Empresas brasileiras querem criar fórum sobre biodiversidade

A biodiversidade começa a entrar nas planilhas de gestão das empresas.

Os fornecedores de papel da editora alemã Axel Springer não devem cortar mais madeira do que podem replantar. A fabricante de chocolates Mars sabe que o cacaueiro precisa da sombra de árvores e da polinização de insetos para se desenvolver, e colocou como meta obter todo o cacau de áreas de cultivo sustentável. A marca de produtos de limpeza ecológicos Frosch (quer dizer rã em alemão), investe na vegetação das margens de rios europeus para garantir a preservação das rãs – o bicho é um indicador da alta qualidade da água. A brasileira Centroflora, que produz extratos botânicos para a indústria farmacêutica, cosmética e de alimentos, incentiva a produção orgânica de ervas e a extração sustentável da biomassa na sua cadeia de abastecimento. A biodiversidade começa a entrar nas planilhas de gestão das empresas.

 

Exemplos como esses foram descritos em um manual de gestão da biodiversidade produzido pelo governo alemão e publicado pela Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA). É uma iniciativa que conta casos de sucesso, no mundo dos negócios, de empresas que lidam com a diversidade biológica e será discutido por empresas em reunião em São Paulo, na segunda-feira. Trata-se, também, de dar corpo a uma lei que preserve a biodiversidade brasileira, garanta seu acesso e a divisão dos benefícios que surgirem de seu uso.

 

O que se pretende é construir um plano nacional sobre o que ficou decidido em 2010, em Nagoya, no Japão, durante a conferência internacional sobre biodiversidade das Nações Unidas. Ali foram definidas metas para preservar e garantir o uso sustentável dos recursos naturais e, agora, cada país tem que definir suas estratégias. Até novembro, o governo quer encerrar a rodada de diálogos com os diversos setores da sociedade para discutir a questão.

 

O setor empresarial é dos mais ativos. Entre as principais propostas do Movimento Empresarial pela Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade (MEB), lançado em 2010 por um conjunto de 65 empresas e organizações, está a criação de um fórum nacional que tenha a biodiversidade como mote. A inspiração vem do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, ligado à Presidência da República e com representação de ministérios, organizações da sociedade civil, movimentos sociais, setor produtivo. “Queremos reproduzir esta arquitetura política para a biodiversidade”, diz Caio Magri, gerente-executivo de políticas públicas do Ethos, instituto que responde pela secretaria-executiva do MEB.

 

O MEB foi criado em 2010 por um grupo de empresas que esperam “aprimorar a agenda do governo da biodiversidade e cobrar políticas públicas”, diz Magri. Ali há nomes como Natura, Unilever, Suzano, Walmart, Klabin e Vale ao lado de WWF-Brasil, Instituto Socioambiental (ISA), Fundação Getulio Vargas, Conservação Internacional (CI), Instituto Ipê e outros.

 

Construir um plano nacional sobre o uso e a preservação da biodiversidade não é simples. “As empresas tem uma visão, os povos da floresta têm outra, a academia, outra ainda”, diz Magri. “Temos que chegar a um projeto dialogado para conseguir consenso e dizer o que o Brasil quer.”

Fonte: Valor Econômico

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