8 de março de 2012 | nenhum comentário »

Nova espécie de tubarão é identificada em Galápagos

O animal, que vive em águas profundas, tem aproximadamente 40 centímetros de comprimento

Cientistas da Academia de Ciências da Califórnia, nos Estados Unidos, identificaram uma nova espécie de tubarão. Ela foi encontrada na região das ilhas Galápagos, vivendo em águas profundas – entre 400 a 600 metros abaixo da superfície. A espécie recém-descrita (Bythaelurus giddingsi) foi apresentada na edição de 5 de março da revista Zootaxa.

O animal tem aproximadamente 40 centímetros de comprimento e uma coloração marrom, com pequenas manchas pálidas, irregularmente distribuídas em seu corpo, lembrando a pele de uma onça-pintada. Os padrões, segundo os pesquisadores, parecem ser únicos para cada indivíduo. Ele pertence à família Scyliorhinidae, a mesma do tubarão conhecido no Brasil como pata-roxa (Scyliorhinus canicula), uma das menores e mais abundantes no Atlântico.

“A descoberta de uma nova espécie de tubarão é sempre interessante, especialmente neste momento em que os tubarões estão enfrentando uma incrível pressão”, conta John McCosker, presidente do setor de Biologia Aquática da Academia e coordenador da pesquisa. “Muitas espécies se tornaram localmente raras e outras estão em vias de extinção devido a intensa captura de animais para abastecer o comércio de barbatanas”, diz.

A primeira expedição científica da Academia de Ciências da Califórnia pelas ilhas Galápagos ocorreu em 1905. Desde então, diversas viagens foram realizadas. Como resultado, a instituição hoje é lar da maior coleção do mundo de espécimes científicos originários dessa região. Dezenas de novas espécies marinhas foram descobertas pela Academia nas últimas décadas.

Nos anos 1990, McCosker realizou uma série de mergulhos a bordo do veículo submersível Johnson Sea Link para explorar a vida marinha no arquipélago. Estes submarinos permitem aos cientistas explorarem uma vasta parte de Galápagos que não era acessível a Charles Darwin, por exemplo, que esteve na região quando viajou pelo mundo no navio Beagle, de 1831 a 1836. McCosker coletou sete exemplares do novo animal em expedições realizadas no local em 1995 e 1998, mas só conseguiu identificá-los como uma espécie inédita agora.

O Bythaelurus giddingsi é pequeno, de pele marrom com pequenas manchas claras e vive a mais de 400 metros abaixo da superfície do mar

O 'Bythaelurus giddingsi' é pequeno, de pele marrom com pequenas manchas claras e vive a mais de 400 metros abaixo da superfície do mar (California Academy of Sciences)

Fonte: Veja Ciência


28 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Para mergulhador, tubarões são ‘dóceis companheiros de trabalho’

Klaus Jost faz campanha para proteger os tubarões e diz que os temidos animais não têm nada de ‘comedores de gente’.

O fotógrafo e engenheiro marítimo Klaus Jost mergulha há anos ao lado de tubarões, em várias partes do mundo, e vê os temidos animais como companheiros de trabalho.

‘Ao todo, passei milhares de horas debaixo d’água. Sempre houve tubarões, mas nunca tive problemas com eles. Esses temidos habitantes dos oceanos não têm nada de comedores de homens e monstros agressivos. Na verdade, muitos poucos dos 460 tipos de tubarão descobertos até agora representam uma ameaça para humanos’, diz ele.

O interesse pelos animais começou quando ele trabalhava como engenheiro na construção de grandes portos ao redor do mundo, em lugares como Kuwait, Paquistão, Costa do Marfim, África do Sul, Egito e Guiné.

‘Tubarões são fantásticos. Se você já viu um tubarão debaixo d’água, nunca vai esquecê-lo’, disse Jost à BBC Brasil.

Desde 2001, Jost passou a se dedicar à fotografia de natureza e submarina. Seu objetivo é documentar espécies de tubarão ameaçadas de extinção e chamar atenção para a caça dos animais.

‘A exportação de barbatana de tubarão (usada em sopas, na China) para o Oriente vem aumentando. O pior é que os tubarões são pegos, suas barbatanas, cortadas, e eles são jogados de volta no mar ainda vivos, para morrerem de forma terrível.’

Tubarão (Foto: Klaus Jost/BBC)

OO interesse de Klaus Jost por tubarões começou quando ele trabalhava na construção de portos (Foto: Klaus Jost/BBC)

Dois tubarões gália branca, o tipo mais comum encontrado nos corais do Indo-Pacífico (Foto: Klaus Jost/BBC)

Dois tubarões gália branca, o tipo mais comum encontrado nos corais do Indo-Pacífico (Foto: Klaus Jost/BBC)

Esta foto mostra um tubarão gália preta (Foto: Klaus Jost/BBC)

Esta foto mostra um tubarão gália preta (Foto: Klaus Jost/BBC)

Tubarão-touro que Jost apelidou de "vovó", devido a sua natureza dócil e relaxada (Foto: Klaus Jost/BBC)

Tubarão-touro que Jost apelidou de "vovó", devido a sua natureza dócil e relaxada (Foto: Klaus Jost/BBC)

O tubarão-touro também pode viver em água doce (Foto: Klaus Jost/BBC)

O tubarão-touro também pode viver em água doce (Foto: Klaus Jost/BBC)

Fonte: BBC


6 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Teste de DNA aponta irregularidade no comércio de barbatana de tubarão

Amostras de barbatanas de tubarão apreendidas pelo Ibama no Pará passaram por uma análise de DNA na Universidade Estadual Paulista (Unesp) que demonstrou que não há rigor no controle das espécies pescadas. De 152 amostras analisadas, 31% não correspondiam à espécie declarada pela empresa autuada – tubarão-azul, muito comum no litoral brasileiro.

A legislação exige 100% de precisão para não colocar em risco espécies ameaçadas. Pelo menos duas outras espécies foram identificadas neste caso.

As barbatanas de tubarão normalmente são apreendidas sem o resto do peixe, que muitas vezes é descartado ainda no mar por não ser economicamente interessante trazê-lo para terra. Essa prática proibida é conhecida como “finning”.

As amostras analisadas fazem parte de uma apreensão de 3,3 toneladas de barbatanas que estavam em poder de uma empresa que não conseguiu comprovar a venda das carcaças dos animais. O Globo Natureza tentou entrar em contato com a companhia, mas não havia ninguém disponível para comentar.

O destino principal das barbatanas de tubarão capturadas nas regiões Norte e Nordeste do Brasil é o mercado asiático, segundo o Ibama. Até 100 milhões de tubarões são abatidos anualmente no mundo, segundo estimativas do setor.

Na China, por exemplo, a sopa de barbatana de tubarão é um prato caro e muito apreciado. Para uma mesa ocidental, a iguaria nada tem de especial: um líquido pegajoso e sem graça, tendo como um único sabor o da salsa que o acompanha.

Mas para os chineses, a barbatana de tubarão é uma experiência culinária fora do comum, e o sabor é o que menos importa.

Como o prato custa caro, consumi-lo ou oferecê-lo a parceiros de negócios, familiares ou amigos garante status social, um elemento chave na cultura chinesa.

“Os banquetes importantes, em particular os casamentos, incluem a sopa. Isso é muito importante para a classe média, que pode mostrar, assim, à sociedade que também pode se servir o prato”, explica Veronika Mak, antropóloga da Universidade de Hong Kong.

Tamanho – O tamanho e o aspecto da barbatana é o que importa na preparação da sopa. As dorsais são mais caras que as ventrais ou peitorais, mas a cauda também é bastante apreciada, segundo os vendedores. As partes do tubarão-tigre são as mais procuradas.

De acordo com a medicina tradicional chinesa, comer barbatanas fortalece a saúde e os ossos.

No restaurante Fung Shing, em Hong Kong, responsável pelo preparo de 200 kg de barbatanas por semana, uma sopa para 12 pessoas custa 1.080 dólares de Hong Kong (cerca de R$ 217).

“Se você organiza um banquete, é falta de etiqueta não oferecer a sopa de barbatana”, afirma Tam Kwok King, dono do estabelecimento.

Na cozinha, as barbatanas secas são colocadas na água por horas, até que fiquem com uma aparência pegajosa, quando são colocadas numa panela com especiarias e temperos. Depois, elas são transferidas para a sopa, que será cozinhada em fogo baixo por cerca de quatro horas, até que as barbatanas fiquem transparentes e reduzidas.

O sucesso desta sopa entre os chineses provoca a drástica redução da população de tubarões, predadores que desempenham papel chave na cadeia alimentar submarina, reclamam os ambientalistas, que criticam ainda o “finning” por fazer com que o peixe morra lentamente por não poder mais nadar.

“A maioria dos meus amigos pensa que consumir as barbatanas de vez em quando não representa um problema. Mas é o consumo ocasional que leva numerosos barcos a caçar tubarões no mundo”, afirma Silvy Pun, representante do Fundo Mundial da Natureza (WWF, na sigla em inglês), em Hong Kong. “Matamos um tubarão somente para consumir 2,5% dele quando são necessários dez anos para que ele alcance a maturidade”, lamenta.

Fonte: G1






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8 de março de 2012 | nenhum comentário »

Nova espécie de tubarão é identificada em Galápagos

O animal, que vive em águas profundas, tem aproximadamente 40 centímetros de comprimento

Cientistas da Academia de Ciências da Califórnia, nos Estados Unidos, identificaram uma nova espécie de tubarão. Ela foi encontrada na região das ilhas Galápagos, vivendo em águas profundas – entre 400 a 600 metros abaixo da superfície. A espécie recém-descrita (Bythaelurus giddingsi) foi apresentada na edição de 5 de março da revista Zootaxa.

O animal tem aproximadamente 40 centímetros de comprimento e uma coloração marrom, com pequenas manchas pálidas, irregularmente distribuídas em seu corpo, lembrando a pele de uma onça-pintada. Os padrões, segundo os pesquisadores, parecem ser únicos para cada indivíduo. Ele pertence à família Scyliorhinidae, a mesma do tubarão conhecido no Brasil como pata-roxa (Scyliorhinus canicula), uma das menores e mais abundantes no Atlântico.

“A descoberta de uma nova espécie de tubarão é sempre interessante, especialmente neste momento em que os tubarões estão enfrentando uma incrível pressão”, conta John McCosker, presidente do setor de Biologia Aquática da Academia e coordenador da pesquisa. “Muitas espécies se tornaram localmente raras e outras estão em vias de extinção devido a intensa captura de animais para abastecer o comércio de barbatanas”, diz.

A primeira expedição científica da Academia de Ciências da Califórnia pelas ilhas Galápagos ocorreu em 1905. Desde então, diversas viagens foram realizadas. Como resultado, a instituição hoje é lar da maior coleção do mundo de espécimes científicos originários dessa região. Dezenas de novas espécies marinhas foram descobertas pela Academia nas últimas décadas.

Nos anos 1990, McCosker realizou uma série de mergulhos a bordo do veículo submersível Johnson Sea Link para explorar a vida marinha no arquipélago. Estes submarinos permitem aos cientistas explorarem uma vasta parte de Galápagos que não era acessível a Charles Darwin, por exemplo, que esteve na região quando viajou pelo mundo no navio Beagle, de 1831 a 1836. McCosker coletou sete exemplares do novo animal em expedições realizadas no local em 1995 e 1998, mas só conseguiu identificá-los como uma espécie inédita agora.

O Bythaelurus giddingsi é pequeno, de pele marrom com pequenas manchas claras e vive a mais de 400 metros abaixo da superfície do mar

O 'Bythaelurus giddingsi' é pequeno, de pele marrom com pequenas manchas claras e vive a mais de 400 metros abaixo da superfície do mar (California Academy of Sciences)

Fonte: Veja Ciência


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Para mergulhador, tubarões são ‘dóceis companheiros de trabalho’

Klaus Jost faz campanha para proteger os tubarões e diz que os temidos animais não têm nada de ‘comedores de gente’.

O fotógrafo e engenheiro marítimo Klaus Jost mergulha há anos ao lado de tubarões, em várias partes do mundo, e vê os temidos animais como companheiros de trabalho.

‘Ao todo, passei milhares de horas debaixo d’água. Sempre houve tubarões, mas nunca tive problemas com eles. Esses temidos habitantes dos oceanos não têm nada de comedores de homens e monstros agressivos. Na verdade, muitos poucos dos 460 tipos de tubarão descobertos até agora representam uma ameaça para humanos’, diz ele.

O interesse pelos animais começou quando ele trabalhava como engenheiro na construção de grandes portos ao redor do mundo, em lugares como Kuwait, Paquistão, Costa do Marfim, África do Sul, Egito e Guiné.

‘Tubarões são fantásticos. Se você já viu um tubarão debaixo d’água, nunca vai esquecê-lo’, disse Jost à BBC Brasil.

Desde 2001, Jost passou a se dedicar à fotografia de natureza e submarina. Seu objetivo é documentar espécies de tubarão ameaçadas de extinção e chamar atenção para a caça dos animais.

‘A exportação de barbatana de tubarão (usada em sopas, na China) para o Oriente vem aumentando. O pior é que os tubarões são pegos, suas barbatanas, cortadas, e eles são jogados de volta no mar ainda vivos, para morrerem de forma terrível.’

Tubarão (Foto: Klaus Jost/BBC)

OO interesse de Klaus Jost por tubarões começou quando ele trabalhava na construção de portos (Foto: Klaus Jost/BBC)

Dois tubarões gália branca, o tipo mais comum encontrado nos corais do Indo-Pacífico (Foto: Klaus Jost/BBC)

Dois tubarões gália branca, o tipo mais comum encontrado nos corais do Indo-Pacífico (Foto: Klaus Jost/BBC)

Esta foto mostra um tubarão gália preta (Foto: Klaus Jost/BBC)

Esta foto mostra um tubarão gália preta (Foto: Klaus Jost/BBC)

Tubarão-touro que Jost apelidou de "vovó", devido a sua natureza dócil e relaxada (Foto: Klaus Jost/BBC)

Tubarão-touro que Jost apelidou de "vovó", devido a sua natureza dócil e relaxada (Foto: Klaus Jost/BBC)

O tubarão-touro também pode viver em água doce (Foto: Klaus Jost/BBC)

O tubarão-touro também pode viver em água doce (Foto: Klaus Jost/BBC)

Fonte: BBC


6 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Teste de DNA aponta irregularidade no comércio de barbatana de tubarão

Amostras de barbatanas de tubarão apreendidas pelo Ibama no Pará passaram por uma análise de DNA na Universidade Estadual Paulista (Unesp) que demonstrou que não há rigor no controle das espécies pescadas. De 152 amostras analisadas, 31% não correspondiam à espécie declarada pela empresa autuada – tubarão-azul, muito comum no litoral brasileiro.

A legislação exige 100% de precisão para não colocar em risco espécies ameaçadas. Pelo menos duas outras espécies foram identificadas neste caso.

As barbatanas de tubarão normalmente são apreendidas sem o resto do peixe, que muitas vezes é descartado ainda no mar por não ser economicamente interessante trazê-lo para terra. Essa prática proibida é conhecida como “finning”.

As amostras analisadas fazem parte de uma apreensão de 3,3 toneladas de barbatanas que estavam em poder de uma empresa que não conseguiu comprovar a venda das carcaças dos animais. O Globo Natureza tentou entrar em contato com a companhia, mas não havia ninguém disponível para comentar.

O destino principal das barbatanas de tubarão capturadas nas regiões Norte e Nordeste do Brasil é o mercado asiático, segundo o Ibama. Até 100 milhões de tubarões são abatidos anualmente no mundo, segundo estimativas do setor.

Na China, por exemplo, a sopa de barbatana de tubarão é um prato caro e muito apreciado. Para uma mesa ocidental, a iguaria nada tem de especial: um líquido pegajoso e sem graça, tendo como um único sabor o da salsa que o acompanha.

Mas para os chineses, a barbatana de tubarão é uma experiência culinária fora do comum, e o sabor é o que menos importa.

Como o prato custa caro, consumi-lo ou oferecê-lo a parceiros de negócios, familiares ou amigos garante status social, um elemento chave na cultura chinesa.

“Os banquetes importantes, em particular os casamentos, incluem a sopa. Isso é muito importante para a classe média, que pode mostrar, assim, à sociedade que também pode se servir o prato”, explica Veronika Mak, antropóloga da Universidade de Hong Kong.

Tamanho – O tamanho e o aspecto da barbatana é o que importa na preparação da sopa. As dorsais são mais caras que as ventrais ou peitorais, mas a cauda também é bastante apreciada, segundo os vendedores. As partes do tubarão-tigre são as mais procuradas.

De acordo com a medicina tradicional chinesa, comer barbatanas fortalece a saúde e os ossos.

No restaurante Fung Shing, em Hong Kong, responsável pelo preparo de 200 kg de barbatanas por semana, uma sopa para 12 pessoas custa 1.080 dólares de Hong Kong (cerca de R$ 217).

“Se você organiza um banquete, é falta de etiqueta não oferecer a sopa de barbatana”, afirma Tam Kwok King, dono do estabelecimento.

Na cozinha, as barbatanas secas são colocadas na água por horas, até que fiquem com uma aparência pegajosa, quando são colocadas numa panela com especiarias e temperos. Depois, elas são transferidas para a sopa, que será cozinhada em fogo baixo por cerca de quatro horas, até que as barbatanas fiquem transparentes e reduzidas.

O sucesso desta sopa entre os chineses provoca a drástica redução da população de tubarões, predadores que desempenham papel chave na cadeia alimentar submarina, reclamam os ambientalistas, que criticam ainda o “finning” por fazer com que o peixe morra lentamente por não poder mais nadar.

“A maioria dos meus amigos pensa que consumir as barbatanas de vez em quando não representa um problema. Mas é o consumo ocasional que leva numerosos barcos a caçar tubarões no mundo”, afirma Silvy Pun, representante do Fundo Mundial da Natureza (WWF, na sigla em inglês), em Hong Kong. “Matamos um tubarão somente para consumir 2,5% dele quando são necessários dez anos para que ele alcance a maturidade”, lamenta.

Fonte: G1