16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Queimadas na Mata Atlântica jogam carvão vegetal no oceano

O desmatamento por queimadas na mata Atlântica deixou uma enorme quantidade de carvão vegetal no solo. Segundo pesquisa de Carlos Eduardo de Rezende, biogeoquímico da UEFN (Universidade Estadual do Norte Fluminense), a prática criminosa não destruiu apenas a área verde do Brasil, hoje reduzida a menos de 8% do terreno original, como também pode devastar o resto do ecossistema por milênios.

O estudo, feito em parceria com o centro de estudos alemão Max Planck, descobriu que mais de 2,7 toneladas de carvão vegetal são despejadas no oceano Atlântico todo ano. O grupo liderado por Rezende, que coletou amostras da água do mar a cada duas semanas por 11 anos, entre 1997 e 2008, estima que já foram despejados de 50 mil a 70 mil toneladas do componente no meio marinho.

Segundo o brasileiro, o corte e a queima da vegetação depositaram entre 200 milhões e 500 milhões de toneladas da substância negra na superfície terrestre. Como os sedimentos são levados pela chuva, eles chegam até os rios e, depois, desembocam no oceano. Este processo de limpeza do solo, feito durante a época das tempestades, pode demorar entre 630 e 2.200 anos para terminar.

Por isso, mesmo após quase 40 anos da proibição das queimadas, os vestígios de carvão vegetal ainda são despejados no mar. Sem apontar as consequências reais, o material demonstra que a queimada vai além do ato isolado na área e gera uma reação em cadeia e prejudicial ao restante do ambiente.

Fonte: UOL


7 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Área da Amazônia tem queimada controlada para análise científica

Área no Acre foi preparada por dois meses para ser consumida pelo fogo. 
Trabalho reuniu pesquisadores de diversas instituições.

Em quatro hectares de floresta foi realizada uma verdadeira operação científica. Pesquisadores de diversas instituições enfrentaram um calor de 40 graus Celsius e o clima seco, no Acre. Nesse período do ano na Amazônia acontecem as queimadas, que transformam a floresta em pasto.

A área estudada foi preparada durante dois meses para ser consumida pelo fogo, sendo que, desta vez, os pesquisadores serão responsáveis pelo incêndio. Na clareira aberta foi realizada a identificação, a medição das árvores e a coleta de amostras do solo. Uma torre de mais de 15 metros foi montada com equipamentos que ajudam na coleta de informações e foram passadas instruções para a segurança da equipe.

A partir dos dados coletados com a queimada controlada será possível calcular a quantidade de gases emitidos para a atmosfera e as consequências para o planeta. A pesquisa possibilitará quantificar os níveis de dióxido de carbono emitidos durante a queima, identificar como os nutrientes do solo reagem às altas temperaturas e conhecer como as micropartículas no ar podem causar danos ao sistema respiratório humano.

“Quanto mais precisos os dados, mais nós teremos ideia das ações que devem ser tomadas para prevenir desmatamentos e o quanto poderíamos deixar de desmatar para ter um ciclo sustentável”, explica João de Carvalho Júnior, coordenador do projeto. Os resultados contribuirão também para a implementação de políticas públicas que ajudem na preservação da floresta.

“Com essas informações nós podemos subsidiar os governos estaduais no que diz respeito à quanto se deixa de emitir para a atmosfera em termos de carbono quando não se queima a floresta. Essa quantidade é um patrimônio do produtor rural que, no avançar das negociações do mercado de carbono internacional, pode ser uma fonte de renda”, esclarece Falberni Costa, agrônomo da Embrapa. Os resultados da pesquisa devem ser divulgados em um ano.

 

Fonte: Do Globo Rural


5 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Incêndio devasta reserva ecológica próxima à Chapada Diamantina

Um incêndio de grandes proporções está devastando uma área de proteção ambiental na região da Chapada Diamantina, no sudoeste da Bahia.

A reserva particular de proteção natural fica na serra do Capa Bode, no município de Mucugê (a 438 km de Salvador).

Desde a noite desta segunda-feira (3), cerca de 200 hectares foram queimados – isso representa dois terços da reserva, que fica próxima ao Parque Nacional da Chapada Diamantina.

Para efeito de comparação, um campo de futebol equivale aproximadamente a um hectare.

O secretário de Meio Ambiente de Mucugê, Euvaldo Riveiro Júnior, disse que cerca de 15 homens estão combatendo o fogo desde o início da manhã desta terça-feira. O difícil acesso à reserva atrapalha o controle do fogo.

Com cerca de 11 mil habitantes, Mucugê não tem quartel do Corpo de Bombeiros, e a prefeitura pediu reforço para cidades vizinhas.

“É uma região de mata nativa sobre as rochas de chapada. Estamos fazendo o que podemos para evitar que a reserva seja toda destruída”, disse Ribeiro.

Nessa época do ano, disse o secretário, chove pouco na região da chapada, e incêndios são comuns. A causa do fogo ainda não foi determinada.

Fonte: Graciliano Rocha/ Folha.com


12 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Combate a focos de incêndio na reserva do Caraça/MG continua nesta segunda-feira

O combate aos focos de incêndio que castigam a reserva do Parque Nacional do Caraça, na região Central do Estado, continua nesta segunda-feira (12). De acordo com o Corpo de Bombeiros, atuam no local 36 militares de Belo Horizonte e Itabira, 44 brigadistas voluntários da região, além de um helicóptero dos bombeiros e dois aviões da Força Tarefa.

Até o momento não há informações da área atingida mas, segundo informações do Santuário do Caraça, mais de 100 hectares de área preservada já foram queimados. Conforme o Corpo de Bombeiros, a baixa umidade relativa do ar e a dificuldade de acesso aos focos de incêndio contribuem para a propagação do fogo.

Na quarta-feira (7), um dos focos atingiu uma área conhecida como Morro da Água Quente, que fica no município de Catas Altas. Já o segundo foco de incêndio destrói, há vários dias, a área do Pico do Sol, em Conceição do Rio Acima. Já na sexta-feira (9), os militares voltaram ao local e trabalham com o auxílio de aproximadamente 30 brigadistas da região, além de um helicóptero.

As visitas ao Santuário do Caraça, na região Central de Minas, foram suspensas por medida de segurança devido aos incêndios que atingem o local nos últimos dias.

Fonte: O Tempo Online/MG


9 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Queimadas ilegais em SP geram mais de R$ 10 milhões em multas

Em 48 municípios do noroeste do estado foram feitas 131 autuações.
Mais de 60% das queimadas registradas em agosto foram ilegais.

Fogo (Foto: AE)

Fogo atinge canavial em Ribeirão Preto (Foto: Célio Messias/AE)

A Polícia Ambiental já aplicou mais de R$ 10 milhões em multas por queimadas ilegais em pastos e canaviais em 48 municípios da região noroeste de São Paulo. Até a terça-feira (6), foram feitas 131 autuações em 242 ocorrências de incêndios registradas na zona rural desses municípios. Foram destruídos mais de 8 mil hectares de cana e pasto – e apenas 280 hectares formados por matas de reservas permanentes.

Das 131 autuações, 76 foram feitas depois de 1.º de julho, data em que passou a vigorar as proibições de queimadas à noite (total) e durante o dia (parcial, quando a umidade do ar fica abaixo de 28%). “Foram queimadas não autorizadas, fora de hora ou que ultrapassaram o perímetro estabelecido da queimada da lavoura da cana para colheita”, diz o tenente André Eduardo Trevisan, da Polícia Ambiental de São José do Rio Preto.

Em julho, 40% do total das queimadas registradas pela companhia foram autuadas. “Tivemos 82 ocorrências de queimadas, sendo que 32 destas foram motivo de autuação”, diz. Mas o pior aconteceu em agosto, mês em que mais de 60% das queimadas registradas pela Polícia Ambiental foram ilegais. “Das 68 ocorrências de incêndio, 42 eram ilegais, de cana ou pasto, cujos responsáveis foram autuados”, afirma Trevisan.

Segundo ele, as multas variam de R$ 1 mil a R$ 50 mil por hectare, dependendo da vegetação destruída. Um hectare de canavial queimado ilegalmente, por exemplo, gera R$ 1 mil de multa por hectare. O registro das queimadas é feito de três maneiras: pelos policiais em atividade no campo, por denúncias e por meio do rastreamento feito pelo satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Fonte: Agência do Estado


25 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Confundido com cão com raiva, lobo-guará é capturado em MT

Dono de imóvel disse aos bombeiros que se tratava de um cão raivoso.
Animal silvestre foi solto em uma mata próxima a Primavera do Leste.

logo guará (Foto: Assessoria/ Corpo de Bombeiros de MT)

Bombeiros tiveram de imobilizar animal que estava agitado (Foto: Assessoria/ Corpo de Bombeiros)

Um lobo-guará foi capturado pelo Corpo de Bombeiros no interior de uma residência em Primavera do Leste, a 237 quilômetros de Cuiabá. Entretanto, o proprietário informou aos bombeiros por telefone que se tratava de um cachorro com raiva, mas ao chegar ao local foi constatado que se tratava de um animal silvestre.

Conforme informou o sargento Francisco Teodoro de Almeida, o lobo estava muito agitado e para imobilizá-lo foi necessário utilizar uma haste com uma corda na ponta. Após ser capturado, o lobo foi solto próximo a região das furnas, local de floresta distante da cidade.

O comandante da Companhia do Corpo de Bombeiros da região, tenente Jean Oliveira, disse que no período de seca esse tipo de ocorrência aumenta. “Devido o período de queimadas houve um aumento substancial de captura de animal silvestre em Primavera do Leste, pois com o instinto de sobrevivência, eles acabam se refugiando na área urbana”, explicou.

Os bombeiros orientam que aqueles que tiverem os quintais invadidos pelos animais os acionem e os que apresentam boas condições físicas são levados para o habitat natural. Já os que encontram-se feridos por queimaduras ou com fraturas são levados para o quartel ou para a unidade do Intituto Nacional de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) do município.

Fonte: Do G1, MT


22 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Queimadas no estado do Amazonas aumentam 91% em 2011

Tempo seco contribui para incêndios na floresta amazônica.
Baixa quantidade de brigadistas dificulta combate de focos no estado.

A baixa umidade do ar do Amazonas e o aumento na quantidade de queimadas na floresta no estado preocupa o governo. A falta de brigadistas dificulta os trabalhos de contenção dos incêndios.

Dados do sistema de monitoramento de queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de São José dos Campos, mostram que entre 1º de janeiro até 19 de agosto houve crescimento de 91% nas ocorrências de queimada no estado.

Em 2010 foram registrados 136 focos de calor, enquanto neste ano já são 261. O índice vai na contramão dos demais estados, que apresentam queda na quantidade de queimadas no comparativo com o ano passado.

Entre as regiões mais afetadas no Amazonas estão o Parque Nacional Campos Amazônicos, que teve queimada entre o fim de julho e início de agosto uma área de 330 km² (equivalente a 206 vezes o tamanho do Parque Ibirapuera, em São Paulo).

Alerta
Segundo informações do Sistema Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o risco de novos focos de incêndio na floresta é alto devido à forte estiagem na região.

“Estamos enfrentando este calor inédito. A umidade do ar não deveria ficar tão baixa. Estamos pedindo para a população evitar a queima em propriedades, principalmente no sul do Amazonas”, disse Agenor Vicente da Silva, coordenador estadual do Prevfogo.

Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontam que a umidade relativa do ar na região está em 34%, mesmo índice registrado durante o auge da seca na Amazônia em 2010, considerada a segunda pior da história.

“O normal é a umidade do ar no estado ficar em cerca de 80%. A redução é consequência de um fenômeno climático que deixou a atmosfera seca em várias partes do país. Esta situação deverá continuar até meados de setembro”, comenta o meteorologista Francisco de Assis Diniz.

Para Bernardo Flores, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, quanto mais frequente for o fogo em trechos da floresta, mais suscetível o bioma ficará às queimadas. “Teria que ocorrer uma conscientização da população, para evitar o uso do fogo na limpeza de terrenos, por exemplo. Mas é complicado, porque a população mais pobre não tem como utilizar formas mais caras para isto”, disse.

Estrutura
Segundo Silva, em todo o estado existem 60 brigadistas do Ibama, número insuficiente para controlar as ocorrências do estado. “O Corpo de Bombeiros está somente nas cidades mais distantes”, afirma.

De acordo com Rômulo Mello, presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ao menos cem unidades de conservação concentradas nas regiões Centro-Oeste, sul do Amazonas e parte do Pará têm risco alto de incêndio.

“Nós já temos aviões preparados para utilizar no combate às queimadas, além dos funcionários do instituto. Não queremos que este ano alcance o total de 1,5 milhão de hectares queimados (15.000 km²) em 2010. Em 2011 já houve registro de 200 mil hectares (2.000 km²) devastados pelo fogo”, desse.

Unidades de Conservação
O Parque Nacional dos Campos Amazônicos foi uma das unidades de conservação da Amazônia que tiveram seus limites modificados por Medida Provisória publicada no Diário Oficial da União desta semana.

A UC perdeu 340 km² para viabilizar a construção da usina hidrelétrica de Tabajara e o aproveitamento energético do Rio Roosevelt, que corta a unidade. Além disso, a área amortizada poderá ser utilizada em atividades mineradoras. Outros dois parques nacionais (Amazônia e Mapinguari) também foram afetados pela MP.

“Estamos fazendo uma correção nas zonas dos parques para evitar conflitos fundiários e proporcionar ganhos no setor energético e na preservação. Essas unidades de conservação receberam áreas anteriormente, portanto, não houve perdas. Até se chegar a esta conclusão foram feitos estudos técnicos, nada foi decidido num estalar de dedos. As medidas são positivas”, afirmou o presidente do ICMBio, Romulo Mello.

sas (Foto: Divulgação/Prevfogo AM)

Parque Nacional Campos Amazônicos teve área afetada por incêndio entre julho e agosto (Foto: Divulgação/Prevfogo AM)

  as (Foto: Divulgação/Prevfogo AM)

Imagem aérea do Parque Nacional Campos Amazônicos, que perdeu área equivalente a 206 Parques do Ibirapuera devido às queimadas em 2011 (Foto: Divulgação/Prevfogo AM)

Fonte: Eduardo Carvalho, São Paulo, Globo Natureza


3 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Deputado é multado por queimada de 1,5 milhão de m² no Pará

Júnior Coimbra (PMDB-TO) afirma que o fogo em sua fazenda foi acidental.
Parlamentar pretende recorrer da punição de R$ 3 milhões dada pelo Ibama.

O deputado federal Júnior Coimbra (PMDB-TO) foi multado em R$ 3 milhões pelo Ibama pela destruição, com fogo, de 153 hectares (1,53 milhão de m²) de floresta “em regeneração” na fazenda Vale da Cachoeirinha, em São Félix do Xingu (PA), de sua propriedade.

A fazenda do deputado tem, ao todo, 4 mil hectares, e se situa na na Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, mas isso não proíbe que nela haja atividade econômica, como criação de gado.

Consultado pelo Globo Natureza, o parlamentar disse que o fogo foi acidental e que não se sabe quem foi o causador. Ele supõe que tenha sido alguém que passava numa estrada próxima à propriedade.

O que o Ibama classifica como  “floresta nativa amazônica em recuperação”, o parlamentar descreve como pasto com um trecho de mata. “Foi um fogo acidental que entrou na propriedade. Queimou a pastagem e deu um prejuízo enorme. Mas para o Ibama não interessa se foi acidental ou não. As argumentações têm que ser feitas judicialmente”, disse, ao explicar que pretende recorrer da multa.

Segundo o deputado, seus funcionários tentaram de todas as maneiras apagar o fogo, chegando até mesmo a se queimar, mas não conseguiram contê-lo.

Por satélite
A fazenda Vale da Cachoeirinha foi visitada por fiscais em helicóptero depois que identificaram, na última terça-feira (26), um grande foco de calor no local, em imagens de satélite. Segundo o órgão ambiental, a floresta em recuperação estava sendo derrubada e queimada  “sem critério algum, para ampliar a pastagem da fazenda”. Júnior Coimbra nega que queria aumentar seu pasto.

Na propriedade foram apreendidas ainda cinco motosserras. “Não era motosserra que estava em serviço. Estava guardada. Não é uma arma, é um equipamento usada para cortar uma lenha ou alguma coisa”, explica o deputado, acrescentando que se trata de maquinário comum a qualquer propriedade rural.

Júnior Coimbra, segundo informa o Ibama, já foi multado outras duas vezes por desmatamento na propriedade, em 2005. Sobre estas multas, o deputado justifica que está recorrendo porque a derrubada foi feita para que pudesse exercer atividade econômica no local.

Foto tirada pelo Ibama mostra o resultado da queimada na propriedade do deputado. (Foto: Luciano Silva - Ibama/Divulgação)

Foto tirada pelo Ibama mostra o resultado da queimada na propriedade do deputado. (Foto: Luciano Silva - Ibama/Divulgação)

Fonte: Dennis Barbosa, do Globo Natureza, em São Paulo


25 de julho de 2011 | nenhum comentário »

MMA financia iniciativa para recomposição florestal

O projeto Roça sem Queimar completa 11 anos levando alternativas sustentáveis ao uso do fogo nas propriedades dos municípios paraenses da região da BR Transamazônica. Com apoio do Ministério do Meio Ambiente, o projeto agora entra em uma nova fase: criar alternativa para a recomposição florestal, aliando preservação ambiental com a produção de alimentos e geração de renda.

O Subprograma Projetos Demonstrativos (PDA/MMA) investe R$ 427 mil no chamado Roça III nos municípios de Medicilândia e Brasil Novo, maiores produtores de cacau do Pará. O Roça será desenvolvido pelos sindicatos de trabalhadores rurais dos dois municípios, em parceria com a Embrapa, Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), Universidade Federal do Estado do Pará e Emater.

Com base na dinâmica da floresta, o objetivo do Roça III é plantar na mesma área espécies agrícolas junto com castanheira, seringueira, açaizeiro, cacaueiro e laranjeira, aproveitando o potencial extrativista dessas espécies. “Dessa forma, a gente cria o ambiente propício para essas espécies, onde cada árvore tem seu papel, assim como na floresta”, explica um dos idealizadores do projeto Roça sem Queimar, o técnico agrícola Francisco Monteiro.

“Sem o uso do fogo a gente protege o solo, e a vegetação da área do roçado vira adubo, o que serve como controle biológico, evitando pragas”, completa Monteiro. Ele sempre testa na própria fazenda antes de divulgar suas novas tecnologias de produção sustentável.

O Roça III começou a ser colocado em prática no final de 2010, quando foram plantadas mais de 100 mil mudas de espécies florestais e agrícolas. Elas foram plantadas em um hectare de 60 fazendas selecionadas em Medicilândia e Brasil Novo. Com base em princípios agroecológicos, o Roça sem Queimar substituiu os usos de insumos químicos e do fogo na propriedade.

“Nós pudemos observar nas experiências anteriores que a amêndoa do cacau, por exemplo, tinha uma melhor qualidade e algumas pragas como monalônio não atacavam as árvores em que executamos das áreas onde não foi usado o fogo”, conta o técnico agrícola.

Além da redução do desmatamento, o projeto incentiva a recomposição do passivo ambiental e promove a regularização ambiental das propriedades da agricultura familiar. Além das mudas, as famílias participantes do projeto recebem visita de técnicos, uma vez por mês, para acompanhar o resultado do projeto.

O PDA financia iniciativas inovadoras que podem ser replicadas em outros lugares. No caso do Roça III, a ideia é disseminar a experiência nos municípios alvo da Operação Arco Verde, que busca alternativas sustentáveis para os 43 municípios onde foram registrados os maiores índices de desmatamento em 2008.

O resultado do projeto também será colocado em um manual de boas práticas. Serão duas mil cartilhas, que serão distribuídas para agricultores, entidades de ensino, pesquisa, extensão rural e de crédito. O projeto encerra no primeiro semestre de 2012.

Fonte: MMA


25 de julho de 2011 | nenhum comentário »

MT é responsável por 28% dos focos de queimadas registrados no país

Inpe registrou 1.777 focos de queimadas entre janeiro e julho, em MT.
No Brasil, foram verificadas 6.102 queimadas no mesmo período.

As queimadas no estado de Mato Grosso já são responsáveis por 28% do número total de focos registrados no Brasil, neste ano. Dados dos satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que das 6.102 queimadas identificadas no país, 1.777 ocorreram no estado, no período de 1º de janeiro a 21 de julho.

Apesar de o número estar abaixo do identificado no mesmo período do ano passado, quando foram registrados 2.852 focos de incêndio no território mato-grossense, a incidência poderá aumentar nos próximos dias devido à alta temperatura, baixa umidade do ar e ao alto índice de desmatamento. A avaliação é do professor e biólogo Romildo Gonçalves, do Instituto de Biociências da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

O biólogo explica que as massas de ar quente e seco estão cada vez mais frequentes no país, o que estaria causando reflexos no estado, além das intempéries influenciarem diretamente na vegetação. “As condições climáticas, com a evolução do aquecimento global, têm reflexo direto no ecossistema e, em Mato Grosso, não será muito diferente neste ano em comparação com o último”, frisou o professor, em entrevista ao G1. Segundo ele, o período mais crítico para queimadas são os meses de agosto e setembro.

Arte - queimadas (Foto: Editoria de Arte/G1)

Enquanto em abril os satélites captaram 89 focos de queimadas em Mato Grosso, em maio foram 325. Em junho, o índice cresceu para 900 e, até o dia 21 de julho (quinta-feira), o estado já tinha acumulado 356 focos. Em outro aspecto, o professor considera motivo de preocupação a devastação na região da Amazônia Legal, em que o estado teve, por exemplo, 93,7 km² de florestas devastadas no mês de maio, sendo que em abril perdeu 405,5 km² de mata, segundo relatório do Inpe. Para Gonçalves, os dados reforçam o risco da ocorrência de mais queimadas neste ano do que em 2010. “Depois de tirar a mata, as pessoas colocam fogo para usar a área”, frisa.

Parque Nacional
Em 2010, o fogo consumiu cerca de um terço do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, cobrindo Cuiabá de fumaça escura. A estimativa é que 11 mil hectares tenham sido consumidos no incêndio. Com um ecossistema que inclui de savanas a matas fechadas, o parque abriga sítios arqueológicos e cabeceiras de vários rios das bacias do Alto Paraguai e Amazônica. ” O alerta neste ano vale para o Pantanal mato-grossense e o Parque Nacional do Xingu, que não registram incêndios há oito anos, mas podem sofrer alterações pela falta de infraestrutura e proteção ambiental”, avaliou Romildo Gonçalves.

O Comitê de Gestão do Fogo de Mato Grosso informou que as cidades com maior número de alertas de incêndios são Tangará da Serra, Cláudia e Querência, localizadas na regiões norte e médio norte do estado. O tenente-coronel Dércio Santos, coordenador-geral adjunto do Comitê, declarou ao G1 que a meta é reduzir 65% da quantidade de focos de calor registrados em 2010 e retirar o estado da lista dos que mais queimam.

O coordenador disse ainda que o Corpo de Bombeiros está presente em 17 das 141 cidades mato-grossenses, com bases operacionais montadas com o objetivo de controlar o fogo. “Nós já reduzimos muito em relação ao último ano e estamos atuando com reforço e apoio das prefeituras dos municípios para o combate às queimadas. Porém, temos que avaliar que a estiagem e a baixa umidade são ameaças contanstantes, mas podemos mudar o quadro com a nossa conduta”, pontuou o tenente-coronel.

Ele frisa que a questão da educação ambiental também é séria e que as pessoas devem contribuir para a diminução dos focos, deixando as práticas e a cultura de colocar fogo, por exemplo, em folhas secas ou nos quintais de casa. “Muitos incêndios registrados, senão a maioria, foram provocados pelo homem”, afirma.

Quanto ao desmatamento, o coordenador admite que o índice registrado no território mato-grossense poderá colaborar para que a situação das queimadas se agrave, porém, considera que o governo do estado e a união têm realizado trabalhos intensivos com a finalidade de diminuir o número de áreas devastadas.

Investimento
O combate às queimadas deve custar mais de R$ 111,5 milhões durante o período proibitivo no estado, que este ano será de de 1º de julho a 15 de outubro, considerado o mais longo da história. Diante dos altos índices de focos de queimada, o pedido de antecipação e ampliação foi feito pelo secretário de Meio Ambiente de Mato Grosso, Alexander Maia. Ao todo, o estado pretende contar com o trabalho de dois mil homens de todos os órgãos ambientais durante o período proibitivo.

O montante foi calculado com base no planejamento orçamentário do Governo do Estado, Departamento Nacional de Infra-estrutura (Dnit) e Corpo de Bombeiros. O secretário Alexander Maia disse que o Fundo Nacional de Meio Ambiente (FNMA) autorizou a liberação de R$ 13 milhões para a instalação de uma base de controle das ocorrências em Sinop, a 503 quilômetros de Cuiabá.

A pretensão, de acordo com o secretário, é implantar quatro bases semelhantes a essa, porém, segundo ele, ainda não há recursos liberados para o projeto. O montante será gasto na compra de equipamentos para as equipes do Corpo de Bombeiros e da Secretaria de Meio Ambiente do Estado (Sema). Embora tenha sido contemplado com a verba, o governo do estado havia requisitado R$ 80 milhões para investir nas ações de combate e prevenção.

Além dessa verba, Maia afirmou que serão gastos R$ 5 milhões em campanhas publicitárias com a finalidade de tentar conscientizar a população sobre os riscos dos incêndios, assim como alertar sobre a penalidade aplicada ao responsável pelo crime ambiental. As multas variam entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil por hectare para áreas abertas e de floresta, respectivamente.

Queimada em Mato Grosso (Foto: Guilherme Filho/Secom-MT)

Governo do estado decidiu ampliar o período de proibição de queimadas. (Foto: Guilherme Filho/Secom-MT)

Fonte: Kelly Martins, Do G1, MT


« Página anterior





Categorias

Tópicos recentes

Meta

 

maio 2017
S T Q Q S S D
« mar    
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031  

16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Queimadas na Mata Atlântica jogam carvão vegetal no oceano

O desmatamento por queimadas na mata Atlântica deixou uma enorme quantidade de carvão vegetal no solo. Segundo pesquisa de Carlos Eduardo de Rezende, biogeoquímico da UEFN (Universidade Estadual do Norte Fluminense), a prática criminosa não destruiu apenas a área verde do Brasil, hoje reduzida a menos de 8% do terreno original, como também pode devastar o resto do ecossistema por milênios.

O estudo, feito em parceria com o centro de estudos alemão Max Planck, descobriu que mais de 2,7 toneladas de carvão vegetal são despejadas no oceano Atlântico todo ano. O grupo liderado por Rezende, que coletou amostras da água do mar a cada duas semanas por 11 anos, entre 1997 e 2008, estima que já foram despejados de 50 mil a 70 mil toneladas do componente no meio marinho.

Segundo o brasileiro, o corte e a queima da vegetação depositaram entre 200 milhões e 500 milhões de toneladas da substância negra na superfície terrestre. Como os sedimentos são levados pela chuva, eles chegam até os rios e, depois, desembocam no oceano. Este processo de limpeza do solo, feito durante a época das tempestades, pode demorar entre 630 e 2.200 anos para terminar.

Por isso, mesmo após quase 40 anos da proibição das queimadas, os vestígios de carvão vegetal ainda são despejados no mar. Sem apontar as consequências reais, o material demonstra que a queimada vai além do ato isolado na área e gera uma reação em cadeia e prejudicial ao restante do ambiente.

Fonte: UOL


7 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Área da Amazônia tem queimada controlada para análise científica

Área no Acre foi preparada por dois meses para ser consumida pelo fogo. 
Trabalho reuniu pesquisadores de diversas instituições.

Em quatro hectares de floresta foi realizada uma verdadeira operação científica. Pesquisadores de diversas instituições enfrentaram um calor de 40 graus Celsius e o clima seco, no Acre. Nesse período do ano na Amazônia acontecem as queimadas, que transformam a floresta em pasto.

A área estudada foi preparada durante dois meses para ser consumida pelo fogo, sendo que, desta vez, os pesquisadores serão responsáveis pelo incêndio. Na clareira aberta foi realizada a identificação, a medição das árvores e a coleta de amostras do solo. Uma torre de mais de 15 metros foi montada com equipamentos que ajudam na coleta de informações e foram passadas instruções para a segurança da equipe.

A partir dos dados coletados com a queimada controlada será possível calcular a quantidade de gases emitidos para a atmosfera e as consequências para o planeta. A pesquisa possibilitará quantificar os níveis de dióxido de carbono emitidos durante a queima, identificar como os nutrientes do solo reagem às altas temperaturas e conhecer como as micropartículas no ar podem causar danos ao sistema respiratório humano.

“Quanto mais precisos os dados, mais nós teremos ideia das ações que devem ser tomadas para prevenir desmatamentos e o quanto poderíamos deixar de desmatar para ter um ciclo sustentável”, explica João de Carvalho Júnior, coordenador do projeto. Os resultados contribuirão também para a implementação de políticas públicas que ajudem na preservação da floresta.

“Com essas informações nós podemos subsidiar os governos estaduais no que diz respeito à quanto se deixa de emitir para a atmosfera em termos de carbono quando não se queima a floresta. Essa quantidade é um patrimônio do produtor rural que, no avançar das negociações do mercado de carbono internacional, pode ser uma fonte de renda”, esclarece Falberni Costa, agrônomo da Embrapa. Os resultados da pesquisa devem ser divulgados em um ano.

 

Fonte: Do Globo Rural


5 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Incêndio devasta reserva ecológica próxima à Chapada Diamantina

Um incêndio de grandes proporções está devastando uma área de proteção ambiental na região da Chapada Diamantina, no sudoeste da Bahia.

A reserva particular de proteção natural fica na serra do Capa Bode, no município de Mucugê (a 438 km de Salvador).

Desde a noite desta segunda-feira (3), cerca de 200 hectares foram queimados – isso representa dois terços da reserva, que fica próxima ao Parque Nacional da Chapada Diamantina.

Para efeito de comparação, um campo de futebol equivale aproximadamente a um hectare.

O secretário de Meio Ambiente de Mucugê, Euvaldo Riveiro Júnior, disse que cerca de 15 homens estão combatendo o fogo desde o início da manhã desta terça-feira. O difícil acesso à reserva atrapalha o controle do fogo.

Com cerca de 11 mil habitantes, Mucugê não tem quartel do Corpo de Bombeiros, e a prefeitura pediu reforço para cidades vizinhas.

“É uma região de mata nativa sobre as rochas de chapada. Estamos fazendo o que podemos para evitar que a reserva seja toda destruída”, disse Ribeiro.

Nessa época do ano, disse o secretário, chove pouco na região da chapada, e incêndios são comuns. A causa do fogo ainda não foi determinada.

Fonte: Graciliano Rocha/ Folha.com


12 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Combate a focos de incêndio na reserva do Caraça/MG continua nesta segunda-feira

O combate aos focos de incêndio que castigam a reserva do Parque Nacional do Caraça, na região Central do Estado, continua nesta segunda-feira (12). De acordo com o Corpo de Bombeiros, atuam no local 36 militares de Belo Horizonte e Itabira, 44 brigadistas voluntários da região, além de um helicóptero dos bombeiros e dois aviões da Força Tarefa.

Até o momento não há informações da área atingida mas, segundo informações do Santuário do Caraça, mais de 100 hectares de área preservada já foram queimados. Conforme o Corpo de Bombeiros, a baixa umidade relativa do ar e a dificuldade de acesso aos focos de incêndio contribuem para a propagação do fogo.

Na quarta-feira (7), um dos focos atingiu uma área conhecida como Morro da Água Quente, que fica no município de Catas Altas. Já o segundo foco de incêndio destrói, há vários dias, a área do Pico do Sol, em Conceição do Rio Acima. Já na sexta-feira (9), os militares voltaram ao local e trabalham com o auxílio de aproximadamente 30 brigadistas da região, além de um helicóptero.

As visitas ao Santuário do Caraça, na região Central de Minas, foram suspensas por medida de segurança devido aos incêndios que atingem o local nos últimos dias.

Fonte: O Tempo Online/MG


9 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Queimadas ilegais em SP geram mais de R$ 10 milhões em multas

Em 48 municípios do noroeste do estado foram feitas 131 autuações.
Mais de 60% das queimadas registradas em agosto foram ilegais.

Fogo (Foto: AE)

Fogo atinge canavial em Ribeirão Preto (Foto: Célio Messias/AE)

A Polícia Ambiental já aplicou mais de R$ 10 milhões em multas por queimadas ilegais em pastos e canaviais em 48 municípios da região noroeste de São Paulo. Até a terça-feira (6), foram feitas 131 autuações em 242 ocorrências de incêndios registradas na zona rural desses municípios. Foram destruídos mais de 8 mil hectares de cana e pasto – e apenas 280 hectares formados por matas de reservas permanentes.

Das 131 autuações, 76 foram feitas depois de 1.º de julho, data em que passou a vigorar as proibições de queimadas à noite (total) e durante o dia (parcial, quando a umidade do ar fica abaixo de 28%). “Foram queimadas não autorizadas, fora de hora ou que ultrapassaram o perímetro estabelecido da queimada da lavoura da cana para colheita”, diz o tenente André Eduardo Trevisan, da Polícia Ambiental de São José do Rio Preto.

Em julho, 40% do total das queimadas registradas pela companhia foram autuadas. “Tivemos 82 ocorrências de queimadas, sendo que 32 destas foram motivo de autuação”, diz. Mas o pior aconteceu em agosto, mês em que mais de 60% das queimadas registradas pela Polícia Ambiental foram ilegais. “Das 68 ocorrências de incêndio, 42 eram ilegais, de cana ou pasto, cujos responsáveis foram autuados”, afirma Trevisan.

Segundo ele, as multas variam de R$ 1 mil a R$ 50 mil por hectare, dependendo da vegetação destruída. Um hectare de canavial queimado ilegalmente, por exemplo, gera R$ 1 mil de multa por hectare. O registro das queimadas é feito de três maneiras: pelos policiais em atividade no campo, por denúncias e por meio do rastreamento feito pelo satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Fonte: Agência do Estado


25 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Confundido com cão com raiva, lobo-guará é capturado em MT

Dono de imóvel disse aos bombeiros que se tratava de um cão raivoso.
Animal silvestre foi solto em uma mata próxima a Primavera do Leste.

logo guará (Foto: Assessoria/ Corpo de Bombeiros de MT)

Bombeiros tiveram de imobilizar animal que estava agitado (Foto: Assessoria/ Corpo de Bombeiros)

Um lobo-guará foi capturado pelo Corpo de Bombeiros no interior de uma residência em Primavera do Leste, a 237 quilômetros de Cuiabá. Entretanto, o proprietário informou aos bombeiros por telefone que se tratava de um cachorro com raiva, mas ao chegar ao local foi constatado que se tratava de um animal silvestre.

Conforme informou o sargento Francisco Teodoro de Almeida, o lobo estava muito agitado e para imobilizá-lo foi necessário utilizar uma haste com uma corda na ponta. Após ser capturado, o lobo foi solto próximo a região das furnas, local de floresta distante da cidade.

O comandante da Companhia do Corpo de Bombeiros da região, tenente Jean Oliveira, disse que no período de seca esse tipo de ocorrência aumenta. “Devido o período de queimadas houve um aumento substancial de captura de animal silvestre em Primavera do Leste, pois com o instinto de sobrevivência, eles acabam se refugiando na área urbana”, explicou.

Os bombeiros orientam que aqueles que tiverem os quintais invadidos pelos animais os acionem e os que apresentam boas condições físicas são levados para o habitat natural. Já os que encontram-se feridos por queimaduras ou com fraturas são levados para o quartel ou para a unidade do Intituto Nacional de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) do município.

Fonte: Do G1, MT


22 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Queimadas no estado do Amazonas aumentam 91% em 2011

Tempo seco contribui para incêndios na floresta amazônica.
Baixa quantidade de brigadistas dificulta combate de focos no estado.

A baixa umidade do ar do Amazonas e o aumento na quantidade de queimadas na floresta no estado preocupa o governo. A falta de brigadistas dificulta os trabalhos de contenção dos incêndios.

Dados do sistema de monitoramento de queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de São José dos Campos, mostram que entre 1º de janeiro até 19 de agosto houve crescimento de 91% nas ocorrências de queimada no estado.

Em 2010 foram registrados 136 focos de calor, enquanto neste ano já são 261. O índice vai na contramão dos demais estados, que apresentam queda na quantidade de queimadas no comparativo com o ano passado.

Entre as regiões mais afetadas no Amazonas estão o Parque Nacional Campos Amazônicos, que teve queimada entre o fim de julho e início de agosto uma área de 330 km² (equivalente a 206 vezes o tamanho do Parque Ibirapuera, em São Paulo).

Alerta
Segundo informações do Sistema Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o risco de novos focos de incêndio na floresta é alto devido à forte estiagem na região.

“Estamos enfrentando este calor inédito. A umidade do ar não deveria ficar tão baixa. Estamos pedindo para a população evitar a queima em propriedades, principalmente no sul do Amazonas”, disse Agenor Vicente da Silva, coordenador estadual do Prevfogo.

Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontam que a umidade relativa do ar na região está em 34%, mesmo índice registrado durante o auge da seca na Amazônia em 2010, considerada a segunda pior da história.

“O normal é a umidade do ar no estado ficar em cerca de 80%. A redução é consequência de um fenômeno climático que deixou a atmosfera seca em várias partes do país. Esta situação deverá continuar até meados de setembro”, comenta o meteorologista Francisco de Assis Diniz.

Para Bernardo Flores, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, quanto mais frequente for o fogo em trechos da floresta, mais suscetível o bioma ficará às queimadas. “Teria que ocorrer uma conscientização da população, para evitar o uso do fogo na limpeza de terrenos, por exemplo. Mas é complicado, porque a população mais pobre não tem como utilizar formas mais caras para isto”, disse.

Estrutura
Segundo Silva, em todo o estado existem 60 brigadistas do Ibama, número insuficiente para controlar as ocorrências do estado. “O Corpo de Bombeiros está somente nas cidades mais distantes”, afirma.

De acordo com Rômulo Mello, presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ao menos cem unidades de conservação concentradas nas regiões Centro-Oeste, sul do Amazonas e parte do Pará têm risco alto de incêndio.

“Nós já temos aviões preparados para utilizar no combate às queimadas, além dos funcionários do instituto. Não queremos que este ano alcance o total de 1,5 milhão de hectares queimados (15.000 km²) em 2010. Em 2011 já houve registro de 200 mil hectares (2.000 km²) devastados pelo fogo”, desse.

Unidades de Conservação
O Parque Nacional dos Campos Amazônicos foi uma das unidades de conservação da Amazônia que tiveram seus limites modificados por Medida Provisória publicada no Diário Oficial da União desta semana.

A UC perdeu 340 km² para viabilizar a construção da usina hidrelétrica de Tabajara e o aproveitamento energético do Rio Roosevelt, que corta a unidade. Além disso, a área amortizada poderá ser utilizada em atividades mineradoras. Outros dois parques nacionais (Amazônia e Mapinguari) também foram afetados pela MP.

“Estamos fazendo uma correção nas zonas dos parques para evitar conflitos fundiários e proporcionar ganhos no setor energético e na preservação. Essas unidades de conservação receberam áreas anteriormente, portanto, não houve perdas. Até se chegar a esta conclusão foram feitos estudos técnicos, nada foi decidido num estalar de dedos. As medidas são positivas”, afirmou o presidente do ICMBio, Romulo Mello.

sas (Foto: Divulgação/Prevfogo AM)

Parque Nacional Campos Amazônicos teve área afetada por incêndio entre julho e agosto (Foto: Divulgação/Prevfogo AM)

  as (Foto: Divulgação/Prevfogo AM)

Imagem aérea do Parque Nacional Campos Amazônicos, que perdeu área equivalente a 206 Parques do Ibirapuera devido às queimadas em 2011 (Foto: Divulgação/Prevfogo AM)

Fonte: Eduardo Carvalho, São Paulo, Globo Natureza


3 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Deputado é multado por queimada de 1,5 milhão de m² no Pará

Júnior Coimbra (PMDB-TO) afirma que o fogo em sua fazenda foi acidental.
Parlamentar pretende recorrer da punição de R$ 3 milhões dada pelo Ibama.

O deputado federal Júnior Coimbra (PMDB-TO) foi multado em R$ 3 milhões pelo Ibama pela destruição, com fogo, de 153 hectares (1,53 milhão de m²) de floresta “em regeneração” na fazenda Vale da Cachoeirinha, em São Félix do Xingu (PA), de sua propriedade.

A fazenda do deputado tem, ao todo, 4 mil hectares, e se situa na na Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, mas isso não proíbe que nela haja atividade econômica, como criação de gado.

Consultado pelo Globo Natureza, o parlamentar disse que o fogo foi acidental e que não se sabe quem foi o causador. Ele supõe que tenha sido alguém que passava numa estrada próxima à propriedade.

O que o Ibama classifica como  “floresta nativa amazônica em recuperação”, o parlamentar descreve como pasto com um trecho de mata. “Foi um fogo acidental que entrou na propriedade. Queimou a pastagem e deu um prejuízo enorme. Mas para o Ibama não interessa se foi acidental ou não. As argumentações têm que ser feitas judicialmente”, disse, ao explicar que pretende recorrer da multa.

Segundo o deputado, seus funcionários tentaram de todas as maneiras apagar o fogo, chegando até mesmo a se queimar, mas não conseguiram contê-lo.

Por satélite
A fazenda Vale da Cachoeirinha foi visitada por fiscais em helicóptero depois que identificaram, na última terça-feira (26), um grande foco de calor no local, em imagens de satélite. Segundo o órgão ambiental, a floresta em recuperação estava sendo derrubada e queimada  “sem critério algum, para ampliar a pastagem da fazenda”. Júnior Coimbra nega que queria aumentar seu pasto.

Na propriedade foram apreendidas ainda cinco motosserras. “Não era motosserra que estava em serviço. Estava guardada. Não é uma arma, é um equipamento usada para cortar uma lenha ou alguma coisa”, explica o deputado, acrescentando que se trata de maquinário comum a qualquer propriedade rural.

Júnior Coimbra, segundo informa o Ibama, já foi multado outras duas vezes por desmatamento na propriedade, em 2005. Sobre estas multas, o deputado justifica que está recorrendo porque a derrubada foi feita para que pudesse exercer atividade econômica no local.

Foto tirada pelo Ibama mostra o resultado da queimada na propriedade do deputado. (Foto: Luciano Silva - Ibama/Divulgação)

Foto tirada pelo Ibama mostra o resultado da queimada na propriedade do deputado. (Foto: Luciano Silva - Ibama/Divulgação)

Fonte: Dennis Barbosa, do Globo Natureza, em São Paulo


25 de julho de 2011 | nenhum comentário »

MMA financia iniciativa para recomposição florestal

O projeto Roça sem Queimar completa 11 anos levando alternativas sustentáveis ao uso do fogo nas propriedades dos municípios paraenses da região da BR Transamazônica. Com apoio do Ministério do Meio Ambiente, o projeto agora entra em uma nova fase: criar alternativa para a recomposição florestal, aliando preservação ambiental com a produção de alimentos e geração de renda.

O Subprograma Projetos Demonstrativos (PDA/MMA) investe R$ 427 mil no chamado Roça III nos municípios de Medicilândia e Brasil Novo, maiores produtores de cacau do Pará. O Roça será desenvolvido pelos sindicatos de trabalhadores rurais dos dois municípios, em parceria com a Embrapa, Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), Universidade Federal do Estado do Pará e Emater.

Com base na dinâmica da floresta, o objetivo do Roça III é plantar na mesma área espécies agrícolas junto com castanheira, seringueira, açaizeiro, cacaueiro e laranjeira, aproveitando o potencial extrativista dessas espécies. “Dessa forma, a gente cria o ambiente propício para essas espécies, onde cada árvore tem seu papel, assim como na floresta”, explica um dos idealizadores do projeto Roça sem Queimar, o técnico agrícola Francisco Monteiro.

“Sem o uso do fogo a gente protege o solo, e a vegetação da área do roçado vira adubo, o que serve como controle biológico, evitando pragas”, completa Monteiro. Ele sempre testa na própria fazenda antes de divulgar suas novas tecnologias de produção sustentável.

O Roça III começou a ser colocado em prática no final de 2010, quando foram plantadas mais de 100 mil mudas de espécies florestais e agrícolas. Elas foram plantadas em um hectare de 60 fazendas selecionadas em Medicilândia e Brasil Novo. Com base em princípios agroecológicos, o Roça sem Queimar substituiu os usos de insumos químicos e do fogo na propriedade.

“Nós pudemos observar nas experiências anteriores que a amêndoa do cacau, por exemplo, tinha uma melhor qualidade e algumas pragas como monalônio não atacavam as árvores em que executamos das áreas onde não foi usado o fogo”, conta o técnico agrícola.

Além da redução do desmatamento, o projeto incentiva a recomposição do passivo ambiental e promove a regularização ambiental das propriedades da agricultura familiar. Além das mudas, as famílias participantes do projeto recebem visita de técnicos, uma vez por mês, para acompanhar o resultado do projeto.

O PDA financia iniciativas inovadoras que podem ser replicadas em outros lugares. No caso do Roça III, a ideia é disseminar a experiência nos municípios alvo da Operação Arco Verde, que busca alternativas sustentáveis para os 43 municípios onde foram registrados os maiores índices de desmatamento em 2008.

O resultado do projeto também será colocado em um manual de boas práticas. Serão duas mil cartilhas, que serão distribuídas para agricultores, entidades de ensino, pesquisa, extensão rural e de crédito. O projeto encerra no primeiro semestre de 2012.

Fonte: MMA


25 de julho de 2011 | nenhum comentário »

MT é responsável por 28% dos focos de queimadas registrados no país

Inpe registrou 1.777 focos de queimadas entre janeiro e julho, em MT.
No Brasil, foram verificadas 6.102 queimadas no mesmo período.

As queimadas no estado de Mato Grosso já são responsáveis por 28% do número total de focos registrados no Brasil, neste ano. Dados dos satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que das 6.102 queimadas identificadas no país, 1.777 ocorreram no estado, no período de 1º de janeiro a 21 de julho.

Apesar de o número estar abaixo do identificado no mesmo período do ano passado, quando foram registrados 2.852 focos de incêndio no território mato-grossense, a incidência poderá aumentar nos próximos dias devido à alta temperatura, baixa umidade do ar e ao alto índice de desmatamento. A avaliação é do professor e biólogo Romildo Gonçalves, do Instituto de Biociências da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

O biólogo explica que as massas de ar quente e seco estão cada vez mais frequentes no país, o que estaria causando reflexos no estado, além das intempéries influenciarem diretamente na vegetação. “As condições climáticas, com a evolução do aquecimento global, têm reflexo direto no ecossistema e, em Mato Grosso, não será muito diferente neste ano em comparação com o último”, frisou o professor, em entrevista ao G1. Segundo ele, o período mais crítico para queimadas são os meses de agosto e setembro.

Arte - queimadas (Foto: Editoria de Arte/G1)

Enquanto em abril os satélites captaram 89 focos de queimadas em Mato Grosso, em maio foram 325. Em junho, o índice cresceu para 900 e, até o dia 21 de julho (quinta-feira), o estado já tinha acumulado 356 focos. Em outro aspecto, o professor considera motivo de preocupação a devastação na região da Amazônia Legal, em que o estado teve, por exemplo, 93,7 km² de florestas devastadas no mês de maio, sendo que em abril perdeu 405,5 km² de mata, segundo relatório do Inpe. Para Gonçalves, os dados reforçam o risco da ocorrência de mais queimadas neste ano do que em 2010. “Depois de tirar a mata, as pessoas colocam fogo para usar a área”, frisa.

Parque Nacional
Em 2010, o fogo consumiu cerca de um terço do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, cobrindo Cuiabá de fumaça escura. A estimativa é que 11 mil hectares tenham sido consumidos no incêndio. Com um ecossistema que inclui de savanas a matas fechadas, o parque abriga sítios arqueológicos e cabeceiras de vários rios das bacias do Alto Paraguai e Amazônica. ” O alerta neste ano vale para o Pantanal mato-grossense e o Parque Nacional do Xingu, que não registram incêndios há oito anos, mas podem sofrer alterações pela falta de infraestrutura e proteção ambiental”, avaliou Romildo Gonçalves.

O Comitê de Gestão do Fogo de Mato Grosso informou que as cidades com maior número de alertas de incêndios são Tangará da Serra, Cláudia e Querência, localizadas na regiões norte e médio norte do estado. O tenente-coronel Dércio Santos, coordenador-geral adjunto do Comitê, declarou ao G1 que a meta é reduzir 65% da quantidade de focos de calor registrados em 2010 e retirar o estado da lista dos que mais queimam.

O coordenador disse ainda que o Corpo de Bombeiros está presente em 17 das 141 cidades mato-grossenses, com bases operacionais montadas com o objetivo de controlar o fogo. “Nós já reduzimos muito em relação ao último ano e estamos atuando com reforço e apoio das prefeituras dos municípios para o combate às queimadas. Porém, temos que avaliar que a estiagem e a baixa umidade são ameaças contanstantes, mas podemos mudar o quadro com a nossa conduta”, pontuou o tenente-coronel.

Ele frisa que a questão da educação ambiental também é séria e que as pessoas devem contribuir para a diminução dos focos, deixando as práticas e a cultura de colocar fogo, por exemplo, em folhas secas ou nos quintais de casa. “Muitos incêndios registrados, senão a maioria, foram provocados pelo homem”, afirma.

Quanto ao desmatamento, o coordenador admite que o índice registrado no território mato-grossense poderá colaborar para que a situação das queimadas se agrave, porém, considera que o governo do estado e a união têm realizado trabalhos intensivos com a finalidade de diminuir o número de áreas devastadas.

Investimento
O combate às queimadas deve custar mais de R$ 111,5 milhões durante o período proibitivo no estado, que este ano será de de 1º de julho a 15 de outubro, considerado o mais longo da história. Diante dos altos índices de focos de queimada, o pedido de antecipação e ampliação foi feito pelo secretário de Meio Ambiente de Mato Grosso, Alexander Maia. Ao todo, o estado pretende contar com o trabalho de dois mil homens de todos os órgãos ambientais durante o período proibitivo.

O montante foi calculado com base no planejamento orçamentário do Governo do Estado, Departamento Nacional de Infra-estrutura (Dnit) e Corpo de Bombeiros. O secretário Alexander Maia disse que o Fundo Nacional de Meio Ambiente (FNMA) autorizou a liberação de R$ 13 milhões para a instalação de uma base de controle das ocorrências em Sinop, a 503 quilômetros de Cuiabá.

A pretensão, de acordo com o secretário, é implantar quatro bases semelhantes a essa, porém, segundo ele, ainda não há recursos liberados para o projeto. O montante será gasto na compra de equipamentos para as equipes do Corpo de Bombeiros e da Secretaria de Meio Ambiente do Estado (Sema). Embora tenha sido contemplado com a verba, o governo do estado havia requisitado R$ 80 milhões para investir nas ações de combate e prevenção.

Além dessa verba, Maia afirmou que serão gastos R$ 5 milhões em campanhas publicitárias com a finalidade de tentar conscientizar a população sobre os riscos dos incêndios, assim como alertar sobre a penalidade aplicada ao responsável pelo crime ambiental. As multas variam entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil por hectare para áreas abertas e de floresta, respectivamente.

Queimada em Mato Grosso (Foto: Guilherme Filho/Secom-MT)

Governo do estado decidiu ampliar o período de proibição de queimadas. (Foto: Guilherme Filho/Secom-MT)

Fonte: Kelly Martins, Do G1, MT


« Página anterior