20 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Estudo do Inpa revela causas da morte de árvores na Amazônia

Pesquisa durou um ano e analisou causas das mortes de 67 árvores.
Fatores biológicos, estresse e tempestade são os principais fatores.

Tempestade, fatores biológicos e estresse. Esses foram os principais fatores da morte de árvores durante um estudo de mestrado realizado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) pela estudante Clarissa Gouveia pelo período de um ano.

Orientado pelo pesquisador do órgão, Niro Higuchi, o estudo foi feito em dois espaços com uma área de 20 x 2500 m cada, totalizando 5.808 árvores, sendo catalogadas 67 mortes.
Segundo o estudo, período chuvoso é o nível de mortalidade das árvores costuma ficar maior, principalmente, devido à quantidade de tempestades e raios típicos da época. “Na região atingida pelo raio, geralmente encontra-se mais de um individuo morto, representados por mais de uma espécie, além de provocar a morte parcial ou total da regeneração natural do lugar”, esclarece a mestranda.

A maioria das árvores na Floresta Amazônica possuem copas assimétricas e as tempestades são capazes de aumentar o peso da copa, provocando a queda das árvores para o seu lado mais pesado. Existem, ainda, registros de tempestades de vento que podem matar milhares de árvores em apenas poucos dias, são os chamados downburst ou roça de ventos.

Já as mortes classificadas como fatores biológicos e de estresses são relacionadas a competição e supressão entre espécies, déficit hídrico, alagamentos, e ataques patógenos. “No momento que a árvore morre, ela continua a influenciar os organismos ao seu redor, auxiliando no equilíbrio e desenvolvimento de outros organismos. E, também, cooperando na mudança de biomassa, no fornecimento de luz, nutrientes e na umidade da floresta”, explica Clarissa.

A mortalidade arbórea é um processo natural no ecossistema florestal, pois influencia na estrutura, dinâmica, estoque de carbono e reciclagem de nutrientes. Mas, quando a mortalidade é maior que a capacidade de resistência da floresta, as consequências em longo prazo podem ser preocupantes. “São observadas mudanças nas taxas de evapotranspiração, temperatura, umidade e na estrutura das espécies”, ressalta Fontes.

O pioneirismo da pesquisa foi uma contribuição essencial para a comunidade científica, auxiliando na criação de novas perspectivas. “O desejo é que o estudo seja conduzido por mais tempo e em novas áreas para que possamos verificar um possível padrão de comportamento”, almeja Fontes, ressaltando a concepção de um banco de dados maior para a determinação mais exata das variações no clima e a sua relação com a mortalidade arbórea durante determinado período.

Além das mudanças do tempo, pode-se destacar como influenciadores da mortalidade das árvores as infestações das mesmas por lianas, insetos e fungos. Durante o período da pesquisa, uma espécie foi morta pela hemi-epífita estranguladora Apuí e três outras por fungos patogênicos: duas por Ganoderma sp e uma por Auricularia delicata Fries.

“Esse tipo de estudo pode melhorar o entendimento das vulnerabilidades de nossas árvores diante de eventos catastróficos que vem ocorrendo na Amazônia, principalmente aquelas relacionadas com secas e tempestades”, concluiu a estudante.

Bacia amazônica, área de atuação do projeto (Foto: Divulgação/UEA)

Estudo do Inpa analisou morte de árvores da Floresta Amazônia (Foto: Divulgação/UEA)

Árvore na área de preservação da Ufam Manaus (Foto: Adneison Severiano G1/AM)

Árvores morrem mais na Amazônia durante o período de chuvas na região (Foto: Adneison Severiano G1/AM)

Amazônia rio com plantas (Foto: Ana Castro - produtora de reportagem (TV Globo))

Tempestades com raios e fortes ventos são um dos principais fatores para a morte de árvores na Amazônia (Foto: Ana Castro - produtora de reportagem (TV Globo))

Ministério do Meio Ambiente vai reforçar fiscalização na área de fronteira agrícola entre os estados do Amazonas e Rondônia (Foto: Divulgação/Ibama)

Infestação de insetos e fungos são outras causas de morte das árvores na Amazônia (Foto: Divulgação/Ibama)

Amazônia (Foto: Ana Castro - produtora de reportagem (TV Globo))

Mortalidade arbórea é um processo natural do ecossistema da Floresta (Foto: Ana Castro - produtora de reportagem (TV Globo))

Fonte: Globo Natureza


13 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Árvores não são bem estudadas’, critica jornalista americano

Jim Robbins falou no segundo dia de palestras do TEDxRio+20.
Após 2 anos de expedição, biólogo montou banco de dados sobre plâncton.

Jim Robbins falou no segundo dia de palestras do TEDxRio+20 (Foto: Lilian Quaino / G1)

Jim Robbins falou no segundo dia de palestras do TEDxRio+20 (Foto: Lilian Quaino / G1)

“Por que se preocupar com a morte das árvores? Todo cientista a quem pergunto isso diz que não sabe”, disse o jornalista americano Jim Robbins, que ao falar na manhã da última terça-feira (12) no segundo e último dia das palestras do TEDxRio+20, mostrou slides de sua casa em Montana e disse que todas as árvores que apareciam na imagem estavam mortas, principalmente por causa da elevação de dois graus na temperatura nos últimos 20 anos.

O TEDxRio+20, que começou na segunda-feira (11), faz parte do projeto Humanidade 2012, que acontece no Forte de Copacabana, na Zona Sul do Rio, num evento paralelo à Rio+20. O TEDxRio+20 reúne profissionais de todas as áreas com ideias e projetos para um mundo melhor.

Para Robbins, as árvores não foram e ainda não são bem estudadas:

“Quase nada se sabe. Entendem de produção de madeira, mas fatos sobre a árvore viva não são conhecidos”, disse ele, contando que em todas as cidades americanas há campanhas para que se plantem e preservem as árvores.

O jornalista, que escreve sobre meio ambiente, disse que as árvores bloqueiam raios ultravioleta, que causam câncer, servem como escudo para o calor e purificam a água: “Na África, grandes áreas de terra desertificada foram recuperadas com o plantio de árvores”, disse.

O biólogo Colombam de Vargas falou na TEDxRio+20 sobre sua expedição de dois anos e meio por todos os mares do planeta pesquisando o plâncton. Colomban é formado na Universidade de Genebra e mestre de pesquisa no Conselho Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), na estação biológica de Roscoff, na França. Segundo disse, ele e seus companheiros de expedição têm hoje o maior banco de dados sobre plâncton do mundo.

Colombam é um apaixonado pelo plâncton, que segundo explicou compões 98% do volume da biosfera. E é particularmente interessado em protistas, microorganismos encontrados nos plânctons que fabricam calcita e criam esqueletos, num processo em que, segundo o biólogo, inclui nanotecnologia.

 

Fonte: G1


5 de março de 2012 | nenhum comentário »

Pinheiros sobreviveram à Era do Gelo na Escandinávia, diz estudo

Estudos anteriores diziam que árvores teriam ressurgido após retração do gelo.
Descoberta foi feita após análise do DNA de plantas modernas.e pólen antigo.

Pólen de pinheiro com cerca de 10 mil anos foi extraído de lago na Noruega e ajudou cientistas na descoberta  (Foto: Divulgação / Science / AAAS)

Pólen de pinheiro com cerca de 10 mil anos foi encontrado em lago na Noruega e ajudou cientistas na descoberta (Foto: Divulgação / Science / AAAS)

Novas descobertas científicas mostram que pinheiros e abetos sobreviveram à Era do Gelo na Escandinávia, ao contrário do que se pensava anteriormente. De acordo com uma pesquisa publicada na sexta-feira (2) na “Science”, as árvores teriam sobrevivido em refúgios livres de gelo.

Estudos anteriores afirmavam que as árvores teriam ressurgido na Península Escandinava quando o gelo retraiu, há 9 mil anos.

A descoberta foi feita por um grupo internacional de cientistas, após análise do DNA de pinheiros e abetos modernos. Segundo os pesquisadores, a grande quantidade de mutações encontradas prova que variedades das plantas são mais velhas que o último período glacial.

Também foi analisado o DNA de pólen obtido de sedimentos antigos obtidos na Noruega. A pesquisa descobriu que coníferas cresciam na região há 22 mil anos, quando a área ainda estava coberta por gelo.

Para os cientistas, a descoberta torna necessária a revisão dos modelos que analisam a proliferação de plantas boreais após a glaciação.

 

 

 

 

 

Fonte: Globo Natureza


6 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Árvores estocam mais dióxido de carbono que se pensava

Cientistas americanos afirmam que métodos usados até agora não são precisos e prejudicam o combate ao aquecimento global

Florestas tropicais como a Amazônia brasileira armazenam 21% mais dióxido de carbono (CO2) do que cientistas acreditavam até agora, segundo o mais completo estudo sobre o tema já realizado. Dados confiáveis sobre emissões e sequestro do CO2 da atmosfera são indispensáveis para que os países possam estimar os danos e planejar ações para revertê-los, de acordo com os autores da pesquisa, que foi publicada na revista Nature Climate Change.

Imagens e medições via satélite e um extenso trabalho de campo foram os instrumentos usados para mapear o dióxido de carbono presente nas florestas tropicais de países da América do Sul, África e Ásia. Essas florestas recolhem o CO2 no processo de fotossíntese pelo qual as plantas produzem alimento. Mas o gás fica estocado nos vegetais e é liberado com sua queima ou corte.

Nos países que ficam entre os trópicos, o desmatamento é um dos principais emissores de gases que formam o efeito estufa. No mundo inteiro, a prática contribui com até 17% das emissões de CO2. E o Brasil e a Indonésia são os países que têm mais dióxido de carbono estocado em suas florestas tropicais, com 35% do total. São também os países que mais liberam o gás na atmosfera por meio do desmatamento.

Segundo a pesquisa, os modelos atuais de detecção de CO2 , que não levam em conta a capacidade das árvores de armazenarem mais dióxido de carbono do que se pensava, superestimam as emissões em até 12%; o que pode ser um número considerável para países que precisam prestar contas à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC na sigla em inglês). E será mais importante ainda quando da adoção do programa REDD+, que prevê apoio técnico e financeiro para que países combatam o aquecimento global por meio da redução da emissão dos gases que provocam o efeito estufa, como o CO2.

“É a primeira vez que somos capazes de entregar uma estimativa precisa sobre a densidade do CO2 nos locais onde ele nunca foi mensurado antes”, afirmou Alessandro Baccini, cientista do Centro de Pesquisa Woods Hole, que realizou o levantamento junto com as universidades de Boston e de Maryland, todas instituições americanas.

Os estudos anteriores não são precisos, segundo o levantamento, porque calculam o volume de dióxido de carbono de cada região baseado na biomassa média das florestas. Já o novo modelo combinou as informações fornecidas por satélites com pesquisas de campo que definiram a densidade de biomassa em cada floresta. “E as florestas que acumulam mais carbono podem valer mais em programas como o REDD+”, afirma o pesquisador Richard Houghton, que também participou da pesquisa.

 

Vista aérea da floresta amazônica

Vista aérea da floresta amazônica: árvores podem armazenar mais dióxido de carbono do que se pensava (Alex Almeida/Folhapress)

Fonte:  Veja Ciência

 


31 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Estudo explica como pica-pau evita danos no cérebro ao bicar árvores

Estudos usando imagens em câmera lenta, exames de raio-X e simulação por computador revelaram como o pica-pau consegue evitar danos ao seu cérebro quando martela troncos com seu bico.

A cabeça do pássaro se move a velocidades em torno de seis metros por segundo. A cada martelada, seu bico sofre uma desaceleração que equivale a mais de mil vezes a força da gravidade.

Porém, em artigo publicado na revista científica “Plos One”, especialistas dizem que diferenças nos comprimentos das partes superior e inferior do bico do animal e estruturas ósseas esponjosas protegem seu cérebro.

A descoberta pode ser útil no desenvolvimento de equipamentos protetores para a cabeça de humanos, entre outros usos.

CÉREBRO MAIS LONGO

O pica-pau tende a construir seu ninho em troncos ocos de árvores. Para se alimentar, bica o tronco com força, perfurando a casca para encontrar insetos que captura com sua língua.

Durante anos, cientistas vêm examinando a anatomia do crânio dos pica-paus para descobrir como conseguem dar suas poderosas bicadas sem se machucarem.

Essas aves não possuem muito espaço entre seu cérebro e o crânio, o que impede o cérebro de se deslocar dentro do crânio, como ocorre com humanos.

Além disso, seus cérebros são mais longos verticalmente do que horizontalmente, o que significa que a força exercida contra o crânio é distribuída por uma área maior do cérebro.

A equipe responsável pelo estudo, da Universidade Politécnica de Hong Kong, também estudaram o osso hióide do pica-pau. Esse osso, que em humanos forma o pomo de adão, é extremamente desenvolvido nesses pássaros.

Começando na parte debaixo do bico do animal, ele passa por dentro das narinas, segue por baixo do crânio, sobe até o topo, contornando a cabeça, e desce até a testa, formando uma espécie de círculo.

BATENDO CABEÇA

Em entrevista à BBC, o especialista Ming Zhang, coautor do estudo, disse que a equipe queria entender esse processo em números.

“A maioria dos estudos prévios se limitava a respostas qualitativas para essa questão, mas para resolver esse problema interessante são necessários mais estudos quantitativos”, disse.

Para o pesquisador, a compreensão do biomecanismo usado pelo pica-pau seria útil no “desenho de artefatos de proteção humana e até em desenho industrial”.

Primeiro, a equipe observou os pica-paus em ambientes controlados. Duas câmeras captaram, em câmera lenta, imagens dos animais bicando um sensor que media a força da bicada.

Eles descobriram que os pássaros viram ligeiramente a cabeça quando bicam, o que influencia a forma como as forças são transmitidas.

TOMOGRAFIA

A equipe também fez tomografias computadorizadas e análises dos crânios de pica-paus usando microsópios eletrônicos de varredura para determinar como as partes se encaixam e onde ocorre variação na densidade óssea.

Munidos dessas informações, os cientistas foram capazes de usar simulação por computador para calcular as forças afetando todo o crânio do pássaro enquanto ele bicava.

Eles concluíram que três fatores se combinam para proteger o pássaro.

Primeiro, a estrutura circular do osso hióide, contornando todo o crânio, age como um cinto de segurança, especialmente após o impacto inicial.

A equipe constatou que os comprimentos das partes superior e inferior do bico do pica-pau são diferentes. Quando a força é transmitida da ponta do bico para dentro do osso, essa assimetria diminui a carga de força que chega até o cérebro.

Finalmente, ossos em forma de placa, com uma estrutura esponjosa em pontos diferentes do crânio, ajudam a distribuir a força, protegendo o cérebro.

Fonte: Da BBC, Brasil


6 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Reflorestamento: ‘A floresta provê serviços ecológicos para sociedade’

De acordo com coordenador do Programa da Amazônia do WWF-Brasil, Mauro Armelin, maior obstáculo para o replantio é a falta de incentivo

Coordenador do Programa da Amazônia do WWF-Brasil, Mauro Armelin (Foto: Divulgação)

Mauro Armelin fala sobre reflorestamento (Foto: Divulgação)

Houve uma época em que não se falava sobre os perigos para o meio ambiente de se extrair madeira, plantar culturas como o café e a cana-de-açúcar e abrir pastos sem antes se fazer um estudo sobre a região, ou melhor, sobre o bioma no qual se desejava atuar. Com a popularização do termo, ou melhor, do processo chamado Reflorestamento, muitos hectares de áreas devastadas estão sendo recuperadas em todo o Brasil. De acordo com coordenador do Programa da Amazônia do WWF-Brasil, Mauro Armelin, o maior obstáculo ainda é a falta de incentivo do Governo Federal:

“Um dos maiores obstáculos é o licenciamento. Para fazer a revegetação, não dá para plantar qualquer coisa em qualquer pedaço de terra. Tem que ter um projeto para fazer uma recuperação baseada no que existia antes naquela área. Por isso é necessário um processo, que custa caro. Também não é fácil encontrar disponibilidade de mudas de espécies nativas. E o maior problema é a falta de incentivo. Não vejo políticas governamentais que apóiem ou iniciativas”, afirma Mauro.

O reflorestamento nada mais é do que recuperar florestas que foram desmatadas ou inserir espécies para que a área de onde a floresta foi retirada fique parecida com a original. Isso pode levar meses ou anos, dependendo da área, da quantidade de pessoas atuando nela e do tempo de trabalho dedicado por cada um.

“A floresta provê serviços ecológicos para sociedade como a produção de água, por exemplo. Áreas prioritárias para fazer reflorestamento são as margens dos rios e os morros desmatados. E há também o reflorestamento que tem como objetivo aumentar a população de algum animal, como foi feito no litoral do Rio de Janeiro, com a intenção de aumentar o número de mico-leão-dourado, que estava em extinção”, diz Mauro.

A recuperação da vegetação é feita em fases. Primeiro, são plantadas árvores pioneiras, aquelas que crescem sob o sol e protegem as árvores secundárias, as segundas a serem inseridas na floresta que está no processo. É necessário estudar as espécies típicas da região e seguir a vontade de proprietário da terra que está sendo reflorestada. Com elas, é possível recuperar a biodiversidade que existia no local.

“Pode ser que ele queira ambiente mais fresco em sua fazenda ou uma floresta que ofereça produtos, como borracha, palmito ou frutas. O sistema de vegetação é selecionado de acordo com o gosto, mas com base na sucessão florestal”, comenta Mauro.

Apesar da experiência na área, a WWF-Brasil não trabalha atualmente em nenhum projeto de reflorestamento. A organização não-governamental vem trabalhando em políticas, tentando encorajar a recuperação de áreas e brigando pelas áreas protegidas e pela precaução com elas.

“Nosso objetivo hoje não é reflorestar, mas criar formas para que isso seja possível. E também para que não seja necessário. Estamos trabalhando junto ao governo do Estado do Acre no projeto Conservando Um Bilhão de Árvores, um processo de certificação das propriedades agrícolas para que as famílias tenham produção agrícola ou melhorem a pastagem sem destruir a vegetação. O objetivo é que aqueles 80% de área que não são de Reserva Legal sejam utilizados, porém, conservados como florestas. Assim, os donos daquela propriedade podem tirar renda da floresta e melhorar sua própria qualidade de vida”.

Fonte: Globo Ecologia


1 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Genética pode ser aplicada na conservação de árvores do cerrado

Pesquisadores de Goiás conduziram a pesquisa com o baru.
Projeto selecionou genes e criou população com grande diversidade.

O estudo da genética oferece ferramentas para proteger espécies antes mesmo que elas estejam, de fato, ameaçadas de extinção. É o objetivo de uma equipe da Universidade Federal de Goiás (UFG), coordenada por Mariana Telles, professora de genética de populações.

Eles estão preocupados com o futuro do cerrado, segundo maior bioma do Brasil, que só perde em extensão para a Amazônia. A vegetação é predominante no Centro-Oeste, em Minas Gerais, em Tocantins e em algumas partes do Nordeste.

O baru é uma árvore típica da região e sofre com o extrativismo – a semente é consumida como uma iguaria, o que afeta a reprodução da planta. Ela ainda está longe da extinção, mas foi escolhida para um estudo dos especialistas da UFG.

Eles pesquisaram populações de barus ao longo de toda a área do cerrado, observando as características de cada uma delas. Essas características são predeterminadas por variantes genéticas – os alelos. Então, eles decidiram juntar as populações com a maior diversidade possível desses alelos e colocar numa só população as características de toda uma espécie.

“A ideia é usar ferramentas da genética molecular para entender o processo evolutivo, isso é a genética de populações”, explicou a professora. “Só que a genética de populações tem se comunicado com outras áreas, como a ecologia e a agronomia e, nesse sentido, auxiliado não só no entendimento desses processos evolutivos, mas como isso pode ser usado para a conservação”, completou.

Dessa forma, eles escolheram sete populações de barus de diferentes pontos, englobando características diversas e levaram para Goiânia. O número de populações coletadas tem que ser pequeno para que o projeto seja viável.

Política pública
“Se a gente pensar em política pública, por exemplo, os recursos são limitados, não dá para conservar todas [as populações]. A gente precisa de estratégias para minimizar custos sem perder nada em termos de conservação”, reconheceu Telles.

Essa pesquisa em si não traz resultados tão significativos para a preservação da espécie, mas serve de exemplo, mostra que as ferramentas já existem. “A gente (UFG), enquanto instituição, não tem condições de decidir nada, mas a gente tem argumentos para ajudar numa decisão”, disse a professora.

O Centro-Oeste depende economicamente da agropecuária, que, em vários casos, invade as áreas do cerrado e descaracteriza o bioma original. Porém, tratar os fazendeiros como inimigos não é uma opção. “A gente precisa da soja, então é um desafio conseguir equalizar essas duas coisas”, lembrou a pesquisadora.

“Se a gente tiver algum sistema de incentivo para um empresário manter as áreas que preservam um bioma qualquer, acho que é uma moeda de troca interessante para ele, que não tem essa visão romântica de conservação”, sugeriu Telles, pensando nos incentivos fiscais como alternativa para o futuro do cerrado.

“Eu acho que o Ministério do Meio Ambiente, o Ministério da Ciência e Tecnologia [e Inovação] e o Ministério da Agricultura precisam conversar efetivamente e planejar em conjunto”, completou.

Baru é uma árvore típica do cerrado (Foto: UFG)

Baru é uma árvore típica do cerrado (Foto: UFG)

Fonte: Tadeu Meniconi, G1, Águas de Lindoia(SP)


27 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Ovelhas alteram registro do anéis das árvores

Pesquisadores da Noruega descobriram o tradicional método de analisar os anéis dos troncos da árvores para saber como era o clima no passado não é tão certeiro quanto parecia. Eles constataram que animais herbívoros, como as ovelhas, podem alterar estas marcações.

Em altas latitudes e altitudes, as árvores crescem mais rápido nos anos mais quentes, o que faz com que a largura dos anéis varie de acordo com a mudança das temperaturas. Elas servem como uma janela para o passado e tem sido usado com registro climático desde o início de 1900. No entanto, quando muitos animais se alimentam das folhas e brotos, as árvores crescem menos. “Menos folhas significa menos fotossíntese”, disse ao iG James Speed autor do estudo publicado no periódico científico Functional Ecology.

Árvores crescem mais rápido nos anos mais quentes e isto pode ser notado nos anéis de seus troncos. Foto: Getty Images

A equipe de pesquisadores analisou o tronco de 206 bétulas em uma região montanhosa da Noruega. Depois de nove verões foram medidas as larguras dos troncos e o tamanho dos anéis. O grupo comparou o resultado com a temperatura do local e a densidade populacional de ovelhas na região. De acordo com o estudo, a largura dos anéis é mais afetada pela quantidade de ovelhas que do que pelo clima. Os pesquisadores destacam que embora ocorra as alterações nos padrões dos anéis, é possível identificar que a temperatura continuasse relacionada com a largura dos anéis.

“É importante que estes estudos também estimem o número de herbívoros que vivia no passado por meio de registros fósseis de esporos de fungos que viviam no esterco dos herbívoros. Seria interessante comparar estes registros com o dos anéis das árvores”, disse.

Speed afirma que seu estudo não atenua os efeitos das mudanças climáticas. “O estudo diz apenas que podemos estimar melhor as temperaturas do passado a partir dos anéis de árvore. De qualquer forma, pode ser que as mudanças climáticas podem ter sido superestimadas ou subestimadas”, disse.

Fonte: Maria Fernanda Ziegler/ Portal iG


15 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Remanescente de Mata Atlântica preserva aves

Estudo feito no remanescente de Mata Atlântica, em Pombos, identificou 11 espécies endêmicas, 10 delas ameaçadas de extinção

Levantamento realizado em fragmento florestal de Pombos, a 57 quilômetros do Recife, revela a presença de 11 espécies de aves endêmicas da Mata Atlântica, 10 delas consideradas ameaçadas de extinção. A pesquisa foi feita entre abril de 2007 e maio de 2008 na Mata da Ronda, um remanescente de vegetação nativa com 512 hectares. Endêmicos, lembram os especialistas em conservação, são os animais ou plantas restritos a um bioma ou região.

 

O estudo, de autoria de Gilmar Beserra de Farias, Angélica Uejima e Glauco Pereira, está na edição de julho-agosto da revista Atualidades Ornitológicas. Além de identificar as espécies, o grupo quantificou cada uma delas. A mais abundante é a choca-da-mata, pássaro de aproximadamente 15 centímetros que se alimenta de insetos. Na Mata da Ronda, a ave procura alimento no solo, ramos e folhas, ocupando diferentes planos da floresta.

 

Durante a pesquisa, os ornitólogos registraram ainda grupos de três e até de quatro tipos de aves deslocando-se sob as árvores do lugar em busca de alimento. Uma exceção à regra, uma vez que bandos de pássaros compostos de várias espécies que comem insetos são característicos de grandes extensões de floresta, e não de pequenos fragmentos.

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Para Gilmar Beserra, professor da Universidade Federal de Pernambuco (Centro Acadêmico de Vitória) e primeiro autor do artigo científico, localizar espécies endêmicas e ameaçadas de extinção é importante para nortear as políticas de conservação da biodiversidade no Nordeste.

 

“Algumas dessas aves ocorrem em ambientes restritos e apresentam certa vulnerabilidade, demandando esforços dos tomadores de decisão para a criação de uma unidade de conservação, por exemplo, com o objetivo de diminuir o risco de extinção local dessas espécies”, justifica.

 

A Mata da Ronda é um dos fragmentos do chamado Centro de Endemismo Pernambuco, compreendido pela floresta atlântica localizada entre Alagoas e Rio Grande do Norte.

 

Nessa área há 38 espécies de aves endêmicas. Já na Mata Atlântica de Pernambuco, existem 41 tipos de aves ameaçadas de extinção. No Brasil, esse ecossistema abriga 682 espécies de aves, das quais 83 estão ameaçadas de extinção e 207 são endêmicas.

Jornal do Commercio, 12/10


16 de fevereiro de 2010 | nenhum comentário »

Qual a contribuição das árvores e algas para produção de O2?

Escrito por Cristina Leite 

 

Diariamente uma grande quantidade de CO2 é lançada na atmosfera, por isso para amenizar a poluição causada pelas atividades humanas, as plantas têm desenvolvido um importante papel na captura de gás carbônico e produção de oxigênio, por meio da fotossíntese. A atividade de absorção de CO2, energia luminosa, água e liberação de oxigênio, tanto das árvores quanto das algas, pode ser considerada um dos processos biológicos mais importantes do planeta.

 As áreas florestais, assim como algumas espécies de algas, são de extrema relevância para purificação do ar, mas parte do O2 que é produzido pelas árvores é também consumido pelas próprias, por meio da respiração. Porém, algumas espécies de algas fabricam muito mais oxigênio do que precisam e desta forma as algas são, juntamente com as árvores, importantes contribuintes para amenizar a quantidade de CO2 emitido por ações poluidoras. Além disso, as algas podem ter grande importância para produção de O2 porque ocupam uma área maior que a das árvores. “Afinal, 70% do planeta é coberto de água e todos os oceanos são habitados por algas microscópicas produtoras de oxigênio”, diz a bióloga, Estela Maria Plastino, da Universidade de São Paulo (USP).

 De acordo com o professor da Universidade Estadual de Londrina, Dr. Francisco Striquer Soares, é muito difícil afirmar que as algas são maiores produtoras de O2, a produção depende da espécie da alga, mas alguns fatores podem ser levados em consideração. Um dos pontos que podem contribuir com a maior produção de O2 pelas algas é que elas estão presentes em rios, oceanos e represas, alcançando assim maior extensão territorial.

Outro ponto mencionado pelo professor que favorece as algas, é que, para produção de O2, as algas precisam de energia luminosa, fundamental para a fotossíntese. “Em florestas, como as que situam na região da

Amazônia, onde se concentram uma quantidade expressiva de árvores de grande porte, com alto potencial para produção de O2, a energia solar, necessária para produção de O2, pode chegar numa camada de penetração de até 30 metros”, explica.

Por outro lado, a energia solar em rios e oceanos, além de alcançar grande extensão territorial pode chegar até 100 metros ou mais , alcançando assim uma profundidade maior do que nas florestas, o que destaca as algas em sua produção de oxigênio.

Os fatores apontados pelo professor fazem parte de estudos recentes, porém o que se já sabe é que a ameaça de extinção de algumas espécies de algas já é afirmada por alguns estudiosos. “Elas podem estar em ameaça de extinção se considerar que o aquecimento global afeta a temperatura das águas. Cada alga, de acordo com sua espécie precisa de uma determinada temperatura para as etapas do ciclo de vida, incluindo a reprodução, quando há mudanças significativas no tempo, compromete a proliferação dessas algas, consequentemente a produção de O2”, destaca.

Porém, grande importância existe em preservar as florestas, principalmente a da Amazônia. “Mais estudos devem ser direcionados aos microorganismos, porém o ser humano é um animal terrestre, devemos nos preocupar em cuidar ainda mais do ambiente onde estamos inseridos”, conclui Soares.
 

Fábricas de ar:

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Só as algas marinhas produzem mais da metade do gás vital
Origem – Bosques e florestas % Produzida – 24,9%
Origem – Estepes, campos e pastos % Produzida – 9,1%
Origem – Áreas cultivadas % Produzida – 8,0%
Origem – Regiões desérticas % Produzida – 3,0%
Origem – Árvores (total) % Produzida – 45%
Origem – Algas marinhas % Produzida – 54,7%
Origem – Algas de água doce % Produzida – 0,3%
Origem – Algas (total) % Produzida – 55%

Fonte: Ecologia, de Ramón Margalef






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20 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Estudo do Inpa revela causas da morte de árvores na Amazônia

Pesquisa durou um ano e analisou causas das mortes de 67 árvores.
Fatores biológicos, estresse e tempestade são os principais fatores.

Tempestade, fatores biológicos e estresse. Esses foram os principais fatores da morte de árvores durante um estudo de mestrado realizado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) pela estudante Clarissa Gouveia pelo período de um ano.

Orientado pelo pesquisador do órgão, Niro Higuchi, o estudo foi feito em dois espaços com uma área de 20 x 2500 m cada, totalizando 5.808 árvores, sendo catalogadas 67 mortes.
Segundo o estudo, período chuvoso é o nível de mortalidade das árvores costuma ficar maior, principalmente, devido à quantidade de tempestades e raios típicos da época. “Na região atingida pelo raio, geralmente encontra-se mais de um individuo morto, representados por mais de uma espécie, além de provocar a morte parcial ou total da regeneração natural do lugar”, esclarece a mestranda.

A maioria das árvores na Floresta Amazônica possuem copas assimétricas e as tempestades são capazes de aumentar o peso da copa, provocando a queda das árvores para o seu lado mais pesado. Existem, ainda, registros de tempestades de vento que podem matar milhares de árvores em apenas poucos dias, são os chamados downburst ou roça de ventos.

Já as mortes classificadas como fatores biológicos e de estresses são relacionadas a competição e supressão entre espécies, déficit hídrico, alagamentos, e ataques patógenos. “No momento que a árvore morre, ela continua a influenciar os organismos ao seu redor, auxiliando no equilíbrio e desenvolvimento de outros organismos. E, também, cooperando na mudança de biomassa, no fornecimento de luz, nutrientes e na umidade da floresta”, explica Clarissa.

A mortalidade arbórea é um processo natural no ecossistema florestal, pois influencia na estrutura, dinâmica, estoque de carbono e reciclagem de nutrientes. Mas, quando a mortalidade é maior que a capacidade de resistência da floresta, as consequências em longo prazo podem ser preocupantes. “São observadas mudanças nas taxas de evapotranspiração, temperatura, umidade e na estrutura das espécies”, ressalta Fontes.

O pioneirismo da pesquisa foi uma contribuição essencial para a comunidade científica, auxiliando na criação de novas perspectivas. “O desejo é que o estudo seja conduzido por mais tempo e em novas áreas para que possamos verificar um possível padrão de comportamento”, almeja Fontes, ressaltando a concepção de um banco de dados maior para a determinação mais exata das variações no clima e a sua relação com a mortalidade arbórea durante determinado período.

Além das mudanças do tempo, pode-se destacar como influenciadores da mortalidade das árvores as infestações das mesmas por lianas, insetos e fungos. Durante o período da pesquisa, uma espécie foi morta pela hemi-epífita estranguladora Apuí e três outras por fungos patogênicos: duas por Ganoderma sp e uma por Auricularia delicata Fries.

“Esse tipo de estudo pode melhorar o entendimento das vulnerabilidades de nossas árvores diante de eventos catastróficos que vem ocorrendo na Amazônia, principalmente aquelas relacionadas com secas e tempestades”, concluiu a estudante.

Bacia amazônica, área de atuação do projeto (Foto: Divulgação/UEA)

Estudo do Inpa analisou morte de árvores da Floresta Amazônia (Foto: Divulgação/UEA)

Árvore na área de preservação da Ufam Manaus (Foto: Adneison Severiano G1/AM)

Árvores morrem mais na Amazônia durante o período de chuvas na região (Foto: Adneison Severiano G1/AM)

Amazônia rio com plantas (Foto: Ana Castro - produtora de reportagem (TV Globo))

Tempestades com raios e fortes ventos são um dos principais fatores para a morte de árvores na Amazônia (Foto: Ana Castro - produtora de reportagem (TV Globo))

Ministério do Meio Ambiente vai reforçar fiscalização na área de fronteira agrícola entre os estados do Amazonas e Rondônia (Foto: Divulgação/Ibama)

Infestação de insetos e fungos são outras causas de morte das árvores na Amazônia (Foto: Divulgação/Ibama)

Amazônia (Foto: Ana Castro - produtora de reportagem (TV Globo))

Mortalidade arbórea é um processo natural do ecossistema da Floresta (Foto: Ana Castro - produtora de reportagem (TV Globo))

Fonte: Globo Natureza


13 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Árvores não são bem estudadas’, critica jornalista americano

Jim Robbins falou no segundo dia de palestras do TEDxRio+20.
Após 2 anos de expedição, biólogo montou banco de dados sobre plâncton.

Jim Robbins falou no segundo dia de palestras do TEDxRio+20 (Foto: Lilian Quaino / G1)

Jim Robbins falou no segundo dia de palestras do TEDxRio+20 (Foto: Lilian Quaino / G1)

“Por que se preocupar com a morte das árvores? Todo cientista a quem pergunto isso diz que não sabe”, disse o jornalista americano Jim Robbins, que ao falar na manhã da última terça-feira (12) no segundo e último dia das palestras do TEDxRio+20, mostrou slides de sua casa em Montana e disse que todas as árvores que apareciam na imagem estavam mortas, principalmente por causa da elevação de dois graus na temperatura nos últimos 20 anos.

O TEDxRio+20, que começou na segunda-feira (11), faz parte do projeto Humanidade 2012, que acontece no Forte de Copacabana, na Zona Sul do Rio, num evento paralelo à Rio+20. O TEDxRio+20 reúne profissionais de todas as áreas com ideias e projetos para um mundo melhor.

Para Robbins, as árvores não foram e ainda não são bem estudadas:

“Quase nada se sabe. Entendem de produção de madeira, mas fatos sobre a árvore viva não são conhecidos”, disse ele, contando que em todas as cidades americanas há campanhas para que se plantem e preservem as árvores.

O jornalista, que escreve sobre meio ambiente, disse que as árvores bloqueiam raios ultravioleta, que causam câncer, servem como escudo para o calor e purificam a água: “Na África, grandes áreas de terra desertificada foram recuperadas com o plantio de árvores”, disse.

O biólogo Colombam de Vargas falou na TEDxRio+20 sobre sua expedição de dois anos e meio por todos os mares do planeta pesquisando o plâncton. Colomban é formado na Universidade de Genebra e mestre de pesquisa no Conselho Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), na estação biológica de Roscoff, na França. Segundo disse, ele e seus companheiros de expedição têm hoje o maior banco de dados sobre plâncton do mundo.

Colombam é um apaixonado pelo plâncton, que segundo explicou compões 98% do volume da biosfera. E é particularmente interessado em protistas, microorganismos encontrados nos plânctons que fabricam calcita e criam esqueletos, num processo em que, segundo o biólogo, inclui nanotecnologia.

 

Fonte: G1


5 de março de 2012 | nenhum comentário »

Pinheiros sobreviveram à Era do Gelo na Escandinávia, diz estudo

Estudos anteriores diziam que árvores teriam ressurgido após retração do gelo.
Descoberta foi feita após análise do DNA de plantas modernas.e pólen antigo.

Pólen de pinheiro com cerca de 10 mil anos foi extraído de lago na Noruega e ajudou cientistas na descoberta  (Foto: Divulgação / Science / AAAS)

Pólen de pinheiro com cerca de 10 mil anos foi encontrado em lago na Noruega e ajudou cientistas na descoberta (Foto: Divulgação / Science / AAAS)

Novas descobertas científicas mostram que pinheiros e abetos sobreviveram à Era do Gelo na Escandinávia, ao contrário do que se pensava anteriormente. De acordo com uma pesquisa publicada na sexta-feira (2) na “Science”, as árvores teriam sobrevivido em refúgios livres de gelo.

Estudos anteriores afirmavam que as árvores teriam ressurgido na Península Escandinava quando o gelo retraiu, há 9 mil anos.

A descoberta foi feita por um grupo internacional de cientistas, após análise do DNA de pinheiros e abetos modernos. Segundo os pesquisadores, a grande quantidade de mutações encontradas prova que variedades das plantas são mais velhas que o último período glacial.

Também foi analisado o DNA de pólen obtido de sedimentos antigos obtidos na Noruega. A pesquisa descobriu que coníferas cresciam na região há 22 mil anos, quando a área ainda estava coberta por gelo.

Para os cientistas, a descoberta torna necessária a revisão dos modelos que analisam a proliferação de plantas boreais após a glaciação.

 

 

 

 

 

Fonte: Globo Natureza


6 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Árvores estocam mais dióxido de carbono que se pensava

Cientistas americanos afirmam que métodos usados até agora não são precisos e prejudicam o combate ao aquecimento global

Florestas tropicais como a Amazônia brasileira armazenam 21% mais dióxido de carbono (CO2) do que cientistas acreditavam até agora, segundo o mais completo estudo sobre o tema já realizado. Dados confiáveis sobre emissões e sequestro do CO2 da atmosfera são indispensáveis para que os países possam estimar os danos e planejar ações para revertê-los, de acordo com os autores da pesquisa, que foi publicada na revista Nature Climate Change.

Imagens e medições via satélite e um extenso trabalho de campo foram os instrumentos usados para mapear o dióxido de carbono presente nas florestas tropicais de países da América do Sul, África e Ásia. Essas florestas recolhem o CO2 no processo de fotossíntese pelo qual as plantas produzem alimento. Mas o gás fica estocado nos vegetais e é liberado com sua queima ou corte.

Nos países que ficam entre os trópicos, o desmatamento é um dos principais emissores de gases que formam o efeito estufa. No mundo inteiro, a prática contribui com até 17% das emissões de CO2. E o Brasil e a Indonésia são os países que têm mais dióxido de carbono estocado em suas florestas tropicais, com 35% do total. São também os países que mais liberam o gás na atmosfera por meio do desmatamento.

Segundo a pesquisa, os modelos atuais de detecção de CO2 , que não levam em conta a capacidade das árvores de armazenarem mais dióxido de carbono do que se pensava, superestimam as emissões em até 12%; o que pode ser um número considerável para países que precisam prestar contas à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC na sigla em inglês). E será mais importante ainda quando da adoção do programa REDD+, que prevê apoio técnico e financeiro para que países combatam o aquecimento global por meio da redução da emissão dos gases que provocam o efeito estufa, como o CO2.

“É a primeira vez que somos capazes de entregar uma estimativa precisa sobre a densidade do CO2 nos locais onde ele nunca foi mensurado antes”, afirmou Alessandro Baccini, cientista do Centro de Pesquisa Woods Hole, que realizou o levantamento junto com as universidades de Boston e de Maryland, todas instituições americanas.

Os estudos anteriores não são precisos, segundo o levantamento, porque calculam o volume de dióxido de carbono de cada região baseado na biomassa média das florestas. Já o novo modelo combinou as informações fornecidas por satélites com pesquisas de campo que definiram a densidade de biomassa em cada floresta. “E as florestas que acumulam mais carbono podem valer mais em programas como o REDD+”, afirma o pesquisador Richard Houghton, que também participou da pesquisa.

 

Vista aérea da floresta amazônica

Vista aérea da floresta amazônica: árvores podem armazenar mais dióxido de carbono do que se pensava (Alex Almeida/Folhapress)

Fonte:  Veja Ciência

 


31 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Estudo explica como pica-pau evita danos no cérebro ao bicar árvores

Estudos usando imagens em câmera lenta, exames de raio-X e simulação por computador revelaram como o pica-pau consegue evitar danos ao seu cérebro quando martela troncos com seu bico.

A cabeça do pássaro se move a velocidades em torno de seis metros por segundo. A cada martelada, seu bico sofre uma desaceleração que equivale a mais de mil vezes a força da gravidade.

Porém, em artigo publicado na revista científica “Plos One”, especialistas dizem que diferenças nos comprimentos das partes superior e inferior do bico do animal e estruturas ósseas esponjosas protegem seu cérebro.

A descoberta pode ser útil no desenvolvimento de equipamentos protetores para a cabeça de humanos, entre outros usos.

CÉREBRO MAIS LONGO

O pica-pau tende a construir seu ninho em troncos ocos de árvores. Para se alimentar, bica o tronco com força, perfurando a casca para encontrar insetos que captura com sua língua.

Durante anos, cientistas vêm examinando a anatomia do crânio dos pica-paus para descobrir como conseguem dar suas poderosas bicadas sem se machucarem.

Essas aves não possuem muito espaço entre seu cérebro e o crânio, o que impede o cérebro de se deslocar dentro do crânio, como ocorre com humanos.

Além disso, seus cérebros são mais longos verticalmente do que horizontalmente, o que significa que a força exercida contra o crânio é distribuída por uma área maior do cérebro.

A equipe responsável pelo estudo, da Universidade Politécnica de Hong Kong, também estudaram o osso hióide do pica-pau. Esse osso, que em humanos forma o pomo de adão, é extremamente desenvolvido nesses pássaros.

Começando na parte debaixo do bico do animal, ele passa por dentro das narinas, segue por baixo do crânio, sobe até o topo, contornando a cabeça, e desce até a testa, formando uma espécie de círculo.

BATENDO CABEÇA

Em entrevista à BBC, o especialista Ming Zhang, coautor do estudo, disse que a equipe queria entender esse processo em números.

“A maioria dos estudos prévios se limitava a respostas qualitativas para essa questão, mas para resolver esse problema interessante são necessários mais estudos quantitativos”, disse.

Para o pesquisador, a compreensão do biomecanismo usado pelo pica-pau seria útil no “desenho de artefatos de proteção humana e até em desenho industrial”.

Primeiro, a equipe observou os pica-paus em ambientes controlados. Duas câmeras captaram, em câmera lenta, imagens dos animais bicando um sensor que media a força da bicada.

Eles descobriram que os pássaros viram ligeiramente a cabeça quando bicam, o que influencia a forma como as forças são transmitidas.

TOMOGRAFIA

A equipe também fez tomografias computadorizadas e análises dos crânios de pica-paus usando microsópios eletrônicos de varredura para determinar como as partes se encaixam e onde ocorre variação na densidade óssea.

Munidos dessas informações, os cientistas foram capazes de usar simulação por computador para calcular as forças afetando todo o crânio do pássaro enquanto ele bicava.

Eles concluíram que três fatores se combinam para proteger o pássaro.

Primeiro, a estrutura circular do osso hióide, contornando todo o crânio, age como um cinto de segurança, especialmente após o impacto inicial.

A equipe constatou que os comprimentos das partes superior e inferior do bico do pica-pau são diferentes. Quando a força é transmitida da ponta do bico para dentro do osso, essa assimetria diminui a carga de força que chega até o cérebro.

Finalmente, ossos em forma de placa, com uma estrutura esponjosa em pontos diferentes do crânio, ajudam a distribuir a força, protegendo o cérebro.

Fonte: Da BBC, Brasil


6 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Reflorestamento: ‘A floresta provê serviços ecológicos para sociedade’

De acordo com coordenador do Programa da Amazônia do WWF-Brasil, Mauro Armelin, maior obstáculo para o replantio é a falta de incentivo

Coordenador do Programa da Amazônia do WWF-Brasil, Mauro Armelin (Foto: Divulgação)

Mauro Armelin fala sobre reflorestamento (Foto: Divulgação)

Houve uma época em que não se falava sobre os perigos para o meio ambiente de se extrair madeira, plantar culturas como o café e a cana-de-açúcar e abrir pastos sem antes se fazer um estudo sobre a região, ou melhor, sobre o bioma no qual se desejava atuar. Com a popularização do termo, ou melhor, do processo chamado Reflorestamento, muitos hectares de áreas devastadas estão sendo recuperadas em todo o Brasil. De acordo com coordenador do Programa da Amazônia do WWF-Brasil, Mauro Armelin, o maior obstáculo ainda é a falta de incentivo do Governo Federal:

“Um dos maiores obstáculos é o licenciamento. Para fazer a revegetação, não dá para plantar qualquer coisa em qualquer pedaço de terra. Tem que ter um projeto para fazer uma recuperação baseada no que existia antes naquela área. Por isso é necessário um processo, que custa caro. Também não é fácil encontrar disponibilidade de mudas de espécies nativas. E o maior problema é a falta de incentivo. Não vejo políticas governamentais que apóiem ou iniciativas”, afirma Mauro.

O reflorestamento nada mais é do que recuperar florestas que foram desmatadas ou inserir espécies para que a área de onde a floresta foi retirada fique parecida com a original. Isso pode levar meses ou anos, dependendo da área, da quantidade de pessoas atuando nela e do tempo de trabalho dedicado por cada um.

“A floresta provê serviços ecológicos para sociedade como a produção de água, por exemplo. Áreas prioritárias para fazer reflorestamento são as margens dos rios e os morros desmatados. E há também o reflorestamento que tem como objetivo aumentar a população de algum animal, como foi feito no litoral do Rio de Janeiro, com a intenção de aumentar o número de mico-leão-dourado, que estava em extinção”, diz Mauro.

A recuperação da vegetação é feita em fases. Primeiro, são plantadas árvores pioneiras, aquelas que crescem sob o sol e protegem as árvores secundárias, as segundas a serem inseridas na floresta que está no processo. É necessário estudar as espécies típicas da região e seguir a vontade de proprietário da terra que está sendo reflorestada. Com elas, é possível recuperar a biodiversidade que existia no local.

“Pode ser que ele queira ambiente mais fresco em sua fazenda ou uma floresta que ofereça produtos, como borracha, palmito ou frutas. O sistema de vegetação é selecionado de acordo com o gosto, mas com base na sucessão florestal”, comenta Mauro.

Apesar da experiência na área, a WWF-Brasil não trabalha atualmente em nenhum projeto de reflorestamento. A organização não-governamental vem trabalhando em políticas, tentando encorajar a recuperação de áreas e brigando pelas áreas protegidas e pela precaução com elas.

“Nosso objetivo hoje não é reflorestar, mas criar formas para que isso seja possível. E também para que não seja necessário. Estamos trabalhando junto ao governo do Estado do Acre no projeto Conservando Um Bilhão de Árvores, um processo de certificação das propriedades agrícolas para que as famílias tenham produção agrícola ou melhorem a pastagem sem destruir a vegetação. O objetivo é que aqueles 80% de área que não são de Reserva Legal sejam utilizados, porém, conservados como florestas. Assim, os donos daquela propriedade podem tirar renda da floresta e melhorar sua própria qualidade de vida”.

Fonte: Globo Ecologia


1 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Genética pode ser aplicada na conservação de árvores do cerrado

Pesquisadores de Goiás conduziram a pesquisa com o baru.
Projeto selecionou genes e criou população com grande diversidade.

O estudo da genética oferece ferramentas para proteger espécies antes mesmo que elas estejam, de fato, ameaçadas de extinção. É o objetivo de uma equipe da Universidade Federal de Goiás (UFG), coordenada por Mariana Telles, professora de genética de populações.

Eles estão preocupados com o futuro do cerrado, segundo maior bioma do Brasil, que só perde em extensão para a Amazônia. A vegetação é predominante no Centro-Oeste, em Minas Gerais, em Tocantins e em algumas partes do Nordeste.

O baru é uma árvore típica da região e sofre com o extrativismo – a semente é consumida como uma iguaria, o que afeta a reprodução da planta. Ela ainda está longe da extinção, mas foi escolhida para um estudo dos especialistas da UFG.

Eles pesquisaram populações de barus ao longo de toda a área do cerrado, observando as características de cada uma delas. Essas características são predeterminadas por variantes genéticas – os alelos. Então, eles decidiram juntar as populações com a maior diversidade possível desses alelos e colocar numa só população as características de toda uma espécie.

“A ideia é usar ferramentas da genética molecular para entender o processo evolutivo, isso é a genética de populações”, explicou a professora. “Só que a genética de populações tem se comunicado com outras áreas, como a ecologia e a agronomia e, nesse sentido, auxiliado não só no entendimento desses processos evolutivos, mas como isso pode ser usado para a conservação”, completou.

Dessa forma, eles escolheram sete populações de barus de diferentes pontos, englobando características diversas e levaram para Goiânia. O número de populações coletadas tem que ser pequeno para que o projeto seja viável.

Política pública
“Se a gente pensar em política pública, por exemplo, os recursos são limitados, não dá para conservar todas [as populações]. A gente precisa de estratégias para minimizar custos sem perder nada em termos de conservação”, reconheceu Telles.

Essa pesquisa em si não traz resultados tão significativos para a preservação da espécie, mas serve de exemplo, mostra que as ferramentas já existem. “A gente (UFG), enquanto instituição, não tem condições de decidir nada, mas a gente tem argumentos para ajudar numa decisão”, disse a professora.

O Centro-Oeste depende economicamente da agropecuária, que, em vários casos, invade as áreas do cerrado e descaracteriza o bioma original. Porém, tratar os fazendeiros como inimigos não é uma opção. “A gente precisa da soja, então é um desafio conseguir equalizar essas duas coisas”, lembrou a pesquisadora.

“Se a gente tiver algum sistema de incentivo para um empresário manter as áreas que preservam um bioma qualquer, acho que é uma moeda de troca interessante para ele, que não tem essa visão romântica de conservação”, sugeriu Telles, pensando nos incentivos fiscais como alternativa para o futuro do cerrado.

“Eu acho que o Ministério do Meio Ambiente, o Ministério da Ciência e Tecnologia [e Inovação] e o Ministério da Agricultura precisam conversar efetivamente e planejar em conjunto”, completou.

Baru é uma árvore típica do cerrado (Foto: UFG)

Baru é uma árvore típica do cerrado (Foto: UFG)

Fonte: Tadeu Meniconi, G1, Águas de Lindoia(SP)


27 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Ovelhas alteram registro do anéis das árvores

Pesquisadores da Noruega descobriram o tradicional método de analisar os anéis dos troncos da árvores para saber como era o clima no passado não é tão certeiro quanto parecia. Eles constataram que animais herbívoros, como as ovelhas, podem alterar estas marcações.

Em altas latitudes e altitudes, as árvores crescem mais rápido nos anos mais quentes, o que faz com que a largura dos anéis varie de acordo com a mudança das temperaturas. Elas servem como uma janela para o passado e tem sido usado com registro climático desde o início de 1900. No entanto, quando muitos animais se alimentam das folhas e brotos, as árvores crescem menos. “Menos folhas significa menos fotossíntese”, disse ao iG James Speed autor do estudo publicado no periódico científico Functional Ecology.

Árvores crescem mais rápido nos anos mais quentes e isto pode ser notado nos anéis de seus troncos. Foto: Getty Images

A equipe de pesquisadores analisou o tronco de 206 bétulas em uma região montanhosa da Noruega. Depois de nove verões foram medidas as larguras dos troncos e o tamanho dos anéis. O grupo comparou o resultado com a temperatura do local e a densidade populacional de ovelhas na região. De acordo com o estudo, a largura dos anéis é mais afetada pela quantidade de ovelhas que do que pelo clima. Os pesquisadores destacam que embora ocorra as alterações nos padrões dos anéis, é possível identificar que a temperatura continuasse relacionada com a largura dos anéis.

“É importante que estes estudos também estimem o número de herbívoros que vivia no passado por meio de registros fósseis de esporos de fungos que viviam no esterco dos herbívoros. Seria interessante comparar estes registros com o dos anéis das árvores”, disse.

Speed afirma que seu estudo não atenua os efeitos das mudanças climáticas. “O estudo diz apenas que podemos estimar melhor as temperaturas do passado a partir dos anéis de árvore. De qualquer forma, pode ser que as mudanças climáticas podem ter sido superestimadas ou subestimadas”, disse.

Fonte: Maria Fernanda Ziegler/ Portal iG


15 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Remanescente de Mata Atlântica preserva aves

Estudo feito no remanescente de Mata Atlântica, em Pombos, identificou 11 espécies endêmicas, 10 delas ameaçadas de extinção

Levantamento realizado em fragmento florestal de Pombos, a 57 quilômetros do Recife, revela a presença de 11 espécies de aves endêmicas da Mata Atlântica, 10 delas consideradas ameaçadas de extinção. A pesquisa foi feita entre abril de 2007 e maio de 2008 na Mata da Ronda, um remanescente de vegetação nativa com 512 hectares. Endêmicos, lembram os especialistas em conservação, são os animais ou plantas restritos a um bioma ou região.

 

O estudo, de autoria de Gilmar Beserra de Farias, Angélica Uejima e Glauco Pereira, está na edição de julho-agosto da revista Atualidades Ornitológicas. Além de identificar as espécies, o grupo quantificou cada uma delas. A mais abundante é a choca-da-mata, pássaro de aproximadamente 15 centímetros que se alimenta de insetos. Na Mata da Ronda, a ave procura alimento no solo, ramos e folhas, ocupando diferentes planos da floresta.

 

Durante a pesquisa, os ornitólogos registraram ainda grupos de três e até de quatro tipos de aves deslocando-se sob as árvores do lugar em busca de alimento. Uma exceção à regra, uma vez que bandos de pássaros compostos de várias espécies que comem insetos são característicos de grandes extensões de floresta, e não de pequenos fragmentos.

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Para Gilmar Beserra, professor da Universidade Federal de Pernambuco (Centro Acadêmico de Vitória) e primeiro autor do artigo científico, localizar espécies endêmicas e ameaçadas de extinção é importante para nortear as políticas de conservação da biodiversidade no Nordeste.

 

“Algumas dessas aves ocorrem em ambientes restritos e apresentam certa vulnerabilidade, demandando esforços dos tomadores de decisão para a criação de uma unidade de conservação, por exemplo, com o objetivo de diminuir o risco de extinção local dessas espécies”, justifica.

 

A Mata da Ronda é um dos fragmentos do chamado Centro de Endemismo Pernambuco, compreendido pela floresta atlântica localizada entre Alagoas e Rio Grande do Norte.

 

Nessa área há 38 espécies de aves endêmicas. Já na Mata Atlântica de Pernambuco, existem 41 tipos de aves ameaçadas de extinção. No Brasil, esse ecossistema abriga 682 espécies de aves, das quais 83 estão ameaçadas de extinção e 207 são endêmicas.

Jornal do Commercio, 12/10


16 de fevereiro de 2010 | nenhum comentário »

Qual a contribuição das árvores e algas para produção de O2?

Escrito por Cristina Leite 

 

Diariamente uma grande quantidade de CO2 é lançada na atmosfera, por isso para amenizar a poluição causada pelas atividades humanas, as plantas têm desenvolvido um importante papel na captura de gás carbônico e produção de oxigênio, por meio da fotossíntese. A atividade de absorção de CO2, energia luminosa, água e liberação de oxigênio, tanto das árvores quanto das algas, pode ser considerada um dos processos biológicos mais importantes do planeta.

 As áreas florestais, assim como algumas espécies de algas, são de extrema relevância para purificação do ar, mas parte do O2 que é produzido pelas árvores é também consumido pelas próprias, por meio da respiração. Porém, algumas espécies de algas fabricam muito mais oxigênio do que precisam e desta forma as algas são, juntamente com as árvores, importantes contribuintes para amenizar a quantidade de CO2 emitido por ações poluidoras. Além disso, as algas podem ter grande importância para produção de O2 porque ocupam uma área maior que a das árvores. “Afinal, 70% do planeta é coberto de água e todos os oceanos são habitados por algas microscópicas produtoras de oxigênio”, diz a bióloga, Estela Maria Plastino, da Universidade de São Paulo (USP).

 De acordo com o professor da Universidade Estadual de Londrina, Dr. Francisco Striquer Soares, é muito difícil afirmar que as algas são maiores produtoras de O2, a produção depende da espécie da alga, mas alguns fatores podem ser levados em consideração. Um dos pontos que podem contribuir com a maior produção de O2 pelas algas é que elas estão presentes em rios, oceanos e represas, alcançando assim maior extensão territorial.

Outro ponto mencionado pelo professor que favorece as algas, é que, para produção de O2, as algas precisam de energia luminosa, fundamental para a fotossíntese. “Em florestas, como as que situam na região da

Amazônia, onde se concentram uma quantidade expressiva de árvores de grande porte, com alto potencial para produção de O2, a energia solar, necessária para produção de O2, pode chegar numa camada de penetração de até 30 metros”, explica.

Por outro lado, a energia solar em rios e oceanos, além de alcançar grande extensão territorial pode chegar até 100 metros ou mais , alcançando assim uma profundidade maior do que nas florestas, o que destaca as algas em sua produção de oxigênio.

Os fatores apontados pelo professor fazem parte de estudos recentes, porém o que se já sabe é que a ameaça de extinção de algumas espécies de algas já é afirmada por alguns estudiosos. “Elas podem estar em ameaça de extinção se considerar que o aquecimento global afeta a temperatura das águas. Cada alga, de acordo com sua espécie precisa de uma determinada temperatura para as etapas do ciclo de vida, incluindo a reprodução, quando há mudanças significativas no tempo, compromete a proliferação dessas algas, consequentemente a produção de O2”, destaca.

Porém, grande importância existe em preservar as florestas, principalmente a da Amazônia. “Mais estudos devem ser direcionados aos microorganismos, porém o ser humano é um animal terrestre, devemos nos preocupar em cuidar ainda mais do ambiente onde estamos inseridos”, conclui Soares.
 

Fábricas de ar:

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Só as algas marinhas produzem mais da metade do gás vital
Origem – Bosques e florestas % Produzida – 24,9%
Origem – Estepes, campos e pastos % Produzida – 9,1%
Origem – Áreas cultivadas % Produzida – 8,0%
Origem – Regiões desérticas % Produzida – 3,0%
Origem – Árvores (total) % Produzida – 45%
Origem – Algas marinhas % Produzida – 54,7%
Origem – Algas de água doce % Produzida – 0,3%
Origem – Algas (total) % Produzida – 55%

Fonte: Ecologia, de Ramón Margalef