóris kayan. O trabalho foi divulgado no periódico “American Journal of Primatology”.

Venenosos, mas vulneráveis
Os lóris lentos são animais classificados como vulneráveis ou ameaçados de extinção pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) e estão distribuídos pelo Sul da Ásia, como a região de Bangladesh, parte da China e na área de Bornéu.

Esses primatas são relacionados aos lêmures, devido às semelhanças na aparência. No entanto, a diferença entre eles é que os lóris detêm uma mordida tóxica, característica rara entre os mamíferos.

Uma toxina produzida por uma glândula existente em seu braço é ativada quando é misturada à saliva. O veneno, segundo os pesquisadores, inibe ataques de predadores – como seres humanos, águias e orangotangos.

Segundo um dos autores do estudo, a descoberta da nova espécie é um indício de que grande parte do território de Bornéu, que, apesar de ser protegido sofre com a ação humana, precisa ser ainda mais conservado, já que pode abrigar animais que não foram ainda descritos pela ciência. Os estudiosos alertam ainda para o intenso tráfico de lóris lentos que ocorre na Indonésia.

 

Fonte: Globo Natureza

 


7 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisador do Butantan descobre 9 espécies de aranhas caranguejeiras

Novas espécies habitam árvores em diferentes regiões do Brasil.
Descobertas foram publicadas na revista ‘ZooKeys’.

Um pesquisador do Instituto Butantan, sediado em São Paulo, descobriu nove espécies novas de aranhas caranguejeiras brasileiras, naturais de vegetações de Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga. O estudo com a descrição dos animais foi publicado na última semana no periódico “ZooKeys”.

As espécies, pertencentes a três gêneros distintos, são Typhochlaena ammaTyphochlaena costaeTyphochlaena curumimTyphochlaena paschoali, Pachistopelma bromelicola,Iridopelma katiaeIridopelma marcoiIridopelma oliveirai e Iridopelma vanini.

As caranguejeiras são encontradas em áreas do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste brasileiros, segundo o aracnólogo Rogério Bertani, pesquisador do Butantan e responsável pelo achado. Ele ressalta que os animais têm hábitos arborícolas, isto é, vivem em árvores e plantas.

Algumas espécies são bem pequenas. “Dá para dizer que são as menores [caranguejeiras] arborícolas do mundo”, disse Bertani. Um dos três gêneros tem características antigas, o que torna algumas das aranhas “quase relíquias”, na visão do cientista. “São remanescentes. É como algo que sobreviveu ao tempo.”

Duas das novas espécies vivem dentro de bromélias, comportamento raro em aracnídeos deste tipo, informa o pesquisador. Como as espécies são coloridas e chamativas, ele teme pelo impacto do tráfico de animais.

Apesar de não haver pesquisas que mostrem que as espécies estão ameaçadas, algumas delas são raras e podem correr risco de desaparecer, segundo o cientista. Ele aponta fatores que reforçam o risco, como a dependência de vegetação, já que as aranhas são arborícolas; a destruição dos habitats naturais, que sofrem há anos com o desmatamento; e o fato de os animais viverem em áreas específicas, com distribuição limitada pelo território brasileiro.

Para Bertani, a descoberta das novas espécies é importante para mostrar que existe uma grande fauna na Mata Atlântica e no Cerrado, que precisa ser melhor estudada por ser pouco conhecida.

As caranguejeiras brasileiras possuem veneno, em geral, mas não são consideradas peçonhentas porque o efeito é fraco para as pessoas. A aranha usa a substância para capturar insetos e outros pequenos animais usados em sua alimentação.

'Typhochlaena costae', tarântula encontrada em Palmas, no Tocantins, segundo o estudo (Foto: Reprodução/'ZooKeys')

Uma fêmea da caranguejeira 'Typhochlaena costae' (Foto: Reprodução/'ZooKeys')

Aranha 'Typhochlena curumim', encontrada na Paraíba (Foto: Reprodução/'ZooKeys')

Aranha 'Typhochlena curumim', encontrada na Paraíba, segundo o estudo (Foto: Reprodução/'ZooKeys')

Aranha 'Typhochlaena amma', encontrada no Espírito Santo, segundo o estudo (Foto: Reprodução/'ZooKeys')

Uma fêmea da aranha caranguejeira 'Typhochlaena amma' (Foto: Reprodução/'ZooKeys')

Fonte: Globo Natureza


6 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Mais de 40 novas espécies de peixes são encontradas no Rio Madeira

A descoberta foi feita durante trabalho de monitoramento.
Rio Madeira tem quase mil espécies, algumas ainda desconhecidas.

Uma pesquisa feito na Bacia do Rio Madeira, em Porto Velho, encontrou peixes que não passam dos 30 centímetros de comprimento e que possuem estruturas ósseas, morfologia dentária, padrão de cores, olhos e número de escamas nunca antes descritos pela ciência. As 40 novas espécies ainda serão catalogadas e reconhecidas científicamente.

Seja em dois metros de profundidade, seja em 60 metros, o Rio Madeira não para de surpreender. A maior parte dos novos animais encontrados são de pequeno porte, que dificilmente atingem mais de 15 centímetros e são encontrados em profundidades de dois a 60 metros.

Arraia encontrada no Rio Madeira. Nome cientifico Potamotrygon motoro, com tamanho de 60 cm. Possui um ferrão na calda (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

Arraia encontrada no Rio Madeira. Nome cientifico Potamotrygon motoro, com tamanho de 60 cm (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

Peixe raro encontrado somente em lençóis freáticos. A espécie não tem olhos (Foto: Unir/Divulgação)

Peixe raro encontrado somente em lençóis freáticos. A espécie não tem olhos (Foto: Unir/Divulgação)

Entre as novas espécies encontradas, o maior animal registrado mede 30 centímetros e recebeu o nome de Ageneiosus spn. Vittatus, tem a cabeça alongada e com um filamento que se parece com uma antena, é da cor branca com listras marrons. Como ainda estão sendo estudadas, não se sabe muito sobre os hábitos e comportamentos destas novas espécies.

“Descobrir exemplares novos também pode ser um indicativo de que determinada espécie está se extinguindo antes que possamos conhecê-la e isso pode ser um reflexo da interferência humana no ecossistema”, reflete o biólogo e coordenador do inventário taxonômico da pesquisa, João Alves de Lima Filho.

Uma das novas espécies encontradas. Nome cientifico Ageneiosus sp n vittatus (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

Uma das novas espécies encontradas. Nome cientifico Ageneiosus sp n vittatus (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

A pesquisa
Foram monitorados 1,7 mil quilômetros do Rio Madeira, entre os estados de Rondônia, Mato Grosso e Amazonas. Foram catalogadas 907 espécies, o que garante ao Rio Madeira o primeiro lugar como o rio mais em diversidade de peixes do mundo.

Uma coleção de ictiofauna [estudo dos peixes] está sendo montada por biólogos e pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (Unir) a partir do resultado do monitoramento, que foi desenvolvido durante quatro anos para conhecer as consequências da construção da Usina Hidrelétrica Santo Antônio. Os estudos fazem parte das condicionantes impostas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos  Naturais Renováveis (Ibama) para a liberação da Licença de Operação à concessionária Santo Antônio Energia.

Esta já é a coleção que possui o segundo maior banco de registros genéticos do Brasil, com 16 mil amostras e também o terceiro maior em número de espécies.

Loricarideo em reprodução, com os ovos no  ventre. Uma das espécies que fazem parte da coleção de ictiofauna da Unir (Foto: Diogo Hungria/Unir/Divulgação)

Loricarideo em reprodução, com os ovos no ventre. Uma das espécies que fazem parte da coleção de ictiofauna da Unir (Foto: Diogo Hungria/Unir/Divulgação)

Segundo o biólogo coordenador da coleção, João Alves, todas os indivíduos que não foram identificados estão em processo de estudo.

O estudo é feito manualmente, a medição e análise das caracteríscas e do ambiente. Além disso, é feita a aferição do código genético dos animais encontrados.

“No final, para divulgação da nova espécie e suas especificidades é redigido um artigo científico que é publicado para que a comunidade científica tome conhecimento da descoberta”, conta João Alves.

Espécie rara na Bacia Amazônica, encontrada apenas em regiões profundas do rio. Nome cientifico Planiloricaria cryptodon com tamanho aproximado de 25.3 cm (Foto: Unir/Divulgação)

Espécie rara na Bacia Amazônica, encontrada apenas em regiões profundas do rio. Nome cientifico Planiloricaria cryptodon com tamanho aproximado de 25.3 cm (Foto: Unir/Divulgação)

Em novembro, a Unir espera que pelo menos uma das novas espécies seja reconhecida. “Um dos nossos pesquisadores está finalizando o artigo sobre um dos novos animais descobertos. Essa seria uma nova espécie de lambari”, antecipa João.

O estudo para a publicação de um artigo como este demora em média um ano e meio. “O primeiro passo é descrever essas espécies, e posteriormente iniciar os estudos de sua biologia e ecologia”, conta João Alves.

Monitoramento e captura?
Os pesquisadores vão à campo no Rio Madeira e seus afluentes com uma metodologia padronizada de captura dos animais.

Captura dos animais para estudo e monitoramento da ictiofauna na Bacia do Madeira. Aplicação da metodologia de rede de cerco.  (Foto: Maria Fonseca/Unir/Divulgação)

Captura dos animais para estudo e monitoramento da ictiofauna na Bacia do Madeira. Aplicação da metodologia de rede de cerco. (Foto: Maria Fonseca/Unir/Divulgação)

Todo os espécies coletados em campo passam por um processo de análise e armazenamento específico para que possa fazer parte da coleção de estudos e para poder durar até 150 anos em bom estado de conservação.

Fonte: Globo Natureza


26 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Nova espécie de macaco com juba é encontrada na África

Uma nova espécie de macaco foi encontrada na África

Uma nova espécie de macaco foi encontrada na África. Foto: BBC

Uma nova espécie de macaco foi encontrada na África. É apenas a segunda espécie de primata a ser identificada em 28 anos, de acordo com cientistas.

O primata foi descoberto na República Democrática do Congo, onde ele é conhecido como ”lesula”.

Dois rios, o Congo e o Lomani, separam o habitat da espécie de seus dois primos mais próximos.

Ambientalistas afirmam que a descoberta ressalta a necessidade de proteger a vida selvagem na Bacia do Congo.

A descoberta foi divulgada na publicação científica especializada online Public Library of Science.

ENGAIOLADO

O primeiro contato que cientistas tiveram com o macaco foi quando eles encontraram uma fêmea jovem, mantida em uma gaiola por um professor de escola primária, na cidade de Opala.

O animal agora está sob cuidados de um instituto especializado e sendo monitorado por cientistas.

Seis meses depois de encontrar o animal preso, especialistas conseguiram achar outros primatas da espécie no ambiente selvagem.

”Quando demos início às nossas investigações, não sabíamos o quão importante do ponto de vista biológico seriam as nossas descobertas”, afirma John Hart, da Fundação Lukuru, que comandou o projeto.

”Não esperávamos encontrar uma nova espécie, especialmente entre um grupo tão conhecido como os macacos guenon africanos”, acrescenta o pesquisador.

No documento que descreve os animais, os cientistas detalharam seus traços distintos: “Uma juba de longos fios loiros rodeando um rosto pálido e nu com um focinho com uma faixa cor de creme vertical”.

ROSTO PECULIAR

O rosto desnudo do lesula é diferente do rosto negro e peludo do parente mais próximo do animal.

O primata ganhou o nome científico de Cercopithecus lomamiensis, em homenagem ao rio Lomani, localizado na região de seu habitat natural.

Os pesquisadores acreditam que o animal viva em uma área de cerca de 17 mil quilômetros quadrados na região central da República Democrática do Congo.

Os especialistas temem que devido ao fato de a espécie viver concentrada em uma mesma região ela poderia estar mais ameaçada por ações predatórias, como a prática da caça para usar sua carne como alimento.

O antropólogo Andrew Burrell, da Universidade de Nova York, disse à BBC que ”a descoberta pode representar talvez a primeira desta floresta notável, mas pouco conhecida na parte central da República Democrática do Congo, uma região de grande diversidade de primatas”.

 

Fonte: Folha.com


3 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisadores descobrem nova espécie de ave em Minas Gerais

Vasculhando montanhas com cerca de 1.500 m de altitude no coração de Minas Gerais, pesquisadores encontraram uma nova espécie de pássaro, mais ou menos do tamanho de um sabiá (embora seu “primo” mais conhecido seja o joão-de-barro).

A ave, apelidada por eles de pedreiro-do-espinhaço, é um enigma evolutivo: seus parentes mais próximos, que também gostam de montanhas e de frio, estão a milhares de quilômetros dali, no Rio Grande do Sul, nos Andes e até na Patagônia.

Enquanto tentam entender como o bicho foi parar na serra do Espinhaço, a apenas 50 km de Belo Horizonte, os cientistas também estão levando em conta considerações mais práticas. Para eles, a espécie já “nasce” para a ciência como ameaçada de extinção.

É que o habitat do animal, uma combinação única de rocha e vegetação rasteira adaptada a altitudes elevadas, corre o risco de sumir com a mudança climática, além de sofrer a pressão da atividade humana.

É OU NÃO É?

A pesquisa que levou à descoberta da nova espécie é assinada pelo ornitólogo Guilherme Freitas e por seus colegas Anderson Chaves, Lílian Costa, Fabrício Santos e Marcos Rodrigues, todos da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

A equipe levou vários anos para cravar que se tratava de um bicho novo, em parte, porque as diferenças entre o pedreiro-do-espinhaço e seus parentes da região Sul (que moram na serra Geral, entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina) são pequenas.

Freitas conta que a descoberta começou com o avistamento de um único indivíduo, em 2006. “Bati umas fotos e achei que só podia ser ele [a espécie do Sul." Talvez fosse um pássaro especialmente aventureiro, tendo voado uns 1.000 km rumo ao norte, pensou o ornitólogo.

Procura que procura, ele e seus colegas foram achando mais bichos, até toparem com casais e filhotes, sinal de que se tratava de uma população residente, e não de alguns pássaros desgarrados.

A equipe conseguiu capturar alguns exemplares e gravar o canto dos pássaros. Análises comparativas da aparência, do padrão de canto e do DNA dos animais levou os pesquisadores a acreditarem, que, de fato, tratava-se de uma espécie nova.

"As diferenças são sutis. Mas, somadas, fortalecem essa hipótese", diz Freitas.

NÁUFRAGO

É difícil saber como a nova espécie acabou evoluindo. É possível que áreas mais baixas fossem propícias à sua presença dezenas de milhares de anos atrás, na Era do Gelo. Conforme o planeta esquentou, a população da serra do Espinhaço teria ficado isolada e adquirido suas características únicas.

Por outro lado, sua origem pode ser ainda mais remota. "As montanhas brasileiras são antigas se comparadas aos Andes, e há vários registros de 'fósseis vivos' no Espinhaço", diz Freitas.

O habitat peculiar da ave são os chamados campos rupestres, terrenos pedregosos cobertos por plantas herbáceas e frequentemente cobertos por neblina, formada pela umidade que vem do mar.

Nesse ambiente, o pedreiro-do-espinhaço caça invertebrados em meio a rachaduras na rocha, musgos, líquens e gramíneas.

Por suas características únicas e por seu isolamento, os campos rupestres são pródigos em animais e plantas endêmicos, ou seja, que só existem lá, e em nenhum outro lugar do mundo.

De 1990 para cá, por exemplo, a serra do Espinhaço já tinha sido palco da descoberta de três outras espécies de aves, coisa rara no planeta hoje.

A descrição científica oficial da espécie será publicada na edição do mês que vem da revista científica "Ibis", especializada em ornitologia.

Editoria de Arte/Folhapress

Folha.com


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