18 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Na Amazônia, câmeras na floresta ‘flagram’ 95 animais de 16 espécies

Armadilhas fotográficas captaram movimentação durante 25 dias.
Objetivo de projeto realizado no Amazonas é monitorar onças-pintadas.

Animais de diversas espécies foram “flagrados” com a ajuda de armadilhas fotográficas dentro da reserva ambiental Amanã, uma imensa área protegida no interior da Amazônia, localizada a 650 km de Manaus e que abrange três municípios do Amazonas.

Onças-pintadas, incluindo um filhote, antas, aves, tatus e até um veado pouco estudado foram registrados por 16 câmeras que pertencem ao projeto “Iauaretê”, que significa onça-pintada em um dos dialetos indígenas falados na Amazônia.

Ao todo foram 95 registros de 16 diferentes espécies feitos em apenas 25 dias (entre março e abril deste ano). Segundo Daniel Rocha, biólogo do Instituto Mamirauá e um dos responsáveis pelos equipamentos instalados ao redor do Lago Amanã, foi uma surpresa detectar uma grande biodiversidade naquela região.

“Talvez o fato da área ser protegida confirme uma elevada riqueza de espécies, mesmo aquelas consideradas ameaçadas de extinção”, disse Rocha ao Globo Natureza.
Segundo ele, dos 14 tipos diferentes de mamíferos que apareceram no monitoramento, cinco estão sob algum grau de ameaça e um deles é tão raro, que os cientistas não têm dados suficientes para explicar seu modo de vida, caso do veado-capoeira.

Os outros animais ameaçados ou vulneráveis na natureza captados pelas câmeras do projeto foram o tatu-canastra (Priodontes maximus), tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), anta (Tapirus terrestres), a queixada (Tayassu pecari ) e a onça-pintada (Panthera onca).

Objetivo é monitorar onças-pintadas na Amazônia
De acordo com Rocha, o principal objetivo do projeto “Iauaretê” é entender a dinâmica populacional das onças-pintadas na Amazônia, em áreas de terra firme. Segundo ele, ainda existem poucas informações sobre o modo de vida dessa espécie em terras amazônicas.

Porém, ameaças à sua população já são conhecidas. “Algumas delas são a redução do habitat [por desmatamento], a caça predatória, seja por retaliação à morte de gado, por medo de ataque a ribeirinhos ou para alimentação. Há ainda uma pressão sobre as espécies que fazem parte da alimentação da onça como o veado e os porcos do mato”, explica o biólogo.

O pesquisador afirma ainda que monitorar a população vai ajudar a traçar estratégias que contribuirão para reduzir pressões. A previsão é que o monitoramento das onças inicie ainda no segundo semestre.

Filhote de onça-pintada percebe a câmera no meio da floresta e coloca a pata na lente do equipamento. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Filhote de onça-pintada percebe a câmera no meio da floresta e coloca a pata na lente do equipamento. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Veado-capoeira, espécie ainda pouco pesquisada e que vive na Amazônia. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Veado-capoeira, espécie ainda pouco pesquisada e que vive na Amazônia. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Exemplar de jaguatirica passeia no meio da reserva Amanã, área protegida na Amazônia. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Exemplar de jaguatirica passeia no meio da reserva Amanã, área protegida na Amazônia. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Espécime de tamanduá-bandeira captada por câmera fotográfica implantada na floresta. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Espécime de tamanduá-bandeira captada por câmera fotográfica implantada na floresta. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Fonte: Globo Natureza


22 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Pesca predatória afeta reprodução de matrinxãs em MT, diz Sema

Pescadores têm usado grãos e sebo bovino para atrair os peixes.
Armadilhas no rio podem ter afetado o ciclo de reprodução da espécie.

Peixes Matrinxãs (Foto: Reprodução/TVCA)

Peixes estão reduzindo nos rios, dizem pescadores e pesquisadores (Foto: Reprodução/TVCA)

Fiscais da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) e policiais ambientais realizaram operações no Rio Arinos, Bacia Hidrográfica do Amazonas, em Mato Grosso, e detectaram uma alteração no ciclo de reprodução dos peixes da espécie matrinxã. O peixe é muito apreciado na culinária local e tem sido capturado irregularmente por pescadores, que estão sendo multados.

Durante as operações ambientais, os fiscais constataram que muitos pescadores têm usado soja, milho e até sebo bovino para atrair os peixes para armadilhas nas margens dos rios usadas para capturar os peixes. As armadilhas feitas com barris grandes cheios de grãos e sebos atraem muitos peixes. Os policiais ambientais afirmam que a prática é ilegal e tem sido combatida por meio de fiscalizações. Acampamentos de pescadores foram fechados e armadilhas foram retiradas das margens dos rios.

Os ribeirinhos da região começaram a notar que esta prática tem deixado mais difícil encontrar o peixe. “Nós pegamos quatro matrinxãs em dois dias de pesca. Eles [os infratores] pegam 30 em meia hora”, reclamou o pescador Bento Mendonça.

Segundo o agente ambiental Jean Ferraz, as armadilhas podem ter afetado o ciclo de reprodução dos peixes matrinxãs. “Eles estão com a ova em estado bastante avançado de maturação e podem reproduzir antes do período de piracema [período de desova dos peixes]”, comentou o agente, ao abrir os matrinxãs encontrados nas armadilhas.

No ano passado, a piracema na Bacia Amazônica começou no dia 5 de outubro. A partir desta data é proibida a pesca nestes rios, inclusive na modalidade pesque e solte. A piracema é um processo natural que ocorre em ciclos anuais e consiste na migração das espécies rumo à cabeceira dos rios, buscando alimentos e condições adequadas para o desenvolvimento, principalmente das larvas e dos ovos.

Fonte: Do G1, MT


17 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Estudo com armadilhas fotográficas flagra animais em 7 países

Pesquisa pioneira resultou em 52 mil fotos de 105 espécies de mamíferos.
Imagens permitiram comparar conservação em diferentes partes do globo.

A última edição da revista  “Philosophical Transactions of the Royal Society” traz o primeiro estudo mundial com uso de armadilhas fotográficas para registrar a passagem de mamíferos. Na pesquisa, foram documentadas 105 espécies em cerca de 52 mil imagens em sete áreas protegidas nas Américas, África e Ásia. Entre os animais flagrados há de um pequenino rato até um elefante africano, passando por gorilas, pumas, tamanduás – além de caçadores armados.

Armadilhas fotográficas são câmeras que, acionadas por um sensor, disparam na presença de um animal. O trabalho durou mais de dois anos e fez uso de 420 câmeras ocultas em diferentes habitats do mundo.  A análise dos dados fotográficos ajudou os cientistas a confirmarem que a destruição do habitat tem um impacto direto e negativo sobre a diversidade e a sobrevivência dos mamíferos.

O estudo, dirigido pelo cientista colombiano Jorge Ahumada, ecologista do grupo Tropical Ecology, Assessment and Monitoring (Team, na sigla em inglês) Network, da Conservação Internacional.

Para realizar a pesquisa, foram colocadas 420 câmeras em áreas protegidas do Brasil, Costa Rica, Indonésia, Laos, Suriname, Tanzânia e Uganda, sendo 60 em cada local estudado, que permitiram documentar 105 espécies.

Após analisar as fotos feitas entre 2008 e 2010, os cientistas classificaram os animais por espécie, tamanho corporal e dieta, entre outras características.

Em seguida, determinaram que as áreas protegidas de maior extensão e as regiões de selva têm uma maior diversidade de espécies, tamanhos mais variados e animais que mantêm dietas mais diversas (insetívoros, herbívoros, carnívoros e onívoros).

“Os resultados do estudo são importantes, já que confirmam o que já suspeitávamos: a destruição dos habitats está matando – de forma lenta, mas sem dúvida – a diversidade de mamíferos de nosso planeta”, afirmou Ahumada em comunicado divulgado pela organização.

A Conservação Internacional ressalta que 25% do total das espécies de mamíferos está em perigo e, por isso, a pesquisa contribui de forma bastante significativa para o conhecimento científico a respeito de como as ameaças locais como a caça excessiva, a conversão de terras para a agricultura e a mudança climática afetam os mamíferos.

“O que faz com que este estudo seja cientificamente pioneiro é que criamos pela primeira vez informação coerente e comparável dos mamíferos em escala global e estabelecemos assim uma linha de referência eficaz para avaliar a mudança”, explicou o comunicado.

O uso contínuo desta metodologia permitirá comparar as transformações na natureza e tomar medidas específicas para salvar os mamíferos.

Desde 2010, foram instaladas câmeras em novos lugares, o que ampliou a rede de acompanhamento a 17 pontos do Brasil, Panamá, Equador, Peru, Madagascar, Congo, Camarões, Malásia e Índia.

Anta flagrada perto de Manaus no primeiro estudo global de armadilhas fotográficas para mamíferos. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Anta flagrada perto de Manaus no primeiro estudo global de armadilhas fotográficas para mamíferos. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Gorila com filhote na floresta de Uganda. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Gorila com filhote na floresta de Uganda. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Espécie ameaçada de macaco na Indonésia. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Espécie ameaçada de macaco na Indonésia. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

O estudo também flagrou caçadores, como este homem armado no Laos. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

O estudo também flagrou caçadores, como este homem armado no Laos. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Fonte: Do Globo Natureza, com informações de agências


29 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Caçadores usam armadilhas com projéteis em reserva de Manaus

Barbante amarrado a madeira faz disparar bala para matar bicho.
Foram apreendidos 72 quilos de carne de caça, informa secretaria.

Autoridades apreenderam nesta quinta-feira (28) 72 quilos de carne de animais silvestres caçados na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé, a 25 km do centro de Manaus. Entre as espécies de animais mortos havia cutias, pacas e porco-do-mato.

A informação de que armadilhas estavam sendo colocadas no local chegou à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) por meio de denúncia.

A secretaria acionou a polícia, que encontrou a carne num freezer num salão paroquial em construção. Dois suspeitos que estavam no local foram levados para prestar esclarecimentos.

Segundo a Semmas, o caso causou preocupação porque os suspeitos tinham em seu poder várias armadilhas conhecidas regionalmente como “tocos”. Trata-se de um barbante que, quando pisado por um animal, aciona uma madeira que bate num cartucho de arma de fogo, matando a presa. Como a Reserva do Tupé é muito visitada pelos moradores de Manaus e turistas, há o risco de que armadilhas como essa venham a ferir alguma pessoa.

Fonte: Do Globo Natureza, em São Paulo






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18 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Na Amazônia, câmeras na floresta ‘flagram’ 95 animais de 16 espécies

Armadilhas fotográficas captaram movimentação durante 25 dias.
Objetivo de projeto realizado no Amazonas é monitorar onças-pintadas.

Animais de diversas espécies foram “flagrados” com a ajuda de armadilhas fotográficas dentro da reserva ambiental Amanã, uma imensa área protegida no interior da Amazônia, localizada a 650 km de Manaus e que abrange três municípios do Amazonas.

Onças-pintadas, incluindo um filhote, antas, aves, tatus e até um veado pouco estudado foram registrados por 16 câmeras que pertencem ao projeto “Iauaretê”, que significa onça-pintada em um dos dialetos indígenas falados na Amazônia.

Ao todo foram 95 registros de 16 diferentes espécies feitos em apenas 25 dias (entre março e abril deste ano). Segundo Daniel Rocha, biólogo do Instituto Mamirauá e um dos responsáveis pelos equipamentos instalados ao redor do Lago Amanã, foi uma surpresa detectar uma grande biodiversidade naquela região.

“Talvez o fato da área ser protegida confirme uma elevada riqueza de espécies, mesmo aquelas consideradas ameaçadas de extinção”, disse Rocha ao Globo Natureza.
Segundo ele, dos 14 tipos diferentes de mamíferos que apareceram no monitoramento, cinco estão sob algum grau de ameaça e um deles é tão raro, que os cientistas não têm dados suficientes para explicar seu modo de vida, caso do veado-capoeira.

Os outros animais ameaçados ou vulneráveis na natureza captados pelas câmeras do projeto foram o tatu-canastra (Priodontes maximus), tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), anta (Tapirus terrestres), a queixada (Tayassu pecari ) e a onça-pintada (Panthera onca).

Objetivo é monitorar onças-pintadas na Amazônia
De acordo com Rocha, o principal objetivo do projeto “Iauaretê” é entender a dinâmica populacional das onças-pintadas na Amazônia, em áreas de terra firme. Segundo ele, ainda existem poucas informações sobre o modo de vida dessa espécie em terras amazônicas.

Porém, ameaças à sua população já são conhecidas. “Algumas delas são a redução do habitat [por desmatamento], a caça predatória, seja por retaliação à morte de gado, por medo de ataque a ribeirinhos ou para alimentação. Há ainda uma pressão sobre as espécies que fazem parte da alimentação da onça como o veado e os porcos do mato”, explica o biólogo.

O pesquisador afirma ainda que monitorar a população vai ajudar a traçar estratégias que contribuirão para reduzir pressões. A previsão é que o monitoramento das onças inicie ainda no segundo semestre.

Filhote de onça-pintada percebe a câmera no meio da floresta e coloca a pata na lente do equipamento. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Filhote de onça-pintada percebe a câmera no meio da floresta e coloca a pata na lente do equipamento. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Veado-capoeira, espécie ainda pouco pesquisada e que vive na Amazônia. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Veado-capoeira, espécie ainda pouco pesquisada e que vive na Amazônia. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Exemplar de jaguatirica passeia no meio da reserva Amanã, área protegida na Amazônia. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Exemplar de jaguatirica passeia no meio da reserva Amanã, área protegida na Amazônia. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Espécime de tamanduá-bandeira captada por câmera fotográfica implantada na floresta. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Espécime de tamanduá-bandeira captada por câmera fotográfica implantada na floresta. (Foto: Divulgação/Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá)

Fonte: Globo Natureza


22 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Pesca predatória afeta reprodução de matrinxãs em MT, diz Sema

Pescadores têm usado grãos e sebo bovino para atrair os peixes.
Armadilhas no rio podem ter afetado o ciclo de reprodução da espécie.

Peixes Matrinxãs (Foto: Reprodução/TVCA)

Peixes estão reduzindo nos rios, dizem pescadores e pesquisadores (Foto: Reprodução/TVCA)

Fiscais da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) e policiais ambientais realizaram operações no Rio Arinos, Bacia Hidrográfica do Amazonas, em Mato Grosso, e detectaram uma alteração no ciclo de reprodução dos peixes da espécie matrinxã. O peixe é muito apreciado na culinária local e tem sido capturado irregularmente por pescadores, que estão sendo multados.

Durante as operações ambientais, os fiscais constataram que muitos pescadores têm usado soja, milho e até sebo bovino para atrair os peixes para armadilhas nas margens dos rios usadas para capturar os peixes. As armadilhas feitas com barris grandes cheios de grãos e sebos atraem muitos peixes. Os policiais ambientais afirmam que a prática é ilegal e tem sido combatida por meio de fiscalizações. Acampamentos de pescadores foram fechados e armadilhas foram retiradas das margens dos rios.

Os ribeirinhos da região começaram a notar que esta prática tem deixado mais difícil encontrar o peixe. “Nós pegamos quatro matrinxãs em dois dias de pesca. Eles [os infratores] pegam 30 em meia hora”, reclamou o pescador Bento Mendonça.

Segundo o agente ambiental Jean Ferraz, as armadilhas podem ter afetado o ciclo de reprodução dos peixes matrinxãs. “Eles estão com a ova em estado bastante avançado de maturação e podem reproduzir antes do período de piracema [período de desova dos peixes]”, comentou o agente, ao abrir os matrinxãs encontrados nas armadilhas.

No ano passado, a piracema na Bacia Amazônica começou no dia 5 de outubro. A partir desta data é proibida a pesca nestes rios, inclusive na modalidade pesque e solte. A piracema é um processo natural que ocorre em ciclos anuais e consiste na migração das espécies rumo à cabeceira dos rios, buscando alimentos e condições adequadas para o desenvolvimento, principalmente das larvas e dos ovos.

Fonte: Do G1, MT


17 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Estudo com armadilhas fotográficas flagra animais em 7 países

Pesquisa pioneira resultou em 52 mil fotos de 105 espécies de mamíferos.
Imagens permitiram comparar conservação em diferentes partes do globo.

A última edição da revista  “Philosophical Transactions of the Royal Society” traz o primeiro estudo mundial com uso de armadilhas fotográficas para registrar a passagem de mamíferos. Na pesquisa, foram documentadas 105 espécies em cerca de 52 mil imagens em sete áreas protegidas nas Américas, África e Ásia. Entre os animais flagrados há de um pequenino rato até um elefante africano, passando por gorilas, pumas, tamanduás – além de caçadores armados.

Armadilhas fotográficas são câmeras que, acionadas por um sensor, disparam na presença de um animal. O trabalho durou mais de dois anos e fez uso de 420 câmeras ocultas em diferentes habitats do mundo.  A análise dos dados fotográficos ajudou os cientistas a confirmarem que a destruição do habitat tem um impacto direto e negativo sobre a diversidade e a sobrevivência dos mamíferos.

O estudo, dirigido pelo cientista colombiano Jorge Ahumada, ecologista do grupo Tropical Ecology, Assessment and Monitoring (Team, na sigla em inglês) Network, da Conservação Internacional.

Para realizar a pesquisa, foram colocadas 420 câmeras em áreas protegidas do Brasil, Costa Rica, Indonésia, Laos, Suriname, Tanzânia e Uganda, sendo 60 em cada local estudado, que permitiram documentar 105 espécies.

Após analisar as fotos feitas entre 2008 e 2010, os cientistas classificaram os animais por espécie, tamanho corporal e dieta, entre outras características.

Em seguida, determinaram que as áreas protegidas de maior extensão e as regiões de selva têm uma maior diversidade de espécies, tamanhos mais variados e animais que mantêm dietas mais diversas (insetívoros, herbívoros, carnívoros e onívoros).

“Os resultados do estudo são importantes, já que confirmam o que já suspeitávamos: a destruição dos habitats está matando – de forma lenta, mas sem dúvida – a diversidade de mamíferos de nosso planeta”, afirmou Ahumada em comunicado divulgado pela organização.

A Conservação Internacional ressalta que 25% do total das espécies de mamíferos está em perigo e, por isso, a pesquisa contribui de forma bastante significativa para o conhecimento científico a respeito de como as ameaças locais como a caça excessiva, a conversão de terras para a agricultura e a mudança climática afetam os mamíferos.

“O que faz com que este estudo seja cientificamente pioneiro é que criamos pela primeira vez informação coerente e comparável dos mamíferos em escala global e estabelecemos assim uma linha de referência eficaz para avaliar a mudança”, explicou o comunicado.

O uso contínuo desta metodologia permitirá comparar as transformações na natureza e tomar medidas específicas para salvar os mamíferos.

Desde 2010, foram instaladas câmeras em novos lugares, o que ampliou a rede de acompanhamento a 17 pontos do Brasil, Panamá, Equador, Peru, Madagascar, Congo, Camarões, Malásia e Índia.

Anta flagrada perto de Manaus no primeiro estudo global de armadilhas fotográficas para mamíferos. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Anta flagrada perto de Manaus no primeiro estudo global de armadilhas fotográficas para mamíferos. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Gorila com filhote na floresta de Uganda. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Gorila com filhote na floresta de Uganda. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Espécie ameaçada de macaco na Indonésia. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Espécie ameaçada de macaco na Indonésia. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

O estudo também flagrou caçadores, como este homem armado no Laos. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

O estudo também flagrou caçadores, como este homem armado no Laos. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Fonte: Do Globo Natureza, com informações de agências


29 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Caçadores usam armadilhas com projéteis em reserva de Manaus

Barbante amarrado a madeira faz disparar bala para matar bicho.
Foram apreendidos 72 quilos de carne de caça, informa secretaria.

Autoridades apreenderam nesta quinta-feira (28) 72 quilos de carne de animais silvestres caçados na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé, a 25 km do centro de Manaus. Entre as espécies de animais mortos havia cutias, pacas e porco-do-mato.

A informação de que armadilhas estavam sendo colocadas no local chegou à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) por meio de denúncia.

A secretaria acionou a polícia, que encontrou a carne num freezer num salão paroquial em construção. Dois suspeitos que estavam no local foram levados para prestar esclarecimentos.

Segundo a Semmas, o caso causou preocupação porque os suspeitos tinham em seu poder várias armadilhas conhecidas regionalmente como “tocos”. Trata-se de um barbante que, quando pisado por um animal, aciona uma madeira que bate num cartucho de arma de fogo, matando a presa. Como a Reserva do Tupé é muito visitada pelos moradores de Manaus e turistas, há o risco de que armadilhas como essa venham a ferir alguma pessoa.

Fonte: Do Globo Natureza, em São Paulo