14 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisa confirma que aumento de C02 inicia aquecimento

Caiu um dos últimos bastiões dos que argumentam que a queima de combustíveis fósseis não aquece a Terra.

O problema, diziam os céticos, é que o CO2 liberado por essa queima não parecia ser o causador de mais calor no planeta em épocas geológicas anteriores. A ordem parecia ser inversa: primeiro a Terra esquentava e só depois a atmosfera recebia mais CO2.

“A aparente contradição tem a ver com a maneira como a neve se deposita”, afirma o paleoclimatólogo Cristiano Chiessi, da USP.

Explica-se: os principais registros sobre o clima do passado vêm de cilindros de gelo obtidos na Antártida. Em lugares de neves eternas, essa “biblioteca” gelada alcança centenas de milênios.

A composição do gelo dá pistas sobre a temperatura na época em que a neve caiu, enquanto bolhas de ar presas na massa gelada indicam quanto CO2 havia no ar.

“O problema é que essas coisas acontecem em ritmo diferente. Quando a neve cai, ela fica muito tempo permeável ao ar acima dela. Demora para as bolhas se formarem”, diz Chiessi.

Resultado: os modelos indicavam que o ar preso nas bolhas sempre é mais “novo” que o gelo ao lado. Assim, não dava para saber qual tinha sido a ordem dos acontecimentos, num verdadeiro problema de ovo e galinha.

Um artigo na revista “Nature” do mês passado, assinado por Jeremy Shakun, da Universidade Harvard, contornou isso unindo os dados da Antártida a outros registros pelo mundo. A pesquisa mostra que, no fim da última era glacial, a ordem foi mesmo mais CO2 primeiro e temperatura aumentada depois.

Detalhe importante: em cem anos, os níveis de CO2 atmosféricos aumentaram na mesma proporção que todo o incremento em 10 mil anos no fim da última fase glacial.

O que uma mudança dessas pode causar além de mais calor? Uma pista está num estudo coordenado por Maria Assunção da Silva Dias, também da USP, que viu um aumento de um terço na chuva da Grande São Paulo em menos de um século.

Boa parte disso tem a ver com fatores naturais e com o excesso de prédios da metrópole. “Mas a mudança lembra um ensaio do que se espera que venha no futuro, com mais eventos extremos”, diz Silva Dias -como tempestades na estação seca, antes inexistentes, e mais temporais como um todo.

Fonte: Folha.com


2 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Parques eólicos modificam temperatura do solo

Cientistas fizeram medições na região do Texas, onde milhares de turbinas foram construídas.

Um estudo realizado no Texas mostrou que parques eólicos podem afetar o clima em seu entorno, elevando as temperaturas noturnas no solo. O resultado, publicado na revista “Nature Climate Change”, confirma uma pesquisa realizada há mais tempo, em 2010. Os cientistas acreditam que o efeito é causado pelas turbinas que jogam ar relativamente quente no solo. E sugerem que as turbinas em outro locais podem não produzir o mesmo nível de mudança.

 

A região que foi estudada, no centro-oeste do Texas, viveu um importante programa de construção de turbinas na metade da última década, com o número passando de apenas 111 em 2003 para 2325 apenas seis anos depois. Os pesquisadores usaram dados de satélites da Nasa para medir a temperatura na região estudada entre o começo e o fim do boom da construção dos parques eólicos, definindo a diferença entre a média do período entre 2003 e 2005 e de 2009 a 2011.

 

Toda a região registrou um aumento, mas isso ficou mais perceptível no entorno dos parques. Os pesquisadores procuraram outros fatores que poderiam ter afetado os resultados, como mudanças na vegetação, mas descobriram que elas eram muito pequenas para produzir a mudança observada. O processo não foi uniforme. Os pesquisadores afirmam que o efeito é equivalente a um aquecimento de cerca de 0,72 C por década.

 

Reconhecendo que o resultado pode ser mal interpretado, como se estivesse sugerindo que a temperatura local vai continuar aumentando, o cientista que liderou o estudo Liming Zhou alerta: “A tendência de aquecimento estimada só se aplica à região de estudo e para o período de estudo, e, portanto, não deve ser extrapolada diretamente para outras regiões ou períodos mais longos. Para um determinado parque eólico, o efeito do aquecimento provavelmente atingiu um limite, em vez de continuar a aumentar, se novas turbinas não forem adicionadas.”

 

À noite, o ar acima do nível do solo tende a ser mais quente do que no chão. Zhou e seus colegas acreditam que as pás das turbinas agiram o ar, misturando o ar quente e o ar frio, e levando o mais aquecido para o solo. “Os resultados me parecem muito sólidos”, comentou Steven Sherwood, professor do Centro do Pesquisa sobre Mudanças Climáticas da Universidade de New South Wales, na Austrália, em entrevista à BBC. “As temperaturas durante o dia não parecem ser afetadas. Isso faz sentido, e esta mesma estratégia geralmente é usada por fruticultores que usam voos de helicópteros sobre seus pomares para combater as geadas matinais.”

 

O estudo de 2010 usou dados de um único local e modelagens computacionais para mostrar que as turbinas eólicas podem produzir aquecimento local.

Fonte: O Globo


2 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Degelo no Ártico acelera aquecimento mais do que o previsto

Derretimento de solo permanentemente congelado libera carbono.
Artigo foi publicado pela revista ‘Nature’.

O degelo do permafrost, solo permanentemente congelado do Ártico, pode acelerar o aquecimento global mais do que o previsto, afirmou nesta quarta-feira (30) um grupo de cientistas, em artigo publicado pela revista “Nature”.

Por volta do ano de 2100, o volume de carbono liberado pelo pergelissolo poderia ser entre “1,7 e 5,2 vezes maior” do que o tinha sido previsto até agora, segundo a importância do aquecimento na superfície da terra.

O volume liberado é comparável ao dos gases causadores de efeito estufa resultante do desmatamento atualmente, mas o impacto no clima seria 2,5 vezes maior, já que grande parte do gás emitido será metano (CH4), com efeito 25 vezes maior sobre o aquecimento global do que o dióxido de carbono (CO2).

Atualmente, o desmatamento produz 20% do total de gases de efeito estufa responsáveis pelo aquecimento do planeta.

A publicação deste artigo coincide com a realização da conferência das Nações Unidas sobre o combate ao aquecimento global, inaugurada na segunda-feira passada em Durban (África do Sul) e que visa a dar um novo impulso às negociações sobre o Protocolo de Kyoto.

O permafrost cobre permanentemente cerca de um quarto das terras do hemisfério norte. Trata-se de uma reserva gigantesca de carbono orgânico, que contém restos de plantas e animais que foram se acumulando durante séculos. Com o degelo deste solo, estes materiais começam a se decompor, liberando na atmosfera parte deste carbono, na forma de metano e dióxido de carbono.

Segundo estudos anteriores, este fenômeno já teria começado a acontecer em partes da tundra e em alguns lagos de gelo.

No total, as terras do Ártico conteriam 1,7 bilhão de toneladas de carbono.

Isto representa “cerca de quatro vezes mais do que todo o carbono emitido pelas atividades humanas nos tempos modernos e o dobro do que a atmosfera contém atualmente”, afirmam os biólogos americanos Edward Schuur e Benjamin Abbott.

Segundo estes cientistas e cerca de 40 outros especialistas da rede Permafrost Carbon Research Network, que assinaram o estudo, isto representa “o triplo” do estimado anteriormente pelos modelos de mudanças do clima.

Fonte: Da France Presse


27 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Estudo registra derretimento de geleiras no Himalaia chinês

Estações a mais de 4.000 m registraram 1,7º de aquecimento em 47 anos.
Lagos alimentados pelo gelo das montanhas aumentaram de tamanho.

A rápida elevação das temperaturas, causada pelas mudanças climáticas, está provocando o derretimento das geleiras chinesas na Cordilheira do Himalaia, um impacto que ameaça habitats, o turismo e o desenvolvimento econômico da região, alerta um estudo publicado nesta terça-feira (25).

Das 111 estações meteorológicas espalhadas pelo sudoeste da China, 77% demonstraram elevações significativas de temperaturas entre 1961 e 2008, segundo o estudo, publicado no periódico britânico “Environmental Research Letters”.

Nas 14 estações de monitoramento acima dos 4.000 metros, o salto neste período foi de 1,73 grau Celsius, aproximadamente duas vezes a elevação média global registrada ao longo do último século.

Cientistas liderados por Li Zhongxing, da Academia Chinesa de Ciências, identificaram três alterações em curso nas geleiras que poderiam ser causadas, pelo menos em parte, por esta tendência constante de aquecimento.

Segundo eles, a maior parte das geleiras examinadas demonstrou um “recuo drástico”, além de uma grande perda de massa.

O estudo também demonstrou que lagos glaciais, alimentados pelo gelo derretido de geleiras, aumentaram de tamanho.

“As implicações destas mudanças são muito mais sérias do que uma mera alteração da paisagem”, alertaram os cientistas.

“As geleiras integram milhares de ecossistemas e desempenham um papel crucial no sustento de populações humanas”, acrescentaram.

O sudoeste da China tem 23.488 geleiras, cobrindo uma área de 29.523 quilômetros quadrados, através do Himalaia e das montanhas Nyainqntanglha, Tanggula e Hengduans.

Mudanças no padrão de chuvas e das nevascas foram menos marcantes, mas ainda consistentes com as previsões de modelos de mudanças climáticas, afirmaram.

“É imperativo que determinemos a relação entre as mudanças climáticas e variações nas geleiras, particularmente o papel das precipitações, uma vez que as consequências do recuo do gelo são muito abrangentes”, disse Li.

Geleira no sul da China, quase na fronteira com o Nepal. (Foto: AFP)

Geleira no sul da China, quase na fronteira com o Nepal. (Foto: AFP)

Fonte: AFP


6 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Aquecimento dos oceanos ajudará a elevar nível do mar, diz estudo

Estudo da Universidade do Arizona, nos EUA, indica que o gelo da Groenlândia e da Antártida podem derreter mais rapidamente do que previsto pelos cientistas devido ao aquecimento das águas do oceanos, fazendo elevar o nível do mar ainda mais rapidamente do que se pensava.

Projeções climáticas normalmente levam em conta o aquecimento da atmosfera, mas deixam de lado o fato de que as águas do mar também estão tendo suas temperaturas elevadas. Esse fator, incluído nos cálculos do estudo em questão, fará com que glaciares em ambas as regiões polares do planeta derretam mais rapidamente.

“Se você coloca um cubo de gelo num quarto quente, ele vai derreter em várias horas. Mas se você o coloca numa xícara de água quente, ele vai desaparecer em minutos”, compara Jianjun Yin, um dos autores da pesquisa publicada neste domingo na “Nature Geoscience”. As águas abaixo da superfície do mar na Groenlândia devem ficar 2 graus mais quentes até 2100, por exemplo.

“Esse estudo se soma às evidências de que poderíamos ter um aumento do nível do mar de cerca de 1 metro até o fim do século e um tanto a mais nos séculos seguintes”, disse à agência AP o co-diretor do Instituto de Meio Ambiente da Universidade do Arizona.

Fonte: Globo Natureza


20 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Reflorestar não resolverá problema do aquecimento, diz estudo

Apesar de que as florestas são importantes sumidouros de carbono, os projetos de reflorestamento só terão um impacto limitado no aquecimento global, destacou um estudo publicado este domingo (19) na revista científica Nature Geoscience.

Vivek Arora, da Universidade de Victoria, no Canadá, e Alvaro Montenegro, da Universidade de St. Francis Xavier, também no Canadá, desenvolveram cinco modelos de reflorestamento durante 50 anos, de 2011 a 2060. Os cientistas examinaram seus efeitos no solo, na água e no ar se a temperatura da superfície terrestre aumentasse 3º C em 2100 com relação aos níveis pré-industriais de 1850.

O resultado demonstra que, mesmo se todas as terras cultivadas do mundo forem reflorestadas, isto só bastaria para reduzir o aquecimento global em 0,45º C no período 2081-2100. Isto se explica em particular porque precisa-se de décadas para que os bosques sejam suficientemente velhos para captar o CO2 que fica estancado durante séculos na atmosfera.

Um reflorestamento de 50% das terras cultivadas só limitaria a elevação da temperatura em 0,25º C. Evidentemente, nenhuma destas projeções é realista, uma vez que as terras cultivadas são essenciais para alimentar a população do planeta, onde em 2050 viverão 9 bilhões de pessoas.

Segundo os outros três modelos, reflorestar as regiões tropicais é três vezes mais eficaz para “evitar o aquecimento” do que fazê-lo em latitudes mais elevadas ou em regiões temperadas. Os bosques são mais escuros do que as terras cultivadas e, portanto, absorvem mais calor. Plantar florestas em um solo coberto de neve ou de cerais de cor clara diminui o denominado “efeito albedo”, que é a quantidade de luz solar refletida do solo para o espaço.

“O reflorestamento em si não é um problema, é positivo, mas nossas conclusões indicam que não é uma ferramenta para controlar a temperatura se gases de efeito estufa continuarem a ser emitidos como se faz atualmente”, disse Montenegro.

“O reflorestamento não pode substituir a redução de emissões de gases de efeito estufa”, concluiu o estudo. O desmatamento, sobretudo nas selvas tropicais, é causador de 10% a 20% das emissões de gases de efeito estufa do planeta.

Fonte: Portal Terra


11 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Inpe confirma previsão de Amazônia mais quente e seca

A floresta amazônica ficará mais quente e com eventos naturais extremos –como grandes secas ou inundações– cada vez mais comuns.

Esse tipo de projeção já vinha aparecendo em pesquisas anteriores, mas o cenário pessimista foi corroborado agora por um modelo climático mais sofisticado, levando em conta as características específicas da Amazônia.

O trabalho, feito pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e pelo Centro Hadley, do Reino Unido, também incorporou na análise o ciclo do carbono e a dinâmica da vegetação diante das mudanças climáticas.

“Os modelos anteriores consideravam uma vegetação estática, que não reagia às alterações no clima”, explica o climatologista do Inpe José Marengo, um dos autores.

Por exemplo, na seca de 2010, estima-se que a mortalidade das árvores tenha liberado 5 bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera.

Editoria de Arte/Folhapress

O cenário agora é de mais secas no sul da Amazônia nos próximos anos e chuvas mais intensas no norte da floresta. Além disso, a mata deve ficar mais rala e aberta, processo chamado de savanização.

Tudo isso, claro, será agravado se o desmatamento não for contido. “Se o desmate aumentar, os impactos na floresta também ficarão mais intensos”, diz Marengo.

Os resultados dos novos modelos sugerem que, quando o desmatamento atingir mais de 40% da extensão original da floresta amazônica, a precipitação (ou seja, o índice de chuvas) diminuirá de forma significativa no leste.

Isso provocaria um aquecimento de mais de 4ºC na parte oriental da floresta, com redução significativa das precipitações na área.

 

 

Vista aérea do leito seco do Rio Negro, em Iranduba

Vista aérea do leito seco do Rio Negro, em Iranduba

Alberto Cesar Araújo-25.out.10/Folhapress

Fonte: Sabine Righetti, De São Paulo


18 de março de 2011 | nenhum comentário »

Dióxido de carbono aqueceu a Terra no passado, dizem cientistas

Processos de aquecimento global durando milhares de anos aconteceram durante a história com mais frequência que se imaginava previamente. A conclusão é de um estudo da Universidade da Califórnia de San Diego, nos EUA, publicado pelo jornal científico “Nature”.

Os pesquisadores afirmam que a liberação de volumes de dióxido de carbono que estavam isolados no fundo do oceano e seria o mais provável causador desses eventos “hipertermais”. A maior parte deles aumentou as temperaturas em entre 2° e 3°C, número comparável às estimativas conservadoras do aquecimento das próximas décadas, causado pela ação humana.

Eles chegaram a essa conclusão por meio da análise de sedimentos recolhidos na costa da América do Sul. Pela quantidade de argila acumulada no núcleo desses sedimentos, foi possível identificar que houve acidificação do oceano, o que é explicado pela presença de dióxido de carbono na água.

Na maioria das vezes, esses hipertermais duraram cerca de 40 mil anos. Eles ocorriam aproximadamente a cada 400 mil anos durante um período quente da história da Terra, há 50 milhões de anos. Por volta de 40 milhões de anos atrás, o planeta entrou numa fase de esfriamento e não houve mais eventos dessa magnitude.

“Esses hipertermais não parecem ter sido eventos raros, portanto há muitos exemplos antigos de aquecimento global numa escala que, de modo geral, é como o aquecimento esperado para o futuro. Podemos usar esses eventos para examinar o impacto da mudança global nos ecossistemas marinhos, no clima e na circulação dos oceanos”, afirmou Richard Norris, geólogo que é um dos autores da pesquisa.

Desde o século XVIII, o uso de combustíveis fósseis já aumentou em quase 50% as concentrações de dióxido de carbono. O estudo dos hipertermais do passado deve ajudar os cientistas a produzir estimativas de quando tempo será preciso para reverter as temperaturas aumentadas pelas atividades humanas.

“Num período de entre cem e 300 anos, fizemos um efeito sobre a Terra que levará dezenas de milhares de anos para ser equilibrado, a julgar pelo histórico geológico”, afirmou Norris.

Fonte: G1

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7 de janeiro de 2011 | nenhum comentário »

Morcego voa à noite para não superaquecer

Experimento mostrou que animal também gasta energia demais quando viaja de dia.

Os morcegos e a escuridão da noite parecem ter sido feitos um para o outro, mas as razões biológicas desse casamento ainda não estavam claras. Para cientistas alemães, trata-se de um simples caso de equilíbrio energético. 

Cristian Voigt e Daniel Lewanzik, do Instituto Leibniz de Pesquisa Zoológica e da Universidade Livre de Berlim, respectivamente, afirmam que os mamíferos voadores preferem bater asas depois do crepúsculo porque esquentariam demais debaixo da luz solar. 

Eles chegaram a essa conclusão depois de experimentos com o morcego Carollia perspicillata, espécie comum em vários países da América do Sul e Central, inclusive no Brasil. Basicamente, o que fizeram foi observar o metabolismo do bicho durante vôos curtos durante o dia e à noite. 

Verificaram que, nas viagens diurnas, os bichos ficavam com a temperatura corporal 2°C mais elevada. Além disso, produziam 15% mais gás carbônico durante a respiração -sinal de que estavam gastando mais energia.

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 O vôo noturno ou crepuscular, portanto, seria um jeito de evitar que o organismo dos bichos entrasse em pane. É que, por terem asas membranosas e escuras, os morcegos absorvem quantidade considerável de luz solar, o que facilitaria seu superaquecimento de dia. 

É verdade que existem exceções a essa regra. Mas esses morcegos diurnos são, em geral, membros de espécies grandalhonas, que têm mais facilidade para adotar um estilo de vôo planado, sem bater muito as asas. 

Com isso, são capazes de economizar energia e correm menos risco de acabar superaquecendo.

(Reinaldo José Lopes)

(Folha de SP, 5/1)


31 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Cientistas voltam as atenções para a atividade solar em 2011

O próximo ano será marcante para o clima no espaço, pois o Sol despertará de uma fase de baixa atividade, dando início a um anunciado período de turbulência.

Muitas pessoas podem se surpreender ao saber que o Sol, ao invés de queimar com uma consistência ininterrupta, oscila em momentos de calmaria e agitação.

Mas após dois séculos de observação das manchas solares –marcas escuras, relativamente frias na superfície do sol, vinculadas com poderosas forças magnéticas– revelaram que a nossa estrela obedece a ciclos de comportamento de cerca de 11 anos. 

O último começou em 1996 e, por motivos que ainda permanecem obscuros, levou mais tempo que o previsto para terminar.

Agora, no entanto, há cada vez mais indícios de que o Sol está deixando o seu torpor e intensificando sua atividade enquanto avança para aquilo que os cientistas convencionaram chamar de “Solar Max” ou clímax cíclico, afirmam especialistas.

“A última previsão indica meados de 2013 como a fase pico do ciclo solar”, antecipou Joe Kunches, do Centro de Previsões do Clima Espacial da Nasa. “[Mas há um período prolongado de alta atividade], mais como uma estação, com duração de cerca de dois anos e meio” para cada fase do pico, alertou.

Em seu período mais intenso, o Sol pode lançar ondas de radiação eletromagnética e matéria carregada conhecida como ejeções de massas coronais (CMEs).

Esta onda de choque pode levar alguns dias para alcançar a Terra. Quando chega ao nosso planeta, condensa seu campo protetor magnético, liberando energia visível em altas latitudes na forma de auroras boreal e austral –as famosas luzes do Norte e do Sul.

Mas as CMEs não são apenas belos eventos. Elas podem desencadear descargas estáticas e tempestades geomagnéticas capazes de romper ou até mesmo causar pane na infraestrutura eletrônica da qual depende nossa sociedade urbanizada e obsecada por se manter conectada.

Menos temidos, porém igualmente problemáticos, são as erupções de prótons supercarregados que alcançam a Terra em questão de minutos.

Na linha de frente estão os satélites de telecomunicações em órbita geoestacionária, a uma altitude de 36.000 km, e os satélites do Sistema de Posicionamento Global (GPS), dos quais dependem os aviões e os navios modernos para navegação e que orbitam a 20 mil quilômetros.

Em janeiro de 1994, descargas de eletricidade estática provocaram uma pane de cinco meses no satélite de telecomunicações canadense Anik-E2, uma falha que custou US$ 50 milhões.

Em abril de 2010, a Intelsat perdeu o Galaxy 15, usado no serviço de comunicações na América do Norte, depois que o link com o controle de solo foi cortado, aparentemente devido à atividade solar.

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“Estas são falhas totais nas quais todos nós pensamos”, disse Philippe Calvel, engenheiro da empresa francesa Thales. “Ambas foram causadas por CMEs”, emendou.

Em 2005, raios-X de uma tempestade solar cortaram a comunicação entre o satélite e o solo e os sinais de GPS por cerca de dez minutos.

Para dar conta da fúria solar, projetistas de satélites escolhem componentes robustos, testados e experimentados, bem como proteção para o equipamento, mesmo que isto o deixe mais pesado e volumoso, e portanto mais caro de se lançar, disse Thierry Duhamel, da fabricante de satélites Astrium.

Outra precaução é a redundância, isto é, ter sistemas de backup para casos de mau funcionamento.

Na Terra, linhas de transmissão, conexões de dados e até mesmo oleodutos e gasodutos são potencialmente vulneráveis.

Um alerta remoto de risco remonta a 1859, quando a maior CME já observada ocasionou auroras avermelhadas, roxas e verdes mesmo em latitudes tropicais. A então recém-desenvolvida tecnologia do telégrafo enlouqueceu. Correntes induzidas geomagneticamente nos cabos deram choques em operações de telégrafos chegaram a incendiar os telegramas.

Em 1989, um fenômeno bem mais sutil cortou a energia do gerador da canadense Hydro Quebec, provocando um blecaute de nove horas que afetou seis milhões de pessoas.

“Há muito o que desconhecemos sobre o Sol. Mesmo no suposto declínio ou fase de calmaria, podemos ter campos magnéticos que são muito concentrados e energizados por um tempo, e podemos ter atividade eruptiva atípica. Para resumir, temos uma estrela variável”, concluiu Kunches.

(France Presse)

(Folha Online, 29/12)


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14 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisa confirma que aumento de C02 inicia aquecimento

Caiu um dos últimos bastiões dos que argumentam que a queima de combustíveis fósseis não aquece a Terra.

O problema, diziam os céticos, é que o CO2 liberado por essa queima não parecia ser o causador de mais calor no planeta em épocas geológicas anteriores. A ordem parecia ser inversa: primeiro a Terra esquentava e só depois a atmosfera recebia mais CO2.

“A aparente contradição tem a ver com a maneira como a neve se deposita”, afirma o paleoclimatólogo Cristiano Chiessi, da USP.

Explica-se: os principais registros sobre o clima do passado vêm de cilindros de gelo obtidos na Antártida. Em lugares de neves eternas, essa “biblioteca” gelada alcança centenas de milênios.

A composição do gelo dá pistas sobre a temperatura na época em que a neve caiu, enquanto bolhas de ar presas na massa gelada indicam quanto CO2 havia no ar.

“O problema é que essas coisas acontecem em ritmo diferente. Quando a neve cai, ela fica muito tempo permeável ao ar acima dela. Demora para as bolhas se formarem”, diz Chiessi.

Resultado: os modelos indicavam que o ar preso nas bolhas sempre é mais “novo” que o gelo ao lado. Assim, não dava para saber qual tinha sido a ordem dos acontecimentos, num verdadeiro problema de ovo e galinha.

Um artigo na revista “Nature” do mês passado, assinado por Jeremy Shakun, da Universidade Harvard, contornou isso unindo os dados da Antártida a outros registros pelo mundo. A pesquisa mostra que, no fim da última era glacial, a ordem foi mesmo mais CO2 primeiro e temperatura aumentada depois.

Detalhe importante: em cem anos, os níveis de CO2 atmosféricos aumentaram na mesma proporção que todo o incremento em 10 mil anos no fim da última fase glacial.

O que uma mudança dessas pode causar além de mais calor? Uma pista está num estudo coordenado por Maria Assunção da Silva Dias, também da USP, que viu um aumento de um terço na chuva da Grande São Paulo em menos de um século.

Boa parte disso tem a ver com fatores naturais e com o excesso de prédios da metrópole. “Mas a mudança lembra um ensaio do que se espera que venha no futuro, com mais eventos extremos”, diz Silva Dias -como tempestades na estação seca, antes inexistentes, e mais temporais como um todo.

Fonte: Folha.com


2 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Parques eólicos modificam temperatura do solo

Cientistas fizeram medições na região do Texas, onde milhares de turbinas foram construídas.

Um estudo realizado no Texas mostrou que parques eólicos podem afetar o clima em seu entorno, elevando as temperaturas noturnas no solo. O resultado, publicado na revista “Nature Climate Change”, confirma uma pesquisa realizada há mais tempo, em 2010. Os cientistas acreditam que o efeito é causado pelas turbinas que jogam ar relativamente quente no solo. E sugerem que as turbinas em outro locais podem não produzir o mesmo nível de mudança.

 

A região que foi estudada, no centro-oeste do Texas, viveu um importante programa de construção de turbinas na metade da última década, com o número passando de apenas 111 em 2003 para 2325 apenas seis anos depois. Os pesquisadores usaram dados de satélites da Nasa para medir a temperatura na região estudada entre o começo e o fim do boom da construção dos parques eólicos, definindo a diferença entre a média do período entre 2003 e 2005 e de 2009 a 2011.

 

Toda a região registrou um aumento, mas isso ficou mais perceptível no entorno dos parques. Os pesquisadores procuraram outros fatores que poderiam ter afetado os resultados, como mudanças na vegetação, mas descobriram que elas eram muito pequenas para produzir a mudança observada. O processo não foi uniforme. Os pesquisadores afirmam que o efeito é equivalente a um aquecimento de cerca de 0,72 C por década.

 

Reconhecendo que o resultado pode ser mal interpretado, como se estivesse sugerindo que a temperatura local vai continuar aumentando, o cientista que liderou o estudo Liming Zhou alerta: “A tendência de aquecimento estimada só se aplica à região de estudo e para o período de estudo, e, portanto, não deve ser extrapolada diretamente para outras regiões ou períodos mais longos. Para um determinado parque eólico, o efeito do aquecimento provavelmente atingiu um limite, em vez de continuar a aumentar, se novas turbinas não forem adicionadas.”

 

À noite, o ar acima do nível do solo tende a ser mais quente do que no chão. Zhou e seus colegas acreditam que as pás das turbinas agiram o ar, misturando o ar quente e o ar frio, e levando o mais aquecido para o solo. “Os resultados me parecem muito sólidos”, comentou Steven Sherwood, professor do Centro do Pesquisa sobre Mudanças Climáticas da Universidade de New South Wales, na Austrália, em entrevista à BBC. “As temperaturas durante o dia não parecem ser afetadas. Isso faz sentido, e esta mesma estratégia geralmente é usada por fruticultores que usam voos de helicópteros sobre seus pomares para combater as geadas matinais.”

 

O estudo de 2010 usou dados de um único local e modelagens computacionais para mostrar que as turbinas eólicas podem produzir aquecimento local.

Fonte: O Globo


2 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Degelo no Ártico acelera aquecimento mais do que o previsto

Derretimento de solo permanentemente congelado libera carbono.
Artigo foi publicado pela revista ‘Nature’.

O degelo do permafrost, solo permanentemente congelado do Ártico, pode acelerar o aquecimento global mais do que o previsto, afirmou nesta quarta-feira (30) um grupo de cientistas, em artigo publicado pela revista “Nature”.

Por volta do ano de 2100, o volume de carbono liberado pelo pergelissolo poderia ser entre “1,7 e 5,2 vezes maior” do que o tinha sido previsto até agora, segundo a importância do aquecimento na superfície da terra.

O volume liberado é comparável ao dos gases causadores de efeito estufa resultante do desmatamento atualmente, mas o impacto no clima seria 2,5 vezes maior, já que grande parte do gás emitido será metano (CH4), com efeito 25 vezes maior sobre o aquecimento global do que o dióxido de carbono (CO2).

Atualmente, o desmatamento produz 20% do total de gases de efeito estufa responsáveis pelo aquecimento do planeta.

A publicação deste artigo coincide com a realização da conferência das Nações Unidas sobre o combate ao aquecimento global, inaugurada na segunda-feira passada em Durban (África do Sul) e que visa a dar um novo impulso às negociações sobre o Protocolo de Kyoto.

O permafrost cobre permanentemente cerca de um quarto das terras do hemisfério norte. Trata-se de uma reserva gigantesca de carbono orgânico, que contém restos de plantas e animais que foram se acumulando durante séculos. Com o degelo deste solo, estes materiais começam a se decompor, liberando na atmosfera parte deste carbono, na forma de metano e dióxido de carbono.

Segundo estudos anteriores, este fenômeno já teria começado a acontecer em partes da tundra e em alguns lagos de gelo.

No total, as terras do Ártico conteriam 1,7 bilhão de toneladas de carbono.

Isto representa “cerca de quatro vezes mais do que todo o carbono emitido pelas atividades humanas nos tempos modernos e o dobro do que a atmosfera contém atualmente”, afirmam os biólogos americanos Edward Schuur e Benjamin Abbott.

Segundo estes cientistas e cerca de 40 outros especialistas da rede Permafrost Carbon Research Network, que assinaram o estudo, isto representa “o triplo” do estimado anteriormente pelos modelos de mudanças do clima.

Fonte: Da France Presse


27 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Estudo registra derretimento de geleiras no Himalaia chinês

Estações a mais de 4.000 m registraram 1,7º de aquecimento em 47 anos.
Lagos alimentados pelo gelo das montanhas aumentaram de tamanho.

A rápida elevação das temperaturas, causada pelas mudanças climáticas, está provocando o derretimento das geleiras chinesas na Cordilheira do Himalaia, um impacto que ameaça habitats, o turismo e o desenvolvimento econômico da região, alerta um estudo publicado nesta terça-feira (25).

Das 111 estações meteorológicas espalhadas pelo sudoeste da China, 77% demonstraram elevações significativas de temperaturas entre 1961 e 2008, segundo o estudo, publicado no periódico britânico “Environmental Research Letters”.

Nas 14 estações de monitoramento acima dos 4.000 metros, o salto neste período foi de 1,73 grau Celsius, aproximadamente duas vezes a elevação média global registrada ao longo do último século.

Cientistas liderados por Li Zhongxing, da Academia Chinesa de Ciências, identificaram três alterações em curso nas geleiras que poderiam ser causadas, pelo menos em parte, por esta tendência constante de aquecimento.

Segundo eles, a maior parte das geleiras examinadas demonstrou um “recuo drástico”, além de uma grande perda de massa.

O estudo também demonstrou que lagos glaciais, alimentados pelo gelo derretido de geleiras, aumentaram de tamanho.

“As implicações destas mudanças são muito mais sérias do que uma mera alteração da paisagem”, alertaram os cientistas.

“As geleiras integram milhares de ecossistemas e desempenham um papel crucial no sustento de populações humanas”, acrescentaram.

O sudoeste da China tem 23.488 geleiras, cobrindo uma área de 29.523 quilômetros quadrados, através do Himalaia e das montanhas Nyainqntanglha, Tanggula e Hengduans.

Mudanças no padrão de chuvas e das nevascas foram menos marcantes, mas ainda consistentes com as previsões de modelos de mudanças climáticas, afirmaram.

“É imperativo que determinemos a relação entre as mudanças climáticas e variações nas geleiras, particularmente o papel das precipitações, uma vez que as consequências do recuo do gelo são muito abrangentes”, disse Li.

Geleira no sul da China, quase na fronteira com o Nepal. (Foto: AFP)

Geleira no sul da China, quase na fronteira com o Nepal. (Foto: AFP)

Fonte: AFP


6 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Aquecimento dos oceanos ajudará a elevar nível do mar, diz estudo

Estudo da Universidade do Arizona, nos EUA, indica que o gelo da Groenlândia e da Antártida podem derreter mais rapidamente do que previsto pelos cientistas devido ao aquecimento das águas do oceanos, fazendo elevar o nível do mar ainda mais rapidamente do que se pensava.

Projeções climáticas normalmente levam em conta o aquecimento da atmosfera, mas deixam de lado o fato de que as águas do mar também estão tendo suas temperaturas elevadas. Esse fator, incluído nos cálculos do estudo em questão, fará com que glaciares em ambas as regiões polares do planeta derretam mais rapidamente.

“Se você coloca um cubo de gelo num quarto quente, ele vai derreter em várias horas. Mas se você o coloca numa xícara de água quente, ele vai desaparecer em minutos”, compara Jianjun Yin, um dos autores da pesquisa publicada neste domingo na “Nature Geoscience”. As águas abaixo da superfície do mar na Groenlândia devem ficar 2 graus mais quentes até 2100, por exemplo.

“Esse estudo se soma às evidências de que poderíamos ter um aumento do nível do mar de cerca de 1 metro até o fim do século e um tanto a mais nos séculos seguintes”, disse à agência AP o co-diretor do Instituto de Meio Ambiente da Universidade do Arizona.

Fonte: Globo Natureza


20 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Reflorestar não resolverá problema do aquecimento, diz estudo

Apesar de que as florestas são importantes sumidouros de carbono, os projetos de reflorestamento só terão um impacto limitado no aquecimento global, destacou um estudo publicado este domingo (19) na revista científica Nature Geoscience.

Vivek Arora, da Universidade de Victoria, no Canadá, e Alvaro Montenegro, da Universidade de St. Francis Xavier, também no Canadá, desenvolveram cinco modelos de reflorestamento durante 50 anos, de 2011 a 2060. Os cientistas examinaram seus efeitos no solo, na água e no ar se a temperatura da superfície terrestre aumentasse 3º C em 2100 com relação aos níveis pré-industriais de 1850.

O resultado demonstra que, mesmo se todas as terras cultivadas do mundo forem reflorestadas, isto só bastaria para reduzir o aquecimento global em 0,45º C no período 2081-2100. Isto se explica em particular porque precisa-se de décadas para que os bosques sejam suficientemente velhos para captar o CO2 que fica estancado durante séculos na atmosfera.

Um reflorestamento de 50% das terras cultivadas só limitaria a elevação da temperatura em 0,25º C. Evidentemente, nenhuma destas projeções é realista, uma vez que as terras cultivadas são essenciais para alimentar a população do planeta, onde em 2050 viverão 9 bilhões de pessoas.

Segundo os outros três modelos, reflorestar as regiões tropicais é três vezes mais eficaz para “evitar o aquecimento” do que fazê-lo em latitudes mais elevadas ou em regiões temperadas. Os bosques são mais escuros do que as terras cultivadas e, portanto, absorvem mais calor. Plantar florestas em um solo coberto de neve ou de cerais de cor clara diminui o denominado “efeito albedo”, que é a quantidade de luz solar refletida do solo para o espaço.

“O reflorestamento em si não é um problema, é positivo, mas nossas conclusões indicam que não é uma ferramenta para controlar a temperatura se gases de efeito estufa continuarem a ser emitidos como se faz atualmente”, disse Montenegro.

“O reflorestamento não pode substituir a redução de emissões de gases de efeito estufa”, concluiu o estudo. O desmatamento, sobretudo nas selvas tropicais, é causador de 10% a 20% das emissões de gases de efeito estufa do planeta.

Fonte: Portal Terra


11 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Inpe confirma previsão de Amazônia mais quente e seca

A floresta amazônica ficará mais quente e com eventos naturais extremos –como grandes secas ou inundações– cada vez mais comuns.

Esse tipo de projeção já vinha aparecendo em pesquisas anteriores, mas o cenário pessimista foi corroborado agora por um modelo climático mais sofisticado, levando em conta as características específicas da Amazônia.

O trabalho, feito pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e pelo Centro Hadley, do Reino Unido, também incorporou na análise o ciclo do carbono e a dinâmica da vegetação diante das mudanças climáticas.

“Os modelos anteriores consideravam uma vegetação estática, que não reagia às alterações no clima”, explica o climatologista do Inpe José Marengo, um dos autores.

Por exemplo, na seca de 2010, estima-se que a mortalidade das árvores tenha liberado 5 bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera.

Editoria de Arte/Folhapress

O cenário agora é de mais secas no sul da Amazônia nos próximos anos e chuvas mais intensas no norte da floresta. Além disso, a mata deve ficar mais rala e aberta, processo chamado de savanização.

Tudo isso, claro, será agravado se o desmatamento não for contido. “Se o desmate aumentar, os impactos na floresta também ficarão mais intensos”, diz Marengo.

Os resultados dos novos modelos sugerem que, quando o desmatamento atingir mais de 40% da extensão original da floresta amazônica, a precipitação (ou seja, o índice de chuvas) diminuirá de forma significativa no leste.

Isso provocaria um aquecimento de mais de 4ºC na parte oriental da floresta, com redução significativa das precipitações na área.

 

 

Vista aérea do leito seco do Rio Negro, em Iranduba

Vista aérea do leito seco do Rio Negro, em Iranduba

Alberto Cesar Araújo-25.out.10/Folhapress

Fonte: Sabine Righetti, De São Paulo


18 de março de 2011 | nenhum comentário »

Dióxido de carbono aqueceu a Terra no passado, dizem cientistas

Processos de aquecimento global durando milhares de anos aconteceram durante a história com mais frequência que se imaginava previamente. A conclusão é de um estudo da Universidade da Califórnia de San Diego, nos EUA, publicado pelo jornal científico “Nature”.

Os pesquisadores afirmam que a liberação de volumes de dióxido de carbono que estavam isolados no fundo do oceano e seria o mais provável causador desses eventos “hipertermais”. A maior parte deles aumentou as temperaturas em entre 2° e 3°C, número comparável às estimativas conservadoras do aquecimento das próximas décadas, causado pela ação humana.

Eles chegaram a essa conclusão por meio da análise de sedimentos recolhidos na costa da América do Sul. Pela quantidade de argila acumulada no núcleo desses sedimentos, foi possível identificar que houve acidificação do oceano, o que é explicado pela presença de dióxido de carbono na água.

Na maioria das vezes, esses hipertermais duraram cerca de 40 mil anos. Eles ocorriam aproximadamente a cada 400 mil anos durante um período quente da história da Terra, há 50 milhões de anos. Por volta de 40 milhões de anos atrás, o planeta entrou numa fase de esfriamento e não houve mais eventos dessa magnitude.

“Esses hipertermais não parecem ter sido eventos raros, portanto há muitos exemplos antigos de aquecimento global numa escala que, de modo geral, é como o aquecimento esperado para o futuro. Podemos usar esses eventos para examinar o impacto da mudança global nos ecossistemas marinhos, no clima e na circulação dos oceanos”, afirmou Richard Norris, geólogo que é um dos autores da pesquisa.

Desde o século XVIII, o uso de combustíveis fósseis já aumentou em quase 50% as concentrações de dióxido de carbono. O estudo dos hipertermais do passado deve ajudar os cientistas a produzir estimativas de quando tempo será preciso para reverter as temperaturas aumentadas pelas atividades humanas.

“Num período de entre cem e 300 anos, fizemos um efeito sobre a Terra que levará dezenas de milhares de anos para ser equilibrado, a julgar pelo histórico geológico”, afirmou Norris.

Fonte: G1

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7 de janeiro de 2011 | nenhum comentário »

Morcego voa à noite para não superaquecer

Experimento mostrou que animal também gasta energia demais quando viaja de dia.

Os morcegos e a escuridão da noite parecem ter sido feitos um para o outro, mas as razões biológicas desse casamento ainda não estavam claras. Para cientistas alemães, trata-se de um simples caso de equilíbrio energético. 

Cristian Voigt e Daniel Lewanzik, do Instituto Leibniz de Pesquisa Zoológica e da Universidade Livre de Berlim, respectivamente, afirmam que os mamíferos voadores preferem bater asas depois do crepúsculo porque esquentariam demais debaixo da luz solar. 

Eles chegaram a essa conclusão depois de experimentos com o morcego Carollia perspicillata, espécie comum em vários países da América do Sul e Central, inclusive no Brasil. Basicamente, o que fizeram foi observar o metabolismo do bicho durante vôos curtos durante o dia e à noite. 

Verificaram que, nas viagens diurnas, os bichos ficavam com a temperatura corporal 2°C mais elevada. Além disso, produziam 15% mais gás carbônico durante a respiração -sinal de que estavam gastando mais energia.

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 O vôo noturno ou crepuscular, portanto, seria um jeito de evitar que o organismo dos bichos entrasse em pane. É que, por terem asas membranosas e escuras, os morcegos absorvem quantidade considerável de luz solar, o que facilitaria seu superaquecimento de dia. 

É verdade que existem exceções a essa regra. Mas esses morcegos diurnos são, em geral, membros de espécies grandalhonas, que têm mais facilidade para adotar um estilo de vôo planado, sem bater muito as asas. 

Com isso, são capazes de economizar energia e correm menos risco de acabar superaquecendo.

(Reinaldo José Lopes)

(Folha de SP, 5/1)


31 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Cientistas voltam as atenções para a atividade solar em 2011

O próximo ano será marcante para o clima no espaço, pois o Sol despertará de uma fase de baixa atividade, dando início a um anunciado período de turbulência.

Muitas pessoas podem se surpreender ao saber que o Sol, ao invés de queimar com uma consistência ininterrupta, oscila em momentos de calmaria e agitação.

Mas após dois séculos de observação das manchas solares –marcas escuras, relativamente frias na superfície do sol, vinculadas com poderosas forças magnéticas– revelaram que a nossa estrela obedece a ciclos de comportamento de cerca de 11 anos. 

O último começou em 1996 e, por motivos que ainda permanecem obscuros, levou mais tempo que o previsto para terminar.

Agora, no entanto, há cada vez mais indícios de que o Sol está deixando o seu torpor e intensificando sua atividade enquanto avança para aquilo que os cientistas convencionaram chamar de “Solar Max” ou clímax cíclico, afirmam especialistas.

“A última previsão indica meados de 2013 como a fase pico do ciclo solar”, antecipou Joe Kunches, do Centro de Previsões do Clima Espacial da Nasa. “[Mas há um período prolongado de alta atividade], mais como uma estação, com duração de cerca de dois anos e meio” para cada fase do pico, alertou.

Em seu período mais intenso, o Sol pode lançar ondas de radiação eletromagnética e matéria carregada conhecida como ejeções de massas coronais (CMEs).

Esta onda de choque pode levar alguns dias para alcançar a Terra. Quando chega ao nosso planeta, condensa seu campo protetor magnético, liberando energia visível em altas latitudes na forma de auroras boreal e austral –as famosas luzes do Norte e do Sul.

Mas as CMEs não são apenas belos eventos. Elas podem desencadear descargas estáticas e tempestades geomagnéticas capazes de romper ou até mesmo causar pane na infraestrutura eletrônica da qual depende nossa sociedade urbanizada e obsecada por se manter conectada.

Menos temidos, porém igualmente problemáticos, são as erupções de prótons supercarregados que alcançam a Terra em questão de minutos.

Na linha de frente estão os satélites de telecomunicações em órbita geoestacionária, a uma altitude de 36.000 km, e os satélites do Sistema de Posicionamento Global (GPS), dos quais dependem os aviões e os navios modernos para navegação e que orbitam a 20 mil quilômetros.

Em janeiro de 1994, descargas de eletricidade estática provocaram uma pane de cinco meses no satélite de telecomunicações canadense Anik-E2, uma falha que custou US$ 50 milhões.

Em abril de 2010, a Intelsat perdeu o Galaxy 15, usado no serviço de comunicações na América do Norte, depois que o link com o controle de solo foi cortado, aparentemente devido à atividade solar.

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“Estas são falhas totais nas quais todos nós pensamos”, disse Philippe Calvel, engenheiro da empresa francesa Thales. “Ambas foram causadas por CMEs”, emendou.

Em 2005, raios-X de uma tempestade solar cortaram a comunicação entre o satélite e o solo e os sinais de GPS por cerca de dez minutos.

Para dar conta da fúria solar, projetistas de satélites escolhem componentes robustos, testados e experimentados, bem como proteção para o equipamento, mesmo que isto o deixe mais pesado e volumoso, e portanto mais caro de se lançar, disse Thierry Duhamel, da fabricante de satélites Astrium.

Outra precaução é a redundância, isto é, ter sistemas de backup para casos de mau funcionamento.

Na Terra, linhas de transmissão, conexões de dados e até mesmo oleodutos e gasodutos são potencialmente vulneráveis.

Um alerta remoto de risco remonta a 1859, quando a maior CME já observada ocasionou auroras avermelhadas, roxas e verdes mesmo em latitudes tropicais. A então recém-desenvolvida tecnologia do telégrafo enlouqueceu. Correntes induzidas geomagneticamente nos cabos deram choques em operações de telégrafos chegaram a incendiar os telegramas.

Em 1989, um fenômeno bem mais sutil cortou a energia do gerador da canadense Hydro Quebec, provocando um blecaute de nove horas que afetou seis milhões de pessoas.

“Há muito o que desconhecemos sobre o Sol. Mesmo no suposto declínio ou fase de calmaria, podemos ter campos magnéticos que são muito concentrados e energizados por um tempo, e podemos ter atividade eruptiva atípica. Para resumir, temos uma estrela variável”, concluiu Kunches.

(France Presse)

(Folha Online, 29/12)


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