15 de março de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisa brasileira descobre que sapo esguicha jatos de veneno

Espécie amazônica libera líquido com toxinas que alcança até dois metros.
Alvo do sapo é atingir mucosa dos olhos e da boca.

Pesquisadores do Instituto Butantan, de São Paulo, descobriram que a espécie de sapo Rhaebo guttatus, endêmica da Amazônia, pode ser o primeiro anfíbio que apresenta táticas de autodefesa ao esguichar veneno nos predadores para causar neles infecções graves.

Esta diferença foi notada por especialistas de diversas universidades, entre elas a de São Paulo e a Estadual de Campinas, durante incursões na floresta amazônica. Eles perceberam que este anfíbio faz movimentações corporais que comprimem glândulas nas costas e liberam jatos de venenos que podem atingir até dois metros de distância.

De acordo com Carlos Jared, diretor do laboratório de Biologia Celular do instituto, o alvo principal do veneno são os olhos ou a boca, já que seu conteúdo só interage com a mucosa — que leva as toxinas para a corrente sanguínea.

“É uma coisa fora dos padrões dos anuros [ordem dos animais a qual pertence os anfíbios]. As outras espécies de sapos só liberam veneno quando são ‘mastigados’ por presas. E já oRhaebo guttatus encontrado na Amazônia o esguicha com precisão”, disse Jared.

Entretanto, seu grau de letalidade é 30% menor ao dos venenos de outros exemplares – que podem até causar a morte dos predadores. “A intenção deste sapo é dar um ‘chega pra lá’ nas presas. No ser humano não sabemos qual é o efeito, já que nunca houve casos de contaminação”, explica.

Folclore
O pesquisador afirma que esse fato explicaria o folclore de que as pessoas tinham que tomar cuidado com os sapos, porque eles soltariam jatos nos olhos.

“Isto pode ter vindo da época do descobrimento da região amazônica, há séculos. Mas isso só faz sentido se for na área de floresta, já que esta espécie perde as propriedades de ataque se for mantida em cativeiro”, explica.

Veneno como medicamento
Jared afirma que essa característica foi descrita por brasileiros na publicação científica “Amphibia-Reptilia”, 200 anos depois da espécie ter sido descoberta.

Ele afirma que o veneno da espécie é composto por substâncias como esteróides e lipídeos, bem diferente das toxinas encontradas em outros anfíbios. Além disso, o líquido liberado peloRhaebo guttatus pode auxiliar cientistas no combate a fungos.

“Ele tem uma propriedade ativa de fungicida por andar no chão da floresta. A médio prazo, pretendemos desenvolver uma fórmula de medicamento contra esse tipo de inflamação”, diz.

Sapo amazônico (Foto: Divulgação)

Exemplar do sapo 'Rhaebo guttatus', encontrado apenas na floresta amazônica. Espécie libera jatos de veneno contra predadores. (Foto: Divulgação)

Click e veja o vídeo: http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/03/pesquisa-brasileira-descobre-que-sapo-esguicha-jatos-de-veneno.html

Fonte: Globo Natureza


12 de março de 2012 | nenhum comentário »

Descobertas na Índia novas espécies de anfíbios sem patas

Pesquisadores suspeitam que a área de distribuição desses anfíbios se estenda até Mianmar, Butão e Nepal

Foto: S.D. Biju via The New York Times - Pesquisadores identificaram cinco espécies de anfíbios sem patas em 250 localidades do território indiano

Uma nova família de anfíbios, sem membros ou cauda, foi descoberta no nordeste da Índia. No decorrer de cinco anos, os pesquisadores identificaram cinco espécies pertencentes a essa família em 250 localidades de todo o vasto território.

Os anfíbios são escavadores e passam toda a vida debaixo da terra.

“O ciclo de vida completo, tudo ocorre debaixo do solo”, afirmou S.D. Biju, cientista ambiental da Universidade de Déli, que liderou o estudo. “Até o momento não temos muitas informações sobre a alimentação. Acreditamos que se alimentem de minhocas.”

Biju e seus colegas chamaram a nova família deChikilidae e a descreveram no periódico The Proceedings of the Royal Society B.

Os próprios anfíbios se parecem com minhocas ou cobras pequenas, embora não sejam venenosos. Ao contrário das minhocas, eles possuem também uma espinha dorsal resistente.

Os pesquisadores suspeitam que a área de distribuição desses anfíbios se estenda até Mianmar, Butão e Nepal, afirmou Biju. Eles também parecem ter parentesco com outra família de anfíbios desprovidos de membros da África, que se separou da família indiana há 140 milhões de anos.

Biju afirmou que a descoberta enfatizou a necessidade de preservação dos anfíbios da Índia, onde espécies maiores e carismáticas como tigres e elefantes recebem muito mais atenção.

“A região nordeste da Índia vem sofrendo uma enorme destruição de habitats que se deve unicamente à indiferença dos seres humanos”, afirmou Biju. “Essa área é um grande foco de biodiversidade.”

Fonte: The New York Times


6 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Expedição descobre 365 espécies em parque no sul do Peru

Entre elas estão 30 pássaros, dois morcegos e 233 borboletas e mariposas.
Área é um santuário da vida selvagem, segundo grupo ambiental.

Foram encontradas 365 espécies novas para a ciência no Parque Nacional Bahuaja Sonene, no sul do Peru, informou na quinta-feira (2) a Sociedade de Conservação da Vida Selvagem. Entre as novas espécies estão 30 pássaros, como o gavião-águia preto-e-branco, dois morcegos e 233 borboletas e mariposas.

As espécies foram encontradas por uma equipe de quinze pesquisadores da Sociedade de Conservação da Vida Selvagem, que trabalha no parque desde 1996, com objetivo de realizar um inventório de espécies do local. Segundo a organização, o parque é um santuário protegido para a vida selvagem.

Além das novas espécies, o levantamento mostrou que a área abriga mais de 600 espécies de pássaros, 180 mamíferos, mais de 50 réptils e anfíbios, 180 peixes e 1.300 borboletas.

“A descoberta de mais espécies neste parque realça a importância dos projetos de conservação em curso na área”, afirmou Julien Kunen, diretor da sociedade para América Latina e Caribe. “Este parque é uma das joias da rede de áreas protegidas da América Latina”, considerou.

Rãs-folha gigantes estão entre as 50 espécies de répteis e anfíbios descobertas no parque  (Foto: Andre Baertschi )

Rãs-folha gigantes estão entre as 50 espécies de répteis e anfíbios descobertas no parque (Foto: Andre Baertschi )

O parque contém sete espécies de araras, entre elas a vermelha e a verde  (Foto: Carlos Sevillano)

O parque contém sete espécies de araras, entre elas a vermelha e a verde (Foto: Carlos Sevillano)

Foram encontradas 233 espécies de borboletas ainda não conhecidas pela ciência  (Foto: Carlos Sevillano)

Foram encontradas 233 espécies de borboletas ainda não conhecidas pela ciência (Foto: Carlos Sevillano)

Fonte: Globo Natureza


14 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Menores sapos do mundo são descobertos na Papua Nova Guiné

Animais do gênero ‘Paedophryne’ também são os menores vertebrados terrestres. Eles tem entre 8 e 9 milímetros de comprimento

Os menores sapos do mundo, com um comprimento de 8 a 9 milímetros, ou seja, menos de um centímetro, foram encontrados na Papua Nova Guiné. Eles pertencem ao gênero Paedophryne, cujas espécies são todas diminutas. O anúncio foi publicado na edição de dezembro da revistaZooKeys.

As duas novas espécies ganharam os nomes Paedophryne dekot Paedophryne verrucosa. Além de serem os menores sapos encontrados até agora, seu tamanho os torna os menores tetrápodes (vertebrados terrestres) do mundo. As espécies habitam as montanhas do sudoeste da Papua Nova Guiné e ilhes próximas. Os sapos procuram comida em folhas de plantas pequenas e em musgo.

“A miniaturização ocorre em muitos gêneros de sapos ao redor do mundo”, afirma o autor da descoberta, Fred Kraus, do Museu Bishop, em Honolulu. “Mas eles parecem particularmente bem representados aqui na Papua Nova Guiné, com sete gêneros apresentando o fenômeno. E embora a maioria dos gêneros tenha membros diminutos misturados com parentes maiores, o caso do Paedophryne é único, com todos as espécies minúsculas”, completa. As quatro espécies conhecidas tem o mesmo habitat.

O tamanho dos membros desse gênero impossibilita que os animais consigam escalar substâncias, como seus parentes maiores. Mas, segundo o autor, lhes dá a possibilidade de procurar comida em lugares onde sapos maiores não conseguem alcançar, como o musgo de pequenas folhas.

Também por causa do tamanho, as fêmeas dessas espécies não conseguem ter centenas de filhotes, como ocorre com sapos grandes. Cada uma delas produz apenas dois ovos e ainda não se sabe como funciona sua reprodução.

Sapos Paedophryne

Novas espécies de sapos são as menores conhecidas até hoje. Imagens A e B representam o Paedophryne dekot . As C e D são do Paedophryne verrucosa. (ZooKeys / Divulgação)

Fonte: Veja Ciência


7 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Descobertas duas novas espécies de sapo na Austrália

Anfíbios vivem no extremo norte do país.
Segundo cientista, eles são adaptados para viver em rochas.

Duas novas espécies de sapos que vivem na floresta do Cabo York, no norte da Austrália, foram descritas em edição recente da revista “Zootaxa”. Elas foram batizadas de Cophixalus kulakula e Cophilaxus pakayakulangun, e são parentes próximas entre si, embora vivam em lugares distintos.

Por outro lado, as espécies não se assemelham a outras espécies da região, o que leva a crer que tenha evoluído isoladamente – tão isoladas que sequer a população de aborígenes da área as conhecia.

Suas patas grandes e longas demonstram que os sapos estão adaptados a viver em rochas. Para a família a que pertencem, são relativamente grandes – medem cerca de 4 centímetros de comprimento. Seu principal alimento são as formigas.

Sapo1 (Foto: Reprodução)

Cophixalus kulakula (Foto: Reprodução)

 

Sapo2 (Foto: Reprodução)

Cophixalus pakayakulangun (Foto: Reprodução)

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


26 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Parte dos anfíbios do cerrado pode ser extinta até 2050, diz pesquisa

Animais seriam vítimas da mudança do clima e da expansão agrícola.
Estudo confirma existência de 204 espécies de anfíbios; 102 são endêmicas.

Mais da metade das espécies de anfíbios existentes apenas no cerrado brasileiro podem desaparecer devido às mudanças do clima e a políticas erradas de uso da terra. A conclusão é parte do projeto “Diversidade de anfíbios no cerrado e prioridades para sua conservação em cenários futuros de mudanças climáticas”, desenvolvido pela organização ambiental Pequi, com apoio da Fundação Boticário.

O estudo, que durou quatro anos e foi parte de duas teses de doutorado da Universidade Católica de Brasília, simulou o ambiente do cerrado em 2050, com temperatura 2ºC acima do normal, de acordo com previsão do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Tais características foram aliadas aos modelos atuais de políticas públicas, voltadas para a expansão agrícola na região, com dados sobre o desmatamento do bioma.

 

Segundo a pesquisa, espécies de anfíbios como sapos e pererecas existentes na região sul do bioma, área que abrange parte de Goiás, o oeste de Minas Gerais, oeste da Bahia e sul do Tocantins, poderiam desaparecer devido à destruição de seus habitats, que são áreas úmidas da floresta ou próximo de lagos ou cursos de água.

“A ausência de locais adequados para sobrevivência e a elevação da temperatura no cerrado fariam esses animais procurar por outras regiões amenas. A região de floresta mais próxima seria a Mata Atlântica, mas este bioma já praticamente desapareceu devido à expansão humana”, disse Débora Silvano, professora do curso de Ciências Biológicas da Universidade Católica de Brasília e coordenadora do estudo científico. “A falta de ambiente adequado deve impactar na sobrevivência das espécies de anfíbios”, explica.

perereca (Foto: Divulgação/Paula Valdujo)

Exemplar de perereca P. berohoca, que existe apenas no cerrado e pode desaparecer devido aos efeitos da mudança do clima e do mau uso da terra (Foto: Divulgação/Paula Valdujo)

Mapeamento
Segundo Débora, foram mapeados no cerrado 204 espécies de anfíbios, sendo que 102 são endêmicas (existem apenas em determinada localidade). Devido aos problemas ambientais citados, ao menos 50% dos animais que vivem somente no bioma desapareceriam, como a perereca P. berohoca e o sapinho B. sazimai.

A população desses animais já pode ter sido reduzida neste ano devido à alta incidência de queimadas no Centro-Oeste, que desde julho sofre com o longo período de estiagem. “Quando é o período de seca, os anfíbios costumam ficar enterrados em camadas úmidas do solo ou mesmo no interior da floresta. Se o fogo atingiu essas áreas, é provável que esses animais tenham sido atingidos”, complementa a pesquisadora.

Outro inimigo da biodiversidade local é o desmatamento. O cerrado brasileiro teve uma área desmatada de 6.469 quilômetros quadrados entre 2009 e 2010, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente. O número equivale a uma redução de 15,3% em relação à medição anterior (2008-2009), quando o bioma perdeu 7.637 quilômetros quadrados de área.

Em números absolutos, o estado que mais desmatou foi o Maranhão, com uma área de 1.587 km². Percentualmente, o Piauí foi o estado com maior perda de área – 979 km² ou 1,05% da área de cerrado do estado.

Soluções
O estudo conclui que para evitar a mortalidade de espécies, o governo deve criar sistemas de áreas protegidas conectadas, como unidades de conservação com corredores ecológicos, que possibilitaria a migração desses animais entre fragmentos de floresta.

“Isso evitaria a dispersão de espécies. Os anfíbios não conseguem ir muito longe devido à dificuldade de mobilidade. É preciso que o governo realize planejamentos para evitar o desmatamento do bioma, principalmente na porção sul”, afirma Débora.

sapinho (Foto: Divulgação/Paula Valdujo)

Espécime do sapinho B. sazimai, encontrada apenas no bioma que abrange grande parte do Centro-Oeste do Brasil (Foto: Divulgação/Paula Valdujo)

 

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


18 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Mais de 350 espécies dadas como extintas são ‘redescobertas’

Extinção é para sempre? Está mais para “eterna enquanto dura”, segundo uma nova pesquisa.

Centenas de espécies atuais dadas por extintas já foram redescobertas na natureza, principalmente nas regiões tropicais. A conclusão está em artigo no periódico “PLoS One”.

Os autores, pesquisadores de Cingapura, da Austrália e dos EUA, vasculharam a literatura científica em busca de casos de espécies que pareciam ter sumido, mas foram “ressuscitadas” mais tarde.

Eles concluíram que, no período de 120 anos, 351 espécies foram redescobertas: 104 anfíbios, 144 aves e 103 mamíferos – o estudo só abordou esses três grupos. Em média, um animal ficava sumido por 61 anos.

As redescobertas se concentram no hemisfério Sul, nas matas tropicais e subtropicais da América do Sul, da África, de Madagáscar, da Índia e da Nova Guiné.

Boa ou má notícia? – Os cientistas se surpreenderam com o aumento da taxa de redescobertas ao longo dos anos. “Ficamos surpresos, especificamente por ver que a taxa de espécies ameaçadas é exponencialmente crescente, enquanto que poucas espécies que são redescobertas não são ameaçadas”, diz à Folha o primeiro autor Brett Scheffers do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Nacional de Cingapura.

O lado bom disso é que “redescobrir espécies consideradas extintas demonstra um aumento no esforço e na área coberta por expedições de coleta e observação”, disse à Folha Carlos Joly, professor da Unicamp e coordenador geral do Programa Biota, financiado pela Fapesp.

Por outro lado, os autores da pesquisa alertam: “Isso [o dado sobre redescobertas] pode fazer o público achar que a crise da biodiversidade não é tão grande como se fala ou causar uma perda de credibilidade dos cientistas”.

Para eles, pode-se dizer até que as redescobertas também cresceram devido ao aumento do número de espécies ameaçadas e consideradas extintas -quanto maior a lista, maior também a chance de algum bicho ainda viver.

O fato é que a crise de extinção é bem real. Calcula-se que a biodiversidade da Terra está sendo perdida a uma taxa até mil vezes mais rápida do que o ritmo natural.

Hoje, 30% de todos os anfíbios, 12% das aves e 21% dos mamíferos estão extintos ou ameaçados de extinção. O Brasil tem hoje 486 espécies na chamada Lista Vermelha de animais em risco.

“Existem provavelmente muitas espécies ainda esperando para serem redescobertas, no entanto, encontrá-las é uma corrida contra o tempo” diz Scheffers à Folha.

Segunda extinção – Nem bem ressuscitadas, a maioria das espécies redescobertas já está com o pé na cova. Mais de 90% dos anfíbios, 86% das aves e 86% dos mamíferos reencontrados estão altamente ameaçados, têm distribuição restrita e populações pequenas.

Muitas das 351 espécies “salvas” da extinção irão sumir de vez sem medidas agressivas de conservação.

“Para melhorar a conservação dessas espécies altamente ameaçadas e pouco estudadas, temos que promover e continuar a apoiar estudos ecológicos básicos e pesquisas biológicas. Isto pode ser feito através do maior financiamento ou simplificação do processo para a autorização de pesquisas em áreas pouco conhecidas, especialmente nos trópicos. Só assim podemos reprimir extinções futuras”, segundo Scheffers.

Para os autores, o Brasil foi um dos países com mais redescobertas para todos os grupo estudados –anfíbios, aves e mamíferos.

“Isto era esperado, já que o Brasil é um país rico em biodiversidade, mas também um país com uma história de alta perda de habitat e degradação. Isto faz do Brasil um candidato principal para muitas redescobertas de qualquer espécie que não tenha sido vista por muitos anos ou espécies tidas por extintas e, mais tarde redescobertas”, comentou Scheffers.

Em território brasileiro, umas das espécies da lista é o macaco-prego-galego (Cebus flavius). Esse primata loiro tinha sido visto pela última vez em 1774, por naturalistas europeus, e redescoberto apenas em 2006.

A situação atual dele é de risco extremamente alto de extinção. Estima-se que existam oito populações, com um total de até 300 indivíduos, sobrevivendo apenas em alguns poucos fragmentos de mata atlântica dos Estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Scheffers aponta que a “perda de floresta diminuiu no Brasil, especialmente nos últimos anos, no entanto os sucessos de conservação no futuro exigirá ao Brasil manter uma atitude positiva frente à conservação, fornecendo apoio contínuo (por exemplo, através de financiamento e aprovação de autorizações de pesquisa) para inventários biológicos”.

Fonte: Marco Varella/ Folha.com


16 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Som emitido por rã atrai igualmente fêmea e seu predador

Os machos da rã-túngara se reúnem em poças rasas à noite e entoam longos chamados de acasalamento. As fêmeas escutam esses sons, vão até eles e rapidamente escolhem os parceiros –lembra um pouco os encontros-relâmpago.

O som emitido pelo macho consiste de um lamento seguido por uma série de grunhidos. Uma nova pesquisa sugere que as fêmeas julgam os machos segundo esse sons -não pelo número absoluto, mas pela proporção em relação aos concorrentes.

Durante o estudo no Panamá, muitas fêmeas pareciam preferir dois grunhidos a um só. A maioria também não demonstrou preferência entre três e dois grunhidos.

“É um conceito com o qual os humanos conseguem se identificar”, diz Karin Akre, bióloga evolucionária da Universidade do Texas, que conduziu a pesquisa.

“Numa pilha de três e quatro laranjas, é muito fácil ver que uma delas tem mais, mas fica complicado notar a diferença entre 50 e 60 laranjas, embora a diferença absoluta seja maior.”

Mesma estratégia - As rãs não estão sozinhas à noite, e quem os rondam são os seus predadores, os morcegos. Surpreendentemente, os pesquisadores descobriram que os segundos também utilizam a mesma estratégia das fêmeas de rãs na hora de selecionar uma presa.

Como no acasalamento entre os anfíbios, os morcegos são atraídos pelos machos que emitem mais grunhidos e fazem a escolha segundo a proporção, e não pela diferença absoluta.

“Eles demonstram ter exatamente a mesma preferência”, comenta Akre.

“É surpreendente e interessante que ambas compartilhem essa habilidade cognitiva”, acrescenta, dada a diferença nos sistemas auditivos das duas espécies (uma é mamífera e a outra, anfíbia),

O estudo está publicado na edição atual da “Science”.

Fonte: Folha.com


17 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Salamandra da Guatemala e rã peruana correm risco de extinção

Lista de ONG aponta que 41% dos anfíbios no mundo estão ameaçados.
Poluição e destruição dos habitats são principais causas.

A rã arlequim do Peru (Atelopus patazensis) e uma salamandra anã da Guatemala (Dendrotriton chujurum) entraram na lista de espécies em perigo crítico de extinção elaborada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).

Segundo a última edição da Lista Vermelha da IUCN de espécies ameaçadas, divulgada nesta quarta-feira (15), dos 19 anfíbios que passaram a integrar a lista, oito estão em perigo crítico de extinção, casos da rã arlequim e da salamandra guatemalense.

Os dados da IUCN apontam que 41% do total de anfíbios de todo o mundo estão ameaçados, principalmente pela destruição de seus habitats, poluição, doenças e a presença de espécies invasoras.

Além disso, foi realizada pela primeira vez a avaliação das 248 espécies de lagostas existentes, sendo que 35% foram classificadas na categoria “dados insuficientes”, inclusive a lagosta comum do Caribe (Panulirus argus).

As povoações de lagosta diminuem em virtude da exploração excessiva, uma vez que cerca de 1,2 bilhões de pessoas no mundo dependem das espécies marinhas como alimento e meio de subsistência. No entanto, não existem dados confiáveis sobre os níveis de pesca e captura das espécies para avaliar sua situação e ameaça de extinção.

A boa notícia foi trazida pelo Órix da Arábia, também conhecido como antílope branco, que foi eliminado da lista de espécies em perigo de extinção para passar à de espécie vulnerável. O Órix da Arábia é encontrado na Península Arábica, onde foi caçado em 1972 o último exemplar silvestre da espécie.

Neste ano, graças à criação em cativeiro e a bem-sucedidas ações de reintrodução, o Órix não corre mais o risco de desaparecer, sendo a primeira vez que uma espécie que chegou a estar extinta abandona esta categoria. Sua população silvestre já conta com mil espécimes.

Imagem de rã da espécie Atelopus patazensis que corre risco de extinção, segundo ONG ambiental (Foto: Alessandro Catenazzi/IUCN)

Imagem de rã da espécie Atelopus patazensis que corre risco de extinção, segundo ONG ambiental (Foto: Alessandro Catenazzi/IUCN)

 

Fonte: Da EFE


14 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Documentário revela segredo da monogamia de rã

Pesquisadores americanos identificaram causa da fidelidade em espécie da selva peruana.

Pesquisadores americanos descobriram nas selvas peruanas o primeiro anfíbio monogâmico, e agora revelam pela primeira vez, em um documentário da BBC, o segredo desse comportamento sexual da espécie.

Machos e as fêmeas precisam trabalhar juntos para viabilizar continuidade da espécie.

Testes genéticos revelaram que os machos e as fêmeas da espécie Ranitomeya imitator se mantêm fiéis uns aos outros.

Em uma pesquisa publicada na revista científica “The American Naturalist”, os cientistas afirmam que um único detalhe – o tamanho dos reservatórios de água nos quais as fêmeas depositam seus ovos – é responsável por impedir que as rãs dessa espécie tenham relações sexuais com parceiros diferentes.

 

Segundo os cientistas, essa é a melhor evidência já documentada de que a monogamia teria uma única causa.

 

Ovos

Após a cópula, a fêmea da rã coloca seus ovos sobre a superfície de folhas.

 

O macho leva então os girinos que vão nascendo, um a um, carregando-os nas costas, para reservatórios d’água que se acumulam em folhas de bromélias que crescem em galhos no alto de árvores.

 

Cada um dos girinos é colocado em sua própria “piscina”, da qual o macho toma conta.

 

Quando os girinos ficam com fome, o macho chama a fêmea, que chega para colocar um ovo não fertilizado em cada corpo d’água, que o girino come para se alimentar.

 

Os machos e as fêmeas parecem atuar em conjunto, e as novas pesquisas revelaram a extensão de sua fidelidade.

 

Análises genéticas

“Essa é a primeira descoberta de um anfíbio verdadeiramente monogâmico”, afirma o coordenador do estudo, o biólogo Jason Brown, da Universidade East Carolina, em Greenville.

 

Brown e outros pesquisadores da universidade vêm estudando extensivamente nos últimos anos a espécie, que foi filmada para o documentário da BBC.

 

Muitos animais parecem ser monogâmicos, com machos e fêmeas formando pares que muitas vezes parecem durar toda a vida.

 

Mas a recente explosão em análises genéticas revelaram que muitas dessas chamadas relações não eram monogâmicas na realidade.

 

Enquanto muitos animais podem permanecer juntos e se reproduzir, eles com frequência escapam para trocar de parceiros quando têm uma chance.

 

Por meio de exames de DNA, a equipe de Brown analisou 12 famílias de rãs da espécie Ranitomeya imitator, das quais 11 pares se mantiveram fiéis uns aos outros, enquanto na 12ª família o macho copulou com duas fêmeas diferentes.

 

Diferenças

Eles verificaram diferenças em relação a outra espécie semelhante, Ranitomeya variabilis, que se mostrou mais promíscua.

 

As fêmeas dessa segunda espécie coloca seus ovos em corpos d’água cerca de cinco vezes maiores na média do que os da primeira.

 

Além disso, as fêmeas da Ranitomeya variabilis não têm nenhum papel no acompanhamento do desenvolvimento dos girinos, deixado a tarefa a cargo somente dos machos.

 

Quando os pesquisadores transportaram os girinos de ambas as espécies para reservatórios d’água de diferentes tamanhos, verificaram que os girinos cresciam mais rapidamente nos corpos d’água maiores, que contêm mais nutrientes, e que não podiam sobreviver sozinhos nos menores.

 

Isso sugere que os machos e as fêmeas das rãs da espécie Ranitomeya variabilis não precisam se manter juntos, já que seus girinos podem sobreviver sem necessitar da ajuda das mães para se alimentar.

 

Como os girinos da espécie Ranitomeya imitator não conseguem sobreviver sozinhos sem o cuidado tanto dos pais quanto das mães, ambos se mantêm juntos.

Casais da espécie 'Ranitomeya imitator' se mantêm fiéis (Foto: BBC Earth News)

Casais da espécie 'Ranitomeya imitator' se mantêm fiéis (Foto: BBC Earth News)

 

Fonte: Da BBC


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Pesquisa brasileira descobre que sapo esguicha jatos de veneno

Espécie amazônica libera líquido com toxinas que alcança até dois metros.
Alvo do sapo é atingir mucosa dos olhos e da boca.

Pesquisadores do Instituto Butantan, de São Paulo, descobriram que a espécie de sapo Rhaebo guttatus, endêmica da Amazônia, pode ser o primeiro anfíbio que apresenta táticas de autodefesa ao esguichar veneno nos predadores para causar neles infecções graves.

Esta diferença foi notada por especialistas de diversas universidades, entre elas a de São Paulo e a Estadual de Campinas, durante incursões na floresta amazônica. Eles perceberam que este anfíbio faz movimentações corporais que comprimem glândulas nas costas e liberam jatos de venenos que podem atingir até dois metros de distância.

De acordo com Carlos Jared, diretor do laboratório de Biologia Celular do instituto, o alvo principal do veneno são os olhos ou a boca, já que seu conteúdo só interage com a mucosa — que leva as toxinas para a corrente sanguínea.

“É uma coisa fora dos padrões dos anuros [ordem dos animais a qual pertence os anfíbios]. As outras espécies de sapos só liberam veneno quando são ‘mastigados’ por presas. E já oRhaebo guttatus encontrado na Amazônia o esguicha com precisão”, disse Jared.

Entretanto, seu grau de letalidade é 30% menor ao dos venenos de outros exemplares – que podem até causar a morte dos predadores. “A intenção deste sapo é dar um ‘chega pra lá’ nas presas. No ser humano não sabemos qual é o efeito, já que nunca houve casos de contaminação”, explica.

Folclore
O pesquisador afirma que esse fato explicaria o folclore de que as pessoas tinham que tomar cuidado com os sapos, porque eles soltariam jatos nos olhos.

“Isto pode ter vindo da época do descobrimento da região amazônica, há séculos. Mas isso só faz sentido se for na área de floresta, já que esta espécie perde as propriedades de ataque se for mantida em cativeiro”, explica.

Veneno como medicamento
Jared afirma que essa característica foi descrita por brasileiros na publicação científica “Amphibia-Reptilia”, 200 anos depois da espécie ter sido descoberta.

Ele afirma que o veneno da espécie é composto por substâncias como esteróides e lipídeos, bem diferente das toxinas encontradas em outros anfíbios. Além disso, o líquido liberado peloRhaebo guttatus pode auxiliar cientistas no combate a fungos.

“Ele tem uma propriedade ativa de fungicida por andar no chão da floresta. A médio prazo, pretendemos desenvolver uma fórmula de medicamento contra esse tipo de inflamação”, diz.

Sapo amazônico (Foto: Divulgação)

Exemplar do sapo 'Rhaebo guttatus', encontrado apenas na floresta amazônica. Espécie libera jatos de veneno contra predadores. (Foto: Divulgação)

Click e veja o vídeo: http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/03/pesquisa-brasileira-descobre-que-sapo-esguicha-jatos-de-veneno.html

Fonte: Globo Natureza


12 de março de 2012 | nenhum comentário »

Descobertas na Índia novas espécies de anfíbios sem patas

Pesquisadores suspeitam que a área de distribuição desses anfíbios se estenda até Mianmar, Butão e Nepal

Foto: S.D. Biju via The New York Times - Pesquisadores identificaram cinco espécies de anfíbios sem patas em 250 localidades do território indiano

Uma nova família de anfíbios, sem membros ou cauda, foi descoberta no nordeste da Índia. No decorrer de cinco anos, os pesquisadores identificaram cinco espécies pertencentes a essa família em 250 localidades de todo o vasto território.

Os anfíbios são escavadores e passam toda a vida debaixo da terra.

“O ciclo de vida completo, tudo ocorre debaixo do solo”, afirmou S.D. Biju, cientista ambiental da Universidade de Déli, que liderou o estudo. “Até o momento não temos muitas informações sobre a alimentação. Acreditamos que se alimentem de minhocas.”

Biju e seus colegas chamaram a nova família deChikilidae e a descreveram no periódico The Proceedings of the Royal Society B.

Os próprios anfíbios se parecem com minhocas ou cobras pequenas, embora não sejam venenosos. Ao contrário das minhocas, eles possuem também uma espinha dorsal resistente.

Os pesquisadores suspeitam que a área de distribuição desses anfíbios se estenda até Mianmar, Butão e Nepal, afirmou Biju. Eles também parecem ter parentesco com outra família de anfíbios desprovidos de membros da África, que se separou da família indiana há 140 milhões de anos.

Biju afirmou que a descoberta enfatizou a necessidade de preservação dos anfíbios da Índia, onde espécies maiores e carismáticas como tigres e elefantes recebem muito mais atenção.

“A região nordeste da Índia vem sofrendo uma enorme destruição de habitats que se deve unicamente à indiferença dos seres humanos”, afirmou Biju. “Essa área é um grande foco de biodiversidade.”

Fonte: The New York Times


6 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Expedição descobre 365 espécies em parque no sul do Peru

Entre elas estão 30 pássaros, dois morcegos e 233 borboletas e mariposas.
Área é um santuário da vida selvagem, segundo grupo ambiental.

Foram encontradas 365 espécies novas para a ciência no Parque Nacional Bahuaja Sonene, no sul do Peru, informou na quinta-feira (2) a Sociedade de Conservação da Vida Selvagem. Entre as novas espécies estão 30 pássaros, como o gavião-águia preto-e-branco, dois morcegos e 233 borboletas e mariposas.

As espécies foram encontradas por uma equipe de quinze pesquisadores da Sociedade de Conservação da Vida Selvagem, que trabalha no parque desde 1996, com objetivo de realizar um inventório de espécies do local. Segundo a organização, o parque é um santuário protegido para a vida selvagem.

Além das novas espécies, o levantamento mostrou que a área abriga mais de 600 espécies de pássaros, 180 mamíferos, mais de 50 réptils e anfíbios, 180 peixes e 1.300 borboletas.

“A descoberta de mais espécies neste parque realça a importância dos projetos de conservação em curso na área”, afirmou Julien Kunen, diretor da sociedade para América Latina e Caribe. “Este parque é uma das joias da rede de áreas protegidas da América Latina”, considerou.

Rãs-folha gigantes estão entre as 50 espécies de répteis e anfíbios descobertas no parque  (Foto: Andre Baertschi )

Rãs-folha gigantes estão entre as 50 espécies de répteis e anfíbios descobertas no parque (Foto: Andre Baertschi )

O parque contém sete espécies de araras, entre elas a vermelha e a verde  (Foto: Carlos Sevillano)

O parque contém sete espécies de araras, entre elas a vermelha e a verde (Foto: Carlos Sevillano)

Foram encontradas 233 espécies de borboletas ainda não conhecidas pela ciência  (Foto: Carlos Sevillano)

Foram encontradas 233 espécies de borboletas ainda não conhecidas pela ciência (Foto: Carlos Sevillano)

Fonte: Globo Natureza


14 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Menores sapos do mundo são descobertos na Papua Nova Guiné

Animais do gênero ‘Paedophryne’ também são os menores vertebrados terrestres. Eles tem entre 8 e 9 milímetros de comprimento

Os menores sapos do mundo, com um comprimento de 8 a 9 milímetros, ou seja, menos de um centímetro, foram encontrados na Papua Nova Guiné. Eles pertencem ao gênero Paedophryne, cujas espécies são todas diminutas. O anúncio foi publicado na edição de dezembro da revistaZooKeys.

As duas novas espécies ganharam os nomes Paedophryne dekot Paedophryne verrucosa. Além de serem os menores sapos encontrados até agora, seu tamanho os torna os menores tetrápodes (vertebrados terrestres) do mundo. As espécies habitam as montanhas do sudoeste da Papua Nova Guiné e ilhes próximas. Os sapos procuram comida em folhas de plantas pequenas e em musgo.

“A miniaturização ocorre em muitos gêneros de sapos ao redor do mundo”, afirma o autor da descoberta, Fred Kraus, do Museu Bishop, em Honolulu. “Mas eles parecem particularmente bem representados aqui na Papua Nova Guiné, com sete gêneros apresentando o fenômeno. E embora a maioria dos gêneros tenha membros diminutos misturados com parentes maiores, o caso do Paedophryne é único, com todos as espécies minúsculas”, completa. As quatro espécies conhecidas tem o mesmo habitat.

O tamanho dos membros desse gênero impossibilita que os animais consigam escalar substâncias, como seus parentes maiores. Mas, segundo o autor, lhes dá a possibilidade de procurar comida em lugares onde sapos maiores não conseguem alcançar, como o musgo de pequenas folhas.

Também por causa do tamanho, as fêmeas dessas espécies não conseguem ter centenas de filhotes, como ocorre com sapos grandes. Cada uma delas produz apenas dois ovos e ainda não se sabe como funciona sua reprodução.

Sapos Paedophryne

Novas espécies de sapos são as menores conhecidas até hoje. Imagens A e B representam o Paedophryne dekot . As C e D são do Paedophryne verrucosa. (ZooKeys / Divulgação)

Fonte: Veja Ciência


7 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Descobertas duas novas espécies de sapo na Austrália

Anfíbios vivem no extremo norte do país.
Segundo cientista, eles são adaptados para viver em rochas.

Duas novas espécies de sapos que vivem na floresta do Cabo York, no norte da Austrália, foram descritas em edição recente da revista “Zootaxa”. Elas foram batizadas de Cophixalus kulakula e Cophilaxus pakayakulangun, e são parentes próximas entre si, embora vivam em lugares distintos.

Por outro lado, as espécies não se assemelham a outras espécies da região, o que leva a crer que tenha evoluído isoladamente – tão isoladas que sequer a população de aborígenes da área as conhecia.

Suas patas grandes e longas demonstram que os sapos estão adaptados a viver em rochas. Para a família a que pertencem, são relativamente grandes – medem cerca de 4 centímetros de comprimento. Seu principal alimento são as formigas.

Sapo1 (Foto: Reprodução)

Cophixalus kulakula (Foto: Reprodução)

 

Sapo2 (Foto: Reprodução)

Cophixalus pakayakulangun (Foto: Reprodução)

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


26 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Parte dos anfíbios do cerrado pode ser extinta até 2050, diz pesquisa

Animais seriam vítimas da mudança do clima e da expansão agrícola.
Estudo confirma existência de 204 espécies de anfíbios; 102 são endêmicas.

Mais da metade das espécies de anfíbios existentes apenas no cerrado brasileiro podem desaparecer devido às mudanças do clima e a políticas erradas de uso da terra. A conclusão é parte do projeto “Diversidade de anfíbios no cerrado e prioridades para sua conservação em cenários futuros de mudanças climáticas”, desenvolvido pela organização ambiental Pequi, com apoio da Fundação Boticário.

O estudo, que durou quatro anos e foi parte de duas teses de doutorado da Universidade Católica de Brasília, simulou o ambiente do cerrado em 2050, com temperatura 2ºC acima do normal, de acordo com previsão do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Tais características foram aliadas aos modelos atuais de políticas públicas, voltadas para a expansão agrícola na região, com dados sobre o desmatamento do bioma.

 

Segundo a pesquisa, espécies de anfíbios como sapos e pererecas existentes na região sul do bioma, área que abrange parte de Goiás, o oeste de Minas Gerais, oeste da Bahia e sul do Tocantins, poderiam desaparecer devido à destruição de seus habitats, que são áreas úmidas da floresta ou próximo de lagos ou cursos de água.

“A ausência de locais adequados para sobrevivência e a elevação da temperatura no cerrado fariam esses animais procurar por outras regiões amenas. A região de floresta mais próxima seria a Mata Atlântica, mas este bioma já praticamente desapareceu devido à expansão humana”, disse Débora Silvano, professora do curso de Ciências Biológicas da Universidade Católica de Brasília e coordenadora do estudo científico. “A falta de ambiente adequado deve impactar na sobrevivência das espécies de anfíbios”, explica.

perereca (Foto: Divulgação/Paula Valdujo)

Exemplar de perereca P. berohoca, que existe apenas no cerrado e pode desaparecer devido aos efeitos da mudança do clima e do mau uso da terra (Foto: Divulgação/Paula Valdujo)

Mapeamento
Segundo Débora, foram mapeados no cerrado 204 espécies de anfíbios, sendo que 102 são endêmicas (existem apenas em determinada localidade). Devido aos problemas ambientais citados, ao menos 50% dos animais que vivem somente no bioma desapareceriam, como a perereca P. berohoca e o sapinho B. sazimai.

A população desses animais já pode ter sido reduzida neste ano devido à alta incidência de queimadas no Centro-Oeste, que desde julho sofre com o longo período de estiagem. “Quando é o período de seca, os anfíbios costumam ficar enterrados em camadas úmidas do solo ou mesmo no interior da floresta. Se o fogo atingiu essas áreas, é provável que esses animais tenham sido atingidos”, complementa a pesquisadora.

Outro inimigo da biodiversidade local é o desmatamento. O cerrado brasileiro teve uma área desmatada de 6.469 quilômetros quadrados entre 2009 e 2010, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente. O número equivale a uma redução de 15,3% em relação à medição anterior (2008-2009), quando o bioma perdeu 7.637 quilômetros quadrados de área.

Em números absolutos, o estado que mais desmatou foi o Maranhão, com uma área de 1.587 km². Percentualmente, o Piauí foi o estado com maior perda de área – 979 km² ou 1,05% da área de cerrado do estado.

Soluções
O estudo conclui que para evitar a mortalidade de espécies, o governo deve criar sistemas de áreas protegidas conectadas, como unidades de conservação com corredores ecológicos, que possibilitaria a migração desses animais entre fragmentos de floresta.

“Isso evitaria a dispersão de espécies. Os anfíbios não conseguem ir muito longe devido à dificuldade de mobilidade. É preciso que o governo realize planejamentos para evitar o desmatamento do bioma, principalmente na porção sul”, afirma Débora.

sapinho (Foto: Divulgação/Paula Valdujo)

Espécime do sapinho B. sazimai, encontrada apenas no bioma que abrange grande parte do Centro-Oeste do Brasil (Foto: Divulgação/Paula Valdujo)

 

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


18 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Mais de 350 espécies dadas como extintas são ‘redescobertas’

Extinção é para sempre? Está mais para “eterna enquanto dura”, segundo uma nova pesquisa.

Centenas de espécies atuais dadas por extintas já foram redescobertas na natureza, principalmente nas regiões tropicais. A conclusão está em artigo no periódico “PLoS One”.

Os autores, pesquisadores de Cingapura, da Austrália e dos EUA, vasculharam a literatura científica em busca de casos de espécies que pareciam ter sumido, mas foram “ressuscitadas” mais tarde.

Eles concluíram que, no período de 120 anos, 351 espécies foram redescobertas: 104 anfíbios, 144 aves e 103 mamíferos – o estudo só abordou esses três grupos. Em média, um animal ficava sumido por 61 anos.

As redescobertas se concentram no hemisfério Sul, nas matas tropicais e subtropicais da América do Sul, da África, de Madagáscar, da Índia e da Nova Guiné.

Boa ou má notícia? – Os cientistas se surpreenderam com o aumento da taxa de redescobertas ao longo dos anos. “Ficamos surpresos, especificamente por ver que a taxa de espécies ameaçadas é exponencialmente crescente, enquanto que poucas espécies que são redescobertas não são ameaçadas”, diz à Folha o primeiro autor Brett Scheffers do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Nacional de Cingapura.

O lado bom disso é que “redescobrir espécies consideradas extintas demonstra um aumento no esforço e na área coberta por expedições de coleta e observação”, disse à Folha Carlos Joly, professor da Unicamp e coordenador geral do Programa Biota, financiado pela Fapesp.

Por outro lado, os autores da pesquisa alertam: “Isso [o dado sobre redescobertas] pode fazer o público achar que a crise da biodiversidade não é tão grande como se fala ou causar uma perda de credibilidade dos cientistas”.

Para eles, pode-se dizer até que as redescobertas também cresceram devido ao aumento do número de espécies ameaçadas e consideradas extintas -quanto maior a lista, maior também a chance de algum bicho ainda viver.

O fato é que a crise de extinção é bem real. Calcula-se que a biodiversidade da Terra está sendo perdida a uma taxa até mil vezes mais rápida do que o ritmo natural.

Hoje, 30% de todos os anfíbios, 12% das aves e 21% dos mamíferos estão extintos ou ameaçados de extinção. O Brasil tem hoje 486 espécies na chamada Lista Vermelha de animais em risco.

“Existem provavelmente muitas espécies ainda esperando para serem redescobertas, no entanto, encontrá-las é uma corrida contra o tempo” diz Scheffers à Folha.

Segunda extinção – Nem bem ressuscitadas, a maioria das espécies redescobertas já está com o pé na cova. Mais de 90% dos anfíbios, 86% das aves e 86% dos mamíferos reencontrados estão altamente ameaçados, têm distribuição restrita e populações pequenas.

Muitas das 351 espécies “salvas” da extinção irão sumir de vez sem medidas agressivas de conservação.

“Para melhorar a conservação dessas espécies altamente ameaçadas e pouco estudadas, temos que promover e continuar a apoiar estudos ecológicos básicos e pesquisas biológicas. Isto pode ser feito através do maior financiamento ou simplificação do processo para a autorização de pesquisas em áreas pouco conhecidas, especialmente nos trópicos. Só assim podemos reprimir extinções futuras”, segundo Scheffers.

Para os autores, o Brasil foi um dos países com mais redescobertas para todos os grupo estudados –anfíbios, aves e mamíferos.

“Isto era esperado, já que o Brasil é um país rico em biodiversidade, mas também um país com uma história de alta perda de habitat e degradação. Isto faz do Brasil um candidato principal para muitas redescobertas de qualquer espécie que não tenha sido vista por muitos anos ou espécies tidas por extintas e, mais tarde redescobertas”, comentou Scheffers.

Em território brasileiro, umas das espécies da lista é o macaco-prego-galego (Cebus flavius). Esse primata loiro tinha sido visto pela última vez em 1774, por naturalistas europeus, e redescoberto apenas em 2006.

A situação atual dele é de risco extremamente alto de extinção. Estima-se que existam oito populações, com um total de até 300 indivíduos, sobrevivendo apenas em alguns poucos fragmentos de mata atlântica dos Estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Scheffers aponta que a “perda de floresta diminuiu no Brasil, especialmente nos últimos anos, no entanto os sucessos de conservação no futuro exigirá ao Brasil manter uma atitude positiva frente à conservação, fornecendo apoio contínuo (por exemplo, através de financiamento e aprovação de autorizações de pesquisa) para inventários biológicos”.

Fonte: Marco Varella/ Folha.com


16 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Som emitido por rã atrai igualmente fêmea e seu predador

Os machos da rã-túngara se reúnem em poças rasas à noite e entoam longos chamados de acasalamento. As fêmeas escutam esses sons, vão até eles e rapidamente escolhem os parceiros –lembra um pouco os encontros-relâmpago.

O som emitido pelo macho consiste de um lamento seguido por uma série de grunhidos. Uma nova pesquisa sugere que as fêmeas julgam os machos segundo esse sons -não pelo número absoluto, mas pela proporção em relação aos concorrentes.

Durante o estudo no Panamá, muitas fêmeas pareciam preferir dois grunhidos a um só. A maioria também não demonstrou preferência entre três e dois grunhidos.

“É um conceito com o qual os humanos conseguem se identificar”, diz Karin Akre, bióloga evolucionária da Universidade do Texas, que conduziu a pesquisa.

“Numa pilha de três e quatro laranjas, é muito fácil ver que uma delas tem mais, mas fica complicado notar a diferença entre 50 e 60 laranjas, embora a diferença absoluta seja maior.”

Mesma estratégia - As rãs não estão sozinhas à noite, e quem os rondam são os seus predadores, os morcegos. Surpreendentemente, os pesquisadores descobriram que os segundos também utilizam a mesma estratégia das fêmeas de rãs na hora de selecionar uma presa.

Como no acasalamento entre os anfíbios, os morcegos são atraídos pelos machos que emitem mais grunhidos e fazem a escolha segundo a proporção, e não pela diferença absoluta.

“Eles demonstram ter exatamente a mesma preferência”, comenta Akre.

“É surpreendente e interessante que ambas compartilhem essa habilidade cognitiva”, acrescenta, dada a diferença nos sistemas auditivos das duas espécies (uma é mamífera e a outra, anfíbia),

O estudo está publicado na edição atual da “Science”.

Fonte: Folha.com


17 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Salamandra da Guatemala e rã peruana correm risco de extinção

Lista de ONG aponta que 41% dos anfíbios no mundo estão ameaçados.
Poluição e destruição dos habitats são principais causas.

A rã arlequim do Peru (Atelopus patazensis) e uma salamandra anã da Guatemala (Dendrotriton chujurum) entraram na lista de espécies em perigo crítico de extinção elaborada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).

Segundo a última edição da Lista Vermelha da IUCN de espécies ameaçadas, divulgada nesta quarta-feira (15), dos 19 anfíbios que passaram a integrar a lista, oito estão em perigo crítico de extinção, casos da rã arlequim e da salamandra guatemalense.

Os dados da IUCN apontam que 41% do total de anfíbios de todo o mundo estão ameaçados, principalmente pela destruição de seus habitats, poluição, doenças e a presença de espécies invasoras.

Além disso, foi realizada pela primeira vez a avaliação das 248 espécies de lagostas existentes, sendo que 35% foram classificadas na categoria “dados insuficientes”, inclusive a lagosta comum do Caribe (Panulirus argus).

As povoações de lagosta diminuem em virtude da exploração excessiva, uma vez que cerca de 1,2 bilhões de pessoas no mundo dependem das espécies marinhas como alimento e meio de subsistência. No entanto, não existem dados confiáveis sobre os níveis de pesca e captura das espécies para avaliar sua situação e ameaça de extinção.

A boa notícia foi trazida pelo Órix da Arábia, também conhecido como antílope branco, que foi eliminado da lista de espécies em perigo de extinção para passar à de espécie vulnerável. O Órix da Arábia é encontrado na Península Arábica, onde foi caçado em 1972 o último exemplar silvestre da espécie.

Neste ano, graças à criação em cativeiro e a bem-sucedidas ações de reintrodução, o Órix não corre mais o risco de desaparecer, sendo a primeira vez que uma espécie que chegou a estar extinta abandona esta categoria. Sua população silvestre já conta com mil espécimes.

Imagem de rã da espécie Atelopus patazensis que corre risco de extinção, segundo ONG ambiental (Foto: Alessandro Catenazzi/IUCN)

Imagem de rã da espécie Atelopus patazensis que corre risco de extinção, segundo ONG ambiental (Foto: Alessandro Catenazzi/IUCN)

 

Fonte: Da EFE


14 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Documentário revela segredo da monogamia de rã

Pesquisadores americanos identificaram causa da fidelidade em espécie da selva peruana.

Pesquisadores americanos descobriram nas selvas peruanas o primeiro anfíbio monogâmico, e agora revelam pela primeira vez, em um documentário da BBC, o segredo desse comportamento sexual da espécie.

Machos e as fêmeas precisam trabalhar juntos para viabilizar continuidade da espécie.

Testes genéticos revelaram que os machos e as fêmeas da espécie Ranitomeya imitator se mantêm fiéis uns aos outros.

Em uma pesquisa publicada na revista científica “The American Naturalist”, os cientistas afirmam que um único detalhe – o tamanho dos reservatórios de água nos quais as fêmeas depositam seus ovos – é responsável por impedir que as rãs dessa espécie tenham relações sexuais com parceiros diferentes.

 

Segundo os cientistas, essa é a melhor evidência já documentada de que a monogamia teria uma única causa.

 

Ovos

Após a cópula, a fêmea da rã coloca seus ovos sobre a superfície de folhas.

 

O macho leva então os girinos que vão nascendo, um a um, carregando-os nas costas, para reservatórios d’água que se acumulam em folhas de bromélias que crescem em galhos no alto de árvores.

 

Cada um dos girinos é colocado em sua própria “piscina”, da qual o macho toma conta.

 

Quando os girinos ficam com fome, o macho chama a fêmea, que chega para colocar um ovo não fertilizado em cada corpo d’água, que o girino come para se alimentar.

 

Os machos e as fêmeas parecem atuar em conjunto, e as novas pesquisas revelaram a extensão de sua fidelidade.

 

Análises genéticas

“Essa é a primeira descoberta de um anfíbio verdadeiramente monogâmico”, afirma o coordenador do estudo, o biólogo Jason Brown, da Universidade East Carolina, em Greenville.

 

Brown e outros pesquisadores da universidade vêm estudando extensivamente nos últimos anos a espécie, que foi filmada para o documentário da BBC.

 

Muitos animais parecem ser monogâmicos, com machos e fêmeas formando pares que muitas vezes parecem durar toda a vida.

 

Mas a recente explosão em análises genéticas revelaram que muitas dessas chamadas relações não eram monogâmicas na realidade.

 

Enquanto muitos animais podem permanecer juntos e se reproduzir, eles com frequência escapam para trocar de parceiros quando têm uma chance.

 

Por meio de exames de DNA, a equipe de Brown analisou 12 famílias de rãs da espécie Ranitomeya imitator, das quais 11 pares se mantiveram fiéis uns aos outros, enquanto na 12ª família o macho copulou com duas fêmeas diferentes.

 

Diferenças

Eles verificaram diferenças em relação a outra espécie semelhante, Ranitomeya variabilis, que se mostrou mais promíscua.

 

As fêmeas dessa segunda espécie coloca seus ovos em corpos d’água cerca de cinco vezes maiores na média do que os da primeira.

 

Além disso, as fêmeas da Ranitomeya variabilis não têm nenhum papel no acompanhamento do desenvolvimento dos girinos, deixado a tarefa a cargo somente dos machos.

 

Quando os pesquisadores transportaram os girinos de ambas as espécies para reservatórios d’água de diferentes tamanhos, verificaram que os girinos cresciam mais rapidamente nos corpos d’água maiores, que contêm mais nutrientes, e que não podiam sobreviver sozinhos nos menores.

 

Isso sugere que os machos e as fêmeas das rãs da espécie Ranitomeya variabilis não precisam se manter juntos, já que seus girinos podem sobreviver sem necessitar da ajuda das mães para se alimentar.

 

Como os girinos da espécie Ranitomeya imitator não conseguem sobreviver sozinhos sem o cuidado tanto dos pais quanto das mães, ambos se mantêm juntos.

Casais da espécie 'Ranitomeya imitator' se mantêm fiéis (Foto: BBC Earth News)

Casais da espécie 'Ranitomeya imitator' se mantêm fiéis (Foto: BBC Earth News)

 

Fonte: Da BBC


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