Corredores florestais ajudam a conservar a fauna

O desmatamento tem reduzido as florestas a pequenos remanescentes isolados e provocado diversas ameaças à diversidade. Uma das propostas para atenuar esses efeitos é a implantação de corredores florestais ligando os remanescentes, o que aumentaria o intercâmbio de animais entre essas porções de vegetação. Estudo realizado no estado do Rio de Janeiro mostra que os corredores são usados por algumas espécies de pequenos mamíferos e revela sua importância para a conservação da região.

Muitas vezes, viajando de carro ou de ônibus, podemos ver fragmentos de floresta em topos de morro cercados por vegetação de pasto. Provavelmente, todo o campo era uma floresta e as áreas planas foram desmatadas para a criação de gado. Mas, para onde foram todos os animais que viviam na floresta que existia ali? Será que estão todos espremidos na floresta remanescente no alto do morro?

Não. Um fragmento isolado não consegue garantir a existência da mesma quantidade de espécies que a antiga floresta contínua podia manter. Algumas espécies precisam de grandes extensões de mata para se alimentar e se reproduzir. Portanto, não têm como sobreviver em áreas menores. E as que não precisam de grandes áreas para se manter podem experimentar um rápido declínio no tamanho de suas populações, dependendo do tamanho do fragmento remanescente.

Diante desses fatos e do atual cenário de devastação, conservacionistas buscam soluções para minimizar os efeitos da fragmentação florestal. Uma das iniciativas é a implantação de corredores, estruturas compostas de vegetação nativa (remanescente ou plantada) que conectam fragmentos antes isolados na paisagem. Sua principal função é permitir a passagem e a troca de indivíduos entre as “ilhas” de vegetação.

Solução? – Como tudo o que está sob experimentação, os corredores não são uma unanimidade. Sua implantação apresenta benefícios, mas também pode trazer problemas. Por isso, os corredores têm sido objeto de muitos estudos. Um deles foi realizado em dois conjuntos, cada um com um corredor ligando dois fragmentos e ambos rodeados por áreas de pasto (chamadas de matriz), em Silva Jardim (RJ). Os corredores foram criados pela Associação Mico-Leão-Dourado nos anos de 1997 e 2001.

Armadilhas para a captura viva de pequenos mamíferos foram colocadas nesses corredores com o objetivo de verificar seu uso pelos animais. Foram realizadas 470 capturas, de 166 indivíduos pertencentes a 11 espécies: cinco de roedores (rato-de-chão, camundongo-doméstico, pixuna, rato-d’água e rato-de-espinho) e seis de marsupiais (cuíca-lanosa, gambá, cuíca-graciosa, cuíca-cinza, cuíca e cuíca-cinza-de-quatro-olhos). Do total de espécies, seis apresentaram indivíduos que se moveram entre as áreas, e indivíduos de quatro espécies foram capturados nos corredores. O sucesso das capturas nas áreas de pasto foi baixo nos dois conjuntos, mostrando que a maioria das espécies não habita esses locais.

Em 2004, os ecólogos Ernesto B. Viveiros de Castro e Fernando A. S. Fernandez, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mostraram que os animais que nunca são encontrados na matriz são os mais prejudicados pela fragmentação. Os corredores seriam, portanto, mais importantes para essas espécies, já que apenas por eles poderiam realizar seus movimentos e se dispersar para outro fragmento. Além disso, sabe-se que os corredores podem trazer espécies novas, vindas de outros fragmentos, aumentando o número de espécies em todo o complexo.

É preciso considerar o fato de que, no presente estudo, apenas quatro espécies (rato-d’água, rato-de-chão, cuíca e cuíca-lanosa) usaram, com certeza, o corredor. Isso indica que o mesmo corredor pode ser útil ou não dependendo da espécie. Alguns indivíduos de rato-d’água, rato-de-chão e cuíca, por exemplo, usaram os corredores não para transitar entre os fragmentos, mas para residência. Se, por acaso, essas espécies forem territorialistas (realizarem a defesa do território), podem impedir que outros indivíduos usem o corredor, o que diminui a eficácia dessas estruturas.

Há ainda outras dificuldades. Em primeiro lugar, a criação de corredores não é barata. É alto o custo do plantio das mudas que irão compor o corredor, e também o de sua manutenção. Outro possível malefício decorre do fato de que a maior conectividade pode facilitar o espalhamento do fogo, ampliando os estragos de incêndios. Os corredores podem também facilitar a entrada de organismos indesejáveis no ecossistema, e por serem, em geral, mais estreitos que os fragmentos, podem favorecer a caça ou a predação dos animais que os utilizam.

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Esperar que os corredores sejam a solução para todos os problemas gerados pela fragmentação e que favoreçam todas as espécies é um tanto ingênuo. Mas, de modo geral, os estudos mostram que a maioria das espécies responde de forma positiva à existência dessas estruturas. A aplicação dessa ferramenta parece ter grande potencial no que diz respeito à melhora da situação da fauna e da flora, que têm sofrido cada vez mais com os malefícios trazidos pela fragmentação. (Fonte: JB Online)

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