29 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Pode faltar alimento para abastecer população mundial até 2050, diz ONU

Degradação do solo e de recursos hídricos ameaçam agricultura no planeta.
Relatório afirma que produção de alimentos tem que crescer rapidamente.

A rápida expansão populacional, a mudança climática e a degradação dos recursos hídricos e fundiários devem tornar o mundo mais vulnerável à insegurança alimentar, com o risco de não ser possível alimentar toda a população até 2050, disse a FAO (agência daONU para alimentação e agricultura) nesta segunda-feira (28).

Nas próximas quatro décadas a população mundial deve saltar de 7 para 9 bilhões de pessoas, e para alimentá-las seria preciso uma produção adicional de 1 bilhão de toneladas de cereais e 200 milhões de toneladas de carne por ano.

A introdução da agricultura intensiva nas últimas décadas ajudou a alimentar milhões de famintos, mas muitas vezes levou à degradação da terra e dos produtos hídricos, segundo a FAO.

“Esses sistemas em risco podem simplesmente não ser capazes de contribuir conforme o esperado para atender às demandas humanas até 2050″, disse o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf. “As consequências em termos de fome e pobreza são inaceitáveis. Ações paliativas precisam ser tomadas agora.”

Degradação do solo
Segundo o relatório, intitulado “Estado dos Recursos Hídricos e Fundiários do Mundo para a Alimentação e a Agricultura”, um quarto das terras aráveis do mundo está altamente degradada, 8% está moderadamente degradada, 36% ligeiramente degradada ou estável e apenas 10% apresentou alguma melhora.

A escassez de água também vem se agravando, devido a problemas de salinização e poluição dos lençóis freáticos e de degradação de rios, lagos e outros ecossistemas hídricos. O uso da terra para fins industriais e urbanos também agrava o problema alimentar mundial.

De acordo com a FAO, cerca de 1 bilhão de pessoas estão atualmente desnutridas, sendo 578 milhões na Ásia e 239 milhões na África Subsaariana. Nos países em desenvolvimento, mesmo que a produção agrícola dobre até 2050, 5% da população continuaria desnutrida (370 milhões de pessoas).

Para que a fome e a insegurança alimentar recuem, a produção de alimentos precisaria crescer num nível superior ao da população. Isso, acrescenta o relatório, teria de ocorrer principalmente nas áreas já utilizadas para a agricultura, com um uso mais intensivo e sustentável da terra e da água.

Seca no Rio Negro, em 2010, um dos principais afluentes do Rio Amazonas (Foto: Euzivaldo Queiroz/A Crítica/Reuters)

Seca no Rio Negro, em 2010, um dos principais afluentes do Rio Amazonas (Foto: Euzivaldo Queiroz/A Crítica/Reuters)

Fonte: Reuters


23 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Brasil perde para outros Brics na hora de proteger suas florestas

Estudo mostra que, com novo Código Florestal, país está na contramão de China, Índia e Rússia, que investem em mais proteção

O Brasil está atrás de China, Rússia e Índia no combate ao desmatamento e na recuperação da área florestal perdida. Esta é a conclusão de um estudo organizado pelo instituto brasileiro Imazon e o Proforest, ligado à Universidade de Oxford, que estudo comparou a situação em 11 países e mostra que nos quesitos preservação e reflorestamento o Brasil está perdendo a corrida com outros países dos Brics.

O estudo, divulgado no momento em que o Senado debate os termos do novo Código Florestal quanto ao tratamento de áreas verdes do país, compara a forma com que o Brasil e outros países lidam com o tema e analisa o que está sendo feito de suas florestas. Entenda as principais polêmicas do Código Florestal.

Se colocados lado a lado, os dados mostram que, enquanto China, Índia e Rússia têm criado leis para proteger suas florestas e agem para recuperar o que já foi devastado, o Brasil segue na contra-mão, desmatando mais do que é reflorestado.

O levantamento, denominado “Um Resumo do Status das Florestas em Países Selecionados”, verificou um padrão semelhante nos países analisados. Primeiro, passam por intenso processo de desmatamento, normalmente quando estão se desenvolvendo, para abrir espaço para a agricultura e explorar matérias-primas.

Em seguida, essa devastação é interrompida por fatores que vão da escassez dos produtos florestais à preocupação ambiental. Começa então uma curva ascendente, com políticas de proteção ambiental e reflorestamento.

Fundo do poço 
Para Adalberto Veríssimo, pesquisador sênior do Imazon e coordenador do levantamento no país, o Brasil está longe de acompanhar os outros Brics.

“Estamos atualmente no fundo do poço e um desses bem profundos, porque quando ainda é pobre, o país dilapida suas florestas, mas à medida que se torna emergente, começa a mostrar uma curva ascendente”, disse Veríssimo à BBC Brasil.

“Estamos atualmente no fundo do poço e desses bem profundos, porque quando ainda é pobre, o país dilapida suas florestas, mas à medida que se torna emergente, começa a mostrar uma curva ascendente. Mas o que vemos aqui não é nada disso. O Brasil já é emergente e continua caindo, já que perde mais
florestas do que planta,” explica Adalberto Veríssimo, pesquisador sênior do Imazon.

“Mas o que vemos aqui não é nada disso. O Brasil já é emergente e continua caindo, já que perde mais florestas do que planta”, afirma o pesquisador, lembrando que se originalmente o país tinha 90% de seu território coberto por florestas, hoje essa proporção é de 56%.

O exemplo mais contundente talvez seja a China, que com um amplo programa oficial superou a fase de devastação intensa e já conseguiu recuperar suas florestas, apesar de ainda serem limitadas. Segundo dados da FAO, a cobertura florestal do país em 1950 não chegava nem a 10% do território, enquanto hoje ocupa 22%.

“O principal interesse chinês é impulsionar sua economia e criar uma reserva estratégica para o país, protegendo, por exemplo, áreas como as que têm recursos hídricos”, afirma Veríssimo.

A legislação da China impede que florestas sejam suprimidas em prol de mineração ou projetos de infraestutura e só abre exceções mediante a autorização governamental e pagamento de taxa de restauração ambiental.

Curva ascendente 
Já a Rússia, país com maior cobertura florestal do mundo, ampliou essa área em 15% em 60 anos e hoje tem quase metade de seu território coberto por florestas. O crescimento deve-se a uma melhoria na legislação, também resultado da menor dependência da área rural.

Segundo o estudo, a Índia também já começou avançar rumo ao reflorestamento, embora em um nível bem mais tímido, de 21% para 22%. Mas o pesquisador lembra que os entraves indianos são muitos mais duros do que os brasileiros, já que eles vivem em território muito menor que o nosso com uma população cerca de seis vezes maior.

O estudo do Imazon e da Proforest, que incluiu também países europeus e da América do Norte, deixa claro que para fazer progresso nessa trajetória de recuperação ambiental são precisos incentivos do governo.

Setores ruralistas rejeitam as conclusões do estudo pois acreditam que a falta de incentivo governamental no Brasil invalida as comparações. Eles alegam que o estudo põe lado a lado países que não são comparáveis, justamente por receberem benefícios em prol da conservação ambiental

“Esse estudo é uma interpretação parcial dos dados, porque mostra que países que, após devastarem quase toda a área verde que tinham, vêm replantando com recursos obtidos na forma de incentivos financeiros e indenizações para áreas que deixam de produzir alimentos”, disse à BBC Brasil, Assuero Veronez, vice-presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária).

“E não podemos comparar isso com a nossa legislção, que apenas restringe o uso sem qualquer tipo de indenização ou compensação ao proprietário.”

Segundo estudo do Imazon, Brasil está ficando para trás na proteção de suas florestas. Foto: Getty Images

Fonte: Portal IG


5 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Pecuária é a maior causa do desmatamento da Amazônia, diz Inpe

A pecuária é a maior responsável pelo desmatamento da região amazônica. De acordo com levantamento realizado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e divulgado nesta sexta-feira, 62,2% dos quase 720 mil km2 desmatados foram ocupados por pastagens.

O estudo do governo federal considerou as áreas desmatadas nos nove estados da Amazônia Legal até o ano de 2008. Essa área representa 18% de todo o bioma amazônico.

Segundo o instituto, a maior parte dessa área é ocupada atualmente por pasto limpo. “É aquela área em que houve efetivamente um investimento. Ela representa uma intervenção deliberada humana, com bastante cabeça de gado, com a intenção de intensificação de produção”, disse Gilberto Câmara, diretor do Inpe.

Câmara ressaltou ainda que a atividade da agricultura ocupa apenas 5% da área total desmatada –o Mato Grosso é o único estado da região que tem um peso significativo na produção de alimentos.

“Não tem como dizer que a agricultura é a responsável pelo desmatamento, ela não é um vetor importante. O uso que nós fizemos da floresta não foi nobre, não foi para a agricultura produtiva, foi para a agropecuária que ainda hoje é extensiva e precisa de políticas públicas para usar melhor a terra que a gente roubou da natureza”, afirmou o diretor.

A intenção do governo agora é, a partir desses dados, fazer um melhor aproveitamento do potencial produtivo da região e ao mesmo tempo, garantir a preservação dos recursos naturais do bioma.

“Nós podemos aumentar com tecnologia a eficiência da agropecuária e da agricultura, que representa um universo pequeno, aumentando dessa forma a produção sem agredir um patrimônio natural”, afirmou o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante.

“Nós não precisamos desmatar para desenvolver a Amazônia. Nós não precisamos desmatar bioma nenhum para desenvolver a agricultura”, afirmou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

Fonte: Flávia Foreque, Brasília, Folha.com


17 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Amazônia é a galinha dos ovos de ouro do agronegócio brasileiro

Mata é importante para manter chuvas que abastecem lavouras do Centro-Oeste; autorizar mais desmate com nova lei é tiro no pé, afirma pesquisador.

O agronegócio sairia ganhando se visse a Amazônia como “galinha dos ovos de ouro”. Se a floresta morre, as chuvas na região secam, e o lucro evapora junto. É o que pensa o biólogo americano Thomas Lovejoy, 69, pioneiro nas pesquisas sobre a região amazônica.

Quando visitou a floresta pela primeira vez, em 1965, ele era um jovem biólogo à procura “da maior aventura possível”. Lovejoy é presidente de ciência do Fundo Ambiental Global (GEF), diretor de Biodiversidade do Centro Heinz para a Ciência, Economia e Ambiente, e professor da Universidade George Mason (EUA). Pai de gêmeas cariocas, de férias no País, defendeu que o cuidado com a Amazônia seja parcelado entre várias nações.

O sr. afirma que a devastação na Amazônia pode chegar a um limite, a partir do qual o sumiço da floresta seria um caminho sem volta. Estamos perto?

O Banco Mundial pôs US$ 1 milhão num estudo que projeta pela primeira vez os efeitos de mudança do clima, queimada e desmatamento juntos. Os resultados sugerem que poderia haver um ponto de inflexão em 20% de desmatamento [da floresta original]. Estamos bem perto, 18%. Isso significa que áreas do sul e sudeste da mata vão começar a secar e se transformar em cerrado. É como jogar uma roleta de “dieback” [colapso] na Amazônia.

Com o desmatamento subindo de novo, qual é o prazo para esses 20%?

Não fiz cálculos, mas não tomaria muito tempo. Pode ser cinco anos, se continuar assim. Claro que [a devastação] traz implicações para os padrões de chuva, incluindo as áreas agroindustriais de Mato Grosso e mais ao sul, até o norte da Argentina. O ex-governador [Eduardo] Braga [AM] costumava dizer ao ex-governador [Blairo] Maggi [MT]: “Sua soja depende da chuva no meu Estado”.

Quais as consequências para a agricultura?

Agricultura e economia teriam menos chuvas. E elas dependem da chuva. Talvez não em São Paulo, mas mais ao oeste, com a água passando pelas hidrelétricas, em projetos como Belo Monte.

O sr. estuda a Amazônia há mais de quatro décadas. Quais previsões deram certo e quais passaram longe?

Meu primeiro artigo sobre a Amazônia, escrito em 1972, chamava-se “Transamazônica: estrada para a extinção?”. Não acho que alguém tinha a capacidade de imaginar a soma de desmatamento que ocorreu. Lembro quando as primeiras imagens de satélite saíram, nos anos 1980. Todos ficaram surpresos. Também houve boas surpresas. Uma é a força da ciência brasileira aplicada na Amazônia. A outra é a consciência pública, que em geral é bastante alta no Brasil. E também a extensão das áreas protegidas, incluindo as demarcações de fronteiras indígenas. Tudo isso junto protege 50% da Amazônia, o que é impressionante.

Do jeito que está, o novo Código Florestal pode impedir o crescimento na produção de alimentos?

Não acho que precisemos enfraquecer o [atual] Código Florestal para aumentar a produção agrícola no Brasil. No caso do gado, o uso médio da terra na Amazônia é de uma cabeça por hectare. Essa é a média mais baixa em qualquer lugar do mundo. É uma questão de organizar a imensa capacidade da Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária], um dos centros líderes de agricultura no mundo.

Comparado com os EUA, o Brasil tem legislação ambiental rígida. Lá, sequer estão na mesa criar coisas como a reserva legal. Pode soar paternalista dizer o que deve ser feito por aqui?

Só estou tentando pensar no que faz sentido para o Brasil, não necessariamente no que faz sentido o Brasil fazer para o resto do mundo. O atual Código Florestal é um dos mais visionários do planeta. Nos EUA, temos de pagar o preço de não ter tido essa visão há muito tempo. E também não temos florestas tropicais, mais sensíveis. Economia e ecologia têm a mesma raiz grega: “oikos”, que remete a “casa”. Não existe ser no planeta que não afete seu ambiente sem consumo e produzir desperdício. A questão da sustentabilidade está nos detalhes de quanto e como se faz isso.

Qual a sua avaliação do governo Dilma no debate?

Até agora, parece muito prático, sério. Como ela vai responder a qualquer que seja o Código Florestal será, claro, um grande teste. Mas ter deixado claro que o governo Dilma não aprovaria a anistia [aos desmatadores] é um sinal bem positivo. O que é perigoso, na lei, é a ideia de dar o poder de demarcar as reservas legais aos estados. Se você vai administrar a Amazônia como sistema, precisa ser consistente.

O sr. conhece a senadora Kátia Abreu, uma das vozes da bancada ruralista?

Não conheço, mas diria a ela: “Você precisa tomar cuidado para não matar a galinha dos ovos de ouro”. E o ovo de ouro é a chuva.

O caos nas finanças globais tira os holofotes da questão ambiental?

Geralmente, quando há forte recessão econômica, muitas das coisas que causam problemas ambientais se enfraquecem. Alguns dos motores do desmatamento, como os preços da soja e da carne, enfraquecem quando a demanda é menor.

O Brasil é capaz de cuidar sozinho da Amazônia?

O BNDES tem de ser cuidadoso com os projetos de infraestrutura, pois há todos os outros países [amazônicos]. O Brasil não deveria segurar a responsabilidade sozinho. A Amazônia é um elemento-chave no funcionamento do mundo. É do interesse de outros países ajudar o Brasil.

Já chamaram o sr. até de espião da CIA. Há paranoia sobre um complô internacional para ‘roubar’ a Amazônia?

Isso não tem fundamento. A pior forma de biopirataria é destruir a floresta.

Parte da comunidade científica minimiza o papel do homem no aquecimento global. O que o sr. acha?

Não há quase nenhum cientista com credibilidade que acredite nisso. Nos últimos 10 mil anos, a história climática do planeta foi bem estável. Agora, nós o estamos mudando. Está claro que 2 ºC a mais é muito para a Terra.

Folha de São Paulo


1 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Transgênicos podem afetar borboleta monarca

Não faz mais de uma década. As fazendas do Meio-Oeste dos Estados Unidos ficavam normalmente desfiguradas – ao menos na visão dos fazendeiros – por manchas rebeldes de asclépias entre fileiras perfeitas de plantações de milho e soja.

Isso não acontece mais. Agora, nos campos estão plantações de milho e soja geneticamente modificados e resistentes ao herbicida Roundup. Com isso, os fazendeiros podem pulverizar a substância química para erradicar ervas daninhas, inclusive a asclépia.

Embora para os fazendeiros isso soe como uma boa notícia, para um número crescente de cientistas a redução da asclépia pode por em perigo as borboletas-monarca. A migração espetacular desses animais fazem delas um dos insetos mais queridos – “o Bambi do mundo dos insetos”, como afirmou certa vez um entomólogo.

As monarcas depositam os ovos nas asclépias e as larvas depois as comem.

Esse indício é preliminar e vem sendo contestado por especialistas. Para o especialista em insetos Chip Taylor, o aumento da prática de culturas geneticamente modificadas põe em risco as borboletas de cor laranja e preta, por retirar seu habitat.

“A asclépia desapareceu de pelo menos 40,5 milhões de hectares de canteiros de cultivo”, afirmou Taylor, ecologista especialista em insetos da Universidade de Kansas e diretor de pesquisa e conservação do programa Monarch Watch. “A asclépia dela praticamente se foi”.

O principal indício de que a população de monarcas está diminuindo aparece em um novo estudo. Ele mostra que a área ocupada pelas monarcas no centro do México, onde muitas delas passam o inverno, diminuiu nos últimos 17 anos.

Acredita-se que a área ocupada pelas borboletas seja representativa do tamanho da sua população.

“Pela primeira vez nós temos dados que podem ser analisados estatisticamente e que mostram uma tendência de queda”, afirmou Ernest H. Williams, professor de biologia do Hamilton College e autor do estudo, junto com Taylor e outros autores.

O artigo, publicado online na revista Insect Conservation and Diversity, atribui essa diminuição em parte à falta da asclépia devido ao uso de culturas Roundup Ready. Outras causas, segundo o artigo, são o desaparecimento da asclépia devido ao desenvolvimento rural, o corte ilegal de árvores nos locais de invernada no México e o inverno rigoroso.

O estudo não sugere que a borboleta entrará em extinção. Porém, ele questiona a sustentabilidade da migração anual, do incentivo ao festival das borboletas nos Estados Unidos e das ondas de turismo no México.

Entretanto, o artigo não apresenta nenhum dado que fundamente o argumento de que as culturas geneticamente modificadas estejam reduzindo a população de monarcas. Alguns especialistas alegam que a população dessas borboletas não está diminuindo e que não está claro se existe qualquer consequência relacionada à biotecnologia agrícola.

Segundo Andrew K. Davis, pesquisador assistente da Universidade da Georgia, o recenseamento da monarca adulta, realizado todo fim de ano em Cape May, Nova Jersey, e em Península Point, em Michigan, não apresentou uma diminuição.

Pode ser que “mesmo que a população de invernada esteja diminuindo cada vez mais, elas recuperem esse número quando se dirigem para o norte, na primavera”, afirma Davis. O artigo de Davis, em que ele contesta que esteja ocorrendo uma diminuição da população da monarca, foi publicado online pela mesma revista.

Leslie Ries, professora pesquisadora da Universidade de Maryland, examinou outras contagens de borboletas e, segundo conta, não revelaram uma diminuição, mas sim variações de ano para ano. Como é improvável que a população de asclépias varie tanto, provavelmente isso não é o determinante principal da população de borboletas, conforme afirma.

Porém, dois pesquisadores, Karen Oberhauser, da Universidade de Minnesota, e John M. Pleasants, do estado do Iowa, citam outros indícios da diminuição: o número de ovos de monarca nos campos do Meio-Oeste americano. “A produção das monarcas vem diminuindo de maneira significativa”, afirma Pleasants.

“Essa redução é causada pela perda das reservas de asclépias disponíveis”.

Os dois cientistas apresentaram um artigo a uma revista científica e afirmaram que não discutirão sobre os dados apresentados antes da publicação.

As culturas Roundup Ready contêm um gene de bactéria que permite a elas resistir ao herbicida Roundup ou ao seu equivalente genérico, o glifosato.

Isso permite matar as ervas daninhas sem prejudicar a colheita.

Como tornam bem mais fácil o controle de ervas daninhas, essas culturas têm sido amplamente adotadas pelos fazendeiros. Este ano, 94 por cento da soja e 72 por cento do milho cultivados nos Estados Unidos eram tolerantes a herbicidas, de acordo com o Departamento de Agricultura.

Por sua vez, isso levou ao aumento súbito da utilização do glifosato, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental americana. A quantidade de herbicida utilizada em 2007 foi 5 vezes maior do que em 1997, um ano após a introdução das culturas Roundup Ready e, e aproximadamente 10 vezes maior do que em 1993.

Os fazendeiros, como se sabe, sempre tentaram eliminar as ervas daninhas tratando a terra ou pulverizando outros herbicidas, sendo que esses muitas vezes precisavam ser usados antes que as culturas brotassem do solo. O glifosato, no entanto, pode ser pulverizado no período vegetativo, pois não prejudica as culturas resistentes. Esse fato e a eficácia geral do glifosato resultaram em um controle maior das ervas daninhas.

“Ele mata tudo”, afirmou Lincoln P. Brower, entomólogo do Sweet Briar College e um dos autores do artigo que documenta a diminuição da população de monarcas no inverno mexicano. “É como um Armagedom absoluto da biodiversidade sobre uma enorme área”.

A quantidade de asclépias nas fazendas do estado do Iowa diminuiu 90 por cento entre 1999 e 2009, de acordo com Robert G. Hartzler, agrônomo do estado. Em seu estudo, publicado no ano passado na revista Crop Protection, ele encontrou asclépias em apenas 8 por cento dos campos de milho e soja em 2009, 51 por cento menos do que 1999.

Devido às práticas de controle de ervas daninhas – mesmo antes do advento dos cultivos Roundup Ready – é improvável que as fazendas abriguem tal quantidade de asclépias.

Porém, a grande quantidade de terras agrícolas no cinturão do milho demonstra que as fazendas no todo são as responsáveis pela maior parte dos nascimentos de monarcas, segundo outro estudo, publicado em 2001 por Oberhauser e seus colegas. Este estudo avaliou que em Iowa, as propriedades rurais produziram 78 vezes mais monarcas do que em áreas não cultivadas, e 73 vezes mais em Wisconsin e Minnesota.

Embora as monarcas venham de outras partes dos Estados Unidos, de modo geral acredita-se que a maioria delas seja incubada no Meio-Oeste. Porém, até mesmo Hartzler afirmou em seu artigo que seria difícil avaliar o impacto da diminuição da asclépia no Iowa sobre a população de monarcas.

O porta-voz da Monsanto, empresa criadora das culturas Roundup Ready e fabricante do Roundup, concorda. Segundo ele “ainda estão sendo desenvolvidos dados biológicos sobre os possíveis efeitos da agricultura de Iowa sobre a população de monarcas”. O que é válido para Iowa pode não valer para outras regiões, afirma.

Não é a primeira vez que as culturas geneticamente modificadas são consideradas uma ameaça para as monarcas. Em 1999, pesquisadores da Universidade Cornell relataram que as lagartas das monarcas podiam morrer caso se alimentassem de asclépia polvilhada com pólen do também geneticamente modificado milho BT. Esse milho possui um gene de bactéria conhecido por produzir uma toxina que mata certos tipos de pragas.

Contudo, pesquisas posteriores, financiadas em parte pela indústria de biotecnologia, descobriram que as lagartas provavelmente não seriam expostas a quantidades letais de pólen de milho BT sob condições reais do campo. A preocupação diminuiu.

Segundo os cientistas, o efeito sobre os insetos de impedir o crescimento das ervas daninhas não é uma surpresa e, provavelmente, não atinge apenas a monarca.

A Academia Americana de Ciências examinou este efeito em 2007, em um relatório sobre abelhas e outros animais que polinizam as culturas. O relatório cita a descoberta de um estudo britânico de que nos campos onde são cultivadas beterraba e canola geneticamente modificadas, existem menos borboletas do que nos campos de culturas não modificadas.

Isso produz a ideia um tanto quanto radical de que as ervas daninhas das fazendas talvez devessem ser protegidas. “Está ocorrendo uma mudança na forma de pensar a agricultura, porque os campos sem ervas daninhas eram a referência”, afirmou May Berenbaum, chefe do departamento de entomologia da Universidade de Illinois.

Entretanto, May e outros especialistas em insetos acreditam ser ilusório supor que os fazendeiros irão abrir mão das culturas tolerantes a herbicidas. Por isso, deve-se tentar proteger as que existem ou germinar asclépias em outros locais, talvez em terras reservadas para a preservação.

A Monarch Watch está encorajando os jardineiros a cultivar asclépias.

Taylor, da Monarch Watch, fez uma proposta simples e talvez irônica às empresas de biotecnologia. “Peço encarecidamente que desenvolvam uma asclépia resistente ao Roundup”, afirmou.

Fonte: Portal iG


7 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Para secretário do MCT, o futuro do País é explorar a biodiversidade

Em audiência no Senado, Carlos Nobre falou também sobre a importância da ciência e da tecnologia para a agricultura sustentável.

A contribuição da ciência nas discussões sobre os Desastres Naturais e nas alterações propostas ao Código Florestal foi tema de debate ontem (6) em audiência na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado Federal, em Brasília.

 

Em sua exposição, o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia (SEPED), Carlos Nobre, mostrou a importância da ciência e da tecnologia para a expansão da agricultura sustentável no País. Ele destacou o programa de recuperação de áreas degradadas, a agricultura de baixo carbono e a exploração econômica da biodiversidade brasileira.

 

“O futuro do País é explorar o potencial de nossa biodiversidade. Para isso, precisamos de muita ciência, tecnologia, inovação e políticas públicas que sinalizem que esse e o caminho”, disse.

 

Sobre o Código Florestal, o especialista disse que é preciso parâmetros específicos para áreas urbanas e incorporar o princípio de salvaguarda da vida humana, além da proteção da biodiversidade, da água e do solo. “É muito importante que haja no Código uma visão diferenciada das áreas urbanas para prevenir desastres naturais.

 

Para o presidente da Comissão, senador Eduardo Braga (PMDB/AM), a discussão não deve envolver apenas ruralistas e ambientalistas, mas todo o povo brasileiro. “A ciência e a tecnologia são a chave para encontrar respostas”, disse Braga. De acordo com ele, o momento é de oportunidade para debater o tema de tanta importância econômica, social e ambiental.

 

Participaram também da audiência representantes da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Academia Brasileira de Ciência (ABC), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), dos ministérios da Agricultura (Mapa) e do Meio Ambiente (MMA), senadores e deputados.

Fonte: Agência MCT


17 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Governo quer estimular recuperação de mata por produtor rural

O governo diz que vai se empenhar no Plano Agrícola e Pecuário 2011-2012, que será lançado na sexta-feira pela presidente Dilma Rousseff em Ribeirão Preto (a
313 km de SP), para estimular os produtores rurais a recuperar cerca de 1,5 milhão de hectares de áreas degradadas.

A meta é que nos próximos dez anos sejam recuperados 15 milhões de hectares para produção.

A intenção é elevar a produção agropecuária evitando mais avanço sobre áreas de florestas. Atualmente, o país tem cerca de 47 milhões de hectares ocupados com a agricultura e 170 milhões de hectares usados para a pecuária.

Embora os dados em relação a áreas degradadas variem de acordo com os critérios usados para mensurá-las, técnicos do Ministério da Agricultura afirmam que elas somam pelo menos 30 milhões de hectares no país, o equivalente a mais de 60% das terras cultivadas com grãos.

Os maiores potenciais de recuperação estão nos estados da Região Centro-Oeste, no Tocantins e no Pará.

CRÉDITOS DO GOVERNO

Para incentivar os produtores, o governo disponibilizará R$ 3,15 bilhões em créditos dentro do Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), criado na safra passada, mas ainda sem muita adesão.

Além da recuperação de áreas degradadas, o chefe da Assessoria de Gestão Estratégica do Mapa, Derli Dossa, explica que o programa pretende financiar o plantio de 300 mil hectares de florestas. Em mais 550 mil hectares será financiado o plantio com fixação biológica de nitrogênio; em 800 mil hectares, o plantio direto na palha, e em 400 mil hectares, será feita a integração lavoura-pecuária-floresta.

Para aumentar a popularidade e a procura pelo programa, Dossa destacou que o ministério investirá em várias frentes: divulgação na imprensa da importância de se reduzir as emissões de gases de efeito estufa, treinamento de 5.000 técnicos nesse modelo de agricultura, distribuição de material a todo o corpo técnico treinado, com acesso aos produtores, estudo dos estados com problemas e motivação de lideranças locais.

“Um dos maiores problemas é falta de profissionais especializados em fazer projeto nesse tipo de produção para ter os recursos liberados”, explicou Dossa, ressaltando a importância do treinamento de técnicos do ministério e superintendências regionais.

As linhas de crédito do programa são diferenciadas, com as menores taxas da agricultura empresarial, 5,5% ao ano, e prazo de até 15 anos para pagar. O limite de financiamento para produtores é R$ 1 milhão.

Fonte: DA AGÊNCIA BRASIL


15 de junho de 2011 | nenhum comentário »

O Código Florestal e a questão nacional

Artigo do deputado Aldo Rebelo no jornal Folha de S. Paulo de ontem (14)

“Se vós não fôsseis os pusilânimes, recordaríeis os grandes sonhos que fizestes por esses campos…” (Cecília Meireles, “Romanceiro da Inconfidência”).

 

O longo e difícil debate acerca da reforma do Código Florestal Brasileiro colocou em destaque, ainda que de forma não suficientemente explícita, a velha e boa questão nacional. De um lado, a lógica dos que associam a conservação e reprodução da natureza aos interesses do Brasil funda-se na simbiose entre ambiente e desenvolvimento.

 

De outro, a bandeira do conservacionismo é travestida de subordinação dos interesses nacionais a um movimento que se apresenta asséptico, puro e altruísta na defesa da preservação da Terra, mas que na verdade tem na retaguarda protagonista que surgiu na humanidade desde que o homem superou a barbárie e começou a trocar mercadorias: o general comércio.

 

A grande disputa se dá hoje no campo no ambientalismo. Os foros internacionais, como a Organização Mundial do Comércio e seus ciclos de negociações, como a empacada Rodada Doha, são um palco por demais ostensivo para que os agentes dissimulem seus verdadeiros interesses.

 

As posições têm de ser claras e duras, tangenciadas unicamente pela busca das mesmas divisas monetárias que orientam as cúpulas ambientais. Nenhum país vai a essas reuniões disposto a chancelar resoluções que limitem o seu desenvolvimento.

 

Daí porque o interesse comercial tem de extrapolar esses foros, que são tão limitados, e tomar a forma de partidos cosmopolitas que seduzam os corações e as mentes, apresentando-se como despidos de interesses nacionais e trajando o figurino de preocupação com o futuro da humanidade.

 

O movimento ambientalista assim se robustece como o maior fenômeno ideológico dos nossos tempos. Seu campo fecundo é a realidade que de fato clama por um programa de uso inteligente dos recursos naturais do planeta.

 

Mas o pano de fundo é o interesse comercial, que, por não poder assim se expressar, assume a roupagem de uma nova utopia que engaja quem não aderiu ou mesmo quem se desiludiu com antigas propostas de efetiva transformação do mundo. Que engajamento mais nobre, universalmente humanitário, poderia pleitear além da defesa de um planeta limpo e saudável?

 

É evidente que, para as ONGs internacionais, pouco importa o percentual de reserva legal ou a metragem de mata ciliar, já que em nenhum país tais reivindicações constam de suas plataformas ou de suas preocupações.

 

O Brasil perdeu mais de 23 milhões de hectares de agricultura e pecuária, em dez anos, para unidades de conservação, terras indígenas ou expansão urbana.

 

Acham pouco. Querem escorraçar plantações de mais de 40 milhões de hectares e plantar mata no lugar. Quem não concorda é acusado de “anistiar” desmatadores, num processo de intimidação que acua almas pusilânimes no governo e na sociedade.

Quebraram a agricultura da África e do México com subsídios bilionários. Pensam que podem fazer o mesmo por aqui. Será?

 

Aldo Rebelo, 55, jornalista, é deputado federal pelo PC do B de São Paulo e autor do projeto do novo Código Florestal Brasileiro, já aprovado pela Câmara dos Deputados.

E-mail: dep.aldorebelo@camara.gov.br.

Fonte: Jornal da Ciência


15 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Brasil vai sofrer ‘explosão’ de focos de queimada em 2011, diz governo

Alta no desmatamento fomenta queimadas em áreas já devastadas.
Mato Grosso deverá ser uma das regiões mais afetadas por incêndios.

Com a proximidade do período de estiagem no Brasil, que inicia em junho e segue até setembro, o governo federal prevê uma ‘explosão’ de queimadas em 2011, principalmente em Mato Grosso, estado responsável pelo maior índice de desmatamento neste ano.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), responsável pela gestão do Prevfogo, sistema nacional de prevenção aos incêndios florestais, áreas de mata nativa que foram derrubadas podem ser atingidas por incêndios clandestinos, no intuito de limpar terrenos para dar espaço à agricultura.

“A região Centro-Oeste é a que mais poderá sofrer com isso. O fogo é a forma de manejo mais utilizada para limpeza de terrenos antes da implantação de pastagem. O Mato Grosso poderá registrar mais ocorrências porque até agora é o estado que mais desmatou”, afirmou José Carlos Mendes de Morais, coordenador do Prevfogo.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), dos 593,0 km² de desmatamento detectados entre março e abril na região da Amazônia legal, 480,3 km² ficam em Mato Grosso. Uma das regiões mais afetadas foi a fronteira entre o Cerrado e a Amazônia.

“Essas áreas estão embargadas e nada poderá ser feito porque houve o desmatamento ilegal. Nós aumentamos nossa fiscalização no Mato Grosso, onde há vários casos de fragilidade, e ainda analisamos ocorrências graves em Rondônia, Tocantins e Pará, estados que no ano passado registraram grandes quantidades de queimadas”, disse Morais.

O Prevfogo conta com 2.500 funcionários entre analistas, brigadistas e técnicos. “É um apoio do governo federal às esferas estadual e municipal no combate às queimadas”, complementou o coordenador do sistema de prevenção aos incêndios.

Área da floresta Amazônica atingida por queimada neste ano em Mato Grosso (Foto: Divulgação/Ibama)

Área da floresta Amazônica atingida por queimada neste ano em Mato Grosso (Foto: Divulgação/Ibama)

Dados
Levantamento feito pelo Ibama no estado de Rondônia já aponta um crescimento de 10% nos casos de queimada entre janeiro e junho deste ano. De 1º de janeiro a 13 de junho de 2010, foram registrados 306 focos de calor no estado.

No mesmo período de 2011 já são 338, principalmente nas margens de rodovias federais, o que dificulta o combate.

No Brasil, foram registrados no ano passado 133.149 focos de incêndio detectados por satélites, a maioria concentrada no Mato Grosso (35 mil), Tocantins (18 mil) e Pará (17 mil).

“Isso acontece quando há pouca chuva. Não foi recorde histórico, mas acredito que este ano o número será bem maior em virtude do alto desmatamento”, afirmou o coordenador do Prevfogo.

Segundo Philip Fearnside, pesquisador de ecologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), áreas do estado do Amazonas também serão atingidas pelas queimadas, mas a partir de agosto.

“É a forma encontrada pelos agricultores para adicionar mais pH ao solo para a agropecuária. Sabemos que o avanço do desmatamento vai causar também o avanço nas queimadas, isto é fato”, disse o especialista.

O especialista afirma que grande parte dos animais e árvores não sobrevive aos incêndios ou simplesmente desaparece das áreas devido às poucas chances de regeneração. “Ainda estamos longe do pico dos incêndios e acredito que eles só vão aumentar ano após ano devido ao avanço na devastação das florestas”, disse Fearnside.

Fonte: Eduardo Carvalho, Do Globo Natureza, em São Paulo


14 de junho de 2011 | nenhum comentário »

A sociedade reage

Coluna de Ricardo Young na Folha de S. Paulo de ontem (13).

Nesta semana que passou, a presidente Dilma Rousseff prorrogou por 180 dias o decreto que obrigava os agricultores a averbar suas reservas legais com o objetivo de regularizar a situação de suas propriedades.

 

Sem a prorrogação, o prazo teria vencido dia 11 passado e imporia àqueles que não cumpriram a determinação legal pesadas multas e sanções que demonstrariam que o país não mais tergiversaria nas questões do desmatamento.

 

Pois bem, tudo sugere que mais uma vez serão anistiados os infratores. Enquanto aqui em Pindorama brinca-se em serviço e abusa-se da condição de País de maior extensão de florestas contínuas do planeta, a China, país devastado pela degradação ambiental e com riscos reais de desertificação, toca como prioridade nacional o projeto da “Grande Muralha Verde”, que pretende reflorestar 356 mil km² de terra, até 2050.

 

O Brasil é o País com a maior reserva hídrica do planeta, mas algumas regiões, como o Sudeste, já sentem os problemas da escassez do recurso, com prejuízo para algumas lavouras.

 

Não é por acaso que a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) advertiu em relatório na última quinta-feira que a mudança climática terá graves consequências na disponibilidade de água destinada à produção de alimentos e na produtividade dos cultivos durante as próximas décadas.

 

A garantia da perenidade da água está na governança deste recurso. E a base desta governança é o Código Florestal, com as regras que definem APPs e RLs, recuperação e manejo. Todas essas normas protegem as nascentes e, com isso, a produção de água tão necessária para a agricultura.

 

Nossa maior commodity não é a soja, a carne ou o café. É a água! Somos os maiores exportadores de água do mundo. Assim, é exatamente para que se garanta o desenvolvimento agrário do País é que o compromisso com a recomposição das RLs e das APPs não pode ser adiado.

 

A maioria dos partidos e o governo federal parecem não entender essa correlação entre o Código Florestal e o desenvolvimento econômico. Como resposta, a sociedade civil organizada iniciou uma mobilização cujo arco de alianças não se vê desde as Diretas Já. O Comitê em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável do Brasil, instalado na última semana, promete dar muito, mas muito trabalho ao governo nos próximos meses.

 

Novas formas de fazer política começam a surgir e apontam esperança contra a estreiteza abissal que parece tomar conta das forças políticas hegemônicas do País.

Fonte: Jornal da Ciência


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29 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Pode faltar alimento para abastecer população mundial até 2050, diz ONU

Degradação do solo e de recursos hídricos ameaçam agricultura no planeta.
Relatório afirma que produção de alimentos tem que crescer rapidamente.

A rápida expansão populacional, a mudança climática e a degradação dos recursos hídricos e fundiários devem tornar o mundo mais vulnerável à insegurança alimentar, com o risco de não ser possível alimentar toda a população até 2050, disse a FAO (agência daONU para alimentação e agricultura) nesta segunda-feira (28).

Nas próximas quatro décadas a população mundial deve saltar de 7 para 9 bilhões de pessoas, e para alimentá-las seria preciso uma produção adicional de 1 bilhão de toneladas de cereais e 200 milhões de toneladas de carne por ano.

A introdução da agricultura intensiva nas últimas décadas ajudou a alimentar milhões de famintos, mas muitas vezes levou à degradação da terra e dos produtos hídricos, segundo a FAO.

“Esses sistemas em risco podem simplesmente não ser capazes de contribuir conforme o esperado para atender às demandas humanas até 2050″, disse o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf. “As consequências em termos de fome e pobreza são inaceitáveis. Ações paliativas precisam ser tomadas agora.”

Degradação do solo
Segundo o relatório, intitulado “Estado dos Recursos Hídricos e Fundiários do Mundo para a Alimentação e a Agricultura”, um quarto das terras aráveis do mundo está altamente degradada, 8% está moderadamente degradada, 36% ligeiramente degradada ou estável e apenas 10% apresentou alguma melhora.

A escassez de água também vem se agravando, devido a problemas de salinização e poluição dos lençóis freáticos e de degradação de rios, lagos e outros ecossistemas hídricos. O uso da terra para fins industriais e urbanos também agrava o problema alimentar mundial.

De acordo com a FAO, cerca de 1 bilhão de pessoas estão atualmente desnutridas, sendo 578 milhões na Ásia e 239 milhões na África Subsaariana. Nos países em desenvolvimento, mesmo que a produção agrícola dobre até 2050, 5% da população continuaria desnutrida (370 milhões de pessoas).

Para que a fome e a insegurança alimentar recuem, a produção de alimentos precisaria crescer num nível superior ao da população. Isso, acrescenta o relatório, teria de ocorrer principalmente nas áreas já utilizadas para a agricultura, com um uso mais intensivo e sustentável da terra e da água.

Seca no Rio Negro, em 2010, um dos principais afluentes do Rio Amazonas (Foto: Euzivaldo Queiroz/A Crítica/Reuters)

Seca no Rio Negro, em 2010, um dos principais afluentes do Rio Amazonas (Foto: Euzivaldo Queiroz/A Crítica/Reuters)

Fonte: Reuters


23 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Brasil perde para outros Brics na hora de proteger suas florestas

Estudo mostra que, com novo Código Florestal, país está na contramão de China, Índia e Rússia, que investem em mais proteção

O Brasil está atrás de China, Rússia e Índia no combate ao desmatamento e na recuperação da área florestal perdida. Esta é a conclusão de um estudo organizado pelo instituto brasileiro Imazon e o Proforest, ligado à Universidade de Oxford, que estudo comparou a situação em 11 países e mostra que nos quesitos preservação e reflorestamento o Brasil está perdendo a corrida com outros países dos Brics.

O estudo, divulgado no momento em que o Senado debate os termos do novo Código Florestal quanto ao tratamento de áreas verdes do país, compara a forma com que o Brasil e outros países lidam com o tema e analisa o que está sendo feito de suas florestas. Entenda as principais polêmicas do Código Florestal.

Se colocados lado a lado, os dados mostram que, enquanto China, Índia e Rússia têm criado leis para proteger suas florestas e agem para recuperar o que já foi devastado, o Brasil segue na contra-mão, desmatando mais do que é reflorestado.

O levantamento, denominado “Um Resumo do Status das Florestas em Países Selecionados”, verificou um padrão semelhante nos países analisados. Primeiro, passam por intenso processo de desmatamento, normalmente quando estão se desenvolvendo, para abrir espaço para a agricultura e explorar matérias-primas.

Em seguida, essa devastação é interrompida por fatores que vão da escassez dos produtos florestais à preocupação ambiental. Começa então uma curva ascendente, com políticas de proteção ambiental e reflorestamento.

Fundo do poço 
Para Adalberto Veríssimo, pesquisador sênior do Imazon e coordenador do levantamento no país, o Brasil está longe de acompanhar os outros Brics.

“Estamos atualmente no fundo do poço e um desses bem profundos, porque quando ainda é pobre, o país dilapida suas florestas, mas à medida que se torna emergente, começa a mostrar uma curva ascendente”, disse Veríssimo à BBC Brasil.

“Estamos atualmente no fundo do poço e desses bem profundos, porque quando ainda é pobre, o país dilapida suas florestas, mas à medida que se torna emergente, começa a mostrar uma curva ascendente. Mas o que vemos aqui não é nada disso. O Brasil já é emergente e continua caindo, já que perde mais
florestas do que planta,” explica Adalberto Veríssimo, pesquisador sênior do Imazon.

“Mas o que vemos aqui não é nada disso. O Brasil já é emergente e continua caindo, já que perde mais florestas do que planta”, afirma o pesquisador, lembrando que se originalmente o país tinha 90% de seu território coberto por florestas, hoje essa proporção é de 56%.

O exemplo mais contundente talvez seja a China, que com um amplo programa oficial superou a fase de devastação intensa e já conseguiu recuperar suas florestas, apesar de ainda serem limitadas. Segundo dados da FAO, a cobertura florestal do país em 1950 não chegava nem a 10% do território, enquanto hoje ocupa 22%.

“O principal interesse chinês é impulsionar sua economia e criar uma reserva estratégica para o país, protegendo, por exemplo, áreas como as que têm recursos hídricos”, afirma Veríssimo.

A legislação da China impede que florestas sejam suprimidas em prol de mineração ou projetos de infraestutura e só abre exceções mediante a autorização governamental e pagamento de taxa de restauração ambiental.

Curva ascendente 
Já a Rússia, país com maior cobertura florestal do mundo, ampliou essa área em 15% em 60 anos e hoje tem quase metade de seu território coberto por florestas. O crescimento deve-se a uma melhoria na legislação, também resultado da menor dependência da área rural.

Segundo o estudo, a Índia também já começou avançar rumo ao reflorestamento, embora em um nível bem mais tímido, de 21% para 22%. Mas o pesquisador lembra que os entraves indianos são muitos mais duros do que os brasileiros, já que eles vivem em território muito menor que o nosso com uma população cerca de seis vezes maior.

O estudo do Imazon e da Proforest, que incluiu também países europeus e da América do Norte, deixa claro que para fazer progresso nessa trajetória de recuperação ambiental são precisos incentivos do governo.

Setores ruralistas rejeitam as conclusões do estudo pois acreditam que a falta de incentivo governamental no Brasil invalida as comparações. Eles alegam que o estudo põe lado a lado países que não são comparáveis, justamente por receberem benefícios em prol da conservação ambiental

“Esse estudo é uma interpretação parcial dos dados, porque mostra que países que, após devastarem quase toda a área verde que tinham, vêm replantando com recursos obtidos na forma de incentivos financeiros e indenizações para áreas que deixam de produzir alimentos”, disse à BBC Brasil, Assuero Veronez, vice-presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária).

“E não podemos comparar isso com a nossa legislção, que apenas restringe o uso sem qualquer tipo de indenização ou compensação ao proprietário.”

Segundo estudo do Imazon, Brasil está ficando para trás na proteção de suas florestas. Foto: Getty Images

Fonte: Portal IG


5 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Pecuária é a maior causa do desmatamento da Amazônia, diz Inpe

A pecuária é a maior responsável pelo desmatamento da região amazônica. De acordo com levantamento realizado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e divulgado nesta sexta-feira, 62,2% dos quase 720 mil km2 desmatados foram ocupados por pastagens.

O estudo do governo federal considerou as áreas desmatadas nos nove estados da Amazônia Legal até o ano de 2008. Essa área representa 18% de todo o bioma amazônico.

Segundo o instituto, a maior parte dessa área é ocupada atualmente por pasto limpo. “É aquela área em que houve efetivamente um investimento. Ela representa uma intervenção deliberada humana, com bastante cabeça de gado, com a intenção de intensificação de produção”, disse Gilberto Câmara, diretor do Inpe.

Câmara ressaltou ainda que a atividade da agricultura ocupa apenas 5% da área total desmatada –o Mato Grosso é o único estado da região que tem um peso significativo na produção de alimentos.

“Não tem como dizer que a agricultura é a responsável pelo desmatamento, ela não é um vetor importante. O uso que nós fizemos da floresta não foi nobre, não foi para a agricultura produtiva, foi para a agropecuária que ainda hoje é extensiva e precisa de políticas públicas para usar melhor a terra que a gente roubou da natureza”, afirmou o diretor.

A intenção do governo agora é, a partir desses dados, fazer um melhor aproveitamento do potencial produtivo da região e ao mesmo tempo, garantir a preservação dos recursos naturais do bioma.

“Nós podemos aumentar com tecnologia a eficiência da agropecuária e da agricultura, que representa um universo pequeno, aumentando dessa forma a produção sem agredir um patrimônio natural”, afirmou o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante.

“Nós não precisamos desmatar para desenvolver a Amazônia. Nós não precisamos desmatar bioma nenhum para desenvolver a agricultura”, afirmou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

Fonte: Flávia Foreque, Brasília, Folha.com


17 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Amazônia é a galinha dos ovos de ouro do agronegócio brasileiro

Mata é importante para manter chuvas que abastecem lavouras do Centro-Oeste; autorizar mais desmate com nova lei é tiro no pé, afirma pesquisador.

O agronegócio sairia ganhando se visse a Amazônia como “galinha dos ovos de ouro”. Se a floresta morre, as chuvas na região secam, e o lucro evapora junto. É o que pensa o biólogo americano Thomas Lovejoy, 69, pioneiro nas pesquisas sobre a região amazônica.

Quando visitou a floresta pela primeira vez, em 1965, ele era um jovem biólogo à procura “da maior aventura possível”. Lovejoy é presidente de ciência do Fundo Ambiental Global (GEF), diretor de Biodiversidade do Centro Heinz para a Ciência, Economia e Ambiente, e professor da Universidade George Mason (EUA). Pai de gêmeas cariocas, de férias no País, defendeu que o cuidado com a Amazônia seja parcelado entre várias nações.

O sr. afirma que a devastação na Amazônia pode chegar a um limite, a partir do qual o sumiço da floresta seria um caminho sem volta. Estamos perto?

O Banco Mundial pôs US$ 1 milhão num estudo que projeta pela primeira vez os efeitos de mudança do clima, queimada e desmatamento juntos. Os resultados sugerem que poderia haver um ponto de inflexão em 20% de desmatamento [da floresta original]. Estamos bem perto, 18%. Isso significa que áreas do sul e sudeste da mata vão começar a secar e se transformar em cerrado. É como jogar uma roleta de “dieback” [colapso] na Amazônia.

Com o desmatamento subindo de novo, qual é o prazo para esses 20%?

Não fiz cálculos, mas não tomaria muito tempo. Pode ser cinco anos, se continuar assim. Claro que [a devastação] traz implicações para os padrões de chuva, incluindo as áreas agroindustriais de Mato Grosso e mais ao sul, até o norte da Argentina. O ex-governador [Eduardo] Braga [AM] costumava dizer ao ex-governador [Blairo] Maggi [MT]: “Sua soja depende da chuva no meu Estado”.

Quais as consequências para a agricultura?

Agricultura e economia teriam menos chuvas. E elas dependem da chuva. Talvez não em São Paulo, mas mais ao oeste, com a água passando pelas hidrelétricas, em projetos como Belo Monte.

O sr. estuda a Amazônia há mais de quatro décadas. Quais previsões deram certo e quais passaram longe?

Meu primeiro artigo sobre a Amazônia, escrito em 1972, chamava-se “Transamazônica: estrada para a extinção?”. Não acho que alguém tinha a capacidade de imaginar a soma de desmatamento que ocorreu. Lembro quando as primeiras imagens de satélite saíram, nos anos 1980. Todos ficaram surpresos. Também houve boas surpresas. Uma é a força da ciência brasileira aplicada na Amazônia. A outra é a consciência pública, que em geral é bastante alta no Brasil. E também a extensão das áreas protegidas, incluindo as demarcações de fronteiras indígenas. Tudo isso junto protege 50% da Amazônia, o que é impressionante.

Do jeito que está, o novo Código Florestal pode impedir o crescimento na produção de alimentos?

Não acho que precisemos enfraquecer o [atual] Código Florestal para aumentar a produção agrícola no Brasil. No caso do gado, o uso médio da terra na Amazônia é de uma cabeça por hectare. Essa é a média mais baixa em qualquer lugar do mundo. É uma questão de organizar a imensa capacidade da Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária], um dos centros líderes de agricultura no mundo.

Comparado com os EUA, o Brasil tem legislação ambiental rígida. Lá, sequer estão na mesa criar coisas como a reserva legal. Pode soar paternalista dizer o que deve ser feito por aqui?

Só estou tentando pensar no que faz sentido para o Brasil, não necessariamente no que faz sentido o Brasil fazer para o resto do mundo. O atual Código Florestal é um dos mais visionários do planeta. Nos EUA, temos de pagar o preço de não ter tido essa visão há muito tempo. E também não temos florestas tropicais, mais sensíveis. Economia e ecologia têm a mesma raiz grega: “oikos”, que remete a “casa”. Não existe ser no planeta que não afete seu ambiente sem consumo e produzir desperdício. A questão da sustentabilidade está nos detalhes de quanto e como se faz isso.

Qual a sua avaliação do governo Dilma no debate?

Até agora, parece muito prático, sério. Como ela vai responder a qualquer que seja o Código Florestal será, claro, um grande teste. Mas ter deixado claro que o governo Dilma não aprovaria a anistia [aos desmatadores] é um sinal bem positivo. O que é perigoso, na lei, é a ideia de dar o poder de demarcar as reservas legais aos estados. Se você vai administrar a Amazônia como sistema, precisa ser consistente.

O sr. conhece a senadora Kátia Abreu, uma das vozes da bancada ruralista?

Não conheço, mas diria a ela: “Você precisa tomar cuidado para não matar a galinha dos ovos de ouro”. E o ovo de ouro é a chuva.

O caos nas finanças globais tira os holofotes da questão ambiental?

Geralmente, quando há forte recessão econômica, muitas das coisas que causam problemas ambientais se enfraquecem. Alguns dos motores do desmatamento, como os preços da soja e da carne, enfraquecem quando a demanda é menor.

O Brasil é capaz de cuidar sozinho da Amazônia?

O BNDES tem de ser cuidadoso com os projetos de infraestrutura, pois há todos os outros países [amazônicos]. O Brasil não deveria segurar a responsabilidade sozinho. A Amazônia é um elemento-chave no funcionamento do mundo. É do interesse de outros países ajudar o Brasil.

Já chamaram o sr. até de espião da CIA. Há paranoia sobre um complô internacional para ‘roubar’ a Amazônia?

Isso não tem fundamento. A pior forma de biopirataria é destruir a floresta.

Parte da comunidade científica minimiza o papel do homem no aquecimento global. O que o sr. acha?

Não há quase nenhum cientista com credibilidade que acredite nisso. Nos últimos 10 mil anos, a história climática do planeta foi bem estável. Agora, nós o estamos mudando. Está claro que 2 ºC a mais é muito para a Terra.

Folha de São Paulo


1 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Transgênicos podem afetar borboleta monarca

Não faz mais de uma década. As fazendas do Meio-Oeste dos Estados Unidos ficavam normalmente desfiguradas – ao menos na visão dos fazendeiros – por manchas rebeldes de asclépias entre fileiras perfeitas de plantações de milho e soja.

Isso não acontece mais. Agora, nos campos estão plantações de milho e soja geneticamente modificados e resistentes ao herbicida Roundup. Com isso, os fazendeiros podem pulverizar a substância química para erradicar ervas daninhas, inclusive a asclépia.

Embora para os fazendeiros isso soe como uma boa notícia, para um número crescente de cientistas a redução da asclépia pode por em perigo as borboletas-monarca. A migração espetacular desses animais fazem delas um dos insetos mais queridos – “o Bambi do mundo dos insetos”, como afirmou certa vez um entomólogo.

As monarcas depositam os ovos nas asclépias e as larvas depois as comem.

Esse indício é preliminar e vem sendo contestado por especialistas. Para o especialista em insetos Chip Taylor, o aumento da prática de culturas geneticamente modificadas põe em risco as borboletas de cor laranja e preta, por retirar seu habitat.

“A asclépia desapareceu de pelo menos 40,5 milhões de hectares de canteiros de cultivo”, afirmou Taylor, ecologista especialista em insetos da Universidade de Kansas e diretor de pesquisa e conservação do programa Monarch Watch. “A asclépia dela praticamente se foi”.

O principal indício de que a população de monarcas está diminuindo aparece em um novo estudo. Ele mostra que a área ocupada pelas monarcas no centro do México, onde muitas delas passam o inverno, diminuiu nos últimos 17 anos.

Acredita-se que a área ocupada pelas borboletas seja representativa do tamanho da sua população.

“Pela primeira vez nós temos dados que podem ser analisados estatisticamente e que mostram uma tendência de queda”, afirmou Ernest H. Williams, professor de biologia do Hamilton College e autor do estudo, junto com Taylor e outros autores.

O artigo, publicado online na revista Insect Conservation and Diversity, atribui essa diminuição em parte à falta da asclépia devido ao uso de culturas Roundup Ready. Outras causas, segundo o artigo, são o desaparecimento da asclépia devido ao desenvolvimento rural, o corte ilegal de árvores nos locais de invernada no México e o inverno rigoroso.

O estudo não sugere que a borboleta entrará em extinção. Porém, ele questiona a sustentabilidade da migração anual, do incentivo ao festival das borboletas nos Estados Unidos e das ondas de turismo no México.

Entretanto, o artigo não apresenta nenhum dado que fundamente o argumento de que as culturas geneticamente modificadas estejam reduzindo a população de monarcas. Alguns especialistas alegam que a população dessas borboletas não está diminuindo e que não está claro se existe qualquer consequência relacionada à biotecnologia agrícola.

Segundo Andrew K. Davis, pesquisador assistente da Universidade da Georgia, o recenseamento da monarca adulta, realizado todo fim de ano em Cape May, Nova Jersey, e em Península Point, em Michigan, não apresentou uma diminuição.

Pode ser que “mesmo que a população de invernada esteja diminuindo cada vez mais, elas recuperem esse número quando se dirigem para o norte, na primavera”, afirma Davis. O artigo de Davis, em que ele contesta que esteja ocorrendo uma diminuição da população da monarca, foi publicado online pela mesma revista.

Leslie Ries, professora pesquisadora da Universidade de Maryland, examinou outras contagens de borboletas e, segundo conta, não revelaram uma diminuição, mas sim variações de ano para ano. Como é improvável que a população de asclépias varie tanto, provavelmente isso não é o determinante principal da população de borboletas, conforme afirma.

Porém, dois pesquisadores, Karen Oberhauser, da Universidade de Minnesota, e John M. Pleasants, do estado do Iowa, citam outros indícios da diminuição: o número de ovos de monarca nos campos do Meio-Oeste americano. “A produção das monarcas vem diminuindo de maneira significativa”, afirma Pleasants.

“Essa redução é causada pela perda das reservas de asclépias disponíveis”.

Os dois cientistas apresentaram um artigo a uma revista científica e afirmaram que não discutirão sobre os dados apresentados antes da publicação.

As culturas Roundup Ready contêm um gene de bactéria que permite a elas resistir ao herbicida Roundup ou ao seu equivalente genérico, o glifosato.

Isso permite matar as ervas daninhas sem prejudicar a colheita.

Como tornam bem mais fácil o controle de ervas daninhas, essas culturas têm sido amplamente adotadas pelos fazendeiros. Este ano, 94 por cento da soja e 72 por cento do milho cultivados nos Estados Unidos eram tolerantes a herbicidas, de acordo com o Departamento de Agricultura.

Por sua vez, isso levou ao aumento súbito da utilização do glifosato, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental americana. A quantidade de herbicida utilizada em 2007 foi 5 vezes maior do que em 1997, um ano após a introdução das culturas Roundup Ready e, e aproximadamente 10 vezes maior do que em 1993.

Os fazendeiros, como se sabe, sempre tentaram eliminar as ervas daninhas tratando a terra ou pulverizando outros herbicidas, sendo que esses muitas vezes precisavam ser usados antes que as culturas brotassem do solo. O glifosato, no entanto, pode ser pulverizado no período vegetativo, pois não prejudica as culturas resistentes. Esse fato e a eficácia geral do glifosato resultaram em um controle maior das ervas daninhas.

“Ele mata tudo”, afirmou Lincoln P. Brower, entomólogo do Sweet Briar College e um dos autores do artigo que documenta a diminuição da população de monarcas no inverno mexicano. “É como um Armagedom absoluto da biodiversidade sobre uma enorme área”.

A quantidade de asclépias nas fazendas do estado do Iowa diminuiu 90 por cento entre 1999 e 2009, de acordo com Robert G. Hartzler, agrônomo do estado. Em seu estudo, publicado no ano passado na revista Crop Protection, ele encontrou asclépias em apenas 8 por cento dos campos de milho e soja em 2009, 51 por cento menos do que 1999.

Devido às práticas de controle de ervas daninhas – mesmo antes do advento dos cultivos Roundup Ready – é improvável que as fazendas abriguem tal quantidade de asclépias.

Porém, a grande quantidade de terras agrícolas no cinturão do milho demonstra que as fazendas no todo são as responsáveis pela maior parte dos nascimentos de monarcas, segundo outro estudo, publicado em 2001 por Oberhauser e seus colegas. Este estudo avaliou que em Iowa, as propriedades rurais produziram 78 vezes mais monarcas do que em áreas não cultivadas, e 73 vezes mais em Wisconsin e Minnesota.

Embora as monarcas venham de outras partes dos Estados Unidos, de modo geral acredita-se que a maioria delas seja incubada no Meio-Oeste. Porém, até mesmo Hartzler afirmou em seu artigo que seria difícil avaliar o impacto da diminuição da asclépia no Iowa sobre a população de monarcas.

O porta-voz da Monsanto, empresa criadora das culturas Roundup Ready e fabricante do Roundup, concorda. Segundo ele “ainda estão sendo desenvolvidos dados biológicos sobre os possíveis efeitos da agricultura de Iowa sobre a população de monarcas”. O que é válido para Iowa pode não valer para outras regiões, afirma.

Não é a primeira vez que as culturas geneticamente modificadas são consideradas uma ameaça para as monarcas. Em 1999, pesquisadores da Universidade Cornell relataram que as lagartas das monarcas podiam morrer caso se alimentassem de asclépia polvilhada com pólen do também geneticamente modificado milho BT. Esse milho possui um gene de bactéria conhecido por produzir uma toxina que mata certos tipos de pragas.

Contudo, pesquisas posteriores, financiadas em parte pela indústria de biotecnologia, descobriram que as lagartas provavelmente não seriam expostas a quantidades letais de pólen de milho BT sob condições reais do campo. A preocupação diminuiu.

Segundo os cientistas, o efeito sobre os insetos de impedir o crescimento das ervas daninhas não é uma surpresa e, provavelmente, não atinge apenas a monarca.

A Academia Americana de Ciências examinou este efeito em 2007, em um relatório sobre abelhas e outros animais que polinizam as culturas. O relatório cita a descoberta de um estudo britânico de que nos campos onde são cultivadas beterraba e canola geneticamente modificadas, existem menos borboletas do que nos campos de culturas não modificadas.

Isso produz a ideia um tanto quanto radical de que as ervas daninhas das fazendas talvez devessem ser protegidas. “Está ocorrendo uma mudança na forma de pensar a agricultura, porque os campos sem ervas daninhas eram a referência”, afirmou May Berenbaum, chefe do departamento de entomologia da Universidade de Illinois.

Entretanto, May e outros especialistas em insetos acreditam ser ilusório supor que os fazendeiros irão abrir mão das culturas tolerantes a herbicidas. Por isso, deve-se tentar proteger as que existem ou germinar asclépias em outros locais, talvez em terras reservadas para a preservação.

A Monarch Watch está encorajando os jardineiros a cultivar asclépias.

Taylor, da Monarch Watch, fez uma proposta simples e talvez irônica às empresas de biotecnologia. “Peço encarecidamente que desenvolvam uma asclépia resistente ao Roundup”, afirmou.

Fonte: Portal iG


7 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Para secretário do MCT, o futuro do País é explorar a biodiversidade

Em audiência no Senado, Carlos Nobre falou também sobre a importância da ciência e da tecnologia para a agricultura sustentável.

A contribuição da ciência nas discussões sobre os Desastres Naturais e nas alterações propostas ao Código Florestal foi tema de debate ontem (6) em audiência na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado Federal, em Brasília.

 

Em sua exposição, o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia (SEPED), Carlos Nobre, mostrou a importância da ciência e da tecnologia para a expansão da agricultura sustentável no País. Ele destacou o programa de recuperação de áreas degradadas, a agricultura de baixo carbono e a exploração econômica da biodiversidade brasileira.

 

“O futuro do País é explorar o potencial de nossa biodiversidade. Para isso, precisamos de muita ciência, tecnologia, inovação e políticas públicas que sinalizem que esse e o caminho”, disse.

 

Sobre o Código Florestal, o especialista disse que é preciso parâmetros específicos para áreas urbanas e incorporar o princípio de salvaguarda da vida humana, além da proteção da biodiversidade, da água e do solo. “É muito importante que haja no Código uma visão diferenciada das áreas urbanas para prevenir desastres naturais.

 

Para o presidente da Comissão, senador Eduardo Braga (PMDB/AM), a discussão não deve envolver apenas ruralistas e ambientalistas, mas todo o povo brasileiro. “A ciência e a tecnologia são a chave para encontrar respostas”, disse Braga. De acordo com ele, o momento é de oportunidade para debater o tema de tanta importância econômica, social e ambiental.

 

Participaram também da audiência representantes da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Academia Brasileira de Ciência (ABC), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), dos ministérios da Agricultura (Mapa) e do Meio Ambiente (MMA), senadores e deputados.

Fonte: Agência MCT


17 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Governo quer estimular recuperação de mata por produtor rural

O governo diz que vai se empenhar no Plano Agrícola e Pecuário 2011-2012, que será lançado na sexta-feira pela presidente Dilma Rousseff em Ribeirão Preto (a
313 km de SP), para estimular os produtores rurais a recuperar cerca de 1,5 milhão de hectares de áreas degradadas.

A meta é que nos próximos dez anos sejam recuperados 15 milhões de hectares para produção.

A intenção é elevar a produção agropecuária evitando mais avanço sobre áreas de florestas. Atualmente, o país tem cerca de 47 milhões de hectares ocupados com a agricultura e 170 milhões de hectares usados para a pecuária.

Embora os dados em relação a áreas degradadas variem de acordo com os critérios usados para mensurá-las, técnicos do Ministério da Agricultura afirmam que elas somam pelo menos 30 milhões de hectares no país, o equivalente a mais de 60% das terras cultivadas com grãos.

Os maiores potenciais de recuperação estão nos estados da Região Centro-Oeste, no Tocantins e no Pará.

CRÉDITOS DO GOVERNO

Para incentivar os produtores, o governo disponibilizará R$ 3,15 bilhões em créditos dentro do Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), criado na safra passada, mas ainda sem muita adesão.

Além da recuperação de áreas degradadas, o chefe da Assessoria de Gestão Estratégica do Mapa, Derli Dossa, explica que o programa pretende financiar o plantio de 300 mil hectares de florestas. Em mais 550 mil hectares será financiado o plantio com fixação biológica de nitrogênio; em 800 mil hectares, o plantio direto na palha, e em 400 mil hectares, será feita a integração lavoura-pecuária-floresta.

Para aumentar a popularidade e a procura pelo programa, Dossa destacou que o ministério investirá em várias frentes: divulgação na imprensa da importância de se reduzir as emissões de gases de efeito estufa, treinamento de 5.000 técnicos nesse modelo de agricultura, distribuição de material a todo o corpo técnico treinado, com acesso aos produtores, estudo dos estados com problemas e motivação de lideranças locais.

“Um dos maiores problemas é falta de profissionais especializados em fazer projeto nesse tipo de produção para ter os recursos liberados”, explicou Dossa, ressaltando a importância do treinamento de técnicos do ministério e superintendências regionais.

As linhas de crédito do programa são diferenciadas, com as menores taxas da agricultura empresarial, 5,5% ao ano, e prazo de até 15 anos para pagar. O limite de financiamento para produtores é R$ 1 milhão.

Fonte: DA AGÊNCIA BRASIL


15 de junho de 2011 | nenhum comentário »

O Código Florestal e a questão nacional

Artigo do deputado Aldo Rebelo no jornal Folha de S. Paulo de ontem (14)

“Se vós não fôsseis os pusilânimes, recordaríeis os grandes sonhos que fizestes por esses campos…” (Cecília Meireles, “Romanceiro da Inconfidência”).

 

O longo e difícil debate acerca da reforma do Código Florestal Brasileiro colocou em destaque, ainda que de forma não suficientemente explícita, a velha e boa questão nacional. De um lado, a lógica dos que associam a conservação e reprodução da natureza aos interesses do Brasil funda-se na simbiose entre ambiente e desenvolvimento.

 

De outro, a bandeira do conservacionismo é travestida de subordinação dos interesses nacionais a um movimento que se apresenta asséptico, puro e altruísta na defesa da preservação da Terra, mas que na verdade tem na retaguarda protagonista que surgiu na humanidade desde que o homem superou a barbárie e começou a trocar mercadorias: o general comércio.

 

A grande disputa se dá hoje no campo no ambientalismo. Os foros internacionais, como a Organização Mundial do Comércio e seus ciclos de negociações, como a empacada Rodada Doha, são um palco por demais ostensivo para que os agentes dissimulem seus verdadeiros interesses.

 

As posições têm de ser claras e duras, tangenciadas unicamente pela busca das mesmas divisas monetárias que orientam as cúpulas ambientais. Nenhum país vai a essas reuniões disposto a chancelar resoluções que limitem o seu desenvolvimento.

 

Daí porque o interesse comercial tem de extrapolar esses foros, que são tão limitados, e tomar a forma de partidos cosmopolitas que seduzam os corações e as mentes, apresentando-se como despidos de interesses nacionais e trajando o figurino de preocupação com o futuro da humanidade.

 

O movimento ambientalista assim se robustece como o maior fenômeno ideológico dos nossos tempos. Seu campo fecundo é a realidade que de fato clama por um programa de uso inteligente dos recursos naturais do planeta.

 

Mas o pano de fundo é o interesse comercial, que, por não poder assim se expressar, assume a roupagem de uma nova utopia que engaja quem não aderiu ou mesmo quem se desiludiu com antigas propostas de efetiva transformação do mundo. Que engajamento mais nobre, universalmente humanitário, poderia pleitear além da defesa de um planeta limpo e saudável?

 

É evidente que, para as ONGs internacionais, pouco importa o percentual de reserva legal ou a metragem de mata ciliar, já que em nenhum país tais reivindicações constam de suas plataformas ou de suas preocupações.

 

O Brasil perdeu mais de 23 milhões de hectares de agricultura e pecuária, em dez anos, para unidades de conservação, terras indígenas ou expansão urbana.

 

Acham pouco. Querem escorraçar plantações de mais de 40 milhões de hectares e plantar mata no lugar. Quem não concorda é acusado de “anistiar” desmatadores, num processo de intimidação que acua almas pusilânimes no governo e na sociedade.

Quebraram a agricultura da África e do México com subsídios bilionários. Pensam que podem fazer o mesmo por aqui. Será?

 

Aldo Rebelo, 55, jornalista, é deputado federal pelo PC do B de São Paulo e autor do projeto do novo Código Florestal Brasileiro, já aprovado pela Câmara dos Deputados.

E-mail: dep.aldorebelo@camara.gov.br.

Fonte: Jornal da Ciência


15 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Brasil vai sofrer ‘explosão’ de focos de queimada em 2011, diz governo

Alta no desmatamento fomenta queimadas em áreas já devastadas.
Mato Grosso deverá ser uma das regiões mais afetadas por incêndios.

Com a proximidade do período de estiagem no Brasil, que inicia em junho e segue até setembro, o governo federal prevê uma ‘explosão’ de queimadas em 2011, principalmente em Mato Grosso, estado responsável pelo maior índice de desmatamento neste ano.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), responsável pela gestão do Prevfogo, sistema nacional de prevenção aos incêndios florestais, áreas de mata nativa que foram derrubadas podem ser atingidas por incêndios clandestinos, no intuito de limpar terrenos para dar espaço à agricultura.

“A região Centro-Oeste é a que mais poderá sofrer com isso. O fogo é a forma de manejo mais utilizada para limpeza de terrenos antes da implantação de pastagem. O Mato Grosso poderá registrar mais ocorrências porque até agora é o estado que mais desmatou”, afirmou José Carlos Mendes de Morais, coordenador do Prevfogo.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), dos 593,0 km² de desmatamento detectados entre março e abril na região da Amazônia legal, 480,3 km² ficam em Mato Grosso. Uma das regiões mais afetadas foi a fronteira entre o Cerrado e a Amazônia.

“Essas áreas estão embargadas e nada poderá ser feito porque houve o desmatamento ilegal. Nós aumentamos nossa fiscalização no Mato Grosso, onde há vários casos de fragilidade, e ainda analisamos ocorrências graves em Rondônia, Tocantins e Pará, estados que no ano passado registraram grandes quantidades de queimadas”, disse Morais.

O Prevfogo conta com 2.500 funcionários entre analistas, brigadistas e técnicos. “É um apoio do governo federal às esferas estadual e municipal no combate às queimadas”, complementou o coordenador do sistema de prevenção aos incêndios.

Área da floresta Amazônica atingida por queimada neste ano em Mato Grosso (Foto: Divulgação/Ibama)

Área da floresta Amazônica atingida por queimada neste ano em Mato Grosso (Foto: Divulgação/Ibama)

Dados
Levantamento feito pelo Ibama no estado de Rondônia já aponta um crescimento de 10% nos casos de queimada entre janeiro e junho deste ano. De 1º de janeiro a 13 de junho de 2010, foram registrados 306 focos de calor no estado.

No mesmo período de 2011 já são 338, principalmente nas margens de rodovias federais, o que dificulta o combate.

No Brasil, foram registrados no ano passado 133.149 focos de incêndio detectados por satélites, a maioria concentrada no Mato Grosso (35 mil), Tocantins (18 mil) e Pará (17 mil).

“Isso acontece quando há pouca chuva. Não foi recorde histórico, mas acredito que este ano o número será bem maior em virtude do alto desmatamento”, afirmou o coordenador do Prevfogo.

Segundo Philip Fearnside, pesquisador de ecologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), áreas do estado do Amazonas também serão atingidas pelas queimadas, mas a partir de agosto.

“É a forma encontrada pelos agricultores para adicionar mais pH ao solo para a agropecuária. Sabemos que o avanço do desmatamento vai causar também o avanço nas queimadas, isto é fato”, disse o especialista.

O especialista afirma que grande parte dos animais e árvores não sobrevive aos incêndios ou simplesmente desaparece das áreas devido às poucas chances de regeneração. “Ainda estamos longe do pico dos incêndios e acredito que eles só vão aumentar ano após ano devido ao avanço na devastação das florestas”, disse Fearnside.

Fonte: Eduardo Carvalho, Do Globo Natureza, em São Paulo


14 de junho de 2011 | nenhum comentário »

A sociedade reage

Coluna de Ricardo Young na Folha de S. Paulo de ontem (13).

Nesta semana que passou, a presidente Dilma Rousseff prorrogou por 180 dias o decreto que obrigava os agricultores a averbar suas reservas legais com o objetivo de regularizar a situação de suas propriedades.

 

Sem a prorrogação, o prazo teria vencido dia 11 passado e imporia àqueles que não cumpriram a determinação legal pesadas multas e sanções que demonstrariam que o país não mais tergiversaria nas questões do desmatamento.

 

Pois bem, tudo sugere que mais uma vez serão anistiados os infratores. Enquanto aqui em Pindorama brinca-se em serviço e abusa-se da condição de País de maior extensão de florestas contínuas do planeta, a China, país devastado pela degradação ambiental e com riscos reais de desertificação, toca como prioridade nacional o projeto da “Grande Muralha Verde”, que pretende reflorestar 356 mil km² de terra, até 2050.

 

O Brasil é o País com a maior reserva hídrica do planeta, mas algumas regiões, como o Sudeste, já sentem os problemas da escassez do recurso, com prejuízo para algumas lavouras.

 

Não é por acaso que a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) advertiu em relatório na última quinta-feira que a mudança climática terá graves consequências na disponibilidade de água destinada à produção de alimentos e na produtividade dos cultivos durante as próximas décadas.

 

A garantia da perenidade da água está na governança deste recurso. E a base desta governança é o Código Florestal, com as regras que definem APPs e RLs, recuperação e manejo. Todas essas normas protegem as nascentes e, com isso, a produção de água tão necessária para a agricultura.

 

Nossa maior commodity não é a soja, a carne ou o café. É a água! Somos os maiores exportadores de água do mundo. Assim, é exatamente para que se garanta o desenvolvimento agrário do País é que o compromisso com a recomposição das RLs e das APPs não pode ser adiado.

 

A maioria dos partidos e o governo federal parecem não entender essa correlação entre o Código Florestal e o desenvolvimento econômico. Como resposta, a sociedade civil organizada iniciou uma mobilização cujo arco de alianças não se vê desde as Diretas Já. O Comitê em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável do Brasil, instalado na última semana, promete dar muito, mas muito trabalho ao governo nos próximos meses.

 

Novas formas de fazer política começam a surgir e apontam esperança contra a estreiteza abissal que parece tomar conta das forças políticas hegemônicas do País.

Fonte: Jornal da Ciência


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