18 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Floresta intercalada a plantações de cana reduz emissões de CO2

O Brasil precisa ter áreas significativas de florestas ao redor das plantações de cana para ter mais eficiência no sequestro de carbono.

Essa é a conclusão de um grupo de cientistas liderado pelo biólogo da USP Marcos Buckeridge, diretor científico do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia.

Em artigo aprovado pela revista Global Change Biology Bioenergy, ele e colegas afirmam que áreas florestais intercaladas com a cana, técnica batizada de caminho de meio, reduziria o impacto da produção quanto às emissões de carbono.

Isso aconteceria principalmente onde ainda são feitas queimadas após a colheita.

EMISSÕES

Hoje, 75% das emissões de carbono do Brasil vêm da atividade agropecuária.

A cana consegue absorver cerca de 7,4 toneladas de carbono por hectare a cada ano.

Em média, estima-se que a plantação emita 800 kg de carbono a mais por ano do que é capaz de absorver, por causa das emissões do transporte e da queima.

As florestas absorvem 17 vezes mais: 140 toneladas ao ano. Essa taxa é ainda maior nas florestas mais novas (de até 30 anos) e em fase de crescimento.

Os pesquisadores querem agora a área de floresta necessária para reduzir os impactos da produção.

Vamos levantar quantas florestas ainda existem na região dos canaviais de São Paulo para ver quanto mais teríamos de plantar, afirma Buckeridge.

Ele participou de um evento internacional da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) sobre Bioetanol, que vai até amanhã, em Campos do Jordão (SP).

O biólogo quer calcular quanto carbono é armazenado por esses fragmentos de floresta e analisar os benefícios que a presença de áreas florestadas podem trazer ao cultivo.

Esse trabalho será feito em parceria com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e deve ficar pronto em dois meses.

É uma pena não termos os dados antes da votação do Código Florestal [que tramita no Senado].

O novo código prevê a redução de áreas florestais para aumentar atividade agropecuária em regiões como margens de rios.


Fonte: Sabine Righetti, enviada a Campos de Jordão(SP), Folha.com


18 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Eficiência vegetal

Etanol brasileiro ainda é a mais promissora forma de uso da bioenergia.

As constantes disparadas no preço do petróleo e a crescente preocupação com o meio ambiente fizeram muitos países voltarem seus olhos para a bioenergia como alternativa tanto para movimentar suas frotas de veículos quanto para gerar eletricidade. E o Brasil tem todas as condições de manter a liderança na área. Segundo Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o álcool de cana-de-açúcar brasileiro continuará sendo a mais promissora tecnologia de bioenergia disponível no planeta, não devendo ser superada tão cedo.

Milho modificado para produzir mais álcool gera polêmica nos EUA – Atualmente, cientistas estudam desde microalgas e bactérias geneticamente modificadas até o sorgo sacarino e plantas suculentas do gênero Jatropha – que inclui a brasileiríssima mamona – como fontes potenciais para a produção de biocombustíveis. Nenhuma destas opções, no entanto, está perto da economia, produtividade e escala já alcançados pela cana.

“Todas as outras alternativas apresentadas até agora têm um custo econômico e/ou ecológico maior que o sistema brasileiro de fermentar a sacarose da cana” conta Cruz, que participa da 1ª Conferência Brasileira de Ciência e Tecnologia em Bioenergia, evento que reúne esta semana especialistas, pesquisadores e empreendedores em discussões sobre os avanços na área.

De acordo com Cruz, o pioneirismo no uso do álcool faz com que o Brasil tenha uma rara liderança em uma questão que envolve ciência e tecnologia. Ele lembra que, ao contrário do que se pensa, essa vantagem não começou a ser construída só com o Pró-Álcool, nos anos 70, mas muito antes, em 1929, quando foi publicada a primeira lei que determinava a adição de álcool à gasolina.

“Essa liderança na bioenergia aconteceu porque entramos neste ramo bem antes dos demais países. Nossa relação com cana, álcool e açúcar é bem antiga e vem desde os tempos de colônia”, avalia.

O diretor da Fapesp destaca, no entanto, que a cana não pode ser usada por todos os países, já que a planta não se adapta a climas mais frios. A aposta dos EUA no etanol de milho, no entanto, é considerada “uma tragédia” por Cruz. Segundo ele, enquanto a cana gasta uma unidade de energia de combustíveis fósseis para gerar nove novas unidades, no milho essa proporção fica entre 0,8 e 1,3 unidade de energia geradas a partir de cada uma gasta.

“Ou seja, no etanol de milho, ou se perde ou se ganha muito pouco” afirma.

Para tentar melhorar essa conta, agricultores americanos começaram a plantar recentemente a primeira cultura de milho geneticamente modificado para produzir mais etanol. O milho, desenvolvido pela empresa suíça de pesticidas Syngenta, contém um gene a mais para que produza a enzima amilase, que acelera a quebra de seus carboidratos em etanol. As usinas de álcool geralmente têm que adicionar a enzima ao milho para fabricar o etanol.

Chamado Enogen, o milho modificado está sendo plantado comercialmente pela primeira vez em cerca de 5 mil acres de terra nos limites do chamado “cinturão do milho americano” no estado de Kansas.

Para Cruz, o etanol de celulose é a melhor e mais promissora aposta para o futuro, além da cana, apesar de admitir que ele só deve atingir o custo competitivo do álcool de cana daqui a 15 anos ou mais. Isso porque ainda há muitos problemas técnicos para que os resíduos de plantas sejam usados em grande escala.

“O etanol de celulose ainda requer que alguns obstáculos tecnológicos sejam vencidos para se tornar comercialmente viável”, aponta Cruz, lembrando que a concorrência dos biocombustíveis não é entre si, mas com o petróleo, cujo preço é que determina sua viabilidade.

Diante disso, o diretor científico da Fapesp indica o aumento da produtividade da cana como principal desafio do Brasil. Embora a produtividade já tenha crescido muito – de menos de 50 toneladas por hectare em meados dos anos 70 para mais de 80 toneladas hoje -, ele afirma que é preciso investir mais no seu melhoramento genético, até agora feito apenas por métodos tradicionais.

“Está na hora de introduzir a biologia molecular e a genômica na cana para a produtividade aumentar”, defende.

Segundo Cruz, se a cana fosse uma planta “perfeita”, isto é, convertesse toda energia do Sol absorvida pelas folhas, o gás carbônico do ar e os nutrientes do solo em biomassa, sua produtividade máxima alcançaria 318 toneladas por hectare plantado.

“Assim, ir para umas 200 toneladas por hectare já estaria muito bom”, disse, acrescentando que, para isso, a Fapesp e empresas parceiras estão investindo mais de R$ 80 milhões na área de bioenergia, grande parte dos recursos em engenharia genética.

Quanto às críticas de que a bioenergia vai piorar a segurança alimentar do mundo ao deslocar parte da produção agrícola e terras férteis para a geração de energia, Cruz argumenta que isso depende muito de como e onde isso acontecerá. De acordo com ele, nos EUA e na Europa o maior uso de bioenergia realmente significará a substituição de uma colheita por outra, pois não há muitas terras ociosas. Já em África, Brasil e restante da América Latina a realidade é diferente, com produção podendo ser expandida tanto para terras ainda não usadas quanto para áreas que serviram de pasto no passado e hoje estão abandonadas.

“O Brasil usa atualmente 4 milhões de hectares para a produção de álcool e poderia elevar esse número para 20 milhões de hectares sem deslocar nenhuma cultura de alimento” contabiliza. Some-se ainda a isso os esperados ganhos de produtividade e o resultado é que o Brasil, sozinho, poderia facilmente fornecer álcool para o mundo substituir 5% da gasolina que consome hoje.

Fonte: O Globo






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Floresta intercalada a plantações de cana reduz emissões de CO2

O Brasil precisa ter áreas significativas de florestas ao redor das plantações de cana para ter mais eficiência no sequestro de carbono.

Essa é a conclusão de um grupo de cientistas liderado pelo biólogo da USP Marcos Buckeridge, diretor científico do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia.

Em artigo aprovado pela revista Global Change Biology Bioenergy, ele e colegas afirmam que áreas florestais intercaladas com a cana, técnica batizada de caminho de meio, reduziria o impacto da produção quanto às emissões de carbono.

Isso aconteceria principalmente onde ainda são feitas queimadas após a colheita.

EMISSÕES

Hoje, 75% das emissões de carbono do Brasil vêm da atividade agropecuária.

A cana consegue absorver cerca de 7,4 toneladas de carbono por hectare a cada ano.

Em média, estima-se que a plantação emita 800 kg de carbono a mais por ano do que é capaz de absorver, por causa das emissões do transporte e da queima.

As florestas absorvem 17 vezes mais: 140 toneladas ao ano. Essa taxa é ainda maior nas florestas mais novas (de até 30 anos) e em fase de crescimento.

Os pesquisadores querem agora a área de floresta necessária para reduzir os impactos da produção.

Vamos levantar quantas florestas ainda existem na região dos canaviais de São Paulo para ver quanto mais teríamos de plantar, afirma Buckeridge.

Ele participou de um evento internacional da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) sobre Bioetanol, que vai até amanhã, em Campos do Jordão (SP).

O biólogo quer calcular quanto carbono é armazenado por esses fragmentos de floresta e analisar os benefícios que a presença de áreas florestadas podem trazer ao cultivo.

Esse trabalho será feito em parceria com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e deve ficar pronto em dois meses.

É uma pena não termos os dados antes da votação do Código Florestal [que tramita no Senado].

O novo código prevê a redução de áreas florestais para aumentar atividade agropecuária em regiões como margens de rios.


Fonte: Sabine Righetti, enviada a Campos de Jordão(SP), Folha.com


18 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Eficiência vegetal

Etanol brasileiro ainda é a mais promissora forma de uso da bioenergia.

As constantes disparadas no preço do petróleo e a crescente preocupação com o meio ambiente fizeram muitos países voltarem seus olhos para a bioenergia como alternativa tanto para movimentar suas frotas de veículos quanto para gerar eletricidade. E o Brasil tem todas as condições de manter a liderança na área. Segundo Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o álcool de cana-de-açúcar brasileiro continuará sendo a mais promissora tecnologia de bioenergia disponível no planeta, não devendo ser superada tão cedo.

Milho modificado para produzir mais álcool gera polêmica nos EUA – Atualmente, cientistas estudam desde microalgas e bactérias geneticamente modificadas até o sorgo sacarino e plantas suculentas do gênero Jatropha – que inclui a brasileiríssima mamona – como fontes potenciais para a produção de biocombustíveis. Nenhuma destas opções, no entanto, está perto da economia, produtividade e escala já alcançados pela cana.

“Todas as outras alternativas apresentadas até agora têm um custo econômico e/ou ecológico maior que o sistema brasileiro de fermentar a sacarose da cana” conta Cruz, que participa da 1ª Conferência Brasileira de Ciência e Tecnologia em Bioenergia, evento que reúne esta semana especialistas, pesquisadores e empreendedores em discussões sobre os avanços na área.

De acordo com Cruz, o pioneirismo no uso do álcool faz com que o Brasil tenha uma rara liderança em uma questão que envolve ciência e tecnologia. Ele lembra que, ao contrário do que se pensa, essa vantagem não começou a ser construída só com o Pró-Álcool, nos anos 70, mas muito antes, em 1929, quando foi publicada a primeira lei que determinava a adição de álcool à gasolina.

“Essa liderança na bioenergia aconteceu porque entramos neste ramo bem antes dos demais países. Nossa relação com cana, álcool e açúcar é bem antiga e vem desde os tempos de colônia”, avalia.

O diretor da Fapesp destaca, no entanto, que a cana não pode ser usada por todos os países, já que a planta não se adapta a climas mais frios. A aposta dos EUA no etanol de milho, no entanto, é considerada “uma tragédia” por Cruz. Segundo ele, enquanto a cana gasta uma unidade de energia de combustíveis fósseis para gerar nove novas unidades, no milho essa proporção fica entre 0,8 e 1,3 unidade de energia geradas a partir de cada uma gasta.

“Ou seja, no etanol de milho, ou se perde ou se ganha muito pouco” afirma.

Para tentar melhorar essa conta, agricultores americanos começaram a plantar recentemente a primeira cultura de milho geneticamente modificado para produzir mais etanol. O milho, desenvolvido pela empresa suíça de pesticidas Syngenta, contém um gene a mais para que produza a enzima amilase, que acelera a quebra de seus carboidratos em etanol. As usinas de álcool geralmente têm que adicionar a enzima ao milho para fabricar o etanol.

Chamado Enogen, o milho modificado está sendo plantado comercialmente pela primeira vez em cerca de 5 mil acres de terra nos limites do chamado “cinturão do milho americano” no estado de Kansas.

Para Cruz, o etanol de celulose é a melhor e mais promissora aposta para o futuro, além da cana, apesar de admitir que ele só deve atingir o custo competitivo do álcool de cana daqui a 15 anos ou mais. Isso porque ainda há muitos problemas técnicos para que os resíduos de plantas sejam usados em grande escala.

“O etanol de celulose ainda requer que alguns obstáculos tecnológicos sejam vencidos para se tornar comercialmente viável”, aponta Cruz, lembrando que a concorrência dos biocombustíveis não é entre si, mas com o petróleo, cujo preço é que determina sua viabilidade.

Diante disso, o diretor científico da Fapesp indica o aumento da produtividade da cana como principal desafio do Brasil. Embora a produtividade já tenha crescido muito – de menos de 50 toneladas por hectare em meados dos anos 70 para mais de 80 toneladas hoje -, ele afirma que é preciso investir mais no seu melhoramento genético, até agora feito apenas por métodos tradicionais.

“Está na hora de introduzir a biologia molecular e a genômica na cana para a produtividade aumentar”, defende.

Segundo Cruz, se a cana fosse uma planta “perfeita”, isto é, convertesse toda energia do Sol absorvida pelas folhas, o gás carbônico do ar e os nutrientes do solo em biomassa, sua produtividade máxima alcançaria 318 toneladas por hectare plantado.

“Assim, ir para umas 200 toneladas por hectare já estaria muito bom”, disse, acrescentando que, para isso, a Fapesp e empresas parceiras estão investindo mais de R$ 80 milhões na área de bioenergia, grande parte dos recursos em engenharia genética.

Quanto às críticas de que a bioenergia vai piorar a segurança alimentar do mundo ao deslocar parte da produção agrícola e terras férteis para a geração de energia, Cruz argumenta que isso depende muito de como e onde isso acontecerá. De acordo com ele, nos EUA e na Europa o maior uso de bioenergia realmente significará a substituição de uma colheita por outra, pois não há muitas terras ociosas. Já em África, Brasil e restante da América Latina a realidade é diferente, com produção podendo ser expandida tanto para terras ainda não usadas quanto para áreas que serviram de pasto no passado e hoje estão abandonadas.

“O Brasil usa atualmente 4 milhões de hectares para a produção de álcool e poderia elevar esse número para 20 milhões de hectares sem deslocar nenhuma cultura de alimento” contabiliza. Some-se ainda a isso os esperados ganhos de produtividade e o resultado é que o Brasil, sozinho, poderia facilmente fornecer álcool para o mundo substituir 5% da gasolina que consome hoje.

Fonte: O Globo