23 de março de 2015 | nenhum comentário »

Uma em cada 10 espécies de abelhas da Europa corre risco de extinção

Esta foi a primeira vez que todas as 1 965 espécies desses insetos no continente foram estudadas

 

Uma em cada dez espécies de abelhas silvestres da Europa está ameaçada de extinção, constatou um estudo publicado nesta quinta-feira pela União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). Esta foi a primeira vez que todas as 1 965 espécies de abelhas europeias foram estudadas, incluindo dados de sua população, distribuição, tendências e ameaças.

O levantamento concluiu que, além de 9,2% das espécies estarem ameaçadas, outros 5% correm grande risco de entrar nessa lista em um futuro próximo. O documento mostrou ainda que 7,7% das espécies sofreram um declínio populacional, 12,6% estão estáveis e 0,7% estão aumentando. Os dados dos 79% restantes são desconhecidos, o que demonstra uma “alarmante falta de conhecimento e recursos”, como apontou Jean-Christophe Vié, do Programa Global de Espécies da IUCN.

Causas - Perda de habitat devido ao aumento das plantações, uso de inseticidas, desenvolvimento urbano acelerado e mudanças climáticas são apontados pela organização como principais causas para esse fenômeno.

Abelhas são essenciais tanto para ecossistemas selvagens quanto para a agricultura. A polinização de plantações que esses animais realizam é estimada em 153 bilhões de euros em todo o mundo e 22 bilhões só para a Europa. Das principais plantações para consumo humano na Europa, 84% requerem polinizações de insetos.

abelhas

Abelhas são essenciais tanto para ecossistemas selvagens quanto para a agricultura(Thinkstock/VEJA)

 

Fonte: Veja Ciência

 


20 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Agricultura moderna e urbanização levam à perda da biodiversidade do solo

Lavoura em Moçambique; más práticas agrícolas arruinaram cerca de metade do solo superficial na África

Lavoura em Moçambique; más práticas agrícolas arruinaram cerca de metade do solo superficial na África. Jon Hrusa/Epa

Poucas coisas são mais vitais do que a saúde da terra. Nosso abastecimento alimentar começa lá. As plantas selvagens precisam de solo saudável para crescer bem. Os herbívoros, para que possam comer as folhas, sementes e frutos das plantas. Por fim, os predadores, para que possam comer os bichos que comem as plantas.

Um solo saudável evita doenças humanas e também contém a cura para outras enfermidades. A maioria dos antibióticos vem de lá. Os cientistas agora procuram na terra uma nova classe de remédios para enfrentar doenças resistentes a antibióticos.

O solo supostamente desempenha um papel importante, mas pouco compreendido, na difusão do cólera, da meningite fúngica e de outros agentes infecciosos que passam parte do seu ciclo de vida na terra.

Novas tecnologias garantiram saltos na nossa compreensão sobre a ecologia dos solos, ao permitir que os cientistas estudem os genes de micróbios da terra e acompanhem minúsculas quantidades de carbono e nitrogênio em sua passagem por esse ecossistema.

Mas, à medida que os cientistas aprendem mais, eles percebem como sabem pouco.

Na última década, os cientistas descobriram que o “oceano de terra” do planeta é um dos quatro maiores reservatórios de biodiversidade. Ele contém quase um terço de todos os organismos vivos, segundo o Centro de Pesquisas Conjuntas da União Europeia, mas apenas cerca de 1% dos seus micro-organismos já foi identificado. As relações entre essa miríade de espécies ainda é mal compreendida.

Cientistas criaram recentemente a Iniciativa Global de Biodiversidade do Solo para avaliar o que se sabe sobre a vida subterrânea, para identificar onde ela está em perigo e para determinar a saúde dos serviços ecossistêmicos essenciais que o solo fornece.

Uma colherada de terra pode conter bilhões de micróbios (divididos entre 5.000 tipos diferentes), assim como milhares de espécies de fungos e protozoários, além de nematódeos, ácaros e algumas espécies de cupim.

“Há uma pululante organização embaixo do chão, uma fábrica com terra, animais e micróbios, cada um com seu próprio papel”, disse a bióloga Diana Wall, da Universidade Estadual do Colorado, a presidente científica da iniciativa.

O ecossistema do solo é altamente evoluído e sofisticado. Ele processa o lixo orgânico, transformando-o em terra. Filtra e limpa grande parte da água que bebemos e do ar que respiramos, ao reter poeiras e agentes patogênicos. Desempenha importante papel na quantidade de dióxido de carbono na atmosfera, pois, com toda a sua matéria orgânica, é o segundo maior depósito de carbono do planeta, só atrás dos oceanos.

O uso de arados, a erosão e outros fatores liberam carbono na forma de CO2, exacerbando a mudança climática.

Um estudo de 2003 na revista “Ecosystems” estimou que a biodiversidade de quase 5% do solo dos EUA estava “sob risco de perda substancial ou completa extinção devido à agricultura e à urbanização”. Essa foi provavelmente uma estimativa conservadora, já que o solo do planeta era na época mais inexplorado do que hoje e as técnicas do estudo eram bem menos desenvolvidas.

Há numerosas ameaças à vida no solo. A agricultura moderna é uma das maiores, pois priva a terra da matéria orgânica que a alimenta, resseca o chão e o contamina com pesticidas, herbicidas e nitrogênio sintético.

A impermeabilização em áreas urbanas também destrói a vida da terra, assim como a poluição e as máquinas pesadas. Uma ameaça já antiga, como a chuva ácida, continua afetando a vida subterrânea, pois deixa o solo mais ácido.

O problema é global. Em quase metade da África, por exemplo, o uso intensivo para lavouras e pastagens destruiu a camada superior do solo e causou desertificação.

O aquecimento global irá contribuir para as ameaças à biodiversidade do solo. A segurança alimentar é uma grande preocupação. O que irá acontecer com as lavouras à medida que o planeta se aquecer? Ligeiras alterações de temperatura e umidade podem ter impactos profundos, mudando a composição da vida no solo e os tipos de plantas que poderão crescer.

Algumas plantas devem gradualmente migrar para climas mais frios, mas outras podem não ser capazes de se adaptar em novos solos. “O mundo acima do chão e o mundo abaixo dele estão muito estreitamente ligados”, disse Wall.

Os cientistas também estão descobrindo que um ecossistema saudável no solo pode ajudar a sustentar as plantas naturalmente, sem insumos químicos. “Quanto maior é a diversidade do solo, menos doenças surgem nas plantas”, disse Eric Nelson, que estuda a ecologia do solo e das doenças na Universidade Cornell, no Estado de Nova York. Os insetos também são refreados por plantas que crescem em terra saudável, segundo ele.

O que agricultores e jardineiros podem fazer para proteger seus solos? Wall sugere não lavrar a terra, deixando que a vegetação morta se decomponha, em vez de revolver o solo com o arado a cada ano. Evitar produtos químicos sintéticos é importante. Agregar adubo, especialmente adubo de minhoca, pode contribuir para fortalecer os ecossistemas da terra.

O tema está começando a atrair a atenção merecida. Wall acaba de receber o Prêmio Tyler de Realização Ambiental, com uma dotação de US$ 200 mil, que ela diz pretender usar em pesquisas. “É a hora do show para a biodiversidade do solo”, disse ela.

Fonte: Folha.com


20 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Plantas e animais podem perder metade de suas zonas climáticas

Um estudo publicado no domingo (12) no periódico “Nature Climate Change” prevê que cerca de 55% das espécies vegetais e 35% das espécies animais do planeta terão sua faixa climática adequada reduzida pela metade até 2080 se medidas para a diminuição de emissões de gases-estufa não forem tomadas.

As previsões indicam que, se mantido o ritmo atual de emissões, poderá haver um aumento de 4º C na temperatura do planeta até o fim do século.

Os pesquisadores da Universidade britânica East Anglia estudaram o impacto de tal aumento de temperatura nas “zonas climáticas” de 48.786 espécies. Cada zona climática permite o desenvolvimento de determinados tipos de espécies de animais e plantas, incluindo o seu processo de adaptação às condições biológicas e climáticas, como as de precipitação de chuvas e de temperatura.

O maior risco será para as plantas, os anfíbios e os répteis, já que o ritmo de sua capacidade de adaptação é mais lento que a mudança climática, enfatizaram os pesquisadores.

Segundo Rachel Warren, uma das autoras do trabalho, as estimativas da pesquisa podem ser até piores, já que somente levam em conta o impacto do aumento de temperatura, não considerando os eventos extremos provocados pela mudança no clima, como ciclones e inundações.

“As populações de animais em particular poderiam desaparecer em maior proporção do que estimamos devido à diminuição das plantas disponíveis para a alimentação” , explica Warren.

Segundo o estudo, o impacto previsto sobre as zonas climáticas das espécies poderia ser reduzido de maneira significativa se rápidas medidas para reduzir as emissões de gases-estufa forem tomadas.

As perdas podem ser reduzidas em 60% se o crescimento das emissões for interrompido em 2016 ou em 40%, se interrompido em 2030.

 

Fonte: Folha.com


26 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Biodiversidade cai em metade das florestas tropicais, aponta estudo

Análise publicada na revista ‘Nature’ avaliou 60 reservas em 20 a 30 anos.
Perturbação do habitat, caça e exploração são maiores fatores para declínio.

Metade das áreas protegidas de florestas tropicais do mundo está sofrendo um declínio na biodiversidade, segundo uma análise feita em 60 reservas e publicada na edição desta semana da revista “Nature”.

Para avaliar como esses locais estão funcionando, o pesquisador William Laurance e outros autores estudaram um grande conjunto de dados sobre as mudanças ocorridas ao longo dos últimos 20 a 30 anos.

A avaliação revela uma grande variação no estado dessas reservas, e 50% vivenciam perdas substanciais na variedade de animais e plantas. Perturbação do habitat natural, caça e exploração das florestas são os maiores fatores para esse declínio.

As reservas tropicais representam um último refúgio para espécies ameaçadas e processos naturais dos ecossistemas, em uma época que cresce a preocupação quanto ao impacto do homem sobre o crescimento da biodiversidade.

O estudo indica que, muitas vezes, áreas protegidas estão ecologicamente ligadas aos habitats ao redor, razão pela qual o destino delas é determinado por mudanças ambientais internas e externas.

Portanto, os pesquisadores afirmam que os esforços para manter a biodiversidade não devem se limitar a reduzir os problemas dentro das reservas, mas promover mudanças também fora dessas áreas.

Biodiversidade (Foto: Christian Ziegler/ZieglerPhotos.com/Nature)

Reservas são o último refúgio de espécies ameaçadas (Foto: Christian Ziegler/ZieglerPhotos.com/Nature)

Fonte: Globo Natureza


18 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Na Amazônia, câmeras na floresta ‘flagram’ 95 animais de 16 espécies

Armadilhas fotográficas captaram movimentação durante 25 dias.
Objetivo de projeto realizado no Amazonas é monitorar onças-pintadas.

Animais de diversas espécies foram “flagrados” com a ajuda de armadilhas fotográficas dentro da reserva ambiental Amanã, uma imensa área protegida no interior da Amazônia, localizada a 650 km de Manaus e que abrange três municípios do Amazonas.

Onças-pintadas, incluindo um filhote, antas, aves, tatus e até um veado pouco estudado foram registrados por 16 câmeras que pertencem ao projeto “Iauaretê”, que significa onça-pintada em um dos dialetos indígenas falados na Amazônia.

Ao todo foram 95 registros de 16 diferentes espécies feitos em apenas 25 dias (entre março e abril deste ano). Segundo Daniel Rocha, biólogo do Instituto Mamirauá e um dos responsáveis pelos equipamentos instalados ao redor do Lago Amanã, foi uma surpresa detectar uma grande biodiversidade naquela região.

“Talvez o fato da área ser protegida confirme uma elevada riqueza de espécies, mesmo aquelas consideradas ameaçadas de extinção”, disse Rocha ao Globo Natureza.
Segundo ele, dos 14 tipos diferentes de mamíferos que apareceram no monitoramento, cinco estão sob algum grau de ameaça e um deles é tão raro, que os cientistas não têm dados suficientes para explicar seu modo de vida, caso do veado-capoeira.

Os outros animais ameaçados ou vulneráveis na natureza captados pelas câmeras do projeto foram o tatu-canastra (Priodontes maximus), tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), anta (Tapirus terrestres), a queixada (Tayassu pecari ) e a onça-pintada (Panthera onca).

Objetivo é monitorar onças-pintadas na Amazônia
De acordo com Rocha, o principal objetivo do projeto “Iauaretê” é entender a dinâmica populacional das onças-pintadas na Amazônia, em áreas de terra firme. Segundo ele, ainda existem poucas informações sobre o modo de vida dessa espécie em terras amazônicas.

Porém, ameaças à sua população já são conhecidas. “Algumas delas são a redução do habitat [por desmatamento], a caça predatória, seja por retaliação à morte de gado, por medo de ataque a ribeirinhos ou para alimentação. Há ainda uma pressão sobre as espécies que fazem parte da alimentação da onça como o veado e os porcos do mato”, explica o biólogo.

O pesquisador afirma ainda que monitorar a população vai ajudar a traçar estratégias que contribuirão para reduzir pressões. A previsão é que o monitoramento das onças inicie ainda no segundo semestre.

Filhote de onça-pintada percebe a câmera no meio da floresta e coloca a pata na lente do equipamento. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Filhote de onça-pintada percebe a câmera no meio da floresta e coloca a pata na lente do equipamento. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Veado-capoeira, espécie ainda pouco pesquisada e que vive na Amazônia. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Veado-capoeira, espécie ainda pouco pesquisada e que vive na Amazônia. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Exemplar de jaguatirica passeia no meio da reserva Amanã, área protegida na Amazônia. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Exemplar de jaguatirica passeia no meio da reserva Amanã, área protegida na Amazônia. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Espécime de tamanduá-bandeira captada por câmera fotográfica implantada na floresta. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Espécime de tamanduá-bandeira captada por câmera fotográfica implantada na floresta. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Fonte: Globo Natureza


16 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Amazônia deve sofrer grande extinção de espécies até 2050

Pesquisa avalia o impacto local promovido pela perda de vegetação em 30 anos e aponta que ainda há tempo para agir.

As piores consequências do desmatamento sofrido pela Amazônia ao longo de 30 anos ainda estão por vir. Até 2050, podem ocorrer de 80% a 90% das extinções de espécies de mamíferos, aves e anfíbios esperadas nos locais onde já foi perdida a vegetação. A boa notícia é que temos tempo para agir e evitar que elas de fato desapareçam. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada na edição desta semana da revista Science.

 

Um trio de pesquisadores da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos considerou as taxas de desmate na região de 1978 a 2008 e levou em conta a relação entre espécies e área – se o hábitat diminui, é de se esperar que o total de espécies que ali vivem diminua, ao menos localmente.

 

Acontece que os animais têm mobilidade, podem migrar para locais vizinhos ao degradado. Lá vão tentar sobreviver, competindo por recursos com animais que já estavam no local, de modo que o desaparecimento não é imediato, podendo levar décadas para se concretizar.

 

É essa diferença, que os pesquisadores chamam de “débito de extinção”, que foi calculada no trabalho. Grosso modo, é uma dívida que teria de ser “paga” – em espécies animais – pelo desmatamento do passado. A ideia por trás do termo é tanto mostrar o que poderia acontecer se simplesmente o processo de extinção seguisse o seu rumo, quanto estimar qual pode ser o destino dessas espécies que dependem da floresta, considerando outros cenários de ações.

 

Mas em vez de calcular para toda a Amazônia – o que seria problemático, porque há uma diferença de riqueza de biodiversidade no bioma -, os autores mapearam os nove Estados em quadros de 50 quilômetros quadrados, a fim de estimar os impactos locais. Uma espécie pode deixar de ocorrer em uma dada área, mas isso não significa que ela desapareceu por completo.

 

Tanto que a literatura ainda não aponta a extinção de nenhuma espécie na Amazônia, explica o ecólogo Robert Ewers, do Imperial College, de Londres, que liderou o estudo. “Uma razão para isso é que o desmatamento se concentrou no sul e no leste na Amazônia, enquanto a mais alta diversidade de espécies se encontra no oeste da região. Mas não há dúvida de que muitas estão localmente extintas onde o desmatamento foi mais pesado.”

 

Na pior hipótese, a do “business as usual”, considera-se a continuidade do modelo da expansão da agricultura; na melhor, que o desmatamento zere até 2020. Os pesquisadores propõem, no entanto, que o cenário mais realista é o que considera a permanência da governança, ou seja, das ações governamentais que levaram à queda do desmatamento nos últimos anos.

 

Mas mesmo nessa situação é de se esperar que espécies sumam. Em 2050, os pesquisadores estimam que localmente (nos quadros de 50 km² podem desaparecer de 6 a 12 espécies de mamíferos, aves e anfíbios em média; enquanto de 12 a 19 podem entrar na conta do que pode ser extinto nos anos seguintes.

 

Eles reforçam que isso ainda não aconteceu e ações que aumentem as unidades de conservação e promovam a restauração de áreas degradadas têm potencial de evitar o danos. Os mapas mostram em quais áreas esse esforço poderia promover mais benefícios.

 

Em outro artigo na Science que comenta o trabalho, Thiago Rangel, da Universidade Federal de Goiás, pondera que a conjuntura atual é incerta. “O governo vai investir pesado em infraestrutura, estão previstas 22 hidrelétricas de grande porte, estão sendo reduzidas as unidades de conservação e o Código Florestal vai ficar mais frouxo. A trajetória dos dez anos que passaram dava uma sinalização otimista, mas são os próximos dez anos que vão dizer o que vai acontecer.”

Fonte: O Estado de São Paulo


9 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Lista Vermelha 2012 revela novos dados sobre a saúde da biodiversidade mundial

Imagem: Mater Natura

Segundo a nova atualização da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, lançada no dia 19 de junho, as fontes de alimentos, remédios e água potável, ou seja, os meios de subsistência de milhões de pessoas podem estar em risco com o rápido declínio do mundo animal, vegetal e de espécies de fungos. A lista mostra que, das 63.837 espécies avaliadas, 19.817 estão ameaçadas de extinção, incluindo 41% de anfíbios, 33% dos corais, 25% dos mamíferos, 13% das aves, e 30% de coníferas.

Amplamente respeitada, a Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza) estuda uma pequena proporção das espécies conhecidas no mundo de forma a fornecer um panorama sobre a saúde da biodiversidade do mundo.

“A sustentabilidade é uma questão de vida ou morte para as pessoas do planeta”, afirmou Julia Marton-Lefèvre, diretora geral da IUCN. “Um futuro sustentável não pode ser alcançado sem conservação da diversidade biológica – espécies animais e vegetais, seus habitats e seus genes, não só para a natureza em si, mas também para todos os 7 bilhões de pessoas que dependem dele”, concluiu.

As 63.837 espécies avaliadas pelo Livro Vermelho se enquadram em oito categorias de conservação: 27.937 como “de menos preocupação” ou “quase ameaçadas”, 255 consideradas em “menor risco”, 4.467 semi-ameaçadas. Outras 3.947 estão em risco critico, 5.766 em risco e 10.104 estão vulneráveis, totalizando 19.817 espécies ameaçadas. Por sua vez, 63 espécies se tornaram extintas na natureza e 801 desapareceram completamente. As 10.497 espécies remanescentes na pesquisa possuem dados insuficientes que impedem um julgamento preciso.

A perda de espécies frequentemente resulta da destruição do hábitat. Mas espécies invasivas e, de forma crescente, o impacto das mudanças climáticas, também são fatores.

O novo relatório lançou luz sobre a exploração irresponsável de oceanos, lagos e rios. Os ecossistemas de água doce estão sob pressão considerável devido à expansão da população humana e a exploração dos recursos hídricos. Uma importante fonte de alimento, os peixes de água doce, está enfrentando ameaças de práticas de pesca insustentáveis e destruição de habitats causados pela poluição e pela construção de barragens. Um quarto das pescarias do mundo está localizado no continente africano, mas 27% dos peixes de água doce na África estão ameaçados.

Segundo a IUCN, em algumas partes do mundo até 90% das populações costeiras vivem da pesca, o que reduziu algumas populações de peixes comerciais em mais de 90%. As arraias, por exemplo, possui 36% da sua população ameaçada de extinção.

Mais de 275 milhões de pessoas são dependentes de recifes de corais como fonte de alimentos e como meio de subsistência. Globalmente, a pesca de recifes de coral rende aos EUA 6,8 bilhões dólares anualmente. A sobrepesca afeta 55% dos recifes do mundo e de acordo com a lista vermelha da IUCN, 18% dos meros, uma família economicamente importantes de peixes de recife de grande porte, estão ameaçadas.

Os recifes de corais devem ser geridos de forma sustentável para garantir que eles continuem fornecendo o alimento essencial no qual milhões de pessoas dependem como fonte de proteína, afirmou a IUCN.

A produção de pelo menos um terço dos alimentos do mundo, incluindo 87 das 113 principais culturas alimentares, depende da polinização realizada por insetos, morcegos e pássaros, gerando recursos da ordem de US$ 200 bilhões por ano. De acordo com a Lista Vermelha da IUCN, 16% das borboletas endêmicas da Europa estão ameaçadas. Os morcegos, igualmente importantes polinizadores, também estão em risco com 18% da sua população global ameaçada.
A mais recente atualização da Lista Vermelha da IUCN mostra também que quatro membros da família do beija-flor, que é conhecida por seus serviços de polinização, estão agora em maior risco de extinção como a brilhante rosa-throated (Heliodoxa gularis) listada como vulnerável. Além de seu papel importante como polinizadores, os morcegos e os pássaros também ajudam no controle das populações de insetos que podem de outra forma destruir economicamente importantes plantas agrícolas.

Os anfíbios desempenham um papel vital na busca de novos medicamentos. Compostos químicos importantes podem ser encontrados na pele de muitos sapos. No entanto, 41% das espécies de anfíbios estão ameaçadas de extinção, incluindo o sapo recentemente descrito, Anodonthyla hutchisoni, de Madagascar, que agora é considerado ameaçado.
A Lista Vermelha da IUCN mostra também que 10% das serpentes endêmicas da China e Sudeste da Ásia estão ameaçadas de extinção, isso porque as cobras são utilizadas na medicina tradicional e na fabricação de soro anti-veneno, assim como alimento e fonte de renda com a venda de peles.

Quase 43% das espécies de serpentes endêmicas do Sudeste Asiático estão ameaçadas pelo uso insustentável. A maior serpente venenosa do mundo, a King Cobra (Ophiophagus hannah),está listada como vulnerável devido à perda de habitat e sua exploração para fins medicinais. A píton birmanesa (Python bivittatus), mais conhecido no Ocidente como uma espécie invasora em Everglades, Flórida, também está listada como vulnerável na sua área nativa, por causa do comércio e da exploração excessiva do animal como alimento e para a retirada da pele. No entanto, a China e o Vietnã, são os locais onde as espécies estão mais ameaçadas. Apesar de estarem designadas como uma espécie protegida na China, as populações de lá não mostram evidências de recuperação e a exploração ilegal continua.

Os dados apresentados no relatório auxiliam atualmente na implementação da Meta nº 12 do Plano Estratégico para a Biodiversidade (2011-2020), resultante do Protocolo de Nagoya, estabelecido durante a Convenção das Partes das Nações Unidas para a Biodiversidade, que ocorreu em 2010. Nesse trecho do documento é proposto que até o ano de 2020 a extinção de espécies identificadas como ameaçadas terá sido evitada e o status de conservação, particularmente das que estão em maior declínio, terá sido melhorada e mantida.

Fonte: Mater Natura


9 de julho de 2012 | nenhum comentário »

A balança comercial de ameaças à biodiversidade

Imagem: Mater Natura

Se os brasileiros importassem casacos feitos de pele de panda, certamente estaríamos contribuindo para a extinção desse simpático urso chinês. Do mesmo modo, se os chineses usassem casacos de mico-leão-dourado, seriam acusados de contribuir para a destruição da biodiversidade brasileira. Imagine que a balança comercial entre China e Brasil se restringisse a esses dois produtos: poderíamos dizer que a balança comercial de ameaças à biodiversidade entre os dois países estaria equilibrada.

Mas o comércio entre Brasil e China não é tão simples: exportamos soja, frango, madeira e minério. Importamos roupas e centenas de outros produtos industriais. Ao produzirmos tudo o que exportamos para a China, contribuímos para a extinção de espécies da Amazônia e do Cerrado. Por sua vez, ao produzir tudo o que nos vendem, os chineses poluem seus rios e também destroem parte da sua biodiversidade. Será possível calcular a balança comercial de ameaças à biodiversidade entre Brasil e China? Qual seria o valor líquido dessa balança? Estaríamos importando três ameaças a espécies chinesas e exportando cinco ameaças a espécies brasileiras?

Parece conversa de louco, mas cientistas publicaram um estudo (International trade drives biodiversity threats in developing nations) no dia 7 de junho no periódico científico “Nature”, contendo o mapeamento do impacto do comércio internacional sobre o risco de extinção de espécies ameaçadas. Não é tão complicado. Os cientistas selecionaram 6.964 espécies listadas por órgãos internacionais como ameaçadas de extinção em 187 países. Em seguida fizeram um levantamento das 166 atividades humanas que ameaçam essas espécies (por exemplo, desmatamento e poluição). Para cada uma das espécies, eles identificaram quais das atividades humanas contribuíam para a extinção de cada espécie em cada um dos países. Isso gerou um banco de dados com 171.825 combinações de espécies, países e atividades econômicas (exemplo: no Brasil, o mico-leão-dourado é ameaçado pela destruição da Mata Atlântica para a produção de frutas).

Esse primeiro banco de dados foi integrado a um segundo, com 15.909 tipos de transações comerciais, tanto internas quanto entre países (exemplo: exportações de frutas do Brasil, importação de carros da China).

Cruzando estes dois bancos de dados, é possível identificar o fluxo comercial responsável pela ameaça a cada uma das espécies. Examinando o exemplo de Madagascar, fica fácil entender o tipo de resultado desse estudo. Lá existem 359 espécies em risco de extinção. Metade da culpa por esse risco vem de atividades econômicas que geram produtos consumidos dentro do próprio país; 25% da culpa recai sobre produtos exportados para a União Europeia e 25% para a China. O restante da culpa é dividida entre Japão e EUA.

Com base nesses dados, é possível descobrir que alguns países, no balanço final, são “importadores” de extinção de espécies, ou seja, as mercadorias que importam causam mais ameaças no restante do mundo que as mercadorias que eles exportam causam em suas espécies. Exemplos desse grupo são EUA, Japão, Coreia do Sul e Canadá. Outros países são “exportadores” de extinção, ou seja, as mercadorias que exportam causam mais estragos em casa do que o estrago feito no restante do mundo pelas mercadorias que eles importam. É o caso de Madagascar, Tailândia e Indonésia.

O que surpreende é o caso do Brasil, pois a princípio se imagina que somos um “exportador” de extinção, pois destruímos a Floresta Amazônica para produzir carne e grãos, exportamos madeira e minerais e importamos muitos produtos industrializados. O estudo indica que o Brasil tem 356 espécies entre as estudadas. A maioria delas é impactada principalmente por atividades econômicas que suprem nosso mercado doméstico. Somente 35 delas estão sob ameaça por atividades de exportação, para países como Estados Unidos, Japão, Alemanha, Argentina e China. Por outro lado, as atividades de importação brasileira ameaçam 76 espécies de fora do país, vindas de Argentina, Uruguai, Estados Unidos, Bolívia, entre outros. Assim, apesar de nossa imensa biodiversidade, nossa balança comercial de ameaças à biodiversidade é mais parecida com a de um país europeu do que com a de um país agrícola do Sudeste Asiático.

“Ficamos muito surpresos com o tamanho do efeito de nossos estudos. Muitos de nossos vizinhos (Papua Nova Guiné em relação a Austrália; e Honduras para a América Latina) possuem até 60% de suas espécies ameaçadas devido ao comércio internacional”, afirmou Barney Fornan, um dos autores do estudo, da Universidade de Sidney, na Austrália. De modo global, o estudo conclui que esta relação é de 30%, excluídas as espécies invasoras.

Um exemplo encontrado foi o do macaco aranha (foto) que está perdendo seu habitat por causa da plantação de café e cacau no México e na América Central. A análise mostrou também que Estados Unidos, União Europeia e Japão são os principais destinos das mercadorias que estão relacionadas à perda de biodiversidade.

É claro que esse trabalho é preliminar e os autores listam extensivamente os potenciais problemas e dificuldades de um estudo tão abrangente como esse, mas o interessante é que pela primeira vez foi mapeada, em escala global, a responsabilidade dos produtos que circulam nas rotas do comércio internacional pela destruição da biodiversidade do planeta.

Estudos como este serão aperfeiçoados e se tornarão instrumentos importantes na divisão, entre os países, da responsabilidade pela destruição da biodiversidade. Também ajudarão na discussão de quem deve pagar a conta associada à preservação da biodiversidade.

 

Fonte: Mater Natura


26 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Exposição Biomas do Brasil agora pode ser visitada na web

Atração com recursos multimídia foi digitalizada na íntegra para passeio virtual. Secretário de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTI, Carlos Nobre, destacou a qualidade da mostra e a importância da Rio+20.

A exposição Biomas do Brasil foi uma das atrações mais populares do Espaço Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável. Por isso, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com o Era Virtual, digitalizou toda a exposição em um site interativo, onde os visitantes virtuais podem acessar todas as imagens e vídeos dos biomas brasileiros. No lançamento, que aconteceu na Arena de Palestras do Armazém 4, o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTI, Carlos Nobre, destacou a qualidade da mostra e a importância da Rio+20.

 

“A mostra Biomas do Brasil foi um grande sucesso de público e atraiu dirigentes e empresários pela qualidade de conteúdo e pelos valores transmitidos”, disse o secretário. “Seria muito pouco simplesmente empacotar tudo e levar embora ao fim do evento, então começamos a discutir um plano de virtualização da exposição”.

 

O espaço virtual da Biomas do Brasil é uma reprodução fiel do espaço verdadeiro no Armazém 4 do Píer Mauá, com direito a todas as imagens, vídeos e sons que os visitantes puderam conferir durante o evento. O site traz versões em português e inglês das informações, o que ajuda a divulgar as riquezas do Brasil para o exterior. “O usuário vai se sentir como se estivesse na exposição e pode adentrar nos conteúdos mostrados aqui”, disse o secretário.

 

Carlos Nobre também fez uma avaliação da conferência mundial. “A Rio+20 tem importância em dois lados. O primeiro deles é aferir que agora, 20 anos depois da Rio 92, há um certo sentimento de inércia em relação a mudanças. A Rio+20 mostrou para a sociedade que a agenda do desenvolvimento sustentável não vai regredir”, comentou o representante do MCTI. “Na outra frente, estão as reuniões entre os países, tentando estabelecer acordos e mostrar avanços práticos. A ciência deixa claro que o tempo é um dos nossos recursos mais escassos.”

 

Para Nobre, esse é o momento do Brasil tomar o destaque no cenário internacional. “Cabe aos países aplicar as políticas decididas”, ponderou o secretário. “O Brasil tem um papel fundamental, tanto guiando os emergentes, como assumindo um papel de liderança no mundo”.

 

Confira a exposição no link: http://www.eravirtual.org/biomas/.

Fonte: Ascom do MCTI


14 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Para cientistas, preservar espécies é responsabilidade humana

Especialistas dizem que é preciso agir para evitar futuro ‘incerto’.
ONU chamou atual década de ‘década da biodiversidade’.

A biodiversidade é a bola da vez nos debates sobre o desenvolvimento sustentável. O conceito define a variedade entre os seres vivos de todo o planeta. Defender a biodiversidade significa, portanto, evitar a extinção de espécies de todos os tipos, sejam plantas ou animais, aquáticos ou terrestres.

Em abril de 2012, foi aprovada a criação de um grupo de estudos direcionado para o tema dentro das Nações Unidas, nos moldes do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês).

Para a ONU, o período entre 2011 e 2020 é a “década da biodiversidade”. Em 2010, durante uma conferência em Nagoia, no Japão, foram traçadas 20 metas de biodiversidade, que precisam ser atingidas até 2020. Elas ficaram conhecidas como as “metas de Aichi”, nome da província japonesa onde fica a cidade.

Entre os objetivos estratégicos principais, os signatários do acordo se comprometeram a fazer com que a população absorva os valores da biodiversidade e tomem medidas para preservá-la.

A grande questão para os cientistas reunidos no Fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), é como alcançar a sociedade e mostrar a importância da preservação das espécies.

“O que eu espero firmemente é que as pessoas acordem antes que aconteça algo realmente ruim para acordá-las”, afirmou Thomas Lovejoy, presidente do Painel de Avaliação Técnica e Científica do Fundo Global para o Meio Ambiente.

“Estamos numa época em que a humanidade começa a ser a maior força de mudança do planeta”, explicou Lidia Brito diretora da Divisão de Implementação de Políticas da Organização Educacional, Científica e Cultural das Nações Unidas (Unesco, na sigla em inglês).

“Significa que a responsabilidade da humanidade, individual e coletiva, de tomar conta desse sistema terrestre, que é o nosso planeta, ela aumenta muito”, completou.

A cientista moçambicana afirmou que o ser humano precisa agir com responsabilidade e reconhecer que os recursos do planeta são finitos. Essa atitude evitaria problemas mais graves, ainda difíceis de prever.

“Se nós queremos manter as civilizações humanas como as conhecemos, como parte do sistema terrestre, então nós temos que ter atenção às fronteiras planetárias, porque elas podem iniciar um processo de mudança que é incerto”, argumentou.

Ela disse ainda que, apesar do caráter de incerteza, os sinais das mudanças já são suficientemente claros. “As comunidades de pescadores já estão sentindo. Eles já têm menos peixe, o peixe já está menor. Já não é distante”, exemplificou.

Biodiversidade e economia
No Brasil, cientistas mostram que a preservação da biodiversidade pode render, inclusive, melhoras diretas na economia.

Felipe Amorim, pesquisador da Universidade de Campinas (Unicamp), apresentou no Fórum as vantagens da manutenção das abelhas em áreas usadas para o plantio – os insetos espalham o pólen e proporcionam o nascimento de novas plantas. Ele mencionou uma pesquisa recente feita em Minas Gerais, que mostrou que as lavouras de café próximas à mata nativa têm um rendimento até 14% superior.

Ana Paula Prestes, diretora de áreas protegidas do Ministério do Meio Ambiente, apontou outro potencial uso econômico da preservação das espécies. “Na parte marinha, a gente tem milhões de espécies que ainda não foram conhecidas nem estudadas, mas que a gente sabe do potencial para fármacos, para cosméticos e para outras coisas”, disse.

“Não vou dizer que é um senso comum, mas tem vários grupos que enxergam em áreas protegidas um empecilho econômico, um empecilho para o crescimento, e não é, pelo contrário”, defendeu, mencionando outros possíveis ganhos, como o turismo.

Vista da Grande Barreira de Corais, com sua variedade de cores e espécies, já está disponível no site do projeto. (Foto: Divulgação / The Catlin Seaview Survey)

Grande Barreira de Corais, na Austrália. Local abriga grande biodiversidade e pode sofrer com a alteração da temperatura dos oceanos (Foto: Divulgação / The Catlin Seaview Survey)

Fonte: Globo Natureza


« Página anterior





Categorias

Tópicos recentes

Meta

 

maio 2017
S T Q Q S S D
« mar    
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031  

23 de março de 2015 | nenhum comentário »

Uma em cada 10 espécies de abelhas da Europa corre risco de extinção

Esta foi a primeira vez que todas as 1 965 espécies desses insetos no continente foram estudadas

 

Uma em cada dez espécies de abelhas silvestres da Europa está ameaçada de extinção, constatou um estudo publicado nesta quinta-feira pela União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). Esta foi a primeira vez que todas as 1 965 espécies de abelhas europeias foram estudadas, incluindo dados de sua população, distribuição, tendências e ameaças.

O levantamento concluiu que, além de 9,2% das espécies estarem ameaçadas, outros 5% correm grande risco de entrar nessa lista em um futuro próximo. O documento mostrou ainda que 7,7% das espécies sofreram um declínio populacional, 12,6% estão estáveis e 0,7% estão aumentando. Os dados dos 79% restantes são desconhecidos, o que demonstra uma “alarmante falta de conhecimento e recursos”, como apontou Jean-Christophe Vié, do Programa Global de Espécies da IUCN.

Causas - Perda de habitat devido ao aumento das plantações, uso de inseticidas, desenvolvimento urbano acelerado e mudanças climáticas são apontados pela organização como principais causas para esse fenômeno.

Abelhas são essenciais tanto para ecossistemas selvagens quanto para a agricultura. A polinização de plantações que esses animais realizam é estimada em 153 bilhões de euros em todo o mundo e 22 bilhões só para a Europa. Das principais plantações para consumo humano na Europa, 84% requerem polinizações de insetos.

abelhas

Abelhas são essenciais tanto para ecossistemas selvagens quanto para a agricultura(Thinkstock/VEJA)

 

Fonte: Veja Ciência

 


20 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Agricultura moderna e urbanização levam à perda da biodiversidade do solo

Lavoura em Moçambique; más práticas agrícolas arruinaram cerca de metade do solo superficial na África

Lavoura em Moçambique; más práticas agrícolas arruinaram cerca de metade do solo superficial na África. Jon Hrusa/Epa

Poucas coisas são mais vitais do que a saúde da terra. Nosso abastecimento alimentar começa lá. As plantas selvagens precisam de solo saudável para crescer bem. Os herbívoros, para que possam comer as folhas, sementes e frutos das plantas. Por fim, os predadores, para que possam comer os bichos que comem as plantas.

Um solo saudável evita doenças humanas e também contém a cura para outras enfermidades. A maioria dos antibióticos vem de lá. Os cientistas agora procuram na terra uma nova classe de remédios para enfrentar doenças resistentes a antibióticos.

O solo supostamente desempenha um papel importante, mas pouco compreendido, na difusão do cólera, da meningite fúngica e de outros agentes infecciosos que passam parte do seu ciclo de vida na terra.

Novas tecnologias garantiram saltos na nossa compreensão sobre a ecologia dos solos, ao permitir que os cientistas estudem os genes de micróbios da terra e acompanhem minúsculas quantidades de carbono e nitrogênio em sua passagem por esse ecossistema.

Mas, à medida que os cientistas aprendem mais, eles percebem como sabem pouco.

Na última década, os cientistas descobriram que o “oceano de terra” do planeta é um dos quatro maiores reservatórios de biodiversidade. Ele contém quase um terço de todos os organismos vivos, segundo o Centro de Pesquisas Conjuntas da União Europeia, mas apenas cerca de 1% dos seus micro-organismos já foi identificado. As relações entre essa miríade de espécies ainda é mal compreendida.

Cientistas criaram recentemente a Iniciativa Global de Biodiversidade do Solo para avaliar o que se sabe sobre a vida subterrânea, para identificar onde ela está em perigo e para determinar a saúde dos serviços ecossistêmicos essenciais que o solo fornece.

Uma colherada de terra pode conter bilhões de micróbios (divididos entre 5.000 tipos diferentes), assim como milhares de espécies de fungos e protozoários, além de nematódeos, ácaros e algumas espécies de cupim.

“Há uma pululante organização embaixo do chão, uma fábrica com terra, animais e micróbios, cada um com seu próprio papel”, disse a bióloga Diana Wall, da Universidade Estadual do Colorado, a presidente científica da iniciativa.

O ecossistema do solo é altamente evoluído e sofisticado. Ele processa o lixo orgânico, transformando-o em terra. Filtra e limpa grande parte da água que bebemos e do ar que respiramos, ao reter poeiras e agentes patogênicos. Desempenha importante papel na quantidade de dióxido de carbono na atmosfera, pois, com toda a sua matéria orgânica, é o segundo maior depósito de carbono do planeta, só atrás dos oceanos.

O uso de arados, a erosão e outros fatores liberam carbono na forma de CO2, exacerbando a mudança climática.

Um estudo de 2003 na revista “Ecosystems” estimou que a biodiversidade de quase 5% do solo dos EUA estava “sob risco de perda substancial ou completa extinção devido à agricultura e à urbanização”. Essa foi provavelmente uma estimativa conservadora, já que o solo do planeta era na época mais inexplorado do que hoje e as técnicas do estudo eram bem menos desenvolvidas.

Há numerosas ameaças à vida no solo. A agricultura moderna é uma das maiores, pois priva a terra da matéria orgânica que a alimenta, resseca o chão e o contamina com pesticidas, herbicidas e nitrogênio sintético.

A impermeabilização em áreas urbanas também destrói a vida da terra, assim como a poluição e as máquinas pesadas. Uma ameaça já antiga, como a chuva ácida, continua afetando a vida subterrânea, pois deixa o solo mais ácido.

O problema é global. Em quase metade da África, por exemplo, o uso intensivo para lavouras e pastagens destruiu a camada superior do solo e causou desertificação.

O aquecimento global irá contribuir para as ameaças à biodiversidade do solo. A segurança alimentar é uma grande preocupação. O que irá acontecer com as lavouras à medida que o planeta se aquecer? Ligeiras alterações de temperatura e umidade podem ter impactos profundos, mudando a composição da vida no solo e os tipos de plantas que poderão crescer.

Algumas plantas devem gradualmente migrar para climas mais frios, mas outras podem não ser capazes de se adaptar em novos solos. “O mundo acima do chão e o mundo abaixo dele estão muito estreitamente ligados”, disse Wall.

Os cientistas também estão descobrindo que um ecossistema saudável no solo pode ajudar a sustentar as plantas naturalmente, sem insumos químicos. “Quanto maior é a diversidade do solo, menos doenças surgem nas plantas”, disse Eric Nelson, que estuda a ecologia do solo e das doenças na Universidade Cornell, no Estado de Nova York. Os insetos também são refreados por plantas que crescem em terra saudável, segundo ele.

O que agricultores e jardineiros podem fazer para proteger seus solos? Wall sugere não lavrar a terra, deixando que a vegetação morta se decomponha, em vez de revolver o solo com o arado a cada ano. Evitar produtos químicos sintéticos é importante. Agregar adubo, especialmente adubo de minhoca, pode contribuir para fortalecer os ecossistemas da terra.

O tema está começando a atrair a atenção merecida. Wall acaba de receber o Prêmio Tyler de Realização Ambiental, com uma dotação de US$ 200 mil, que ela diz pretender usar em pesquisas. “É a hora do show para a biodiversidade do solo”, disse ela.

Fonte: Folha.com


20 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Plantas e animais podem perder metade de suas zonas climáticas

Um estudo publicado no domingo (12) no periódico “Nature Climate Change” prevê que cerca de 55% das espécies vegetais e 35% das espécies animais do planeta terão sua faixa climática adequada reduzida pela metade até 2080 se medidas para a diminuição de emissões de gases-estufa não forem tomadas.

As previsões indicam que, se mantido o ritmo atual de emissões, poderá haver um aumento de 4º C na temperatura do planeta até o fim do século.

Os pesquisadores da Universidade britânica East Anglia estudaram o impacto de tal aumento de temperatura nas “zonas climáticas” de 48.786 espécies. Cada zona climática permite o desenvolvimento de determinados tipos de espécies de animais e plantas, incluindo o seu processo de adaptação às condições biológicas e climáticas, como as de precipitação de chuvas e de temperatura.

O maior risco será para as plantas, os anfíbios e os répteis, já que o ritmo de sua capacidade de adaptação é mais lento que a mudança climática, enfatizaram os pesquisadores.

Segundo Rachel Warren, uma das autoras do trabalho, as estimativas da pesquisa podem ser até piores, já que somente levam em conta o impacto do aumento de temperatura, não considerando os eventos extremos provocados pela mudança no clima, como ciclones e inundações.

“As populações de animais em particular poderiam desaparecer em maior proporção do que estimamos devido à diminuição das plantas disponíveis para a alimentação” , explica Warren.

Segundo o estudo, o impacto previsto sobre as zonas climáticas das espécies poderia ser reduzido de maneira significativa se rápidas medidas para reduzir as emissões de gases-estufa forem tomadas.

As perdas podem ser reduzidas em 60% se o crescimento das emissões for interrompido em 2016 ou em 40%, se interrompido em 2030.

 

Fonte: Folha.com


26 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Biodiversidade cai em metade das florestas tropicais, aponta estudo

Análise publicada na revista ‘Nature’ avaliou 60 reservas em 20 a 30 anos.
Perturbação do habitat, caça e exploração são maiores fatores para declínio.

Metade das áreas protegidas de florestas tropicais do mundo está sofrendo um declínio na biodiversidade, segundo uma análise feita em 60 reservas e publicada na edição desta semana da revista “Nature”.

Para avaliar como esses locais estão funcionando, o pesquisador William Laurance e outros autores estudaram um grande conjunto de dados sobre as mudanças ocorridas ao longo dos últimos 20 a 30 anos.

A avaliação revela uma grande variação no estado dessas reservas, e 50% vivenciam perdas substanciais na variedade de animais e plantas. Perturbação do habitat natural, caça e exploração das florestas são os maiores fatores para esse declínio.

As reservas tropicais representam um último refúgio para espécies ameaçadas e processos naturais dos ecossistemas, em uma época que cresce a preocupação quanto ao impacto do homem sobre o crescimento da biodiversidade.

O estudo indica que, muitas vezes, áreas protegidas estão ecologicamente ligadas aos habitats ao redor, razão pela qual o destino delas é determinado por mudanças ambientais internas e externas.

Portanto, os pesquisadores afirmam que os esforços para manter a biodiversidade não devem se limitar a reduzir os problemas dentro das reservas, mas promover mudanças também fora dessas áreas.

Biodiversidade (Foto: Christian Ziegler/ZieglerPhotos.com/Nature)

Reservas são o último refúgio de espécies ameaçadas (Foto: Christian Ziegler/ZieglerPhotos.com/Nature)

Fonte: Globo Natureza


18 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Na Amazônia, câmeras na floresta ‘flagram’ 95 animais de 16 espécies

Armadilhas fotográficas captaram movimentação durante 25 dias.
Objetivo de projeto realizado no Amazonas é monitorar onças-pintadas.

Animais de diversas espécies foram “flagrados” com a ajuda de armadilhas fotográficas dentro da reserva ambiental Amanã, uma imensa área protegida no interior da Amazônia, localizada a 650 km de Manaus e que abrange três municípios do Amazonas.

Onças-pintadas, incluindo um filhote, antas, aves, tatus e até um veado pouco estudado foram registrados por 16 câmeras que pertencem ao projeto “Iauaretê”, que significa onça-pintada em um dos dialetos indígenas falados na Amazônia.

Ao todo foram 95 registros de 16 diferentes espécies feitos em apenas 25 dias (entre março e abril deste ano). Segundo Daniel Rocha, biólogo do Instituto Mamirauá e um dos responsáveis pelos equipamentos instalados ao redor do Lago Amanã, foi uma surpresa detectar uma grande biodiversidade naquela região.

“Talvez o fato da área ser protegida confirme uma elevada riqueza de espécies, mesmo aquelas consideradas ameaçadas de extinção”, disse Rocha ao Globo Natureza.
Segundo ele, dos 14 tipos diferentes de mamíferos que apareceram no monitoramento, cinco estão sob algum grau de ameaça e um deles é tão raro, que os cientistas não têm dados suficientes para explicar seu modo de vida, caso do veado-capoeira.

Os outros animais ameaçados ou vulneráveis na natureza captados pelas câmeras do projeto foram o tatu-canastra (Priodontes maximus), tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), anta (Tapirus terrestres), a queixada (Tayassu pecari ) e a onça-pintada (Panthera onca).

Objetivo é monitorar onças-pintadas na Amazônia
De acordo com Rocha, o principal objetivo do projeto “Iauaretê” é entender a dinâmica populacional das onças-pintadas na Amazônia, em áreas de terra firme. Segundo ele, ainda existem poucas informações sobre o modo de vida dessa espécie em terras amazônicas.

Porém, ameaças à sua população já são conhecidas. “Algumas delas são a redução do habitat [por desmatamento], a caça predatória, seja por retaliação à morte de gado, por medo de ataque a ribeirinhos ou para alimentação. Há ainda uma pressão sobre as espécies que fazem parte da alimentação da onça como o veado e os porcos do mato”, explica o biólogo.

O pesquisador afirma ainda que monitorar a população vai ajudar a traçar estratégias que contribuirão para reduzir pressões. A previsão é que o monitoramento das onças inicie ainda no segundo semestre.

Filhote de onça-pintada percebe a câmera no meio da floresta e coloca a pata na lente do equipamento. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Filhote de onça-pintada percebe a câmera no meio da floresta e coloca a pata na lente do equipamento. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Veado-capoeira, espécie ainda pouco pesquisada e que vive na Amazônia. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Veado-capoeira, espécie ainda pouco pesquisada e que vive na Amazônia. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Exemplar de jaguatirica passeia no meio da reserva Amanã, área protegida na Amazônia. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Exemplar de jaguatirica passeia no meio da reserva Amanã, área protegida na Amazônia. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Espécime de tamanduá-bandeira captada por câmera fotográfica implantada na floresta. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Espécime de tamanduá-bandeira captada por câmera fotográfica implantada na floresta. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Fonte: Globo Natureza


16 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Amazônia deve sofrer grande extinção de espécies até 2050

Pesquisa avalia o impacto local promovido pela perda de vegetação em 30 anos e aponta que ainda há tempo para agir.

As piores consequências do desmatamento sofrido pela Amazônia ao longo de 30 anos ainda estão por vir. Até 2050, podem ocorrer de 80% a 90% das extinções de espécies de mamíferos, aves e anfíbios esperadas nos locais onde já foi perdida a vegetação. A boa notícia é que temos tempo para agir e evitar que elas de fato desapareçam. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada na edição desta semana da revista Science.

 

Um trio de pesquisadores da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos considerou as taxas de desmate na região de 1978 a 2008 e levou em conta a relação entre espécies e área – se o hábitat diminui, é de se esperar que o total de espécies que ali vivem diminua, ao menos localmente.

 

Acontece que os animais têm mobilidade, podem migrar para locais vizinhos ao degradado. Lá vão tentar sobreviver, competindo por recursos com animais que já estavam no local, de modo que o desaparecimento não é imediato, podendo levar décadas para se concretizar.

 

É essa diferença, que os pesquisadores chamam de “débito de extinção”, que foi calculada no trabalho. Grosso modo, é uma dívida que teria de ser “paga” – em espécies animais – pelo desmatamento do passado. A ideia por trás do termo é tanto mostrar o que poderia acontecer se simplesmente o processo de extinção seguisse o seu rumo, quanto estimar qual pode ser o destino dessas espécies que dependem da floresta, considerando outros cenários de ações.

 

Mas em vez de calcular para toda a Amazônia – o que seria problemático, porque há uma diferença de riqueza de biodiversidade no bioma -, os autores mapearam os nove Estados em quadros de 50 quilômetros quadrados, a fim de estimar os impactos locais. Uma espécie pode deixar de ocorrer em uma dada área, mas isso não significa que ela desapareceu por completo.

 

Tanto que a literatura ainda não aponta a extinção de nenhuma espécie na Amazônia, explica o ecólogo Robert Ewers, do Imperial College, de Londres, que liderou o estudo. “Uma razão para isso é que o desmatamento se concentrou no sul e no leste na Amazônia, enquanto a mais alta diversidade de espécies se encontra no oeste da região. Mas não há dúvida de que muitas estão localmente extintas onde o desmatamento foi mais pesado.”

 

Na pior hipótese, a do “business as usual”, considera-se a continuidade do modelo da expansão da agricultura; na melhor, que o desmatamento zere até 2020. Os pesquisadores propõem, no entanto, que o cenário mais realista é o que considera a permanência da governança, ou seja, das ações governamentais que levaram à queda do desmatamento nos últimos anos.

 

Mas mesmo nessa situação é de se esperar que espécies sumam. Em 2050, os pesquisadores estimam que localmente (nos quadros de 50 km² podem desaparecer de 6 a 12 espécies de mamíferos, aves e anfíbios em média; enquanto de 12 a 19 podem entrar na conta do que pode ser extinto nos anos seguintes.

 

Eles reforçam que isso ainda não aconteceu e ações que aumentem as unidades de conservação e promovam a restauração de áreas degradadas têm potencial de evitar o danos. Os mapas mostram em quais áreas esse esforço poderia promover mais benefícios.

 

Em outro artigo na Science que comenta o trabalho, Thiago Rangel, da Universidade Federal de Goiás, pondera que a conjuntura atual é incerta. “O governo vai investir pesado em infraestrutura, estão previstas 22 hidrelétricas de grande porte, estão sendo reduzidas as unidades de conservação e o Código Florestal vai ficar mais frouxo. A trajetória dos dez anos que passaram dava uma sinalização otimista, mas são os próximos dez anos que vão dizer o que vai acontecer.”

Fonte: O Estado de São Paulo


9 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Lista Vermelha 2012 revela novos dados sobre a saúde da biodiversidade mundial

Imagem: Mater Natura

Segundo a nova atualização da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, lançada no dia 19 de junho, as fontes de alimentos, remédios e água potável, ou seja, os meios de subsistência de milhões de pessoas podem estar em risco com o rápido declínio do mundo animal, vegetal e de espécies de fungos. A lista mostra que, das 63.837 espécies avaliadas, 19.817 estão ameaçadas de extinção, incluindo 41% de anfíbios, 33% dos corais, 25% dos mamíferos, 13% das aves, e 30% de coníferas.

Amplamente respeitada, a Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza) estuda uma pequena proporção das espécies conhecidas no mundo de forma a fornecer um panorama sobre a saúde da biodiversidade do mundo.

“A sustentabilidade é uma questão de vida ou morte para as pessoas do planeta”, afirmou Julia Marton-Lefèvre, diretora geral da IUCN. “Um futuro sustentável não pode ser alcançado sem conservação da diversidade biológica – espécies animais e vegetais, seus habitats e seus genes, não só para a natureza em si, mas também para todos os 7 bilhões de pessoas que dependem dele”, concluiu.

As 63.837 espécies avaliadas pelo Livro Vermelho se enquadram em oito categorias de conservação: 27.937 como “de menos preocupação” ou “quase ameaçadas”, 255 consideradas em “menor risco”, 4.467 semi-ameaçadas. Outras 3.947 estão em risco critico, 5.766 em risco e 10.104 estão vulneráveis, totalizando 19.817 espécies ameaçadas. Por sua vez, 63 espécies se tornaram extintas na natureza e 801 desapareceram completamente. As 10.497 espécies remanescentes na pesquisa possuem dados insuficientes que impedem um julgamento preciso.

A perda de espécies frequentemente resulta da destruição do hábitat. Mas espécies invasivas e, de forma crescente, o impacto das mudanças climáticas, também são fatores.

O novo relatório lançou luz sobre a exploração irresponsável de oceanos, lagos e rios. Os ecossistemas de água doce estão sob pressão considerável devido à expansão da população humana e a exploração dos recursos hídricos. Uma importante fonte de alimento, os peixes de água doce, está enfrentando ameaças de práticas de pesca insustentáveis e destruição de habitats causados pela poluição e pela construção de barragens. Um quarto das pescarias do mundo está localizado no continente africano, mas 27% dos peixes de água doce na África estão ameaçados.

Segundo a IUCN, em algumas partes do mundo até 90% das populações costeiras vivem da pesca, o que reduziu algumas populações de peixes comerciais em mais de 90%. As arraias, por exemplo, possui 36% da sua população ameaçada de extinção.

Mais de 275 milhões de pessoas são dependentes de recifes de corais como fonte de alimentos e como meio de subsistência. Globalmente, a pesca de recifes de coral rende aos EUA 6,8 bilhões dólares anualmente. A sobrepesca afeta 55% dos recifes do mundo e de acordo com a lista vermelha da IUCN, 18% dos meros, uma família economicamente importantes de peixes de recife de grande porte, estão ameaçadas.

Os recifes de corais devem ser geridos de forma sustentável para garantir que eles continuem fornecendo o alimento essencial no qual milhões de pessoas dependem como fonte de proteína, afirmou a IUCN.

A produção de pelo menos um terço dos alimentos do mundo, incluindo 87 das 113 principais culturas alimentares, depende da polinização realizada por insetos, morcegos e pássaros, gerando recursos da ordem de US$ 200 bilhões por ano. De acordo com a Lista Vermelha da IUCN, 16% das borboletas endêmicas da Europa estão ameaçadas. Os morcegos, igualmente importantes polinizadores, também estão em risco com 18% da sua população global ameaçada.
A mais recente atualização da Lista Vermelha da IUCN mostra também que quatro membros da família do beija-flor, que é conhecida por seus serviços de polinização, estão agora em maior risco de extinção como a brilhante rosa-throated (Heliodoxa gularis) listada como vulnerável. Além de seu papel importante como polinizadores, os morcegos e os pássaros também ajudam no controle das populações de insetos que podem de outra forma destruir economicamente importantes plantas agrícolas.

Os anfíbios desempenham um papel vital na busca de novos medicamentos. Compostos químicos importantes podem ser encontrados na pele de muitos sapos. No entanto, 41% das espécies de anfíbios estão ameaçadas de extinção, incluindo o sapo recentemente descrito, Anodonthyla hutchisoni, de Madagascar, que agora é considerado ameaçado.
A Lista Vermelha da IUCN mostra também que 10% das serpentes endêmicas da China e Sudeste da Ásia estão ameaçadas de extinção, isso porque as cobras são utilizadas na medicina tradicional e na fabricação de soro anti-veneno, assim como alimento e fonte de renda com a venda de peles.

Quase 43% das espécies de serpentes endêmicas do Sudeste Asiático estão ameaçadas pelo uso insustentável. A maior serpente venenosa do mundo, a King Cobra (Ophiophagus hannah),está listada como vulnerável devido à perda de habitat e sua exploração para fins medicinais. A píton birmanesa (Python bivittatus), mais conhecido no Ocidente como uma espécie invasora em Everglades, Flórida, também está listada como vulnerável na sua área nativa, por causa do comércio e da exploração excessiva do animal como alimento e para a retirada da pele. No entanto, a China e o Vietnã, são os locais onde as espécies estão mais ameaçadas. Apesar de estarem designadas como uma espécie protegida na China, as populações de lá não mostram evidências de recuperação e a exploração ilegal continua.

Os dados apresentados no relatório auxiliam atualmente na implementação da Meta nº 12 do Plano Estratégico para a Biodiversidade (2011-2020), resultante do Protocolo de Nagoya, estabelecido durante a Convenção das Partes das Nações Unidas para a Biodiversidade, que ocorreu em 2010. Nesse trecho do documento é proposto que até o ano de 2020 a extinção de espécies identificadas como ameaçadas terá sido evitada e o status de conservação, particularmente das que estão em maior declínio, terá sido melhorada e mantida.

Fonte: Mater Natura


9 de julho de 2012 | nenhum comentário »

A balança comercial de ameaças à biodiversidade

Imagem: Mater Natura

Se os brasileiros importassem casacos feitos de pele de panda, certamente estaríamos contribuindo para a extinção desse simpático urso chinês. Do mesmo modo, se os chineses usassem casacos de mico-leão-dourado, seriam acusados de contribuir para a destruição da biodiversidade brasileira. Imagine que a balança comercial entre China e Brasil se restringisse a esses dois produtos: poderíamos dizer que a balança comercial de ameaças à biodiversidade entre os dois países estaria equilibrada.

Mas o comércio entre Brasil e China não é tão simples: exportamos soja, frango, madeira e minério. Importamos roupas e centenas de outros produtos industriais. Ao produzirmos tudo o que exportamos para a China, contribuímos para a extinção de espécies da Amazônia e do Cerrado. Por sua vez, ao produzir tudo o que nos vendem, os chineses poluem seus rios e também destroem parte da sua biodiversidade. Será possível calcular a balança comercial de ameaças à biodiversidade entre Brasil e China? Qual seria o valor líquido dessa balança? Estaríamos importando três ameaças a espécies chinesas e exportando cinco ameaças a espécies brasileiras?

Parece conversa de louco, mas cientistas publicaram um estudo (International trade drives biodiversity threats in developing nations) no dia 7 de junho no periódico científico “Nature”, contendo o mapeamento do impacto do comércio internacional sobre o risco de extinção de espécies ameaçadas. Não é tão complicado. Os cientistas selecionaram 6.964 espécies listadas por órgãos internacionais como ameaçadas de extinção em 187 países. Em seguida fizeram um levantamento das 166 atividades humanas que ameaçam essas espécies (por exemplo, desmatamento e poluição). Para cada uma das espécies, eles identificaram quais das atividades humanas contribuíam para a extinção de cada espécie em cada um dos países. Isso gerou um banco de dados com 171.825 combinações de espécies, países e atividades econômicas (exemplo: no Brasil, o mico-leão-dourado é ameaçado pela destruição da Mata Atlântica para a produção de frutas).

Esse primeiro banco de dados foi integrado a um segundo, com 15.909 tipos de transações comerciais, tanto internas quanto entre países (exemplo: exportações de frutas do Brasil, importação de carros da China).

Cruzando estes dois bancos de dados, é possível identificar o fluxo comercial responsável pela ameaça a cada uma das espécies. Examinando o exemplo de Madagascar, fica fácil entender o tipo de resultado desse estudo. Lá existem 359 espécies em risco de extinção. Metade da culpa por esse risco vem de atividades econômicas que geram produtos consumidos dentro do próprio país; 25% da culpa recai sobre produtos exportados para a União Europeia e 25% para a China. O restante da culpa é dividida entre Japão e EUA.

Com base nesses dados, é possível descobrir que alguns países, no balanço final, são “importadores” de extinção de espécies, ou seja, as mercadorias que importam causam mais ameaças no restante do mundo que as mercadorias que eles exportam causam em suas espécies. Exemplos desse grupo são EUA, Japão, Coreia do Sul e Canadá. Outros países são “exportadores” de extinção, ou seja, as mercadorias que exportam causam mais estragos em casa do que o estrago feito no restante do mundo pelas mercadorias que eles importam. É o caso de Madagascar, Tailândia e Indonésia.

O que surpreende é o caso do Brasil, pois a princípio se imagina que somos um “exportador” de extinção, pois destruímos a Floresta Amazônica para produzir carne e grãos, exportamos madeira e minerais e importamos muitos produtos industrializados. O estudo indica que o Brasil tem 356 espécies entre as estudadas. A maioria delas é impactada principalmente por atividades econômicas que suprem nosso mercado doméstico. Somente 35 delas estão sob ameaça por atividades de exportação, para países como Estados Unidos, Japão, Alemanha, Argentina e China. Por outro lado, as atividades de importação brasileira ameaçam 76 espécies de fora do país, vindas de Argentina, Uruguai, Estados Unidos, Bolívia, entre outros. Assim, apesar de nossa imensa biodiversidade, nossa balança comercial de ameaças à biodiversidade é mais parecida com a de um país europeu do que com a de um país agrícola do Sudeste Asiático.

“Ficamos muito surpresos com o tamanho do efeito de nossos estudos. Muitos de nossos vizinhos (Papua Nova Guiné em relação a Austrália; e Honduras para a América Latina) possuem até 60% de suas espécies ameaçadas devido ao comércio internacional”, afirmou Barney Fornan, um dos autores do estudo, da Universidade de Sidney, na Austrália. De modo global, o estudo conclui que esta relação é de 30%, excluídas as espécies invasoras.

Um exemplo encontrado foi o do macaco aranha (foto) que está perdendo seu habitat por causa da plantação de café e cacau no México e na América Central. A análise mostrou também que Estados Unidos, União Europeia e Japão são os principais destinos das mercadorias que estão relacionadas à perda de biodiversidade.

É claro que esse trabalho é preliminar e os autores listam extensivamente os potenciais problemas e dificuldades de um estudo tão abrangente como esse, mas o interessante é que pela primeira vez foi mapeada, em escala global, a responsabilidade dos produtos que circulam nas rotas do comércio internacional pela destruição da biodiversidade do planeta.

Estudos como este serão aperfeiçoados e se tornarão instrumentos importantes na divisão, entre os países, da responsabilidade pela destruição da biodiversidade. Também ajudarão na discussão de quem deve pagar a conta associada à preservação da biodiversidade.

 

Fonte: Mater Natura


26 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Exposição Biomas do Brasil agora pode ser visitada na web

Atração com recursos multimídia foi digitalizada na íntegra para passeio virtual. Secretário de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTI, Carlos Nobre, destacou a qualidade da mostra e a importância da Rio+20.

A exposição Biomas do Brasil foi uma das atrações mais populares do Espaço Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável. Por isso, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com o Era Virtual, digitalizou toda a exposição em um site interativo, onde os visitantes virtuais podem acessar todas as imagens e vídeos dos biomas brasileiros. No lançamento, que aconteceu na Arena de Palestras do Armazém 4, o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTI, Carlos Nobre, destacou a qualidade da mostra e a importância da Rio+20.

 

“A mostra Biomas do Brasil foi um grande sucesso de público e atraiu dirigentes e empresários pela qualidade de conteúdo e pelos valores transmitidos”, disse o secretário. “Seria muito pouco simplesmente empacotar tudo e levar embora ao fim do evento, então começamos a discutir um plano de virtualização da exposição”.

 

O espaço virtual da Biomas do Brasil é uma reprodução fiel do espaço verdadeiro no Armazém 4 do Píer Mauá, com direito a todas as imagens, vídeos e sons que os visitantes puderam conferir durante o evento. O site traz versões em português e inglês das informações, o que ajuda a divulgar as riquezas do Brasil para o exterior. “O usuário vai se sentir como se estivesse na exposição e pode adentrar nos conteúdos mostrados aqui”, disse o secretário.

 

Carlos Nobre também fez uma avaliação da conferência mundial. “A Rio+20 tem importância em dois lados. O primeiro deles é aferir que agora, 20 anos depois da Rio 92, há um certo sentimento de inércia em relação a mudanças. A Rio+20 mostrou para a sociedade que a agenda do desenvolvimento sustentável não vai regredir”, comentou o representante do MCTI. “Na outra frente, estão as reuniões entre os países, tentando estabelecer acordos e mostrar avanços práticos. A ciência deixa claro que o tempo é um dos nossos recursos mais escassos.”

 

Para Nobre, esse é o momento do Brasil tomar o destaque no cenário internacional. “Cabe aos países aplicar as políticas decididas”, ponderou o secretário. “O Brasil tem um papel fundamental, tanto guiando os emergentes, como assumindo um papel de liderança no mundo”.

 

Confira a exposição no link: http://www.eravirtual.org/biomas/.

Fonte: Ascom do MCTI


14 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Para cientistas, preservar espécies é responsabilidade humana

Especialistas dizem que é preciso agir para evitar futuro ‘incerto’.
ONU chamou atual década de ‘década da biodiversidade’.

A biodiversidade é a bola da vez nos debates sobre o desenvolvimento sustentável. O conceito define a variedade entre os seres vivos de todo o planeta. Defender a biodiversidade significa, portanto, evitar a extinção de espécies de todos os tipos, sejam plantas ou animais, aquáticos ou terrestres.

Em abril de 2012, foi aprovada a criação de um grupo de estudos direcionado para o tema dentro das Nações Unidas, nos moldes do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês).

Para a ONU, o período entre 2011 e 2020 é a “década da biodiversidade”. Em 2010, durante uma conferência em Nagoia, no Japão, foram traçadas 20 metas de biodiversidade, que precisam ser atingidas até 2020. Elas ficaram conhecidas como as “metas de Aichi”, nome da província japonesa onde fica a cidade.

Entre os objetivos estratégicos principais, os signatários do acordo se comprometeram a fazer com que a população absorva os valores da biodiversidade e tomem medidas para preservá-la.

A grande questão para os cientistas reunidos no Fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), é como alcançar a sociedade e mostrar a importância da preservação das espécies.

“O que eu espero firmemente é que as pessoas acordem antes que aconteça algo realmente ruim para acordá-las”, afirmou Thomas Lovejoy, presidente do Painel de Avaliação Técnica e Científica do Fundo Global para o Meio Ambiente.

“Estamos numa época em que a humanidade começa a ser a maior força de mudança do planeta”, explicou Lidia Brito diretora da Divisão de Implementação de Políticas da Organização Educacional, Científica e Cultural das Nações Unidas (Unesco, na sigla em inglês).

“Significa que a responsabilidade da humanidade, individual e coletiva, de tomar conta desse sistema terrestre, que é o nosso planeta, ela aumenta muito”, completou.

A cientista moçambicana afirmou que o ser humano precisa agir com responsabilidade e reconhecer que os recursos do planeta são finitos. Essa atitude evitaria problemas mais graves, ainda difíceis de prever.

“Se nós queremos manter as civilizações humanas como as conhecemos, como parte do sistema terrestre, então nós temos que ter atenção às fronteiras planetárias, porque elas podem iniciar um processo de mudança que é incerto”, argumentou.

Ela disse ainda que, apesar do caráter de incerteza, os sinais das mudanças já são suficientemente claros. “As comunidades de pescadores já estão sentindo. Eles já têm menos peixe, o peixe já está menor. Já não é distante”, exemplificou.

Biodiversidade e economia
No Brasil, cientistas mostram que a preservação da biodiversidade pode render, inclusive, melhoras diretas na economia.

Felipe Amorim, pesquisador da Universidade de Campinas (Unicamp), apresentou no Fórum as vantagens da manutenção das abelhas em áreas usadas para o plantio – os insetos espalham o pólen e proporcionam o nascimento de novas plantas. Ele mencionou uma pesquisa recente feita em Minas Gerais, que mostrou que as lavouras de café próximas à mata nativa têm um rendimento até 14% superior.

Ana Paula Prestes, diretora de áreas protegidas do Ministério do Meio Ambiente, apontou outro potencial uso econômico da preservação das espécies. “Na parte marinha, a gente tem milhões de espécies que ainda não foram conhecidas nem estudadas, mas que a gente sabe do potencial para fármacos, para cosméticos e para outras coisas”, disse.

“Não vou dizer que é um senso comum, mas tem vários grupos que enxergam em áreas protegidas um empecilho econômico, um empecilho para o crescimento, e não é, pelo contrário”, defendeu, mencionando outros possíveis ganhos, como o turismo.

Vista da Grande Barreira de Corais, com sua variedade de cores e espécies, já está disponível no site do projeto. (Foto: Divulgação / The Catlin Seaview Survey)

Grande Barreira de Corais, na Austrália. Local abriga grande biodiversidade e pode sofrer com a alteração da temperatura dos oceanos (Foto: Divulgação / The Catlin Seaview Survey)

Fonte: Globo Natureza


« Página anterior