29 de agosto de 2013 | nenhum comentário »

Brasil deve atingir meta de redução do desmatamento antes de 2020, diz secretário

O Brasil deve atingir antes do fim do prazo a meta de reduzir em 84% o desmatamento, principal fonte das emissões de gases de efeito estufa no país, disse na quarta-feira (28) o secretário nacional de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental, Carlos Klink. Sem informar ano exato, ele disse que o país chegará antes de 2020 a um patamar inferior a 4 mil quilômetros desmatados por ano, compromisso estabelecido na Conferência do Clima de Copenhague, em 2009.

“No ano passado, já chegamos a 4,5 mil quilômetros quadrados de desmatamento. Temos que atingir 4 mil e manter, que é muito importante. Mas nossa meta continua sendo a de nos reportarmos às Nações Unidas em 2020?, declarou Klink, que participou da abertura do 7º Fórum Latino-Americano de Carbono.

De acordo com Klink, a queda do desmatamento corresponde a 60% da redução de emissões brasileiras, que precisam cair entre 36% e 39% até 2020. Para o secretário, o impacto também será global. “Como um estudo que saiu da Rio+20 aponta, vai haver um déficit de emissões em 2020, e nós vamos cobrir metade desse déficit com a nossa redução. O Brasil está dando uma contribuição global e quer ser reconhecido e valorizado por isso”.

Apesar disso, Klink reconhece que em alguns setores vêm ocorrendo aumento de emissões, que já eram previstas. “Alguns setores cresceram suas emissões, mas isso não se compara às emissões reduzidas no desmatamento. Isso não significa que não tenhamos que prestar atenção nisso. A agricultura e energia, principalmente, são os que dão uma subidinha. Por isso, temos planos setoriais específicos para indústria, energia e principalmente agricultura”.

Em um ano em que as usinas termelétricas foram a solução para as condições climáticas desfavoráveis às hidrelétricas e em que usinas a carvão entraram com peso nos leilões de geração de eletricidade para os próximos anos, o secretário não nega que essas são preocupações e diz que é preciso debater a questão da energia com a sociedade. “Pelo lado das emissões, é claro que isso é uma preocupação, mas, se a intenção é manter uma matriz energética diversificada, é um debate que o país tem que fazer. Por um lado, não estamos permitindo a construção de hidrelétricas, e temos que oferecer energia”.

Com redução do desmatamento concentrada principalmente na Amazônia, a secretaria trabalha agora para lançar o monitoramento sistemático do desmatamento no Cerrado. “Estamos financiando com o Fundo da Amazônia outros países da América Latina para que façam o monitoramento com tecnologia nossa. Estamos monitorando o Cerrado, e lá o desmatamento também caiu, mas estamos mais atrasados. A Caatinga também tem preocupado, mas caminha para a redução”, disse, acrescentando que o uso da vegetação como lenha e empreendimentos empresariais são a principal ameaça ao último bioma.

Fonte: Agência Brasil


1 de abril de 2013 | nenhum comentário »

Desmatamento da Amazônia sobe 26% nos últimos 7 meses, diz Inpe

De agosto de 2012 a fevereiro de 2013, foram devastados 1.695 km².
Ibama apreendeu 216 motosserras e 32 armas na Amazônia Legal.

Desmatamento em Porto Velho, Rondônia (Foto: Divulgação/Greenpeace/Marizilda Cruppe/EVE)

Área desmatada na região da Amazônia em Rondônia (Foto: Divulgação/Greenpeace/Marizilda Cruppe/EVE)

Os alertas de desmatamento na Amazônia Legal subiram 26% nos últimos sete meses, no intervalo entre 1º de agosto de 2012 e 28 fevereiro de 2013, em comparação com o mesmo período anterior, de 1º de agosto de 2011 a 28 de fevereiro de 2012, segundo informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgadas nesta quinta-feira (28).

Os dados, que incluem a degradação (desmatamento parcial) e o corte raso (desmatamento total) da floresta, foram registrados pelo sistema de detecção de desmatamento em tempo real do Inpe, o Deter, que usa imagens de satélite para analisar a perda da mata em nove estados.

No total, 1.695 km² da floresta foram destruídos ou degradados nos últmos sete meses, área pouco maior do que o tamanho da cidade de São Paulo, de 1.521 km², de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Já entre 2011 e 2012, foram perdidos 1.339 km² de mata, no mesmo intervalo de tempo.

Quatro meses
Só nos últimos quatro meses, de novembro de 2012 a fevereiro de 2013, houve alertas de desmatamento em 615 km² da floresta amazônica, segundo o Inpe. O número é 15% maior do que o registrado anteriormente: 536 km² desmatados, entre novembro de 2011 e fevereiro de 2012.

A cobertura de nuvens na região amazônica prejudica a análise do Deter, afirma o Inpe. Em novembro de 2012, 34% da floresta estava coberta por nuvens; já em dezembro, a cobertura foi de 54%. Em janeiro, 67% da Amazônia estava coberta por nuvens, enquanto em fevereiro o índice foi de 64%.

Por estado
Os dados do Inpe apontam que o estado com o maior registro de alertas de desmatamento nos últimos sete meses foi o Mato Grosso (734 km²), seguido do Pará (428 km²), Rondônia (270 km²), Amazonas (151 km²) e Roraima (50 km²).

Os primeiros três estados também foram os “líderes” em destruição da floresta: Mato Grosso (604 km²), Pará (300 km²) e Rondônia (232 km²) tiveram mais desmatamento entre agosto de 2011 e fevereiro de 2012, segundo o Inpe.

Proporcionalmente, o aumento do desmate foi grande no Maranhão (crescimento de 121%) e no Tocantins (81%), aponta o Inpe.

Fiscalização
Segundo o diretor de proteção ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Luciano de Meneses, o órgão teve que encontrar novos métodos de fiscalização após constatar o aumento no número de alertas de desmate.

“Entramos com a Operação Onda Verde, ocupamos as seis áreas críticas que respondem hoje por 54% de todo o desmatamento da Amazônia. Colocamos bases móveis com autonomia. Essas bases tem agentes do Ibama, agentes da Força Nacional de Segurança, agentes da Polícia Rodoviária Federal”, afirmou o diretor.

Fiscais do Ibama na Operação Onda Verde apreenderam mais de 65 mil m³ de madeira em toras que circulavam de forma clandestina pela floresta, entre 1º de agosto de 2012 e 25 de março de 2013. Desse total, quase 38 mil m³ de madeira foi encontrada no estado do Pará, e 15,7 mil m³, em Mato Grosso.

Além de madeira, o Ibama confiscou 110 tratores, 60 caminhões, 216 motosserras e 32 armas de fogo na Amazônia Legal. A maior apreensão de motosserras ocorreu também no estado do Pará (137), seguido do Mato Grosso (39) e de Roraima (19).

No total, o órgão aplicou 3.180 autos de infração entre agosto de 2012 e março de 2013, cujo valor de multas, somadas, ultrapassa R$ 1,4 bilhão.

“Mato Grosso e Pará sempre foram os ‘campeões’ do desmatamento”, disse o diretor do Ibama. “Esses alertas, a gente entende que eles possam estar sendo impulsionados pelo boom das commodities agrícolas, pelo aumento [do preço] do ouro e pelo aumento do preço da terra.”

Análise em campo
Técnicos do Ibama foram a campo para analisar os dados de desmatamento, e checaram 1.053 polígonos com suspeita de devastação, de um total de 2.072 informados pelo Deter.

Em 46% dos polígonos analisados, o Ibama constatou que houve corte raso, isto é, a remoção total da mata. Em outros 47%, os técnicos encontraram degradação parcial da floresta. No restante, 7% dos polígonos, o Ibama afirma ter identificado um “falso positivo”, áreas como espelho d’água ou afloramento rochoso que não correspondem à degradação.

Balanço anual
O último balanço anual de desmatamento divulgado pelo Inpe apontou que 4.656 km² da Amazônia haviam sido perdidos entre agosto de 2011 e julho de 2012. A área, calculada pelo sistema Prodes, equivale a mais de três vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

O Prodes consolida dados coletados ao longo de um ano por satélites, capazes de detectar regiões desmatadas a partir de 6,25 hectares, e não pode ter suas informações comparadas com o sistema Deter. São computadas apenas áreas onde ocorreu remoção completa da cobertura florestal – característica denominada corte raso.

 (Foto: Arte/G1)

 

 

Fonte: Globo Natureza


9 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Cadastro de propriedades rurais terá funcionamento em 2013, diz ministra

Governo concluiu compra de imagens de satélite para monitorar imóveis. 
Segundo Izabella Teixeira, fiscalização do desmatamento será eficiente.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou nesta sexta-feira (9) que o sistema de cadastro de propriedades rurais, previsto no novo Código Florestal, estará em funcionamento pleno no início de 2013.

O governo concluiu nesta quinta-feira (8) a compra de imagens de satélite em alta resolução para monitorar as fazendas brasileiras.

Pela nova lei, todos proprietários rurais devem se inscrever gratuitamente no Cadastro Ambiental Rural. O objetivo é facilitar ao governo a fiscalização, através das imagens de satélite, de desmatamentos ilegais em Áreas de Preservação Permanente (APPs). A inscrição da propriedade no cadastro deverá ser feita em um órgão ambiental estadual ou municipal um ano após sua implantação.

O contrato assinado pelo governo para a obtenção das imagens de satélite tem duração de quatro anos e prevê custo de R$ 28,9 milhões. Serão fornecidas imagens de 2011, 2012, 2013 e 2014.

“Em 2013, o sistema estará zerado. Vamos começar o ano com 100% das imagens do Brasil. É a reta final daquele que é o processo de homologação do CAR para entrarmos com a implantação nos estados.”, afirmou Izabella Teixeira.

Implementação da nova lei
Segundo a ministra, o CAR vai cadastrar 5 milhões de propriedades, o que dará maior eficiência à fiscalização de desmatamentos. “Isso vai fazer com que a gente possa implementar o Código Florestal. Progressivamente ano a ano ver como está o funcionamento da propriedade. Para a fiscalização usa-se essa imagem até nos equipamentos móveis. Vai permitir que, num tablet, você monitorar a propriedade”, afirmou.

Para Izabella Teixeira, os produtores rurais vão ganhar com o cadastramento, porque terão condições de comprovar a legalidade das propriedades de forma mais eficiente na hora de tomar crédito. “Você clica, sabe qual o proprietário, o gerente de crédito pode verificar imediatamente se a fazenda está regularizada”, disse.

De acordo com a ministra, o governo optou por adquirir imagens de alta resolução. “Nunca antes na história do meio ambiente se teve tanta tecnologia. Normalmente se tem por região, em escalas diferenciadas. Essas imagens vão ser disponibilizadas também para os estados”, disse.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, durante evento realizado nesta sexta-feira (9) em Brasília (Foto: Wilson Dias/ABr)

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, durante evento realizado nesta sexta-feira (9) em Brasília (Foto: Wilson Dias/ABr)

Fonte: Globo Natureza


7 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Ministra diz que País reduz desmatamento, mas não recebe compensação por avanços

O Brasil é o país que mais reduz o desmatamento e as emissões de carbono no planeta. Ao destacar a posição de liderança do governo brasileiro nas metas previstas em acordos internacionais de mudanças do clima, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que o País não tem recebido a compensação devida por esses avanços.

“O Brasil está fazendo muito sem ter o retorno que poderia ter. O Fundo da Amazônia só tem doação, até hoje, da Noruega, da Alemanha e da Petrobras, uma empresa brasileira que aloca recursos na Amazônia. Cadê os outros doadores? Nós estamos reduzindo o desmatamento. A contribuição brasileira continua”, acrescentou a ministra, que participou em Macapá do 3º Congresso Nacional das Populações Extrativistas.

 

Pelos números do Ministério do Meio Ambiente (MMA), o desmatamento ilegal na região caiu de 29 mil quilômetros quadrados (km²) em 2004 – ano em que foi registrada a maior degradação na região – para 6,4 mil km² em 2012. Este mês, o MMA deve divulgar mais uma redução da área degradada.

 

A expectativa de países em desenvolvimento e nações mais pobres é que o tema volte a ser debatido durante a 18ª Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP18), quando as nações menos desenvolvidas esperam avançar na elaboração da segunda etapa do Protocolo de Quioto – que estabelece as metas de redução de emissões de gás de efeito estufa para os países desenvolvidos. A COP18 começa no fim deste mês e vai até o início de dezembro, em Doha, no Catar, com a participação de representantes de 190 países.

 

Apesar de endossar a aposta, a ministra não acredita em uma definição sobre o cálculo das emissões de carbono e as compensações. “O Brasil trabalha enquanto os ricos países desenvolvidos emitem? Isso vai aparecer no debate sobre a segunda rodada de compromissos do Protocolo de Quioto, mas vai ser definido de 2013 a 2015″, disse, referindo-se ao período que vai anteceder o novo Acordo-Quadro sobre Mudanças do Clima entre os países signatários da Convenção das Nações Unidas.

 

As estratégias brasileiras para manter o ritmo de redução de emissões têm sido estudadas por representantes do Ministério da Fazenda e do MMA. A definição de políticas de mudanças do clima também está na pauta de discussões do Congresso Nacional.

 

Ainda que o Brasil defina compromissos internamente, a questão precisa ter uma regulamentação internacional, assim como a definição do Redd – sigla que define a Redução das Emissões Geradas com Desmatamento e Degradação Florestal nos Países em Desenvolvimento. O mecanismo, que tem sido o centro das polêmicas nas discussões sobre clima, funcionaria como uma compensação financeira para os países em desenvolvimento ou para comunidades desses países, pela preservação de suas florestas.

 

Segundo Izabella Teixeira, o Fundo da Amazônia é o único mecanismo de REDD, em prática, que o governo reconhece. O fundo foi criado em 2008 para captar doações para investimentos em prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e para a conservação e o uso sustentável das florestas amazônicas.

 

“O que adianta eu implantar mecanismos que, muitas vezes, depois, não são reconhecidos internacionalmente. Lembro que a conta tem que ser paga pelos países desenvolvidos que não estão reduzindo suas emissões na magnitude que deveriam”, disse, destacando poucas ações positivas como metas definidas por países da União Europeia e de alguns estados norte-americanos.

 

A ministra acrescentou que o governo brasileiro retomou a negociação de um acordo com os Estados Unidos para estabelecer a segunda fase de cooperação destinada ao monitoramento e combate a incêndios e queimadas, nos moldes da parceria firmada na década de 1990. “Isso envolve o desenvolvimento de tecnologias para o monitoramento de queimadas, treinamento de pessoas no combate a incêndios florestais e a qualificação dos gestores de áreas protegidas no manejo do fogo no Brasil”, explicou.

 

O acordo também está sendo debatido com especialistas da Universidade de Brasília (UnB) e dos serviços florestais americano e brasileiro.

Agência Brasil

 


7 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Intervenção humana ameaça biodiversidade em Madagascar

Cerca de 85% das espécies que vivem na quarta maior ilha do mundo existem apenas lá. Mas as mudanças climáticas e a atividade humana ameaçam esse ambiente singular.

Madagascar fica localizada a leste do continente africano, no Oceano Índico. Lá, flora e fauna desenvolveram-se em completo isolamento, porque ao longo da formação do planeta a ilha se desprendeu do continente africano. O resultado é uma riqueza biológica muito especial.

De acordo com a organização ambientalista WWF, 85% das espécies existentes na ilha são endêmicas, isto é, existem apenas lá. Entre elas estão os lêmures – das cerca de 100 espécies diferentes existentes na ilha, cerca de 30 estão na lista de espécies amea­çadas. Seu significado religioso para a população nativa é expressivo. Grande parte da população acredita que as pessoas se tornam lêmures depois da morte. Não é por acaso que eles são também chamados de “espírito da floresta”.

Além disso, quase todas as espécies de cobras, sapos, camaleões e lagartixas são consideradas endêmicas. O tesouro biológico abriga cerca de 250 espécies de pássaros e 3 mil de borboletas. A variedade da flora também é única: 80% das 12 mil espécies conhecidas de plantas com flores existem apenas em Madagascar, assim como cinco das seis espécies de baobá, também conhecido como árvore pão-de-macaco. Cientistas suspeitam que nas poucas áreas com floresta virgem que ainda existem, haja muitas espécies animais e vegetais que ainda nem foram catalogados.

Mais pessoas – menos floresta

Cerca de 20 milhões de pessoas vivem em Madagascar, e o número de habitantes aumenta em cerca de meio milhão por ano. Como a população vive principalmente da agricultura, mais e mais terras são preparadas para o cultivo e a pecuária, na maioria dos casos por meio da queimada de florestas. Além disso, muitas árvores são cortadas para a produção de lenha e combustível.

Isso tem efeitos dramáticos sobre a paisagem. A floresta, que já chegou a cobrir 90% da superfície de Madagascar, hoje ocupa apenas 10% do território, segundo dados da WWF. E a cada ano são derrubados 120 mil hectares de árvores. Se continuar nesse ritmo, em 40 anos Madagascar não terá mais árvores, projeta a organização ambientalista.

Biodiversidade ameaçada

Com a perda das florestas, perde-se cada vez mais o habitat de plantas e animais. “Se elas [as florestas] não forem salvas, perderemos inúmeras espécies que sequer conhecemos“, diz a especialista em Madagascar da WWF, Dorothea August. A espécie de lêmure mirza, descoberta recentemente, é um exemplo dos segredos que as florestas de Madagascar ainda abrigam.

“Se a destruição não for impedida, os dias de muitas espécies de animais e plantas estarão contados“, diz August. O crescente desflorestamento em Madagascar leva a uma gigantesca erosão. As consequências são deslizamento de terras, inundações, por um lado, e escassez de água devido ao ressecamento do solo. Essas transformações são favorecidas pelas mudanças climáticas globais.

Apesar de tudo, algumas espécies de plantas podem se adaptar. O baobá, por exemplo, pode armazenar até 500 litros de água em seu tronco e com isso sobreviver aos períodos de seca, que são cada vez mais frequentes.

Proteção ambiental apenas em nível local

O governo de Madagascar reconhece o princípio da conservação da natureza. E por isso trabalha, por exemplo, com a WWF em um projeto para o manejo sustentável da água. Até o momento, cerca de 35 mil pessoas de 13 municípios do Platô Mahafaly já se beneficiaram com o projeto. Mas em outros processos a situação está estagnada. “O país passa de crise política em crise política, não há confiabilidade”, diz Daniela Freyer, bióloga da organização Pro Wildlife.

O sistema de fiscalização estaria totalmente desmantelado, o que, junto com a corrupção, permite o avanço na extinção de espécies de animais e plantas. “A exportação de madeira protegida para a Alemanha e para a China é aprovada pelas autoridades”, diz Freyer. Isso acontece muitas vezes pela concessão de “isenções”. Para completar, há ainda o comércio ilegal – e também legal – de animais de Madagascar, como as lagartixas e sapos.

Dorothea August, do WWF, critica também a falta de ação política e a impunidade. A instabilidade política no país “não ajuda na implementação de projetos ambientais”, reclama a especialista do WWF.

Para Daniela Freyer, é importante que organizações ambientalistas locais estejam engajadas, para substituir a caótica estrutura organizacional e de controle do país. “Para assim garantir um mínimo de proteção.”

Lêmures são o "espírito da floresta"

Baobá consegue acumular até 500 litros de água e, com isso, sobrevive melhor ao clima árido

 Fonte:  DW / Autor: Po Keung Cheung (ff)
Revisão: Roselaine Wandscheer

3 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Desmatamento na Amazônia cai 17% entre 2011 e 2012, segundo Inpe

Devastação da floresta foi de 1.232,75 km² de janeiro a agosto deste ano.
Mato Grosso, Pará e Rondônia continuam liderando desmatamento.

O desmatamento registrado na Amazônia Legal caiu 17% entre 1º de janeiro e 15 de agosto de 2012, na comparação com o mesmo período de 2011, apontam dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

As informações foram obtidas pelo sistema de detecção do desmatamento em tempo real, o Deter, que usa imagens de satélite para visualizar a perda de vegetação na região. Comparando os dados no intervalo de tempo avaliado, a devastação passou de 1.485,66 km² de floresta no ano passado para 1.232,75 km² neste ano, recuo de 252,91 km².

Na comparação entre os três últimos meses deste ano (de 15 de maio a 15 de agosto de 2012) com o mesmo período de 2011, o recuo no desmate foi maior, de 27,8%. A devastação passou de 773,85 km², no intervalo registrado em 2011, para 558,21 km² neste ano.

Em agosto, o Inpe anunciou que publicaria informações do Deter a cada 15 dias. Os dados são considerados um levantamento rápido e não têm o nível de detalhe da pesquisa oficial prevista para o final do ano pela instituição, o Prodes (Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal).

Estados
O estado campeão no ranking da devastação continua sendo o Mato Grosso (694,69 km² de área destruída), seguido do Pará (321,58 km²) e de Rondônia (121,68 km²), segundo os dados do Deter de janeiro a agosto de 2012. No ano passado, estes mesmos estados lideraram o desmate da Amazônia Legal – o Mato Grosso perdeu 744,68 km² de floresta, o Pará perdeu 365,92 km² e Rondônia teve 230,36 km² de desmatamento.

Para o professor de política ambiental e mudança climática da Unesp (Universidade Estadual Paulista), David Montenegro Lapola, apesar de parciais, os números mostram continuação na tendência de queda no desmatamento da Amazônia, “algo que ocorre desde 2004″.

Ele aponta dois fatores para o recuo na destruição: a maior presença do poder público na Amazônia, principalmente na forma de fiscalização, e o desaquecimento da economia global, que pode ter levado a uma demanda menor por produtos da fronteira agrícola na região, que há anos têm se expandido rumo à floresta.

Para o professor, a criação de áreas de proteção ambiental e a presença maior de agentes da Polícia Federal e do Ibama na região nos últimos anos contribuíram para a diminuição do desmatamento. “Mas não podemos ignorar a questão do desaquecimento econômico internacional”, ressalta.

O pesquisador aponta que a queda na destruição da Amazônia contribui também para a redução nas emissões de gases-estufa que causam mudanças climáticas pelo planeta. Aproximadamente 75% das emissões de gases-estufa no Brasil vêm de queimadas e devastação de florestas e outros biomas, incluindo a Amazônia, afirma Lapola.

“Acho que ainda há mais o que fazer com relação à fiscalização. Se a gente pode reduzir em 80% [o desmatamento], por que não podemos reduzir em 100%?”, diz o professor, fazendo referência à meta definida por lei no Brasil pela Política Nacional de Mudanças Climáticas. Pela legislação, o país tem como meta reduzir a destruição da Amazônia em 80% até 2020.

Menor índice histórico
Em junho, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, anunciou que a Amazônia Legal teve o menor índice de desmatamento dos últimos 23 anos. Segundo Inpe, a região teve 6.418 km² de floresta desmatada entre agosto de 2010 e julho de 2011 — o equivalente a quatro vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

Foi a menor taxa desde que o instituto começou a fazer a medição, em 1988, e houve uma redução de 8% em relação ao mesmo período em 2009 e 2010. No entanto, em dezembro do ano passado, o Inpe havia divulgado uma expectativa de desmate de 6.238 km² — alta de 3%. O número foi obtido a partir dos dados consolidados do sistema Prodes.

Vista aérea da floresta Amazônia na região dos arredores do rio Guaporé (Foto: André Edouard/Arquivo/AFP)

Vista aérea da floresta amazônica na região dos arredores do rio Guaporé (Foto: André Edouard/Arquivo/AFP)

Fonte: Globo Natureza


26 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Desmatamento reduz em junho, mas MT ainda lidera degradação florestal

De acordo com Imazon, estado concentra 80% da degradação florestal.
Em 11 meses foram 1.587 km2 no estado frente aos 1.974 km2 da região.

Área desmatada possuia árvores em extinção (Foto: Divulgação)

Desmatamento em junho somou 2 km2 no estado (Foto: Divulgação)

Mato Grosso perdeu dois quilômetros quadrados de Floresta Amazônica em junho e tornou-se o menor do ano, apontou o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia. O resultado verificado no mês passado superou o desempenho de janeiro, quando foram quatro quilômetros quadrados e à época era o mais baixo. Altas e baixas marcam os níveis de desmates no semestre no estado, revelou o Imazon.

Enquanto em janeiro a floresta perdeu 4 km2, em fevereiro as ocorrências tornaram-se maiores e atingiram uma área de 70 km2, fazendo a unidade federada liderar o ranking dos maiores desmatadores da Amazônia Legal. Em março, o desmatamento atingiu 32 km2, indo a outros 50 km2 em abril e 11 km2 em maio.

Apesar de comemorar reduções, Mato Grosso ainda é campeão no quesito degradação florestal. Como explica João Andrade, coordenador do Programa Governança Florestal do Instituto Centro de Vida (ICV), a degradação corresponde ao chamado pré-desmatamento e mostra que a destruição da floresta ainda continua.

“É um indicador futuro, pois é o primeiro sinal do desmatamento. Os dados se contrapõem e mostram que a ilegalidade continua”, disse ao G1 o representante. Ao avaliar a degradação florestal acumulada entre agosto de 2011 a junho de 2012 (o chamado ano do desmatamento), o Imazon constatou que na Amazônia Legal chegou a 1.974 km2. Somente em Mato Grosso foram 1.587 km2 ou pouco mais de 80% do volume total.

Mesmo com uma redução na ordem de 58% na degradação florestal, quando comparado aos 3.779 km2 registrados entre agosto de 2010 a junho de 2011, a unidade matogrossense continua liderando o ranking dos estados que mais degradaram a floresta nestes meses avaliados. O Pará, com 239 km2 degradados, apareceu na segunda posição, seguida por Rondônia com 101 km2.

Para João Andrade, do ICV, a degradação fomenta também o comércio ilegal de madeira e mantém vivos os crimes contra a floresta. No entender do representante do Instituto Centro de Vida, dois fatores estão influenciando diretamente a continuidade das ações ilegais.

“Um é a fiscalização e a outra é a responsabilização. Muitas vezes uma pessoa é autuada, mas não necessariamente paga a multa, pois pode prescrever. Ou também porque houve problemas na hora da fiscalização e acham-se brechas [jurídicas]. Se há a maior responsabilização vai se pensar duas vezes [antes de agir]“, afirma o coordenador do Programa Governança Florestal.

Desmatamento acumulado
Ao avaliar o acumulado dos chamados dez meses do calendário de desmatamento, ou seja, de agosto de 2011 a junho de 2012 o Imazon aponta o Pará (34%) como líder, seguido por Mato Grosso (32%), Rondônia (18%) e Amazonas (9%). Juntos, os quatro estados foram responsáveis por 93% do desmatamento ocorrido na Amazônia Legal nesse período.

Segundo o Imazon, houve recuo de 41% nos desmates quando comparado com o período anterior (agosto de 2010 a junho de 2011). Queda em termos relativos no Acre (-64%), Amazonas (-54%), Mato Grosso (-50%), Rondônia (48%) e Pará (20%). Contudo, avanço de 194% em Roraima e 61% no Tocantins.

Já em termos absolutos quem lidera o ranking do desmatamento no acumulado é o estado do Pará, com 309 km2, seguido por Mato Grosso (293 km2), Rondônia (167 km2), Amazonas (81 km2), Roraima (23 km2), Acre (20 km2) e Tocantins (14 km2).

 

Fonte: G1


16 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Amazônia deve sofrer grande extinção de espécies até 2050

Pesquisa avalia o impacto local promovido pela perda de vegetação em 30 anos e aponta que ainda há tempo para agir.

As piores consequências do desmatamento sofrido pela Amazônia ao longo de 30 anos ainda estão por vir. Até 2050, podem ocorrer de 80% a 90% das extinções de espécies de mamíferos, aves e anfíbios esperadas nos locais onde já foi perdida a vegetação. A boa notícia é que temos tempo para agir e evitar que elas de fato desapareçam. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada na edição desta semana da revista Science.

 

Um trio de pesquisadores da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos considerou as taxas de desmate na região de 1978 a 2008 e levou em conta a relação entre espécies e área – se o hábitat diminui, é de se esperar que o total de espécies que ali vivem diminua, ao menos localmente.

 

Acontece que os animais têm mobilidade, podem migrar para locais vizinhos ao degradado. Lá vão tentar sobreviver, competindo por recursos com animais que já estavam no local, de modo que o desaparecimento não é imediato, podendo levar décadas para se concretizar.

 

É essa diferença, que os pesquisadores chamam de “débito de extinção”, que foi calculada no trabalho. Grosso modo, é uma dívida que teria de ser “paga” – em espécies animais – pelo desmatamento do passado. A ideia por trás do termo é tanto mostrar o que poderia acontecer se simplesmente o processo de extinção seguisse o seu rumo, quanto estimar qual pode ser o destino dessas espécies que dependem da floresta, considerando outros cenários de ações.

 

Mas em vez de calcular para toda a Amazônia – o que seria problemático, porque há uma diferença de riqueza de biodiversidade no bioma -, os autores mapearam os nove Estados em quadros de 50 quilômetros quadrados, a fim de estimar os impactos locais. Uma espécie pode deixar de ocorrer em uma dada área, mas isso não significa que ela desapareceu por completo.

 

Tanto que a literatura ainda não aponta a extinção de nenhuma espécie na Amazônia, explica o ecólogo Robert Ewers, do Imperial College, de Londres, que liderou o estudo. “Uma razão para isso é que o desmatamento se concentrou no sul e no leste na Amazônia, enquanto a mais alta diversidade de espécies se encontra no oeste da região. Mas não há dúvida de que muitas estão localmente extintas onde o desmatamento foi mais pesado.”

 

Na pior hipótese, a do “business as usual”, considera-se a continuidade do modelo da expansão da agricultura; na melhor, que o desmatamento zere até 2020. Os pesquisadores propõem, no entanto, que o cenário mais realista é o que considera a permanência da governança, ou seja, das ações governamentais que levaram à queda do desmatamento nos últimos anos.

 

Mas mesmo nessa situação é de se esperar que espécies sumam. Em 2050, os pesquisadores estimam que localmente (nos quadros de 50 km² podem desaparecer de 6 a 12 espécies de mamíferos, aves e anfíbios em média; enquanto de 12 a 19 podem entrar na conta do que pode ser extinto nos anos seguintes.

 

Eles reforçam que isso ainda não aconteceu e ações que aumentem as unidades de conservação e promovam a restauração de áreas degradadas têm potencial de evitar o danos. Os mapas mostram em quais áreas esse esforço poderia promover mais benefícios.

 

Em outro artigo na Science que comenta o trabalho, Thiago Rangel, da Universidade Federal de Goiás, pondera que a conjuntura atual é incerta. “O governo vai investir pesado em infraestrutura, estão previstas 22 hidrelétricas de grande porte, estão sendo reduzidas as unidades de conservação e o Código Florestal vai ficar mais frouxo. A trajetória dos dez anos que passaram dava uma sinalização otimista, mas são os próximos dez anos que vão dizer o que vai acontecer.”

Fonte: O Estado de São Paulo


12 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Brasil tem o equivalente a duas Franças em áreas degradadas, diz Ministério do Meio Ambiente

Se o Brasil recuperasse suas áreas degradadas – terras abandonadas, em processo de erosão ou mal utilizadas – não seria preciso derrubar mais nenhum hectare de floresta para a agropecuária. A avaliação é de técnicos e pesquisadores reunidos nesta quarta-feira (11), durante o 9º Simpósio Nacional de Recuperação de Áreas Degradadas (9º Sinrad), que ocorre no Rio até dia 13.

O diretor do Departamento de Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Fernando Tatagiba, estimou em até 140 milhões de hectares o total de terras nessa situação no país, área superior a duas vezes o tamanho da França. O ministério está finalizando seu novo plano plurianual, que dará grande importância à recuperação da terra como forma de evitar o empobrecimento das populações e prevenir a derrubada de mais áreas de florestas.

“Neste plano está estabelecida uma meta de elaborar, até 2015, um plano nacional de recuperação de áreas degradadas, que necessariamente deve ser feito com políticas integradas com outros setores da sociedade. Não existe um número preciso [de terras degradadas], mas gira em torno de 140 milhões de hectares. É um grande desafio que temos pela frente, de superar esse passivo, pois essas áreas geram prejuízos enormes para o país e trazem pobreza para o produtor rural”, disse Tatagiba.

Segundo o diretor, existem áreas degradadas em todos os biomas e regiões do país. “Obviamente, onde a ocupação humana é mais antiga, existem áreas mais extensas, como é o caso da Mata Atlântica. Mais recentemente, temos o Cerrado. Na Amazônia, as áreas degradadas estão localizadas em locais de mineração e no chamado Arco do Desmatamento [faixa de terra de pressão agrícola marcada por queimadas e derrubadas, ao sul da Amazônia, do Maranhão ao Acre]”, explicou.

Tatagiba considerou que se as áreas degradadas forem recuperadas, não seria preciso derrubar mais nenhum hectare de floresta para agricultura e pecuária, ainda que na prática nem toda área possa ser totalmente recuperada.

“Para reduzir a pressão sobre florestas, há necessidade de se recuperar pastagens degradadas, que são em torno de 15 milhões de hectares. Se você recupera a capacidade produtiva dessa pastagem, elimina a necessidade de suprimir uma área equivalente em florestas. Além disso, é preciso aumentar a produtividade da pecuária, pois não tem cabimento um boi por Maracanã [equivalente a um hectare]”, comparou Tatagiba.

Para o chefe do Centro Nacional de Pesquisa de Agrobiologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Agrobiologia), Eduardo Campello, o Brasil já detém tecnologia própria para reverter a degradação das terras, por meio de processos de seleção e manejo e trocando produtos químicos por insumos biológicos. Com isso, ele considera ser possível reduzir ou até reverter a derrubada de florestas para a agropecuária.

“Várias dessas áreas podem se tornar mais rentáveis, tirando a pressão sobre as florestas e os remanescentes nativos. Já tivemos avanços incontestáveis com o plantio direto [técnica em que se roça a terra e se semeia em seguida, evitando a erosão]. É preciso integrar lavoura, pecuária e floresta, usando mecanismos naturais, como fixação biológica de nitrogênio, evitando o uso de adubo químico. Já temos áreas abertas suficientes, o que precisamos é recuperar o solo.”

Fonte: Vladimir Platonow/ Agência Brasil


9 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Lista Vermelha 2012 revela novos dados sobre a saúde da biodiversidade mundial

Imagem: Mater Natura

Segundo a nova atualização da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, lançada no dia 19 de junho, as fontes de alimentos, remédios e água potável, ou seja, os meios de subsistência de milhões de pessoas podem estar em risco com o rápido declínio do mundo animal, vegetal e de espécies de fungos. A lista mostra que, das 63.837 espécies avaliadas, 19.817 estão ameaçadas de extinção, incluindo 41% de anfíbios, 33% dos corais, 25% dos mamíferos, 13% das aves, e 30% de coníferas.

Amplamente respeitada, a Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza) estuda uma pequena proporção das espécies conhecidas no mundo de forma a fornecer um panorama sobre a saúde da biodiversidade do mundo.

“A sustentabilidade é uma questão de vida ou morte para as pessoas do planeta”, afirmou Julia Marton-Lefèvre, diretora geral da IUCN. “Um futuro sustentável não pode ser alcançado sem conservação da diversidade biológica – espécies animais e vegetais, seus habitats e seus genes, não só para a natureza em si, mas também para todos os 7 bilhões de pessoas que dependem dele”, concluiu.

As 63.837 espécies avaliadas pelo Livro Vermelho se enquadram em oito categorias de conservação: 27.937 como “de menos preocupação” ou “quase ameaçadas”, 255 consideradas em “menor risco”, 4.467 semi-ameaçadas. Outras 3.947 estão em risco critico, 5.766 em risco e 10.104 estão vulneráveis, totalizando 19.817 espécies ameaçadas. Por sua vez, 63 espécies se tornaram extintas na natureza e 801 desapareceram completamente. As 10.497 espécies remanescentes na pesquisa possuem dados insuficientes que impedem um julgamento preciso.

A perda de espécies frequentemente resulta da destruição do hábitat. Mas espécies invasivas e, de forma crescente, o impacto das mudanças climáticas, também são fatores.

O novo relatório lançou luz sobre a exploração irresponsável de oceanos, lagos e rios. Os ecossistemas de água doce estão sob pressão considerável devido à expansão da população humana e a exploração dos recursos hídricos. Uma importante fonte de alimento, os peixes de água doce, está enfrentando ameaças de práticas de pesca insustentáveis e destruição de habitats causados pela poluição e pela construção de barragens. Um quarto das pescarias do mundo está localizado no continente africano, mas 27% dos peixes de água doce na África estão ameaçados.

Segundo a IUCN, em algumas partes do mundo até 90% das populações costeiras vivem da pesca, o que reduziu algumas populações de peixes comerciais em mais de 90%. As arraias, por exemplo, possui 36% da sua população ameaçada de extinção.

Mais de 275 milhões de pessoas são dependentes de recifes de corais como fonte de alimentos e como meio de subsistência. Globalmente, a pesca de recifes de coral rende aos EUA 6,8 bilhões dólares anualmente. A sobrepesca afeta 55% dos recifes do mundo e de acordo com a lista vermelha da IUCN, 18% dos meros, uma família economicamente importantes de peixes de recife de grande porte, estão ameaçadas.

Os recifes de corais devem ser geridos de forma sustentável para garantir que eles continuem fornecendo o alimento essencial no qual milhões de pessoas dependem como fonte de proteína, afirmou a IUCN.

A produção de pelo menos um terço dos alimentos do mundo, incluindo 87 das 113 principais culturas alimentares, depende da polinização realizada por insetos, morcegos e pássaros, gerando recursos da ordem de US$ 200 bilhões por ano. De acordo com a Lista Vermelha da IUCN, 16% das borboletas endêmicas da Europa estão ameaçadas. Os morcegos, igualmente importantes polinizadores, também estão em risco com 18% da sua população global ameaçada.
A mais recente atualização da Lista Vermelha da IUCN mostra também que quatro membros da família do beija-flor, que é conhecida por seus serviços de polinização, estão agora em maior risco de extinção como a brilhante rosa-throated (Heliodoxa gularis) listada como vulnerável. Além de seu papel importante como polinizadores, os morcegos e os pássaros também ajudam no controle das populações de insetos que podem de outra forma destruir economicamente importantes plantas agrícolas.

Os anfíbios desempenham um papel vital na busca de novos medicamentos. Compostos químicos importantes podem ser encontrados na pele de muitos sapos. No entanto, 41% das espécies de anfíbios estão ameaçadas de extinção, incluindo o sapo recentemente descrito, Anodonthyla hutchisoni, de Madagascar, que agora é considerado ameaçado.
A Lista Vermelha da IUCN mostra também que 10% das serpentes endêmicas da China e Sudeste da Ásia estão ameaçadas de extinção, isso porque as cobras são utilizadas na medicina tradicional e na fabricação de soro anti-veneno, assim como alimento e fonte de renda com a venda de peles.

Quase 43% das espécies de serpentes endêmicas do Sudeste Asiático estão ameaçadas pelo uso insustentável. A maior serpente venenosa do mundo, a King Cobra (Ophiophagus hannah),está listada como vulnerável devido à perda de habitat e sua exploração para fins medicinais. A píton birmanesa (Python bivittatus), mais conhecido no Ocidente como uma espécie invasora em Everglades, Flórida, também está listada como vulnerável na sua área nativa, por causa do comércio e da exploração excessiva do animal como alimento e para a retirada da pele. No entanto, a China e o Vietnã, são os locais onde as espécies estão mais ameaçadas. Apesar de estarem designadas como uma espécie protegida na China, as populações de lá não mostram evidências de recuperação e a exploração ilegal continua.

Os dados apresentados no relatório auxiliam atualmente na implementação da Meta nº 12 do Plano Estratégico para a Biodiversidade (2011-2020), resultante do Protocolo de Nagoya, estabelecido durante a Convenção das Partes das Nações Unidas para a Biodiversidade, que ocorreu em 2010. Nesse trecho do documento é proposto que até o ano de 2020 a extinção de espécies identificadas como ameaçadas terá sido evitada e o status de conservação, particularmente das que estão em maior declínio, terá sido melhorada e mantida.

Fonte: Mater Natura


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29 de agosto de 2013 | nenhum comentário »

Brasil deve atingir meta de redução do desmatamento antes de 2020, diz secretário

O Brasil deve atingir antes do fim do prazo a meta de reduzir em 84% o desmatamento, principal fonte das emissões de gases de efeito estufa no país, disse na quarta-feira (28) o secretário nacional de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental, Carlos Klink. Sem informar ano exato, ele disse que o país chegará antes de 2020 a um patamar inferior a 4 mil quilômetros desmatados por ano, compromisso estabelecido na Conferência do Clima de Copenhague, em 2009.

“No ano passado, já chegamos a 4,5 mil quilômetros quadrados de desmatamento. Temos que atingir 4 mil e manter, que é muito importante. Mas nossa meta continua sendo a de nos reportarmos às Nações Unidas em 2020?, declarou Klink, que participou da abertura do 7º Fórum Latino-Americano de Carbono.

De acordo com Klink, a queda do desmatamento corresponde a 60% da redução de emissões brasileiras, que precisam cair entre 36% e 39% até 2020. Para o secretário, o impacto também será global. “Como um estudo que saiu da Rio+20 aponta, vai haver um déficit de emissões em 2020, e nós vamos cobrir metade desse déficit com a nossa redução. O Brasil está dando uma contribuição global e quer ser reconhecido e valorizado por isso”.

Apesar disso, Klink reconhece que em alguns setores vêm ocorrendo aumento de emissões, que já eram previstas. “Alguns setores cresceram suas emissões, mas isso não se compara às emissões reduzidas no desmatamento. Isso não significa que não tenhamos que prestar atenção nisso. A agricultura e energia, principalmente, são os que dão uma subidinha. Por isso, temos planos setoriais específicos para indústria, energia e principalmente agricultura”.

Em um ano em que as usinas termelétricas foram a solução para as condições climáticas desfavoráveis às hidrelétricas e em que usinas a carvão entraram com peso nos leilões de geração de eletricidade para os próximos anos, o secretário não nega que essas são preocupações e diz que é preciso debater a questão da energia com a sociedade. “Pelo lado das emissões, é claro que isso é uma preocupação, mas, se a intenção é manter uma matriz energética diversificada, é um debate que o país tem que fazer. Por um lado, não estamos permitindo a construção de hidrelétricas, e temos que oferecer energia”.

Com redução do desmatamento concentrada principalmente na Amazônia, a secretaria trabalha agora para lançar o monitoramento sistemático do desmatamento no Cerrado. “Estamos financiando com o Fundo da Amazônia outros países da América Latina para que façam o monitoramento com tecnologia nossa. Estamos monitorando o Cerrado, e lá o desmatamento também caiu, mas estamos mais atrasados. A Caatinga também tem preocupado, mas caminha para a redução”, disse, acrescentando que o uso da vegetação como lenha e empreendimentos empresariais são a principal ameaça ao último bioma.

Fonte: Agência Brasil


1 de abril de 2013 | nenhum comentário »

Desmatamento da Amazônia sobe 26% nos últimos 7 meses, diz Inpe

De agosto de 2012 a fevereiro de 2013, foram devastados 1.695 km².
Ibama apreendeu 216 motosserras e 32 armas na Amazônia Legal.

Desmatamento em Porto Velho, Rondônia (Foto: Divulgação/Greenpeace/Marizilda Cruppe/EVE)

Área desmatada na região da Amazônia em Rondônia (Foto: Divulgação/Greenpeace/Marizilda Cruppe/EVE)

Os alertas de desmatamento na Amazônia Legal subiram 26% nos últimos sete meses, no intervalo entre 1º de agosto de 2012 e 28 fevereiro de 2013, em comparação com o mesmo período anterior, de 1º de agosto de 2011 a 28 de fevereiro de 2012, segundo informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgadas nesta quinta-feira (28).

Os dados, que incluem a degradação (desmatamento parcial) e o corte raso (desmatamento total) da floresta, foram registrados pelo sistema de detecção de desmatamento em tempo real do Inpe, o Deter, que usa imagens de satélite para analisar a perda da mata em nove estados.

No total, 1.695 km² da floresta foram destruídos ou degradados nos últmos sete meses, área pouco maior do que o tamanho da cidade de São Paulo, de 1.521 km², de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Já entre 2011 e 2012, foram perdidos 1.339 km² de mata, no mesmo intervalo de tempo.

Quatro meses
Só nos últimos quatro meses, de novembro de 2012 a fevereiro de 2013, houve alertas de desmatamento em 615 km² da floresta amazônica, segundo o Inpe. O número é 15% maior do que o registrado anteriormente: 536 km² desmatados, entre novembro de 2011 e fevereiro de 2012.

A cobertura de nuvens na região amazônica prejudica a análise do Deter, afirma o Inpe. Em novembro de 2012, 34% da floresta estava coberta por nuvens; já em dezembro, a cobertura foi de 54%. Em janeiro, 67% da Amazônia estava coberta por nuvens, enquanto em fevereiro o índice foi de 64%.

Por estado
Os dados do Inpe apontam que o estado com o maior registro de alertas de desmatamento nos últimos sete meses foi o Mato Grosso (734 km²), seguido do Pará (428 km²), Rondônia (270 km²), Amazonas (151 km²) e Roraima (50 km²).

Os primeiros três estados também foram os “líderes” em destruição da floresta: Mato Grosso (604 km²), Pará (300 km²) e Rondônia (232 km²) tiveram mais desmatamento entre agosto de 2011 e fevereiro de 2012, segundo o Inpe.

Proporcionalmente, o aumento do desmate foi grande no Maranhão (crescimento de 121%) e no Tocantins (81%), aponta o Inpe.

Fiscalização
Segundo o diretor de proteção ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Luciano de Meneses, o órgão teve que encontrar novos métodos de fiscalização após constatar o aumento no número de alertas de desmate.

“Entramos com a Operação Onda Verde, ocupamos as seis áreas críticas que respondem hoje por 54% de todo o desmatamento da Amazônia. Colocamos bases móveis com autonomia. Essas bases tem agentes do Ibama, agentes da Força Nacional de Segurança, agentes da Polícia Rodoviária Federal”, afirmou o diretor.

Fiscais do Ibama na Operação Onda Verde apreenderam mais de 65 mil m³ de madeira em toras que circulavam de forma clandestina pela floresta, entre 1º de agosto de 2012 e 25 de março de 2013. Desse total, quase 38 mil m³ de madeira foi encontrada no estado do Pará, e 15,7 mil m³, em Mato Grosso.

Além de madeira, o Ibama confiscou 110 tratores, 60 caminhões, 216 motosserras e 32 armas de fogo na Amazônia Legal. A maior apreensão de motosserras ocorreu também no estado do Pará (137), seguido do Mato Grosso (39) e de Roraima (19).

No total, o órgão aplicou 3.180 autos de infração entre agosto de 2012 e março de 2013, cujo valor de multas, somadas, ultrapassa R$ 1,4 bilhão.

“Mato Grosso e Pará sempre foram os ‘campeões’ do desmatamento”, disse o diretor do Ibama. “Esses alertas, a gente entende que eles possam estar sendo impulsionados pelo boom das commodities agrícolas, pelo aumento [do preço] do ouro e pelo aumento do preço da terra.”

Análise em campo
Técnicos do Ibama foram a campo para analisar os dados de desmatamento, e checaram 1.053 polígonos com suspeita de devastação, de um total de 2.072 informados pelo Deter.

Em 46% dos polígonos analisados, o Ibama constatou que houve corte raso, isto é, a remoção total da mata. Em outros 47%, os técnicos encontraram degradação parcial da floresta. No restante, 7% dos polígonos, o Ibama afirma ter identificado um “falso positivo”, áreas como espelho d’água ou afloramento rochoso que não correspondem à degradação.

Balanço anual
O último balanço anual de desmatamento divulgado pelo Inpe apontou que 4.656 km² da Amazônia haviam sido perdidos entre agosto de 2011 e julho de 2012. A área, calculada pelo sistema Prodes, equivale a mais de três vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

O Prodes consolida dados coletados ao longo de um ano por satélites, capazes de detectar regiões desmatadas a partir de 6,25 hectares, e não pode ter suas informações comparadas com o sistema Deter. São computadas apenas áreas onde ocorreu remoção completa da cobertura florestal – característica denominada corte raso.

 (Foto: Arte/G1)

 

 

Fonte: Globo Natureza


9 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Cadastro de propriedades rurais terá funcionamento em 2013, diz ministra

Governo concluiu compra de imagens de satélite para monitorar imóveis. 
Segundo Izabella Teixeira, fiscalização do desmatamento será eficiente.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou nesta sexta-feira (9) que o sistema de cadastro de propriedades rurais, previsto no novo Código Florestal, estará em funcionamento pleno no início de 2013.

O governo concluiu nesta quinta-feira (8) a compra de imagens de satélite em alta resolução para monitorar as fazendas brasileiras.

Pela nova lei, todos proprietários rurais devem se inscrever gratuitamente no Cadastro Ambiental Rural. O objetivo é facilitar ao governo a fiscalização, através das imagens de satélite, de desmatamentos ilegais em Áreas de Preservação Permanente (APPs). A inscrição da propriedade no cadastro deverá ser feita em um órgão ambiental estadual ou municipal um ano após sua implantação.

O contrato assinado pelo governo para a obtenção das imagens de satélite tem duração de quatro anos e prevê custo de R$ 28,9 milhões. Serão fornecidas imagens de 2011, 2012, 2013 e 2014.

“Em 2013, o sistema estará zerado. Vamos começar o ano com 100% das imagens do Brasil. É a reta final daquele que é o processo de homologação do CAR para entrarmos com a implantação nos estados.”, afirmou Izabella Teixeira.

Implementação da nova lei
Segundo a ministra, o CAR vai cadastrar 5 milhões de propriedades, o que dará maior eficiência à fiscalização de desmatamentos. “Isso vai fazer com que a gente possa implementar o Código Florestal. Progressivamente ano a ano ver como está o funcionamento da propriedade. Para a fiscalização usa-se essa imagem até nos equipamentos móveis. Vai permitir que, num tablet, você monitorar a propriedade”, afirmou.

Para Izabella Teixeira, os produtores rurais vão ganhar com o cadastramento, porque terão condições de comprovar a legalidade das propriedades de forma mais eficiente na hora de tomar crédito. “Você clica, sabe qual o proprietário, o gerente de crédito pode verificar imediatamente se a fazenda está regularizada”, disse.

De acordo com a ministra, o governo optou por adquirir imagens de alta resolução. “Nunca antes na história do meio ambiente se teve tanta tecnologia. Normalmente se tem por região, em escalas diferenciadas. Essas imagens vão ser disponibilizadas também para os estados”, disse.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, durante evento realizado nesta sexta-feira (9) em Brasília (Foto: Wilson Dias/ABr)

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, durante evento realizado nesta sexta-feira (9) em Brasília (Foto: Wilson Dias/ABr)

Fonte: Globo Natureza


7 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Ministra diz que País reduz desmatamento, mas não recebe compensação por avanços

O Brasil é o país que mais reduz o desmatamento e as emissões de carbono no planeta. Ao destacar a posição de liderança do governo brasileiro nas metas previstas em acordos internacionais de mudanças do clima, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que o País não tem recebido a compensação devida por esses avanços.

“O Brasil está fazendo muito sem ter o retorno que poderia ter. O Fundo da Amazônia só tem doação, até hoje, da Noruega, da Alemanha e da Petrobras, uma empresa brasileira que aloca recursos na Amazônia. Cadê os outros doadores? Nós estamos reduzindo o desmatamento. A contribuição brasileira continua”, acrescentou a ministra, que participou em Macapá do 3º Congresso Nacional das Populações Extrativistas.

 

Pelos números do Ministério do Meio Ambiente (MMA), o desmatamento ilegal na região caiu de 29 mil quilômetros quadrados (km²) em 2004 – ano em que foi registrada a maior degradação na região – para 6,4 mil km² em 2012. Este mês, o MMA deve divulgar mais uma redução da área degradada.

 

A expectativa de países em desenvolvimento e nações mais pobres é que o tema volte a ser debatido durante a 18ª Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP18), quando as nações menos desenvolvidas esperam avançar na elaboração da segunda etapa do Protocolo de Quioto – que estabelece as metas de redução de emissões de gás de efeito estufa para os países desenvolvidos. A COP18 começa no fim deste mês e vai até o início de dezembro, em Doha, no Catar, com a participação de representantes de 190 países.

 

Apesar de endossar a aposta, a ministra não acredita em uma definição sobre o cálculo das emissões de carbono e as compensações. “O Brasil trabalha enquanto os ricos países desenvolvidos emitem? Isso vai aparecer no debate sobre a segunda rodada de compromissos do Protocolo de Quioto, mas vai ser definido de 2013 a 2015″, disse, referindo-se ao período que vai anteceder o novo Acordo-Quadro sobre Mudanças do Clima entre os países signatários da Convenção das Nações Unidas.

 

As estratégias brasileiras para manter o ritmo de redução de emissões têm sido estudadas por representantes do Ministério da Fazenda e do MMA. A definição de políticas de mudanças do clima também está na pauta de discussões do Congresso Nacional.

 

Ainda que o Brasil defina compromissos internamente, a questão precisa ter uma regulamentação internacional, assim como a definição do Redd – sigla que define a Redução das Emissões Geradas com Desmatamento e Degradação Florestal nos Países em Desenvolvimento. O mecanismo, que tem sido o centro das polêmicas nas discussões sobre clima, funcionaria como uma compensação financeira para os países em desenvolvimento ou para comunidades desses países, pela preservação de suas florestas.

 

Segundo Izabella Teixeira, o Fundo da Amazônia é o único mecanismo de REDD, em prática, que o governo reconhece. O fundo foi criado em 2008 para captar doações para investimentos em prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e para a conservação e o uso sustentável das florestas amazônicas.

 

“O que adianta eu implantar mecanismos que, muitas vezes, depois, não são reconhecidos internacionalmente. Lembro que a conta tem que ser paga pelos países desenvolvidos que não estão reduzindo suas emissões na magnitude que deveriam”, disse, destacando poucas ações positivas como metas definidas por países da União Europeia e de alguns estados norte-americanos.

 

A ministra acrescentou que o governo brasileiro retomou a negociação de um acordo com os Estados Unidos para estabelecer a segunda fase de cooperação destinada ao monitoramento e combate a incêndios e queimadas, nos moldes da parceria firmada na década de 1990. “Isso envolve o desenvolvimento de tecnologias para o monitoramento de queimadas, treinamento de pessoas no combate a incêndios florestais e a qualificação dos gestores de áreas protegidas no manejo do fogo no Brasil”, explicou.

 

O acordo também está sendo debatido com especialistas da Universidade de Brasília (UnB) e dos serviços florestais americano e brasileiro.

Agência Brasil

 


7 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Intervenção humana ameaça biodiversidade em Madagascar

Cerca de 85% das espécies que vivem na quarta maior ilha do mundo existem apenas lá. Mas as mudanças climáticas e a atividade humana ameaçam esse ambiente singular.

Madagascar fica localizada a leste do continente africano, no Oceano Índico. Lá, flora e fauna desenvolveram-se em completo isolamento, porque ao longo da formação do planeta a ilha se desprendeu do continente africano. O resultado é uma riqueza biológica muito especial.

De acordo com a organização ambientalista WWF, 85% das espécies existentes na ilha são endêmicas, isto é, existem apenas lá. Entre elas estão os lêmures – das cerca de 100 espécies diferentes existentes na ilha, cerca de 30 estão na lista de espécies amea­çadas. Seu significado religioso para a população nativa é expressivo. Grande parte da população acredita que as pessoas se tornam lêmures depois da morte. Não é por acaso que eles são também chamados de “espírito da floresta”.

Além disso, quase todas as espécies de cobras, sapos, camaleões e lagartixas são consideradas endêmicas. O tesouro biológico abriga cerca de 250 espécies de pássaros e 3 mil de borboletas. A variedade da flora também é única: 80% das 12 mil espécies conhecidas de plantas com flores existem apenas em Madagascar, assim como cinco das seis espécies de baobá, também conhecido como árvore pão-de-macaco. Cientistas suspeitam que nas poucas áreas com floresta virgem que ainda existem, haja muitas espécies animais e vegetais que ainda nem foram catalogados.

Mais pessoas – menos floresta

Cerca de 20 milhões de pessoas vivem em Madagascar, e o número de habitantes aumenta em cerca de meio milhão por ano. Como a população vive principalmente da agricultura, mais e mais terras são preparadas para o cultivo e a pecuária, na maioria dos casos por meio da queimada de florestas. Além disso, muitas árvores são cortadas para a produção de lenha e combustível.

Isso tem efeitos dramáticos sobre a paisagem. A floresta, que já chegou a cobrir 90% da superfície de Madagascar, hoje ocupa apenas 10% do território, segundo dados da WWF. E a cada ano são derrubados 120 mil hectares de árvores. Se continuar nesse ritmo, em 40 anos Madagascar não terá mais árvores, projeta a organização ambientalista.

Biodiversidade ameaçada

Com a perda das florestas, perde-se cada vez mais o habitat de plantas e animais. “Se elas [as florestas] não forem salvas, perderemos inúmeras espécies que sequer conhecemos“, diz a especialista em Madagascar da WWF, Dorothea August. A espécie de lêmure mirza, descoberta recentemente, é um exemplo dos segredos que as florestas de Madagascar ainda abrigam.

“Se a destruição não for impedida, os dias de muitas espécies de animais e plantas estarão contados“, diz August. O crescente desflorestamento em Madagascar leva a uma gigantesca erosão. As consequências são deslizamento de terras, inundações, por um lado, e escassez de água devido ao ressecamento do solo. Essas transformações são favorecidas pelas mudanças climáticas globais.

Apesar de tudo, algumas espécies de plantas podem se adaptar. O baobá, por exemplo, pode armazenar até 500 litros de água em seu tronco e com isso sobreviver aos períodos de seca, que são cada vez mais frequentes.

Proteção ambiental apenas em nível local

O governo de Madagascar reconhece o princípio da conservação da natureza. E por isso trabalha, por exemplo, com a WWF em um projeto para o manejo sustentável da água. Até o momento, cerca de 35 mil pessoas de 13 municípios do Platô Mahafaly já se beneficiaram com o projeto. Mas em outros processos a situação está estagnada. “O país passa de crise política em crise política, não há confiabilidade”, diz Daniela Freyer, bióloga da organização Pro Wildlife.

O sistema de fiscalização estaria totalmente desmantelado, o que, junto com a corrupção, permite o avanço na extinção de espécies de animais e plantas. “A exportação de madeira protegida para a Alemanha e para a China é aprovada pelas autoridades”, diz Freyer. Isso acontece muitas vezes pela concessão de “isenções”. Para completar, há ainda o comércio ilegal – e também legal – de animais de Madagascar, como as lagartixas e sapos.

Dorothea August, do WWF, critica também a falta de ação política e a impunidade. A instabilidade política no país “não ajuda na implementação de projetos ambientais”, reclama a especialista do WWF.

Para Daniela Freyer, é importante que organizações ambientalistas locais estejam engajadas, para substituir a caótica estrutura organizacional e de controle do país. “Para assim garantir um mínimo de proteção.”

Lêmures são o "espírito da floresta"

Baobá consegue acumular até 500 litros de água e, com isso, sobrevive melhor ao clima árido

 Fonte:  DW / Autor: Po Keung Cheung (ff)
Revisão: Roselaine Wandscheer

3 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Desmatamento na Amazônia cai 17% entre 2011 e 2012, segundo Inpe

Devastação da floresta foi de 1.232,75 km² de janeiro a agosto deste ano.
Mato Grosso, Pará e Rondônia continuam liderando desmatamento.

O desmatamento registrado na Amazônia Legal caiu 17% entre 1º de janeiro e 15 de agosto de 2012, na comparação com o mesmo período de 2011, apontam dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

As informações foram obtidas pelo sistema de detecção do desmatamento em tempo real, o Deter, que usa imagens de satélite para visualizar a perda de vegetação na região. Comparando os dados no intervalo de tempo avaliado, a devastação passou de 1.485,66 km² de floresta no ano passado para 1.232,75 km² neste ano, recuo de 252,91 km².

Na comparação entre os três últimos meses deste ano (de 15 de maio a 15 de agosto de 2012) com o mesmo período de 2011, o recuo no desmate foi maior, de 27,8%. A devastação passou de 773,85 km², no intervalo registrado em 2011, para 558,21 km² neste ano.

Em agosto, o Inpe anunciou que publicaria informações do Deter a cada 15 dias. Os dados são considerados um levantamento rápido e não têm o nível de detalhe da pesquisa oficial prevista para o final do ano pela instituição, o Prodes (Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal).

Estados
O estado campeão no ranking da devastação continua sendo o Mato Grosso (694,69 km² de área destruída), seguido do Pará (321,58 km²) e de Rondônia (121,68 km²), segundo os dados do Deter de janeiro a agosto de 2012. No ano passado, estes mesmos estados lideraram o desmate da Amazônia Legal – o Mato Grosso perdeu 744,68 km² de floresta, o Pará perdeu 365,92 km² e Rondônia teve 230,36 km² de desmatamento.

Para o professor de política ambiental e mudança climática da Unesp (Universidade Estadual Paulista), David Montenegro Lapola, apesar de parciais, os números mostram continuação na tendência de queda no desmatamento da Amazônia, “algo que ocorre desde 2004″.

Ele aponta dois fatores para o recuo na destruição: a maior presença do poder público na Amazônia, principalmente na forma de fiscalização, e o desaquecimento da economia global, que pode ter levado a uma demanda menor por produtos da fronteira agrícola na região, que há anos têm se expandido rumo à floresta.

Para o professor, a criação de áreas de proteção ambiental e a presença maior de agentes da Polícia Federal e do Ibama na região nos últimos anos contribuíram para a diminuição do desmatamento. “Mas não podemos ignorar a questão do desaquecimento econômico internacional”, ressalta.

O pesquisador aponta que a queda na destruição da Amazônia contribui também para a redução nas emissões de gases-estufa que causam mudanças climáticas pelo planeta. Aproximadamente 75% das emissões de gases-estufa no Brasil vêm de queimadas e devastação de florestas e outros biomas, incluindo a Amazônia, afirma Lapola.

“Acho que ainda há mais o que fazer com relação à fiscalização. Se a gente pode reduzir em 80% [o desmatamento], por que não podemos reduzir em 100%?”, diz o professor, fazendo referência à meta definida por lei no Brasil pela Política Nacional de Mudanças Climáticas. Pela legislação, o país tem como meta reduzir a destruição da Amazônia em 80% até 2020.

Menor índice histórico
Em junho, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, anunciou que a Amazônia Legal teve o menor índice de desmatamento dos últimos 23 anos. Segundo Inpe, a região teve 6.418 km² de floresta desmatada entre agosto de 2010 e julho de 2011 — o equivalente a quatro vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

Foi a menor taxa desde que o instituto começou a fazer a medição, em 1988, e houve uma redução de 8% em relação ao mesmo período em 2009 e 2010. No entanto, em dezembro do ano passado, o Inpe havia divulgado uma expectativa de desmate de 6.238 km² — alta de 3%. O número foi obtido a partir dos dados consolidados do sistema Prodes.

Vista aérea da floresta Amazônia na região dos arredores do rio Guaporé (Foto: André Edouard/Arquivo/AFP)

Vista aérea da floresta amazônica na região dos arredores do rio Guaporé (Foto: André Edouard/Arquivo/AFP)

Fonte: Globo Natureza


26 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Desmatamento reduz em junho, mas MT ainda lidera degradação florestal

De acordo com Imazon, estado concentra 80% da degradação florestal.
Em 11 meses foram 1.587 km2 no estado frente aos 1.974 km2 da região.

Área desmatada possuia árvores em extinção (Foto: Divulgação)

Desmatamento em junho somou 2 km2 no estado (Foto: Divulgação)

Mato Grosso perdeu dois quilômetros quadrados de Floresta Amazônica em junho e tornou-se o menor do ano, apontou o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia. O resultado verificado no mês passado superou o desempenho de janeiro, quando foram quatro quilômetros quadrados e à época era o mais baixo. Altas e baixas marcam os níveis de desmates no semestre no estado, revelou o Imazon.

Enquanto em janeiro a floresta perdeu 4 km2, em fevereiro as ocorrências tornaram-se maiores e atingiram uma área de 70 km2, fazendo a unidade federada liderar o ranking dos maiores desmatadores da Amazônia Legal. Em março, o desmatamento atingiu 32 km2, indo a outros 50 km2 em abril e 11 km2 em maio.

Apesar de comemorar reduções, Mato Grosso ainda é campeão no quesito degradação florestal. Como explica João Andrade, coordenador do Programa Governança Florestal do Instituto Centro de Vida (ICV), a degradação corresponde ao chamado pré-desmatamento e mostra que a destruição da floresta ainda continua.

“É um indicador futuro, pois é o primeiro sinal do desmatamento. Os dados se contrapõem e mostram que a ilegalidade continua”, disse ao G1 o representante. Ao avaliar a degradação florestal acumulada entre agosto de 2011 a junho de 2012 (o chamado ano do desmatamento), o Imazon constatou que na Amazônia Legal chegou a 1.974 km2. Somente em Mato Grosso foram 1.587 km2 ou pouco mais de 80% do volume total.

Mesmo com uma redução na ordem de 58% na degradação florestal, quando comparado aos 3.779 km2 registrados entre agosto de 2010 a junho de 2011, a unidade matogrossense continua liderando o ranking dos estados que mais degradaram a floresta nestes meses avaliados. O Pará, com 239 km2 degradados, apareceu na segunda posição, seguida por Rondônia com 101 km2.

Para João Andrade, do ICV, a degradação fomenta também o comércio ilegal de madeira e mantém vivos os crimes contra a floresta. No entender do representante do Instituto Centro de Vida, dois fatores estão influenciando diretamente a continuidade das ações ilegais.

“Um é a fiscalização e a outra é a responsabilização. Muitas vezes uma pessoa é autuada, mas não necessariamente paga a multa, pois pode prescrever. Ou também porque houve problemas na hora da fiscalização e acham-se brechas [jurídicas]. Se há a maior responsabilização vai se pensar duas vezes [antes de agir]“, afirma o coordenador do Programa Governança Florestal.

Desmatamento acumulado
Ao avaliar o acumulado dos chamados dez meses do calendário de desmatamento, ou seja, de agosto de 2011 a junho de 2012 o Imazon aponta o Pará (34%) como líder, seguido por Mato Grosso (32%), Rondônia (18%) e Amazonas (9%). Juntos, os quatro estados foram responsáveis por 93% do desmatamento ocorrido na Amazônia Legal nesse período.

Segundo o Imazon, houve recuo de 41% nos desmates quando comparado com o período anterior (agosto de 2010 a junho de 2011). Queda em termos relativos no Acre (-64%), Amazonas (-54%), Mato Grosso (-50%), Rondônia (48%) e Pará (20%). Contudo, avanço de 194% em Roraima e 61% no Tocantins.

Já em termos absolutos quem lidera o ranking do desmatamento no acumulado é o estado do Pará, com 309 km2, seguido por Mato Grosso (293 km2), Rondônia (167 km2), Amazonas (81 km2), Roraima (23 km2), Acre (20 km2) e Tocantins (14 km2).

 

Fonte: G1


16 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Amazônia deve sofrer grande extinção de espécies até 2050

Pesquisa avalia o impacto local promovido pela perda de vegetação em 30 anos e aponta que ainda há tempo para agir.

As piores consequências do desmatamento sofrido pela Amazônia ao longo de 30 anos ainda estão por vir. Até 2050, podem ocorrer de 80% a 90% das extinções de espécies de mamíferos, aves e anfíbios esperadas nos locais onde já foi perdida a vegetação. A boa notícia é que temos tempo para agir e evitar que elas de fato desapareçam. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada na edição desta semana da revista Science.

 

Um trio de pesquisadores da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos considerou as taxas de desmate na região de 1978 a 2008 e levou em conta a relação entre espécies e área – se o hábitat diminui, é de se esperar que o total de espécies que ali vivem diminua, ao menos localmente.

 

Acontece que os animais têm mobilidade, podem migrar para locais vizinhos ao degradado. Lá vão tentar sobreviver, competindo por recursos com animais que já estavam no local, de modo que o desaparecimento não é imediato, podendo levar décadas para se concretizar.

 

É essa diferença, que os pesquisadores chamam de “débito de extinção”, que foi calculada no trabalho. Grosso modo, é uma dívida que teria de ser “paga” – em espécies animais – pelo desmatamento do passado. A ideia por trás do termo é tanto mostrar o que poderia acontecer se simplesmente o processo de extinção seguisse o seu rumo, quanto estimar qual pode ser o destino dessas espécies que dependem da floresta, considerando outros cenários de ações.

 

Mas em vez de calcular para toda a Amazônia – o que seria problemático, porque há uma diferença de riqueza de biodiversidade no bioma -, os autores mapearam os nove Estados em quadros de 50 quilômetros quadrados, a fim de estimar os impactos locais. Uma espécie pode deixar de ocorrer em uma dada área, mas isso não significa que ela desapareceu por completo.

 

Tanto que a literatura ainda não aponta a extinção de nenhuma espécie na Amazônia, explica o ecólogo Robert Ewers, do Imperial College, de Londres, que liderou o estudo. “Uma razão para isso é que o desmatamento se concentrou no sul e no leste na Amazônia, enquanto a mais alta diversidade de espécies se encontra no oeste da região. Mas não há dúvida de que muitas estão localmente extintas onde o desmatamento foi mais pesado.”

 

Na pior hipótese, a do “business as usual”, considera-se a continuidade do modelo da expansão da agricultura; na melhor, que o desmatamento zere até 2020. Os pesquisadores propõem, no entanto, que o cenário mais realista é o que considera a permanência da governança, ou seja, das ações governamentais que levaram à queda do desmatamento nos últimos anos.

 

Mas mesmo nessa situação é de se esperar que espécies sumam. Em 2050, os pesquisadores estimam que localmente (nos quadros de 50 km² podem desaparecer de 6 a 12 espécies de mamíferos, aves e anfíbios em média; enquanto de 12 a 19 podem entrar na conta do que pode ser extinto nos anos seguintes.

 

Eles reforçam que isso ainda não aconteceu e ações que aumentem as unidades de conservação e promovam a restauração de áreas degradadas têm potencial de evitar o danos. Os mapas mostram em quais áreas esse esforço poderia promover mais benefícios.

 

Em outro artigo na Science que comenta o trabalho, Thiago Rangel, da Universidade Federal de Goiás, pondera que a conjuntura atual é incerta. “O governo vai investir pesado em infraestrutura, estão previstas 22 hidrelétricas de grande porte, estão sendo reduzidas as unidades de conservação e o Código Florestal vai ficar mais frouxo. A trajetória dos dez anos que passaram dava uma sinalização otimista, mas são os próximos dez anos que vão dizer o que vai acontecer.”

Fonte: O Estado de São Paulo


12 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Brasil tem o equivalente a duas Franças em áreas degradadas, diz Ministério do Meio Ambiente

Se o Brasil recuperasse suas áreas degradadas – terras abandonadas, em processo de erosão ou mal utilizadas – não seria preciso derrubar mais nenhum hectare de floresta para a agropecuária. A avaliação é de técnicos e pesquisadores reunidos nesta quarta-feira (11), durante o 9º Simpósio Nacional de Recuperação de Áreas Degradadas (9º Sinrad), que ocorre no Rio até dia 13.

O diretor do Departamento de Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Fernando Tatagiba, estimou em até 140 milhões de hectares o total de terras nessa situação no país, área superior a duas vezes o tamanho da França. O ministério está finalizando seu novo plano plurianual, que dará grande importância à recuperação da terra como forma de evitar o empobrecimento das populações e prevenir a derrubada de mais áreas de florestas.

“Neste plano está estabelecida uma meta de elaborar, até 2015, um plano nacional de recuperação de áreas degradadas, que necessariamente deve ser feito com políticas integradas com outros setores da sociedade. Não existe um número preciso [de terras degradadas], mas gira em torno de 140 milhões de hectares. É um grande desafio que temos pela frente, de superar esse passivo, pois essas áreas geram prejuízos enormes para o país e trazem pobreza para o produtor rural”, disse Tatagiba.

Segundo o diretor, existem áreas degradadas em todos os biomas e regiões do país. “Obviamente, onde a ocupação humana é mais antiga, existem áreas mais extensas, como é o caso da Mata Atlântica. Mais recentemente, temos o Cerrado. Na Amazônia, as áreas degradadas estão localizadas em locais de mineração e no chamado Arco do Desmatamento [faixa de terra de pressão agrícola marcada por queimadas e derrubadas, ao sul da Amazônia, do Maranhão ao Acre]”, explicou.

Tatagiba considerou que se as áreas degradadas forem recuperadas, não seria preciso derrubar mais nenhum hectare de floresta para agricultura e pecuária, ainda que na prática nem toda área possa ser totalmente recuperada.

“Para reduzir a pressão sobre florestas, há necessidade de se recuperar pastagens degradadas, que são em torno de 15 milhões de hectares. Se você recupera a capacidade produtiva dessa pastagem, elimina a necessidade de suprimir uma área equivalente em florestas. Além disso, é preciso aumentar a produtividade da pecuária, pois não tem cabimento um boi por Maracanã [equivalente a um hectare]”, comparou Tatagiba.

Para o chefe do Centro Nacional de Pesquisa de Agrobiologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Agrobiologia), Eduardo Campello, o Brasil já detém tecnologia própria para reverter a degradação das terras, por meio de processos de seleção e manejo e trocando produtos químicos por insumos biológicos. Com isso, ele considera ser possível reduzir ou até reverter a derrubada de florestas para a agropecuária.

“Várias dessas áreas podem se tornar mais rentáveis, tirando a pressão sobre as florestas e os remanescentes nativos. Já tivemos avanços incontestáveis com o plantio direto [técnica em que se roça a terra e se semeia em seguida, evitando a erosão]. É preciso integrar lavoura, pecuária e floresta, usando mecanismos naturais, como fixação biológica de nitrogênio, evitando o uso de adubo químico. Já temos áreas abertas suficientes, o que precisamos é recuperar o solo.”

Fonte: Vladimir Platonow/ Agência Brasil


9 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Lista Vermelha 2012 revela novos dados sobre a saúde da biodiversidade mundial

Imagem: Mater Natura

Segundo a nova atualização da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, lançada no dia 19 de junho, as fontes de alimentos, remédios e água potável, ou seja, os meios de subsistência de milhões de pessoas podem estar em risco com o rápido declínio do mundo animal, vegetal e de espécies de fungos. A lista mostra que, das 63.837 espécies avaliadas, 19.817 estão ameaçadas de extinção, incluindo 41% de anfíbios, 33% dos corais, 25% dos mamíferos, 13% das aves, e 30% de coníferas.

Amplamente respeitada, a Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza) estuda uma pequena proporção das espécies conhecidas no mundo de forma a fornecer um panorama sobre a saúde da biodiversidade do mundo.

“A sustentabilidade é uma questão de vida ou morte para as pessoas do planeta”, afirmou Julia Marton-Lefèvre, diretora geral da IUCN. “Um futuro sustentável não pode ser alcançado sem conservação da diversidade biológica – espécies animais e vegetais, seus habitats e seus genes, não só para a natureza em si, mas também para todos os 7 bilhões de pessoas que dependem dele”, concluiu.

As 63.837 espécies avaliadas pelo Livro Vermelho se enquadram em oito categorias de conservação: 27.937 como “de menos preocupação” ou “quase ameaçadas”, 255 consideradas em “menor risco”, 4.467 semi-ameaçadas. Outras 3.947 estão em risco critico, 5.766 em risco e 10.104 estão vulneráveis, totalizando 19.817 espécies ameaçadas. Por sua vez, 63 espécies se tornaram extintas na natureza e 801 desapareceram completamente. As 10.497 espécies remanescentes na pesquisa possuem dados insuficientes que impedem um julgamento preciso.

A perda de espécies frequentemente resulta da destruição do hábitat. Mas espécies invasivas e, de forma crescente, o impacto das mudanças climáticas, também são fatores.

O novo relatório lançou luz sobre a exploração irresponsável de oceanos, lagos e rios. Os ecossistemas de água doce estão sob pressão considerável devido à expansão da população humana e a exploração dos recursos hídricos. Uma importante fonte de alimento, os peixes de água doce, está enfrentando ameaças de práticas de pesca insustentáveis e destruição de habitats causados pela poluição e pela construção de barragens. Um quarto das pescarias do mundo está localizado no continente africano, mas 27% dos peixes de água doce na África estão ameaçados.

Segundo a IUCN, em algumas partes do mundo até 90% das populações costeiras vivem da pesca, o que reduziu algumas populações de peixes comerciais em mais de 90%. As arraias, por exemplo, possui 36% da sua população ameaçada de extinção.

Mais de 275 milhões de pessoas são dependentes de recifes de corais como fonte de alimentos e como meio de subsistência. Globalmente, a pesca de recifes de coral rende aos EUA 6,8 bilhões dólares anualmente. A sobrepesca afeta 55% dos recifes do mundo e de acordo com a lista vermelha da IUCN, 18% dos meros, uma família economicamente importantes de peixes de recife de grande porte, estão ameaçadas.

Os recifes de corais devem ser geridos de forma sustentável para garantir que eles continuem fornecendo o alimento essencial no qual milhões de pessoas dependem como fonte de proteína, afirmou a IUCN.

A produção de pelo menos um terço dos alimentos do mundo, incluindo 87 das 113 principais culturas alimentares, depende da polinização realizada por insetos, morcegos e pássaros, gerando recursos da ordem de US$ 200 bilhões por ano. De acordo com a Lista Vermelha da IUCN, 16% das borboletas endêmicas da Europa estão ameaçadas. Os morcegos, igualmente importantes polinizadores, também estão em risco com 18% da sua população global ameaçada.
A mais recente atualização da Lista Vermelha da IUCN mostra também que quatro membros da família do beija-flor, que é conhecida por seus serviços de polinização, estão agora em maior risco de extinção como a brilhante rosa-throated (Heliodoxa gularis) listada como vulnerável. Além de seu papel importante como polinizadores, os morcegos e os pássaros também ajudam no controle das populações de insetos que podem de outra forma destruir economicamente importantes plantas agrícolas.

Os anfíbios desempenham um papel vital na busca de novos medicamentos. Compostos químicos importantes podem ser encontrados na pele de muitos sapos. No entanto, 41% das espécies de anfíbios estão ameaçadas de extinção, incluindo o sapo recentemente descrito, Anodonthyla hutchisoni, de Madagascar, que agora é considerado ameaçado.
A Lista Vermelha da IUCN mostra também que 10% das serpentes endêmicas da China e Sudeste da Ásia estão ameaçadas de extinção, isso porque as cobras são utilizadas na medicina tradicional e na fabricação de soro anti-veneno, assim como alimento e fonte de renda com a venda de peles.

Quase 43% das espécies de serpentes endêmicas do Sudeste Asiático estão ameaçadas pelo uso insustentável. A maior serpente venenosa do mundo, a King Cobra (Ophiophagus hannah),está listada como vulnerável devido à perda de habitat e sua exploração para fins medicinais. A píton birmanesa (Python bivittatus), mais conhecido no Ocidente como uma espécie invasora em Everglades, Flórida, também está listada como vulnerável na sua área nativa, por causa do comércio e da exploração excessiva do animal como alimento e para a retirada da pele. No entanto, a China e o Vietnã, são os locais onde as espécies estão mais ameaçadas. Apesar de estarem designadas como uma espécie protegida na China, as populações de lá não mostram evidências de recuperação e a exploração ilegal continua.

Os dados apresentados no relatório auxiliam atualmente na implementação da Meta nº 12 do Plano Estratégico para a Biodiversidade (2011-2020), resultante do Protocolo de Nagoya, estabelecido durante a Convenção das Partes das Nações Unidas para a Biodiversidade, que ocorreu em 2010. Nesse trecho do documento é proposto que até o ano de 2020 a extinção de espécies identificadas como ameaçadas terá sido evitada e o status de conservação, particularmente das que estão em maior declínio, terá sido melhorada e mantida.

Fonte: Mater Natura


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