Estudo mostra relação entre pesticida e desaparecimento de abelhas

A causa do sumiço drástico dos insetos intriga pesquisadores e criadores

Experimentos realizados por pesquisadores da Escola de Saúde Pública de Harvard encontraram relação entre o uso de inseticidas comuns e o Colapso das Colmeias (termo conhecido em inglês como Colony Colapse Disorder ou CCD), fenômeno onde abelhas abandonam suas colmeias. A pesquisa será publicada na edição de junho da revista Bulletin of Insectology.

Partindo da hipótese de que o inseticida imidacloprid é responsável por aumentar o desaparecimento de abelhas, cientistas estudaram o comportamento desses insetos quando expostos ou não à substância. O experimento foi realizado em Worcester County, no estado americano de Massachusetts.

Como o imidacloprid é bastante utilizado em plantações de milho dos EUA, as abelhas poderiam entrar em contato com essa substância através do néctar das plantas ou do xarope de milho, utilizado por apicultores para alimentá-las.

Em um período de 23 semanas, os pesquisadores monitoraram abelhas um total de 20 colmeias espalhadas em quatro campos distintos. A distância entre os campos era de 12 quilômetros e foram colocadas cinco colmeias em cada um. Quatro receberam diferentes níveis do inseticida e uma não teve contato com a substância. Até 12 semanas de dosagem de imidacloprid, não houve alteração nas colmeias. Passadas as 23 semanas, 15 das 16 colméias tratadas com o pesticida foram extintas enquanto as outras quatro, que não receberam doses da substância química, continuaram vivas. As primeiras a serem exterminadas foram aquelas expostas ao mais alto nível da substância química.

De acordo com o pesquisador, as características da morte das colmeias é condizente com o CCD. Após o desaparecimento das abelhas, foram encontrados apenas armazenamento de comida, pólen e jovens abelhas próximas de um pequeno grupo de abelhas mortas, caracterizando uma situação de abandono. Quando são outras as causas responsáveis pelo colapso de colmeias, como doença ou peste, é comum encontrar um grande número de abelhas mortas dentro e fora das colmeias afetadas. O experimento permitiu ao professor concluir que não é necessária uma grande quantidade do inseticida para afetar as abelhas “Nosso experimento usou quantidades de pesticida abaixo das normalmente encontradas no ambiente”, justifica.

Para Lu, o sumiço das abelhas não prejudica apenas os apicultores. Ele defende que descobrir a fundo os causadores do CCD é essencial já que, além de produzirem mel, as abelhas são as principais polinizadoras de aproximadamente um terço da safra dos Estados Unidos, incluindo plantações de frutas, vegetais, castanhas e de matérias-primas para produção de ração, como alfafa e trevo. O pesquisador prevê que o desaparecimento desses insetos poderia resultar na perda de bilhões de dólares para a agricultura.

Estudos semelhantes — Um grupo de pesquisadores franceses realizou recentemente outra pesquisa para relacionar o uso de inseticidas com o CCD. Os cientistas fizeram uma comparação entre dois grupos de abelhas, um sem contato com pesticida e um segundo que recebeu doses de thiamtethoxam (substância pertencente à mesma classe de inseticidas doimidacloprid, os neonicotinoides). Os dois grupos de abelhas foram afastados de suas colmeias e as que receberam doses de inseticida tiveram mais dificuldade para voltar para casa. O estudo é intitulado A commom pesticide decreases foragind success and survival in honey beese foi publicado na revista Science em março deste ano.

Glossário

COLAPSO DAS COLMEIAS
Chamado de Colony Colapse Disorder (CCD) em inglês, trata-se de um fenômeno onde abelhas abandonam suas colmeias deixando para trás suas crias e comida. O CCD atinge principalmente os Estados Unidos e começou a ser notado no final de 2006. Não se sabe ao certo porque acontece esse esvaziamento das colmeias, já que normalmente elas são encontradas vazias, com pouca ou nenhuma abelha morta.

abelhas

Desaparecimento drástico de abelhas, além de prejudicar a produção de mel, traz danos para agricultura (Frank Rumpenhorst/AFP)

Fonte: Veja Ciência

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