23 de março de 2015 | nenhum comentário »

Pika-de-Ili, mamífero ‘fofinho’ raro, é redescoberto em montanhas da China

Espécie foi descoberta em 1983 e foi vista raras vezes desde então.
Mesmo cientista que a descobriu conseguiu fotografar exemplar em 2014

 

O cientista Weidong Li, do Instituto de Ecologia e Geografia Xinjiang, na China, descobriu por acaso uma nova espécie de mamífero em 1983: a pika-de-Ili (Ochotona iliensis). O pequeno animal, encontrado pela primeira vez na cordilheira Tian Shan, no noroeste da China, tem uma peculiar aparência de bichinho de pelúcia fofo.

Desde sua descoberta, foram raras as vezes em que o mamífero foi visto. Em 2014, durante uma expedição à cordilheira Tian Shan, o mesmo cientista que descobriu a espécie conseguiu registrar em foto uma rara aparição de um exemplar. A história do raro bichinho das montanhas e seu descobridor foi publicada na edição de março da revista “National Geographic China”.

Weidong Li partiu para as monhanhas em 2014 com alguns voluntários justamente para procurar exemplares da pika-de-Ili, segundo a revista. O exemplar típico do mamífero mede cerca de 20 cm, tem orelhas grandes e pêlo acinzentado com manchas marrons.

Um artigo publicado na revista científica “Oryx” por Weidong em  2005 fala sobre o possível declínio do número de exemplares de pika-de-Ili nos locais onde o animal havia sido visto anteriormente.

Segundo o artigo, o aumento da temperatura devido ao aquecimento global pode ter contribuído para o “dramático declínio” da população da espécie. O autor recomendava que a espécie fosse classificada como ameaçada de extinção.

  Rara foto de exemplar de pika-de-Ili foi fotografado em 2014 pelo cientista Weidong Li no noroeste da China  (Foto: Li Weidong/Wikimedia Commons)

Rara foto de exemplar de pika-de-Ili foi feita em 2014 pelo cientista Weidong Li no noroeste da China (Foto: Li Weidong/Wikimedia Commons)

 Fonte: Globo Natureza

17 de dezembro de 2012 | nenhum comentário »

Terra e ciência sinalizam: o futuro é hoje, e é quente, artigo de Washington Novaes

Washington Novaes é jornalista. Artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo de 14/12.

Como já prevíramos neste espaço (18/11), a reunião dos 194 países-membros da Convenção do Clima em Doha, no Catar (22/11 a 7/12), não conseguiu nenhum avanço importante – a não ser a prenunciada prorrogação, até 2020, do Protocolo de Kyoto, de 1997 que venceria no próximo dia 31 e propunha a redução de 5,2% das emissões poluentes dos países industrializados (calculadas sobre as de 1990, que já aumentaram 50%) em troca de financiamentos para projetos redutores em outros países. A prorrogação era fundamental para o sistema financeiro, pelo qual foram negociados em uma década cinco mil projetos dessa natureza em 81 países – entre eles o Brasil, que apoiou “com entusiasmo” a continuação porque o mercado decorrente dessas iniciativas movimenta muitas dezenas de bilhões de dólares (mas, na última semana antes da reunião, o valor da tonelada de carbono negociada nesse mercado, que em outros tempos já valera até US$ 80, caíra para menos de US$ 1).

 

Ainda assim, ela foi aprovada na penúltima hora, com a direção da convenção passando por cima dos protestos da Rússia e de outros países da antiga área soviética, que queriam continuar comercializando o ‘hot air’, isto é, a redução de emissões que tiveram com o processo de desindustrialização em várias nações após a redivisão territorial e política. A mesa dos trabalhos decidiu fazer-se de surda aos protestos e às opiniões contrárias também dos Estados Unidos (que nunca homologaram o protocolo de 1997), do Canadá, do Japão, da Nova Zelândia e da China. Na verdade, a prorrogação agora só abrange 1596 das emissões em países da comunidade europeia, na Austrália, na Suíça e em mais oito nações.

 

Hoje 60% das emissões já estão nos países “emergentes” e outros não industrializados. A China é a maior emissora (6,6 toneladas anuais por pessoa) à frente, dos Estados Unidos (17,2 toneladas per capita) e seguida pela Índia. A União Europeia emite 7,3 toneladas por pessoa. O Brasil, segundo o ex-economista-chefe do Banco Mundial lorde Nicholas Stern, mais de 10 toneladas anuais por pessoa, incluídas as emissões por desmatamento. De 1990 para cá: os Estados Unidos aumentaram suas emissões em 10,8%, a União Europeia diminuiu as suas em 18%.

 

O próprio secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou na convenção que “o mundo precisa acelerar suas ações”, diante do quadro atual de secas na Ucrânia, na Índia, no Brasil, da supertempestade Sandy nos Estados Unidos, de inundações na China, em Moçambique, na Colômbia, na Austrália, do derretimento dos gelos polares em níveis inéditos, da degradação do solo, que afeta 1,5 bilhão de pessoas. Mas nada disso comoveu os países industrializados, que, envolvidos na crise econômico-financeira, não quiseram avançar no compromisso de doar, para um fundo de US$ 100 bilhões anuais, recursos para que os países mais pobres enfrentem o problema e mitiguem as mudanças. Nem para transferir gratuitamente tecnologias. O representante das Filipinas chegou a chorar no plenário, ante esse quadro, e foi aplaudido pelos delegados de dezenas de países-ilhas, que já estão sendo atingidos pela elevação do nível dos oceanos.

 

A ministra brasileira do Meio Ambiente, embora lamentando o impasse nas negociações mais amplas, considerou o avanço em relação a Kyoto “um resultado histórico”. Disse que o Brasil “está orgulhoso” com a redução do desmatamento na Amazônia. E será favorável ao compromisso geral previsto para 2015.

 

Nas palavras, praticamente todos os países continuaram dizendo que se espera chegar a 2015 com esse compromisso obrigatório de redução de emissões para todas as nações – mas que só entre em vigor a partir de 2020. Um tanto enigmático, o representante norte-americano garantiu que o governo Barack Obama, até 2020, reduzirá as emissões nacionais em 17%, calculadas sobre as de 2005. Mas não aceitou compromisso de contribuir para um fundo imediato de US$ 60 bilhões que, até 2015, minoraria a situação nos países mais pobres.

 

Enquanto o plenário era abalado pelas notícias a respeito do recente tufão sobre as Filipinas, com mais de mil mortos e desaparecidos, uma pesquisa do Global Carbon Project dizia que, até o fim deste mês, as emissões globais no ano atingirão 35,6 bilhões de toneladas de carbono, 2,6% mais que em 2011 e 54% mais que em 1990. A continuarem nesse ritmo, a temperatura poderá subir 5 graus Celsius até fim do século. Segundo lorde Nicholas Stem, para conter o aumento da temperatura do planeta em 2 graus até 2050 será preciso reduzir as emissões em 15 bilhões anuais de toneladas sobre o que seriam em 2030; se isso não acontecer, os países não industrializados emitirão de 37 bilhões a 38 bilhões de toneladas nesse ano (ou dois terços do total; emitiam um terço em 1990) e os industrializados, de 11 bilhões a 14 bilhões de toneladas. Já o Banco Mundial prevê uma tendência de a temperatura aumentar 3 graus até 2050.

 

Um dos nós do problema continua nos subsídios governamentais ao uso de combustíveis fósseis na geração de energia: US$ 523 bilhões em 2011, segundo a Climate Action Tracker, ou 30% mais que em 2010; enquanto isso, as energias renováveis e não poluentes tiveram US$ 88 bilhões de subsídios oficiais.

 

E, entre nós, os discursos continuam muito mais otimistas que as práticas: o governo federal utilizou este ano apenas 48% (R$ 2,1 bilhões, dos quais R$ 1,1 bilhão pago) das verbas previstas para evitar desastres climáticos (Estado, 3/12), embora o seu Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres já tenha emitido alertas de emergência em 407 municípios, por causa de seca ou chuvas. E apesar das previsões de “chuvas fortes” nos três meses a partir de dezembro.

 

Apesar dos fatos, das estatísticas, das pesquisas, continuamos a nos comportar como se tivéssemos prazos infinitos. Só que, como diz James Hansen, cientista da Nasa, “o futuro é agora; e ele é quente”.

 

Fonte: Jornal da Ciência


8 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Meta de limitar o aquecimento global a 2ºC é irreal, mostra relatório da PwC

Para manter o estabelecido na Conferência do Clima de Copenhague, os países teriam de descarbonizar suas economias a um ritmo pelo menos seis vezes maior do que o atual

Em 2009, a 15ª Conferência do Clima (COP-15) da Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu como meta limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius (acima dos níveis pré-industriais) ao longo deste século. Publicado nesta segunda-feira, o relatório Low carbon economy index, desde 2009 lançado anualmente pela consultoria internacional PricewaterhouseCoopers (PwC), mostra no entanto que o objetivo está cada vez mais distante de ser atingido. Para que o planeta esquente dentro dessa margem, as economias globais precisariam reduzir drasticamente um índice chamado intensidade em carbono (que mede a relação das emissões de dióxido de carbono de acordo com a produção econômica de cada país).

Esse índice é dado em toneladas de CO2 por milhão de dólares do PIB (Produto Interno Bruto) de um determinado país. No ano passado, por exemplo, o Brasil jogou na atmosfera 197 toneladas de carbono para cada milhão de dólares de seu PIB. Um outro exemplo, a China, emitiu no mesmo período 754 toneladas de CO2 por milhão de dólares. Nos cálculos da PwC, o mundo precisaria reduzir sua intensidade em carbono a um ritmo anual de 5,1% até 2050 para aquecer ao longo deste século só 2ºC, uma taxa que não foi observada em um único ano desde o final da 2ª Guerra Mundial.

O cálculo de intensidade é feito com base na mistura de combustíveis que cada país adota, sua eficiência energética e a composição da atividade econômica. Seria uma maneira de, segundo Carlos Rossin, diretor de Sustentabilidade da PwC Brasil, entender em que medida as economias globais podem produzir mais bens e, com investimentos em eficiência, emitir menos carbono.

Os cientistas calculam que haveria 50% de chances de o aumento da temperatura global limitar-se ao número acordado na COP-15 caso o carbono na atmosfera se estabilize em 450 partes por milhão (ppm) – hoje tal concentração é de 390 ppm. A temperatura média do globo já subiu pouco menos de 1ºC dos níveis pré-industriais.

De acordo com os cálculos da PwC, estabilizar a concentração em 450 ppm seria possível se as economias globais reduzissem sua intensidade em CO2 numa ordem de 5.1% anualmente. Só que a média anual da última década (2000-2011) para a redução desse índice foi de apenas 0.8%. Ou seja, o desafio é sextuplicar o atual ritmo de descarbonização. Diante desse cenário, o relatório afirma que “as ambições dos governos de limitar o aquecimento a 2ºC parecem altamente irrealistas.”

Novos desafios – Se a meta de reduzir a relação carbono-PIB em 5,1% ao ano soa distante do atual patamar, os níveis de redução da intensidade de carbono para atingir o acordado na COP-15 tendem a ficar cada vez maiores, ano após ano. Isso porque, conforme alerta do documento da PwC, é pouco crível que qualquer descarbonização significativa das economias ocorra em um curto espaço de tempo. Levando isso em conta, a consultoria acredita que “a redução necessária dos próximos anos precisa ser muito maior.” Revisões para cima têm sido a regra desde que o Low carbon economy index passou a ser editado, em 2009. À época, os especialistas da PwC diziam que a diminuição da dependência do carbono em relação ao PIB, para manter o planeta na fronteira dos 2 ºC, teria de ser de 3,7% ao ano.

Devagar, quase parando – A lenta marcha de redução da intensidade de carbono da economia mundial mostra que o cenário de 2ºC de aquecimento tornou-se uma previsão otimista, diz a consultoria. Ela lembra que seria necessário no mínimo quadruplicar as taxas de descarbonização de hoje para que a temperatura média global aqueça 4ºC acima dos níveis pré-industriais até o final deste século, o dobro do assumido pelos governos em Copenhague. A Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) já considera a possibilidade de o planeta esquentar, em média, 6ºC no decorrer dos próximos 100 anos.

Paulo Artaxo, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e membro do Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC, em inglês), afirma que a escalada da temperatura do globo pode trazer consigo uma maior frequência de eventos climáticos extremos, como secas, furacões e inundações. “Isso também causa um impacto sócio-econômico muito grande”, complementa.

A PwC, por sua vez, diz no documento que qualquer ação para evitar os cenários mais pessimistas passa por mudanças radicais no atual funcionamento da economia global. Seria preciso “a rápida absorção de energias renováveis, aguda queda no uso de combustíveis fósseis e interrupção da derrubada de florestas.” O documento vai além: “De qualquer forma, obusiness-as-usual não pode continuar”, conclui.

carbono emissao

Consultoria PwC diz que meta de limitar o aquecimento do planeta a 2ºC até o final do século, no atual ritmo de descarbonização, ficará cada vez mais difícil de ser alcançada (iStockphoto)

Fonte: Veja Ciência


6 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Habitat quente faz animais aquáticos terem tamanho menor, diz estudo

Cientistas compararam 169 animais de espécies diferentes para pesquisa.
Estudo diz que redução ocorre porque há menos oxigênio no mar que no ar.

Temperaturas mais altas fazem com que animais aquáticos cresçam até um tamanho menor do que o normal quando atingem a fase adulta, segundo estudo conjunto das universidades de Londres e de Liverpool, no Reino Unido, divulgado nesta segunda-feira (5).

Os cientistas compararam o tamanho de 169 animais terrestres, marinhos e de água doce de várias espécies na fase adulta, submetidos a temperaturas diferentes. Os seres aquáticos “encolheram” numa proporção dez vezes maior do que os terrestres de tamanho similar em ambientes muito aquecidos, aponta um dos autores da pesquisa, o cientista Andrew Hirst, da Universidade de Londres. O efeito ocorre principalmente em animais com tamanho próximo ao de insetos e pequenos peixes.

“Enquanto animais aquáticos têm seu tamanho reduzido em 5% para cada grau Celsius de aquecimento, espécies de mesmo tamanho que vivem na terra encolhem, em média, 0,5%”, disse Hirst no estudo. A pesquisa foi publicada nesta segunda-feira (5) no periódico “Proceedings of the National Academy of Sciences” (“PNAS”, na sigla em inglês).

O estudo afirma que a causa mais provável para essa diferença de tamanho entre espécies submetidas a habitats quentes ocorre porque na água a disponibilidade de oxigênio é bem menor do que na atmosfera.

Segundo os cientistas, quando a temperatura sobe no ambiente, a necessidade de oxigênio pelos organismos cresce – e é muito mais difícil para animais aquáticos obtê-lo do que para terrestres, diz a pesquisa.

O crustáceo 'Calanus propinquus', um dos pesquisados pela equipe do cientista Andrew Hirst (Foto: Divulgação/Alfred Wegener Institute for Polar and Marine Research)

O crustáceo 'Calanus propinquus', um dos animais pesquisados pela equipe do cientista Andrew Hirst, da Universidade de Londres (Foto: Divulgação/Alfred Wegener Institute for Polar and Marine Research)

Fonte: Globo Natureza


26 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Degelo no Ártico ameaça focas aneladas, aponta estudo

Cientistas da Universidade de Washington dizem que, se ritmo do derretimento continuar, área de reprodução dos animais deve ser reduzida em 70%

O derretimento no Ártico pode provocar o desaparecimento de mais de dois terços da área coberta de neve utilizada pelas focas aneladas para reprodução. Esses animais usam a neve acumulada para abrir pequenos túneis, onde criam e protegem seus filhotes. O degelo deixa o animal desabrigado e diminui suas chances de procriação e preservação. O alerta foi feito por um estudo publicado pela revista Geophysical Research Letters.

Os túneis cavados pelas focas são vitais para a sobrevivência dos animais, segundo Cecilia Bitz, professora de ciências atmosféricas da Universidade de Washington e coautora do estudo. De acordo com a pesquisa, a área do Ártico que acumula pelo menos 20 centímetros de neve, quantidade mínima para servir às focas aneladas, diminuirá em pelo menos 70% até o final deste século.

Além de reduzir a área de reprodução, as mudanças no regime de precipitação de neve também ameaçam a criação dos filhotes. Isso porque, segundo o estudo, os invernos serão mais curtos, e a neve deve derreter mais cedo no ano. Assim, as cavernas podem não durar até que os filhotes estejam preparados para deixar os abrigos. Além disso, é previsto um aumento das chuvas, o que causaria o colapso dos túneis.

Alterações na quantidade de neve podem influir no próprio processo de degelo do Ártico. A neve, segundo Paul Hezel, também da Universidade de Washington e autor da pesquisa, tem um enorme impacto termodinâmico na espessura do gelo.  Durante a primavera, por exemplo, a cobertura de neve, por refletir mais o sol do que o gelo, ajuda a conter o derretimento.

Foca anelada

As focas aneladas cavam túneis na neve para proteger seus filhotes. Degelo e aumento de chuvas ameaçam a espécie (Brendan Kelly/National Science Foundation)

Fonte: Veja Ciência


10 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Conchas e esqueletos de animais marinhos estão ficando mais leves nos polos

Resultado da acidez nos oceanos está afetando crescimento de animais em águas geladas

O processo de acidificação dos oceanos, que ocorre pela dissolução do dióxido de carbono da atmosfera nos mares, está afetando o crescimento de conchas, moluscos e outros organismos marinhos, de acordo com uma pesquisa publicada no periódico Global Change Biology.  

Os pesquisadores do British Antarctic Survey (BAS) e do National Oceanography Centre (NOC), ao lado de colegas da James Austrália Cook e das universidades de Melbourne e de Cingapura, investigaram a variação natural na espessura da casca e tamanho do esqueleto em quatro tipos de criaturas marinhas: moluscos, caracóis do mar, conchas e ouriços do mar. Eles retiraram amostras de 12 ambientes diferentes, dos trópicos às regiões polares. O objetivo era verificar as semelhanças e diferenças entre as espécies, e fazer previsões sobre como estes animais poderiam responder à crescente acidez dos oceanos.

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Ouriço-do-mar está entre os animais marinhos com desenvolvimento afetado devido à acidificação dos oceanos. Divulgação/Sue-Ann Watson

Os resultados sugerem que o aumento da acidez afeta o tamanho e o peso de conchas e esqueletos, e a tendência é generalizada entre as espécies marinhas. Estes animais são uma fonte importante de alimento para predadores como as aves marinhas tropicais, e um ingrediente valioso para a produção de alimentos humanos.

De acordo com os pesquisadores, o esforço exigido por mariscos, caracóis do mar e outros animais para extrair o carbonato de cálcio da água e construir suas conchas e esqueletos varia de lugar para lugar nos oceanos do mundo. Inúmeros fatores, incluindo a temperatura e pressão, interferem no processo. Mas a acidificação dos oceanos está tornando o carbonato de cálcio mais escasso e, assim, os animais estão desenvolvendo esqueletos e conchas mais leves – ou seja, com menos matéria prima.

De acordo com o professor Lloyd Peck, do British Antarctic Survey, este efeito tem sido mais forte em baixas temperaturas. “Os resultados mostraram que as espécies polares têm o esqueleto menor e mais leve. Isso poderá deixa-los em risco nas próximas décadas, já que o ambiente exige que os animais tenham esqueletos fortes, para protegê-los do impacto do gelo flutuante”, falou.

Antarctic brachiopod liothyrella uva

Animais marinhos, como o braquiópode 'liothyrella uva', da Antártida, estão crescendo menos por causa da acidificação dos oceanos (Divulgação/Sue-Ann Watson)

Fonte: Veja Ciência

 


9 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Nordeste terá 1ª indústria do Brasil de combustível feito com algas marinhas

Usina em Pernambuco vai produzir e vender biodiesel e bioetanol de algas.
Projeto tem investimento de R$ 19 milhões e reduz emissão de CO2.

O sistema de iluminação das Fazendas de Algas concentra a luz do sol e a transmite por fibras óticas até reatores fechados, onde as algas realizam a fotossíntese (Foto: Divulgação/See Algae Technology)

O sistema de iluminação da fazenda de alga concentra a luz do sol e a transmite por fibras óticas até reatores fechados, onde as algas realizam a fotossíntese (Foto: Divulgação/See Algae Technology)

O estado de Pernambuco, no Nordeste, deve receber a partir do último trimestre de 2013 a primeira planta industrial de biocombustível produzido com algas marinhas, que promete contribuir na redução do envio de CO2 à atmosfera.

O projeto, uma parceria entre o grupo brasileiro JB, produtor de etanol no Nordeste, e a empresa See Algae Technology (SAT), da Áustria, contará com investimento de 8 milhões de euros (R$ 19,8 milhões) para montar em Vitória de Santo Antão – a 53 km de Recife — uma fazenda vertical de algas geneticamente modificadas e que vão crescer com a ajuda do sol e de emissões de dióxido de carbono (CO2)

Segunda a empresa, é a primeira vez no mundo que este tipo de combustível será fabricado e comercializado. Atualmente, a tecnologia só é desenvolvida para fins científicos. Laboratórios dos Estados Unidos e até mesmo do Brasil já pesquisam a respeito.

No caso da usina pernambucana, o biocombustível será produzido com a ajuda do carbono proveniente da produção de etanol, evitando que o gás poluente seja liberado na atmosfera e reduzindo os efeitos da mudança climática.

De acordo com Rafael Bianchini, diretor da SAT no Brasil, a unidade terá capacidade de produzir 1,2 milhão de litros de biodiesel ou 2,2, milhões de litros de etanol ao ano a partir de um hectare de algas plantadas.

O produto resultante poderá substituir, por exemplo, o biodiesel de soja, dendê, palma ou outros itens que podem ser utilizados na indústria alimentícia aplicado no diesel — atualmente 5% do combustível é biodiesel.

“É uma reciclagem [do CO2 emitido] e transformação em combustível. Um hectare de algas consome 5 mil toneladas de dióxido de carbono ao ano. O CO2, que é o vilão do clima, passa a ser matéria-prima valorizada”, explica Bianchini.

Mas como funciona?
Em vez de criações de algas expostas, a SAT planeja instalar módulos fechados com até cinco metros de altura que vão receber por meio de fibra óptica a luz do sol (capturada por placas solares instaladas no teto da usina). Além disso, há a injeção de CO2 resultante do processo de fabricação do etanol de cana.

De acordo com Carlos Beltrão, diretor-presidente do grupo JB, a previsão é que projeto comece a funcionar a partir de 2014 e seja replicado para outra unidade, instalada em Linhares, no Espírito Santo. “Hoje nossa missão é tentar trabalhar e chegar ao carbono zero. Nós produzimos CO2 suficiente para multiplicar esse investimento em dez vezes”, disse Beltrão.

O biocombustível de algas ainda precisa ser aprovado e validado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Bioquímicos
Além dos combustíveis, outros produtos resultantes do processamento de algas marinhas geneticamente modificadas são os bioquímicos como o ácido graxo ômega 3, utilizados pela indústria alimentícia e de cosméticos

O ômega 3, que contribui para reduzir os níveis de colesterol no corpo humano e combate inflamações, é normalmente encontrado em óleos vegetais ou em peixes.

Com a extração desse ácido das algas processadas e comercialização com empresas brasileiras, Bianchini espera contribuir com a redução da pesca de espécies marinhas que já sofrem com o impacto das atividades predatórias. “Seria uma alternativa para reduzir a sobrepesca e também para não haver mais dependência somente do peixe”, disse.

Alga genéticamente modificada (Foto: Divulgação/See Algae Technology)

Bioquímicos de algas geneticamente modificadas ajudam a reduzir as emissões de carbono para a atmosfera (Foto: Divulgação/See Algae Technology)

Fonte: Globo Natureza


29 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Quanto tempo levou para a Terra se recuperar da maior extinção em massa?

Imagem: Mater Natura

250 milhões de anos atrás, a crise do fim do período Permiano atingiu a Terra. Foi o pior desastre do tipo: a maior extinção em massa do nosso planeta, que nos fez perder 90% das espécies (estimativas chegam a dizer que até 99% da vida na Terra se extinguiu).

Alguns acreditam que a causa dessa extinção foi o impacto de um meteorito ou uma atividade vulcânica. Outros pesquisadores dizem que a crise desencadeou uma série de choques físicos ambientais, como o aquecimento global, a chuva ácida, a acidificação do oceano e a anoxia (ausência de oxigênio) dos oceanos. A conclusão, de qualquer forma, é de que esse desastre alterou a composição do ar radicalmente no planeta.

A intensidade dessa crise, e crises sucessivas, fizeram com que levasse cerca de 10 milhões de anos para a vida na Terra se recuperar, de acordo com um novo estudo feito por Zhong-Qiang Chen, da Universidade de Geociências em Wuhan, China, e Michael Benton, da Universidade de Bristol, Reino Unido.

Nós, seres humanos, já causamos a extinção de espécies do planeta. Durante o nosso “mandato”, estimativas sugerem que dizimamos cerca de mil espécies de animais. Como existem (de que temos conhecimento) cerca de 8 milhões de espécies vivas hoje, isso significa que, mesmo de acordo com as estimativas mais pessimistas, acabamos com 0,01% de toda a vida animal.

Isso certamente não é motivo de orgulho, mas é muito pouco quando comparado com as grandes extinções da natureza. A comparação serve para você entender a gravidade da situação; nesse cenário, será que 10 milhões de anos foi muito tempo para tal recuperação?

A crise principal foi dramática o suficiente, mas cinco a seis milhões de anos após o desastre, o mundo continuou enfrentando condições péssimas para a existência da vida, como crises repetidas de carbono e de oxigênio, além de aquecimento global.

Essas condições não propícias impediram que os cerca de 10% das espécies sobreviventes se recuperassem rápido. Alguns até conseguiram se recuperar de forma relativamente rápida, mas a formação de sistemas complexos permanentes só foi possível após cerca de cinco milhões de anos.

Passada a gravidade dessas crises ambientais, novos grupos de animais surgiram no mar, como caranguejos, lagostas e répteis marinhos, que formaram a base dos futuros ecossistemas modernos.

Aquecimento global, chuva ácida, acidificação dos oceanos… Esses não são termos estranhos para nós, não é? Se tudo isso foi capaz de dizimar no mínimo 90% das espécies da Terra no passado, o que impede de isso acontecer de novo?

“As causas da morte das espécies – o aquecimento global, a chuva ácida, a acidificação dos oceanos – soam estranhamente familiares para nós hoje. Talvez possamos aprender alguma coisa com estes acontecimentos antigos”, disse o professor britânico Benton.

E é melhor aprendermos mesmo, a não ser que estejamos dispostos a esperar mais 10 milhões de anos por uma segunda chance.

Fonte: Mater Natura


15 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Governo lança plano para compensar emissões de gases da Rio+20

Governo lançou estratégia nesta quinta, no Riocentro.
Emissões são medidas seguindo padrões internacionais.

O governo brasileiro divulgou nesta quinta-feira (14), no Riocentro, no Rio de Janeiro, um plano que vai compensar as emissões de gases de efeito estufa provenientes da Rio+20, como forma de reduzir o impacto ambiental da conferência, que teve início oficialmente nesta quarta-feira.

De acordo com o governo, a “Estratégia Nacional de compensação de emissões de gases de efeito estufa” englobará a realização de um inventário para mensurar os gases provenientes da Rio+20 e seguirá padrões internacionais. Além disso, todos os participantes poderão doar online o equivalente às suas emissões em deslocamentos na Conferência. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, fez a sua doação no Riocentro.

Para evitar uma quantidade maior de impacto ambiental, o Comitê Nacional de Organização da Rio+20 já seguiu a recomendação do decreto brasileiro que prevê compras públicas sustentáveis, assinado no último dia 5 de junho pela presidente Dilma Rousseff.

Ainda segundo o ministério das Relações Exteriores, gastos de recursos hídricos, produção de resíduos sólidos, energia e queima de combustível fóssil com transportes terrestres durante a conferência terão suas emissões compensadas por meio do mercado de crédito de carbono, inserido no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), instrumento do Protocolo de Kyoto.

Protocolo de Kyoto é um acordo global para reduzir a emissão de gases estufa, como o dióxido de carbono, com o objetivo de conter o avanço das mudanças climáticas. O mercado de créditos de carbono foi criado dentro de um instrumento do protocolo chamado “Mecanismo de Desenvolvimento Limpo” (MDL) e permite a países desenvolvidos (como os europeus) comprar toneladas de CO2 que não foram emitidas por países em desenvolvimento (como o Brasil) graças à implantação de tecnologias limpas em diferentes áreas. Um crédito de carbono equivale a uma tonelada não-emitida.

Ministro Antônio Patriota recebe certificado por ter compensado emissões de gases (Foto: Alexandre Durão/G1)

Ministro Antônio Patriota recebe certificado por ter compensado emissões de gases (Foto: Alexandre Durão/G1)

Fonte: Globo Natureza


5 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Projeto brasileiro reproduz ambiente marinho em tanque;

Um cercadinho à beira-mar dentro de um parque aquático, rodeado por toboáguas e perto de uma piscina de ondas, pode passar despercebido pelos visitantes. Mas um olhar mais atento revela que ali se faz ciência de ponta.

O chamado Mesocosmo Marinho funciona como uma máquina do tempo, simulando condições do ambiente para ver como a natureza –especialmente os corais– irão reagir às mudanças causadas pelo aquecimento global.

“É um ambiente intermediário entre a natureza e o laboratório. Embora algumas condições dos experimentos possam ser bastante controladas, o material está exposto a praticamente tudo o que acontece no ambiente natural”, explica Clovis Castro, coordenador do programa Coral Vivo e professor do Museu Nacional da UFRJ.

O projeto, patrocinado pela Petrobras, funciona em um espaço cedido pelo Eco Parque, parque aquático em Arraial D’Ajuda (sul da Bahia), que tem uma das maiores diversidades de corais do país.

São 16 tanques de experimento que tentam reproduzir com alta fidelidade a dinâmica de eventos na vida marinha. A água, por exemplo, é captada em uma região com grande presença de corais e transportada por uma tubulação subterrânea.

Além disso, cada tanque tem um sistema que mimetiza as correntes marinhas, fazendo a água correr em várias direções. Os experimentos ficam expostos à chuva e ao sol, como na natureza.

Pelos estudos até agora, as previsões são desanimadoras para os recifes de corais.

Na primeira rodada de experimentos, há cerca de dois meses, os cientistas verificaram o que aconteceria às principais espécies de corais do nosso litoral em quatro cenários de elevação das temperaturas propostos pelo IPCC (painel de mudanças climáticas da ONU).

Foi verificado que, quanto maior o aumento, piores os danos. Com mais de 1ºC, já se nota o branqueamento dos corais, causado pela expulsão das algas que têm com eles uma relação simbiótica. Isso prejudica a alimentação dos corais e os deixa mais vulneráveis. Com mais de 4ºC, os corais chegam a morrer.

“É uma ameaça séria. O Brasil tem as únicas formações relevantes de recifes de corais do Atlântico Sul, e mais da metade das espécies só existe aqui”, avalia Castro.

Felizmente, diz o pesquisador, há indícios de que os corais brasileiros têm grande capacidade de recuperação, se as condições ambientais voltarem à normalidade.

A próxima rodada estudará o impacto da acidificação dos oceanos causada pelas emissões de carbono. A cada novo ciclo de estudos, a equipe do Coral Vivo abre uma espécie de chamada para receber projetos de pesquisa.

“Temos uma margem grande para a adaptação do mesocosmo a vários experimentos. Podemos fazer coisas importantes aqui”, diz Gustavo Duarte, gerente de projetos.

Recifes de corais do projeto Coral Vivo, no sul da Bahia

Recifes de corais do projeto Coral Vivo, no sul da Bahia

Acesse http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1099954-projeto-brasileiro-reproduz-ambiente-marinho-em-tanque-veja-como.shtml e veja como funciona o projeto.

Fonte: Folha.com


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23 de março de 2015 | nenhum comentário »

Pika-de-Ili, mamífero ‘fofinho’ raro, é redescoberto em montanhas da China

Espécie foi descoberta em 1983 e foi vista raras vezes desde então.
Mesmo cientista que a descobriu conseguiu fotografar exemplar em 2014

 

O cientista Weidong Li, do Instituto de Ecologia e Geografia Xinjiang, na China, descobriu por acaso uma nova espécie de mamífero em 1983: a pika-de-Ili (Ochotona iliensis). O pequeno animal, encontrado pela primeira vez na cordilheira Tian Shan, no noroeste da China, tem uma peculiar aparência de bichinho de pelúcia fofo.

Desde sua descoberta, foram raras as vezes em que o mamífero foi visto. Em 2014, durante uma expedição à cordilheira Tian Shan, o mesmo cientista que descobriu a espécie conseguiu registrar em foto uma rara aparição de um exemplar. A história do raro bichinho das montanhas e seu descobridor foi publicada na edição de março da revista “National Geographic China”.

Weidong Li partiu para as monhanhas em 2014 com alguns voluntários justamente para procurar exemplares da pika-de-Ili, segundo a revista. O exemplar típico do mamífero mede cerca de 20 cm, tem orelhas grandes e pêlo acinzentado com manchas marrons.

Um artigo publicado na revista científica “Oryx” por Weidong em  2005 fala sobre o possível declínio do número de exemplares de pika-de-Ili nos locais onde o animal havia sido visto anteriormente.

Segundo o artigo, o aumento da temperatura devido ao aquecimento global pode ter contribuído para o “dramático declínio” da população da espécie. O autor recomendava que a espécie fosse classificada como ameaçada de extinção.

  Rara foto de exemplar de pika-de-Ili foi fotografado em 2014 pelo cientista Weidong Li no noroeste da China  (Foto: Li Weidong/Wikimedia Commons)

Rara foto de exemplar de pika-de-Ili foi feita em 2014 pelo cientista Weidong Li no noroeste da China (Foto: Li Weidong/Wikimedia Commons)

 Fonte: Globo Natureza

17 de dezembro de 2012 | nenhum comentário »

Terra e ciência sinalizam: o futuro é hoje, e é quente, artigo de Washington Novaes

Washington Novaes é jornalista. Artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo de 14/12.

Como já prevíramos neste espaço (18/11), a reunião dos 194 países-membros da Convenção do Clima em Doha, no Catar (22/11 a 7/12), não conseguiu nenhum avanço importante – a não ser a prenunciada prorrogação, até 2020, do Protocolo de Kyoto, de 1997 que venceria no próximo dia 31 e propunha a redução de 5,2% das emissões poluentes dos países industrializados (calculadas sobre as de 1990, que já aumentaram 50%) em troca de financiamentos para projetos redutores em outros países. A prorrogação era fundamental para o sistema financeiro, pelo qual foram negociados em uma década cinco mil projetos dessa natureza em 81 países – entre eles o Brasil, que apoiou “com entusiasmo” a continuação porque o mercado decorrente dessas iniciativas movimenta muitas dezenas de bilhões de dólares (mas, na última semana antes da reunião, o valor da tonelada de carbono negociada nesse mercado, que em outros tempos já valera até US$ 80, caíra para menos de US$ 1).

 

Ainda assim, ela foi aprovada na penúltima hora, com a direção da convenção passando por cima dos protestos da Rússia e de outros países da antiga área soviética, que queriam continuar comercializando o ‘hot air’, isto é, a redução de emissões que tiveram com o processo de desindustrialização em várias nações após a redivisão territorial e política. A mesa dos trabalhos decidiu fazer-se de surda aos protestos e às opiniões contrárias também dos Estados Unidos (que nunca homologaram o protocolo de 1997), do Canadá, do Japão, da Nova Zelândia e da China. Na verdade, a prorrogação agora só abrange 1596 das emissões em países da comunidade europeia, na Austrália, na Suíça e em mais oito nações.

 

Hoje 60% das emissões já estão nos países “emergentes” e outros não industrializados. A China é a maior emissora (6,6 toneladas anuais por pessoa) à frente, dos Estados Unidos (17,2 toneladas per capita) e seguida pela Índia. A União Europeia emite 7,3 toneladas por pessoa. O Brasil, segundo o ex-economista-chefe do Banco Mundial lorde Nicholas Stern, mais de 10 toneladas anuais por pessoa, incluídas as emissões por desmatamento. De 1990 para cá: os Estados Unidos aumentaram suas emissões em 10,8%, a União Europeia diminuiu as suas em 18%.

 

O próprio secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou na convenção que “o mundo precisa acelerar suas ações”, diante do quadro atual de secas na Ucrânia, na Índia, no Brasil, da supertempestade Sandy nos Estados Unidos, de inundações na China, em Moçambique, na Colômbia, na Austrália, do derretimento dos gelos polares em níveis inéditos, da degradação do solo, que afeta 1,5 bilhão de pessoas. Mas nada disso comoveu os países industrializados, que, envolvidos na crise econômico-financeira, não quiseram avançar no compromisso de doar, para um fundo de US$ 100 bilhões anuais, recursos para que os países mais pobres enfrentem o problema e mitiguem as mudanças. Nem para transferir gratuitamente tecnologias. O representante das Filipinas chegou a chorar no plenário, ante esse quadro, e foi aplaudido pelos delegados de dezenas de países-ilhas, que já estão sendo atingidos pela elevação do nível dos oceanos.

 

A ministra brasileira do Meio Ambiente, embora lamentando o impasse nas negociações mais amplas, considerou o avanço em relação a Kyoto “um resultado histórico”. Disse que o Brasil “está orgulhoso” com a redução do desmatamento na Amazônia. E será favorável ao compromisso geral previsto para 2015.

 

Nas palavras, praticamente todos os países continuaram dizendo que se espera chegar a 2015 com esse compromisso obrigatório de redução de emissões para todas as nações – mas que só entre em vigor a partir de 2020. Um tanto enigmático, o representante norte-americano garantiu que o governo Barack Obama, até 2020, reduzirá as emissões nacionais em 17%, calculadas sobre as de 2005. Mas não aceitou compromisso de contribuir para um fundo imediato de US$ 60 bilhões que, até 2015, minoraria a situação nos países mais pobres.

 

Enquanto o plenário era abalado pelas notícias a respeito do recente tufão sobre as Filipinas, com mais de mil mortos e desaparecidos, uma pesquisa do Global Carbon Project dizia que, até o fim deste mês, as emissões globais no ano atingirão 35,6 bilhões de toneladas de carbono, 2,6% mais que em 2011 e 54% mais que em 1990. A continuarem nesse ritmo, a temperatura poderá subir 5 graus Celsius até fim do século. Segundo lorde Nicholas Stem, para conter o aumento da temperatura do planeta em 2 graus até 2050 será preciso reduzir as emissões em 15 bilhões anuais de toneladas sobre o que seriam em 2030; se isso não acontecer, os países não industrializados emitirão de 37 bilhões a 38 bilhões de toneladas nesse ano (ou dois terços do total; emitiam um terço em 1990) e os industrializados, de 11 bilhões a 14 bilhões de toneladas. Já o Banco Mundial prevê uma tendência de a temperatura aumentar 3 graus até 2050.

 

Um dos nós do problema continua nos subsídios governamentais ao uso de combustíveis fósseis na geração de energia: US$ 523 bilhões em 2011, segundo a Climate Action Tracker, ou 30% mais que em 2010; enquanto isso, as energias renováveis e não poluentes tiveram US$ 88 bilhões de subsídios oficiais.

 

E, entre nós, os discursos continuam muito mais otimistas que as práticas: o governo federal utilizou este ano apenas 48% (R$ 2,1 bilhões, dos quais R$ 1,1 bilhão pago) das verbas previstas para evitar desastres climáticos (Estado, 3/12), embora o seu Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres já tenha emitido alertas de emergência em 407 municípios, por causa de seca ou chuvas. E apesar das previsões de “chuvas fortes” nos três meses a partir de dezembro.

 

Apesar dos fatos, das estatísticas, das pesquisas, continuamos a nos comportar como se tivéssemos prazos infinitos. Só que, como diz James Hansen, cientista da Nasa, “o futuro é agora; e ele é quente”.

 

Fonte: Jornal da Ciência


8 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Meta de limitar o aquecimento global a 2ºC é irreal, mostra relatório da PwC

Para manter o estabelecido na Conferência do Clima de Copenhague, os países teriam de descarbonizar suas economias a um ritmo pelo menos seis vezes maior do que o atual

Em 2009, a 15ª Conferência do Clima (COP-15) da Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu como meta limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius (acima dos níveis pré-industriais) ao longo deste século. Publicado nesta segunda-feira, o relatório Low carbon economy index, desde 2009 lançado anualmente pela consultoria internacional PricewaterhouseCoopers (PwC), mostra no entanto que o objetivo está cada vez mais distante de ser atingido. Para que o planeta esquente dentro dessa margem, as economias globais precisariam reduzir drasticamente um índice chamado intensidade em carbono (que mede a relação das emissões de dióxido de carbono de acordo com a produção econômica de cada país).

Esse índice é dado em toneladas de CO2 por milhão de dólares do PIB (Produto Interno Bruto) de um determinado país. No ano passado, por exemplo, o Brasil jogou na atmosfera 197 toneladas de carbono para cada milhão de dólares de seu PIB. Um outro exemplo, a China, emitiu no mesmo período 754 toneladas de CO2 por milhão de dólares. Nos cálculos da PwC, o mundo precisaria reduzir sua intensidade em carbono a um ritmo anual de 5,1% até 2050 para aquecer ao longo deste século só 2ºC, uma taxa que não foi observada em um único ano desde o final da 2ª Guerra Mundial.

O cálculo de intensidade é feito com base na mistura de combustíveis que cada país adota, sua eficiência energética e a composição da atividade econômica. Seria uma maneira de, segundo Carlos Rossin, diretor de Sustentabilidade da PwC Brasil, entender em que medida as economias globais podem produzir mais bens e, com investimentos em eficiência, emitir menos carbono.

Os cientistas calculam que haveria 50% de chances de o aumento da temperatura global limitar-se ao número acordado na COP-15 caso o carbono na atmosfera se estabilize em 450 partes por milhão (ppm) – hoje tal concentração é de 390 ppm. A temperatura média do globo já subiu pouco menos de 1ºC dos níveis pré-industriais.

De acordo com os cálculos da PwC, estabilizar a concentração em 450 ppm seria possível se as economias globais reduzissem sua intensidade em CO2 numa ordem de 5.1% anualmente. Só que a média anual da última década (2000-2011) para a redução desse índice foi de apenas 0.8%. Ou seja, o desafio é sextuplicar o atual ritmo de descarbonização. Diante desse cenário, o relatório afirma que “as ambições dos governos de limitar o aquecimento a 2ºC parecem altamente irrealistas.”

Novos desafios – Se a meta de reduzir a relação carbono-PIB em 5,1% ao ano soa distante do atual patamar, os níveis de redução da intensidade de carbono para atingir o acordado na COP-15 tendem a ficar cada vez maiores, ano após ano. Isso porque, conforme alerta do documento da PwC, é pouco crível que qualquer descarbonização significativa das economias ocorra em um curto espaço de tempo. Levando isso em conta, a consultoria acredita que “a redução necessária dos próximos anos precisa ser muito maior.” Revisões para cima têm sido a regra desde que o Low carbon economy index passou a ser editado, em 2009. À época, os especialistas da PwC diziam que a diminuição da dependência do carbono em relação ao PIB, para manter o planeta na fronteira dos 2 ºC, teria de ser de 3,7% ao ano.

Devagar, quase parando – A lenta marcha de redução da intensidade de carbono da economia mundial mostra que o cenário de 2ºC de aquecimento tornou-se uma previsão otimista, diz a consultoria. Ela lembra que seria necessário no mínimo quadruplicar as taxas de descarbonização de hoje para que a temperatura média global aqueça 4ºC acima dos níveis pré-industriais até o final deste século, o dobro do assumido pelos governos em Copenhague. A Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) já considera a possibilidade de o planeta esquentar, em média, 6ºC no decorrer dos próximos 100 anos.

Paulo Artaxo, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e membro do Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC, em inglês), afirma que a escalada da temperatura do globo pode trazer consigo uma maior frequência de eventos climáticos extremos, como secas, furacões e inundações. “Isso também causa um impacto sócio-econômico muito grande”, complementa.

A PwC, por sua vez, diz no documento que qualquer ação para evitar os cenários mais pessimistas passa por mudanças radicais no atual funcionamento da economia global. Seria preciso “a rápida absorção de energias renováveis, aguda queda no uso de combustíveis fósseis e interrupção da derrubada de florestas.” O documento vai além: “De qualquer forma, obusiness-as-usual não pode continuar”, conclui.

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Consultoria PwC diz que meta de limitar o aquecimento do planeta a 2ºC até o final do século, no atual ritmo de descarbonização, ficará cada vez mais difícil de ser alcançada (iStockphoto)

Fonte: Veja Ciência


6 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Habitat quente faz animais aquáticos terem tamanho menor, diz estudo

Cientistas compararam 169 animais de espécies diferentes para pesquisa.
Estudo diz que redução ocorre porque há menos oxigênio no mar que no ar.

Temperaturas mais altas fazem com que animais aquáticos cresçam até um tamanho menor do que o normal quando atingem a fase adulta, segundo estudo conjunto das universidades de Londres e de Liverpool, no Reino Unido, divulgado nesta segunda-feira (5).

Os cientistas compararam o tamanho de 169 animais terrestres, marinhos e de água doce de várias espécies na fase adulta, submetidos a temperaturas diferentes. Os seres aquáticos “encolheram” numa proporção dez vezes maior do que os terrestres de tamanho similar em ambientes muito aquecidos, aponta um dos autores da pesquisa, o cientista Andrew Hirst, da Universidade de Londres. O efeito ocorre principalmente em animais com tamanho próximo ao de insetos e pequenos peixes.

“Enquanto animais aquáticos têm seu tamanho reduzido em 5% para cada grau Celsius de aquecimento, espécies de mesmo tamanho que vivem na terra encolhem, em média, 0,5%”, disse Hirst no estudo. A pesquisa foi publicada nesta segunda-feira (5) no periódico “Proceedings of the National Academy of Sciences” (“PNAS”, na sigla em inglês).

O estudo afirma que a causa mais provável para essa diferença de tamanho entre espécies submetidas a habitats quentes ocorre porque na água a disponibilidade de oxigênio é bem menor do que na atmosfera.

Segundo os cientistas, quando a temperatura sobe no ambiente, a necessidade de oxigênio pelos organismos cresce – e é muito mais difícil para animais aquáticos obtê-lo do que para terrestres, diz a pesquisa.

O crustáceo 'Calanus propinquus', um dos pesquisados pela equipe do cientista Andrew Hirst (Foto: Divulgação/Alfred Wegener Institute for Polar and Marine Research)

O crustáceo 'Calanus propinquus', um dos animais pesquisados pela equipe do cientista Andrew Hirst, da Universidade de Londres (Foto: Divulgação/Alfred Wegener Institute for Polar and Marine Research)

Fonte: Globo Natureza


26 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Degelo no Ártico ameaça focas aneladas, aponta estudo

Cientistas da Universidade de Washington dizem que, se ritmo do derretimento continuar, área de reprodução dos animais deve ser reduzida em 70%

O derretimento no Ártico pode provocar o desaparecimento de mais de dois terços da área coberta de neve utilizada pelas focas aneladas para reprodução. Esses animais usam a neve acumulada para abrir pequenos túneis, onde criam e protegem seus filhotes. O degelo deixa o animal desabrigado e diminui suas chances de procriação e preservação. O alerta foi feito por um estudo publicado pela revista Geophysical Research Letters.

Os túneis cavados pelas focas são vitais para a sobrevivência dos animais, segundo Cecilia Bitz, professora de ciências atmosféricas da Universidade de Washington e coautora do estudo. De acordo com a pesquisa, a área do Ártico que acumula pelo menos 20 centímetros de neve, quantidade mínima para servir às focas aneladas, diminuirá em pelo menos 70% até o final deste século.

Além de reduzir a área de reprodução, as mudanças no regime de precipitação de neve também ameaçam a criação dos filhotes. Isso porque, segundo o estudo, os invernos serão mais curtos, e a neve deve derreter mais cedo no ano. Assim, as cavernas podem não durar até que os filhotes estejam preparados para deixar os abrigos. Além disso, é previsto um aumento das chuvas, o que causaria o colapso dos túneis.

Alterações na quantidade de neve podem influir no próprio processo de degelo do Ártico. A neve, segundo Paul Hezel, também da Universidade de Washington e autor da pesquisa, tem um enorme impacto termodinâmico na espessura do gelo.  Durante a primavera, por exemplo, a cobertura de neve, por refletir mais o sol do que o gelo, ajuda a conter o derretimento.

Foca anelada

As focas aneladas cavam túneis na neve para proteger seus filhotes. Degelo e aumento de chuvas ameaçam a espécie (Brendan Kelly/National Science Foundation)

Fonte: Veja Ciência


10 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Conchas e esqueletos de animais marinhos estão ficando mais leves nos polos

Resultado da acidez nos oceanos está afetando crescimento de animais em águas geladas

O processo de acidificação dos oceanos, que ocorre pela dissolução do dióxido de carbono da atmosfera nos mares, está afetando o crescimento de conchas, moluscos e outros organismos marinhos, de acordo com uma pesquisa publicada no periódico Global Change Biology.  

Os pesquisadores do British Antarctic Survey (BAS) e do National Oceanography Centre (NOC), ao lado de colegas da James Austrália Cook e das universidades de Melbourne e de Cingapura, investigaram a variação natural na espessura da casca e tamanho do esqueleto em quatro tipos de criaturas marinhas: moluscos, caracóis do mar, conchas e ouriços do mar. Eles retiraram amostras de 12 ambientes diferentes, dos trópicos às regiões polares. O objetivo era verificar as semelhanças e diferenças entre as espécies, e fazer previsões sobre como estes animais poderiam responder à crescente acidez dos oceanos.

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Ouriço-do-mar está entre os animais marinhos com desenvolvimento afetado devido à acidificação dos oceanos. Divulgação/Sue-Ann Watson

Os resultados sugerem que o aumento da acidez afeta o tamanho e o peso de conchas e esqueletos, e a tendência é generalizada entre as espécies marinhas. Estes animais são uma fonte importante de alimento para predadores como as aves marinhas tropicais, e um ingrediente valioso para a produção de alimentos humanos.

De acordo com os pesquisadores, o esforço exigido por mariscos, caracóis do mar e outros animais para extrair o carbonato de cálcio da água e construir suas conchas e esqueletos varia de lugar para lugar nos oceanos do mundo. Inúmeros fatores, incluindo a temperatura e pressão, interferem no processo. Mas a acidificação dos oceanos está tornando o carbonato de cálcio mais escasso e, assim, os animais estão desenvolvendo esqueletos e conchas mais leves – ou seja, com menos matéria prima.

De acordo com o professor Lloyd Peck, do British Antarctic Survey, este efeito tem sido mais forte em baixas temperaturas. “Os resultados mostraram que as espécies polares têm o esqueleto menor e mais leve. Isso poderá deixa-los em risco nas próximas décadas, já que o ambiente exige que os animais tenham esqueletos fortes, para protegê-los do impacto do gelo flutuante”, falou.

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Animais marinhos, como o braquiópode 'liothyrella uva', da Antártida, estão crescendo menos por causa da acidificação dos oceanos (Divulgação/Sue-Ann Watson)

Fonte: Veja Ciência

 


9 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Nordeste terá 1ª indústria do Brasil de combustível feito com algas marinhas

Usina em Pernambuco vai produzir e vender biodiesel e bioetanol de algas.
Projeto tem investimento de R$ 19 milhões e reduz emissão de CO2.

O sistema de iluminação das Fazendas de Algas concentra a luz do sol e a transmite por fibras óticas até reatores fechados, onde as algas realizam a fotossíntese (Foto: Divulgação/See Algae Technology)

O sistema de iluminação da fazenda de alga concentra a luz do sol e a transmite por fibras óticas até reatores fechados, onde as algas realizam a fotossíntese (Foto: Divulgação/See Algae Technology)

O estado de Pernambuco, no Nordeste, deve receber a partir do último trimestre de 2013 a primeira planta industrial de biocombustível produzido com algas marinhas, que promete contribuir na redução do envio de CO2 à atmosfera.

O projeto, uma parceria entre o grupo brasileiro JB, produtor de etanol no Nordeste, e a empresa See Algae Technology (SAT), da Áustria, contará com investimento de 8 milhões de euros (R$ 19,8 milhões) para montar em Vitória de Santo Antão – a 53 km de Recife — uma fazenda vertical de algas geneticamente modificadas e que vão crescer com a ajuda do sol e de emissões de dióxido de carbono (CO2)

Segunda a empresa, é a primeira vez no mundo que este tipo de combustível será fabricado e comercializado. Atualmente, a tecnologia só é desenvolvida para fins científicos. Laboratórios dos Estados Unidos e até mesmo do Brasil já pesquisam a respeito.

No caso da usina pernambucana, o biocombustível será produzido com a ajuda do carbono proveniente da produção de etanol, evitando que o gás poluente seja liberado na atmosfera e reduzindo os efeitos da mudança climática.

De acordo com Rafael Bianchini, diretor da SAT no Brasil, a unidade terá capacidade de produzir 1,2 milhão de litros de biodiesel ou 2,2, milhões de litros de etanol ao ano a partir de um hectare de algas plantadas.

O produto resultante poderá substituir, por exemplo, o biodiesel de soja, dendê, palma ou outros itens que podem ser utilizados na indústria alimentícia aplicado no diesel — atualmente 5% do combustível é biodiesel.

“É uma reciclagem [do CO2 emitido] e transformação em combustível. Um hectare de algas consome 5 mil toneladas de dióxido de carbono ao ano. O CO2, que é o vilão do clima, passa a ser matéria-prima valorizada”, explica Bianchini.

Mas como funciona?
Em vez de criações de algas expostas, a SAT planeja instalar módulos fechados com até cinco metros de altura que vão receber por meio de fibra óptica a luz do sol (capturada por placas solares instaladas no teto da usina). Além disso, há a injeção de CO2 resultante do processo de fabricação do etanol de cana.

De acordo com Carlos Beltrão, diretor-presidente do grupo JB, a previsão é que projeto comece a funcionar a partir de 2014 e seja replicado para outra unidade, instalada em Linhares, no Espírito Santo. “Hoje nossa missão é tentar trabalhar e chegar ao carbono zero. Nós produzimos CO2 suficiente para multiplicar esse investimento em dez vezes”, disse Beltrão.

O biocombustível de algas ainda precisa ser aprovado e validado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Bioquímicos
Além dos combustíveis, outros produtos resultantes do processamento de algas marinhas geneticamente modificadas são os bioquímicos como o ácido graxo ômega 3, utilizados pela indústria alimentícia e de cosméticos

O ômega 3, que contribui para reduzir os níveis de colesterol no corpo humano e combate inflamações, é normalmente encontrado em óleos vegetais ou em peixes.

Com a extração desse ácido das algas processadas e comercialização com empresas brasileiras, Bianchini espera contribuir com a redução da pesca de espécies marinhas que já sofrem com o impacto das atividades predatórias. “Seria uma alternativa para reduzir a sobrepesca e também para não haver mais dependência somente do peixe”, disse.

Alga genéticamente modificada (Foto: Divulgação/See Algae Technology)

Bioquímicos de algas geneticamente modificadas ajudam a reduzir as emissões de carbono para a atmosfera (Foto: Divulgação/See Algae Technology)

Fonte: Globo Natureza


29 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Quanto tempo levou para a Terra se recuperar da maior extinção em massa?

Imagem: Mater Natura

250 milhões de anos atrás, a crise do fim do período Permiano atingiu a Terra. Foi o pior desastre do tipo: a maior extinção em massa do nosso planeta, que nos fez perder 90% das espécies (estimativas chegam a dizer que até 99% da vida na Terra se extinguiu).

Alguns acreditam que a causa dessa extinção foi o impacto de um meteorito ou uma atividade vulcânica. Outros pesquisadores dizem que a crise desencadeou uma série de choques físicos ambientais, como o aquecimento global, a chuva ácida, a acidificação do oceano e a anoxia (ausência de oxigênio) dos oceanos. A conclusão, de qualquer forma, é de que esse desastre alterou a composição do ar radicalmente no planeta.

A intensidade dessa crise, e crises sucessivas, fizeram com que levasse cerca de 10 milhões de anos para a vida na Terra se recuperar, de acordo com um novo estudo feito por Zhong-Qiang Chen, da Universidade de Geociências em Wuhan, China, e Michael Benton, da Universidade de Bristol, Reino Unido.

Nós, seres humanos, já causamos a extinção de espécies do planeta. Durante o nosso “mandato”, estimativas sugerem que dizimamos cerca de mil espécies de animais. Como existem (de que temos conhecimento) cerca de 8 milhões de espécies vivas hoje, isso significa que, mesmo de acordo com as estimativas mais pessimistas, acabamos com 0,01% de toda a vida animal.

Isso certamente não é motivo de orgulho, mas é muito pouco quando comparado com as grandes extinções da natureza. A comparação serve para você entender a gravidade da situação; nesse cenário, será que 10 milhões de anos foi muito tempo para tal recuperação?

A crise principal foi dramática o suficiente, mas cinco a seis milhões de anos após o desastre, o mundo continuou enfrentando condições péssimas para a existência da vida, como crises repetidas de carbono e de oxigênio, além de aquecimento global.

Essas condições não propícias impediram que os cerca de 10% das espécies sobreviventes se recuperassem rápido. Alguns até conseguiram se recuperar de forma relativamente rápida, mas a formação de sistemas complexos permanentes só foi possível após cerca de cinco milhões de anos.

Passada a gravidade dessas crises ambientais, novos grupos de animais surgiram no mar, como caranguejos, lagostas e répteis marinhos, que formaram a base dos futuros ecossistemas modernos.

Aquecimento global, chuva ácida, acidificação dos oceanos… Esses não são termos estranhos para nós, não é? Se tudo isso foi capaz de dizimar no mínimo 90% das espécies da Terra no passado, o que impede de isso acontecer de novo?

“As causas da morte das espécies – o aquecimento global, a chuva ácida, a acidificação dos oceanos – soam estranhamente familiares para nós hoje. Talvez possamos aprender alguma coisa com estes acontecimentos antigos”, disse o professor britânico Benton.

E é melhor aprendermos mesmo, a não ser que estejamos dispostos a esperar mais 10 milhões de anos por uma segunda chance.

Fonte: Mater Natura


15 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Governo lança plano para compensar emissões de gases da Rio+20

Governo lançou estratégia nesta quinta, no Riocentro.
Emissões são medidas seguindo padrões internacionais.

O governo brasileiro divulgou nesta quinta-feira (14), no Riocentro, no Rio de Janeiro, um plano que vai compensar as emissões de gases de efeito estufa provenientes da Rio+20, como forma de reduzir o impacto ambiental da conferência, que teve início oficialmente nesta quarta-feira.

De acordo com o governo, a “Estratégia Nacional de compensação de emissões de gases de efeito estufa” englobará a realização de um inventário para mensurar os gases provenientes da Rio+20 e seguirá padrões internacionais. Além disso, todos os participantes poderão doar online o equivalente às suas emissões em deslocamentos na Conferência. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, fez a sua doação no Riocentro.

Para evitar uma quantidade maior de impacto ambiental, o Comitê Nacional de Organização da Rio+20 já seguiu a recomendação do decreto brasileiro que prevê compras públicas sustentáveis, assinado no último dia 5 de junho pela presidente Dilma Rousseff.

Ainda segundo o ministério das Relações Exteriores, gastos de recursos hídricos, produção de resíduos sólidos, energia e queima de combustível fóssil com transportes terrestres durante a conferência terão suas emissões compensadas por meio do mercado de crédito de carbono, inserido no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), instrumento do Protocolo de Kyoto.

Protocolo de Kyoto é um acordo global para reduzir a emissão de gases estufa, como o dióxido de carbono, com o objetivo de conter o avanço das mudanças climáticas. O mercado de créditos de carbono foi criado dentro de um instrumento do protocolo chamado “Mecanismo de Desenvolvimento Limpo” (MDL) e permite a países desenvolvidos (como os europeus) comprar toneladas de CO2 que não foram emitidas por países em desenvolvimento (como o Brasil) graças à implantação de tecnologias limpas em diferentes áreas. Um crédito de carbono equivale a uma tonelada não-emitida.

Ministro Antônio Patriota recebe certificado por ter compensado emissões de gases (Foto: Alexandre Durão/G1)

Ministro Antônio Patriota recebe certificado por ter compensado emissões de gases (Foto: Alexandre Durão/G1)

Fonte: Globo Natureza


5 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Projeto brasileiro reproduz ambiente marinho em tanque;

Um cercadinho à beira-mar dentro de um parque aquático, rodeado por toboáguas e perto de uma piscina de ondas, pode passar despercebido pelos visitantes. Mas um olhar mais atento revela que ali se faz ciência de ponta.

O chamado Mesocosmo Marinho funciona como uma máquina do tempo, simulando condições do ambiente para ver como a natureza –especialmente os corais– irão reagir às mudanças causadas pelo aquecimento global.

“É um ambiente intermediário entre a natureza e o laboratório. Embora algumas condições dos experimentos possam ser bastante controladas, o material está exposto a praticamente tudo o que acontece no ambiente natural”, explica Clovis Castro, coordenador do programa Coral Vivo e professor do Museu Nacional da UFRJ.

O projeto, patrocinado pela Petrobras, funciona em um espaço cedido pelo Eco Parque, parque aquático em Arraial D’Ajuda (sul da Bahia), que tem uma das maiores diversidades de corais do país.

São 16 tanques de experimento que tentam reproduzir com alta fidelidade a dinâmica de eventos na vida marinha. A água, por exemplo, é captada em uma região com grande presença de corais e transportada por uma tubulação subterrânea.

Além disso, cada tanque tem um sistema que mimetiza as correntes marinhas, fazendo a água correr em várias direções. Os experimentos ficam expostos à chuva e ao sol, como na natureza.

Pelos estudos até agora, as previsões são desanimadoras para os recifes de corais.

Na primeira rodada de experimentos, há cerca de dois meses, os cientistas verificaram o que aconteceria às principais espécies de corais do nosso litoral em quatro cenários de elevação das temperaturas propostos pelo IPCC (painel de mudanças climáticas da ONU).

Foi verificado que, quanto maior o aumento, piores os danos. Com mais de 1ºC, já se nota o branqueamento dos corais, causado pela expulsão das algas que têm com eles uma relação simbiótica. Isso prejudica a alimentação dos corais e os deixa mais vulneráveis. Com mais de 4ºC, os corais chegam a morrer.

“É uma ameaça séria. O Brasil tem as únicas formações relevantes de recifes de corais do Atlântico Sul, e mais da metade das espécies só existe aqui”, avalia Castro.

Felizmente, diz o pesquisador, há indícios de que os corais brasileiros têm grande capacidade de recuperação, se as condições ambientais voltarem à normalidade.

A próxima rodada estudará o impacto da acidificação dos oceanos causada pelas emissões de carbono. A cada novo ciclo de estudos, a equipe do Coral Vivo abre uma espécie de chamada para receber projetos de pesquisa.

“Temos uma margem grande para a adaptação do mesocosmo a vários experimentos. Podemos fazer coisas importantes aqui”, diz Gustavo Duarte, gerente de projetos.

Recifes de corais do projeto Coral Vivo, no sul da Bahia

Recifes de corais do projeto Coral Vivo, no sul da Bahia

Acesse http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1099954-projeto-brasileiro-reproduz-ambiente-marinho-em-tanque-veja-como.shtml e veja como funciona o projeto.

Fonte: Folha.com


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