26 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Parte dos anfíbios do cerrado pode ser extinta até 2050, diz pesquisa

Animais seriam vítimas da mudança do clima e da expansão agrícola.
Estudo confirma existência de 204 espécies de anfíbios; 102 são endêmicas.

Mais da metade das espécies de anfíbios existentes apenas no cerrado brasileiro podem desaparecer devido às mudanças do clima e a políticas erradas de uso da terra. A conclusão é parte do projeto “Diversidade de anfíbios no cerrado e prioridades para sua conservação em cenários futuros de mudanças climáticas”, desenvolvido pela organização ambiental Pequi, com apoio da Fundação Boticário.

O estudo, que durou quatro anos e foi parte de duas teses de doutorado da Universidade Católica de Brasília, simulou o ambiente do cerrado em 2050, com temperatura 2ºC acima do normal, de acordo com previsão do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Tais características foram aliadas aos modelos atuais de políticas públicas, voltadas para a expansão agrícola na região, com dados sobre o desmatamento do bioma.

 

Segundo a pesquisa, espécies de anfíbios como sapos e pererecas existentes na região sul do bioma, área que abrange parte de Goiás, o oeste de Minas Gerais, oeste da Bahia e sul do Tocantins, poderiam desaparecer devido à destruição de seus habitats, que são áreas úmidas da floresta ou próximo de lagos ou cursos de água.

“A ausência de locais adequados para sobrevivência e a elevação da temperatura no cerrado fariam esses animais procurar por outras regiões amenas. A região de floresta mais próxima seria a Mata Atlântica, mas este bioma já praticamente desapareceu devido à expansão humana”, disse Débora Silvano, professora do curso de Ciências Biológicas da Universidade Católica de Brasília e coordenadora do estudo científico. “A falta de ambiente adequado deve impactar na sobrevivência das espécies de anfíbios”, explica.

perereca (Foto: Divulgação/Paula Valdujo)

Exemplar de perereca P. berohoca, que existe apenas no cerrado e pode desaparecer devido aos efeitos da mudança do clima e do mau uso da terra (Foto: Divulgação/Paula Valdujo)

Mapeamento
Segundo Débora, foram mapeados no cerrado 204 espécies de anfíbios, sendo que 102 são endêmicas (existem apenas em determinada localidade). Devido aos problemas ambientais citados, ao menos 50% dos animais que vivem somente no bioma desapareceriam, como a perereca P. berohoca e o sapinho B. sazimai.

A população desses animais já pode ter sido reduzida neste ano devido à alta incidência de queimadas no Centro-Oeste, que desde julho sofre com o longo período de estiagem. “Quando é o período de seca, os anfíbios costumam ficar enterrados em camadas úmidas do solo ou mesmo no interior da floresta. Se o fogo atingiu essas áreas, é provável que esses animais tenham sido atingidos”, complementa a pesquisadora.

Outro inimigo da biodiversidade local é o desmatamento. O cerrado brasileiro teve uma área desmatada de 6.469 quilômetros quadrados entre 2009 e 2010, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente. O número equivale a uma redução de 15,3% em relação à medição anterior (2008-2009), quando o bioma perdeu 7.637 quilômetros quadrados de área.

Em números absolutos, o estado que mais desmatou foi o Maranhão, com uma área de 1.587 km². Percentualmente, o Piauí foi o estado com maior perda de área – 979 km² ou 1,05% da área de cerrado do estado.

Soluções
O estudo conclui que para evitar a mortalidade de espécies, o governo deve criar sistemas de áreas protegidas conectadas, como unidades de conservação com corredores ecológicos, que possibilitaria a migração desses animais entre fragmentos de floresta.

“Isso evitaria a dispersão de espécies. Os anfíbios não conseguem ir muito longe devido à dificuldade de mobilidade. É preciso que o governo realize planejamentos para evitar o desmatamento do bioma, principalmente na porção sul”, afirma Débora.

sapinho (Foto: Divulgação/Paula Valdujo)

Espécime do sapinho B. sazimai, encontrada apenas no bioma que abrange grande parte do Centro-Oeste do Brasil (Foto: Divulgação/Paula Valdujo)

 

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


26 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Falta verba para monitorar desmatamento no cerrado

Prometido há um ano pelo governo, o sistema de detecção do desmatamento no cerrado em tempo real, usando imagens de satélite, ainda não saiu do papel.

Ele seria feito pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), nos mesmos moldes do Deter, que vigia a Amazônia. A previsão era de que estivesse em funcionamento neste ano. “Pergunte se o Inpe recebeu dinheiro”, disse o diretor do instituto, Gilberto Câmara.

A falta de verba também deixou empacada a parceria entre o Inpe e o Ibama para criar um sistema que desse a taxa anual de desmate.

Hoje, ela é medida anualmente por um sistema do Ibama que é bem mais simples que o Prodes (do Inpe, que dá a taxa de desmatamento na Amazônia). O sistema não dá taxas anuais, nem diferencia vegetação secundária de cerrados nativos.

Editoria de arte/folhapress

 

O monitoramento começou somente em 2009. Até então, o governo tinha apenas uma estimativa pontual da destruição do cerrado (15,7 mil km2 ao ano). Com base nessa estimativa foi definida a meta de redução de 40% na derrubada do bioma até 2020.

O que os satélites revelaram, porém, foi um número bem diferente. Os dados de 2010, divulgados por Teixeira, por exemplo, mostram 6.469 km2 desmatados, ou quatro vezes a área da cidade de São Paulo. Isso representa uma queda de 15% em relação a 2009 (7.637 km2). No total, o cerrado já perdeu 48,5% de sua área original.

 

Fonte: Claudio Angelo, Brasília, Folha.com

O desmatamento se concentrou no chamado “Mapito” (Maranhão, Piauí e Tocantins), a nova fronteira do agronegócio do país. Segundo Mauro Pires, coordenador do plano de controle de desmate no cerrado, a queda não significa que a meta já tenha sido cumprida.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que dará dinheiro de sua pasta ao Inpe para criar o monitoramento no ano que vem.


14 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Desmatamento do cerrado tem queda de 15%, aponta ministério

Área desmatada em 2009-2010 foi de 6.469 km²; em 2008-2009, 7.637 km².
Agropecuária, carvão e urbanização foram principais causas, diz ministra.

O cerrado brasileiro teve uma área desmatada de 6.469 quilômetros quadrados entre 2009 e 2010, informou nesta terça-feira (13) a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. O número equivale a uma redução de 15,3% em relação à medição anterior (2008-2009), quando o bioma perdeu 7.637 quilômetros quadrados de área.

Em números absolutos, o estado que mais desmatou foi o Maranhão, com uma área de 1.587 quilômetros quadrados. Percentualmente, o Piauí foi o estado com maior perda de área – 979 quilômetros quadrados, ou 1,05% da área de cerrado do estado.

“Não sabemos ainda por que está diminuindo, nós temos que qualificar essa informação. É importante mostrar que, em alguns estados, o desmatamento está acontecendo em áreas secundárias, áreas que já foram degradadas no passado e que estavam em regeneração”, comentou a ministra.

O cerrado é o segundo maior bioma do Brasil, com uma área de 2.039.386 quilômetros quadrados espalhada em 11 estados e o Distrito Federal.

Desmatamento do cerro tem queda de 15%, aponta Ministério do Meio Ambiente (Foto: Rafaela Céo/G1)

Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixiera, apresenta dados de desmatamento do cerrado (Foto: Rafaela Céo/G1)

Segundo a ministra Izabella Teixeira, a pressão econômica sobre o cerrado continua sendo a principal causa para a degradação do bioma. “Os vetores típicos estão presentes e eles são a agricultura, pecuária, carvão e urbanização. Não podemos esquecer que as cidades crescem e crescem nessas áreas”, afirmou.

Para a ministra a redução no ritmo da devastação se deve a mais sofisticação na fiscalização. “Ela está mais sofisticada por causa dos dados de monitoramento, que permitem um planejamento mais dirigido e, do uso da inteligência. A fiscalização não está só correndo atrás do prejuízo. Ela consegue quebrar a coluna econômica do crime”, indica a ministra.

De janeiro a agosto deste ano o Ibama aplicou 517 autos de infração relacionados à destruição da flora do cerrado. Mais de R$ 142 milhões em multas foram aplicados em 140 municípios.

Queimadas
A ministra Izabella Teixeira informou que 322,8 mil hectares em unidades de conservação federais já queimaram em 2011. Em 2010, um ano muito crítico, segundo a responsável pela pasta do meio ambiente, o fogo alcançou mais de 1,6 milhão de hectares de áreas protegidas.

De acordo com ela, nesta seca, 11 unidades de conservação federais foram atingidas por incêndios. Deste total, a suspeita é de que 6 a 8 situações tenham sido provocadas pelo homem de forma criminosa.

“Se há uma boa notícia sobre as queimadas, é que reduzimos em praticamente um sexto da área queimada em unidades de conservação em comparação com o ano passado”, destaca a ministra.

O caso mais grave de queimada está na Floresta Nacional de Brasília (Flona), que teve 75% de uma de suas quatro áreas destruídas pelo fogo. O fogo na Floresta Nacional de Brasília começou na última quinta-feira (8). Criada há 12 anos, floresta tem 9.351 hectares e é dividida em quatro partes. A principal área é a de número 1, cerca de 4 mil hectares e maior quantidade de remanescentes de fauna e flora do cerrado.

O presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Rômulo Mello, contou que, apesar de não ter sido encontrado artefato usado para provocar o incêndio na Floresta Nacional de Brasília, a ação foi criminosa. “Na Flona, nosso pessoal perseguiu as pessoas após elas colocarem fogo num determinado local.”

Mapa do desmatamento no bioma cerrado - Em vermelho, áreas devastadas até 2010; em rosa, áreas devastadas até 2009; em verde, remanescentes da flora do cerrado; em azul, corpos d'água. (Foto: Divulgação/Ministério do Meio Ambiente)

Mapa do desmatamento no bioma cerrado - Em vermelho, áreas devastadas até 2010; em rosa, áreas devastadas até 2009; em verde, remanescentes da flora do cerrado; em azul, corpos d'água. (Foto: Divulgação/Ministério do Meio Ambiente)

 

Fonte: Rafaela Céo, G1, DF


13 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Conter desmatamento no Cerrado é prioridade do MMA

O desmatamento ilegal na Amazônia mobilizou a máquina governamental durante os últimos sete anos, obtendo resultados que bateram os 47% de redução em 2010. Agora, um dos maiores desafios das autoridades ambientais para os próximos cinco anos é reduzir as crescentes taxas de desmatamento legal no bioma Cerrado, onde é possível derrubar até 80% da cobertura vegetal sem ser incomodado pela fiscalização, tudo de acordo com a legislação vigente.

No Ministério do Meio Ambiente, essa tarefa é vista como prioritária, e depende ao mesmo tempo das negociações do Código Florestal no Congresso, da implementação do Plano de Ação para Prevenção e Controle das Queimadas e Desmatamento no Cerrado, do resultado de arranjos institucionais no setor público e privado para a construção do Macrozoneamento Ecológico-Econômico (MacroZEE) e, principalmente, de mudanças no modelo predatório de uso da terra para atividades agropecuárias.

O Departamento de Florestas (Deflor) da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do MMA negocia com o Congresso a manutenção dos parâmetros de preservação permanente no bioma e a volta da proteção para as veredas, abolida pelo substitutivo aprovado pela Câmara. “A norma geral [Código Florestal] é o único mecanismo legal de preservação do Cerrado, já que ele ainda não é reconhecido como patrimônio natural pela Constituição”, avalia o diretor do Deflor, João de Deus Medeiros.

A liberdade para a supressão das veredas ameaça um dos ecossistemas mais sensíveis do País, com reflexos negativos na fauna, na flora e no ciclo hidrológico. “O Cerrado será o bioma mais afetado caso passem as mudanças propostas”, afirma Medeiros.

A expansão da fronteira agrícola, estimada com base em levantamentos de imagens de satélite pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), projeta uma supressão da vegetação que beira os 4 mil Km2 de Cerrado por ano. Para uma taxa de desmatamento anual em torno de 0,47% do bioma, calculada sobre uma área remanescente de 1,2 milhão de Km2, a previsão do Laboratório de Geoprocessamento da Universidade Federal de Goiás aponta o desmate de 40 mil Km2 por década, a depender do resultado das medidas adotadas. “É claro que são projeções”, salienta o professor Manuel Ferreira.

A produção de commodities, principalmente da soja, deixa na esteira do progresso perdas incalculáveis para a biodiversidade. A Conab prevê para 2011 uma safra de soja para o Centro-Oeste próxima dos 34 milhões de toneladas, em uma área plantada de 11 milhões de hectares, superior à do estado de Pernambuco. O rebano bovino trabalha com uma área de ordem de grandeza parecida. Somente no Centro-Oeste, a estimativa, com base no senso agropecuário do IBGE, se aproxima das 65 milhões de cabeças de gado, com baixa produtividade por hectare ocupado.

“É difícil reverter a lógica do produtivismo”, admite o secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Roberto Vizentin. Ele se refere à rotina dos ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, do Meio Ambiente, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e do Desenvolvimento Agrário na busca de diálogo com o setor produtivo para minimizar os impactos socioambientais das atividades agropastoris. Um sistema secular, que simplifica o uso da terra e privilegia o uso de insumos agroquímicos, desconsiderando os aspectos ecológicos e provocando fortes impactos sobre o meio ambiente.

No caso do Cerrado quase não é possível falar em recomposição da mata nativa como forma de minimizar os danos do desmatamento. A opção é recuperar e reutilizar áreas já impactadas pelas atividade agropastoris para evitar abertura de novas frentes. Por isso, explica Vizentin, o governo vem intensificando as políticas públicas de fomento à produção sustentável, privilegiando a produtividade para evitar o desflorestamento. Os caminhos para isso são, por um lado, buscar cada vez mais a parceria dos próprios agricultores e pecuaristas, pequenos, médios ou grandes, e por outro, criar mecanismos de Zoneamento Ecológico-Econômico, que sinalize com clareza regras sustentáveis para o crescimento econômico. “Estamos iniciando o processo de negociação do Macro ZEE do Cerrado. Vamos ouvir todos os setores na esfera governamental e no setor produtivo”, esclarece Vizentin.

Clima - O secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do MMA, Eduardo Assad, entende que conter o desmatamento no bioma é fundamental para o cumprimento das metas internacionais de redução de 40 % nas emissões, prevista pela lei da Política Nacional sobre Mudanças do Clima. Tecnologia, explica ele, “já existe e foi testada em grande parte no Cerrado”.

Isso faz com que o plantio direto, integração lavoura, pecuária e floresta e tecnologia para recuperação de pastagens, em boa parte fruto das pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), “tenham grandes chances de produzir os efeitos esperados”, segundo ele.

A Conab, segundo o Gerente de Levantamento e Avaliação de Safra, Eledon Oliveira, já identificou, no Centro-Oeste, que boa parte da ampliação de áreas de plantio de soja está em regiões que já foram dominadas por pastos. A expectativa é que a substituição se transforme em tendência, o que irá reduzir cada vez mais a demanda por abertura de novas áreas.

Para 2012, o Governo pretende adotar medidas que consolidem o programa Agricultura de Baixo Carbono. O plano está pronto e aguarda apenas a aprovação do comitê interministerial de mudanças do clima. “O Cerrado é área prioritária para os investimentos”, defende Assad. O ABC é um dos pilares da estratégia de enfrentamento das mudanças climáticas. A tarefa principal dele é fomentar a mudança do modelo produtivo. Uma parceria do MDS, Mapa e MMA, o programa já começou a ser operado pelo Banco do Brasil com recursos próprios e 2 bilhões de reais disponíveis no BNDES. De acordo com o Coordenador de Manejo Sustentável dos Sistemas Produtivos do Mapa, Elvison Ramos, o ABC trabalha com a capacitação de técnicos em vários municípios do Cerrado, e demais biomas, para facilitar o acesso e utilização dos recursos.

Brasil sem miséria – São das parcerias com os vários setores sociais que saem os melhores resultados em termos de preservação, avalia Vizentin, que supervisiona a implementação do Plano de Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade. Em parceria com o MDS, MDA e Companhia Nacional de Abastecimento, o plano vem ganhando fôlego, adotando como base o diálogo direto com os povos e comunidades tradicionais. Sua contribuição para o Programa Brasil sem Miséria, uma das mais importantes metas do atual Governo, atende diretamente às populações tradicionais. Em quatro anos, está conseguindo aliar a preservação e o uso sustentável das riquezas da biodiversidade. A meta é beneficiar cerca de 50 mil famílias, nos seis biomas, melhorando a renda e gerando empregos verdes.

Além de ganhar valor agregado, produtos extrativistas do Cerrado, como o pequi, o babaçu, a mangaba e o baru foram incluídos nas políticas de mercados institucionais e já contam com garantia de preço mínimo e integram tanto o Programa de Aquisição de Alimentos e o da Merenda Escolar. Para participar, o extrativista tem que provar que explora os recursos naturais de forma a assegurar a sustentabilidade. “É difícil acreditar que ainda há pobreza extrema em áreas que se destacam pela riqueza de sua biodiversidade”, constata o gerente de projetos da Diretoria de Extrativismo do MMA, Júlio Pinho.

Para o secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA, Bráulio Dias, é justamente a riqueza dos recursos naturais dos biomas brasileiros que assegura a sobrevivência das populações de baixa renda. “Hoje a maioria retira da biodiversidade apenas o necessário para a subsistência. Temos que fazer com que aumentem sua renda, usando mais recursos naturais e de forma sustentável”, explica. Para impulsionar a participação das comunidades na preservação, o Ministério do Meio Ambiente aguarda a aprovação pelo Congresso de proposta para Pagamento por Serviços Ambientais. Enquanto isso, trabalha para que o Cerrado tenha, já em 2012, o acesso ao Bolsa Verde, incentivos dados às populações com renda inferior a 50 dólares por trimestre e que comprovem sobreviverem de atividades sustentáveis.

O Cerrado entrou na pauta de prioridades por ser, na atualidade, o ecossistema sob maior pressão, com taxas de desmatamento quatro vezes superiores às da Amazônia. Para Bráulio Dias, é preciso acumular maiores conhecimentos sobre o Cerrado para atender às demandas relativas a sua biodiversidade. A Estratégia Nacional do Sistema de Unidades de Conservação para o bioma Cerrado, desenvolvida em parceria com o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade e Ibama, está bastante avançada, informa. O documento, que vai nortear as ações voltadas para áreas protegidas do bioma, traz uma revisão das áreas prioritárias para a biodiversidade do Cerrado que deverá definir o que, onde e como assegurar as metas de preservação do bioma e até expandir o que foi prometido pelo Brasil na Conferência de Biodiversidade em Nagoya. Em 2010 o bioma contava com 7% de seu território protegido, número considerado bom, não fossem as categorias das unidades envolvidas. Grande parte dos cerca de 160 mil hectares sob proteção é constituído por Áreas de Proteção Ambiental (APAs), onde a ocupação humana e as atividades econômicas sofrem poucas restrições em detrimento da biodiversidade.

Mesmo assim, experiências de preservação do Cerrado, com promoção de desenvolvimento sustentável envolvendo manejo de unidades de conservação, vem se multiplicando de forma eficaz. Em 2008, foi criado no norte de Minas Gerais e nordeste da Bahia o Mosaico Peruaçu-Grande Sertão Veredas. Em três anos, a gestão compartilhada entre estados, municípios e o ICMBio, com apoio e participação da população, vem trazendo desenvolvimento econômico, valorização das culturas tradicionais e engajamento na preservação do meio ambiente. Formado por seis parques nacionais em três estados, áreas de preservação ambiental estaduais e três reservas particulares do patrimônio natural, além da área indígena dos Xacriabás, o mosaico fortaleceu as cooperativas de produção de populações tradicionais, o extrativismo e o turismo ecológico. Tudo isso, com o resgate das culturas e tradições locais, elevando renda, gerando empregos, com impactos na identidade cultural e autoestima das populações.

Com uma área de 204 milhões de hectares, equivalente aos territórios de Portugal, Espanha, França, Alemanha e Suécia juntos, o Cerrado já perdeu quase 100 milhões de hectares de sua vegetação nativa. O pior é que essa perda ameaça diretamente o ciclo das águas em três bacias hidrográficas, a do São Francisco, da Amazônia e a do Prata, que abrange as regiões Sul e Sudeste. “O cerrado é um grande desafio, porém os avanços até aqui são consideráveis”, avalia Bráulio Dias. É que o País nunca teve uma política de preservação ambiental voltada para o Cerrado. A preocupação preservacionista dos governos até 2005 era centrada na Amazônia e sobrava para o Centro-Oeste, onde está 68 por cento do Cerrado, apenas políticas para a expansão agropecuária.

Por isso, em 2005 o Governo criou o Programa Cerrado Sustentável, voltado para o desenvolvimento com sustentabilidade da região. Cinco anos depois, em 2010, a iniciativa desembocou no PPCerrado, que tem em sua gênese um amplo debate com vários segmentos da sociedade, governos municipais, estaduais e setor produtivo. Combate ao fogo, educação ambiental rural e práticas alternativas de manejo e conservação do solo e da água são as armas do programa, em fase inicial de implementação. Incorporando a experiência do Programa de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), esforço que vem reduzindo sistematicamente as taxas de desmatamento no bioma amazônico, o plano tem um cronograma de ações que vai até o final de 2012, com investimentos de R$ 400 milhões. 

Fonte: Paulenir Constâncio/ MMA


12 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Queimadas se alastram em Brasília; há suspeita de incêndios criminosos

Incêndio na Floresta Nacional de Brasília já é o maior da história. Destruição atingiu 85% da mata.

Em Brasília, equipes do corpo de bombeiros se revezam para combater as queimadas. Há suspeitas de incêndios criminosos. São muitas áreas ocupadas por lotes irregulares, por isso, o Instituto Chico Mendes, ligado ao Ministério do Meio Ambiente, não descarta a possibilidade de incêndios criminosos. Já são mais de 3,2 mil focos. A seca já dura 94 dias e domingo (11) foi o dia mais quente do ano, com 33°C e umidade em 13%. A previsão mais otimista é que a chuva em Brasília venha no inicio de outubro.

Um fim de semana sem descanso para os bombeiros que combatem as queimadas no Distrito Federal. O Hercules C-130, da Força Aérea, também foi usado na luta contra o fogo. Foram 16 sobrevoos. Em cada um, 12 mil litros de água eram despejados.

Os incêndios começaram na quinta-feira (8). Até agora, as labaredas já queimaram uma área equivalente a 20 mil campos de futebol. Uma das regiões mais atingidas é a Floresta Nacional de Brasília, que teve uma destruição de 85% da mata. Na floresta, a principal preocupação é impedir que as chamas avancem sobre o parque nacional, uma área de preservação ambiental.

“Temos a preocupação com a proximidade com o parque nacional. Se passar para lá, vai ser uma tragédia maior. Estamos concentrando esforços nessas áreas para que isso não aconteça”, afirmou o major Mauro Sérgio de Oliveira, do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal.

De uma sala o Corpo de Bombeiros comanda as ações de combate aos novos focos de incêndio, que surgem a todo o momento. Os focos aparecem na tela como pontos amarelos. O Instituto Chico Mendes, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, vai pedir que a Polícia Federal investigue a origem dessas queimadas. Segundo um boletim do instituto, o fogo que atinge parques e reservas ambientais não é uma fatalidade, seria resultado de ações criminosas.

Uma das suspeitas para o incêndio na Floresta Nacional, conhecida como “Flona”, vem da chefe do local. A floresta seria alvo de grileiros. “É simplesmente desolador ver a situação que a Flona está hoje por causa do incêndio. Nós temos vários grileiros envolvidos, pessoas que anunciam no jornal a venda de lotes na Flona que a gente sabe que têm interesse em bagunçar e em tumultuar nossa situação.”, apontou a chefe da Flona, Miriam Ferreira. De acordo com a chefe da Floresta Nacional de Brasília, esse incêndio foi o maior já registrado. O cerrado de Brasília nunca foi tão castigado.

Fonte: G1.Globo.com


12 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Diretor do Jardim Botânico de Brasília defende medidas para evitar desaparecimento do Cerrado

O fogo que atingiu o Jardim Botânico de Brasília na última semana trouxe motivos mais fortes para celebrar o Dia Nacional do Cerrado, comemorado neste domingo (11). Segundo o diretor do Jardim Botânico, Jeanito Gentilini, é preciso o aprofundamento e o reconhecimento do bioma para que medidas sejam tomadas a fim de evitar o seu desaparecimento.

“As coisas acontecem, causam um impacto e aí a gente tem que dar um passo à frente. Tem que haver aprofundamento dessas questões, porque pega fogo todo ano, que trabalhos são necessários a médio e longo prazo para que a gente tenha uma base real de trabalhar o bioma de forma mais correta, com entendimento da sua importância. Essa reflexão é que fica”, comentou.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o Cerrado, considerado segundo maior bioma brasileiro, perdeu 49% da cobertura original. A área inicial de mais de 2 milhões de quilômetros quadrados (km²) foi reduzida a 1 milhão de km².

Segundo Genitlini, ainda não é possível mensurar o total da área do parque que foi atingida. “Será feito um sobrevoo porque as áreas que não foram queimadas ainda sofrem risco”, disse. O diretor também destacou que é preciso conscientizar a população. “É necessário tratar o entorno da estação ecológica, que está dentro da área urbana, de forma mais cuidadosa. Ter mais cuidado com a questão de colocar fogo sem má intenção, mas que toma grandes proporções e viram uma catástrofe como a que aconteceu”, completou.

Para aumentar a conscientização, a área incendiada será incluída nas visitações. “Vamos incluir na visitação a parte que pegou fogo para as pessoas terem noção do que é e como fica. É um trabalho de formiguinha, mas se criarmos um grupo com a sociedade civil, os parlamentos e o governo a gente consegue”, acrescentou.

O evento também contou com a participação do diretor do Departamento de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João Medeiros, que defende a inclusão do Cerrado como patrimônio nacional, assim como ocorre com a Amazônia e a Mata Atlântica. “Estamos trabalhando pelo reconhecimento do Cerrado como patrimônio nacional”.

Fonte: Luciene Cruz/ Agência Brasil


1 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Genética pode ser aplicada na conservação de árvores do cerrado

Pesquisadores de Goiás conduziram a pesquisa com o baru.
Projeto selecionou genes e criou população com grande diversidade.

O estudo da genética oferece ferramentas para proteger espécies antes mesmo que elas estejam, de fato, ameaçadas de extinção. É o objetivo de uma equipe da Universidade Federal de Goiás (UFG), coordenada por Mariana Telles, professora de genética de populações.

Eles estão preocupados com o futuro do cerrado, segundo maior bioma do Brasil, que só perde em extensão para a Amazônia. A vegetação é predominante no Centro-Oeste, em Minas Gerais, em Tocantins e em algumas partes do Nordeste.

O baru é uma árvore típica da região e sofre com o extrativismo – a semente é consumida como uma iguaria, o que afeta a reprodução da planta. Ela ainda está longe da extinção, mas foi escolhida para um estudo dos especialistas da UFG.

Eles pesquisaram populações de barus ao longo de toda a área do cerrado, observando as características de cada uma delas. Essas características são predeterminadas por variantes genéticas – os alelos. Então, eles decidiram juntar as populações com a maior diversidade possível desses alelos e colocar numa só população as características de toda uma espécie.

“A ideia é usar ferramentas da genética molecular para entender o processo evolutivo, isso é a genética de populações”, explicou a professora. “Só que a genética de populações tem se comunicado com outras áreas, como a ecologia e a agronomia e, nesse sentido, auxiliado não só no entendimento desses processos evolutivos, mas como isso pode ser usado para a conservação”, completou.

Dessa forma, eles escolheram sete populações de barus de diferentes pontos, englobando características diversas e levaram para Goiânia. O número de populações coletadas tem que ser pequeno para que o projeto seja viável.

Política pública
“Se a gente pensar em política pública, por exemplo, os recursos são limitados, não dá para conservar todas [as populações]. A gente precisa de estratégias para minimizar custos sem perder nada em termos de conservação”, reconheceu Telles.

Essa pesquisa em si não traz resultados tão significativos para a preservação da espécie, mas serve de exemplo, mostra que as ferramentas já existem. “A gente (UFG), enquanto instituição, não tem condições de decidir nada, mas a gente tem argumentos para ajudar numa decisão”, disse a professora.

O Centro-Oeste depende economicamente da agropecuária, que, em vários casos, invade as áreas do cerrado e descaracteriza o bioma original. Porém, tratar os fazendeiros como inimigos não é uma opção. “A gente precisa da soja, então é um desafio conseguir equalizar essas duas coisas”, lembrou a pesquisadora.

“Se a gente tiver algum sistema de incentivo para um empresário manter as áreas que preservam um bioma qualquer, acho que é uma moeda de troca interessante para ele, que não tem essa visão romântica de conservação”, sugeriu Telles, pensando nos incentivos fiscais como alternativa para o futuro do cerrado.

“Eu acho que o Ministério do Meio Ambiente, o Ministério da Ciência e Tecnologia [e Inovação] e o Ministério da Agricultura precisam conversar efetivamente e planejar em conjunto”, completou.

Baru é uma árvore típica do cerrado (Foto: UFG)

Baru é uma árvore típica do cerrado (Foto: UFG)

Fonte: Tadeu Meniconi, G1, Águas de Lindoia(SP)


4 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Cerrado pode ser monitorado por satélite mensalmente a partir de 2012

Inpe pode ‘vigiar’ bioma por sistema que mede desmatamento da Amazônia.
Governo afirma que ação está nos planos do Ministério do Meio Ambiente.

O combate ao desmatamento do cerrado pode ser intensificado no próximo ano com a implantação de monitoramento por satélite nos moldes do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que verifica a devastação na Amazônia.

A informação foi divulgada ao Globo Natureza pelo diretor da instituição, Gilberto Câmara. Segundo ele, o Inpe está pronto para começar a monitorar o bioma, o que facilitaria a detecção de crimes ambientais numa área que abrange grande parte da Região Centro-Oeste e parte do Nordeste do Brasil.

“Queremos começar no ano que vem, mas dependemos do orçamento do governo para isso. A estimativa é que o custo para a manutenção deste sistema seja de R$ 4 milhões anuais, a mesma quantidade aplicada atualmente na vigilância do desmatamento na Amazônia”, disse Câmara.

Atualmente, o desmatamento no cerrado é medido anualmente pelo Centro de Sensoriamento Remoto do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) por meio do sistema Prodes. Esta medição é realizada há dois anos, segundo o Ministério do Meio Ambiente.

Deter do cerrado
Se o “Deter do cerrado” for implantado, os dados serão medidos a cada mês, o que proporcionaria o aumento na fiscalização. Hoje, apenas as queimadas e focos de calor que atingem o bioma são medidos em tempo real pelo Inpe.

“O sistema seria um benefício para o Brasil e o valor (orçamento para o sistema) não é nada, se comparado ao retorno”, afirmou o diretor do Inpe.

Com uma área total de 2.039.286 km², em abril o Ministério do Meio Ambiente divulgou que o bioma perdeu 7.637 km² de sua vegetação original entre 2008 e 2009, dados mais recentes disponíveis. A perda equivale a cinco vezes o tamanho do município de São Paulo.

O cerrado sofre regularmente com incêndios criminosos, provocados em grande parte em benefício da atividade agropecuária, e com atividades carvoeiras. No último levantamento, o estado que mais desmatou foi Maranhão (2.338 km²), seguido de Tocantins (1.311 km²) e Bahia (1.000 km²).

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a proposta de monitorar mensalmente o desmatamento no cerrado está dentro do Plano Plurianual, que rege as políticas públicas do governo federal entre 2012 e 2015.

Existem ainda outros dez planos setoriais de combate ao desmatamento e ações em favor das florestas que ainda não têm orçamento definido. O PPA precisa ser enviado ao Congresso até 31 de agosto para ser aprovado pelo Ministério do Planejamento, que dá o aval para a liberação de verbas.

África
A tecnologia de monitoramento desenvolvida pelo Inpe para detectar a devastação da Amazônia foi adotada pela República Democrática do Congo, país africano que é o segundo no mundo com maior cobertura de florestas tropicais (atrás apenas do Brasil).

O sistema operacional do Congo será lançado durante a COP 17, encontro da Organização das Nações Unidas que debate ações para conter as mudanças do clima e que ocorrerá em novembro, na África do Sul.

De acordo com Cláudio Almeida, chefe do Centro Regional da Amazônia, unidade do Inpe localizada no Pará, o país africano foi o primeiro a adotar o sistema operacional. “Estamos capacitando técnicos de várias partes do mundo e estão previstos mais cursos para a Bacia do Congo, além da América Latina e Ásia”, disse o pesquisador.

Plantação no cerrado, em Goiás (Foto: Marcelo Nunes)

Plantação no cerrado, em Goiás (Foto: Marcelo Nunes)

Fonte: Eduardo Carvalho, do Globo Natureza, em São Paulo


26 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Investigação detecta uso de carvão ilegal em 36 siderúrgicas de MG e BA

Cadeia de exploração irregular destruía o cerrado e a caatinga, diz Ibama.
Devastação nos biomas causou a perda de 190 km² de floresta.

Balanço de operação para desmontar a cadeia ilegal de produção de carvão para a indústria siderúrgica totaliza 39 pessoas detidas por crimes fiscais e ambientais, além de R$ 84,2 milhões de multas aplicadas, além da apreensão de ferro-gusa (material utilizado para fabricação do aço) em duas siderúrgicas.

Segundo as autoridades, empresas da Bahia e de Minas Gerais exploravam carvão no cerrado e na caatinga.

A investigação, iniciada há um ano, foi executada pelo Ministério Público da Bahia e de Minas Gerais, em parceria com as Polícias Civil e Rodoviária Federal, além do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama).  Ao menos 257 empresas foram inspecionadas e houve a detecção de 36 siderúrgicas que utilizaram material ilegal.

Segundo o Ibama, houve a devastação de 19 mil hectares de floresta nos dois biomas (190 km²), uma área que é quase cinco vezes o tamanho do Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro. A mata nativa derrubada estava no norte de Minas Gerais e no oeste da Bahia. A madeira era utilizada na produção de carvão, vendido a siderúrgicas para ser transformado em ferro-gusa, material empregado na fabricação do aço.

Descoberta
Luciano de Menezes Evaristo, diretor de Proteção Ambiental do Ibama, afirma que a fraude foi descoberta depois de uma análise na falsa operação logística montada para o fornecimento de material. A partir dos dados encontrados no sistema de Documento de Origem Florestal (DOF), foi descoberto um esquema de produção de carvão em Goiás, Mato Grosso e Pará, que depois era transportado para a Bahia e, a partir de lá, distribuído para cidades mineiras.

“Só que essa movimentação logística é inviável. Nos perguntamos o porquê de atravessadores, que eram empresas de fachada instaladas na Bahia, na venda de carvão. O fato chamou a atenção e acabou provocando a operação”, complementa Evaristo.

De acordo com o Ministério Público da Bahia, entre os crimes registrados estão a utilização de fornos ilegais para produção de carvão e o uso de documentação irregular.

Das prisões, 17 foram feitas em cidades mineiras, como a dos dois empresários de duas siderúrgicas detidos na última sexta-feira. Outras 22 detenções ocorreram na Bahia, como a dos sete funcionários da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, suspeitos de serem os responsáveis por fraudar os créditos nos sistemas federal e estadual.

“Isso significa que o polo siderúrgico brasileiro não pode continuar vivendo da exploração de matas nativas da caatinga e do cerrado, biomas considerados frágeis”, afirmou Evaristo. Na próxima quarta-feira, carvoarias devem ser destruídasna Bahia e também no norte de Goiás, dando continuidade à operação.

Carvoaria que funcionava de maneira ilegal em Mato Grosso e que foi fechada durante a operação Corcel Negro (Foto: Divulgação/Ibama)

Carvoaria que funcionava de maneira ilegal em Mato Grosso e que foi fechada durante a operação 'Corcel Negro 2' (Foto: Divulgação/Ibama)

Fonte: Do Globo Natureza, São Paulo


10 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Norte de MG pode virar deserto dentro de 20 anos

Um terço do território de Minas Gerais pode virar “deserto” em 20 anos. A conclusão é de um estudo encomendado pelo Ministério do Meio Ambiente ao governo mineiro e concluído em março.

O desmatamento, a monocultura e a pecuária intensiva, somados a condições climáticas adversas, empobreceram o solo de 142 municípios do Estado.

Se nada for feito para reverter o processo, de acordo com o estudo, essas terras não terão mais uso econômico ou social, o que vai afetar 20% da população mineira.

Isso obrigaria 2,2 milhões de pessoas a deixar a região norte do Estado e os vales do Mucuri e do Jequitinhonha.
“A terra perde os nutrientes e fica estéril, não serve para a agricultura nem consegue sustentar a vegetação nativa”, afirma Rubio de Andrade, presidente do Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas, responsável pelo estudo. A região engloba cerrado, caatinga e mata atlântica.

Segundo o governo do Estado, é preciso investir R$ 1,3 bilhão nas próximas décadas para frear o processo, que já causa danos no semiárido mineiro. Lá estão 88 das 142 cidades consideradas suscetíveis à desertificação.

Vladia Oliveira, professora do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará, disse que áreas desertificadas são diferentes de desertos naturais porque passam por um acentuado declínio de biodiversidade até se tornarem estéreis.

“Já os desertos são ecossistemas com sustentabilidade, ainda que com baixa diversidade. Eles estão vivos.”

PROGRAMA NACIONAL

O estudo foi encomendado para o Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação, que terá R$ 6 milhões neste ano para combater a desertificação no país.

Andrade diz que, para reduzir o fenômeno, é preciso aumentar as reservas naturais de vegetação e recuperar os recursos hídricos.

O agricultor Geraldo Moreno, 50, dono de três hectares em Espinosa (700 km de BH), já sente as mudanças em sua pequena lavoura de feijão.

“Se der para [alimentar] a família dá para comemorar”, diz ele, que sustenta mulher e quatro filhos com a terra.
“Aqui não chove quase nada e não tenho dinheiro para adubar a terra. O que salva são as cabras, mas estão magras”, diz o mineiro, que recebe verba do Bolsa Família para complementar a renda.

O governo pretende reduzir o espaço destinado ao gado nas áreas de caatinga e restringir atividades prejudiciais ao meio ambiente, como a extração de carvão.

“A população tem de se conscientizar de que, se essas ações não forem tomadas, nada mais poderá ser produzido”, diz Andrade.

Editoria de Arte/Folhapress

Fonte: Raphael Veleda, de Belo Horizonte.


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26 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Parte dos anfíbios do cerrado pode ser extinta até 2050, diz pesquisa

Animais seriam vítimas da mudança do clima e da expansão agrícola.
Estudo confirma existência de 204 espécies de anfíbios; 102 são endêmicas.

Mais da metade das espécies de anfíbios existentes apenas no cerrado brasileiro podem desaparecer devido às mudanças do clima e a políticas erradas de uso da terra. A conclusão é parte do projeto “Diversidade de anfíbios no cerrado e prioridades para sua conservação em cenários futuros de mudanças climáticas”, desenvolvido pela organização ambiental Pequi, com apoio da Fundação Boticário.

O estudo, que durou quatro anos e foi parte de duas teses de doutorado da Universidade Católica de Brasília, simulou o ambiente do cerrado em 2050, com temperatura 2ºC acima do normal, de acordo com previsão do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Tais características foram aliadas aos modelos atuais de políticas públicas, voltadas para a expansão agrícola na região, com dados sobre o desmatamento do bioma.

 

Segundo a pesquisa, espécies de anfíbios como sapos e pererecas existentes na região sul do bioma, área que abrange parte de Goiás, o oeste de Minas Gerais, oeste da Bahia e sul do Tocantins, poderiam desaparecer devido à destruição de seus habitats, que são áreas úmidas da floresta ou próximo de lagos ou cursos de água.

“A ausência de locais adequados para sobrevivência e a elevação da temperatura no cerrado fariam esses animais procurar por outras regiões amenas. A região de floresta mais próxima seria a Mata Atlântica, mas este bioma já praticamente desapareceu devido à expansão humana”, disse Débora Silvano, professora do curso de Ciências Biológicas da Universidade Católica de Brasília e coordenadora do estudo científico. “A falta de ambiente adequado deve impactar na sobrevivência das espécies de anfíbios”, explica.

perereca (Foto: Divulgação/Paula Valdujo)

Exemplar de perereca P. berohoca, que existe apenas no cerrado e pode desaparecer devido aos efeitos da mudança do clima e do mau uso da terra (Foto: Divulgação/Paula Valdujo)

Mapeamento
Segundo Débora, foram mapeados no cerrado 204 espécies de anfíbios, sendo que 102 são endêmicas (existem apenas em determinada localidade). Devido aos problemas ambientais citados, ao menos 50% dos animais que vivem somente no bioma desapareceriam, como a perereca P. berohoca e o sapinho B. sazimai.

A população desses animais já pode ter sido reduzida neste ano devido à alta incidência de queimadas no Centro-Oeste, que desde julho sofre com o longo período de estiagem. “Quando é o período de seca, os anfíbios costumam ficar enterrados em camadas úmidas do solo ou mesmo no interior da floresta. Se o fogo atingiu essas áreas, é provável que esses animais tenham sido atingidos”, complementa a pesquisadora.

Outro inimigo da biodiversidade local é o desmatamento. O cerrado brasileiro teve uma área desmatada de 6.469 quilômetros quadrados entre 2009 e 2010, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente. O número equivale a uma redução de 15,3% em relação à medição anterior (2008-2009), quando o bioma perdeu 7.637 quilômetros quadrados de área.

Em números absolutos, o estado que mais desmatou foi o Maranhão, com uma área de 1.587 km². Percentualmente, o Piauí foi o estado com maior perda de área – 979 km² ou 1,05% da área de cerrado do estado.

Soluções
O estudo conclui que para evitar a mortalidade de espécies, o governo deve criar sistemas de áreas protegidas conectadas, como unidades de conservação com corredores ecológicos, que possibilitaria a migração desses animais entre fragmentos de floresta.

“Isso evitaria a dispersão de espécies. Os anfíbios não conseguem ir muito longe devido à dificuldade de mobilidade. É preciso que o governo realize planejamentos para evitar o desmatamento do bioma, principalmente na porção sul”, afirma Débora.

sapinho (Foto: Divulgação/Paula Valdujo)

Espécime do sapinho B. sazimai, encontrada apenas no bioma que abrange grande parte do Centro-Oeste do Brasil (Foto: Divulgação/Paula Valdujo)

 

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


26 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Falta verba para monitorar desmatamento no cerrado

Prometido há um ano pelo governo, o sistema de detecção do desmatamento no cerrado em tempo real, usando imagens de satélite, ainda não saiu do papel.

Ele seria feito pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), nos mesmos moldes do Deter, que vigia a Amazônia. A previsão era de que estivesse em funcionamento neste ano. “Pergunte se o Inpe recebeu dinheiro”, disse o diretor do instituto, Gilberto Câmara.

A falta de verba também deixou empacada a parceria entre o Inpe e o Ibama para criar um sistema que desse a taxa anual de desmate.

Hoje, ela é medida anualmente por um sistema do Ibama que é bem mais simples que o Prodes (do Inpe, que dá a taxa de desmatamento na Amazônia). O sistema não dá taxas anuais, nem diferencia vegetação secundária de cerrados nativos.

Editoria de arte/folhapress

 

O monitoramento começou somente em 2009. Até então, o governo tinha apenas uma estimativa pontual da destruição do cerrado (15,7 mil km2 ao ano). Com base nessa estimativa foi definida a meta de redução de 40% na derrubada do bioma até 2020.

O que os satélites revelaram, porém, foi um número bem diferente. Os dados de 2010, divulgados por Teixeira, por exemplo, mostram 6.469 km2 desmatados, ou quatro vezes a área da cidade de São Paulo. Isso representa uma queda de 15% em relação a 2009 (7.637 km2). No total, o cerrado já perdeu 48,5% de sua área original.

 

Fonte: Claudio Angelo, Brasília, Folha.com

O desmatamento se concentrou no chamado “Mapito” (Maranhão, Piauí e Tocantins), a nova fronteira do agronegócio do país. Segundo Mauro Pires, coordenador do plano de controle de desmate no cerrado, a queda não significa que a meta já tenha sido cumprida.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que dará dinheiro de sua pasta ao Inpe para criar o monitoramento no ano que vem.


14 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Desmatamento do cerrado tem queda de 15%, aponta ministério

Área desmatada em 2009-2010 foi de 6.469 km²; em 2008-2009, 7.637 km².
Agropecuária, carvão e urbanização foram principais causas, diz ministra.

O cerrado brasileiro teve uma área desmatada de 6.469 quilômetros quadrados entre 2009 e 2010, informou nesta terça-feira (13) a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. O número equivale a uma redução de 15,3% em relação à medição anterior (2008-2009), quando o bioma perdeu 7.637 quilômetros quadrados de área.

Em números absolutos, o estado que mais desmatou foi o Maranhão, com uma área de 1.587 quilômetros quadrados. Percentualmente, o Piauí foi o estado com maior perda de área – 979 quilômetros quadrados, ou 1,05% da área de cerrado do estado.

“Não sabemos ainda por que está diminuindo, nós temos que qualificar essa informação. É importante mostrar que, em alguns estados, o desmatamento está acontecendo em áreas secundárias, áreas que já foram degradadas no passado e que estavam em regeneração”, comentou a ministra.

O cerrado é o segundo maior bioma do Brasil, com uma área de 2.039.386 quilômetros quadrados espalhada em 11 estados e o Distrito Federal.

Desmatamento do cerro tem queda de 15%, aponta Ministério do Meio Ambiente (Foto: Rafaela Céo/G1)

Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixiera, apresenta dados de desmatamento do cerrado (Foto: Rafaela Céo/G1)

Segundo a ministra Izabella Teixeira, a pressão econômica sobre o cerrado continua sendo a principal causa para a degradação do bioma. “Os vetores típicos estão presentes e eles são a agricultura, pecuária, carvão e urbanização. Não podemos esquecer que as cidades crescem e crescem nessas áreas”, afirmou.

Para a ministra a redução no ritmo da devastação se deve a mais sofisticação na fiscalização. “Ela está mais sofisticada por causa dos dados de monitoramento, que permitem um planejamento mais dirigido e, do uso da inteligência. A fiscalização não está só correndo atrás do prejuízo. Ela consegue quebrar a coluna econômica do crime”, indica a ministra.

De janeiro a agosto deste ano o Ibama aplicou 517 autos de infração relacionados à destruição da flora do cerrado. Mais de R$ 142 milhões em multas foram aplicados em 140 municípios.

Queimadas
A ministra Izabella Teixeira informou que 322,8 mil hectares em unidades de conservação federais já queimaram em 2011. Em 2010, um ano muito crítico, segundo a responsável pela pasta do meio ambiente, o fogo alcançou mais de 1,6 milhão de hectares de áreas protegidas.

De acordo com ela, nesta seca, 11 unidades de conservação federais foram atingidas por incêndios. Deste total, a suspeita é de que 6 a 8 situações tenham sido provocadas pelo homem de forma criminosa.

“Se há uma boa notícia sobre as queimadas, é que reduzimos em praticamente um sexto da área queimada em unidades de conservação em comparação com o ano passado”, destaca a ministra.

O caso mais grave de queimada está na Floresta Nacional de Brasília (Flona), que teve 75% de uma de suas quatro áreas destruídas pelo fogo. O fogo na Floresta Nacional de Brasília começou na última quinta-feira (8). Criada há 12 anos, floresta tem 9.351 hectares e é dividida em quatro partes. A principal área é a de número 1, cerca de 4 mil hectares e maior quantidade de remanescentes de fauna e flora do cerrado.

O presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Rômulo Mello, contou que, apesar de não ter sido encontrado artefato usado para provocar o incêndio na Floresta Nacional de Brasília, a ação foi criminosa. “Na Flona, nosso pessoal perseguiu as pessoas após elas colocarem fogo num determinado local.”

Mapa do desmatamento no bioma cerrado - Em vermelho, áreas devastadas até 2010; em rosa, áreas devastadas até 2009; em verde, remanescentes da flora do cerrado; em azul, corpos d'água. (Foto: Divulgação/Ministério do Meio Ambiente)

Mapa do desmatamento no bioma cerrado - Em vermelho, áreas devastadas até 2010; em rosa, áreas devastadas até 2009; em verde, remanescentes da flora do cerrado; em azul, corpos d'água. (Foto: Divulgação/Ministério do Meio Ambiente)

 

Fonte: Rafaela Céo, G1, DF


13 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Conter desmatamento no Cerrado é prioridade do MMA

O desmatamento ilegal na Amazônia mobilizou a máquina governamental durante os últimos sete anos, obtendo resultados que bateram os 47% de redução em 2010. Agora, um dos maiores desafios das autoridades ambientais para os próximos cinco anos é reduzir as crescentes taxas de desmatamento legal no bioma Cerrado, onde é possível derrubar até 80% da cobertura vegetal sem ser incomodado pela fiscalização, tudo de acordo com a legislação vigente.

No Ministério do Meio Ambiente, essa tarefa é vista como prioritária, e depende ao mesmo tempo das negociações do Código Florestal no Congresso, da implementação do Plano de Ação para Prevenção e Controle das Queimadas e Desmatamento no Cerrado, do resultado de arranjos institucionais no setor público e privado para a construção do Macrozoneamento Ecológico-Econômico (MacroZEE) e, principalmente, de mudanças no modelo predatório de uso da terra para atividades agropecuárias.

O Departamento de Florestas (Deflor) da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do MMA negocia com o Congresso a manutenção dos parâmetros de preservação permanente no bioma e a volta da proteção para as veredas, abolida pelo substitutivo aprovado pela Câmara. “A norma geral [Código Florestal] é o único mecanismo legal de preservação do Cerrado, já que ele ainda não é reconhecido como patrimônio natural pela Constituição”, avalia o diretor do Deflor, João de Deus Medeiros.

A liberdade para a supressão das veredas ameaça um dos ecossistemas mais sensíveis do País, com reflexos negativos na fauna, na flora e no ciclo hidrológico. “O Cerrado será o bioma mais afetado caso passem as mudanças propostas”, afirma Medeiros.

A expansão da fronteira agrícola, estimada com base em levantamentos de imagens de satélite pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), projeta uma supressão da vegetação que beira os 4 mil Km2 de Cerrado por ano. Para uma taxa de desmatamento anual em torno de 0,47% do bioma, calculada sobre uma área remanescente de 1,2 milhão de Km2, a previsão do Laboratório de Geoprocessamento da Universidade Federal de Goiás aponta o desmate de 40 mil Km2 por década, a depender do resultado das medidas adotadas. “É claro que são projeções”, salienta o professor Manuel Ferreira.

A produção de commodities, principalmente da soja, deixa na esteira do progresso perdas incalculáveis para a biodiversidade. A Conab prevê para 2011 uma safra de soja para o Centro-Oeste próxima dos 34 milhões de toneladas, em uma área plantada de 11 milhões de hectares, superior à do estado de Pernambuco. O rebano bovino trabalha com uma área de ordem de grandeza parecida. Somente no Centro-Oeste, a estimativa, com base no senso agropecuário do IBGE, se aproxima das 65 milhões de cabeças de gado, com baixa produtividade por hectare ocupado.

“É difícil reverter a lógica do produtivismo”, admite o secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Roberto Vizentin. Ele se refere à rotina dos ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, do Meio Ambiente, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e do Desenvolvimento Agrário na busca de diálogo com o setor produtivo para minimizar os impactos socioambientais das atividades agropastoris. Um sistema secular, que simplifica o uso da terra e privilegia o uso de insumos agroquímicos, desconsiderando os aspectos ecológicos e provocando fortes impactos sobre o meio ambiente.

No caso do Cerrado quase não é possível falar em recomposição da mata nativa como forma de minimizar os danos do desmatamento. A opção é recuperar e reutilizar áreas já impactadas pelas atividade agropastoris para evitar abertura de novas frentes. Por isso, explica Vizentin, o governo vem intensificando as políticas públicas de fomento à produção sustentável, privilegiando a produtividade para evitar o desflorestamento. Os caminhos para isso são, por um lado, buscar cada vez mais a parceria dos próprios agricultores e pecuaristas, pequenos, médios ou grandes, e por outro, criar mecanismos de Zoneamento Ecológico-Econômico, que sinalize com clareza regras sustentáveis para o crescimento econômico. “Estamos iniciando o processo de negociação do Macro ZEE do Cerrado. Vamos ouvir todos os setores na esfera governamental e no setor produtivo”, esclarece Vizentin.

Clima - O secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do MMA, Eduardo Assad, entende que conter o desmatamento no bioma é fundamental para o cumprimento das metas internacionais de redução de 40 % nas emissões, prevista pela lei da Política Nacional sobre Mudanças do Clima. Tecnologia, explica ele, “já existe e foi testada em grande parte no Cerrado”.

Isso faz com que o plantio direto, integração lavoura, pecuária e floresta e tecnologia para recuperação de pastagens, em boa parte fruto das pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), “tenham grandes chances de produzir os efeitos esperados”, segundo ele.

A Conab, segundo o Gerente de Levantamento e Avaliação de Safra, Eledon Oliveira, já identificou, no Centro-Oeste, que boa parte da ampliação de áreas de plantio de soja está em regiões que já foram dominadas por pastos. A expectativa é que a substituição se transforme em tendência, o que irá reduzir cada vez mais a demanda por abertura de novas áreas.

Para 2012, o Governo pretende adotar medidas que consolidem o programa Agricultura de Baixo Carbono. O plano está pronto e aguarda apenas a aprovação do comitê interministerial de mudanças do clima. “O Cerrado é área prioritária para os investimentos”, defende Assad. O ABC é um dos pilares da estratégia de enfrentamento das mudanças climáticas. A tarefa principal dele é fomentar a mudança do modelo produtivo. Uma parceria do MDS, Mapa e MMA, o programa já começou a ser operado pelo Banco do Brasil com recursos próprios e 2 bilhões de reais disponíveis no BNDES. De acordo com o Coordenador de Manejo Sustentável dos Sistemas Produtivos do Mapa, Elvison Ramos, o ABC trabalha com a capacitação de técnicos em vários municípios do Cerrado, e demais biomas, para facilitar o acesso e utilização dos recursos.

Brasil sem miséria – São das parcerias com os vários setores sociais que saem os melhores resultados em termos de preservação, avalia Vizentin, que supervisiona a implementação do Plano de Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade. Em parceria com o MDS, MDA e Companhia Nacional de Abastecimento, o plano vem ganhando fôlego, adotando como base o diálogo direto com os povos e comunidades tradicionais. Sua contribuição para o Programa Brasil sem Miséria, uma das mais importantes metas do atual Governo, atende diretamente às populações tradicionais. Em quatro anos, está conseguindo aliar a preservação e o uso sustentável das riquezas da biodiversidade. A meta é beneficiar cerca de 50 mil famílias, nos seis biomas, melhorando a renda e gerando empregos verdes.

Além de ganhar valor agregado, produtos extrativistas do Cerrado, como o pequi, o babaçu, a mangaba e o baru foram incluídos nas políticas de mercados institucionais e já contam com garantia de preço mínimo e integram tanto o Programa de Aquisição de Alimentos e o da Merenda Escolar. Para participar, o extrativista tem que provar que explora os recursos naturais de forma a assegurar a sustentabilidade. “É difícil acreditar que ainda há pobreza extrema em áreas que se destacam pela riqueza de sua biodiversidade”, constata o gerente de projetos da Diretoria de Extrativismo do MMA, Júlio Pinho.

Para o secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA, Bráulio Dias, é justamente a riqueza dos recursos naturais dos biomas brasileiros que assegura a sobrevivência das populações de baixa renda. “Hoje a maioria retira da biodiversidade apenas o necessário para a subsistência. Temos que fazer com que aumentem sua renda, usando mais recursos naturais e de forma sustentável”, explica. Para impulsionar a participação das comunidades na preservação, o Ministério do Meio Ambiente aguarda a aprovação pelo Congresso de proposta para Pagamento por Serviços Ambientais. Enquanto isso, trabalha para que o Cerrado tenha, já em 2012, o acesso ao Bolsa Verde, incentivos dados às populações com renda inferior a 50 dólares por trimestre e que comprovem sobreviverem de atividades sustentáveis.

O Cerrado entrou na pauta de prioridades por ser, na atualidade, o ecossistema sob maior pressão, com taxas de desmatamento quatro vezes superiores às da Amazônia. Para Bráulio Dias, é preciso acumular maiores conhecimentos sobre o Cerrado para atender às demandas relativas a sua biodiversidade. A Estratégia Nacional do Sistema de Unidades de Conservação para o bioma Cerrado, desenvolvida em parceria com o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade e Ibama, está bastante avançada, informa. O documento, que vai nortear as ações voltadas para áreas protegidas do bioma, traz uma revisão das áreas prioritárias para a biodiversidade do Cerrado que deverá definir o que, onde e como assegurar as metas de preservação do bioma e até expandir o que foi prometido pelo Brasil na Conferência de Biodiversidade em Nagoya. Em 2010 o bioma contava com 7% de seu território protegido, número considerado bom, não fossem as categorias das unidades envolvidas. Grande parte dos cerca de 160 mil hectares sob proteção é constituído por Áreas de Proteção Ambiental (APAs), onde a ocupação humana e as atividades econômicas sofrem poucas restrições em detrimento da biodiversidade.

Mesmo assim, experiências de preservação do Cerrado, com promoção de desenvolvimento sustentável envolvendo manejo de unidades de conservação, vem se multiplicando de forma eficaz. Em 2008, foi criado no norte de Minas Gerais e nordeste da Bahia o Mosaico Peruaçu-Grande Sertão Veredas. Em três anos, a gestão compartilhada entre estados, municípios e o ICMBio, com apoio e participação da população, vem trazendo desenvolvimento econômico, valorização das culturas tradicionais e engajamento na preservação do meio ambiente. Formado por seis parques nacionais em três estados, áreas de preservação ambiental estaduais e três reservas particulares do patrimônio natural, além da área indígena dos Xacriabás, o mosaico fortaleceu as cooperativas de produção de populações tradicionais, o extrativismo e o turismo ecológico. Tudo isso, com o resgate das culturas e tradições locais, elevando renda, gerando empregos, com impactos na identidade cultural e autoestima das populações.

Com uma área de 204 milhões de hectares, equivalente aos territórios de Portugal, Espanha, França, Alemanha e Suécia juntos, o Cerrado já perdeu quase 100 milhões de hectares de sua vegetação nativa. O pior é que essa perda ameaça diretamente o ciclo das águas em três bacias hidrográficas, a do São Francisco, da Amazônia e a do Prata, que abrange as regiões Sul e Sudeste. “O cerrado é um grande desafio, porém os avanços até aqui são consideráveis”, avalia Bráulio Dias. É que o País nunca teve uma política de preservação ambiental voltada para o Cerrado. A preocupação preservacionista dos governos até 2005 era centrada na Amazônia e sobrava para o Centro-Oeste, onde está 68 por cento do Cerrado, apenas políticas para a expansão agropecuária.

Por isso, em 2005 o Governo criou o Programa Cerrado Sustentável, voltado para o desenvolvimento com sustentabilidade da região. Cinco anos depois, em 2010, a iniciativa desembocou no PPCerrado, que tem em sua gênese um amplo debate com vários segmentos da sociedade, governos municipais, estaduais e setor produtivo. Combate ao fogo, educação ambiental rural e práticas alternativas de manejo e conservação do solo e da água são as armas do programa, em fase inicial de implementação. Incorporando a experiência do Programa de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), esforço que vem reduzindo sistematicamente as taxas de desmatamento no bioma amazônico, o plano tem um cronograma de ações que vai até o final de 2012, com investimentos de R$ 400 milhões. 

Fonte: Paulenir Constâncio/ MMA


12 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Queimadas se alastram em Brasília; há suspeita de incêndios criminosos

Incêndio na Floresta Nacional de Brasília já é o maior da história. Destruição atingiu 85% da mata.

Em Brasília, equipes do corpo de bombeiros se revezam para combater as queimadas. Há suspeitas de incêndios criminosos. São muitas áreas ocupadas por lotes irregulares, por isso, o Instituto Chico Mendes, ligado ao Ministério do Meio Ambiente, não descarta a possibilidade de incêndios criminosos. Já são mais de 3,2 mil focos. A seca já dura 94 dias e domingo (11) foi o dia mais quente do ano, com 33°C e umidade em 13%. A previsão mais otimista é que a chuva em Brasília venha no inicio de outubro.

Um fim de semana sem descanso para os bombeiros que combatem as queimadas no Distrito Federal. O Hercules C-130, da Força Aérea, também foi usado na luta contra o fogo. Foram 16 sobrevoos. Em cada um, 12 mil litros de água eram despejados.

Os incêndios começaram na quinta-feira (8). Até agora, as labaredas já queimaram uma área equivalente a 20 mil campos de futebol. Uma das regiões mais atingidas é a Floresta Nacional de Brasília, que teve uma destruição de 85% da mata. Na floresta, a principal preocupação é impedir que as chamas avancem sobre o parque nacional, uma área de preservação ambiental.

“Temos a preocupação com a proximidade com o parque nacional. Se passar para lá, vai ser uma tragédia maior. Estamos concentrando esforços nessas áreas para que isso não aconteça”, afirmou o major Mauro Sérgio de Oliveira, do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal.

De uma sala o Corpo de Bombeiros comanda as ações de combate aos novos focos de incêndio, que surgem a todo o momento. Os focos aparecem na tela como pontos amarelos. O Instituto Chico Mendes, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, vai pedir que a Polícia Federal investigue a origem dessas queimadas. Segundo um boletim do instituto, o fogo que atinge parques e reservas ambientais não é uma fatalidade, seria resultado de ações criminosas.

Uma das suspeitas para o incêndio na Floresta Nacional, conhecida como “Flona”, vem da chefe do local. A floresta seria alvo de grileiros. “É simplesmente desolador ver a situação que a Flona está hoje por causa do incêndio. Nós temos vários grileiros envolvidos, pessoas que anunciam no jornal a venda de lotes na Flona que a gente sabe que têm interesse em bagunçar e em tumultuar nossa situação.”, apontou a chefe da Flona, Miriam Ferreira. De acordo com a chefe da Floresta Nacional de Brasília, esse incêndio foi o maior já registrado. O cerrado de Brasília nunca foi tão castigado.

Fonte: G1.Globo.com


12 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Diretor do Jardim Botânico de Brasília defende medidas para evitar desaparecimento do Cerrado

O fogo que atingiu o Jardim Botânico de Brasília na última semana trouxe motivos mais fortes para celebrar o Dia Nacional do Cerrado, comemorado neste domingo (11). Segundo o diretor do Jardim Botânico, Jeanito Gentilini, é preciso o aprofundamento e o reconhecimento do bioma para que medidas sejam tomadas a fim de evitar o seu desaparecimento.

“As coisas acontecem, causam um impacto e aí a gente tem que dar um passo à frente. Tem que haver aprofundamento dessas questões, porque pega fogo todo ano, que trabalhos são necessários a médio e longo prazo para que a gente tenha uma base real de trabalhar o bioma de forma mais correta, com entendimento da sua importância. Essa reflexão é que fica”, comentou.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o Cerrado, considerado segundo maior bioma brasileiro, perdeu 49% da cobertura original. A área inicial de mais de 2 milhões de quilômetros quadrados (km²) foi reduzida a 1 milhão de km².

Segundo Genitlini, ainda não é possível mensurar o total da área do parque que foi atingida. “Será feito um sobrevoo porque as áreas que não foram queimadas ainda sofrem risco”, disse. O diretor também destacou que é preciso conscientizar a população. “É necessário tratar o entorno da estação ecológica, que está dentro da área urbana, de forma mais cuidadosa. Ter mais cuidado com a questão de colocar fogo sem má intenção, mas que toma grandes proporções e viram uma catástrofe como a que aconteceu”, completou.

Para aumentar a conscientização, a área incendiada será incluída nas visitações. “Vamos incluir na visitação a parte que pegou fogo para as pessoas terem noção do que é e como fica. É um trabalho de formiguinha, mas se criarmos um grupo com a sociedade civil, os parlamentos e o governo a gente consegue”, acrescentou.

O evento também contou com a participação do diretor do Departamento de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João Medeiros, que defende a inclusão do Cerrado como patrimônio nacional, assim como ocorre com a Amazônia e a Mata Atlântica. “Estamos trabalhando pelo reconhecimento do Cerrado como patrimônio nacional”.

Fonte: Luciene Cruz/ Agência Brasil


1 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Genética pode ser aplicada na conservação de árvores do cerrado

Pesquisadores de Goiás conduziram a pesquisa com o baru.
Projeto selecionou genes e criou população com grande diversidade.

O estudo da genética oferece ferramentas para proteger espécies antes mesmo que elas estejam, de fato, ameaçadas de extinção. É o objetivo de uma equipe da Universidade Federal de Goiás (UFG), coordenada por Mariana Telles, professora de genética de populações.

Eles estão preocupados com o futuro do cerrado, segundo maior bioma do Brasil, que só perde em extensão para a Amazônia. A vegetação é predominante no Centro-Oeste, em Minas Gerais, em Tocantins e em algumas partes do Nordeste.

O baru é uma árvore típica da região e sofre com o extrativismo – a semente é consumida como uma iguaria, o que afeta a reprodução da planta. Ela ainda está longe da extinção, mas foi escolhida para um estudo dos especialistas da UFG.

Eles pesquisaram populações de barus ao longo de toda a área do cerrado, observando as características de cada uma delas. Essas características são predeterminadas por variantes genéticas – os alelos. Então, eles decidiram juntar as populações com a maior diversidade possível desses alelos e colocar numa só população as características de toda uma espécie.

“A ideia é usar ferramentas da genética molecular para entender o processo evolutivo, isso é a genética de populações”, explicou a professora. “Só que a genética de populações tem se comunicado com outras áreas, como a ecologia e a agronomia e, nesse sentido, auxiliado não só no entendimento desses processos evolutivos, mas como isso pode ser usado para a conservação”, completou.

Dessa forma, eles escolheram sete populações de barus de diferentes pontos, englobando características diversas e levaram para Goiânia. O número de populações coletadas tem que ser pequeno para que o projeto seja viável.

Política pública
“Se a gente pensar em política pública, por exemplo, os recursos são limitados, não dá para conservar todas [as populações]. A gente precisa de estratégias para minimizar custos sem perder nada em termos de conservação”, reconheceu Telles.

Essa pesquisa em si não traz resultados tão significativos para a preservação da espécie, mas serve de exemplo, mostra que as ferramentas já existem. “A gente (UFG), enquanto instituição, não tem condições de decidir nada, mas a gente tem argumentos para ajudar numa decisão”, disse a professora.

O Centro-Oeste depende economicamente da agropecuária, que, em vários casos, invade as áreas do cerrado e descaracteriza o bioma original. Porém, tratar os fazendeiros como inimigos não é uma opção. “A gente precisa da soja, então é um desafio conseguir equalizar essas duas coisas”, lembrou a pesquisadora.

“Se a gente tiver algum sistema de incentivo para um empresário manter as áreas que preservam um bioma qualquer, acho que é uma moeda de troca interessante para ele, que não tem essa visão romântica de conservação”, sugeriu Telles, pensando nos incentivos fiscais como alternativa para o futuro do cerrado.

“Eu acho que o Ministério do Meio Ambiente, o Ministério da Ciência e Tecnologia [e Inovação] e o Ministério da Agricultura precisam conversar efetivamente e planejar em conjunto”, completou.

Baru é uma árvore típica do cerrado (Foto: UFG)

Baru é uma árvore típica do cerrado (Foto: UFG)

Fonte: Tadeu Meniconi, G1, Águas de Lindoia(SP)


4 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Cerrado pode ser monitorado por satélite mensalmente a partir de 2012

Inpe pode ‘vigiar’ bioma por sistema que mede desmatamento da Amazônia.
Governo afirma que ação está nos planos do Ministério do Meio Ambiente.

O combate ao desmatamento do cerrado pode ser intensificado no próximo ano com a implantação de monitoramento por satélite nos moldes do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que verifica a devastação na Amazônia.

A informação foi divulgada ao Globo Natureza pelo diretor da instituição, Gilberto Câmara. Segundo ele, o Inpe está pronto para começar a monitorar o bioma, o que facilitaria a detecção de crimes ambientais numa área que abrange grande parte da Região Centro-Oeste e parte do Nordeste do Brasil.

“Queremos começar no ano que vem, mas dependemos do orçamento do governo para isso. A estimativa é que o custo para a manutenção deste sistema seja de R$ 4 milhões anuais, a mesma quantidade aplicada atualmente na vigilância do desmatamento na Amazônia”, disse Câmara.

Atualmente, o desmatamento no cerrado é medido anualmente pelo Centro de Sensoriamento Remoto do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) por meio do sistema Prodes. Esta medição é realizada há dois anos, segundo o Ministério do Meio Ambiente.

Deter do cerrado
Se o “Deter do cerrado” for implantado, os dados serão medidos a cada mês, o que proporcionaria o aumento na fiscalização. Hoje, apenas as queimadas e focos de calor que atingem o bioma são medidos em tempo real pelo Inpe.

“O sistema seria um benefício para o Brasil e o valor (orçamento para o sistema) não é nada, se comparado ao retorno”, afirmou o diretor do Inpe.

Com uma área total de 2.039.286 km², em abril o Ministério do Meio Ambiente divulgou que o bioma perdeu 7.637 km² de sua vegetação original entre 2008 e 2009, dados mais recentes disponíveis. A perda equivale a cinco vezes o tamanho do município de São Paulo.

O cerrado sofre regularmente com incêndios criminosos, provocados em grande parte em benefício da atividade agropecuária, e com atividades carvoeiras. No último levantamento, o estado que mais desmatou foi Maranhão (2.338 km²), seguido de Tocantins (1.311 km²) e Bahia (1.000 km²).

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a proposta de monitorar mensalmente o desmatamento no cerrado está dentro do Plano Plurianual, que rege as políticas públicas do governo federal entre 2012 e 2015.

Existem ainda outros dez planos setoriais de combate ao desmatamento e ações em favor das florestas que ainda não têm orçamento definido. O PPA precisa ser enviado ao Congresso até 31 de agosto para ser aprovado pelo Ministério do Planejamento, que dá o aval para a liberação de verbas.

África
A tecnologia de monitoramento desenvolvida pelo Inpe para detectar a devastação da Amazônia foi adotada pela República Democrática do Congo, país africano que é o segundo no mundo com maior cobertura de florestas tropicais (atrás apenas do Brasil).

O sistema operacional do Congo será lançado durante a COP 17, encontro da Organização das Nações Unidas que debate ações para conter as mudanças do clima e que ocorrerá em novembro, na África do Sul.

De acordo com Cláudio Almeida, chefe do Centro Regional da Amazônia, unidade do Inpe localizada no Pará, o país africano foi o primeiro a adotar o sistema operacional. “Estamos capacitando técnicos de várias partes do mundo e estão previstos mais cursos para a Bacia do Congo, além da América Latina e Ásia”, disse o pesquisador.

Plantação no cerrado, em Goiás (Foto: Marcelo Nunes)

Plantação no cerrado, em Goiás (Foto: Marcelo Nunes)

Fonte: Eduardo Carvalho, do Globo Natureza, em São Paulo


26 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Investigação detecta uso de carvão ilegal em 36 siderúrgicas de MG e BA

Cadeia de exploração irregular destruía o cerrado e a caatinga, diz Ibama.
Devastação nos biomas causou a perda de 190 km² de floresta.

Balanço de operação para desmontar a cadeia ilegal de produção de carvão para a indústria siderúrgica totaliza 39 pessoas detidas por crimes fiscais e ambientais, além de R$ 84,2 milhões de multas aplicadas, além da apreensão de ferro-gusa (material utilizado para fabricação do aço) em duas siderúrgicas.

Segundo as autoridades, empresas da Bahia e de Minas Gerais exploravam carvão no cerrado e na caatinga.

A investigação, iniciada há um ano, foi executada pelo Ministério Público da Bahia e de Minas Gerais, em parceria com as Polícias Civil e Rodoviária Federal, além do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama).  Ao menos 257 empresas foram inspecionadas e houve a detecção de 36 siderúrgicas que utilizaram material ilegal.

Segundo o Ibama, houve a devastação de 19 mil hectares de floresta nos dois biomas (190 km²), uma área que é quase cinco vezes o tamanho do Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro. A mata nativa derrubada estava no norte de Minas Gerais e no oeste da Bahia. A madeira era utilizada na produção de carvão, vendido a siderúrgicas para ser transformado em ferro-gusa, material empregado na fabricação do aço.

Descoberta
Luciano de Menezes Evaristo, diretor de Proteção Ambiental do Ibama, afirma que a fraude foi descoberta depois de uma análise na falsa operação logística montada para o fornecimento de material. A partir dos dados encontrados no sistema de Documento de Origem Florestal (DOF), foi descoberto um esquema de produção de carvão em Goiás, Mato Grosso e Pará, que depois era transportado para a Bahia e, a partir de lá, distribuído para cidades mineiras.

“Só que essa movimentação logística é inviável. Nos perguntamos o porquê de atravessadores, que eram empresas de fachada instaladas na Bahia, na venda de carvão. O fato chamou a atenção e acabou provocando a operação”, complementa Evaristo.

De acordo com o Ministério Público da Bahia, entre os crimes registrados estão a utilização de fornos ilegais para produção de carvão e o uso de documentação irregular.

Das prisões, 17 foram feitas em cidades mineiras, como a dos dois empresários de duas siderúrgicas detidos na última sexta-feira. Outras 22 detenções ocorreram na Bahia, como a dos sete funcionários da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, suspeitos de serem os responsáveis por fraudar os créditos nos sistemas federal e estadual.

“Isso significa que o polo siderúrgico brasileiro não pode continuar vivendo da exploração de matas nativas da caatinga e do cerrado, biomas considerados frágeis”, afirmou Evaristo. Na próxima quarta-feira, carvoarias devem ser destruídasna Bahia e também no norte de Goiás, dando continuidade à operação.

Carvoaria que funcionava de maneira ilegal em Mato Grosso e que foi fechada durante a operação Corcel Negro (Foto: Divulgação/Ibama)

Carvoaria que funcionava de maneira ilegal em Mato Grosso e que foi fechada durante a operação 'Corcel Negro 2' (Foto: Divulgação/Ibama)

Fonte: Do Globo Natureza, São Paulo


10 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Norte de MG pode virar deserto dentro de 20 anos

Um terço do território de Minas Gerais pode virar “deserto” em 20 anos. A conclusão é de um estudo encomendado pelo Ministério do Meio Ambiente ao governo mineiro e concluído em março.

O desmatamento, a monocultura e a pecuária intensiva, somados a condições climáticas adversas, empobreceram o solo de 142 municípios do Estado.

Se nada for feito para reverter o processo, de acordo com o estudo, essas terras não terão mais uso econômico ou social, o que vai afetar 20% da população mineira.

Isso obrigaria 2,2 milhões de pessoas a deixar a região norte do Estado e os vales do Mucuri e do Jequitinhonha.
“A terra perde os nutrientes e fica estéril, não serve para a agricultura nem consegue sustentar a vegetação nativa”, afirma Rubio de Andrade, presidente do Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas, responsável pelo estudo. A região engloba cerrado, caatinga e mata atlântica.

Segundo o governo do Estado, é preciso investir R$ 1,3 bilhão nas próximas décadas para frear o processo, que já causa danos no semiárido mineiro. Lá estão 88 das 142 cidades consideradas suscetíveis à desertificação.

Vladia Oliveira, professora do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará, disse que áreas desertificadas são diferentes de desertos naturais porque passam por um acentuado declínio de biodiversidade até se tornarem estéreis.

“Já os desertos são ecossistemas com sustentabilidade, ainda que com baixa diversidade. Eles estão vivos.”

PROGRAMA NACIONAL

O estudo foi encomendado para o Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação, que terá R$ 6 milhões neste ano para combater a desertificação no país.

Andrade diz que, para reduzir o fenômeno, é preciso aumentar as reservas naturais de vegetação e recuperar os recursos hídricos.

O agricultor Geraldo Moreno, 50, dono de três hectares em Espinosa (700 km de BH), já sente as mudanças em sua pequena lavoura de feijão.

“Se der para [alimentar] a família dá para comemorar”, diz ele, que sustenta mulher e quatro filhos com a terra.
“Aqui não chove quase nada e não tenho dinheiro para adubar a terra. O que salva são as cabras, mas estão magras”, diz o mineiro, que recebe verba do Bolsa Família para complementar a renda.

O governo pretende reduzir o espaço destinado ao gado nas áreas de caatinga e restringir atividades prejudiciais ao meio ambiente, como a extração de carvão.

“A população tem de se conscientizar de que, se essas ações não forem tomadas, nada mais poderá ser produzido”, diz Andrade.

Editoria de Arte/Folhapress

Fonte: Raphael Veleda, de Belo Horizonte.


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