26 de fevereiro de 2015 | nenhum comentário »

Tráfico de animais silvestres moveu R$ 7 bilhões no Brasil em 10 anos

Quadrilhas desafiam autoridades e alimentam lucrativo mercado criminoso.
Centenas de animais, muitos em risco de extinção, são capturados.

As quadrilhas desafiam as autoridades e alimentam um mercado lucrativo e criminoso.

Centenas de animais, muitos em risco de extinção, são capturados diariamente, e muitos acabam morrendo antes de chegar ao destino final.

Em dez anos, quase seis milhões de pássaros foram comercializados ilegalmente no país, um mercado que movimentou R$ 7 bilhões na última década.

A reportagem é de Carlos de Lannoy, Mahomed Saigg, Junior Alves e Felipe Wainer.

Uma pequena armadilha, uma simples arapuca. “Como esses animais são territoriais, os machos vai atrair o outro. Se ele pousar aqui, desarma a armadilha”, afirma.

O Ibama diz que o tráfico de aves começa com caçadores que capturam e escondem as aves em depósitos improvisados no meio da mata.

Agente: Tem arma em casa?
Homem: Arma? Não.

O fiscal encontra três armas – todas carregadas – e dezenas de curiós, canários, coleiros, trinca-ferros e dois periquitos. As gaiolas estão sujas, os animais, amontoados, falta comida: sinais de maus-tratos.

Deraldo Gomes dos Santos diz que mora no local e nega envolvimento com o tráfico.

Repórter: Passarinho que canta não vale muito dinheiro?
Homem: Um curió custa mais de R$ 2 mil, não é isso. Eu não vendo passarinho, eu tenho passarinho para me divertir dentro de casa. Abre a porta, só o que eu tenho é uma televisão, uma geladeira e pronto, e os passarinhos cantando.

Os fiscais identificam cada uma das aves. É um trabalho minucioso que só termina no início da noite. As gaiolas viram uma imensa fogueira.

Preso em flagrante, Deraldo foi levado para Santanópolis, a 160 quilômetros de Salvador, mas os agentes encontram a delegacia fechada e recebem a informação de que a cidade está sem delegado. “O que acontece é que é que a gente saindo do município não existe garantia que uma delegacia de outro município vá receber. Então ele vai ser liberado e a gente vai encaminhar a denúncia para o Ministério Público”, explica o agente federal do Ibama Roberto Cabral Borges.

A impunidade é a regra. Comerciantes ganham dinheiro oferecendo animais livremente em feiras do interior.

Produtor: Posso dar uma olhadinha?
Vendedor: Pode.
Produtor: Está quanto ele?
Vendedor: R$ 50.

Em um mercado de Feira de Santana, na Bahia, homens, mulheres e até menores vendem passarinhos…

Produtor: Canário está quanto?
Vendedor: R$ 40.

… macacos…

Produtor: Tem quantos aqui?
Vendedora: Três. É porque é pequenininho, é próprio para criar mesmo.

… e papagaios por encomenda.

Produtor: Papagaio eu consigo aqui?
Vendedor: Consegue.
Produtor: Quanto é?
Vendedor: Mas é mais difícil de achar.
Produtor: Mas, quanto o papagaio?
Vendedor: R$ 400, depende do papagaio.

Milhões de aves são capturadas todos os anos no Brasil. A maioria, segundo o Ibama, cai na mão de traficantes que alimentam um mercado estimado em cerca de R$ 7 bilhões. Ver um periquito rei voltar para a natureza é um privilégio. Chega a ser emocionante.

Um estudo do Ibama apontou que a exploração das aves que tem o dom de cantar é uma das principais causas de perda da biodiversidade no país, e os pesquisadores chegaram a uma surpreendente constatação: a criação legalizada vem contribuindo com o tráfico de animais silvestres.

“Fiscalização do Ibama, a gente veio olhar o plantel dele de passarinho. Abre a casa por favor”, afirma um agente.

As irregularidades atingem parte dos 400 mil criadores autorizados no país. Segundo o Ibama, cada um possui em média 20 pássaros, o que dá um total de aproximadamente 8 milhões de aves em cativeiro.

A inspeção em um criadouro de Feira de Santana dá a dimensão do problema: eles checam notas fiscais, medem o tamanho e conferem os números das anilhas de cada passarinho.

O problema é que o Ibama autoriza apenas uma anilha por animal. Para aumentar a quantidade de animais, os criadores falsificam anilhas com a mesma numeração e, para não levantar suspeitas, trocam esses animais entre si. Ou seja, a mesma numeração pode estar espalhada em mais de um criadouro, com diferentes passarinhos, dando uma aparência de legalidade a um animal capturado de maneira criminosa.

“Esses trinca-ferros aqui, você tem as anilhas todas falsificadas. Nenhuma dessas anilhas daqui são anilhas do Ibama. Isso significa que todos esses animais aqui foram capturados na natureza e inserida a anilha neles para acobertar”, explica um agente do Ibama.

Um proprietário tem uma estante carregada de troféus. São títulos conquistados em torneios de canto de pássaros, atividade muito comum no Brasil. Ele admite que participa do comércio de aves entre criadores, o que é ilegal.

Inspetor do Ibama: Esses pássaros você comprou aonde?
Proprietário dos pássaros: A gente vai comprando na mão de criador. Um vai passando para o outro, vai passando para o outro.

O criador de Feira de Santana disse que trouxe aves de Belo Horizonte e Recife.

O Ibama diz que aves muito valorizadas no Brasil acabam sendo vendidas para os Estados Unidos e a Europa. A principal rota de entrada é Portugal. Aranhas, insetos e répteis são enviados até pelos Correios.

A jiboia princesa diamante, uma espécie rara de pele branca e olhos negros avaliada em US$ 1 milhão, foi levada para os Estados Unidos em 2011. O americano que comprou a jiboia informou que ela morreu no cativeiro.

“Ele já foi processado nos Estados Unidos, e atualmente as negociações estão para repatriamento dos filhotes desse animal. Ele informou que o animal morreu. Nós temos dúvidas em reação a isso, porque temos alguns vídeos que tratam esse animal como se ele ainda estivesse vivo”, afirma um agente do Ibama.

No Brasil, as aves apreendidas pelo Ibama, que não têm condições de se readaptar à natureza, são levadas para centros de triagem de animais silvestres. As demais são libertadas e fazem o trabalho de fiscalização valer a pena.

“Cada passarinho que a gente resgata, cada animal que a gente resgata, ver o animal voltando a voar, ver a alegria do animal de recuperar a liberdade. Isso vale a pena”, comemora o agente do Ibama.

Acesse e veja o vídeo: http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2015/01/trafico-de-animais-silvestres-moveu-r-7-bilhoes-no-brasil-em-10-anos.html

 

Fonte: Bom dia Brasil


20 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Cientistas descobrem 15 novas espécies de aves na Amazônia

Em 140 anos, é a maior variedade identificada de uma só vez.
Espécies vivem no sul da Amazônia, na região do ‘Arco do Desmatamento’.

Um grupo de 15 novas espécies de aves que vivem na Amazônia brasileira foi descrito por cientistas de três instituições do Brasil e uma dos Estados Unidos. Os pesquisadores afirmam que essa quantidade identificada é a maior da ornitologia brasileira dos últimos 140 anos.

Em cima, da esquerda para a direita: Bico-chato-do-sucunduri. Cancao-da-campina e Chorozinho-do-aripuanã; na parte de baixo: Arapaçu-de-bico-torto; Poiaeiro-de-chicomendes e Rapazinho-estriado-do-oeste  (Foto: Montagem/Vítor Q Piacentini/Fabio Schunck/Mario Cohn-Haft)

Em cima, da esquerda para a direita: Bico-chato-do-sucunduri. Cancão-da-campina e Chorozinho-do-aripuanã; na parte de baixo: Poiaeiro-de-chicomendes; Arapaçu-de-bico-torto e Rapazinho-estriado-do-oeste (Foto: Montagem/Vítor Q Piacentini/Fabio Schunck/Mario Cohn-Haft)

Os cientistas reuniram dados de trabalhos feitos anteriormente, além de análises genéticas e comparações morfológicas, para chegar à conclusão de que se tratavam de novas espécies que vivem no bioma amazônico, um dos que possui a maior biodiversidade do mundo.

As novas espécies foram encontradas no sul da Amazônia, em áreas dos estados do Amazonas, Pará, Acre, além de trechos de Rondônia e Mato Grosso. Quase todas vivem em áreas próximas de rios, como o Tapajós, Madeira, Roosevelt e Purus, ou em regiões isoladas, ora com vegetação alta, ora com mata rasteira, conhecida como campina ou campos amazônicos.

Segundo Luis Silveira, professor doutor do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) e um dos pesquisadores do trabalho, os artigos científicos serão publicados entre o fim de junho e começo de julho em um volume especial da publicação “Handbook of the birds of the world”, especializada em detalhar novas aves de diversas partes do mundo.

Dados como nomes científico ou informações sobre localização e hábitos das espécies não puderam ser antecipados pelos pesquisadores. Não há imagens registradas de todas as aves, já que, em  alguns casos, foram feitas apenas observações e, posteriormente, ilustrações que serão divulgadas no livro.

G1 teve acesso a 12 dos 15 nomes populares da aves, além da avaliação sobre a situação destas espécies na natureza.

Para se obter tal informação, Silveira explica que é feito um cálculo baseado em três fatores: tamanho efetivo da população, pressão sofrida pelo habitat e características próprias da história deste animal.

Veja nomes de 12 das 15 novas aves da Amazônia

Rapazinho-estriado-do-oeste
Choquinha-do-rio-roosevelt
Poiaeiro-de-chicomendes
Arapaçu-barrado-do-xingu
Arapaçu-do-tapajós
Choquinha-do-bambu
Chorozinho-do-aripuanã
Cancao-da-campina
Chorozinho-esperado
Cantador-de-rondon
Bico-chato-do-sucunduri
Arapaçu-de-bico-torto

Mais descobertas
Silveira afirma que o número de novas espécies na Amazônia pode aumentar nos próximos anos, já que outros animais que aparentemente ainda não foram descritos já foram localizados pelos cientistas em incursões pela floresta. “Dessa nova leva, devemos ter mais cinco novas espécies de aves descritas nos próximos anos”, explica.

Das 15 novas aves, 11 só são encontradas no Brasil. As demais podem ser vistas também no Peru e na Bolívia. Porém, a descoberta vem acompanhada de um alerta: ao menos quatro espécies já são consideradas vulneráveis na natureza: o arapaçu-barrado-do-xingu, o arapaçu-do-tapajós, o poiaeiro-de-chicomendes e a cancao-da-campina.

Outra coincidência alarmante é que os membros recém-descritos da fauna brasileira vivem em uma região denominada “Arco do Desmatamento”, trecho que compreende uma faixa entre a Bolívia e o Brasil, que passando por Mato Grosso, Pará e Rondônia, e é conhecida pelas altas taxas de destruição da floresta e queimadas devido ao avanço dos centros urbanos e ao aumento das atividades agropecuárias.

“Várias destas espécies são bichos com hábitos especializados. Qualquer alteração nesses pontos específicos pode representar sua eliminação. Queremos chamar a atenção para esse volume de descobertas para que se possa tomar uma decisão mais sábia e sustentável para o uso deste bioma”, afirma.

Mapa Aves da Amazônia (Foto:  )Nova gralha pode desaparecer
Uma das espécies consideradas vulneráveis é a gralha cancão-da-campina, que vive em uma área de campina amazônica, entre os rios Madeira e Purus, ao sul de Manaus (AM).

O ornitólogo Mario Cohn-Haft, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), tenta desde 1998 obter informações desta ave, descoberta por acaso durante uma expedição.

Em 2005 ele conseguiu mais dados sobre esta espécie, apesar de descrevê-la apenas agora. No entanto, segundo ele, a população desta ave já estaria sentindo uma queda no número de indivíduos devido ao avanço das atividades humanas.

Essas gralhas vivem no limite entre os campos amazônicos e áreas de floresta densa. Seu habitat é, justamente, o limite entre essas vegetações rasteira e alta. No entanto, de acordo com o pesquisador, as áreas abertas em que essas aves são encontradas – que não são trechos desmatados, mas terrenos naturalmente savanizados – são alvos frequentes da agricultura e da pecuária.

“Há uma lógica popularmente divulgada, mas sem efeito científico, de que campos abertos podem ser usados para a agropecuária, pois não seriam caracterizados como áreas de desmate e não afetariam o meio ambiente. Converter qualquer ambiente natural em uma diferente estrutura altera a biodiversidade daquela região”, explica Cohn-Haft.

Outras ameaças citadas pelo cientista são a proximidade da área com a rodovia federal BR 319, que liga Manaus a Porto Velho, a construção das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau em Rondônia, além da expansão agropecuária e atividades mineradoras em municípios como Humaitá, Boca do Acre (no AM).

“A Amazônia realmente tem uma diversidade grande. Mesmo tendo um dos grupos de aves mais conhecidos, descobrir novas espécies ‘debaixo do nosso nariz’ chama a atenção para a riqueza da floresta. A Amazônia continua oferecendo surpresas, muito além do que imaginávamos”, afirma o cientista.

Os trabalhos foram feitos por cientistas e estudantes de pós-graduação da USP, do Inpa, além do Museu Paraense Emílio Goeldi, de Belém (PA), e do Museu de Ciência Natural da Universidade Estadual da Louisiania, dos Estados Unidos.

Exemplares da gralha cancao-da-campina, encontradas nas áreas de campinas amazônicas: ocupação humana ameaça espécie (Foto: Divulgação/Luciano Moreira Lima)

Exemplares da gralha cancão-da-campina, encontradas nas áreas de campinas amazônicas: ocupação humana ameaça espécie (Foto: Divulgação/Luciano Moreira Lima)

 

 

Fonte: Globo Natureza


20 de março de 2013 | nenhum comentário »

Aves primitivas voavam com quatro asas, diz estudo

Após analisar fósseis com mais de 100 milhões de anos, paleontólogos chineses afirmam que aves primitivas possuíam penas nos membros traseiros, que auxiliavam no voo

Algumas aves primitivas possuíam dois pares de asas, que as auxiliariam no voo. O segundo par seria, na verdade, as patas desses animais cobertas de penas. Essa é a conclusão de um grupo de paleontólogos chineses, após analisar fósseis com mais de 100 milhões de anos. O estudo foi publicado nesta sexta-feira, na revista cientifica Science.

Para os pesquisadores, o processo evolutivo teria feito com que o segundo par de asas assumisse a função de patas traseiras, que passaram a apresentar penas menores com o tempo. Pesquisas anteriores tinham descoberto aves similares a dinossauros com penas nas extremidades traseiras, mas as provas eram poucas no caso dos pássaros.

O paleontólogo Xing Xu já havia defendido a ideia dos dois pares de asas em 2003. Em um estudo publicado na revista Nature, ele descreveu o Microraptor gui, espécie de dinossauro que teria, além das asas, penas nas patas de trás. Para os pesquisadores, essas asas auxiliares seriam utilizadas para planar de árvore em árvore. Essa descoberta reforça a hipótese de que as aves teriam evoluído a partir dos dinossauros.

Evolução – No estudo atual, foram analisados 11 fósseis de aves primitivas, de 100 a 150 milhões de anos, encontrados no Museu de História Natural de Shandong Tianyu, na China. De acordo com Xing Xu, integrante do grupo de pesquisadores, os 11 pássaros estudados são de cinco espécies relativamente robustas – maiores que um corvo, mas menores que um peru. Os pesquisadores acreditam que as asas traseiras poderiam ter ajudado essas aves a manobrar no ar, enquanto batiam as asas dianteiras para voar ou as esticavam para planar.

Para os autores, o fato de as aves modernas utilizarem as pernas para locomoção indica que a perda do segundo par de asas reflete um período de mudança no qual os ‘braços’ se especializaram no voo e as pernas na locomoção terrestre.

 

 

Controvérsias – Outros especialistas, no entanto, não estão tão certos de que as penas das patas tenham sido usadas para voar e destacam que poderiam ter sido usadas com outros fins, como por exemplo, atrair possíveis parceiras. “Ninguém pensa que estes animais agitavam as patas como faziam com as asas”, disse Kevin Padian, professor de Biologia Integrativa da Universidade da Califórnia em Berkeley e um dos especialistas que revisaram o estudo antes de sua publicação.

Segundo ele, “os autores não fazem ou citam nenhuma pesquisa que apoie uma hipótese de que as penas contribuíram para nenhum tipo de voo”, mas o ponto positivo da pesquisa seria mostrar como as penas das patas mudaram com o tempo.

Fóssil

Fóssil de ave primitiva analisado no estudo, com destaque para as marcas de penas nos membros traseiros (Divulgação)

Fonte: Veja Ciência


6 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas criam “árvore da vida” com todas as aves conhecidas

Levantamento permite posicionar no espaço e no tempo quando e onde as quase 10 000 espécies conhecidas se separaram de ancestrais comuns

Cientistas da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, criaram uma gigantesca árvore filogenética (estudo da relação evolutiva entre várias espécies que possuem um ancestral comum) com as 9.993 espécies de aves conhecidas. O mapeamento do parentesco evolutivo posiciona as especiações das diferentes espécies no tempo e no espaço. “É a primeira ‘árvore da vida’ de espécies com este tamanho colocada em um mapa global”, disse à revista Nature Walter Jetz, biólogo de Yale e um dos co-autores do artigo.

“Esse levantamento é importante porque mostra as relações entre as diferentes espécies. Quanto mais próximas nos ramos, mais relacionadas do ponto de vista evolutivo. Ou seja, partilham de um ancestral comum mais recente”, afirmou ao site de VEJA o professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Mercival Roberto Francisco.

O mapeamento começou com um levantamento filogenético concluído em 2008, produzido pelos mesmos autores do estudo publicado agora na Nature. O levantamento dividiu as espécies de aves conhecidas em 158 clados, ou grupos que teriam se desenvolvido a partir de um ancestral comum. As raízes dessa escala evolutiva foram construídas a partir de dez fósseis, que são um parâmetro para calcular a taxa de mudanças das espécies ao longo do tempo. Com essa base, eles organizaram em uma árvore 6.600 espécies sobre as quais a ciência tem alguma informação genética disponível.

O problema era saber como lidar com as 3.330 espécies sem dados genéticos conhecidos. Para contornar esse gargalo, os cientistas utilizaram a informação de pássaros considerados parentes próximos, podendo assim alocá-los na árvore. Tal aproximação suscitou algumas críticas. “Para uma árvore deste tamanho, qualquer pequeno erro ocasionado por suposições, integrado a quase 10.000 espécies, pode levar à detecção de variações que simplesmente não existiram”, disse à Nature Mark Pagel, biólogo evolutivo da University of Reading, no Reino Unido. Os pesquisadores de Yale dizem ter criado milhares de configurações possíveis para o banco de dados filogenético com o objetivo de reduzir as incertezas.

Conclusões – A pesquisa de Yale mostra que as diversificações das espécies observadas na árvore tornaram-se mais intensas nos últimos 40 milhões de anos. De acordo com o professor Mercival, da UFSCar, isso está de acordo com a teoria mais aceita, segundo a qual a concentração de oxigênio e as temperaturas nas eras mais recentes da Terra permitiram uma explosão da diversidade. Entender onde – e quando – as especiações ocorreram, diz Mercival, pode ajudar a elaborar estratégias de preservação. “Quando a gente fala em conservar a biodiversidade, precisamos proteger os processos que levam ao surgimento de novas espécies”, afirma. “É necessária uma atenção especial para as regiões que conservaram processos de geração de novas espécies em épocas mais recentes.”

Saiba mais

ESPECIAÇÃO

Processo evolutivo pelo qual as espécies se formam, podendo ser, por exemplo, pela divisão de uma espécie em duas, dando origem a duas linhagens diferentes, ou pela transformação de uma espécie em outra, quando essa espécie acumula tantas mutações que se transforma em outra.

passaros yales genetica

Por sequenciamento de DNA, a "árvore da vida" com todas as espécies conhecidas de pássaros mostra quando e onde as diversificações ocorreram (iStockphoto)

Fonte: Veja Ciência


26 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Brasileiros vão decifrar genomas do papagaio e do sabiá-laranjeira

Não é todo dia que uma imagem de Zé Carioca ilustra uma apresentação sobre genômica, mas o malandro arquetípico da Disney tinha um bom motivo para figurar no Powerpoint de Francisco Prosdocimi, da UFMG (Universidade Federal de Minas): o tema era o genoma “dele”.

Ou melhor, o do papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), que está entre as espécies mais comuns do bicho em cativeiro. O objetivo de Prosdocimi e seus colegas é vasculhar o DNA da ave em busca de pistas que ajudem a explicar sua proverbial tagarelice.

Para atingir esse objetivo, o papagaio-verdadeiro não é o único alvo. O grupo de cientistas, batizado de Sisbioaves, pretende sequenciar (grosso modo, “soletrar”) o genoma de outras espécies tipicamente brasileiras, como o sabiá-laranjeira e o bem-te-vi.

Em comum, esses bichos possuem o chamado aprendizado vocal -a capacidade, similar à dos seres humanos, de aprender padrões de vocalização ao longo da vida.

Detalhes sobre o projeto foram apresentados durante o 58º Congresso Brasileiro de Genética, em Foz do Iguaçu.

“A gente sabe que o aprendizado vocal é polifilético [ou seja, evoluiu mais de uma vez em linhagens sem parentesco próximo]“, explica Claudio Mello, brasileiro que trabalha na Universidade de Saúde e Ciência do Oregon (Estados Unidos).

“Portanto, se a gente encontrar genes relevantes para esse comportamento que são compartilhados entre os vários grupos de aves e os humanos, provavelmente isso quer dizer que eles representam a base do aprendizado vocal”, diz Mello.

Na maioria das aves, afirma Mello, existe o chamado período crítico de aprendizado — uma fase da “infância” do bicho na qual ele precisa ser exposto ao canto de outro animal para que ele aprenda a cantar de forma apropriada, coisa que também se verifica no caso da fala humana. Já os papagaios parecem ser mais versáteis, sendo capazes de aprender a imitar sons humanos em praticamente qualquer fase de sua vida.

A estimativa de Prosdocimi e de sua colega Maria Paula Schneider, da UFPA (Universidade Federal do Pará), é que a leitura dos genomas do papagaio e do sabiá-laranjeira esteja concluída em meados do ano que vem.

Segundo o pesquisador da UFMG, que é bioinformata (especialista na análise computacional de dados biológicos), espera-se que os bichos tenham genomas relativamente compactos, com menos da metade do tamanho do genoma humano.

Os pesquisadores ainda não encontraram, nos papagaios, o equivalente ao gene FOXP2, hoje um dos grandes candidatos a influenciar a capacidade humana para a fala. Mas não é só o lado vocal que interessa aos cientistas.

Prosdocimi destaca que os papagaios são inteligentes de modo geral. E vivem muito, passando dos 70 anos, o que traria pistas sobre as bases genéticas da longevidade.

Editoria de Arte/Folhapress

Fonte: Folha.com


18 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Quase humanos

Neurocientistas publicam manifesto afirmando que mamíferos, aves e até polvos têm consciência e esquentam debate sobre direitos dos animais

Os seres humanos não são os únicos animais que têm consciência. A afirmação não é de ativistas radicais defensores dos direitos dos animais. Pelo contrário. Um grupo de neurocientistas — doutores de instituições de renome como Caltech, MIT e Instituto Max Planck — publicou um manifesto asseverando que o estudo da neurociência evoluiu de modo tal que não é mais possível excluir mamíferos, aves e até polvos do grupo de seres vivos que possuem consciência. O documento divulgado no último sábado (7), em Cambridge, esquenta uma discussão que divide cientistas, filósofos e legisladores há séculos sobre a natureza da consciência e sua implicação na vida dos humanos e de outros animais.

Apresentado à Nasa nesta quinta-feira, o manifesto não traz novas descobertas da neurociência — é uma compilação das pesquisas da área. Representa, no entanto, um posicionamento inédito sobre a capacidade de outros seres perceberem sua própria existência e o mundo ao seu redor. Em entrevista ao site de VEJA, Philip Low, criador do iBrain, o aparelho que recentemente permitiu a leitura das ondas cerebrais do físico Stephen Hawking, e um dos articuladores do movimento, explica que nos últimos 16 anos a neurociência descobriu que as áreas do cérebro que distinguem seres humanos de outros animais não são as que produzem a consciência. “As estruturas cerebrais responsáveis pelos processos que geram a consciência nos humanos e outros animais são equivalentes”, diz. “Concluímos então que esses animais também possuem consciência.”

Estudos recentes, como os da pesquisadora Diana Reiss (uma das cientistas que assinaram o manifesto), da Hunter College, nos Estados Unidos, mostram que golfinhos e elefantes também são capazes de se reconhecer no espelho. Essa capacidade é importante para definir se um ser está consciente. O mesmo vale para chimpanzés e pássaros. Outros tipos de comportamento foram analisados pelos neurocientistas. “Quando seu cachorro está sentindo dor ou feliz em vê-lo, há evidências de que no cérebro deles há estruturas semelhantes às que são ativadas quando exibimos medo e dor e prazer”, diz Low.

Personalidade animal - Dizer que os animais têm consciência pode trazer várias implicações para a sociedade e o modo como os animais são tratados. Steven Wise, advogado e especialista americano em direito dos animais, diz que o manifesto chega em boa hora. “O papel dos advogados e legisladores é transformar conclusões científicas como essa em legislação que ajudará a organizar a sociedade”, diz em entrevista ao site de VEJA. Wise é líder do Projeto dos Direitos de Animais não Humanos. O advogado coordena um grupo de 70 profissionais que organizam informações, casos e jurisprudência para entrar com o primeiro processo em favor de que alguns animais — como grandes primatas, papagaios africanos e golfinhos — tenham seu status equiparado ao dos humanos.

O manifesto de Cambridge dá mais munição ao grupo de Wise para vencer o caso. “Queremos que esses animais recebam direitos fundamentais, que a justiça as enxergue como pessoas, no sentido legal.” Isso, de acordo com o advogado, quer dizer que esses animais teriam direito à integridade física e à liberdade, por exemplo. “Temos que parar de pensar que esses animais existem para servir aos seres humanos”, defende Wise. “Eles têm um valor intrínseco, independente de como os avaliamos.”

Questão moral - O manifesto não decreta o fim dos zoológicos ou das churrascarias, muito menos das pesquisas médicas com animais. Contudo, já foi suficiente para provocar reflexão e mudança de comportamento em cientistas, como o próprio Low. “Estou considerando me tornar vegetariano”, diz. “Temos agora que apelar para nossa engenhosidade, para desenvolver tecnologias que nos permitam criar uma sociedade cada vez menos dependente dos animais.” Low se refere principalmente à pesquisa médica. Para estudar a vida, a ciência ainda precisa tirar muitas. De acordo com o neurocientista, o mundo gasta 20 bilhões por ano para matar 100 milhões de vertebrados. Das moléculas medicinais produzidas por esse amontoado de dinheiro e mortes, apenas 6% chega a ser testada em seres humanos. “É uma péssima contabilidade”, diz Low.

Contudo, a pesquisa com animais ainda é necessária. O endocrinologista americano Michael Conn, autor do livro The Animal Research War, sem edição no Brasil, argumenta que se trata de uma escolha priorizar a espécie humana. “Conceitos como os de consentimento e autonomia só fazem sentido dentro de um código moral que diz respeito aos homens, e não aos animais”, disse em entrevista ao site de VEJA. “Nossa obrigação com os animais é fazer com que eles sejam devidamente cuidados, não sofram nem sintam dor — e não tratá-los como se fossem humanos, o que seria uma ficção”, argumenta. “Se pudéssemos utilizar apenas um computador para fazer pesquisas médicas seria ótimo. Mas a verdade é que não é possível ainda.”

O que é consciência?

PARA A FILOSOFIA
Filosoficamente, é o entendimento que uma criatura tem sobre si e seu lugar na natureza. Alguns atributos definem a consciência, como ser senciente, ou seja, sentir o mundo à sua volta e reagir a ele; estar alerta ou acordado ou ter consciência sobre si mesmo (o que, para a filosofia já basta para incluir alguns animais “não-linguísticos” entre os seres com consciência).Fonte: Enciclopédia de Filosofia de Stanford

PARA A CIÊNCIA
A ciência considera como consciência as percepções sobre o mundo e as sensações corporais, junto com os pensamentos, memórias, ações e emoções. Ou seja, tudo o que escapa aos processos cerebrais automáticos e chega à nossa atenção. O conteúdo da consciência geralmente é estudado usando exames de imagens cerebrais para comparar quais estímulos chegam à nossa atenção e quais não. Como resumiu o neurocientista Bernard Baars, em 1987, o cérebro é como um teatro no qual a maioria dos eventos neurais são inconscientes, portanto acontecem “nos bastidores”, enquanto alguns poucos entram no processo consciente, ou seja, chegam ao “palco”.

Chimpanzé alimenta um filhote de tigre dourado, em mini zoológico na cidade de Samutprakan, Tailândia

Chimpanzé alimenta um filhote de tigre dourado, em mini zoológico na cidade de Samutprakan, Tailândia: percepção de sua própria existência e do mundo ao seu redor (Rungroj Yongrit/EFE)

Fonte: Veja Ciência


5 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Evolução dos pássaros encerrou era dos insetos gigantes, diz estudo

Corpo menor ajudou insetos a fugir de pássaros predadores.
Maior inseto chegou a ter 70 centímetros há 300 milhões de anos.

Um novo estudo da Universidade da Califórnia sugere que a evolução dos pássaros foi determinante para o fim da era dos insetos gigantes na Terra. Segundo os cientistas, a época em que as aves começaram a estabelecer seu lugar nos céus é a mesma na qual os insetos grandalhões perderam espaço, há 150 milhões de anos. A pesquisa foi divulgada nesta semana na edição online da revista científica “PNAS”, da Academia Americana de Ciências.

Insetos gigantes viveram nos céus pré-históricos em uma época em que a atmosfera da Terra era rica em oxigênio. Pesquisas anteriores já tinham sugerido que o tamanho dos insetos tinha relação com altas concentrações de oxigênio – cerca de 30%, comparada aos atuais 21%, em média.

Há 300 milhões de anos, os insetos gigantes chegaram ao maior tamanho já documentado: 70 centímetros.

Mas à medida que os pássaros surgiram, os insetos se tornaram menores mesmo com o aumento de oxigênio na atmosfera, diz a pesquisa.

Segundo o autor do estudo, Matthew Clapham, professor de Terra e Ciências Planetárias da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, com os pássaros predatórios na ‘cola’, necessidade de ter mais mobilidade foi a base da evolução do voo desses insetos, favorecendo o tamanho mais reduzido do corpo.

A equipe da Clapham comparou o tamanho das asas de mais de 10.500 fósseis de insetos com níveis de oxigênio do planeta em centenas de milhares de anos.

O pesquisador enfatiza, no entanto, que o estudo focou as mudanças a partir dos maiores insetos já conhecidos.

“Em torno do final do período Jurássico e início do Cretáceo, cerca de 150 milhões de anos atrás, de repente o nível de oxigênio sobe, mas o tamanho do inseto diminui. E isso coincide de forma impressionante com a evolução dos pássaros”, diz Clapham.

Fóssil de insetos gigantes pré-históricos (Foto: Wolfgang Zessin/UCSC/Divulgação)

Fóssil de insetos gigantes pré-históricos (Foto: Wolfgang Zessin/UCSC/Divulgação)

Fonte: G1


4 de junho de 2012 | nenhum comentário »

PAÍS TEM 4 BATIDAS DE AVIÕES EM AVES POR DIA

Um levantamento feito pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), órgão que atua na investigação e prevenção de acidentes aéreos, aponta que, em média, quatro aviões atingem Aves por dia no país. Um dos casos mais recentes aconteceu no último dia 15, quando uma aeronave com 118 passageiros precisou retornar ao aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão Preto, após colidir com um pássaro.
O aumento dos casos está fazendo com que os aeroportos busquem soluções. Cachorros, falcões e até mesmo robôs estão sendo utilizados na tentativa de espantar os animais. Segundo o Cenipa, só neste ano já foram registradas 657 colisões. Neste ritmo, o número de acidentes pode chegar aos 1,7 mil casos, superando o recorde de 1.460 do ano passado.

Para o chefe de gerenciamento do risco aviário do Cenipa, major Francisco José Morais, a presença de focos atrativos para Aves perto dos aeroportos como lixões e matadouros clandestinos, além do aumento de espécies, podem ser as causas do crescimento dos acidentes.

Fonte: EBAND


4 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Embate entre conservacionistas define futuro de cavalos selvagens

Com a chegada do verão, as praias da ilha Corolla, na Carolina do Sul, Estados Unidos, ficarão repletas de carros e banhistas, mas na baixa estação o terreno é deixado para os cavalos selvagens. Pequenos, com uma coloração que varia entre o castanho e o preto, eles passeiam por entre as casas de veraneio em manadas de cinco ou seis.

Milhares desses cavalos já perambularam por todos os Outer Banks da Carolina do Norte, e eles são os prováveis descendentes das montarias que pertenceram aos exploradores espanhóis, cinco séculos atrás. Mas, agora, seu número diminuiu para umas poucas centenas de animais, das quais os mais conhecidos vivem na reserva federal de Shackleford Banks.

Contudo, a maior manada, que recentemente chegou a quase 140 garanhões, ocupa mais de 3.000 hectares de um terreno estreito que se estende do fim da Rodovia 12, em Corolla, até a divisa com a Virgínia, 11 quilômetros ao norte. Sem predadores naturais e presos pelas cercas que se lançam sobre o Atlântico agitado, o endocruzamento da manada é tão intenso que seus defensores temem que um colapso genético ocorra em questão de algumas gerações.

Seus apoiadores estão realizando uma campanha para salvar a manada de Corolla, e eles têm aliados poderosos no Congresso. Em fevereiro, a Câmara aprovou uma lei que mantêm a manada em cerca de 120 indivíduos e que permite a importação de novas éguas de Shackleford para introduzir genes frescos.

Conservacionistas da vida selvagem afirmam que a questão não é tão simples. As praias, pântanos, pradarias e florestas próximas de Corolla são uma parada para bandos de aves migratórias ameaçadas de extinção, e são o lugar onde as tartarugas marinhas põem seus ovos. Grande parte da área ocupada pelos cavalos pertence ao Refúgio Nacional de Vida Selvagem Currituck, e os defensores do habitat nativo temem que o atual tamanho das manadas sobrecarregue o ecossistema.

O futuro dos cavalos levanta questões mais amplas, como a de se um animal pode ser preservado em detrimento de outro – e quem deve decidir isso.

“Estamos falando sobre valores”, afirmou Michael Hutchins, diretor executivo da Wildlife Society, que representa biólogos e gestores da vida selvagem que se opõem à medida aprovada pela Câmara. “Eu gosto de cavalos; acredito que eles sejam animais fascinantes. Mas eu também valorizo profundamente o pouco que restou de nossas espécies nativas e de seus habitats.”

Ambos os lados invocam a ciência para defender sua causa. Mas os dados são esparsos e um estudo amplo sobre o impacto dos cavalos não deve ficar pronto antes do ano que vem.

Na arena dos sentimentos públicos e políticos, os cavalos ganham com facilidade. A ligação entre cavalos e seres humanos existe há séculos; esse é o animal que puxou os arados, que carregou os exércitos e os colonos em nome da civilização.

“Deus colocou essa coisa tão linda aqui – como podemos não querer protegê-la?”, afirmou Betty Lane, de 70 anos, que vive na região há mais de 40 anos, enquanto dirigia seu furgão como parte da patrulha civil que protege os cavalos. (Ela parou depois de confundir o repórter com um turista que tentava se aproximar demais dos cavalos, contrariando a lei da cidade.) Ela usava um colar com o nome Spec, em homenagem a um garanhão que foi atropelado por um motorista na praia.

A dedicação aos cavalos selvagens é algo tão arraigado nesta e em outras regiões, que muitos de seus apoiadores chegam a se irritar quando dizem que os animais “não são nativos”, citando fósseis que comprovam que cavalos viveram na América do Norte há mais de 11.000 anos, antes de serem extintos juntamente com outras criaturas do Pleistoceno, como os mastodontes.

Os cavalos selvagens de Corolla não surgiram aqui. Eles são animais domesticados que perderam sua domesticidade. Ainda que alguns céticos questionem se os cavalos são realmente espanhóis, uma pesquisa realizada pelo Grupo de Conservação das Raças Pecuárias dos Estados Unidos, além de outros grupos, observou as costas curtas dos cavalos, suas caudas baixas e outras características que os diferenciam dos demais animais norte-americanos. Uma análise de DNA, publicada em fevereiro na revista Animal Genetics, também aponta para uma origem comum entre esses cavalos, sugerindo que eles possam ser uma relíquia viva de uma variedade ibérica que não existe em nenhuma outra parte.

O estudo também confirma os medos de que o endocruzamento entre os cavalos esteja se tornando perigosamente grande. “Há manadas selvagens com pouca diversidade, mas não muitas”, afirmou Gus Cothran, especialista em genética equina na Universidade Texas A&M e principal autor do relatório. Ele afirma que uma manada de 60 animais seria capaz de sobreviver, desde que novas éguas fossem introduzidas no grupo a cada geração (cerca de oito anos). A lei federal estipula manadas de 110 a 130 animais, segundo Cothran, o número mínimo poderia diminuir a velocidade da erosão genética, caso os animais fossem mantidos isolados.

“Não estamos pedindo centenas de cavalos”, afirmou Karen McCalpin, diretora da Fundação Corolla de Cavalos Selvagens, que protege e cuida dos cavalos, realizando projetos de conscientização pública a seu respeito. O cerne do desentendimento com os conservacionistas da vida selvagem está no número de cavalos que o habitat é capaz de suportar. “Caso eles fossem prejudiciais ao meio ambiente”, afirmou, “isso já não seria evidente a essa altura?”.

Se não fosse pelas pessoas, essa questão seria mais fácil de responder. Outras manadas de cavalos dos Outer Banks vivem em áreas praticamente livres da presença humana. Mas os cavalos de Corolla vivem quase exclusivamente das terras e das paisagens humanas. Promotores de turismo gostam de mostrar cavalos brincando na areia e na arrebentação, com suas crinas balançando majestosamente ao vento. Contudo, é igualmente provável que esses animais sejam avistados pastando próximos às calçadas.

Além da genética, os turistas representam um perigo para as manadas: seja por colisões com motoristas distraídos, ou porque visitantes em busca de boas fotos burlam as regras do local, que criminalizam o ato de alimentar ou de se aproximar a menos de 15 metros de um cavalo, No último verão, um potro de duas semanas morreu por consequência de uma obstrução intestinal após comer cascas de melancia dadas a ele por visitantes.

Conforme Corolla se torna mais desenvolvida, os cavalos podem se afastar cada vez mais para terrenos dos santuários da vida selvagem. Preocupado com uma espécie de pássaro chamada açanã-preta, Mike Hoff, o diretor do refúgio, cercou uma faixa de 55 hectares de terreno pantanoso, no verão passado, depois de notar que o capim estava esgotado há diversas estações. “Isso não significa que queríamos excluir os cavalos porque não gostamos deles”, afirmou.

Um dos poucos estudos que examinam o impacto direto dos cavalos foi publicado em 2004 na revista The Journal of Range Management. Pesquisadores da Universidade da Carolina do Leste escreveram que, em geral, as plantas de Corolla se recuperaram no início do verão seguinte, após servirem de pasto por uma estação. Mas os dados foram colhidos em 1997, quando a população de cavalos estava estimada em 43 animais espalhados por 4.600 hectares. Atualmente, a área é quase 1.600 hectares menor, e a manada mais que triplicou de tamanho.

Os atuais estudos a respeito dos animais selvagens, financiados pelo Serviço de Peixes e Vida Selvagem e pela Universidade Estadual da Carolina do Norte, têm o objetivo de medir os efeitos causados por suínos e veados, além dos cavalos. Destacar o impacto dos cavalos “é uma questão difícil”, segundo o líder da pesquisa, Chris DePerno, mas ele acrescentou que “acreditamos que compusemos um estudo excepcional”.

Nesse caso, a política e a ciência podem estar funcionando em ritmos diferentes. O senado pode aprovar a lei antes que o estudo de DePerno esteja completo. McCalpin lamentou o fato de que os cavalos já estejam apresentando sinais de falência genética, com potros que nascem esporadicamente com um tamanho incrivelmente pequeno, ou com joelhos traseiros que travam, ao invés de dobrar.

“O tempo está se esgotando”, afirmou, acrescentando: “Eles estiveram aqui nos últimos cinco séculos. Eu fico triste em pensar que não estarão aqui nos próximos”.

Fonte: Portal iG


14 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Aves multicoloridas se dividem mais rápido em novas espécies, diz estudo

Mudança na cor de penas não ocorre apenas devido à interação sexual.
Variação ocorreria devido a interrupção na formação de uma espécie.

Estudo publicado na revista “Nature” desta semana aponta que a existência de variedades nas cores das penas de aves – uma característica chamada de “polimorfismo” — está associada à geração acelerada de novas espécies.

De acordo com cientistas do Departamento de Zoologia da Universidade de Melbourne, da Austrália, as mudanças de coloração nas penas ocorreriam por fatores ecológicos, geográficos e genéticos — e não apenas por seleção sexual.

Os pesquisadores analisaram cinco diferentes grupos de aves: Accipitridae (abutres e águias), a combinação de Striginae e Surniinae (dois sub-tipos de corujas), Caprimulgidae(caprimulgídeos), Falconidae (falcões) e Phasianidae (faisões). Os cinco grupos contêm 7% de espécies de aves e 47% de espécies com cores polimórficas.

Segundo o estudo, aves com maior prevalência de polimorfismo de cor tendem a se dividir em novas espécies com o tempo. Esta associação parece estar ligada à quantidade e diversidade dos ambientes ocupados e padrões comportamentais.

Os autores sugerem que a coexistência de várias cores nessas populações resulta da interrupção na formação de uma espécie – ou seja, quando um processo de formação genética é interrompido.

Espécie de coruja com coloração variada. Aves com polimorfismo se dividem em novas espécies com o tempo, apontam cientistas. (Foto: Divulgação)

Espécie de coruja com coloração variada. Aves com polimorfismo se dividem em novas espécies com o tempo, apontam cientistas. (Foto: Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


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26 de fevereiro de 2015 | nenhum comentário »

Tráfico de animais silvestres moveu R$ 7 bilhões no Brasil em 10 anos

Quadrilhas desafiam autoridades e alimentam lucrativo mercado criminoso.
Centenas de animais, muitos em risco de extinção, são capturados.

As quadrilhas desafiam as autoridades e alimentam um mercado lucrativo e criminoso.

Centenas de animais, muitos em risco de extinção, são capturados diariamente, e muitos acabam morrendo antes de chegar ao destino final.

Em dez anos, quase seis milhões de pássaros foram comercializados ilegalmente no país, um mercado que movimentou R$ 7 bilhões na última década.

A reportagem é de Carlos de Lannoy, Mahomed Saigg, Junior Alves e Felipe Wainer.

Uma pequena armadilha, uma simples arapuca. “Como esses animais são territoriais, os machos vai atrair o outro. Se ele pousar aqui, desarma a armadilha”, afirma.

O Ibama diz que o tráfico de aves começa com caçadores que capturam e escondem as aves em depósitos improvisados no meio da mata.

Agente: Tem arma em casa?
Homem: Arma? Não.

O fiscal encontra três armas – todas carregadas – e dezenas de curiós, canários, coleiros, trinca-ferros e dois periquitos. As gaiolas estão sujas, os animais, amontoados, falta comida: sinais de maus-tratos.

Deraldo Gomes dos Santos diz que mora no local e nega envolvimento com o tráfico.

Repórter: Passarinho que canta não vale muito dinheiro?
Homem: Um curió custa mais de R$ 2 mil, não é isso. Eu não vendo passarinho, eu tenho passarinho para me divertir dentro de casa. Abre a porta, só o que eu tenho é uma televisão, uma geladeira e pronto, e os passarinhos cantando.

Os fiscais identificam cada uma das aves. É um trabalho minucioso que só termina no início da noite. As gaiolas viram uma imensa fogueira.

Preso em flagrante, Deraldo foi levado para Santanópolis, a 160 quilômetros de Salvador, mas os agentes encontram a delegacia fechada e recebem a informação de que a cidade está sem delegado. “O que acontece é que é que a gente saindo do município não existe garantia que uma delegacia de outro município vá receber. Então ele vai ser liberado e a gente vai encaminhar a denúncia para o Ministério Público”, explica o agente federal do Ibama Roberto Cabral Borges.

A impunidade é a regra. Comerciantes ganham dinheiro oferecendo animais livremente em feiras do interior.

Produtor: Posso dar uma olhadinha?
Vendedor: Pode.
Produtor: Está quanto ele?
Vendedor: R$ 50.

Em um mercado de Feira de Santana, na Bahia, homens, mulheres e até menores vendem passarinhos…

Produtor: Canário está quanto?
Vendedor: R$ 40.

… macacos…

Produtor: Tem quantos aqui?
Vendedora: Três. É porque é pequenininho, é próprio para criar mesmo.

… e papagaios por encomenda.

Produtor: Papagaio eu consigo aqui?
Vendedor: Consegue.
Produtor: Quanto é?
Vendedor: Mas é mais difícil de achar.
Produtor: Mas, quanto o papagaio?
Vendedor: R$ 400, depende do papagaio.

Milhões de aves são capturadas todos os anos no Brasil. A maioria, segundo o Ibama, cai na mão de traficantes que alimentam um mercado estimado em cerca de R$ 7 bilhões. Ver um periquito rei voltar para a natureza é um privilégio. Chega a ser emocionante.

Um estudo do Ibama apontou que a exploração das aves que tem o dom de cantar é uma das principais causas de perda da biodiversidade no país, e os pesquisadores chegaram a uma surpreendente constatação: a criação legalizada vem contribuindo com o tráfico de animais silvestres.

“Fiscalização do Ibama, a gente veio olhar o plantel dele de passarinho. Abre a casa por favor”, afirma um agente.

As irregularidades atingem parte dos 400 mil criadores autorizados no país. Segundo o Ibama, cada um possui em média 20 pássaros, o que dá um total de aproximadamente 8 milhões de aves em cativeiro.

A inspeção em um criadouro de Feira de Santana dá a dimensão do problema: eles checam notas fiscais, medem o tamanho e conferem os números das anilhas de cada passarinho.

O problema é que o Ibama autoriza apenas uma anilha por animal. Para aumentar a quantidade de animais, os criadores falsificam anilhas com a mesma numeração e, para não levantar suspeitas, trocam esses animais entre si. Ou seja, a mesma numeração pode estar espalhada em mais de um criadouro, com diferentes passarinhos, dando uma aparência de legalidade a um animal capturado de maneira criminosa.

“Esses trinca-ferros aqui, você tem as anilhas todas falsificadas. Nenhuma dessas anilhas daqui são anilhas do Ibama. Isso significa que todos esses animais aqui foram capturados na natureza e inserida a anilha neles para acobertar”, explica um agente do Ibama.

Um proprietário tem uma estante carregada de troféus. São títulos conquistados em torneios de canto de pássaros, atividade muito comum no Brasil. Ele admite que participa do comércio de aves entre criadores, o que é ilegal.

Inspetor do Ibama: Esses pássaros você comprou aonde?
Proprietário dos pássaros: A gente vai comprando na mão de criador. Um vai passando para o outro, vai passando para o outro.

O criador de Feira de Santana disse que trouxe aves de Belo Horizonte e Recife.

O Ibama diz que aves muito valorizadas no Brasil acabam sendo vendidas para os Estados Unidos e a Europa. A principal rota de entrada é Portugal. Aranhas, insetos e répteis são enviados até pelos Correios.

A jiboia princesa diamante, uma espécie rara de pele branca e olhos negros avaliada em US$ 1 milhão, foi levada para os Estados Unidos em 2011. O americano que comprou a jiboia informou que ela morreu no cativeiro.

“Ele já foi processado nos Estados Unidos, e atualmente as negociações estão para repatriamento dos filhotes desse animal. Ele informou que o animal morreu. Nós temos dúvidas em reação a isso, porque temos alguns vídeos que tratam esse animal como se ele ainda estivesse vivo”, afirma um agente do Ibama.

No Brasil, as aves apreendidas pelo Ibama, que não têm condições de se readaptar à natureza, são levadas para centros de triagem de animais silvestres. As demais são libertadas e fazem o trabalho de fiscalização valer a pena.

“Cada passarinho que a gente resgata, cada animal que a gente resgata, ver o animal voltando a voar, ver a alegria do animal de recuperar a liberdade. Isso vale a pena”, comemora o agente do Ibama.

Acesse e veja o vídeo: http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2015/01/trafico-de-animais-silvestres-moveu-r-7-bilhoes-no-brasil-em-10-anos.html

 

Fonte: Bom dia Brasil


20 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Cientistas descobrem 15 novas espécies de aves na Amazônia

Em 140 anos, é a maior variedade identificada de uma só vez.
Espécies vivem no sul da Amazônia, na região do ‘Arco do Desmatamento’.

Um grupo de 15 novas espécies de aves que vivem na Amazônia brasileira foi descrito por cientistas de três instituições do Brasil e uma dos Estados Unidos. Os pesquisadores afirmam que essa quantidade identificada é a maior da ornitologia brasileira dos últimos 140 anos.

Em cima, da esquerda para a direita: Bico-chato-do-sucunduri. Cancao-da-campina e Chorozinho-do-aripuanã; na parte de baixo: Arapaçu-de-bico-torto; Poiaeiro-de-chicomendes e Rapazinho-estriado-do-oeste  (Foto: Montagem/Vítor Q Piacentini/Fabio Schunck/Mario Cohn-Haft)

Em cima, da esquerda para a direita: Bico-chato-do-sucunduri. Cancão-da-campina e Chorozinho-do-aripuanã; na parte de baixo: Poiaeiro-de-chicomendes; Arapaçu-de-bico-torto e Rapazinho-estriado-do-oeste (Foto: Montagem/Vítor Q Piacentini/Fabio Schunck/Mario Cohn-Haft)

Os cientistas reuniram dados de trabalhos feitos anteriormente, além de análises genéticas e comparações morfológicas, para chegar à conclusão de que se tratavam de novas espécies que vivem no bioma amazônico, um dos que possui a maior biodiversidade do mundo.

As novas espécies foram encontradas no sul da Amazônia, em áreas dos estados do Amazonas, Pará, Acre, além de trechos de Rondônia e Mato Grosso. Quase todas vivem em áreas próximas de rios, como o Tapajós, Madeira, Roosevelt e Purus, ou em regiões isoladas, ora com vegetação alta, ora com mata rasteira, conhecida como campina ou campos amazônicos.

Segundo Luis Silveira, professor doutor do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) e um dos pesquisadores do trabalho, os artigos científicos serão publicados entre o fim de junho e começo de julho em um volume especial da publicação “Handbook of the birds of the world”, especializada em detalhar novas aves de diversas partes do mundo.

Dados como nomes científico ou informações sobre localização e hábitos das espécies não puderam ser antecipados pelos pesquisadores. Não há imagens registradas de todas as aves, já que, em  alguns casos, foram feitas apenas observações e, posteriormente, ilustrações que serão divulgadas no livro.

G1 teve acesso a 12 dos 15 nomes populares da aves, além da avaliação sobre a situação destas espécies na natureza.

Para se obter tal informação, Silveira explica que é feito um cálculo baseado em três fatores: tamanho efetivo da população, pressão sofrida pelo habitat e características próprias da história deste animal.

Veja nomes de 12 das 15 novas aves da Amazônia

Rapazinho-estriado-do-oeste
Choquinha-do-rio-roosevelt
Poiaeiro-de-chicomendes
Arapaçu-barrado-do-xingu
Arapaçu-do-tapajós
Choquinha-do-bambu
Chorozinho-do-aripuanã
Cancao-da-campina
Chorozinho-esperado
Cantador-de-rondon
Bico-chato-do-sucunduri
Arapaçu-de-bico-torto

Mais descobertas
Silveira afirma que o número de novas espécies na Amazônia pode aumentar nos próximos anos, já que outros animais que aparentemente ainda não foram descritos já foram localizados pelos cientistas em incursões pela floresta. “Dessa nova leva, devemos ter mais cinco novas espécies de aves descritas nos próximos anos”, explica.

Das 15 novas aves, 11 só são encontradas no Brasil. As demais podem ser vistas também no Peru e na Bolívia. Porém, a descoberta vem acompanhada de um alerta: ao menos quatro espécies já são consideradas vulneráveis na natureza: o arapaçu-barrado-do-xingu, o arapaçu-do-tapajós, o poiaeiro-de-chicomendes e a cancao-da-campina.

Outra coincidência alarmante é que os membros recém-descritos da fauna brasileira vivem em uma região denominada “Arco do Desmatamento”, trecho que compreende uma faixa entre a Bolívia e o Brasil, que passando por Mato Grosso, Pará e Rondônia, e é conhecida pelas altas taxas de destruição da floresta e queimadas devido ao avanço dos centros urbanos e ao aumento das atividades agropecuárias.

“Várias destas espécies são bichos com hábitos especializados. Qualquer alteração nesses pontos específicos pode representar sua eliminação. Queremos chamar a atenção para esse volume de descobertas para que se possa tomar uma decisão mais sábia e sustentável para o uso deste bioma”, afirma.

Mapa Aves da Amazônia (Foto:  )Nova gralha pode desaparecer
Uma das espécies consideradas vulneráveis é a gralha cancão-da-campina, que vive em uma área de campina amazônica, entre os rios Madeira e Purus, ao sul de Manaus (AM).

O ornitólogo Mario Cohn-Haft, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), tenta desde 1998 obter informações desta ave, descoberta por acaso durante uma expedição.

Em 2005 ele conseguiu mais dados sobre esta espécie, apesar de descrevê-la apenas agora. No entanto, segundo ele, a população desta ave já estaria sentindo uma queda no número de indivíduos devido ao avanço das atividades humanas.

Essas gralhas vivem no limite entre os campos amazônicos e áreas de floresta densa. Seu habitat é, justamente, o limite entre essas vegetações rasteira e alta. No entanto, de acordo com o pesquisador, as áreas abertas em que essas aves são encontradas – que não são trechos desmatados, mas terrenos naturalmente savanizados – são alvos frequentes da agricultura e da pecuária.

“Há uma lógica popularmente divulgada, mas sem efeito científico, de que campos abertos podem ser usados para a agropecuária, pois não seriam caracterizados como áreas de desmate e não afetariam o meio ambiente. Converter qualquer ambiente natural em uma diferente estrutura altera a biodiversidade daquela região”, explica Cohn-Haft.

Outras ameaças citadas pelo cientista são a proximidade da área com a rodovia federal BR 319, que liga Manaus a Porto Velho, a construção das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau em Rondônia, além da expansão agropecuária e atividades mineradoras em municípios como Humaitá, Boca do Acre (no AM).

“A Amazônia realmente tem uma diversidade grande. Mesmo tendo um dos grupos de aves mais conhecidos, descobrir novas espécies ‘debaixo do nosso nariz’ chama a atenção para a riqueza da floresta. A Amazônia continua oferecendo surpresas, muito além do que imaginávamos”, afirma o cientista.

Os trabalhos foram feitos por cientistas e estudantes de pós-graduação da USP, do Inpa, além do Museu Paraense Emílio Goeldi, de Belém (PA), e do Museu de Ciência Natural da Universidade Estadual da Louisiania, dos Estados Unidos.

Exemplares da gralha cancao-da-campina, encontradas nas áreas de campinas amazônicas: ocupação humana ameaça espécie (Foto: Divulgação/Luciano Moreira Lima)

Exemplares da gralha cancão-da-campina, encontradas nas áreas de campinas amazônicas: ocupação humana ameaça espécie (Foto: Divulgação/Luciano Moreira Lima)

 

 

Fonte: Globo Natureza


20 de março de 2013 | nenhum comentário »

Aves primitivas voavam com quatro asas, diz estudo

Após analisar fósseis com mais de 100 milhões de anos, paleontólogos chineses afirmam que aves primitivas possuíam penas nos membros traseiros, que auxiliavam no voo

Algumas aves primitivas possuíam dois pares de asas, que as auxiliariam no voo. O segundo par seria, na verdade, as patas desses animais cobertas de penas. Essa é a conclusão de um grupo de paleontólogos chineses, após analisar fósseis com mais de 100 milhões de anos. O estudo foi publicado nesta sexta-feira, na revista cientifica Science.

Para os pesquisadores, o processo evolutivo teria feito com que o segundo par de asas assumisse a função de patas traseiras, que passaram a apresentar penas menores com o tempo. Pesquisas anteriores tinham descoberto aves similares a dinossauros com penas nas extremidades traseiras, mas as provas eram poucas no caso dos pássaros.

O paleontólogo Xing Xu já havia defendido a ideia dos dois pares de asas em 2003. Em um estudo publicado na revista Nature, ele descreveu o Microraptor gui, espécie de dinossauro que teria, além das asas, penas nas patas de trás. Para os pesquisadores, essas asas auxiliares seriam utilizadas para planar de árvore em árvore. Essa descoberta reforça a hipótese de que as aves teriam evoluído a partir dos dinossauros.

Evolução – No estudo atual, foram analisados 11 fósseis de aves primitivas, de 100 a 150 milhões de anos, encontrados no Museu de História Natural de Shandong Tianyu, na China. De acordo com Xing Xu, integrante do grupo de pesquisadores, os 11 pássaros estudados são de cinco espécies relativamente robustas – maiores que um corvo, mas menores que um peru. Os pesquisadores acreditam que as asas traseiras poderiam ter ajudado essas aves a manobrar no ar, enquanto batiam as asas dianteiras para voar ou as esticavam para planar.

Para os autores, o fato de as aves modernas utilizarem as pernas para locomoção indica que a perda do segundo par de asas reflete um período de mudança no qual os ‘braços’ se especializaram no voo e as pernas na locomoção terrestre.

 

 

Controvérsias – Outros especialistas, no entanto, não estão tão certos de que as penas das patas tenham sido usadas para voar e destacam que poderiam ter sido usadas com outros fins, como por exemplo, atrair possíveis parceiras. “Ninguém pensa que estes animais agitavam as patas como faziam com as asas”, disse Kevin Padian, professor de Biologia Integrativa da Universidade da Califórnia em Berkeley e um dos especialistas que revisaram o estudo antes de sua publicação.

Segundo ele, “os autores não fazem ou citam nenhuma pesquisa que apoie uma hipótese de que as penas contribuíram para nenhum tipo de voo”, mas o ponto positivo da pesquisa seria mostrar como as penas das patas mudaram com o tempo.

Fóssil

Fóssil de ave primitiva analisado no estudo, com destaque para as marcas de penas nos membros traseiros (Divulgação)

Fonte: Veja Ciência


6 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas criam “árvore da vida” com todas as aves conhecidas

Levantamento permite posicionar no espaço e no tempo quando e onde as quase 10 000 espécies conhecidas se separaram de ancestrais comuns

Cientistas da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, criaram uma gigantesca árvore filogenética (estudo da relação evolutiva entre várias espécies que possuem um ancestral comum) com as 9.993 espécies de aves conhecidas. O mapeamento do parentesco evolutivo posiciona as especiações das diferentes espécies no tempo e no espaço. “É a primeira ‘árvore da vida’ de espécies com este tamanho colocada em um mapa global”, disse à revista Nature Walter Jetz, biólogo de Yale e um dos co-autores do artigo.

“Esse levantamento é importante porque mostra as relações entre as diferentes espécies. Quanto mais próximas nos ramos, mais relacionadas do ponto de vista evolutivo. Ou seja, partilham de um ancestral comum mais recente”, afirmou ao site de VEJA o professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Mercival Roberto Francisco.

O mapeamento começou com um levantamento filogenético concluído em 2008, produzido pelos mesmos autores do estudo publicado agora na Nature. O levantamento dividiu as espécies de aves conhecidas em 158 clados, ou grupos que teriam se desenvolvido a partir de um ancestral comum. As raízes dessa escala evolutiva foram construídas a partir de dez fósseis, que são um parâmetro para calcular a taxa de mudanças das espécies ao longo do tempo. Com essa base, eles organizaram em uma árvore 6.600 espécies sobre as quais a ciência tem alguma informação genética disponível.

O problema era saber como lidar com as 3.330 espécies sem dados genéticos conhecidos. Para contornar esse gargalo, os cientistas utilizaram a informação de pássaros considerados parentes próximos, podendo assim alocá-los na árvore. Tal aproximação suscitou algumas críticas. “Para uma árvore deste tamanho, qualquer pequeno erro ocasionado por suposições, integrado a quase 10.000 espécies, pode levar à detecção de variações que simplesmente não existiram”, disse à Nature Mark Pagel, biólogo evolutivo da University of Reading, no Reino Unido. Os pesquisadores de Yale dizem ter criado milhares de configurações possíveis para o banco de dados filogenético com o objetivo de reduzir as incertezas.

Conclusões – A pesquisa de Yale mostra que as diversificações das espécies observadas na árvore tornaram-se mais intensas nos últimos 40 milhões de anos. De acordo com o professor Mercival, da UFSCar, isso está de acordo com a teoria mais aceita, segundo a qual a concentração de oxigênio e as temperaturas nas eras mais recentes da Terra permitiram uma explosão da diversidade. Entender onde – e quando – as especiações ocorreram, diz Mercival, pode ajudar a elaborar estratégias de preservação. “Quando a gente fala em conservar a biodiversidade, precisamos proteger os processos que levam ao surgimento de novas espécies”, afirma. “É necessária uma atenção especial para as regiões que conservaram processos de geração de novas espécies em épocas mais recentes.”

Saiba mais

ESPECIAÇÃO

Processo evolutivo pelo qual as espécies se formam, podendo ser, por exemplo, pela divisão de uma espécie em duas, dando origem a duas linhagens diferentes, ou pela transformação de uma espécie em outra, quando essa espécie acumula tantas mutações que se transforma em outra.

passaros yales genetica

Por sequenciamento de DNA, a "árvore da vida" com todas as espécies conhecidas de pássaros mostra quando e onde as diversificações ocorreram (iStockphoto)

Fonte: Veja Ciência


26 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Brasileiros vão decifrar genomas do papagaio e do sabiá-laranjeira

Não é todo dia que uma imagem de Zé Carioca ilustra uma apresentação sobre genômica, mas o malandro arquetípico da Disney tinha um bom motivo para figurar no Powerpoint de Francisco Prosdocimi, da UFMG (Universidade Federal de Minas): o tema era o genoma “dele”.

Ou melhor, o do papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), que está entre as espécies mais comuns do bicho em cativeiro. O objetivo de Prosdocimi e seus colegas é vasculhar o DNA da ave em busca de pistas que ajudem a explicar sua proverbial tagarelice.

Para atingir esse objetivo, o papagaio-verdadeiro não é o único alvo. O grupo de cientistas, batizado de Sisbioaves, pretende sequenciar (grosso modo, “soletrar”) o genoma de outras espécies tipicamente brasileiras, como o sabiá-laranjeira e o bem-te-vi.

Em comum, esses bichos possuem o chamado aprendizado vocal -a capacidade, similar à dos seres humanos, de aprender padrões de vocalização ao longo da vida.

Detalhes sobre o projeto foram apresentados durante o 58º Congresso Brasileiro de Genética, em Foz do Iguaçu.

“A gente sabe que o aprendizado vocal é polifilético [ou seja, evoluiu mais de uma vez em linhagens sem parentesco próximo]“, explica Claudio Mello, brasileiro que trabalha na Universidade de Saúde e Ciência do Oregon (Estados Unidos).

“Portanto, se a gente encontrar genes relevantes para esse comportamento que são compartilhados entre os vários grupos de aves e os humanos, provavelmente isso quer dizer que eles representam a base do aprendizado vocal”, diz Mello.

Na maioria das aves, afirma Mello, existe o chamado período crítico de aprendizado — uma fase da “infância” do bicho na qual ele precisa ser exposto ao canto de outro animal para que ele aprenda a cantar de forma apropriada, coisa que também se verifica no caso da fala humana. Já os papagaios parecem ser mais versáteis, sendo capazes de aprender a imitar sons humanos em praticamente qualquer fase de sua vida.

A estimativa de Prosdocimi e de sua colega Maria Paula Schneider, da UFPA (Universidade Federal do Pará), é que a leitura dos genomas do papagaio e do sabiá-laranjeira esteja concluída em meados do ano que vem.

Segundo o pesquisador da UFMG, que é bioinformata (especialista na análise computacional de dados biológicos), espera-se que os bichos tenham genomas relativamente compactos, com menos da metade do tamanho do genoma humano.

Os pesquisadores ainda não encontraram, nos papagaios, o equivalente ao gene FOXP2, hoje um dos grandes candidatos a influenciar a capacidade humana para a fala. Mas não é só o lado vocal que interessa aos cientistas.

Prosdocimi destaca que os papagaios são inteligentes de modo geral. E vivem muito, passando dos 70 anos, o que traria pistas sobre as bases genéticas da longevidade.

Editoria de Arte/Folhapress

Fonte: Folha.com


18 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Quase humanos

Neurocientistas publicam manifesto afirmando que mamíferos, aves e até polvos têm consciência e esquentam debate sobre direitos dos animais

Os seres humanos não são os únicos animais que têm consciência. A afirmação não é de ativistas radicais defensores dos direitos dos animais. Pelo contrário. Um grupo de neurocientistas — doutores de instituições de renome como Caltech, MIT e Instituto Max Planck — publicou um manifesto asseverando que o estudo da neurociência evoluiu de modo tal que não é mais possível excluir mamíferos, aves e até polvos do grupo de seres vivos que possuem consciência. O documento divulgado no último sábado (7), em Cambridge, esquenta uma discussão que divide cientistas, filósofos e legisladores há séculos sobre a natureza da consciência e sua implicação na vida dos humanos e de outros animais.

Apresentado à Nasa nesta quinta-feira, o manifesto não traz novas descobertas da neurociência — é uma compilação das pesquisas da área. Representa, no entanto, um posicionamento inédito sobre a capacidade de outros seres perceberem sua própria existência e o mundo ao seu redor. Em entrevista ao site de VEJA, Philip Low, criador do iBrain, o aparelho que recentemente permitiu a leitura das ondas cerebrais do físico Stephen Hawking, e um dos articuladores do movimento, explica que nos últimos 16 anos a neurociência descobriu que as áreas do cérebro que distinguem seres humanos de outros animais não são as que produzem a consciência. “As estruturas cerebrais responsáveis pelos processos que geram a consciência nos humanos e outros animais são equivalentes”, diz. “Concluímos então que esses animais também possuem consciência.”

Estudos recentes, como os da pesquisadora Diana Reiss (uma das cientistas que assinaram o manifesto), da Hunter College, nos Estados Unidos, mostram que golfinhos e elefantes também são capazes de se reconhecer no espelho. Essa capacidade é importante para definir se um ser está consciente. O mesmo vale para chimpanzés e pássaros. Outros tipos de comportamento foram analisados pelos neurocientistas. “Quando seu cachorro está sentindo dor ou feliz em vê-lo, há evidências de que no cérebro deles há estruturas semelhantes às que são ativadas quando exibimos medo e dor e prazer”, diz Low.

Personalidade animal - Dizer que os animais têm consciência pode trazer várias implicações para a sociedade e o modo como os animais são tratados. Steven Wise, advogado e especialista americano em direito dos animais, diz que o manifesto chega em boa hora. “O papel dos advogados e legisladores é transformar conclusões científicas como essa em legislação que ajudará a organizar a sociedade”, diz em entrevista ao site de VEJA. Wise é líder do Projeto dos Direitos de Animais não Humanos. O advogado coordena um grupo de 70 profissionais que organizam informações, casos e jurisprudência para entrar com o primeiro processo em favor de que alguns animais — como grandes primatas, papagaios africanos e golfinhos — tenham seu status equiparado ao dos humanos.

O manifesto de Cambridge dá mais munição ao grupo de Wise para vencer o caso. “Queremos que esses animais recebam direitos fundamentais, que a justiça as enxergue como pessoas, no sentido legal.” Isso, de acordo com o advogado, quer dizer que esses animais teriam direito à integridade física e à liberdade, por exemplo. “Temos que parar de pensar que esses animais existem para servir aos seres humanos”, defende Wise. “Eles têm um valor intrínseco, independente de como os avaliamos.”

Questão moral - O manifesto não decreta o fim dos zoológicos ou das churrascarias, muito menos das pesquisas médicas com animais. Contudo, já foi suficiente para provocar reflexão e mudança de comportamento em cientistas, como o próprio Low. “Estou considerando me tornar vegetariano”, diz. “Temos agora que apelar para nossa engenhosidade, para desenvolver tecnologias que nos permitam criar uma sociedade cada vez menos dependente dos animais.” Low se refere principalmente à pesquisa médica. Para estudar a vida, a ciência ainda precisa tirar muitas. De acordo com o neurocientista, o mundo gasta 20 bilhões por ano para matar 100 milhões de vertebrados. Das moléculas medicinais produzidas por esse amontoado de dinheiro e mortes, apenas 6% chega a ser testada em seres humanos. “É uma péssima contabilidade”, diz Low.

Contudo, a pesquisa com animais ainda é necessária. O endocrinologista americano Michael Conn, autor do livro The Animal Research War, sem edição no Brasil, argumenta que se trata de uma escolha priorizar a espécie humana. “Conceitos como os de consentimento e autonomia só fazem sentido dentro de um código moral que diz respeito aos homens, e não aos animais”, disse em entrevista ao site de VEJA. “Nossa obrigação com os animais é fazer com que eles sejam devidamente cuidados, não sofram nem sintam dor — e não tratá-los como se fossem humanos, o que seria uma ficção”, argumenta. “Se pudéssemos utilizar apenas um computador para fazer pesquisas médicas seria ótimo. Mas a verdade é que não é possível ainda.”

O que é consciência?

PARA A FILOSOFIA
Filosoficamente, é o entendimento que uma criatura tem sobre si e seu lugar na natureza. Alguns atributos definem a consciência, como ser senciente, ou seja, sentir o mundo à sua volta e reagir a ele; estar alerta ou acordado ou ter consciência sobre si mesmo (o que, para a filosofia já basta para incluir alguns animais “não-linguísticos” entre os seres com consciência).Fonte: Enciclopédia de Filosofia de Stanford

PARA A CIÊNCIA
A ciência considera como consciência as percepções sobre o mundo e as sensações corporais, junto com os pensamentos, memórias, ações e emoções. Ou seja, tudo o que escapa aos processos cerebrais automáticos e chega à nossa atenção. O conteúdo da consciência geralmente é estudado usando exames de imagens cerebrais para comparar quais estímulos chegam à nossa atenção e quais não. Como resumiu o neurocientista Bernard Baars, em 1987, o cérebro é como um teatro no qual a maioria dos eventos neurais são inconscientes, portanto acontecem “nos bastidores”, enquanto alguns poucos entram no processo consciente, ou seja, chegam ao “palco”.

Chimpanzé alimenta um filhote de tigre dourado, em mini zoológico na cidade de Samutprakan, Tailândia

Chimpanzé alimenta um filhote de tigre dourado, em mini zoológico na cidade de Samutprakan, Tailândia: percepção de sua própria existência e do mundo ao seu redor (Rungroj Yongrit/EFE)

Fonte: Veja Ciência


5 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Evolução dos pássaros encerrou era dos insetos gigantes, diz estudo

Corpo menor ajudou insetos a fugir de pássaros predadores.
Maior inseto chegou a ter 70 centímetros há 300 milhões de anos.

Um novo estudo da Universidade da Califórnia sugere que a evolução dos pássaros foi determinante para o fim da era dos insetos gigantes na Terra. Segundo os cientistas, a época em que as aves começaram a estabelecer seu lugar nos céus é a mesma na qual os insetos grandalhões perderam espaço, há 150 milhões de anos. A pesquisa foi divulgada nesta semana na edição online da revista científica “PNAS”, da Academia Americana de Ciências.

Insetos gigantes viveram nos céus pré-históricos em uma época em que a atmosfera da Terra era rica em oxigênio. Pesquisas anteriores já tinham sugerido que o tamanho dos insetos tinha relação com altas concentrações de oxigênio – cerca de 30%, comparada aos atuais 21%, em média.

Há 300 milhões de anos, os insetos gigantes chegaram ao maior tamanho já documentado: 70 centímetros.

Mas à medida que os pássaros surgiram, os insetos se tornaram menores mesmo com o aumento de oxigênio na atmosfera, diz a pesquisa.

Segundo o autor do estudo, Matthew Clapham, professor de Terra e Ciências Planetárias da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, com os pássaros predatórios na ‘cola’, necessidade de ter mais mobilidade foi a base da evolução do voo desses insetos, favorecendo o tamanho mais reduzido do corpo.

A equipe da Clapham comparou o tamanho das asas de mais de 10.500 fósseis de insetos com níveis de oxigênio do planeta em centenas de milhares de anos.

O pesquisador enfatiza, no entanto, que o estudo focou as mudanças a partir dos maiores insetos já conhecidos.

“Em torno do final do período Jurássico e início do Cretáceo, cerca de 150 milhões de anos atrás, de repente o nível de oxigênio sobe, mas o tamanho do inseto diminui. E isso coincide de forma impressionante com a evolução dos pássaros”, diz Clapham.

Fóssil de insetos gigantes pré-históricos (Foto: Wolfgang Zessin/UCSC/Divulgação)

Fóssil de insetos gigantes pré-históricos (Foto: Wolfgang Zessin/UCSC/Divulgação)

Fonte: G1


4 de junho de 2012 | nenhum comentário »

PAÍS TEM 4 BATIDAS DE AVIÕES EM AVES POR DIA

Um levantamento feito pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), órgão que atua na investigação e prevenção de acidentes aéreos, aponta que, em média, quatro aviões atingem Aves por dia no país. Um dos casos mais recentes aconteceu no último dia 15, quando uma aeronave com 118 passageiros precisou retornar ao aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão Preto, após colidir com um pássaro.
O aumento dos casos está fazendo com que os aeroportos busquem soluções. Cachorros, falcões e até mesmo robôs estão sendo utilizados na tentativa de espantar os animais. Segundo o Cenipa, só neste ano já foram registradas 657 colisões. Neste ritmo, o número de acidentes pode chegar aos 1,7 mil casos, superando o recorde de 1.460 do ano passado.

Para o chefe de gerenciamento do risco aviário do Cenipa, major Francisco José Morais, a presença de focos atrativos para Aves perto dos aeroportos como lixões e matadouros clandestinos, além do aumento de espécies, podem ser as causas do crescimento dos acidentes.

Fonte: EBAND


4 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Embate entre conservacionistas define futuro de cavalos selvagens

Com a chegada do verão, as praias da ilha Corolla, na Carolina do Sul, Estados Unidos, ficarão repletas de carros e banhistas, mas na baixa estação o terreno é deixado para os cavalos selvagens. Pequenos, com uma coloração que varia entre o castanho e o preto, eles passeiam por entre as casas de veraneio em manadas de cinco ou seis.

Milhares desses cavalos já perambularam por todos os Outer Banks da Carolina do Norte, e eles são os prováveis descendentes das montarias que pertenceram aos exploradores espanhóis, cinco séculos atrás. Mas, agora, seu número diminuiu para umas poucas centenas de animais, das quais os mais conhecidos vivem na reserva federal de Shackleford Banks.

Contudo, a maior manada, que recentemente chegou a quase 140 garanhões, ocupa mais de 3.000 hectares de um terreno estreito que se estende do fim da Rodovia 12, em Corolla, até a divisa com a Virgínia, 11 quilômetros ao norte. Sem predadores naturais e presos pelas cercas que se lançam sobre o Atlântico agitado, o endocruzamento da manada é tão intenso que seus defensores temem que um colapso genético ocorra em questão de algumas gerações.

Seus apoiadores estão realizando uma campanha para salvar a manada de Corolla, e eles têm aliados poderosos no Congresso. Em fevereiro, a Câmara aprovou uma lei que mantêm a manada em cerca de 120 indivíduos e que permite a importação de novas éguas de Shackleford para introduzir genes frescos.

Conservacionistas da vida selvagem afirmam que a questão não é tão simples. As praias, pântanos, pradarias e florestas próximas de Corolla são uma parada para bandos de aves migratórias ameaçadas de extinção, e são o lugar onde as tartarugas marinhas põem seus ovos. Grande parte da área ocupada pelos cavalos pertence ao Refúgio Nacional de Vida Selvagem Currituck, e os defensores do habitat nativo temem que o atual tamanho das manadas sobrecarregue o ecossistema.

O futuro dos cavalos levanta questões mais amplas, como a de se um animal pode ser preservado em detrimento de outro – e quem deve decidir isso.

“Estamos falando sobre valores”, afirmou Michael Hutchins, diretor executivo da Wildlife Society, que representa biólogos e gestores da vida selvagem que se opõem à medida aprovada pela Câmara. “Eu gosto de cavalos; acredito que eles sejam animais fascinantes. Mas eu também valorizo profundamente o pouco que restou de nossas espécies nativas e de seus habitats.”

Ambos os lados invocam a ciência para defender sua causa. Mas os dados são esparsos e um estudo amplo sobre o impacto dos cavalos não deve ficar pronto antes do ano que vem.

Na arena dos sentimentos públicos e políticos, os cavalos ganham com facilidade. A ligação entre cavalos e seres humanos existe há séculos; esse é o animal que puxou os arados, que carregou os exércitos e os colonos em nome da civilização.

“Deus colocou essa coisa tão linda aqui – como podemos não querer protegê-la?”, afirmou Betty Lane, de 70 anos, que vive na região há mais de 40 anos, enquanto dirigia seu furgão como parte da patrulha civil que protege os cavalos. (Ela parou depois de confundir o repórter com um turista que tentava se aproximar demais dos cavalos, contrariando a lei da cidade.) Ela usava um colar com o nome Spec, em homenagem a um garanhão que foi atropelado por um motorista na praia.

A dedicação aos cavalos selvagens é algo tão arraigado nesta e em outras regiões, que muitos de seus apoiadores chegam a se irritar quando dizem que os animais “não são nativos”, citando fósseis que comprovam que cavalos viveram na América do Norte há mais de 11.000 anos, antes de serem extintos juntamente com outras criaturas do Pleistoceno, como os mastodontes.

Os cavalos selvagens de Corolla não surgiram aqui. Eles são animais domesticados que perderam sua domesticidade. Ainda que alguns céticos questionem se os cavalos são realmente espanhóis, uma pesquisa realizada pelo Grupo de Conservação das Raças Pecuárias dos Estados Unidos, além de outros grupos, observou as costas curtas dos cavalos, suas caudas baixas e outras características que os diferenciam dos demais animais norte-americanos. Uma análise de DNA, publicada em fevereiro na revista Animal Genetics, também aponta para uma origem comum entre esses cavalos, sugerindo que eles possam ser uma relíquia viva de uma variedade ibérica que não existe em nenhuma outra parte.

O estudo também confirma os medos de que o endocruzamento entre os cavalos esteja se tornando perigosamente grande. “Há manadas selvagens com pouca diversidade, mas não muitas”, afirmou Gus Cothran, especialista em genética equina na Universidade Texas A&M e principal autor do relatório. Ele afirma que uma manada de 60 animais seria capaz de sobreviver, desde que novas éguas fossem introduzidas no grupo a cada geração (cerca de oito anos). A lei federal estipula manadas de 110 a 130 animais, segundo Cothran, o número mínimo poderia diminuir a velocidade da erosão genética, caso os animais fossem mantidos isolados.

“Não estamos pedindo centenas de cavalos”, afirmou Karen McCalpin, diretora da Fundação Corolla de Cavalos Selvagens, que protege e cuida dos cavalos, realizando projetos de conscientização pública a seu respeito. O cerne do desentendimento com os conservacionistas da vida selvagem está no número de cavalos que o habitat é capaz de suportar. “Caso eles fossem prejudiciais ao meio ambiente”, afirmou, “isso já não seria evidente a essa altura?”.

Se não fosse pelas pessoas, essa questão seria mais fácil de responder. Outras manadas de cavalos dos Outer Banks vivem em áreas praticamente livres da presença humana. Mas os cavalos de Corolla vivem quase exclusivamente das terras e das paisagens humanas. Promotores de turismo gostam de mostrar cavalos brincando na areia e na arrebentação, com suas crinas balançando majestosamente ao vento. Contudo, é igualmente provável que esses animais sejam avistados pastando próximos às calçadas.

Além da genética, os turistas representam um perigo para as manadas: seja por colisões com motoristas distraídos, ou porque visitantes em busca de boas fotos burlam as regras do local, que criminalizam o ato de alimentar ou de se aproximar a menos de 15 metros de um cavalo, No último verão, um potro de duas semanas morreu por consequência de uma obstrução intestinal após comer cascas de melancia dadas a ele por visitantes.

Conforme Corolla se torna mais desenvolvida, os cavalos podem se afastar cada vez mais para terrenos dos santuários da vida selvagem. Preocupado com uma espécie de pássaro chamada açanã-preta, Mike Hoff, o diretor do refúgio, cercou uma faixa de 55 hectares de terreno pantanoso, no verão passado, depois de notar que o capim estava esgotado há diversas estações. “Isso não significa que queríamos excluir os cavalos porque não gostamos deles”, afirmou.

Um dos poucos estudos que examinam o impacto direto dos cavalos foi publicado em 2004 na revista The Journal of Range Management. Pesquisadores da Universidade da Carolina do Leste escreveram que, em geral, as plantas de Corolla se recuperaram no início do verão seguinte, após servirem de pasto por uma estação. Mas os dados foram colhidos em 1997, quando a população de cavalos estava estimada em 43 animais espalhados por 4.600 hectares. Atualmente, a área é quase 1.600 hectares menor, e a manada mais que triplicou de tamanho.

Os atuais estudos a respeito dos animais selvagens, financiados pelo Serviço de Peixes e Vida Selvagem e pela Universidade Estadual da Carolina do Norte, têm o objetivo de medir os efeitos causados por suínos e veados, além dos cavalos. Destacar o impacto dos cavalos “é uma questão difícil”, segundo o líder da pesquisa, Chris DePerno, mas ele acrescentou que “acreditamos que compusemos um estudo excepcional”.

Nesse caso, a política e a ciência podem estar funcionando em ritmos diferentes. O senado pode aprovar a lei antes que o estudo de DePerno esteja completo. McCalpin lamentou o fato de que os cavalos já estejam apresentando sinais de falência genética, com potros que nascem esporadicamente com um tamanho incrivelmente pequeno, ou com joelhos traseiros que travam, ao invés de dobrar.

“O tempo está se esgotando”, afirmou, acrescentando: “Eles estiveram aqui nos últimos cinco séculos. Eu fico triste em pensar que não estarão aqui nos próximos”.

Fonte: Portal iG


14 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Aves multicoloridas se dividem mais rápido em novas espécies, diz estudo

Mudança na cor de penas não ocorre apenas devido à interação sexual.
Variação ocorreria devido a interrupção na formação de uma espécie.

Estudo publicado na revista “Nature” desta semana aponta que a existência de variedades nas cores das penas de aves – uma característica chamada de “polimorfismo” — está associada à geração acelerada de novas espécies.

De acordo com cientistas do Departamento de Zoologia da Universidade de Melbourne, da Austrália, as mudanças de coloração nas penas ocorreriam por fatores ecológicos, geográficos e genéticos — e não apenas por seleção sexual.

Os pesquisadores analisaram cinco diferentes grupos de aves: Accipitridae (abutres e águias), a combinação de Striginae e Surniinae (dois sub-tipos de corujas), Caprimulgidae(caprimulgídeos), Falconidae (falcões) e Phasianidae (faisões). Os cinco grupos contêm 7% de espécies de aves e 47% de espécies com cores polimórficas.

Segundo o estudo, aves com maior prevalência de polimorfismo de cor tendem a se dividir em novas espécies com o tempo. Esta associação parece estar ligada à quantidade e diversidade dos ambientes ocupados e padrões comportamentais.

Os autores sugerem que a coexistência de várias cores nessas populações resulta da interrupção na formação de uma espécie – ou seja, quando um processo de formação genética é interrompido.

Espécie de coruja com coloração variada. Aves com polimorfismo se dividem em novas espécies com o tempo, apontam cientistas. (Foto: Divulgação)

Espécie de coruja com coloração variada. Aves com polimorfismo se dividem em novas espécies com o tempo, apontam cientistas. (Foto: Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


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