7 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Biólogo encontra novo anfíbio em área de Mata Atlântica, no Paraná

Espécie foi descoberta em reserva da região de Guaraqueçaba.
Batizado de ‘Brachycephalus tridactylus’, anuro tem apenas três dedos.

Uma nova espécie de anfíbio anuro, como rãs e sapos, foi identificada na Reserva Natural Salto Morato, em Guaraqueçaba, litoral norte do Paraná, região da Mata Atlântica que tem mais de 50% de espécies endêmicas, mas é um dos maiores alvos de depredação do país.

A espécie Brachycephalus tridactylus, reconhecida oficialmente em junho de 2012 com a publicação de um artigo na revista científica internacional “Herpetologica”, foi descoberta em 2007 durante uma pesquisa conduzida pelo biólogo Michel Garey e uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

A característica mais evidente que diferenciou esta espécie é que possui apenas três dedos nas patas anteriores, por isso trydactilus (três dedos), diferente de outros do gênero “Brachycephalus” que apresentam quatro. Somente encontrado em topos de morros da Mata Atlântica, regiões mais úmidas e frias, a espécie apresenta coloração alaranjada, com tons de cinza ou verde-oliva nas laterais do corpo e pontos verde oliva na região do ventre.

Garey, que atualmente faz pós-doutorado na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de São José do Rio Preto, explica que as pesquisas em topos de montanhas e morros têm aumentado, o que cria oportunidades para a descoberta de novas espécies de anfíbios. Em 2011, aproximadamente 20 novas espécies de anfíbios foram descobertas no Brasil, de acordo com o pesquisador.

O professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), Miguel Trefaut Rodrigues, afirma que novas espécies de anfíbios têm sido encontradas sistematicamente. “A partir do advento das técnicas com acesso à base genética e fazendo comparações, a gente percebe que a diversidade que conhecíamos está muito subestimada”, diz o docente. “Além disso, é importante para conhecer a história dos biomas brasileiros.”

A dificuldade de acesso às áreas de pesquisa, porém, como por exemplo as regiões mais altas da reserva, que podem chegar a 930 metros acima do mar, e a falta de financiamento para custear as viagens podem comprometer o desenvolvimento de novos estudos.

“O estado de São Paulo é uma exceção, porque tem muito dinheiro. Em outros lugares do país a realidade é outra, é mais difícil. Falta investimento em outros Estados”, disse Garey. A pesquisa realizada na Reserva Natural Salto Morato foi financiada pela Fundação Grupo Boticário, que também mantém a Reserva Natural.

Destruição ambiental

Para o biólogo, a importância de listar mais uma espécie à vasta biodiversidade brasileira, ainda bastante desconhecida, é pautar medidas de conservação para preservar os habitats dos animais e dos biomas brasileiros.

“Toda nova espécie nos faz repensar medidas conservacionistas e também mostra que ainda tem muito a ser feito”, explica. “Igual à mudança de um Código Florestal, que, com a proposta de mudança, podemos estar perdendo espécies que ainda não são conhecidas em muitas áreas do Brasil, que podem ter potencial farmacológico”, acrescentando que é necessário ser cauteloso.

Segundo o professor Trefaut, muitas espécies não chegaram a ser conhecidas por causa da destruição ambiental e ainda “há muito por descrever” na floresta Atlântica, em que a maioria das espécies existe apenas nesta região. “Somos completamente ignorantes, não conhecemos a nossa biodiversidade. Com a destruição da floresta Atlântica, entre 7% e 10% da floresta permanece. Com essa alta diversidade, imagina o que a gente não perdeu?”

Para Trefaut, as poucas áreas de preservação que existem são pouco utilizadas e sem um planejamento para sanar a deficiência de conhecimento das áreas. “O ideal seria que cada reserva tivesse um comitê científico, formado por pessoas capacitadas em cada um dos grupos, e tivesse um planejamento, mas isso não tem avançado, especialmente face à depredação que viemos sofrendo”, afirmou.

 

Fonte: O Globo

 


15 de março de 2012 | nenhum comentário »

Menor espécie de sapo do Brasil é registrada no ES, diz pesquisadora

A descoberta foi feita na região de Serra das Torres, em Atílio Vivacqua.
Espécie mede entre 7 e10 milímetros de comprimentro.

A menor espécie de sapo do Brasil, e segunda do Hemisfério Sul, foi encontrada pela primeira vez no Espírito Santo, na região conhecida como Serra das Torres, em Atílio Vivacqua, no Sul do estado, e registrada pela pesquisadora do Programa de doutorado em Ecologia e Evolução da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Jane de Oliveira. O animal raro, já visto na Mata Atlântica carioca, fará parte de uma publicação cientifica em abril.

Segundo a pesquisadora, a espécie mede entre 7 e10 milímetros de comprimento, ou seja, o sapo caberia com sobra em uma moeda de cinco centavos. “Durante o curso de Mestrado, eu e a minha equipe encontramos uma espécie de anfíbio, o Brachycephalus didactylus, um morador do chão das florestas, que é possivelmente o menor animal vertebrado do Brasil e um dos menores do mundo”, conta.

Feliz com a descoberta, Jane de Oliveira chama a atenção para a importância doEspírito Santo para a ciência nacional. “Fazer o registro de uma espécie, com a ecologia ainda praticamente desconhecida para a ciência, no Espírito Santo, mostra o quanto este estado é importante biologicamente. Uma área devastada pode ser sinônimo da perda de dezenas de espécies, desconhecidas neste estado e mesmo para a ciência”, diz a pesquisadora.

Jane afirma que a espécie era conhecida apenas no Rio de Janeiro. “Este foi o primeiro registro dele fora do estado. É possível que a espécie exista também em outras localidades do Espírito Santo, porém a visualização destes sapos é muito difícil. É um animal minúsculo, de coloração idêntica às folhas mortas caídas no chão da mata, de movimentos lentos e que entra em atividade apenas durante a noite”, diz a pesquisadora.

Com uma adaptação curiosa entre os anfíbios, a espécie – que também é conhecida como sapo Pulga – sobrevive confortavelmente com a umidade das folhas. “É um animal com uma adaptação muito interessante. Ele sofreu redução no número de falanges e no número de dedos  apresentando apenas o equivalente ao nosso dedo médio. Além disso ele não vive em ambientes com água, como a maioria, para ele basta a umidade existente entre as folhas caídas”, afirma.

O menor sapo do Brasil mede entre entre 7 e10 milímetros de comprimentro (Foto: Renata Pagotto/ Divulgação)

O menor sapo do Brasil mede entre entre 7 e10 milímetros de comprimentro (Foto: Renata Pagotto/ Divulgação)

A visualização destes sapos é muito difícil porque, além de minúsculos, eles têm coloração idêntica às folhas (Foto: Renata Pagotto/ Divulgação)

A visualização destes sapos é muito difícil porque, além de minúsculos, eles têm coloração idêntica às folhas (Foto: Renata Pagotto/ Divulgação)

Fonte: Amanda Monteiro, Globo Natureza


15 de março de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisa brasileira descobre que sapo esguicha jatos de veneno

Espécie amazônica libera líquido com toxinas que alcança até dois metros.
Alvo do sapo é atingir mucosa dos olhos e da boca.

Pesquisadores do Instituto Butantan, de São Paulo, descobriram que a espécie de sapo Rhaebo guttatus, endêmica da Amazônia, pode ser o primeiro anfíbio que apresenta táticas de autodefesa ao esguichar veneno nos predadores para causar neles infecções graves.

Esta diferença foi notada por especialistas de diversas universidades, entre elas a de São Paulo e a Estadual de Campinas, durante incursões na floresta amazônica. Eles perceberam que este anfíbio faz movimentações corporais que comprimem glândulas nas costas e liberam jatos de venenos que podem atingir até dois metros de distância.

De acordo com Carlos Jared, diretor do laboratório de Biologia Celular do instituto, o alvo principal do veneno são os olhos ou a boca, já que seu conteúdo só interage com a mucosa — que leva as toxinas para a corrente sanguínea.

“É uma coisa fora dos padrões dos anuros [ordem dos animais a qual pertence os anfíbios]. As outras espécies de sapos só liberam veneno quando são ‘mastigados’ por presas. E já oRhaebo guttatus encontrado na Amazônia o esguicha com precisão”, disse Jared.

Entretanto, seu grau de letalidade é 30% menor ao dos venenos de outros exemplares – que podem até causar a morte dos predadores. “A intenção deste sapo é dar um ‘chega pra lá’ nas presas. No ser humano não sabemos qual é o efeito, já que nunca houve casos de contaminação”, explica.

Folclore
O pesquisador afirma que esse fato explicaria o folclore de que as pessoas tinham que tomar cuidado com os sapos, porque eles soltariam jatos nos olhos.

“Isto pode ter vindo da época do descobrimento da região amazônica, há séculos. Mas isso só faz sentido se for na área de floresta, já que esta espécie perde as propriedades de ataque se for mantida em cativeiro”, explica.

Veneno como medicamento
Jared afirma que essa característica foi descrita por brasileiros na publicação científica “Amphibia-Reptilia”, 200 anos depois da espécie ter sido descoberta.

Ele afirma que o veneno da espécie é composto por substâncias como esteróides e lipídeos, bem diferente das toxinas encontradas em outros anfíbios. Além disso, o líquido liberado peloRhaebo guttatus pode auxiliar cientistas no combate a fungos.

“Ele tem uma propriedade ativa de fungicida por andar no chão da floresta. A médio prazo, pretendemos desenvolver uma fórmula de medicamento contra esse tipo de inflamação”, diz.

Sapo amazônico (Foto: Divulgação)

Exemplar do sapo 'Rhaebo guttatus', encontrado apenas na floresta amazônica. Espécie libera jatos de veneno contra predadores. (Foto: Divulgação)

Click e veja o vídeo: http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/03/pesquisa-brasileira-descobre-que-sapo-esguicha-jatos-de-veneno.html

Fonte: Globo Natureza


15 de março de 2012 | nenhum comentário »

Espécie de perereca é imune a fungo mortal para anfíbios, diz pesquisa

Animal endêmico dos EUA não sofre com infecção, afirmam cientistas.
Ao menos 200 espécies de anfíbios já foram dizimadas por doença.

Pesquisa divulgada nesta segunda-feira (12) pela revista da Academia Americana de Ciências (PNAS) afirma que as pererecas-do-pacífico (Pseudoacris regilla) são potentes transmissoras de uma doença mortal para os anfíbios, que já dizimou mais de 200 espécies em todo o mundo.

O animal endêmico dos Estados Unidossobrevive ao fungo chytridiomycosis, causador da doença quitridiomicose, considerada a maior ameaça à biodiversidade vertebrada. Agora, o que os pesquisadores querem é entender como essas pererecas não são impactadas pela infecção e encontrar pistas para evitar a propagação da enfermidade.

Biólogos que estudam o impacto da doença desde 2003 e descobriram que o fungo havia também contaminado a espécie, porém, esses animais não apresentaram os sintomas, o que os transformou em hospedeiros.

“Nós descobrimos que a grande maioria de exemplares desta espécie não morreram, mesmo com níveis surpreendentemente altos de infecção”, afirma Natalie Reeder, que conduziu a pesquisa para a Universidade Estadual de San Francisco, na California.

A espécie é uma das mais comuns na costa Oeste da América do Norte. Os pequenos sapos variam de cor e são comuns em quintais urbanos, parques e outros habitats remotos. Entretanto, sua abundância e mobilidade os torna perigosamente eficazes em espalhar o fungo.

perereca do pacífico (Foto: Divulgação/Joyce Gross)

Exemplar da perereca-do-pacífico. Animal se tornou hospedeiro de fungo mortal para espécies de anfíbios (Foto: Divulgação/Joyce Gross)

Fonte: Globo Natureza, São Paulo






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Biólogo encontra novo anfíbio em área de Mata Atlântica, no Paraná

Espécie foi descoberta em reserva da região de Guaraqueçaba.
Batizado de ‘Brachycephalus tridactylus’, anuro tem apenas três dedos.

Uma nova espécie de anfíbio anuro, como rãs e sapos, foi identificada na Reserva Natural Salto Morato, em Guaraqueçaba, litoral norte do Paraná, região da Mata Atlântica que tem mais de 50% de espécies endêmicas, mas é um dos maiores alvos de depredação do país.

A espécie Brachycephalus tridactylus, reconhecida oficialmente em junho de 2012 com a publicação de um artigo na revista científica internacional “Herpetologica”, foi descoberta em 2007 durante uma pesquisa conduzida pelo biólogo Michel Garey e uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

A característica mais evidente que diferenciou esta espécie é que possui apenas três dedos nas patas anteriores, por isso trydactilus (três dedos), diferente de outros do gênero “Brachycephalus” que apresentam quatro. Somente encontrado em topos de morros da Mata Atlântica, regiões mais úmidas e frias, a espécie apresenta coloração alaranjada, com tons de cinza ou verde-oliva nas laterais do corpo e pontos verde oliva na região do ventre.

Garey, que atualmente faz pós-doutorado na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de São José do Rio Preto, explica que as pesquisas em topos de montanhas e morros têm aumentado, o que cria oportunidades para a descoberta de novas espécies de anfíbios. Em 2011, aproximadamente 20 novas espécies de anfíbios foram descobertas no Brasil, de acordo com o pesquisador.

O professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), Miguel Trefaut Rodrigues, afirma que novas espécies de anfíbios têm sido encontradas sistematicamente. “A partir do advento das técnicas com acesso à base genética e fazendo comparações, a gente percebe que a diversidade que conhecíamos está muito subestimada”, diz o docente. “Além disso, é importante para conhecer a história dos biomas brasileiros.”

A dificuldade de acesso às áreas de pesquisa, porém, como por exemplo as regiões mais altas da reserva, que podem chegar a 930 metros acima do mar, e a falta de financiamento para custear as viagens podem comprometer o desenvolvimento de novos estudos.

“O estado de São Paulo é uma exceção, porque tem muito dinheiro. Em outros lugares do país a realidade é outra, é mais difícil. Falta investimento em outros Estados”, disse Garey. A pesquisa realizada na Reserva Natural Salto Morato foi financiada pela Fundação Grupo Boticário, que também mantém a Reserva Natural.

Destruição ambiental

Para o biólogo, a importância de listar mais uma espécie à vasta biodiversidade brasileira, ainda bastante desconhecida, é pautar medidas de conservação para preservar os habitats dos animais e dos biomas brasileiros.

“Toda nova espécie nos faz repensar medidas conservacionistas e também mostra que ainda tem muito a ser feito”, explica. “Igual à mudança de um Código Florestal, que, com a proposta de mudança, podemos estar perdendo espécies que ainda não são conhecidas em muitas áreas do Brasil, que podem ter potencial farmacológico”, acrescentando que é necessário ser cauteloso.

Segundo o professor Trefaut, muitas espécies não chegaram a ser conhecidas por causa da destruição ambiental e ainda “há muito por descrever” na floresta Atlântica, em que a maioria das espécies existe apenas nesta região. “Somos completamente ignorantes, não conhecemos a nossa biodiversidade. Com a destruição da floresta Atlântica, entre 7% e 10% da floresta permanece. Com essa alta diversidade, imagina o que a gente não perdeu?”

Para Trefaut, as poucas áreas de preservação que existem são pouco utilizadas e sem um planejamento para sanar a deficiência de conhecimento das áreas. “O ideal seria que cada reserva tivesse um comitê científico, formado por pessoas capacitadas em cada um dos grupos, e tivesse um planejamento, mas isso não tem avançado, especialmente face à depredação que viemos sofrendo”, afirmou.

 

Fonte: O Globo

 


15 de março de 2012 | nenhum comentário »

Menor espécie de sapo do Brasil é registrada no ES, diz pesquisadora

A descoberta foi feita na região de Serra das Torres, em Atílio Vivacqua.
Espécie mede entre 7 e10 milímetros de comprimentro.

A menor espécie de sapo do Brasil, e segunda do Hemisfério Sul, foi encontrada pela primeira vez no Espírito Santo, na região conhecida como Serra das Torres, em Atílio Vivacqua, no Sul do estado, e registrada pela pesquisadora do Programa de doutorado em Ecologia e Evolução da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Jane de Oliveira. O animal raro, já visto na Mata Atlântica carioca, fará parte de uma publicação cientifica em abril.

Segundo a pesquisadora, a espécie mede entre 7 e10 milímetros de comprimento, ou seja, o sapo caberia com sobra em uma moeda de cinco centavos. “Durante o curso de Mestrado, eu e a minha equipe encontramos uma espécie de anfíbio, o Brachycephalus didactylus, um morador do chão das florestas, que é possivelmente o menor animal vertebrado do Brasil e um dos menores do mundo”, conta.

Feliz com a descoberta, Jane de Oliveira chama a atenção para a importância doEspírito Santo para a ciência nacional. “Fazer o registro de uma espécie, com a ecologia ainda praticamente desconhecida para a ciência, no Espírito Santo, mostra o quanto este estado é importante biologicamente. Uma área devastada pode ser sinônimo da perda de dezenas de espécies, desconhecidas neste estado e mesmo para a ciência”, diz a pesquisadora.

Jane afirma que a espécie era conhecida apenas no Rio de Janeiro. “Este foi o primeiro registro dele fora do estado. É possível que a espécie exista também em outras localidades do Espírito Santo, porém a visualização destes sapos é muito difícil. É um animal minúsculo, de coloração idêntica às folhas mortas caídas no chão da mata, de movimentos lentos e que entra em atividade apenas durante a noite”, diz a pesquisadora.

Com uma adaptação curiosa entre os anfíbios, a espécie – que também é conhecida como sapo Pulga – sobrevive confortavelmente com a umidade das folhas. “É um animal com uma adaptação muito interessante. Ele sofreu redução no número de falanges e no número de dedos  apresentando apenas o equivalente ao nosso dedo médio. Além disso ele não vive em ambientes com água, como a maioria, para ele basta a umidade existente entre as folhas caídas”, afirma.

O menor sapo do Brasil mede entre entre 7 e10 milímetros de comprimentro (Foto: Renata Pagotto/ Divulgação)

O menor sapo do Brasil mede entre entre 7 e10 milímetros de comprimentro (Foto: Renata Pagotto/ Divulgação)

A visualização destes sapos é muito difícil porque, além de minúsculos, eles têm coloração idêntica às folhas (Foto: Renata Pagotto/ Divulgação)

A visualização destes sapos é muito difícil porque, além de minúsculos, eles têm coloração idêntica às folhas (Foto: Renata Pagotto/ Divulgação)

Fonte: Amanda Monteiro, Globo Natureza


15 de março de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisa brasileira descobre que sapo esguicha jatos de veneno

Espécie amazônica libera líquido com toxinas que alcança até dois metros.
Alvo do sapo é atingir mucosa dos olhos e da boca.

Pesquisadores do Instituto Butantan, de São Paulo, descobriram que a espécie de sapo Rhaebo guttatus, endêmica da Amazônia, pode ser o primeiro anfíbio que apresenta táticas de autodefesa ao esguichar veneno nos predadores para causar neles infecções graves.

Esta diferença foi notada por especialistas de diversas universidades, entre elas a de São Paulo e a Estadual de Campinas, durante incursões na floresta amazônica. Eles perceberam que este anfíbio faz movimentações corporais que comprimem glândulas nas costas e liberam jatos de venenos que podem atingir até dois metros de distância.

De acordo com Carlos Jared, diretor do laboratório de Biologia Celular do instituto, o alvo principal do veneno são os olhos ou a boca, já que seu conteúdo só interage com a mucosa — que leva as toxinas para a corrente sanguínea.

“É uma coisa fora dos padrões dos anuros [ordem dos animais a qual pertence os anfíbios]. As outras espécies de sapos só liberam veneno quando são ‘mastigados’ por presas. E já oRhaebo guttatus encontrado na Amazônia o esguicha com precisão”, disse Jared.

Entretanto, seu grau de letalidade é 30% menor ao dos venenos de outros exemplares – que podem até causar a morte dos predadores. “A intenção deste sapo é dar um ‘chega pra lá’ nas presas. No ser humano não sabemos qual é o efeito, já que nunca houve casos de contaminação”, explica.

Folclore
O pesquisador afirma que esse fato explicaria o folclore de que as pessoas tinham que tomar cuidado com os sapos, porque eles soltariam jatos nos olhos.

“Isto pode ter vindo da época do descobrimento da região amazônica, há séculos. Mas isso só faz sentido se for na área de floresta, já que esta espécie perde as propriedades de ataque se for mantida em cativeiro”, explica.

Veneno como medicamento
Jared afirma que essa característica foi descrita por brasileiros na publicação científica “Amphibia-Reptilia”, 200 anos depois da espécie ter sido descoberta.

Ele afirma que o veneno da espécie é composto por substâncias como esteróides e lipídeos, bem diferente das toxinas encontradas em outros anfíbios. Além disso, o líquido liberado peloRhaebo guttatus pode auxiliar cientistas no combate a fungos.

“Ele tem uma propriedade ativa de fungicida por andar no chão da floresta. A médio prazo, pretendemos desenvolver uma fórmula de medicamento contra esse tipo de inflamação”, diz.

Sapo amazônico (Foto: Divulgação)

Exemplar do sapo 'Rhaebo guttatus', encontrado apenas na floresta amazônica. Espécie libera jatos de veneno contra predadores. (Foto: Divulgação)

Click e veja o vídeo: http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/03/pesquisa-brasileira-descobre-que-sapo-esguicha-jatos-de-veneno.html

Fonte: Globo Natureza


15 de março de 2012 | nenhum comentário »

Espécie de perereca é imune a fungo mortal para anfíbios, diz pesquisa

Animal endêmico dos EUA não sofre com infecção, afirmam cientistas.
Ao menos 200 espécies de anfíbios já foram dizimadas por doença.

Pesquisa divulgada nesta segunda-feira (12) pela revista da Academia Americana de Ciências (PNAS) afirma que as pererecas-do-pacífico (Pseudoacris regilla) são potentes transmissoras de uma doença mortal para os anfíbios, que já dizimou mais de 200 espécies em todo o mundo.

O animal endêmico dos Estados Unidossobrevive ao fungo chytridiomycosis, causador da doença quitridiomicose, considerada a maior ameaça à biodiversidade vertebrada. Agora, o que os pesquisadores querem é entender como essas pererecas não são impactadas pela infecção e encontrar pistas para evitar a propagação da enfermidade.

Biólogos que estudam o impacto da doença desde 2003 e descobriram que o fungo havia também contaminado a espécie, porém, esses animais não apresentaram os sintomas, o que os transformou em hospedeiros.

“Nós descobrimos que a grande maioria de exemplares desta espécie não morreram, mesmo com níveis surpreendentemente altos de infecção”, afirma Natalie Reeder, que conduziu a pesquisa para a Universidade Estadual de San Francisco, na California.

A espécie é uma das mais comuns na costa Oeste da América do Norte. Os pequenos sapos variam de cor e são comuns em quintais urbanos, parques e outros habitats remotos. Entretanto, sua abundância e mobilidade os torna perigosamente eficazes em espalhar o fungo.

perereca do pacífico (Foto: Divulgação/Joyce Gross)

Exemplar da perereca-do-pacífico. Animal se tornou hospedeiro de fungo mortal para espécies de anfíbios (Foto: Divulgação/Joyce Gross)

Fonte: Globo Natureza, São Paulo