21 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisadores do clima dizem ter resolvido mistério da elevação do mar

Extração de águas subterrâneas explicariam parte do aumento dos níveis.
Causas da elevação do nível do oceano ainda não são totalmente conhecidas.

A extração massiva de águas subterrâneas pode resolver um mistério relacionado à elevação dos níveis do mar nas últimas décadas, pesquisadores japoneses informaram neste domingo (20).

Especialistas estimam que os níveis globais do mar tenham aumentado, em média, 1,8 milímetros por ano de 1961 a 2003, mas a grande questão é o quanto disso pode ser atribuído ao aquecimento global.

Um relatório de 2007 divulgado no Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU, o IPCC, atribuía a elevação de 1,1 milímetros por ano à expansão térmica dos oceanos e ao degelo das geleiras, calotas polares e calotas da Groenlândia e da Antártida. Os outros 0,7 milímetros não têm origem atribuída e acabaram se tornando um mistério para vários cientistas, que se perguntavam se os dados estavam realmente corretos.

Em um estudo publicado no jornal “Nature Geoscience”, um time de pesquisadores liderado por Yadu Pokhrel, da Universidade de Tóquio, diz que a resposta está na água que é extraída dos aquíferos subterrâneos, rios e lagos, para o desenvolvimento humano, e nunca é reposta.

Eventualmente, essa água chega ao oceano por meio de rios e da evaporação, informa o estudo. A pesquisa afirma que a extração dessa água é um componente importante para resolver o mistério da elevação dos níveis do ar.

“O uso insustentável das águas subterrâneas, represas artificiais, armazenamento terrestre de água causado pelo clima e a perda de água de bacias fechadas contribuíram para o aumento dos mares de 0,77 milímetros por ano de 1961 a 2003, cerca de 42% do aumento observado”, diz a pesquisa.

O estudo pretende preencher uma das lacunas na complexa ciência das mudanças climáticas. Os pesquisadores admitem que existem muitas incógnitas sobre as maneiras com as quais os oceanos respondem ao aquecimento, e uma delas é relacionada ao aumento dos níveis do mar.

Mesmo que pequeno, um aumento repetido ano após ano pode, eventualmente, causar um impacto dramático nas localizações que são vulneráveis a tempestades ou ao influxo de água salgada nos aquíferos e campos costeiros.

O estudo divulgado em 2007 pelo IPCC revela que os oceanos se elevarão algo entre 18 e 59 centímetros até o final do século. Apesar disso, a estimativa não leva em consideração às águas derretidas das calotas da Groenlândia e da Antártida.

Uma pesquisa publicada no ano passado pelo Projeto de Monitoramento e Avaliação do Ártico afirma que os níveis do mar subirão, pelas tendências atuais de derretimento, de 90 centímetros a 1,6 metros até 2100.

Fonte: Globo Natureza


10 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Brasil desconhece nível de contaminação de águas subterrâneas

Não existe dado nacional sobre qualidade dos aquíferos, admite agência.
Investimento de R$ 15 milhões visa identificar possíveis focos de poluição

O governo federal pretende desembolsar R$ 15 milhões para que a Agência Nacional de Águas (Ana) investigue possíveis contaminações em áreas que concentram grande volume de água subterrânea.

O objetivo é fazer um levantamento nacional sobre as condições destes locais e delinear ações preventivas para conservar essas áreas da alta concentração urbana, responsável pelo lançamento de rejeitos industriais e esgoto sem tratamento em nascentes e cursos de água.

Ainda não existem no Brasil estatísticas nacionais sobre a quantidade de solos e águas subterrâneas que sofreram danos ambientais. Um dos motivos é que a responsabilidade de manutenção é dos estados. “Estamos atrasados, mas ainda há tempo para obter este conhecimento”, diz o geólogo Paulo Varella, diretor da Ana.

A formação de grandes cidades, que concentram indústrias e, muitas vezes, bairros sem infraestrutura de saneamento básico, pode já ter contaminado o solo e, consequentemente, as águas de reservatórios naturais, mesmo aqueles localizados a uma profundidade que varia de 80 metros a 1.000 metros  de profundidade.

“Mesmo com algumas contaminações constatadas, como na região de São Paulo, por exemplo, são poucos os pontos para a grande quantidade de reservas que existem no Brasil”, explica Varella.

Investigação ambiental
De acordo com ele, o primeiro estudo iniciado foi na bacia do Rio Amazonas, considerada a maior do mundo. Posteriormente, serão analisados os aquíferos Urucuia (principal fornecedor de água para o Rio São Francisco, no Nordeste do país), Açú e Jandaíra (que abrange o Ceará e Rio Grande do Norte), além do Guarani, o maior do país, com 45 mil km³ de volume de água e que passa pela Argentina, Paraguai e Uruguai.

Serão analisadas características hidroquímicas (qualidade das águas) e hidrodinâmicas (extensão dos reservatórios e volume deles). Na Bacia do Amazonas, o prazo de conclusão dos estudos está previsto para o primeiro semestre de 2013.

“Vamos fazer o diagnóstico dessa região no intuito de prevenir quaisquer contaminações. A nossa expectativa é que consigamos descrever detalhes que vão colocar este aquífero na região da Bacia do Amazonas entre os maiores do mundo e maior até que a o aquífero Guarani”, explica Varella.

Brasil: um país com pouco saneamento básico
Entretanto, o diretor da agência afirma que já podem existir trechos do reservatório já contaminados devido à falta de saneamento nas grandes cidades. “Nas proximidades de Belém (PA) já há registros de contaminação por falta de tratamento de esgoto. É uma realidade do Brasil que precisa ser melhorada”, explica.

Segundo o relatório “Conjuntura dos Recursos Hídricos”, divulgado neste ano pela Ana, o Brasil coleta 56,6% do esgoto doméstico urbano. Entretanto, apenas 34% deste volume passa por tratamento.

Varella cita que investimentos neste setor são necessários, pois a recuperação de reservatórios subterrâneos de água podem demorar anos. “Mais que o tempo de vida de uma pessoa. A saúde dos aquíferos depende dos primeiros metros de solo. Não vamos ter erradicação da pobreza se não cuidarmos do saneamento básico. Mas o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) tem voltado recursos para este setor”, afirma.

Rio Amazonas (Foto: Rede Globo)

Imagem do Rio Amazonas, a maior bacia hidrográfica do mundo. Águas que existem abaixo da superfície podem reunir um dos maiores aquíferos do mundo, segundo a Agência Nacional de Águas (Foto: Rede Globo)

Fonte: Eduardo Carvalho. Globo Natureza, São Paulo






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21 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisadores do clima dizem ter resolvido mistério da elevação do mar

Extração de águas subterrâneas explicariam parte do aumento dos níveis.
Causas da elevação do nível do oceano ainda não são totalmente conhecidas.

A extração massiva de águas subterrâneas pode resolver um mistério relacionado à elevação dos níveis do mar nas últimas décadas, pesquisadores japoneses informaram neste domingo (20).

Especialistas estimam que os níveis globais do mar tenham aumentado, em média, 1,8 milímetros por ano de 1961 a 2003, mas a grande questão é o quanto disso pode ser atribuído ao aquecimento global.

Um relatório de 2007 divulgado no Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU, o IPCC, atribuía a elevação de 1,1 milímetros por ano à expansão térmica dos oceanos e ao degelo das geleiras, calotas polares e calotas da Groenlândia e da Antártida. Os outros 0,7 milímetros não têm origem atribuída e acabaram se tornando um mistério para vários cientistas, que se perguntavam se os dados estavam realmente corretos.

Em um estudo publicado no jornal “Nature Geoscience”, um time de pesquisadores liderado por Yadu Pokhrel, da Universidade de Tóquio, diz que a resposta está na água que é extraída dos aquíferos subterrâneos, rios e lagos, para o desenvolvimento humano, e nunca é reposta.

Eventualmente, essa água chega ao oceano por meio de rios e da evaporação, informa o estudo. A pesquisa afirma que a extração dessa água é um componente importante para resolver o mistério da elevação dos níveis do ar.

“O uso insustentável das águas subterrâneas, represas artificiais, armazenamento terrestre de água causado pelo clima e a perda de água de bacias fechadas contribuíram para o aumento dos mares de 0,77 milímetros por ano de 1961 a 2003, cerca de 42% do aumento observado”, diz a pesquisa.

O estudo pretende preencher uma das lacunas na complexa ciência das mudanças climáticas. Os pesquisadores admitem que existem muitas incógnitas sobre as maneiras com as quais os oceanos respondem ao aquecimento, e uma delas é relacionada ao aumento dos níveis do mar.

Mesmo que pequeno, um aumento repetido ano após ano pode, eventualmente, causar um impacto dramático nas localizações que são vulneráveis a tempestades ou ao influxo de água salgada nos aquíferos e campos costeiros.

O estudo divulgado em 2007 pelo IPCC revela que os oceanos se elevarão algo entre 18 e 59 centímetros até o final do século. Apesar disso, a estimativa não leva em consideração às águas derretidas das calotas da Groenlândia e da Antártida.

Uma pesquisa publicada no ano passado pelo Projeto de Monitoramento e Avaliação do Ártico afirma que os níveis do mar subirão, pelas tendências atuais de derretimento, de 90 centímetros a 1,6 metros até 2100.

Fonte: Globo Natureza


10 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Brasil desconhece nível de contaminação de águas subterrâneas

Não existe dado nacional sobre qualidade dos aquíferos, admite agência.
Investimento de R$ 15 milhões visa identificar possíveis focos de poluição

O governo federal pretende desembolsar R$ 15 milhões para que a Agência Nacional de Águas (Ana) investigue possíveis contaminações em áreas que concentram grande volume de água subterrânea.

O objetivo é fazer um levantamento nacional sobre as condições destes locais e delinear ações preventivas para conservar essas áreas da alta concentração urbana, responsável pelo lançamento de rejeitos industriais e esgoto sem tratamento em nascentes e cursos de água.

Ainda não existem no Brasil estatísticas nacionais sobre a quantidade de solos e águas subterrâneas que sofreram danos ambientais. Um dos motivos é que a responsabilidade de manutenção é dos estados. “Estamos atrasados, mas ainda há tempo para obter este conhecimento”, diz o geólogo Paulo Varella, diretor da Ana.

A formação de grandes cidades, que concentram indústrias e, muitas vezes, bairros sem infraestrutura de saneamento básico, pode já ter contaminado o solo e, consequentemente, as águas de reservatórios naturais, mesmo aqueles localizados a uma profundidade que varia de 80 metros a 1.000 metros  de profundidade.

“Mesmo com algumas contaminações constatadas, como na região de São Paulo, por exemplo, são poucos os pontos para a grande quantidade de reservas que existem no Brasil”, explica Varella.

Investigação ambiental
De acordo com ele, o primeiro estudo iniciado foi na bacia do Rio Amazonas, considerada a maior do mundo. Posteriormente, serão analisados os aquíferos Urucuia (principal fornecedor de água para o Rio São Francisco, no Nordeste do país), Açú e Jandaíra (que abrange o Ceará e Rio Grande do Norte), além do Guarani, o maior do país, com 45 mil km³ de volume de água e que passa pela Argentina, Paraguai e Uruguai.

Serão analisadas características hidroquímicas (qualidade das águas) e hidrodinâmicas (extensão dos reservatórios e volume deles). Na Bacia do Amazonas, o prazo de conclusão dos estudos está previsto para o primeiro semestre de 2013.

“Vamos fazer o diagnóstico dessa região no intuito de prevenir quaisquer contaminações. A nossa expectativa é que consigamos descrever detalhes que vão colocar este aquífero na região da Bacia do Amazonas entre os maiores do mundo e maior até que a o aquífero Guarani”, explica Varella.

Brasil: um país com pouco saneamento básico
Entretanto, o diretor da agência afirma que já podem existir trechos do reservatório já contaminados devido à falta de saneamento nas grandes cidades. “Nas proximidades de Belém (PA) já há registros de contaminação por falta de tratamento de esgoto. É uma realidade do Brasil que precisa ser melhorada”, explica.

Segundo o relatório “Conjuntura dos Recursos Hídricos”, divulgado neste ano pela Ana, o Brasil coleta 56,6% do esgoto doméstico urbano. Entretanto, apenas 34% deste volume passa por tratamento.

Varella cita que investimentos neste setor são necessários, pois a recuperação de reservatórios subterrâneos de água podem demorar anos. “Mais que o tempo de vida de uma pessoa. A saúde dos aquíferos depende dos primeiros metros de solo. Não vamos ter erradicação da pobreza se não cuidarmos do saneamento básico. Mas o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) tem voltado recursos para este setor”, afirma.

Rio Amazonas (Foto: Rede Globo)

Imagem do Rio Amazonas, a maior bacia hidrográfica do mundo. Águas que existem abaixo da superfície podem reunir um dos maiores aquíferos do mundo, segundo a Agência Nacional de Águas (Foto: Rede Globo)

Fonte: Eduardo Carvalho. Globo Natureza, São Paulo