22 de junho de 2012 | nenhum comentário »

COMISSÃO DE ANIMAIS SELVAGENS DO CFMV SE REUNE PELA PRIMEIRA VEZ

Foto: CFMV

Os membros da Comissão de Animais Selvagens do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CNAS/CFMV) se reuniram pela primeira vez, de 13 a 15 de junho, na sede do CFMV em Brasília. Eles trabalharam principalmente no planejamento das ações da comissão para o período desta gestão, que finaliza em 2014. Dentre as atividades está a proposta de visitas regionais para divulgar a atuação do Médico Veterinário e do Zootecnista no tema “Animais Selvagens”.

“Queremos esclarecer aos profissionais e aos estudantes a responsabilidade técnica e a legislação sobre animais selvagens. Muitos desconhecem essas questões. Vamos também abordar a gravidade dos danos promovidos pelo tráfico de animais”, afirma Rogério Ribas Lange, presidente da CNAS.
Entre outras atividades, com a nova comissão, o Presidente do CFMV, Benedito Fortes de Arruda, espera ampliar a capacitação profissional para essa área da Medicina Veterinária. Também acredita que despertará o maior interesse dos profissionais para aspectos específicos dos animais selvagens.
A Comissão é presidida por Rogério Ribas Lange (CRMV-PR nº 0955) e tem como membros Albert Lang (CRMV-SC nº 1617), Isaac Manoel Barros Albuquerque (CRMV-AL nº 0479), João Luiz Rossi Junior (CRMV-SP nº 11607) e Mariângela da Costa Allgayer (CRMV-RS nº 6352).

Fonte: Assessoria de Comunicação CFMV

 


28 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

“É possível levar energia renovável para todos”

Pragmática, a dinamarquesa Connie Hedegaard, é uma mulher que acredita em metas. A comissária europeia para ação climática, famosa por seu protagonismo na conferência do clima de Copenhague, em 2009, e também em Durban, na África do Sul, em 2011, chega ao Brasil hoje convencida de que tornar concreta a meta de dar acesso universal a energia renovável, em 2030, poderia ser um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODG) a ser imediatamente implementado ao fim da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, em junho, no Rio.

Para a ex-ministra do meio ambiente, de cooperação, e de clima e energia da Dinamarca, não é preciso esperar pelo detalhamento de todas as outras áreas – que podem tratar de temas tão diversos como água, oceanos ou consumo – para dar a partida aos ODG. “O objetivo da energia poderia começar já”, defende. “É muito importante que miremos coisas tangíveis e que tenham resultado a curto prazo.”

 

Nesta entrevista, concedida em Nairóbi, no Quênia, onde participou das comemorações do 40º aniversário do Pnuma, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, ela evitou falar sobre as mudanças na governança institucional ambiental e de desenvolvimento sustentável que a Rio+20 pode produzir. O tema é controverso. A Europa quer que o Pnuma se transforme em uma agência ambiental da ONU. O Brasil quer fortalecer o Pnuma, mas aposta na criação de um órgão de desenvolvimento sustentável.

 

Connie Hedegaard tem encontros em Brasília com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, com o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e uma agenda que termina em São Paulo e mistura clima e Rio+20. Ela participou do Painel de Alto Nível sobre Sustentabilidade Global da ONU e tem, na cabeça, visão de longo prazo para o crescimento dos países fundamentada na economia verde. “Se a Rio+20 mudar este paradigma, será um grande ganho”, diz. A seguir, trechos da entrevista concedida ao Valor Econômico:

 

Valor: Qual o perfil da sua visita ao Brasil? Mais mudança climática ou mais Rio+20?

Connie Hedegaard: É uma agenda mista. Fiz parte do painel das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável junto com a ministra Izabella Teixeira, e, claro, temos ambas interesse na agenda climática. Em Durban, o Brasil e a Europa tiveram uma cooperação muito construtiva. Espero que possamos avançar na agenda do clima para a próxima reunião, no Qatar. E agora, tão perto da Rio+20, é natural que discutamos alguns temas da conferência.

 

Valor: A senhora diz que a Rio+20 não é uma árvore de Natal. O que quer dizer?

Hedegaard: É que todos vêm com todos os seus desejos para a conferência. Mas deveríamos ter em mente que muita gente lá fora pensa que estes são tempos muito desafiadores. As pessoas percebem que a economia, os mercados, os bancos estão globalizados, e temos que mostrar que o globalizado sistema político multilateral pode dar algumas respostas claras. Acho que um dos desafios da Rio+20 não é escrever um monte de declarações, mas temos que ser capazes de, no dia seguinte à conferência, responder à pergunta: o que a Rio+20 mudou na vida dos cidadãos?

 

Valor: A senhora tem algum exemplo do que poderia ser decidido no Rio, em junho?

Hedegaard: Saliento a meta de acesso a energia sustentável para todos. Isso é algo muito concreto. Se há uma lição que aprendemos na Europa é que ajuda muito ter metas porque faz com que os governos tenham foco. Metas também fazem com que os investidores se mexam em determinadas áreas, se souberem quais são os objetivos e se tiverem alguma previsão. Acredito que há muitos investidores lá fora que gostariam de investir em energia. Mas eles têm que ter indicações claras de que isso é para valer. A sociedade global está levando a sério essas metas? O que significa dar acesso à energia sustentável para todos, em 2030? É sobre conseguir mais eficiência energética? Como podemos medir isso? Podemos fazer uma enorme diferença se decidirmos que, agora, vamos estabelecer estes padrões.

 

Valor: No final da Rio+20, o que terá sido um bom resultado, na sua opinião?

Hedegaard: Acredito que um bom resultado será se o mundo puder abraçar o conceito de economia verde. Conseguindo isso, a conferência do Rio poderia marcar uma real mudança de paradigma. Seria o momento em que as pessoas e os governos entenderiam que não podemos continuar fazendo as coisas como sempre, o que se chama “business as usual”. Não é assim que tornaremos as economias sustentáveis, não se criarão sociedades sustentáveis. Temos que mudar a maneira em que percebemos o crescimento e mudar para uma maneira mais eficiente de usar a energia e os recursos naturais. Se a Rio+20 puder marcar esta mudança, penso que terá sido um ganho muito grande.

 

Valor: A Rio+20 não irá produzir tratados internacionais com força legal. Isso é um problema?

Hedegaard: Quando foram estabelecidos os Objetivos do Milênio, dez anos atrás, perguntei ao então primeiro ministro de Moçambique o que estas metas significavam para o seu governo. Ele respondeu que representavam um incrível estímulo para que pudessem definir os processos e os caminhos de desenvolvimento do país. Os objetivos do milênio significam acesso à água, maior participação das mulheres, educação, e isso faz diferença. É o mundo querendo medir se está se mexendo na direção certa ou não. Basicamente é a mesma coisa que podemos fazer com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável na Rio+20. E, claro, se falarmos, vamos adotar a meta do acesso à energia renovável, teremos que encontrar uma metodologia que mostre como chegaremos a isso.

 

Valor: Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODG) que podem ser adotados na Rio+20 seriam um avanço nesta direção?

Hedegaard: A Europa pensa que os ODG podem ser algo muito bom. Agora, um dos desafios da Rio+20 é ver se a comunidade internacional está pronta para definir quais são estes objetivos.

 

Valor: Como assim?

Hedegaard: Dizer quais são os objetivos, quais as áreas e quais as metas. Uma área em que o trabalho preparatório já foi extremamente feito, dentro do sistema das Nações Unidas, é energia. Então, de um lado, poderíamos indicar que queremos ODGs neste e naquele campo, mas se tivermos alguma área mais específica, ou que está mais pronta, por que não começar com este setor imediatamente? Por que temos que esperar para conseguir detalhar outras áreas para implementar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável? Somos muito favoráveis ao que o mundo promova estas metas, só acho que não precisamos ter cada uma delas muito detalhada e definida já no Rio. Talvez, na conferência, os temas possam ser identificados e começar um processo.

 

Valor: Os assuntos poderiam ser definidos no Rio. Mas o que mais?

Hedegaard: Por exemplo, uma meta poderia ser sobre pesca sustentável. O que isso significa, como podemos detalhar o objetivo e como chegar a ele. Mas se não tivermos condições de fazer tudo nos mínimos detalhes no Rio, deveríamos dizer: este é o prazo final, é o que politicamente queremos fazer e aí voltamos e vemos como a meta poderia ficar. O que digo é que, por exemplo, no campo de energia sustentável nós já temos todos os detalhes.

 

Valor: Seria um começo, a meta da energia sustentável?

Hedegaard: Sim, poderia começar já, e fazer isso não estaria em contradição com as outras metas. Seria apenas para termos uma ação orientada. E poderia começar no dia seguinte ao término da Rio+20. Ministros brasileiros, comissários europeus, todos nós poderíamos nos perguntar que diferença a Rio+20 pode fazer para o mundo. É muito importante que miremos coisas tangíveis e que tenham resultado a curto prazo.

 

Valor: O que a senhora poderia dizer sobre a opinião da União Europeia sobre governança?

Hedegaard: Bem, só posso repetir o que Janez Potócnik, comissário da União Europeia para Ambiente, disse sobre isso (em coletiva de imprensa em Nairóbi Potócnik defendeu o fortalecimento do Pnuma e disse que “há desejo de mudanças”, mas não se prolongou no tema).

 

Valor: Como trazer chefes de Estado para o Rio?

Hedegaard: Não tenho comentários. Este é um assunto do governo brasileiro.

 

Valor: O que esperar da próxima reunião do clima, no Qatar?

Hedegaard: A reunião no Qatar tem que preparar um plano de trabalho muito claro.

 

Valor: A União Europeia foi protagonista na última conferência climática, em Durban. Como avançar nas negociações?

Hedegaard: Nossa estratégia funcionou. Usamos o fato de que estávamos prontos para aceitar um segundo período de compromissos do Protocolo de Kyoto, assumindo que éramos os únicos países do mundo prontos para isso. Dissemos “ok, vamos deixar o sistema vivo, mas só se outros nos disserem quando o resto do mundo subirá a bordo com algum acordo realmente global.” Foi onde chegamos em Durban graças à cooperação dos países africanos e dos países menos desenvolvidos do mundo. Mais de cem países falaram muito claramente para as economias emergentes e aos Estados Unidos: temos que ter agora um sistema global verdadeiro.

 

Valor: Foi assim que se chegou à promessa de se chegar a um acordo climático global em 2015?

Hedegaard: Alguns países disseram “ok, mas vamos terminar em 2016 ou 2017 e não deveríamos começar este ano.” Falamos: “Claro que temos que começar este ano!” Como podemos explicar para qualquer cidadão que a mudança climática é urgente, mas que não vamos começar nada até o ano que vem? Temos que terminar em 2015 porque se há algo que aprendemos neste processo é que ele nunca surpreende com decisões que acontecem mais rápidas do que você imaginou. Sempre leva muito tempo até que se possa concordar com algo e ver aquilo começando a funcionar.

 

Valor: Então, para se ter um acordo climático global em 2015, o que tem que acontecer no Qatar?

Hedegaard: Em Durban acertamos que temos que terminar as negociações do novo tratado em 2015. Teremos novos elementos sobre a mesa, um novo relatório do IPCC (o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, que reúne os novos estudos científicos sobre o assunto) que será lançado em 2014. E então teremos 4 ou 5 anos para que os países ratifiquem e implementem o acordo e o novo regime comece a operar. Isso leva tempo.

 

Valor: Qatar é o início disso?

Hedegaard: Qatar é sobre um programa de trabalho bem específico: quem faz o quê dentro de qual prazo. Como estruturamos, o que tem que ser feito politicamente, e por aí vai. Temos que trabalhar de trás para a frente. Pensando que temos de terminar com um acordo global na CoP de 2015, então, que tipo de conhecimento precisamos agora, quais os caminhos, working shops, grupos de trabalho e assim por diante para assegurar que no final de 2015 teremos o acordo. No Qatar também vamos ter que ter avanços no Fundo Verde, o dinheiro terá que começar a fluir.

 

Valor: E as metas do segundo período de compromisso de Kyoto…

Hedegaard: Sim, vamos submetê-las antes de 1º de maio, o prazo final acertado em Durban.

 

Valor: Perguntaram como o mundo dos negócios está reagindo à mudança climática e à economia de baixo carbono. A senhora mencionou o que está acontecendo na Tailândia. Pode explicar?

Hedegaard: A Tailândia divulgou números mostrando que nos últimos quatro meses de 2011, perdeu 9% de seu PIB por causa das inundações. Então, se você é uma empresa na Tailândia, você definitivamente aprendeu que continuar a fazer como sempre fez, “business as usual”, é algo que pode custar muito. São riscos muito perigosos para os negócios. É por isso, também, que é tão importante ter uma estratégia coerente para combater a mudança climática.

 

Valor: Mesmo com a crise econômica global, as emissões de gases-estufa ainda estão crescendo. Isso não preocupa?

Hedegaard: Acho que quando temos uma crise global como a que estamos vivendo, é uma oportunidade excelente para repensar o jeito como fazemos as coisas. Estou certa que, muitas empresas e muitos CEOs no mundo todo, durante esta crise, estão olhando para suas contas, vendo quanta energia gastam para fazer seus produtos, quanto aço precisam, quanto consomem de matérias-primas. Porque se uma coisa é certa sobre o futuro, é que estamos em um mundo em que há mais gente, e mais gente virando classe média e com mais possibilidade de consumo, então está claro que a demanda por matérias-primas e por energia irá crescer. Isso significa que os preços irão aumentar e que eficiência energética e eficiência no uso de recursos naturais, serão parâmetros competitivos. Acho que esta lógica está sendo aceita por mais e mais empresários e pelo poder público. Na Europa, agora, estamos falando muito mais sobre eficiência energética nos nossos prédios, na nossa infraestrutura, em como nos tornarmos mais eficientes em termos energéticos. Acho que esta é a mudança de paradigma que espero que a Rio+20 realmente consiga alcançar.

Fonte: Valor Econômico


19 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Coordenador da Rio+20 diz que Brasil terá de assumir liderança

O coordenador-executivo da Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável), Brice Lalonde, disse nesta quinta-feira no Rio que a liderança brasileira será fundamental para que o encontro, que acontece no ano que vem, produza resultados concretos.

“Nós precisamos da liderança brasileira, porque as lideranças tradicionais desapareceram. Se a liderança não vier dos países emergentes, não haverá liderança suficiente”, afirmou o francês Lalonde, que está no Brasil para encontros com autoridades governamentais e líderes da sociedade civil.

Ele admitiu, porém, que questões internas como o aumento do desmatamento e a discussão em torno do novo Código Florestal podem pôr em xeque a liderança brasileira em questões ambientais. “Nós estamos obviamente preocupados, como todo mundo, mas temos que esperar para ver como essas situações vão se desenrolar”, disse ele ao ser questionado sobre o assunto em entrevista à imprensa.

Lalonde disse que o objetivo da Rio +20 não é produzir resultados imediatos, mas sim soluções de longo prazo para uma vida melhor no planeta. “Essa conferência pertence a uma família especial de conferências, que olham para o longo prazo, para o quadro geral. Será um grande check up para a humanidade e o planeta”, afirmou.

FOCO EM ENERGIAS RENOVÁVEIS

Em termos mais concretos, Lalonde disse que o foco da conferência devem ser as energias renováveis. “Um dos mais importantes resultados da Rio+20 deve ser a formação de uma grande coalizão global para abaixar os preços das energias renováveis e torná-las mais competitivas com as energias sujas, como o carvão”, completou.

O francês cobrou que os países sejam menos egoístas e pensem mais no planeta. “O problema do planeta é que ninguém fala em nome do planeta, só há Estados que defendem seus próprios interesses. Precisamos ser mais solidários e pensar no planeta.”

Ele afirmou que a sociedade civil também tem um grande papel na luta por um mundo mais sustentável. “As mudanças cabem muito mais às pessoas do que aos governos. As pessoas têm de pressionar os governos, afinal é o seu futuro que está em jogo. Nós não podemos deixar a juventude numa situação onde ela vai ter que pagar as nossas dívidas, não apenas financeiras, mas ecológicas”, disse.

Questionado se a atual situação econômica global poderia tornar difícil para os governantes pensar em objetivos de longo prazo, Lalonde recorreu a uma metáfora. “Quando o teto está pegando fogo, você tem que apagar o fogo no teto, mas também deveria aproveitar para consertar a infraestrutura da casa. Muitas pessoas acreditam que essa crise é parcialmente causada pela escassez de energia. Devemos aproveitar para resolver esse problema.”

Lalonde, 65, recorreu ao passado para se dizer, apesar de tudo, otimista com a conferência. “Quando eu era jovem, a palavra ecologia nem sequer existia. Hoje, uma série de instituições foram criadas e compromissos foram adotados. Nessa conferência vai ser tomada alguma decisão enorme, radical, para mudar o mundo? Provavelmente não. Mas será um novo passo adiante. Porque as mudanças reais acontecem no dia a dia. É preciso olhar para trás, para ver o que mudou nos últimos 20 anos”, disse.

A Rio+20 acontece entre 4 e 6 de junho do ano que vem. Seu nome faz referência à Eco-92, conferência que reuniu chefes de Estado no Rio em 1992 para discutir desenvolvimento sustentável.


Fonte: Rodrigo Rötzsch, do Rio, Folha.com


20 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Reflorestar não resolverá problema do aquecimento, diz estudo

Apesar de que as florestas são importantes sumidouros de carbono, os projetos de reflorestamento só terão um impacto limitado no aquecimento global, destacou um estudo publicado este domingo (19) na revista científica Nature Geoscience.

Vivek Arora, da Universidade de Victoria, no Canadá, e Alvaro Montenegro, da Universidade de St. Francis Xavier, também no Canadá, desenvolveram cinco modelos de reflorestamento durante 50 anos, de 2011 a 2060. Os cientistas examinaram seus efeitos no solo, na água e no ar se a temperatura da superfície terrestre aumentasse 3º C em 2100 com relação aos níveis pré-industriais de 1850.

O resultado demonstra que, mesmo se todas as terras cultivadas do mundo forem reflorestadas, isto só bastaria para reduzir o aquecimento global em 0,45º C no período 2081-2100. Isto se explica em particular porque precisa-se de décadas para que os bosques sejam suficientemente velhos para captar o CO2 que fica estancado durante séculos na atmosfera.

Um reflorestamento de 50% das terras cultivadas só limitaria a elevação da temperatura em 0,25º C. Evidentemente, nenhuma destas projeções é realista, uma vez que as terras cultivadas são essenciais para alimentar a população do planeta, onde em 2050 viverão 9 bilhões de pessoas.

Segundo os outros três modelos, reflorestar as regiões tropicais é três vezes mais eficaz para “evitar o aquecimento” do que fazê-lo em latitudes mais elevadas ou em regiões temperadas. Os bosques são mais escuros do que as terras cultivadas e, portanto, absorvem mais calor. Plantar florestas em um solo coberto de neve ou de cerais de cor clara diminui o denominado “efeito albedo”, que é a quantidade de luz solar refletida do solo para o espaço.

“O reflorestamento em si não é um problema, é positivo, mas nossas conclusões indicam que não é uma ferramenta para controlar a temperatura se gases de efeito estufa continuarem a ser emitidos como se faz atualmente”, disse Montenegro.

“O reflorestamento não pode substituir a redução de emissões de gases de efeito estufa”, concluiu o estudo. O desmatamento, sobretudo nas selvas tropicais, é causador de 10% a 20% das emissões de gases de efeito estufa do planeta.

Fonte: Portal Terra


19 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Ganhadores do Nobel pedem ações urgentes a favor do planeta

Vinte ganhadores do prêmio Nobel se reuniram nesta quarta-feira (18), em um apelo aos dirigentes mundiais, para que atuem urgentemente pelo futuro do planeta, em recomendações feitas a um comitê especial da ONU.

No “memorando de Estocolmo”, que redigiram com especialistas em clima, os premiados concluem que a Terra entrou em uma nova era desde as atividades industriais, “o Antropoceno”, influenciada pelas ações humanas.

O informe “recomenda uma série de ações urgentes e de grande alcance para que os dirigentes e as sociedades sejam servidores mais ativos do planeta em benefício das gerações futuras”, segundo o texto do memorando.

Os vencedores do Nobel de Química, Mario Molina e Paul Crutzen, inventor do conceito de antropoceno; o premiado de Economia Amartya Sen, e a Nobel de Literatura Nadine Gordimer são alguns dos envolvidos no desenvolvimento do memorando.

O texto foi assinado na Academia de Ciências de Estocolmo, onde se atribui a maioria dos prêmios Nobel.

Ele então foi entregue à presidente finlandesa, Tarja Halonen, que co-dirige uma comissão da ONU sobre o desenvolvimento sustentável tendo em vista a reunião climática das Nações Unidas no Rio de Janeiro em 2012.

Além do objetivo de manter o aquecimento global abaixo de dois graus Celsius, o documento destaca que “o meio ambiente sustentável é uma pré-condição para a erradicação da pobreza, desenvolvimento econômico e justiça social”.

Uma das dificuldades dos acordos internacionais sobre o clima é a divergência de interesses entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Estes últimos afirmam que o crescimento rápido não pode ser condenado pelos esforços ambientais.

O memorando defende também uma “revolução agrícola”, mais ecológica, para alimentar a população humana do planeta, que em breve chegará aos 9 bilhões.

Na terça-feira (17), os premiados do Nobel organizaram um processo da espécie humana, acusada de destruir o planeta.

Fonte: Portal iG


29 de abril de 2009 | nenhum comentário »

“Consciência ambiental não é tudo; é necessário atitude”

Entrevista com Marcílio Hubner de Miranda Neto, escritor e professor universitário

"A humanidade precisa se educar e perceber que os danos à natureza estão cada vez mais severos e nós estamos sentindo as conseqüências, basta ver as inundações, secas, todo esse desequilíbrio que vivemos atualmente.”

"A humanidade precisa se educar e perceber que os danos à natureza estão cada vez mais severos e nós estamos sentindo as conseqüências, basta ver as inundações, secas, todo esse desequilíbrio que vivemos atualmente.”

A educação ambiental é tema de muitas discussões nas escolas. Mas, apesar do debate e da conscientização sobre a preservação da natureza ter aumentado nas últimas décadas, ainda falta a mudança de atitude. “Muitos sabem que é importante e fácil separar o lixo em casa, mas poucos fazem isso”, exemplica o professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM) Marcílio Hubner de Miranda Neto. Para transformar teoria em prática, o doutor em Ciências Biológicas defende que os professores têm um papel fundamental.

Miranda Neto procura contribuir com esse processo com o livro infantil Brejo Alegre – um rio em perigo, que conta as aventuras de um sapo e um menino na luta para conscientizar os moradores do bairro a salvar o rio. Lançado ontem, esse é o segundo livro da série. Foi escrito em parceria com Rodolfo Molinari Hubner e traz ilustrações de Tânia Regina Machado. O primeiro, Natal em Brejo Alegre, foi lançado em 2005 e teve cerca de 5 mil cópias publicadas. Confira abaixo a entrevista em que Miranda Neto fala do novo livro e do papel das crianças na preservação ambiental:

Qual é a importância de se incentivar a consciência ambiental nas crianças?

Estamos vivendo uma questão complicada em relação ao meio ambiente. Precisamos de uma nova postura, um maior envolvimento de cada um. Cada sujeito tem que ser fiscal e cuidador do meio ambiente. Para isso, as pessoas têm que ser formadas desde pequenas, pois é difícil incorporar novos valores e atitudes quando já se é adultos.

O senhor acredita que a responsabilidade com o meio ambiente vem aumentando de geração em geração? Por quê?

the dark knight dvdrip

Acredito que tem melhorado sim, e é possível observar isso em pequenas atitudes. Hoje é grande o número de consumidores que não compram produtos cuja procedência agrida o meio ambiente. Vemos também a preocupação com as matas ciliares e o desmatamento. Mas, embora tenha aumentado a conscientização, cresceu também a agressão ambiental. Isso porque a maioria das pessoas sabe que deve preservar o meio ambiente, mas não tem atitude. Separar o lixo é fácil para todos, mas são poucos os que fazem isso. Muitos ainda compram garrafas pets descartáveis, ao invés do vidro, que é 100% reciclável. Verificamos que atualmente existe uma grande diferença entre discurso e a prática. A consciência não é tudo. Ela tem que estar unida com a mudança de postura.

Qual a melhor forma de trabalhar a educação ambiental na escola?

Não existe uma melhor forma. Cada professor adota uma estratégia de acordo com o bairro em que a escola está inserida e as características dos alunos. É possível trabalhar com música, textos de jornal, literatura, entre outros. Eu acredito que seja muito importante levar as crianças para verificar situações reais, como comparar um rio limpo e um poluído, explicar as implicações dessa situação para o meio ambiente, observar as ruas do bairro, enfim, aproximar a temática do cotidiano dos estudantes. A interdisciplinaridade também é essencial. A educação ambiental tem que ser trabalhada por todos os professores – na Matemática, na Geografia, em História, etc. A humanidade precisa se educar e perceber que os danos à natureza estão cada vez mais severos e nós estamos sentindo as conseqüências, basta ver as inundações, secas, todo esse desequilíbrio que vivemos atualmente.

Qual é o papel da família para a consolidação dessas ideias?

A família é essencial para causar a mudança de atitude. Os pais são exemplos, e a criança aprende muito pelo que ela vê em casa. Não é só dar bronca porque ela deixou a luz acesa e a conta de luz virá mais alta, é preciso explicar todo o ciclo. Dizer que deixar a luz acesa pode contribuir para um racionamento de energia e estimular a construção de mais usinas elétricas, que geram sempre agressão ao meio ambiente. Atitudes simples, como ensinar a separar o lixo, a fechar a torneira enquanto se escovas os dentes, ajudam a formar um cidadão mais consciente.

O senhor está lançando o seu terceiro livro infantil (o primeiro foi A razão e o Sonho). Qual a temática principal do Brejo Alegre – um rio em perigo?

É uma ficção cujo foco é os cuidados com os rios. O Brejo Alegre está tranquilo no começo da história, todos vivem em harmonia: crianças, animais e plantas. Depois surgem os desequilíbrios, pois as pessoas começam a usar o solo de forma errada, a jogar lixo nos córregos. Depois vem a busca do equilíbrio novamente. Minha intenção é mostrar que cada pessoa pode dar uma contribuição para a recuperação dessa harmonia.

O seu primeiro livro, Um Natal em Brejo Alegre, foi lançado em 2005 e teve boa aceitação do público. Brejo Alegre – um rio em perigo é o segundo livro da série. Qual a maior diferença entre eles?

Neste segundo livro da série, os personagens principais de Um Natal em Brejo Alegre, o sapo Juca e o menino Cristovam, reaparecem. A diferença maior é que no primeiro livro a temática é mais voltada para o social e no segundo para o meio ambiente. Em Natal em Brejo Alegre eu conto a história de uma família simples que vive num sítio e que perde seus presentes de Natal. Por isso, eles começam a produzir os enfeites, a ceia e até os presentes com o que é encontrado no sítio. Minha intenção era dizer que muitas vezes acabamos comprando coisas inúteis, em razão da nossa cultura materialista, que só agride o meio ambiente. Na nossa sociedade, o Natal é antiecológico, pois é grande o desperdício de bens. O verdadeiro sentido da data, que é a reunião da família para uma questão espiritual, fica esquecida.

Fonte: Gazeta do Povo






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COMISSÃO DE ANIMAIS SELVAGENS DO CFMV SE REUNE PELA PRIMEIRA VEZ

Foto: CFMV

Os membros da Comissão de Animais Selvagens do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CNAS/CFMV) se reuniram pela primeira vez, de 13 a 15 de junho, na sede do CFMV em Brasília. Eles trabalharam principalmente no planejamento das ações da comissão para o período desta gestão, que finaliza em 2014. Dentre as atividades está a proposta de visitas regionais para divulgar a atuação do Médico Veterinário e do Zootecnista no tema “Animais Selvagens”.

“Queremos esclarecer aos profissionais e aos estudantes a responsabilidade técnica e a legislação sobre animais selvagens. Muitos desconhecem essas questões. Vamos também abordar a gravidade dos danos promovidos pelo tráfico de animais”, afirma Rogério Ribas Lange, presidente da CNAS.
Entre outras atividades, com a nova comissão, o Presidente do CFMV, Benedito Fortes de Arruda, espera ampliar a capacitação profissional para essa área da Medicina Veterinária. Também acredita que despertará o maior interesse dos profissionais para aspectos específicos dos animais selvagens.
A Comissão é presidida por Rogério Ribas Lange (CRMV-PR nº 0955) e tem como membros Albert Lang (CRMV-SC nº 1617), Isaac Manoel Barros Albuquerque (CRMV-AL nº 0479), João Luiz Rossi Junior (CRMV-SP nº 11607) e Mariângela da Costa Allgayer (CRMV-RS nº 6352).

Fonte: Assessoria de Comunicação CFMV

 


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“É possível levar energia renovável para todos”

Pragmática, a dinamarquesa Connie Hedegaard, é uma mulher que acredita em metas. A comissária europeia para ação climática, famosa por seu protagonismo na conferência do clima de Copenhague, em 2009, e também em Durban, na África do Sul, em 2011, chega ao Brasil hoje convencida de que tornar concreta a meta de dar acesso universal a energia renovável, em 2030, poderia ser um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODG) a ser imediatamente implementado ao fim da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, em junho, no Rio.

Para a ex-ministra do meio ambiente, de cooperação, e de clima e energia da Dinamarca, não é preciso esperar pelo detalhamento de todas as outras áreas – que podem tratar de temas tão diversos como água, oceanos ou consumo – para dar a partida aos ODG. “O objetivo da energia poderia começar já”, defende. “É muito importante que miremos coisas tangíveis e que tenham resultado a curto prazo.”

 

Nesta entrevista, concedida em Nairóbi, no Quênia, onde participou das comemorações do 40º aniversário do Pnuma, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, ela evitou falar sobre as mudanças na governança institucional ambiental e de desenvolvimento sustentável que a Rio+20 pode produzir. O tema é controverso. A Europa quer que o Pnuma se transforme em uma agência ambiental da ONU. O Brasil quer fortalecer o Pnuma, mas aposta na criação de um órgão de desenvolvimento sustentável.

 

Connie Hedegaard tem encontros em Brasília com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, com o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e uma agenda que termina em São Paulo e mistura clima e Rio+20. Ela participou do Painel de Alto Nível sobre Sustentabilidade Global da ONU e tem, na cabeça, visão de longo prazo para o crescimento dos países fundamentada na economia verde. “Se a Rio+20 mudar este paradigma, será um grande ganho”, diz. A seguir, trechos da entrevista concedida ao Valor Econômico:

 

Valor: Qual o perfil da sua visita ao Brasil? Mais mudança climática ou mais Rio+20?

Connie Hedegaard: É uma agenda mista. Fiz parte do painel das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável junto com a ministra Izabella Teixeira, e, claro, temos ambas interesse na agenda climática. Em Durban, o Brasil e a Europa tiveram uma cooperação muito construtiva. Espero que possamos avançar na agenda do clima para a próxima reunião, no Qatar. E agora, tão perto da Rio+20, é natural que discutamos alguns temas da conferência.

 

Valor: A senhora diz que a Rio+20 não é uma árvore de Natal. O que quer dizer?

Hedegaard: É que todos vêm com todos os seus desejos para a conferência. Mas deveríamos ter em mente que muita gente lá fora pensa que estes são tempos muito desafiadores. As pessoas percebem que a economia, os mercados, os bancos estão globalizados, e temos que mostrar que o globalizado sistema político multilateral pode dar algumas respostas claras. Acho que um dos desafios da Rio+20 não é escrever um monte de declarações, mas temos que ser capazes de, no dia seguinte à conferência, responder à pergunta: o que a Rio+20 mudou na vida dos cidadãos?

 

Valor: A senhora tem algum exemplo do que poderia ser decidido no Rio, em junho?

Hedegaard: Saliento a meta de acesso a energia sustentável para todos. Isso é algo muito concreto. Se há uma lição que aprendemos na Europa é que ajuda muito ter metas porque faz com que os governos tenham foco. Metas também fazem com que os investidores se mexam em determinadas áreas, se souberem quais são os objetivos e se tiverem alguma previsão. Acredito que há muitos investidores lá fora que gostariam de investir em energia. Mas eles têm que ter indicações claras de que isso é para valer. A sociedade global está levando a sério essas metas? O que significa dar acesso à energia sustentável para todos, em 2030? É sobre conseguir mais eficiência energética? Como podemos medir isso? Podemos fazer uma enorme diferença se decidirmos que, agora, vamos estabelecer estes padrões.

 

Valor: No final da Rio+20, o que terá sido um bom resultado, na sua opinião?

Hedegaard: Acredito que um bom resultado será se o mundo puder abraçar o conceito de economia verde. Conseguindo isso, a conferência do Rio poderia marcar uma real mudança de paradigma. Seria o momento em que as pessoas e os governos entenderiam que não podemos continuar fazendo as coisas como sempre, o que se chama “business as usual”. Não é assim que tornaremos as economias sustentáveis, não se criarão sociedades sustentáveis. Temos que mudar a maneira em que percebemos o crescimento e mudar para uma maneira mais eficiente de usar a energia e os recursos naturais. Se a Rio+20 puder marcar esta mudança, penso que terá sido um ganho muito grande.

 

Valor: A Rio+20 não irá produzir tratados internacionais com força legal. Isso é um problema?

Hedegaard: Quando foram estabelecidos os Objetivos do Milênio, dez anos atrás, perguntei ao então primeiro ministro de Moçambique o que estas metas significavam para o seu governo. Ele respondeu que representavam um incrível estímulo para que pudessem definir os processos e os caminhos de desenvolvimento do país. Os objetivos do milênio significam acesso à água, maior participação das mulheres, educação, e isso faz diferença. É o mundo querendo medir se está se mexendo na direção certa ou não. Basicamente é a mesma coisa que podemos fazer com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável na Rio+20. E, claro, se falarmos, vamos adotar a meta do acesso à energia renovável, teremos que encontrar uma metodologia que mostre como chegaremos a isso.

 

Valor: Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODG) que podem ser adotados na Rio+20 seriam um avanço nesta direção?

Hedegaard: A Europa pensa que os ODG podem ser algo muito bom. Agora, um dos desafios da Rio+20 é ver se a comunidade internacional está pronta para definir quais são estes objetivos.

 

Valor: Como assim?

Hedegaard: Dizer quais são os objetivos, quais as áreas e quais as metas. Uma área em que o trabalho preparatório já foi extremamente feito, dentro do sistema das Nações Unidas, é energia. Então, de um lado, poderíamos indicar que queremos ODGs neste e naquele campo, mas se tivermos alguma área mais específica, ou que está mais pronta, por que não começar com este setor imediatamente? Por que temos que esperar para conseguir detalhar outras áreas para implementar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável? Somos muito favoráveis ao que o mundo promova estas metas, só acho que não precisamos ter cada uma delas muito detalhada e definida já no Rio. Talvez, na conferência, os temas possam ser identificados e começar um processo.

 

Valor: Os assuntos poderiam ser definidos no Rio. Mas o que mais?

Hedegaard: Por exemplo, uma meta poderia ser sobre pesca sustentável. O que isso significa, como podemos detalhar o objetivo e como chegar a ele. Mas se não tivermos condições de fazer tudo nos mínimos detalhes no Rio, deveríamos dizer: este é o prazo final, é o que politicamente queremos fazer e aí voltamos e vemos como a meta poderia ficar. O que digo é que, por exemplo, no campo de energia sustentável nós já temos todos os detalhes.

 

Valor: Seria um começo, a meta da energia sustentável?

Hedegaard: Sim, poderia começar já, e fazer isso não estaria em contradição com as outras metas. Seria apenas para termos uma ação orientada. E poderia começar no dia seguinte ao término da Rio+20. Ministros brasileiros, comissários europeus, todos nós poderíamos nos perguntar que diferença a Rio+20 pode fazer para o mundo. É muito importante que miremos coisas tangíveis e que tenham resultado a curto prazo.

 

Valor: O que a senhora poderia dizer sobre a opinião da União Europeia sobre governança?

Hedegaard: Bem, só posso repetir o que Janez Potócnik, comissário da União Europeia para Ambiente, disse sobre isso (em coletiva de imprensa em Nairóbi Potócnik defendeu o fortalecimento do Pnuma e disse que “há desejo de mudanças”, mas não se prolongou no tema).

 

Valor: Como trazer chefes de Estado para o Rio?

Hedegaard: Não tenho comentários. Este é um assunto do governo brasileiro.

 

Valor: O que esperar da próxima reunião do clima, no Qatar?

Hedegaard: A reunião no Qatar tem que preparar um plano de trabalho muito claro.

 

Valor: A União Europeia foi protagonista na última conferência climática, em Durban. Como avançar nas negociações?

Hedegaard: Nossa estratégia funcionou. Usamos o fato de que estávamos prontos para aceitar um segundo período de compromissos do Protocolo de Kyoto, assumindo que éramos os únicos países do mundo prontos para isso. Dissemos “ok, vamos deixar o sistema vivo, mas só se outros nos disserem quando o resto do mundo subirá a bordo com algum acordo realmente global.” Foi onde chegamos em Durban graças à cooperação dos países africanos e dos países menos desenvolvidos do mundo. Mais de cem países falaram muito claramente para as economias emergentes e aos Estados Unidos: temos que ter agora um sistema global verdadeiro.

 

Valor: Foi assim que se chegou à promessa de se chegar a um acordo climático global em 2015?

Hedegaard: Alguns países disseram “ok, mas vamos terminar em 2016 ou 2017 e não deveríamos começar este ano.” Falamos: “Claro que temos que começar este ano!” Como podemos explicar para qualquer cidadão que a mudança climática é urgente, mas que não vamos começar nada até o ano que vem? Temos que terminar em 2015 porque se há algo que aprendemos neste processo é que ele nunca surpreende com decisões que acontecem mais rápidas do que você imaginou. Sempre leva muito tempo até que se possa concordar com algo e ver aquilo começando a funcionar.

 

Valor: Então, para se ter um acordo climático global em 2015, o que tem que acontecer no Qatar?

Hedegaard: Em Durban acertamos que temos que terminar as negociações do novo tratado em 2015. Teremos novos elementos sobre a mesa, um novo relatório do IPCC (o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, que reúne os novos estudos científicos sobre o assunto) que será lançado em 2014. E então teremos 4 ou 5 anos para que os países ratifiquem e implementem o acordo e o novo regime comece a operar. Isso leva tempo.

 

Valor: Qatar é o início disso?

Hedegaard: Qatar é sobre um programa de trabalho bem específico: quem faz o quê dentro de qual prazo. Como estruturamos, o que tem que ser feito politicamente, e por aí vai. Temos que trabalhar de trás para a frente. Pensando que temos de terminar com um acordo global na CoP de 2015, então, que tipo de conhecimento precisamos agora, quais os caminhos, working shops, grupos de trabalho e assim por diante para assegurar que no final de 2015 teremos o acordo. No Qatar também vamos ter que ter avanços no Fundo Verde, o dinheiro terá que começar a fluir.

 

Valor: E as metas do segundo período de compromisso de Kyoto…

Hedegaard: Sim, vamos submetê-las antes de 1º de maio, o prazo final acertado em Durban.

 

Valor: Perguntaram como o mundo dos negócios está reagindo à mudança climática e à economia de baixo carbono. A senhora mencionou o que está acontecendo na Tailândia. Pode explicar?

Hedegaard: A Tailândia divulgou números mostrando que nos últimos quatro meses de 2011, perdeu 9% de seu PIB por causa das inundações. Então, se você é uma empresa na Tailândia, você definitivamente aprendeu que continuar a fazer como sempre fez, “business as usual”, é algo que pode custar muito. São riscos muito perigosos para os negócios. É por isso, também, que é tão importante ter uma estratégia coerente para combater a mudança climática.

 

Valor: Mesmo com a crise econômica global, as emissões de gases-estufa ainda estão crescendo. Isso não preocupa?

Hedegaard: Acho que quando temos uma crise global como a que estamos vivendo, é uma oportunidade excelente para repensar o jeito como fazemos as coisas. Estou certa que, muitas empresas e muitos CEOs no mundo todo, durante esta crise, estão olhando para suas contas, vendo quanta energia gastam para fazer seus produtos, quanto aço precisam, quanto consomem de matérias-primas. Porque se uma coisa é certa sobre o futuro, é que estamos em um mundo em que há mais gente, e mais gente virando classe média e com mais possibilidade de consumo, então está claro que a demanda por matérias-primas e por energia irá crescer. Isso significa que os preços irão aumentar e que eficiência energética e eficiência no uso de recursos naturais, serão parâmetros competitivos. Acho que esta lógica está sendo aceita por mais e mais empresários e pelo poder público. Na Europa, agora, estamos falando muito mais sobre eficiência energética nos nossos prédios, na nossa infraestrutura, em como nos tornarmos mais eficientes em termos energéticos. Acho que esta é a mudança de paradigma que espero que a Rio+20 realmente consiga alcançar.

Fonte: Valor Econômico


19 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Coordenador da Rio+20 diz que Brasil terá de assumir liderança

O coordenador-executivo da Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável), Brice Lalonde, disse nesta quinta-feira no Rio que a liderança brasileira será fundamental para que o encontro, que acontece no ano que vem, produza resultados concretos.

“Nós precisamos da liderança brasileira, porque as lideranças tradicionais desapareceram. Se a liderança não vier dos países emergentes, não haverá liderança suficiente”, afirmou o francês Lalonde, que está no Brasil para encontros com autoridades governamentais e líderes da sociedade civil.

Ele admitiu, porém, que questões internas como o aumento do desmatamento e a discussão em torno do novo Código Florestal podem pôr em xeque a liderança brasileira em questões ambientais. “Nós estamos obviamente preocupados, como todo mundo, mas temos que esperar para ver como essas situações vão se desenrolar”, disse ele ao ser questionado sobre o assunto em entrevista à imprensa.

Lalonde disse que o objetivo da Rio +20 não é produzir resultados imediatos, mas sim soluções de longo prazo para uma vida melhor no planeta. “Essa conferência pertence a uma família especial de conferências, que olham para o longo prazo, para o quadro geral. Será um grande check up para a humanidade e o planeta”, afirmou.

FOCO EM ENERGIAS RENOVÁVEIS

Em termos mais concretos, Lalonde disse que o foco da conferência devem ser as energias renováveis. “Um dos mais importantes resultados da Rio+20 deve ser a formação de uma grande coalizão global para abaixar os preços das energias renováveis e torná-las mais competitivas com as energias sujas, como o carvão”, completou.

O francês cobrou que os países sejam menos egoístas e pensem mais no planeta. “O problema do planeta é que ninguém fala em nome do planeta, só há Estados que defendem seus próprios interesses. Precisamos ser mais solidários e pensar no planeta.”

Ele afirmou que a sociedade civil também tem um grande papel na luta por um mundo mais sustentável. “As mudanças cabem muito mais às pessoas do que aos governos. As pessoas têm de pressionar os governos, afinal é o seu futuro que está em jogo. Nós não podemos deixar a juventude numa situação onde ela vai ter que pagar as nossas dívidas, não apenas financeiras, mas ecológicas”, disse.

Questionado se a atual situação econômica global poderia tornar difícil para os governantes pensar em objetivos de longo prazo, Lalonde recorreu a uma metáfora. “Quando o teto está pegando fogo, você tem que apagar o fogo no teto, mas também deveria aproveitar para consertar a infraestrutura da casa. Muitas pessoas acreditam que essa crise é parcialmente causada pela escassez de energia. Devemos aproveitar para resolver esse problema.”

Lalonde, 65, recorreu ao passado para se dizer, apesar de tudo, otimista com a conferência. “Quando eu era jovem, a palavra ecologia nem sequer existia. Hoje, uma série de instituições foram criadas e compromissos foram adotados. Nessa conferência vai ser tomada alguma decisão enorme, radical, para mudar o mundo? Provavelmente não. Mas será um novo passo adiante. Porque as mudanças reais acontecem no dia a dia. É preciso olhar para trás, para ver o que mudou nos últimos 20 anos”, disse.

A Rio+20 acontece entre 4 e 6 de junho do ano que vem. Seu nome faz referência à Eco-92, conferência que reuniu chefes de Estado no Rio em 1992 para discutir desenvolvimento sustentável.


Fonte: Rodrigo Rötzsch, do Rio, Folha.com


20 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Reflorestar não resolverá problema do aquecimento, diz estudo

Apesar de que as florestas são importantes sumidouros de carbono, os projetos de reflorestamento só terão um impacto limitado no aquecimento global, destacou um estudo publicado este domingo (19) na revista científica Nature Geoscience.

Vivek Arora, da Universidade de Victoria, no Canadá, e Alvaro Montenegro, da Universidade de St. Francis Xavier, também no Canadá, desenvolveram cinco modelos de reflorestamento durante 50 anos, de 2011 a 2060. Os cientistas examinaram seus efeitos no solo, na água e no ar se a temperatura da superfície terrestre aumentasse 3º C em 2100 com relação aos níveis pré-industriais de 1850.

O resultado demonstra que, mesmo se todas as terras cultivadas do mundo forem reflorestadas, isto só bastaria para reduzir o aquecimento global em 0,45º C no período 2081-2100. Isto se explica em particular porque precisa-se de décadas para que os bosques sejam suficientemente velhos para captar o CO2 que fica estancado durante séculos na atmosfera.

Um reflorestamento de 50% das terras cultivadas só limitaria a elevação da temperatura em 0,25º C. Evidentemente, nenhuma destas projeções é realista, uma vez que as terras cultivadas são essenciais para alimentar a população do planeta, onde em 2050 viverão 9 bilhões de pessoas.

Segundo os outros três modelos, reflorestar as regiões tropicais é três vezes mais eficaz para “evitar o aquecimento” do que fazê-lo em latitudes mais elevadas ou em regiões temperadas. Os bosques são mais escuros do que as terras cultivadas e, portanto, absorvem mais calor. Plantar florestas em um solo coberto de neve ou de cerais de cor clara diminui o denominado “efeito albedo”, que é a quantidade de luz solar refletida do solo para o espaço.

“O reflorestamento em si não é um problema, é positivo, mas nossas conclusões indicam que não é uma ferramenta para controlar a temperatura se gases de efeito estufa continuarem a ser emitidos como se faz atualmente”, disse Montenegro.

“O reflorestamento não pode substituir a redução de emissões de gases de efeito estufa”, concluiu o estudo. O desmatamento, sobretudo nas selvas tropicais, é causador de 10% a 20% das emissões de gases de efeito estufa do planeta.

Fonte: Portal Terra


19 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Ganhadores do Nobel pedem ações urgentes a favor do planeta

Vinte ganhadores do prêmio Nobel se reuniram nesta quarta-feira (18), em um apelo aos dirigentes mundiais, para que atuem urgentemente pelo futuro do planeta, em recomendações feitas a um comitê especial da ONU.

No “memorando de Estocolmo”, que redigiram com especialistas em clima, os premiados concluem que a Terra entrou em uma nova era desde as atividades industriais, “o Antropoceno”, influenciada pelas ações humanas.

O informe “recomenda uma série de ações urgentes e de grande alcance para que os dirigentes e as sociedades sejam servidores mais ativos do planeta em benefício das gerações futuras”, segundo o texto do memorando.

Os vencedores do Nobel de Química, Mario Molina e Paul Crutzen, inventor do conceito de antropoceno; o premiado de Economia Amartya Sen, e a Nobel de Literatura Nadine Gordimer são alguns dos envolvidos no desenvolvimento do memorando.

O texto foi assinado na Academia de Ciências de Estocolmo, onde se atribui a maioria dos prêmios Nobel.

Ele então foi entregue à presidente finlandesa, Tarja Halonen, que co-dirige uma comissão da ONU sobre o desenvolvimento sustentável tendo em vista a reunião climática das Nações Unidas no Rio de Janeiro em 2012.

Além do objetivo de manter o aquecimento global abaixo de dois graus Celsius, o documento destaca que “o meio ambiente sustentável é uma pré-condição para a erradicação da pobreza, desenvolvimento econômico e justiça social”.

Uma das dificuldades dos acordos internacionais sobre o clima é a divergência de interesses entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Estes últimos afirmam que o crescimento rápido não pode ser condenado pelos esforços ambientais.

O memorando defende também uma “revolução agrícola”, mais ecológica, para alimentar a população humana do planeta, que em breve chegará aos 9 bilhões.

Na terça-feira (17), os premiados do Nobel organizaram um processo da espécie humana, acusada de destruir o planeta.

Fonte: Portal iG


29 de abril de 2009 | nenhum comentário »

“Consciência ambiental não é tudo; é necessário atitude”

Entrevista com Marcílio Hubner de Miranda Neto, escritor e professor universitário

"A humanidade precisa se educar e perceber que os danos à natureza estão cada vez mais severos e nós estamos sentindo as conseqüências, basta ver as inundações, secas, todo esse desequilíbrio que vivemos atualmente.”

"A humanidade precisa se educar e perceber que os danos à natureza estão cada vez mais severos e nós estamos sentindo as conseqüências, basta ver as inundações, secas, todo esse desequilíbrio que vivemos atualmente.”

A educação ambiental é tema de muitas discussões nas escolas. Mas, apesar do debate e da conscientização sobre a preservação da natureza ter aumentado nas últimas décadas, ainda falta a mudança de atitude. “Muitos sabem que é importante e fácil separar o lixo em casa, mas poucos fazem isso”, exemplica o professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM) Marcílio Hubner de Miranda Neto. Para transformar teoria em prática, o doutor em Ciências Biológicas defende que os professores têm um papel fundamental.

Miranda Neto procura contribuir com esse processo com o livro infantil Brejo Alegre – um rio em perigo, que conta as aventuras de um sapo e um menino na luta para conscientizar os moradores do bairro a salvar o rio. Lançado ontem, esse é o segundo livro da série. Foi escrito em parceria com Rodolfo Molinari Hubner e traz ilustrações de Tânia Regina Machado. O primeiro, Natal em Brejo Alegre, foi lançado em 2005 e teve cerca de 5 mil cópias publicadas. Confira abaixo a entrevista em que Miranda Neto fala do novo livro e do papel das crianças na preservação ambiental:

Qual é a importância de se incentivar a consciência ambiental nas crianças?

Estamos vivendo uma questão complicada em relação ao meio ambiente. Precisamos de uma nova postura, um maior envolvimento de cada um. Cada sujeito tem que ser fiscal e cuidador do meio ambiente. Para isso, as pessoas têm que ser formadas desde pequenas, pois é difícil incorporar novos valores e atitudes quando já se é adultos.

O senhor acredita que a responsabilidade com o meio ambiente vem aumentando de geração em geração? Por quê?

the dark knight dvdrip

Acredito que tem melhorado sim, e é possível observar isso em pequenas atitudes. Hoje é grande o número de consumidores que não compram produtos cuja procedência agrida o meio ambiente. Vemos também a preocupação com as matas ciliares e o desmatamento. Mas, embora tenha aumentado a conscientização, cresceu também a agressão ambiental. Isso porque a maioria das pessoas sabe que deve preservar o meio ambiente, mas não tem atitude. Separar o lixo é fácil para todos, mas são poucos os que fazem isso. Muitos ainda compram garrafas pets descartáveis, ao invés do vidro, que é 100% reciclável. Verificamos que atualmente existe uma grande diferença entre discurso e a prática. A consciência não é tudo. Ela tem que estar unida com a mudança de postura.

Qual a melhor forma de trabalhar a educação ambiental na escola?

Não existe uma melhor forma. Cada professor adota uma estratégia de acordo com o bairro em que a escola está inserida e as características dos alunos. É possível trabalhar com música, textos de jornal, literatura, entre outros. Eu acredito que seja muito importante levar as crianças para verificar situações reais, como comparar um rio limpo e um poluído, explicar as implicações dessa situação para o meio ambiente, observar as ruas do bairro, enfim, aproximar a temática do cotidiano dos estudantes. A interdisciplinaridade também é essencial. A educação ambiental tem que ser trabalhada por todos os professores – na Matemática, na Geografia, em História, etc. A humanidade precisa se educar e perceber que os danos à natureza estão cada vez mais severos e nós estamos sentindo as conseqüências, basta ver as inundações, secas, todo esse desequilíbrio que vivemos atualmente.

Qual é o papel da família para a consolidação dessas ideias?

A família é essencial para causar a mudança de atitude. Os pais são exemplos, e a criança aprende muito pelo que ela vê em casa. Não é só dar bronca porque ela deixou a luz acesa e a conta de luz virá mais alta, é preciso explicar todo o ciclo. Dizer que deixar a luz acesa pode contribuir para um racionamento de energia e estimular a construção de mais usinas elétricas, que geram sempre agressão ao meio ambiente. Atitudes simples, como ensinar a separar o lixo, a fechar a torneira enquanto se escovas os dentes, ajudam a formar um cidadão mais consciente.

O senhor está lançando o seu terceiro livro infantil (o primeiro foi A razão e o Sonho). Qual a temática principal do Brejo Alegre – um rio em perigo?

É uma ficção cujo foco é os cuidados com os rios. O Brejo Alegre está tranquilo no começo da história, todos vivem em harmonia: crianças, animais e plantas. Depois surgem os desequilíbrios, pois as pessoas começam a usar o solo de forma errada, a jogar lixo nos córregos. Depois vem a busca do equilíbrio novamente. Minha intenção é mostrar que cada pessoa pode dar uma contribuição para a recuperação dessa harmonia.

O seu primeiro livro, Um Natal em Brejo Alegre, foi lançado em 2005 e teve boa aceitação do público. Brejo Alegre – um rio em perigo é o segundo livro da série. Qual a maior diferença entre eles?

Neste segundo livro da série, os personagens principais de Um Natal em Brejo Alegre, o sapo Juca e o menino Cristovam, reaparecem. A diferença maior é que no primeiro livro a temática é mais voltada para o social e no segundo para o meio ambiente. Em Natal em Brejo Alegre eu conto a história de uma família simples que vive num sítio e que perde seus presentes de Natal. Por isso, eles começam a produzir os enfeites, a ceia e até os presentes com o que é encontrado no sítio. Minha intenção era dizer que muitas vezes acabamos comprando coisas inúteis, em razão da nossa cultura materialista, que só agride o meio ambiente. Na nossa sociedade, o Natal é antiecológico, pois é grande o desperdício de bens. O verdadeiro sentido da data, que é a reunião da família para uma questão espiritual, fica esquecida.

Fonte: Gazeta do Povo