6 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas criam “árvore da vida” com todas as aves conhecidas

Levantamento permite posicionar no espaço e no tempo quando e onde as quase 10 000 espécies conhecidas se separaram de ancestrais comuns

Cientistas da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, criaram uma gigantesca árvore filogenética (estudo da relação evolutiva entre várias espécies que possuem um ancestral comum) com as 9.993 espécies de aves conhecidas. O mapeamento do parentesco evolutivo posiciona as especiações das diferentes espécies no tempo e no espaço. “É a primeira ‘árvore da vida’ de espécies com este tamanho colocada em um mapa global”, disse à revista Nature Walter Jetz, biólogo de Yale e um dos co-autores do artigo.

“Esse levantamento é importante porque mostra as relações entre as diferentes espécies. Quanto mais próximas nos ramos, mais relacionadas do ponto de vista evolutivo. Ou seja, partilham de um ancestral comum mais recente”, afirmou ao site de VEJA o professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Mercival Roberto Francisco.

O mapeamento começou com um levantamento filogenético concluído em 2008, produzido pelos mesmos autores do estudo publicado agora na Nature. O levantamento dividiu as espécies de aves conhecidas em 158 clados, ou grupos que teriam se desenvolvido a partir de um ancestral comum. As raízes dessa escala evolutiva foram construídas a partir de dez fósseis, que são um parâmetro para calcular a taxa de mudanças das espécies ao longo do tempo. Com essa base, eles organizaram em uma árvore 6.600 espécies sobre as quais a ciência tem alguma informação genética disponível.

O problema era saber como lidar com as 3.330 espécies sem dados genéticos conhecidos. Para contornar esse gargalo, os cientistas utilizaram a informação de pássaros considerados parentes próximos, podendo assim alocá-los na árvore. Tal aproximação suscitou algumas críticas. “Para uma árvore deste tamanho, qualquer pequeno erro ocasionado por suposições, integrado a quase 10.000 espécies, pode levar à detecção de variações que simplesmente não existiram”, disse à Nature Mark Pagel, biólogo evolutivo da University of Reading, no Reino Unido. Os pesquisadores de Yale dizem ter criado milhares de configurações possíveis para o banco de dados filogenético com o objetivo de reduzir as incertezas.

Conclusões – A pesquisa de Yale mostra que as diversificações das espécies observadas na árvore tornaram-se mais intensas nos últimos 40 milhões de anos. De acordo com o professor Mercival, da UFSCar, isso está de acordo com a teoria mais aceita, segundo a qual a concentração de oxigênio e as temperaturas nas eras mais recentes da Terra permitiram uma explosão da diversidade. Entender onde – e quando – as especiações ocorreram, diz Mercival, pode ajudar a elaborar estratégias de preservação. “Quando a gente fala em conservar a biodiversidade, precisamos proteger os processos que levam ao surgimento de novas espécies”, afirma. “É necessária uma atenção especial para as regiões que conservaram processos de geração de novas espécies em épocas mais recentes.”

Saiba mais

ESPECIAÇÃO

Processo evolutivo pelo qual as espécies se formam, podendo ser, por exemplo, pela divisão de uma espécie em duas, dando origem a duas linhagens diferentes, ou pela transformação de uma espécie em outra, quando essa espécie acumula tantas mutações que se transforma em outra.

passaros yales genetica

Por sequenciamento de DNA, a "árvore da vida" com todas as espécies conhecidas de pássaros mostra quando e onde as diversificações ocorreram (iStockphoto)

Fonte: Veja Ciência


22 de março de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisa dá pistas sobre como ancestrais do homem se tornaram bípedes

Experimento com chimpanzés mostra que competição por alimentos pode ter forçado antepassados do homem a andar sobre duas pernas

Cientistas da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e da Universidade de Kyoto, no Japão, estudaram o comportamento de chimpanzés e a forma como eles competem entre si por recursos alimentares, a fim de entender por que os ancestrais do homem se tornaram bípedes. A pesquisa foi publicada no periódico Current Biology.

Os resultados sugerem que esses ancestrais passaram a se locomover sobre duas pernas, em vez de quatro, em situações e localidades em que eles precisavam monopolizar as fontes de alimentação, geralmente porque elas não se encontravam em abundância em seu habitat, e eles não podiam prever quando as teriam novamente. Ficar em pé sobre duas pernas permitia aos indivíduos carregar mais alimentos de cada vez, já que suas mãos ficavam livres.

Os antropólogos concluíram que os ancestrais mais antigos do homem podem ter vivido em constante mudança de condições ambientais, em que determinadas fontes de alimentos não eram sempre fáceis de encontrar. Se a competição por comida era forte, o costume de andar sobre duas pernas pode ter levado a mudanças anatômicas ao longo do tempo, já que indivíduos bípedes tinham mais vantagem sobre os outros quadrúpedes.

Para chegar a esses resultados, os cientistas fizeram uma série de experimentos em laboratórios ao ar livre, monitorando o comportamento de chimpanzés e determinando quando e por que eles recorriam ao andar bípede. Eles observaram que os animais tendiam a andar sobre duas pernas quando deparados com alimentos escassos, já que era possível carregar mais deles de uma só vez. Se a comida era abundante, eles agiam na maior parte das vezes como quadrúpedes.

Faltas de evidências fósseis deixam os pesquisadores em dúvida sobre quando exatamente os ancestrais humanos se tornaram bípedes. Acredita-se, porém, que isso aconteceu por conta de mudanças climáticas ocorridas em algum período da história, que reduziram as áreas de floresta e forçaram os animais a se movimentar por longas distâncias em terrenos abertos.

Chimpanzé anda sobre duas pernas durante experimento: vantagem em tempos de comida escassa

Chimpanzé anda sobre duas pernas durante experimento: vantagem em tempos de comida escassa (Universidade de Cambridge)

Fonte: Veja Ciência


21 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Brasileiros são mais europeus do que se imaginava

As conclusões estão na pesquisa coordenada pelo geneticista Sérgio Danilo Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais, e publicada na revista científica “PLoS”

Os brasileiros são bem mais europeus do que africanos. Esqueça todas as análises já feitas com base em conceitos como raça e cor da pele. O primeiro grande estudo a medir a ancestralidade da população do País a partir de sua genética revela uma participação europeia muito maior do que se imaginava preponderante em todo o território, inclusive nas regiões Norte e Nordeste. As conclusões estão na pesquisa coordenada pelo geneticista Sérgio Danilo Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais, e publicada na revista científica “PLoS”.

 

download just go with it hd

O trabalho revelou que, em todas as regiões, a ancestralidade europeia é dominante, com percentuais que variam de 60,6% no Nordeste a 77,7% no Sul. Mesmo as pessoas que se denominam negras pelos critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentam, na verdade, uma alta ancestralidade branca. Para se ter uma ideia, na Bahia, os negros tem 53,9% de raízes europeias. Na análise dos especialistas envolvidos no trabalho, a “europeização” do Brasil se deu a partir do fim do século 19, com o fim do tráfico negreiro e da escravidão e o início do fluxo migratório de aproximadamente 6 milhões de trabalhadores europeus.

 

Para além do impacto histórico e antropológico que os resultados do novo estudo podem ter, Sérgio Pena ressalta ainda a sua importância do ponto de vista médico: os tratamentos podem ser mais homogêneos do que se imaginava.

 

Formada por três diferentes raízes ancestrais, indígena, europeia e africana, a população brasileira sempre se acreditou muito heterogênea. Mas o estudo conclui que, independentemente de eventuais classificações baseadas na cor da pele, os brasileiros são muito homogêneos do ponto de vista de sua ancestralidade.

Fonte: Roberta Jansen de O Globo






Categorias

Tópicos recentes

Meta

 

junho 2018
S T Q Q S S D
« mar    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
252627282930  

6 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas criam “árvore da vida” com todas as aves conhecidas

Levantamento permite posicionar no espaço e no tempo quando e onde as quase 10 000 espécies conhecidas se separaram de ancestrais comuns

Cientistas da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, criaram uma gigantesca árvore filogenética (estudo da relação evolutiva entre várias espécies que possuem um ancestral comum) com as 9.993 espécies de aves conhecidas. O mapeamento do parentesco evolutivo posiciona as especiações das diferentes espécies no tempo e no espaço. “É a primeira ‘árvore da vida’ de espécies com este tamanho colocada em um mapa global”, disse à revista Nature Walter Jetz, biólogo de Yale e um dos co-autores do artigo.

“Esse levantamento é importante porque mostra as relações entre as diferentes espécies. Quanto mais próximas nos ramos, mais relacionadas do ponto de vista evolutivo. Ou seja, partilham de um ancestral comum mais recente”, afirmou ao site de VEJA o professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Mercival Roberto Francisco.

O mapeamento começou com um levantamento filogenético concluído em 2008, produzido pelos mesmos autores do estudo publicado agora na Nature. O levantamento dividiu as espécies de aves conhecidas em 158 clados, ou grupos que teriam se desenvolvido a partir de um ancestral comum. As raízes dessa escala evolutiva foram construídas a partir de dez fósseis, que são um parâmetro para calcular a taxa de mudanças das espécies ao longo do tempo. Com essa base, eles organizaram em uma árvore 6.600 espécies sobre as quais a ciência tem alguma informação genética disponível.

O problema era saber como lidar com as 3.330 espécies sem dados genéticos conhecidos. Para contornar esse gargalo, os cientistas utilizaram a informação de pássaros considerados parentes próximos, podendo assim alocá-los na árvore. Tal aproximação suscitou algumas críticas. “Para uma árvore deste tamanho, qualquer pequeno erro ocasionado por suposições, integrado a quase 10.000 espécies, pode levar à detecção de variações que simplesmente não existiram”, disse à Nature Mark Pagel, biólogo evolutivo da University of Reading, no Reino Unido. Os pesquisadores de Yale dizem ter criado milhares de configurações possíveis para o banco de dados filogenético com o objetivo de reduzir as incertezas.

Conclusões – A pesquisa de Yale mostra que as diversificações das espécies observadas na árvore tornaram-se mais intensas nos últimos 40 milhões de anos. De acordo com o professor Mercival, da UFSCar, isso está de acordo com a teoria mais aceita, segundo a qual a concentração de oxigênio e as temperaturas nas eras mais recentes da Terra permitiram uma explosão da diversidade. Entender onde – e quando – as especiações ocorreram, diz Mercival, pode ajudar a elaborar estratégias de preservação. “Quando a gente fala em conservar a biodiversidade, precisamos proteger os processos que levam ao surgimento de novas espécies”, afirma. “É necessária uma atenção especial para as regiões que conservaram processos de geração de novas espécies em épocas mais recentes.”

Saiba mais

ESPECIAÇÃO

Processo evolutivo pelo qual as espécies se formam, podendo ser, por exemplo, pela divisão de uma espécie em duas, dando origem a duas linhagens diferentes, ou pela transformação de uma espécie em outra, quando essa espécie acumula tantas mutações que se transforma em outra.

passaros yales genetica

Por sequenciamento de DNA, a "árvore da vida" com todas as espécies conhecidas de pássaros mostra quando e onde as diversificações ocorreram (iStockphoto)

Fonte: Veja Ciência


22 de março de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisa dá pistas sobre como ancestrais do homem se tornaram bípedes

Experimento com chimpanzés mostra que competição por alimentos pode ter forçado antepassados do homem a andar sobre duas pernas

Cientistas da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e da Universidade de Kyoto, no Japão, estudaram o comportamento de chimpanzés e a forma como eles competem entre si por recursos alimentares, a fim de entender por que os ancestrais do homem se tornaram bípedes. A pesquisa foi publicada no periódico Current Biology.

Os resultados sugerem que esses ancestrais passaram a se locomover sobre duas pernas, em vez de quatro, em situações e localidades em que eles precisavam monopolizar as fontes de alimentação, geralmente porque elas não se encontravam em abundância em seu habitat, e eles não podiam prever quando as teriam novamente. Ficar em pé sobre duas pernas permitia aos indivíduos carregar mais alimentos de cada vez, já que suas mãos ficavam livres.

Os antropólogos concluíram que os ancestrais mais antigos do homem podem ter vivido em constante mudança de condições ambientais, em que determinadas fontes de alimentos não eram sempre fáceis de encontrar. Se a competição por comida era forte, o costume de andar sobre duas pernas pode ter levado a mudanças anatômicas ao longo do tempo, já que indivíduos bípedes tinham mais vantagem sobre os outros quadrúpedes.

Para chegar a esses resultados, os cientistas fizeram uma série de experimentos em laboratórios ao ar livre, monitorando o comportamento de chimpanzés e determinando quando e por que eles recorriam ao andar bípede. Eles observaram que os animais tendiam a andar sobre duas pernas quando deparados com alimentos escassos, já que era possível carregar mais deles de uma só vez. Se a comida era abundante, eles agiam na maior parte das vezes como quadrúpedes.

Faltas de evidências fósseis deixam os pesquisadores em dúvida sobre quando exatamente os ancestrais humanos se tornaram bípedes. Acredita-se, porém, que isso aconteceu por conta de mudanças climáticas ocorridas em algum período da história, que reduziram as áreas de floresta e forçaram os animais a se movimentar por longas distâncias em terrenos abertos.

Chimpanzé anda sobre duas pernas durante experimento: vantagem em tempos de comida escassa

Chimpanzé anda sobre duas pernas durante experimento: vantagem em tempos de comida escassa (Universidade de Cambridge)

Fonte: Veja Ciência


21 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Brasileiros são mais europeus do que se imaginava

As conclusões estão na pesquisa coordenada pelo geneticista Sérgio Danilo Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais, e publicada na revista científica “PLoS”

Os brasileiros são bem mais europeus do que africanos. Esqueça todas as análises já feitas com base em conceitos como raça e cor da pele. O primeiro grande estudo a medir a ancestralidade da população do País a partir de sua genética revela uma participação europeia muito maior do que se imaginava preponderante em todo o território, inclusive nas regiões Norte e Nordeste. As conclusões estão na pesquisa coordenada pelo geneticista Sérgio Danilo Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais, e publicada na revista científica “PLoS”.

 

download just go with it hd

O trabalho revelou que, em todas as regiões, a ancestralidade europeia é dominante, com percentuais que variam de 60,6% no Nordeste a 77,7% no Sul. Mesmo as pessoas que se denominam negras pelos critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentam, na verdade, uma alta ancestralidade branca. Para se ter uma ideia, na Bahia, os negros tem 53,9% de raízes europeias. Na análise dos especialistas envolvidos no trabalho, a “europeização” do Brasil se deu a partir do fim do século 19, com o fim do tráfico negreiro e da escravidão e o início do fluxo migratório de aproximadamente 6 milhões de trabalhadores europeus.

 

Para além do impacto histórico e antropológico que os resultados do novo estudo podem ter, Sérgio Pena ressalta ainda a sua importância do ponto de vista médico: os tratamentos podem ser mais homogêneos do que se imaginava.

 

Formada por três diferentes raízes ancestrais, indígena, europeia e africana, a população brasileira sempre se acreditou muito heterogênea. Mas o estudo conclui que, independentemente de eventuais classificações baseadas na cor da pele, os brasileiros são muito homogêneos do ponto de vista de sua ancestralidade.

Fonte: Roberta Jansen de O Globo