11 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Venda de ossos de leão vira novo ‘negócio’ da máfia na África do Sul

Foco de traficantes é alimentar mercado asiático.
Esqueleto de leão vale aproximadamente US$ 10 mil.

Os ossos de leões que vivem na África do Sul, utilizados para fazer poções tradicionais, se transformaram no novo negócio das máfias asiáticas que se dedicam ao tráfico do chifre de rinoceronte, ao qual são atribuídas propriedades medicinais na Ásia.

O novo objetivo das máfias ficou evidente em setembro de 2011, quando a polícia sul-africana conseguiu desmontar a maior rede de tráfico de chifres de rinoceronte até o momento, da qual participava um criador de felinos, que se dedicava à falsificação de permissões de caça para ambas as espécies.

Dados do governo afirmam que 13 rinocerontes foram mortos em 2007 e 448 em 2011. Já em 2012, segundo a rede de Parques Nacionais da África do Sul (Sanparks), 270 rinos pereceram sob as ações ilegais de caçadores.

“As mesmas máfias que traficam chifres de rinoceronte estão comercializando ossos de leão”, assegura Jo Shaw, especialista em Comércio e Tráfico de Espécies do Fundo para a Proteção da Vida Selvagem da África Austral (EWT, na sigla em inglês).

Devido ao aumento da demanda nos mercados asiáticos, o preço de um esqueleto de leão subiu de US$ 4 mil em 2010 para US$ 10 mil este ano, segundo site da ONG britânica Lion Aid.

Apelo ao governo
Para tentar frear o tráfico de ossos de leão, uma campanha na internet conseguiu quase 650 mil assinaturas de apoio desde o dia 28 de junho, e se transformou em um fenômeno através do Facebook.

A iniciativa, que começou no site da Avaaz, uma organização que propõe ações cidadãs em favor de causas sociais, reivindica um milhão de assinaturas para exigir do presidente da África do Sul, Jacob Zuma, que proíba o tráfico desses animais.

“Centenas de leões sul-africanos estão sendo esquartejados para a fabricação de falsas poções sexuais para homens asiáticos, mas uma campanha global pode acabar com este cruel comércio”, indica o site da Avaaz.

Além disso, a iniciativa acrescenta que “os leões são criados em péssimas condições para sua caça, onde turistas endinheirados atiram contra eles através das cercas”.

“Os analistas temem que o aumento do valor [dos ossos] acabe desencadeando a caça ilegal dos 20 mil leões que vivem em estado selvagem na África”, acrescenta a Avaaz.

Mercado ilegal alternativo
Conservacionistas temem agora que os felinos sul-africanos se transformem em um negócio tão lucrativo quanto o dos rinocerontes. “Ainda não sabemos quais podem ser as consequências do aumento deste comércio sobre os leões selvagens”, reconhece Shaw, cuja organização vai realizar um estudo, junto à Universidade de Oxford, para analisar o impacto da demanda asiática.

De acordo com Kelly Marnewick, especialista em felinos da EWT, o comércio de leão é uma realidade na África do Sul e aumentou desde que a caça de tigres se tornou cada vez mais complicada.

Ainda segundo Kelly, outras espécies também já são afetadas, como leopardos e guepardos. Entretanto, é difícil distinguir ossos uns dos outros, segundo a conservacionista sul-africana.

Exemplares de Leões africanos têm sido caçados e mortos para extração de ossos, que são vendidos para o mercado asiático. Tradicionalistas da região acreditam em cura com poções que utilizam esqueleto. (Foto: Reprodução/Chris vd Merwe)

Exemplares de Leões africanos têm sido caçados e mortos para extração de ossos, que são vendidos para o mercado asiático. Tradicionalistas da região acreditam em cura com poções que utilizam esqueleto. (Foto: Reprodução/Chris vd Merwe)

Fonte: Globo Natureza


5 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Antigos primatas colonizaram a África há 37 milhões de anos, sugere estudo

Fóssil descoberto em Mianmar ajuda a resolver o mistério de quando ocorreu a migração dos primeiros símios para o continente africano

Os antigos primatas colonizaram a África há 37 milhões de anos, vindos da Ásia. A descoberta representa um avanço importante para entender a evolução dos seres humanos e de outros primatas. O estudo foi publicado nesta segunda-feira no periódico americano PNAS.

Por décadas os cientistas pensaram que os antepassados dos humanos surgiram na África. Uma série de descobertas nos últimos anos, porém, atestam que os primeiros símios vieram da Ásia e posteriormente colonizaram o continente africano. Contudo, os paleontólogos ainda não conseguiram decidir como e quando isso aconteceu. Agora, parece que há uma resposta para pelo menos uma das perguntas.

A mais recente descoberta que dá suporte à teoria de que os primeiros símios vieram da Ásia é o fóssil Afrasia djijidae, encontrado em Mianmar por pesquisadores Museu de História Natural de Carnegie, dos Estados Unidos. É sobre esse fóssil o estudo publicado no PNAS. O que torna o achado asiático de 37 milhões de anos digno de nota é sua similaridade com outro, encontrado recentemente no Deserto do Saara, na África.

Questão de tempo - Os dentes doAfrasia são muito parecidos com os doAfrotarsius libycus, um fóssil norte-africano que data da mesma época do asiático. Por sua estrutura complexa, os dentes de mamíferos são usados como ‘impressões digitais’ para reconstruir relações de parentesco entre espécies extintas e modernas.

A grande similaridade entre os dois fósseis, um da África e outro da Ásia, tem muito a dizer sobre quando a colonização do continente africano ocorreu. Os cientistas acreditam que ela aconteceu pouco antes da data em que viveu o animal que deu origem ao fóssil asiático, ou seja, há 37 milhões de anos.

Se os símios asiáticos tivessem chegado ao Norte da África antes, teria havido mais tempo para a diversificação entre o Afrasia e o Afrotarsius. “Por muito tempo pensávamos que o registro de fósseis da África era ruim”, disse Jean-Jacques Jaeger, chefe da pesquisa. “O fato de que símios semelhantes viveram ao mesmo tempo na Líbia e em Mianmar sugere que eles não chegaram à África até pouco antes do fóssil que encontramos no norte africano.”

Agora, os paleontólogos tem uma forte indicação de quando a colonização do continente africano ocorreu. Falta saber como. A viagem provavelmente foi muito dura. Naquela época, uma versão maior do Mar Mediterrâneo, chamada Mar de Tétis, separava a África e a Eurásia. A descoberta do Afrasia não resolve a questão da rota nem de como ocorreu a colonização, mas pelo menos crava um ponto de partida na linha do tempo da evolução dos antigos primatas na África.

Reconstrução do 'Afrotarsius libycus', espécie que viveu há mais de 37 milhões de anos no Norte da África e que é muito parecida com o 'Afrasia djijidae', um fóssil encontrado na Ásia com praticamente a mesma idade. As semelhanças indicam que a colonização da África ocorreu há 37 milhões de anos, informação que faltava aos paleontólogos que reconstroem a linha do tempo da evolução humana

Reconstrução do 'Afrotarsius libycus', espécie que viveu há mais de 37 milhões de anos no Norte da África e que é muito parecida com o 'Afrasia djijidae', um fóssil encontrado na Ásia com praticamente a mesma idade. As semelhanças indicam que a colonização da África ocorreu há 37 milhões de anos, informação que faltava aos paleontólogos que reconstroem a linha do tempo da evolução humana (Mark A. Klingler/Carnegie Museum of Natural History)

Fonte: Veja Ciência


20 de abril de 2012 | nenhum comentário »

África tem reservas subterrâneas gigantes de água, dizem cientistas

Cientistas dizem que o continente africano, conhecido pelo clima seco, tem enormes reservas subterrâneas de água.

No mais completo mapa já feito da escala e distribuição da água existente embaixo do deserto do Saara e em outras partes da África, os especialistas dizem que esses reservatórios subterrâneos poderiam fornecer água suficiente para o consumo e agricultura em todo o continente, mas admitem que o processo de extração pode ser complexo.

O trabalho, publicado na revista científica Environmental Research Letters, diz ainda que muitos dos antigos aquíferos africanos foram preenchidos pela última vez 5 mil anos atrás.

Escassez

Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas na África não tenham acesso a água potável e a demanda deve aumentar consideravelmente nas próximas décadas, devido ao crescimento populacional e à necessidade de irrigação para plantações.

Rios e lagos estão sujeitos a enchentes e secas sazonais, que podem limitar a disponibilidade da água. Atualmente, apenas 5% das terras cultiváveis africanas são irrigadas.

Agora, os cientistas da British Geological Survey (BGS) e da University College London (UCL) esperam que o novo mapeamento chame atenção para o potencial dos reservatórios subterrâneos.

“As maiores reservas de água subterrâneas ficam no norte da África, em grandes bacias sedimentares, na Líbia, Argélia e Chade”, diz Helen Bonsor, da BGS.

“A quantidade armazenada nessas bacias é equivalente a 75 metros de água sobre aquela área. É uma quantidade enorme.”

Estratégia

Devido a mudanças climáticas que transformaram o Saara em um deserto ao longo dos séculos, muitos dos aquíferos subterrâneos receberam água pela última vez há mais de 5 mil anos.

Os cientistas basearam suas análises em mapas de governos dos países africanos, assim como em 283 estudos de aquíferos.

Eles afirmam que muitas das nações que enfrentam escassez de água têm, na verdade, reservas consideráveis embaixo do solo.

No entanto, os pesquisadores alertam que a perfuração de poços tubulares profundos pode não ser a melhor maneira de extrair a água, já que poderiam esgotar a fonte rapidamente.

“Poços profundos não devem ser perfurados sem que haja um conhecimento detalhado das condições das reservas locais. Poços simples e bombas manuais, desenvolvidos de forma cuidadosa e nos locais certos, têm mais chance de ser bem-sucedidos”, disse à BBC Alan McDonald, principal autor do estudo.

Helen Bonsor concorda que meios de extração mais lentos podem ser mais eficientes.

“Muitos aquíferos de baixo volume estão presentes na África subsaariana. No entanto, nosso trabalho mostra que com exploração e construção cuidadosas, há água subterrânea suficiente na África para fins de consumo e irrigação comunitária”, diz ela, acrescentando que as reservas poderiam contrabalançar os problemas causados pela mudança climática.

“Mesmo nos menores aquíferos em áreas semi-áridas, com baixíssimo índice de chuvas, as reservas subterrâneas ainda durariam algo entre 20 e 70 anos”, afirma Bonsor.

“Então, nos índices atuais de extração para consumo e irrigação em pequena escala, os reservatórios fornecem e continuarão a fornecer proteção contra as variações do clima.”

Fonte: BBC Brasil


11 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Rinoceronte morre durante apresentação à imprensa na África

Um rinoceronte sofreu convulsões e morreu na quinta-feira (9) depois que uma reserva na África do Sul convocou a mídia para demonstrar a implantação de um microchip no chifre do animal, que ajudaria no combate à caça. O acidente ocorreu em Joanesburgo. (Foto: Siphiwe Sibeko/Reuters)

Um rinoceronte sofreu convulsões e morreu na quinta-feira (9) depois que uma reserva na África do Sul convocou a mídia para demonstrar a implantação de um microchip no chifre do animal, que ajudaria no combate à caça. O acidente ocorreu em Joanesburgo. (Foto: Siphiwe Sibeko/Reuters)

 

Um rinoceronte morreu na quinta-feira (9) na África do Sul durante uma apresentação à imprensa de um dispositivo de rastreamento que deveria servir para coibir a caça do animal. Segundo os veterinários, o animal foi sedado para a apresentação e morreu após receber um medicamento para acordar.

O animal teria uma condição desconhecida que teria levado a uma parada cardíaca em resposta à aplicação do medicamento. “Ele respondeu muito bem ao tratamento e o procedimento é 100% seguro, mas sempre há grandes riscos quando um animal tão grande é sedado”, diz Lorinda Hern, dona da Reserva Natural de Rinocerontes e Leões. O animal morreu cerca de 20 s após a administração da substância.

O uso de equipamentos de rastreamento é uma das medidas que estão sendo testadas na África do Sul para evitar a caça de rinocerontes – no ano passado, 450 desses animais ameaçados de extinção foram mortos por caçadores. Os chifres do animal são utilizados na medicina tradicional asiática, apesar de não haver nenhuma evidência científica de seu valor.

Fonte: Portal Terra


13 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Moradores se arriscam vivendo à beira de lagos ‘assassinos’ na África

Há 25 anos, 1,8 mil morreram dormindo nas proximidade do lago Nyos, nos Camarões.

As águas calmas do lago Monoun e do Nyos, no noroeste de Camarões, seriam um sinal evidente de tranquilidade no local. Nas profundezas, no entanto, está a fonte de um perigo mortífero, que pode vir à tona a qualquer momento e ameaçar as populações ribeirinhas.

Há 25 anos, o despertar de uma aldeia vizinha ao Nyos ficou marcado pela morte. Durante a noite, dezenas de moradores perderam a vida. Na época, a razão era inexplicável. Concluiu-se depois que a emissão de gases teria asfixiado os habitantes dos arredores.

Monica Lom Ngong relata à BBC o cenário da tragédia, cuja causa até aquele momento era desconhecida.

‘Fiquei rodeada de gente morta, alguns dentro de casa, outros fora, outros detrás das casas…. e os animais por toda a parte: vacas, cachorros, todos jaziam no solo, me deixando confusa. Na minha família, éramos 56, mas morreram 53′, conta.

Aquela noite havia sido macabra. Aldeias inteiras amanheceram sem vida, apenas com os corpos espalhados pelo chão. Não havia sinal de pânico. 1.800 pessoas morreram enquanto dormiam ou cozinhava.

Não havia explicação lógica.

Lago Moroun
Dois anos antes, em uma manhã de 1984, Ahadji Abdou estava a caminho de sua granja em Camarões quando viu uma cena que nunca iria esquecer, nas proximidades do lago Moroun.

‘Pensei que fosse um acidente de trânsito. Desci da bicicleta e fiquei paralisado. Havia muita gente morta em todas as partes da estrada. Algo terrível havia acontecido’, diz.

Em questão de horas foram encontrados 37 corpos.

‘Escutamos que haviam sido massacrados. Nos contaram que 12 pessoas estavam em um caminhão e que 10 morreram. O motorista foi o primeiro a sair e ver se estava acontecendo alguma coisa com o motor, que parou. O resto dos homens decidiram sair do veículo e morreram’, disse à BBC Motapon Oumarou.

O pânico tomou conta do lugar, conta o médico Pierre Zambou, o primeiro a chegar ao local.

‘Nunca havíamos visto algo assim. Parecia que tinham sido vítimas de uma doença altamente contagiosa. Não tínhamos máscaras nem ataduras. Colocamos todos em um jipe militar e os levamos dali’, conta.

Armas biológicas
Os 1.800 moradores nos arredores do lago Nyos morreram enquanto ainda dormiam.

Desta vez, a amplitude do caso e o número de mortos fez com que o caso viesse à tona, pela imprensa, causando comoção internacional.

A morte daquelas pessoas fora tão súbita que logo correram rumores de uma possível arma biológica.

E se alguém estava fazendo testes secretos, os Estados Unidos queriam saber. Tanto que meses depois enviou ao local o cientista Haraldur Sigurdsson, para investigar os estranhos acontecimentos do lago Monoun.

A guerra biológica foi descartada totalmente. As vítimas pareciam ter sido sufocadas. Mas com que? Sigurdsson decidiu falar com as testemunhas e descobriu que houve quem tivesse visto o assassino.

‘Vimos uma nuvem branca e espessa a poucos metros da gente. Mas desapareceu em um instante’, contou Motapon Oumarou.

Esta foi a primeira pista, mas havia outra: todos os 37 mortos do lago Monoun pereceram em uma entrada próxima da água.

Sigurdsson coletou, então, amostras da água. ‘A água estava cheia de gás. Bolhas enormes se formavam. Imediatamente me dei conta de que as águas profundas estavam saturadas de gás’, conta.

Era um gás que não se via, nem se sentia o cheiro. Mas um gás que, em alta concentração, sufoca.

‘Entendi que o dióxido de carbono, o CO2, havia sido o agente asfixiante’, conta.

Ovos podres
Nos dois casos, as vítimas moravam perto de lagos, o Nyos e o Monoum.

Em ambos os locais, os sobreviventes relataram terem sentido um odor de pólvora e ovos podres. No caso do lago Nyos, também houve relatos de explosão.

A suspeita voltou a recair sobre o CO2, como explicou à BBC George Kling, da Universidade de Michigan, membro da equipe de investigação.

‘Era algo difícil de entender, até que topamos com documentos de pilotos de guerra narrando que o uso de altas concentrações de CO2 funciona como um alucinógeno sensorial’, diz.

‘Uma das alucinações mais citadas foi o odor de ovos podres e pólvora’, diz.

Em seu estudo, o cientista Sigurdsson havia concluído que o dióxido de carbono vinha das profundezas da terra.

‘O gás chega ao lago mas não forma bolhas, pois o peso da água é tamanho que o dissolve, por isso não o vemos. Mas se a pressão é liberada de repente, o gás brota de maneira explosiva’, diz.

Algo parecido a agitar uma garrafa de champanha e logo estourar a rolha.

Bomba-relógio
Os cientistas comprovaram que a teoria de Sigurdsson – conhecida como fenômeno do lago explosivo – é correta e se questionaram como o lago concentra níveis tão altos de CO2.

Os cientistas descobriram que os lagos acumulavam CO2 sob os seus leitos e que, à media que a concentração crescia, eles se transformavam em uma enorme bomba-relógio química. Mas o que detonava essa ‘explosão’?

Há várias teorias sobre o que agiu como detonador no caso do lago Nyos. Uma delas é a de que a tragédia foi desencadeada por uma queda da parede da cratera que abriga o lago.

Nyos continua sendo uma ameaça em potencial para quem vive na área. No entanto, agora ele tem um sistema de tubos que ajuda a aliviar a pressão, fazendo com que o gás se disperse.

O desastre de Nyos fez com que todos os lagos profundos da África e da Indonésia fossem examinados. A conclusão a que se chegou foi a de que todos eram seguros, exceto um: o lago Kivu, em Ruanda.

O lago, na fronteira com a República Democrática do Congo, é um dos maiores e mais profundos do continente – e milhares de pessoas vivem no seu entorno.

No entanto, a única coisa que poderia detonar uma liberação mortífera de gás seria um incidente geológico em grandes proporções.

O problema é que o lago Kivu está localizado justamente em uma zona de terremotos e rodeado de vulcões, incluindo o monte Nyiragongo.

Lago Nyos  (Foto: BBC)

Lago Nyos (Foto: BBC)

Fonte: BBC


15 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Entenda a seca no Chifre da África

Moradores caminham perto de animais mortos em Athibohol, noroeste de nairóbi, no Quênia (Foto: Simon Maina/AFP)

Moradores caminham perto de animais mortos em Athibohol, noroeste de nairóbi, no Quênia (Foto: Simon Maina/AFP)

A mais severa seca dos últimos 60 anos afeta 12,5 milhões de pessoas na região conhecida como Chifre da África – que inclui Somália, Djibouti, Quênia, Uganda e Etiópia. A ONU declarou fome crônica em duas regiões do sul da Somália, e anunciou que caso nada seja feito, a situação pode se transformar numa catástrofe humanitária.

A seca não é novidade para os moradores do nordeste africano – ela acontece a cada dois anos ou mais. No entanto, um estudo publicado no começo deste ano por cientistas do Serviço Geológico dos EUA (o USGS) e da Universidade da Califórnia mostra que o aquecimento global pode estar por trás da piora da seca neste ano.

“É muito difícil atribuir um único evento à mudança climática, mas nossa pesquisa sugere fortemente que o aquecimento do Oceano Índico (que está fortemente ligado ao aquecimento global) está contribuindo para mais frequentes e intensas secas”, explicou ao G1 o pesquisador do USGS Chris Funk.

Segundo ele, todas as observações e modelos climáticos indicam que o Oceano Índico está aquecendo muito depressa. “Enquanto a magnitude absoluta do aquecimento é muito menor do que em lugares como o Atlântico norte, os impactos da mudança climática podem ser dramáticos, já que o aquecimento de um oceano já muito quente pode criar mudanças climáticas significativas.”

Motivos políticos


Além da questão climática, há fatores políticos que pioram as condições dos moradores da região. “Não é o fator natural que está produzindo a fome. A ONU e o mundo ocidental estão dizendo que é uma seca que assolou as pessoas. Nessa parte do mundo as secas são endêmicas. Elas acontecem a cada poucos anos, mas as pessoas desenvolveram mecanismos para lidar com isso durante os anos. Esses mecanismos foram destruídos pela guerra civil, pela guerra ao terror e pela ocupação etíope. As pessoas ficaram tão vulneráveis que elas perderam tudo o que tinham antes de a seca chegar. Quando a seca chegou, eles já não tinham nada e ficaram famintos”, explicou o professor de geografia e estudos globais da Universidade de Minnesota, nos EUA, Abdi Samatar.

Segundo Samatar, que é somali, os muitos anos de guerra civil, a pirataria, o avanço do grupo extremista Al-Shabaab e a inimizade com os etíopes tornou a situação do país insistentável. “É uma solução política, de um governo nacional somali. Pense se não houvesse um estados unidos durante a catástrofe do Katrina na Louisiana, a maioria das pessoas teria morrido, o governo dos EUA foi ajuda-los. Então o jeito de ajudar os Somália é a comunidade internacional dizer: há questões que o mundo precisa ajudar a resolver: uma delas é a questão da pirataria. Existem vários tipos de pirataria, a maioria deles não é somali. A questão do possível terrorismo é que devemos ter um estado que dê conta de suas pessoas. Sem isso a desordem irá continuar para sempre.”

Poucas chuvas anteriores


A atual seca, vinda após repetidos episódios de poucas chuvas em 2007, 2008 e 2009, está causando severos impactos na questão alimentar, com emergências decretadas em diversas regiões dos países do Chifre da África. “Uma parte fundamental dos impactos é que tanto as chuvas de outubro a dezembro de 2010, como as de março a junho de 2011 foram muito ruins. Então o total de chuvas em 12 meses foi muito baixo, um dos piores já registrados”, diz Chris.

Em algumas regiões pastoris, foram registradas mortes de 15% a 30% do rebanho entre março e maio deste ano. A época de colheita deve atrasar e ficar aquém do esperado, o que deve aumentar ainda mais o preço dos alimentos, piorando a crise já instalada.

Segundo o cientista, ainda é cedo para prever chuvas em outubro, mas “será uma longa espera até que as águas reabasteçam a forragem para o rebanho e até mais até que as colheitas no início de 2012 tragam alívio. Então mesmo que a seca não piore, os impactos podem se intensificar nos próximos meses.”

O Brasil anunciou no dia 28 de julho o envio de 38 mil toneladas de gêneros alimentícios à Somália e 15 mil toneladas de alimentos aos campos de refugiados na Etiópia.

Fonte: Giovana Sanchez, do G1 em Dadaab


6 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Caça ilegal de rinoceronte na África do Sul já matou 200 animais, diz WWF

Levantamento feito pela ONG (organização não-governamental) WWF aponta que 200 rinocerontes foram mortos na África do Sul durante o primeiro semestre de 2011. A estatística foi feita a partir de informações do departamento de parques nacionais.

Ainda segundo a WWF, se a caça ilegal não for reprimida, poderá exceder aos níveis de 2010, quando 333 rinocerontes foram mortos no país.

Oficialmente, de janeiro a junho de 2011 foram 193 mortes, a maioria registrada no Parque Nacional Kruger, um dos safáris mais famosos do mundo e que já perdeu 126 exemplares da espécie no período. Durante todo o ano passado, foram 146 rinocerontes caçados.

“Essa prática tem sido cometida por criminosos sofisticados, que caçam a partir de helicópteros e usam armas automáticas”, afirmou Joseph Okori, coordenador do programa de proteção aos rinocerontes africanos da WWF.

Medidas – O país abriga a maior população de rinocerontes do tipo africano, incluindo rinocerontes brancos e negros, sendo que esta última espécie está criticamente ameaçada de extinção.

Para tentar reduzir os índices, medidas de proteção judicial causaram123 detenções até o fim de junho. No ano passado, as autoridades sul-africanas prenderam um total de 165 caçadores suspeitos, condenando apenas quatro. Entretanto, ainda há processos em andamento.

De acordo com a organização, a caça ilegal deste ‘gigante africano’ tem sido fomentada pela alta demanda de chifres na Ásia, onde são altamente valorizados pela medicina tradicional.

Fonte: Globo Natureza


6 de agosto de 2010 | nenhum comentário »

Fóssil de réptil com dentes similares aos de mamíferos é achado na África

Os ossos de um antigo crocodilo foram encontrados na Tanzânia, leste da África, e geraram discussão sobre a vida animal há 100 milhões de anos na África Subsaariana, já que o animal possui arcada dentária similar a de mamíferos.

film shutter island download

Achado na região do Lago Rukwa, o fóssil pertence a uma nova espécie conhecida como Pakasuchus, e possui aparato dentário para processar comida, de forma parecida como o fazem mamíferos carnívoros.

A descoberta foi divulgada nesta quarta-feira (4) e integra a edição desta semana da revista científica Nature. Segundo os especialistas, o animal teria um crânio com o tamanho de um palmo de mão e teria sido comum entre 110 milhões e 80 milhões de anos antes dos tempos atuais.

A nova espécie não guarda muita semelhança com os crocodilos atuais, mas representa um segmento bem sucedido da família crocodylidae que viveu durante a Era Mezozoica, faixa de tempo que compreende três períodos e vai de 265 milhões a 65 milhões de anos atrás.

Responsável pela equipe responsável pela descoberta, o professor Patrick O’Connor, da Universidade Ohio, em Athens, nos Estados Unidos, iniciou a pesquisa sobre crocodilos Parasuchus em 2008. O autor principal do estudo publicado na Nature já encontrou outros sete resquícios da espécie no sudoeste da Tanzânia.

A fileira com dentes molares intriga os especialistas. Geralmente, crocodilos do período Cretáceo – uma das divisões da Era Mezozoica, entre 145 milhões e 65 milhões de anos atrás – apresentam dentes simples, cônicos, usados para matar e cortar grandes nacos da presa. Fonte: G1






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11 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Venda de ossos de leão vira novo ‘negócio’ da máfia na África do Sul

Foco de traficantes é alimentar mercado asiático.
Esqueleto de leão vale aproximadamente US$ 10 mil.

Os ossos de leões que vivem na África do Sul, utilizados para fazer poções tradicionais, se transformaram no novo negócio das máfias asiáticas que se dedicam ao tráfico do chifre de rinoceronte, ao qual são atribuídas propriedades medicinais na Ásia.

O novo objetivo das máfias ficou evidente em setembro de 2011, quando a polícia sul-africana conseguiu desmontar a maior rede de tráfico de chifres de rinoceronte até o momento, da qual participava um criador de felinos, que se dedicava à falsificação de permissões de caça para ambas as espécies.

Dados do governo afirmam que 13 rinocerontes foram mortos em 2007 e 448 em 2011. Já em 2012, segundo a rede de Parques Nacionais da África do Sul (Sanparks), 270 rinos pereceram sob as ações ilegais de caçadores.

“As mesmas máfias que traficam chifres de rinoceronte estão comercializando ossos de leão”, assegura Jo Shaw, especialista em Comércio e Tráfico de Espécies do Fundo para a Proteção da Vida Selvagem da África Austral (EWT, na sigla em inglês).

Devido ao aumento da demanda nos mercados asiáticos, o preço de um esqueleto de leão subiu de US$ 4 mil em 2010 para US$ 10 mil este ano, segundo site da ONG britânica Lion Aid.

Apelo ao governo
Para tentar frear o tráfico de ossos de leão, uma campanha na internet conseguiu quase 650 mil assinaturas de apoio desde o dia 28 de junho, e se transformou em um fenômeno através do Facebook.

A iniciativa, que começou no site da Avaaz, uma organização que propõe ações cidadãs em favor de causas sociais, reivindica um milhão de assinaturas para exigir do presidente da África do Sul, Jacob Zuma, que proíba o tráfico desses animais.

“Centenas de leões sul-africanos estão sendo esquartejados para a fabricação de falsas poções sexuais para homens asiáticos, mas uma campanha global pode acabar com este cruel comércio”, indica o site da Avaaz.

Além disso, a iniciativa acrescenta que “os leões são criados em péssimas condições para sua caça, onde turistas endinheirados atiram contra eles através das cercas”.

“Os analistas temem que o aumento do valor [dos ossos] acabe desencadeando a caça ilegal dos 20 mil leões que vivem em estado selvagem na África”, acrescenta a Avaaz.

Mercado ilegal alternativo
Conservacionistas temem agora que os felinos sul-africanos se transformem em um negócio tão lucrativo quanto o dos rinocerontes. “Ainda não sabemos quais podem ser as consequências do aumento deste comércio sobre os leões selvagens”, reconhece Shaw, cuja organização vai realizar um estudo, junto à Universidade de Oxford, para analisar o impacto da demanda asiática.

De acordo com Kelly Marnewick, especialista em felinos da EWT, o comércio de leão é uma realidade na África do Sul e aumentou desde que a caça de tigres se tornou cada vez mais complicada.

Ainda segundo Kelly, outras espécies também já são afetadas, como leopardos e guepardos. Entretanto, é difícil distinguir ossos uns dos outros, segundo a conservacionista sul-africana.

Exemplares de Leões africanos têm sido caçados e mortos para extração de ossos, que são vendidos para o mercado asiático. Tradicionalistas da região acreditam em cura com poções que utilizam esqueleto. (Foto: Reprodução/Chris vd Merwe)

Exemplares de Leões africanos têm sido caçados e mortos para extração de ossos, que são vendidos para o mercado asiático. Tradicionalistas da região acreditam em cura com poções que utilizam esqueleto. (Foto: Reprodução/Chris vd Merwe)

Fonte: Globo Natureza


5 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Antigos primatas colonizaram a África há 37 milhões de anos, sugere estudo

Fóssil descoberto em Mianmar ajuda a resolver o mistério de quando ocorreu a migração dos primeiros símios para o continente africano

Os antigos primatas colonizaram a África há 37 milhões de anos, vindos da Ásia. A descoberta representa um avanço importante para entender a evolução dos seres humanos e de outros primatas. O estudo foi publicado nesta segunda-feira no periódico americano PNAS.

Por décadas os cientistas pensaram que os antepassados dos humanos surgiram na África. Uma série de descobertas nos últimos anos, porém, atestam que os primeiros símios vieram da Ásia e posteriormente colonizaram o continente africano. Contudo, os paleontólogos ainda não conseguiram decidir como e quando isso aconteceu. Agora, parece que há uma resposta para pelo menos uma das perguntas.

A mais recente descoberta que dá suporte à teoria de que os primeiros símios vieram da Ásia é o fóssil Afrasia djijidae, encontrado em Mianmar por pesquisadores Museu de História Natural de Carnegie, dos Estados Unidos. É sobre esse fóssil o estudo publicado no PNAS. O que torna o achado asiático de 37 milhões de anos digno de nota é sua similaridade com outro, encontrado recentemente no Deserto do Saara, na África.

Questão de tempo - Os dentes doAfrasia são muito parecidos com os doAfrotarsius libycus, um fóssil norte-africano que data da mesma época do asiático. Por sua estrutura complexa, os dentes de mamíferos são usados como ‘impressões digitais’ para reconstruir relações de parentesco entre espécies extintas e modernas.

A grande similaridade entre os dois fósseis, um da África e outro da Ásia, tem muito a dizer sobre quando a colonização do continente africano ocorreu. Os cientistas acreditam que ela aconteceu pouco antes da data em que viveu o animal que deu origem ao fóssil asiático, ou seja, há 37 milhões de anos.

Se os símios asiáticos tivessem chegado ao Norte da África antes, teria havido mais tempo para a diversificação entre o Afrasia e o Afrotarsius. “Por muito tempo pensávamos que o registro de fósseis da África era ruim”, disse Jean-Jacques Jaeger, chefe da pesquisa. “O fato de que símios semelhantes viveram ao mesmo tempo na Líbia e em Mianmar sugere que eles não chegaram à África até pouco antes do fóssil que encontramos no norte africano.”

Agora, os paleontólogos tem uma forte indicação de quando a colonização do continente africano ocorreu. Falta saber como. A viagem provavelmente foi muito dura. Naquela época, uma versão maior do Mar Mediterrâneo, chamada Mar de Tétis, separava a África e a Eurásia. A descoberta do Afrasia não resolve a questão da rota nem de como ocorreu a colonização, mas pelo menos crava um ponto de partida na linha do tempo da evolução dos antigos primatas na África.

Reconstrução do 'Afrotarsius libycus', espécie que viveu há mais de 37 milhões de anos no Norte da África e que é muito parecida com o 'Afrasia djijidae', um fóssil encontrado na Ásia com praticamente a mesma idade. As semelhanças indicam que a colonização da África ocorreu há 37 milhões de anos, informação que faltava aos paleontólogos que reconstroem a linha do tempo da evolução humana

Reconstrução do 'Afrotarsius libycus', espécie que viveu há mais de 37 milhões de anos no Norte da África e que é muito parecida com o 'Afrasia djijidae', um fóssil encontrado na Ásia com praticamente a mesma idade. As semelhanças indicam que a colonização da África ocorreu há 37 milhões de anos, informação que faltava aos paleontólogos que reconstroem a linha do tempo da evolução humana (Mark A. Klingler/Carnegie Museum of Natural History)

Fonte: Veja Ciência


20 de abril de 2012 | nenhum comentário »

África tem reservas subterrâneas gigantes de água, dizem cientistas

Cientistas dizem que o continente africano, conhecido pelo clima seco, tem enormes reservas subterrâneas de água.

No mais completo mapa já feito da escala e distribuição da água existente embaixo do deserto do Saara e em outras partes da África, os especialistas dizem que esses reservatórios subterrâneos poderiam fornecer água suficiente para o consumo e agricultura em todo o continente, mas admitem que o processo de extração pode ser complexo.

O trabalho, publicado na revista científica Environmental Research Letters, diz ainda que muitos dos antigos aquíferos africanos foram preenchidos pela última vez 5 mil anos atrás.

Escassez

Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas na África não tenham acesso a água potável e a demanda deve aumentar consideravelmente nas próximas décadas, devido ao crescimento populacional e à necessidade de irrigação para plantações.

Rios e lagos estão sujeitos a enchentes e secas sazonais, que podem limitar a disponibilidade da água. Atualmente, apenas 5% das terras cultiváveis africanas são irrigadas.

Agora, os cientistas da British Geological Survey (BGS) e da University College London (UCL) esperam que o novo mapeamento chame atenção para o potencial dos reservatórios subterrâneos.

“As maiores reservas de água subterrâneas ficam no norte da África, em grandes bacias sedimentares, na Líbia, Argélia e Chade”, diz Helen Bonsor, da BGS.

“A quantidade armazenada nessas bacias é equivalente a 75 metros de água sobre aquela área. É uma quantidade enorme.”

Estratégia

Devido a mudanças climáticas que transformaram o Saara em um deserto ao longo dos séculos, muitos dos aquíferos subterrâneos receberam água pela última vez há mais de 5 mil anos.

Os cientistas basearam suas análises em mapas de governos dos países africanos, assim como em 283 estudos de aquíferos.

Eles afirmam que muitas das nações que enfrentam escassez de água têm, na verdade, reservas consideráveis embaixo do solo.

No entanto, os pesquisadores alertam que a perfuração de poços tubulares profundos pode não ser a melhor maneira de extrair a água, já que poderiam esgotar a fonte rapidamente.

“Poços profundos não devem ser perfurados sem que haja um conhecimento detalhado das condições das reservas locais. Poços simples e bombas manuais, desenvolvidos de forma cuidadosa e nos locais certos, têm mais chance de ser bem-sucedidos”, disse à BBC Alan McDonald, principal autor do estudo.

Helen Bonsor concorda que meios de extração mais lentos podem ser mais eficientes.

“Muitos aquíferos de baixo volume estão presentes na África subsaariana. No entanto, nosso trabalho mostra que com exploração e construção cuidadosas, há água subterrânea suficiente na África para fins de consumo e irrigação comunitária”, diz ela, acrescentando que as reservas poderiam contrabalançar os problemas causados pela mudança climática.

“Mesmo nos menores aquíferos em áreas semi-áridas, com baixíssimo índice de chuvas, as reservas subterrâneas ainda durariam algo entre 20 e 70 anos”, afirma Bonsor.

“Então, nos índices atuais de extração para consumo e irrigação em pequena escala, os reservatórios fornecem e continuarão a fornecer proteção contra as variações do clima.”

Fonte: BBC Brasil


11 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Rinoceronte morre durante apresentação à imprensa na África

Um rinoceronte sofreu convulsões e morreu na quinta-feira (9) depois que uma reserva na África do Sul convocou a mídia para demonstrar a implantação de um microchip no chifre do animal, que ajudaria no combate à caça. O acidente ocorreu em Joanesburgo. (Foto: Siphiwe Sibeko/Reuters)

Um rinoceronte sofreu convulsões e morreu na quinta-feira (9) depois que uma reserva na África do Sul convocou a mídia para demonstrar a implantação de um microchip no chifre do animal, que ajudaria no combate à caça. O acidente ocorreu em Joanesburgo. (Foto: Siphiwe Sibeko/Reuters)

 

Um rinoceronte morreu na quinta-feira (9) na África do Sul durante uma apresentação à imprensa de um dispositivo de rastreamento que deveria servir para coibir a caça do animal. Segundo os veterinários, o animal foi sedado para a apresentação e morreu após receber um medicamento para acordar.

O animal teria uma condição desconhecida que teria levado a uma parada cardíaca em resposta à aplicação do medicamento. “Ele respondeu muito bem ao tratamento e o procedimento é 100% seguro, mas sempre há grandes riscos quando um animal tão grande é sedado”, diz Lorinda Hern, dona da Reserva Natural de Rinocerontes e Leões. O animal morreu cerca de 20 s após a administração da substância.

O uso de equipamentos de rastreamento é uma das medidas que estão sendo testadas na África do Sul para evitar a caça de rinocerontes – no ano passado, 450 desses animais ameaçados de extinção foram mortos por caçadores. Os chifres do animal são utilizados na medicina tradicional asiática, apesar de não haver nenhuma evidência científica de seu valor.

Fonte: Portal Terra


13 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Moradores se arriscam vivendo à beira de lagos ‘assassinos’ na África

Há 25 anos, 1,8 mil morreram dormindo nas proximidade do lago Nyos, nos Camarões.

As águas calmas do lago Monoun e do Nyos, no noroeste de Camarões, seriam um sinal evidente de tranquilidade no local. Nas profundezas, no entanto, está a fonte de um perigo mortífero, que pode vir à tona a qualquer momento e ameaçar as populações ribeirinhas.

Há 25 anos, o despertar de uma aldeia vizinha ao Nyos ficou marcado pela morte. Durante a noite, dezenas de moradores perderam a vida. Na época, a razão era inexplicável. Concluiu-se depois que a emissão de gases teria asfixiado os habitantes dos arredores.

Monica Lom Ngong relata à BBC o cenário da tragédia, cuja causa até aquele momento era desconhecida.

‘Fiquei rodeada de gente morta, alguns dentro de casa, outros fora, outros detrás das casas…. e os animais por toda a parte: vacas, cachorros, todos jaziam no solo, me deixando confusa. Na minha família, éramos 56, mas morreram 53′, conta.

Aquela noite havia sido macabra. Aldeias inteiras amanheceram sem vida, apenas com os corpos espalhados pelo chão. Não havia sinal de pânico. 1.800 pessoas morreram enquanto dormiam ou cozinhava.

Não havia explicação lógica.

Lago Moroun
Dois anos antes, em uma manhã de 1984, Ahadji Abdou estava a caminho de sua granja em Camarões quando viu uma cena que nunca iria esquecer, nas proximidades do lago Moroun.

‘Pensei que fosse um acidente de trânsito. Desci da bicicleta e fiquei paralisado. Havia muita gente morta em todas as partes da estrada. Algo terrível havia acontecido’, diz.

Em questão de horas foram encontrados 37 corpos.

‘Escutamos que haviam sido massacrados. Nos contaram que 12 pessoas estavam em um caminhão e que 10 morreram. O motorista foi o primeiro a sair e ver se estava acontecendo alguma coisa com o motor, que parou. O resto dos homens decidiram sair do veículo e morreram’, disse à BBC Motapon Oumarou.

O pânico tomou conta do lugar, conta o médico Pierre Zambou, o primeiro a chegar ao local.

‘Nunca havíamos visto algo assim. Parecia que tinham sido vítimas de uma doença altamente contagiosa. Não tínhamos máscaras nem ataduras. Colocamos todos em um jipe militar e os levamos dali’, conta.

Armas biológicas
Os 1.800 moradores nos arredores do lago Nyos morreram enquanto ainda dormiam.

Desta vez, a amplitude do caso e o número de mortos fez com que o caso viesse à tona, pela imprensa, causando comoção internacional.

A morte daquelas pessoas fora tão súbita que logo correram rumores de uma possível arma biológica.

E se alguém estava fazendo testes secretos, os Estados Unidos queriam saber. Tanto que meses depois enviou ao local o cientista Haraldur Sigurdsson, para investigar os estranhos acontecimentos do lago Monoun.

A guerra biológica foi descartada totalmente. As vítimas pareciam ter sido sufocadas. Mas com que? Sigurdsson decidiu falar com as testemunhas e descobriu que houve quem tivesse visto o assassino.

‘Vimos uma nuvem branca e espessa a poucos metros da gente. Mas desapareceu em um instante’, contou Motapon Oumarou.

Esta foi a primeira pista, mas havia outra: todos os 37 mortos do lago Monoun pereceram em uma entrada próxima da água.

Sigurdsson coletou, então, amostras da água. ‘A água estava cheia de gás. Bolhas enormes se formavam. Imediatamente me dei conta de que as águas profundas estavam saturadas de gás’, conta.

Era um gás que não se via, nem se sentia o cheiro. Mas um gás que, em alta concentração, sufoca.

‘Entendi que o dióxido de carbono, o CO2, havia sido o agente asfixiante’, conta.

Ovos podres
Nos dois casos, as vítimas moravam perto de lagos, o Nyos e o Monoum.

Em ambos os locais, os sobreviventes relataram terem sentido um odor de pólvora e ovos podres. No caso do lago Nyos, também houve relatos de explosão.

A suspeita voltou a recair sobre o CO2, como explicou à BBC George Kling, da Universidade de Michigan, membro da equipe de investigação.

‘Era algo difícil de entender, até que topamos com documentos de pilotos de guerra narrando que o uso de altas concentrações de CO2 funciona como um alucinógeno sensorial’, diz.

‘Uma das alucinações mais citadas foi o odor de ovos podres e pólvora’, diz.

Em seu estudo, o cientista Sigurdsson havia concluído que o dióxido de carbono vinha das profundezas da terra.

‘O gás chega ao lago mas não forma bolhas, pois o peso da água é tamanho que o dissolve, por isso não o vemos. Mas se a pressão é liberada de repente, o gás brota de maneira explosiva’, diz.

Algo parecido a agitar uma garrafa de champanha e logo estourar a rolha.

Bomba-relógio
Os cientistas comprovaram que a teoria de Sigurdsson – conhecida como fenômeno do lago explosivo – é correta e se questionaram como o lago concentra níveis tão altos de CO2.

Os cientistas descobriram que os lagos acumulavam CO2 sob os seus leitos e que, à media que a concentração crescia, eles se transformavam em uma enorme bomba-relógio química. Mas o que detonava essa ‘explosão’?

Há várias teorias sobre o que agiu como detonador no caso do lago Nyos. Uma delas é a de que a tragédia foi desencadeada por uma queda da parede da cratera que abriga o lago.

Nyos continua sendo uma ameaça em potencial para quem vive na área. No entanto, agora ele tem um sistema de tubos que ajuda a aliviar a pressão, fazendo com que o gás se disperse.

O desastre de Nyos fez com que todos os lagos profundos da África e da Indonésia fossem examinados. A conclusão a que se chegou foi a de que todos eram seguros, exceto um: o lago Kivu, em Ruanda.

O lago, na fronteira com a República Democrática do Congo, é um dos maiores e mais profundos do continente – e milhares de pessoas vivem no seu entorno.

No entanto, a única coisa que poderia detonar uma liberação mortífera de gás seria um incidente geológico em grandes proporções.

O problema é que o lago Kivu está localizado justamente em uma zona de terremotos e rodeado de vulcões, incluindo o monte Nyiragongo.

Lago Nyos  (Foto: BBC)

Lago Nyos (Foto: BBC)

Fonte: BBC


15 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Entenda a seca no Chifre da África

Moradores caminham perto de animais mortos em Athibohol, noroeste de nairóbi, no Quênia (Foto: Simon Maina/AFP)

Moradores caminham perto de animais mortos em Athibohol, noroeste de nairóbi, no Quênia (Foto: Simon Maina/AFP)

A mais severa seca dos últimos 60 anos afeta 12,5 milhões de pessoas na região conhecida como Chifre da África – que inclui Somália, Djibouti, Quênia, Uganda e Etiópia. A ONU declarou fome crônica em duas regiões do sul da Somália, e anunciou que caso nada seja feito, a situação pode se transformar numa catástrofe humanitária.

A seca não é novidade para os moradores do nordeste africano – ela acontece a cada dois anos ou mais. No entanto, um estudo publicado no começo deste ano por cientistas do Serviço Geológico dos EUA (o USGS) e da Universidade da Califórnia mostra que o aquecimento global pode estar por trás da piora da seca neste ano.

“É muito difícil atribuir um único evento à mudança climática, mas nossa pesquisa sugere fortemente que o aquecimento do Oceano Índico (que está fortemente ligado ao aquecimento global) está contribuindo para mais frequentes e intensas secas”, explicou ao G1 o pesquisador do USGS Chris Funk.

Segundo ele, todas as observações e modelos climáticos indicam que o Oceano Índico está aquecendo muito depressa. “Enquanto a magnitude absoluta do aquecimento é muito menor do que em lugares como o Atlântico norte, os impactos da mudança climática podem ser dramáticos, já que o aquecimento de um oceano já muito quente pode criar mudanças climáticas significativas.”

Motivos políticos


Além da questão climática, há fatores políticos que pioram as condições dos moradores da região. “Não é o fator natural que está produzindo a fome. A ONU e o mundo ocidental estão dizendo que é uma seca que assolou as pessoas. Nessa parte do mundo as secas são endêmicas. Elas acontecem a cada poucos anos, mas as pessoas desenvolveram mecanismos para lidar com isso durante os anos. Esses mecanismos foram destruídos pela guerra civil, pela guerra ao terror e pela ocupação etíope. As pessoas ficaram tão vulneráveis que elas perderam tudo o que tinham antes de a seca chegar. Quando a seca chegou, eles já não tinham nada e ficaram famintos”, explicou o professor de geografia e estudos globais da Universidade de Minnesota, nos EUA, Abdi Samatar.

Segundo Samatar, que é somali, os muitos anos de guerra civil, a pirataria, o avanço do grupo extremista Al-Shabaab e a inimizade com os etíopes tornou a situação do país insistentável. “É uma solução política, de um governo nacional somali. Pense se não houvesse um estados unidos durante a catástrofe do Katrina na Louisiana, a maioria das pessoas teria morrido, o governo dos EUA foi ajuda-los. Então o jeito de ajudar os Somália é a comunidade internacional dizer: há questões que o mundo precisa ajudar a resolver: uma delas é a questão da pirataria. Existem vários tipos de pirataria, a maioria deles não é somali. A questão do possível terrorismo é que devemos ter um estado que dê conta de suas pessoas. Sem isso a desordem irá continuar para sempre.”

Poucas chuvas anteriores


A atual seca, vinda após repetidos episódios de poucas chuvas em 2007, 2008 e 2009, está causando severos impactos na questão alimentar, com emergências decretadas em diversas regiões dos países do Chifre da África. “Uma parte fundamental dos impactos é que tanto as chuvas de outubro a dezembro de 2010, como as de março a junho de 2011 foram muito ruins. Então o total de chuvas em 12 meses foi muito baixo, um dos piores já registrados”, diz Chris.

Em algumas regiões pastoris, foram registradas mortes de 15% a 30% do rebanho entre março e maio deste ano. A época de colheita deve atrasar e ficar aquém do esperado, o que deve aumentar ainda mais o preço dos alimentos, piorando a crise já instalada.

Segundo o cientista, ainda é cedo para prever chuvas em outubro, mas “será uma longa espera até que as águas reabasteçam a forragem para o rebanho e até mais até que as colheitas no início de 2012 tragam alívio. Então mesmo que a seca não piore, os impactos podem se intensificar nos próximos meses.”

O Brasil anunciou no dia 28 de julho o envio de 38 mil toneladas de gêneros alimentícios à Somália e 15 mil toneladas de alimentos aos campos de refugiados na Etiópia.

Fonte: Giovana Sanchez, do G1 em Dadaab


6 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Caça ilegal de rinoceronte na África do Sul já matou 200 animais, diz WWF

Levantamento feito pela ONG (organização não-governamental) WWF aponta que 200 rinocerontes foram mortos na África do Sul durante o primeiro semestre de 2011. A estatística foi feita a partir de informações do departamento de parques nacionais.

Ainda segundo a WWF, se a caça ilegal não for reprimida, poderá exceder aos níveis de 2010, quando 333 rinocerontes foram mortos no país.

Oficialmente, de janeiro a junho de 2011 foram 193 mortes, a maioria registrada no Parque Nacional Kruger, um dos safáris mais famosos do mundo e que já perdeu 126 exemplares da espécie no período. Durante todo o ano passado, foram 146 rinocerontes caçados.

“Essa prática tem sido cometida por criminosos sofisticados, que caçam a partir de helicópteros e usam armas automáticas”, afirmou Joseph Okori, coordenador do programa de proteção aos rinocerontes africanos da WWF.

Medidas – O país abriga a maior população de rinocerontes do tipo africano, incluindo rinocerontes brancos e negros, sendo que esta última espécie está criticamente ameaçada de extinção.

Para tentar reduzir os índices, medidas de proteção judicial causaram123 detenções até o fim de junho. No ano passado, as autoridades sul-africanas prenderam um total de 165 caçadores suspeitos, condenando apenas quatro. Entretanto, ainda há processos em andamento.

De acordo com a organização, a caça ilegal deste ‘gigante africano’ tem sido fomentada pela alta demanda de chifres na Ásia, onde são altamente valorizados pela medicina tradicional.

Fonte: Globo Natureza


6 de agosto de 2010 | nenhum comentário »

Fóssil de réptil com dentes similares aos de mamíferos é achado na África

Os ossos de um antigo crocodilo foram encontrados na Tanzânia, leste da África, e geraram discussão sobre a vida animal há 100 milhões de anos na África Subsaariana, já que o animal possui arcada dentária similar a de mamíferos.

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Achado na região do Lago Rukwa, o fóssil pertence a uma nova espécie conhecida como Pakasuchus, e possui aparato dentário para processar comida, de forma parecida como o fazem mamíferos carnívoros.

A descoberta foi divulgada nesta quarta-feira (4) e integra a edição desta semana da revista científica Nature. Segundo os especialistas, o animal teria um crânio com o tamanho de um palmo de mão e teria sido comum entre 110 milhões e 80 milhões de anos antes dos tempos atuais.

A nova espécie não guarda muita semelhança com os crocodilos atuais, mas representa um segmento bem sucedido da família crocodylidae que viveu durante a Era Mezozoica, faixa de tempo que compreende três períodos e vai de 265 milhões a 65 milhões de anos atrás.

Responsável pela equipe responsável pela descoberta, o professor Patrick O’Connor, da Universidade Ohio, em Athens, nos Estados Unidos, iniciou a pesquisa sobre crocodilos Parasuchus em 2008. O autor principal do estudo publicado na Nature já encontrou outros sete resquícios da espécie no sudoeste da Tanzânia.

A fileira com dentes molares intriga os especialistas. Geralmente, crocodilos do período Cretáceo – uma das divisões da Era Mezozoica, entre 145 milhões e 65 milhões de anos atrás – apresentam dentes simples, cônicos, usados para matar e cortar grandes nacos da presa. Fonte: G1