26 de fevereiro de 2015 | nenhum comentário »

Cientistas descobrem primeiros mamíferos a subir em árvores e cavar buracos

“Sabemos que os mamíferos modernos são espetacularmente diversos, mas não se sabia se os mamíferos primitivos também eram”, afirma pesquisador

Cientistas descobriram fósseis do que podem ser os primeiros mamíferos a subir em árvores e cavar buracos. Eles habitavam a região onde hoje fica a China e são uma evidência de que, no período de maior êxito dos dinossauros sobre a Terra, os mamíferos se adaptaram ao ambiente. Segundo os autores do estudo, os cientistas não imaginavam que os mamíferos fossem tão desenvolvidos naquela época.

Os animais identificados são o Agilodocodon scansorius, arborícola mais antigo descoberto até agora, e o Docofossor brachydactylus, o mamífero subterrâneo mais antigo que se conhece. Realizada por pesquisadores da Universidade de Chicago e do Museu de História Natural de Pequim, a pesquisa foi publicada na quinta-feira na revista Science.

As duas novas espécies, que provêm de grupos extintos dos primeiros mamíferos, tinham características desenvolvidas milhões de anos antes do que era estimado pelos cientistas. Os animais descobertos nesta pesquisa são do Período Jurássico e viveram entre 170 e 145 milhões de anos atrás.

Características — Agilodocodon scansorius tinha cerca de 13 centímetros da cabeça até a cauda e pesava por volta de 27 gramas, como um pequeno roedor dos dias de hoje. Ele tinha aparência de um esquilo com focinho longo. Já o Docofossor brachydactylus se parecia com a toupeira dourada da África. Estima-se que ele media 7 centímetros, pesava 16 gramas e tinha dedos próprios para cavar. Ao contrário da maioria dos mamíferos, possuía apenas duas falanges (segmentos ósseos) nos dedos.

“Sabemos que os mamíferos modernos são espetacularmente diversos, mas não se sabia se os primitivos também eram”, explicou o líder da pesquisa, Zhe-Xi Luo, professor da Universidade de Chicago. Os novos fósseis “ajudam a demonstrar que os primeiros mamíferos também tiveram uma ampla diversidade ecológica”, completa.

Reconstituição do estilo de vida e habitat do ‘Agilodocodon’ (no topo à esquerda) e do ‘Docofossor’ (abaixo, à direita)

Reconstituição do estilo de vida e habitat do ‘Agilodocodon’ (no topo à esquerda) e do ‘Docofossor’ (abaixo, à direita) (April I. Neander, the University of Chicago/VEJA.com)

Fonte: Veja Ciência


12 de março de 2013 | nenhum comentário »

Uma nova cara para os dinossauros

A velha imagem de lagartos monstruosos está ficando ultrapassada. Em um novo livro, pesquisadores propõem que os dinossauros também poderiam ser extravagantes, coloridos, peludos, brincalhões e até fofos

Os dinossauros costumam ser retratados como monstros aterrorizantes. As imagens conhecidas mostram lagartos gigantescos, de garras e presas enormes, em constante batalha pela sobrevivência. Os famosos Tiranossauros Rex e Velociraptores aparecem — em filmes, séries, livros, documentários e museus — como predadores implacáveis. O próprio nome dinossauro, cunhado em 1842 a partir de palavras gregas, significa lagarto terrível. Mas o livro All Yesterdays (Todos os Passados, sem versão em português), escrito pelo paleontólogo britânico Darren Naish, da Universidade de Southampton, e pelos artistas gráficos Mehmet Cevdet Koseman e John Conway, propõe a superação dessa ideia. Os autores defendem que os dinossauros poderiam ter visuais e comportamentos muito mais variados, parecidos com os dos animais de hoje – com sua enorme gama de cores, pelagens e plumagens.

Não existe nenhum modo de saber com absoluta certeza como eram os dinossauros. Todas as informações que existem sobre sua aparência vêm de fósseis com mais de 65 milhões de anos, deteriorados pela ação do tempo. A maioria dos registros fósseis permite decifrar a estrutura do esqueleto, mas nada diz sobre a pele, a gordura e os músculos desses animais. As baleias, por exemplo, possuem camadas imensas de gordura, que seriam difíceis de intuir para quem olhasse apenas para suas ossadas.Como apenas os ossos são conhecidos, as ilustrações acabam se baseando demais nessa característica, ignorando todos as outras características. “Os dinossauros parecem ser feitos apenas de pele e osso. Eles são desenhados muito magros, como se estivessem doentes. Mas os animais têm outros tecidos, como músculos e gordura ao redor do esqueleto”, diz C. M. Koseman em entrevista ao site de VEJA.

O primeiro golpe na concepção visual clássica dos dinossauros veio nos anos 2000, quando novos fósseis deram suporte a teorias que propunham que a maioria deles era coberta por penas. Eles deixaram de ser vistos como lagartos, e passaram a ser comparados às aves. A transformação proposta em All Yesterdays, no entanto, é mais radical. “Apesar de todas as novas informações e teorias, achamos que ainda estamos desenhando os animais de forma errada”, diz Koseman. As penas seriam apenas o sinal de que existe muito mais a ser descoberto. Assim, os autores fazem um chamado à especulação — não sobre o futuro, mas o passado da Terra.

Leaellynossauro

Ovelha ou dinossauro: em uma série de ilustrações, os pesquisadores propõem a aposentadoria da desgastada imagem ameaçadora e lembram que até mesmo as feras pré-históricas podem ser amáveis (John Conway)

Andrias scheuchzeri

Em 1726, foi encontrada uma grande ossada na Alemanha. Os pesquisadores pensaram que se tratava de um homem, fossilizado durante o grande dilúvio bíblico — era o Homo diluvii. Na verdade, se tratava de uma salamandra gigante (Andrias scheuchzeri). Na ilustração, os pesquisadores retratam como esse homem poderia ter se parecido, no que chamam a mais antiga reconstrução errada de um fóssil. "É possível, (embora seja improvável), que as mudanças de paradigmas possam um dia fazer com que nossa visão corrente dos animais extintos seja tão estranha e datada quanto a do Homo diluvii", escrevem os autores do livro. C. M. Koseman

Arte e ciência — Desde o século 19, a imagem que o público e os cientistas têm dos dinossauros foi moldada pelos paleoartistas: artistas que se dedicam ao desenho de temas relacionados à paleontologia. Todas as representações desses animais, do seriado Família Dinossauro ao filme Jurassic Park, se embasam em suas ilustrações. “Nosso trabalho é, basicamente, reconstruir animais extintos”, afirma Koseman.

A maioria dos paleoartistas não possui  formação na área da paleontologia. É o caso de Koseman e John Conway, que ilustram o livro All Yesterdays. Mesmo assim, eles trabalham em parceria tão próxima e por tanto tempo com os paleontólogos, que se tornam especialistas na área e chegam a servir de referência para estudos científicos.
Segundo os envolvidos, reconstruir um dinossauro é um trabalho cientificamente rigoroso, que envolve estudos de anatomia e fisiologia. Para desenhar o corpo, os artistas precisam analisar o esqueleto, o tamanho e a posição de cada osso. A partir da comparação com animais mais modernos, eles podem deduzir a localização dos músculos. “Nosso trabalho é feito a partir de uma equação que envolve arte e ciência, especulação e conhecimento”, diz Koseman.
Apesar de todo o rigor, a imaginação é necessária por causa das imensas lacunas que existem no processo: os pesquisadores conhecem muito pouco sobre o tamanho dos músculos, a distribuição da gordura, a pele, a presença de penas, pelos e escamas e as cores dos dinossauros. Nas pranchetas dos artistas, em volta dos ossos vão se sobrepondo camadas sucessivas de especulação. Os resultados finais podem ser completamente diferentes — a depender da ousadia do desenhista. “Existem muitas maneiras de desenhar um mesmo esqueleto. Normalmente, os paleoartistas escolhem o jeito mais conservador possível”, afirma.Penas, pelos e cores – Os autores propõem que essas camadas de especulação sejam preenchidas de maneira mais imaginativa — até extravagante — pelos desenhistas. Isso deixaria os dinossauros mais parecidos com animais de hoje em dia.

Segundo o livro, novas descobertas fósseis mostram que a a maioria dos dinossauros menores, como os heterodontossauros, deviam viver em grupo e ter seu corpo inteiro coberto de penas coloridas — ou até pelos. “Os maiores provavelmente não, pois, como os elefantes de hoje em dia, são muito grandes para precisar do isolamento térmico proporcionado por pelos e penas. Mesmo assim, poderiam ter características ‘decorativas’ no corpo, como as cristas nas cabeças dos galos ou cores chamativas na pele, para atrair parceiros no acasalamento”, diz Koseman.

Outra mudança proposta diz respeito ao comportamento geralmente retratado nas ilustrações, que mostrar os animais em movimentação constante e violenta, fugindo ou caçando suas presas. “No filme Jurassic Park, por exemplo, os Velociraptores e Tiranossauros estão sempre atacando as pessoas, sem muito propósito. Sua função na narrativa é servir como obstáculos que o herói tem de superar para salvar o dia — como os dragões das lendas antigas”, afirma o paleoartista (a semelhança não é coincidência: os primeiros mitos sobre dragões também surgiram a partir da descoberta de fósseis de dinossauros).

Ao olhar para os fósseis de um dinossauro, não há como saber o som que faziam, como se reproduziam, dormiam e brincavam. Mesmo assim, os pesquisadores dizem que essa é uma característica essencial para compreender a vida desses animais. Os leões, por exemplo, vão deixar registros de que são exímios predadores, mas será impossível conhecer seu ar majestoso e seus hábitos noturnos — características tão importantes quanto o fato de eles serem carnívoros. Assim como os predadores atuais, os pesquisadores dizem que os dinossauros também tinham uma vida fora das caçadas.

Ao combinar as mudanças de visual e comportamento, os autores propõem o último ataque à imagem de bestas monstruosas que os dinossauros adquiriram ao longo do tempo. Segundo o livro, eles poderiam até ser fofos. “Por que um dinossauro não pode ser bonitinho?”, diz Koseman. Quando um esqueleto é descoberto, ele geralmente tem um visual aterrador, que não coincide necessariamente o do animal vivo. “Olhe para os bichos de hoje em dia, e olhe para seus esqueletos. A ossada de um gato dá a impressão que se trata de uma fera horrível. Mas o gato é um dos animais mais fofos do planeta.”

Os pesquisadores reconhecem que, como qualquer especulação mais ousada, seu trabalho pode abrigar inúmeros erros. No futuro, novas descobertas podem mostrar que algumas das ilustrações estão completamente erradas, enquanto outras podem ser apenas reconstruções tímidas em face de uma realidade muito mais bizarra. “Algumas coisas sobre o passado nunca serão conhecidas por completo. Não devemos ter medo de especular”, diz Koseman.

 

Fonte: Veja Ciência


6 de março de 2013 | nenhum comentário »

Cientistas descobrem fóssil de camelo gigante em região do Ártico

Restos foram encontrados na Ilha de Ellesmere, pertencente ao Canadá.
Animal pré-histórico teria vivido na região há 3,5 milhões de anos.

Paleontólogos descobriram fósseis de um camelo gigante na Ilha de Ellesmere, na porção do Canadá no Ártico, informaram agências internacionais nesta quarta-feira (6). Os 30 fragmentos de osso encontrados representam o registro mais ao norte que se tem de animais do gênero Paracamelus, que teriam vivido há 3,5 milhões de anos no extremo norte canadense, segundo os pesquisadores.

Os camelos primitivos habitaram a região quando havia no local uma floresta boreal, durante um período de aquecimento do planeta, de acordo com os pesquisadores. Os antecessores destes animais surgiram há 45 milhões de anos na América do Norte, de acordo com os cientistas.

O estudo com os detalhes da descoberta foi publicado nesta semana no site científico “Nature Communications”. Ele foi realizado por pesquisadores do Museu Canadense de Natureza.

“Esta é uma descoberta importante porque representa a primeira evidência de camelos na região do alto Ártico”, afirmou uma das responsáveis pelo estudo, a pesquisadora Natalia Rybczynski.

Segundo a cientista, a descoberta também “sugere que a linhagem à qual pertencem os camelos modernos originalmente se adaptou para viver em torno de uma floresta boreal”.

Algumas características dos camelos modernos, “como seus pés largos e planos, seus grandes olhos e suas corcovas de gordura, podem ter sido adaptações derivadas da vida em uma região polar”, afirmou Natalia.

Parte dos fósseis encontrados pelos pesquisadores (Foto: Divulgação/Martin Lipmani/Museu Canadense de Natureza)

Parte dos fósseis encontrados pelos cientistas (Foto: Divulgação/Museu Canadense de Natureza)

Fósseis
Fósseis do camelo foram encontrados durante escavações de campo nos verões de 2006, 2008 e 2010 em um pequeno monte em Fyles Leaf Bed, um depósito de areia em uma região da Ilha de Ellesmere, onde já foram encontrados restos de plantas pré-históricas, mas nunca de um mamífero.

Segundo os pesquisadores, os fragmentos pertencem a uma tíbia, osso que em seres humanos é um dos maiores do organismo. Eles afirmam, no estudo, não terem sido capazes de fazer uma medição precisa do tamanho do camelo, mas ressaltam que a característica é identificável devido às grandes proporções do fóssil.

Anteriormente, em um lugar próximo conhecido como Beaver Pond, foram descobertos fósseis de mamíferos datando da mesma época.

A confirmação de que os fósseis descobertos são de um camelo exigiu que os cientistas recorressem a uma nova técnica de análise, que permite determinar o perfil de colágeno nos ossos descobertos.

Os dados anatômicos dos fósseis, junto com a comparação de seu perfil de colágeno com o de 37 mamíferos atuais e com o do camelo gigante de Yukon (noroeste do Canadá) – o antecessor dos camelos modernos – que se encontra no Museu Canadense de Natureza, confirmaram que os fósseis da Ilha de Ellesmere pertencem a um camelo.

Seguramente, o animal era da mesmo gênero Paracamelus que habitou a América do Norte durante milhões de anos, disseram os cientistas.

Ilustração mostra camelo pré-histórico que teria vivido na Ilha de Ellesmere, na região do Ártico (Foto: Divulgação/Julius Csotonyi/Museu Canadense de Natureza)

Ilustração mostra camelo pré-histórico que teria vivido na Ilha de Ellesmere, na região do Ártico (Foto: Divulgação/Julius Csotonyi/Museu Canadense de Natureza)

Fonte: Globo Natureza


6 de março de 2013 | nenhum comentário »

Cientista australiano sugere que dinossauro produzia leite

Assim como acontece com algumas espécies de aves, feras do Mesozoico também podiam secretar substância similar ao colostro, diz Paul Else

A teoria de que os dinossauros são animais mais próximos das aves — e não dos répteis — acaba de ganhar um importante argumento. De acordo com estudo publicado no The Journal of Experimental Biology, algumas espécies de dinossauros poderiam produzir um tipo de leite. Lançada pelo professor e fisiologista Paul Else, da Universidade de Wollongong, na Austrália, a tese se baseia na fisiologia das aves. Assim, Else acredita que algumas espécies de dinossauros, como os hadrossauros, secretavam uma susbtância similar ao colostro, que ficaria armazenado no papo.

Dinossauro hadrossaurus

Ilustração do dinossauro hadrossauros (De Agostini/Getty Images)

Pombo

Com base na fisiologia dos pombos, tese defende que o leite dos dinossauros poderia ficar armazenado no papo. (Imagem: veja ciência)

“Uma das preocupações da fisiologia comparada é que temos muita informação sobre a estrutura dos dinossauros, mas pouca sobre sua fisiologia”, afirma o pesquisador em entrevista ao site de VEJA. “Pesquisadores recentes começaram a pensar neles como mais próximos de aves que de répteis. Eu sabia que alguns pássaros têm a capacidade de alimentar seus filhotes com um produto parecido com o leite. Fiquei surpreso que ninguém tenha sugerido que os dinossauros também poderiam ter desenvolvido esta estratégia”, conta.

Algumas aves, como pombos, pinguins e flamingos, produzem uma substância parecida com o leite, mas que varia entre líquida e sólida. Essa substância é produzida em uma estrutura localizada entre o esôfago e o estômago. “Essas estruturas, que podem ser o papo, parte do esôfago, o esôfago propriamente ou a parte superior do estômago, dependendo do animal, estão sempre produzindo secreções que umedecem os alimentos e ajudam a engoli-los. Em um ambiente hormonal apropriado, essas estruturas começam a produzir um muco similar ao leite”, diz Else.

Supercrescimento
 — Para o pesquisador, a maior vantagem dessa forma de alimentação seria a possibilidade de oferecer, de forma concentrada, nutrientes necessários ao crescimento e desenvolvimento dos filhotes. “Pombos produzem leite com o qual alimentam seus filhotes durante as três ou quatro primeiras semanas de vida. Eles adicionam a este leite um hormônio de crescimento epitelial que permite que seus filhotes cresçam a taxas fenomenais. Os pombos atingem 85% do tamanho que terão quando adultos em três semanas após o nascimento”, diz Else.

A ideia é reforçada pelo fato de que os dinossauros nasciam pequenos se comparados ao tamanho que atingiam quando adultos. Com este hormônio adicionado ao leite, eles poderiam, portanto, evitar predadores e juntar rebanhos mais rapidamente.

Shake aditivado — De acordo com o pesquisador, o leite de dinossauro deveria ser parecido com o colostro, produzido por mamíferos logo após o nascimento do filhote. “Teria muito dos ingredientes básicos do leite de mamíferos, mas com metade das gorduras, metade da água e um pouco de carboidratos”, explica.

A quantidade de carboidratos poderia variar de acordo com a consistência do leite produzido. “Poderia ser fluido, como de mamíferos; semi-sólido, parecido com queijo cottage, como o produzido por pinguins imperadores; ou com consistência mais sólida, como o produzido por pombos”, diz. A consistência também dependeria do “aditivo” que o leite ganharia, como hormônio do crescimento, antioxidantes e antibióticos.

Dieta adulta — Como acontece com mamíferos e com aves, o período de lactação dos dinossauros poderia variar entre as espécies, assim como seria possível que algumas sequer utilizassem este recurso. Tudo poderia variar de acordo com o tamanho do dinossauro e o tempo de permanência no ninho. “Imagino que a maioria das espécies procuraria introduzir rapidamente seus filhotes à dieta normal de um adulto. Assim, a produção de leite não seria um sugador de energia dos pais”, diz o pesquisador. Para ele, o período de produção mais intensa de leite levaria de um a dois meses, seguido de um período onde os pais dinossauros misturariam ao leite alguns alimentos regurgitados para, finalmente, partir para a etapa de alimentação, somente com alimentos regurgitados. Assim, o pequeno dinossauro estaria pronto para uma dieta adulta.

Saiba mais

HADROSSAURO
Dinossauros do grupo Onithician que habitaram as Américas, a Euroásia e a Antártica no fim do período Cretáceo (há 145 a 65 milhões de anos). Eram herbívoros que colocavam de uma a duas dúzias de ovos por período. Atingiam tamanhos e pesos variados, de acordo com as espécies. Os filhotes da espécie Maiassaura, a menor entre os Hadrossauros, pesavam de 300 a 500 gramas, chegando a 2,5 toneladas quando adultos. Os maiores, da espécie Hypacrosauro, pesavam de três a quatro quilos quando filhotes, e atingiam cerca de 4,4 toneladas na idade adulta.

Fontes: Pesquisador Paul Else e livro The Princeton field guide to dinosaurs

 

Fonte: Veja Ciência


11 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Todos os dinossauros carnívoros tinham penas, diz estudo

Fóssil encontrado na Alemanha está mais próximo da base da evolução dos predadores e mais distante daquela que originou as aves, e mesmo assim era coberto de penas

Um fóssil extremamente bem preservado (como pode se perceber na foto acima) encontrado na Alemanha pode mudar tudo o que sabemos sobre os dinossauros carnívoros predadores, como os Tiranossauros. O fóssil foi apresentado nesta segunda-feira em um estudo publicado no periódico científico PNAS (Proceedings of National Academy of Sciences) e a partir dele pesquisadores alemães sugerem mudanças profundas no modo como acreditamos ser o aspecto dos grandes predadores do Jurássico, período de 199 a 145 milhões de anos atrás, no qual os dinossauros dominaram o planeta.

“Todos os dinossauros predadores tinham penas”, afirma categoricamente Oliver Rauhut, coautor do estudo e paleontólogo do Museu de Paleontologia e Geologia do Estado da Baviera. “Não seria nenhuma surpresa descobrir que as penas estavam presentes em todos os ancestrais dos dinossauros”, disse Mark Norell, co-autor do estudo e presidente da Divisão de Paleontologia do Museu Americano de História Natural, instituição que ajudou a financiar a pesquisa.

Já se sabe que ‘primos’ dos dinossauros, como os pterossauros, tinham estruturas parecidas com pelos cobrindo o corpo. Já os celurossauros, dinossauros terópodos que viveram em quase todos os continentes, na metade final do período Jurássico, tinham penas multicoloridas.

É aqui que entra em cena o fóssil descoberto pelos alemães, um jovem megalossauro batizadoSciurumimus albersdoerferi. Foi encontrado com as mandíbulas abertas e o rabo estendido acima da cabeça em uma laje de calcário em uma pedreira da Baviera, na mesma região da Alemanha onde, há 150 anos, outra amostra de um dino com penas havia sido descoberta, oArchaeopteryx lithographica.

Sciurumimus ganhou o nome em homenagem ao esquilo (que pertence ao gênero Sciurus) em função de sua cauda. O dinossauro tinha o crânio grande, patas traseiras curtas, a pele lisa e — esta é a descoberta mais importante do estudo — estava coberto de penas. A estimativa é de que ele tenha vivido há 150 milhões de anos, no período Jurássico.

Mas o Sciurumimus, mesmo cheio de penas, foi identificado como um megalossauro, mais próximo da base da linha evolutiva dos terópodos do que dos celurossauros. E isso pode mudar a percepção da aparência de tiranossauros e megalossauros, tidos até hoje (inclusive em filmes como Jurassic Park) como grandes lagartos ou parecidos com grandes crocodilos no que se refere à pele.

“Tudo o que encontramos nesses dias nos mostram o quão antiga são as características dos pássaros modernos na linha evolutiva e como esses animais eram parecidos com pássaros”, disse Mark Norell. As aves modernas são consideradas descendentes diretos dos celurossauros.

Fósseis completos como o do Sciurumimus são extremamente raros, ainda mais sendo provavelmente de um recém-nascido. Segundo os pesquisadores, esta espécie deveria se alimentar de pequenas presas e insetos. Mas o tamanho reduzido do fóssil não quer dizer que ele fosse um pequeno dinossauro carnívoro. “Sabemos, a partir de outras descobertas, que os dinossauros podiam ter um ritmo de crescimento lento”, disse Rauhut. “O Sciurumimus adulto podia chegar a quase dois metros de comprimento. Os grandes predadores podiam ser cheios de penas, mas isso não muda o fato de que estavam no topo da pirâmide alimentar.”

Fóssil do Sciurumimus

Descoberta: Fóssil de dinossauro com penas, o Sciurumimus, encontrado em uma laje de calcário no Sul da Alemanha (Divulgação/Museu Americano de História Natural)

Saiba mais

DIAPSIDA
Grupo de tetrápodes (vertebrados de quatro membros: répteis, aves e mamíferos são os maiores grupos). O grupo diapsida reúne todos os répteis, com exceção das tartarugas, cágados e jabutis.

ARCOSSAUROS
Grupo surgido por volta de 240 milhões de anos atrás, no período Triássico. No grupo estão os dinossauros,pterossauros, os atuais crocodilos e jacarés e as aves (que são considerados descendentes diretos dos dinossauros, portanto, são répteis também).

DINOSSAUROS
Grupo de répteis gigantes extintos que surgiu por volta de 225 milhões de anos atrás e viveu até cerca de 65 milhões de anos atrás, quando todos os dinossauros não avianos (ou seja, exceto as aves) foram extintos. Apresentavam pernas dispostas como colunas abaixo do corpo (e não voltadas para os lados, como nos jacarés). Os dinossauros são descendentes do grupo archosauria e podem ser reunidos em dois grandes ramos: saurísquios e ornitísquios (tão diferentes quanto os mamíferos marsupiais e os placentários entre eles). Apesar de seus fósseis serem conhecidos há milhares de anos (a lenda dos dragões veio daí), o termo dinossauro (deinos=terrível saurus=lagarto) só foi criado em 1842, pelo primeiro curador do Museu de História Natural de Londres, Richard Owen.

ORNITÍSQUIOS
O nome do grupo significa ‘cintura de ave’, embora as aves tenham se originado de outra linhagem dos dinossauros. Eram tanto quadrúpedes (como o Triceratops e o Stegosaurus) quanto bípedes (Lesothosaurus).

SAURÍSQUIOS
Grande grupo de dinossauros herbívoros caracterizados pelo pela pata anterior alongada e pelo pescoço comprido, muitas vezes com o leve formato de ‘S’. Fazem parte do grupo dos saurísquios os gigantescos saurópodes (os dinossauros que apareciam usados como guindastes no desenho animado Flintstones) e terápodes. Os dinossauros mais antigos são saurísquios e foram encontrados na América do Sul.

PTEROSSAURO
Répteis voadores enormes, que viveram na mesma época dos dinossauros. Alguns chegaram a ter 20 metros de envergadura de uma asa à outra. Nenhum outro animal voador foi tão grande.

TERÓPODOS
Os terápodos eram todos predadores carnívoros bípedes, e tinham aqueles ‘bracinhos’ característicos dos Tiranossauros, e, geralmente, garras e dentes afiados. Apesar do tiranossauro estar extinto, tecnicamente os terápodos ainda existem, já que as aves são descendentes de pequenos terópodos, como o Archaeopteryx, um pequeno dinossauro emplumado do tamanho de um pombo. “Acredite: o beija-flor é um dinossauro terápode tanto quanto um Tiranossauro rex”, afirma o paleontólogo Luiz Eduardo Anelli em seu livro O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil.

MEGALOSSAURO
Grandes predadores terópodos que abatiam saurópodes e até o Stegosaurus. Viviam na região onde hoje fica a Europa e a América do Norte.

CELUROSSAURO
Os celurossauros reúnem os terópodos mais aparentados com as aves. Todos tinham várias semelhanças morfológicas com as aves.

MANIRAPTORA
Grupo dos celurossauros dos quais, acredita-se, evoluíram diretamente as aves, por volta de 150 milhões de anos atrás, no período Jurássico. Faziam parte do grupo dinossauros predadores carnívoros como o Velociraptor (aparecem no filme Jurassic Park em várias cenas, como na que perseguem as crianças na cozinha do parque). Tecnicamente as aves são do grupo maniraptora.

 

Fontes: Veja Ciência, O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil, Luiz Eduardo Anelli, The Princeton Field Guide To Dinosaurs, University of California Museum of Paleontology


29 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Animal mais antigo viveu 30 milhões de anos antes do previsto, diz estudo

Canadenses acharam rastros de ‘lesma’ de 585 milhões de anos no Uruguai.
Bicho mais antigo do mundo até agora havia sido encontrado na Rússia.

Pesquisadores da Universidade de Alberta, no Canadá, descobriram no Uruguai uma prova física de que animais existiram há 585 milhões de anos, 30 milhões de anos antes que as evidências científicas mostravam até agora. Os resultados do estudo estão publicados na edição da revista “Science” desta quinta-feira (28).

Até então, o fóssil mais antigo do mundo tinha 555 milhões de anos e havia sido localizado na Rússia.

O achado foi por geólogos da equipe de Ernesto Pecoits e Natalie Aubet, que encontraram trilhas fossilizadas de um animal semelhante a uma lesma, com cerca de 1 centímetro de comprimento. O rastro foi deixado em um terreno sedimentar com lodo.

A equipe chegou à conclusão de que as trilhas foram feitas por um bicho primitivo bilateral, que se diferencia de outras formas de vida simples por ter uma simetria superior diferente da parte inferior, além de um conjunto único de “pegadas”.

Os pesquisadores dizem que as faixas fossilizadas indicam que a musculatura desse animal mole lhe permitia mover-se pelo solo raso do oceano. O padrão de movimento da “lesma” indica uma adaptação evolutiva para buscar comida – o material orgânico do sedimento.

A idade precisa dos rastros foi calculada pela datação de uma rocha vulcânica que se “intrometeu” na rocha sedimentar onde os caminhos foram achados. O processo incluiu um retorno ao Uruguai para coletar mais amostras da rocha fossilizada e várias sessões de análise por um método chamado espectrometria de massa, que identifica diferentes átomos presentes em uma mesma substância.

Ao todo, os autores do estudo levaram mais de dois anos para ficarem satisfeitos com a precisão da idade de 585 milhões de anos.

Segundo o paleontógo Murray Gingras, da mesma equipe, é comum que animais de corpo mole desapareçam, mas suas trilhas virem fósseis. O geomicrobiólogo Kurt Konhauser diz que a descoberta abre novas questões sobre a evolução desses animais – como foram capazes de se mover e procurar alimento – e as condições ambientais envolvidas. Além desses pesquisadores, o trabalho contou com a participação de Larry Heaman e Richard Stern.

Rastro lesma science (Foto: Richard Siemens/Universidade de Alberta)

Rastros de animal são comparados ao tamanho de uma moeda canadense, para dar a dimensão do tamanho das 'pegadas' deixadas por 'lesma' primitiva (Foto: Richard Siemens/Universidade de Alberta)

Fonte: Globo Natureza


20 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Extinção do mamute lanoso não foi repentina

Estudo aponta combinação de fatores para explicar o fim dos mamíferos gigantes, como elevação das temperaturas, mudança na vegetação e a caça

Um novo estudo, publicado na edição desta semana da revista Nature Communications,contesta as pesquisas que afirmaram que os mamutes lanosos foram extintos brutalmente. De acordo com o trabalho, a extinção dessa espécie aconteceu de forma lenta e progressiva e não teve uma única causa. Os fatores levaram ao fim da espécie são a elevação das temperaturas, a mudança na vegetação e a dispersão dos caçadores humanos.

Os cientistas já levantaram diversas hipóteses para explicar a extinção desses mamíferos gigantes que habitaram a Terra principalmente durante o Pleistoceno. Alguns cientistas dizem que o motivo foi a mudança climática, outros apostam na pressão da crescente população humana e há pesquisadores que acreditam em um cataclismo causado pelo impacto de um meteoro.

Um estudo publicado em agosto de 2010, por pesquisadores da Universidade de Durham (Inglaterra), indicava que os humanos não tiveram influência no processo de extinção dos mamutes. De acordo com este estudo, as mudanças da paisagem, como redução de pastagens e a expansão das florestas, foram responsáveis pelo fim dos mamutes.

O estudo atual não nega totalmente algumas dessas outras explicações, mas defende que foram múltiplos os fatores que levaram à extinção dos mamutes. “Não houve uma única causa que os eliminou de uma vez”, declarou o autor principal do estudo, Glen MacDonald, da Universidade da Califórnia.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores fizeram usaram uma base de dados de datações feitas por radiocarbono. Os resultados mostram declínio e ascensão da espécie em diferentes momentos e locais geográficos, indicando um processo lento e irregular.

Períodos de extinção — O estudo mostrou, por exemplo, que os mamutes de Bering (estreito que unia o atual Alasca e a Sibéria) eram abundantes entre 45.000 e 30.000 anos atrás. Durante o pico da Era do Gelo, 25.000 anos atrás, as populações do Norte diminuíram enquanto as que viviam na Sibéria aumentaram. A partir desse período, esses animais tiveram um longo declínio, enfrentando mudanças climáticas, de habitat e a presença humana. A maioria desapareceu por volta de 10.000 anos atrás e foram extintos definitivamente há 4.000 anos.

Saiba mais

MAMUTE LANOSO
O mamute lanoso (Mammtuhus primigenius) é uma espécie adaptada ao frio da Sibéria. Esses animais tinham o corpo coberto por pelos castanhos longos que formavam uma cobertura espessa contra o clima gelado. Compunham a megafauna do Pleistoceno e são parentes próximos dos elefantes asiáticos e africanos.

ERA DO GELO
É todo período geológico em que ocorre significativa diminuição na temperatura da Terra. Mantos de gelo se expandem pelos continentes e glaciações atingem a superfície e a atmosfera do planeta. Nos últimos milhões de anos, a Terra viveu várias eras glaciais, ocorrendo a intervalos de 10 mil a 100 mil anos. A última grande era glacial teve seu pico há 25.000 anos e terminou 11.000 anos atrás, aproximadamente.

PLEISTOCENO
Corresponde ao intervalo entre 1,8 milhão e 11.500 anos atrás. Na escala geológica, faz parte do período Quaternário da era Cenozoica. Aves e mamíferos gigantes, como mamutes e búfalos, caracterizam essa época. No pleistoceno ocorreram as mais recentes Eras do Gelo.

Mamute-lanoso

Novo estudo diz que os mamutes lanosos foram extintos lentamente e por uma combinação de fatores como alterações climáticas e a dispersão humana pelo planeta (Photoresearchers/Latinstock)

Fonte: Veja Ciência


5 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Antigos primatas colonizaram a África há 37 milhões de anos, sugere estudo

Fóssil descoberto em Mianmar ajuda a resolver o mistério de quando ocorreu a migração dos primeiros símios para o continente africano

Os antigos primatas colonizaram a África há 37 milhões de anos, vindos da Ásia. A descoberta representa um avanço importante para entender a evolução dos seres humanos e de outros primatas. O estudo foi publicado nesta segunda-feira no periódico americano PNAS.

Por décadas os cientistas pensaram que os antepassados dos humanos surgiram na África. Uma série de descobertas nos últimos anos, porém, atestam que os primeiros símios vieram da Ásia e posteriormente colonizaram o continente africano. Contudo, os paleontólogos ainda não conseguiram decidir como e quando isso aconteceu. Agora, parece que há uma resposta para pelo menos uma das perguntas.

A mais recente descoberta que dá suporte à teoria de que os primeiros símios vieram da Ásia é o fóssil Afrasia djijidae, encontrado em Mianmar por pesquisadores Museu de História Natural de Carnegie, dos Estados Unidos. É sobre esse fóssil o estudo publicado no PNAS. O que torna o achado asiático de 37 milhões de anos digno de nota é sua similaridade com outro, encontrado recentemente no Deserto do Saara, na África.

Questão de tempo - Os dentes doAfrasia são muito parecidos com os doAfrotarsius libycus, um fóssil norte-africano que data da mesma época do asiático. Por sua estrutura complexa, os dentes de mamíferos são usados como ‘impressões digitais’ para reconstruir relações de parentesco entre espécies extintas e modernas.

A grande similaridade entre os dois fósseis, um da África e outro da Ásia, tem muito a dizer sobre quando a colonização do continente africano ocorreu. Os cientistas acreditam que ela aconteceu pouco antes da data em que viveu o animal que deu origem ao fóssil asiático, ou seja, há 37 milhões de anos.

Se os símios asiáticos tivessem chegado ao Norte da África antes, teria havido mais tempo para a diversificação entre o Afrasia e o Afrotarsius. “Por muito tempo pensávamos que o registro de fósseis da África era ruim”, disse Jean-Jacques Jaeger, chefe da pesquisa. “O fato de que símios semelhantes viveram ao mesmo tempo na Líbia e em Mianmar sugere que eles não chegaram à África até pouco antes do fóssil que encontramos no norte africano.”

Agora, os paleontólogos tem uma forte indicação de quando a colonização do continente africano ocorreu. Falta saber como. A viagem provavelmente foi muito dura. Naquela época, uma versão maior do Mar Mediterrâneo, chamada Mar de Tétis, separava a África e a Eurásia. A descoberta do Afrasia não resolve a questão da rota nem de como ocorreu a colonização, mas pelo menos crava um ponto de partida na linha do tempo da evolução dos antigos primatas na África.

Reconstrução do 'Afrotarsius libycus', espécie que viveu há mais de 37 milhões de anos no Norte da África e que é muito parecida com o 'Afrasia djijidae', um fóssil encontrado na Ásia com praticamente a mesma idade. As semelhanças indicam que a colonização da África ocorreu há 37 milhões de anos, informação que faltava aos paleontólogos que reconstroem a linha do tempo da evolução humana

Reconstrução do 'Afrotarsius libycus', espécie que viveu há mais de 37 milhões de anos no Norte da África e que é muito parecida com o 'Afrasia djijidae', um fóssil encontrado na Ásia com praticamente a mesma idade. As semelhanças indicam que a colonização da África ocorreu há 37 milhões de anos, informação que faltava aos paleontólogos que reconstroem a linha do tempo da evolução humana (Mark A. Klingler/Carnegie Museum of Natural History)

Fonte: Veja Ciência


5 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Evolução dos pássaros encerrou era dos insetos gigantes, diz estudo

Corpo menor ajudou insetos a fugir de pássaros predadores.
Maior inseto chegou a ter 70 centímetros há 300 milhões de anos.

Um novo estudo da Universidade da Califórnia sugere que a evolução dos pássaros foi determinante para o fim da era dos insetos gigantes na Terra. Segundo os cientistas, a época em que as aves começaram a estabelecer seu lugar nos céus é a mesma na qual os insetos grandalhões perderam espaço, há 150 milhões de anos. A pesquisa foi divulgada nesta semana na edição online da revista científica “PNAS”, da Academia Americana de Ciências.

Insetos gigantes viveram nos céus pré-históricos em uma época em que a atmosfera da Terra era rica em oxigênio. Pesquisas anteriores já tinham sugerido que o tamanho dos insetos tinha relação com altas concentrações de oxigênio – cerca de 30%, comparada aos atuais 21%, em média.

Há 300 milhões de anos, os insetos gigantes chegaram ao maior tamanho já documentado: 70 centímetros.

Mas à medida que os pássaros surgiram, os insetos se tornaram menores mesmo com o aumento de oxigênio na atmosfera, diz a pesquisa.

Segundo o autor do estudo, Matthew Clapham, professor de Terra e Ciências Planetárias da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, com os pássaros predatórios na ‘cola’, necessidade de ter mais mobilidade foi a base da evolução do voo desses insetos, favorecendo o tamanho mais reduzido do corpo.

A equipe da Clapham comparou o tamanho das asas de mais de 10.500 fósseis de insetos com níveis de oxigênio do planeta em centenas de milhares de anos.

O pesquisador enfatiza, no entanto, que o estudo focou as mudanças a partir dos maiores insetos já conhecidos.

“Em torno do final do período Jurássico e início do Cretáceo, cerca de 150 milhões de anos atrás, de repente o nível de oxigênio sobe, mas o tamanho do inseto diminui. E isso coincide de forma impressionante com a evolução dos pássaros”, diz Clapham.

Fóssil de insetos gigantes pré-históricos (Foto: Wolfgang Zessin/UCSC/Divulgação)

Fóssil de insetos gigantes pré-históricos (Foto: Wolfgang Zessin/UCSC/Divulgação)

Fonte: G1


28 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Mecanismo de defesa de cefalópodes é usado há 160 milhões de anos

Descoberta de melanina em bolsas de tinta de antepassados da lula leva pesquisadores a concluir que a produção dessa substância existe desde o período Jurássico

Um grupo internacional de cientistas descobriu a presença de melanina em duas bolsas de tinta pertencentes a fósseis de cefalópodes de 160 milhões de anos. O pigmento encontrado é praticamente idêntico ao de linhagens descendentes do animal pré-histórico estudado: lulas, sépias e polvos. O estudo envolveu pesquisadores dos Estados Unidos, Índia, Japão e Reino Unido e foi publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Para chegar a esses resultados, os cientistas analisaram um fóssil encontrado há dois anos no Sudoeste da Inglaterra. A descoberta indica que o mecanismo de defesa usado por cefalópodes — como sépias, polvos e lulas — que consiste na liberação de tinta para confundir e assustar seus predadores, é a mesma desde o período Jurássico (compreendido entre 199 milhões e 145 milhões de anos atrás).

“Embora os outros componentes orgânicos dos cefalópode que estudamos já tenham se esvaído há muito tempo, nós descobrimos através de vários métodos de pesquisa que a melanina se manteve em uma situação em que conseguimos estudá-la com um detalhamento profundo”, disse John Simon, químico e professor da Universidade de Virginia e um dos autores do estudo.

Uma das bolsas de tinta estudada é única intacta já descoberta. Phillip Wilby, do Centro Britânico de Pesquisa Geológica encontrou as bolsas em Christian Malford, Wiltshire, oeste de Londres, perto de Bristol. As amostras foram analisadas por um grupo de especialistas em melanina que, usando avançados métodos químicos, concluiu que a melanina foi preservada ao longo do tempo.

Em uma segunda etapa, os pesquisadores compararam a composição química da melanina do fóssil ao pigmento de sépias contemporâneas, Sepia officinalis, molusco encontrado nos mares Mediterrâneo, Norte e Báltico.

A análise mostrou que as substâncias são bastante semelhantes. “A aproximação entre elas é suficiente para que eu argumente que a pigmentação nessa classe de animais não sofreu evoluções em um período de 160 milhões de anos”, disse Simon.

“É muito curioso que esta poderosa arma de defesa não tenha ainda se tornado obsoleta, tendo sido preservada e utilizada provavelmente por toda esta imensidão temporal. Talvez, do ponto de vista evolutivo, este equipamento tenha sido o grande responsável pela longa existência destes animais nos oceanos”, afirma Luiz Eduardo Anelli, paleontólogo da Universidade de São Paulo (USP), que não participou do estudo.

Exceção — Cientistas explicam que geralmente o tecido animal se degrada rapidamente, já que é composto em sua maioria por proteína. Passados milhões de anos, tudo que se pode encontrar de um animal são os restos de esqueleto ou uma impressão da forma do material em rochas da região onde ele estava. Muito se pode descobrir sobre um animal através de seus ossos e suas impressões, mas na ausência de matéria orgânica, muitas questões permanecem sem resposta.

Os autores explicam que a melanina é uma exceção. Embora seja orgânica, ela é altamente resistente à degradação ao longo do tempo.

“De todos os pigmentos orgânicos encontrados em seres vivos, a melanina é a que possui maiores condições de ser encontrada em fósseis”, explica Simon. “Esse atributo também traz um desafio ao estudo. Nós tivemos que usar métodos inovadores da química, da biologia e da física para separar a melanina do material inorgânico.”

Saiba mais

MELANINA
Melanina é um pigmento biológico encontrado em bactérias, fungos, plantas e animais que tem uma série de funções ecológicas e bioquímicas: ajuda animais a se proteger contra predadores, raios solares nocivos, causadores de doenças e também compõem a aparência física que alguns animais usam como atração de seus pares para reprodução, como é o caso nas penas coloridas de algumas aves.

CEFALÓPODES
Classe de moluscos invertebrados ao qual pertencem a lula, o polvo e a sépia. Esses animais produzem uma tinta escura que é usada como mecanismo de defesa: ao se sentirem ameaçados, contraem a glândula de tinta e lançam na água uma grande nuvem negra que assusta e distrai um possível predador. Essa classe leva esse nome porque uma de suas características é a presença de tentáculos – espécie de patas – ligados à cabeça do animal.

bolsa de tinta

Cientistas encontraram melanina preservada em bolsas de tinta de fóssil de 160 milhões de anos (British Geological Society)

Fonte: Veja Ciência


« Página anterior





Categorias

Tópicos recentes

Meta

 

agosto 2017
S T Q Q S S D
« mar    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

26 de fevereiro de 2015 | nenhum comentário »

Cientistas descobrem primeiros mamíferos a subir em árvores e cavar buracos

“Sabemos que os mamíferos modernos são espetacularmente diversos, mas não se sabia se os mamíferos primitivos também eram”, afirma pesquisador

Cientistas descobriram fósseis do que podem ser os primeiros mamíferos a subir em árvores e cavar buracos. Eles habitavam a região onde hoje fica a China e são uma evidência de que, no período de maior êxito dos dinossauros sobre a Terra, os mamíferos se adaptaram ao ambiente. Segundo os autores do estudo, os cientistas não imaginavam que os mamíferos fossem tão desenvolvidos naquela época.

Os animais identificados são o Agilodocodon scansorius, arborícola mais antigo descoberto até agora, e o Docofossor brachydactylus, o mamífero subterrâneo mais antigo que se conhece. Realizada por pesquisadores da Universidade de Chicago e do Museu de História Natural de Pequim, a pesquisa foi publicada na quinta-feira na revista Science.

As duas novas espécies, que provêm de grupos extintos dos primeiros mamíferos, tinham características desenvolvidas milhões de anos antes do que era estimado pelos cientistas. Os animais descobertos nesta pesquisa são do Período Jurássico e viveram entre 170 e 145 milhões de anos atrás.

Características — Agilodocodon scansorius tinha cerca de 13 centímetros da cabeça até a cauda e pesava por volta de 27 gramas, como um pequeno roedor dos dias de hoje. Ele tinha aparência de um esquilo com focinho longo. Já o Docofossor brachydactylus se parecia com a toupeira dourada da África. Estima-se que ele media 7 centímetros, pesava 16 gramas e tinha dedos próprios para cavar. Ao contrário da maioria dos mamíferos, possuía apenas duas falanges (segmentos ósseos) nos dedos.

“Sabemos que os mamíferos modernos são espetacularmente diversos, mas não se sabia se os primitivos também eram”, explicou o líder da pesquisa, Zhe-Xi Luo, professor da Universidade de Chicago. Os novos fósseis “ajudam a demonstrar que os primeiros mamíferos também tiveram uma ampla diversidade ecológica”, completa.

Reconstituição do estilo de vida e habitat do ‘Agilodocodon’ (no topo à esquerda) e do ‘Docofossor’ (abaixo, à direita)

Reconstituição do estilo de vida e habitat do ‘Agilodocodon’ (no topo à esquerda) e do ‘Docofossor’ (abaixo, à direita) (April I. Neander, the University of Chicago/VEJA.com)

Fonte: Veja Ciência


12 de março de 2013 | nenhum comentário »

Uma nova cara para os dinossauros

A velha imagem de lagartos monstruosos está ficando ultrapassada. Em um novo livro, pesquisadores propõem que os dinossauros também poderiam ser extravagantes, coloridos, peludos, brincalhões e até fofos

Os dinossauros costumam ser retratados como monstros aterrorizantes. As imagens conhecidas mostram lagartos gigantescos, de garras e presas enormes, em constante batalha pela sobrevivência. Os famosos Tiranossauros Rex e Velociraptores aparecem — em filmes, séries, livros, documentários e museus — como predadores implacáveis. O próprio nome dinossauro, cunhado em 1842 a partir de palavras gregas, significa lagarto terrível. Mas o livro All Yesterdays (Todos os Passados, sem versão em português), escrito pelo paleontólogo britânico Darren Naish, da Universidade de Southampton, e pelos artistas gráficos Mehmet Cevdet Koseman e John Conway, propõe a superação dessa ideia. Os autores defendem que os dinossauros poderiam ter visuais e comportamentos muito mais variados, parecidos com os dos animais de hoje – com sua enorme gama de cores, pelagens e plumagens.

Não existe nenhum modo de saber com absoluta certeza como eram os dinossauros. Todas as informações que existem sobre sua aparência vêm de fósseis com mais de 65 milhões de anos, deteriorados pela ação do tempo. A maioria dos registros fósseis permite decifrar a estrutura do esqueleto, mas nada diz sobre a pele, a gordura e os músculos desses animais. As baleias, por exemplo, possuem camadas imensas de gordura, que seriam difíceis de intuir para quem olhasse apenas para suas ossadas.Como apenas os ossos são conhecidos, as ilustrações acabam se baseando demais nessa característica, ignorando todos as outras características. “Os dinossauros parecem ser feitos apenas de pele e osso. Eles são desenhados muito magros, como se estivessem doentes. Mas os animais têm outros tecidos, como músculos e gordura ao redor do esqueleto”, diz C. M. Koseman em entrevista ao site de VEJA.

O primeiro golpe na concepção visual clássica dos dinossauros veio nos anos 2000, quando novos fósseis deram suporte a teorias que propunham que a maioria deles era coberta por penas. Eles deixaram de ser vistos como lagartos, e passaram a ser comparados às aves. A transformação proposta em All Yesterdays, no entanto, é mais radical. “Apesar de todas as novas informações e teorias, achamos que ainda estamos desenhando os animais de forma errada”, diz Koseman. As penas seriam apenas o sinal de que existe muito mais a ser descoberto. Assim, os autores fazem um chamado à especulação — não sobre o futuro, mas o passado da Terra.

Leaellynossauro

Ovelha ou dinossauro: em uma série de ilustrações, os pesquisadores propõem a aposentadoria da desgastada imagem ameaçadora e lembram que até mesmo as feras pré-históricas podem ser amáveis (John Conway)

Andrias scheuchzeri

Em 1726, foi encontrada uma grande ossada na Alemanha. Os pesquisadores pensaram que se tratava de um homem, fossilizado durante o grande dilúvio bíblico — era o Homo diluvii. Na verdade, se tratava de uma salamandra gigante (Andrias scheuchzeri). Na ilustração, os pesquisadores retratam como esse homem poderia ter se parecido, no que chamam a mais antiga reconstrução errada de um fóssil. "É possível, (embora seja improvável), que as mudanças de paradigmas possam um dia fazer com que nossa visão corrente dos animais extintos seja tão estranha e datada quanto a do Homo diluvii", escrevem os autores do livro. C. M. Koseman

Arte e ciência — Desde o século 19, a imagem que o público e os cientistas têm dos dinossauros foi moldada pelos paleoartistas: artistas que se dedicam ao desenho de temas relacionados à paleontologia. Todas as representações desses animais, do seriado Família Dinossauro ao filme Jurassic Park, se embasam em suas ilustrações. “Nosso trabalho é, basicamente, reconstruir animais extintos”, afirma Koseman.

A maioria dos paleoartistas não possui  formação na área da paleontologia. É o caso de Koseman e John Conway, que ilustram o livro All Yesterdays. Mesmo assim, eles trabalham em parceria tão próxima e por tanto tempo com os paleontólogos, que se tornam especialistas na área e chegam a servir de referência para estudos científicos.
Segundo os envolvidos, reconstruir um dinossauro é um trabalho cientificamente rigoroso, que envolve estudos de anatomia e fisiologia. Para desenhar o corpo, os artistas precisam analisar o esqueleto, o tamanho e a posição de cada osso. A partir da comparação com animais mais modernos, eles podem deduzir a localização dos músculos. “Nosso trabalho é feito a partir de uma equação que envolve arte e ciência, especulação e conhecimento”, diz Koseman.
Apesar de todo o rigor, a imaginação é necessária por causa das imensas lacunas que existem no processo: os pesquisadores conhecem muito pouco sobre o tamanho dos músculos, a distribuição da gordura, a pele, a presença de penas, pelos e escamas e as cores dos dinossauros. Nas pranchetas dos artistas, em volta dos ossos vão se sobrepondo camadas sucessivas de especulação. Os resultados finais podem ser completamente diferentes — a depender da ousadia do desenhista. “Existem muitas maneiras de desenhar um mesmo esqueleto. Normalmente, os paleoartistas escolhem o jeito mais conservador possível”, afirma.Penas, pelos e cores – Os autores propõem que essas camadas de especulação sejam preenchidas de maneira mais imaginativa — até extravagante — pelos desenhistas. Isso deixaria os dinossauros mais parecidos com animais de hoje em dia.

Segundo o livro, novas descobertas fósseis mostram que a a maioria dos dinossauros menores, como os heterodontossauros, deviam viver em grupo e ter seu corpo inteiro coberto de penas coloridas — ou até pelos. “Os maiores provavelmente não, pois, como os elefantes de hoje em dia, são muito grandes para precisar do isolamento térmico proporcionado por pelos e penas. Mesmo assim, poderiam ter características ‘decorativas’ no corpo, como as cristas nas cabeças dos galos ou cores chamativas na pele, para atrair parceiros no acasalamento”, diz Koseman.

Outra mudança proposta diz respeito ao comportamento geralmente retratado nas ilustrações, que mostrar os animais em movimentação constante e violenta, fugindo ou caçando suas presas. “No filme Jurassic Park, por exemplo, os Velociraptores e Tiranossauros estão sempre atacando as pessoas, sem muito propósito. Sua função na narrativa é servir como obstáculos que o herói tem de superar para salvar o dia — como os dragões das lendas antigas”, afirma o paleoartista (a semelhança não é coincidência: os primeiros mitos sobre dragões também surgiram a partir da descoberta de fósseis de dinossauros).

Ao olhar para os fósseis de um dinossauro, não há como saber o som que faziam, como se reproduziam, dormiam e brincavam. Mesmo assim, os pesquisadores dizem que essa é uma característica essencial para compreender a vida desses animais. Os leões, por exemplo, vão deixar registros de que são exímios predadores, mas será impossível conhecer seu ar majestoso e seus hábitos noturnos — características tão importantes quanto o fato de eles serem carnívoros. Assim como os predadores atuais, os pesquisadores dizem que os dinossauros também tinham uma vida fora das caçadas.

Ao combinar as mudanças de visual e comportamento, os autores propõem o último ataque à imagem de bestas monstruosas que os dinossauros adquiriram ao longo do tempo. Segundo o livro, eles poderiam até ser fofos. “Por que um dinossauro não pode ser bonitinho?”, diz Koseman. Quando um esqueleto é descoberto, ele geralmente tem um visual aterrador, que não coincide necessariamente o do animal vivo. “Olhe para os bichos de hoje em dia, e olhe para seus esqueletos. A ossada de um gato dá a impressão que se trata de uma fera horrível. Mas o gato é um dos animais mais fofos do planeta.”

Os pesquisadores reconhecem que, como qualquer especulação mais ousada, seu trabalho pode abrigar inúmeros erros. No futuro, novas descobertas podem mostrar que algumas das ilustrações estão completamente erradas, enquanto outras podem ser apenas reconstruções tímidas em face de uma realidade muito mais bizarra. “Algumas coisas sobre o passado nunca serão conhecidas por completo. Não devemos ter medo de especular”, diz Koseman.

 

Fonte: Veja Ciência


6 de março de 2013 | nenhum comentário »

Cientistas descobrem fóssil de camelo gigante em região do Ártico

Restos foram encontrados na Ilha de Ellesmere, pertencente ao Canadá.
Animal pré-histórico teria vivido na região há 3,5 milhões de anos.

Paleontólogos descobriram fósseis de um camelo gigante na Ilha de Ellesmere, na porção do Canadá no Ártico, informaram agências internacionais nesta quarta-feira (6). Os 30 fragmentos de osso encontrados representam o registro mais ao norte que se tem de animais do gênero Paracamelus, que teriam vivido há 3,5 milhões de anos no extremo norte canadense, segundo os pesquisadores.

Os camelos primitivos habitaram a região quando havia no local uma floresta boreal, durante um período de aquecimento do planeta, de acordo com os pesquisadores. Os antecessores destes animais surgiram há 45 milhões de anos na América do Norte, de acordo com os cientistas.

O estudo com os detalhes da descoberta foi publicado nesta semana no site científico “Nature Communications”. Ele foi realizado por pesquisadores do Museu Canadense de Natureza.

“Esta é uma descoberta importante porque representa a primeira evidência de camelos na região do alto Ártico”, afirmou uma das responsáveis pelo estudo, a pesquisadora Natalia Rybczynski.

Segundo a cientista, a descoberta também “sugere que a linhagem à qual pertencem os camelos modernos originalmente se adaptou para viver em torno de uma floresta boreal”.

Algumas características dos camelos modernos, “como seus pés largos e planos, seus grandes olhos e suas corcovas de gordura, podem ter sido adaptações derivadas da vida em uma região polar”, afirmou Natalia.

Parte dos fósseis encontrados pelos pesquisadores (Foto: Divulgação/Martin Lipmani/Museu Canadense de Natureza)

Parte dos fósseis encontrados pelos cientistas (Foto: Divulgação/Museu Canadense de Natureza)

Fósseis
Fósseis do camelo foram encontrados durante escavações de campo nos verões de 2006, 2008 e 2010 em um pequeno monte em Fyles Leaf Bed, um depósito de areia em uma região da Ilha de Ellesmere, onde já foram encontrados restos de plantas pré-históricas, mas nunca de um mamífero.

Segundo os pesquisadores, os fragmentos pertencem a uma tíbia, osso que em seres humanos é um dos maiores do organismo. Eles afirmam, no estudo, não terem sido capazes de fazer uma medição precisa do tamanho do camelo, mas ressaltam que a característica é identificável devido às grandes proporções do fóssil.

Anteriormente, em um lugar próximo conhecido como Beaver Pond, foram descobertos fósseis de mamíferos datando da mesma época.

A confirmação de que os fósseis descobertos são de um camelo exigiu que os cientistas recorressem a uma nova técnica de análise, que permite determinar o perfil de colágeno nos ossos descobertos.

Os dados anatômicos dos fósseis, junto com a comparação de seu perfil de colágeno com o de 37 mamíferos atuais e com o do camelo gigante de Yukon (noroeste do Canadá) – o antecessor dos camelos modernos – que se encontra no Museu Canadense de Natureza, confirmaram que os fósseis da Ilha de Ellesmere pertencem a um camelo.

Seguramente, o animal era da mesmo gênero Paracamelus que habitou a América do Norte durante milhões de anos, disseram os cientistas.

Ilustração mostra camelo pré-histórico que teria vivido na Ilha de Ellesmere, na região do Ártico (Foto: Divulgação/Julius Csotonyi/Museu Canadense de Natureza)

Ilustração mostra camelo pré-histórico que teria vivido na Ilha de Ellesmere, na região do Ártico (Foto: Divulgação/Julius Csotonyi/Museu Canadense de Natureza)

Fonte: Globo Natureza


6 de março de 2013 | nenhum comentário »

Cientista australiano sugere que dinossauro produzia leite

Assim como acontece com algumas espécies de aves, feras do Mesozoico também podiam secretar substância similar ao colostro, diz Paul Else

A teoria de que os dinossauros são animais mais próximos das aves — e não dos répteis — acaba de ganhar um importante argumento. De acordo com estudo publicado no The Journal of Experimental Biology, algumas espécies de dinossauros poderiam produzir um tipo de leite. Lançada pelo professor e fisiologista Paul Else, da Universidade de Wollongong, na Austrália, a tese se baseia na fisiologia das aves. Assim, Else acredita que algumas espécies de dinossauros, como os hadrossauros, secretavam uma susbtância similar ao colostro, que ficaria armazenado no papo.

Dinossauro hadrossaurus

Ilustração do dinossauro hadrossauros (De Agostini/Getty Images)

Pombo

Com base na fisiologia dos pombos, tese defende que o leite dos dinossauros poderia ficar armazenado no papo. (Imagem: veja ciência)

“Uma das preocupações da fisiologia comparada é que temos muita informação sobre a estrutura dos dinossauros, mas pouca sobre sua fisiologia”, afirma o pesquisador em entrevista ao site de VEJA. “Pesquisadores recentes começaram a pensar neles como mais próximos de aves que de répteis. Eu sabia que alguns pássaros têm a capacidade de alimentar seus filhotes com um produto parecido com o leite. Fiquei surpreso que ninguém tenha sugerido que os dinossauros também poderiam ter desenvolvido esta estratégia”, conta.

Algumas aves, como pombos, pinguins e flamingos, produzem uma substância parecida com o leite, mas que varia entre líquida e sólida. Essa substância é produzida em uma estrutura localizada entre o esôfago e o estômago. “Essas estruturas, que podem ser o papo, parte do esôfago, o esôfago propriamente ou a parte superior do estômago, dependendo do animal, estão sempre produzindo secreções que umedecem os alimentos e ajudam a engoli-los. Em um ambiente hormonal apropriado, essas estruturas começam a produzir um muco similar ao leite”, diz Else.

Supercrescimento
 — Para o pesquisador, a maior vantagem dessa forma de alimentação seria a possibilidade de oferecer, de forma concentrada, nutrientes necessários ao crescimento e desenvolvimento dos filhotes. “Pombos produzem leite com o qual alimentam seus filhotes durante as três ou quatro primeiras semanas de vida. Eles adicionam a este leite um hormônio de crescimento epitelial que permite que seus filhotes cresçam a taxas fenomenais. Os pombos atingem 85% do tamanho que terão quando adultos em três semanas após o nascimento”, diz Else.

A ideia é reforçada pelo fato de que os dinossauros nasciam pequenos se comparados ao tamanho que atingiam quando adultos. Com este hormônio adicionado ao leite, eles poderiam, portanto, evitar predadores e juntar rebanhos mais rapidamente.

Shake aditivado — De acordo com o pesquisador, o leite de dinossauro deveria ser parecido com o colostro, produzido por mamíferos logo após o nascimento do filhote. “Teria muito dos ingredientes básicos do leite de mamíferos, mas com metade das gorduras, metade da água e um pouco de carboidratos”, explica.

A quantidade de carboidratos poderia variar de acordo com a consistência do leite produzido. “Poderia ser fluido, como de mamíferos; semi-sólido, parecido com queijo cottage, como o produzido por pinguins imperadores; ou com consistência mais sólida, como o produzido por pombos”, diz. A consistência também dependeria do “aditivo” que o leite ganharia, como hormônio do crescimento, antioxidantes e antibióticos.

Dieta adulta — Como acontece com mamíferos e com aves, o período de lactação dos dinossauros poderia variar entre as espécies, assim como seria possível que algumas sequer utilizassem este recurso. Tudo poderia variar de acordo com o tamanho do dinossauro e o tempo de permanência no ninho. “Imagino que a maioria das espécies procuraria introduzir rapidamente seus filhotes à dieta normal de um adulto. Assim, a produção de leite não seria um sugador de energia dos pais”, diz o pesquisador. Para ele, o período de produção mais intensa de leite levaria de um a dois meses, seguido de um período onde os pais dinossauros misturariam ao leite alguns alimentos regurgitados para, finalmente, partir para a etapa de alimentação, somente com alimentos regurgitados. Assim, o pequeno dinossauro estaria pronto para uma dieta adulta.

Saiba mais

HADROSSAURO
Dinossauros do grupo Onithician que habitaram as Américas, a Euroásia e a Antártica no fim do período Cretáceo (há 145 a 65 milhões de anos). Eram herbívoros que colocavam de uma a duas dúzias de ovos por período. Atingiam tamanhos e pesos variados, de acordo com as espécies. Os filhotes da espécie Maiassaura, a menor entre os Hadrossauros, pesavam de 300 a 500 gramas, chegando a 2,5 toneladas quando adultos. Os maiores, da espécie Hypacrosauro, pesavam de três a quatro quilos quando filhotes, e atingiam cerca de 4,4 toneladas na idade adulta.

Fontes: Pesquisador Paul Else e livro The Princeton field guide to dinosaurs

 

Fonte: Veja Ciência


11 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Todos os dinossauros carnívoros tinham penas, diz estudo

Fóssil encontrado na Alemanha está mais próximo da base da evolução dos predadores e mais distante daquela que originou as aves, e mesmo assim era coberto de penas

Um fóssil extremamente bem preservado (como pode se perceber na foto acima) encontrado na Alemanha pode mudar tudo o que sabemos sobre os dinossauros carnívoros predadores, como os Tiranossauros. O fóssil foi apresentado nesta segunda-feira em um estudo publicado no periódico científico PNAS (Proceedings of National Academy of Sciences) e a partir dele pesquisadores alemães sugerem mudanças profundas no modo como acreditamos ser o aspecto dos grandes predadores do Jurássico, período de 199 a 145 milhões de anos atrás, no qual os dinossauros dominaram o planeta.

“Todos os dinossauros predadores tinham penas”, afirma categoricamente Oliver Rauhut, coautor do estudo e paleontólogo do Museu de Paleontologia e Geologia do Estado da Baviera. “Não seria nenhuma surpresa descobrir que as penas estavam presentes em todos os ancestrais dos dinossauros”, disse Mark Norell, co-autor do estudo e presidente da Divisão de Paleontologia do Museu Americano de História Natural, instituição que ajudou a financiar a pesquisa.

Já se sabe que ‘primos’ dos dinossauros, como os pterossauros, tinham estruturas parecidas com pelos cobrindo o corpo. Já os celurossauros, dinossauros terópodos que viveram em quase todos os continentes, na metade final do período Jurássico, tinham penas multicoloridas.

É aqui que entra em cena o fóssil descoberto pelos alemães, um jovem megalossauro batizadoSciurumimus albersdoerferi. Foi encontrado com as mandíbulas abertas e o rabo estendido acima da cabeça em uma laje de calcário em uma pedreira da Baviera, na mesma região da Alemanha onde, há 150 anos, outra amostra de um dino com penas havia sido descoberta, oArchaeopteryx lithographica.

Sciurumimus ganhou o nome em homenagem ao esquilo (que pertence ao gênero Sciurus) em função de sua cauda. O dinossauro tinha o crânio grande, patas traseiras curtas, a pele lisa e — esta é a descoberta mais importante do estudo — estava coberto de penas. A estimativa é de que ele tenha vivido há 150 milhões de anos, no período Jurássico.

Mas o Sciurumimus, mesmo cheio de penas, foi identificado como um megalossauro, mais próximo da base da linha evolutiva dos terópodos do que dos celurossauros. E isso pode mudar a percepção da aparência de tiranossauros e megalossauros, tidos até hoje (inclusive em filmes como Jurassic Park) como grandes lagartos ou parecidos com grandes crocodilos no que se refere à pele.

“Tudo o que encontramos nesses dias nos mostram o quão antiga são as características dos pássaros modernos na linha evolutiva e como esses animais eram parecidos com pássaros”, disse Mark Norell. As aves modernas são consideradas descendentes diretos dos celurossauros.

Fósseis completos como o do Sciurumimus são extremamente raros, ainda mais sendo provavelmente de um recém-nascido. Segundo os pesquisadores, esta espécie deveria se alimentar de pequenas presas e insetos. Mas o tamanho reduzido do fóssil não quer dizer que ele fosse um pequeno dinossauro carnívoro. “Sabemos, a partir de outras descobertas, que os dinossauros podiam ter um ritmo de crescimento lento”, disse Rauhut. “O Sciurumimus adulto podia chegar a quase dois metros de comprimento. Os grandes predadores podiam ser cheios de penas, mas isso não muda o fato de que estavam no topo da pirâmide alimentar.”

Fóssil do Sciurumimus

Descoberta: Fóssil de dinossauro com penas, o Sciurumimus, encontrado em uma laje de calcário no Sul da Alemanha (Divulgação/Museu Americano de História Natural)

Saiba mais

DIAPSIDA
Grupo de tetrápodes (vertebrados de quatro membros: répteis, aves e mamíferos são os maiores grupos). O grupo diapsida reúne todos os répteis, com exceção das tartarugas, cágados e jabutis.

ARCOSSAUROS
Grupo surgido por volta de 240 milhões de anos atrás, no período Triássico. No grupo estão os dinossauros,pterossauros, os atuais crocodilos e jacarés e as aves (que são considerados descendentes diretos dos dinossauros, portanto, são répteis também).

DINOSSAUROS
Grupo de répteis gigantes extintos que surgiu por volta de 225 milhões de anos atrás e viveu até cerca de 65 milhões de anos atrás, quando todos os dinossauros não avianos (ou seja, exceto as aves) foram extintos. Apresentavam pernas dispostas como colunas abaixo do corpo (e não voltadas para os lados, como nos jacarés). Os dinossauros são descendentes do grupo archosauria e podem ser reunidos em dois grandes ramos: saurísquios e ornitísquios (tão diferentes quanto os mamíferos marsupiais e os placentários entre eles). Apesar de seus fósseis serem conhecidos há milhares de anos (a lenda dos dragões veio daí), o termo dinossauro (deinos=terrível saurus=lagarto) só foi criado em 1842, pelo primeiro curador do Museu de História Natural de Londres, Richard Owen.

ORNITÍSQUIOS
O nome do grupo significa ‘cintura de ave’, embora as aves tenham se originado de outra linhagem dos dinossauros. Eram tanto quadrúpedes (como o Triceratops e o Stegosaurus) quanto bípedes (Lesothosaurus).

SAURÍSQUIOS
Grande grupo de dinossauros herbívoros caracterizados pelo pela pata anterior alongada e pelo pescoço comprido, muitas vezes com o leve formato de ‘S’. Fazem parte do grupo dos saurísquios os gigantescos saurópodes (os dinossauros que apareciam usados como guindastes no desenho animado Flintstones) e terápodes. Os dinossauros mais antigos são saurísquios e foram encontrados na América do Sul.

PTEROSSAURO
Répteis voadores enormes, que viveram na mesma época dos dinossauros. Alguns chegaram a ter 20 metros de envergadura de uma asa à outra. Nenhum outro animal voador foi tão grande.

TERÓPODOS
Os terápodos eram todos predadores carnívoros bípedes, e tinham aqueles ‘bracinhos’ característicos dos Tiranossauros, e, geralmente, garras e dentes afiados. Apesar do tiranossauro estar extinto, tecnicamente os terápodos ainda existem, já que as aves são descendentes de pequenos terópodos, como o Archaeopteryx, um pequeno dinossauro emplumado do tamanho de um pombo. “Acredite: o beija-flor é um dinossauro terápode tanto quanto um Tiranossauro rex”, afirma o paleontólogo Luiz Eduardo Anelli em seu livro O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil.

MEGALOSSAURO
Grandes predadores terópodos que abatiam saurópodes e até o Stegosaurus. Viviam na região onde hoje fica a Europa e a América do Norte.

CELUROSSAURO
Os celurossauros reúnem os terópodos mais aparentados com as aves. Todos tinham várias semelhanças morfológicas com as aves.

MANIRAPTORA
Grupo dos celurossauros dos quais, acredita-se, evoluíram diretamente as aves, por volta de 150 milhões de anos atrás, no período Jurássico. Faziam parte do grupo dinossauros predadores carnívoros como o Velociraptor (aparecem no filme Jurassic Park em várias cenas, como na que perseguem as crianças na cozinha do parque). Tecnicamente as aves são do grupo maniraptora.

 

Fontes: Veja Ciência, O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil, Luiz Eduardo Anelli, The Princeton Field Guide To Dinosaurs, University of California Museum of Paleontology


29 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Animal mais antigo viveu 30 milhões de anos antes do previsto, diz estudo

Canadenses acharam rastros de ‘lesma’ de 585 milhões de anos no Uruguai.
Bicho mais antigo do mundo até agora havia sido encontrado na Rússia.

Pesquisadores da Universidade de Alberta, no Canadá, descobriram no Uruguai uma prova física de que animais existiram há 585 milhões de anos, 30 milhões de anos antes que as evidências científicas mostravam até agora. Os resultados do estudo estão publicados na edição da revista “Science” desta quinta-feira (28).

Até então, o fóssil mais antigo do mundo tinha 555 milhões de anos e havia sido localizado na Rússia.

O achado foi por geólogos da equipe de Ernesto Pecoits e Natalie Aubet, que encontraram trilhas fossilizadas de um animal semelhante a uma lesma, com cerca de 1 centímetro de comprimento. O rastro foi deixado em um terreno sedimentar com lodo.

A equipe chegou à conclusão de que as trilhas foram feitas por um bicho primitivo bilateral, que se diferencia de outras formas de vida simples por ter uma simetria superior diferente da parte inferior, além de um conjunto único de “pegadas”.

Os pesquisadores dizem que as faixas fossilizadas indicam que a musculatura desse animal mole lhe permitia mover-se pelo solo raso do oceano. O padrão de movimento da “lesma” indica uma adaptação evolutiva para buscar comida – o material orgânico do sedimento.

A idade precisa dos rastros foi calculada pela datação de uma rocha vulcânica que se “intrometeu” na rocha sedimentar onde os caminhos foram achados. O processo incluiu um retorno ao Uruguai para coletar mais amostras da rocha fossilizada e várias sessões de análise por um método chamado espectrometria de massa, que identifica diferentes átomos presentes em uma mesma substância.

Ao todo, os autores do estudo levaram mais de dois anos para ficarem satisfeitos com a precisão da idade de 585 milhões de anos.

Segundo o paleontógo Murray Gingras, da mesma equipe, é comum que animais de corpo mole desapareçam, mas suas trilhas virem fósseis. O geomicrobiólogo Kurt Konhauser diz que a descoberta abre novas questões sobre a evolução desses animais – como foram capazes de se mover e procurar alimento – e as condições ambientais envolvidas. Além desses pesquisadores, o trabalho contou com a participação de Larry Heaman e Richard Stern.

Rastro lesma science (Foto: Richard Siemens/Universidade de Alberta)

Rastros de animal são comparados ao tamanho de uma moeda canadense, para dar a dimensão do tamanho das 'pegadas' deixadas por 'lesma' primitiva (Foto: Richard Siemens/Universidade de Alberta)

Fonte: Globo Natureza


20 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Extinção do mamute lanoso não foi repentina

Estudo aponta combinação de fatores para explicar o fim dos mamíferos gigantes, como elevação das temperaturas, mudança na vegetação e a caça

Um novo estudo, publicado na edição desta semana da revista Nature Communications,contesta as pesquisas que afirmaram que os mamutes lanosos foram extintos brutalmente. De acordo com o trabalho, a extinção dessa espécie aconteceu de forma lenta e progressiva e não teve uma única causa. Os fatores levaram ao fim da espécie são a elevação das temperaturas, a mudança na vegetação e a dispersão dos caçadores humanos.

Os cientistas já levantaram diversas hipóteses para explicar a extinção desses mamíferos gigantes que habitaram a Terra principalmente durante o Pleistoceno. Alguns cientistas dizem que o motivo foi a mudança climática, outros apostam na pressão da crescente população humana e há pesquisadores que acreditam em um cataclismo causado pelo impacto de um meteoro.

Um estudo publicado em agosto de 2010, por pesquisadores da Universidade de Durham (Inglaterra), indicava que os humanos não tiveram influência no processo de extinção dos mamutes. De acordo com este estudo, as mudanças da paisagem, como redução de pastagens e a expansão das florestas, foram responsáveis pelo fim dos mamutes.

O estudo atual não nega totalmente algumas dessas outras explicações, mas defende que foram múltiplos os fatores que levaram à extinção dos mamutes. “Não houve uma única causa que os eliminou de uma vez”, declarou o autor principal do estudo, Glen MacDonald, da Universidade da Califórnia.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores fizeram usaram uma base de dados de datações feitas por radiocarbono. Os resultados mostram declínio e ascensão da espécie em diferentes momentos e locais geográficos, indicando um processo lento e irregular.

Períodos de extinção — O estudo mostrou, por exemplo, que os mamutes de Bering (estreito que unia o atual Alasca e a Sibéria) eram abundantes entre 45.000 e 30.000 anos atrás. Durante o pico da Era do Gelo, 25.000 anos atrás, as populações do Norte diminuíram enquanto as que viviam na Sibéria aumentaram. A partir desse período, esses animais tiveram um longo declínio, enfrentando mudanças climáticas, de habitat e a presença humana. A maioria desapareceu por volta de 10.000 anos atrás e foram extintos definitivamente há 4.000 anos.

Saiba mais

MAMUTE LANOSO
O mamute lanoso (Mammtuhus primigenius) é uma espécie adaptada ao frio da Sibéria. Esses animais tinham o corpo coberto por pelos castanhos longos que formavam uma cobertura espessa contra o clima gelado. Compunham a megafauna do Pleistoceno e são parentes próximos dos elefantes asiáticos e africanos.

ERA DO GELO
É todo período geológico em que ocorre significativa diminuição na temperatura da Terra. Mantos de gelo se expandem pelos continentes e glaciações atingem a superfície e a atmosfera do planeta. Nos últimos milhões de anos, a Terra viveu várias eras glaciais, ocorrendo a intervalos de 10 mil a 100 mil anos. A última grande era glacial teve seu pico há 25.000 anos e terminou 11.000 anos atrás, aproximadamente.

PLEISTOCENO
Corresponde ao intervalo entre 1,8 milhão e 11.500 anos atrás. Na escala geológica, faz parte do período Quaternário da era Cenozoica. Aves e mamíferos gigantes, como mamutes e búfalos, caracterizam essa época. No pleistoceno ocorreram as mais recentes Eras do Gelo.

Mamute-lanoso

Novo estudo diz que os mamutes lanosos foram extintos lentamente e por uma combinação de fatores como alterações climáticas e a dispersão humana pelo planeta (Photoresearchers/Latinstock)

Fonte: Veja Ciência


5 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Antigos primatas colonizaram a África há 37 milhões de anos, sugere estudo

Fóssil descoberto em Mianmar ajuda a resolver o mistério de quando ocorreu a migração dos primeiros símios para o continente africano

Os antigos primatas colonizaram a África há 37 milhões de anos, vindos da Ásia. A descoberta representa um avanço importante para entender a evolução dos seres humanos e de outros primatas. O estudo foi publicado nesta segunda-feira no periódico americano PNAS.

Por décadas os cientistas pensaram que os antepassados dos humanos surgiram na África. Uma série de descobertas nos últimos anos, porém, atestam que os primeiros símios vieram da Ásia e posteriormente colonizaram o continente africano. Contudo, os paleontólogos ainda não conseguiram decidir como e quando isso aconteceu. Agora, parece que há uma resposta para pelo menos uma das perguntas.

A mais recente descoberta que dá suporte à teoria de que os primeiros símios vieram da Ásia é o fóssil Afrasia djijidae, encontrado em Mianmar por pesquisadores Museu de História Natural de Carnegie, dos Estados Unidos. É sobre esse fóssil o estudo publicado no PNAS. O que torna o achado asiático de 37 milhões de anos digno de nota é sua similaridade com outro, encontrado recentemente no Deserto do Saara, na África.

Questão de tempo - Os dentes doAfrasia são muito parecidos com os doAfrotarsius libycus, um fóssil norte-africano que data da mesma época do asiático. Por sua estrutura complexa, os dentes de mamíferos são usados como ‘impressões digitais’ para reconstruir relações de parentesco entre espécies extintas e modernas.

A grande similaridade entre os dois fósseis, um da África e outro da Ásia, tem muito a dizer sobre quando a colonização do continente africano ocorreu. Os cientistas acreditam que ela aconteceu pouco antes da data em que viveu o animal que deu origem ao fóssil asiático, ou seja, há 37 milhões de anos.

Se os símios asiáticos tivessem chegado ao Norte da África antes, teria havido mais tempo para a diversificação entre o Afrasia e o Afrotarsius. “Por muito tempo pensávamos que o registro de fósseis da África era ruim”, disse Jean-Jacques Jaeger, chefe da pesquisa. “O fato de que símios semelhantes viveram ao mesmo tempo na Líbia e em Mianmar sugere que eles não chegaram à África até pouco antes do fóssil que encontramos no norte africano.”

Agora, os paleontólogos tem uma forte indicação de quando a colonização do continente africano ocorreu. Falta saber como. A viagem provavelmente foi muito dura. Naquela época, uma versão maior do Mar Mediterrâneo, chamada Mar de Tétis, separava a África e a Eurásia. A descoberta do Afrasia não resolve a questão da rota nem de como ocorreu a colonização, mas pelo menos crava um ponto de partida na linha do tempo da evolução dos antigos primatas na África.

Reconstrução do 'Afrotarsius libycus', espécie que viveu há mais de 37 milhões de anos no Norte da África e que é muito parecida com o 'Afrasia djijidae', um fóssil encontrado na Ásia com praticamente a mesma idade. As semelhanças indicam que a colonização da África ocorreu há 37 milhões de anos, informação que faltava aos paleontólogos que reconstroem a linha do tempo da evolução humana

Reconstrução do 'Afrotarsius libycus', espécie que viveu há mais de 37 milhões de anos no Norte da África e que é muito parecida com o 'Afrasia djijidae', um fóssil encontrado na Ásia com praticamente a mesma idade. As semelhanças indicam que a colonização da África ocorreu há 37 milhões de anos, informação que faltava aos paleontólogos que reconstroem a linha do tempo da evolução humana (Mark A. Klingler/Carnegie Museum of Natural History)

Fonte: Veja Ciência


5 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Evolução dos pássaros encerrou era dos insetos gigantes, diz estudo

Corpo menor ajudou insetos a fugir de pássaros predadores.
Maior inseto chegou a ter 70 centímetros há 300 milhões de anos.

Um novo estudo da Universidade da Califórnia sugere que a evolução dos pássaros foi determinante para o fim da era dos insetos gigantes na Terra. Segundo os cientistas, a época em que as aves começaram a estabelecer seu lugar nos céus é a mesma na qual os insetos grandalhões perderam espaço, há 150 milhões de anos. A pesquisa foi divulgada nesta semana na edição online da revista científica “PNAS”, da Academia Americana de Ciências.

Insetos gigantes viveram nos céus pré-históricos em uma época em que a atmosfera da Terra era rica em oxigênio. Pesquisas anteriores já tinham sugerido que o tamanho dos insetos tinha relação com altas concentrações de oxigênio – cerca de 30%, comparada aos atuais 21%, em média.

Há 300 milhões de anos, os insetos gigantes chegaram ao maior tamanho já documentado: 70 centímetros.

Mas à medida que os pássaros surgiram, os insetos se tornaram menores mesmo com o aumento de oxigênio na atmosfera, diz a pesquisa.

Segundo o autor do estudo, Matthew Clapham, professor de Terra e Ciências Planetárias da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, com os pássaros predatórios na ‘cola’, necessidade de ter mais mobilidade foi a base da evolução do voo desses insetos, favorecendo o tamanho mais reduzido do corpo.

A equipe da Clapham comparou o tamanho das asas de mais de 10.500 fósseis de insetos com níveis de oxigênio do planeta em centenas de milhares de anos.

O pesquisador enfatiza, no entanto, que o estudo focou as mudanças a partir dos maiores insetos já conhecidos.

“Em torno do final do período Jurássico e início do Cretáceo, cerca de 150 milhões de anos atrás, de repente o nível de oxigênio sobe, mas o tamanho do inseto diminui. E isso coincide de forma impressionante com a evolução dos pássaros”, diz Clapham.

Fóssil de insetos gigantes pré-históricos (Foto: Wolfgang Zessin/UCSC/Divulgação)

Fóssil de insetos gigantes pré-históricos (Foto: Wolfgang Zessin/UCSC/Divulgação)

Fonte: G1


28 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Mecanismo de defesa de cefalópodes é usado há 160 milhões de anos

Descoberta de melanina em bolsas de tinta de antepassados da lula leva pesquisadores a concluir que a produção dessa substância existe desde o período Jurássico

Um grupo internacional de cientistas descobriu a presença de melanina em duas bolsas de tinta pertencentes a fósseis de cefalópodes de 160 milhões de anos. O pigmento encontrado é praticamente idêntico ao de linhagens descendentes do animal pré-histórico estudado: lulas, sépias e polvos. O estudo envolveu pesquisadores dos Estados Unidos, Índia, Japão e Reino Unido e foi publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Para chegar a esses resultados, os cientistas analisaram um fóssil encontrado há dois anos no Sudoeste da Inglaterra. A descoberta indica que o mecanismo de defesa usado por cefalópodes — como sépias, polvos e lulas — que consiste na liberação de tinta para confundir e assustar seus predadores, é a mesma desde o período Jurássico (compreendido entre 199 milhões e 145 milhões de anos atrás).

“Embora os outros componentes orgânicos dos cefalópode que estudamos já tenham se esvaído há muito tempo, nós descobrimos através de vários métodos de pesquisa que a melanina se manteve em uma situação em que conseguimos estudá-la com um detalhamento profundo”, disse John Simon, químico e professor da Universidade de Virginia e um dos autores do estudo.

Uma das bolsas de tinta estudada é única intacta já descoberta. Phillip Wilby, do Centro Britânico de Pesquisa Geológica encontrou as bolsas em Christian Malford, Wiltshire, oeste de Londres, perto de Bristol. As amostras foram analisadas por um grupo de especialistas em melanina que, usando avançados métodos químicos, concluiu que a melanina foi preservada ao longo do tempo.

Em uma segunda etapa, os pesquisadores compararam a composição química da melanina do fóssil ao pigmento de sépias contemporâneas, Sepia officinalis, molusco encontrado nos mares Mediterrâneo, Norte e Báltico.

A análise mostrou que as substâncias são bastante semelhantes. “A aproximação entre elas é suficiente para que eu argumente que a pigmentação nessa classe de animais não sofreu evoluções em um período de 160 milhões de anos”, disse Simon.

“É muito curioso que esta poderosa arma de defesa não tenha ainda se tornado obsoleta, tendo sido preservada e utilizada provavelmente por toda esta imensidão temporal. Talvez, do ponto de vista evolutivo, este equipamento tenha sido o grande responsável pela longa existência destes animais nos oceanos”, afirma Luiz Eduardo Anelli, paleontólogo da Universidade de São Paulo (USP), que não participou do estudo.

Exceção — Cientistas explicam que geralmente o tecido animal se degrada rapidamente, já que é composto em sua maioria por proteína. Passados milhões de anos, tudo que se pode encontrar de um animal são os restos de esqueleto ou uma impressão da forma do material em rochas da região onde ele estava. Muito se pode descobrir sobre um animal através de seus ossos e suas impressões, mas na ausência de matéria orgânica, muitas questões permanecem sem resposta.

Os autores explicam que a melanina é uma exceção. Embora seja orgânica, ela é altamente resistente à degradação ao longo do tempo.

“De todos os pigmentos orgânicos encontrados em seres vivos, a melanina é a que possui maiores condições de ser encontrada em fósseis”, explica Simon. “Esse atributo também traz um desafio ao estudo. Nós tivemos que usar métodos inovadores da química, da biologia e da física para separar a melanina do material inorgânico.”

Saiba mais

MELANINA
Melanina é um pigmento biológico encontrado em bactérias, fungos, plantas e animais que tem uma série de funções ecológicas e bioquímicas: ajuda animais a se proteger contra predadores, raios solares nocivos, causadores de doenças e também compõem a aparência física que alguns animais usam como atração de seus pares para reprodução, como é o caso nas penas coloridas de algumas aves.

CEFALÓPODES
Classe de moluscos invertebrados ao qual pertencem a lula, o polvo e a sépia. Esses animais produzem uma tinta escura que é usada como mecanismo de defesa: ao se sentirem ameaçados, contraem a glândula de tinta e lançam na água uma grande nuvem negra que assusta e distrai um possível predador. Essa classe leva esse nome porque uma de suas características é a presença de tentáculos – espécie de patas – ligados à cabeça do animal.

bolsa de tinta

Cientistas encontraram melanina preservada em bolsas de tinta de fóssil de 160 milhões de anos (British Geological Society)

Fonte: Veja Ciência


« Página anterior