23 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Floresta com Araucária, quase extinta

gritos-araucaria-abre-325x167Resta pouco – 1 a 2% – do que um dia foi a maior floresta do sul do Brasil. Decisões políticas equivocadas, desmatamento desenfreado e completo descaso pela natureza devastaram imensas áreas de uma exuberante vegetação. E muito pouco está sendo feito para reverter essa situação. Livro lançado este mês registra o drama desse ecossistema

Vale a pena repetir. Restaram somente cerca de 1% a 2% da cobertura original da Floresta com Araucária, que, no passado, cobriu grande parte do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e, ainda, áreas menores na região da Mantiqueira – São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Se não bastasse a percentagem chocante, é mais revoltante ainda descobrir que o estado do Paraná continua sendo, ainda hoje, o maior exportador de araucária do país. Realmente, não faz o menor sentido, principalmente quando se leva em conta que o belíssimo pinheiro do Paraná é um dos símbolos desse estado.

Não é de hoje que a floresta, que abriga essas espécies centenárias, quase milenares, vem sendo maltratada. A história é antiga. Entretanto, é preciso explicar a importância desse bioma para o ecossistema brasileiro.

Até hoje, no mundo todo foram identificadas 41 espécies de árvores da Família Araucariaceae, distribuídas em três gêneros: Agathis, Wollemia e Araucaria. A Araucaria é subdividida em 19 espécies, todas elas encontradas no Hemisfério Sul, incluindo pequenas áreas na Oceania e Austrália. Na América do Sul, existem apenas duas espécies: a Araucária-do-chile, presente no Chile e Argentina, e a Araucária ou Pinheiro-brasileiro, localizado no Brasil e em pequenas manchas no Paraguai e também na Argentina. No Paraná, a Floresta com Araucárias chegou a cobrir 40% da superfície, em Santa Catarina 30% e Rio Grande do Sul 25%. Com seu imponente tronco e a copa voltada para o sol, a araucária levava beleza e biodiversidade para a região.

Acredita-se que a Floresta com Araucária começou a tomar forma no sul do Brasil após a última glaciação do planeta e atingiu o ápice há aproximadamente 2.200 anos. “Essa floresta é uma das formas de vegetação mais antigas do mundo, que são as florestas com coníferas”, explica Mauricio Savi, doutor em engenharia florestal e mestre em conservação da natureza pela Universidade Federal do Paraná. Inicialmente sendo mais predominante na região sudeste do país, com o aumento da umidade no sul, a floresta encontrou as condições perfeitas para se desenvolver plenamente. Uma araucária vive, em média, 700 anos, entretanto algumas podem chegar a mais de mil anos de vida.

Pesquisadores afirmam que a Floresta com Araucária chegou a ocupar aproximadamente 200 mil quilômetros quadrados do chamado Planalto Meridional. Principal espécie desse ecossistema, ela não é a única. Rica em biodiversidade, a floresta é formada por outras centenas de espécies vegetais e animais. Já foram identificadas nela mais de 1.500 espécies botânicas entre herbáceas, arbustivas e arbóreas, além de epífitas, musgos e fungos. “A floresta apresenta uma fauna exuberante, característica do sul do Brasil, podendo-se encontrar tucanos, gaviões, lobos-guarás, codornas, saracuras, emas. Infelizmente com a devastação das florestas, alguns desses animais entraram em extinção”, afirma Savi.

Foi nas primeiras décadas do século XX que a maior floresta do sul do Brasil começou a ser destruída. No Rio Grande do Sul, na divisa com a Argentina e Uruguai, os “coronéis” de estâncias se tornaram bastante fortes politicamente e influenciaram a maneira como a floresta passou a ser vista e tratada. “Impulsionados pelo governo Getúlio Vargas, os gaúchos foram incentivados a ocupar as terras do Paraná e Santa Catarina. Para isso, foram devastando a Floresta com Araucária. Naquela época, o lema era terra boa é terra limpa”, conta o biológo. “Ainda hoje é lei, acredite ou não. A floresta cortada ou dizimada vale mais que a floresta em pé”.

Para trazer abaixo essa vegetação secular foi usado, num primeiro momento, p fogo e, em seguida, o machado. “Foi uma dizimação com apoio governamental”, diz Mauricio Savi. Junto com a floresta, índios e caboclos que moravam perto ou dentro dela também perderam a vida. Foi nessa época também que surgiu a Lumber, a maior madeireira de todos os tempos na América Latina. Localizada no município de Três Barras, em Santa Catarina, a madeireira chegou a exportar um bilhão de metros cúbicos de araucária. Sob os mandos do proprietário, o americano Percival Farquhar, em 40 anos de existência, a Lumber cortou 15 milhões de pinheiros e milhões de outras árvores nativas de grande valor comercial, como as várias espécies de canelas e também a imbuia.

Vergonhosamente, o Brasil se tornou o maior exportador mundial de araucária, utilizada, principalmente durante o período da Segunda Guerra, pela indústria siderúrgica e aeronáutica, já que a madeira brasileira era leve e fácil de ser trabalhada.

Com a derrubada das araucárias, veio a erosão, o empobrecimento do solo, a mudança no clima da região e no regime hídrico, além obviamente, de uma alteração estúpida – em todos os sentidos, da paisagem natural. E é através das lentes de sua máquina fotográfica, que ao longo dos últimos 23 anos, o fotógrafo curitibano Zig Koch vem registrando o fim da floresta que lhe é tão cara. “Passei minha infância viajando por municípios vizinhos de Curitiba, onde havia araucárias belíssimas. Hoje, muitas dessas áreas não existem mais ou viraram áreas agrícolas”, lamenta Koch.

“À beira da extinção, temos pouco tempo e uma última chance de reagir para que esta floresta sobreviva ao século XXI e a araucária – fóssil vivo, que avançou sobre a Terra por 250 milhões de anos – não desapareça…”. É dessa maneira tocante, logo na introdução do livro Araucária – A Floresta do Brasil Meridional – lançado neste mês pela Editora Olhar Brasileiro (Leia a reportagem Floresta Araucária é tema de livro ) – que Zig Koch e a mulher e jornalista, Maria Celeste Corrêa fazem um apelo pela salvação da floresta. Dois apaixonados pela natureza, Zig mostra através de belíssimas imagens a força da araucária, Maria Celeste traça um texto conclusivo sobre a tragédia que se abate sobre esse importante ecossistema do sul do país. “Infelizmente, não é só a floresta que está morrendo. Quando um papagaio voa quilômetros e mais quilômetros para encontrar o alimento que deveria estar na floresta, e não o encontra, ele acaba morrendo porque não tem mais forças para fazer o caminho de volta”, conta a jornalista.

A obra bilíngue (inglês e português) tem 168 páginas e cerca de 175 fotos. “Minhas lentes foram registrando a depauperação da floresta”, constata Koch. Para acompanhar as imagens, Maria Celeste Corrêa fez uma pesquisa intensa durante os últimos 12 anos. Viajou junto com o marido, contou com a colaboração de 14 consultores científicos e leu uma centena de livros para aprender mais sobre a população de índios Kaigang, primeiros habitantes da floresta. Pelas andanças na região, a jornalista se defrontou com depoimentos contundentes de gente humilde, mas nem por isso ignorante. Um deles é do mateiro (nome dado a quem derruba árvores) gaúcho Gerôncio Ferreira, de 70 anos. “Derrubei muito pinheiro com mais de 80 centímetros de diâmetro. Também cortei muita imbuia e canela. Foi o meu serviço a vida inteira. Também vi muito banditismo dos invasores de terras. Tiravam o mate, tocavam fogo por baixo e queimavam tudo. Naquele tempo, a gente não tinha estudo. Não sabia que tudo ia se acabar. Hoje, eu digo: tem gente que não vai conhecer pinhão. Se o governo não mandar plantar o pinheiro nativo, não exigir, isso vai dar problema. Ora, um dia faz 40 graus e no outro cai geada. O que é isso? A natureza está exigindo providência!”, avisa Ferreira.

O livro mostra, ainda, que a extração da madeira, as queimadas, a substituição da flora original pelo plantio de exóticas, a pressão urbana e a ocupação de terras por movimentos sociais são os verdadeiros assassinos da Floresta com Araucária. “Nascentes de água secaram porque a mata foi cortada. E quando uma árvore é derrubada, toda aquela água que ela continha vai para a atmosfera de maneira desequilibrada. É por isso que temos nevascas e tempestades desproporcionais, calor ou frio intensos”, explica Koch. O mateiro, que vive da floresta, e o fotógrafo, que busca a sobrevivência dela, chegam a uma mesma conclusão. É hora de dar um basta.

E o que está sendo feito para reverter essa situação? Infelizmente, muito pouco. Em 2005, o governo federal criou seis áreas de proteção à Floresta com Araucária nos estados do Paraná e Santa Catarina. Até hoje, não houve desapropriações, já que o governo não indenizou as famílias que deveriam deixar essas terras. “O governo é omisso!”, critica Mauricio Savi. E o ambientalista vai mais longe. “São gerações e gerações de famílias destruindo a mata. Primeiro foram os avôs, depois os filhos e agora os netos. Gente que continua derrubando árvores. Muitos políticos estão intimamente ligados a esse negócio e não fazem absolutamente nada para mudar a situação”.

O livro revela: “À exceção das áreas derrubadas com finalidade agrícola, as outras vêm sofrendo o corte seletivo da madeira, no qual são derrubadas apenas as árvores mais frondosas – e que alcançam maior valor no mercado clandestino. As toras são retiradas por estradinhas secundárias, muitas vezes à noite ou nos finais de semana, para tentar driblar a fiscalização”.

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O madeireiro não consegue vislumbrar o futuro. Só o hoje, o agora. “Quando ele olha para a árvore, ele pensa no dinheiro que vai pagar a festa de 15 anos da filha”, afirma Maria Celeste. Por isso mesmo, com essas populações, o simples apelo à preservação ambiental não funciona. Nas grandes cidades, mas ainda muito lentamente, as pessoas se tornam mais sensíveis a isso. “Quando cai uma árvore, junto com ela desaparece a memória e a cultura de um povo”, desabafa Savi.

Enquanto a ineficácia das políticas públicas só aumenta a dor da floresta, algumas iniciativas isoladas de organizações não-governamentais tentam minimizar o problema. Um desses exemplos é o do Programa Florar, criado pelo Instituto Agroflorestal Bernardo Hakvoort (IAF), que conta com o apoio ONG The Nature Conservancy (TNC)*. Fazem parte do programa 170 produtores rurais do município paranaense de Turvo, que decidiram investir na exploração sustentável de produtos não madeiráveis.

A beleza das fotos de Zig Koch e o alerta do texto de Maria Celeste Corrêa também foram transformados em uma exposição com 44 paineis. As imagens do fotógrafo foram doadas para a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) e farão parte de mostra itinerante que a instituição organizará em 2011.

Juntos, jornalista e fotógrafo, marido e mulher, querem se tornar pequenos agentes de mudança. “Temos que usar nosso conhecimento. Queremos que o livro toque as pessoas para que haja uma mudança de comportamento. A gente já destruiu uma floresta, vamos destruir outras? Precisamos dar uma chance à natureza para que ela possa manter nosso planeta vivo”, diz Koch.

*The Nature Conservancy (TNC)

Suzana Camargo – Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentável – 20/12/2010


15 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Chuva deixa mais de 1,3 mil fora de casa no Paraná

15/12/2010

Mais de 1,3 mil pessoas tiveram de deixar suas casas por causa da chuva que atinge municípios no Paraná desde segunda-feira (13). De acordo com a Defesa Civil, 1.261 pessoas estão desalojadas e 114 desabrigadas. O número de pessoas afetadas no estado chega a 12 mil.

O município mais prejudicado é Pinhais, que registrou cem desabrigados e mil desalojados. O número de residências danificadas chega a 600.

De acordo com a Defesa Civil, em Curitiba, foram registrados 15 desabrigados e desalojados. A chuva danificou 14 casas na cidade.

Outros municípios que registraram prejuízos com alagamentos, destelhamentos e deslizamentos de terra foram: Almirante Tamandaré, Araucária, Campina Grande do Sul, Colombo, Fazenda Rio Grande, Guarapuava, Ibaiti, Morretes, Lapa e Piraquara.

Houve registro de quedas de árvore por causa do vento forte em Curitiba, Araucária e Guarapuava. Não há informações sobre feridos.

Fonte: G1


4 de junho de 2010 | nenhum comentário »

Legislaçao é incapaz de conter o Desmatamento: o exemplo da Araucaria

Ambiente Brasil

Paula Rachel Rabelo Corrêa (*)

Araucaria angustifolia

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, também conhecida como pinheiro brasileiro, araucária ou pinho do Paraná representa mais de 40% dos indivíduos arbóreos da Floresta Ombrófila Mista (FOM), um dos mais exuberantes ecossistemas brasileiro, apresentando valores de abundância, dominância e freqüência bem superiores às demais espécies componentes desta associação. Neste ecossistema, a A. augustifolia ocorria naturalmente numa extensão de 200.000 mil Km2 entre a região sul e sudeste do Brasil, cobrindo, originalmente, 40% do estado Paraná, 31% de Santa Catarina, 25% do Rio Grande do Sul, e com manchas esparsas no sul de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Esta importante condição fitossociológica torna a araucária espécie referência da FOM. Por essa razão os estudos devem se concentrar nesta espécie pioneira de modo que os resultados encontrados podem ser extrapolados para todo o ecossistema.

Em termos históricos, a exploração da araucária foi mais intensa a partir de 1934, atingindo seu auge no período de 1950 a 1970. Até a década de 70, ela foi o principal produto brasileiro de exportação na área florestal, respondendo com mais de 90% da madeira remetida para fora do país. Além da sua relação de proximidade com o desenvolvimento do Brasil, houve tempos em que os produtores rurais tinham orgulho de ensinar aos seus filhos a plantar e a manter vários exemplares nas suas propriedades. O produtor sempre foi, na sua grande maioria, um preservador natural desta espécie e não o vilão de sua devastação como erroneamente se coloca hoje. Os grandes cortes desta espécie aconteceram no passado e foram impulsionados pela qualidade da madeira e pela facilidade de se obter matéria prima para o desenvolvimento deste país. Devemos mencionar, inclusive, a importância dessa matéria-prima na construção de Brasília.

Atualmente, sua devastação esta ligada a um total desconhecimento da sua variabilidade genética e a políticas públicas punitivas e preconceituosas com aqueles que sempre tiveram orgulho em preservar a espécie, mas que hoje, diante da legislação vigente, e por uma questão de sobrevivência, preferem não se envolver com a araucária. Como a espécie está colocada na lista de extinção, o produtor além de não poder aproveitar economicamente a extração de seus frutos (como o pinhão, por exemplo), ainda corre o risco de ter sua área declarada área de conservação. Diante deste quadro, ela perdeu totalmente sua sustentabilidade, que é a maneira mais barata e sensata de se proteger uma espécie.

Essa realidade precisa ser revertida porque compromete a preservação de uma das espécies florestais com maior potencial produtivo e econômico (papel, palito de fósforo, artesanato, ecoturismo, agronegócio, paisagismo, móveis, alimentação) do Brasil, mas que, infelizmente, não pode ser aproveitada por conta de uma lacuna a ser preenchida na legislação atual.

O cenário atual revela que as unidades de conservação existentes não estão sendo eficazes no cumprimento de suas funções, seja pela falta de regularização fundiária ou por carência de pessoal capacitado, ou até mesmo pelas precárias condições das instituições que deveriam zelar pela sua conservação. Aliado ao problema da legislação, a situação é ainda mais séria quando se avalia a mudança de comportamento cultural da população, que na atualidade, veem a araucária como uma praga e não como fonte de rentabilidade para sua propriedade.

A Araucária foi colocada na lista de espécies em extinção para supostamente ser protegida e para disciplinar a conservação e o uso do bioma da mata atlântica e seus ecossistemas, uma vez que não existiam critérios técnicos cientificamente embasados sobre a situação da espécie. Esta medida foi um verdadeiro tiro no pé, com as instituições públicas brasileiras insistindo em tentar reverter o desmatamento através de políticas repressoras, o que historicamente não funcionou em nenhum país onde estas medidas foram tomadas.

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Para reverter este quadro é necessário cumprir com a Resolução nº. 317 do CONAMA que determina a elaboração de um plano Estadual, devidamente registrado no órgão ambiental competente para adequar a legislação vigente, e fixar critérios técnicos, cientificamente embasados que irão garantir a sustentabilidade da exploração comercial da espécie e ao mesmo tempo a manutenção da diversidade genética das populações, servindo de base para nortear políticas públicas e desenvolver estratégias de conservação e uso sustentável da espécie.

Esse estudo passa a ser instrumento indispensável para sobrevivência da espécie porque irá permitir que ela se torne auto-sustentável. Além disso, acredito que tal expediente deve ser combinando estratégias de conservação in situ e ex situ auxiliado por ferramentas moleculares. A conservação in situ permite preservar e estudar esta espécie no seu ambiente natural, formando um elo importante entre seus principais remanescentes. A conservação ex situ, por sua vez, é aconselhável porque ela pode garantir a sobrevivência da espécie e preservar a variabilidade genética existente nos fragmentos onde a conservação in situ não está garantida.

No entanto, para reverter o quadro calamitoso em se encontra a Araucária, ações rápidas de governo devem ser executadas paralelamente, como por exemplo: liberar o plantio comercial da espécie em áreas de agricultura, facilmente delimitadas pelo georeferenciamento via internet e de domínio público. Para melhorar o controle sobre as áreas liberadas para plantios comerciais, que não podem sobrepor às áreas de conservação, cabe ao estado disponibilizar imagens de satélite com alta resolução, dentro do bioma, que sofrem mais pressão antrópica e disponibilizar para o controle público as áreas onde os plantios estão liberados.

Com ações neste sentido teremos a população como parceira na conservação do nosso patrimônio florestal e participando justamente dos lucros e benefícios de possuir ecossistemas com tanta biodiversidade e que devem ser sustentavelmente utilizados para melhorar a qualidade de vida da nossa gente.

(*) Bióloga geneticista. Atualmente, faz doutorado na UFPR/ Embrapa Florestas na área de melhoramento florestal, com ênfase na seleção de resistência patógeno/hospedeiro. É sócia da Biogenomika Tecnologia em DNA, empresa incubada na UFPR. paularabelo@biogenomika.com.br


16 de março de 2009 | nenhum comentário »

Paraná desmata o que sobrou da araucária

Vista aérea, a partir do helicóptero usado pela fiscalização: dezenas de toras à espera de caminhões para serem removidas (Divulgação / IAP)

Vista aérea, a partir do helicóptero usado pela fiscalização: dezenas de toras à espera de caminhões para serem removidas (Divulgação / IAP)

Ibama e Polícia Federal sobrevoam áreas remanescentes de floresta e descobrem ação ilegal de madeireiras

General Carneiro – O pouco que resta de floresta de araucária no Paraná – só 0,8% do que existiu permanece preservado – está sendo sistematicamente derrubado. Uma série de fiscalizações ambientais indica que 30 caminhões carregados de toras de árvores nativas circulam livremente todos os dias na região Centro-Sul do estado. São pinheiros que viram carvão; imbuias que já saem da mata transformadas em palanques de cerca; e cedros, na forma de cavaco, que alimentam caldeiras.Araucárias de mais de 100 anos e com 1,55m de diâmetro foram encontradas no chão, estaleiradas, prontas para serem transportadas para serrarias. Fiscais acharam chapas de compensado feitas de pínus nas lâminas externas e recheadas com madeira nobre. Esse foi o cenário encontrado por operações conjuntas do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Polícia Federal realizadas nos últimos seis meses. A ação resultou em 31 autos de infração, com multas que totalizam R$ 6 milhões, e na apreensão de 1,3 mil metros cúbicos de madeira – quantidade suficiente para encher 86 caminhões. São muitos os envolvidos que estão sendo investigados.

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As fiscalizações partiram de um estudo de prioridade de área de combate ao desmatamento. O levantamento foi realizado em parceria pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Ibama, em todo o Brasil. E, no Paraná, o mapa apontou que a região mais afetada e que exige mais atenção dos órgãos ambientais é a Centro-Sul – onde estão as áreas mais bem preservadas de floresta de araucária. Essas matas ainda estão em pé, acredita o superintendente estadual do Ibama, José Álvaro Carneiro, porque a topografia montanhosa e a dificuldade de acesso pelas estradas representavam desafios que podiam ser protelados enquanto outras regiões mais acessíveis eram exploradas.

Carneiro acrescenta que na área em que se concentra a fiscalização confluem quatro das seis maiores bacias hidrográficas do Paraná. O Rio Iguaçu, que aumenta em quase dez vezes o volume ao passar pelo Centro-Sul, por exemplo, depende essencialmente da presença da vegetação para continuar sendo abastecido de água.O helicóptero tem sido um aliado essencial na comprovação do desmatamento. É que os madeireiros usam estradas de pouco movimento para minimizar as chances de encontrar fiscais e delatores, agem preferencialmente à noite e evitam derrubar áreas que chamem muita atenção. À exceção do desmate para transformar a terra em área de lavoura, não são mais devastadas áreas grandes. “Aproximadamente 80% do desmate é de corte seletivo. São tiradas as árvores que mais interessam economicamente. Assim, a área fica empobrecida, viabilizando o corte total num momento futuro, e não aparece nas imagens de satélite”, explica o superintendente do Ibama.Os sobrevoos rasantes de helicóptero servem para identificar esse tipo de desflorestamento. Muitos flagrantes são percebidos na vistoria aérea e rendem cerca de três meses de trabalho de fiscalização em terra. “Como seria possível, dentro de uma fazenda enorme, achar onde está a derrubada? Não vamos encontrar nada ao lado da sede da propriedade ou na beira da estrada”, salienta.

As investigações ainda estão apurando quem são os proprietários de terras, os madeireiros e os receptadores das toras. Até agora, 12 inquéritos foram instaurados pela Polícia Federal. Segundo Carneiro, há desmatadores contumazes. Pessoas que sabem como funciona a burocracia estatal – ou que algumas pessoas são facilmente corrompidas – continuam cortando árvores nativas na certeza da impunidade. Eles acreditam que sempre vão conseguir protelar ou mesmo contestar as multas recebidas. Mas os esforços de repressão e os entraves burocráticos para a autorização de corte já tiveram efeitos e acabaram tirando o valor comercial da araucária. Dificilmente, por exemplo, ela vai para a fabricação de móveis. A madeira do pinheiro é negociada basicamente no mercado clandestino, transportada e serrada à noite. Ou queimada em fornos de carvão, como uma forma de tentar apagar os vestígios do corte. As toras legalizadas, vindas de áreas de reflorestamento, são usadas principalmente na construção civil.Toras com até 1,50 metro de diâmetro são encontradas pelos fiscais do Ibama e do IAP em áreas onde ainda há atuação de madeireiras: corte das espécies de araucária é ilegal.

Toras com até 1,50 metro de diâmetro são encontradas pelos fiscais do Ibama e do IAP em áreas onde ainda há atuação de madeireiras: corte das espécies de araucária é ilegal

Toras com até 1,50 metro de diâmetro são encontradas pelos fiscais do Ibama e do IAP em áreas onde ainda há atuação de madeireiras: corte das espécies de araucária é ilegal

Prenúncio da extinção

A araucária é uma árvore milenar e alguns especialistas acreditam que a redução drástica na quantidade de espécies já significa o prenúncio da extinção, tendo em vista a diminuição das probabilidades de combinação genética. Além disso, é a chamada floresta com araucária que está em risco. Nesse tipo de composição ambiental, o pinheiro é a árvore que mais se destaca, mas todas as demais espécies de animais e vegetais que dependem dessa formação estão ameaçadas.

“Cada espécie no ambiente tem uma função determinada, já que na natureza nada existe ao acaso. Muitas vezes desconhecemos essa função. E o desaparecimento de uma espécie causa um desequilíbrio na cadeia que envolve a alimentação de outros seres e a manutenção dos recursos naturais.”, explica Karina Luiza de Oliveira, bióloga da ONG Mater Natura.






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23 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Floresta com Araucária, quase extinta

gritos-araucaria-abre-325x167Resta pouco – 1 a 2% – do que um dia foi a maior floresta do sul do Brasil. Decisões políticas equivocadas, desmatamento desenfreado e completo descaso pela natureza devastaram imensas áreas de uma exuberante vegetação. E muito pouco está sendo feito para reverter essa situação. Livro lançado este mês registra o drama desse ecossistema

Vale a pena repetir. Restaram somente cerca de 1% a 2% da cobertura original da Floresta com Araucária, que, no passado, cobriu grande parte do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e, ainda, áreas menores na região da Mantiqueira – São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Se não bastasse a percentagem chocante, é mais revoltante ainda descobrir que o estado do Paraná continua sendo, ainda hoje, o maior exportador de araucária do país. Realmente, não faz o menor sentido, principalmente quando se leva em conta que o belíssimo pinheiro do Paraná é um dos símbolos desse estado.

Não é de hoje que a floresta, que abriga essas espécies centenárias, quase milenares, vem sendo maltratada. A história é antiga. Entretanto, é preciso explicar a importância desse bioma para o ecossistema brasileiro.

Até hoje, no mundo todo foram identificadas 41 espécies de árvores da Família Araucariaceae, distribuídas em três gêneros: Agathis, Wollemia e Araucaria. A Araucaria é subdividida em 19 espécies, todas elas encontradas no Hemisfério Sul, incluindo pequenas áreas na Oceania e Austrália. Na América do Sul, existem apenas duas espécies: a Araucária-do-chile, presente no Chile e Argentina, e a Araucária ou Pinheiro-brasileiro, localizado no Brasil e em pequenas manchas no Paraguai e também na Argentina. No Paraná, a Floresta com Araucárias chegou a cobrir 40% da superfície, em Santa Catarina 30% e Rio Grande do Sul 25%. Com seu imponente tronco e a copa voltada para o sol, a araucária levava beleza e biodiversidade para a região.

Acredita-se que a Floresta com Araucária começou a tomar forma no sul do Brasil após a última glaciação do planeta e atingiu o ápice há aproximadamente 2.200 anos. “Essa floresta é uma das formas de vegetação mais antigas do mundo, que são as florestas com coníferas”, explica Mauricio Savi, doutor em engenharia florestal e mestre em conservação da natureza pela Universidade Federal do Paraná. Inicialmente sendo mais predominante na região sudeste do país, com o aumento da umidade no sul, a floresta encontrou as condições perfeitas para se desenvolver plenamente. Uma araucária vive, em média, 700 anos, entretanto algumas podem chegar a mais de mil anos de vida.

Pesquisadores afirmam que a Floresta com Araucária chegou a ocupar aproximadamente 200 mil quilômetros quadrados do chamado Planalto Meridional. Principal espécie desse ecossistema, ela não é a única. Rica em biodiversidade, a floresta é formada por outras centenas de espécies vegetais e animais. Já foram identificadas nela mais de 1.500 espécies botânicas entre herbáceas, arbustivas e arbóreas, além de epífitas, musgos e fungos. “A floresta apresenta uma fauna exuberante, característica do sul do Brasil, podendo-se encontrar tucanos, gaviões, lobos-guarás, codornas, saracuras, emas. Infelizmente com a devastação das florestas, alguns desses animais entraram em extinção”, afirma Savi.

Foi nas primeiras décadas do século XX que a maior floresta do sul do Brasil começou a ser destruída. No Rio Grande do Sul, na divisa com a Argentina e Uruguai, os “coronéis” de estâncias se tornaram bastante fortes politicamente e influenciaram a maneira como a floresta passou a ser vista e tratada. “Impulsionados pelo governo Getúlio Vargas, os gaúchos foram incentivados a ocupar as terras do Paraná e Santa Catarina. Para isso, foram devastando a Floresta com Araucária. Naquela época, o lema era terra boa é terra limpa”, conta o biológo. “Ainda hoje é lei, acredite ou não. A floresta cortada ou dizimada vale mais que a floresta em pé”.

Para trazer abaixo essa vegetação secular foi usado, num primeiro momento, p fogo e, em seguida, o machado. “Foi uma dizimação com apoio governamental”, diz Mauricio Savi. Junto com a floresta, índios e caboclos que moravam perto ou dentro dela também perderam a vida. Foi nessa época também que surgiu a Lumber, a maior madeireira de todos os tempos na América Latina. Localizada no município de Três Barras, em Santa Catarina, a madeireira chegou a exportar um bilhão de metros cúbicos de araucária. Sob os mandos do proprietário, o americano Percival Farquhar, em 40 anos de existência, a Lumber cortou 15 milhões de pinheiros e milhões de outras árvores nativas de grande valor comercial, como as várias espécies de canelas e também a imbuia.

Vergonhosamente, o Brasil se tornou o maior exportador mundial de araucária, utilizada, principalmente durante o período da Segunda Guerra, pela indústria siderúrgica e aeronáutica, já que a madeira brasileira era leve e fácil de ser trabalhada.

Com a derrubada das araucárias, veio a erosão, o empobrecimento do solo, a mudança no clima da região e no regime hídrico, além obviamente, de uma alteração estúpida – em todos os sentidos, da paisagem natural. E é através das lentes de sua máquina fotográfica, que ao longo dos últimos 23 anos, o fotógrafo curitibano Zig Koch vem registrando o fim da floresta que lhe é tão cara. “Passei minha infância viajando por municípios vizinhos de Curitiba, onde havia araucárias belíssimas. Hoje, muitas dessas áreas não existem mais ou viraram áreas agrícolas”, lamenta Koch.

“À beira da extinção, temos pouco tempo e uma última chance de reagir para que esta floresta sobreviva ao século XXI e a araucária – fóssil vivo, que avançou sobre a Terra por 250 milhões de anos – não desapareça…”. É dessa maneira tocante, logo na introdução do livro Araucária – A Floresta do Brasil Meridional – lançado neste mês pela Editora Olhar Brasileiro (Leia a reportagem Floresta Araucária é tema de livro ) – que Zig Koch e a mulher e jornalista, Maria Celeste Corrêa fazem um apelo pela salvação da floresta. Dois apaixonados pela natureza, Zig mostra através de belíssimas imagens a força da araucária, Maria Celeste traça um texto conclusivo sobre a tragédia que se abate sobre esse importante ecossistema do sul do país. “Infelizmente, não é só a floresta que está morrendo. Quando um papagaio voa quilômetros e mais quilômetros para encontrar o alimento que deveria estar na floresta, e não o encontra, ele acaba morrendo porque não tem mais forças para fazer o caminho de volta”, conta a jornalista.

A obra bilíngue (inglês e português) tem 168 páginas e cerca de 175 fotos. “Minhas lentes foram registrando a depauperação da floresta”, constata Koch. Para acompanhar as imagens, Maria Celeste Corrêa fez uma pesquisa intensa durante os últimos 12 anos. Viajou junto com o marido, contou com a colaboração de 14 consultores científicos e leu uma centena de livros para aprender mais sobre a população de índios Kaigang, primeiros habitantes da floresta. Pelas andanças na região, a jornalista se defrontou com depoimentos contundentes de gente humilde, mas nem por isso ignorante. Um deles é do mateiro (nome dado a quem derruba árvores) gaúcho Gerôncio Ferreira, de 70 anos. “Derrubei muito pinheiro com mais de 80 centímetros de diâmetro. Também cortei muita imbuia e canela. Foi o meu serviço a vida inteira. Também vi muito banditismo dos invasores de terras. Tiravam o mate, tocavam fogo por baixo e queimavam tudo. Naquele tempo, a gente não tinha estudo. Não sabia que tudo ia se acabar. Hoje, eu digo: tem gente que não vai conhecer pinhão. Se o governo não mandar plantar o pinheiro nativo, não exigir, isso vai dar problema. Ora, um dia faz 40 graus e no outro cai geada. O que é isso? A natureza está exigindo providência!”, avisa Ferreira.

O livro mostra, ainda, que a extração da madeira, as queimadas, a substituição da flora original pelo plantio de exóticas, a pressão urbana e a ocupação de terras por movimentos sociais são os verdadeiros assassinos da Floresta com Araucária. “Nascentes de água secaram porque a mata foi cortada. E quando uma árvore é derrubada, toda aquela água que ela continha vai para a atmosfera de maneira desequilibrada. É por isso que temos nevascas e tempestades desproporcionais, calor ou frio intensos”, explica Koch. O mateiro, que vive da floresta, e o fotógrafo, que busca a sobrevivência dela, chegam a uma mesma conclusão. É hora de dar um basta.

E o que está sendo feito para reverter essa situação? Infelizmente, muito pouco. Em 2005, o governo federal criou seis áreas de proteção à Floresta com Araucária nos estados do Paraná e Santa Catarina. Até hoje, não houve desapropriações, já que o governo não indenizou as famílias que deveriam deixar essas terras. “O governo é omisso!”, critica Mauricio Savi. E o ambientalista vai mais longe. “São gerações e gerações de famílias destruindo a mata. Primeiro foram os avôs, depois os filhos e agora os netos. Gente que continua derrubando árvores. Muitos políticos estão intimamente ligados a esse negócio e não fazem absolutamente nada para mudar a situação”.

O livro revela: “À exceção das áreas derrubadas com finalidade agrícola, as outras vêm sofrendo o corte seletivo da madeira, no qual são derrubadas apenas as árvores mais frondosas – e que alcançam maior valor no mercado clandestino. As toras são retiradas por estradinhas secundárias, muitas vezes à noite ou nos finais de semana, para tentar driblar a fiscalização”.

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O madeireiro não consegue vislumbrar o futuro. Só o hoje, o agora. “Quando ele olha para a árvore, ele pensa no dinheiro que vai pagar a festa de 15 anos da filha”, afirma Maria Celeste. Por isso mesmo, com essas populações, o simples apelo à preservação ambiental não funciona. Nas grandes cidades, mas ainda muito lentamente, as pessoas se tornam mais sensíveis a isso. “Quando cai uma árvore, junto com ela desaparece a memória e a cultura de um povo”, desabafa Savi.

Enquanto a ineficácia das políticas públicas só aumenta a dor da floresta, algumas iniciativas isoladas de organizações não-governamentais tentam minimizar o problema. Um desses exemplos é o do Programa Florar, criado pelo Instituto Agroflorestal Bernardo Hakvoort (IAF), que conta com o apoio ONG The Nature Conservancy (TNC)*. Fazem parte do programa 170 produtores rurais do município paranaense de Turvo, que decidiram investir na exploração sustentável de produtos não madeiráveis.

A beleza das fotos de Zig Koch e o alerta do texto de Maria Celeste Corrêa também foram transformados em uma exposição com 44 paineis. As imagens do fotógrafo foram doadas para a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) e farão parte de mostra itinerante que a instituição organizará em 2011.

Juntos, jornalista e fotógrafo, marido e mulher, querem se tornar pequenos agentes de mudança. “Temos que usar nosso conhecimento. Queremos que o livro toque as pessoas para que haja uma mudança de comportamento. A gente já destruiu uma floresta, vamos destruir outras? Precisamos dar uma chance à natureza para que ela possa manter nosso planeta vivo”, diz Koch.

*The Nature Conservancy (TNC)

Suzana Camargo – Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentável – 20/12/2010


15 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Chuva deixa mais de 1,3 mil fora de casa no Paraná

15/12/2010

Mais de 1,3 mil pessoas tiveram de deixar suas casas por causa da chuva que atinge municípios no Paraná desde segunda-feira (13). De acordo com a Defesa Civil, 1.261 pessoas estão desalojadas e 114 desabrigadas. O número de pessoas afetadas no estado chega a 12 mil.

O município mais prejudicado é Pinhais, que registrou cem desabrigados e mil desalojados. O número de residências danificadas chega a 600.

De acordo com a Defesa Civil, em Curitiba, foram registrados 15 desabrigados e desalojados. A chuva danificou 14 casas na cidade.

Outros municípios que registraram prejuízos com alagamentos, destelhamentos e deslizamentos de terra foram: Almirante Tamandaré, Araucária, Campina Grande do Sul, Colombo, Fazenda Rio Grande, Guarapuava, Ibaiti, Morretes, Lapa e Piraquara.

Houve registro de quedas de árvore por causa do vento forte em Curitiba, Araucária e Guarapuava. Não há informações sobre feridos.

Fonte: G1


4 de junho de 2010 | nenhum comentário »

Legislaçao é incapaz de conter o Desmatamento: o exemplo da Araucaria

Ambiente Brasil

Paula Rachel Rabelo Corrêa (*)

Araucaria angustifolia

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, também conhecida como pinheiro brasileiro, araucária ou pinho do Paraná representa mais de 40% dos indivíduos arbóreos da Floresta Ombrófila Mista (FOM), um dos mais exuberantes ecossistemas brasileiro, apresentando valores de abundância, dominância e freqüência bem superiores às demais espécies componentes desta associação. Neste ecossistema, a A. augustifolia ocorria naturalmente numa extensão de 200.000 mil Km2 entre a região sul e sudeste do Brasil, cobrindo, originalmente, 40% do estado Paraná, 31% de Santa Catarina, 25% do Rio Grande do Sul, e com manchas esparsas no sul de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Esta importante condição fitossociológica torna a araucária espécie referência da FOM. Por essa razão os estudos devem se concentrar nesta espécie pioneira de modo que os resultados encontrados podem ser extrapolados para todo o ecossistema.

Em termos históricos, a exploração da araucária foi mais intensa a partir de 1934, atingindo seu auge no período de 1950 a 1970. Até a década de 70, ela foi o principal produto brasileiro de exportação na área florestal, respondendo com mais de 90% da madeira remetida para fora do país. Além da sua relação de proximidade com o desenvolvimento do Brasil, houve tempos em que os produtores rurais tinham orgulho de ensinar aos seus filhos a plantar e a manter vários exemplares nas suas propriedades. O produtor sempre foi, na sua grande maioria, um preservador natural desta espécie e não o vilão de sua devastação como erroneamente se coloca hoje. Os grandes cortes desta espécie aconteceram no passado e foram impulsionados pela qualidade da madeira e pela facilidade de se obter matéria prima para o desenvolvimento deste país. Devemos mencionar, inclusive, a importância dessa matéria-prima na construção de Brasília.

Atualmente, sua devastação esta ligada a um total desconhecimento da sua variabilidade genética e a políticas públicas punitivas e preconceituosas com aqueles que sempre tiveram orgulho em preservar a espécie, mas que hoje, diante da legislação vigente, e por uma questão de sobrevivência, preferem não se envolver com a araucária. Como a espécie está colocada na lista de extinção, o produtor além de não poder aproveitar economicamente a extração de seus frutos (como o pinhão, por exemplo), ainda corre o risco de ter sua área declarada área de conservação. Diante deste quadro, ela perdeu totalmente sua sustentabilidade, que é a maneira mais barata e sensata de se proteger uma espécie.

Essa realidade precisa ser revertida porque compromete a preservação de uma das espécies florestais com maior potencial produtivo e econômico (papel, palito de fósforo, artesanato, ecoturismo, agronegócio, paisagismo, móveis, alimentação) do Brasil, mas que, infelizmente, não pode ser aproveitada por conta de uma lacuna a ser preenchida na legislação atual.

O cenário atual revela que as unidades de conservação existentes não estão sendo eficazes no cumprimento de suas funções, seja pela falta de regularização fundiária ou por carência de pessoal capacitado, ou até mesmo pelas precárias condições das instituições que deveriam zelar pela sua conservação. Aliado ao problema da legislação, a situação é ainda mais séria quando se avalia a mudança de comportamento cultural da população, que na atualidade, veem a araucária como uma praga e não como fonte de rentabilidade para sua propriedade.

A Araucária foi colocada na lista de espécies em extinção para supostamente ser protegida e para disciplinar a conservação e o uso do bioma da mata atlântica e seus ecossistemas, uma vez que não existiam critérios técnicos cientificamente embasados sobre a situação da espécie. Esta medida foi um verdadeiro tiro no pé, com as instituições públicas brasileiras insistindo em tentar reverter o desmatamento através de políticas repressoras, o que historicamente não funcionou em nenhum país onde estas medidas foram tomadas.

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Para reverter este quadro é necessário cumprir com a Resolução nº. 317 do CONAMA que determina a elaboração de um plano Estadual, devidamente registrado no órgão ambiental competente para adequar a legislação vigente, e fixar critérios técnicos, cientificamente embasados que irão garantir a sustentabilidade da exploração comercial da espécie e ao mesmo tempo a manutenção da diversidade genética das populações, servindo de base para nortear políticas públicas e desenvolver estratégias de conservação e uso sustentável da espécie.

Esse estudo passa a ser instrumento indispensável para sobrevivência da espécie porque irá permitir que ela se torne auto-sustentável. Além disso, acredito que tal expediente deve ser combinando estratégias de conservação in situ e ex situ auxiliado por ferramentas moleculares. A conservação in situ permite preservar e estudar esta espécie no seu ambiente natural, formando um elo importante entre seus principais remanescentes. A conservação ex situ, por sua vez, é aconselhável porque ela pode garantir a sobrevivência da espécie e preservar a variabilidade genética existente nos fragmentos onde a conservação in situ não está garantida.

No entanto, para reverter o quadro calamitoso em se encontra a Araucária, ações rápidas de governo devem ser executadas paralelamente, como por exemplo: liberar o plantio comercial da espécie em áreas de agricultura, facilmente delimitadas pelo georeferenciamento via internet e de domínio público. Para melhorar o controle sobre as áreas liberadas para plantios comerciais, que não podem sobrepor às áreas de conservação, cabe ao estado disponibilizar imagens de satélite com alta resolução, dentro do bioma, que sofrem mais pressão antrópica e disponibilizar para o controle público as áreas onde os plantios estão liberados.

Com ações neste sentido teremos a população como parceira na conservação do nosso patrimônio florestal e participando justamente dos lucros e benefícios de possuir ecossistemas com tanta biodiversidade e que devem ser sustentavelmente utilizados para melhorar a qualidade de vida da nossa gente.

(*) Bióloga geneticista. Atualmente, faz doutorado na UFPR/ Embrapa Florestas na área de melhoramento florestal, com ênfase na seleção de resistência patógeno/hospedeiro. É sócia da Biogenomika Tecnologia em DNA, empresa incubada na UFPR. paularabelo@biogenomika.com.br


16 de março de 2009 | nenhum comentário »

Paraná desmata o que sobrou da araucária

Vista aérea, a partir do helicóptero usado pela fiscalização: dezenas de toras à espera de caminhões para serem removidas (Divulgação / IAP)

Vista aérea, a partir do helicóptero usado pela fiscalização: dezenas de toras à espera de caminhões para serem removidas (Divulgação / IAP)

Ibama e Polícia Federal sobrevoam áreas remanescentes de floresta e descobrem ação ilegal de madeireiras

General Carneiro – O pouco que resta de floresta de araucária no Paraná – só 0,8% do que existiu permanece preservado – está sendo sistematicamente derrubado. Uma série de fiscalizações ambientais indica que 30 caminhões carregados de toras de árvores nativas circulam livremente todos os dias na região Centro-Sul do estado. São pinheiros que viram carvão; imbuias que já saem da mata transformadas em palanques de cerca; e cedros, na forma de cavaco, que alimentam caldeiras.Araucárias de mais de 100 anos e com 1,55m de diâmetro foram encontradas no chão, estaleiradas, prontas para serem transportadas para serrarias. Fiscais acharam chapas de compensado feitas de pínus nas lâminas externas e recheadas com madeira nobre. Esse foi o cenário encontrado por operações conjuntas do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Polícia Federal realizadas nos últimos seis meses. A ação resultou em 31 autos de infração, com multas que totalizam R$ 6 milhões, e na apreensão de 1,3 mil metros cúbicos de madeira – quantidade suficiente para encher 86 caminhões. São muitos os envolvidos que estão sendo investigados.

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As fiscalizações partiram de um estudo de prioridade de área de combate ao desmatamento. O levantamento foi realizado em parceria pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Ibama, em todo o Brasil. E, no Paraná, o mapa apontou que a região mais afetada e que exige mais atenção dos órgãos ambientais é a Centro-Sul – onde estão as áreas mais bem preservadas de floresta de araucária. Essas matas ainda estão em pé, acredita o superintendente estadual do Ibama, José Álvaro Carneiro, porque a topografia montanhosa e a dificuldade de acesso pelas estradas representavam desafios que podiam ser protelados enquanto outras regiões mais acessíveis eram exploradas.

Carneiro acrescenta que na área em que se concentra a fiscalização confluem quatro das seis maiores bacias hidrográficas do Paraná. O Rio Iguaçu, que aumenta em quase dez vezes o volume ao passar pelo Centro-Sul, por exemplo, depende essencialmente da presença da vegetação para continuar sendo abastecido de água.O helicóptero tem sido um aliado essencial na comprovação do desmatamento. É que os madeireiros usam estradas de pouco movimento para minimizar as chances de encontrar fiscais e delatores, agem preferencialmente à noite e evitam derrubar áreas que chamem muita atenção. À exceção do desmate para transformar a terra em área de lavoura, não são mais devastadas áreas grandes. “Aproximadamente 80% do desmate é de corte seletivo. São tiradas as árvores que mais interessam economicamente. Assim, a área fica empobrecida, viabilizando o corte total num momento futuro, e não aparece nas imagens de satélite”, explica o superintendente do Ibama.Os sobrevoos rasantes de helicóptero servem para identificar esse tipo de desflorestamento. Muitos flagrantes são percebidos na vistoria aérea e rendem cerca de três meses de trabalho de fiscalização em terra. “Como seria possível, dentro de uma fazenda enorme, achar onde está a derrubada? Não vamos encontrar nada ao lado da sede da propriedade ou na beira da estrada”, salienta.

As investigações ainda estão apurando quem são os proprietários de terras, os madeireiros e os receptadores das toras. Até agora, 12 inquéritos foram instaurados pela Polícia Federal. Segundo Carneiro, há desmatadores contumazes. Pessoas que sabem como funciona a burocracia estatal – ou que algumas pessoas são facilmente corrompidas – continuam cortando árvores nativas na certeza da impunidade. Eles acreditam que sempre vão conseguir protelar ou mesmo contestar as multas recebidas. Mas os esforços de repressão e os entraves burocráticos para a autorização de corte já tiveram efeitos e acabaram tirando o valor comercial da araucária. Dificilmente, por exemplo, ela vai para a fabricação de móveis. A madeira do pinheiro é negociada basicamente no mercado clandestino, transportada e serrada à noite. Ou queimada em fornos de carvão, como uma forma de tentar apagar os vestígios do corte. As toras legalizadas, vindas de áreas de reflorestamento, são usadas principalmente na construção civil.Toras com até 1,50 metro de diâmetro são encontradas pelos fiscais do Ibama e do IAP em áreas onde ainda há atuação de madeireiras: corte das espécies de araucária é ilegal.

Toras com até 1,50 metro de diâmetro são encontradas pelos fiscais do Ibama e do IAP em áreas onde ainda há atuação de madeireiras: corte das espécies de araucária é ilegal

Toras com até 1,50 metro de diâmetro são encontradas pelos fiscais do Ibama e do IAP em áreas onde ainda há atuação de madeireiras: corte das espécies de araucária é ilegal

Prenúncio da extinção

A araucária é uma árvore milenar e alguns especialistas acreditam que a redução drástica na quantidade de espécies já significa o prenúncio da extinção, tendo em vista a diminuição das probabilidades de combinação genética. Além disso, é a chamada floresta com araucária que está em risco. Nesse tipo de composição ambiental, o pinheiro é a árvore que mais se destaca, mas todas as demais espécies de animais e vegetais que dependem dessa formação estão ameaçadas.

“Cada espécie no ambiente tem uma função determinada, já que na natureza nada existe ao acaso. Muitas vezes desconhecemos essa função. E o desaparecimento de uma espécie causa um desequilíbrio na cadeia que envolve a alimentação de outros seres e a manutenção dos recursos naturais.”, explica Karina Luiza de Oliveira, bióloga da ONG Mater Natura.