14 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Estudo com peixe pode revelar como animais evoluíram da água para terra

Membros na região pélvica de espécie africana ajudam a erguer o corpo.
Evolução do caminhar pode ter origem diferente, defendem cientistas.

Cientistas da Universidade de Chigado, nos Estados Unidos, revelaram que um peixe típico de águas africanas pode ser a chave para entender como seres aquáticos deram origem, pouco a pouco, a animais terrestres. Um estudo sobre o tema foi divulgado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” nesta terça-feira (13).

Conhecido como peixe pulmonado africano (Protopterus annectens), o animal foi analisado por meio de vídeos que mostraram como os pequenos membros na região pélvica são responsáveis tanto por erguer o animal como por impulsioná-lo à frente.

Peixes pulmonados são bastante usados em pesquisas em paleontologia por conta dos traços evolucionários únicos que possuem. Eles recebem esse nome por terem uma espécie de bexiga – diferente de um pulmão humano – que consegue fazê-los aproveitar o ar atmosférico para respirar.

Para Heather King, autora principal do estudo, os peixes pulmonados são importantes por poderem ser ligados tanto a peixes comuns como a tetrápodes, animais que andam em quatro patas.

Antes do estudo, os pesquisadores acreditavam que essa capacidade bípede só tinha começado a surgir nos primeiros tetrápodes no passado. Agora, eles afirmam que a evolução do caminhar pode ter começado nos ancestrais do peixe pulmonado africano.

No laboratório, os cientistas criaram um tanque para verificar como os peixinhos usavam seus membros na região pélvica. O movimento deles foi gravado durante horas e em diferentes posições. No final do estudo, King e seus colegas descobriram que o animal usava os membros para emergir e para “disparar” na direção horizontal.

Os membros se mexiam tanto em sincronia – para propulsão – quanto de forma alternada – para erguer. Já os membros localizados mais perto da cabeça do animal também eram parecidos com os posteriores, mas não eram usados para fins de locomoção, segundo os autores.

Eles destacam que observar um descendente vivo se mexer pode dizer mais do que analisar um fóssil, já que muitos dos movimentos não são possíveis de serem estudados com detalhe somente com os restos mortais dos animais extintos.

King acredita que a pesquisa mostra como as primeiras formas de locomoção mais próximas do caminhar humano podem ter surgido ao mesmo tempo nos primeiros terápodes e nos peixes pulmonados primitivos. Ou até antes nos animais aquáticos.

Uma das teorias para a movimentação curiosa do peixe pulmonado africano sustentada por King é a de que o animal inflava a parte da frente do corpo com ar. Isso fazia com que o peixe flutuasse mais e facilitasse o trabalho dos pequenos membros.

Peixe pulmonado africano é estudado em laboratório. (Foto: Yen-Chyi Liu / Universidade de Chicago)

Peixe pulmonado africano é estudado em laboratório. (Foto: Yen-Chyi Liu / Universidade de Chicago)

Fonte: G1, São Paulo


20 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

USP lança site com coleção de mais de 11 mil imagens de seres marinhos

‘Cifonauta’ quer expandir conhecimento sobre espécies do fundo do mar.
Mudança climática ameaça biodiversidade nesse ambiente, alerta cientista.

Os oceanos ainda escondem muitas surpresas. Milhares de espécies de animais ainda não são conhecidas pelos cientistas, que buscam conhecer estes animais, vertebrados ou não, espalhados pelo mundo.

No Brasil, parte dos trabalhos de pesquisa realizados por especialistas na vida marinha agora estão disponíveis para o público e educadores por meio do site “Cifonauta”, que abrange mais de 11 mil fotografias de seres do mar, além de vídeos e explicações.

Com nome de uma larva marinha, o site foi desenvolvido, nas versões em português e em inglês, pelos biólogos Álvaro Migotto e Bruno Vellutini, ambos do Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (Cebimar), localizado em São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo.

Além dos periódicos científicos
O banco de dados virtual mostra a fundo as espécies pesquisadas no instituto, expandindo conteúdo que antes podia ser encontrado apenas em publicações científicas, direcionadas a um público restrito.

“A nossa ideia surgiu há alguns anos, devido à carência de conteúdo científico voltado aos organismos marinhos, principalmente aqueles encontrados na biota marinha (conjunto de seres da fauna e flora) brasileira”, disse Álvaro Migotto.

Atualmente, existem 11.075 fotos, 270 vídeos de cerca de 300 espécies encontradas no país e em outras partes do mundo. “Muitas pessoas nos procuravam interessadas em imagens. Agora isto tudo fica disponível em um único local para que a população consiga visualizar e entende melhor os organismos aquáticos. Temos esperança de que o site sirva para aumentar o potencial da educação na área de biologia, além de ser uma divulgação científica”, disse o biólogo.

Estrela-do-mar (Foto: Álvaro Migotto)

Imagem ampliada de parte de uma Estrela-do-mar (Foto: Álvaro Migotto)

Museu vivo virtual
Segundo Migotto, ainda há poucos trabalhos de conservação da biodiversidade marinha devido à falta de conhecimento de grande parte da população. Ela afirma que mesmo os documentários ou programas produzidos por redes de televisão mostram, principalmente, animais aquáticos que já são difundidos, como grandes peixes ou mamíferos aquáticos.

“Seres unicelulares e microscópicos, considerados os mais importantes do oceano porque sustentam as cadeias alimentares, são pouco difundidos, até porque eles são muito pequenos e podem ser vistos apenas com equipamentos. É no mar que está o início da vida”, explica.

Além disso, ele afirma que muitos organismos podem desaparecer com a mudança climática, devido à acidificação dos oceanos ou mesmo a elevação da temperatura no fundo do mar, o que fortalece a ideia de arquivar o histórico das espécies.

A ampliação do banco de dados vai acontecer em um primeiro momento apenas por pesquisadores e estudantes do Cebimar. “Queremos incluir dados de peixes, aves marinhas e outras espécies. Mas por enquanto não podemos gerenciar esta atividade porque o site vai continuar evoluindo”, disse o biólogo.

O endereço eletrônico é http://cifonauta.cebimar.usp.br.

 

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


7 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Peixe saltador pode dar pistas sobre processo evolutivo

Um improvável ato de “ginástica aeróbica” feito por um peixe pode dar pistas para pesquisadores de como os animais aquáticos passaram a viver na terra.

Cientistas descobriram que há pelo menos diferentes seis tipos de peixe que são capazes de se lançar no ar a partir de uma superfície sólida.

Uma equipe de pesquisadores que publicou detalhes sobre o experimento na revista especializada “Journal of Experimental Zoology” afirmou que os animais saltadores dão uma amostra do processo evolutivo que marcou a transição da vida na água para a terra.

A cientista que comandou a pesquisa, Alice Gibb, da Northern Arizona University, ficou surpresa ao constatar que todas as espécies estudadas são capazes de saltar.

Isso sugere que, em vez de uma rara adaptação que se deu em algumas poucas espécies, a habilidade de saltar em terra é comum entre os peixes ósseos.

Por isso, ela acredita que mais parentes aquáticos dos peixes ósseos podem ter migrado para a terra do que o que se pensava anteriormente.

“Na minha visão, isso deve induzir a um novo estudo de fósseis”, afirmou Alice Gibb à BBC.

SALTADOR

A cientista e um grupo de analistas estão se concentrando particularmente em peixes, já que eles estão tentando reconstituir como as espécies modernas evoluíram e como elas estão relacionadas.

O peixe anfíbio chamado Mangrove rivulus, que passa a maior parte do tempo na terra, inspirou o estudo.

“Quando tentamos mover esses peixes dentro do laboratório, utilizando redes, eles pulavam da rede e saltavam de volta para o tanque”, recorda a pesquisadora.

Isso fez com que a cientista ficasse curiosa em saber se a habilidade de se lançar no ar era algo próprio à espécie que evoluiu a ponto de ela passar parte do tempo na terra.

Ela e sua equipe estudaram seis espécies distantes de peixes, colocando-os em uma superfície plana e filmando-os com uma câmera de alta velocidade.

“Todos os animais que estudamos tinha a habilidade de pular”, afirma Alice Gibb.

“Uma descoberta particularmente intrigante quando eles examiram as filmagens foi que o peixe-mosquito (Gambusia affinis) e o peixe-zebra (Danio rerio) utilizam o mesmo tipo de técnica de ‘dobrar a cauda’” para realizar seus saltos impressionantes.

“O último ancestral em comum das duas espécies viveu há aproximadamente 150 milhões de anos, o que sugere que esse tipo de comportamento já ocorre desde pelo menos essa época.”

Estudo diz que peixes saltadores são amostra da evolução que marcou a transição da vida entre a água e a terra

Estudo diz que peixes saltadores são amostra da evolução que marcou a transição da vida entre a água e a terra. Foto: BBC

Fonte: Da BBC Brasil






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14 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Estudo com peixe pode revelar como animais evoluíram da água para terra

Membros na região pélvica de espécie africana ajudam a erguer o corpo.
Evolução do caminhar pode ter origem diferente, defendem cientistas.

Cientistas da Universidade de Chigado, nos Estados Unidos, revelaram que um peixe típico de águas africanas pode ser a chave para entender como seres aquáticos deram origem, pouco a pouco, a animais terrestres. Um estudo sobre o tema foi divulgado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” nesta terça-feira (13).

Conhecido como peixe pulmonado africano (Protopterus annectens), o animal foi analisado por meio de vídeos que mostraram como os pequenos membros na região pélvica são responsáveis tanto por erguer o animal como por impulsioná-lo à frente.

Peixes pulmonados são bastante usados em pesquisas em paleontologia por conta dos traços evolucionários únicos que possuem. Eles recebem esse nome por terem uma espécie de bexiga – diferente de um pulmão humano – que consegue fazê-los aproveitar o ar atmosférico para respirar.

Para Heather King, autora principal do estudo, os peixes pulmonados são importantes por poderem ser ligados tanto a peixes comuns como a tetrápodes, animais que andam em quatro patas.

Antes do estudo, os pesquisadores acreditavam que essa capacidade bípede só tinha começado a surgir nos primeiros tetrápodes no passado. Agora, eles afirmam que a evolução do caminhar pode ter começado nos ancestrais do peixe pulmonado africano.

No laboratório, os cientistas criaram um tanque para verificar como os peixinhos usavam seus membros na região pélvica. O movimento deles foi gravado durante horas e em diferentes posições. No final do estudo, King e seus colegas descobriram que o animal usava os membros para emergir e para “disparar” na direção horizontal.

Os membros se mexiam tanto em sincronia – para propulsão – quanto de forma alternada – para erguer. Já os membros localizados mais perto da cabeça do animal também eram parecidos com os posteriores, mas não eram usados para fins de locomoção, segundo os autores.

Eles destacam que observar um descendente vivo se mexer pode dizer mais do que analisar um fóssil, já que muitos dos movimentos não são possíveis de serem estudados com detalhe somente com os restos mortais dos animais extintos.

King acredita que a pesquisa mostra como as primeiras formas de locomoção mais próximas do caminhar humano podem ter surgido ao mesmo tempo nos primeiros terápodes e nos peixes pulmonados primitivos. Ou até antes nos animais aquáticos.

Uma das teorias para a movimentação curiosa do peixe pulmonado africano sustentada por King é a de que o animal inflava a parte da frente do corpo com ar. Isso fazia com que o peixe flutuasse mais e facilitasse o trabalho dos pequenos membros.

Peixe pulmonado africano é estudado em laboratório. (Foto: Yen-Chyi Liu / Universidade de Chicago)

Peixe pulmonado africano é estudado em laboratório. (Foto: Yen-Chyi Liu / Universidade de Chicago)

Fonte: G1, São Paulo


20 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

USP lança site com coleção de mais de 11 mil imagens de seres marinhos

‘Cifonauta’ quer expandir conhecimento sobre espécies do fundo do mar.
Mudança climática ameaça biodiversidade nesse ambiente, alerta cientista.

Os oceanos ainda escondem muitas surpresas. Milhares de espécies de animais ainda não são conhecidas pelos cientistas, que buscam conhecer estes animais, vertebrados ou não, espalhados pelo mundo.

No Brasil, parte dos trabalhos de pesquisa realizados por especialistas na vida marinha agora estão disponíveis para o público e educadores por meio do site “Cifonauta”, que abrange mais de 11 mil fotografias de seres do mar, além de vídeos e explicações.

Com nome de uma larva marinha, o site foi desenvolvido, nas versões em português e em inglês, pelos biólogos Álvaro Migotto e Bruno Vellutini, ambos do Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (Cebimar), localizado em São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo.

Além dos periódicos científicos
O banco de dados virtual mostra a fundo as espécies pesquisadas no instituto, expandindo conteúdo que antes podia ser encontrado apenas em publicações científicas, direcionadas a um público restrito.

“A nossa ideia surgiu há alguns anos, devido à carência de conteúdo científico voltado aos organismos marinhos, principalmente aqueles encontrados na biota marinha (conjunto de seres da fauna e flora) brasileira”, disse Álvaro Migotto.

Atualmente, existem 11.075 fotos, 270 vídeos de cerca de 300 espécies encontradas no país e em outras partes do mundo. “Muitas pessoas nos procuravam interessadas em imagens. Agora isto tudo fica disponível em um único local para que a população consiga visualizar e entende melhor os organismos aquáticos. Temos esperança de que o site sirva para aumentar o potencial da educação na área de biologia, além de ser uma divulgação científica”, disse o biólogo.

Estrela-do-mar (Foto: Álvaro Migotto)

Imagem ampliada de parte de uma Estrela-do-mar (Foto: Álvaro Migotto)

Museu vivo virtual
Segundo Migotto, ainda há poucos trabalhos de conservação da biodiversidade marinha devido à falta de conhecimento de grande parte da população. Ela afirma que mesmo os documentários ou programas produzidos por redes de televisão mostram, principalmente, animais aquáticos que já são difundidos, como grandes peixes ou mamíferos aquáticos.

“Seres unicelulares e microscópicos, considerados os mais importantes do oceano porque sustentam as cadeias alimentares, são pouco difundidos, até porque eles são muito pequenos e podem ser vistos apenas com equipamentos. É no mar que está o início da vida”, explica.

Além disso, ele afirma que muitos organismos podem desaparecer com a mudança climática, devido à acidificação dos oceanos ou mesmo a elevação da temperatura no fundo do mar, o que fortalece a ideia de arquivar o histórico das espécies.

A ampliação do banco de dados vai acontecer em um primeiro momento apenas por pesquisadores e estudantes do Cebimar. “Queremos incluir dados de peixes, aves marinhas e outras espécies. Mas por enquanto não podemos gerenciar esta atividade porque o site vai continuar evoluindo”, disse o biólogo.

O endereço eletrônico é http://cifonauta.cebimar.usp.br.

 

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


7 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Peixe saltador pode dar pistas sobre processo evolutivo

Um improvável ato de “ginástica aeróbica” feito por um peixe pode dar pistas para pesquisadores de como os animais aquáticos passaram a viver na terra.

Cientistas descobriram que há pelo menos diferentes seis tipos de peixe que são capazes de se lançar no ar a partir de uma superfície sólida.

Uma equipe de pesquisadores que publicou detalhes sobre o experimento na revista especializada “Journal of Experimental Zoology” afirmou que os animais saltadores dão uma amostra do processo evolutivo que marcou a transição da vida na água para a terra.

A cientista que comandou a pesquisa, Alice Gibb, da Northern Arizona University, ficou surpresa ao constatar que todas as espécies estudadas são capazes de saltar.

Isso sugere que, em vez de uma rara adaptação que se deu em algumas poucas espécies, a habilidade de saltar em terra é comum entre os peixes ósseos.

Por isso, ela acredita que mais parentes aquáticos dos peixes ósseos podem ter migrado para a terra do que o que se pensava anteriormente.

“Na minha visão, isso deve induzir a um novo estudo de fósseis”, afirmou Alice Gibb à BBC.

SALTADOR

A cientista e um grupo de analistas estão se concentrando particularmente em peixes, já que eles estão tentando reconstituir como as espécies modernas evoluíram e como elas estão relacionadas.

O peixe anfíbio chamado Mangrove rivulus, que passa a maior parte do tempo na terra, inspirou o estudo.

“Quando tentamos mover esses peixes dentro do laboratório, utilizando redes, eles pulavam da rede e saltavam de volta para o tanque”, recorda a pesquisadora.

Isso fez com que a cientista ficasse curiosa em saber se a habilidade de se lançar no ar era algo próprio à espécie que evoluiu a ponto de ela passar parte do tempo na terra.

Ela e sua equipe estudaram seis espécies distantes de peixes, colocando-os em uma superfície plana e filmando-os com uma câmera de alta velocidade.

“Todos os animais que estudamos tinha a habilidade de pular”, afirma Alice Gibb.

“Uma descoberta particularmente intrigante quando eles examiram as filmagens foi que o peixe-mosquito (Gambusia affinis) e o peixe-zebra (Danio rerio) utilizam o mesmo tipo de técnica de ‘dobrar a cauda’” para realizar seus saltos impressionantes.

“O último ancestral em comum das duas espécies viveu há aproximadamente 150 milhões de anos, o que sugere que esse tipo de comportamento já ocorre desde pelo menos essa época.”

Estudo diz que peixes saltadores são amostra da evolução que marcou a transição da vida entre a água e a terra

Estudo diz que peixes saltadores são amostra da evolução que marcou a transição da vida entre a água e a terra. Foto: BBC

Fonte: Da BBC Brasil