23 de março de 2015 | nenhum comentário »

Relatório da ONU alerta para possível crise mundial de água

Caso não haja uma mudança dramática no uso, gerenciamento e compartilhamento do recurso, o mundo enfrentará um déficit de 40% no abastecimento de água em 2030

Um relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) divulgado nesta sexta-feira estima que as reservas hídricas do mundo podem encolher 40% até 2030. Segundo o documento, há no mundo água suficiente para suprir as necessidades de crescimento do consumo, desde que haja uma mudança dramática no uso, gerenciamento e compartilhamento do recurso.

De acordo com a organização, nas últimas décadas o consumo de água cresceu duas vezes mais do que a população e a estimativa é que a demanda aumente 55% até 2050. Os desafios são muitos: o crescimento da população está estimado em 80 milhões de pessoas por ano, podendo chegar a 9,1 bilhões em 2050.

Os dados estão no relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento de Recursos Hídricos 2015 – Água para um Mundo Sustentável. Segundo o documento, a crise global de água é de governança, muito mais do que de disponibilidade de recurso, e um padrão de consumo mundial sustentável ainda está distante.

A ONU estima que atualmente 20% dos aquíferos – grandes reservatórios que concentram água no subterrâneo e abastecem nascentes e rios – estejam explorados acima de sua capacidade. Eles são responsáveis por fornecer água potável à metade da população mundial e é de onde provêm 43% da água usada na irrigação.

Possíveis medidas - De acordo com Angela Ortigara, oficial de Ciências Naturais da Unesco na Itália, a intenção do documento é alertar os governos para que incentivem o consumo sustentável e evitem uma grave crise de abastecimento no futuro. “É importante melhorar a transparência nas decisões e também tomar medidas de maneira integrada com os diferentes setores que utilizam a água. A população deve sentir que faz parte da solução”, diz.

“Grande parte dos problemas que os países enfrentam passa também por padrões de consumo, que só a longo prazo conseguiremos mudar, e a educação é a ferramenta para isso”, diz Ary Mergulhão, coordenador de Ciências Naturais da Unesco no Brasil.

O relatório atribui o possível cenário de falta de água a vários fatores como a intensa urbanização, as práticas agrícolas inadequadas e a poluição. De maneira geral, para combatê-lo a Unesco recomenda mudanças na administração pública, no investimento em infraestrutura e em educação.

O documento foi escrito pelo Programa Mundial de Avaliação da Água (WWAP, na sigla em inglês) e produzido em colaboração com as 31 agências do sistema das Nações Unidas e 37 parceiros internacionais da ONU-Água. A intenção é que a questão hídrica seja um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que vêm sendo discutidos desde 2013, seguindo orientação da Conferência Rio+20 e que deverão nortear as atividades de cooperação internacional nos próximos 15 anos.

Brasil - Segundo o documento, o Brasil está entre os países que mais registraram stress ambiental. As mudanças nos fluxos naturais dos rios, realizadas entre 1981 e 2014, para a construção de represas ou usinas hidrelétricas causaram maior degradação dos ecossistemas, com aumento do número de espécies invasoras, além do risco de assoreamento.

Apesar do país já enfrentar problemas de abastecimento no Nordeste, a preocupação com a falta de água ganhou destaque com a crise hídrica no Sudeste. A ausência de chuvas no ano passado baixou o nível de reservatórios importantes de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, que tiveram que implantar políticas restritivas de acesso à água.

Mergulhão diz que o Brasil tem uma grande reserva de água, mas é preciso investir em um diagnóstico para saber como estão as políticas de consumo, atenção à população e planejamento.

Fonte:  Agência Brasil


23 de março de 2015 | nenhum comentário »

Maior aquífero do mundo fica no Brasil e abasteceria o planeta por 250 anos

Imagine uma quantidade de água subterrânea capaz de abastecer todo o planeta por 250 anos. Essa reserva existe, está localizada na parte brasileira da Amazônia e é praticamente subutilizada.

Até dois anos atrás, o aquífero era conhecido como Alter do Chão. Em 2013, novos estudos feitos por pesquisadores da UFPA (Universidade Federal do Pará) apontaram para uma área maior e nova definição.

“A gente avançou bastante e passamos a chamar de SAGA, o Sistema Aquífero Grande Amazônia. Fizemos um estudo e vimos que aquilo que era o Alter do Chão é muito maior do que sempre se considerou, e criamos um novo nome para que não ficasse essa confusão”, explicou o professor de Instituto de Geociência da UFPA, Francisco Matos.

Segundo a pesquisa, o aquífero possui reservas hídricas estimadas preliminarmente em 162.520 km³ – sendo a maior que se tem conhecimento no planeta. “Isso considerando a reserva até uma profundidade de 500 metros. O aquífero Guarani, que era ao maior, tem 39 mil km³ e já era considerado o maior do mundo”, explicou Matos.

O aquífero está posicionado nas bacias do Marajó (PA), Amazonas, Solimões (AM) e Acre – todas na região amazônica – chegando até a bacias sub-andinas. Para se ter ideia, a reserva de água equivale a mais de 150 quatrilhões de litros. “Daria para abastecer o planeta por pelo menos 250 anos”, estimou Matos.

O aquífero exemplifica a má distribuição do volume hídrico nacional com relação à concentração populacional. Na Amazônia, vive apenas 5% da população do país, mas é a região que concentra mais da metade de toda água doce existente no Brasil.

Por conta disso, a água é subutilizada. Hoje, o aquífero serve apenas para fornecer água para cidades do vale amazônico, com cidades como Manaus e Santarém. “O que poderíamos fazer era aproveitar para termos outro ciclo, além do natural, para produção de alimentos, que ocorreria por meio da irrigação. Isso poderia ampliar a produção de vários tipos de cultivo na Amazônia”, afirmou Matos.

Para o professor, o uso da água do aquífero deve adotar critérios específicos para evitar problemas ambientais. “Esse patrimônio tem de ser visto no ciclo hidrológico completo. As águas do sistema subterrâneo são as que alimentam o rio, que são abastecidos pelas chuvas. Está tudo interligado. É preciso planejamento para poder entender esse esquema para que o uso seja feito de forma equilibrada. Se fizer errado pode causar um desequilíbrio”, disse.

Mesmo com a água em abundância, Matos tem pouca esperança de ver essa água abastecendo regiões secas, como o semiárido brasileiro. “O problema todo é que essa água não tem como ser transportada para Nordeste ou São Paulo. Para isso seriam necessárias obras faraônicas. Não dá para pensar hoje em transportar isso em distâncias tão grandes”, afirmou.

Fonte: UOL


23 de março de 2015 | nenhum comentário »

Brasil celebra o dia de água submerso em uma severa crise hídrica

O Brasil se envolveu neste domingo nas celebrações do Dia Mundial da Água enquanto o sudeste do país atravessa uma das piores crises hídricas de sua história e que tem como principal foco o estado de São Paulo.

Diferentes atos foram organizados durante o dia todo na capital paulista para conscientizar a população sobre a importância de água e reivindicar ao governo de São Paulo mais transparência frente à crise hídrica que o estado atravessa.

Os atos marcados para este domingo acentuam a situação paradoxal que se apoderou da vida de milhões de brasileiros, alguns dos quais sofrem com racionamento de água, enquanto sentem os estragos das inundações causadas pelas chuvas de verão em São Paulo.

“Neste momento em que o Brasil se mobiliza pelos escândalos de corrupção e os problemas na economia, é importante que a questão de água não seja posta em um segundo plano”, afirmou em comunicado Marussia Whately, coordenadora da Aliança pela Água, grupo que reúne mais de 40 organizações da sociedade civil.

Conferências com especialistas, exposições, debates, seminários e passeatas foram convocadas pela Aliança pela Água para aprofundar a compreensão dos cidadãos sobre a crise hídrica.

Os especialistas atribuem a crise hídrica a uma falta de gestão por parte do governo regional, que começou a ser visível no ano passado, quando uma seca afetou São Paulo e outros estados do sudeste do país.

A situação hídrica levou o governo de São Paulo a adotar medidas como benefícios para quem economize no consumo de água, multas por desperdício ou aumento não justificado de seu uso e redução na pressão.

Esta conjuntura deixou alguns bairros com falta de abastecimento inclusive até por 19 horas por dia e provocou continuados protestos na sociedade, que denunciaram os descontos na conta de água dos que supostamente se beneficiaram mais de 500 grandes empresas.

Mas além de São Paulo, os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, onde se concentra a maioria das indústrias brasileiras, também estão sentindo as consequências da crise hídrica.

Dado que a principal fonte é a hidrelétrica, alguns setores da indústria brasileira mostraram preocupação perante o temor de um possível racionamento energético, uma hipótese que por enquanto é descartada pelas autoridades.

As precipitações dos últimos meses deram um empurrão aos principais açudes do estado de São Paulo, mas apesar das intensas chuvas, os reservatórios seguem nos mínimos históricos.

O sistema da Cantareira, o maior de São Paulo e responsável pela provisão de água para 6,5 milhões de pessoas – um terço da região metropolitana – registrou o verão mais chuvoso desde 2011, embora siga operando com 16,5% de sua reserva técnica, considerada como “volume morto”.

Esta situação fez saltar os alarmes perante a entrada de outono e o fim da estação chuvosa, que não voltará até outubro.

Fonte: Terra


23 de março de 2015 | nenhum comentário »

Dar migalhas de pão a patos pode prejudicar ecossistemas, dizem especialistas

Prática não só prejudica saúde do animal como coloca em risco habitat natural das aves; ambientalistas dão dicas sobre como evitar danos.

 

Jogar migalhas de pão prejudica a saúde do animal e interfere no ecossistema dos rios (Foto: ThinkStock/ BBC)

Jogar migalhas de pão prejudica a saúde do animal e interfere no ecossistema dos rios (Foto: ThinkStock/ BBC)

A prática pode parecer inofensiva, mas alimentar patos com migalhas de pão não só prejudica a saúde do animal, como também pode colocar em risco todo o ecossistema onde eles vivem, segundo estudiosos.

Atirar migalhas de pão em uma lagoa ou em um rio é um ritual tão antigo que remonta ao século 19.

Porém, de acordo com pesquisadores, uma dieta rica em pão ? especialmente se este for feito de farinha branca (como o pão francês) ? pode deixar as aves doentes e, em alguns casos, deformá-las.

Agora, ambientalistas estão alertando sobre os perigos da prática. Segundo eles, o alimento pode estimular a proliferação de bactérias e algas nos rios – que por sua vez, podem envenenar outras espécies e também atrair animais invasores.

O pão facilita a formação das chamadas algas de superfície. Esses organismos produzem nitratos e fosfatos, liberando toxinas que prejudicam os peixes e exalam mau cheiro. As algas também impedem que a luz do sol chegue a plantas subaquáticas.

Além disso, o pão comido pelas aves faz com que elas produzam mais fezes, potencializando esses mesmos efeitos.

Cuidados
Os nutrientes do pão também estimulam a proliferação de outro tipo de alga, a alga filamentosa, que cresce de baixo para cima em correntes ou fios, desacelerando o curso dos rios e prejudicando ainda mais o meio ambiente.

“É claro que o pão não é a única coisa que causa problema”, diz Richard Bennett, diretor de meio ambiente da entidade de proteção britânica Canal and River Trust. “Isso não seria um problema se alguém alimentasse os patos em um córrego, mas as pessoas costumam recorrer à prática em vilarejos e cidades”.

O pão em decomposição produz bactérias e atrai animais invasores, como ratos, cuja urina transmite leptospirose, doença que pode ser fatal em humanos. Molhada, a massa do pão também pode se tornar um ambiente propício para a proliferação do fungo aspergillus, que invade o pulmão dos patos, causando sua morte.

Mas ninguém parece estar propenso a desistir de uma prática tão popular, especialmente entre as crianças.

Para impedir o acúmulo de pão em uma determinada área ou trecho de água, Bennett recomenda que as pessoas joguem o alimento em um determinado local e depois caminhem 50 metros para atirá-lo novamente.

Segundo ele, a ação possibilita que mais de uma família de patos seja alimentada e reduz concentrações desnecessárias de algas, bactérias e fezes.

“Alimentar os pássaros é algo que as pessoas têm feito por gerações e definitivamente não queremos desencorajá-las”, diz Bennett. “Mas temos de refletir sobre como fazemos isso.”

Fonte: Globo Natureza

 


23 de março de 2015 | nenhum comentário »

Pika-de-Ili, mamífero ‘fofinho’ raro, é redescoberto em montanhas da China

Espécie foi descoberta em 1983 e foi vista raras vezes desde então.
Mesmo cientista que a descobriu conseguiu fotografar exemplar em 2014

 

O cientista Weidong Li, do Instituto de Ecologia e Geografia Xinjiang, na China, descobriu por acaso uma nova espécie de mamífero em 1983: a pika-de-Ili (Ochotona iliensis). O pequeno animal, encontrado pela primeira vez na cordilheira Tian Shan, no noroeste da China, tem uma peculiar aparência de bichinho de pelúcia fofo.

Desde sua descoberta, foram raras as vezes em que o mamífero foi visto. Em 2014, durante uma expedição à cordilheira Tian Shan, o mesmo cientista que descobriu a espécie conseguiu registrar em foto uma rara aparição de um exemplar. A história do raro bichinho das montanhas e seu descobridor foi publicada na edição de março da revista “National Geographic China”.

Weidong Li partiu para as monhanhas em 2014 com alguns voluntários justamente para procurar exemplares da pika-de-Ili, segundo a revista. O exemplar típico do mamífero mede cerca de 20 cm, tem orelhas grandes e pêlo acinzentado com manchas marrons.

Um artigo publicado na revista científica “Oryx” por Weidong em  2005 fala sobre o possível declínio do número de exemplares de pika-de-Ili nos locais onde o animal havia sido visto anteriormente.

Segundo o artigo, o aumento da temperatura devido ao aquecimento global pode ter contribuído para o “dramático declínio” da população da espécie. O autor recomendava que a espécie fosse classificada como ameaçada de extinção.

  Rara foto de exemplar de pika-de-Ili foi fotografado em 2014 pelo cientista Weidong Li no noroeste da China  (Foto: Li Weidong/Wikimedia Commons)

Rara foto de exemplar de pika-de-Ili foi feita em 2014 pelo cientista Weidong Li no noroeste da China (Foto: Li Weidong/Wikimedia Commons)

 Fonte: Globo Natureza

23 de março de 2015 | nenhum comentário »

Uma em cada 10 espécies de abelhas da Europa corre risco de extinção

Esta foi a primeira vez que todas as 1 965 espécies desses insetos no continente foram estudadas

 

Uma em cada dez espécies de abelhas silvestres da Europa está ameaçada de extinção, constatou um estudo publicado nesta quinta-feira pela União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). Esta foi a primeira vez que todas as 1 965 espécies de abelhas europeias foram estudadas, incluindo dados de sua população, distribuição, tendências e ameaças.

O levantamento concluiu que, além de 9,2% das espécies estarem ameaçadas, outros 5% correm grande risco de entrar nessa lista em um futuro próximo. O documento mostrou ainda que 7,7% das espécies sofreram um declínio populacional, 12,6% estão estáveis e 0,7% estão aumentando. Os dados dos 79% restantes são desconhecidos, o que demonstra uma “alarmante falta de conhecimento e recursos”, como apontou Jean-Christophe Vié, do Programa Global de Espécies da IUCN.

Causas - Perda de habitat devido ao aumento das plantações, uso de inseticidas, desenvolvimento urbano acelerado e mudanças climáticas são apontados pela organização como principais causas para esse fenômeno.

Abelhas são essenciais tanto para ecossistemas selvagens quanto para a agricultura. A polinização de plantações que esses animais realizam é estimada em 153 bilhões de euros em todo o mundo e 22 bilhões só para a Europa. Das principais plantações para consumo humano na Europa, 84% requerem polinizações de insetos.

abelhas

Abelhas são essenciais tanto para ecossistemas selvagens quanto para a agricultura(Thinkstock/VEJA)

 

Fonte: Veja Ciência

 






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Relatório da ONU alerta para possível crise mundial de água

Caso não haja uma mudança dramática no uso, gerenciamento e compartilhamento do recurso, o mundo enfrentará um déficit de 40% no abastecimento de água em 2030

Um relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) divulgado nesta sexta-feira estima que as reservas hídricas do mundo podem encolher 40% até 2030. Segundo o documento, há no mundo água suficiente para suprir as necessidades de crescimento do consumo, desde que haja uma mudança dramática no uso, gerenciamento e compartilhamento do recurso.

De acordo com a organização, nas últimas décadas o consumo de água cresceu duas vezes mais do que a população e a estimativa é que a demanda aumente 55% até 2050. Os desafios são muitos: o crescimento da população está estimado em 80 milhões de pessoas por ano, podendo chegar a 9,1 bilhões em 2050.

Os dados estão no relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento de Recursos Hídricos 2015 – Água para um Mundo Sustentável. Segundo o documento, a crise global de água é de governança, muito mais do que de disponibilidade de recurso, e um padrão de consumo mundial sustentável ainda está distante.

A ONU estima que atualmente 20% dos aquíferos – grandes reservatórios que concentram água no subterrâneo e abastecem nascentes e rios – estejam explorados acima de sua capacidade. Eles são responsáveis por fornecer água potável à metade da população mundial e é de onde provêm 43% da água usada na irrigação.

Possíveis medidas - De acordo com Angela Ortigara, oficial de Ciências Naturais da Unesco na Itália, a intenção do documento é alertar os governos para que incentivem o consumo sustentável e evitem uma grave crise de abastecimento no futuro. “É importante melhorar a transparência nas decisões e também tomar medidas de maneira integrada com os diferentes setores que utilizam a água. A população deve sentir que faz parte da solução”, diz.

“Grande parte dos problemas que os países enfrentam passa também por padrões de consumo, que só a longo prazo conseguiremos mudar, e a educação é a ferramenta para isso”, diz Ary Mergulhão, coordenador de Ciências Naturais da Unesco no Brasil.

O relatório atribui o possível cenário de falta de água a vários fatores como a intensa urbanização, as práticas agrícolas inadequadas e a poluição. De maneira geral, para combatê-lo a Unesco recomenda mudanças na administração pública, no investimento em infraestrutura e em educação.

O documento foi escrito pelo Programa Mundial de Avaliação da Água (WWAP, na sigla em inglês) e produzido em colaboração com as 31 agências do sistema das Nações Unidas e 37 parceiros internacionais da ONU-Água. A intenção é que a questão hídrica seja um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que vêm sendo discutidos desde 2013, seguindo orientação da Conferência Rio+20 e que deverão nortear as atividades de cooperação internacional nos próximos 15 anos.

Brasil - Segundo o documento, o Brasil está entre os países que mais registraram stress ambiental. As mudanças nos fluxos naturais dos rios, realizadas entre 1981 e 2014, para a construção de represas ou usinas hidrelétricas causaram maior degradação dos ecossistemas, com aumento do número de espécies invasoras, além do risco de assoreamento.

Apesar do país já enfrentar problemas de abastecimento no Nordeste, a preocupação com a falta de água ganhou destaque com a crise hídrica no Sudeste. A ausência de chuvas no ano passado baixou o nível de reservatórios importantes de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, que tiveram que implantar políticas restritivas de acesso à água.

Mergulhão diz que o Brasil tem uma grande reserva de água, mas é preciso investir em um diagnóstico para saber como estão as políticas de consumo, atenção à população e planejamento.

Fonte:  Agência Brasil


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Maior aquífero do mundo fica no Brasil e abasteceria o planeta por 250 anos

Imagine uma quantidade de água subterrânea capaz de abastecer todo o planeta por 250 anos. Essa reserva existe, está localizada na parte brasileira da Amazônia e é praticamente subutilizada.

Até dois anos atrás, o aquífero era conhecido como Alter do Chão. Em 2013, novos estudos feitos por pesquisadores da UFPA (Universidade Federal do Pará) apontaram para uma área maior e nova definição.

“A gente avançou bastante e passamos a chamar de SAGA, o Sistema Aquífero Grande Amazônia. Fizemos um estudo e vimos que aquilo que era o Alter do Chão é muito maior do que sempre se considerou, e criamos um novo nome para que não ficasse essa confusão”, explicou o professor de Instituto de Geociência da UFPA, Francisco Matos.

Segundo a pesquisa, o aquífero possui reservas hídricas estimadas preliminarmente em 162.520 km³ – sendo a maior que se tem conhecimento no planeta. “Isso considerando a reserva até uma profundidade de 500 metros. O aquífero Guarani, que era ao maior, tem 39 mil km³ e já era considerado o maior do mundo”, explicou Matos.

O aquífero está posicionado nas bacias do Marajó (PA), Amazonas, Solimões (AM) e Acre – todas na região amazônica – chegando até a bacias sub-andinas. Para se ter ideia, a reserva de água equivale a mais de 150 quatrilhões de litros. “Daria para abastecer o planeta por pelo menos 250 anos”, estimou Matos.

O aquífero exemplifica a má distribuição do volume hídrico nacional com relação à concentração populacional. Na Amazônia, vive apenas 5% da população do país, mas é a região que concentra mais da metade de toda água doce existente no Brasil.

Por conta disso, a água é subutilizada. Hoje, o aquífero serve apenas para fornecer água para cidades do vale amazônico, com cidades como Manaus e Santarém. “O que poderíamos fazer era aproveitar para termos outro ciclo, além do natural, para produção de alimentos, que ocorreria por meio da irrigação. Isso poderia ampliar a produção de vários tipos de cultivo na Amazônia”, afirmou Matos.

Para o professor, o uso da água do aquífero deve adotar critérios específicos para evitar problemas ambientais. “Esse patrimônio tem de ser visto no ciclo hidrológico completo. As águas do sistema subterrâneo são as que alimentam o rio, que são abastecidos pelas chuvas. Está tudo interligado. É preciso planejamento para poder entender esse esquema para que o uso seja feito de forma equilibrada. Se fizer errado pode causar um desequilíbrio”, disse.

Mesmo com a água em abundância, Matos tem pouca esperança de ver essa água abastecendo regiões secas, como o semiárido brasileiro. “O problema todo é que essa água não tem como ser transportada para Nordeste ou São Paulo. Para isso seriam necessárias obras faraônicas. Não dá para pensar hoje em transportar isso em distâncias tão grandes”, afirmou.

Fonte: UOL


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Brasil celebra o dia de água submerso em uma severa crise hídrica

O Brasil se envolveu neste domingo nas celebrações do Dia Mundial da Água enquanto o sudeste do país atravessa uma das piores crises hídricas de sua história e que tem como principal foco o estado de São Paulo.

Diferentes atos foram organizados durante o dia todo na capital paulista para conscientizar a população sobre a importância de água e reivindicar ao governo de São Paulo mais transparência frente à crise hídrica que o estado atravessa.

Os atos marcados para este domingo acentuam a situação paradoxal que se apoderou da vida de milhões de brasileiros, alguns dos quais sofrem com racionamento de água, enquanto sentem os estragos das inundações causadas pelas chuvas de verão em São Paulo.

“Neste momento em que o Brasil se mobiliza pelos escândalos de corrupção e os problemas na economia, é importante que a questão de água não seja posta em um segundo plano”, afirmou em comunicado Marussia Whately, coordenadora da Aliança pela Água, grupo que reúne mais de 40 organizações da sociedade civil.

Conferências com especialistas, exposições, debates, seminários e passeatas foram convocadas pela Aliança pela Água para aprofundar a compreensão dos cidadãos sobre a crise hídrica.

Os especialistas atribuem a crise hídrica a uma falta de gestão por parte do governo regional, que começou a ser visível no ano passado, quando uma seca afetou São Paulo e outros estados do sudeste do país.

A situação hídrica levou o governo de São Paulo a adotar medidas como benefícios para quem economize no consumo de água, multas por desperdício ou aumento não justificado de seu uso e redução na pressão.

Esta conjuntura deixou alguns bairros com falta de abastecimento inclusive até por 19 horas por dia e provocou continuados protestos na sociedade, que denunciaram os descontos na conta de água dos que supostamente se beneficiaram mais de 500 grandes empresas.

Mas além de São Paulo, os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, onde se concentra a maioria das indústrias brasileiras, também estão sentindo as consequências da crise hídrica.

Dado que a principal fonte é a hidrelétrica, alguns setores da indústria brasileira mostraram preocupação perante o temor de um possível racionamento energético, uma hipótese que por enquanto é descartada pelas autoridades.

As precipitações dos últimos meses deram um empurrão aos principais açudes do estado de São Paulo, mas apesar das intensas chuvas, os reservatórios seguem nos mínimos históricos.

O sistema da Cantareira, o maior de São Paulo e responsável pela provisão de água para 6,5 milhões de pessoas – um terço da região metropolitana – registrou o verão mais chuvoso desde 2011, embora siga operando com 16,5% de sua reserva técnica, considerada como “volume morto”.

Esta situação fez saltar os alarmes perante a entrada de outono e o fim da estação chuvosa, que não voltará até outubro.

Fonte: Terra


23 de março de 2015 | nenhum comentário »

Dar migalhas de pão a patos pode prejudicar ecossistemas, dizem especialistas

Prática não só prejudica saúde do animal como coloca em risco habitat natural das aves; ambientalistas dão dicas sobre como evitar danos.

 

Jogar migalhas de pão prejudica a saúde do animal e interfere no ecossistema dos rios (Foto: ThinkStock/ BBC)

Jogar migalhas de pão prejudica a saúde do animal e interfere no ecossistema dos rios (Foto: ThinkStock/ BBC)

A prática pode parecer inofensiva, mas alimentar patos com migalhas de pão não só prejudica a saúde do animal, como também pode colocar em risco todo o ecossistema onde eles vivem, segundo estudiosos.

Atirar migalhas de pão em uma lagoa ou em um rio é um ritual tão antigo que remonta ao século 19.

Porém, de acordo com pesquisadores, uma dieta rica em pão ? especialmente se este for feito de farinha branca (como o pão francês) ? pode deixar as aves doentes e, em alguns casos, deformá-las.

Agora, ambientalistas estão alertando sobre os perigos da prática. Segundo eles, o alimento pode estimular a proliferação de bactérias e algas nos rios – que por sua vez, podem envenenar outras espécies e também atrair animais invasores.

O pão facilita a formação das chamadas algas de superfície. Esses organismos produzem nitratos e fosfatos, liberando toxinas que prejudicam os peixes e exalam mau cheiro. As algas também impedem que a luz do sol chegue a plantas subaquáticas.

Além disso, o pão comido pelas aves faz com que elas produzam mais fezes, potencializando esses mesmos efeitos.

Cuidados
Os nutrientes do pão também estimulam a proliferação de outro tipo de alga, a alga filamentosa, que cresce de baixo para cima em correntes ou fios, desacelerando o curso dos rios e prejudicando ainda mais o meio ambiente.

“É claro que o pão não é a única coisa que causa problema”, diz Richard Bennett, diretor de meio ambiente da entidade de proteção britânica Canal and River Trust. “Isso não seria um problema se alguém alimentasse os patos em um córrego, mas as pessoas costumam recorrer à prática em vilarejos e cidades”.

O pão em decomposição produz bactérias e atrai animais invasores, como ratos, cuja urina transmite leptospirose, doença que pode ser fatal em humanos. Molhada, a massa do pão também pode se tornar um ambiente propício para a proliferação do fungo aspergillus, que invade o pulmão dos patos, causando sua morte.

Mas ninguém parece estar propenso a desistir de uma prática tão popular, especialmente entre as crianças.

Para impedir o acúmulo de pão em uma determinada área ou trecho de água, Bennett recomenda que as pessoas joguem o alimento em um determinado local e depois caminhem 50 metros para atirá-lo novamente.

Segundo ele, a ação possibilita que mais de uma família de patos seja alimentada e reduz concentrações desnecessárias de algas, bactérias e fezes.

“Alimentar os pássaros é algo que as pessoas têm feito por gerações e definitivamente não queremos desencorajá-las”, diz Bennett. “Mas temos de refletir sobre como fazemos isso.”

Fonte: Globo Natureza

 


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Pika-de-Ili, mamífero ‘fofinho’ raro, é redescoberto em montanhas da China

Espécie foi descoberta em 1983 e foi vista raras vezes desde então.
Mesmo cientista que a descobriu conseguiu fotografar exemplar em 2014

 

O cientista Weidong Li, do Instituto de Ecologia e Geografia Xinjiang, na China, descobriu por acaso uma nova espécie de mamífero em 1983: a pika-de-Ili (Ochotona iliensis). O pequeno animal, encontrado pela primeira vez na cordilheira Tian Shan, no noroeste da China, tem uma peculiar aparência de bichinho de pelúcia fofo.

Desde sua descoberta, foram raras as vezes em que o mamífero foi visto. Em 2014, durante uma expedição à cordilheira Tian Shan, o mesmo cientista que descobriu a espécie conseguiu registrar em foto uma rara aparição de um exemplar. A história do raro bichinho das montanhas e seu descobridor foi publicada na edição de março da revista “National Geographic China”.

Weidong Li partiu para as monhanhas em 2014 com alguns voluntários justamente para procurar exemplares da pika-de-Ili, segundo a revista. O exemplar típico do mamífero mede cerca de 20 cm, tem orelhas grandes e pêlo acinzentado com manchas marrons.

Um artigo publicado na revista científica “Oryx” por Weidong em  2005 fala sobre o possível declínio do número de exemplares de pika-de-Ili nos locais onde o animal havia sido visto anteriormente.

Segundo o artigo, o aumento da temperatura devido ao aquecimento global pode ter contribuído para o “dramático declínio” da população da espécie. O autor recomendava que a espécie fosse classificada como ameaçada de extinção.

  Rara foto de exemplar de pika-de-Ili foi fotografado em 2014 pelo cientista Weidong Li no noroeste da China  (Foto: Li Weidong/Wikimedia Commons)

Rara foto de exemplar de pika-de-Ili foi feita em 2014 pelo cientista Weidong Li no noroeste da China (Foto: Li Weidong/Wikimedia Commons)

 Fonte: Globo Natureza

23 de março de 2015 | nenhum comentário »

Uma em cada 10 espécies de abelhas da Europa corre risco de extinção

Esta foi a primeira vez que todas as 1 965 espécies desses insetos no continente foram estudadas

 

Uma em cada dez espécies de abelhas silvestres da Europa está ameaçada de extinção, constatou um estudo publicado nesta quinta-feira pela União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). Esta foi a primeira vez que todas as 1 965 espécies de abelhas europeias foram estudadas, incluindo dados de sua população, distribuição, tendências e ameaças.

O levantamento concluiu que, além de 9,2% das espécies estarem ameaçadas, outros 5% correm grande risco de entrar nessa lista em um futuro próximo. O documento mostrou ainda que 7,7% das espécies sofreram um declínio populacional, 12,6% estão estáveis e 0,7% estão aumentando. Os dados dos 79% restantes são desconhecidos, o que demonstra uma “alarmante falta de conhecimento e recursos”, como apontou Jean-Christophe Vié, do Programa Global de Espécies da IUCN.

Causas - Perda de habitat devido ao aumento das plantações, uso de inseticidas, desenvolvimento urbano acelerado e mudanças climáticas são apontados pela organização como principais causas para esse fenômeno.

Abelhas são essenciais tanto para ecossistemas selvagens quanto para a agricultura. A polinização de plantações que esses animais realizam é estimada em 153 bilhões de euros em todo o mundo e 22 bilhões só para a Europa. Das principais plantações para consumo humano na Europa, 84% requerem polinizações de insetos.

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Abelhas são essenciais tanto para ecossistemas selvagens quanto para a agricultura(Thinkstock/VEJA)

 

Fonte: Veja Ciência