2 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Degelo no Ártico acelera aquecimento mais do que o previsto

Derretimento de solo permanentemente congelado libera carbono.
Artigo foi publicado pela revista ‘Nature’.

O degelo do permafrost, solo permanentemente congelado do Ártico, pode acelerar o aquecimento global mais do que o previsto, afirmou nesta quarta-feira (30) um grupo de cientistas, em artigo publicado pela revista “Nature”.

Por volta do ano de 2100, o volume de carbono liberado pelo pergelissolo poderia ser entre “1,7 e 5,2 vezes maior” do que o tinha sido previsto até agora, segundo a importância do aquecimento na superfície da terra.

O volume liberado é comparável ao dos gases causadores de efeito estufa resultante do desmatamento atualmente, mas o impacto no clima seria 2,5 vezes maior, já que grande parte do gás emitido será metano (CH4), com efeito 25 vezes maior sobre o aquecimento global do que o dióxido de carbono (CO2).

Atualmente, o desmatamento produz 20% do total de gases de efeito estufa responsáveis pelo aquecimento do planeta.

A publicação deste artigo coincide com a realização da conferência das Nações Unidas sobre o combate ao aquecimento global, inaugurada na segunda-feira passada em Durban (África do Sul) e que visa a dar um novo impulso às negociações sobre o Protocolo de Kyoto.

O permafrost cobre permanentemente cerca de um quarto das terras do hemisfério norte. Trata-se de uma reserva gigantesca de carbono orgânico, que contém restos de plantas e animais que foram se acumulando durante séculos. Com o degelo deste solo, estes materiais começam a se decompor, liberando na atmosfera parte deste carbono, na forma de metano e dióxido de carbono.

Segundo estudos anteriores, este fenômeno já teria começado a acontecer em partes da tundra e em alguns lagos de gelo.

No total, as terras do Ártico conteriam 1,7 bilhão de toneladas de carbono.

Isto representa “cerca de quatro vezes mais do que todo o carbono emitido pelas atividades humanas nos tempos modernos e o dobro do que a atmosfera contém atualmente”, afirmam os biólogos americanos Edward Schuur e Benjamin Abbott.

Segundo estes cientistas e cerca de 40 outros especialistas da rede Permafrost Carbon Research Network, que assinaram o estudo, isto representa “o triplo” do estimado anteriormente pelos modelos de mudanças do clima.

Fonte: Da France Presse


16 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Derretimento do Ártico é o 2º maior da história, afirma centro de pesquisa

Degelo deste ano só perde para 2007, segundo medições feitas por satélite.
Cientistas afirmam que aquecimento global pode ser uma das causas.

A cobertura de gelo que flutua no Oceano Ártico podeainda não ter atingido seu menor índice em 2011, mas é o segundo mais baixo já registrado desde que satélites iniciaram a medição desta região, em 1979.

As informações são do Centro Nacional de Dados sobre Gelo e Neve (NSIDC, na sigla em inglês), ligado à Universidade do Colorado-Bolder, nos Estados Unidos, e foram divulgadas nesta quinta-feira (15).

A confirmação ocorre após cientistas apontarem a data de 8 de setembro como o dia em que a plataforma de gelo marinho atingiu seu recorde mínimo neste ano, 4,33 milhões de quilômetros quadrados. Apesar do índice ter ficado abaixo ao de 2007, quando a região ficou com 4,27 milhões de quilômetros quadrados de gelo, existe uma preocupação quanto à redução, que está abaixo da média entre 1979 e 2000.

Imagem divulgada mostra como está a plataforma glacial no Ártico hoje comparando com linhas cinzas, que mostram a média do derretimento do gelo entre 1979 (Foto: NSIDC)

Imagem divulgada mostra como está a plataforma glacial no Ártico hoje. As linhas cinzas fazem um comparativo entre a situação atual e as médias do derretimento do gelo registradas entre 1979 e 2000 (Foto: NSIDC)

Aquecimento global
A maioria dos cientistas acredita que o encolhimento do gelo do Ártico está ligado ao aquecimento global, causado pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa produzidos pelo homem. “Se em um verão vemos a extensão do gelo diminuir em setembro, no ano seguinte essa situação pode ocorrer novamente”, disse Mark Serreze, diretor do NSIDC. “A cobertura do Ártico está tão fina em comparação com o derretimento de 30 anos atrás, que não se pode bater na placa”, complementa.

Serreze disse que em 2007, ano recorde do derretimento de gelo no polo Norte, houve condições meteorológicas que culminaram neste fenômeno. “É interessante que neste ano, não vimos tal padrão climático”, disse.

É possível que a quantidade de gelo nesta região diminua ainda mais em 2011, devido à mudança dos ventos no fim do verão. Essas informações só serão confirmadas em outubro, quando uma nova análise será emitida pelo centro de pesquisas, junto à comparação com o derretimento de anos anteriores.

Impacto ambiental x Interesse comercial
Períodos de insolação elevados durante o mês de julho já eram tidos pelos cientistas como prováveis causas para a redução do gelo no futuro. Há quem defenda que o gelo marítimo no Ártico possa desaparecer por completo daqui a 30 anos, com graves consequências para a Terra, apesar de abrir a oportunidade de exploração de petróleo na área desocupada pelo gelo.

A navegação foi possível pelas rotas Noroeste e Nordeste durante o ano de 2011 por conta da ausência de gelo – a última pode virar rota comercial já que permite a conexão entre os oceanos Pacífico e Atlântico. O degelo já havia deixado as passagens livres duas vezes desde 2008.

A temperatura no Ártico subiu duas vezes mais rápido que a média global nos últimos 50 anos. O ano de 2010 empatou com 2005 como o ano mais quente da história, desde que institutos começaram a fazer medições. Ainda que a agência norte-americana ainda reconheça o ano de 2005 como recordista, as Nações Unidas atestaram o empate.

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


6 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Estudo diz que quantidade de gelo no Ártico atingiu recorde negativo

Cálculo foi feito em relação à espessura da camada de gelo.
Degelo pode desencadear problemas como aumento do nível do mar.

A quantidade de gelo que cobre o Ártico caiu no verão boreal de 2010 ao mínimo já registrado, afirmam pesquisadores. Os resultados do estudo serão publicados oficialmente em breve e sugerem que o afinamento do gelo superou a recuperação na área.

O estudo estimou que a cobertura de gelo no Ártico em 2010 — calculada com base na sua espessura e extensão — foi inferior ao recorde negativo anterior, em 2007, refletindo a tendência global de aquecimento.

Cientistas preveem que o Ártico pode ficar totalmente sem gelo durante o verão daqui a algumas décadas. Isso criaria oportunidades lucrativas em áreas como navegação e exploração de petróleo, mas também teria consequências climáticas para o mundo todo, a começar pelo aumento do nível dos mares.

Os autores do estudo, da Universidade de Washington, em Seattle, desenvolveram um modelo para estimar a espessura do gelo no oceano Ártico com base em medições dos ventos e da temperatura atmosférica e oceânica. Os resultados foram comparados com amostras reais.

“O fato realmente preocupante é a tendência de redução nos últimos 32 anos”, disse Axel Schweiger, principal autor do estudo, referindo-se aos registros por satélite do Ártico. A redução em 2010, segundo o estudo intitulado “Incerteza no volume de gelo marinho do Ártico estimado por modelos”, foi “por uma margem suficiente para estabelecer um novo recorde estatisticamente significativo”.

Schweiger divulgou os dados em email à reportagem da Reuters a bordo do quebra-gelo Arctic Sunrise, do Greenpeace, que está no oceano Ártico, entre a ilha norueguesa de Svalbard e o Polo Norte.

A espessura do gelo é tão importante quanto a sua extensão, ou até mais, para entender o que está acontecendo no Ártico. Alguns especialistas argumentam que a redução dramática na extensão da camada de gelo nos últimos anos ocorre por causa de um afinamento constante nas últimas décadas.

O método usado no estudo é criticado por alguns especialistas, que o consideram menos preciso que as observações diretas. Os autores argumentam, porém, que a tendência geral de afinamento do gelo acaba sendo registrada por esse método.

Na semana passada — faltando ainda duas semanas para o fim da temporada do degelo — a cobertura de gelo no oceano Ártico ficou abaixo dos 4,6 milhões de quilômetros quadrados. A menor extensão já registrada foram 4,13 milhões de quilômetros quadrados em 2007.

O gelo marítimo propriamente dito não eleva o nível do mar quando se descongela, mas o aquecimento do Ártico pode acelerar o derretimento da camada de gelo da Groenlândia, que é composta por água doce acumulada sobre a terra, num volume suficiente para elevar o nível global dos oceanos em 7 metros.

Fonte: Da Reuters


27 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Aquecimento do Ártico está liberando na atmosfera substâncias tóxicas presas em gelo e água

Mais um problema do aquecimento global.

O aquecimento do Ártico está liberando na atmosfera substâncias químicas tóxicas que estavam presas no gelo e na água gelada, descobriram cientistas canadenses e noruegueses. Os pesquisadores avisam que a quantidade de material venenoso na região polar é desconhecida e sua liberação poderia “minar os esforços globais para reduzir a exposição ambiental e humana a eles”.

De acordo com reportagem publicada no “Guardian”, os produtos químicos incluem os pesticidas DDT, lindano e clordano, assim como os bifenil policlorados (PCBs, na sigla em inglês) e o fungicida hexaclorobenzeno (HCB). Todos eles são conhecidos como poluentes orgânicos persistentes (POPs), proibidos pela Convenção de Estocolmo em 2004.

Os Pops podem causar canceres e má formação em fetos. Eles levam muito tempo para se degradarem. Nas últimas décadas, as baixas temperaturas do Ártico prenderam as substâncias em gelo e água resfriada. Mas cientistas no Canadá e na Noruega descobriram que o aquecimento global está liberando esses compostos novamente. O trabalho dos cientistas está publicado na “Nature Climate Change”.

Fonte: O Globo


26 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Onda de calor no hemisfério Norte acelera degelo no Ártico

A onda de calor que atingiu o hemisfério Norte neste mês acelerou o degelo sazonal do Ártico. Cientistas americanos alertam que a região pode ter em 2011 a menor extensão de gelo marinho já registrada.

Segundo o NSIDC (Centro Nacional de Dados de Gelo e Neve dos EUA), o gelo marinho no oceano Ártico está “a caminho de ficar abaixo do nível de 2007″, quando bateu seu recorde.

Naquele ano, a Passagem Noroeste, que liga o Atlântico ao Pacífico pelo norte do Canadá, foi aberta pelo degelo pela primeira vez em séculos.

A passagem ainda não se abriu neste ano. Mas no último domingo a área coberta pelo gelo marinho era de 7,56 milhões de quilômetros quadrados, quase 3 milhões de quilômetros quadrados inferior à média 1979-2000.

“A extensão está menor nesta época do ano em 2011 do que em 2007″, disse à FolhaJosefino Comiso, da Nasa.

Segundo ele, um sinal positivo é que há mais gelo marinho espesso (menos propenso a derreter) neste ano. “No entanto, relata-se que as temperaturas no Ártico estão relativamente altas, e de fato poderemos ter um novo recorde de redução do gelo permanente neste ano.”

Em julho, o Ártico tem perdido a cada dia uma área maior que a do Estado de Pernambuco em sua cobertura de mar congelado.

Isso se deve às temperaturas anormais: o polo Norte está de 6ºC a 8ºC mais quente que o normal neste mês. No litoral da Sibéria, elas estão de 3ºC a 5ºC maiores que o normal.

PULSO

O gelo marinho no Ártico tem um “pulso anual”: ele atinge sua extensão máxima na primavera, em abril, e sua mínima em setembro, no outono. O aquecimento do planeta tem causado mais degelo no verão e menos recongelamento no inverno.

O gelo e a neve refletem 90% da radiação solar de volta para o espaço. O mar exposto pelo derretimento do gelo marinho, por outro lado, aumenta a absorção de radiação, elevando ainda mais a temperatura, porque é mais escuro. É por isso que o aquecimento global é mais grave no Ártico do que no resto do mundo.

Neste ano, a extensão máxima do gelo marinho foi a segunda menor já registrada. Em abril, a Folha sobrevoou regiões da Groenlândia que deveriam estar congeladas, mas que estavam completamente abertas.

O recorde de 2007 só não foi batido então por causa de uma onda de frio no começo da primavera, que deu esperança aos cientistas de que 2011 não fosse ser tão ruim.

Mas o degelo começou mais cedo na primavera –dependendo da região, até dois meses mais cedo, segundo o NSIDC–, formando poças d’água que aumentam ainda mais o derretimento.

Fonte: Claudio Angelo, De Brasília, Folha.com


4 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Novo estudo confirma aceleração do derretimento do Ártico

O Ártico está derretendo mais rápido que o esperado e pode aumentar o nível do mar em 1,5 metro, de acordo com um estudo do Programa de Avaliação e Monitoramento do Ártico (AMAP, da sigla em inglês), que contém os dados mais abrangentes dobre as alterações climáticas no Ártico. Estudos anteriores indicavam uma elevação de até 59 cm no nível do mar.

O relatório completo será entregue para ministros dos oito países do Ártico na próxima semana, mas um resumo incluindo os principais resultados foi obtido pela Associated Press nesta terça-feira (3).

O resumo destaca que as temperaturas do Ártico nos últimos seis anos foram as mais elevadas desde que as medições começaram em 1880 e que mecanismos de feedback apontam para o início de uma aceleração do aquecimento do clima.

Um dos mecanismos envolve a maior absorção de calor pelo oceano quando não está coberto por gelo. O gelo reflete a energia do sol, ao contrário do oceano que é mais escuro e absorve esta energia. Este efeito foi antecipado por cientistas “mas a evidência clara só foi observada no Ártico nos últimos cinco anos”, afirmou o estudo da AMAP.

O relatório também contesta algumas das previsões feitas, em 2007, pelo Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC/ONU). A cobertura de gelo do mar no Ártico, por exemplo, está encolhendo mais rápido que o projetado pelo painel da ONU. O nível de cobertura de gelo no verão tem sido igual ou próximo do recorde a cada ano desde 2001, disse o relatório, prevendo que o oceano Ártico estará praticamente livre de gelo durante o verão em 30 ou 40 anos.

De acordo com a avaliação da AMAP, o painel da ONU foi muito conservador ao estimar quanto o nível do mar vai subir – um dos aspectos mais vigiada do aquecimento global por causa do impacto potencialmente catastrófico sobre as cidades costeiras e países-ilha.

O derretimento das geleiras e calotas polares do Ártico, incluindo o gelo da Groenlândia, está projetado para elevar o nível global do mar de 90 a 160 cm até 2100, de acordo com a AMAP.

Isto é mais que a projeção feita pelo IPCC, em 2007, cuja elevação seria entre 19 e 59 cm, e que não considerava a dinâmica das calotas polares no Ártico e na Antártida.

“As mudanças observadas nos últimos 10 anos no gelo marinho do Oceano Ártico, na massa de gelo da Groenlândia e nas calotas polares são dramáticas e representam uma alteração óbvia nos padrões de longo prazo”, afirmou o estudo da AMAP.

A principal função da organização é assessorar as nações ao redor do Ártico – EUA, Canadá, Rússia, Dinamarca, Noruega, Suécia, Islândia e Finlândia – sobre as ameaças ao ambiente ártico.

O relatório da AMAP afirmou que o derretimento de geleiras e camadas de gelo em todo o mundo tem se tornado o maior responsável pelo aumento do nível do mar. Sozinha, a Groenlândia corresponde por mais de 40% dos 3,1 milímetros de elevação do nível do mar observado anualmente entre 2003 e 2008. A perda de massa de gelo da Groenlândia, que cobre uma área do tamanho do México, aumentou de 50 gigatoneladas entre 1995-2000 para mais de 200 gigatoneladas entre 2004-2008.

Cientistas ainda estão debatendo quanto da mudança observada no Ártico se deve às variações naturais e quanto ao aquecimento causado pela emissão de dióxido de carbono e outros gases causadores do efeito estufa. A AMAP projetou que a média das temperaturas de inverno e outono no Ártico vai subir de 3 a 6º C até 2080, mesmo que as emissões de gases com efeito de estufa sejam menores que na década passada.

As conclusões do relatório serão discutidas por alguns dos cientistas que ajudaram a compilar o estudo em uma conferência que começa quarta-feira (4) na capital dinamarquesa, Copenhague.

Fonte: Portal iG


15 de março de 2011 | nenhum comentário »

Derretimento do gelo no Ártico evidencia problemas do clima global

Os exploradores russos Daniel Gavrilov e Elena Soloveva estão orgulhosos do recorde mundial alcançado por eles e outros navegadores a bordo do barco Peter 1º em 2010. Pela primeira vez, uma embarcação conseguiu numa só temporada cruzar, sem a ajuda de quebra-gelos, tanto a Passagem do Nordeste quanto a do Noroeste.

“Tivemos sorte”, diz Soloveva. “O estado da cobertura de gelo tornou isso possível”, completa. Hoje está claro para ela que o recorde só foi possível devido ao rápido aquecimento do clima no Ártico. “O gelo está derretendo na parte superior. O clima está mesmo mudando”, diz Soloveva.

O norueguês Borge Ousland, que circunavegou o Polo Norte na mesma época que Gavrilov e Soloveva, faz a mesma observação. Há mais de 20 anos ele participa de expedições pelo Ártico. “Na minha primeira expedição no Polo Norte, em 1990, o gelo tinha de 3 a 4 metros de espessura e havia se formado havia muitos anos”, lembra o explorador, um especialista na região.

“Isso mudou consideravelmente nos últimos anos”, diz. Em 2007, Ousland examinou o gelo local numa expedição patrocinada pelo Instituto Polar Norueguês. “A espessura era de apenas 1,5 a 2 metros”, completa.

Com a sua circunavegação do Polo Norte, Ousland quis chamar a atenção para as mudanças climáticas na região. Para ele, números e resultados são muito abstratos para o cidadão comum, por isso sua ideia era expor visualmente o que acontece com as geleiras e como isso influi no clima global.

O gelo flutuante funciona como um escudo. A superfície branca reflete a energia solar de volta para o espaço. Se o gelo derrete, a superfície escura da água absorve essa energia, o que eleva as temperaturas da água e do ar não apenas no Ártico, mas em todo o planeta.”

Ponto crítico no extremo norte – Segundo os pesquisadores, os bancos de gelo no mar, ou banquisas, são um dos diversos fatores que podem desestabilizar o clima da Terra. O Ártico não deve ser visto como uma região isolada, afirma o biólogo marinho espanhol Carlos Duarte, especialista em questões relacionadas à região. Segundo ele, o Ártico deve ser acima de tudo visto como um ponto central, onde se encontram três continentes e dois oceanos.

“Por isso, as mudanças que ocorrerem ali trarão efeitos para todo o sistema da Terra”, explica Duarte, um dos coordenadores do projeto Arctic Tipping Points, financiado pela União Europeia.

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“O Ártico controla em grandes proporções as mais importantes correntes marítimas da Terra; o gelo derretido modifica a temperatura e o nível de salinidade do mar; as geleiras da Groenlândia influenciam o nível do mar; e no Ártico são também armazenadas quantidades enormes de gases estufa, como o metano, de relevância global”, completa o especialista.

Bomba-relógio sob o gelo – Duarte e sua equipe de pesquisadores calculam que em menos de dez anos o Ártico não terá mais gelo no verão, sendo que esse tipo de evolução poderá desencadear outros processos, já hoje apontados como sinais de alarme.

O gelo continental na Groenlândia derreteu de maneira recorde, apontam os resultados de pesquisas do ano de 2010. Caso não haja uma redução radical da emissão de CO2 até o ano de 2020, poderão derreter até 60% do permafrost (solo formado por terra, rochas e gelo que permanece congelado em toda a faixa do Ártico). Isso provocaria a liberação de grandes quantidades de CO2 e metano, aquecendo ainda mais a Terra.

Duarte mostra-se especialmente preocupado com o risco de que um aumento da temperatura da água possa, de súbito, liberar grandes quantidades de metano congeladas no solo marinho sob o Ártico. “Se isso acontecesse, poderia ser liberada, em poucos anos, uma quantidade de gases poluentes cinco vezes maior do que a liberada nos últimos 150 anos”, explica.

Incêndios nas turfas – Outro fator que ainda não pôde ser considerado pelo Conselho Global do Clima é o ressecamento das superfícies de turfas no extremo norte do globo. Duarte vê os incêndios nas turfas da Rússia, em meados do último ano, como um sinal de alerta de que também lá podem estar sendo atingidos pontos críticos.

Incêndios que se alastraram por grandes superfícies em regiões desertas da Rússia e do Canadá só puderam ser debelados com dificuldade, tendo liberado também mais gases estufa. Há alguns anos, Vladimir Putin afirmou que a Rússia poderia ainda suportar um pouco mais de aquecimento, lembra o especialista espanhol. Hoje, até mesmo as lideranças do país reconhecem que as mudanças climáticas trazem mais riscos do que se supunha.

Ação política mais que necessária – Para Duarte, está passando da hora de agir politicamente, a fim de reduzir as emissões de CO2. Ele ressalta que as discussões sobre os primeiros passos rumo a uma economia global, que gere menos poluentes, começaram tarde demais. “Alguém tem que simplesmente fazer isso na esperança de que outros o sigam”, completa.

O pesquisador alemão Dirk Notz, do Instituto Max Planck de Meteorologia, apela por uma ação política mais imediata: “Há 20 anos, os cientistas vêm dando um sinal claro de que são necessárias medidas firmes”, aponta o especialista. “Voltamos quase ao mesmo ponto de 20 anos atrás. Quando se tem, como cidadão, interesse em manter nosso clima pelo menos como ele está hoje, é preciso que o setor político faça algo para, por exemplo, salvar o gelo no Ártico”, completa Notz.

O pesquisador, que passa boa parte de seu tempo no Ártico, vê as mudanças climáticas na região como um sinal de alerta para todo o planeta. No Ártico, diz ele, o abstrato conceito de “mudança climática” tornou-se visível.

“Ao observar como nessa região da Terra tão pouco povoada podem ser desencadeados conflitos geopolíticos devido às riquezas naturais ali estimadas, pode-se ter uma ideia do que poderia acontecer quando as mudanças climáticas chegarem a regiões onde vive realmente muita gente. E também do quanto essas mudanças poderão influenciar a vida das pessoas que ali vivem. Há dez anos, ninguém teria previsto uma evolução como essa.

Fonte: Folha.com


25 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Aquecimento do Ártico provavelmente é permanente, diz estudo

Os sinais da mudança climática estiveram espalhados pelo Ártico neste ano — ar mais quente, menos gelo no mar, geleiras derretendo —, o que provavelmente significa que essa região, crucial para a definição do clima no resto do planeta, não irá voltar ao seu antigo estado mais frio, disseram cientistas na quinta-feira.

No estudo, divulgado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), cientistas norte-americanos, do Canadá, da Rússia, da Dinamarca e de outros países disseram que “um retorno às condições anteriores do Ártico é improvável.”

As condições do Ártico têm grande influência sobre o clima nas latitudes temperadas do Hemisfério Norte, onde se concentra grande parte da população mundial. Nevascas nos EUA, norte da Europa e oeste da Ásia no inverno passado provavelmente tiveram relação com a maior temperatura atmosférica no Ártico, segundo os cientistas.

“O inverno de 2009-10 mostrou uma nova conectividade entre o frio extremo e a neve em latitudes médias e as mudanças nos padrões de ventos do Ártico”, disse o estudo.

Jackie Richter-Menge, do Laboratório de Pesquisa e Engenharia de Regiões Frias do Exército dos EUA, disse que a temperatura atmosférica na superfície do Ártico está aumentando ao dobro do ritmo do que em latitudes inferiores.

Isso se deve em parte à chamada amplificação polar — o derretimento do gelo e da neve, que são brancos, expõe áreas mais escuras de mar e terra, que absorvem mais calor, num círculo vicioso. A exposição constante à luz solar durante o verão nas altas latitudes também contribui para isso, disse Richter-Menge por telefone.

Normalmente, o ar frio fica “engarrafado” no Ártico durante o inverno, mas no final de 2009 e começo de 2010 ventos fortes empurraram esse frio do norte para o sul, em vez de seguirem o padrão habitual de oeste para leste, disse o oceanógrafo Jim Overland, da NOAA em Seattle.

Overland disse haver uma ligação direta disso com a redução do gelo marinho no Ártico e com o clima em latitudes temperadas, e sugeriu que o fenômeno deve se tornar mais comum nos próximos 50 anos.

Esse padrão ocorreu apenas três vezes nos últimos 160 anos, disse Overland a jornalistas.

“É meio que um paradoxo em que você tem um aquecimento global geral e aquecimento da atmosfera que na verdade criam mais dessas tempestades de inverno”, afirmou. “O aquecimento global não é só aquecimento em todo lugar … ele cria essas complexidades.”

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Os pesquisadores disseram que Nuuk, capital da Groenlândia, teve seu ano mais quente em 138 anos de medições, e que quatro grandes geleiras perderam mais de 25 quilômetros quadrados cada uma.

Fonte: Portal Terra


15 de janeiro de 2010 | nenhum comentário »

Ave do Ártico percorre seis vezes distância da Terra à Lua

Um estudo publicado na segunda-feira (11) sugere que o pássaro Sterna paradisaea, conhecido como andorinha-do-mar-ártica, migra anualmente da Groenlândia até a Antártida, cobrindo uma distância de mais de 70 mil km, no que pode ser a maior migração anual conhecida.

A pesquisa, publicada na revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of América”, fez um cálculo para afirmar que as aves, que pesam cerca de 100 gramas, percorrem, em média, o equivalente a três vezes a distância ida e volta da Terra à Lua (ou seis vezes a ida) durante seus 34 anos de vida.

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O grupo de cientistas, liderados por Carsten Egevang, do Instituto de Recursos Naturais da Groenlândia, usou mecanismos de rastreamento acoplados às aves.

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As andorinhas colocam seus ovos na Groenlândia, mas deixam a região ártica durante o inverno, buscando águas mais quentes da Antártida, durante o verão no hemisfério sul.

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Detalhes – O resultado dos estudos sugere ainda que as aves não voam imediatamente rumo ao sul, mas passam um mês “abastecendo-se” de alimentos no Atlântico norte.

Os pássaros então seguem rumo à costa africana, quando, na altura de Cabo Verde, ocorre uma divisão.

Um grupo segue margeando o continente e outro cruza o oceano e viaja em direção à Antartida pela América do Sul.

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Na volta, os pássaros não seguem pela rota mais curta, mas fazem desvios de milhares de kms para aproveitarem-se de correntes marítimas e poupar energia.

“O estudo proporcionou uma informação muito detalhada sobre o comportamento migratório das aves ao longo de um ano, quando normalmente é muito difícil seguir o fluxo com tanta exatidão”, disse Egevang. (Fonte: Folha Online)

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2 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Degelo no Ártico acelera aquecimento mais do que o previsto

Derretimento de solo permanentemente congelado libera carbono.
Artigo foi publicado pela revista ‘Nature’.

O degelo do permafrost, solo permanentemente congelado do Ártico, pode acelerar o aquecimento global mais do que o previsto, afirmou nesta quarta-feira (30) um grupo de cientistas, em artigo publicado pela revista “Nature”.

Por volta do ano de 2100, o volume de carbono liberado pelo pergelissolo poderia ser entre “1,7 e 5,2 vezes maior” do que o tinha sido previsto até agora, segundo a importância do aquecimento na superfície da terra.

O volume liberado é comparável ao dos gases causadores de efeito estufa resultante do desmatamento atualmente, mas o impacto no clima seria 2,5 vezes maior, já que grande parte do gás emitido será metano (CH4), com efeito 25 vezes maior sobre o aquecimento global do que o dióxido de carbono (CO2).

Atualmente, o desmatamento produz 20% do total de gases de efeito estufa responsáveis pelo aquecimento do planeta.

A publicação deste artigo coincide com a realização da conferência das Nações Unidas sobre o combate ao aquecimento global, inaugurada na segunda-feira passada em Durban (África do Sul) e que visa a dar um novo impulso às negociações sobre o Protocolo de Kyoto.

O permafrost cobre permanentemente cerca de um quarto das terras do hemisfério norte. Trata-se de uma reserva gigantesca de carbono orgânico, que contém restos de plantas e animais que foram se acumulando durante séculos. Com o degelo deste solo, estes materiais começam a se decompor, liberando na atmosfera parte deste carbono, na forma de metano e dióxido de carbono.

Segundo estudos anteriores, este fenômeno já teria começado a acontecer em partes da tundra e em alguns lagos de gelo.

No total, as terras do Ártico conteriam 1,7 bilhão de toneladas de carbono.

Isto representa “cerca de quatro vezes mais do que todo o carbono emitido pelas atividades humanas nos tempos modernos e o dobro do que a atmosfera contém atualmente”, afirmam os biólogos americanos Edward Schuur e Benjamin Abbott.

Segundo estes cientistas e cerca de 40 outros especialistas da rede Permafrost Carbon Research Network, que assinaram o estudo, isto representa “o triplo” do estimado anteriormente pelos modelos de mudanças do clima.

Fonte: Da France Presse


16 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Derretimento do Ártico é o 2º maior da história, afirma centro de pesquisa

Degelo deste ano só perde para 2007, segundo medições feitas por satélite.
Cientistas afirmam que aquecimento global pode ser uma das causas.

A cobertura de gelo que flutua no Oceano Ártico podeainda não ter atingido seu menor índice em 2011, mas é o segundo mais baixo já registrado desde que satélites iniciaram a medição desta região, em 1979.

As informações são do Centro Nacional de Dados sobre Gelo e Neve (NSIDC, na sigla em inglês), ligado à Universidade do Colorado-Bolder, nos Estados Unidos, e foram divulgadas nesta quinta-feira (15).

A confirmação ocorre após cientistas apontarem a data de 8 de setembro como o dia em que a plataforma de gelo marinho atingiu seu recorde mínimo neste ano, 4,33 milhões de quilômetros quadrados. Apesar do índice ter ficado abaixo ao de 2007, quando a região ficou com 4,27 milhões de quilômetros quadrados de gelo, existe uma preocupação quanto à redução, que está abaixo da média entre 1979 e 2000.

Imagem divulgada mostra como está a plataforma glacial no Ártico hoje comparando com linhas cinzas, que mostram a média do derretimento do gelo entre 1979 (Foto: NSIDC)

Imagem divulgada mostra como está a plataforma glacial no Ártico hoje. As linhas cinzas fazem um comparativo entre a situação atual e as médias do derretimento do gelo registradas entre 1979 e 2000 (Foto: NSIDC)

Aquecimento global
A maioria dos cientistas acredita que o encolhimento do gelo do Ártico está ligado ao aquecimento global, causado pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa produzidos pelo homem. “Se em um verão vemos a extensão do gelo diminuir em setembro, no ano seguinte essa situação pode ocorrer novamente”, disse Mark Serreze, diretor do NSIDC. “A cobertura do Ártico está tão fina em comparação com o derretimento de 30 anos atrás, que não se pode bater na placa”, complementa.

Serreze disse que em 2007, ano recorde do derretimento de gelo no polo Norte, houve condições meteorológicas que culminaram neste fenômeno. “É interessante que neste ano, não vimos tal padrão climático”, disse.

É possível que a quantidade de gelo nesta região diminua ainda mais em 2011, devido à mudança dos ventos no fim do verão. Essas informações só serão confirmadas em outubro, quando uma nova análise será emitida pelo centro de pesquisas, junto à comparação com o derretimento de anos anteriores.

Impacto ambiental x Interesse comercial
Períodos de insolação elevados durante o mês de julho já eram tidos pelos cientistas como prováveis causas para a redução do gelo no futuro. Há quem defenda que o gelo marítimo no Ártico possa desaparecer por completo daqui a 30 anos, com graves consequências para a Terra, apesar de abrir a oportunidade de exploração de petróleo na área desocupada pelo gelo.

A navegação foi possível pelas rotas Noroeste e Nordeste durante o ano de 2011 por conta da ausência de gelo – a última pode virar rota comercial já que permite a conexão entre os oceanos Pacífico e Atlântico. O degelo já havia deixado as passagens livres duas vezes desde 2008.

A temperatura no Ártico subiu duas vezes mais rápido que a média global nos últimos 50 anos. O ano de 2010 empatou com 2005 como o ano mais quente da história, desde que institutos começaram a fazer medições. Ainda que a agência norte-americana ainda reconheça o ano de 2005 como recordista, as Nações Unidas atestaram o empate.

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


6 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Estudo diz que quantidade de gelo no Ártico atingiu recorde negativo

Cálculo foi feito em relação à espessura da camada de gelo.
Degelo pode desencadear problemas como aumento do nível do mar.

A quantidade de gelo que cobre o Ártico caiu no verão boreal de 2010 ao mínimo já registrado, afirmam pesquisadores. Os resultados do estudo serão publicados oficialmente em breve e sugerem que o afinamento do gelo superou a recuperação na área.

O estudo estimou que a cobertura de gelo no Ártico em 2010 — calculada com base na sua espessura e extensão — foi inferior ao recorde negativo anterior, em 2007, refletindo a tendência global de aquecimento.

Cientistas preveem que o Ártico pode ficar totalmente sem gelo durante o verão daqui a algumas décadas. Isso criaria oportunidades lucrativas em áreas como navegação e exploração de petróleo, mas também teria consequências climáticas para o mundo todo, a começar pelo aumento do nível dos mares.

Os autores do estudo, da Universidade de Washington, em Seattle, desenvolveram um modelo para estimar a espessura do gelo no oceano Ártico com base em medições dos ventos e da temperatura atmosférica e oceânica. Os resultados foram comparados com amostras reais.

“O fato realmente preocupante é a tendência de redução nos últimos 32 anos”, disse Axel Schweiger, principal autor do estudo, referindo-se aos registros por satélite do Ártico. A redução em 2010, segundo o estudo intitulado “Incerteza no volume de gelo marinho do Ártico estimado por modelos”, foi “por uma margem suficiente para estabelecer um novo recorde estatisticamente significativo”.

Schweiger divulgou os dados em email à reportagem da Reuters a bordo do quebra-gelo Arctic Sunrise, do Greenpeace, que está no oceano Ártico, entre a ilha norueguesa de Svalbard e o Polo Norte.

A espessura do gelo é tão importante quanto a sua extensão, ou até mais, para entender o que está acontecendo no Ártico. Alguns especialistas argumentam que a redução dramática na extensão da camada de gelo nos últimos anos ocorre por causa de um afinamento constante nas últimas décadas.

O método usado no estudo é criticado por alguns especialistas, que o consideram menos preciso que as observações diretas. Os autores argumentam, porém, que a tendência geral de afinamento do gelo acaba sendo registrada por esse método.

Na semana passada — faltando ainda duas semanas para o fim da temporada do degelo — a cobertura de gelo no oceano Ártico ficou abaixo dos 4,6 milhões de quilômetros quadrados. A menor extensão já registrada foram 4,13 milhões de quilômetros quadrados em 2007.

O gelo marítimo propriamente dito não eleva o nível do mar quando se descongela, mas o aquecimento do Ártico pode acelerar o derretimento da camada de gelo da Groenlândia, que é composta por água doce acumulada sobre a terra, num volume suficiente para elevar o nível global dos oceanos em 7 metros.

Fonte: Da Reuters


27 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Aquecimento do Ártico está liberando na atmosfera substâncias tóxicas presas em gelo e água

Mais um problema do aquecimento global.

O aquecimento do Ártico está liberando na atmosfera substâncias químicas tóxicas que estavam presas no gelo e na água gelada, descobriram cientistas canadenses e noruegueses. Os pesquisadores avisam que a quantidade de material venenoso na região polar é desconhecida e sua liberação poderia “minar os esforços globais para reduzir a exposição ambiental e humana a eles”.

De acordo com reportagem publicada no “Guardian”, os produtos químicos incluem os pesticidas DDT, lindano e clordano, assim como os bifenil policlorados (PCBs, na sigla em inglês) e o fungicida hexaclorobenzeno (HCB). Todos eles são conhecidos como poluentes orgânicos persistentes (POPs), proibidos pela Convenção de Estocolmo em 2004.

Os Pops podem causar canceres e má formação em fetos. Eles levam muito tempo para se degradarem. Nas últimas décadas, as baixas temperaturas do Ártico prenderam as substâncias em gelo e água resfriada. Mas cientistas no Canadá e na Noruega descobriram que o aquecimento global está liberando esses compostos novamente. O trabalho dos cientistas está publicado na “Nature Climate Change”.

Fonte: O Globo


26 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Onda de calor no hemisfério Norte acelera degelo no Ártico

A onda de calor que atingiu o hemisfério Norte neste mês acelerou o degelo sazonal do Ártico. Cientistas americanos alertam que a região pode ter em 2011 a menor extensão de gelo marinho já registrada.

Segundo o NSIDC (Centro Nacional de Dados de Gelo e Neve dos EUA), o gelo marinho no oceano Ártico está “a caminho de ficar abaixo do nível de 2007″, quando bateu seu recorde.

Naquele ano, a Passagem Noroeste, que liga o Atlântico ao Pacífico pelo norte do Canadá, foi aberta pelo degelo pela primeira vez em séculos.

A passagem ainda não se abriu neste ano. Mas no último domingo a área coberta pelo gelo marinho era de 7,56 milhões de quilômetros quadrados, quase 3 milhões de quilômetros quadrados inferior à média 1979-2000.

“A extensão está menor nesta época do ano em 2011 do que em 2007″, disse à FolhaJosefino Comiso, da Nasa.

Segundo ele, um sinal positivo é que há mais gelo marinho espesso (menos propenso a derreter) neste ano. “No entanto, relata-se que as temperaturas no Ártico estão relativamente altas, e de fato poderemos ter um novo recorde de redução do gelo permanente neste ano.”

Em julho, o Ártico tem perdido a cada dia uma área maior que a do Estado de Pernambuco em sua cobertura de mar congelado.

Isso se deve às temperaturas anormais: o polo Norte está de 6ºC a 8ºC mais quente que o normal neste mês. No litoral da Sibéria, elas estão de 3ºC a 5ºC maiores que o normal.

PULSO

O gelo marinho no Ártico tem um “pulso anual”: ele atinge sua extensão máxima na primavera, em abril, e sua mínima em setembro, no outono. O aquecimento do planeta tem causado mais degelo no verão e menos recongelamento no inverno.

O gelo e a neve refletem 90% da radiação solar de volta para o espaço. O mar exposto pelo derretimento do gelo marinho, por outro lado, aumenta a absorção de radiação, elevando ainda mais a temperatura, porque é mais escuro. É por isso que o aquecimento global é mais grave no Ártico do que no resto do mundo.

Neste ano, a extensão máxima do gelo marinho foi a segunda menor já registrada. Em abril, a Folha sobrevoou regiões da Groenlândia que deveriam estar congeladas, mas que estavam completamente abertas.

O recorde de 2007 só não foi batido então por causa de uma onda de frio no começo da primavera, que deu esperança aos cientistas de que 2011 não fosse ser tão ruim.

Mas o degelo começou mais cedo na primavera –dependendo da região, até dois meses mais cedo, segundo o NSIDC–, formando poças d’água que aumentam ainda mais o derretimento.

Fonte: Claudio Angelo, De Brasília, Folha.com


4 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Novo estudo confirma aceleração do derretimento do Ártico

O Ártico está derretendo mais rápido que o esperado e pode aumentar o nível do mar em 1,5 metro, de acordo com um estudo do Programa de Avaliação e Monitoramento do Ártico (AMAP, da sigla em inglês), que contém os dados mais abrangentes dobre as alterações climáticas no Ártico. Estudos anteriores indicavam uma elevação de até 59 cm no nível do mar.

O relatório completo será entregue para ministros dos oito países do Ártico na próxima semana, mas um resumo incluindo os principais resultados foi obtido pela Associated Press nesta terça-feira (3).

O resumo destaca que as temperaturas do Ártico nos últimos seis anos foram as mais elevadas desde que as medições começaram em 1880 e que mecanismos de feedback apontam para o início de uma aceleração do aquecimento do clima.

Um dos mecanismos envolve a maior absorção de calor pelo oceano quando não está coberto por gelo. O gelo reflete a energia do sol, ao contrário do oceano que é mais escuro e absorve esta energia. Este efeito foi antecipado por cientistas “mas a evidência clara só foi observada no Ártico nos últimos cinco anos”, afirmou o estudo da AMAP.

O relatório também contesta algumas das previsões feitas, em 2007, pelo Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC/ONU). A cobertura de gelo do mar no Ártico, por exemplo, está encolhendo mais rápido que o projetado pelo painel da ONU. O nível de cobertura de gelo no verão tem sido igual ou próximo do recorde a cada ano desde 2001, disse o relatório, prevendo que o oceano Ártico estará praticamente livre de gelo durante o verão em 30 ou 40 anos.

De acordo com a avaliação da AMAP, o painel da ONU foi muito conservador ao estimar quanto o nível do mar vai subir – um dos aspectos mais vigiada do aquecimento global por causa do impacto potencialmente catastrófico sobre as cidades costeiras e países-ilha.

O derretimento das geleiras e calotas polares do Ártico, incluindo o gelo da Groenlândia, está projetado para elevar o nível global do mar de 90 a 160 cm até 2100, de acordo com a AMAP.

Isto é mais que a projeção feita pelo IPCC, em 2007, cuja elevação seria entre 19 e 59 cm, e que não considerava a dinâmica das calotas polares no Ártico e na Antártida.

“As mudanças observadas nos últimos 10 anos no gelo marinho do Oceano Ártico, na massa de gelo da Groenlândia e nas calotas polares são dramáticas e representam uma alteração óbvia nos padrões de longo prazo”, afirmou o estudo da AMAP.

A principal função da organização é assessorar as nações ao redor do Ártico – EUA, Canadá, Rússia, Dinamarca, Noruega, Suécia, Islândia e Finlândia – sobre as ameaças ao ambiente ártico.

O relatório da AMAP afirmou que o derretimento de geleiras e camadas de gelo em todo o mundo tem se tornado o maior responsável pelo aumento do nível do mar. Sozinha, a Groenlândia corresponde por mais de 40% dos 3,1 milímetros de elevação do nível do mar observado anualmente entre 2003 e 2008. A perda de massa de gelo da Groenlândia, que cobre uma área do tamanho do México, aumentou de 50 gigatoneladas entre 1995-2000 para mais de 200 gigatoneladas entre 2004-2008.

Cientistas ainda estão debatendo quanto da mudança observada no Ártico se deve às variações naturais e quanto ao aquecimento causado pela emissão de dióxido de carbono e outros gases causadores do efeito estufa. A AMAP projetou que a média das temperaturas de inverno e outono no Ártico vai subir de 3 a 6º C até 2080, mesmo que as emissões de gases com efeito de estufa sejam menores que na década passada.

As conclusões do relatório serão discutidas por alguns dos cientistas que ajudaram a compilar o estudo em uma conferência que começa quarta-feira (4) na capital dinamarquesa, Copenhague.

Fonte: Portal iG


15 de março de 2011 | nenhum comentário »

Derretimento do gelo no Ártico evidencia problemas do clima global

Os exploradores russos Daniel Gavrilov e Elena Soloveva estão orgulhosos do recorde mundial alcançado por eles e outros navegadores a bordo do barco Peter 1º em 2010. Pela primeira vez, uma embarcação conseguiu numa só temporada cruzar, sem a ajuda de quebra-gelos, tanto a Passagem do Nordeste quanto a do Noroeste.

“Tivemos sorte”, diz Soloveva. “O estado da cobertura de gelo tornou isso possível”, completa. Hoje está claro para ela que o recorde só foi possível devido ao rápido aquecimento do clima no Ártico. “O gelo está derretendo na parte superior. O clima está mesmo mudando”, diz Soloveva.

O norueguês Borge Ousland, que circunavegou o Polo Norte na mesma época que Gavrilov e Soloveva, faz a mesma observação. Há mais de 20 anos ele participa de expedições pelo Ártico. “Na minha primeira expedição no Polo Norte, em 1990, o gelo tinha de 3 a 4 metros de espessura e havia se formado havia muitos anos”, lembra o explorador, um especialista na região.

“Isso mudou consideravelmente nos últimos anos”, diz. Em 2007, Ousland examinou o gelo local numa expedição patrocinada pelo Instituto Polar Norueguês. “A espessura era de apenas 1,5 a 2 metros”, completa.

Com a sua circunavegação do Polo Norte, Ousland quis chamar a atenção para as mudanças climáticas na região. Para ele, números e resultados são muito abstratos para o cidadão comum, por isso sua ideia era expor visualmente o que acontece com as geleiras e como isso influi no clima global.

O gelo flutuante funciona como um escudo. A superfície branca reflete a energia solar de volta para o espaço. Se o gelo derrete, a superfície escura da água absorve essa energia, o que eleva as temperaturas da água e do ar não apenas no Ártico, mas em todo o planeta.”

Ponto crítico no extremo norte – Segundo os pesquisadores, os bancos de gelo no mar, ou banquisas, são um dos diversos fatores que podem desestabilizar o clima da Terra. O Ártico não deve ser visto como uma região isolada, afirma o biólogo marinho espanhol Carlos Duarte, especialista em questões relacionadas à região. Segundo ele, o Ártico deve ser acima de tudo visto como um ponto central, onde se encontram três continentes e dois oceanos.

“Por isso, as mudanças que ocorrerem ali trarão efeitos para todo o sistema da Terra”, explica Duarte, um dos coordenadores do projeto Arctic Tipping Points, financiado pela União Europeia.

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“O Ártico controla em grandes proporções as mais importantes correntes marítimas da Terra; o gelo derretido modifica a temperatura e o nível de salinidade do mar; as geleiras da Groenlândia influenciam o nível do mar; e no Ártico são também armazenadas quantidades enormes de gases estufa, como o metano, de relevância global”, completa o especialista.

Bomba-relógio sob o gelo – Duarte e sua equipe de pesquisadores calculam que em menos de dez anos o Ártico não terá mais gelo no verão, sendo que esse tipo de evolução poderá desencadear outros processos, já hoje apontados como sinais de alarme.

O gelo continental na Groenlândia derreteu de maneira recorde, apontam os resultados de pesquisas do ano de 2010. Caso não haja uma redução radical da emissão de CO2 até o ano de 2020, poderão derreter até 60% do permafrost (solo formado por terra, rochas e gelo que permanece congelado em toda a faixa do Ártico). Isso provocaria a liberação de grandes quantidades de CO2 e metano, aquecendo ainda mais a Terra.

Duarte mostra-se especialmente preocupado com o risco de que um aumento da temperatura da água possa, de súbito, liberar grandes quantidades de metano congeladas no solo marinho sob o Ártico. “Se isso acontecesse, poderia ser liberada, em poucos anos, uma quantidade de gases poluentes cinco vezes maior do que a liberada nos últimos 150 anos”, explica.

Incêndios nas turfas – Outro fator que ainda não pôde ser considerado pelo Conselho Global do Clima é o ressecamento das superfícies de turfas no extremo norte do globo. Duarte vê os incêndios nas turfas da Rússia, em meados do último ano, como um sinal de alerta de que também lá podem estar sendo atingidos pontos críticos.

Incêndios que se alastraram por grandes superfícies em regiões desertas da Rússia e do Canadá só puderam ser debelados com dificuldade, tendo liberado também mais gases estufa. Há alguns anos, Vladimir Putin afirmou que a Rússia poderia ainda suportar um pouco mais de aquecimento, lembra o especialista espanhol. Hoje, até mesmo as lideranças do país reconhecem que as mudanças climáticas trazem mais riscos do que se supunha.

Ação política mais que necessária – Para Duarte, está passando da hora de agir politicamente, a fim de reduzir as emissões de CO2. Ele ressalta que as discussões sobre os primeiros passos rumo a uma economia global, que gere menos poluentes, começaram tarde demais. “Alguém tem que simplesmente fazer isso na esperança de que outros o sigam”, completa.

O pesquisador alemão Dirk Notz, do Instituto Max Planck de Meteorologia, apela por uma ação política mais imediata: “Há 20 anos, os cientistas vêm dando um sinal claro de que são necessárias medidas firmes”, aponta o especialista. “Voltamos quase ao mesmo ponto de 20 anos atrás. Quando se tem, como cidadão, interesse em manter nosso clima pelo menos como ele está hoje, é preciso que o setor político faça algo para, por exemplo, salvar o gelo no Ártico”, completa Notz.

O pesquisador, que passa boa parte de seu tempo no Ártico, vê as mudanças climáticas na região como um sinal de alerta para todo o planeta. No Ártico, diz ele, o abstrato conceito de “mudança climática” tornou-se visível.

“Ao observar como nessa região da Terra tão pouco povoada podem ser desencadeados conflitos geopolíticos devido às riquezas naturais ali estimadas, pode-se ter uma ideia do que poderia acontecer quando as mudanças climáticas chegarem a regiões onde vive realmente muita gente. E também do quanto essas mudanças poderão influenciar a vida das pessoas que ali vivem. Há dez anos, ninguém teria previsto uma evolução como essa.

Fonte: Folha.com


25 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Aquecimento do Ártico provavelmente é permanente, diz estudo

Os sinais da mudança climática estiveram espalhados pelo Ártico neste ano — ar mais quente, menos gelo no mar, geleiras derretendo —, o que provavelmente significa que essa região, crucial para a definição do clima no resto do planeta, não irá voltar ao seu antigo estado mais frio, disseram cientistas na quinta-feira.

No estudo, divulgado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), cientistas norte-americanos, do Canadá, da Rússia, da Dinamarca e de outros países disseram que “um retorno às condições anteriores do Ártico é improvável.”

As condições do Ártico têm grande influência sobre o clima nas latitudes temperadas do Hemisfério Norte, onde se concentra grande parte da população mundial. Nevascas nos EUA, norte da Europa e oeste da Ásia no inverno passado provavelmente tiveram relação com a maior temperatura atmosférica no Ártico, segundo os cientistas.

“O inverno de 2009-10 mostrou uma nova conectividade entre o frio extremo e a neve em latitudes médias e as mudanças nos padrões de ventos do Ártico”, disse o estudo.

Jackie Richter-Menge, do Laboratório de Pesquisa e Engenharia de Regiões Frias do Exército dos EUA, disse que a temperatura atmosférica na superfície do Ártico está aumentando ao dobro do ritmo do que em latitudes inferiores.

Isso se deve em parte à chamada amplificação polar — o derretimento do gelo e da neve, que são brancos, expõe áreas mais escuras de mar e terra, que absorvem mais calor, num círculo vicioso. A exposição constante à luz solar durante o verão nas altas latitudes também contribui para isso, disse Richter-Menge por telefone.

Normalmente, o ar frio fica “engarrafado” no Ártico durante o inverno, mas no final de 2009 e começo de 2010 ventos fortes empurraram esse frio do norte para o sul, em vez de seguirem o padrão habitual de oeste para leste, disse o oceanógrafo Jim Overland, da NOAA em Seattle.

Overland disse haver uma ligação direta disso com a redução do gelo marinho no Ártico e com o clima em latitudes temperadas, e sugeriu que o fenômeno deve se tornar mais comum nos próximos 50 anos.

Esse padrão ocorreu apenas três vezes nos últimos 160 anos, disse Overland a jornalistas.

“É meio que um paradoxo em que você tem um aquecimento global geral e aquecimento da atmosfera que na verdade criam mais dessas tempestades de inverno”, afirmou. “O aquecimento global não é só aquecimento em todo lugar … ele cria essas complexidades.”

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Os pesquisadores disseram que Nuuk, capital da Groenlândia, teve seu ano mais quente em 138 anos de medições, e que quatro grandes geleiras perderam mais de 25 quilômetros quadrados cada uma.

Fonte: Portal Terra


15 de janeiro de 2010 | nenhum comentário »

Ave do Ártico percorre seis vezes distância da Terra à Lua

Um estudo publicado na segunda-feira (11) sugere que o pássaro Sterna paradisaea, conhecido como andorinha-do-mar-ártica, migra anualmente da Groenlândia até a Antártida, cobrindo uma distância de mais de 70 mil km, no que pode ser a maior migração anual conhecida.

A pesquisa, publicada na revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of América”, fez um cálculo para afirmar que as aves, que pesam cerca de 100 gramas, percorrem, em média, o equivalente a três vezes a distância ida e volta da Terra à Lua (ou seis vezes a ida) durante seus 34 anos de vida.

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O grupo de cientistas, liderados por Carsten Egevang, do Instituto de Recursos Naturais da Groenlândia, usou mecanismos de rastreamento acoplados às aves.

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As andorinhas colocam seus ovos na Groenlândia, mas deixam a região ártica durante o inverno, buscando águas mais quentes da Antártida, durante o verão no hemisfério sul.

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Detalhes – O resultado dos estudos sugere ainda que as aves não voam imediatamente rumo ao sul, mas passam um mês “abastecendo-se” de alimentos no Atlântico norte.

Os pássaros então seguem rumo à costa africana, quando, na altura de Cabo Verde, ocorre uma divisão.

Um grupo segue margeando o continente e outro cruza o oceano e viaja em direção à Antartida pela América do Sul.

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Na volta, os pássaros não seguem pela rota mais curta, mas fazem desvios de milhares de kms para aproveitarem-se de correntes marítimas e poupar energia.

“O estudo proporcionou uma informação muito detalhada sobre o comportamento migratório das aves ao longo de um ano, quando normalmente é muito difícil seguir o fluxo com tanta exatidão”, disse Egevang. (Fonte: Folha Online)

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