1 de abril de 2013 | nenhum comentário »

Descoberta nova espécie de anfíbio

Filhotes de ‘Microcaecilia dermatophaga‘ se alimentam de pele da mãe.

Foi publicada este mês no periódico PLoS One a descrição de uma nova espécie de gimnofiono, a mesma ordem  da “cobra-pênis”, como ficou conhecido na imprensa e em redes sociais um animal raro encontrado no Brasil em 2011, por causa de seu formato. Essa ordem inclui também os bichos popularmente conhecidos como “cobras-cegas”.

A nova espécie agora anunciada vive na Guiana Francesa e se chama Microcaecilia dermatophaga. Apesar de parecer uma cobra ou verme, trata-se na verdade de um anfíbio, ou seja, tem relação evolutiva mais próxima com um sapo do que com qualquer serpente.

Microcaecilia dermatophaga, a nova espécie descrita na PLoS One (Foto:  Wilkinson et al/PLoS One/Creative Commons)

Microcaecilia dermatophaga, a nova espécie descrita na PLoS One (Foto: Wilkinson et al/PLoS One/Creative Commons)

Microcaecilia dermatophaga tem uma característica especial: os exemplares mais jovens da espécie se alimentam da pele da mãe – daí o termo “dermatófago” em seu nome científico.

Recentemente, teve grande repercussão na internet a descoberta de outro gimnofiono como aMicrocaecilia dermatophaga. Tratava-se da descoberta de um raro exemplar de Atretochoana eiselti no canteiro de obras da Usina de Santo Antônio.

Atretochoana eiselti foi descoberta no Rio Madeira (Foto: Juliano Tupan/Divulgação)

Exemplar de Atretochoana eiselti, que é da mesma ordem da nova espécie encontrada na Guiana Francesa, foi descoberta no Rio Madeira e ganhou o apelido de 'cobra-pênis' (Foto: Juliano Tupan/Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


20 de março de 2013 | nenhum comentário »

Pesquisadores esperam ‘reviver’ rã extinta há 30 anos com clonagem

Animal engolia ovos e incubava filhotes no estômago, diz estudo.
Cientistas conseguiram reativar núcleo de células ‘mortas’ de rã extinta.

Cientistas do Projeto Lazarus estão trabalhando para “reviver” uma espécie de rã australiana, extinta há cerca de 30 anos, utilizando técnicas de clonagem. Eles conseguiram implantar de forma bem-sucedida núcleos retirados de células “mortas” do animal, que estavam congeladas há anos, em células de um anfíbio de outra espécie aparentada.

A rã extinta, da espécie Rheobatrachus silus, era conhecida por sua forma bizarra de cuidar dos filhotes: ela engolia os ovos, incubava os filhotes no estômago e depois “dava a luz” a eles pela boca, segundo os cientistas.

O animal foi considerado extinto em 1983. Os pesquisadores preservaram exemplares da rã congelados e conseguiram, com repetidos experimentos, transferir núcleos de células somáticas (já especializadas em algum tecido, como a pele) para células embrionárias de outra espécie de anfíbio: a Mixophyes fasciolatus, uma “parente distante”, segundo os cientistas.

Divisão celular
Ao substituir o núcleo ativo das células da Mixophyes fasciolatus pelo núcleo “morto” da rã extinta, os cientistas conseguiram que ocorresse espontaneamente a divisão celular e que novas células surgissem. Os embriões, no entanto, morreram após alguns dias.

Apesar disso, testes genéticos confirmaram que as novas células obtidas continham material genético da rã extinta. “Nós estamos observando um ‘ressuscitar dos mortos’, passo a passo”, disse o professor Mike Archer, da Universidade de New South Wales, em Sydney, na Austrália.

“Nós reativamos células mortas usando células vivas e ‘revivemos’ o genoma da rã extinta no processo. Agora nós temos células preservadas criogenicamente do animal extinto, para usar em futuros experimentos de clonagem”, disse Archer.

“Estamos confiantes que os obstáculos agora são tecnológicos e não biológicos, e que vamos ser bem-sucedidos”, analisou o pesquisador no estudo.

Rã da espécie XYZ, que ficou congelada por 40 anos (Foto: Divulgação/Bob Beale/Projeto Lazarus)

'Rheobatrachus silus', rã que ficou congelada por 40 anos (Foto: Divulgação/Bob Beale/Projeto Lazarus)

Imagem de arquivo mostra a rã 'dando a luz' a filhote pela boca (Foto: Divulgação/Universidade de Adelaide)

Imagem de arquivo mostra a rã 'dando a luz' a filhote pela boca (Foto: Divulgação/Universidade de Adelaide)

Fonte: Globo Natureza


7 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Biólogo encontra novo anfíbio em área de Mata Atlântica, no Paraná

Espécie foi descoberta em reserva da região de Guaraqueçaba.
Batizado de ‘Brachycephalus tridactylus’, anuro tem apenas três dedos.

Uma nova espécie de anfíbio anuro, como rãs e sapos, foi identificada na Reserva Natural Salto Morato, em Guaraqueçaba, litoral norte do Paraná, região da Mata Atlântica que tem mais de 50% de espécies endêmicas, mas é um dos maiores alvos de depredação do país.

A espécie Brachycephalus tridactylus, reconhecida oficialmente em junho de 2012 com a publicação de um artigo na revista científica internacional “Herpetologica”, foi descoberta em 2007 durante uma pesquisa conduzida pelo biólogo Michel Garey e uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

A característica mais evidente que diferenciou esta espécie é que possui apenas três dedos nas patas anteriores, por isso trydactilus (três dedos), diferente de outros do gênero “Brachycephalus” que apresentam quatro. Somente encontrado em topos de morros da Mata Atlântica, regiões mais úmidas e frias, a espécie apresenta coloração alaranjada, com tons de cinza ou verde-oliva nas laterais do corpo e pontos verde oliva na região do ventre.

Garey, que atualmente faz pós-doutorado na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de São José do Rio Preto, explica que as pesquisas em topos de montanhas e morros têm aumentado, o que cria oportunidades para a descoberta de novas espécies de anfíbios. Em 2011, aproximadamente 20 novas espécies de anfíbios foram descobertas no Brasil, de acordo com o pesquisador.

O professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), Miguel Trefaut Rodrigues, afirma que novas espécies de anfíbios têm sido encontradas sistematicamente. “A partir do advento das técnicas com acesso à base genética e fazendo comparações, a gente percebe que a diversidade que conhecíamos está muito subestimada”, diz o docente. “Além disso, é importante para conhecer a história dos biomas brasileiros.”

A dificuldade de acesso às áreas de pesquisa, porém, como por exemplo as regiões mais altas da reserva, que podem chegar a 930 metros acima do mar, e a falta de financiamento para custear as viagens podem comprometer o desenvolvimento de novos estudos.

“O estado de São Paulo é uma exceção, porque tem muito dinheiro. Em outros lugares do país a realidade é outra, é mais difícil. Falta investimento em outros Estados”, disse Garey. A pesquisa realizada na Reserva Natural Salto Morato foi financiada pela Fundação Grupo Boticário, que também mantém a Reserva Natural.

Destruição ambiental

Para o biólogo, a importância de listar mais uma espécie à vasta biodiversidade brasileira, ainda bastante desconhecida, é pautar medidas de conservação para preservar os habitats dos animais e dos biomas brasileiros.

“Toda nova espécie nos faz repensar medidas conservacionistas e também mostra que ainda tem muito a ser feito”, explica. “Igual à mudança de um Código Florestal, que, com a proposta de mudança, podemos estar perdendo espécies que ainda não são conhecidas em muitas áreas do Brasil, que podem ter potencial farmacológico”, acrescentando que é necessário ser cauteloso.

Segundo o professor Trefaut, muitas espécies não chegaram a ser conhecidas por causa da destruição ambiental e ainda “há muito por descrever” na floresta Atlântica, em que a maioria das espécies existe apenas nesta região. “Somos completamente ignorantes, não conhecemos a nossa biodiversidade. Com a destruição da floresta Atlântica, entre 7% e 10% da floresta permanece. Com essa alta diversidade, imagina o que a gente não perdeu?”

Para Trefaut, as poucas áreas de preservação que existem são pouco utilizadas e sem um planejamento para sanar a deficiência de conhecimento das áreas. “O ideal seria que cada reserva tivesse um comitê científico, formado por pessoas capacitadas em cada um dos grupos, e tivesse um planejamento, mas isso não tem avançado, especialmente face à depredação que viemos sofrendo”, afirmou.

 

Fonte: O Globo

 


1 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Anfíbio com formato de cobra é descoberto no Rio Madeira, em RO

Animal raro foi encontrado por biológos em canteiro de obras de usina.
Exemplares estão no Museu Emilio Goeldi, no Pará.

Anfíbio é chamado de cobra mole (Foto: Juliano Tupan/Divulgação)

Anfíbio é chamado de cobra mole (Foto: Juliano Tupan/Divulgação)

O trabalho de um grupo de biólogos no canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Santo Antônio, no Rio Madeira, em Porto Velho, resultou na descoberta de um anfíbio de formato parecido com uma cobra. Atretochoana eiselti é o nome científico do animal raro descoberto emRondônia. Até então, só havia registro do anfíbio no Museu de História Natural de Viena e na Universidade de Brasília. Nenhum deles têm a descrição exata de localidade, apenas ‘América do Sul’. A descoberta ocorreu em dezembro do ano passado, mas apenas agora foi divulgada.

O biólogo Juliano Tupan, analista socioambiental da Santo Antônio Energia, concessionária da usina hidrelétrica, conta que foram encontrados seis exemplares do anfíbio, que ficou conhecido como cobra mole, durante o processo de secagem de um trecho do leito do rio. Os animais estavam no fundo do Rio Madeira entre pedras que compunham as corredeiras de Santo Antonio, no leito original do rio.

“A Amazônia é uma caixa de surpresa em se tratando de anfíbios e répteis. Ainda há muita coisa para ser descoberta”, afirma o biólogo.

Segundo Tupan, o ponto mais importante dessa descoberta é que agora se tem a noção de onde a Atretochoana eiselti pode ser encontrada. “Provavelmente em todo o Rio Madeira até a região da Bolívia”, diz.

Os primeiros exemplares do anfíbio foram encontrados pela equipe de Juliano Tupan em dezembro do ano passado. Em janeiro passado ele encontrou mais dois exemplares, mas morreram.

Juliano explica que a divulgação da descoberta foi feita somente agora porque estava em processo de validação e catalogação científica.

“Resgatar um animal tão raro como este foi uma sensação fora do comum. Procurei referências bibliográficas, entrei em contato com outros pesquisadores e vimos que se tratava de Atretochoana eiselti”, lembra Juliano Tupan.

Parente de sapos e pererecas

O formato cilíndrico do corpo do anfíbio faz logo pensar que se trata de uma cobra meio esquisita. Mas Juliano explica que a Atretochoana eiselti não tem parentesco algum com répteis. “Esse anfíbio é parente próximo de salamandras, rãs, pererecas e sapos. Apenas se parece com uma serpente, mas não é”, afirma o biólogo.

Dois exemplares da Atretochoana eiselti descobertos no Rio Madeira estão no Museu Emilio Goeldi, em Belém, PA.

Juliano conta que cerca de dois meses após a descoberta no Rio Madeira um grupo de pescadores do Pará encontrou um exemplar na foz do Rio Amazonas, na região de Belém, PA.

Atretochoana eiselti foi descoberta no Rio Madeira (Foto: Juliano Tupan/Divulgação)

Atretochoana eiselti foi descoberta no Rio Madeira (Foto: Juliano Tupan/Divulgação)

Anfíbio estav ano fundo do Rio Madeira (Foto: Juliano Tupan/Divulgação)

Anfíbio estava no fundo do Rio Madeira (Foto: Juliano Tupan/Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


15 de março de 2012 | nenhum comentário »

Menor espécie de sapo do Brasil é registrada no ES, diz pesquisadora

A descoberta foi feita na região de Serra das Torres, em Atílio Vivacqua.
Espécie mede entre 7 e10 milímetros de comprimentro.

A menor espécie de sapo do Brasil, e segunda do Hemisfério Sul, foi encontrada pela primeira vez no Espírito Santo, na região conhecida como Serra das Torres, em Atílio Vivacqua, no Sul do estado, e registrada pela pesquisadora do Programa de doutorado em Ecologia e Evolução da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Jane de Oliveira. O animal raro, já visto na Mata Atlântica carioca, fará parte de uma publicação cientifica em abril.

Segundo a pesquisadora, a espécie mede entre 7 e10 milímetros de comprimento, ou seja, o sapo caberia com sobra em uma moeda de cinco centavos. “Durante o curso de Mestrado, eu e a minha equipe encontramos uma espécie de anfíbio, o Brachycephalus didactylus, um morador do chão das florestas, que é possivelmente o menor animal vertebrado do Brasil e um dos menores do mundo”, conta.

Feliz com a descoberta, Jane de Oliveira chama a atenção para a importância doEspírito Santo para a ciência nacional. “Fazer o registro de uma espécie, com a ecologia ainda praticamente desconhecida para a ciência, no Espírito Santo, mostra o quanto este estado é importante biologicamente. Uma área devastada pode ser sinônimo da perda de dezenas de espécies, desconhecidas neste estado e mesmo para a ciência”, diz a pesquisadora.

Jane afirma que a espécie era conhecida apenas no Rio de Janeiro. “Este foi o primeiro registro dele fora do estado. É possível que a espécie exista também em outras localidades do Espírito Santo, porém a visualização destes sapos é muito difícil. É um animal minúsculo, de coloração idêntica às folhas mortas caídas no chão da mata, de movimentos lentos e que entra em atividade apenas durante a noite”, diz a pesquisadora.

Com uma adaptação curiosa entre os anfíbios, a espécie – que também é conhecida como sapo Pulga – sobrevive confortavelmente com a umidade das folhas. “É um animal com uma adaptação muito interessante. Ele sofreu redução no número de falanges e no número de dedos  apresentando apenas o equivalente ao nosso dedo médio. Além disso ele não vive em ambientes com água, como a maioria, para ele basta a umidade existente entre as folhas caídas”, afirma.

O menor sapo do Brasil mede entre entre 7 e10 milímetros de comprimentro (Foto: Renata Pagotto/ Divulgação)

O menor sapo do Brasil mede entre entre 7 e10 milímetros de comprimentro (Foto: Renata Pagotto/ Divulgação)

A visualização destes sapos é muito difícil porque, além de minúsculos, eles têm coloração idêntica às folhas (Foto: Renata Pagotto/ Divulgação)

A visualização destes sapos é muito difícil porque, além de minúsculos, eles têm coloração idêntica às folhas (Foto: Renata Pagotto/ Divulgação)

Fonte: Amanda Monteiro, Globo Natureza


15 de março de 2012 | nenhum comentário »

Espécie de perereca é imune a fungo mortal para anfíbios, diz pesquisa

Animal endêmico dos EUA não sofre com infecção, afirmam cientistas.
Ao menos 200 espécies de anfíbios já foram dizimadas por doença.

Pesquisa divulgada nesta segunda-feira (12) pela revista da Academia Americana de Ciências (PNAS) afirma que as pererecas-do-pacífico (Pseudoacris regilla) são potentes transmissoras de uma doença mortal para os anfíbios, que já dizimou mais de 200 espécies em todo o mundo.

O animal endêmico dos Estados Unidossobrevive ao fungo chytridiomycosis, causador da doença quitridiomicose, considerada a maior ameaça à biodiversidade vertebrada. Agora, o que os pesquisadores querem é entender como essas pererecas não são impactadas pela infecção e encontrar pistas para evitar a propagação da enfermidade.

Biólogos que estudam o impacto da doença desde 2003 e descobriram que o fungo havia também contaminado a espécie, porém, esses animais não apresentaram os sintomas, o que os transformou em hospedeiros.

“Nós descobrimos que a grande maioria de exemplares desta espécie não morreram, mesmo com níveis surpreendentemente altos de infecção”, afirma Natalie Reeder, que conduziu a pesquisa para a Universidade Estadual de San Francisco, na California.

A espécie é uma das mais comuns na costa Oeste da América do Norte. Os pequenos sapos variam de cor e são comuns em quintais urbanos, parques e outros habitats remotos. Entretanto, sua abundância e mobilidade os torna perigosamente eficazes em espalhar o fungo.

perereca do pacífico (Foto: Divulgação/Joyce Gross)

Exemplar da perereca-do-pacífico. Animal se tornou hospedeiro de fungo mortal para espécies de anfíbios (Foto: Divulgação/Joyce Gross)

Fonte: Globo Natureza, São Paulo






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1 de abril de 2013 | nenhum comentário »

Descoberta nova espécie de anfíbio

Filhotes de ‘Microcaecilia dermatophaga‘ se alimentam de pele da mãe.

Foi publicada este mês no periódico PLoS One a descrição de uma nova espécie de gimnofiono, a mesma ordem  da “cobra-pênis”, como ficou conhecido na imprensa e em redes sociais um animal raro encontrado no Brasil em 2011, por causa de seu formato. Essa ordem inclui também os bichos popularmente conhecidos como “cobras-cegas”.

A nova espécie agora anunciada vive na Guiana Francesa e se chama Microcaecilia dermatophaga. Apesar de parecer uma cobra ou verme, trata-se na verdade de um anfíbio, ou seja, tem relação evolutiva mais próxima com um sapo do que com qualquer serpente.

Microcaecilia dermatophaga, a nova espécie descrita na PLoS One (Foto:  Wilkinson et al/PLoS One/Creative Commons)

Microcaecilia dermatophaga, a nova espécie descrita na PLoS One (Foto: Wilkinson et al/PLoS One/Creative Commons)

Microcaecilia dermatophaga tem uma característica especial: os exemplares mais jovens da espécie se alimentam da pele da mãe – daí o termo “dermatófago” em seu nome científico.

Recentemente, teve grande repercussão na internet a descoberta de outro gimnofiono como aMicrocaecilia dermatophaga. Tratava-se da descoberta de um raro exemplar de Atretochoana eiselti no canteiro de obras da Usina de Santo Antônio.

Atretochoana eiselti foi descoberta no Rio Madeira (Foto: Juliano Tupan/Divulgação)

Exemplar de Atretochoana eiselti, que é da mesma ordem da nova espécie encontrada na Guiana Francesa, foi descoberta no Rio Madeira e ganhou o apelido de 'cobra-pênis' (Foto: Juliano Tupan/Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


20 de março de 2013 | nenhum comentário »

Pesquisadores esperam ‘reviver’ rã extinta há 30 anos com clonagem

Animal engolia ovos e incubava filhotes no estômago, diz estudo.
Cientistas conseguiram reativar núcleo de células ‘mortas’ de rã extinta.

Cientistas do Projeto Lazarus estão trabalhando para “reviver” uma espécie de rã australiana, extinta há cerca de 30 anos, utilizando técnicas de clonagem. Eles conseguiram implantar de forma bem-sucedida núcleos retirados de células “mortas” do animal, que estavam congeladas há anos, em células de um anfíbio de outra espécie aparentada.

A rã extinta, da espécie Rheobatrachus silus, era conhecida por sua forma bizarra de cuidar dos filhotes: ela engolia os ovos, incubava os filhotes no estômago e depois “dava a luz” a eles pela boca, segundo os cientistas.

O animal foi considerado extinto em 1983. Os pesquisadores preservaram exemplares da rã congelados e conseguiram, com repetidos experimentos, transferir núcleos de células somáticas (já especializadas em algum tecido, como a pele) para células embrionárias de outra espécie de anfíbio: a Mixophyes fasciolatus, uma “parente distante”, segundo os cientistas.

Divisão celular
Ao substituir o núcleo ativo das células da Mixophyes fasciolatus pelo núcleo “morto” da rã extinta, os cientistas conseguiram que ocorresse espontaneamente a divisão celular e que novas células surgissem. Os embriões, no entanto, morreram após alguns dias.

Apesar disso, testes genéticos confirmaram que as novas células obtidas continham material genético da rã extinta. “Nós estamos observando um ‘ressuscitar dos mortos’, passo a passo”, disse o professor Mike Archer, da Universidade de New South Wales, em Sydney, na Austrália.

“Nós reativamos células mortas usando células vivas e ‘revivemos’ o genoma da rã extinta no processo. Agora nós temos células preservadas criogenicamente do animal extinto, para usar em futuros experimentos de clonagem”, disse Archer.

“Estamos confiantes que os obstáculos agora são tecnológicos e não biológicos, e que vamos ser bem-sucedidos”, analisou o pesquisador no estudo.

Rã da espécie XYZ, que ficou congelada por 40 anos (Foto: Divulgação/Bob Beale/Projeto Lazarus)

'Rheobatrachus silus', rã que ficou congelada por 40 anos (Foto: Divulgação/Bob Beale/Projeto Lazarus)

Imagem de arquivo mostra a rã 'dando a luz' a filhote pela boca (Foto: Divulgação/Universidade de Adelaide)

Imagem de arquivo mostra a rã 'dando a luz' a filhote pela boca (Foto: Divulgação/Universidade de Adelaide)

Fonte: Globo Natureza


7 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Biólogo encontra novo anfíbio em área de Mata Atlântica, no Paraná

Espécie foi descoberta em reserva da região de Guaraqueçaba.
Batizado de ‘Brachycephalus tridactylus’, anuro tem apenas três dedos.

Uma nova espécie de anfíbio anuro, como rãs e sapos, foi identificada na Reserva Natural Salto Morato, em Guaraqueçaba, litoral norte do Paraná, região da Mata Atlântica que tem mais de 50% de espécies endêmicas, mas é um dos maiores alvos de depredação do país.

A espécie Brachycephalus tridactylus, reconhecida oficialmente em junho de 2012 com a publicação de um artigo na revista científica internacional “Herpetologica”, foi descoberta em 2007 durante uma pesquisa conduzida pelo biólogo Michel Garey e uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

A característica mais evidente que diferenciou esta espécie é que possui apenas três dedos nas patas anteriores, por isso trydactilus (três dedos), diferente de outros do gênero “Brachycephalus” que apresentam quatro. Somente encontrado em topos de morros da Mata Atlântica, regiões mais úmidas e frias, a espécie apresenta coloração alaranjada, com tons de cinza ou verde-oliva nas laterais do corpo e pontos verde oliva na região do ventre.

Garey, que atualmente faz pós-doutorado na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de São José do Rio Preto, explica que as pesquisas em topos de montanhas e morros têm aumentado, o que cria oportunidades para a descoberta de novas espécies de anfíbios. Em 2011, aproximadamente 20 novas espécies de anfíbios foram descobertas no Brasil, de acordo com o pesquisador.

O professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), Miguel Trefaut Rodrigues, afirma que novas espécies de anfíbios têm sido encontradas sistematicamente. “A partir do advento das técnicas com acesso à base genética e fazendo comparações, a gente percebe que a diversidade que conhecíamos está muito subestimada”, diz o docente. “Além disso, é importante para conhecer a história dos biomas brasileiros.”

A dificuldade de acesso às áreas de pesquisa, porém, como por exemplo as regiões mais altas da reserva, que podem chegar a 930 metros acima do mar, e a falta de financiamento para custear as viagens podem comprometer o desenvolvimento de novos estudos.

“O estado de São Paulo é uma exceção, porque tem muito dinheiro. Em outros lugares do país a realidade é outra, é mais difícil. Falta investimento em outros Estados”, disse Garey. A pesquisa realizada na Reserva Natural Salto Morato foi financiada pela Fundação Grupo Boticário, que também mantém a Reserva Natural.

Destruição ambiental

Para o biólogo, a importância de listar mais uma espécie à vasta biodiversidade brasileira, ainda bastante desconhecida, é pautar medidas de conservação para preservar os habitats dos animais e dos biomas brasileiros.

“Toda nova espécie nos faz repensar medidas conservacionistas e também mostra que ainda tem muito a ser feito”, explica. “Igual à mudança de um Código Florestal, que, com a proposta de mudança, podemos estar perdendo espécies que ainda não são conhecidas em muitas áreas do Brasil, que podem ter potencial farmacológico”, acrescentando que é necessário ser cauteloso.

Segundo o professor Trefaut, muitas espécies não chegaram a ser conhecidas por causa da destruição ambiental e ainda “há muito por descrever” na floresta Atlântica, em que a maioria das espécies existe apenas nesta região. “Somos completamente ignorantes, não conhecemos a nossa biodiversidade. Com a destruição da floresta Atlântica, entre 7% e 10% da floresta permanece. Com essa alta diversidade, imagina o que a gente não perdeu?”

Para Trefaut, as poucas áreas de preservação que existem são pouco utilizadas e sem um planejamento para sanar a deficiência de conhecimento das áreas. “O ideal seria que cada reserva tivesse um comitê científico, formado por pessoas capacitadas em cada um dos grupos, e tivesse um planejamento, mas isso não tem avançado, especialmente face à depredação que viemos sofrendo”, afirmou.

 

Fonte: O Globo

 


1 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Anfíbio com formato de cobra é descoberto no Rio Madeira, em RO

Animal raro foi encontrado por biológos em canteiro de obras de usina.
Exemplares estão no Museu Emilio Goeldi, no Pará.

Anfíbio é chamado de cobra mole (Foto: Juliano Tupan/Divulgação)

Anfíbio é chamado de cobra mole (Foto: Juliano Tupan/Divulgação)

O trabalho de um grupo de biólogos no canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Santo Antônio, no Rio Madeira, em Porto Velho, resultou na descoberta de um anfíbio de formato parecido com uma cobra. Atretochoana eiselti é o nome científico do animal raro descoberto emRondônia. Até então, só havia registro do anfíbio no Museu de História Natural de Viena e na Universidade de Brasília. Nenhum deles têm a descrição exata de localidade, apenas ‘América do Sul’. A descoberta ocorreu em dezembro do ano passado, mas apenas agora foi divulgada.

O biólogo Juliano Tupan, analista socioambiental da Santo Antônio Energia, concessionária da usina hidrelétrica, conta que foram encontrados seis exemplares do anfíbio, que ficou conhecido como cobra mole, durante o processo de secagem de um trecho do leito do rio. Os animais estavam no fundo do Rio Madeira entre pedras que compunham as corredeiras de Santo Antonio, no leito original do rio.

“A Amazônia é uma caixa de surpresa em se tratando de anfíbios e répteis. Ainda há muita coisa para ser descoberta”, afirma o biólogo.

Segundo Tupan, o ponto mais importante dessa descoberta é que agora se tem a noção de onde a Atretochoana eiselti pode ser encontrada. “Provavelmente em todo o Rio Madeira até a região da Bolívia”, diz.

Os primeiros exemplares do anfíbio foram encontrados pela equipe de Juliano Tupan em dezembro do ano passado. Em janeiro passado ele encontrou mais dois exemplares, mas morreram.

Juliano explica que a divulgação da descoberta foi feita somente agora porque estava em processo de validação e catalogação científica.

“Resgatar um animal tão raro como este foi uma sensação fora do comum. Procurei referências bibliográficas, entrei em contato com outros pesquisadores e vimos que se tratava de Atretochoana eiselti”, lembra Juliano Tupan.

Parente de sapos e pererecas

O formato cilíndrico do corpo do anfíbio faz logo pensar que se trata de uma cobra meio esquisita. Mas Juliano explica que a Atretochoana eiselti não tem parentesco algum com répteis. “Esse anfíbio é parente próximo de salamandras, rãs, pererecas e sapos. Apenas se parece com uma serpente, mas não é”, afirma o biólogo.

Dois exemplares da Atretochoana eiselti descobertos no Rio Madeira estão no Museu Emilio Goeldi, em Belém, PA.

Juliano conta que cerca de dois meses após a descoberta no Rio Madeira um grupo de pescadores do Pará encontrou um exemplar na foz do Rio Amazonas, na região de Belém, PA.

Atretochoana eiselti foi descoberta no Rio Madeira (Foto: Juliano Tupan/Divulgação)

Atretochoana eiselti foi descoberta no Rio Madeira (Foto: Juliano Tupan/Divulgação)

Anfíbio estav ano fundo do Rio Madeira (Foto: Juliano Tupan/Divulgação)

Anfíbio estava no fundo do Rio Madeira (Foto: Juliano Tupan/Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


15 de março de 2012 | nenhum comentário »

Menor espécie de sapo do Brasil é registrada no ES, diz pesquisadora

A descoberta foi feita na região de Serra das Torres, em Atílio Vivacqua.
Espécie mede entre 7 e10 milímetros de comprimentro.

A menor espécie de sapo do Brasil, e segunda do Hemisfério Sul, foi encontrada pela primeira vez no Espírito Santo, na região conhecida como Serra das Torres, em Atílio Vivacqua, no Sul do estado, e registrada pela pesquisadora do Programa de doutorado em Ecologia e Evolução da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Jane de Oliveira. O animal raro, já visto na Mata Atlântica carioca, fará parte de uma publicação cientifica em abril.

Segundo a pesquisadora, a espécie mede entre 7 e10 milímetros de comprimento, ou seja, o sapo caberia com sobra em uma moeda de cinco centavos. “Durante o curso de Mestrado, eu e a minha equipe encontramos uma espécie de anfíbio, o Brachycephalus didactylus, um morador do chão das florestas, que é possivelmente o menor animal vertebrado do Brasil e um dos menores do mundo”, conta.

Feliz com a descoberta, Jane de Oliveira chama a atenção para a importância doEspírito Santo para a ciência nacional. “Fazer o registro de uma espécie, com a ecologia ainda praticamente desconhecida para a ciência, no Espírito Santo, mostra o quanto este estado é importante biologicamente. Uma área devastada pode ser sinônimo da perda de dezenas de espécies, desconhecidas neste estado e mesmo para a ciência”, diz a pesquisadora.

Jane afirma que a espécie era conhecida apenas no Rio de Janeiro. “Este foi o primeiro registro dele fora do estado. É possível que a espécie exista também em outras localidades do Espírito Santo, porém a visualização destes sapos é muito difícil. É um animal minúsculo, de coloração idêntica às folhas mortas caídas no chão da mata, de movimentos lentos e que entra em atividade apenas durante a noite”, diz a pesquisadora.

Com uma adaptação curiosa entre os anfíbios, a espécie – que também é conhecida como sapo Pulga – sobrevive confortavelmente com a umidade das folhas. “É um animal com uma adaptação muito interessante. Ele sofreu redução no número de falanges e no número de dedos  apresentando apenas o equivalente ao nosso dedo médio. Além disso ele não vive em ambientes com água, como a maioria, para ele basta a umidade existente entre as folhas caídas”, afirma.

O menor sapo do Brasil mede entre entre 7 e10 milímetros de comprimentro (Foto: Renata Pagotto/ Divulgação)

O menor sapo do Brasil mede entre entre 7 e10 milímetros de comprimentro (Foto: Renata Pagotto/ Divulgação)

A visualização destes sapos é muito difícil porque, além de minúsculos, eles têm coloração idêntica às folhas (Foto: Renata Pagotto/ Divulgação)

A visualização destes sapos é muito difícil porque, além de minúsculos, eles têm coloração idêntica às folhas (Foto: Renata Pagotto/ Divulgação)

Fonte: Amanda Monteiro, Globo Natureza


15 de março de 2012 | nenhum comentário »

Espécie de perereca é imune a fungo mortal para anfíbios, diz pesquisa

Animal endêmico dos EUA não sofre com infecção, afirmam cientistas.
Ao menos 200 espécies de anfíbios já foram dizimadas por doença.

Pesquisa divulgada nesta segunda-feira (12) pela revista da Academia Americana de Ciências (PNAS) afirma que as pererecas-do-pacífico (Pseudoacris regilla) são potentes transmissoras de uma doença mortal para os anfíbios, que já dizimou mais de 200 espécies em todo o mundo.

O animal endêmico dos Estados Unidossobrevive ao fungo chytridiomycosis, causador da doença quitridiomicose, considerada a maior ameaça à biodiversidade vertebrada. Agora, o que os pesquisadores querem é entender como essas pererecas não são impactadas pela infecção e encontrar pistas para evitar a propagação da enfermidade.

Biólogos que estudam o impacto da doença desde 2003 e descobriram que o fungo havia também contaminado a espécie, porém, esses animais não apresentaram os sintomas, o que os transformou em hospedeiros.

“Nós descobrimos que a grande maioria de exemplares desta espécie não morreram, mesmo com níveis surpreendentemente altos de infecção”, afirma Natalie Reeder, que conduziu a pesquisa para a Universidade Estadual de San Francisco, na California.

A espécie é uma das mais comuns na costa Oeste da América do Norte. Os pequenos sapos variam de cor e são comuns em quintais urbanos, parques e outros habitats remotos. Entretanto, sua abundância e mobilidade os torna perigosamente eficazes em espalhar o fungo.

perereca do pacífico (Foto: Divulgação/Joyce Gross)

Exemplar da perereca-do-pacífico. Animal se tornou hospedeiro de fungo mortal para espécies de anfíbios (Foto: Divulgação/Joyce Gross)

Fonte: Globo Natureza, São Paulo