18 de janeiro de 2012 | nenhum comentário »

Consórcio diz ter iniciado as obras de Belo Monte no leito do rio Xingu

O consórcio Norte Energia informou nesta terça-feira (17) que deu início às obras no leito do rio Xingu para a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.

Segundo o consórcio, a obra consiste na construção de uma ensecadeira – pequena barragem provisória, feita com terra e rochas e sem uso de concreto – na margem esquerda do rio, entre a Ilha do Forno e a Ilha Pimental.

A ensecadeira tem 500 metros de extensão, o que equivale a 15% da medida total da barragem definitiva, que terá 6,8 quilômetros. Esta barragem vai permitir que outras obras sejam executadas no leito do rio sem que o fluxo de água seja interrompido.

De acordo com a Norte Energia, a ensecadeira faz parte da primeira etapa de obras no sítio Pimental que vão permitir o acesso de máquinas à área onde será instalada a casa de força suplementar da hidrelétrica de Belo Monte, com capacidade para gerar 233,1 MW. Depois de concluída, a usina de Belo Monte será a segunda maior hidrelétrica do país, atrás somente da binacional Itaipu.

O consórcio informou ainda que as obras no leito do rio Xingu estão de acordo com as determinações da licença de instalação emitida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Em nota, destaca ainda que já encerrou as negociações para a retirada dos moradores da comunidade de São Pedro, a mais próxima do local. Todas as famílias devem deixar a região até o final deste mês, diz a Norte Energia.

Justiça – Em dezembro do ano passado, a Justiça Federal do Pará revogou uma liminar concedida pela própria instituição em setembro e que determinava a paralisação parcial imediata da obra da Hidrelétrica de Belo Monte.

A liminar que barrava as obras atendia a pedido da Associação dos Criadores e Exportadores de Peixes Ornamentais de Altamira (Acepoat), cujos integrantes trabalham na região da futura usina, e proibia a Norte Energia de fazer qualquer alteração no leito do Rio Xingu.

De acordo a sentença proferida pelo juiz federal Carlos Eduardo Castro Martins, , na ocasião, a pesca de peixes ornamentais “não será afetada pois o curso d’água não será alterado e não haverá grande variação na vazão por segundo, sem grandes influências, portanto, no habitat das espécies ornamentais de pesca permitida”.

Ainda segundo o magistrado, os impactos ambientais só serão percebidos quando a construção for concluída, já que os estudos feitos sobre o tema são apenas previsões.

Polêmica – Considerada uma das principais obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, Belo Monte gerou um debate na sociedade brasileira, que demonstrou protestos à construção diversas vezes neste ano.

Em novembro, um grupo de artistas criou um vídeo, com pouco mais de cinco minutos, que apontava motivos para a extinção do projeto. A peça é parte da campanha “Movimento Gota d´água”, que conta ainda com um abaixo-assinado que seria entregue à presidente Dilma Rousseff.

Outra manifestação é o documentário “Belo Monte, anúncio de uma guerra”, idealizado e produzido por André D’Elia, que há dois anos visita a região de floresta amazônica para a realização de entrevistas com moradores de cidades próximas ao canteiro de obras da usina, como Altamira e Vitória do Xingu. O vídeo está previsto para ser lançado inicialmente na internet em meados de março, mas com planos de exibição nos cinemas.

Fonte: G1


29 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Multa à Chevron por vazamento de óleo é irrisória, diz Ibama

O presidente do Ibama, Curt Trennepohl, afirmou nesta terça-feira que a multa de R$ 50 milhões aplicada à Chevron pelo vazamento de óleo no campo de Frade é irrisória para recuperar danos causados ao meio ambiente.

“A multa administrativa de R$ 50 milhões é pequena, não tem finalidade indenizatória. Ela tem finalidade pedagógica, dissuasória, e não garante a recomposição do dano causado ao meio ambiente”, disse, durante audiência pública no Senado sobre o acidente.

Trennepohl afirmou que possivelmente haverá mais autuações à petroleira americana. Em dois dias, o órgão ambiental deve concluir a análise do cumprimento do plano de emergência individual da empresa. Se verificado que não seguiu a sequência de práticas de emergência descrita no plano, poderá ser multada em mais R$ 10 milhões.

Ainda há a chance de cobrar mais R$ 50 milhões por danos ambientais. A primeira autuação não se refere à legislação ambiental, mas à lei do óleo, pelo vazamento em si, explicou.

“Um grupo de trabalho está analisando a hipótese mais um auto de infração com base na legislação ambiental”, disse o presidente. Segundo ele, apesar de nenhum peixe ou ave ter morrido, derramamentos de óleo podem trazer resultados negativos em longo prazo, por isso a necessidade de um grupo técnico para mensurar os danos.

Trennepohl reconheceu o baixo valor das multas previstas na legislação brasileira, e criticou a dificuldade de conseguir uma indenização nesses casos. Segundo ele, é necessário que o Ministério Público Federal entre com uma ação civil pública para tentar uma indenização capaz de cobrir os danos ambientais.

A Chevron não enviou nenhum de seus presidentes para a audiência. O representante da empresa, Luiz Alberto Bastos, reforçou que o vazamento está controlado, que há apenas a liberação de óleo residual.

Bastos afirmou que a empresa cumpriu à risca o plano de emergência individual, e que vai analisar os detalhes do acidente para compartilhar essas informações com o setor.

Editoria de Arte/Folhapress

Fonte: Folha.com


29 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Pode faltar alimento para abastecer população mundial até 2050, diz ONU

Degradação do solo e de recursos hídricos ameaçam agricultura no planeta.
Relatório afirma que produção de alimentos tem que crescer rapidamente.

A rápida expansão populacional, a mudança climática e a degradação dos recursos hídricos e fundiários devem tornar o mundo mais vulnerável à insegurança alimentar, com o risco de não ser possível alimentar toda a população até 2050, disse a FAO (agência daONU para alimentação e agricultura) nesta segunda-feira (28).

Nas próximas quatro décadas a população mundial deve saltar de 7 para 9 bilhões de pessoas, e para alimentá-las seria preciso uma produção adicional de 1 bilhão de toneladas de cereais e 200 milhões de toneladas de carne por ano.

A introdução da agricultura intensiva nas últimas décadas ajudou a alimentar milhões de famintos, mas muitas vezes levou à degradação da terra e dos produtos hídricos, segundo a FAO.

“Esses sistemas em risco podem simplesmente não ser capazes de contribuir conforme o esperado para atender às demandas humanas até 2050″, disse o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf. “As consequências em termos de fome e pobreza são inaceitáveis. Ações paliativas precisam ser tomadas agora.”

Degradação do solo
Segundo o relatório, intitulado “Estado dos Recursos Hídricos e Fundiários do Mundo para a Alimentação e a Agricultura”, um quarto das terras aráveis do mundo está altamente degradada, 8% está moderadamente degradada, 36% ligeiramente degradada ou estável e apenas 10% apresentou alguma melhora.

A escassez de água também vem se agravando, devido a problemas de salinização e poluição dos lençóis freáticos e de degradação de rios, lagos e outros ecossistemas hídricos. O uso da terra para fins industriais e urbanos também agrava o problema alimentar mundial.

De acordo com a FAO, cerca de 1 bilhão de pessoas estão atualmente desnutridas, sendo 578 milhões na Ásia e 239 milhões na África Subsaariana. Nos países em desenvolvimento, mesmo que a produção agrícola dobre até 2050, 5% da população continuaria desnutrida (370 milhões de pessoas).

Para que a fome e a insegurança alimentar recuem, a produção de alimentos precisaria crescer num nível superior ao da população. Isso, acrescenta o relatório, teria de ocorrer principalmente nas áreas já utilizadas para a agricultura, com um uso mais intensivo e sustentável da terra e da água.

Seca no Rio Negro, em 2010, um dos principais afluentes do Rio Amazonas (Foto: Euzivaldo Queiroz/A Crítica/Reuters)

Seca no Rio Negro, em 2010, um dos principais afluentes do Rio Amazonas (Foto: Euzivaldo Queiroz/A Crítica/Reuters)

Fonte: Reuters


22 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Para técnicos, óleo no PR não têm relação com acidente no Rio

A ANP (Agência Nacional do Petróleo) e o IAP (Instituto Ambiental do Paraná) descartaram nesta segunda-feira (21) a ligação entre manchas de óleo encontradas no Paraná e o vazamento de petróleo na bacia de Campos, no Rio.

As manchas, que tinham aproximadamente o tamanho de uma moeda de dez centavos, apareceram na sexta-feira (18), em Pontal do Paraná (96 km de Curitiba).

Técnicos do IAP tentaram sair de barco para analisar o material no sábado, mas não conseguiram, devido a uma forte chuva. Outra vistoria foi marcada para esta segunda-feira, mas as manchas não estavam mais visíveis.

Mesmo assim, a possibilidade de relação com o acidente no RJ foi descartada após análises das correntes marítimas e a constatação de que não houve registro de manchas no litoral de São Paulo.

A origem das manchas ainda é desconhecida. Entre as hipóteses levantadas pelo instituto está a de que o óleo tenha vazado de um navio, já que o porto de Paranaguá fica a poucos quilômetros do balneário.

Até a tarde desta segunda-feira, não haviam sido registrados impactos ambientais ou mortandade de animais.

Fonte: Folha.com


7 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Site reúne imagens de ‘beleza’ em degradação ambiental

Fotos denunciam devastação ambiental retratando vazamento de petróleo da BP e resíduos industriais.

O fotógrafo americano J. Henry Fair reuniu em um site algumas de suas famosas fotos aéreas mostrando a “beleza” causada por devastação do meio ambiente.

Reunidas na exposição digital “Industrial Scars”, a poluição é exposta de grande escala, com cores vivas que transformam uma paisagem destruída em um espetáculo de cores e texturas.

O fotógrafo, que é de Nova York, tenta atrair as pessoas para a questão da destruição do meio ambiente através da beleza das imagens. Fair afirma que, inicialmente, fotografou coisas “feias”, com a intenção de simplesmente jogar o questionamento sobre estética para as pessoas.

“Com o tempo, comecei a fotografar todas estas coisas de forma a transformá-las em algo simultaneamente belo e assustador”, escreveu o fotógrafo no site da mostra digital (http://www.industrialscars.com/).

O objetivo de Fair é atrair as pessoas com a beleza das imagens para que elas queiram aprender mais sobre o que cada uma mostra.

As imagens mostram rios poluídos retratados como vasos sanguíneos em meio a uma paisagem tomada pelo enxofre, resíduos de herbicidas que invadem a paisagem como uma camada de algas na água e até o vazamento de petróleo da plataforma Deepwater Horizon, no Golfo do México.

As fotos estão no livro “The Day After Tomorrow: Images of Our Earth in Crisis”, publicado pela powerHouse Books.

Devastação (Foto: J. Henry Fair 2011/BBC)

Imagem aérea de degradação ambiental tenta alertar população sobre o impacto das atividades humanas no meio ambiente. Acima, as cinzas que sobram de uma usina de energia a carvão na Louisiana, nos Estados Unidos (Foto: J. Henry Fair 2011/BBC)

Em outra fotografia, linha vermelha representa rio poluído (Foto: J. Henry Fair 2011/BBC)

Em outra fotografia, linha vermelha representa rio poluído em meio a enxofre no Canadá (Foto: J. Henry Fair 2011/BBC)

As cores da imagem acima são devido aos resíduos de bauxita, vindos da produção de alumínio em Darrow, Louisiana (Foto: J. Henry Fair 2011/BBC)

As cores da imagem acima são devido aos resíduos de bauxita, vindos da produção de alumínio em Darrow, Louisiana (Foto: J. Henry Fair 2011/BBC)

Esta imagem aérea feita no Golfo do México mostra o vazamento da plataforma Deepwater Horizon, que explodiu em abril de 2010 e causou um dos maiores vazamentos de petróleo da história (Foto: J. Henry Fair 2011/BBC)

Esta imagem aérea feita no Golfo do México mostra o vazamento da plataforma Deepwater Horizon, que explodiu em abril de 2010 e causou um dos maiores vazamentos de petróleo da história (Foto: J. Henry Fair 2011/BBC)

Parecem células, mas é uma usina química perto de Nova Orleans que fabrica substâncias usadas em cosméticos, embalagens plásticas e aditivos para tintas. (Foto: J. Henry Fair 2011/BBC)

Parecem células, mas é uma usina química perto de Nova Orleans que fabrica substâncias usadas em cosméticos, embalagens plásticas e aditivos para tintas (Foto: J. Henry Fair 2011/BBC)

Fonte: Da BBC, Brasil


17 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Nova Zelândia tenta resgatar navio cargueiro que vaza óleo

Embarcação de bandeira liberiana está encalhada há nove dias.
Empresa de salvamento espera poder bombear combustível que resta.

Equipes de emergência se apressavam nesta sexta-feira (14) para retomar o bombeamento do petróleo do navio cargueiro danificado que quase se rompeu em dois próximo à costa da Nova Zelândia, enquanto empresas envolvidas começaram a avaliar os custos do pior desastre ambiental em décadas no país.

O navio Rena, de bandeira liberiana, está encalhado há nove dias em um recife, a 22 quilômetros de Tauranga, na costa leste da Ilha Norte da Nova Zelândia, vazando cerca de 300 toneladas de óleo pesado tóxico e perdendo alguns de suas centenas de contêineres, que caíram no mar.

Autoridades disseram que o navio de 236 metros de comprimento estava em uma posição precária, e equipes de salvamento estavam se preparando para abrir buracos na popa para chegar aos tanques que armazenam mais de mil toneladas de combustível.

“O que está mantendo o navio estável no momento é o fato de que ele está deitado sobre o recife, e também algumas estruturas internas, as escadas internas, os dutos e estruturas semelhantes dentro do navio”, disse o porta-voz da Marinha neozelandesa, Andrew Berry, durante reunião com os moradores locais.

As equipes estão trabalhando para instalar equipamentos e plataformas na parte superior da popa do navio de 47.230 toneladas, que está inclinado em até 25 graus, por isso há uma superfície nivelada para trabalharem.

“Ainda existe um pouco de esperança… talvez eles consigam começar a bombear o petróleo amanhã, mas não podemos determinar o tempo que levará para as coisas; esse navio é muito, muito perigoso”, disse Matthew Watson da empresa de salvamento Svitzer.

Segundo ele, os vazamentos de petróleo do navio diminuíram e havia “um nível razoável de confiança” de que os tanques na popa estavam intactos e que assim permaneceriam.

O petróleo chegou à costa, muito frequentada por surfistas e pescadores, afetando um trecho de 60 quilômetros ao longo do litoral do país.

As condições climáticas e do mar estavam favoráveis, mas a expectativa é que os ventos se intensifiquem e possam obrigar a saída das equipes que estão trabalhando no navio, que já perdeu 88 de seus 1.380 contêineres.

Estima-se que mil  trabalhadores, incluindo soldados, especialistas em fauna selvagem e moradores, estavam nas praias retirando petróleo que vazou do navio.

Contêiner do navio Rena chega a praia próxima de Tauranga. (Foto: AFP)

Contêiner do navio Rena chega a praia próxima de Tauranga. (Foto: AFP)

Fonte: Da Reuters


26 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

“Desertificação avança no mundo, mas ainda é possível agir”, diz secretário-geral da ONU

Para Ban Ki-moon, políticas públicas podem deter o crescimento dos desertos

Cena comum: mulheres retiram água de poço no estado indiano do Rajastão, que tem parte do território coberto por desertos

Cena comum: mulheres retiram água de poço no estado indiano do Rajastão, que tem parte do território coberto por desertos (Latinstock)

A desertificação ganha terreno no mundo, mas não é uma fatalidade e pode ser revertida de acordo com a política adotada pelos governos, afirmou nesta terça-feira o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em reunião durante a Assembleia Geral anual das Nações Unidas, realizada em Nova York.

“Por que permitir a deterioração destas terras áridas?”, questionou o secretário-geral da ONU em seu discurso. “Tomemos hoje a iniciativa de reverter a tendência. Contrariamente a uma percepção muito disseminada, nem todas as terras áridas são estéreis”, disse Ban Ki-moon. “Uma ação oportuna da nossa parte pode liberar estas riquezas e aportar soluções”, acrescentou o chefe da ONU.

Em seu discurso, Ban Ki-Moon apresentou certos casos bem-sucedidos, entre eles a restauração de antigos terraços nos Andes do Peru ou a plantação de árvores para conter o avanço das dunas do Saara. “Há exemplos em todos os continentes de governos que revertem a tendência à desertificação e melhoram a produtividade das terras”, disse Ban.

Segurança alimentar — Cerca de 40% das terras do mundo são áridas ou semi-áridas. A cada ano são perdidos 12 milhões de hectares de terras produtivas, segundo a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (CNUCD). Dois bilhões de pessoas dependem destes solos para a sua subsistência. A cada minuto são perdidos 23 hectares de terras produtivas por causa da degradação, uma superfície que daria para produzir 20 milhões de toneladas de cereais, segundo a CNUD.

O presidente da Assembleia Geral da ONU, Nassir Abdulaziz Al-Nasser, insistiu no fato de que a desertificação traz à tona a questão da segurança alimentar, de que é exemplo o leste da África. “O custo humano e econômico da desertificação é enorme”, advertiu.

Segundo a ONU, a questão da desertificação abarca o desaparecimento de terras onde as populações tinham a capacidade de plantar ou criar gado e que se tornaram áreas áridas. São regiões onde vivem 2,3 bilhões de pessoas de quase 100 países.

Fonte: Veja Ciência


24 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Desmatamento da Amazônia Legal cai 40% em julho, segundo Imazon

Comparação é em relação ao mesmo mês do ano passado.
Ainda assim, em 12 meses, floresta perdeu área similar à da cidade de SP.

O desmatamento na Amazônia Legal em julho de 2011 caiu 40% em comparação ao mesmo mês de 2010, mas nos últimos 12 meses a devastação do bioma cresceu 9%, de acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que faz um monitoramento paralelo ao oficial da cobertura florestal da região.

Segundo os dados divulgados nesta terça-feira (23), no mês passado a floresta perdeu uma área de 93 km², cinco vezes o tamanho da Ilha de Fernando de Noronha. Deste total, 41% ocorreu no Pará, seguido de Mato Grosso (23%), Rondônia (18%) e Amazonas (14%).

A queda no desmatamento também foi percebida pelo sistema de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em julho passado, 224,9 km² de floresta foram derrubados na região no período, número 54% menor que o índice do mesmo mês de 2010.

Mapa produzido pelo Imazon mostra em vermelho os pontos de desmatamento detectados pelos técnicos do instituto no mês de junho (Foto: Divulgação/Imazon)

Mapa produzido pelo Imazon mostra em vermelho os pontos de desmatamento detectados pelos técnicos do instituto no mês de junho (Foto: Divulgação/Imazon)

De acordo com a pesquisadora Sanae Hayashi, do Imazon, o Pará foi o estado que mais apresentou decréscimo no último mês (queda de 51% na devastação), seguido de Mato Grosso (redução de 40%).

“Desde que foi detectado o avanço na destruição da floresta (em meados de março e abril), sentimos uma desaceleração no ritmo do desmatamento. Operações federais e programas que combatem a pecuária em áreas ilegais e a venda de madeira extraída de forma clandestina parecem ter dado algum resultado”, disse.

Balanço anual
No acumulado do ano (medição feita entre agosto/2010 a julho/2011), a floresta amazônica perdeu um total de 1.627 km², área maior que o tamanho da cidade de São Paulo. O montante é 9% superior ao número detectado pelo Imazon entre agosto/2009 e julho/2010.

Entretanto, a pesquisadora da organização ambiental alerta que os números de devastação poderão ser maiores. A confirmação ocorrerá apenas em meados de outubro, com os dados do Prodes, divulgados pelo Inpe e utilizados pelo Ministério do Meio Ambiente como dados oficiais.

No período de agosto/2009 a julho/2010, o Prodes identificou a perda de 6.451 km² de cobertura vegetal da Amazônia. “A nossa expectativa é que ocorra aumento. O governo tem que abrir os olhos e continuar com a fiscalização pesada, principalmente nestes meses de seca na Amazônia e com grande ocorrência de queimadas”, disse Sanae.

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


24 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Área equivalente à cidade de Natal pode ser desmatada por Belo Monte

Hidrelétrica no Pará será a segunda maior do país em geração de energia.
Até 175 km² de florestas serão suprimidos; empreendedor promete replantio.

Árvores derrubadas para alargamento de estrada que dá acesso aos acampamentos e à Transamazônica (Foto: Mariana Oliveira / G1)

Árvores derrubadas para alargamento de estrada que dá acesso aos acampamentos dos trabalhadores da usina e à Transamazônica (Foto: Mariana Oliveira / G1)

A obra da hidrelétrica de Belo Monte é a maior em andamento no Brasil. A usina será a segunda do país em capacidade de geração de energia, atrás apenas da binacional Itaipu. O governo diz que Belo Monte é essencial para suprir a demanda energética do país em razão do crescimento econômico e, por isso, persiste na construção da usina apesar de todos os questionamentos dos impactos socioambientais.

A constução da hidrelétrica foi autorizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) mesmo sem os dados precisos do tamanho da área que será desmatada. A Norte Energia, empresa responsável pela obra – o governo é dono de cerca de 50% da empresa -, diz que ainda está sendo feito um levantamento da área de supressão vegetal e da quantidade de mata que será replantada.

Segundo estimativa de Antonio Neto, gerente de Gestão Ambiental da Norte Energia, podem ser suprimidos entre 30 mil e 35 mil hectares de vegetação (um hectare equivale a 0,01 km²), dos quais entre 40% e 50% são florestas – o restante são pastos ou áreas já desmatadas.  Isso representa uma área entre 300 km² e 350 km², sendo que entre 120 km² e 175 km² são florestas.

A área a ser desmatada é a soma das obras de infraestrutura na região para que a usina possa ser construída, como abertura de estradas e construção de acampamentos, mais a área que será alagada pelos reservatórios da hidrelétrica.

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Pará foi o estado que mais desmatou em junho. Em relação a maio, houve um aumento de 82,5% na área de desmatamento detectada. No entanto, o instituto não fez nenhuma relação entre o desmatamento e a obra da usina.

Além de tratores, trabalhadores fazem corte da mata manualmente com facões e motosseras (Foto: Mariana Oliveira / G1)

Além do uso de tratores, trabalhadores fazem corte da mata manualmente com facões e motosseras (Foto: Mariana Oliveira / G1)

A Norte Energia afirma que as florestas suprimidas para a construção da usina são “”antropizadas””, ou seja, já sofreram a ação do homem. Ainda de acordo com o gerente da Norte Energia Antonio Neto haverá replantio como compensação.

“Estamos fazendo um inventário florestal justamente para fazer o levantamento de quanto será extinto de floresta. Na verdade, muita dessa área já era pasto. Pode-se ter certeza de estamos tendo o maior cuidado com a vegetação e os animais, e que essa obra tem o componente ambiental acima de qualquer coisa”, afirmou Antonio Neto.

G1 acompanhou o trabalho de derrubada de mata em estrada que dá acesso aos futuros acampamentos de trabalhadores e à Transamazônica, principal rodovia da região. A estrada está sendo ampliada, conforme a Norte Energia, para que caminhões e equipamentos possam passar pelo local.

O desmatamento é feito com tratores e motosserras e também manualmente, com foices e facões. Enquanto a supressão vegetal é realizada, biólogos atuam no local para afugentar os animais para outras áreas de floresta que não serão desmatadas ou resgatá-los para tratamento.

Diariamente, de acordo com o biólogo Flávio Cardoso Poli, são encontrados de 25 a 30 animais nas áreas desmatadas. Os bichos mais capturados são sapos e cobras, mas também foram registrados casos de tatus, tamanduás e bichos-preguiça. “Muito bicho sai só com o barulho, por instinto de sobrevivência. Não registramos nenhum caso de perda de animais”, disse Poli.

Uma das condicionantes determinadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) para a construção da usina foi a construção de uma base de resgate de animais, que está em fase de conclusão pela Norte Energia.

Sociedade civil
Para o empresário Vilmar Soares, que coordena o Fórum Regional de Desenvolvimento Econômico e Socioambiental da Transamazônica e Xingu (Fort Xingu), a área a ser desmatada para a usina não é uma preocupação, uma vez que representa pouco -– cerca de 0,1% – da área de Altamira, o maior município brasileiro em extensão territorial, com quase 160 mil km², cem vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

“A usina vai gerar desmatamento em uma área pequena. E, além disso, vai ser compensado com a geração de energia para o Brasil e o desenvolvimento de Altamira”, diz o empresário.

O procurador da República em Altamira Cláudio Terre do Amaral discorda. Para ele, além da “grande preocupação” com o desmatamento em razão da obra, há ainda o aumento populacional. O MPF tem, em andamento, trezes ações na Justiça contra a obra – 11 ações civis públicas e duas ações de improbidade administrativa.

“Altamira chegou a ser campeã de desmatamento este ano, obviamente por causa de Belo Monte. E esse impacto do projeto sobre o desmatamento era uma das grandes lacunas dos estudos de impacto ambiental, porque não haviam projeções para o crescimento do desmatamento com o fluxo migratório atraído pela obra.”

Conforme o procurador, o MPF tem dados da organização ambiental Imazon que apontam que o desmatamento indireto causado por Belo Monte, “no melhor dos cenários, pode ser de 800 km² e, no pior dos cenários, de mais de 5 mil km²”.

Madeira
Um dos pontos polêmicos relacionados ao desmatamento em Altamira é a destinação da madeira retirada. Conforme a Norte Energia, como concessionária da obra, a empresa é também a dona do material retirado.

“Ainda está sendo estudado o que será feito. A madeira pode ser vendida ou utilizada na obra”, disse Antonio Neto, da Norte Energia.

O Fort Xingu, entidade que reúne empresários da região, diz que é necessário um “debate mais amplo” sobre a destinação da madeira. Uma das opções, sugere a entidade, seria efetivação de parceria com indústrias madeeiras da região, que estão paradas por falta de matéria-prima. “Estas empresas têm capacidade de produzir de forma sustentável, gerando emprego e renda”. A entidade acrescenta ainda que, caso não haja diálogo com a sociedade civil, há risco de “questionamentos das decisões” tomadas pela Norte Energia.

Obra
A hidrelétrica ocupará parte da área de cinco municípios: Altamira, Anapu, Brasil Novo, Senador José Porfírio e Vitória do Xingu. Altamira é a mais desenvolvida dessas cidades e tem a maior população, quase 100 mil habitantes, segundo o IBGE. Os demais municípios têm entre 10 mil e 20 mil habitantes.

Belo Monte custará pelo menos R$ 25 bilhões, segundo a Norte Energia. Há estimativas de que o custo chegue a R$ 30 bilhões. Trata-se de uma das maiores obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma das principais bandeiras do governo federal.

Apesar de ter capacidade para gerar 11,2 mil MW de energia, Belo Monte não deve operar com essa potência. Segundo o governo, a potência máxima só pode ser obtida em tempo de cheia. Na seca, a geração pode ficar abaixo de mil MW. A energia média assegurada é de 4,5 mil MW. Para críticos da obra, o custo-benefício não compensa. O governo contesta e afirma que a energia a ser gerada é fundamental para o país.

“O nosso país é um país que está crescendo. (…) E necessita aproximadamente de 7 mil MW por ano nos próximos dez anos para permitir esse crescimento econômico e o desenvolvimento do nosso país”, disse Altino Ventura, diretor de Planejamento Energético do Ministério do Meio Ambiente.

Programação série Belo Monte quarta (Foto: Editoria de Arte / G1)

Fonte: Mariana Oliveira, G1, Altamira


19 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Mudanças climáticas forçam espécies a migrar mais rápido

As mudanças climáticas parecem estar forçando muitos seres vivos a emigrar para locais mais favoráveis até três vezes mais rapidamente do que se pensava até agora, segundo um estudo publicado esta quinta-feira (18) na revista Science.

Cientistas compilaram estudos anteriores sobre a migração das espécies e os combinaram em uma meta-análise que demonstrou uma clara tendência de movimento rumo a climas mais frios, com migrações mais rápidas nos locais onde o calor é mais intenso.

“Estas mudanças equivalem a um distanciamento de animais e plantas em relação ao Equador de 20 centímetros por hora, a cada hora do dia, durante todos os dias do ano”, disse o responsável pelo projeto, Chris Thomas, professor de Biologia na Universidade de York, no Reino Unido.

“Isto tem acontecido nos últimos 40 anos e vai continuar pelo menos durante o restante deste século”, acrescentou.

O estudo é “um resumo do estado de conhecimento do mundo sobre como as espécies estão respondendo às mudanças climáticas”, explicou a co-autora do trabalho e professora de Ecologia de York, Jane Hill. “Nossa análise mostra que as taxas de resposta às mudanças climáticas são duas ou três vezes mais rápidas do que se pensava”, sustentou.

Os dados provêm de estudos de aves, mamíferos, répteis, insetos, aranhas e plantas em Europa, América do Norte, Chile, Malásia e ilha de Marion, na África do Sul.

Ao agrupar os estudos e analisar seus resultados, os cientistas encontraram pela primeira vez um vínculo entre o aumento da temperatura e a movimentação dos organismos.

“Esta pesquisa mostra que o aquecimento global está fazendo com que as espécies se movam para os polos e para as elevações mais altas”, destacou outro dos autores do estudo, I-Ching Chen, pesquisador da Academia Sinica, em Taiwan.

“Demonstramos pela primeira vez que a mudança na distribuição das espécies se correlaciona com as mudanças do clima nessa região”, afirmou.

Estudos anteriores sugeriram que algumas espécies estão em risco de extinção devido à sua mudança de habitat, mas estes não se aprofundam no tema.

Ao invés disto, os cientistas disseram esperar que a análise dê uma imagem mais precisa das mudanças que acontecem em todo o planeta.

“A comprovação de quão rápido as espécies estão se movimentando devido às mudanças climáticas indica que muitas, de fato, podem estar se encaminhando rapidamente para a extinção onde as condições climáticas estão se deteriorando”, afirmou Thomas. “Por outro lado, outras espécies estão migrando para novas áreas, onde o clima se tornou adequado, de forma que haverá alguns ganhadores e muitos perdedores”, afirmou.

Fonte: Portal iG


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18 de janeiro de 2012 | nenhum comentário »

Consórcio diz ter iniciado as obras de Belo Monte no leito do rio Xingu

O consórcio Norte Energia informou nesta terça-feira (17) que deu início às obras no leito do rio Xingu para a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.

Segundo o consórcio, a obra consiste na construção de uma ensecadeira – pequena barragem provisória, feita com terra e rochas e sem uso de concreto – na margem esquerda do rio, entre a Ilha do Forno e a Ilha Pimental.

A ensecadeira tem 500 metros de extensão, o que equivale a 15% da medida total da barragem definitiva, que terá 6,8 quilômetros. Esta barragem vai permitir que outras obras sejam executadas no leito do rio sem que o fluxo de água seja interrompido.

De acordo com a Norte Energia, a ensecadeira faz parte da primeira etapa de obras no sítio Pimental que vão permitir o acesso de máquinas à área onde será instalada a casa de força suplementar da hidrelétrica de Belo Monte, com capacidade para gerar 233,1 MW. Depois de concluída, a usina de Belo Monte será a segunda maior hidrelétrica do país, atrás somente da binacional Itaipu.

O consórcio informou ainda que as obras no leito do rio Xingu estão de acordo com as determinações da licença de instalação emitida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Em nota, destaca ainda que já encerrou as negociações para a retirada dos moradores da comunidade de São Pedro, a mais próxima do local. Todas as famílias devem deixar a região até o final deste mês, diz a Norte Energia.

Justiça – Em dezembro do ano passado, a Justiça Federal do Pará revogou uma liminar concedida pela própria instituição em setembro e que determinava a paralisação parcial imediata da obra da Hidrelétrica de Belo Monte.

A liminar que barrava as obras atendia a pedido da Associação dos Criadores e Exportadores de Peixes Ornamentais de Altamira (Acepoat), cujos integrantes trabalham na região da futura usina, e proibia a Norte Energia de fazer qualquer alteração no leito do Rio Xingu.

De acordo a sentença proferida pelo juiz federal Carlos Eduardo Castro Martins, , na ocasião, a pesca de peixes ornamentais “não será afetada pois o curso d’água não será alterado e não haverá grande variação na vazão por segundo, sem grandes influências, portanto, no habitat das espécies ornamentais de pesca permitida”.

Ainda segundo o magistrado, os impactos ambientais só serão percebidos quando a construção for concluída, já que os estudos feitos sobre o tema são apenas previsões.

Polêmica – Considerada uma das principais obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, Belo Monte gerou um debate na sociedade brasileira, que demonstrou protestos à construção diversas vezes neste ano.

Em novembro, um grupo de artistas criou um vídeo, com pouco mais de cinco minutos, que apontava motivos para a extinção do projeto. A peça é parte da campanha “Movimento Gota d´água”, que conta ainda com um abaixo-assinado que seria entregue à presidente Dilma Rousseff.

Outra manifestação é o documentário “Belo Monte, anúncio de uma guerra”, idealizado e produzido por André D’Elia, que há dois anos visita a região de floresta amazônica para a realização de entrevistas com moradores de cidades próximas ao canteiro de obras da usina, como Altamira e Vitória do Xingu. O vídeo está previsto para ser lançado inicialmente na internet em meados de março, mas com planos de exibição nos cinemas.

Fonte: G1


29 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Multa à Chevron por vazamento de óleo é irrisória, diz Ibama

O presidente do Ibama, Curt Trennepohl, afirmou nesta terça-feira que a multa de R$ 50 milhões aplicada à Chevron pelo vazamento de óleo no campo de Frade é irrisória para recuperar danos causados ao meio ambiente.

“A multa administrativa de R$ 50 milhões é pequena, não tem finalidade indenizatória. Ela tem finalidade pedagógica, dissuasória, e não garante a recomposição do dano causado ao meio ambiente”, disse, durante audiência pública no Senado sobre o acidente.

Trennepohl afirmou que possivelmente haverá mais autuações à petroleira americana. Em dois dias, o órgão ambiental deve concluir a análise do cumprimento do plano de emergência individual da empresa. Se verificado que não seguiu a sequência de práticas de emergência descrita no plano, poderá ser multada em mais R$ 10 milhões.

Ainda há a chance de cobrar mais R$ 50 milhões por danos ambientais. A primeira autuação não se refere à legislação ambiental, mas à lei do óleo, pelo vazamento em si, explicou.

“Um grupo de trabalho está analisando a hipótese mais um auto de infração com base na legislação ambiental”, disse o presidente. Segundo ele, apesar de nenhum peixe ou ave ter morrido, derramamentos de óleo podem trazer resultados negativos em longo prazo, por isso a necessidade de um grupo técnico para mensurar os danos.

Trennepohl reconheceu o baixo valor das multas previstas na legislação brasileira, e criticou a dificuldade de conseguir uma indenização nesses casos. Segundo ele, é necessário que o Ministério Público Federal entre com uma ação civil pública para tentar uma indenização capaz de cobrir os danos ambientais.

A Chevron não enviou nenhum de seus presidentes para a audiência. O representante da empresa, Luiz Alberto Bastos, reforçou que o vazamento está controlado, que há apenas a liberação de óleo residual.

Bastos afirmou que a empresa cumpriu à risca o plano de emergência individual, e que vai analisar os detalhes do acidente para compartilhar essas informações com o setor.

Editoria de Arte/Folhapress

Fonte: Folha.com


29 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Pode faltar alimento para abastecer população mundial até 2050, diz ONU

Degradação do solo e de recursos hídricos ameaçam agricultura no planeta.
Relatório afirma que produção de alimentos tem que crescer rapidamente.

A rápida expansão populacional, a mudança climática e a degradação dos recursos hídricos e fundiários devem tornar o mundo mais vulnerável à insegurança alimentar, com o risco de não ser possível alimentar toda a população até 2050, disse a FAO (agência daONU para alimentação e agricultura) nesta segunda-feira (28).

Nas próximas quatro décadas a população mundial deve saltar de 7 para 9 bilhões de pessoas, e para alimentá-las seria preciso uma produção adicional de 1 bilhão de toneladas de cereais e 200 milhões de toneladas de carne por ano.

A introdução da agricultura intensiva nas últimas décadas ajudou a alimentar milhões de famintos, mas muitas vezes levou à degradação da terra e dos produtos hídricos, segundo a FAO.

“Esses sistemas em risco podem simplesmente não ser capazes de contribuir conforme o esperado para atender às demandas humanas até 2050″, disse o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf. “As consequências em termos de fome e pobreza são inaceitáveis. Ações paliativas precisam ser tomadas agora.”

Degradação do solo
Segundo o relatório, intitulado “Estado dos Recursos Hídricos e Fundiários do Mundo para a Alimentação e a Agricultura”, um quarto das terras aráveis do mundo está altamente degradada, 8% está moderadamente degradada, 36% ligeiramente degradada ou estável e apenas 10% apresentou alguma melhora.

A escassez de água também vem se agravando, devido a problemas de salinização e poluição dos lençóis freáticos e de degradação de rios, lagos e outros ecossistemas hídricos. O uso da terra para fins industriais e urbanos também agrava o problema alimentar mundial.

De acordo com a FAO, cerca de 1 bilhão de pessoas estão atualmente desnutridas, sendo 578 milhões na Ásia e 239 milhões na África Subsaariana. Nos países em desenvolvimento, mesmo que a produção agrícola dobre até 2050, 5% da população continuaria desnutrida (370 milhões de pessoas).

Para que a fome e a insegurança alimentar recuem, a produção de alimentos precisaria crescer num nível superior ao da população. Isso, acrescenta o relatório, teria de ocorrer principalmente nas áreas já utilizadas para a agricultura, com um uso mais intensivo e sustentável da terra e da água.

Seca no Rio Negro, em 2010, um dos principais afluentes do Rio Amazonas (Foto: Euzivaldo Queiroz/A Crítica/Reuters)

Seca no Rio Negro, em 2010, um dos principais afluentes do Rio Amazonas (Foto: Euzivaldo Queiroz/A Crítica/Reuters)

Fonte: Reuters


22 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Para técnicos, óleo no PR não têm relação com acidente no Rio

A ANP (Agência Nacional do Petróleo) e o IAP (Instituto Ambiental do Paraná) descartaram nesta segunda-feira (21) a ligação entre manchas de óleo encontradas no Paraná e o vazamento de petróleo na bacia de Campos, no Rio.

As manchas, que tinham aproximadamente o tamanho de uma moeda de dez centavos, apareceram na sexta-feira (18), em Pontal do Paraná (96 km de Curitiba).

Técnicos do IAP tentaram sair de barco para analisar o material no sábado, mas não conseguiram, devido a uma forte chuva. Outra vistoria foi marcada para esta segunda-feira, mas as manchas não estavam mais visíveis.

Mesmo assim, a possibilidade de relação com o acidente no RJ foi descartada após análises das correntes marítimas e a constatação de que não houve registro de manchas no litoral de São Paulo.

A origem das manchas ainda é desconhecida. Entre as hipóteses levantadas pelo instituto está a de que o óleo tenha vazado de um navio, já que o porto de Paranaguá fica a poucos quilômetros do balneário.

Até a tarde desta segunda-feira, não haviam sido registrados impactos ambientais ou mortandade de animais.

Fonte: Folha.com


7 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Site reúne imagens de ‘beleza’ em degradação ambiental

Fotos denunciam devastação ambiental retratando vazamento de petróleo da BP e resíduos industriais.

O fotógrafo americano J. Henry Fair reuniu em um site algumas de suas famosas fotos aéreas mostrando a “beleza” causada por devastação do meio ambiente.

Reunidas na exposição digital “Industrial Scars”, a poluição é exposta de grande escala, com cores vivas que transformam uma paisagem destruída em um espetáculo de cores e texturas.

O fotógrafo, que é de Nova York, tenta atrair as pessoas para a questão da destruição do meio ambiente através da beleza das imagens. Fair afirma que, inicialmente, fotografou coisas “feias”, com a intenção de simplesmente jogar o questionamento sobre estética para as pessoas.

“Com o tempo, comecei a fotografar todas estas coisas de forma a transformá-las em algo simultaneamente belo e assustador”, escreveu o fotógrafo no site da mostra digital (http://www.industrialscars.com/).

O objetivo de Fair é atrair as pessoas com a beleza das imagens para que elas queiram aprender mais sobre o que cada uma mostra.

As imagens mostram rios poluídos retratados como vasos sanguíneos em meio a uma paisagem tomada pelo enxofre, resíduos de herbicidas que invadem a paisagem como uma camada de algas na água e até o vazamento de petróleo da plataforma Deepwater Horizon, no Golfo do México.

As fotos estão no livro “The Day After Tomorrow: Images of Our Earth in Crisis”, publicado pela powerHouse Books.

Devastação (Foto: J. Henry Fair 2011/BBC)

Imagem aérea de degradação ambiental tenta alertar população sobre o impacto das atividades humanas no meio ambiente. Acima, as cinzas que sobram de uma usina de energia a carvão na Louisiana, nos Estados Unidos (Foto: J. Henry Fair 2011/BBC)

Em outra fotografia, linha vermelha representa rio poluído (Foto: J. Henry Fair 2011/BBC)

Em outra fotografia, linha vermelha representa rio poluído em meio a enxofre no Canadá (Foto: J. Henry Fair 2011/BBC)

As cores da imagem acima são devido aos resíduos de bauxita, vindos da produção de alumínio em Darrow, Louisiana (Foto: J. Henry Fair 2011/BBC)

As cores da imagem acima são devido aos resíduos de bauxita, vindos da produção de alumínio em Darrow, Louisiana (Foto: J. Henry Fair 2011/BBC)

Esta imagem aérea feita no Golfo do México mostra o vazamento da plataforma Deepwater Horizon, que explodiu em abril de 2010 e causou um dos maiores vazamentos de petróleo da história (Foto: J. Henry Fair 2011/BBC)

Esta imagem aérea feita no Golfo do México mostra o vazamento da plataforma Deepwater Horizon, que explodiu em abril de 2010 e causou um dos maiores vazamentos de petróleo da história (Foto: J. Henry Fair 2011/BBC)

Parecem células, mas é uma usina química perto de Nova Orleans que fabrica substâncias usadas em cosméticos, embalagens plásticas e aditivos para tintas. (Foto: J. Henry Fair 2011/BBC)

Parecem células, mas é uma usina química perto de Nova Orleans que fabrica substâncias usadas em cosméticos, embalagens plásticas e aditivos para tintas (Foto: J. Henry Fair 2011/BBC)

Fonte: Da BBC, Brasil


17 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Nova Zelândia tenta resgatar navio cargueiro que vaza óleo

Embarcação de bandeira liberiana está encalhada há nove dias.
Empresa de salvamento espera poder bombear combustível que resta.

Equipes de emergência se apressavam nesta sexta-feira (14) para retomar o bombeamento do petróleo do navio cargueiro danificado que quase se rompeu em dois próximo à costa da Nova Zelândia, enquanto empresas envolvidas começaram a avaliar os custos do pior desastre ambiental em décadas no país.

O navio Rena, de bandeira liberiana, está encalhado há nove dias em um recife, a 22 quilômetros de Tauranga, na costa leste da Ilha Norte da Nova Zelândia, vazando cerca de 300 toneladas de óleo pesado tóxico e perdendo alguns de suas centenas de contêineres, que caíram no mar.

Autoridades disseram que o navio de 236 metros de comprimento estava em uma posição precária, e equipes de salvamento estavam se preparando para abrir buracos na popa para chegar aos tanques que armazenam mais de mil toneladas de combustível.

“O que está mantendo o navio estável no momento é o fato de que ele está deitado sobre o recife, e também algumas estruturas internas, as escadas internas, os dutos e estruturas semelhantes dentro do navio”, disse o porta-voz da Marinha neozelandesa, Andrew Berry, durante reunião com os moradores locais.

As equipes estão trabalhando para instalar equipamentos e plataformas na parte superior da popa do navio de 47.230 toneladas, que está inclinado em até 25 graus, por isso há uma superfície nivelada para trabalharem.

“Ainda existe um pouco de esperança… talvez eles consigam começar a bombear o petróleo amanhã, mas não podemos determinar o tempo que levará para as coisas; esse navio é muito, muito perigoso”, disse Matthew Watson da empresa de salvamento Svitzer.

Segundo ele, os vazamentos de petróleo do navio diminuíram e havia “um nível razoável de confiança” de que os tanques na popa estavam intactos e que assim permaneceriam.

O petróleo chegou à costa, muito frequentada por surfistas e pescadores, afetando um trecho de 60 quilômetros ao longo do litoral do país.

As condições climáticas e do mar estavam favoráveis, mas a expectativa é que os ventos se intensifiquem e possam obrigar a saída das equipes que estão trabalhando no navio, que já perdeu 88 de seus 1.380 contêineres.

Estima-se que mil  trabalhadores, incluindo soldados, especialistas em fauna selvagem e moradores, estavam nas praias retirando petróleo que vazou do navio.

Contêiner do navio Rena chega a praia próxima de Tauranga. (Foto: AFP)

Contêiner do navio Rena chega a praia próxima de Tauranga. (Foto: AFP)

Fonte: Da Reuters


26 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

“Desertificação avança no mundo, mas ainda é possível agir”, diz secretário-geral da ONU

Para Ban Ki-moon, políticas públicas podem deter o crescimento dos desertos

Cena comum: mulheres retiram água de poço no estado indiano do Rajastão, que tem parte do território coberto por desertos

Cena comum: mulheres retiram água de poço no estado indiano do Rajastão, que tem parte do território coberto por desertos (Latinstock)

A desertificação ganha terreno no mundo, mas não é uma fatalidade e pode ser revertida de acordo com a política adotada pelos governos, afirmou nesta terça-feira o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em reunião durante a Assembleia Geral anual das Nações Unidas, realizada em Nova York.

“Por que permitir a deterioração destas terras áridas?”, questionou o secretário-geral da ONU em seu discurso. “Tomemos hoje a iniciativa de reverter a tendência. Contrariamente a uma percepção muito disseminada, nem todas as terras áridas são estéreis”, disse Ban Ki-moon. “Uma ação oportuna da nossa parte pode liberar estas riquezas e aportar soluções”, acrescentou o chefe da ONU.

Em seu discurso, Ban Ki-Moon apresentou certos casos bem-sucedidos, entre eles a restauração de antigos terraços nos Andes do Peru ou a plantação de árvores para conter o avanço das dunas do Saara. “Há exemplos em todos os continentes de governos que revertem a tendência à desertificação e melhoram a produtividade das terras”, disse Ban.

Segurança alimentar — Cerca de 40% das terras do mundo são áridas ou semi-áridas. A cada ano são perdidos 12 milhões de hectares de terras produtivas, segundo a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (CNUCD). Dois bilhões de pessoas dependem destes solos para a sua subsistência. A cada minuto são perdidos 23 hectares de terras produtivas por causa da degradação, uma superfície que daria para produzir 20 milhões de toneladas de cereais, segundo a CNUD.

O presidente da Assembleia Geral da ONU, Nassir Abdulaziz Al-Nasser, insistiu no fato de que a desertificação traz à tona a questão da segurança alimentar, de que é exemplo o leste da África. “O custo humano e econômico da desertificação é enorme”, advertiu.

Segundo a ONU, a questão da desertificação abarca o desaparecimento de terras onde as populações tinham a capacidade de plantar ou criar gado e que se tornaram áreas áridas. São regiões onde vivem 2,3 bilhões de pessoas de quase 100 países.

Fonte: Veja Ciência


24 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Desmatamento da Amazônia Legal cai 40% em julho, segundo Imazon

Comparação é em relação ao mesmo mês do ano passado.
Ainda assim, em 12 meses, floresta perdeu área similar à da cidade de SP.

O desmatamento na Amazônia Legal em julho de 2011 caiu 40% em comparação ao mesmo mês de 2010, mas nos últimos 12 meses a devastação do bioma cresceu 9%, de acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que faz um monitoramento paralelo ao oficial da cobertura florestal da região.

Segundo os dados divulgados nesta terça-feira (23), no mês passado a floresta perdeu uma área de 93 km², cinco vezes o tamanho da Ilha de Fernando de Noronha. Deste total, 41% ocorreu no Pará, seguido de Mato Grosso (23%), Rondônia (18%) e Amazonas (14%).

A queda no desmatamento também foi percebida pelo sistema de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em julho passado, 224,9 km² de floresta foram derrubados na região no período, número 54% menor que o índice do mesmo mês de 2010.

Mapa produzido pelo Imazon mostra em vermelho os pontos de desmatamento detectados pelos técnicos do instituto no mês de junho (Foto: Divulgação/Imazon)

Mapa produzido pelo Imazon mostra em vermelho os pontos de desmatamento detectados pelos técnicos do instituto no mês de junho (Foto: Divulgação/Imazon)

De acordo com a pesquisadora Sanae Hayashi, do Imazon, o Pará foi o estado que mais apresentou decréscimo no último mês (queda de 51% na devastação), seguido de Mato Grosso (redução de 40%).

“Desde que foi detectado o avanço na destruição da floresta (em meados de março e abril), sentimos uma desaceleração no ritmo do desmatamento. Operações federais e programas que combatem a pecuária em áreas ilegais e a venda de madeira extraída de forma clandestina parecem ter dado algum resultado”, disse.

Balanço anual
No acumulado do ano (medição feita entre agosto/2010 a julho/2011), a floresta amazônica perdeu um total de 1.627 km², área maior que o tamanho da cidade de São Paulo. O montante é 9% superior ao número detectado pelo Imazon entre agosto/2009 e julho/2010.

Entretanto, a pesquisadora da organização ambiental alerta que os números de devastação poderão ser maiores. A confirmação ocorrerá apenas em meados de outubro, com os dados do Prodes, divulgados pelo Inpe e utilizados pelo Ministério do Meio Ambiente como dados oficiais.

No período de agosto/2009 a julho/2010, o Prodes identificou a perda de 6.451 km² de cobertura vegetal da Amazônia. “A nossa expectativa é que ocorra aumento. O governo tem que abrir os olhos e continuar com a fiscalização pesada, principalmente nestes meses de seca na Amazônia e com grande ocorrência de queimadas”, disse Sanae.

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


24 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Área equivalente à cidade de Natal pode ser desmatada por Belo Monte

Hidrelétrica no Pará será a segunda maior do país em geração de energia.
Até 175 km² de florestas serão suprimidos; empreendedor promete replantio.

Árvores derrubadas para alargamento de estrada que dá acesso aos acampamentos e à Transamazônica (Foto: Mariana Oliveira / G1)

Árvores derrubadas para alargamento de estrada que dá acesso aos acampamentos dos trabalhadores da usina e à Transamazônica (Foto: Mariana Oliveira / G1)

A obra da hidrelétrica de Belo Monte é a maior em andamento no Brasil. A usina será a segunda do país em capacidade de geração de energia, atrás apenas da binacional Itaipu. O governo diz que Belo Monte é essencial para suprir a demanda energética do país em razão do crescimento econômico e, por isso, persiste na construção da usina apesar de todos os questionamentos dos impactos socioambientais.

A constução da hidrelétrica foi autorizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) mesmo sem os dados precisos do tamanho da área que será desmatada. A Norte Energia, empresa responsável pela obra – o governo é dono de cerca de 50% da empresa -, diz que ainda está sendo feito um levantamento da área de supressão vegetal e da quantidade de mata que será replantada.

Segundo estimativa de Antonio Neto, gerente de Gestão Ambiental da Norte Energia, podem ser suprimidos entre 30 mil e 35 mil hectares de vegetação (um hectare equivale a 0,01 km²), dos quais entre 40% e 50% são florestas – o restante são pastos ou áreas já desmatadas.  Isso representa uma área entre 300 km² e 350 km², sendo que entre 120 km² e 175 km² são florestas.

A área a ser desmatada é a soma das obras de infraestrutura na região para que a usina possa ser construída, como abertura de estradas e construção de acampamentos, mais a área que será alagada pelos reservatórios da hidrelétrica.

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Pará foi o estado que mais desmatou em junho. Em relação a maio, houve um aumento de 82,5% na área de desmatamento detectada. No entanto, o instituto não fez nenhuma relação entre o desmatamento e a obra da usina.

Além de tratores, trabalhadores fazem corte da mata manualmente com facões e motosseras (Foto: Mariana Oliveira / G1)

Além do uso de tratores, trabalhadores fazem corte da mata manualmente com facões e motosseras (Foto: Mariana Oliveira / G1)

A Norte Energia afirma que as florestas suprimidas para a construção da usina são “”antropizadas””, ou seja, já sofreram a ação do homem. Ainda de acordo com o gerente da Norte Energia Antonio Neto haverá replantio como compensação.

“Estamos fazendo um inventário florestal justamente para fazer o levantamento de quanto será extinto de floresta. Na verdade, muita dessa área já era pasto. Pode-se ter certeza de estamos tendo o maior cuidado com a vegetação e os animais, e que essa obra tem o componente ambiental acima de qualquer coisa”, afirmou Antonio Neto.

G1 acompanhou o trabalho de derrubada de mata em estrada que dá acesso aos futuros acampamentos de trabalhadores e à Transamazônica, principal rodovia da região. A estrada está sendo ampliada, conforme a Norte Energia, para que caminhões e equipamentos possam passar pelo local.

O desmatamento é feito com tratores e motosserras e também manualmente, com foices e facões. Enquanto a supressão vegetal é realizada, biólogos atuam no local para afugentar os animais para outras áreas de floresta que não serão desmatadas ou resgatá-los para tratamento.

Diariamente, de acordo com o biólogo Flávio Cardoso Poli, são encontrados de 25 a 30 animais nas áreas desmatadas. Os bichos mais capturados são sapos e cobras, mas também foram registrados casos de tatus, tamanduás e bichos-preguiça. “Muito bicho sai só com o barulho, por instinto de sobrevivência. Não registramos nenhum caso de perda de animais”, disse Poli.

Uma das condicionantes determinadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) para a construção da usina foi a construção de uma base de resgate de animais, que está em fase de conclusão pela Norte Energia.

Sociedade civil
Para o empresário Vilmar Soares, que coordena o Fórum Regional de Desenvolvimento Econômico e Socioambiental da Transamazônica e Xingu (Fort Xingu), a área a ser desmatada para a usina não é uma preocupação, uma vez que representa pouco -– cerca de 0,1% – da área de Altamira, o maior município brasileiro em extensão territorial, com quase 160 mil km², cem vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

“A usina vai gerar desmatamento em uma área pequena. E, além disso, vai ser compensado com a geração de energia para o Brasil e o desenvolvimento de Altamira”, diz o empresário.

O procurador da República em Altamira Cláudio Terre do Amaral discorda. Para ele, além da “grande preocupação” com o desmatamento em razão da obra, há ainda o aumento populacional. O MPF tem, em andamento, trezes ações na Justiça contra a obra – 11 ações civis públicas e duas ações de improbidade administrativa.

“Altamira chegou a ser campeã de desmatamento este ano, obviamente por causa de Belo Monte. E esse impacto do projeto sobre o desmatamento era uma das grandes lacunas dos estudos de impacto ambiental, porque não haviam projeções para o crescimento do desmatamento com o fluxo migratório atraído pela obra.”

Conforme o procurador, o MPF tem dados da organização ambiental Imazon que apontam que o desmatamento indireto causado por Belo Monte, “no melhor dos cenários, pode ser de 800 km² e, no pior dos cenários, de mais de 5 mil km²”.

Madeira
Um dos pontos polêmicos relacionados ao desmatamento em Altamira é a destinação da madeira retirada. Conforme a Norte Energia, como concessionária da obra, a empresa é também a dona do material retirado.

“Ainda está sendo estudado o que será feito. A madeira pode ser vendida ou utilizada na obra”, disse Antonio Neto, da Norte Energia.

O Fort Xingu, entidade que reúne empresários da região, diz que é necessário um “debate mais amplo” sobre a destinação da madeira. Uma das opções, sugere a entidade, seria efetivação de parceria com indústrias madeeiras da região, que estão paradas por falta de matéria-prima. “Estas empresas têm capacidade de produzir de forma sustentável, gerando emprego e renda”. A entidade acrescenta ainda que, caso não haja diálogo com a sociedade civil, há risco de “questionamentos das decisões” tomadas pela Norte Energia.

Obra
A hidrelétrica ocupará parte da área de cinco municípios: Altamira, Anapu, Brasil Novo, Senador José Porfírio e Vitória do Xingu. Altamira é a mais desenvolvida dessas cidades e tem a maior população, quase 100 mil habitantes, segundo o IBGE. Os demais municípios têm entre 10 mil e 20 mil habitantes.

Belo Monte custará pelo menos R$ 25 bilhões, segundo a Norte Energia. Há estimativas de que o custo chegue a R$ 30 bilhões. Trata-se de uma das maiores obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma das principais bandeiras do governo federal.

Apesar de ter capacidade para gerar 11,2 mil MW de energia, Belo Monte não deve operar com essa potência. Segundo o governo, a potência máxima só pode ser obtida em tempo de cheia. Na seca, a geração pode ficar abaixo de mil MW. A energia média assegurada é de 4,5 mil MW. Para críticos da obra, o custo-benefício não compensa. O governo contesta e afirma que a energia a ser gerada é fundamental para o país.

“O nosso país é um país que está crescendo. (…) E necessita aproximadamente de 7 mil MW por ano nos próximos dez anos para permitir esse crescimento econômico e o desenvolvimento do nosso país”, disse Altino Ventura, diretor de Planejamento Energético do Ministério do Meio Ambiente.

Programação série Belo Monte quarta (Foto: Editoria de Arte / G1)

Fonte: Mariana Oliveira, G1, Altamira


19 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Mudanças climáticas forçam espécies a migrar mais rápido

As mudanças climáticas parecem estar forçando muitos seres vivos a emigrar para locais mais favoráveis até três vezes mais rapidamente do que se pensava até agora, segundo um estudo publicado esta quinta-feira (18) na revista Science.

Cientistas compilaram estudos anteriores sobre a migração das espécies e os combinaram em uma meta-análise que demonstrou uma clara tendência de movimento rumo a climas mais frios, com migrações mais rápidas nos locais onde o calor é mais intenso.

“Estas mudanças equivalem a um distanciamento de animais e plantas em relação ao Equador de 20 centímetros por hora, a cada hora do dia, durante todos os dias do ano”, disse o responsável pelo projeto, Chris Thomas, professor de Biologia na Universidade de York, no Reino Unido.

“Isto tem acontecido nos últimos 40 anos e vai continuar pelo menos durante o restante deste século”, acrescentou.

O estudo é “um resumo do estado de conhecimento do mundo sobre como as espécies estão respondendo às mudanças climáticas”, explicou a co-autora do trabalho e professora de Ecologia de York, Jane Hill. “Nossa análise mostra que as taxas de resposta às mudanças climáticas são duas ou três vezes mais rápidas do que se pensava”, sustentou.

Os dados provêm de estudos de aves, mamíferos, répteis, insetos, aranhas e plantas em Europa, América do Norte, Chile, Malásia e ilha de Marion, na África do Sul.

Ao agrupar os estudos e analisar seus resultados, os cientistas encontraram pela primeira vez um vínculo entre o aumento da temperatura e a movimentação dos organismos.

“Esta pesquisa mostra que o aquecimento global está fazendo com que as espécies se movam para os polos e para as elevações mais altas”, destacou outro dos autores do estudo, I-Ching Chen, pesquisador da Academia Sinica, em Taiwan.

“Demonstramos pela primeira vez que a mudança na distribuição das espécies se correlaciona com as mudanças do clima nessa região”, afirmou.

Estudos anteriores sugeriram que algumas espécies estão em risco de extinção devido à sua mudança de habitat, mas estes não se aprofundam no tema.

Ao invés disto, os cientistas disseram esperar que a análise dê uma imagem mais precisa das mudanças que acontecem em todo o planeta.

“A comprovação de quão rápido as espécies estão se movimentando devido às mudanças climáticas indica que muitas, de fato, podem estar se encaminhando rapidamente para a extinção onde as condições climáticas estão se deteriorando”, afirmou Thomas. “Por outro lado, outras espécies estão migrando para novas áreas, onde o clima se tornou adequado, de forma que haverá alguns ganhadores e muitos perdedores”, afirmou.

Fonte: Portal iG


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