18 de janeiro de 2012 | nenhum comentário »

Dióxido de carbono afeta o cérebro dos peixes, alerta estudo

As crescentes emissões de dióxido de carbono podem afetar o cérebro e o sistema nervoso central dos peixes marinhos, com sérias consequências para a sua sobrevivência, revelou um estudo publicado nesta segunda-feira (16).

Segundo a pesquisa, as concentrações de dióxido de carbono estimadas para o fim deste século interferirão na habilidade dos peixes de ouvir, cheirar, se virar e escapar de predadores.

O ARC, Centro de Excelência para Estudos de Recifes de Coral, informou que está testando o desempenho de bebês de peixes coralinos na água do mar com altos níveis de dióxido de carbono dissolvido por vários anos.

“E agora está bem claro que eles sofrem uma alteração significativa em seu sistema nervoso central, podendo prejudicar suas chances de sobrevivência”, disse Phillip Munday, professor que divulgou as descobertas.

Em artigo publicado na revista Nature Climate Change, Munday e seus colegas também detalharam o que afirmam ser a primeira evidência no mundo de que os níveis de CO2 na água do mar afetam um receptor cerebral chave nos peixes, provocando mudanças marcantes em seu comportamento e habilidades sensoriais.

“Nós descobrimos que altas concentrações de CO2 nos oceanos podem interferir diretamente nas funções dos neurotransmissores dos peixes, o que representa uma ameaça direta e antes desconhecida à vida marinha”, afirmou Munday.

A equipe de cientistas começou a estudar o comportamento de filhotes de peixe-palhaço e peixes-donzela ao lado de seus predadores em um ambiente de água enriquecida com CO2.

Eles descobriram que enquanto os predadores eram pouco afetados, os filhotes demonstraram um desgaste muito maior.

“Nosso trabalho inicial demonstrou que o sentido do olfato em filhotes de peixes foi afetado pela presença de mais CO2 na água, o que significa que eles tiveram mais dficuldade de localizar um coral para se abrigar ou detectar o odor de alerta de um peixe predador”, disse Munday.

A equipe, então, examinou se a audição dos peixes – usada para localizar e ocupar recifes à noite e evitá-los durante o dia – tinha sido afetada.

“A resposta é sim, foi. Eles ficaram confusos e deixaram de evitar sons coralinos durante o dia. Ser atraído pelos corais à luz do dia os tornaria presas fáceis para os predadores”, acrescentaram os estudiosos.

O estudo mostrou, ainda, que os peixes também tendem a perder o instinto natural de virar para a direita ou a esquerda, um importante fator de comportamento adquirido.

“Tudo isto nos levou a suspeitar que o que estava acontecendo não era simplesmente um dano ao seus sentidos individuais, mas ao contrário, que níveis mais altos de dióxido de carbono estavam afetando o sistema nervoso central como um todo”, acrescentou.

Munday afirmou que 2,3 bilhões de toneladas de emissões de CO2 se dissolvem nos oceanos do mundo todo ano, provocando mudanças na química da água na qual vivem os peixes e outras espécies.

Fonte: Portal iG


14 de janeiro de 2012 | nenhum comentário »

Algas formam mancha marrom na Baía de Guanabara, no Rio

Uma grande mancha marrom apareceu nesta sexta-feira (13) na Baía de Guanabara, altura da Marina da Glória, na zona sul do Rio. Segundo o 1º GMar (Grupamento Marítimo) de Botafogo, a concentração de algas provocou a coloração escura na água.

Coordenador do projeto Olho Verde para o gerenciamento da zona costeira, o biólogo Mário Moscatelli afirma que é comum a aparição de algas na região nessa época do ano. Ele explica que, por causa do calor e da presença de nutrientes de esgoto, essas plantas se multiplicam com facilidade.

“Só através da análise podemos identificar a espécie dessas algas e saber se elas são tóxicas ou não”, disse o especialista.

A Folha tentou contato com a Feema (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente), mas nenhum representante foi localizado.

Fonte: Diana Brito/ Folha.com


24 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Buraco na camada de ozônio chega a nível máximo nesta temporada

O buraco na camada de ozônio no hemisfério sul chegou a seu nível máximo anual em 12 setembro, ao alcançar 16 milhões de quilômetros quadrados, o 9º maior dos últimos 20 anos. As informações são da Nasa (agência espacial americana) e da Noaa (Administração Atmosférica e Oceânica dos EUA).

A camada de ozônio protege a vida terrestre ao bloquear os raios solares ultravioleta e sua redução adquire especial importância nesta época do ano, quando o hemisfério sul começa a ficar mais quente.

A Nasa e a Noaa utilizam instrumentos terrestres e de medição atmosférica aérea a bordo de globos e satélites para monitorar o buraco de ozônio no polo Sul, os níveis globais da camada de ozônio na estratosfera e as substâncias químicas artificiais que contribuem para a diminuição do ozônio.

“As temperaturas mais frias na estratosfera causaram neste ano um buraco de ozônio maior que a média”, disse Paul Newman, cientista-chefe do Centro Goddard de Voos Espaciais da Nasa.

“Embora fosse relativamente grande, a área do buraco de ozônio neste ano estava dentro da categoria que esperávamos, dado que os níveis químicos de origem humana persistem na atmosfera”, lamentou.

O diretor da divisão de Observação Mundial da Noaa, James Butler, afirmou que o consumo dessas substâncias que destroem o ozônio diminui pouco a pouco devido à ação internacional, mas ainda há grandes quantidades desses produtos químicos causando danos.

No entanto, a maioria dos produtos químicos permanece na atmosfera durante décadas.

A Noaa esteve monitorando o esgotamento do ozônio no mundo todo, incluindo o polo Sul, de várias perspectivas, utilizando globos atmosféricos durante 24 anos para recolher os perfis detalhados dos níveis de ozônio, assim como com instrumentos terrestres e do espaço.

 

Fonte: Da EFE


5 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Onze tartarugas são encontradas mortas em Praia Grande/SP

Dez tartarugas-verde e uma tartaruga-de-pente foram encontradas mortas de domingo até esta terça-feira (3) nas praias do Canto do Forte, Guilhermina e Tupi, em Praia Grande, litoral de São Paulo.

Segundo o laudo da ONG Gremar (Resgate e Reabilitação de Animais Marinhos), para onde os animais foram encaminhados, no Guarujá, todas haviam ingerido lixo plástico, sendo essa a causa da morte de oito delas.

Das outras três tartarugas, duas morreram por ferimentos causados por redes de pesca e uma devido ao rompimento do casco após um choque com uma embarcação.

De acordo com o Grupamento de Guarda Costeira Municipal, neste ano já foram encontradas 60 tartarugas mortas nas praias da cidade.

“O principal motivo das mortes são a pesca acidental e a ingestão sacolas plásticas, que são confundidas com águas-vivas, principal alimento desses animais”, afirma Delfo Almeida Monsalvo, inspetor chefe da Guarda Costeira. 

Fonte: Felipe Caruso/ Folha.com


27 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Relatório da OMS diz que Grande Rio tem ar mais poluído que Grande SP

Órgão da ONU usou dados de 2009 fornecidos pelos governos estaduais.
Cidade iraniana foi apontada como a mais poluída do mundo, entre 1.100.

Relatório divulgado nesta segunda-feira (26) pela Organização Mundial de Saúde, que aborda a contaminação do ar nas principais cidades do mundo, aponta que o nível de poluição atmosférica da Região Metropolitana do Rio de Janeiro é quase duas vezes maior ao da Região Metropolitana de São Paulo e ainda supera grandes cidades como Nova York, Londres e Paris.

Segundo o estudo, que usou dados atmosféricos entre 2003 e 2010 coletados em 1.100 regiões de 91 países, aferidos por órgãos de governo responsáveis pela medição do ar, enquanto o ar da RM do Rio concentra 64 microgramas de material particulado por metro cúbico, a medição da RM de São Paulo apresentou 38 microgramas por metro cúbico.

Apesar da comparação, as duas regiões estão com níveis de poluição acima do limite estipulado pela OMS, que é de 20 microgramas por metro cúbico.

Tal fato é preocupante, já que a organização informou que 2 milhões de pessoas morrem anualmente devido a problemas decorrentes da contaminação do ar, sendo que este número poderia ser reduzido se políticas públicas ambientais fossem aplicadas de forma rígida e fiscalizadas, de acordo com o relatório. A OMS aponta como causa a grande quantidade carros nas zonas urbanas e a alta concentração da indústria.

Comparação
As duas macrorregiões, que juntas abrangem 59 cidades, têm índices de poluição superiores aos de grandes cidades de países considerados desenvolvidos.

Londres, na Inglaterra, tem índice atmosférico de 14 microgramas por metro cúbico. Já Nova York, nos Estados Unidos, registrou entre o período de 2003 e 2009 a média anual de 21 microgramas de material particulado por metro cúbico.  A pesquisa ainda utilizou dados coletados em Belo Horizonte (20 microgramas por metro cúbico) e em Curitiba (29 microgramas por metro cúbico).

No ranking, a cidade mais poluída é Ahwaz, no Irã. De acordo com o relatório da OMS, a partir de informações do Departamento de Meio Ambiente da cidade, o índice de contaminação do ar é 372 micrograma por metro cúbico.

Critérios
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), responsável pela medição de poluentes na atmosfera nas cidades paulistas, informou desconhecer os critérios utilizados pela OMS para se chegar ao índice de contaminação do ar apresentado no estudo. A instituição preferiu não comentar o resultado.

Segundo Carlos Fonteneles, diretor de informação e monitoramento ambiental do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), órgão ambiental do Rio de Janeiro, a metodologia empregada pela OMS foi errada, já que os níveis de poluição do Rio vinham de estações de medição semi-automáticas, enquanto que os de São Paulo originavam de estações automáticas.

“A diferença se dá na concentração das emissões. Enquanto uma máquina semi-automática as por 24 horas, em um intervalo de seis dias, o equipamento automático grava como os dados de poluição atmosférica a cada hora. O filtro das estações do Rio estavam com mais poluentes por conta desta forma de funcionamento”, afirmou.

Políticas públicas
De acordo com Paulo Artaxo, coordenador do laboratório de física atmosférica da Universidade de São Paulo, é difícil a cidade do Rio de Janeiro concentrar níveis de poluição mais altos que São Paulo, já que o município está próximo ao mar.

“(O Rio) não tem esse nível de poluição tão alto, porque a cidade é abastecida por ventos do Oceano Atlântico, que dispersam os poluentes. Este fato não acontece em São Paulo, que tem um crônico problema com transporte público e alta concentração de indústrias”, disse.

Entretanto, Artaxo afirma que isto não isenta o Rio da responsabilidade de emissões de poluentes superiores aos limites impostos pela OMS.

“Na região central da cidade, por exemplo, próximo à avenida Rio Branco e à região da estação Central do Brasil, há uma forte concentração de veículos, ônibus que soltam fumaça proveniente da queima do diesel. Não podemos dizer que estamos em uma situação extraordinariamente boa a ponto de considerar o ar adequado”, explica.

“Independente se os números que saem no relatório são precisos ou não, o ponto mais importante é o alerta da organização para a criação de políticas de controle de emissões atmosféricas mais eficientes”, conclui.

CONTAMINAÇÃO DO AR NAS GRANDES CIDADES, SEGUNDO A OMS
Região Metropolitana do Rio de Janeiro (19 cidades) 64µg/m³
Região Metropolitana de São Paulo (39 cidades) 38 µg/m³
Paris (França) 38 µg/m³
Nova York (Estados Unidos) 21 µg/m³
Londres (Inglaterra) 14 µg/m³

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


22 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Pesquisa alerta para poluição do mar

As aves migratórias sofrem cada vez mais com os níveis de óleo nas águas e com a poluição que aumenta em seus pontos de abrigo.

Há dois meses, ao norte do Rio Grande do Sul, dezenas de maçaricos-de-papo-vermelho foram encontrados mortos nas praias do litoral. Segundo observam os pesquisadores, já se constata uma redução de quase 60% nas populações dessa ave migratória, que todos os anos foge das baixas temperaturas do Ártico, voando até a Patagônia argentina e passando por toda a costa brasileira, onde faz paradas para descansar e alimentar-se. É um animal que, a ritmo acelerado, está caminhando para a extinção.

As tartarugas marinhas parecem não ter melhor sorte. A cada ano, sobe o número de quelônios que aparecem mortos ou em péssimas condições de saúde na costa fluminense. Nelas, os biólogos geralmente constatam a presença de plástico no estômago e um grande número de bactérias patogênicas. “Ambos os casos são emblemáticos da alteração drástica e da rápida redução dos ambientes que essas espécies habitam, resultado das mudanças promovidas pelo homem.” Para o biólogo Salvatore Siciliano, da Fundação Oswaldo Cruz, e pesquisador visitante da Faperj, “parece que retrocedemos 40 anos”. “As políticas de desenvolvimento a qualquer custo, a exemplo do modelo chinês, têm significado inestimáveis prejuízos ambientais.”

Ao dar continuidade ao projeto, Salvatore e equipe também tem trabalhado em conjunto com Reinaldo Calixto de Campos, professor do Departamento de Química da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) e Cientista do Nosso Estado, da Faperj, no projeto “Suporte Analítico a Estudos Ambientais, de Saúde e Tecnológicos”. “Eles vêm me encaminhando amostras desses animais coletados para análise no laboratório. Os resultados têm mostrado a presença de contaminantes acima dos níveis naturais esperados, em grande parte das amostras”, fala o professor Reinaldo.

Integrante da equipe de Salvatore na Fiocruz, o doutorando Jailson Fulgencio de Moura – que contou com apoio de bolsa de mestrado da Faperj -, é um dos pesquisadores que vêm recolhendo amostras de boto-cinza no litoral fluminense, entre Saquarema, na região dos Lagos, e São Francisco do Itabapoana, no norte fluminense. “Na comparação com exemplares recolhidos no Amapá, nossa expectativa era de que a bacia Amazônica e do Orinoco pudessem estar distribuindo níveis expressivos de mercúrio por aquela área. Mas os resultados mostraram exatamente o contrário: as amostras do Amapá apresentavam níveis bem mais baixos para mercúrio e condições bem melhores do que as fluminenses.”

Segundo Jailson, os níveis bem maiores de metais pesados nos botos recolhidos no Rio de Janeiro podem resultar da atividade de antigos garimpos ao longo do rio Paraíba do Sul, de resíduos de agrotóxicos usados no cultivo de cana, ou mesmo do aporte de efluentes de atividade industrial na baía de Guanabara. “Pelo que pudemos constatar, a grande maioria dos 20 botos coletados, mortos em consequência de captura acidental em rede de pesca, mostrava deformidades ósseas. Só a continuidade dos estudos nos dirá se essas deformidades teriam sido provocadas por contaminantes industriais”, calcula Jailson.

Se para a fauna marinha os prejuízos da atividade humana são visíveis, eles também são perceptíveis para o homem. Um número crescente de casos recentes de lobomicose, no Acre, apontam para o ressurgimento de uma doença que se acreditava quase extinta no país. “Descrita na década de 1930 nos índios da etnia kaiabi, da região central do Xingu, e considerada rara, a lobomicose acomete humanos e também golfinhos. É um tipo de micose severa, que causa verrugas na pele que precisam ser retiradas cirurgicamente. Foram observados doentes no norte do Rio Grande do Sul, no Paraná e no Acre, onde houve dezenas de casos.”

Provocada por fungos saprofíticos, presentes tanto no solo quanto na água, a doença, da mesma forma do que nos humanos, também causa anomalias sobre a pele lisa dos golfinhos. “Não se sabe exatamente o que está levando a essa incidência elevada de casos. Uma das hipóteses é que a contaminação de rios e cursos d’água vem progressivamente criando oportunidades para a reermergência de patógenos. E como a globalização do mundo moderno também significa globalização de patógenos, a água de lastro levada pelos navios dissemina espécies invasoras de um lado a outro do planeta, generalizando a contaminação.”

Um levantamento bacteriológico em tartarugas e aves marinhas encontradas encalhadas ou arribadas na costa fluminense mostra quase sempre um quadro bastante sério de condições de saúde. “Como são espécies que vivem em águas costeiras – em geral, as que mais recebem todo o tipo de contaminação, seja despejo de esgotos, seja óleo resultante das atividades portuárias -, esses animais sofrem com a drástica transformação dos ambientes em que vivem ou onde se alimentam”, explica o pesquisador.

Detalhando o quadro, ele fala que, no caso das tartarugas, muitas vezes elas apresentam obstrução intestinal, provocado pela ingestão de plástico. “Em geral estão com menos de metade de seu peso normal, o que lhes causa grande debilidade, a ponto de haver afundamento do plastrão (casco). Tudo isso cria condições para a proliferação de agentes patogênicos e todo o tipo de infecção. Com isso, o animal para de se alimentar, enfraquece ainda mais e termina morrendo”, diz.

Essa combinação de causas vale também para aves migratórias e baleias, por exemplo. “Os maçaricos usam as áreas de manguezal para se alimentar, mas essas regiões estão desaparecendo com a ocupação humana. Com a redução das áreas de alimentação e o aumento da presença de óleo nas áreas de suas rotas migratórias, essas aves sofrem vários tipos de agressão ambiental. Nos últimos dias, em pleno inverno, grupos da espécie foram avistados em praias do Rio Grande do Sul, o que significa que não estão conseguindo comida suficiente para seguir em frente e enfrentar as condições adversas da migração.” O resultado, aponta Salvatore, é a repetição de casos como o da mortandade recente de grupos dessas aves nas proximidades de Tramandaí, no litoral norte do Rio Grande do Sul.

Fonte: Agência Faperj


19 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Estudo culpa esgoto por desaparecimento de coral no Caribe

A bactéria causadora de uma enfermidade que está acabando com um tipo de coral ameaçado de extinção do Caribe é proveniente das águas poluídas de uma rede de esgotos, mostra um estudo publicado nos Estados Unidos na quarta-feira.

O coral, chamado de chifre-de-veado, vive nas águas do sul da Flórida e do arquipélago das Bahamas e chegou a ser a espécie mais numerosa no Caribe, mas tem desaparecido por conta de uma enfermidade causada pela bactériaSerratia Marcescens, que é encontrada em fezes humanas e de animais.

Até agora não se sabia com certeza que tipo de bactéria estava afetando o coral, mas os cientistas analisaram a bactéria de uma planta de águas residuais em Key West, na Flórida, e a compararam com amostras fecais de animais e aves locais para chegar à conclusão.

Os cientistas descobriram que a bactéria que causava a morte dos corais era do mesmo tipo encontrado nas redes de esgoto.

“A boa notícia é que podemos resolver este problema através do tratamento de esgoto”, disse o co-autor do informe, James Porter, da Universidade de Geórgia.

O estudo, publicado na revista científica “PLoS One”, assegura que toda a área do sul da Flórida está modernizando a rede de esgoto, o que deverá impedir que a bactéria chegue ao oceano aberto.

Segundo a Noaa (Administração Nacional dos Oceanos e a Atmosfera dos Estados Unidos), as enfermidades, a contaminação, os depredadores, o aquecimento das águas e as tormentas têm contribuído para uma diminuição da população de corais entre 75% e 95% desde 1980.

Fonte: Da France Presse


9 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Poluição e falta de mata ciliar prejudicam o Paraguaçu

Rio poluído (Foto: Reprodução)

Lixo e esgoto maltratam o Paraguaçu (Foto: Reprodução)

Quando os índios batizaram o rio, escolheram um nome que desse a ele a noção do seu tamanho. Uma palavra bastou: Paraguaçu, que significa ‘água grande’, em tupi guarani.

Entre os rios nordestinos, o Paraguaçu é um dos mais importantes. Tem 614 quilômetros de extensão e atravessa três regiões da Bahia até alcançar o mar.

O Paraguaçu nasce no município de Barra da Estiva. Na Chapada Diamantina ele distribui suas águas para irrigar um dos pólos agrícolas da Bahia, onde se produz café, batata e até maçã e ameixa.

A reportagem do Globo Rural segue por onde o rio se despede da Chapada Diamantina e entra no semi-árido. O roteiro inclui os municípios de Itaetê, Marcionílio Souza, Iaçu e Boa Vista do Tupim.

Começamos por Itaetê. As águas do Paraguaçu foram represadas pela barragem Bandeira de Melo, que tem a missão de evitar que o leito do rio seque quando a chuva falta. Uma represa de 24 quilômetros de comprimento.

Daqui em diante, o Paraguaçu atravessa a região que mais depende de suas águas. Por uma triste ironia, é também a região que mais agride o rio.

Em Marcionílio Souza, o Paraguaçu serve até para limpar vísceras de boi. O gado é abatido nas fazendas e as tripas são tratadas no rio. Mas as tripas não são a única sujeira que o rio recebe, a mesma água que limpa as vísceras, e que depois se transformam em pratos de buchada, corre de onde mulheres lavam roupas. É com esse trabalho que elas sustentam as famílias.

O rio sofre também adiante. Nas cidades ribeirinhas a mesma água que mata a sede e a fome, recebe poluição de todo canto.

Do jeito que sai das casas e das ruas, a sujeira cai na água. O caramujo, transmissor da esquistossomose, está presente. Em meio ao perigo de contaminação, os pescadores procuram peixes.

Um motor de 30 cavalos faz a água chegar na parte mais alta da propriedade. De dois reservatórios ela desce por gravidade para irrigar a plantação lá embaixo em um assentamento da reforma agrária. Um dos primeiros, no médio Paraguaçu, a receber água do rio para molhar a terra.

A área do assentamento é de 360 hectares divididos entre 25 famílias. O carro-chefe do assentamento é a produção de banana e a irrigação por gotejamento cumpre bem a função de molhar a terra sem desperdiçar água.

Mercado para a banana não é problema. Boas colheitas, prosperidade em terras da seca. O rio que faz brotar a comida, em troca recebe a ingratidão.

desapareceu. Resultado: a erosão tomou conta do leito e a margem do rio começou a desbarrancar.Na região da caatinga, o pasto só não invadiu o curso das águas, como a mata ciliar

Por causa da falta de proteção das matas ciliares, vários afluentes já morreram na região da caatinga. Um riacho, de tão assoreado, não vê água nem em época de chuva. O Paraguaçu, logo adiante, não recebe nenhuma contribuição do parceiro há mais de 10 anos.

Carlos Romero dirige uma organização não-governamental, a SOS Paraguaçu, que há mais de uma década vem denunciando essas agressões. De acordo com estudos recentes, a devastação da mata ciliar chega a 70% da extensão do rio. Isso significa cerca de 400 dos 614 quilômetros do Paraguaçu.

Dois deles passam pela fazenda da família do pecuarista Dilson Oliveira. São dois quilômetros de pasto no lugar da área que deveria ser preservada. O rebanho de 80 cabeças de gado costuma passar fome quando a chuva demora. O capim não cresce. O medo de Dilson é que um dia a água do Paraguaçu também falte. E ele conta que ela já está diminuindo.

erosão (Foto: Reprodução)

Erosão às margens do Paraguaçu (Foto: Reprodução)

Os ambientalistas já fizeram os cálculos de quanto precisam reflorestar. De acordo com Carlos Romero, seria preciso replantar 1700 quilômetros de mata ciliar. Na prática é difícil, mas se envolver as comunidades que destruíram as matas, um dia será possível novamente ver o rio respirar.

Fonte: Globo Rural


28 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Coppe quer tecnologias para o enfrentamento das mudanças climáticas com foco na população de menor renda

Produzir tecnologias que permitam a adaptação do país às mudanças climáticas, direcionando as pesquisas à população mais pobre. Esse será o foco do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmou nesta quarta-feira (27) o diretor de Tecnologia e Inovação do instituto, Segen Estefen, ao participar de seminário promovido pelo Centro China-Brasil de Mudança Climática e Tecnologias Inovadoras para a Energia.

“Nós entendemos que as mudanças climáticas, do ponto de vista científico, estão colocadas e têm de ser aprofundadas. Existe uma mudança climática em andamento e nós entendemos que o papel da Coppe é da engenharia: viabilizar a adaptação, porque ela vai ter de ser muito focada na população mais pobre. São os mais pobres que vão pagar a conta do aquecimento global, do aumento do nível dos oceanos, da desertificação, dos problemas alimentares que vão surgir”, disse.

Estefen lembrou que a China tem preocupações semelhantes, uma vez que grande parte da população chinesa tem poder aquisitivo muito baixo. Em reunião fechada realizada mais cedo, com pesquisadores dos dois países, discutiu-se como as instituições vão atuar em cooperação com o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), criado em 1988 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e a Organização Mundial de Meteorologia.

Os pesquisadores pretendem, a partir dos diagnósticos e das recomendações, agir de forma mais conjugada, de modo a contribuir com os governos brasileiro e chinês na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

O diretor da Coppe, Luiz Pinguelli Rosa, disse que o Brasil e a China têm realidades distintas, o que exige um enfrentamento diferenciado da situação. “O grande problema da China é o carvão mineral, que eles usam em grande quantidade, principalmente na geração elétrica e na indústria. No Brasil, o grande problema do efeito estufa é o desmatamento. São problemas bem diferentes. O que nós temos em comum é como conciliar a questão ambiental com a eliminação da pobreza, com a diminuição da desigualdade”.

Segundo Pinguelli, o mundo, tal como se encontra hoje, inviabiliza o futuro do planeta. “É preciso outro padrão de desenvolvimento”, destacou. O pesquisador defendeu a necessidade de as populações abrirem mão dos automóveis para obterem ganhos em termos de qualidade de vida. “Mas, para isso, os americanos também terão que fazer isso. Nesse ponto, o mundo é global. Com o efeito estufa, todos pagam o mesmo preço”.

Sobre a mitigação das mudanças climáticas, Pinguelli enfatizou que o mundo ainda está engatinhando. “Falta muito. O mundo não está resolvendo o problema da mitigação. Os compromissos de Quioto eram mínimos e, mesmo assim, não estão sendo cumpridos pelos países desenvolvidos”, disse, referindo-se ao Protocolo de Quioto, em que as nações comprometeram-se a reduzir as emissões dos gases causadores de efeito estufa.

Fonte: Alana Gandra/ Agência Brasil


28 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Áreas protegidas não evitam perda da biodiversidade, diz estudo

A garantia de áreas protegidas não está evitando a perda de biodiversidade, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira. O trabalho diz que a situação pode se tornar catastrófica até o ano 2050 e exige soluções mais efetivas para os problemas de crescimento da população e do nível de consumo.

De acordo com a pesquisa, publicada na revista científica “Marine Ecology Progress Series”, embora existam hoje 100 mil áreas protegidas no mundo todo –que somam 17 milhões de km2 em terra e 2 milhões de km2 nos oceanos–, a perda de biodiversidade aumentou.

“Estamos investindo uma grande quantidade de recursos financeiros e humanos na criação de áreas protegidas e infelizmente evidências sugerem que essa não é a solução mais efetiva”, afirmou Camilo Mora, um pesquisador colombiano da Universidade do Havaí, em Manoa.

Um dos problemas é que entre as 100 mil áreas protegidas, o cumprimento das normas só é feito em 5,8% das que estão em terra e em 0,08% das que estão nos oceanos.

A despesa mundial nas áreas protegidas é de US$ 6 bilhões ao ano, quando deveria ser de US$ 24 bilhões, por isso que muitas áreas não são financiadas de forma adequada, indica o estudo.

O coautor do trabalho Peter Sale, diretor do Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde (Canadá) da Universidade das Nações Unidas, também identificou outras quatro limitações no uso de áreas protegidas para preservar a biodiversidade do planeta.

Segundo o pesquisador, o crescimento previsto das áreas protegidas é muito lento. No ritmo atual, para alcançar o objetivo de cobrir 30% dos ecossistemas do mundo seriam necessários 185 anos em terra e 80 anos nos oceanos.

Ao mesmo tempo, as ameaças contra a biodiversidade, como a mudança climática e a poluição, estão avançado rapidamente, enquanto o tamanho e a conexão das áreas protegidas são inadequados. Cerca de 30% das áreas nos oceanos e 60% das de terra têm uma superfície inferior a 1 km2.

Além disso, as áreas protegidas são uma medida efetiva somente contra duas ameaças de origem humana, a exploração em massa e a perda de habitat, mas não contra mudança climática, poluição e espécies invasoras.

Finalmente, elas entram em conflito com o desenvolvimento humano.

Por estas razões, Moura disse que “é o momento de empregar todos os recursos que vão para as áreas protegidas e utilizá-los em estratégias que sejam mais efetivas ao problema”.

Fonte: Da EFE


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18 de janeiro de 2012 | nenhum comentário »

Dióxido de carbono afeta o cérebro dos peixes, alerta estudo

As crescentes emissões de dióxido de carbono podem afetar o cérebro e o sistema nervoso central dos peixes marinhos, com sérias consequências para a sua sobrevivência, revelou um estudo publicado nesta segunda-feira (16).

Segundo a pesquisa, as concentrações de dióxido de carbono estimadas para o fim deste século interferirão na habilidade dos peixes de ouvir, cheirar, se virar e escapar de predadores.

O ARC, Centro de Excelência para Estudos de Recifes de Coral, informou que está testando o desempenho de bebês de peixes coralinos na água do mar com altos níveis de dióxido de carbono dissolvido por vários anos.

“E agora está bem claro que eles sofrem uma alteração significativa em seu sistema nervoso central, podendo prejudicar suas chances de sobrevivência”, disse Phillip Munday, professor que divulgou as descobertas.

Em artigo publicado na revista Nature Climate Change, Munday e seus colegas também detalharam o que afirmam ser a primeira evidência no mundo de que os níveis de CO2 na água do mar afetam um receptor cerebral chave nos peixes, provocando mudanças marcantes em seu comportamento e habilidades sensoriais.

“Nós descobrimos que altas concentrações de CO2 nos oceanos podem interferir diretamente nas funções dos neurotransmissores dos peixes, o que representa uma ameaça direta e antes desconhecida à vida marinha”, afirmou Munday.

A equipe de cientistas começou a estudar o comportamento de filhotes de peixe-palhaço e peixes-donzela ao lado de seus predadores em um ambiente de água enriquecida com CO2.

Eles descobriram que enquanto os predadores eram pouco afetados, os filhotes demonstraram um desgaste muito maior.

“Nosso trabalho inicial demonstrou que o sentido do olfato em filhotes de peixes foi afetado pela presença de mais CO2 na água, o que significa que eles tiveram mais dficuldade de localizar um coral para se abrigar ou detectar o odor de alerta de um peixe predador”, disse Munday.

A equipe, então, examinou se a audição dos peixes – usada para localizar e ocupar recifes à noite e evitá-los durante o dia – tinha sido afetada.

“A resposta é sim, foi. Eles ficaram confusos e deixaram de evitar sons coralinos durante o dia. Ser atraído pelos corais à luz do dia os tornaria presas fáceis para os predadores”, acrescentaram os estudiosos.

O estudo mostrou, ainda, que os peixes também tendem a perder o instinto natural de virar para a direita ou a esquerda, um importante fator de comportamento adquirido.

“Tudo isto nos levou a suspeitar que o que estava acontecendo não era simplesmente um dano ao seus sentidos individuais, mas ao contrário, que níveis mais altos de dióxido de carbono estavam afetando o sistema nervoso central como um todo”, acrescentou.

Munday afirmou que 2,3 bilhões de toneladas de emissões de CO2 se dissolvem nos oceanos do mundo todo ano, provocando mudanças na química da água na qual vivem os peixes e outras espécies.

Fonte: Portal iG


14 de janeiro de 2012 | nenhum comentário »

Algas formam mancha marrom na Baía de Guanabara, no Rio

Uma grande mancha marrom apareceu nesta sexta-feira (13) na Baía de Guanabara, altura da Marina da Glória, na zona sul do Rio. Segundo o 1º GMar (Grupamento Marítimo) de Botafogo, a concentração de algas provocou a coloração escura na água.

Coordenador do projeto Olho Verde para o gerenciamento da zona costeira, o biólogo Mário Moscatelli afirma que é comum a aparição de algas na região nessa época do ano. Ele explica que, por causa do calor e da presença de nutrientes de esgoto, essas plantas se multiplicam com facilidade.

“Só através da análise podemos identificar a espécie dessas algas e saber se elas são tóxicas ou não”, disse o especialista.

A Folha tentou contato com a Feema (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente), mas nenhum representante foi localizado.

Fonte: Diana Brito/ Folha.com


24 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Buraco na camada de ozônio chega a nível máximo nesta temporada

O buraco na camada de ozônio no hemisfério sul chegou a seu nível máximo anual em 12 setembro, ao alcançar 16 milhões de quilômetros quadrados, o 9º maior dos últimos 20 anos. As informações são da Nasa (agência espacial americana) e da Noaa (Administração Atmosférica e Oceânica dos EUA).

A camada de ozônio protege a vida terrestre ao bloquear os raios solares ultravioleta e sua redução adquire especial importância nesta época do ano, quando o hemisfério sul começa a ficar mais quente.

A Nasa e a Noaa utilizam instrumentos terrestres e de medição atmosférica aérea a bordo de globos e satélites para monitorar o buraco de ozônio no polo Sul, os níveis globais da camada de ozônio na estratosfera e as substâncias químicas artificiais que contribuem para a diminuição do ozônio.

“As temperaturas mais frias na estratosfera causaram neste ano um buraco de ozônio maior que a média”, disse Paul Newman, cientista-chefe do Centro Goddard de Voos Espaciais da Nasa.

“Embora fosse relativamente grande, a área do buraco de ozônio neste ano estava dentro da categoria que esperávamos, dado que os níveis químicos de origem humana persistem na atmosfera”, lamentou.

O diretor da divisão de Observação Mundial da Noaa, James Butler, afirmou que o consumo dessas substâncias que destroem o ozônio diminui pouco a pouco devido à ação internacional, mas ainda há grandes quantidades desses produtos químicos causando danos.

No entanto, a maioria dos produtos químicos permanece na atmosfera durante décadas.

A Noaa esteve monitorando o esgotamento do ozônio no mundo todo, incluindo o polo Sul, de várias perspectivas, utilizando globos atmosféricos durante 24 anos para recolher os perfis detalhados dos níveis de ozônio, assim como com instrumentos terrestres e do espaço.

 

Fonte: Da EFE


5 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Onze tartarugas são encontradas mortas em Praia Grande/SP

Dez tartarugas-verde e uma tartaruga-de-pente foram encontradas mortas de domingo até esta terça-feira (3) nas praias do Canto do Forte, Guilhermina e Tupi, em Praia Grande, litoral de São Paulo.

Segundo o laudo da ONG Gremar (Resgate e Reabilitação de Animais Marinhos), para onde os animais foram encaminhados, no Guarujá, todas haviam ingerido lixo plástico, sendo essa a causa da morte de oito delas.

Das outras três tartarugas, duas morreram por ferimentos causados por redes de pesca e uma devido ao rompimento do casco após um choque com uma embarcação.

De acordo com o Grupamento de Guarda Costeira Municipal, neste ano já foram encontradas 60 tartarugas mortas nas praias da cidade.

“O principal motivo das mortes são a pesca acidental e a ingestão sacolas plásticas, que são confundidas com águas-vivas, principal alimento desses animais”, afirma Delfo Almeida Monsalvo, inspetor chefe da Guarda Costeira. 

Fonte: Felipe Caruso/ Folha.com


27 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Relatório da OMS diz que Grande Rio tem ar mais poluído que Grande SP

Órgão da ONU usou dados de 2009 fornecidos pelos governos estaduais.
Cidade iraniana foi apontada como a mais poluída do mundo, entre 1.100.

Relatório divulgado nesta segunda-feira (26) pela Organização Mundial de Saúde, que aborda a contaminação do ar nas principais cidades do mundo, aponta que o nível de poluição atmosférica da Região Metropolitana do Rio de Janeiro é quase duas vezes maior ao da Região Metropolitana de São Paulo e ainda supera grandes cidades como Nova York, Londres e Paris.

Segundo o estudo, que usou dados atmosféricos entre 2003 e 2010 coletados em 1.100 regiões de 91 países, aferidos por órgãos de governo responsáveis pela medição do ar, enquanto o ar da RM do Rio concentra 64 microgramas de material particulado por metro cúbico, a medição da RM de São Paulo apresentou 38 microgramas por metro cúbico.

Apesar da comparação, as duas regiões estão com níveis de poluição acima do limite estipulado pela OMS, que é de 20 microgramas por metro cúbico.

Tal fato é preocupante, já que a organização informou que 2 milhões de pessoas morrem anualmente devido a problemas decorrentes da contaminação do ar, sendo que este número poderia ser reduzido se políticas públicas ambientais fossem aplicadas de forma rígida e fiscalizadas, de acordo com o relatório. A OMS aponta como causa a grande quantidade carros nas zonas urbanas e a alta concentração da indústria.

Comparação
As duas macrorregiões, que juntas abrangem 59 cidades, têm índices de poluição superiores aos de grandes cidades de países considerados desenvolvidos.

Londres, na Inglaterra, tem índice atmosférico de 14 microgramas por metro cúbico. Já Nova York, nos Estados Unidos, registrou entre o período de 2003 e 2009 a média anual de 21 microgramas de material particulado por metro cúbico.  A pesquisa ainda utilizou dados coletados em Belo Horizonte (20 microgramas por metro cúbico) e em Curitiba (29 microgramas por metro cúbico).

No ranking, a cidade mais poluída é Ahwaz, no Irã. De acordo com o relatório da OMS, a partir de informações do Departamento de Meio Ambiente da cidade, o índice de contaminação do ar é 372 micrograma por metro cúbico.

Critérios
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), responsável pela medição de poluentes na atmosfera nas cidades paulistas, informou desconhecer os critérios utilizados pela OMS para se chegar ao índice de contaminação do ar apresentado no estudo. A instituição preferiu não comentar o resultado.

Segundo Carlos Fonteneles, diretor de informação e monitoramento ambiental do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), órgão ambiental do Rio de Janeiro, a metodologia empregada pela OMS foi errada, já que os níveis de poluição do Rio vinham de estações de medição semi-automáticas, enquanto que os de São Paulo originavam de estações automáticas.

“A diferença se dá na concentração das emissões. Enquanto uma máquina semi-automática as por 24 horas, em um intervalo de seis dias, o equipamento automático grava como os dados de poluição atmosférica a cada hora. O filtro das estações do Rio estavam com mais poluentes por conta desta forma de funcionamento”, afirmou.

Políticas públicas
De acordo com Paulo Artaxo, coordenador do laboratório de física atmosférica da Universidade de São Paulo, é difícil a cidade do Rio de Janeiro concentrar níveis de poluição mais altos que São Paulo, já que o município está próximo ao mar.

“(O Rio) não tem esse nível de poluição tão alto, porque a cidade é abastecida por ventos do Oceano Atlântico, que dispersam os poluentes. Este fato não acontece em São Paulo, que tem um crônico problema com transporte público e alta concentração de indústrias”, disse.

Entretanto, Artaxo afirma que isto não isenta o Rio da responsabilidade de emissões de poluentes superiores aos limites impostos pela OMS.

“Na região central da cidade, por exemplo, próximo à avenida Rio Branco e à região da estação Central do Brasil, há uma forte concentração de veículos, ônibus que soltam fumaça proveniente da queima do diesel. Não podemos dizer que estamos em uma situação extraordinariamente boa a ponto de considerar o ar adequado”, explica.

“Independente se os números que saem no relatório são precisos ou não, o ponto mais importante é o alerta da organização para a criação de políticas de controle de emissões atmosféricas mais eficientes”, conclui.

CONTAMINAÇÃO DO AR NAS GRANDES CIDADES, SEGUNDO A OMS
Região Metropolitana do Rio de Janeiro (19 cidades) 64µg/m³
Região Metropolitana de São Paulo (39 cidades) 38 µg/m³
Paris (França) 38 µg/m³
Nova York (Estados Unidos) 21 µg/m³
Londres (Inglaterra) 14 µg/m³

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


22 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Pesquisa alerta para poluição do mar

As aves migratórias sofrem cada vez mais com os níveis de óleo nas águas e com a poluição que aumenta em seus pontos de abrigo.

Há dois meses, ao norte do Rio Grande do Sul, dezenas de maçaricos-de-papo-vermelho foram encontrados mortos nas praias do litoral. Segundo observam os pesquisadores, já se constata uma redução de quase 60% nas populações dessa ave migratória, que todos os anos foge das baixas temperaturas do Ártico, voando até a Patagônia argentina e passando por toda a costa brasileira, onde faz paradas para descansar e alimentar-se. É um animal que, a ritmo acelerado, está caminhando para a extinção.

As tartarugas marinhas parecem não ter melhor sorte. A cada ano, sobe o número de quelônios que aparecem mortos ou em péssimas condições de saúde na costa fluminense. Nelas, os biólogos geralmente constatam a presença de plástico no estômago e um grande número de bactérias patogênicas. “Ambos os casos são emblemáticos da alteração drástica e da rápida redução dos ambientes que essas espécies habitam, resultado das mudanças promovidas pelo homem.” Para o biólogo Salvatore Siciliano, da Fundação Oswaldo Cruz, e pesquisador visitante da Faperj, “parece que retrocedemos 40 anos”. “As políticas de desenvolvimento a qualquer custo, a exemplo do modelo chinês, têm significado inestimáveis prejuízos ambientais.”

Ao dar continuidade ao projeto, Salvatore e equipe também tem trabalhado em conjunto com Reinaldo Calixto de Campos, professor do Departamento de Química da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) e Cientista do Nosso Estado, da Faperj, no projeto “Suporte Analítico a Estudos Ambientais, de Saúde e Tecnológicos”. “Eles vêm me encaminhando amostras desses animais coletados para análise no laboratório. Os resultados têm mostrado a presença de contaminantes acima dos níveis naturais esperados, em grande parte das amostras”, fala o professor Reinaldo.

Integrante da equipe de Salvatore na Fiocruz, o doutorando Jailson Fulgencio de Moura – que contou com apoio de bolsa de mestrado da Faperj -, é um dos pesquisadores que vêm recolhendo amostras de boto-cinza no litoral fluminense, entre Saquarema, na região dos Lagos, e São Francisco do Itabapoana, no norte fluminense. “Na comparação com exemplares recolhidos no Amapá, nossa expectativa era de que a bacia Amazônica e do Orinoco pudessem estar distribuindo níveis expressivos de mercúrio por aquela área. Mas os resultados mostraram exatamente o contrário: as amostras do Amapá apresentavam níveis bem mais baixos para mercúrio e condições bem melhores do que as fluminenses.”

Segundo Jailson, os níveis bem maiores de metais pesados nos botos recolhidos no Rio de Janeiro podem resultar da atividade de antigos garimpos ao longo do rio Paraíba do Sul, de resíduos de agrotóxicos usados no cultivo de cana, ou mesmo do aporte de efluentes de atividade industrial na baía de Guanabara. “Pelo que pudemos constatar, a grande maioria dos 20 botos coletados, mortos em consequência de captura acidental em rede de pesca, mostrava deformidades ósseas. Só a continuidade dos estudos nos dirá se essas deformidades teriam sido provocadas por contaminantes industriais”, calcula Jailson.

Se para a fauna marinha os prejuízos da atividade humana são visíveis, eles também são perceptíveis para o homem. Um número crescente de casos recentes de lobomicose, no Acre, apontam para o ressurgimento de uma doença que se acreditava quase extinta no país. “Descrita na década de 1930 nos índios da etnia kaiabi, da região central do Xingu, e considerada rara, a lobomicose acomete humanos e também golfinhos. É um tipo de micose severa, que causa verrugas na pele que precisam ser retiradas cirurgicamente. Foram observados doentes no norte do Rio Grande do Sul, no Paraná e no Acre, onde houve dezenas de casos.”

Provocada por fungos saprofíticos, presentes tanto no solo quanto na água, a doença, da mesma forma do que nos humanos, também causa anomalias sobre a pele lisa dos golfinhos. “Não se sabe exatamente o que está levando a essa incidência elevada de casos. Uma das hipóteses é que a contaminação de rios e cursos d’água vem progressivamente criando oportunidades para a reermergência de patógenos. E como a globalização do mundo moderno também significa globalização de patógenos, a água de lastro levada pelos navios dissemina espécies invasoras de um lado a outro do planeta, generalizando a contaminação.”

Um levantamento bacteriológico em tartarugas e aves marinhas encontradas encalhadas ou arribadas na costa fluminense mostra quase sempre um quadro bastante sério de condições de saúde. “Como são espécies que vivem em águas costeiras – em geral, as que mais recebem todo o tipo de contaminação, seja despejo de esgotos, seja óleo resultante das atividades portuárias -, esses animais sofrem com a drástica transformação dos ambientes em que vivem ou onde se alimentam”, explica o pesquisador.

Detalhando o quadro, ele fala que, no caso das tartarugas, muitas vezes elas apresentam obstrução intestinal, provocado pela ingestão de plástico. “Em geral estão com menos de metade de seu peso normal, o que lhes causa grande debilidade, a ponto de haver afundamento do plastrão (casco). Tudo isso cria condições para a proliferação de agentes patogênicos e todo o tipo de infecção. Com isso, o animal para de se alimentar, enfraquece ainda mais e termina morrendo”, diz.

Essa combinação de causas vale também para aves migratórias e baleias, por exemplo. “Os maçaricos usam as áreas de manguezal para se alimentar, mas essas regiões estão desaparecendo com a ocupação humana. Com a redução das áreas de alimentação e o aumento da presença de óleo nas áreas de suas rotas migratórias, essas aves sofrem vários tipos de agressão ambiental. Nos últimos dias, em pleno inverno, grupos da espécie foram avistados em praias do Rio Grande do Sul, o que significa que não estão conseguindo comida suficiente para seguir em frente e enfrentar as condições adversas da migração.” O resultado, aponta Salvatore, é a repetição de casos como o da mortandade recente de grupos dessas aves nas proximidades de Tramandaí, no litoral norte do Rio Grande do Sul.

Fonte: Agência Faperj


19 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Estudo culpa esgoto por desaparecimento de coral no Caribe

A bactéria causadora de uma enfermidade que está acabando com um tipo de coral ameaçado de extinção do Caribe é proveniente das águas poluídas de uma rede de esgotos, mostra um estudo publicado nos Estados Unidos na quarta-feira.

O coral, chamado de chifre-de-veado, vive nas águas do sul da Flórida e do arquipélago das Bahamas e chegou a ser a espécie mais numerosa no Caribe, mas tem desaparecido por conta de uma enfermidade causada pela bactériaSerratia Marcescens, que é encontrada em fezes humanas e de animais.

Até agora não se sabia com certeza que tipo de bactéria estava afetando o coral, mas os cientistas analisaram a bactéria de uma planta de águas residuais em Key West, na Flórida, e a compararam com amostras fecais de animais e aves locais para chegar à conclusão.

Os cientistas descobriram que a bactéria que causava a morte dos corais era do mesmo tipo encontrado nas redes de esgoto.

“A boa notícia é que podemos resolver este problema através do tratamento de esgoto”, disse o co-autor do informe, James Porter, da Universidade de Geórgia.

O estudo, publicado na revista científica “PLoS One”, assegura que toda a área do sul da Flórida está modernizando a rede de esgoto, o que deverá impedir que a bactéria chegue ao oceano aberto.

Segundo a Noaa (Administração Nacional dos Oceanos e a Atmosfera dos Estados Unidos), as enfermidades, a contaminação, os depredadores, o aquecimento das águas e as tormentas têm contribuído para uma diminuição da população de corais entre 75% e 95% desde 1980.

Fonte: Da France Presse


9 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Poluição e falta de mata ciliar prejudicam o Paraguaçu

Rio poluído (Foto: Reprodução)

Lixo e esgoto maltratam o Paraguaçu (Foto: Reprodução)

Quando os índios batizaram o rio, escolheram um nome que desse a ele a noção do seu tamanho. Uma palavra bastou: Paraguaçu, que significa ‘água grande’, em tupi guarani.

Entre os rios nordestinos, o Paraguaçu é um dos mais importantes. Tem 614 quilômetros de extensão e atravessa três regiões da Bahia até alcançar o mar.

O Paraguaçu nasce no município de Barra da Estiva. Na Chapada Diamantina ele distribui suas águas para irrigar um dos pólos agrícolas da Bahia, onde se produz café, batata e até maçã e ameixa.

A reportagem do Globo Rural segue por onde o rio se despede da Chapada Diamantina e entra no semi-árido. O roteiro inclui os municípios de Itaetê, Marcionílio Souza, Iaçu e Boa Vista do Tupim.

Começamos por Itaetê. As águas do Paraguaçu foram represadas pela barragem Bandeira de Melo, que tem a missão de evitar que o leito do rio seque quando a chuva falta. Uma represa de 24 quilômetros de comprimento.

Daqui em diante, o Paraguaçu atravessa a região que mais depende de suas águas. Por uma triste ironia, é também a região que mais agride o rio.

Em Marcionílio Souza, o Paraguaçu serve até para limpar vísceras de boi. O gado é abatido nas fazendas e as tripas são tratadas no rio. Mas as tripas não são a única sujeira que o rio recebe, a mesma água que limpa as vísceras, e que depois se transformam em pratos de buchada, corre de onde mulheres lavam roupas. É com esse trabalho que elas sustentam as famílias.

O rio sofre também adiante. Nas cidades ribeirinhas a mesma água que mata a sede e a fome, recebe poluição de todo canto.

Do jeito que sai das casas e das ruas, a sujeira cai na água. O caramujo, transmissor da esquistossomose, está presente. Em meio ao perigo de contaminação, os pescadores procuram peixes.

Um motor de 30 cavalos faz a água chegar na parte mais alta da propriedade. De dois reservatórios ela desce por gravidade para irrigar a plantação lá embaixo em um assentamento da reforma agrária. Um dos primeiros, no médio Paraguaçu, a receber água do rio para molhar a terra.

A área do assentamento é de 360 hectares divididos entre 25 famílias. O carro-chefe do assentamento é a produção de banana e a irrigação por gotejamento cumpre bem a função de molhar a terra sem desperdiçar água.

Mercado para a banana não é problema. Boas colheitas, prosperidade em terras da seca. O rio que faz brotar a comida, em troca recebe a ingratidão.

desapareceu. Resultado: a erosão tomou conta do leito e a margem do rio começou a desbarrancar.Na região da caatinga, o pasto só não invadiu o curso das águas, como a mata ciliar

Por causa da falta de proteção das matas ciliares, vários afluentes já morreram na região da caatinga. Um riacho, de tão assoreado, não vê água nem em época de chuva. O Paraguaçu, logo adiante, não recebe nenhuma contribuição do parceiro há mais de 10 anos.

Carlos Romero dirige uma organização não-governamental, a SOS Paraguaçu, que há mais de uma década vem denunciando essas agressões. De acordo com estudos recentes, a devastação da mata ciliar chega a 70% da extensão do rio. Isso significa cerca de 400 dos 614 quilômetros do Paraguaçu.

Dois deles passam pela fazenda da família do pecuarista Dilson Oliveira. São dois quilômetros de pasto no lugar da área que deveria ser preservada. O rebanho de 80 cabeças de gado costuma passar fome quando a chuva demora. O capim não cresce. O medo de Dilson é que um dia a água do Paraguaçu também falte. E ele conta que ela já está diminuindo.

erosão (Foto: Reprodução)

Erosão às margens do Paraguaçu (Foto: Reprodução)

Os ambientalistas já fizeram os cálculos de quanto precisam reflorestar. De acordo com Carlos Romero, seria preciso replantar 1700 quilômetros de mata ciliar. Na prática é difícil, mas se envolver as comunidades que destruíram as matas, um dia será possível novamente ver o rio respirar.

Fonte: Globo Rural


28 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Coppe quer tecnologias para o enfrentamento das mudanças climáticas com foco na população de menor renda

Produzir tecnologias que permitam a adaptação do país às mudanças climáticas, direcionando as pesquisas à população mais pobre. Esse será o foco do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmou nesta quarta-feira (27) o diretor de Tecnologia e Inovação do instituto, Segen Estefen, ao participar de seminário promovido pelo Centro China-Brasil de Mudança Climática e Tecnologias Inovadoras para a Energia.

“Nós entendemos que as mudanças climáticas, do ponto de vista científico, estão colocadas e têm de ser aprofundadas. Existe uma mudança climática em andamento e nós entendemos que o papel da Coppe é da engenharia: viabilizar a adaptação, porque ela vai ter de ser muito focada na população mais pobre. São os mais pobres que vão pagar a conta do aquecimento global, do aumento do nível dos oceanos, da desertificação, dos problemas alimentares que vão surgir”, disse.

Estefen lembrou que a China tem preocupações semelhantes, uma vez que grande parte da população chinesa tem poder aquisitivo muito baixo. Em reunião fechada realizada mais cedo, com pesquisadores dos dois países, discutiu-se como as instituições vão atuar em cooperação com o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), criado em 1988 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e a Organização Mundial de Meteorologia.

Os pesquisadores pretendem, a partir dos diagnósticos e das recomendações, agir de forma mais conjugada, de modo a contribuir com os governos brasileiro e chinês na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

O diretor da Coppe, Luiz Pinguelli Rosa, disse que o Brasil e a China têm realidades distintas, o que exige um enfrentamento diferenciado da situação. “O grande problema da China é o carvão mineral, que eles usam em grande quantidade, principalmente na geração elétrica e na indústria. No Brasil, o grande problema do efeito estufa é o desmatamento. São problemas bem diferentes. O que nós temos em comum é como conciliar a questão ambiental com a eliminação da pobreza, com a diminuição da desigualdade”.

Segundo Pinguelli, o mundo, tal como se encontra hoje, inviabiliza o futuro do planeta. “É preciso outro padrão de desenvolvimento”, destacou. O pesquisador defendeu a necessidade de as populações abrirem mão dos automóveis para obterem ganhos em termos de qualidade de vida. “Mas, para isso, os americanos também terão que fazer isso. Nesse ponto, o mundo é global. Com o efeito estufa, todos pagam o mesmo preço”.

Sobre a mitigação das mudanças climáticas, Pinguelli enfatizou que o mundo ainda está engatinhando. “Falta muito. O mundo não está resolvendo o problema da mitigação. Os compromissos de Quioto eram mínimos e, mesmo assim, não estão sendo cumpridos pelos países desenvolvidos”, disse, referindo-se ao Protocolo de Quioto, em que as nações comprometeram-se a reduzir as emissões dos gases causadores de efeito estufa.

Fonte: Alana Gandra/ Agência Brasil


28 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Áreas protegidas não evitam perda da biodiversidade, diz estudo

A garantia de áreas protegidas não está evitando a perda de biodiversidade, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira. O trabalho diz que a situação pode se tornar catastrófica até o ano 2050 e exige soluções mais efetivas para os problemas de crescimento da população e do nível de consumo.

De acordo com a pesquisa, publicada na revista científica “Marine Ecology Progress Series”, embora existam hoje 100 mil áreas protegidas no mundo todo –que somam 17 milhões de km2 em terra e 2 milhões de km2 nos oceanos–, a perda de biodiversidade aumentou.

“Estamos investindo uma grande quantidade de recursos financeiros e humanos na criação de áreas protegidas e infelizmente evidências sugerem que essa não é a solução mais efetiva”, afirmou Camilo Mora, um pesquisador colombiano da Universidade do Havaí, em Manoa.

Um dos problemas é que entre as 100 mil áreas protegidas, o cumprimento das normas só é feito em 5,8% das que estão em terra e em 0,08% das que estão nos oceanos.

A despesa mundial nas áreas protegidas é de US$ 6 bilhões ao ano, quando deveria ser de US$ 24 bilhões, por isso que muitas áreas não são financiadas de forma adequada, indica o estudo.

O coautor do trabalho Peter Sale, diretor do Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde (Canadá) da Universidade das Nações Unidas, também identificou outras quatro limitações no uso de áreas protegidas para preservar a biodiversidade do planeta.

Segundo o pesquisador, o crescimento previsto das áreas protegidas é muito lento. No ritmo atual, para alcançar o objetivo de cobrir 30% dos ecossistemas do mundo seriam necessários 185 anos em terra e 80 anos nos oceanos.

Ao mesmo tempo, as ameaças contra a biodiversidade, como a mudança climática e a poluição, estão avançado rapidamente, enquanto o tamanho e a conexão das áreas protegidas são inadequados. Cerca de 30% das áreas nos oceanos e 60% das de terra têm uma superfície inferior a 1 km2.

Além disso, as áreas protegidas são uma medida efetiva somente contra duas ameaças de origem humana, a exploração em massa e a perda de habitat, mas não contra mudança climática, poluição e espécies invasoras.

Finalmente, elas entram em conflito com o desenvolvimento humano.

Por estas razões, Moura disse que “é o momento de empregar todos os recursos que vão para as áreas protegidas e utilizá-los em estratégias que sejam mais efetivas ao problema”.

Fonte: Da EFE


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