27 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Garimpo invade áreas de preservação no Pará

Os riscos apontados para a bacia do Tapajós deixam claro que a região amazônica, apesar do aumento nos índices de queda no desmatamento, continua a ser tratada como o grande almoxarifado de recursos naturais do planeta.

As ações planejadas para a maior bacia hidrográfica do mundo não se restringem a planos de construção de uma sequência de usinas rios adentro. Bastou o governo informar que parte das terras que pertenciam às unidades de conservação da Amazônia havia sido desvinculada das áreas protegidas para que se tornassem alvo de ações de garimpo e extrativismo ilegal.

 

A pressão cresceu e o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) tem procurado controlar a situação e deter a entrada de pessoas na região, mas seu poder de atuação ficou reduzido, porque está restrito às áreas legalmente protegidas. “Com a desafetação [redução] das áreas, muita gente está se mexendo para entrar nas terras. Recebemos pedidos de garimpeiros e de pesquisadores para acampar na região, também estamos recebendo ameaças de invasão. A situação está muito delicada”, diz Maria Lucia Carvalho, chefe do Parque Nacional da Amazônia, ligada ao ICMBio.

 

Recentemente, o ICMBio autuou uma balsa que estava pronta para iniciar a garimpagem em área que, até dois meses atrás, pertencia à reserva. “Iam começar a tirar ouro da região. Quando informamos que não poderiam fazer aquilo, nos disseram que não tínhamos nada a ver com isso, que aquela área não pertencia mais ao parque e que iriam adiante”, conta Maria Lucia.

 

A extração de areia é outro alvo. Com o período de seca, que atinge o pico em setembro, diversas praias surgem nas margens do rio, com dunas imensas de areia fina. “Já chegaram dois pedidos para retirada de areia na região do Buburé, dentro do parque nacional.”

 

Dentro da floresta, também foram detectados focos de exploração de palmito e madeira. “Avisamos que isso poderia acontecer, mas não fomos ouvidos”, diz Maria Lucia. “Não posso me calar sobre o que está acontecendo aqui. Minha crítica é técnica, não é política.”

 

O Ministério de Minas e Energia está à frente de um programa para tentar regularizar a mineração na região, além de dar uma solução ao caos fundiário. A maior preocupação do ICMBio, segundo Roberto Vizentin, presidente do instituto, tem sido garantir a segurança das áreas protegidas. “É permitido fazer mineração em algumas unidades, desde que respeitado o zoneamento de exploração. O plano de manejo indica onde pode ser feita a garimpagem. No entanto, é preciso legalizar esses garimpos. Quase tudo é ilegal”, diz Vizentin.

 

Na Floresta Nacional Crepori, por exemplo, que perdeu parte da área para permitir o licenciamento ambiental das usinas, há cerca de três mil pedidos de pesquisa e lavra minerais. “O garimpo é uma das questões que mais nos preocupa nessa região. As áreas que serão afetadas pelas barragens estão cheias de garimpeiros. Quando os empreendimentos forem construídos e o lago começar a ocupar as áreas, para onde vão esses garimpeiros? Eles vão ocupar o que puderem. Isso tem de ser controlado”, alerta o presidente do ICMBio.

 

Com a proliferação dos garimpos, aumenta ainda mais a ocupação irregular em uma região já marcada por conflitos fundiários. Estima-se que só na região da BR-163 – entre a Serra do Cachimbo e Itaituba, no Pará – existam entre 5 mil e 6 mil famílias que demandam regularização de terras.

 

Há décadas, a região do Tapajós é alvo de milhares de garimpos ilegais em busca de ouro e diamante. Depois de sofrer uma intensa fase de exploração durante os anos 70 e 80, a exploração ficou quase estagnada nas duas décadas seguintes. Nos últimos cinco anos, porém, o garimpo voltou a florescer com força total, mas da pior maneira possível.

 

Estimativas locais apontam que atualmente há cerca de 60 mil homens trabalhando na extração de ouro e diamante na bacia do Tapajós. É mais da metade dos 110 mil garimpeiros que estão espalhados por toda a Amazônia. “Isso faz do Tapajós o maior garimpo do Brasil”, afirma Seme Sefrian, ex-secretário de Mineração e de Meio Ambiente de Itaituba.

 

Quase todo esse batalhão atua de forma irregular, seja utilizando materiais ou máquinas proibidas, seja agindo em unidades protegidas ou sem qualquer tipo de autorização. O mercúrio, matéria-prima usada para separar o ouro da terra, segue direto para os afluentes do Tapajós. A terra, depois de lavada com mangueiras “bico-jato”, não é recomposta, deixando para trás imensas crateras de lama.

 

Para complicar ainda mais a situação, os garimpeiros passaram a utilizar retroescavadeiras para atingir uma profundidade de solo ainda não explorada. Até cinco anos atrás, esse tipo de equipamento, conhecido como “PC”, não existia na região. Hoje, segundo Sefrian, há cerca de 150 retroescavadeiras revirando terras todos os dias na bacia do Tapajós.

 

A reportagem flagrou balsas carregando os equipamentos pelo rio. Apesar da ilegalidade total, tudo transcorre normalmente. O maquinário é caro. Uma “PC” nova, com todos os apetrechos, custa cerca de R$ 600 mil, diz o ex-secretário de Itaituba.

 

Para quem está no ramo, vale a pena o risco. O Tapajós transformou-se no novo eldorado. A região está produzindo meia tonelada de ouro por mês, o que representa US$ 26, 4 milhões, de acordo com o preço atual do metal. Há cinco anos, o volume mensal girava em torno de 200 quilos. “O preço disparou e o negócio voltou a atrair gente”, conta Sefrain.

 

Em 2005, o preço da onça do ouro (31,10 gramas) teve média de US$ 445. Em 2009, a cotação dobrou e chegou a US$ 974 e não parou mais de subir. Hoje o preço da onça está em US$ 1.643. “O problema é que a exploração hoje está acontecendo de forma muito aleatória. Não existe muito controle do que é retirado, produzido ou vendido na região.”

 

O negócio é tão bom que até Sefrain, o ex-secretário de Meio Ambiente, virou garimpeiro. Hoje, ele possui uma “PC” e uma pá carregadeira prontas para entrar em ação na unidade de conservação Crepori, entre o sul do Pará e o norte do Mato Grosso. Já contratou 34 homens e diz que tenta legalizar o início da extração.

 

“É uma situação difícil. Hoje, todo mundo trabalha sem autorização para lavra. Mas é preciso mostrar para a população que o garimpo é bom”, diz. “Eu não consegui ainda a autorização, mas estamos prontos e vamos começar a trabalhar. Nossa dificuldade é a morosidade do Estado para regularizar a exploração.”

Valor Econômico

 


8 de março de 2012 | nenhum comentário »

Supremo considera ilegal criação do Instituto Chico Mendes, mas dá prazo para regularização

O Supremo Tribunal Federal decidiu nesta quarta-feira (7), por 7 votos a 2, que a criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em 2007 foi ilegal. Segundo os ministros, a medida provisória (MP) que criou o órgão ambiental tramitou de forma errada no Legislativo. Para que o instituto não seja fechado, os ministros deram prazo de dois anos para que o Congresso Nacional reaprecie a matéria.

A discussão não afeta apenas o ICMBio, mas todo o rito de tramitação das medidas provisórias no Congresso Nacional. Desde 2001, uma emenda à Constituição determina que as medidas provisórias só podem ser aprovadas se apreciadas por uma comissão parlamentar mista antes de passar pelos plenários da Câmara e do Senado. No entanto, poucas medidas provisórias obedeceram a esse rito, entre elas, a MP Nº 366, que resultou na lei que desmembrou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e criou o Instituto Chico Mendes.

O assunto chegou ao STF em 2008, por meio de uma ação da Associação Nacional dos Servidores do Ibama. Além de apontar o erro na tramitação legislativa, a associação ainda acusou o ICMBio de ter a mesma função do Ibama, implicando em inchaço da máquina pública e gastos desnecessários para a sociedade. Outro ponto atacado pela ação foi o fato de não estar caracterizado o critério de urgência e relevância para tratar do assunto por meio de medida provisória.

Na defesa do ICMBio, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, alegou que a criação do instituto foi necessária e urgente porque, naquele momento, o desmatamento do país avançava drasticamente, depois de três anos de bons indicadores.

A maioria dos ministros concordou com esse ponto de vista, entendendo ainda que cabe ao Executivo e ao Legislativo determinar o que é relevante para ser tratado por meio de MP. “Verifico que, em se tratando de meio ambiente, a matéria é sempre urgente. O planeta não pode mais esperar pelas medidas protetivas dos governos”, disse o ministro Ricardo Lewandowski. Ele e o ministro Cezar Peluso foram os únicos a votar contra a ilegalidade do processo que levou à criação do ICMBio. Os dois defenderam a tese de que o rito de tramitação das medidas provisórias foi moldado de acordo com as necessidades e urgências políticas dos dois Poderes.

Por outro lado, o ministro Marco Aurélio Mello defendeu que o vício na tramitação legislativa da MP do ICMBio deveria resultar no fechamento do órgão, sem prazo para regularização. Mas prevaleceu o entendimento de que o problema pode ser sanado pelo próprio Congresso.

Fonte: Débora Zampier/ Agência Brasil


29 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Presidente do Instituto Chico Mendes pede demissão do cargo

O presidente do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), Rômulo Mello, 49, pediu demissão. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, ainda não definiu quem será seu substituto.

Segundo a assessoria de imprensa do ICMBio, Mello alegou estar cansado após quatro anos à frente do órgão federal responsável pelas unidades de conservação. A Folha apurou, porém, que o pedido se deveu ao desgaste em sua relação com Izabella.

A ministra nunca poupou críticas à gestão de Mello, e chegou a cogitar substituí-lo após a eleição de Dilma Rousseff. Algumas das críticas eram públicas, em reuniões com ONGs ou em eventos abertos. Em dezembro de 2010, por exemplo, durante a cerimônia de comemoração dos dez anos do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, Izabella chamou Mello de “171 ambiental”.

Um dos pontos que irritavam a ministra, segundo uma fonte ouvida pela Folha, era a morosidade na aplicação da verba da compensação ambiental, dinheiro que todo empreendimento licenciado que afetasse unidades de conservação deveria pagar ao ICMBio. O dinheiro é usado, prioritariamente, para indenizar proprietários particulares que estejam dentro de áreas protegidas, regularizando a situação fundiária das unidades.

Uma pendenga judicial fez com que os pagamentos tivessem sido suspensos em 2007, quando o ICMBio foi criado a partir do desmembramento do Ibama. Eles só foram retomados no fim do ano passado. Até hoje o país tem o equivalente à área do Paraná em posses privadas dentro de unidades de conservação.

Mello também se indispôs com o comando do ministério ao dizer, em entrevista à Folha em agosto último, que o que o instituto tinha para gastar por hectare de áreas protegidas era uma “gozação”.

GESTÃO POLÊMICA

Paraense, agrônomo de formação, Rômulo José Fernandes Barreto Mello é funcionário do Ibama desde sua criação, em 1989. Foi presidente do instituto em 2002, ano da conferência ambiental Rio +10, quando o governo criou 6,8 milhões de hectares de unidades de conservação no país — entre elas o parque nacional Montanhas do Tumucumaque, no Amapá, a maior área protegida federal.

Foi escolhido para presidir o ICMBio em 2008 pelo então ministro Carlos Minc, após indicação de um comitê de busca formado por alguns dos maiores ambientalistas do país, como os ex-ministros Paulo Nogueira Neto e Marina Silva. Em sua gestão, consolidou o ICMBio e conseguiu aumentar o orçamento do órgão — que continua, no entanto, uma gozação.

Sua presidência foi marcada por polêmicas. Já em 2008, Mello cedeu ao Ministério do Meio Ambiente e deu aval ao decreto federal que permitiu a destruição de cavernas consideradas de “baixa e média relevância”, enfurecendo ambientalistas. O decreto é considerado um dos principais retrocessos ambientais da gestão Minc.

O presidente também apoiou a redução da chamada zona de amortecimento das unidades de conservação, reduzindo de 10 km para 1,5 km a faixa de uso restrito em torno de áreas protegidas que não tenham plano de manejo (a maioria das 310 unidades federais não tem).

Mello também cedeu ao governo ao aceitar que sete unidades de conservação na Amazônia fossem reduzidas por medida provisória, um fato inédito, para a instalação de hidrelétricas. A manobra foi considerada inconstitucional pela Procuradoria-Geral da República, que moveu ação no Supremo Tribunal Federal contra a medida.

Procurado pela Folha, Rômulo Mello não foi localizado nesta terça-feira.

Fonte: Claudio Angelo, Brasília, Folha.com


16 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

País corta verba de parques a um ano de cúpula ambiental

Enquanto aumenta a pressão sobre as áreas protegidas do país com novas obras de infraestrutura, o governo federal corta verbas para a conservação da biodiversidade.

O ICMBio (Instituto Chico Mendes), que gerencia os parques nacionais, teve seu orçamento de 2011 tesourado em 30%. De R$ 557,8 milhões previstos para 2011, o ICMBio só foi autorizado a gastar R$ 388,7 milhões. Em 2010 foram gastos R$ 461 milhões.

Uma das vítimas foi o projeto Parques da Copa, que revitalizaria unidades de conservação perto das cidades-sede da Copa-2014 para turbinar o turismo ecológico.

Considerando só os chamados investimentos (compra de equipamentos e reparo de instalações, por exemplo), o Brasil tem, neste ano, R$ 155 milhões de verba federal para aplicar em 310 unidades de conservação (uns 10% do território nacional).

É um quarto do valor de um único estádio da Copa, o de Brasília, e um péssimo cartão de visitas para o país que sediará no ano que vem a conferência sobre desenvolvimento sustentável Rio +20.

“O que a gente gasta, considerando a área, é uma gozação”, diz o presidente do ICMBio, Rômulo Mello. São R$ 2 por hectare. Quando a folha de pagamento é incluída, o valor é R$ 5, ainda assim uma ordem de grandeza mais baixo que o aplicado na Costa Rica ou no México.

Isso para não falar dos EUA. O NPS (National Park Service), órgão equivalente ao ICMBio, teve neste ano US$ 3 bilhões de verbas federais, ou R$ 145 por hectare protegido. “E a gente ainda reclama”, brinca David Barna, porta-voz do NPS.

A falta de verba federal obriga o ICMBio e os diretores dos parques brasileiros a serem criativos. Na Amazônia, 64 unidades recebem doações internacionais pelo programa Arpa. “No ano passado, 70% da minha verba veio do Arpa”, diz o diretor do parque dos Campos Amazônicos, Renato Dumont.

Um grupo seleto de 12 unidades consegue arrecadar boa parte do seu orçamento cobrando ingressos. No parque da Tijuca, que abriga o Cristo Redentor, foram R$ 13 milhões em 2010. O parque nacional de Brasília, segunda unidade mais rica do país, levantou R$ 1,1 milhão.

“O problema é que a nossa demanda aqui é cinco ou seis vezes maior que a verba”, diz Amauri Motta, diretor do parque de Brasília.

O economista Carlos Eduardo Young, da UFRJ, vê a situação como uma oportunidade perdida. Ele e colegas estimam que, em visitação, as unidades de conservação poderiam gerar R$ 1,8 bilhão por ano. Só com ICMS ecológico, parcela do imposto que alguns Estados destinam a municípios com unidades de conservação, foram repassados em 2009 R$ 402 milhões. No mesmo ano, o ICMBio gastou R$ 322 milhões.

Fonte: Claudio Angelo, Brasília, Folha.com


24 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Vídeo raro mostra nascimento de filhotes de onça-pintada em Goiás

Um dos filhotes foi rejeitado pela mãe logo após o nascimento.
Instituto Chico Mendes afirma que foi o primeiro parto gravado no Brasil.

O nascimento de dois filhotes de onça-pintada, espécie na lista de animais em extinção no Brasil, foi gravado num criadouro no interior de Goiás. O parto aconteceu na madrugada do último dia 18.

De acordo com o Centro Nacional de Predadores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), foi a primeira vez no país que o nascimento dessa espécie é registrado.

A instituição Nex, localizada em Corumbá de Goiás, a 80 km de Brasília (DF) conseguiu gravar o parto da onça Airumã, exemplar que tem cerca de 3 anos, com uma câmera de segurança adaptada com visão noturna. Cristina Gianni, presidente da instituição, afirmou que o segundo filhote foi rejeitado pela mãe e ficou 12 horas após o parto sem receber alimentação.

“Essa onça-pintada veio grávida de Belém (PA). Quando o primeiro filhote nasceu, ela amparou e já colocou para mamar. Já no segundo parto, ela apenas cortou o cordão umbilical e não deu atenção. Nós resgatamos esse filhote, que agora passa por tratamento. Ele precisa de muita atenção para conseguir sobreviver”, disse Cristina.

Um dos filhotes nasceu melânico, uma variação genética que deixa a pele do animal da cor preta. Quando uma onça-pintada nasce com esta pigmentação, ela é denominada onça-negra. “Em breve, os filhotes devem ser enviados para uma nova unidade em São Paulo”, disse. A ONG cuida atualmente de 18 onças-pintadas em fase adulta, além de quatro jaguarundis e quatro jaguatiricas.

Inédito
Segundo Ronaldo Morato, chefe do Centro Nacional de Predadores do ICMBio, foi a primeira vez que o parto de uma onça-pintada é registrado no Brasil. “O ideal é que os filhotes não tivessem nascido em cativeiro. Entretanto, não temos condições de soltar as onças em uma área apropriada, com completa segurança”, afirmou Morato.

De acordo com o especialista, existem no país 200 exemplares de onças-pintadas em zoológicos e outros 50 animais em centros de recuperação espalhados pelos estados. “Essa espécie ainda continua em extinção. A maior parte está na floresta Amazônica e no Pantanal”, disse Morato.

Filhote de onça-pintada que foi rejeitado pela mãe após o parto, no interior de Goiás. Animal recebe tratamento de instituição (Foto: Divulgação/ONG Nex)

Filhote de onça-pintada que foi rejeitado pela mãe após o parto, no interior de Goiás. Animal recebe tratamento de instituição (Foto: Divulgação/ONG Nex)

 

Acesse: http://g1.globo.com/natureza/noticia/2011/06/video-raro-mostra-nascimento-de-filhotes-de-onca-pintada-em-goias.html e veja o vídeo do nascimento dos filhotes de onça.

Fonte: Eduardo Carvalho, Do Globo Natureza, em São Paulo


22 de junho de 2011 | nenhum comentário »

IPEVS ministra palestra no CICLOVET UEL 2011

Participantes atentos durante explanações

Participantes atentos durante explanações

Entre os dias 08/06 e 12/06/2011 aconteceu a XXVIII Semana Acadêmica e VI Mostra Acadêmica de Trabalhos Científico – CICLOVET 2011 – do curso de Medicina Veterinária da UEL.

Realizado pela equipe do VET Jr. UEL, o evento contou com a participação de renomados palestrantes de todo o Brasil e obteve uma enorme adesão por parte de alunos e profissionais da região.

O evento foi dividido em módulos: Animais de Companhia, Grandes Animais e Animais de Produção, Animais Silvestres e Medicina Veterinária Complementar, e permitiu a integração teoria/prática, através de módulos práticos iniciados na sexta-feira no período da tarde.

O IPEVS se fez presente em mais este evento, através do seu presidente, o Médico Veterinário e Biólogo, Rafael Haddad, que ministrou a palestra teórico/prática Manejo e Medicina de Répteis no dia 10/06 no período da tarde. A palestra contou com a presença de diversos acadêmicos e com a participação da Bióloga Lívea S. de Almeida, Diretora Administrativa do IPEVS, do M.V Igor de Andrade, da UEL e do Médico Veterinário, Msc. Carlos Roberto Abrahão, Analista Ambiental do RAN – ICMBio – Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios.

Participantes, palestrante e colaboradores

Participantes, palestrante e colaboradores

Durante a prática, os participantes puderam aprender técnicas de captura, contenção, marcação individual, sexagem e coleta de amostras biológicas. Após o evento, vários participantes procuraram o IPEVS para realização de estágio voluntário no período das férias.

Fonte: Assessoria de Comunicação do IPEVS

Carlos R. Abrahão coletando sangue de uma Cascavel
Carlos R. Abrahão coletando sangue de uma Cascavel
 
 
 

 


21 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Estudo aponta que um terço das arraias e tubarões estão ameaçados

Levantamento sobre espécies existentes no Brasil ainda é preliminar.
De 169 espécies, 2 desapareceram no país e 60 correm risco.

Levantamento feito pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ligado ao Ministério do Meio Ambiente, com a ajuda de 50 especialistas, aponta que mais de um terço das espécies de tubarões e arraias existentes no Brasil estão ameaçadas.

O estudo é considerado preliminar porque ainda precisa ser validado por mais pesquisadores para então ser publicado em revista científica. Das 169 espécies analisadas, 2 foram consideradas regionalmente extintas e 60 encontram-se em alguma categoria de ameaça segundo critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).

Dessas 60 , 29 estão “criticamente em perigo” (CR), 7 “em Perigo” (EN) e 20 encontram-se na categoria “vulnerável” (VU). Apenas 31 foram classificadas como de “menor preocupação” (LC) e 16 como “quase ameaçada” (NT).

O número de espécies com “dados insuficientes” (DD) é de 59, o que, segundo o ICMBio, é um índice bastante alto e mostra que falta de informações sobre classificação e tamanho das populações desses animais, peixes cartilaginosos conhecidos cientificamente como elasmobrânquios.

A pesca excessiva, aponta o instituto, é um dos fatores principais que ameaçam os elasmobrânquios, já que muitas de suas espécies têm vida longa, mas baixa taxa de fecundidade, o que dificulta sua reposição natural.

Tubarão pescado ilegalmente apreendido em abril no Pará. (Foto: Divulgação/Ibama)

Tubarão pescado ilegalmente apreendido em abril no Pará. (Foto: Divulgação/Ibama)

Fonte: Globo Natureza, em São Paulo


30 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Projeto de conscientização preserva ave que só é encontrada na Bahia

Há 30 anos, a Arara Azul de Lear está ameaçada de extinção.
Fiscalização, além da ação de biólogos e ONGs posibilitou preservação.

rara azul de lear (Foto: Reprodução/ TV Sudoeste)

Arara azul de lear (Foto: Reprodução/ TV Sudoeste)

A conscientização das comunidades na Bahia está ajudando na preservação de uma ave ameaçada de extinção: a Arara Azul de Lear. A ave de canto agudo mede cerca de 75 cm e só é encontrada no sertão baiano.

A beleza da Arara Azul de Lear se destaca ainda mais porque a ave gosta de voar em bando. O animal dorme em paredões de arenito numa área preservada entre os municípios de Canudos e Jeremoabo. Ela voa até 170 Km em busca de comida. Por ser dócil, a ave é uma das mais cobiçadas pelos traficantes de animais.

Há 30 anos, a Arara Azul de Lear está na lista de espécies ameaçadas de extinção. Na década de 80 havia registro de apenas 60 aves desta espécie na natureza, mas um censo realizado em 2010 pelo Instituto Chico Mendes localizou mais de 1.200 exemplares. O nível de ameaça baixou de Criticamente Ameaçada para Espécie em Perigo de Extinção.

Conscientização e ação

O avanço só foi possível graças ao trabalho de fiscalização e da ação de biólogos e ONGs. O trabalho começa com a preservação da Palmeira do Licuri ou do Licurizeiro como é popularmente conhecida. Essa é a árvore que produz o Coco do Licuri, alimento preferido da Arara Azul de Lear e que serve de matéria prima para outras atividades.

“Nós tínhamos que estimular algum tipo de renda alternativa, uma outra forma para incentivar as pessoas a preservarem o licuri. Então com o apoio da Fundação Loro Parqe, através do Instituto Arara Azul, nós iniciamos um projeto de geração de renda para as comunidades”, conta Simone Tenório, bióloga.

O plano de manejo sustentável começa com a numeração das árvores no campo. Um grupo do município de Santa Brígida trabalha junto e usa a consciência para retirar a palha no tempo certo.

“De forma predatória não adianta. De forma consciente, uma palha a cada 60 dias ou 90 dias”, destaca Mário Reis, artesão.

“A gente leva, chega em casa e senta para raspar, põe para secar e trabalha com todo o gosto”, completa Sueli Ferreira de Lima Silva, artesã.

Aos poucos a fibra da palha vai ganhando forma nas mãos dos artesãos. Elas fazem peças de decoração, porta joias, cestas e utensílios domésticos. A oportunidade de geração de renda é compartilhada por Seu José Valdo, a esposa e as filhas. Juntos eles moldam um futuro melhor para a família.

“É uma renda que a gente faz vários tipos de coisa. Tanto serve para alimentação, como para outras coisas que a gente compra, através da renda com o artesanato”, José Valdo Rosa, artesão.

Uma oportunidade de renda e preservação que está sendo multiplicada em outras comunidades baianas para garantir a continuidade das ações.

São nove anos do programa de conservação da Arara Azul de Lear e a cada ano ele se desenvolve ainda mais. Já são 44 artesãos trabalhando de forma consciente com a palha do licurizeiro nas cidades de Santa Brígida e Euclides da Cunha, na Bahia. As peças produzidas já são comercializadas para Salvador, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

“É muito bom para gente, porque a gente vivia aqui num lugar que não tinha muita coisa para fazer, então foi muito importante para a gente aprender a fazer estas coisas que não sabíamos”, avalia Edilene de Oliveira, artesã.

Assim a Arara Azul de Lear vai recebendo o valor que merece. No município de Euclides da Cunha ela é homenageada em praça pública. Fotos e textos são usados para despertar ainda mais a consciência de turistas e moradores.

Fonte: Do G1 Bahia, com informações da TV sudoeste.


24 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Governo inicia levantamento de famílias para receber ‘Bolsa Verde’

Projeto de benefício federal está sendo delineado por ministérios.
Baseado no Bolsa Família, pretende ajudar população pobre em reservas.

O governo iniciou na última semana o levantamento do número de famílias que habitam as unidades de conservação federais para saber quantas delas estão em situação de extrema pobreza e poderiam receber um benefício mensal denominado ‘Bolsa Verde’.

Lançado em 2009 pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o projeto segue o modelo do Bolsa Família. A intenção do programa é evitar que moradores dessas localidades pratiquem a exploração ilegal de recursos naturais. De acordo com as regras, famílias com renda de até R$ 70 por pessoa poderão receber um benefício mensal de R$ 100.

Existe a expectativa de que o benefício passe a vigorar a partir do segundo semestre deste ano. Mas ele ainda está em fase de discussão interministerial e envolve as pastas do Meio Ambiente, Desenvolvimento Social e Desenvolvimento Agrário, que tentam destravar o projeto. Ele precisa ainda passar pelo Congresso e, finalmente, pelo crivo da presidente Dilma Rousseff.

Levantamento
Técnicos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão responsável pela gestão das unidades de conservação federais, são responsáveis pelo censo que vai saber quais famílias podem receber a verba.

Em uma primeira fase, moradores das 310 unidades federais devem ser contemplados. Em uma segunda etapa, o benefício poderá abranger também reservas sob controle dos estados. “Queremos instituir um marco legal para atingir a população extremamente pobre. Seja aquela que está dentro das unidades ou nos arredores, além dos assentamentos de reforma agrária”, afirmou Roberto Vicentin, secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente.

Reforço
Segundo Paulo Maier, diretor de Unidades de Conservação do Instituto Chico Mendes, aproximadamente 60 mil famílias podem se beneficiar. Ainda segundo Maier, existe uma preocupação referente à fiscalização do pagamento.

“Está em debate as formas de verificações. Para saber se as famílias estão cumprindo com o objetivo do programa, poderemos utilizar sistemas de monitoramento via satélite, talvez até pelo desmatamento em tempo real da Amazônia Legal (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)”, afirmou Maier.

Realidade
Na reserva extrativista de Tapajós-Arapiuns, no Pará, cerca de 18 mil pessoas vivem no interior da floresta Amazônica e são responsáveis pela preservação de uma área aproximada de 6,5 mil km².

Em grande parte das comunidades só é possível chegar de barco, após 32 horas de viagem a partir da cidade mais próxima, Santarém. A maioria da população vive da agricultura, por meio da plantação de mandioca e fabricação de farinha, além da pesca e pequenos focos da extração de borracha e castanha.

De acordo com Rosinaldo Santos dos Anjos, 42 anos, presidente da associação de moradores, o total de farinha produzido é pouco (50 kg por família), sendo que grande parte é destinado ao consumo próprio.

“Com a venda não é possível levantar nem R$ 50 por mês. Isto incentiva a exploração ilegal da floresta, com a derrubada de árvores e venda clandestina de madeira”, disse. Ainda segundo Santos, o pagamento do benefício é uma forma de reconhecer o trabalho dos ‘guardiões’ da floresta. “É um apoio para nós”, afirmou.

Produção de farinha em comunidade da reserva extrativista Tapajós-Arapiuns, no Pará (Foto: Divulgação/ICMBio)

Produção de farinha em comunidade da reserva extrativista Tapajós-Arapiuns, no Pará (Foto: Divulgação/ICMBio)

 

A pesca é uma das forma de subsistência nas reservas federais. (Foto: Divulgação/ICMBio)

A pesca é uma das forma de subsistência nas reservas federais. (Foto: Divulgação/ICMBio)

 

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, em São Paulo


26 de janeiro de 2011 | nenhum comentário »

IPEVS recebe visita de analistas ambientais do ICMBio

Carlos e Vívian no escritório do IPEVS com Lívea e Rafael

Carlos e Vívian no escritório do IPEVS com Lívea e Rafael

Nos dias 22 e 23 Janeiro, o Instituto de Pesquisa em Vida Selvagem e Meio Ambiente recebeu a visita de Carlos Roberto Abrahão e Vívian Mara Uhlig, ambos analistas ambientais do Centro de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios do ICMBio - Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

Carlos e Vívian foram recebidos pela diretoria do IPEVS e conheceram as instalações e estrutura existentes, desde o escritório administrativo até o CEAMA – Centro de Educação Ambiental Mundo Animal, local no qual são mantidos cativos exemplares de diversas espécies de répteis, anfíbios e aracnídeos com finalidade conservacionista e de educação ambiental. 

Carlos sitou a importância dos criadouros para conservação ex situ, para estudos biológicos e para possíveis futuros programas de reintrodução de espécies. Parabenizou ainda a equipe do IPEVS pela rara reprodução em cativeiro da espécie de serpente conhecida como Salamanta do Cerrado (Epicrates crassus) e afirmou que os dados sobre a biologia reprodutiva obtidos pela equipe serão de grande valia para programas de conservação desse grupo de animais.

Vívian elogiou a estrutura e organização da entidade e comentou da possibilidade de futuras parcerias entre as instituições para desenvolvimento de projetos e pesquisas conjuntas.

Para a equipe do IPEVS o resultado desta visita reflete a dedicação e o trabalho sério que a entidade vem desenvolvendo durante esses anos e amplia as possibilidades de parceria junto aos órgãos federais como IBAMA e ICMBio.






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27 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Garimpo invade áreas de preservação no Pará

Os riscos apontados para a bacia do Tapajós deixam claro que a região amazônica, apesar do aumento nos índices de queda no desmatamento, continua a ser tratada como o grande almoxarifado de recursos naturais do planeta.

As ações planejadas para a maior bacia hidrográfica do mundo não se restringem a planos de construção de uma sequência de usinas rios adentro. Bastou o governo informar que parte das terras que pertenciam às unidades de conservação da Amazônia havia sido desvinculada das áreas protegidas para que se tornassem alvo de ações de garimpo e extrativismo ilegal.

 

A pressão cresceu e o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) tem procurado controlar a situação e deter a entrada de pessoas na região, mas seu poder de atuação ficou reduzido, porque está restrito às áreas legalmente protegidas. “Com a desafetação [redução] das áreas, muita gente está se mexendo para entrar nas terras. Recebemos pedidos de garimpeiros e de pesquisadores para acampar na região, também estamos recebendo ameaças de invasão. A situação está muito delicada”, diz Maria Lucia Carvalho, chefe do Parque Nacional da Amazônia, ligada ao ICMBio.

 

Recentemente, o ICMBio autuou uma balsa que estava pronta para iniciar a garimpagem em área que, até dois meses atrás, pertencia à reserva. “Iam começar a tirar ouro da região. Quando informamos que não poderiam fazer aquilo, nos disseram que não tínhamos nada a ver com isso, que aquela área não pertencia mais ao parque e que iriam adiante”, conta Maria Lucia.

 

A extração de areia é outro alvo. Com o período de seca, que atinge o pico em setembro, diversas praias surgem nas margens do rio, com dunas imensas de areia fina. “Já chegaram dois pedidos para retirada de areia na região do Buburé, dentro do parque nacional.”

 

Dentro da floresta, também foram detectados focos de exploração de palmito e madeira. “Avisamos que isso poderia acontecer, mas não fomos ouvidos”, diz Maria Lucia. “Não posso me calar sobre o que está acontecendo aqui. Minha crítica é técnica, não é política.”

 

O Ministério de Minas e Energia está à frente de um programa para tentar regularizar a mineração na região, além de dar uma solução ao caos fundiário. A maior preocupação do ICMBio, segundo Roberto Vizentin, presidente do instituto, tem sido garantir a segurança das áreas protegidas. “É permitido fazer mineração em algumas unidades, desde que respeitado o zoneamento de exploração. O plano de manejo indica onde pode ser feita a garimpagem. No entanto, é preciso legalizar esses garimpos. Quase tudo é ilegal”, diz Vizentin.

 

Na Floresta Nacional Crepori, por exemplo, que perdeu parte da área para permitir o licenciamento ambiental das usinas, há cerca de três mil pedidos de pesquisa e lavra minerais. “O garimpo é uma das questões que mais nos preocupa nessa região. As áreas que serão afetadas pelas barragens estão cheias de garimpeiros. Quando os empreendimentos forem construídos e o lago começar a ocupar as áreas, para onde vão esses garimpeiros? Eles vão ocupar o que puderem. Isso tem de ser controlado”, alerta o presidente do ICMBio.

 

Com a proliferação dos garimpos, aumenta ainda mais a ocupação irregular em uma região já marcada por conflitos fundiários. Estima-se que só na região da BR-163 – entre a Serra do Cachimbo e Itaituba, no Pará – existam entre 5 mil e 6 mil famílias que demandam regularização de terras.

 

Há décadas, a região do Tapajós é alvo de milhares de garimpos ilegais em busca de ouro e diamante. Depois de sofrer uma intensa fase de exploração durante os anos 70 e 80, a exploração ficou quase estagnada nas duas décadas seguintes. Nos últimos cinco anos, porém, o garimpo voltou a florescer com força total, mas da pior maneira possível.

 

Estimativas locais apontam que atualmente há cerca de 60 mil homens trabalhando na extração de ouro e diamante na bacia do Tapajós. É mais da metade dos 110 mil garimpeiros que estão espalhados por toda a Amazônia. “Isso faz do Tapajós o maior garimpo do Brasil”, afirma Seme Sefrian, ex-secretário de Mineração e de Meio Ambiente de Itaituba.

 

Quase todo esse batalhão atua de forma irregular, seja utilizando materiais ou máquinas proibidas, seja agindo em unidades protegidas ou sem qualquer tipo de autorização. O mercúrio, matéria-prima usada para separar o ouro da terra, segue direto para os afluentes do Tapajós. A terra, depois de lavada com mangueiras “bico-jato”, não é recomposta, deixando para trás imensas crateras de lama.

 

Para complicar ainda mais a situação, os garimpeiros passaram a utilizar retroescavadeiras para atingir uma profundidade de solo ainda não explorada. Até cinco anos atrás, esse tipo de equipamento, conhecido como “PC”, não existia na região. Hoje, segundo Sefrian, há cerca de 150 retroescavadeiras revirando terras todos os dias na bacia do Tapajós.

 

A reportagem flagrou balsas carregando os equipamentos pelo rio. Apesar da ilegalidade total, tudo transcorre normalmente. O maquinário é caro. Uma “PC” nova, com todos os apetrechos, custa cerca de R$ 600 mil, diz o ex-secretário de Itaituba.

 

Para quem está no ramo, vale a pena o risco. O Tapajós transformou-se no novo eldorado. A região está produzindo meia tonelada de ouro por mês, o que representa US$ 26, 4 milhões, de acordo com o preço atual do metal. Há cinco anos, o volume mensal girava em torno de 200 quilos. “O preço disparou e o negócio voltou a atrair gente”, conta Sefrain.

 

Em 2005, o preço da onça do ouro (31,10 gramas) teve média de US$ 445. Em 2009, a cotação dobrou e chegou a US$ 974 e não parou mais de subir. Hoje o preço da onça está em US$ 1.643. “O problema é que a exploração hoje está acontecendo de forma muito aleatória. Não existe muito controle do que é retirado, produzido ou vendido na região.”

 

O negócio é tão bom que até Sefrain, o ex-secretário de Meio Ambiente, virou garimpeiro. Hoje, ele possui uma “PC” e uma pá carregadeira prontas para entrar em ação na unidade de conservação Crepori, entre o sul do Pará e o norte do Mato Grosso. Já contratou 34 homens e diz que tenta legalizar o início da extração.

 

“É uma situação difícil. Hoje, todo mundo trabalha sem autorização para lavra. Mas é preciso mostrar para a população que o garimpo é bom”, diz. “Eu não consegui ainda a autorização, mas estamos prontos e vamos começar a trabalhar. Nossa dificuldade é a morosidade do Estado para regularizar a exploração.”

Valor Econômico

 


8 de março de 2012 | nenhum comentário »

Supremo considera ilegal criação do Instituto Chico Mendes, mas dá prazo para regularização

O Supremo Tribunal Federal decidiu nesta quarta-feira (7), por 7 votos a 2, que a criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em 2007 foi ilegal. Segundo os ministros, a medida provisória (MP) que criou o órgão ambiental tramitou de forma errada no Legislativo. Para que o instituto não seja fechado, os ministros deram prazo de dois anos para que o Congresso Nacional reaprecie a matéria.

A discussão não afeta apenas o ICMBio, mas todo o rito de tramitação das medidas provisórias no Congresso Nacional. Desde 2001, uma emenda à Constituição determina que as medidas provisórias só podem ser aprovadas se apreciadas por uma comissão parlamentar mista antes de passar pelos plenários da Câmara e do Senado. No entanto, poucas medidas provisórias obedeceram a esse rito, entre elas, a MP Nº 366, que resultou na lei que desmembrou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e criou o Instituto Chico Mendes.

O assunto chegou ao STF em 2008, por meio de uma ação da Associação Nacional dos Servidores do Ibama. Além de apontar o erro na tramitação legislativa, a associação ainda acusou o ICMBio de ter a mesma função do Ibama, implicando em inchaço da máquina pública e gastos desnecessários para a sociedade. Outro ponto atacado pela ação foi o fato de não estar caracterizado o critério de urgência e relevância para tratar do assunto por meio de medida provisória.

Na defesa do ICMBio, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, alegou que a criação do instituto foi necessária e urgente porque, naquele momento, o desmatamento do país avançava drasticamente, depois de três anos de bons indicadores.

A maioria dos ministros concordou com esse ponto de vista, entendendo ainda que cabe ao Executivo e ao Legislativo determinar o que é relevante para ser tratado por meio de MP. “Verifico que, em se tratando de meio ambiente, a matéria é sempre urgente. O planeta não pode mais esperar pelas medidas protetivas dos governos”, disse o ministro Ricardo Lewandowski. Ele e o ministro Cezar Peluso foram os únicos a votar contra a ilegalidade do processo que levou à criação do ICMBio. Os dois defenderam a tese de que o rito de tramitação das medidas provisórias foi moldado de acordo com as necessidades e urgências políticas dos dois Poderes.

Por outro lado, o ministro Marco Aurélio Mello defendeu que o vício na tramitação legislativa da MP do ICMBio deveria resultar no fechamento do órgão, sem prazo para regularização. Mas prevaleceu o entendimento de que o problema pode ser sanado pelo próprio Congresso.

Fonte: Débora Zampier/ Agência Brasil


29 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Presidente do Instituto Chico Mendes pede demissão do cargo

O presidente do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), Rômulo Mello, 49, pediu demissão. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, ainda não definiu quem será seu substituto.

Segundo a assessoria de imprensa do ICMBio, Mello alegou estar cansado após quatro anos à frente do órgão federal responsável pelas unidades de conservação. A Folha apurou, porém, que o pedido se deveu ao desgaste em sua relação com Izabella.

A ministra nunca poupou críticas à gestão de Mello, e chegou a cogitar substituí-lo após a eleição de Dilma Rousseff. Algumas das críticas eram públicas, em reuniões com ONGs ou em eventos abertos. Em dezembro de 2010, por exemplo, durante a cerimônia de comemoração dos dez anos do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, Izabella chamou Mello de “171 ambiental”.

Um dos pontos que irritavam a ministra, segundo uma fonte ouvida pela Folha, era a morosidade na aplicação da verba da compensação ambiental, dinheiro que todo empreendimento licenciado que afetasse unidades de conservação deveria pagar ao ICMBio. O dinheiro é usado, prioritariamente, para indenizar proprietários particulares que estejam dentro de áreas protegidas, regularizando a situação fundiária das unidades.

Uma pendenga judicial fez com que os pagamentos tivessem sido suspensos em 2007, quando o ICMBio foi criado a partir do desmembramento do Ibama. Eles só foram retomados no fim do ano passado. Até hoje o país tem o equivalente à área do Paraná em posses privadas dentro de unidades de conservação.

Mello também se indispôs com o comando do ministério ao dizer, em entrevista à Folha em agosto último, que o que o instituto tinha para gastar por hectare de áreas protegidas era uma “gozação”.

GESTÃO POLÊMICA

Paraense, agrônomo de formação, Rômulo José Fernandes Barreto Mello é funcionário do Ibama desde sua criação, em 1989. Foi presidente do instituto em 2002, ano da conferência ambiental Rio +10, quando o governo criou 6,8 milhões de hectares de unidades de conservação no país — entre elas o parque nacional Montanhas do Tumucumaque, no Amapá, a maior área protegida federal.

Foi escolhido para presidir o ICMBio em 2008 pelo então ministro Carlos Minc, após indicação de um comitê de busca formado por alguns dos maiores ambientalistas do país, como os ex-ministros Paulo Nogueira Neto e Marina Silva. Em sua gestão, consolidou o ICMBio e conseguiu aumentar o orçamento do órgão — que continua, no entanto, uma gozação.

Sua presidência foi marcada por polêmicas. Já em 2008, Mello cedeu ao Ministério do Meio Ambiente e deu aval ao decreto federal que permitiu a destruição de cavernas consideradas de “baixa e média relevância”, enfurecendo ambientalistas. O decreto é considerado um dos principais retrocessos ambientais da gestão Minc.

O presidente também apoiou a redução da chamada zona de amortecimento das unidades de conservação, reduzindo de 10 km para 1,5 km a faixa de uso restrito em torno de áreas protegidas que não tenham plano de manejo (a maioria das 310 unidades federais não tem).

Mello também cedeu ao governo ao aceitar que sete unidades de conservação na Amazônia fossem reduzidas por medida provisória, um fato inédito, para a instalação de hidrelétricas. A manobra foi considerada inconstitucional pela Procuradoria-Geral da República, que moveu ação no Supremo Tribunal Federal contra a medida.

Procurado pela Folha, Rômulo Mello não foi localizado nesta terça-feira.

Fonte: Claudio Angelo, Brasília, Folha.com


16 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

País corta verba de parques a um ano de cúpula ambiental

Enquanto aumenta a pressão sobre as áreas protegidas do país com novas obras de infraestrutura, o governo federal corta verbas para a conservação da biodiversidade.

O ICMBio (Instituto Chico Mendes), que gerencia os parques nacionais, teve seu orçamento de 2011 tesourado em 30%. De R$ 557,8 milhões previstos para 2011, o ICMBio só foi autorizado a gastar R$ 388,7 milhões. Em 2010 foram gastos R$ 461 milhões.

Uma das vítimas foi o projeto Parques da Copa, que revitalizaria unidades de conservação perto das cidades-sede da Copa-2014 para turbinar o turismo ecológico.

Considerando só os chamados investimentos (compra de equipamentos e reparo de instalações, por exemplo), o Brasil tem, neste ano, R$ 155 milhões de verba federal para aplicar em 310 unidades de conservação (uns 10% do território nacional).

É um quarto do valor de um único estádio da Copa, o de Brasília, e um péssimo cartão de visitas para o país que sediará no ano que vem a conferência sobre desenvolvimento sustentável Rio +20.

“O que a gente gasta, considerando a área, é uma gozação”, diz o presidente do ICMBio, Rômulo Mello. São R$ 2 por hectare. Quando a folha de pagamento é incluída, o valor é R$ 5, ainda assim uma ordem de grandeza mais baixo que o aplicado na Costa Rica ou no México.

Isso para não falar dos EUA. O NPS (National Park Service), órgão equivalente ao ICMBio, teve neste ano US$ 3 bilhões de verbas federais, ou R$ 145 por hectare protegido. “E a gente ainda reclama”, brinca David Barna, porta-voz do NPS.

A falta de verba federal obriga o ICMBio e os diretores dos parques brasileiros a serem criativos. Na Amazônia, 64 unidades recebem doações internacionais pelo programa Arpa. “No ano passado, 70% da minha verba veio do Arpa”, diz o diretor do parque dos Campos Amazônicos, Renato Dumont.

Um grupo seleto de 12 unidades consegue arrecadar boa parte do seu orçamento cobrando ingressos. No parque da Tijuca, que abriga o Cristo Redentor, foram R$ 13 milhões em 2010. O parque nacional de Brasília, segunda unidade mais rica do país, levantou R$ 1,1 milhão.

“O problema é que a nossa demanda aqui é cinco ou seis vezes maior que a verba”, diz Amauri Motta, diretor do parque de Brasília.

O economista Carlos Eduardo Young, da UFRJ, vê a situação como uma oportunidade perdida. Ele e colegas estimam que, em visitação, as unidades de conservação poderiam gerar R$ 1,8 bilhão por ano. Só com ICMS ecológico, parcela do imposto que alguns Estados destinam a municípios com unidades de conservação, foram repassados em 2009 R$ 402 milhões. No mesmo ano, o ICMBio gastou R$ 322 milhões.

Fonte: Claudio Angelo, Brasília, Folha.com


24 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Vídeo raro mostra nascimento de filhotes de onça-pintada em Goiás

Um dos filhotes foi rejeitado pela mãe logo após o nascimento.
Instituto Chico Mendes afirma que foi o primeiro parto gravado no Brasil.

O nascimento de dois filhotes de onça-pintada, espécie na lista de animais em extinção no Brasil, foi gravado num criadouro no interior de Goiás. O parto aconteceu na madrugada do último dia 18.

De acordo com o Centro Nacional de Predadores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), foi a primeira vez no país que o nascimento dessa espécie é registrado.

A instituição Nex, localizada em Corumbá de Goiás, a 80 km de Brasília (DF) conseguiu gravar o parto da onça Airumã, exemplar que tem cerca de 3 anos, com uma câmera de segurança adaptada com visão noturna. Cristina Gianni, presidente da instituição, afirmou que o segundo filhote foi rejeitado pela mãe e ficou 12 horas após o parto sem receber alimentação.

“Essa onça-pintada veio grávida de Belém (PA). Quando o primeiro filhote nasceu, ela amparou e já colocou para mamar. Já no segundo parto, ela apenas cortou o cordão umbilical e não deu atenção. Nós resgatamos esse filhote, que agora passa por tratamento. Ele precisa de muita atenção para conseguir sobreviver”, disse Cristina.

Um dos filhotes nasceu melânico, uma variação genética que deixa a pele do animal da cor preta. Quando uma onça-pintada nasce com esta pigmentação, ela é denominada onça-negra. “Em breve, os filhotes devem ser enviados para uma nova unidade em São Paulo”, disse. A ONG cuida atualmente de 18 onças-pintadas em fase adulta, além de quatro jaguarundis e quatro jaguatiricas.

Inédito
Segundo Ronaldo Morato, chefe do Centro Nacional de Predadores do ICMBio, foi a primeira vez que o parto de uma onça-pintada é registrado no Brasil. “O ideal é que os filhotes não tivessem nascido em cativeiro. Entretanto, não temos condições de soltar as onças em uma área apropriada, com completa segurança”, afirmou Morato.

De acordo com o especialista, existem no país 200 exemplares de onças-pintadas em zoológicos e outros 50 animais em centros de recuperação espalhados pelos estados. “Essa espécie ainda continua em extinção. A maior parte está na floresta Amazônica e no Pantanal”, disse Morato.

Filhote de onça-pintada que foi rejeitado pela mãe após o parto, no interior de Goiás. Animal recebe tratamento de instituição (Foto: Divulgação/ONG Nex)

Filhote de onça-pintada que foi rejeitado pela mãe após o parto, no interior de Goiás. Animal recebe tratamento de instituição (Foto: Divulgação/ONG Nex)

 

Acesse: http://g1.globo.com/natureza/noticia/2011/06/video-raro-mostra-nascimento-de-filhotes-de-onca-pintada-em-goias.html e veja o vídeo do nascimento dos filhotes de onça.

Fonte: Eduardo Carvalho, Do Globo Natureza, em São Paulo


22 de junho de 2011 | nenhum comentário »

IPEVS ministra palestra no CICLOVET UEL 2011

Participantes atentos durante explanações

Participantes atentos durante explanações

Entre os dias 08/06 e 12/06/2011 aconteceu a XXVIII Semana Acadêmica e VI Mostra Acadêmica de Trabalhos Científico – CICLOVET 2011 – do curso de Medicina Veterinária da UEL.

Realizado pela equipe do VET Jr. UEL, o evento contou com a participação de renomados palestrantes de todo o Brasil e obteve uma enorme adesão por parte de alunos e profissionais da região.

O evento foi dividido em módulos: Animais de Companhia, Grandes Animais e Animais de Produção, Animais Silvestres e Medicina Veterinária Complementar, e permitiu a integração teoria/prática, através de módulos práticos iniciados na sexta-feira no período da tarde.

O IPEVS se fez presente em mais este evento, através do seu presidente, o Médico Veterinário e Biólogo, Rafael Haddad, que ministrou a palestra teórico/prática Manejo e Medicina de Répteis no dia 10/06 no período da tarde. A palestra contou com a presença de diversos acadêmicos e com a participação da Bióloga Lívea S. de Almeida, Diretora Administrativa do IPEVS, do M.V Igor de Andrade, da UEL e do Médico Veterinário, Msc. Carlos Roberto Abrahão, Analista Ambiental do RAN – ICMBio – Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios.

Participantes, palestrante e colaboradores

Participantes, palestrante e colaboradores

Durante a prática, os participantes puderam aprender técnicas de captura, contenção, marcação individual, sexagem e coleta de amostras biológicas. Após o evento, vários participantes procuraram o IPEVS para realização de estágio voluntário no período das férias.

Fonte: Assessoria de Comunicação do IPEVS

Carlos R. Abrahão coletando sangue de uma Cascavel
Carlos R. Abrahão coletando sangue de uma Cascavel
 
 
 

 


21 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Estudo aponta que um terço das arraias e tubarões estão ameaçados

Levantamento sobre espécies existentes no Brasil ainda é preliminar.
De 169 espécies, 2 desapareceram no país e 60 correm risco.

Levantamento feito pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ligado ao Ministério do Meio Ambiente, com a ajuda de 50 especialistas, aponta que mais de um terço das espécies de tubarões e arraias existentes no Brasil estão ameaçadas.

O estudo é considerado preliminar porque ainda precisa ser validado por mais pesquisadores para então ser publicado em revista científica. Das 169 espécies analisadas, 2 foram consideradas regionalmente extintas e 60 encontram-se em alguma categoria de ameaça segundo critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).

Dessas 60 , 29 estão “criticamente em perigo” (CR), 7 “em Perigo” (EN) e 20 encontram-se na categoria “vulnerável” (VU). Apenas 31 foram classificadas como de “menor preocupação” (LC) e 16 como “quase ameaçada” (NT).

O número de espécies com “dados insuficientes” (DD) é de 59, o que, segundo o ICMBio, é um índice bastante alto e mostra que falta de informações sobre classificação e tamanho das populações desses animais, peixes cartilaginosos conhecidos cientificamente como elasmobrânquios.

A pesca excessiva, aponta o instituto, é um dos fatores principais que ameaçam os elasmobrânquios, já que muitas de suas espécies têm vida longa, mas baixa taxa de fecundidade, o que dificulta sua reposição natural.

Tubarão pescado ilegalmente apreendido em abril no Pará. (Foto: Divulgação/Ibama)

Tubarão pescado ilegalmente apreendido em abril no Pará. (Foto: Divulgação/Ibama)

Fonte: Globo Natureza, em São Paulo


30 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Projeto de conscientização preserva ave que só é encontrada na Bahia

Há 30 anos, a Arara Azul de Lear está ameaçada de extinção.
Fiscalização, além da ação de biólogos e ONGs posibilitou preservação.

rara azul de lear (Foto: Reprodução/ TV Sudoeste)

Arara azul de lear (Foto: Reprodução/ TV Sudoeste)

A conscientização das comunidades na Bahia está ajudando na preservação de uma ave ameaçada de extinção: a Arara Azul de Lear. A ave de canto agudo mede cerca de 75 cm e só é encontrada no sertão baiano.

A beleza da Arara Azul de Lear se destaca ainda mais porque a ave gosta de voar em bando. O animal dorme em paredões de arenito numa área preservada entre os municípios de Canudos e Jeremoabo. Ela voa até 170 Km em busca de comida. Por ser dócil, a ave é uma das mais cobiçadas pelos traficantes de animais.

Há 30 anos, a Arara Azul de Lear está na lista de espécies ameaçadas de extinção. Na década de 80 havia registro de apenas 60 aves desta espécie na natureza, mas um censo realizado em 2010 pelo Instituto Chico Mendes localizou mais de 1.200 exemplares. O nível de ameaça baixou de Criticamente Ameaçada para Espécie em Perigo de Extinção.

Conscientização e ação

O avanço só foi possível graças ao trabalho de fiscalização e da ação de biólogos e ONGs. O trabalho começa com a preservação da Palmeira do Licuri ou do Licurizeiro como é popularmente conhecida. Essa é a árvore que produz o Coco do Licuri, alimento preferido da Arara Azul de Lear e que serve de matéria prima para outras atividades.

“Nós tínhamos que estimular algum tipo de renda alternativa, uma outra forma para incentivar as pessoas a preservarem o licuri. Então com o apoio da Fundação Loro Parqe, através do Instituto Arara Azul, nós iniciamos um projeto de geração de renda para as comunidades”, conta Simone Tenório, bióloga.

O plano de manejo sustentável começa com a numeração das árvores no campo. Um grupo do município de Santa Brígida trabalha junto e usa a consciência para retirar a palha no tempo certo.

“De forma predatória não adianta. De forma consciente, uma palha a cada 60 dias ou 90 dias”, destaca Mário Reis, artesão.

“A gente leva, chega em casa e senta para raspar, põe para secar e trabalha com todo o gosto”, completa Sueli Ferreira de Lima Silva, artesã.

Aos poucos a fibra da palha vai ganhando forma nas mãos dos artesãos. Elas fazem peças de decoração, porta joias, cestas e utensílios domésticos. A oportunidade de geração de renda é compartilhada por Seu José Valdo, a esposa e as filhas. Juntos eles moldam um futuro melhor para a família.

“É uma renda que a gente faz vários tipos de coisa. Tanto serve para alimentação, como para outras coisas que a gente compra, através da renda com o artesanato”, José Valdo Rosa, artesão.

Uma oportunidade de renda e preservação que está sendo multiplicada em outras comunidades baianas para garantir a continuidade das ações.

São nove anos do programa de conservação da Arara Azul de Lear e a cada ano ele se desenvolve ainda mais. Já são 44 artesãos trabalhando de forma consciente com a palha do licurizeiro nas cidades de Santa Brígida e Euclides da Cunha, na Bahia. As peças produzidas já são comercializadas para Salvador, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

“É muito bom para gente, porque a gente vivia aqui num lugar que não tinha muita coisa para fazer, então foi muito importante para a gente aprender a fazer estas coisas que não sabíamos”, avalia Edilene de Oliveira, artesã.

Assim a Arara Azul de Lear vai recebendo o valor que merece. No município de Euclides da Cunha ela é homenageada em praça pública. Fotos e textos são usados para despertar ainda mais a consciência de turistas e moradores.

Fonte: Do G1 Bahia, com informações da TV sudoeste.


24 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Governo inicia levantamento de famílias para receber ‘Bolsa Verde’

Projeto de benefício federal está sendo delineado por ministérios.
Baseado no Bolsa Família, pretende ajudar população pobre em reservas.

O governo iniciou na última semana o levantamento do número de famílias que habitam as unidades de conservação federais para saber quantas delas estão em situação de extrema pobreza e poderiam receber um benefício mensal denominado ‘Bolsa Verde’.

Lançado em 2009 pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o projeto segue o modelo do Bolsa Família. A intenção do programa é evitar que moradores dessas localidades pratiquem a exploração ilegal de recursos naturais. De acordo com as regras, famílias com renda de até R$ 70 por pessoa poderão receber um benefício mensal de R$ 100.

Existe a expectativa de que o benefício passe a vigorar a partir do segundo semestre deste ano. Mas ele ainda está em fase de discussão interministerial e envolve as pastas do Meio Ambiente, Desenvolvimento Social e Desenvolvimento Agrário, que tentam destravar o projeto. Ele precisa ainda passar pelo Congresso e, finalmente, pelo crivo da presidente Dilma Rousseff.

Levantamento
Técnicos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão responsável pela gestão das unidades de conservação federais, são responsáveis pelo censo que vai saber quais famílias podem receber a verba.

Em uma primeira fase, moradores das 310 unidades federais devem ser contemplados. Em uma segunda etapa, o benefício poderá abranger também reservas sob controle dos estados. “Queremos instituir um marco legal para atingir a população extremamente pobre. Seja aquela que está dentro das unidades ou nos arredores, além dos assentamentos de reforma agrária”, afirmou Roberto Vicentin, secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente.

Reforço
Segundo Paulo Maier, diretor de Unidades de Conservação do Instituto Chico Mendes, aproximadamente 60 mil famílias podem se beneficiar. Ainda segundo Maier, existe uma preocupação referente à fiscalização do pagamento.

“Está em debate as formas de verificações. Para saber se as famílias estão cumprindo com o objetivo do programa, poderemos utilizar sistemas de monitoramento via satélite, talvez até pelo desmatamento em tempo real da Amazônia Legal (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)”, afirmou Maier.

Realidade
Na reserva extrativista de Tapajós-Arapiuns, no Pará, cerca de 18 mil pessoas vivem no interior da floresta Amazônica e são responsáveis pela preservação de uma área aproximada de 6,5 mil km².

Em grande parte das comunidades só é possível chegar de barco, após 32 horas de viagem a partir da cidade mais próxima, Santarém. A maioria da população vive da agricultura, por meio da plantação de mandioca e fabricação de farinha, além da pesca e pequenos focos da extração de borracha e castanha.

De acordo com Rosinaldo Santos dos Anjos, 42 anos, presidente da associação de moradores, o total de farinha produzido é pouco (50 kg por família), sendo que grande parte é destinado ao consumo próprio.

“Com a venda não é possível levantar nem R$ 50 por mês. Isto incentiva a exploração ilegal da floresta, com a derrubada de árvores e venda clandestina de madeira”, disse. Ainda segundo Santos, o pagamento do benefício é uma forma de reconhecer o trabalho dos ‘guardiões’ da floresta. “É um apoio para nós”, afirmou.

Produção de farinha em comunidade da reserva extrativista Tapajós-Arapiuns, no Pará (Foto: Divulgação/ICMBio)

Produção de farinha em comunidade da reserva extrativista Tapajós-Arapiuns, no Pará (Foto: Divulgação/ICMBio)

 

A pesca é uma das forma de subsistência nas reservas federais. (Foto: Divulgação/ICMBio)

A pesca é uma das forma de subsistência nas reservas federais. (Foto: Divulgação/ICMBio)

 

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, em São Paulo


26 de janeiro de 2011 | nenhum comentário »

IPEVS recebe visita de analistas ambientais do ICMBio

Carlos e Vívian no escritório do IPEVS com Lívea e Rafael

Carlos e Vívian no escritório do IPEVS com Lívea e Rafael

Nos dias 22 e 23 Janeiro, o Instituto de Pesquisa em Vida Selvagem e Meio Ambiente recebeu a visita de Carlos Roberto Abrahão e Vívian Mara Uhlig, ambos analistas ambientais do Centro de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios do ICMBio - Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

Carlos e Vívian foram recebidos pela diretoria do IPEVS e conheceram as instalações e estrutura existentes, desde o escritório administrativo até o CEAMA – Centro de Educação Ambiental Mundo Animal, local no qual são mantidos cativos exemplares de diversas espécies de répteis, anfíbios e aracnídeos com finalidade conservacionista e de educação ambiental. 

Carlos sitou a importância dos criadouros para conservação ex situ, para estudos biológicos e para possíveis futuros programas de reintrodução de espécies. Parabenizou ainda a equipe do IPEVS pela rara reprodução em cativeiro da espécie de serpente conhecida como Salamanta do Cerrado (Epicrates crassus) e afirmou que os dados sobre a biologia reprodutiva obtidos pela equipe serão de grande valia para programas de conservação desse grupo de animais.

Vívian elogiou a estrutura e organização da entidade e comentou da possibilidade de futuras parcerias entre as instituições para desenvolvimento de projetos e pesquisas conjuntas.

Para a equipe do IPEVS o resultado desta visita reflete a dedicação e o trabalho sério que a entidade vem desenvolvendo durante esses anos e amplia as possibilidades de parceria junto aos órgãos federais como IBAMA e ICMBio.