Polícia investiga matança de jacarés no Pantanal de Mato Grosso do Sul

Pelo menos 14 animais foram mortos em julho, segundo Polícia Ambiental.
Cauda de jacarés é cortada para consumo, de acordo com ambientalistas.

Moradores da região denominada Passo do Lontra, localidade no interior do Pantanal do Mato Grosso do Sul e que está a 310 km de Campo Grande, denunciam a constante morte de jacarés no Rio Miranda, efeito da caça predatória e da falta de fiscalização.

Desde o fim do ano passado a população encontra carcaças espalhadas por uma estrada de terra que liga o distrito à cidade de Corumbá. Segundo ambientalistas, os animais da espécie jacaré-do-pantanal (Caiman Yacaré) são mortos a tiros e têm a cauda cortada com facão.

“Alguns exemplares são atingidos com pedaços de pau na cabeça e sofrem, ainda vivos, a mutilação na cauda. Depois são jogados agonizando na estrada e não sobrevivem ao ferimento”, afirmou Angelo Rabelo, da organização ambiental Instituto Homem Pantaneiro.

Pesca predatória
As ações de criminosos costumam acontecer no período noturno. “Não são moradores do distrito que cometem estes atos. São pessoas que vêm de fora e aproveitam a falta de fiscalização. Nós não sabemos quem comete isto, mas se continuar desta forma, essa espécie de jacaré poderá desaparecer”, afirmou Marcello Yndio, morador da região.

Profissional do turismo na região, Yndio e um grupo de turistas europeus viram no mês passado ao menos oito jacarés-do-pantanal mortos nas proximidades do Rio Miranda. “Já fizemos a denúncia à polícia, mas parece que nada adianta”, disse. A espécie não consta na lista brasileira de animais em risco de extinção.

Rabelo, que é ex-comandante da Polícia Ambiental na região de Corumbá, afirma que a mortalidade de jacarés é efeito da pesca predatória e do turismo ilegal na região pantaneira.

“São pessoas que vão até a região para pescar de forma ilegal. A caça dos jacarés é na verdade uma forma ‘de diversão’”, descreve Rabelo. Segundo ele a cauda do jacaré-do-pantanal é a única parte do corpo do animal aproveitada na culinária. “Quem não conhece, acha que está comendo peixe. Essa curiosidade fomenta a procura pelos animais”, disse.

Imagem de corpo de jacaré-do-pantanal encontrado sem a cauda no Rio Miranda, na região de Passo do Lontra (MS) (Foto: Divulgação/Marcello Yndio)

Imagem de corpo de jacaré-do-pantanal encontrado sem a cauda no Rio Miranda, na região de Passo do Lontra (MS) (Foto: Divulgação/Marcello Yndio)

De acordo com ambientalistas, a matança pode ser resultado da pesca predatória que ocorre no Pantanal (Foto: Divulgação/Marcello Yndio)

De acordo com ambientalistas, a matança pode ser resultado da pesca predatória que ocorre no Pantanal (Foto: Divulgação/Marcello Yndio)

Denúncia
Segundo o sargento Gesner Batista Ramos, responsável pela Companhia de Polícia Ambiental de Corumbá e que atua na região de Passo do Lontra, a mortalidade de jacarés tem ocorrido com frequência, apesar das poucas denúncias formais.

“Desde o início do ano só recebemos uma denúncia formal de que tem ocorrido caça ilegal de animais. Quando ficamos sabendo (dos jacarés mortos), normalmente já se passaram dias”, disse. Ramos afirma ainda que já foram realizadas operações para combater a prática criminosa na região.

“Nós já saímos para monitorar a área no período noturno, que é o momento que os crimes normalmente ocorrem. Entretanto, nunca encontramos vestígios dos criminosos”, afirma o sargento.

Imagem de carcaça de jacaré-do-pantanal vista em estrada na região do Passo do Lontra, distrito de Corumbá (MS) (Foto: Divulgação/Marcello Yndio)

Imagem de carcaça de jacaré-do-pantanal vista em estrada na região de Passo do Lontra, distrito de Corumbá (MS) (Foto: Divulgação/Marcello Yndio)

A estrada-parque, que liga Corumbá ao distrito de Passo do Lontra, tem cerca de 100 km e corta o Pantanal. Segundo a Polícia Ambiental, a dificuldade em combater a prática ilegal ocorre devido à falta de estrutura na corporação.

“São apenas dois homens para fiscalizar toda esta região. Queremos reforçar a equipe em mais cinco”, complementa o sargento Ramos.

G1 procurou por telefone o escritório regional do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) instalado em Corumbá.

De acordo com Gilberto Alves da Costa, responsável pelo escritório, denúncias sobre a matança são desconhecidas. “Nós nunca recebemos nada sobre isso”, disse.

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo

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