23 de março de 2015 | nenhum comentário »

Uma em cada 10 espécies de abelhas da Europa corre risco de extinção

Esta foi a primeira vez que todas as 1 965 espécies desses insetos no continente foram estudadas

 

Uma em cada dez espécies de abelhas silvestres da Europa está ameaçada de extinção, constatou um estudo publicado nesta quinta-feira pela União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). Esta foi a primeira vez que todas as 1 965 espécies de abelhas europeias foram estudadas, incluindo dados de sua população, distribuição, tendências e ameaças.

O levantamento concluiu que, além de 9,2% das espécies estarem ameaçadas, outros 5% correm grande risco de entrar nessa lista em um futuro próximo. O documento mostrou ainda que 7,7% das espécies sofreram um declínio populacional, 12,6% estão estáveis e 0,7% estão aumentando. Os dados dos 79% restantes são desconhecidos, o que demonstra uma “alarmante falta de conhecimento e recursos”, como apontou Jean-Christophe Vié, do Programa Global de Espécies da IUCN.

Causas - Perda de habitat devido ao aumento das plantações, uso de inseticidas, desenvolvimento urbano acelerado e mudanças climáticas são apontados pela organização como principais causas para esse fenômeno.

Abelhas são essenciais tanto para ecossistemas selvagens quanto para a agricultura. A polinização de plantações que esses animais realizam é estimada em 153 bilhões de euros em todo o mundo e 22 bilhões só para a Europa. Das principais plantações para consumo humano na Europa, 84% requerem polinizações de insetos.

abelhas

Abelhas são essenciais tanto para ecossistemas selvagens quanto para a agricultura(Thinkstock/VEJA)

 

Fonte: Veja Ciência

 


26 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Ibama reavalia uso de quatro tipos de agrotóxico e sua relação com o desaparecimento de abelhas no país

Mesmo na ausência de levantamentos oficiais, alguns registros sobre a redução do número de abelhas em várias partes do país, em decorrência de quatro tipos de agrotóxico, levaram o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a restringir o uso de importantes inseticidas na agropecuária brasileira, principalmente para as culturas de algodão, soja e trigo.

Além de reduzir as formas de aplicação desses produtos, que não podem ser mais disseminados via aérea, o órgão ambiental iniciou o processo de reavaliação das substâncias imidacloprido, tiametoxam, clotianidina e fipronil. Esses ingredientes ativos foram apontados em estudos e pesquisas realizadas nos últimos dois anos pelo Ibama como nocivos às abelhas.

Segundo o engenheiro Márcio Rodrigues de Freitas, coordenador-geral de Avaliação e Controle de Substâncias Químicas do Ibama, a decisão não foi baseada apenas na preocupação com a prática apícola, mas, principalmente, com os impactos sobre a produção agrícola e o meio ambiente.

Estudo da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), publicado em 2004, mostrou que as abelhas são responsáveis por pelo menos 73% da polinização das culturas e plantas. “Algumas culturas, como a do café, poderiam ter perdas de até 60% na ausência de agentes polinizadores”, explicou o engenheiro.

A primeira substância a passar pelo processo de reavaliação será o imidacloprido, que responde por cerca de 60% do total comercializado dos quatro ingredientes sob monitoramento. A medida afeta, neste primeiro momento, quase 60 empresas que usam a substância em suas fórmulas. Dados divulgados pelo Ibama revelam que, em 2010, praticamente 2 mil toneladas do ingrediente foram comercializadas no país.

A reavaliação é consequência das pesquisas que mostraram a relação entre o uso desses agrotóxicos e a mortandade das abelhas. De acordo com Freitas, nos casos de mortandade identificados, o agente causal era uma das substâncias que estão sendo reavaliadas. Além disso, em 80% das ocorrências, havia sido feita a aplicação aérea.

O engenheiro explicou que a reavaliação deve durar, pelo menos, 120 dias, e vai apontar o nível de nocividade e onde está o problema. “É o processo de reavaliação que vai dizer quais medidas precisaremos adotar para reduzir riscos. Podemos chegar à conclusão de que precisa banir o produto totalmente, para algumas culturas ou apenas as formas de aplicação ou a época em que é aplicado e até a dose usada”, acrescentou.

Mesmo com as restrições de uso, já em vigor, tais como a proibição da aplicação aérea e o uso das substâncias durante a florada, os produtos continuam no mercado. Juntos, os agrotóxicos sob a mira do Ibama respondem por cerca de 10% do mercado de inseticidas no país. Mas existem culturas e pragas que dependem exclusivamente dessas fórmulas, como o caso do trigo, que não tem substituto para a aplicação aérea.

Nesta quarta-feira (25), o órgão ambiental já sentiu as primeiras pressões por parte de fabricantes e produtores que alertaram os técnicos sobre os impactos econômicos que a medida pode causar, tanto do ponto de vista da produção quanto de contratos já firmados com empresas que fazem a aplicação aérea.

Freitas disse que as reações da indústria são naturais e, em tom tranquilizador, explicou que o trabalho de reavaliação é feito em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e com o Ministério da Agricultura – órgãos que também são responsáveis pela autorização e registro de agrotóxicos no país. “Por isso vamos levar em consideração todas as variáveis que dizem respeito à saúde pública e ao impacto econômico sobre o agronegócio, sobre substitutos e ver se há resistência de pragas a esses substitutos e seus custos”, explicou o engenheiro.

No Brasil, a relação entre o uso dessas substâncias nas lavouras e o desaparecimento de abelhas começou a ser identificada há pouco mais de quatro anos. O diagnóstico foi feito em outros continentes, mas, até hoje, nenhum país proibiu totalmente o uso dos produtos, mesmo com alguns mantendo restrições rígidas.

Na Europa, de forma geral, não é permitida a aplicação aérea desses produtos. Na Alemanha, esse tipo de aplicação só pode ser feito com autorização especial. Nos Estados Unidos a aplicação é permitida, mas com restrição na época de floração. Os norte-americanos também estão reavaliando os agrotóxicos compostos por uma das quatro substâncias.

Fonte: Carolina Gonçalves/ Agência Brasil


21 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Técnicas usadas no campo ajudam a reduzir o aquecimento global

Plantio direto sequestra 17 milhões de toneladas de carbono por ano.
Número compensa emissões de gases de efeito estufa de SP, RJ e MG.

No Brasil, as práticas agrícolas convivem entre os sistemas arcaicos e a tecnologia de ponta. No país podem ser encontrados desde o ancestral semeio grão a grão até as mais avançadas plantadeiras e colhedeiras. Os equipamentos agrícolas estão sempre se modernizando. Todo ano, é lançada uma novidade.

O pesquisador da Embrapa Decio Gazzoni observa que a modernização dos equipamentos também foi fundamental para que a agricultura brasileira alcançasse o estágio de hoje, de plantar em tempo recorde e colher em tempo recorde. Foram necessários maquinário certo, semente adequada e muita estratégia, lembra o produtor Darci Ferrarin.

O produtor chama de janela o curtíssimo período que tem para plantar o mais rápido possível para que a cultura se beneficie das chuvas. Há 40 anos, a semente de soja que havia era plantada em setembro para ser colhida em março, o que demorava seis meses. Agora, com a soja precoce de cem dias, o produtor planta no meio de setembro para colher no início de janeiro, quando se abre a janela para plantar algodão que será bem regado pelas chuvas de verão. A soja mediana, de 115 a 120 dias, plantada em setembro, será colhida no fim de janeiro e início de fevereiro, tempo da janela para o plantio do milho. A soja de ciclo longo agora é de 140 dias. O grão, plantado em setembro, é colhido no fim de fevereiro, abrindo uma janela para o plantio de feijão.

Antigamente, quem plantava soja era produtor apenas de soja. Quem mexia com boi era apenas criador de boi. Na experiência mais recente que começa a se alastrar a cultura de grãos ocupa o mesmo espaço dos animais ou vice-versa na chamada integração lavoura-pecuária.

O produtor Darci Ferrarin está entre os agricultores que há muito tempo aposentaram a velha ideia de que o solo precisa descansar. Ele completa o ciclo com as pastagens que se sobrepõem às mesmas áreas de lavoura. O agricultor tira os grãos e o algodão. Depois, engorda mais quatro mil cabeças de gado. Além dos ganhos de produção propriamente, esse modelo de agricultura traz também ganhos para a natureza.

Os danos ambientais nesse modelo são muito menores que os de 20 ou 30 anos atrás. A toxicidade dos produtos diminuiu. Com o terreno sempre coberto de palha, a absorção é maior e há menor arrasto de material para os cursos d’água.

A fazenda tem cinco mil hectares de mata nativa nas margens do rio Teles Pires. O agricultor Darci Ferrarin conta que na propriedade tem 28 nascentes. Os pulverizadores que aplicam veneno sequer chegam perto da água. Ele abriu canais que, por gravidade, transportam a água até carros-pipa, que se deslocam até a lavoura para abastecer os aplicadores.

Essa verdadeira revolução agrícola que o Brasil vive reduziu também o impacto no bolso do consumidor. A comida que sai do campo atualmente sai muito mais barato do que nos anos de 1970.

A produção de leite e carne muito se beneficiou do avanço da agricultura. O grão engorda o frango, o porco e o boi. Um terço do que Brasil planta por ano se transforma diretamente em proteína animal. As boas práticas agrícolas do modelo brasileiro acabaram acertando também um alvo que não trazia preocupação 40 anos atrás: o aquecimento global.

As enormes emissões de gases de efeito estufa pelas atividades humanas aumentam a temperatura no planeta, o que pode levar a catastróficas alterações no clima.

O pesquisador Carlos Cerri é professor da Esalq, a Escola Superior de Agricultura Luis de Queiroz, trabalhou durante vários anos no IPCC, Painel Intergovernametal de Mudanças Climáticas da ONU, fazendo parte da equipe que ganhou o prêmio Nobel da Paz. Ele recebeu um importante prêmio da Embrapa por suas pesquisas sobre emissão de carbono. “Por não revolver o solo, o plantio direto faz com que haja menor emissão de gases do efeito estufa para a atmosfera. Por outro lado, parte da palha que fica na superfície do solo, com a decomposição pelos organismos do solo, é incorporada no solo fazendo o que chamamos de sequestro de carbono pelo solo”, diz.

Há 15 anos, as equipes do doutor Cerri pesquisam lavouras dos quatro cantos do Brasil. Eles coletam amostras de solo e, segmentando o terreno com caixas, fazem a captação de gases que pairam na superfície das camadas de palha. Com seringas, são aspirados os gases que a terra exala. O material é analisado nos laboratórios da Universidade de São Paulo, em Piracicaba. O pesquisador Carlos Cena tem um inventário das emissões e da fixação de gases nas lavouras do país.

Considerando que o Brasil já alcançou cerca de 35 milhões de hectares com plantio direto, conclui-se que a prática sequestra 17 milhões de toneladas de carbono por ano, o que compensa as emissões de gases de efeito estufa de São Paulo, Rio de JaneiroBelo Horizonte e da maioria das capitais mais populosas do Brasil.

O sistema de plantio direto também deu contribuição significativa para o setor de energia. O plantio direto, aliado a outras práticas conservacionistas, evitou erosões e, portanto, assoreamento, na bacia do Rio Paraná e aumentou a previsão de vida útil da represa de Itaipu de 100 para aproximadamente 200 anos.

Fonte: Globo Natureza


2 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Produtos naturais ganham mercado e substituem fertilizantes e agrotóxicos

Embrapa vai lançar orgânicos e espera ganhar 20% do mercado.
Outra tecnologia nacional troca agrotóxicos por vespas e conquista produtor.

Em abril, Embrapa vai lançar dois fertilizantes orgânicos produzidos a partir de resíduos poluentes. (Foto: Divulgação / Embrapa / Vinicius Benites)

Em abril, a Embrapa vai lançar dois fertilizantes orgânicos produzidos a partir de poluentes (Foto: Divulgação/Embrapa/Vinicius Benites)

Quarto maior consumidor de fertilizantes e um dos líderes mundiais no uso de agrotóxicos, o Brasil começa a expandir duas novas tecnologias naturais para aumentar a fertilidade dos solos e combater pragas. Resultado de pesquisas nacionais, os fertilizantes orgânicos da Embrapa e o controle de pragas com uso de vespas e ácaros, da empresa brasileira BUG, são opções sustentáveis que garantem a produtividade e saúde da lavoura.

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A primeira novidade será lançada pelaEmbrapa no início de abril e deve estar disponível no mercado em breve. A partir de resíduos agroindustriais poluentes, como fezes de porco, a empresa desenvolveu dois tipos de fertilizantes orgânicos, tão eficientes quanto os tradicionais segundo a Embrapa. Por reaproveitar os resíduos, a tecnologia é considerada um tipo de reciclagem.

Um dos fertilizantes já tem nome. É o “agroporco”. O outro, ainda sem nome oficial, é produzido a partir de um resíduo da produção de frango de corte, chamado cama de aviário. A eles são misturados minerais, que ajudam na penetração dos nutrientes no solo.

Mercado
A nova tecnologia pode transformar o mercado brasileiro de fertilizantes. A expectativa é que em 20 anos ela abasteça até 20% da necessidade nacional e diminua a dependência internacional – hoje, 75% dos fertilizantes consumidos no Brasil são importados, segundo a Embrapa Solos.

Além disso, esta pode ser uma importante tecnologia para tratar os resíduos agroindustriais, que podem contaminar o meio ambiente e são produzidos em alta quantidade no Brasil – que possui um dos maiores rebanhos mundiais e é um grande criador de frango de corte.

“Importamos muito fertilizante e temos muito resíduo animal no Brasil, que é um passivo ambiental. A tecnologia resolve os dois problemas. Estamos falando de [abastecer] 20% da demanda nacional de fertilizante. É algo fantástico”, afirma José Carlos Polidoro, pesquisador da Embrapa Solos.

Segundo Polidoro, os fertilizantes organominerais podem ser mais eficientes que os tradicionais e são mais adequados à região tropical, já que liberam mais rapidamente os nutrientes. Além disso, eles têm “menor potencial de provocar problemas ambientais”, ou seja, de contaminar águas e solos.

Os fertilizantes orgânicos foram testados centro tecnológico da Comigo, parceiro da Embrapa, em no Rio Verde (GO). (Foto: Divulgação / Embrapa / Vinicius Benites)

Os fertilizantes orgânicos foram testados no centro tecnológico da Comigo, parceiro da Embrapa, em Rio Verde (GO) (Foto: Divulgação/Embrapa/Vinicius Benites)

Vespas e ácaros
Outra opção natural e eficiente para a agricultura é o controle biológico de pragas, que está conquistando produtores, pequenos e grandes, e ganhando reconhecimento no mercado. O destaque nacional é a empresa BUG, sediada em Piracicaba (SP), que entrou na lista das 50 empresas mais inovadoras do mundo em 2012, da revista americana de empreendedorismo “Fast Company”.

Dividindo a lista com gigantes como Google, Facebook e Amazon e desbancando grandes empresas nacionais como Petrobras e Embraer, a BUG nasceu nos laboratórios de duas importantes universidades brasileiras: a Unesp e a USP. Os sócios da empresa fizeram faculdade juntos e depois voltaram a se encontrar no mestrado. Em seguida, eles desenvolveram uma forma de aplicar as pesquisas acadêmicas em larga escala.

“Na universidade, já havia sido desenvolvido um sistema de produção [de controle biológico de pragas] em pequena escala, com o qual nós também colaboramos. Nós pegamos este sistema e desenvolvemos tecnologia para aplicá-lo em massa. Hoje temos biofábricas, produzimos organismos e levamos isto para o campo”, conta Marcelo Poletti, um dos sócios da BUG.

O princípio do controle biológico aplicado é combater pragas com insetos parasitas. Na BUG, são produzidas vespas do gênero Trichogramma. Elas atacam ovos de mariposas e borboletas e combatem a lagarta, grande inimiga de importantes lavouras, como cana e soja. Além disso, a BUG produz ácaros que combatem inimigos de plantações de hortifrutis e flores.

Os inimigos naturais substituem os agrotóxicos, que podem contaminar os alimentos, o meio ambiente e a saúde de quem faz a aplicação. Além de ecológica, a alternativa chega a ser mais eficiente que os químicos, cujo uso contínuo pode fazer as pragas ficarem resistentes. “A resistência da praga ao inseticida acaba prejudicando muito a aplicação [de agrotóxico]. Já com o controle biológico isso não acontece. A praga não fica resistente ao predador, à vespinha ou ao ácaro”, explica Poletti.

Na aplicação, cartelas de ovos de vespas são colocadas na plantação. Quando elas nascem, o controle de pragas ocorre naturalmente. Os produtos são registrados no Ministério da Agricultura, na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e no Ibama. Ao contrário dos agrotóxicos, as embalagens não contêm o símbolo da caveira.

Marcelo Poletti, agrônomo e um dos diretores da diretor da BUG, em laboratório na unidade de Charqueada. (Foto: Divulgação / BUG)

Marcelo Poletti, agrônomo e um dos diretores da BUG, em laboratório na unidade de Charqueada (Foto: Divulgação/BUG)

Embrapa
“Vamos oferecer dois produtos específicos e tivemos que fechar uma fórmula. Mas existe uma variedade muito grande de fórmulas possíveis para fertilizantes organominerais”, conta Vinicius Benites, também pesquisador da Embrapa Solos. Por isso, existe a possibilidade de oferecer novas linhas no mercado.

A partir do lançamento oficial dos produtos, a ideia da Embrapa é estimular a criação de unidades de produção em pequena e média escala em todo o Brasil. “Nosso interesse é estimular a indústria. Aí sim, esse tipo de fertilizante poderá abastecer no futuro até 20% da demanda nacional”, explica Polidoro.

A tecnologia, desenvolvida pela Embrapa há 5 anos, foi finalizada em 2011. Mas ela só começa a ser transferida em 2012 devido ao tempo necessário para registrar patentes. “Agora a tecnologia está pronta para ser transferida. Sabemos que ela é viável e temos estimativas de custos de produção”, comenta Vinicius Benites. Uma fábrica para produzir 30 mil toneladas de fertilizante organomineral, por exemplo, teria um custo de instalação de cerca de R$ 4 milhões.

Além da produção comercial, a tecnologia pode ser usada para resolver problemas ambientais. É o caso da hidrelétrica de Itaipu, que está preocupada com a segurança da qualidade da água do reservatório devido a uma possível contaminação por resíduos da suinocultura, forte na região. Juntas, Embrapa e Itaipu estão desenhando um projeto para produzir fertilizantes organominerais e eliminar os resíduos.

 O controle natural de pragas é feito com insetos parasitas. Na imagem, a vespa flavipes parasita a broca-da-cana. (Foto: Divulgação / BUG / Heraldo Negri)

O controle natural de pragas é feito com insetos parasitas. Na imagem, a vespa flavipes parasita a broca-da-cana (Foto: Divulgação/BUG/Heraldo Negri)

BUG
Já a aplicação do controle biológico de pragas já é uma realidade. As vespas da BUG, por exemplo, atendem mais de 500 mil hectares de plantações de cana no Brasil, principalmente em São Paulo, Mato Grosso e Goiás. Os ácaros estão presentes em outros mil hectares de hortifruti.

Além da BUG, outras empresas exploram o controle biológico e planejam aumentar sua participação no lucrativo mercado de combate a pragas agrícolas. A Associação Brasileira de Controle Biológico já conta com mais de 19 empresas, que também trabalham com fungos e bactérias.

“No Brasil, o controle biológico representa apenas 1% do valor da receita obtida com a venda de agrotóxicos. O que nós estimamos, sendo muito otimistas, é que em 5 anos vamos chegar em 8%. Hoje já temos grandes multinacionais investindo no setor, o que vai ajudar a aumentar esse número”, afirma Poletti.

Uma barreira para a expansão do controle biológico é a resistência dos agricultores, que está diminuindo. “Nós apresentávamos o produto para o agricultor e ele dizia: ‘eu já tenho problemas com inseto, você quer trazer mais inseto?’”, conta o sócio da BUG. “Eles achavam que as vespas e os ácaros iam causar danos à cultura. Muitas pessoas nunca imaginaram que os insetos poderiam ser usados com essa função e estão descobrindo isto agora.”

O agricultor Adalberto Granghelli, que planta tomate em Jaquariúna (SP), é um deles. “Eu comecei [a usar as vespas] meio incrédulo. Comecei fazendo testes em pequenas áreas e hoje uso em toda a plantação, substituindo algumas aplicações de agrotóxico. Meus funcionários também não acreditavam e hoje reclamam quando eu não compro os ovos”, comenta ele, satisfeito com a nova tecnologia.

O custo para o produtor é, segundo a BUG, menor que o da aplicação de agrotóxicos. “Inicialmente, quando é feita a transição do convencional para o biológico, o custo é o mesmo. Mas, quando se considera todo o ciclo da cultura há uma economia de 30 a 40%”, diz Poletti. Uma alternativa que, além de ecológica, pode ser mais eficiente e mais econômica.

Fonte: Amanda Rossi, Globo Natureza


26 de março de 2012 | nenhum comentário »

IPEVS participa da Coletiva à Imprensa – Devolução de BHC e Agrotóxicos Obsoletos na região de Cornélio Procópio

O governo estadual paranaense começa a resolver um problema ambiental histórico, referente a agrotóxicos deixados em propriedades rurais a décadas. O Projeto de Devolução do BHC e Agrotóxicos Obsoletos envolve Governo do Paraná, Seab, Emater, Iap, Ocepar, Faep, Senar, inpEV e Instituto das Águas do Paraná,

Por ser o primeiro município da região de Cornélio Procópio a abrigar o projeto, representantes de diversas entidades estiveram em Assaí na manhã de sexta-feira, 23/03, durante reunião no auditório da Secretaria Municipal de Assistência Social.

Segundo Maurílio Soares Gomes da EMATER “A região de Cornélio Procópio, integrando 23 municípios, realiza esta atividade de coletiva a imprensa para dar conhecimento a sociedade do destino a 70,9 toneladas de BHC e 19,8 toneladas de agrotóxicos obsoletos, existentes e cadastrados por 165 agricultores, na 1ª fase ocorrida e regulamentada pela lei estadual 16.082-2009.”

Com o Projeto de Devolução do BHC e Agrotóxicos, o governo paranaense tenta resolver um passivo ambiental que se arrasta há vários anos. Em 2001 o Estado havia feito um levantamento para mensurar o dano, no entanto o passo mais significativo vem acontecer somente agora, apesar da proibição da utilização do BHC ainda em 1985.

O IPEVS se fez presente nesta coletiva por meio de seu presidente, o Médico Veterinário Rafael Haddad. Segundo ele, é importante que os colegas veterinários e zootecnistas que trabalham na área rural conheçam os riscos que o BHC e demais agrotóxicos obsoletos oferecem a saúde dos rebanhos e dos seres humanos, e orientem os proprietários rurais na correta destinação destes produtos. Rafael Haddad relatou ainda o fato do produto se acumular ao longo da cadeia alimentar e permanecer no meio ambiente por muitas décadas, fato este que pode gerar ocorrências de intoxicações de animais em áreas onde esses produtos não foram corretamente armazenados.

Med. Vet. Dr. Rafael Haddad, presidente do IPEVS e delegado regional do CRMV-PR em Cornélio Procópio e Med. Vet. Dr. Luciano José Fidelis, chefe da vigilância sanitária em Assaí - PR. Foto: IPEVS

Fonte: Ascom IPEVS com informações da Delegacia Regional do CRMV de Cornélio Procópio


1 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Transgênicos podem afetar borboleta monarca

Não faz mais de uma década. As fazendas do Meio-Oeste dos Estados Unidos ficavam normalmente desfiguradas – ao menos na visão dos fazendeiros – por manchas rebeldes de asclépias entre fileiras perfeitas de plantações de milho e soja.

Isso não acontece mais. Agora, nos campos estão plantações de milho e soja geneticamente modificados e resistentes ao herbicida Roundup. Com isso, os fazendeiros podem pulverizar a substância química para erradicar ervas daninhas, inclusive a asclépia.

Embora para os fazendeiros isso soe como uma boa notícia, para um número crescente de cientistas a redução da asclépia pode por em perigo as borboletas-monarca. A migração espetacular desses animais fazem delas um dos insetos mais queridos – “o Bambi do mundo dos insetos”, como afirmou certa vez um entomólogo.

As monarcas depositam os ovos nas asclépias e as larvas depois as comem.

Esse indício é preliminar e vem sendo contestado por especialistas. Para o especialista em insetos Chip Taylor, o aumento da prática de culturas geneticamente modificadas põe em risco as borboletas de cor laranja e preta, por retirar seu habitat.

“A asclépia desapareceu de pelo menos 40,5 milhões de hectares de canteiros de cultivo”, afirmou Taylor, ecologista especialista em insetos da Universidade de Kansas e diretor de pesquisa e conservação do programa Monarch Watch. “A asclépia dela praticamente se foi”.

O principal indício de que a população de monarcas está diminuindo aparece em um novo estudo. Ele mostra que a área ocupada pelas monarcas no centro do México, onde muitas delas passam o inverno, diminuiu nos últimos 17 anos.

Acredita-se que a área ocupada pelas borboletas seja representativa do tamanho da sua população.

“Pela primeira vez nós temos dados que podem ser analisados estatisticamente e que mostram uma tendência de queda”, afirmou Ernest H. Williams, professor de biologia do Hamilton College e autor do estudo, junto com Taylor e outros autores.

O artigo, publicado online na revista Insect Conservation and Diversity, atribui essa diminuição em parte à falta da asclépia devido ao uso de culturas Roundup Ready. Outras causas, segundo o artigo, são o desaparecimento da asclépia devido ao desenvolvimento rural, o corte ilegal de árvores nos locais de invernada no México e o inverno rigoroso.

O estudo não sugere que a borboleta entrará em extinção. Porém, ele questiona a sustentabilidade da migração anual, do incentivo ao festival das borboletas nos Estados Unidos e das ondas de turismo no México.

Entretanto, o artigo não apresenta nenhum dado que fundamente o argumento de que as culturas geneticamente modificadas estejam reduzindo a população de monarcas. Alguns especialistas alegam que a população dessas borboletas não está diminuindo e que não está claro se existe qualquer consequência relacionada à biotecnologia agrícola.

Segundo Andrew K. Davis, pesquisador assistente da Universidade da Georgia, o recenseamento da monarca adulta, realizado todo fim de ano em Cape May, Nova Jersey, e em Península Point, em Michigan, não apresentou uma diminuição.

Pode ser que “mesmo que a população de invernada esteja diminuindo cada vez mais, elas recuperem esse número quando se dirigem para o norte, na primavera”, afirma Davis. O artigo de Davis, em que ele contesta que esteja ocorrendo uma diminuição da população da monarca, foi publicado online pela mesma revista.

Leslie Ries, professora pesquisadora da Universidade de Maryland, examinou outras contagens de borboletas e, segundo conta, não revelaram uma diminuição, mas sim variações de ano para ano. Como é improvável que a população de asclépias varie tanto, provavelmente isso não é o determinante principal da população de borboletas, conforme afirma.

Porém, dois pesquisadores, Karen Oberhauser, da Universidade de Minnesota, e John M. Pleasants, do estado do Iowa, citam outros indícios da diminuição: o número de ovos de monarca nos campos do Meio-Oeste americano. “A produção das monarcas vem diminuindo de maneira significativa”, afirma Pleasants.

“Essa redução é causada pela perda das reservas de asclépias disponíveis”.

Os dois cientistas apresentaram um artigo a uma revista científica e afirmaram que não discutirão sobre os dados apresentados antes da publicação.

As culturas Roundup Ready contêm um gene de bactéria que permite a elas resistir ao herbicida Roundup ou ao seu equivalente genérico, o glifosato.

Isso permite matar as ervas daninhas sem prejudicar a colheita.

Como tornam bem mais fácil o controle de ervas daninhas, essas culturas têm sido amplamente adotadas pelos fazendeiros. Este ano, 94 por cento da soja e 72 por cento do milho cultivados nos Estados Unidos eram tolerantes a herbicidas, de acordo com o Departamento de Agricultura.

Por sua vez, isso levou ao aumento súbito da utilização do glifosato, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental americana. A quantidade de herbicida utilizada em 2007 foi 5 vezes maior do que em 1997, um ano após a introdução das culturas Roundup Ready e, e aproximadamente 10 vezes maior do que em 1993.

Os fazendeiros, como se sabe, sempre tentaram eliminar as ervas daninhas tratando a terra ou pulverizando outros herbicidas, sendo que esses muitas vezes precisavam ser usados antes que as culturas brotassem do solo. O glifosato, no entanto, pode ser pulverizado no período vegetativo, pois não prejudica as culturas resistentes. Esse fato e a eficácia geral do glifosato resultaram em um controle maior das ervas daninhas.

“Ele mata tudo”, afirmou Lincoln P. Brower, entomólogo do Sweet Briar College e um dos autores do artigo que documenta a diminuição da população de monarcas no inverno mexicano. “É como um Armagedom absoluto da biodiversidade sobre uma enorme área”.

A quantidade de asclépias nas fazendas do estado do Iowa diminuiu 90 por cento entre 1999 e 2009, de acordo com Robert G. Hartzler, agrônomo do estado. Em seu estudo, publicado no ano passado na revista Crop Protection, ele encontrou asclépias em apenas 8 por cento dos campos de milho e soja em 2009, 51 por cento menos do que 1999.

Devido às práticas de controle de ervas daninhas – mesmo antes do advento dos cultivos Roundup Ready – é improvável que as fazendas abriguem tal quantidade de asclépias.

Porém, a grande quantidade de terras agrícolas no cinturão do milho demonstra que as fazendas no todo são as responsáveis pela maior parte dos nascimentos de monarcas, segundo outro estudo, publicado em 2001 por Oberhauser e seus colegas. Este estudo avaliou que em Iowa, as propriedades rurais produziram 78 vezes mais monarcas do que em áreas não cultivadas, e 73 vezes mais em Wisconsin e Minnesota.

Embora as monarcas venham de outras partes dos Estados Unidos, de modo geral acredita-se que a maioria delas seja incubada no Meio-Oeste. Porém, até mesmo Hartzler afirmou em seu artigo que seria difícil avaliar o impacto da diminuição da asclépia no Iowa sobre a população de monarcas.

O porta-voz da Monsanto, empresa criadora das culturas Roundup Ready e fabricante do Roundup, concorda. Segundo ele “ainda estão sendo desenvolvidos dados biológicos sobre os possíveis efeitos da agricultura de Iowa sobre a população de monarcas”. O que é válido para Iowa pode não valer para outras regiões, afirma.

Não é a primeira vez que as culturas geneticamente modificadas são consideradas uma ameaça para as monarcas. Em 1999, pesquisadores da Universidade Cornell relataram que as lagartas das monarcas podiam morrer caso se alimentassem de asclépia polvilhada com pólen do também geneticamente modificado milho BT. Esse milho possui um gene de bactéria conhecido por produzir uma toxina que mata certos tipos de pragas.

Contudo, pesquisas posteriores, financiadas em parte pela indústria de biotecnologia, descobriram que as lagartas provavelmente não seriam expostas a quantidades letais de pólen de milho BT sob condições reais do campo. A preocupação diminuiu.

Segundo os cientistas, o efeito sobre os insetos de impedir o crescimento das ervas daninhas não é uma surpresa e, provavelmente, não atinge apenas a monarca.

A Academia Americana de Ciências examinou este efeito em 2007, em um relatório sobre abelhas e outros animais que polinizam as culturas. O relatório cita a descoberta de um estudo britânico de que nos campos onde são cultivadas beterraba e canola geneticamente modificadas, existem menos borboletas do que nos campos de culturas não modificadas.

Isso produz a ideia um tanto quanto radical de que as ervas daninhas das fazendas talvez devessem ser protegidas. “Está ocorrendo uma mudança na forma de pensar a agricultura, porque os campos sem ervas daninhas eram a referência”, afirmou May Berenbaum, chefe do departamento de entomologia da Universidade de Illinois.

Entretanto, May e outros especialistas em insetos acreditam ser ilusório supor que os fazendeiros irão abrir mão das culturas tolerantes a herbicidas. Por isso, deve-se tentar proteger as que existem ou germinar asclépias em outros locais, talvez em terras reservadas para a preservação.

A Monarch Watch está encorajando os jardineiros a cultivar asclépias.

Taylor, da Monarch Watch, fez uma proposta simples e talvez irônica às empresas de biotecnologia. “Peço encarecidamente que desenvolvam uma asclépia resistente ao Roundup”, afirmou.

Fonte: Portal iG


29 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Ibama flagra desmatamento com agrotóxico no Amazonas

O Ibama apreendeu na sexta-feira (17) quatro toneladas de agrotóxicos que seriam utilizados para desmatar 3.000 hectares de floresta nativa da União em Novo Aripuanã, sul do Amazonas.

O único registro de uso de agrotóxico em desmatamentos no Estado ocorreu em 1999. Durante um sobrevoo, fiscais do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) encontraram uma área de 250 hectares, no município de Boca do Acre, já destruída por ação do veneno Tordon 2,4 D.

Pulverizados sobre a floresta, os agrotóxicos têm o poder de desfolhar as árvores.

“A floresta vira um grande paliteiro, facilitando o desmatamento. É o mesmo processo usado pelo Exército norte-americano para encontrar os vietnamitas na Guerra do Vietnã”, disse o superintendente do Ibama no Amazonas, Mário Lúcio Reis.

OPERAÇÃO

Os fiscais do Ibama monitoravam o envio da carga de Rondônia para Novo Aripuanã (227 km de Manaus) havia uma semana.

Na sexta-feira, os produtos foram apreendidos em uma região de floresta desabitada às margens do rio Acari (afluente do Madeira), que fica nos limites entre a RDS (Reserva de Desenvolvimento Sustentável) do Juma e uma propriedade de um fazendeiro de Rondônia.

Os produtos químicos estavam escondidos debaixo de uma lona. Na carga, foram identificados os agrotóxicos 2,4 D Amina 72, U46BR, Garlon 480 e óleo mineral. Eles são comercializados legalmente como herbicidas para matar ervas daninhas em plantações de arroz e milho.

O nome do fazendeiro, que já foi multado por desmatar floresta nativa em outra ocasião, está sob sigilo devido às investigações do novo crime ambiental. A multa pode chegar a R$ 2 milhões.
Reis afirma que os fiscais encontraram uma pista de pouso na fazenda, de onde partiria um avião pulverizador para jogar os agrotóxicos sobre a floresta.

QUEIMADAS

Ainda de acordo com o superintendente, após a pulverização as árvores que têm valor comercial são derrubadas com motosserras. “Depois, eles fazem queimadas para limpar o terreno. No lugar da floresta, o fazendeiro iria criar um grande pasto.”

Segundo o agrônomo e pesquisador do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) Hiroshi Noda, ao serem lançados sobre a floresta, os agrotóxicos contaminam solo, lençóis freáticos, animais e seres humanos.

“Eles causam uma reação química no metabolismo das árvores, provocando seu colapso imediato”, disse.

Noda afirmou que, meses após a pulverização dos agrotóxicos, a terra pode ser utilizada para pastagens.

Agrotóxicos apreendidos na Amazônia seriam usados para devastar floresta, desfolhando as árvores

Agrotóxicos apreendidos na Amazônia seriam usados para devastar floresta, desfolhando as árvores

Fonte: Kátia Brasil, Folha.com, Manaus


6 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Brasil inicia processo para instalação da logística reversa

A partir do segundo semestre de 2012, o Brasil vai poder experimentar uma nova forma de lidar com o descarte de cinco grupos de resíduos. Os brasileiros poderão ter regras fixas, determinadas pelo Governo Federal, para dispor de produtos como eletroeletrônicos; remédios; embalagens; resíduos e embalagens de óleos lubrificantes; e lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista.

É o início do processo para a instalação da logística reversa, o principal instrumento da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Sua implementação vai garantir o aumento do percentual de reciclagem no Brasil. Atualmente, o País recicla muito pouco. Um percentual de resíduos secos que podia atingir a casa dos 30%, não passa hoje de cerca de 13%.

A lei definiu que na logística reversa, todos os fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e o cidadãos têm responsabilidade compartilhada na correta destinação do produto adquirido. A ideia central é que a vida útil do produto não termina após ser consumido, mas volta a seu ciclo de vida, para reaproveitamento, ou para uma destinação ambientalmente adequada.

Outro caminho que vai garantir ao Brasil o aumento da reciclagem é o da coleta seletiva. Além de significar uma economia anual aos cofres da União da ordem de R$ 8 bilhões, o aumento da reciclagem terá também o condão de evitar que esses resíduos cheguem aos aterros sanitários.

Lançamento - Nesta quinta-feira, 5 de maio, foram instalados cinco grupos de trabalho para implementar este tipo de logística. As cadeias que farão parte deste primeiro grupo são: eletroeletrônicos; lâmpadas de vapores mercuriais, sódio e mista; embalagens em geral; embalagens e resíduos de óleos lubrificantes; e o descarte de medicamento.

Na abertura dos trabalhos, o secretário-executivo do MMA, Francisco Gaetani, que representou a ministra Izabella Teixeira, disse que a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) não seria possível sem o engajamento de todos os setores envolvidos. “O Governo Federal tem o propósito de dialogar com todos esses setores. A PNRS é exemplar neste sentido, pois apostou no processo de discussão para que as políticas públicas fossem apropriadas”.

Segundo Gaetani, a aprovação da PNRS representa um debate nacional, que envolve qualidade de vida, novas práticas comerciais, novos padrões de comportamento.

A secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental (Saic), Samyra Crespo, disse que a responsabilidade compartilhada é um exercício entre vários setores e o Governo que se encontraram para pactuar o consenso.

Esses grupos de trabalho vão debater e definir quais os tipos de produtos de cada cadeia e os tipos de resíduos que serão submetidos à logística reversa. Estão convidados a participar destes grupos todos os atores envolvidos dentro da cadeia de responsabilidade compartilhada, como importadores, fabricantes, distribuidores, comerciantes, o Movimento Nacional de Catadores de Material Reciclável, representantes dos estados e dos municípios.

Segundo Silvano Silvério, secretário de Ambiente Urbano e Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, o que se quer com a logística reversa é definir uma fórmula, uma modelagem para ser apresentada à sociedade, orientando o cidadão sobre como ele fará a disposição de seu resíduo para que ele possa ser devolvido ao seu ciclo de vida.

“Hoje, o produto é fabricado, distribuído, comercializado e depois utilizado e o cidadão não sabe como dispor dele. Nossa pretensão é que exista uma regra em que esse cidadão, depois de utilizar determinado produto, saiba que pode levá-lo a um determinado lugar, onde haverá uma unidade para recepcionar o descarte. E que aquele produto devolvido seguirá para uma reciclagem, onde algumas peças serão reutilizadas na fabricação de um novo produto semelhante numa mesma cadeia ou em outros ciclos”, explica o secretário.

Num primeiro momento, a finalidade dos grupos de trabalho será a de definir essa modelagem, determinando, por exemplo, como será custeado todo o processo e quem vai arcar com ele. A segunda etapa será a elaboração de um estudo de viabilidade técnica-econômica para as cadeias e depois a definição de subsídios para elaboração de um edital onde o Governo Federal convoca um acordo setorial para cada uma das cadeias.

No edital estarão definidas quais as cadeias e quais os produtos da logística. “Estamos escutando todos os que participam de cada uma das cadeias, de tal forma que quando o edital for elaborado não ocorram surpresas quanto à apresentação dos acordos setoriais que vão colocar a logística de pé”, informa Silvério.

O processo começa com lançamento do edital e depois com realização dos acordos setoriais. Em seguida, o Governo Federal coloca as propostas definidas em consulta pública, quando e onde o cidadão terá oportunidade de opinar, de argumentar e dizer se concorda com os termos. O Governo então analisa a proposta e, estando de acordo com o edital, convoca as partes para ratificarem um acordo setorial. Um contrato é assinado, publicado e passa a valer para o País todo.

“Tudo isso será discutido nos grupos de trabalho. A ideia é definir a regra, a modelagem, a forma de a sociedade participar. E também como se dará a participação dos estados e dos municípios, de forma complementar com a coleta seletiva. O que queremos com esses grupos de trabalho é uma harmonização para a proposta de modelagem, para os subsídios para a confecção dos editais de lançamento dos acordos setoriais”.

Em seu artigo 33, a lei que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, diz que são obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de agrotóxicos, seus resíduos e embalagens; pilhas e baterias; pneus; óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens; lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista; e produtos eletroeletrônicos e seus componentes.

Dos que são obrigatórios pela PNRS a fazer logística reversa, quatro já o fazem. São eles: agrotóxicos; pilhas e baterias; pneus e óleos lubrificantes.

Exemplo - A logística de óleo lubrificante é uma logística que funciona bem no País, por determinação de resoluções já vigentes. Mas é preciso evoluir o processo de reciclagem das embalagens e dos resíduos dos óleos lubrificantes.

Outro bom exemplo de responsabilidade pós-consumo em nosso País ocorre com relação às embalagens vazias de agrotóxicos. De acordo com Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InpEV), nos primeiros três meses do ano foram encaminhadas para o descarte ambientalmente correto mais de 8 mil de toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas.

Segundo dados do InpEV, o volume representa crescimento de 17% em relação ao mesmo período de 2010, quando foram processadas 6 mil e novecentas toneladas. Somente em março, as unidades de recebimento do País retiraram perto de 3 mil toneladas de embalagens do campo e cerca de 90% desse material seguiram para reciclagem.

Grupo de Trabalho Temático – O GTT de Medicamentos conclui os trabalhos em outubro de 2011, após sete meses de discussões dentro do Grupo criado em 16 de março pelo Comitê Orientador para Implantação da Logística Reversa. O Grupo é coordenado pelo Ministério da Saúde.

Durante esse período, o comitê debate, entre outras questões, quais medicamentos serão objeto do Acordo Setorial; a metodologia para avaliação dos impactos sociais e econômicos da logística reversa; a modelagem do sistema proposto; a implementação da governança para implementação do acordo setorial; e o estudo de viabilidade técnica.

O correto descarte de medicamentos já vinha sendo debatido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), coordenadora do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS). A Anvisa tratou o tema de forma conjunta com os vários segmentos da cadeia produtiva, envolvendo o Governo Federal, o setor empresarial, as vigilâncias sanitárias estaduais e municipais e a população.

GTT – Embalagens – Um quinto dos resíduos produzidos no Brasil é composto por embalagens. São 25 mil toneladas diárias descartadas. No restante do mundo, as embalagens são responsáveis por um terço dos resíduos domésticos, sendo 80% delas descartadas imediatamente após seu uso original. Os materiais utilizados na sua confecção são os mais variados, como vidro, plástico, aço, alumínio, papel-cartão e outros.

Essa gama de embalagens acaba dificultando a identificação pelo consumidor de como encaminhá-las para a reciclagem. Por tudo isso é que a logística reversa de embalagens tem por objetivo o desenvolvimento de embalagens com menor consumo de recursos naturais em sua fabricação, maior separação dos materiais e um maior índice de reciclagem destes materiais, reduzindo o volume de resíduos descartados e da pressão pelo meio ambiente.

O Grupo de Trabalho Temático de Embalagens (GTT Embalagens), criado após a regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, tem entre seus objetivos elaborar proposta de modelagem da logística reversa para embalagens em geral, excluídas as embalagens de agrotóxicos e óleos lubrificantes.

GTT – Eletroeletrônico – O termo resíduos eletroeletrônicos abriga inúmeros tipos de resíduos, incluindo, por exemplo, televisores, geladeiras, celulares, telefones, computadores (a CPU propriamente dita e todos seus periféricos como impressoras, monitores, teclados, mouses, etc), fogões, aspiradores-de-pó, ventiladores, congeladores, aparelhos-de-som, condicionadores-de-ar, batedeiras, liquidificadores.

Do ponto de vista ambiental, é grande a importância que se tem atribuído aos computadores pela velocidade de disseminação de seu uso e pela rapidez com que se torna obsoleto. Exemplifica isso o fato de que no período de 2006/2005, os notebooks apresentaram uma taxa de crescimento equivalente a mais de 110%.

Em termos de vendas para 2009, segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica Eletrônica (Abinee), o mercado total de venda de PCs foi de 12 milhões de unidades, dos quais 7,7 milhões de desktops e 4,3 milhões de notebooks. Estes números apontam para o fato de que 27% dos domicílios particulares dispõem de computadores, segundo fonte do IBGE.

Quanto à telefonia celular, segundo dados constantes do Panorama 2009 da Abinee, foram produzidos em 2008, 73 milhões de unidades, sendo 48 milhões de unidades para atendimento ao mercado interno de 25 milhões para exportação.

Não existe legislação federal para o descarte do resíduo tecnológico. O que existe são resoluções do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) que tratam especificamente de alguns desses resíduos, como é o caso de pilhas e baterias (401/2008). Existem também algumas ações no âmbito do Governo Federal como o recolhimento de geladeiras comandado pelo MME e o Programa de Inclusão Digital conduzido pelo Ministério do Planejamento (MPOG) que aceita doações de computadores que são recuperados e distribuídos a instituições que os destinam ao uso de comunidades carentes.

GTT – Resíduos e embalagens de óleos lubrificantes – O processo para a logística reversa de óleos lubrificantes é feita no Brasil desde meados dos anos 50. Seu aperfeiçoamento tem se dado com resoluções normativas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com portarias interministeriais MMA/MME e com a Resolução Conama Nº 362/2005. Para as embalagens dos óleos, no entanto, não existe a estruturação de logística reversa em âmbito nacional, com exceção, para experimentos voluntários de produtores de óleos lubrificantes, localizados em alguns municípios.

A geração dos resíduos provenientes da utilização do óleo combustível cresce com o aumento do consumo, principalmente com a expansão da indústria automobilística, importante fonte geradora de resíduos, sendo que as embalagens e a geração de resíduos são o maior indicador desse crescimento. É sabido que o ciclo de vida do óleo lubrificante usado se inicia na produção do óleo lubrificante básico, oriundo da produção nas refinarias nacionais, importação ou das centrais de rerrefino de óleo usado ou contaminado.

Há cinco anos esta resolução entrou em vigor, a Resolução Conama 362/2005, que trata da coleta e recolhimento de óleos lubrificantes usados e ou contaminados é fruto da revisão da resolução nº 993 e ela inovou em criar um grupo de monitoramento permanente da resolução. Esse grupo é formado por setores do Governo Federal, por órgãos estaduais de meio ambiente, pela sociedade civil e pelo setor empresarial. Este setor, dentro da logística reversa, tem a obrigação em patrocinar a coleta do óleo lubrificante usado contaminado, vulgarmente conhecido como óleo queimado, para trazê-lo ao sistema de rerrefino, sistema que faz com que esse óleo seja transformado em óleo lubrificante de novo, numa proporção de 75% a 80% de aproveitamento.

“Apesar do sucesso da resolução, muito ainda precisa ser feito. A resolução especificou que teria de ser recolhido 30% do óleo usado e contaminado no país. A gente já está conseguindo coletar 35% e a meta é atingir até o meio da desta década algo em torno de 42%, porque ainda há muita margem de recolhimento”, disse Silvério.

Após a utilização do óleo lubrificante são geradas três categorias de resíduos, sendo os óleos usados e contaminados, embalagens plásticas de lubrificantes pós-consumo e embalagens metálicas de lubrificantes pós-consumo. No tocante aos óleos lubrificantes é gerado um resíduo denominado óleo lubrificante usado ou contaminado, resultado da lubrificação das mais variados tipos de máquinas. O mesmo é um resíduo perigoso, com características tóxicas, que lançado na natureza, seja no solo, na água e na atmosfera causa sérios danos ao meio ambiente e à sua saúde humana em geral. Quanto às embalagens, as mesmas quando usadas, possuem restos de óleos lubrificantes e são descartadas em lixões e aterros sanitários.

GTT – Lâmpadas – As lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista possuem metal pesado líquido altamente tóxico para os seres humanos e a vida silvestre. O mercúrio se volatiliza facilmente a temperatura ambiente e tem elevada capacidade de dispersão. É persistente nos ambientes e, por meio de metabolismo microbiano, pode mudar de forma transformando-se em metilmercúrio.

O metilmercúrio tem a capacidade de acumular-se nos organismos e concentrar-se nas cadeias alimentares, principalmente a aquática, contaminando os peixes e tornando-os a principal via de exposição e contaminação.

Não existe legislação brasileira que estabeleça limites de concentração de mercúrio nas lâmpadas e a maioria das empresas fabricantes do material tornaram-se praticamente importadoras. A logística Reversa facilitará a separação dos materiais proporcionando um maior índice de reciclagem no País, com isso reduzindo o volume de resíduos descartados e a pressão sobre o meio ambiente.

Fonte: Suelene Gusmão/ MMA


4 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Especialistas alertam para o perigo dos agrotóxicos para a saúde humana e o meio ambiente

Especialistas que participaram de mesa-redonda promovida pela Rádio Nacional de Brasília, da Empresa Brasil de Comunicação, para debater o uso inadequado de agrotóxicos nas lavouras, alertaram para a importância de substituir os defensivos agrícolas por produtos de menor toxicidade e também para o perigo do uso de agrotóxicos contrabandeados.

Eles observaram que é preocupante a contaminação dos produtos agrícolas e de origem animal que pode afetar a saúde humana. Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e ex-presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear, José Luiz Santana, um dos debatedores, ponderou que o uso de defensivos acaba sendo necessário para que a produção agrícola mundial se situe no patamar anual de 2 bilhões de toneladas de grãos.

Por isso, segundo ele, “é preciso que a própria sociedade cobre o emprego correto desses produtos de forma que os efeitos negativos para a saúde do consumidor sejam reduzidos”.

O médico e doutor em toxicologia da Universidade Federal de Mato Grosso Wanderlei Pignatti afirmou que, em 2009, foram utilizados, no Brasil, 720 milhões de litros de agrotóxicos. Só em Mato Grosso, foram consumidos 105 mil litros do produto. Ele indaga “onde vai parar todo esse volume” e defende a reciclagem das embalagens vazias a fim de não contaminarem o meio ambiente.

Pignatti alerta que a chuva e os ventos favorecem a contaminação dos lençóis freáticos. Entre os defensivos agrícolas mais perigosos, ele cita os clorados, que estão proibidos em todo o mundo e ainda são utilizados largamente no Brasil. São defensivos que causam problemas hormonais e que podem afetar a formação de fetos, segundo o médico.

O professor relatou que, nos locais onde o uso de agrotóxicos não é feito com critério, encontram-se casos de contaminação do próprio leite materno, “o alimento mais puro que existe”, o que ocorre pela ingestão do leite de vaca. “A mulher vai ter todo o seu organismo afetado quando o seu leite não estiver puro e os efeitos tóxicos podem ficar armazenados nas camadas de gordura do corpo”.

Ele lembrou ainda há resolução do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento que proíbe a pulverização de agrotóxicos num raio de 500 metros onde haja habitação e instalações para abrigar animais, distância que tem que ser observada também em relação às nascentes.

O professor Mauro Banderali, especialista em instrumentação ambiental na área de aterros sanitários, reconhece que, apesar da cultura de separação do lixo tóxico em aterros que há existe no país, ainda não se sabe exatamente o potencial dos agrotóxicos para contaminar o solo e a água e, consequentemente, os seres humanos pelo consumo de alimentos cultivados em áreas pulverizadas. “A preparação do campo para o plantio é, frequentemente, feita sem se saber se vai vir chuva. Quando o tempo traz surpresas, ocorre a contaminação das nascentes em lugares onde a aplicação foi demasiada”.

O professor José Luiz Santana ressalva que há, no país, propriedades muito bem administradas onde há a preocupação de manter práticas sustentáveis. Ele, no entanto, denunciou que há agricultores que usam marcas tidas como ultrapassadas na área dos químicos e que podem ser substituídas por alternativas de produtos mais evoluídos, disponíveis no mercado.

Para ele, apesar da seriedade do assunto, “não se deve assustar as pessoas quanto ao consumo de alimentos”, já que as áreas do governo que cuidam do tema têm o dever de trabalhar pelo bom uso dos agrotóxicos e, além disso, conforme ressaltou, a agricultura conta com um “trabalho de apoio importante por parte de organizações não governamentais que procuram difundir o uso correto dos defensivos agrícolas.

Fonte: Lourenço Canuto/ Agência Brasil


24 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Código Florestal: cientistas contra mudanças

Cientistas da SBPC e da Associação Brasileira de Ciência (ABC) sustentam que as alterações do Código Florestal previstas no substitutivo do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) ao Projeto de Lei 1876/99 serão desastrosas para a preservação ambiental no Brasil

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Além disso, atestam que essas alterações não são necessárias para melhorar a produtividade da agropecuária brasileira.

 

De acordo com o professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), Gerd Sparoveck, mesmo que o código atual seja integralmente cumprido, sobram 103 milhões de hectares de vegetação desprotegidos. Segundo ele, isso se deve ao fato de 294 milhões de hectares de vegetação nativa encontrar-se em propriedades privadas. Apenas 170 milhões de hectares estão em unidades de conservação e em terras indígenas.

 

O professor da Esalq Ricardo Rodrigues ressaltou que, mesmo com o respeito integral ao código, o proprietário rural ainda conta com 70% da propriedade para fazer o uso que quiser.

 

Margens de rios – O ponto mais criticado do substitutivo de Rebelo é a redução das áreas de preservação permanente (APP), principalmente nas margens de cursos d’água. O texto reduz a extensão de vegetação de 30 metros para 15 metros no caso de rios e córregos com até cinco metros de largura.

O professor Rodrigues ressalta que são exatamente esses rios menores que mais necessitam de proteção. “São eles que mais sofrem assoreamento e, por isso, precisam de mais proteção”, sustenta. De acordo com ele, esses rios são responsáveis por quase 70% dos recursos hídricos do Brasil.

 

Já o professor da Unicamp, Carlos Alfredo Joly, ressaltou que a redução da cobertura nativa tanto em leitos de córregos e rios quanto em topos de morros e encostas pode levar à extinção uma série de espécies. “Com a mudança da área de preservação em margens de rio de até cinco metros de largura, metade dos anfíbios desapareceria”, asssegurou.

 

Tratamento de água – O professor chamou a atenção também para a elevação dos custos com tratamento de água, devido ao aumento da contaminação. Segundo ele, hoje São Paulo gasta entre R$ 2 e R$ 3 para tratar mil metros cúbicos de água. “Com a contaminação por agrotóxicos, o custo sobe para um valor entre R$ 250 e R$ 300 pela mesma quantidade.”

 

Os pesquisadores fazem parte de um grupo que se reuniu para estudar a proposta de Rebelo de alteração do Código Florestal e participaram do Seminário Código Florestal: Aspectos Jurídicos e Científicos, promovido terça - feira (22), pela Frente Parlamentar Ambientalista.

Fonte: Jornal da Ciência


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23 de março de 2015 | nenhum comentário »

Uma em cada 10 espécies de abelhas da Europa corre risco de extinção

Esta foi a primeira vez que todas as 1 965 espécies desses insetos no continente foram estudadas

 

Uma em cada dez espécies de abelhas silvestres da Europa está ameaçada de extinção, constatou um estudo publicado nesta quinta-feira pela União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). Esta foi a primeira vez que todas as 1 965 espécies de abelhas europeias foram estudadas, incluindo dados de sua população, distribuição, tendências e ameaças.

O levantamento concluiu que, além de 9,2% das espécies estarem ameaçadas, outros 5% correm grande risco de entrar nessa lista em um futuro próximo. O documento mostrou ainda que 7,7% das espécies sofreram um declínio populacional, 12,6% estão estáveis e 0,7% estão aumentando. Os dados dos 79% restantes são desconhecidos, o que demonstra uma “alarmante falta de conhecimento e recursos”, como apontou Jean-Christophe Vié, do Programa Global de Espécies da IUCN.

Causas - Perda de habitat devido ao aumento das plantações, uso de inseticidas, desenvolvimento urbano acelerado e mudanças climáticas são apontados pela organização como principais causas para esse fenômeno.

Abelhas são essenciais tanto para ecossistemas selvagens quanto para a agricultura. A polinização de plantações que esses animais realizam é estimada em 153 bilhões de euros em todo o mundo e 22 bilhões só para a Europa. Das principais plantações para consumo humano na Europa, 84% requerem polinizações de insetos.

abelhas

Abelhas são essenciais tanto para ecossistemas selvagens quanto para a agricultura(Thinkstock/VEJA)

 

Fonte: Veja Ciência

 


26 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Ibama reavalia uso de quatro tipos de agrotóxico e sua relação com o desaparecimento de abelhas no país

Mesmo na ausência de levantamentos oficiais, alguns registros sobre a redução do número de abelhas em várias partes do país, em decorrência de quatro tipos de agrotóxico, levaram o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a restringir o uso de importantes inseticidas na agropecuária brasileira, principalmente para as culturas de algodão, soja e trigo.

Além de reduzir as formas de aplicação desses produtos, que não podem ser mais disseminados via aérea, o órgão ambiental iniciou o processo de reavaliação das substâncias imidacloprido, tiametoxam, clotianidina e fipronil. Esses ingredientes ativos foram apontados em estudos e pesquisas realizadas nos últimos dois anos pelo Ibama como nocivos às abelhas.

Segundo o engenheiro Márcio Rodrigues de Freitas, coordenador-geral de Avaliação e Controle de Substâncias Químicas do Ibama, a decisão não foi baseada apenas na preocupação com a prática apícola, mas, principalmente, com os impactos sobre a produção agrícola e o meio ambiente.

Estudo da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), publicado em 2004, mostrou que as abelhas são responsáveis por pelo menos 73% da polinização das culturas e plantas. “Algumas culturas, como a do café, poderiam ter perdas de até 60% na ausência de agentes polinizadores”, explicou o engenheiro.

A primeira substância a passar pelo processo de reavaliação será o imidacloprido, que responde por cerca de 60% do total comercializado dos quatro ingredientes sob monitoramento. A medida afeta, neste primeiro momento, quase 60 empresas que usam a substância em suas fórmulas. Dados divulgados pelo Ibama revelam que, em 2010, praticamente 2 mil toneladas do ingrediente foram comercializadas no país.

A reavaliação é consequência das pesquisas que mostraram a relação entre o uso desses agrotóxicos e a mortandade das abelhas. De acordo com Freitas, nos casos de mortandade identificados, o agente causal era uma das substâncias que estão sendo reavaliadas. Além disso, em 80% das ocorrências, havia sido feita a aplicação aérea.

O engenheiro explicou que a reavaliação deve durar, pelo menos, 120 dias, e vai apontar o nível de nocividade e onde está o problema. “É o processo de reavaliação que vai dizer quais medidas precisaremos adotar para reduzir riscos. Podemos chegar à conclusão de que precisa banir o produto totalmente, para algumas culturas ou apenas as formas de aplicação ou a época em que é aplicado e até a dose usada”, acrescentou.

Mesmo com as restrições de uso, já em vigor, tais como a proibição da aplicação aérea e o uso das substâncias durante a florada, os produtos continuam no mercado. Juntos, os agrotóxicos sob a mira do Ibama respondem por cerca de 10% do mercado de inseticidas no país. Mas existem culturas e pragas que dependem exclusivamente dessas fórmulas, como o caso do trigo, que não tem substituto para a aplicação aérea.

Nesta quarta-feira (25), o órgão ambiental já sentiu as primeiras pressões por parte de fabricantes e produtores que alertaram os técnicos sobre os impactos econômicos que a medida pode causar, tanto do ponto de vista da produção quanto de contratos já firmados com empresas que fazem a aplicação aérea.

Freitas disse que as reações da indústria são naturais e, em tom tranquilizador, explicou que o trabalho de reavaliação é feito em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e com o Ministério da Agricultura – órgãos que também são responsáveis pela autorização e registro de agrotóxicos no país. “Por isso vamos levar em consideração todas as variáveis que dizem respeito à saúde pública e ao impacto econômico sobre o agronegócio, sobre substitutos e ver se há resistência de pragas a esses substitutos e seus custos”, explicou o engenheiro.

No Brasil, a relação entre o uso dessas substâncias nas lavouras e o desaparecimento de abelhas começou a ser identificada há pouco mais de quatro anos. O diagnóstico foi feito em outros continentes, mas, até hoje, nenhum país proibiu totalmente o uso dos produtos, mesmo com alguns mantendo restrições rígidas.

Na Europa, de forma geral, não é permitida a aplicação aérea desses produtos. Na Alemanha, esse tipo de aplicação só pode ser feito com autorização especial. Nos Estados Unidos a aplicação é permitida, mas com restrição na época de floração. Os norte-americanos também estão reavaliando os agrotóxicos compostos por uma das quatro substâncias.

Fonte: Carolina Gonçalves/ Agência Brasil


21 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Técnicas usadas no campo ajudam a reduzir o aquecimento global

Plantio direto sequestra 17 milhões de toneladas de carbono por ano.
Número compensa emissões de gases de efeito estufa de SP, RJ e MG.

No Brasil, as práticas agrícolas convivem entre os sistemas arcaicos e a tecnologia de ponta. No país podem ser encontrados desde o ancestral semeio grão a grão até as mais avançadas plantadeiras e colhedeiras. Os equipamentos agrícolas estão sempre se modernizando. Todo ano, é lançada uma novidade.

O pesquisador da Embrapa Decio Gazzoni observa que a modernização dos equipamentos também foi fundamental para que a agricultura brasileira alcançasse o estágio de hoje, de plantar em tempo recorde e colher em tempo recorde. Foram necessários maquinário certo, semente adequada e muita estratégia, lembra o produtor Darci Ferrarin.

O produtor chama de janela o curtíssimo período que tem para plantar o mais rápido possível para que a cultura se beneficie das chuvas. Há 40 anos, a semente de soja que havia era plantada em setembro para ser colhida em março, o que demorava seis meses. Agora, com a soja precoce de cem dias, o produtor planta no meio de setembro para colher no início de janeiro, quando se abre a janela para plantar algodão que será bem regado pelas chuvas de verão. A soja mediana, de 115 a 120 dias, plantada em setembro, será colhida no fim de janeiro e início de fevereiro, tempo da janela para o plantio do milho. A soja de ciclo longo agora é de 140 dias. O grão, plantado em setembro, é colhido no fim de fevereiro, abrindo uma janela para o plantio de feijão.

Antigamente, quem plantava soja era produtor apenas de soja. Quem mexia com boi era apenas criador de boi. Na experiência mais recente que começa a se alastrar a cultura de grãos ocupa o mesmo espaço dos animais ou vice-versa na chamada integração lavoura-pecuária.

O produtor Darci Ferrarin está entre os agricultores que há muito tempo aposentaram a velha ideia de que o solo precisa descansar. Ele completa o ciclo com as pastagens que se sobrepõem às mesmas áreas de lavoura. O agricultor tira os grãos e o algodão. Depois, engorda mais quatro mil cabeças de gado. Além dos ganhos de produção propriamente, esse modelo de agricultura traz também ganhos para a natureza.

Os danos ambientais nesse modelo são muito menores que os de 20 ou 30 anos atrás. A toxicidade dos produtos diminuiu. Com o terreno sempre coberto de palha, a absorção é maior e há menor arrasto de material para os cursos d’água.

A fazenda tem cinco mil hectares de mata nativa nas margens do rio Teles Pires. O agricultor Darci Ferrarin conta que na propriedade tem 28 nascentes. Os pulverizadores que aplicam veneno sequer chegam perto da água. Ele abriu canais que, por gravidade, transportam a água até carros-pipa, que se deslocam até a lavoura para abastecer os aplicadores.

Essa verdadeira revolução agrícola que o Brasil vive reduziu também o impacto no bolso do consumidor. A comida que sai do campo atualmente sai muito mais barato do que nos anos de 1970.

A produção de leite e carne muito se beneficiou do avanço da agricultura. O grão engorda o frango, o porco e o boi. Um terço do que Brasil planta por ano se transforma diretamente em proteína animal. As boas práticas agrícolas do modelo brasileiro acabaram acertando também um alvo que não trazia preocupação 40 anos atrás: o aquecimento global.

As enormes emissões de gases de efeito estufa pelas atividades humanas aumentam a temperatura no planeta, o que pode levar a catastróficas alterações no clima.

O pesquisador Carlos Cerri é professor da Esalq, a Escola Superior de Agricultura Luis de Queiroz, trabalhou durante vários anos no IPCC, Painel Intergovernametal de Mudanças Climáticas da ONU, fazendo parte da equipe que ganhou o prêmio Nobel da Paz. Ele recebeu um importante prêmio da Embrapa por suas pesquisas sobre emissão de carbono. “Por não revolver o solo, o plantio direto faz com que haja menor emissão de gases do efeito estufa para a atmosfera. Por outro lado, parte da palha que fica na superfície do solo, com a decomposição pelos organismos do solo, é incorporada no solo fazendo o que chamamos de sequestro de carbono pelo solo”, diz.

Há 15 anos, as equipes do doutor Cerri pesquisam lavouras dos quatro cantos do Brasil. Eles coletam amostras de solo e, segmentando o terreno com caixas, fazem a captação de gases que pairam na superfície das camadas de palha. Com seringas, são aspirados os gases que a terra exala. O material é analisado nos laboratórios da Universidade de São Paulo, em Piracicaba. O pesquisador Carlos Cena tem um inventário das emissões e da fixação de gases nas lavouras do país.

Considerando que o Brasil já alcançou cerca de 35 milhões de hectares com plantio direto, conclui-se que a prática sequestra 17 milhões de toneladas de carbono por ano, o que compensa as emissões de gases de efeito estufa de São Paulo, Rio de JaneiroBelo Horizonte e da maioria das capitais mais populosas do Brasil.

O sistema de plantio direto também deu contribuição significativa para o setor de energia. O plantio direto, aliado a outras práticas conservacionistas, evitou erosões e, portanto, assoreamento, na bacia do Rio Paraná e aumentou a previsão de vida útil da represa de Itaipu de 100 para aproximadamente 200 anos.

Fonte: Globo Natureza


2 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Produtos naturais ganham mercado e substituem fertilizantes e agrotóxicos

Embrapa vai lançar orgânicos e espera ganhar 20% do mercado.
Outra tecnologia nacional troca agrotóxicos por vespas e conquista produtor.

Em abril, Embrapa vai lançar dois fertilizantes orgânicos produzidos a partir de resíduos poluentes. (Foto: Divulgação / Embrapa / Vinicius Benites)

Em abril, a Embrapa vai lançar dois fertilizantes orgânicos produzidos a partir de poluentes (Foto: Divulgação/Embrapa/Vinicius Benites)

Quarto maior consumidor de fertilizantes e um dos líderes mundiais no uso de agrotóxicos, o Brasil começa a expandir duas novas tecnologias naturais para aumentar a fertilidade dos solos e combater pragas. Resultado de pesquisas nacionais, os fertilizantes orgânicos da Embrapa e o controle de pragas com uso de vespas e ácaros, da empresa brasileira BUG, são opções sustentáveis que garantem a produtividade e saúde da lavoura.

Veja galeria de fotos

A primeira novidade será lançada pelaEmbrapa no início de abril e deve estar disponível no mercado em breve. A partir de resíduos agroindustriais poluentes, como fezes de porco, a empresa desenvolveu dois tipos de fertilizantes orgânicos, tão eficientes quanto os tradicionais segundo a Embrapa. Por reaproveitar os resíduos, a tecnologia é considerada um tipo de reciclagem.

Um dos fertilizantes já tem nome. É o “agroporco”. O outro, ainda sem nome oficial, é produzido a partir de um resíduo da produção de frango de corte, chamado cama de aviário. A eles são misturados minerais, que ajudam na penetração dos nutrientes no solo.

Mercado
A nova tecnologia pode transformar o mercado brasileiro de fertilizantes. A expectativa é que em 20 anos ela abasteça até 20% da necessidade nacional e diminua a dependência internacional – hoje, 75% dos fertilizantes consumidos no Brasil são importados, segundo a Embrapa Solos.

Além disso, esta pode ser uma importante tecnologia para tratar os resíduos agroindustriais, que podem contaminar o meio ambiente e são produzidos em alta quantidade no Brasil – que possui um dos maiores rebanhos mundiais e é um grande criador de frango de corte.

“Importamos muito fertilizante e temos muito resíduo animal no Brasil, que é um passivo ambiental. A tecnologia resolve os dois problemas. Estamos falando de [abastecer] 20% da demanda nacional de fertilizante. É algo fantástico”, afirma José Carlos Polidoro, pesquisador da Embrapa Solos.

Segundo Polidoro, os fertilizantes organominerais podem ser mais eficientes que os tradicionais e são mais adequados à região tropical, já que liberam mais rapidamente os nutrientes. Além disso, eles têm “menor potencial de provocar problemas ambientais”, ou seja, de contaminar águas e solos.

Os fertilizantes orgânicos foram testados centro tecnológico da Comigo, parceiro da Embrapa, em no Rio Verde (GO). (Foto: Divulgação / Embrapa / Vinicius Benites)

Os fertilizantes orgânicos foram testados no centro tecnológico da Comigo, parceiro da Embrapa, em Rio Verde (GO) (Foto: Divulgação/Embrapa/Vinicius Benites)

Vespas e ácaros
Outra opção natural e eficiente para a agricultura é o controle biológico de pragas, que está conquistando produtores, pequenos e grandes, e ganhando reconhecimento no mercado. O destaque nacional é a empresa BUG, sediada em Piracicaba (SP), que entrou na lista das 50 empresas mais inovadoras do mundo em 2012, da revista americana de empreendedorismo “Fast Company”.

Dividindo a lista com gigantes como Google, Facebook e Amazon e desbancando grandes empresas nacionais como Petrobras e Embraer, a BUG nasceu nos laboratórios de duas importantes universidades brasileiras: a Unesp e a USP. Os sócios da empresa fizeram faculdade juntos e depois voltaram a se encontrar no mestrado. Em seguida, eles desenvolveram uma forma de aplicar as pesquisas acadêmicas em larga escala.

“Na universidade, já havia sido desenvolvido um sistema de produção [de controle biológico de pragas] em pequena escala, com o qual nós também colaboramos. Nós pegamos este sistema e desenvolvemos tecnologia para aplicá-lo em massa. Hoje temos biofábricas, produzimos organismos e levamos isto para o campo”, conta Marcelo Poletti, um dos sócios da BUG.

O princípio do controle biológico aplicado é combater pragas com insetos parasitas. Na BUG, são produzidas vespas do gênero Trichogramma. Elas atacam ovos de mariposas e borboletas e combatem a lagarta, grande inimiga de importantes lavouras, como cana e soja. Além disso, a BUG produz ácaros que combatem inimigos de plantações de hortifrutis e flores.

Os inimigos naturais substituem os agrotóxicos, que podem contaminar os alimentos, o meio ambiente e a saúde de quem faz a aplicação. Além de ecológica, a alternativa chega a ser mais eficiente que os químicos, cujo uso contínuo pode fazer as pragas ficarem resistentes. “A resistência da praga ao inseticida acaba prejudicando muito a aplicação [de agrotóxico]. Já com o controle biológico isso não acontece. A praga não fica resistente ao predador, à vespinha ou ao ácaro”, explica Poletti.

Na aplicação, cartelas de ovos de vespas são colocadas na plantação. Quando elas nascem, o controle de pragas ocorre naturalmente. Os produtos são registrados no Ministério da Agricultura, na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e no Ibama. Ao contrário dos agrotóxicos, as embalagens não contêm o símbolo da caveira.

Marcelo Poletti, agrônomo e um dos diretores da diretor da BUG, em laboratório na unidade de Charqueada. (Foto: Divulgação / BUG)

Marcelo Poletti, agrônomo e um dos diretores da BUG, em laboratório na unidade de Charqueada (Foto: Divulgação/BUG)

Embrapa
“Vamos oferecer dois produtos específicos e tivemos que fechar uma fórmula. Mas existe uma variedade muito grande de fórmulas possíveis para fertilizantes organominerais”, conta Vinicius Benites, também pesquisador da Embrapa Solos. Por isso, existe a possibilidade de oferecer novas linhas no mercado.

A partir do lançamento oficial dos produtos, a ideia da Embrapa é estimular a criação de unidades de produção em pequena e média escala em todo o Brasil. “Nosso interesse é estimular a indústria. Aí sim, esse tipo de fertilizante poderá abastecer no futuro até 20% da demanda nacional”, explica Polidoro.

A tecnologia, desenvolvida pela Embrapa há 5 anos, foi finalizada em 2011. Mas ela só começa a ser transferida em 2012 devido ao tempo necessário para registrar patentes. “Agora a tecnologia está pronta para ser transferida. Sabemos que ela é viável e temos estimativas de custos de produção”, comenta Vinicius Benites. Uma fábrica para produzir 30 mil toneladas de fertilizante organomineral, por exemplo, teria um custo de instalação de cerca de R$ 4 milhões.

Além da produção comercial, a tecnologia pode ser usada para resolver problemas ambientais. É o caso da hidrelétrica de Itaipu, que está preocupada com a segurança da qualidade da água do reservatório devido a uma possível contaminação por resíduos da suinocultura, forte na região. Juntas, Embrapa e Itaipu estão desenhando um projeto para produzir fertilizantes organominerais e eliminar os resíduos.

 O controle natural de pragas é feito com insetos parasitas. Na imagem, a vespa flavipes parasita a broca-da-cana. (Foto: Divulgação / BUG / Heraldo Negri)

O controle natural de pragas é feito com insetos parasitas. Na imagem, a vespa flavipes parasita a broca-da-cana (Foto: Divulgação/BUG/Heraldo Negri)

BUG
Já a aplicação do controle biológico de pragas já é uma realidade. As vespas da BUG, por exemplo, atendem mais de 500 mil hectares de plantações de cana no Brasil, principalmente em São Paulo, Mato Grosso e Goiás. Os ácaros estão presentes em outros mil hectares de hortifruti.

Além da BUG, outras empresas exploram o controle biológico e planejam aumentar sua participação no lucrativo mercado de combate a pragas agrícolas. A Associação Brasileira de Controle Biológico já conta com mais de 19 empresas, que também trabalham com fungos e bactérias.

“No Brasil, o controle biológico representa apenas 1% do valor da receita obtida com a venda de agrotóxicos. O que nós estimamos, sendo muito otimistas, é que em 5 anos vamos chegar em 8%. Hoje já temos grandes multinacionais investindo no setor, o que vai ajudar a aumentar esse número”, afirma Poletti.

Uma barreira para a expansão do controle biológico é a resistência dos agricultores, que está diminuindo. “Nós apresentávamos o produto para o agricultor e ele dizia: ‘eu já tenho problemas com inseto, você quer trazer mais inseto?’”, conta o sócio da BUG. “Eles achavam que as vespas e os ácaros iam causar danos à cultura. Muitas pessoas nunca imaginaram que os insetos poderiam ser usados com essa função e estão descobrindo isto agora.”

O agricultor Adalberto Granghelli, que planta tomate em Jaquariúna (SP), é um deles. “Eu comecei [a usar as vespas] meio incrédulo. Comecei fazendo testes em pequenas áreas e hoje uso em toda a plantação, substituindo algumas aplicações de agrotóxico. Meus funcionários também não acreditavam e hoje reclamam quando eu não compro os ovos”, comenta ele, satisfeito com a nova tecnologia.

O custo para o produtor é, segundo a BUG, menor que o da aplicação de agrotóxicos. “Inicialmente, quando é feita a transição do convencional para o biológico, o custo é o mesmo. Mas, quando se considera todo o ciclo da cultura há uma economia de 30 a 40%”, diz Poletti. Uma alternativa que, além de ecológica, pode ser mais eficiente e mais econômica.

Fonte: Amanda Rossi, Globo Natureza


26 de março de 2012 | nenhum comentário »

IPEVS participa da Coletiva à Imprensa – Devolução de BHC e Agrotóxicos Obsoletos na região de Cornélio Procópio

O governo estadual paranaense começa a resolver um problema ambiental histórico, referente a agrotóxicos deixados em propriedades rurais a décadas. O Projeto de Devolução do BHC e Agrotóxicos Obsoletos envolve Governo do Paraná, Seab, Emater, Iap, Ocepar, Faep, Senar, inpEV e Instituto das Águas do Paraná,

Por ser o primeiro município da região de Cornélio Procópio a abrigar o projeto, representantes de diversas entidades estiveram em Assaí na manhã de sexta-feira, 23/03, durante reunião no auditório da Secretaria Municipal de Assistência Social.

Segundo Maurílio Soares Gomes da EMATER “A região de Cornélio Procópio, integrando 23 municípios, realiza esta atividade de coletiva a imprensa para dar conhecimento a sociedade do destino a 70,9 toneladas de BHC e 19,8 toneladas de agrotóxicos obsoletos, existentes e cadastrados por 165 agricultores, na 1ª fase ocorrida e regulamentada pela lei estadual 16.082-2009.”

Com o Projeto de Devolução do BHC e Agrotóxicos, o governo paranaense tenta resolver um passivo ambiental que se arrasta há vários anos. Em 2001 o Estado havia feito um levantamento para mensurar o dano, no entanto o passo mais significativo vem acontecer somente agora, apesar da proibição da utilização do BHC ainda em 1985.

O IPEVS se fez presente nesta coletiva por meio de seu presidente, o Médico Veterinário Rafael Haddad. Segundo ele, é importante que os colegas veterinários e zootecnistas que trabalham na área rural conheçam os riscos que o BHC e demais agrotóxicos obsoletos oferecem a saúde dos rebanhos e dos seres humanos, e orientem os proprietários rurais na correta destinação destes produtos. Rafael Haddad relatou ainda o fato do produto se acumular ao longo da cadeia alimentar e permanecer no meio ambiente por muitas décadas, fato este que pode gerar ocorrências de intoxicações de animais em áreas onde esses produtos não foram corretamente armazenados.

Med. Vet. Dr. Rafael Haddad, presidente do IPEVS e delegado regional do CRMV-PR em Cornélio Procópio e Med. Vet. Dr. Luciano José Fidelis, chefe da vigilância sanitária em Assaí - PR. Foto: IPEVS

Fonte: Ascom IPEVS com informações da Delegacia Regional do CRMV de Cornélio Procópio


1 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Transgênicos podem afetar borboleta monarca

Não faz mais de uma década. As fazendas do Meio-Oeste dos Estados Unidos ficavam normalmente desfiguradas – ao menos na visão dos fazendeiros – por manchas rebeldes de asclépias entre fileiras perfeitas de plantações de milho e soja.

Isso não acontece mais. Agora, nos campos estão plantações de milho e soja geneticamente modificados e resistentes ao herbicida Roundup. Com isso, os fazendeiros podem pulverizar a substância química para erradicar ervas daninhas, inclusive a asclépia.

Embora para os fazendeiros isso soe como uma boa notícia, para um número crescente de cientistas a redução da asclépia pode por em perigo as borboletas-monarca. A migração espetacular desses animais fazem delas um dos insetos mais queridos – “o Bambi do mundo dos insetos”, como afirmou certa vez um entomólogo.

As monarcas depositam os ovos nas asclépias e as larvas depois as comem.

Esse indício é preliminar e vem sendo contestado por especialistas. Para o especialista em insetos Chip Taylor, o aumento da prática de culturas geneticamente modificadas põe em risco as borboletas de cor laranja e preta, por retirar seu habitat.

“A asclépia desapareceu de pelo menos 40,5 milhões de hectares de canteiros de cultivo”, afirmou Taylor, ecologista especialista em insetos da Universidade de Kansas e diretor de pesquisa e conservação do programa Monarch Watch. “A asclépia dela praticamente se foi”.

O principal indício de que a população de monarcas está diminuindo aparece em um novo estudo. Ele mostra que a área ocupada pelas monarcas no centro do México, onde muitas delas passam o inverno, diminuiu nos últimos 17 anos.

Acredita-se que a área ocupada pelas borboletas seja representativa do tamanho da sua população.

“Pela primeira vez nós temos dados que podem ser analisados estatisticamente e que mostram uma tendência de queda”, afirmou Ernest H. Williams, professor de biologia do Hamilton College e autor do estudo, junto com Taylor e outros autores.

O artigo, publicado online na revista Insect Conservation and Diversity, atribui essa diminuição em parte à falta da asclépia devido ao uso de culturas Roundup Ready. Outras causas, segundo o artigo, são o desaparecimento da asclépia devido ao desenvolvimento rural, o corte ilegal de árvores nos locais de invernada no México e o inverno rigoroso.

O estudo não sugere que a borboleta entrará em extinção. Porém, ele questiona a sustentabilidade da migração anual, do incentivo ao festival das borboletas nos Estados Unidos e das ondas de turismo no México.

Entretanto, o artigo não apresenta nenhum dado que fundamente o argumento de que as culturas geneticamente modificadas estejam reduzindo a população de monarcas. Alguns especialistas alegam que a população dessas borboletas não está diminuindo e que não está claro se existe qualquer consequência relacionada à biotecnologia agrícola.

Segundo Andrew K. Davis, pesquisador assistente da Universidade da Georgia, o recenseamento da monarca adulta, realizado todo fim de ano em Cape May, Nova Jersey, e em Península Point, em Michigan, não apresentou uma diminuição.

Pode ser que “mesmo que a população de invernada esteja diminuindo cada vez mais, elas recuperem esse número quando se dirigem para o norte, na primavera”, afirma Davis. O artigo de Davis, em que ele contesta que esteja ocorrendo uma diminuição da população da monarca, foi publicado online pela mesma revista.

Leslie Ries, professora pesquisadora da Universidade de Maryland, examinou outras contagens de borboletas e, segundo conta, não revelaram uma diminuição, mas sim variações de ano para ano. Como é improvável que a população de asclépias varie tanto, provavelmente isso não é o determinante principal da população de borboletas, conforme afirma.

Porém, dois pesquisadores, Karen Oberhauser, da Universidade de Minnesota, e John M. Pleasants, do estado do Iowa, citam outros indícios da diminuição: o número de ovos de monarca nos campos do Meio-Oeste americano. “A produção das monarcas vem diminuindo de maneira significativa”, afirma Pleasants.

“Essa redução é causada pela perda das reservas de asclépias disponíveis”.

Os dois cientistas apresentaram um artigo a uma revista científica e afirmaram que não discutirão sobre os dados apresentados antes da publicação.

As culturas Roundup Ready contêm um gene de bactéria que permite a elas resistir ao herbicida Roundup ou ao seu equivalente genérico, o glifosato.

Isso permite matar as ervas daninhas sem prejudicar a colheita.

Como tornam bem mais fácil o controle de ervas daninhas, essas culturas têm sido amplamente adotadas pelos fazendeiros. Este ano, 94 por cento da soja e 72 por cento do milho cultivados nos Estados Unidos eram tolerantes a herbicidas, de acordo com o Departamento de Agricultura.

Por sua vez, isso levou ao aumento súbito da utilização do glifosato, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental americana. A quantidade de herbicida utilizada em 2007 foi 5 vezes maior do que em 1997, um ano após a introdução das culturas Roundup Ready e, e aproximadamente 10 vezes maior do que em 1993.

Os fazendeiros, como se sabe, sempre tentaram eliminar as ervas daninhas tratando a terra ou pulverizando outros herbicidas, sendo que esses muitas vezes precisavam ser usados antes que as culturas brotassem do solo. O glifosato, no entanto, pode ser pulverizado no período vegetativo, pois não prejudica as culturas resistentes. Esse fato e a eficácia geral do glifosato resultaram em um controle maior das ervas daninhas.

“Ele mata tudo”, afirmou Lincoln P. Brower, entomólogo do Sweet Briar College e um dos autores do artigo que documenta a diminuição da população de monarcas no inverno mexicano. “É como um Armagedom absoluto da biodiversidade sobre uma enorme área”.

A quantidade de asclépias nas fazendas do estado do Iowa diminuiu 90 por cento entre 1999 e 2009, de acordo com Robert G. Hartzler, agrônomo do estado. Em seu estudo, publicado no ano passado na revista Crop Protection, ele encontrou asclépias em apenas 8 por cento dos campos de milho e soja em 2009, 51 por cento menos do que 1999.

Devido às práticas de controle de ervas daninhas – mesmo antes do advento dos cultivos Roundup Ready – é improvável que as fazendas abriguem tal quantidade de asclépias.

Porém, a grande quantidade de terras agrícolas no cinturão do milho demonstra que as fazendas no todo são as responsáveis pela maior parte dos nascimentos de monarcas, segundo outro estudo, publicado em 2001 por Oberhauser e seus colegas. Este estudo avaliou que em Iowa, as propriedades rurais produziram 78 vezes mais monarcas do que em áreas não cultivadas, e 73 vezes mais em Wisconsin e Minnesota.

Embora as monarcas venham de outras partes dos Estados Unidos, de modo geral acredita-se que a maioria delas seja incubada no Meio-Oeste. Porém, até mesmo Hartzler afirmou em seu artigo que seria difícil avaliar o impacto da diminuição da asclépia no Iowa sobre a população de monarcas.

O porta-voz da Monsanto, empresa criadora das culturas Roundup Ready e fabricante do Roundup, concorda. Segundo ele “ainda estão sendo desenvolvidos dados biológicos sobre os possíveis efeitos da agricultura de Iowa sobre a população de monarcas”. O que é válido para Iowa pode não valer para outras regiões, afirma.

Não é a primeira vez que as culturas geneticamente modificadas são consideradas uma ameaça para as monarcas. Em 1999, pesquisadores da Universidade Cornell relataram que as lagartas das monarcas podiam morrer caso se alimentassem de asclépia polvilhada com pólen do também geneticamente modificado milho BT. Esse milho possui um gene de bactéria conhecido por produzir uma toxina que mata certos tipos de pragas.

Contudo, pesquisas posteriores, financiadas em parte pela indústria de biotecnologia, descobriram que as lagartas provavelmente não seriam expostas a quantidades letais de pólen de milho BT sob condições reais do campo. A preocupação diminuiu.

Segundo os cientistas, o efeito sobre os insetos de impedir o crescimento das ervas daninhas não é uma surpresa e, provavelmente, não atinge apenas a monarca.

A Academia Americana de Ciências examinou este efeito em 2007, em um relatório sobre abelhas e outros animais que polinizam as culturas. O relatório cita a descoberta de um estudo britânico de que nos campos onde são cultivadas beterraba e canola geneticamente modificadas, existem menos borboletas do que nos campos de culturas não modificadas.

Isso produz a ideia um tanto quanto radical de que as ervas daninhas das fazendas talvez devessem ser protegidas. “Está ocorrendo uma mudança na forma de pensar a agricultura, porque os campos sem ervas daninhas eram a referência”, afirmou May Berenbaum, chefe do departamento de entomologia da Universidade de Illinois.

Entretanto, May e outros especialistas em insetos acreditam ser ilusório supor que os fazendeiros irão abrir mão das culturas tolerantes a herbicidas. Por isso, deve-se tentar proteger as que existem ou germinar asclépias em outros locais, talvez em terras reservadas para a preservação.

A Monarch Watch está encorajando os jardineiros a cultivar asclépias.

Taylor, da Monarch Watch, fez uma proposta simples e talvez irônica às empresas de biotecnologia. “Peço encarecidamente que desenvolvam uma asclépia resistente ao Roundup”, afirmou.

Fonte: Portal iG


29 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Ibama flagra desmatamento com agrotóxico no Amazonas

O Ibama apreendeu na sexta-feira (17) quatro toneladas de agrotóxicos que seriam utilizados para desmatar 3.000 hectares de floresta nativa da União em Novo Aripuanã, sul do Amazonas.

O único registro de uso de agrotóxico em desmatamentos no Estado ocorreu em 1999. Durante um sobrevoo, fiscais do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) encontraram uma área de 250 hectares, no município de Boca do Acre, já destruída por ação do veneno Tordon 2,4 D.

Pulverizados sobre a floresta, os agrotóxicos têm o poder de desfolhar as árvores.

“A floresta vira um grande paliteiro, facilitando o desmatamento. É o mesmo processo usado pelo Exército norte-americano para encontrar os vietnamitas na Guerra do Vietnã”, disse o superintendente do Ibama no Amazonas, Mário Lúcio Reis.

OPERAÇÃO

Os fiscais do Ibama monitoravam o envio da carga de Rondônia para Novo Aripuanã (227 km de Manaus) havia uma semana.

Na sexta-feira, os produtos foram apreendidos em uma região de floresta desabitada às margens do rio Acari (afluente do Madeira), que fica nos limites entre a RDS (Reserva de Desenvolvimento Sustentável) do Juma e uma propriedade de um fazendeiro de Rondônia.

Os produtos químicos estavam escondidos debaixo de uma lona. Na carga, foram identificados os agrotóxicos 2,4 D Amina 72, U46BR, Garlon 480 e óleo mineral. Eles são comercializados legalmente como herbicidas para matar ervas daninhas em plantações de arroz e milho.

O nome do fazendeiro, que já foi multado por desmatar floresta nativa em outra ocasião, está sob sigilo devido às investigações do novo crime ambiental. A multa pode chegar a R$ 2 milhões.
Reis afirma que os fiscais encontraram uma pista de pouso na fazenda, de onde partiria um avião pulverizador para jogar os agrotóxicos sobre a floresta.

QUEIMADAS

Ainda de acordo com o superintendente, após a pulverização as árvores que têm valor comercial são derrubadas com motosserras. “Depois, eles fazem queimadas para limpar o terreno. No lugar da floresta, o fazendeiro iria criar um grande pasto.”

Segundo o agrônomo e pesquisador do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) Hiroshi Noda, ao serem lançados sobre a floresta, os agrotóxicos contaminam solo, lençóis freáticos, animais e seres humanos.

“Eles causam uma reação química no metabolismo das árvores, provocando seu colapso imediato”, disse.

Noda afirmou que, meses após a pulverização dos agrotóxicos, a terra pode ser utilizada para pastagens.

Agrotóxicos apreendidos na Amazônia seriam usados para devastar floresta, desfolhando as árvores

Agrotóxicos apreendidos na Amazônia seriam usados para devastar floresta, desfolhando as árvores

Fonte: Kátia Brasil, Folha.com, Manaus


6 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Brasil inicia processo para instalação da logística reversa

A partir do segundo semestre de 2012, o Brasil vai poder experimentar uma nova forma de lidar com o descarte de cinco grupos de resíduos. Os brasileiros poderão ter regras fixas, determinadas pelo Governo Federal, para dispor de produtos como eletroeletrônicos; remédios; embalagens; resíduos e embalagens de óleos lubrificantes; e lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista.

É o início do processo para a instalação da logística reversa, o principal instrumento da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Sua implementação vai garantir o aumento do percentual de reciclagem no Brasil. Atualmente, o País recicla muito pouco. Um percentual de resíduos secos que podia atingir a casa dos 30%, não passa hoje de cerca de 13%.

A lei definiu que na logística reversa, todos os fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e o cidadãos têm responsabilidade compartilhada na correta destinação do produto adquirido. A ideia central é que a vida útil do produto não termina após ser consumido, mas volta a seu ciclo de vida, para reaproveitamento, ou para uma destinação ambientalmente adequada.

Outro caminho que vai garantir ao Brasil o aumento da reciclagem é o da coleta seletiva. Além de significar uma economia anual aos cofres da União da ordem de R$ 8 bilhões, o aumento da reciclagem terá também o condão de evitar que esses resíduos cheguem aos aterros sanitários.

Lançamento - Nesta quinta-feira, 5 de maio, foram instalados cinco grupos de trabalho para implementar este tipo de logística. As cadeias que farão parte deste primeiro grupo são: eletroeletrônicos; lâmpadas de vapores mercuriais, sódio e mista; embalagens em geral; embalagens e resíduos de óleos lubrificantes; e o descarte de medicamento.

Na abertura dos trabalhos, o secretário-executivo do MMA, Francisco Gaetani, que representou a ministra Izabella Teixeira, disse que a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) não seria possível sem o engajamento de todos os setores envolvidos. “O Governo Federal tem o propósito de dialogar com todos esses setores. A PNRS é exemplar neste sentido, pois apostou no processo de discussão para que as políticas públicas fossem apropriadas”.

Segundo Gaetani, a aprovação da PNRS representa um debate nacional, que envolve qualidade de vida, novas práticas comerciais, novos padrões de comportamento.

A secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental (Saic), Samyra Crespo, disse que a responsabilidade compartilhada é um exercício entre vários setores e o Governo que se encontraram para pactuar o consenso.

Esses grupos de trabalho vão debater e definir quais os tipos de produtos de cada cadeia e os tipos de resíduos que serão submetidos à logística reversa. Estão convidados a participar destes grupos todos os atores envolvidos dentro da cadeia de responsabilidade compartilhada, como importadores, fabricantes, distribuidores, comerciantes, o Movimento Nacional de Catadores de Material Reciclável, representantes dos estados e dos municípios.

Segundo Silvano Silvério, secretário de Ambiente Urbano e Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, o que se quer com a logística reversa é definir uma fórmula, uma modelagem para ser apresentada à sociedade, orientando o cidadão sobre como ele fará a disposição de seu resíduo para que ele possa ser devolvido ao seu ciclo de vida.

“Hoje, o produto é fabricado, distribuído, comercializado e depois utilizado e o cidadão não sabe como dispor dele. Nossa pretensão é que exista uma regra em que esse cidadão, depois de utilizar determinado produto, saiba que pode levá-lo a um determinado lugar, onde haverá uma unidade para recepcionar o descarte. E que aquele produto devolvido seguirá para uma reciclagem, onde algumas peças serão reutilizadas na fabricação de um novo produto semelhante numa mesma cadeia ou em outros ciclos”, explica o secretário.

Num primeiro momento, a finalidade dos grupos de trabalho será a de definir essa modelagem, determinando, por exemplo, como será custeado todo o processo e quem vai arcar com ele. A segunda etapa será a elaboração de um estudo de viabilidade técnica-econômica para as cadeias e depois a definição de subsídios para elaboração de um edital onde o Governo Federal convoca um acordo setorial para cada uma das cadeias.

No edital estarão definidas quais as cadeias e quais os produtos da logística. “Estamos escutando todos os que participam de cada uma das cadeias, de tal forma que quando o edital for elaborado não ocorram surpresas quanto à apresentação dos acordos setoriais que vão colocar a logística de pé”, informa Silvério.

O processo começa com lançamento do edital e depois com realização dos acordos setoriais. Em seguida, o Governo Federal coloca as propostas definidas em consulta pública, quando e onde o cidadão terá oportunidade de opinar, de argumentar e dizer se concorda com os termos. O Governo então analisa a proposta e, estando de acordo com o edital, convoca as partes para ratificarem um acordo setorial. Um contrato é assinado, publicado e passa a valer para o País todo.

“Tudo isso será discutido nos grupos de trabalho. A ideia é definir a regra, a modelagem, a forma de a sociedade participar. E também como se dará a participação dos estados e dos municípios, de forma complementar com a coleta seletiva. O que queremos com esses grupos de trabalho é uma harmonização para a proposta de modelagem, para os subsídios para a confecção dos editais de lançamento dos acordos setoriais”.

Em seu artigo 33, a lei que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, diz que são obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de agrotóxicos, seus resíduos e embalagens; pilhas e baterias; pneus; óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens; lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista; e produtos eletroeletrônicos e seus componentes.

Dos que são obrigatórios pela PNRS a fazer logística reversa, quatro já o fazem. São eles: agrotóxicos; pilhas e baterias; pneus e óleos lubrificantes.

Exemplo - A logística de óleo lubrificante é uma logística que funciona bem no País, por determinação de resoluções já vigentes. Mas é preciso evoluir o processo de reciclagem das embalagens e dos resíduos dos óleos lubrificantes.

Outro bom exemplo de responsabilidade pós-consumo em nosso País ocorre com relação às embalagens vazias de agrotóxicos. De acordo com Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InpEV), nos primeiros três meses do ano foram encaminhadas para o descarte ambientalmente correto mais de 8 mil de toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas.

Segundo dados do InpEV, o volume representa crescimento de 17% em relação ao mesmo período de 2010, quando foram processadas 6 mil e novecentas toneladas. Somente em março, as unidades de recebimento do País retiraram perto de 3 mil toneladas de embalagens do campo e cerca de 90% desse material seguiram para reciclagem.

Grupo de Trabalho Temático – O GTT de Medicamentos conclui os trabalhos em outubro de 2011, após sete meses de discussões dentro do Grupo criado em 16 de março pelo Comitê Orientador para Implantação da Logística Reversa. O Grupo é coordenado pelo Ministério da Saúde.

Durante esse período, o comitê debate, entre outras questões, quais medicamentos serão objeto do Acordo Setorial; a metodologia para avaliação dos impactos sociais e econômicos da logística reversa; a modelagem do sistema proposto; a implementação da governança para implementação do acordo setorial; e o estudo de viabilidade técnica.

O correto descarte de medicamentos já vinha sendo debatido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), coordenadora do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS). A Anvisa tratou o tema de forma conjunta com os vários segmentos da cadeia produtiva, envolvendo o Governo Federal, o setor empresarial, as vigilâncias sanitárias estaduais e municipais e a população.

GTT – Embalagens – Um quinto dos resíduos produzidos no Brasil é composto por embalagens. São 25 mil toneladas diárias descartadas. No restante do mundo, as embalagens são responsáveis por um terço dos resíduos domésticos, sendo 80% delas descartadas imediatamente após seu uso original. Os materiais utilizados na sua confecção são os mais variados, como vidro, plástico, aço, alumínio, papel-cartão e outros.

Essa gama de embalagens acaba dificultando a identificação pelo consumidor de como encaminhá-las para a reciclagem. Por tudo isso é que a logística reversa de embalagens tem por objetivo o desenvolvimento de embalagens com menor consumo de recursos naturais em sua fabricação, maior separação dos materiais e um maior índice de reciclagem destes materiais, reduzindo o volume de resíduos descartados e da pressão pelo meio ambiente.

O Grupo de Trabalho Temático de Embalagens (GTT Embalagens), criado após a regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, tem entre seus objetivos elaborar proposta de modelagem da logística reversa para embalagens em geral, excluídas as embalagens de agrotóxicos e óleos lubrificantes.

GTT – Eletroeletrônico – O termo resíduos eletroeletrônicos abriga inúmeros tipos de resíduos, incluindo, por exemplo, televisores, geladeiras, celulares, telefones, computadores (a CPU propriamente dita e todos seus periféricos como impressoras, monitores, teclados, mouses, etc), fogões, aspiradores-de-pó, ventiladores, congeladores, aparelhos-de-som, condicionadores-de-ar, batedeiras, liquidificadores.

Do ponto de vista ambiental, é grande a importância que se tem atribuído aos computadores pela velocidade de disseminação de seu uso e pela rapidez com que se torna obsoleto. Exemplifica isso o fato de que no período de 2006/2005, os notebooks apresentaram uma taxa de crescimento equivalente a mais de 110%.

Em termos de vendas para 2009, segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica Eletrônica (Abinee), o mercado total de venda de PCs foi de 12 milhões de unidades, dos quais 7,7 milhões de desktops e 4,3 milhões de notebooks. Estes números apontam para o fato de que 27% dos domicílios particulares dispõem de computadores, segundo fonte do IBGE.

Quanto à telefonia celular, segundo dados constantes do Panorama 2009 da Abinee, foram produzidos em 2008, 73 milhões de unidades, sendo 48 milhões de unidades para atendimento ao mercado interno de 25 milhões para exportação.

Não existe legislação federal para o descarte do resíduo tecnológico. O que existe são resoluções do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) que tratam especificamente de alguns desses resíduos, como é o caso de pilhas e baterias (401/2008). Existem também algumas ações no âmbito do Governo Federal como o recolhimento de geladeiras comandado pelo MME e o Programa de Inclusão Digital conduzido pelo Ministério do Planejamento (MPOG) que aceita doações de computadores que são recuperados e distribuídos a instituições que os destinam ao uso de comunidades carentes.

GTT – Resíduos e embalagens de óleos lubrificantes – O processo para a logística reversa de óleos lubrificantes é feita no Brasil desde meados dos anos 50. Seu aperfeiçoamento tem se dado com resoluções normativas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com portarias interministeriais MMA/MME e com a Resolução Conama Nº 362/2005. Para as embalagens dos óleos, no entanto, não existe a estruturação de logística reversa em âmbito nacional, com exceção, para experimentos voluntários de produtores de óleos lubrificantes, localizados em alguns municípios.

A geração dos resíduos provenientes da utilização do óleo combustível cresce com o aumento do consumo, principalmente com a expansão da indústria automobilística, importante fonte geradora de resíduos, sendo que as embalagens e a geração de resíduos são o maior indicador desse crescimento. É sabido que o ciclo de vida do óleo lubrificante usado se inicia na produção do óleo lubrificante básico, oriundo da produção nas refinarias nacionais, importação ou das centrais de rerrefino de óleo usado ou contaminado.

Há cinco anos esta resolução entrou em vigor, a Resolução Conama 362/2005, que trata da coleta e recolhimento de óleos lubrificantes usados e ou contaminados é fruto da revisão da resolução nº 993 e ela inovou em criar um grupo de monitoramento permanente da resolução. Esse grupo é formado por setores do Governo Federal, por órgãos estaduais de meio ambiente, pela sociedade civil e pelo setor empresarial. Este setor, dentro da logística reversa, tem a obrigação em patrocinar a coleta do óleo lubrificante usado contaminado, vulgarmente conhecido como óleo queimado, para trazê-lo ao sistema de rerrefino, sistema que faz com que esse óleo seja transformado em óleo lubrificante de novo, numa proporção de 75% a 80% de aproveitamento.

“Apesar do sucesso da resolução, muito ainda precisa ser feito. A resolução especificou que teria de ser recolhido 30% do óleo usado e contaminado no país. A gente já está conseguindo coletar 35% e a meta é atingir até o meio da desta década algo em torno de 42%, porque ainda há muita margem de recolhimento”, disse Silvério.

Após a utilização do óleo lubrificante são geradas três categorias de resíduos, sendo os óleos usados e contaminados, embalagens plásticas de lubrificantes pós-consumo e embalagens metálicas de lubrificantes pós-consumo. No tocante aos óleos lubrificantes é gerado um resíduo denominado óleo lubrificante usado ou contaminado, resultado da lubrificação das mais variados tipos de máquinas. O mesmo é um resíduo perigoso, com características tóxicas, que lançado na natureza, seja no solo, na água e na atmosfera causa sérios danos ao meio ambiente e à sua saúde humana em geral. Quanto às embalagens, as mesmas quando usadas, possuem restos de óleos lubrificantes e são descartadas em lixões e aterros sanitários.

GTT – Lâmpadas – As lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista possuem metal pesado líquido altamente tóxico para os seres humanos e a vida silvestre. O mercúrio se volatiliza facilmente a temperatura ambiente e tem elevada capacidade de dispersão. É persistente nos ambientes e, por meio de metabolismo microbiano, pode mudar de forma transformando-se em metilmercúrio.

O metilmercúrio tem a capacidade de acumular-se nos organismos e concentrar-se nas cadeias alimentares, principalmente a aquática, contaminando os peixes e tornando-os a principal via de exposição e contaminação.

Não existe legislação brasileira que estabeleça limites de concentração de mercúrio nas lâmpadas e a maioria das empresas fabricantes do material tornaram-se praticamente importadoras. A logística Reversa facilitará a separação dos materiais proporcionando um maior índice de reciclagem no País, com isso reduzindo o volume de resíduos descartados e a pressão sobre o meio ambiente.

Fonte: Suelene Gusmão/ MMA


4 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Especialistas alertam para o perigo dos agrotóxicos para a saúde humana e o meio ambiente

Especialistas que participaram de mesa-redonda promovida pela Rádio Nacional de Brasília, da Empresa Brasil de Comunicação, para debater o uso inadequado de agrotóxicos nas lavouras, alertaram para a importância de substituir os defensivos agrícolas por produtos de menor toxicidade e também para o perigo do uso de agrotóxicos contrabandeados.

Eles observaram que é preocupante a contaminação dos produtos agrícolas e de origem animal que pode afetar a saúde humana. Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e ex-presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear, José Luiz Santana, um dos debatedores, ponderou que o uso de defensivos acaba sendo necessário para que a produção agrícola mundial se situe no patamar anual de 2 bilhões de toneladas de grãos.

Por isso, segundo ele, “é preciso que a própria sociedade cobre o emprego correto desses produtos de forma que os efeitos negativos para a saúde do consumidor sejam reduzidos”.

O médico e doutor em toxicologia da Universidade Federal de Mato Grosso Wanderlei Pignatti afirmou que, em 2009, foram utilizados, no Brasil, 720 milhões de litros de agrotóxicos. Só em Mato Grosso, foram consumidos 105 mil litros do produto. Ele indaga “onde vai parar todo esse volume” e defende a reciclagem das embalagens vazias a fim de não contaminarem o meio ambiente.

Pignatti alerta que a chuva e os ventos favorecem a contaminação dos lençóis freáticos. Entre os defensivos agrícolas mais perigosos, ele cita os clorados, que estão proibidos em todo o mundo e ainda são utilizados largamente no Brasil. São defensivos que causam problemas hormonais e que podem afetar a formação de fetos, segundo o médico.

O professor relatou que, nos locais onde o uso de agrotóxicos não é feito com critério, encontram-se casos de contaminação do próprio leite materno, “o alimento mais puro que existe”, o que ocorre pela ingestão do leite de vaca. “A mulher vai ter todo o seu organismo afetado quando o seu leite não estiver puro e os efeitos tóxicos podem ficar armazenados nas camadas de gordura do corpo”.

Ele lembrou ainda há resolução do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento que proíbe a pulverização de agrotóxicos num raio de 500 metros onde haja habitação e instalações para abrigar animais, distância que tem que ser observada também em relação às nascentes.

O professor Mauro Banderali, especialista em instrumentação ambiental na área de aterros sanitários, reconhece que, apesar da cultura de separação do lixo tóxico em aterros que há existe no país, ainda não se sabe exatamente o potencial dos agrotóxicos para contaminar o solo e a água e, consequentemente, os seres humanos pelo consumo de alimentos cultivados em áreas pulverizadas. “A preparação do campo para o plantio é, frequentemente, feita sem se saber se vai vir chuva. Quando o tempo traz surpresas, ocorre a contaminação das nascentes em lugares onde a aplicação foi demasiada”.

O professor José Luiz Santana ressalva que há, no país, propriedades muito bem administradas onde há a preocupação de manter práticas sustentáveis. Ele, no entanto, denunciou que há agricultores que usam marcas tidas como ultrapassadas na área dos químicos e que podem ser substituídas por alternativas de produtos mais evoluídos, disponíveis no mercado.

Para ele, apesar da seriedade do assunto, “não se deve assustar as pessoas quanto ao consumo de alimentos”, já que as áreas do governo que cuidam do tema têm o dever de trabalhar pelo bom uso dos agrotóxicos e, além disso, conforme ressaltou, a agricultura conta com um “trabalho de apoio importante por parte de organizações não governamentais que procuram difundir o uso correto dos defensivos agrícolas.

Fonte: Lourenço Canuto/ Agência Brasil


24 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Código Florestal: cientistas contra mudanças

Cientistas da SBPC e da Associação Brasileira de Ciência (ABC) sustentam que as alterações do Código Florestal previstas no substitutivo do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) ao Projeto de Lei 1876/99 serão desastrosas para a preservação ambiental no Brasil

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Além disso, atestam que essas alterações não são necessárias para melhorar a produtividade da agropecuária brasileira.

 

De acordo com o professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), Gerd Sparoveck, mesmo que o código atual seja integralmente cumprido, sobram 103 milhões de hectares de vegetação desprotegidos. Segundo ele, isso se deve ao fato de 294 milhões de hectares de vegetação nativa encontrar-se em propriedades privadas. Apenas 170 milhões de hectares estão em unidades de conservação e em terras indígenas.

 

O professor da Esalq Ricardo Rodrigues ressaltou que, mesmo com o respeito integral ao código, o proprietário rural ainda conta com 70% da propriedade para fazer o uso que quiser.

 

Margens de rios – O ponto mais criticado do substitutivo de Rebelo é a redução das áreas de preservação permanente (APP), principalmente nas margens de cursos d’água. O texto reduz a extensão de vegetação de 30 metros para 15 metros no caso de rios e córregos com até cinco metros de largura.

O professor Rodrigues ressalta que são exatamente esses rios menores que mais necessitam de proteção. “São eles que mais sofrem assoreamento e, por isso, precisam de mais proteção”, sustenta. De acordo com ele, esses rios são responsáveis por quase 70% dos recursos hídricos do Brasil.

 

Já o professor da Unicamp, Carlos Alfredo Joly, ressaltou que a redução da cobertura nativa tanto em leitos de córregos e rios quanto em topos de morros e encostas pode levar à extinção uma série de espécies. “Com a mudança da área de preservação em margens de rio de até cinco metros de largura, metade dos anfíbios desapareceria”, asssegurou.

 

Tratamento de água – O professor chamou a atenção também para a elevação dos custos com tratamento de água, devido ao aumento da contaminação. Segundo ele, hoje São Paulo gasta entre R$ 2 e R$ 3 para tratar mil metros cúbicos de água. “Com a contaminação por agrotóxicos, o custo sobe para um valor entre R$ 250 e R$ 300 pela mesma quantidade.”

 

Os pesquisadores fazem parte de um grupo que se reuniu para estudar a proposta de Rebelo de alteração do Código Florestal e participaram do Seminário Código Florestal: Aspectos Jurídicos e Científicos, promovido terça - feira (22), pela Frente Parlamentar Ambientalista.

Fonte: Jornal da Ciência


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