Grandes macacos surgiram há 25 milhões de anos, indicam fósseis

Reconstrução artística do _Rukwapithecus_ (à esq.) e do _Nsungwepithecus_ (à dir.)

Reconstrução artística do Rukwapithecus fleaglei (à esq.) e do Nsungwepithecus gunnelli (à dir.). Ilustração Mauricio Antón/Divulgação

Dois fósseis aparentemente insignificantes –uma mandíbula e um único dente– acabam de ajudar os cientistas a traçar um quadro mais claro da origem do grupo de primatas ao qual pertence o homem.

Ambos os fósseis têm 25 milhões de anos. O primeiro representa o mais antigo hominoide, ou grande macaco –animais como chimpanzés, gorilas, orangotangos e o Homo sapiens. Já o segundo é o mais velho entre os macacos com rabo do Velho Mundo, animais como babuínos e resos, por exemplo.

A pesquisa descrevendo os fósseis está na revista científica “Nature” e tem como primeira autora Nancy Stevens, da Universidade de Ohio (EUA). Os dois bichos viviam na Tanzânia, na África Oriental –região que já é famosa por outros fósseis importantes para entender a evolução humana.

Para quem acha estranho que cacos tão diminutos sejam usados para batizar duas espécies, é importante lembrar que, no caso dos mamíferos, as características da mandíbula e dos dentes são muito típicas de cada animal, ajudando a inferir não apenas sua dieta como também, em geral, suas relações de parentesco.

Em entrevista à Folha, Stevens contou que o maior dos bichos, o hominoideRukwapithecus fleaglei, devia ter uns 12 kg. É mais difícil estimar o tamanho do outro macaco, o Nsungwepithecus gunnelli, já que ele é só conhecido com base num dente, mas ele devia ter um pouco menos do que isso.

Os bichos viviam num ambiente um tanto apocalíptico: montanhas vulcânicas ladeavam uma região semiárida, na qual também havia pântanos e lagos. Na época, já estava começando a surgir o imenso vale que caracteriza a África Oriental de hoje, formado pelo afastamento de duas placas tectônicas –era isso o que gerava o vulcanismo na região.

E essa pode ser uma das peças do quebra-cabeças para explicar por que, afinal, os macacões ancestrais do homem surgiram nesse momento, separando-se dos macacos com cauda.

“Antes, havia ali inúmeros primatas relativamente pequenos”, conta Stevens. “Milhões de anos mais tarde, quando a África se encontra com a Ásia [antes, o continente era uma ilha], surgem primatas de maior tamanho, e uma das ideias é que eles tivessem evoluído para se adaptar à competição com a fauna asiática que invadiu a África.”

No entanto, o notável a respeito das novas espécies é que elas já são grandinhas. “Isso pode indicar que a formação do vale e dos vulcões na região criou ambientes heterogêneos, que favoreceram a diversificação dessas espécies”, diz o australiano Eric Roberts, geólogo da Universidade James Cook que é coautor do estudo. “Mas ainda não temos certeza disso.”

 

Fonte: Folha.com

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