Fiscais da prefeitura começam a barrar caminhões com lixo no aterro da Caximba

A partir desta quarta-feira o local não vai mais receber resíduos dos grandes geradores (empresas, shoppings e supermercados)

Seis caminhões que levavam lixo de empresas foram impedidos de descarregar os resíduos no Aterro Sanitário da Caximba, na manhã desta quarta-feira (15). A secretaria municipal do Meio Ambiente de Curitiba

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havia definido esta data como o último dia para o aterro receber resíduos dos grandes geradores de lixo (supermercados, shoppings e fábricas, por exemplo) da capital e da região metropolitana.

Fiscais da secretaria municipal de Meio Ambiente fizeram plantão no aterro, durante toda esta quarta-feira. A medida é uma tentativa de aumentar a vida útil do aterro, que está com a capacidade praticamente esgotada. Agora, o local não vai mais receber o lixo de quem gerar mais de 600 litros de resíduos por semana. Segundo informações da assessoria da prefeitura, atualmente, 10% do lixo encaminhado diariamente ao aterro são de grandes geradores.

De acordo com a prefeitura, as empresas tiveram tempo suficiente para se organizar. “Esse é um processo de longo tempo, há praticamente um ano vínhamos fazendo tratativas com o setor tanto dos transportadores quanto do setor gerador e hoje temos a confirmação de que Curitiba e região metropolitana já dispõem de outras empresas que possam tratar, receber e destinar os resíduos particulares que anteriormente estavam vindo para a Caximba”, afirmou Mário Sérgio Rasera, superintendente de controle ambiental da secretaria de Meio Ambiente, em entrevista ao telejornal ParanáTV.

Novos destinos

Os supermercados já encontraram soluções para dar a destinação ao lixo produzido. Segundo o superintendente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Valmor Rovaris, dois outros aterros estão sendo utilizados, além de novas tecnologias para a transformação dos resíduos.

“Esse processo começou há uns dez meses, quando foi feito um estudo por todos os grandes geradores e transportadores. Hoje tem redes de supermercados levando o lixo para o aterro de Alexandra (no litoral paranaense) e outros como o Essencis, que fica na Cidade Industrial”, disse Rovaris.

O superintendente também explicou que algumas empresas estão transformando o lixo orgânico em alimentos para suínos. “Tem várias soluções que estão sendo adotadas”, definiu.

Licitação

O aterro da Caximba está com a capacidade praticamente esgotada e uma licitação está em andamento feita pelo Consórcio Intermunicipal para a Gestão de Resíduos Sólidos para escolha da empresa que irá gerir o Sistema Integrado de Processamento e Aproveitamento de Resíduos (Sipar). O Consórcio é formado por Curitiba e mais 16 cidades da região metropolitana.

Ainda não foi definido o local onde o novo “lixão” será implantado. Três áreas estão em análise: uma em Curitiba, outra em Fazenda Rio Grande e uma em Mandirituba, na região metropolitana. Na segunda-feira (13), a polêmica em torno de onde será instalado o novo sistema que receberá o lixo fez com que moradores do bairro Caximba fizessem um protesto. Cerca de 100 manifestantes proibiram a entrada de caminhões no Aterro da Caximba.

Pela nova proposta, o bairro continuaria recebendo todo o lixo gerado na capital e nas outras 16 cidades da região metropolitana, caso Curitiba seja escolhida para receber o novo sistema de tratamento dos resíduos.

Na terça-feira (14), a prefeitura disse que pretende usar o atual Aterro da Caximba até esgotar o limite do licenciamento. Por esse motivo, o espaço pode ser usado além de janeiro de 2010, antiga marca estabelecida pela administração municipal.

A Caximba já ganhou seis meses de “vida” nos últimos tempos. Em agosto do ano passado, o secretário de meio ambiente, José Antonio Andreguetto, disse que o espaço seria encerrado em julho deste ano. Agora, o secretário afirmou que o tempo de uso será definido seguindo o licenciamento do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) – 940 metros de altitude, tendo como base o nível do mar.

Entenda o caso

Desde 2002, o Consórcio busca nova área para depositar o lixo gerado em Curitiba e mais 16 municípios. Nos últimos meses, porém, Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e prefeitura de Curitiba divergem sobre o prazo limite de uso do Aterro da Caximba.

2002 e 2003 – Prefeitura de Curitiba e Consórcio Intermunicipal para Gestão de Resíduos Sólidos tentam encontrar nova área para aterro sanitário. Terreno em Mandirituba é escolhido, mas uma Ação Civil Pública impede a instalação por limitações ambientais.

2004 – Aterro da Caximba recebe nova licença do IAP autorizando o uso até a altitude de 940 m, a partir do nível do mar.

Fevereiro de 2008 – Licitação do Consórcio é interditada pelo Tribunal de Justiça. As propostas deveriam ser entregues em março do ano passado.

Agosto de 2008 – A concorrência é liberada. Secretário do Meio Ambiente de Curitiba, José Antonio Andreguetto, afirma que prazo para uso da Caximba se encerrará em julho de 2009.

Fevereiro de 2009 – Presidente do IAP, Vítor Hugo Burko, afirma que um terreno em Ponta Grossa será licenciado e pode servir de “plano B” para o Consórcio. Desde então, prefeitura e IAP divergem sobre a capacidade do aterro. Para a prefeitura, o prazo limite é janeiro de 2010. Conforme o IAP, não deve ultrapassar julho ou agosto deste ano.

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