9 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Avanço do Cerrado é tema de discussão na Reunião Regional da SBPC

Apesar do crescimento econômico do Cerrado nas últimas décadas, a sustentabilidade do bioma ainda é um ponto de interrogação para especialistas e acadêmicos que participaram ontem (5) de mesa-redonda em Catalão (GO).

Participaram do debate o professor de geografia Marcelo Mendonça da UFG, José Felipe Ribeiro, pesquisador da Embrapa Cerrado; e Marcelo Lessa, biólogo e perito judicial ambiental da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg).

 

Em uma tentativa de auxiliar o produtor rural a praticar ações de sustentabilidade em suas propriedades rurais, Ribeiro informou que a Embrapa elabora um banco de dados eletrônico para orientar o setor a implementar tecnologias sustentáveis no campo.

 

Segundo ele, há uma forte demanda rural por informações e poucos pesquisadores disponíveis para fornecer dados que atendam a interesses de agricultores. Existem 5,2 milhões de propriedades rurais diante de um contingente de 5 mil pesquisadores distribuídos pelo Brasil.

 

Ao apresentar dados sobre o Cerrado, Ribeiro afirmou que a maioria dos municípios apresenta baixos índices de qualidade de vida e 2,4 milhões de “cerradeiros” (9,4% do total) ainda vivem abaixo da linha de pobreza, apesar de ser uma região rica em recursos naturais e exportadora de grãos. Além disso, a degradação do bioma ainda é elevada.

 

Divergência – Para o professor Mendonça, o crescimento econômico do Cerrado “tem se dado a qualquer preço”, sem preocupações com o meio-ambiente.

 

“A situação na região é preocupante, o Cerrado é visto como um Eldorado financeiro. Há muito discurso de preservação do bioma, mas isso não se confirma”, disse. Segundo ele, apenas 4% das áreas do bioma são preservadas, ao contrário do percentual apresentado pelo representante da Faeg, de 5,1% do total.

 

Lessa mostrou que o crescimento da agricultura na região foi puxado pela implementação de tecnologias que alavancaram a produtividade de grãos. Ele criticou o fato de o Código Florestal não abordar a zona urbana que, segundo ele, “contribui muito” para a poluição ambiental.

 

Ribeiro reconhece o conflito existente entre ruralistas e ambientalistas. Nesse caso, disse que o governo “tem de sentar” com as duas lideranças para buscar consenso. “Temos de buscar entendimento, porque a espécie humana vive no mesmo lugar (no planeta Terra)”.

Fonte: Viviane Monteiro – Jornal da Ciência


5 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Dilma e a questão socioambiental no Brasil

Artigo do pesquisador Fabio de Castro publicado no site Radio Netherlands Worldwide e reproduzido por Pressenza International Press Agency.

Enquanto as opiniões se divergem a respeito do balanço do governo Lula no setor econômico, político e social, existe um consenso de que questões socioambientais têm perdido espaço nos últimos anos. A polarização entre políticas de desenvolvimento e de conservação que culminou na resignação da Ministra do Meio Ambiente revelou o isolamento das políticas ambientais.

 

O novo governo tem pela frente o desafio de criar propostas concretas para reparar a política socioambiental do governo anterior, marcada por severas contradições.

 

As diversas realizações durante o governo Lula na área socioembiental se revelam contraditórias quando contextualizadas dentro do programa nacional de outros setores. Em relação à política territorial, por exemplo, houve um aumento significativo de áreas protegidas, crescente inclusão de populações locais, e início do processo de regularização fundiária na Amazônia.

 

Estes feitos, porém, se contradizem com a aprovação da alteração do código florestal para subsidiar a expansão do agronegócio, o descaso às populações locais em áreas de conflito ambiental, o isolamento do Ministério do Meio Ambiente e sociedade civil no licenciamento ambiental de grandes projetos, e o desinteresse político em outros biomas relevantes como o cerrado e o pantanal.

 

Em relação à política energética, o governo anuncia com orgulho o aumento de energia de fonte renovável tais como hidroelétrica e agrocombustível, sua liderança internacional na produção de etanol, e a criação do selo social para inclusão do pequeno produtor na produção do biodiesel.

 

Esta política, porém, se contradiz com o impacto socioambiental decorrente da produção destas fontes energéticas, seja na construção de grandes hidrelétricas, na expansão desordenada da cana-de-açúcar, ou do domínio da soja na produção do biodiesel.

 

Na política climática, o governo brasileiro tem assumido uma posição de líder nas negociações internacionais, com metas claras de adaptação e mitigação, mecanismos de compensação para diminuição de emissão de carbono e manutenção de florestas, e resultados concretos de diminuição do desmatamento na Amazônia nos últimos anos.

 

Porém, a possibilidade de alteração do código florestal para viabilizar mais desmatamento, o processo de licenciamento ambiental sem transparência para viabilizar grandes projetos de alto impacto socioambiental e o elevado investimento para a exploração das novas reservas de petróleo favorece apenas o aumento de emissão de carbono através de desmatamento e consumo crescente de combustível fóssil.

 

Política Socioambiental Integrada às realizações do governo Lula na área socioambiental são positivas somente se analisadas de forma isolada. Quando se considera as conexões com políticas econômicas e sociais, tais feitos se revelam altamente problemáticos.

 

O aumento de áreas protegidas ironicamente legitima a expansão do agronegócio e de grandes projetos que direta ou indiretamente afeta a sua integridade socioambiental. Da mesma forma, o aumento de produção de energia renovável viabiliza a imagem de um estado verde, ocultando os custos socioambientais na produção destas fontes energéticas. Finalmente, o foco da política climática na conservação da Amazônia legitima o uso insustentável de outras áreas de relevância socioambiental como o cerrado e o pantanal, que sofrem forte pressão da expansão do agronegócio.

 

A política ambiental do Brasil, portanto, não pode continuar isolada de outras políticas do governo, uma vez que estão diretamente ligadas a questões sociais, econômicas e políticas. Recursos naturais ocupam uma importância singular na economia nacional, o crescimento econômico gera um aumento de consumo energético e a população está cada vez mais vulnerável a desastres ambientais, como a recente tragédia no Estado do Rio de Janeiro.

 

Mais do que o simples emprego do termo “ambiente” nos discursos de Dilma Rousseff, precisamos de um compromisso concreto de integração da questão socioambiental na política nacional para os próximos anos.

 

Fonte: Fábio de Castro, pesquisador do Centro de Estudos e Documentação Latino-Americanos (Cedla) em Amsterdã.


3 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Fundo de conversão da dívida brasileira para proteção ambiental

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, abriu, nesta segunda-feira (2), em Brasília, a primeira reunião do Comitê da Conta para a Conservação de Florestas Tropicais (TFCA, sigla em inglês). O comitê vai definir os critérios e analisar os projetos que serão beneficiados com o fundo de cerca de US$ 20 milhões oriundos da conversão de dívida brasileira com o governo dos Estados Unidos em proteção ambiental para a Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga.

Para a ministra, o TFCA pode ajudar a aprimorar a gestão de recursos naturais com a participação da ciência. Treinamentos para aumentar as capacidades científicas, técnicas e gerenciais de pessoas e organizações envolvidos com a conservação da biodiversidade é uma das linhas de financiamento da conta.

A ministra defendeu projetos para melhorar a qualidade de vida de quem vive na floresta e promover o uso sustentável. “É preciso de novos projetos que agreguem essas famílias”, disse. De acordo com a ministra, a população que vive na floresta precisa de políticas de acesso mais rápido ao crédito, acesso a energias, por exemplo, para melhorar a qualidade de vida.

O comitê é composto por nove assentos, cabendo três ao Governo Brasileiro, cinco a ONGs brasileiras e um para a Agência Norte Americana de Desenvolvimento Internacional. A próxima reunião acontecerá em junho.

Recursos oferecidos por meio do TFCA vêm dando apoio a iniciativas como conservação de áreas protegidas, manejo de recursos naturais e apoio ao desenvolvimento de atividades sustentáveis de subsistência para comunidades silvestres no mundo.

Para atingir o objetivo do TFCA no Brasil, que é de conservar, preservar e recuperar florestas na Mata Atlântica, na Caatinga e no Cerrado, o comitê deverá aprovar projetos inovadores, que tenham o foco na conservação da floresta, resultados de grande escala e que possam ser alavancados para outros lugares. “Esses instrumentos são essenciais para a política brasileira de conservação da biodiversidade”, finalizou a ministra.

Fonte: Carlos Américo/MMA


19 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Cultivo de cana-de-açúcar diminui as temperaturas locais

Uma pesquisa publicada pela “Nature Climate Change” mostra como a cana-de-açúcar atua na redução das temperaturas no âmbito local. Comparada com outras culturas, ela reflete mais a luz do sol e a água que ela “exala” é mais fria.

Segundo a avaliação dos cientistas, quando a vegetação original foi substituída por plantações e pastagens, a temperatura subiu em média 1,55 °C. Contudo, quando estes foram substituídos pela cana-de-açúcar, a temperatura caiu em 0,93°C, em média. As medições foram feitas na Região Centro-Oeste do Brasil, onde a vegetação nativa predominante é o cerrado.

“O ponto-chave da pesquisa é que, até hoje, na maioria das vezes em que pensamos nos impactos da mudança climática feita pelo homem, falamos em emissão de carbono, mas há também o impacto direto, que é muito local”, explicou ao G1 o autor Scott Loarie, do Instituto Carnegie, dos EUA. Apesar de os dados terem sido coletados no Brasil, nenhum cientista brasileiro está entre os responsáveis pelo estudo.

Dentre os efeitos locais, o que mais influencia é o que os cientistas chamam de albedo, que é, grosso modo, a maneira como a luz do sul é refletida.

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“Se você cortar todos as árvores da zona boreal – Canadá e Sibéria –, você emite uma grande quantidade de carbono e espera aquecer a Terra. Mas, ao mesmo tempo, as árvores são muito escuras e absorvem muita luz do sol, e isso se tornaria um campo nevado que refletiria a luz. O albedo é mais forte, então você estaria, na verdade, resfriando a Terra”, exemplificou o cientista.

Para Loarie, as discussões sobre mudanças climáticas deveriam levar mais em conta os aspectos globais. “Eu acho que há um argumento forte de que muitas pessoas estão mais preocupadas com como será o clima onde elas moram que com a temperatura média global, que é um conceito abstrato”, argumentou.

Fonte: Tadeu Meniconi/ G1


7 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Cerrado perde em um ano área maior que cidade de SP e DF juntos

Abrangendo a maior parte de Região Centro-Oeste e parte do Nordeste no Brasil, o Cerrado perdeu 7.637 km² de sua vegetação original entre 2008 e 2009, dados mais recentes disponíveis, detectados pelo Centro de Sensoriamento Remoto do Ibama. As informações foram anunciadas nesta quarta-feira (6) pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, em Brasília (DF), que também comentou os novos dados de desmatamento na Amazônia, de janeiro e fevereiro, levantados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O desmatamento no Cerrado equivale a uma área maior que a soma do tamanho do Distrito Federal, que tem 5.802 km², com o município de São Paulo, que tem 1.523 km². A área total do Cerrado é de 2.039.386 km².

Se consideradas as taxas médias anuais de desmatamento no Cerrado em anos anteriores, a devastação do bioma entre 2008 e 2009 caiu pela metade. Os dados mais antigos disponíveis, de 1994 a 2002, mostram derrubada média de 15.700 km² no bioma. Entre 2002 e 2008, a taxa média foi reduzida para 14.179 km², caindo para 7.637 km² entre 2008 e 2009.

O estado que mais desmatou o bioma no período foi o Maranhão, com 2.338 km² de área derrubada, seguido do Tocantins (1.311 km²), Bahia (1.000 km²), Mato Grosso (833 km²), Piauí (701 km²), Goiás (664 km²), Minas Gerais (534 km²), Mato Grosso do Sul (241 km²), São Paulo (7,5 km²) e, por último, Paraná, Distrito Federal e Rondônia, cada um com cerca de 1 km².

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Os três municípios que mais desmataram foram Formosa do Rio Preto (BA), com 197,17 km²), Baixa Grande do Ribeiro(PI – 168 km²) e Jaborandi (BA – 131 km²).

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, também destacou o norte de Minas Gerais. “É uma das áreas mais sensíveis”, disse ela. “Pedi que tudo que fundamenta estudos de conservação seja publicado”.

Durante o evento em Brasília, também foram lançadas publicações que atualizam o mapeamento do uso do solo e da cobertura vegetal do bioma, além de estudos sobre a criação de reservas extrativistas na Barra do Pacuí e Buritizeiro, em Minas, e de planos de ação sobre prevenção e controle de queimadas e efeitos do fogo sobre comunidades no Cerrado.

Fonte: G1


17 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Sustentabilidade no Cerrado de Guimarães Rosa

Uma das regiões mais belas e ricas em biodiversidade do Cerrado, entre o norte de Minas Gerais e sudeste da Bahia, o Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu vai receber investimentos de R$ 2,6 milhões para a geração de renda com sustentabilidade. Serão beneficiadas 23 comunidades tradicionais com projetos de extrativismo vegetal e turismo ecocultural em 11 municípios no médio São Francisco. Os recursos são do Fundo Socioambiental da Caixa para o incentivo à atividade econômica sustentável e à redução do desmatamento no bioma.

Termina nesta sexta-feira (18) o prazo para a chamada de dois projetos de execução do Plano de Desenvolvimento Territorial de Base Conservacionista, pronto desde o ano passado e aprovado pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente. A meta é agregar valor e ampliar o mercado de nove culturas vegetais extrativistas locais e financiar a construção de pousadas comunitárias para o desenvolvimento do turismo sustentável e cultural na região.

A inovação no processo é que as instituições selecionadas vão executar um plano que já está pronto e traz um diagnóstico completo da situação socioambiental na região. Ele foi elaborado pela Fundação Pró-Natureza (Funatura), uma das ONGs representantes da região Centro-Oeste no Conselho Nacional do Meio Ambiente e com atuação no Parque Nacional Grande-Sertão Veredas desde a criação dessa unidade de conservação.

O primeiro, orçado em R$ 1,1 milhão, é destinado ao extrativismo e para participar da chamada a instituição precisa demonstrar que tem laços, atuação e integrantes das comunidades a serem beneficiadas. Os recursos serão aplicados nas culturas de frutas tradicionais como a caigaita, o umbu, o araticum e buriti e no beneficiamento da cultura da favela, que produz um fruto utilizado para a fabricação de medicamentos.

“Antes da organização das comunidades em cooperativas, o quilo da fava d´anta, espécie de legume extraído da favela, valia pouco mais de R$ 0,30 centavos, agora chega a R$1,20?, explica o técnico especialista do MMA, Fernando Lima. Para ele, projetos como esse são de fundamental importância na preservação ambiental do Cerrado. Desde meados do século 20, com a expansão da fronteira agrícola para produção da monocultora de soja, o bioma já contabiliza uma perda de 47% de sua cobertura vegetal nativa.

No setor de turismo ecocultural, R$ 1,5 milhão serão destinados ao incentivo a atividades turísticas, aproveitando a riqueza cultural do norte mineiro, seus cantadores, suas danças, como foco de atração turística. O mosaico, uma região de 15 mil Km2, ficou conhecida por ser palco da saga do romance Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa. Os caminhos percorridos pelos personagens do livro cortam o Parque Nacional com o mesmo nome, criado em 2005 para contribuir com a preservação do Cerrado.

Na região de Pandeiros é onde está situado o “pantanal mineiro”, um berçário natural que abastece a Bacia do São Francisco em quantidade e número de espécies de peixes. O Parque Nacional e seu entorno só agora começam a receber infraestrutura para o turismo.

As organizações interessadas em participar da chamada deverão enviar suas propostas até sexta-feira (18) e apresentá-las conforme o Programa de Elaboração de Projetos do FNMA – Façaprojeto, disponível na página www.mma.gov.br/fnma.

Fonte: Paulenir Constâncio/MMA


12 de janeiro de 2011 | nenhum comentário »

Pesquisa avalia potencial de planta como alternativa para recomposição do Cerrado

Uma pesquisa, realizada pelo engenheiro agrônomo Manoel Ferreira de Souza, sugere o plantio de Dimorphandra mollis Benth, conhecida popularmente por fava-d’anta, para a regeneração de áreas degradadas de Cerrado.

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O estudo deu origem a dissertação defendida no programa de mestrado em Ciências Agrárias do Instituto de Ciências Agrárias, ICA, da Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG.

As pesquisas foram realizadas em uma região de cerrado em regeneração, na comunidade de Olhos d´Água, no município de Montes Claros, MG, onde a população local extrai o fruto da planta, como alternativa de renda.

No estudo, foi avaliada a sobrevivência e o crescimento da planta em semeadura direta e não em casas de vegetação, como acontece normalmente. Foi utilizado esterco bovino e fosfato natural como adubo.

“Apesar de ser uma planta do cerrado, acostumada a solos pobres, a fava-d´anta mostrou bom desenvolvimento com a adubação”, explicou o pesquisador. De acordo com ele, o objetivo é devolver esses resultados à comunidade e mostrar que a fava d´anta semeada diretamente no campo com adubação é boa alternativa para a recuperação de áreas degradadas de cerrado. “A domesticação da espécie seria uma alternativa para a sua utilização sustentável”, completou.
*Com informações da UFMG.

Fonte: Danielle Jordan / Ambientebrasil


2 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Mata Atlântica registra menor taxa de desmatamento entre os biomas brasileiros

02/12/2010

Entre 2002 e 2008, o índice de desmate na Mata Atlântica foi de 0,25 %, o equivalente a 2.742 km2. A taxa anual média chega a 457 km2 (0,04%). Os dados foram anunciados nesta quarta-feira (1º), pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, em cerimônia realizada no Palácio do Planalto com o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

“Hoje entregamos informações importantes para o planejamento de ações estratégicas de fiscalização e combate ao desmatamento, e com isso teremos condição de mudar o patamar de políticas públicas no Brasil, por meio de dados sólidos informados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Queremos compatibilizar os usos e recursos naturais com o desenvolvimento sustentável do País”, afirmou a ministra Izabella.

Ela explica que com os dados deste projeto de monitoramento será possível, por exemplo, identificar áreas degradadas que podem ser reaproveitadas e avançar na busca de uma economia de baixo carbono e na implementação de infraestrutura sem provocar a perda da biodiversidade.

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O crescimento de áreas desmatadas, de 2002 a 2008, na região não foi muito significativo, oscilando de 75,62% para 75,88%, respectivamente, mas a Mata Atlântica é o bioma mais ameaçado do País, e conta apenas com 27% de sua cobertura vegetal original. Segundo dados da SOS Mata Atlântica, somente cerca de 8% de seus remanescentes permanecem bem preservados. O fato é preocupante porque o abastecimento de água para 123 milhões de brasileiros – além de outros serviços ambientais como regulação do clima, temperatura do solo e proteção de encostas- depende da manutenção e preservação deste bioma.

O estado brasileiro onde houve a maior área devastada – 909 km2- foi Minas Gerais, seguido do Paraná (545 km2), Bahia (462 km2) e Santa Catarina (329 km2). Proporcionalmente, a maior taxa de perda foi em Sergipe, que desmatou 50% dos 10.531 km2 de sua área de Mata Atlântica remanescente, contra os 241.713 km2 presentes em Minas Gerais.

Os municípios que mais desmataram foram Encruzilhada (BA), Jequitinhonha (MG), Rio Vermelho (MG), São Francisco de Paula (RS) e Mafra (SC). Os dados do Inpe revelam também que, no mesmo período, o desmatamento foi maior nos biomas Cerrado(0,69%) e Pantanal(0,47%).

Segundo a ministra, as informações sobre o desmatamento nos biomas referentes ao período 2008 a 2009 devem ser lançadas no primeiro semestre de 2011.

Monitoramento – Para controlar o desmatamento e a perda da biodiversidade em todo o País, está sendo executado o Projeto de Monitoramento dos Desmatamentos dos Biomas Brasileiros por Satélite, que tem o objetivo de quantificar os desmates de áreas com vegetação nativa e embasar ações de fiscalização, controle e combate a desmatamentos ilegais nos biomas extra-amazônicos (Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal).

A iniciativa está sendo executada desde 2008 pelo Centro de Sensoriamento Remoto do Ibama, e funciona de forma semelhante ao Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes).

O projeto de monitoramento utiliza como referência os Mapas de Cobertura Vegetal dos Biomas Brasileiros, em escala (1:250.000), produzidos pelo Probio/MMA em 2007. As áreas com vegetação nativas estão sendo atualizadas por meio da interpretação de imagens dos satélites CBERS e Landsat, obtidas em 2008, que apresentam elevada resolução espacial, porém baixa resolução temporal.

Os primeiros dados divulgados foram do bioma Cerrado, em setembro de 2009, referentes aos desmatamentos do período 2002-2008. Neste ano, foram lançados os dados da Caatinga, Pantanal e Pampa. As informações sobre o total de área desmatada, monitorada em cada bioma brasileiro, permitem ainda fornecer dados relacionados às emissões de gases de efeito estufa.

(Fonte: Carine Corrêa/ MMA)


16 de novembro de 2010 | nenhum comentário »

Cerrado vai ganhar corredor ecológico de 20 quilômetros

Área será ligação entre o parque nacional da Chapada dos Veadeiros e reserva na Serra do Tombador

O cerrado -segundo bioma mais ameaçado do Brasil, atrás apenas da mata atlântica- ganhará um corredor ecológico ligando dois de seus principais polos de conservação: o parque nacional da Chapada dos Veadeiros e a reserva particular da Serra do Tombador, em Goiás.

Com cerca de 20 quilômetros de extensão em linha reta, o corredor permitirá que os animais da região circulem com facilidade entre as duas áreas de preservação.

Além de facilitar o tráfego das espécies, o corredor irá permitir a fuga dos animais para ambientes seguros em caso de incêndios.

Atualmente, há vários pontos de desmatamento no caminho entre essas duas reservas, o que dificulta a circulação e deixa os bichos mais vulneráveis à caça e a outras ameaças.

Pelo atual Código Florestal, os terrenos particulares do cerrado precisam manter 20% de sua área preservada: a chamada reserva legal.

Idealizadora do projeto, a Fundação Boticário de Proteção à Natureza -que administra a reserva da Serra do Tombador- pretende criar o corredor usando as áreas de reserva legal das propriedades que ficam no caminho.

Apesar da norma, é comum que os proprietários desmatem além do limite permitido, devido à falta de fiscalização e repressão.

“Para criar o corredor e ajudar o ecossistema, não é preciso grandes invenções. Basta fazer com que os fazendeiros preservem o que a lei determina”, afirma a engenheira florestal e ex-professora da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) Maísa Guapyassú.

“Já que o governo não dá conta de tantas as demandas, é fundamental que a iniciativa privada colabore”, disse Guapyassú, que é analista de projetos da fundação.

No projeto do corredor, o georreferenciamento, parte mais cara da iniciativa, será financiada pela fundação e ONGs (organizações não governamentais) parceiras.

O alto custo desse levantamento -que mapeia detalhadamente o terreno e identifica com coordenadas de GPS os principais “pontos de interesse”, como estradas e nascentes de rio- é apontado como o principal entrave aos projetos de conservação.

Embora as negociações para a implantação do corredor estejam adiantadas, os coordenadores do projeto alertam que uma eventual mudança no Código Florestal -que já está sendo discutida no Congresso- pode dificultar sua implementação.

“Todos os estudos para o corredor foram baseados na legislação atual. Se o percentual de reserva legal for reduzido, como em alguns casos prevê o novo código, teremos problemas”, afirma a pesquisadora da fundação.

Queimadas são a maior ameaça à preservação

O fogo e as queimadas naturais -causadas pela queda de raios- fazem parte da dinâmica do cerrado e até contribuem para o desenvolvimento de algumas espécies adaptadas a essas condições.

Já os incêndios provocados pelo homem, principalmente para a preparação de lavoura e para a mineração, são muito mais intensos e, consequentemente, mais perigosos.

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“O fogo natural tem temperatura menor e normalmente só atinge a parte baixa das plantas. O incêndio provocado é muito mais quente e tem labaredas altas, dificultando a proteção das plantas”, diz a engenheira florestal Maísa Guapyassú.

Segundo ela, minas clandestinas de manganês são um dos maiores focos de incêndio nos arredores da serra do Tombador.

“Os garimpeiros colocam fogo para enxergar melhor os veios do metal. Não raro, essas queimadas saem de controle”, diz.

Em setembro, um incêndio atingiu mais de 50% do parque nacional da Chapada dos Veadeiros.

Um mês antes, o parque nacional das Emas, também em Goiás, teve seu pior incêndio e perdeu 90% da cobertura vegetal em dois dias.

Bioma tem mais de 150 reservas particulares

Com 8.900 hectares, a reserva da serra do Tombador, localizada no interior de Goiás, é a maior RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) do Estado e quarta maior do Cerrado.

Esse tipo de reserva,que é criada voluntariamente pelo proprietário do terreno, foi regulamentada em 1990.

Uma vez criada, a reserva só pode ter projetos ligados à pesquisa científica, turismo e algumas poucas atividades de baixo impacto ambiental.

Embora sejam relativamente comuns no cerrado- existiam, até janeiro de 2009, 152 reservas privadas, protegendo 121 mil hectares- as RPPN são pouco conhecidas do grande público.

A inclusão na categoria não anula o direito de propriedade, mas obriga o fazendeiro a cumprir obrigações, como a criação de um plano de manejo.

Como contrapartida, não paga o ITBR (imposto territorial rural), além de ter prioridade na análise de projetos encaminhados ao Fundo Nacional de Meio Ambiente.

“No papel, esses incentivos parecem muito bons. Na prática, ainda são insuficientes. Os custos de manutenção são bastante elevados, e o incentivos econômicos, baixos”, diz Maísa Gapyassú, da Fundação Boticário, que mantém a reserva.

Declarada RPPN em 2009, a reserva do Tombador é mantida como se fosse um parque nacional.

Estudos preliminares na reserva já identificaram 435 espécies de plantas, algumas ameaçadas, como a peroba-rosa e o angico-verde.

A quantidade de animais registrados também é expressiva: 47% dos mamíferos de médio e grande porte do cerrado são encontrados lá. Quase a metade deles está classificada como ameaçada de extinção.

“Nosso cerrado é a savana mais rica em biodiversidade do mundo. Por isso, as reservas privadas têm um grande papel na conservação”, diz Guapyassú.

(Giuliana Miranda – Folha de SP, 14/11)


25 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Expansão agrícola causa degradação ambiental do Cerrado

Erosão do solo em fazenda de cultivo de soja na região de Goiatuba, estado de GoiásEstudo do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP em Piracicaba, revela que o avanço da agricultura para o Cerrado está causando transformações radicais na paisagem natural do bioma, devido à retirada quase total de sua vegetação nativa. Este processo gera a perda da cobertura natural do solo, o que é a principal causa da erosão e compactação do mesmo e da contaminação dos rios deste bioma.

A tese de doutorado desenvolvida pelo pesquisador Robson Clayton Jacques Arthur, do CENA, orientada pelo professor Osny Oliveira Santos Bacchi, avalia como os diferentes sistemas de manejo de solo aplicados pelos agricultores, na região dos municípios de Goiatuba e Jandaia, ambos no estado de Goiás, contribuem para estes processos de degradação.

Segundo o pesquisador, foram estudados três tipos de uso e manejo do solo no Cerrado: o Sistema de pastagens — voltado para a agropecuária —, o Sistema de Plantio Convencional (SPC) — em que o arado ou equipamentos agrícolas revolvem a terra antes do processo de semeadura — e o Sistema de Plantio Direto (SPD) — que procura manter a cobertura natural do solo ou deixar sobre ele os restos vegetais da safra anterior, mantendo níveis de umidade e de nutrientes e minimizando os efeitos do cultivo sobre a desagregação e desestruturação do solo.

Método de estudo

Foram tomadas amostras do solo em três anos diferentes (2006, 2008 e 2009) e em três camadas: da superfície do solo a 20 centímetros (cm) de profundidade, de 20cm a 40cm de profundidade; e de 40cm a 60cm de profundidade. As amostras foram colhidas em fazendas que utilizavam os três tipos de sistemas de uso e manejo do solo.

Para determinar as movimentações do solo e de seus sedimentos, buscou-se detectar e traçar as movimentações do elemento químico Césio, que possui a característica de se prender às partículas de argila presentes no solo. Dessa forma, ao acompanhar a movimentação do Césio também acompanha-se a movimentação do solo transportado pela erosão que pode depositar-se tanto dentro da própria área de cultivo como em rios e lagos.

O elemento químico escolhido, Césio-137, é proveniente de testes nucleares ocorridos no hemisfério norte nas décadas de 1950 e 1960, e foi espalhado na atmosfera do planeta por meio de correntes de ventos, posteriormente, depositado no solo pelas chuvas. Este elemento teve seu pico de deposição no hemisfério sul por volta de 1963. Com isso, esse elemento permite comparar dados de áreas não perturbadas pela ação humana, desde 1963, com áreas que sofreram algum tipo de interferência. Dessa forma, é possível estimar as taxas de erosão e deposição de sedimentos em diferentes condições de uso e manejo do solo e verificar quais as práticas agrícolas de maior impacto do ponto de vista da conservação do solo.

Com os dados obtidos no estudo, concluiu-se que tanto o Sistema de pastagens quanto o Sistema de Plantio Convencional apresentam grande movimentação de sedimentos devido ao processo de erosão hídrica, o que acaba contribuindo para o processo de degradação.

Escoamento de sedimentos para rio, em área próxima à fazenda de plantio de soja
“O sistema de Plantio Convencional, por fazer uso de equipamentos agrícolas que revolvem as camadas superficiais do solo, retira sua cobertura natural o que favorece o escoamento superficial da enxurrada. Ao mesmo tempo destrói a estrutura do solo, facilitando o arraste de suas partículas pela enxurrada. As pastagens naturais, geralmente mal manejadas, favorecem a compactação do solo, o que dificulta a infiltração e armazenamento da água das chuvas gerando o processo da erosão. Dependendo das condições topográficas da região, grande parte dos sedimentos produzidos dentro das áreas de produção podem escapar para os rios provocando assoreamentos e contaminando-os”, relata Arthur.

Manejo do solo
Atualmente, a técnica de manejo predominante no Cerrado ainda é o Sistema de Plantio Convencional (SPC), porém o Sistema de Plantio Direto (SPD) vêm ganhando espaço entre a preferência dos agricultores. “O agricultor percebeu que o SPD pode garantir e sustentar, a mais longo prazo, uma boa produtividade física e econômica das culturas e assegurar a manutenção da qualidade ambiental mesmo fora dos limites de sua propriedade agrícola.”

O estudo também revelou a necessidade de revisão do Código Florestal Brasileiro. Segundo os dados obtidos na pesquisa, as larguras mínimas de matas ciliares, estipuladas no Código e estabelecidas empiricamente segundo a largura dos rios que margeiam, é muitas vezes insuficiente para evitar que grande parte dos sedimentos produzidos na exploração agrícola atinjam e contaminem os cursos d’água. Considerando apenas a função de filtragem de sedimentos de uma mata ciliar, cada bacia hidrográfica é um caso a ser analisado e as larguras mínimas dessas matas dependerão de inúmeros fatores, tais como: topografia do terreno, regime hídrico, tipos de solo, tipos de coberturas vegetais e manejos das culturas.

Fonte: Ecoagencia

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9 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Avanço do Cerrado é tema de discussão na Reunião Regional da SBPC

Apesar do crescimento econômico do Cerrado nas últimas décadas, a sustentabilidade do bioma ainda é um ponto de interrogação para especialistas e acadêmicos que participaram ontem (5) de mesa-redonda em Catalão (GO).

Participaram do debate o professor de geografia Marcelo Mendonça da UFG, José Felipe Ribeiro, pesquisador da Embrapa Cerrado; e Marcelo Lessa, biólogo e perito judicial ambiental da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg).

 

Em uma tentativa de auxiliar o produtor rural a praticar ações de sustentabilidade em suas propriedades rurais, Ribeiro informou que a Embrapa elabora um banco de dados eletrônico para orientar o setor a implementar tecnologias sustentáveis no campo.

 

Segundo ele, há uma forte demanda rural por informações e poucos pesquisadores disponíveis para fornecer dados que atendam a interesses de agricultores. Existem 5,2 milhões de propriedades rurais diante de um contingente de 5 mil pesquisadores distribuídos pelo Brasil.

 

Ao apresentar dados sobre o Cerrado, Ribeiro afirmou que a maioria dos municípios apresenta baixos índices de qualidade de vida e 2,4 milhões de “cerradeiros” (9,4% do total) ainda vivem abaixo da linha de pobreza, apesar de ser uma região rica em recursos naturais e exportadora de grãos. Além disso, a degradação do bioma ainda é elevada.

 

Divergência – Para o professor Mendonça, o crescimento econômico do Cerrado “tem se dado a qualquer preço”, sem preocupações com o meio-ambiente.

 

“A situação na região é preocupante, o Cerrado é visto como um Eldorado financeiro. Há muito discurso de preservação do bioma, mas isso não se confirma”, disse. Segundo ele, apenas 4% das áreas do bioma são preservadas, ao contrário do percentual apresentado pelo representante da Faeg, de 5,1% do total.

 

Lessa mostrou que o crescimento da agricultura na região foi puxado pela implementação de tecnologias que alavancaram a produtividade de grãos. Ele criticou o fato de o Código Florestal não abordar a zona urbana que, segundo ele, “contribui muito” para a poluição ambiental.

 

Ribeiro reconhece o conflito existente entre ruralistas e ambientalistas. Nesse caso, disse que o governo “tem de sentar” com as duas lideranças para buscar consenso. “Temos de buscar entendimento, porque a espécie humana vive no mesmo lugar (no planeta Terra)”.

Fonte: Viviane Monteiro – Jornal da Ciência


5 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Dilma e a questão socioambiental no Brasil

Artigo do pesquisador Fabio de Castro publicado no site Radio Netherlands Worldwide e reproduzido por Pressenza International Press Agency.

Enquanto as opiniões se divergem a respeito do balanço do governo Lula no setor econômico, político e social, existe um consenso de que questões socioambientais têm perdido espaço nos últimos anos. A polarização entre políticas de desenvolvimento e de conservação que culminou na resignação da Ministra do Meio Ambiente revelou o isolamento das políticas ambientais.

 

O novo governo tem pela frente o desafio de criar propostas concretas para reparar a política socioambiental do governo anterior, marcada por severas contradições.

 

As diversas realizações durante o governo Lula na área socioembiental se revelam contraditórias quando contextualizadas dentro do programa nacional de outros setores. Em relação à política territorial, por exemplo, houve um aumento significativo de áreas protegidas, crescente inclusão de populações locais, e início do processo de regularização fundiária na Amazônia.

 

Estes feitos, porém, se contradizem com a aprovação da alteração do código florestal para subsidiar a expansão do agronegócio, o descaso às populações locais em áreas de conflito ambiental, o isolamento do Ministério do Meio Ambiente e sociedade civil no licenciamento ambiental de grandes projetos, e o desinteresse político em outros biomas relevantes como o cerrado e o pantanal.

 

Em relação à política energética, o governo anuncia com orgulho o aumento de energia de fonte renovável tais como hidroelétrica e agrocombustível, sua liderança internacional na produção de etanol, e a criação do selo social para inclusão do pequeno produtor na produção do biodiesel.

 

Esta política, porém, se contradiz com o impacto socioambiental decorrente da produção destas fontes energéticas, seja na construção de grandes hidrelétricas, na expansão desordenada da cana-de-açúcar, ou do domínio da soja na produção do biodiesel.

 

Na política climática, o governo brasileiro tem assumido uma posição de líder nas negociações internacionais, com metas claras de adaptação e mitigação, mecanismos de compensação para diminuição de emissão de carbono e manutenção de florestas, e resultados concretos de diminuição do desmatamento na Amazônia nos últimos anos.

 

Porém, a possibilidade de alteração do código florestal para viabilizar mais desmatamento, o processo de licenciamento ambiental sem transparência para viabilizar grandes projetos de alto impacto socioambiental e o elevado investimento para a exploração das novas reservas de petróleo favorece apenas o aumento de emissão de carbono através de desmatamento e consumo crescente de combustível fóssil.

 

Política Socioambiental Integrada às realizações do governo Lula na área socioambiental são positivas somente se analisadas de forma isolada. Quando se considera as conexões com políticas econômicas e sociais, tais feitos se revelam altamente problemáticos.

 

O aumento de áreas protegidas ironicamente legitima a expansão do agronegócio e de grandes projetos que direta ou indiretamente afeta a sua integridade socioambiental. Da mesma forma, o aumento de produção de energia renovável viabiliza a imagem de um estado verde, ocultando os custos socioambientais na produção destas fontes energéticas. Finalmente, o foco da política climática na conservação da Amazônia legitima o uso insustentável de outras áreas de relevância socioambiental como o cerrado e o pantanal, que sofrem forte pressão da expansão do agronegócio.

 

A política ambiental do Brasil, portanto, não pode continuar isolada de outras políticas do governo, uma vez que estão diretamente ligadas a questões sociais, econômicas e políticas. Recursos naturais ocupam uma importância singular na economia nacional, o crescimento econômico gera um aumento de consumo energético e a população está cada vez mais vulnerável a desastres ambientais, como a recente tragédia no Estado do Rio de Janeiro.

 

Mais do que o simples emprego do termo “ambiente” nos discursos de Dilma Rousseff, precisamos de um compromisso concreto de integração da questão socioambiental na política nacional para os próximos anos.

 

Fonte: Fábio de Castro, pesquisador do Centro de Estudos e Documentação Latino-Americanos (Cedla) em Amsterdã.


3 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Fundo de conversão da dívida brasileira para proteção ambiental

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, abriu, nesta segunda-feira (2), em Brasília, a primeira reunião do Comitê da Conta para a Conservação de Florestas Tropicais (TFCA, sigla em inglês). O comitê vai definir os critérios e analisar os projetos que serão beneficiados com o fundo de cerca de US$ 20 milhões oriundos da conversão de dívida brasileira com o governo dos Estados Unidos em proteção ambiental para a Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga.

Para a ministra, o TFCA pode ajudar a aprimorar a gestão de recursos naturais com a participação da ciência. Treinamentos para aumentar as capacidades científicas, técnicas e gerenciais de pessoas e organizações envolvidos com a conservação da biodiversidade é uma das linhas de financiamento da conta.

A ministra defendeu projetos para melhorar a qualidade de vida de quem vive na floresta e promover o uso sustentável. “É preciso de novos projetos que agreguem essas famílias”, disse. De acordo com a ministra, a população que vive na floresta precisa de políticas de acesso mais rápido ao crédito, acesso a energias, por exemplo, para melhorar a qualidade de vida.

O comitê é composto por nove assentos, cabendo três ao Governo Brasileiro, cinco a ONGs brasileiras e um para a Agência Norte Americana de Desenvolvimento Internacional. A próxima reunião acontecerá em junho.

Recursos oferecidos por meio do TFCA vêm dando apoio a iniciativas como conservação de áreas protegidas, manejo de recursos naturais e apoio ao desenvolvimento de atividades sustentáveis de subsistência para comunidades silvestres no mundo.

Para atingir o objetivo do TFCA no Brasil, que é de conservar, preservar e recuperar florestas na Mata Atlântica, na Caatinga e no Cerrado, o comitê deverá aprovar projetos inovadores, que tenham o foco na conservação da floresta, resultados de grande escala e que possam ser alavancados para outros lugares. “Esses instrumentos são essenciais para a política brasileira de conservação da biodiversidade”, finalizou a ministra.

Fonte: Carlos Américo/MMA


19 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Cultivo de cana-de-açúcar diminui as temperaturas locais

Uma pesquisa publicada pela “Nature Climate Change” mostra como a cana-de-açúcar atua na redução das temperaturas no âmbito local. Comparada com outras culturas, ela reflete mais a luz do sol e a água que ela “exala” é mais fria.

Segundo a avaliação dos cientistas, quando a vegetação original foi substituída por plantações e pastagens, a temperatura subiu em média 1,55 °C. Contudo, quando estes foram substituídos pela cana-de-açúcar, a temperatura caiu em 0,93°C, em média. As medições foram feitas na Região Centro-Oeste do Brasil, onde a vegetação nativa predominante é o cerrado.

“O ponto-chave da pesquisa é que, até hoje, na maioria das vezes em que pensamos nos impactos da mudança climática feita pelo homem, falamos em emissão de carbono, mas há também o impacto direto, que é muito local”, explicou ao G1 o autor Scott Loarie, do Instituto Carnegie, dos EUA. Apesar de os dados terem sido coletados no Brasil, nenhum cientista brasileiro está entre os responsáveis pelo estudo.

Dentre os efeitos locais, o que mais influencia é o que os cientistas chamam de albedo, que é, grosso modo, a maneira como a luz do sul é refletida.

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“Se você cortar todos as árvores da zona boreal – Canadá e Sibéria –, você emite uma grande quantidade de carbono e espera aquecer a Terra. Mas, ao mesmo tempo, as árvores são muito escuras e absorvem muita luz do sol, e isso se tornaria um campo nevado que refletiria a luz. O albedo é mais forte, então você estaria, na verdade, resfriando a Terra”, exemplificou o cientista.

Para Loarie, as discussões sobre mudanças climáticas deveriam levar mais em conta os aspectos globais. “Eu acho que há um argumento forte de que muitas pessoas estão mais preocupadas com como será o clima onde elas moram que com a temperatura média global, que é um conceito abstrato”, argumentou.

Fonte: Tadeu Meniconi/ G1


7 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Cerrado perde em um ano área maior que cidade de SP e DF juntos

Abrangendo a maior parte de Região Centro-Oeste e parte do Nordeste no Brasil, o Cerrado perdeu 7.637 km² de sua vegetação original entre 2008 e 2009, dados mais recentes disponíveis, detectados pelo Centro de Sensoriamento Remoto do Ibama. As informações foram anunciadas nesta quarta-feira (6) pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, em Brasília (DF), que também comentou os novos dados de desmatamento na Amazônia, de janeiro e fevereiro, levantados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O desmatamento no Cerrado equivale a uma área maior que a soma do tamanho do Distrito Federal, que tem 5.802 km², com o município de São Paulo, que tem 1.523 km². A área total do Cerrado é de 2.039.386 km².

Se consideradas as taxas médias anuais de desmatamento no Cerrado em anos anteriores, a devastação do bioma entre 2008 e 2009 caiu pela metade. Os dados mais antigos disponíveis, de 1994 a 2002, mostram derrubada média de 15.700 km² no bioma. Entre 2002 e 2008, a taxa média foi reduzida para 14.179 km², caindo para 7.637 km² entre 2008 e 2009.

O estado que mais desmatou o bioma no período foi o Maranhão, com 2.338 km² de área derrubada, seguido do Tocantins (1.311 km²), Bahia (1.000 km²), Mato Grosso (833 km²), Piauí (701 km²), Goiás (664 km²), Minas Gerais (534 km²), Mato Grosso do Sul (241 km²), São Paulo (7,5 km²) e, por último, Paraná, Distrito Federal e Rondônia, cada um com cerca de 1 km².

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Os três municípios que mais desmataram foram Formosa do Rio Preto (BA), com 197,17 km²), Baixa Grande do Ribeiro(PI – 168 km²) e Jaborandi (BA – 131 km²).

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, também destacou o norte de Minas Gerais. “É uma das áreas mais sensíveis”, disse ela. “Pedi que tudo que fundamenta estudos de conservação seja publicado”.

Durante o evento em Brasília, também foram lançadas publicações que atualizam o mapeamento do uso do solo e da cobertura vegetal do bioma, além de estudos sobre a criação de reservas extrativistas na Barra do Pacuí e Buritizeiro, em Minas, e de planos de ação sobre prevenção e controle de queimadas e efeitos do fogo sobre comunidades no Cerrado.

Fonte: G1


17 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Sustentabilidade no Cerrado de Guimarães Rosa

Uma das regiões mais belas e ricas em biodiversidade do Cerrado, entre o norte de Minas Gerais e sudeste da Bahia, o Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu vai receber investimentos de R$ 2,6 milhões para a geração de renda com sustentabilidade. Serão beneficiadas 23 comunidades tradicionais com projetos de extrativismo vegetal e turismo ecocultural em 11 municípios no médio São Francisco. Os recursos são do Fundo Socioambiental da Caixa para o incentivo à atividade econômica sustentável e à redução do desmatamento no bioma.

Termina nesta sexta-feira (18) o prazo para a chamada de dois projetos de execução do Plano de Desenvolvimento Territorial de Base Conservacionista, pronto desde o ano passado e aprovado pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente. A meta é agregar valor e ampliar o mercado de nove culturas vegetais extrativistas locais e financiar a construção de pousadas comunitárias para o desenvolvimento do turismo sustentável e cultural na região.

A inovação no processo é que as instituições selecionadas vão executar um plano que já está pronto e traz um diagnóstico completo da situação socioambiental na região. Ele foi elaborado pela Fundação Pró-Natureza (Funatura), uma das ONGs representantes da região Centro-Oeste no Conselho Nacional do Meio Ambiente e com atuação no Parque Nacional Grande-Sertão Veredas desde a criação dessa unidade de conservação.

O primeiro, orçado em R$ 1,1 milhão, é destinado ao extrativismo e para participar da chamada a instituição precisa demonstrar que tem laços, atuação e integrantes das comunidades a serem beneficiadas. Os recursos serão aplicados nas culturas de frutas tradicionais como a caigaita, o umbu, o araticum e buriti e no beneficiamento da cultura da favela, que produz um fruto utilizado para a fabricação de medicamentos.

“Antes da organização das comunidades em cooperativas, o quilo da fava d´anta, espécie de legume extraído da favela, valia pouco mais de R$ 0,30 centavos, agora chega a R$1,20?, explica o técnico especialista do MMA, Fernando Lima. Para ele, projetos como esse são de fundamental importância na preservação ambiental do Cerrado. Desde meados do século 20, com a expansão da fronteira agrícola para produção da monocultora de soja, o bioma já contabiliza uma perda de 47% de sua cobertura vegetal nativa.

No setor de turismo ecocultural, R$ 1,5 milhão serão destinados ao incentivo a atividades turísticas, aproveitando a riqueza cultural do norte mineiro, seus cantadores, suas danças, como foco de atração turística. O mosaico, uma região de 15 mil Km2, ficou conhecida por ser palco da saga do romance Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa. Os caminhos percorridos pelos personagens do livro cortam o Parque Nacional com o mesmo nome, criado em 2005 para contribuir com a preservação do Cerrado.

Na região de Pandeiros é onde está situado o “pantanal mineiro”, um berçário natural que abastece a Bacia do São Francisco em quantidade e número de espécies de peixes. O Parque Nacional e seu entorno só agora começam a receber infraestrutura para o turismo.

As organizações interessadas em participar da chamada deverão enviar suas propostas até sexta-feira (18) e apresentá-las conforme o Programa de Elaboração de Projetos do FNMA – Façaprojeto, disponível na página www.mma.gov.br/fnma.

Fonte: Paulenir Constâncio/MMA


12 de janeiro de 2011 | nenhum comentário »

Pesquisa avalia potencial de planta como alternativa para recomposição do Cerrado

Uma pesquisa, realizada pelo engenheiro agrônomo Manoel Ferreira de Souza, sugere o plantio de Dimorphandra mollis Benth, conhecida popularmente por fava-d’anta, para a regeneração de áreas degradadas de Cerrado.

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O estudo deu origem a dissertação defendida no programa de mestrado em Ciências Agrárias do Instituto de Ciências Agrárias, ICA, da Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG.

As pesquisas foram realizadas em uma região de cerrado em regeneração, na comunidade de Olhos d´Água, no município de Montes Claros, MG, onde a população local extrai o fruto da planta, como alternativa de renda.

No estudo, foi avaliada a sobrevivência e o crescimento da planta em semeadura direta e não em casas de vegetação, como acontece normalmente. Foi utilizado esterco bovino e fosfato natural como adubo.

“Apesar de ser uma planta do cerrado, acostumada a solos pobres, a fava-d´anta mostrou bom desenvolvimento com a adubação”, explicou o pesquisador. De acordo com ele, o objetivo é devolver esses resultados à comunidade e mostrar que a fava d´anta semeada diretamente no campo com adubação é boa alternativa para a recuperação de áreas degradadas de cerrado. “A domesticação da espécie seria uma alternativa para a sua utilização sustentável”, completou.
*Com informações da UFMG.

Fonte: Danielle Jordan / Ambientebrasil


2 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Mata Atlântica registra menor taxa de desmatamento entre os biomas brasileiros

02/12/2010

Entre 2002 e 2008, o índice de desmate na Mata Atlântica foi de 0,25 %, o equivalente a 2.742 km2. A taxa anual média chega a 457 km2 (0,04%). Os dados foram anunciados nesta quarta-feira (1º), pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, em cerimônia realizada no Palácio do Planalto com o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

“Hoje entregamos informações importantes para o planejamento de ações estratégicas de fiscalização e combate ao desmatamento, e com isso teremos condição de mudar o patamar de políticas públicas no Brasil, por meio de dados sólidos informados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Queremos compatibilizar os usos e recursos naturais com o desenvolvimento sustentável do País”, afirmou a ministra Izabella.

Ela explica que com os dados deste projeto de monitoramento será possível, por exemplo, identificar áreas degradadas que podem ser reaproveitadas e avançar na busca de uma economia de baixo carbono e na implementação de infraestrutura sem provocar a perda da biodiversidade.

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O crescimento de áreas desmatadas, de 2002 a 2008, na região não foi muito significativo, oscilando de 75,62% para 75,88%, respectivamente, mas a Mata Atlântica é o bioma mais ameaçado do País, e conta apenas com 27% de sua cobertura vegetal original. Segundo dados da SOS Mata Atlântica, somente cerca de 8% de seus remanescentes permanecem bem preservados. O fato é preocupante porque o abastecimento de água para 123 milhões de brasileiros – além de outros serviços ambientais como regulação do clima, temperatura do solo e proteção de encostas- depende da manutenção e preservação deste bioma.

O estado brasileiro onde houve a maior área devastada – 909 km2- foi Minas Gerais, seguido do Paraná (545 km2), Bahia (462 km2) e Santa Catarina (329 km2). Proporcionalmente, a maior taxa de perda foi em Sergipe, que desmatou 50% dos 10.531 km2 de sua área de Mata Atlântica remanescente, contra os 241.713 km2 presentes em Minas Gerais.

Os municípios que mais desmataram foram Encruzilhada (BA), Jequitinhonha (MG), Rio Vermelho (MG), São Francisco de Paula (RS) e Mafra (SC). Os dados do Inpe revelam também que, no mesmo período, o desmatamento foi maior nos biomas Cerrado(0,69%) e Pantanal(0,47%).

Segundo a ministra, as informações sobre o desmatamento nos biomas referentes ao período 2008 a 2009 devem ser lançadas no primeiro semestre de 2011.

Monitoramento – Para controlar o desmatamento e a perda da biodiversidade em todo o País, está sendo executado o Projeto de Monitoramento dos Desmatamentos dos Biomas Brasileiros por Satélite, que tem o objetivo de quantificar os desmates de áreas com vegetação nativa e embasar ações de fiscalização, controle e combate a desmatamentos ilegais nos biomas extra-amazônicos (Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal).

A iniciativa está sendo executada desde 2008 pelo Centro de Sensoriamento Remoto do Ibama, e funciona de forma semelhante ao Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes).

O projeto de monitoramento utiliza como referência os Mapas de Cobertura Vegetal dos Biomas Brasileiros, em escala (1:250.000), produzidos pelo Probio/MMA em 2007. As áreas com vegetação nativas estão sendo atualizadas por meio da interpretação de imagens dos satélites CBERS e Landsat, obtidas em 2008, que apresentam elevada resolução espacial, porém baixa resolução temporal.

Os primeiros dados divulgados foram do bioma Cerrado, em setembro de 2009, referentes aos desmatamentos do período 2002-2008. Neste ano, foram lançados os dados da Caatinga, Pantanal e Pampa. As informações sobre o total de área desmatada, monitorada em cada bioma brasileiro, permitem ainda fornecer dados relacionados às emissões de gases de efeito estufa.

(Fonte: Carine Corrêa/ MMA)


16 de novembro de 2010 | nenhum comentário »

Cerrado vai ganhar corredor ecológico de 20 quilômetros

Área será ligação entre o parque nacional da Chapada dos Veadeiros e reserva na Serra do Tombador

O cerrado -segundo bioma mais ameaçado do Brasil, atrás apenas da mata atlântica- ganhará um corredor ecológico ligando dois de seus principais polos de conservação: o parque nacional da Chapada dos Veadeiros e a reserva particular da Serra do Tombador, em Goiás.

Com cerca de 20 quilômetros de extensão em linha reta, o corredor permitirá que os animais da região circulem com facilidade entre as duas áreas de preservação.

Além de facilitar o tráfego das espécies, o corredor irá permitir a fuga dos animais para ambientes seguros em caso de incêndios.

Atualmente, há vários pontos de desmatamento no caminho entre essas duas reservas, o que dificulta a circulação e deixa os bichos mais vulneráveis à caça e a outras ameaças.

Pelo atual Código Florestal, os terrenos particulares do cerrado precisam manter 20% de sua área preservada: a chamada reserva legal.

Idealizadora do projeto, a Fundação Boticário de Proteção à Natureza -que administra a reserva da Serra do Tombador- pretende criar o corredor usando as áreas de reserva legal das propriedades que ficam no caminho.

Apesar da norma, é comum que os proprietários desmatem além do limite permitido, devido à falta de fiscalização e repressão.

“Para criar o corredor e ajudar o ecossistema, não é preciso grandes invenções. Basta fazer com que os fazendeiros preservem o que a lei determina”, afirma a engenheira florestal e ex-professora da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) Maísa Guapyassú.

“Já que o governo não dá conta de tantas as demandas, é fundamental que a iniciativa privada colabore”, disse Guapyassú, que é analista de projetos da fundação.

No projeto do corredor, o georreferenciamento, parte mais cara da iniciativa, será financiada pela fundação e ONGs (organizações não governamentais) parceiras.

O alto custo desse levantamento -que mapeia detalhadamente o terreno e identifica com coordenadas de GPS os principais “pontos de interesse”, como estradas e nascentes de rio- é apontado como o principal entrave aos projetos de conservação.

Embora as negociações para a implantação do corredor estejam adiantadas, os coordenadores do projeto alertam que uma eventual mudança no Código Florestal -que já está sendo discutida no Congresso- pode dificultar sua implementação.

“Todos os estudos para o corredor foram baseados na legislação atual. Se o percentual de reserva legal for reduzido, como em alguns casos prevê o novo código, teremos problemas”, afirma a pesquisadora da fundação.

Queimadas são a maior ameaça à preservação

O fogo e as queimadas naturais -causadas pela queda de raios- fazem parte da dinâmica do cerrado e até contribuem para o desenvolvimento de algumas espécies adaptadas a essas condições.

Já os incêndios provocados pelo homem, principalmente para a preparação de lavoura e para a mineração, são muito mais intensos e, consequentemente, mais perigosos.

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“O fogo natural tem temperatura menor e normalmente só atinge a parte baixa das plantas. O incêndio provocado é muito mais quente e tem labaredas altas, dificultando a proteção das plantas”, diz a engenheira florestal Maísa Guapyassú.

Segundo ela, minas clandestinas de manganês são um dos maiores focos de incêndio nos arredores da serra do Tombador.

“Os garimpeiros colocam fogo para enxergar melhor os veios do metal. Não raro, essas queimadas saem de controle”, diz.

Em setembro, um incêndio atingiu mais de 50% do parque nacional da Chapada dos Veadeiros.

Um mês antes, o parque nacional das Emas, também em Goiás, teve seu pior incêndio e perdeu 90% da cobertura vegetal em dois dias.

Bioma tem mais de 150 reservas particulares

Com 8.900 hectares, a reserva da serra do Tombador, localizada no interior de Goiás, é a maior RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) do Estado e quarta maior do Cerrado.

Esse tipo de reserva,que é criada voluntariamente pelo proprietário do terreno, foi regulamentada em 1990.

Uma vez criada, a reserva só pode ter projetos ligados à pesquisa científica, turismo e algumas poucas atividades de baixo impacto ambiental.

Embora sejam relativamente comuns no cerrado- existiam, até janeiro de 2009, 152 reservas privadas, protegendo 121 mil hectares- as RPPN são pouco conhecidas do grande público.

A inclusão na categoria não anula o direito de propriedade, mas obriga o fazendeiro a cumprir obrigações, como a criação de um plano de manejo.

Como contrapartida, não paga o ITBR (imposto territorial rural), além de ter prioridade na análise de projetos encaminhados ao Fundo Nacional de Meio Ambiente.

“No papel, esses incentivos parecem muito bons. Na prática, ainda são insuficientes. Os custos de manutenção são bastante elevados, e o incentivos econômicos, baixos”, diz Maísa Gapyassú, da Fundação Boticário, que mantém a reserva.

Declarada RPPN em 2009, a reserva do Tombador é mantida como se fosse um parque nacional.

Estudos preliminares na reserva já identificaram 435 espécies de plantas, algumas ameaçadas, como a peroba-rosa e o angico-verde.

A quantidade de animais registrados também é expressiva: 47% dos mamíferos de médio e grande porte do cerrado são encontrados lá. Quase a metade deles está classificada como ameaçada de extinção.

“Nosso cerrado é a savana mais rica em biodiversidade do mundo. Por isso, as reservas privadas têm um grande papel na conservação”, diz Guapyassú.

(Giuliana Miranda – Folha de SP, 14/11)


25 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Expansão agrícola causa degradação ambiental do Cerrado

Erosão do solo em fazenda de cultivo de soja na região de Goiatuba, estado de GoiásEstudo do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP em Piracicaba, revela que o avanço da agricultura para o Cerrado está causando transformações radicais na paisagem natural do bioma, devido à retirada quase total de sua vegetação nativa. Este processo gera a perda da cobertura natural do solo, o que é a principal causa da erosão e compactação do mesmo e da contaminação dos rios deste bioma.

A tese de doutorado desenvolvida pelo pesquisador Robson Clayton Jacques Arthur, do CENA, orientada pelo professor Osny Oliveira Santos Bacchi, avalia como os diferentes sistemas de manejo de solo aplicados pelos agricultores, na região dos municípios de Goiatuba e Jandaia, ambos no estado de Goiás, contribuem para estes processos de degradação.

Segundo o pesquisador, foram estudados três tipos de uso e manejo do solo no Cerrado: o Sistema de pastagens — voltado para a agropecuária —, o Sistema de Plantio Convencional (SPC) — em que o arado ou equipamentos agrícolas revolvem a terra antes do processo de semeadura — e o Sistema de Plantio Direto (SPD) — que procura manter a cobertura natural do solo ou deixar sobre ele os restos vegetais da safra anterior, mantendo níveis de umidade e de nutrientes e minimizando os efeitos do cultivo sobre a desagregação e desestruturação do solo.

Método de estudo

Foram tomadas amostras do solo em três anos diferentes (2006, 2008 e 2009) e em três camadas: da superfície do solo a 20 centímetros (cm) de profundidade, de 20cm a 40cm de profundidade; e de 40cm a 60cm de profundidade. As amostras foram colhidas em fazendas que utilizavam os três tipos de sistemas de uso e manejo do solo.

Para determinar as movimentações do solo e de seus sedimentos, buscou-se detectar e traçar as movimentações do elemento químico Césio, que possui a característica de se prender às partículas de argila presentes no solo. Dessa forma, ao acompanhar a movimentação do Césio também acompanha-se a movimentação do solo transportado pela erosão que pode depositar-se tanto dentro da própria área de cultivo como em rios e lagos.

O elemento químico escolhido, Césio-137, é proveniente de testes nucleares ocorridos no hemisfério norte nas décadas de 1950 e 1960, e foi espalhado na atmosfera do planeta por meio de correntes de ventos, posteriormente, depositado no solo pelas chuvas. Este elemento teve seu pico de deposição no hemisfério sul por volta de 1963. Com isso, esse elemento permite comparar dados de áreas não perturbadas pela ação humana, desde 1963, com áreas que sofreram algum tipo de interferência. Dessa forma, é possível estimar as taxas de erosão e deposição de sedimentos em diferentes condições de uso e manejo do solo e verificar quais as práticas agrícolas de maior impacto do ponto de vista da conservação do solo.

Com os dados obtidos no estudo, concluiu-se que tanto o Sistema de pastagens quanto o Sistema de Plantio Convencional apresentam grande movimentação de sedimentos devido ao processo de erosão hídrica, o que acaba contribuindo para o processo de degradação.

Escoamento de sedimentos para rio, em área próxima à fazenda de plantio de soja
“O sistema de Plantio Convencional, por fazer uso de equipamentos agrícolas que revolvem as camadas superficiais do solo, retira sua cobertura natural o que favorece o escoamento superficial da enxurrada. Ao mesmo tempo destrói a estrutura do solo, facilitando o arraste de suas partículas pela enxurrada. As pastagens naturais, geralmente mal manejadas, favorecem a compactação do solo, o que dificulta a infiltração e armazenamento da água das chuvas gerando o processo da erosão. Dependendo das condições topográficas da região, grande parte dos sedimentos produzidos dentro das áreas de produção podem escapar para os rios provocando assoreamentos e contaminando-os”, relata Arthur.

Manejo do solo
Atualmente, a técnica de manejo predominante no Cerrado ainda é o Sistema de Plantio Convencional (SPC), porém o Sistema de Plantio Direto (SPD) vêm ganhando espaço entre a preferência dos agricultores. “O agricultor percebeu que o SPD pode garantir e sustentar, a mais longo prazo, uma boa produtividade física e econômica das culturas e assegurar a manutenção da qualidade ambiental mesmo fora dos limites de sua propriedade agrícola.”

O estudo também revelou a necessidade de revisão do Código Florestal Brasileiro. Segundo os dados obtidos na pesquisa, as larguras mínimas de matas ciliares, estipuladas no Código e estabelecidas empiricamente segundo a largura dos rios que margeiam, é muitas vezes insuficiente para evitar que grande parte dos sedimentos produzidos na exploração agrícola atinjam e contaminem os cursos d’água. Considerando apenas a função de filtragem de sedimentos de uma mata ciliar, cada bacia hidrográfica é um caso a ser analisado e as larguras mínimas dessas matas dependerão de inúmeros fatores, tais como: topografia do terreno, regime hídrico, tipos de solo, tipos de coberturas vegetais e manejos das culturas.

Fonte: Ecoagencia

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