31 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Mata Atlântica perdeu 133 km² de vegetação em um ano, afirma censo

Desmatamento caiu 57% na comparação com último levantamento.
Minas Gerais liderou o desmatamento no período, segundo dados do Inpe.

Área de Mata Atlântica no estado do RJ. Censo ajudará na criação de políticas de preservação (Foto: Divulgação/Governo do Rio de Janeiro)

Área de Mata Atlântica no estado do RJ. No Brasil, bioma perdeu 133 km² de cobertura vegetal devido ao desmatamento entre 2010 e 2011. (Foto: Divulgação/ Governo do Rio de Janeiro)

O bioma Mata Atlântica perdeu 133 km² de área em um ano no Brasil, segundo o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica divulgado nesta terça-feira (29) pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe) e pela Fundação SOS Mata Atlântica, que analisou o período entre 2010 e 2011.

O ritmo de desmatamento caiu 57% se comparado com o período 2008 – 2010, quando o bioma perdeu ao todo 311 km².

No novo período medido, Minas Gerais liderou o desmatamento, com 63 km². A Bahia ficou na segunda posição, com desflorestamento de 46 km². Na sequência estão o vêm Mato Grosso do Sul (5,8 km²), Santa Catarina (5,6 km²), Espírito Santo (3,6 km²), São Paulo (2,1 km²) e Rio Grande do Sul (1,1 km²). Rio de Janeiro, Paraná e Goiás registraram desmatamento inferior a 1 km²

Os Estados de Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo foram avaliados parcialmente no estudo, por causa da cobertura de nuvens que prejudicou a captação de imagens por satélite. O estudo analisou dez dos 17 Estados que possuem o bioma, que representam 93% da área total de Mata Atlântica.

Desmatamento estável
“Embora tenha tido uma leve queda, provavelmente o índice apresentado hoje seria maior se não tivéssemos problemas com nuvens. O (ritmo de) desmatamento continua estável, o que é preocupante”, disse a coordenadora do Atlas pelo SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota, em referência a Minas Gerais e Bahia, que encabeçam o ranking dos que mais desmataram no período.

Em relação aos municípios, os pesquisadores alertam para a região que chamam de “triângulo do desmatamento”, entre Bahia e Minas Gerais. No ranking dos municípios, cidades dos dois Estados ficam no topo.

Nos últimos 25 anos, a Mata Atlântica perdeu 17.354 km² (quase três vezes o tamanho do Distrito Federal) ficando reduzida a 7,9% de sua área original, se considerados os remanescentes florestais em fragmentos acima de 100 hectares, representativos para a conservação de biodiversidade.

Fonte: G1

 


1 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Genética pode ser aplicada na conservação de árvores do cerrado

Pesquisadores de Goiás conduziram a pesquisa com o baru.
Projeto selecionou genes e criou população com grande diversidade.

O estudo da genética oferece ferramentas para proteger espécies antes mesmo que elas estejam, de fato, ameaçadas de extinção. É o objetivo de uma equipe da Universidade Federal de Goiás (UFG), coordenada por Mariana Telles, professora de genética de populações.

Eles estão preocupados com o futuro do cerrado, segundo maior bioma do Brasil, que só perde em extensão para a Amazônia. A vegetação é predominante no Centro-Oeste, em Minas Gerais, em Tocantins e em algumas partes do Nordeste.

O baru é uma árvore típica da região e sofre com o extrativismo – a semente é consumida como uma iguaria, o que afeta a reprodução da planta. Ela ainda está longe da extinção, mas foi escolhida para um estudo dos especialistas da UFG.

Eles pesquisaram populações de barus ao longo de toda a área do cerrado, observando as características de cada uma delas. Essas características são predeterminadas por variantes genéticas – os alelos. Então, eles decidiram juntar as populações com a maior diversidade possível desses alelos e colocar numa só população as características de toda uma espécie.

“A ideia é usar ferramentas da genética molecular para entender o processo evolutivo, isso é a genética de populações”, explicou a professora. “Só que a genética de populações tem se comunicado com outras áreas, como a ecologia e a agronomia e, nesse sentido, auxiliado não só no entendimento desses processos evolutivos, mas como isso pode ser usado para a conservação”, completou.

Dessa forma, eles escolheram sete populações de barus de diferentes pontos, englobando características diversas e levaram para Goiânia. O número de populações coletadas tem que ser pequeno para que o projeto seja viável.

Política pública
“Se a gente pensar em política pública, por exemplo, os recursos são limitados, não dá para conservar todas [as populações]. A gente precisa de estratégias para minimizar custos sem perder nada em termos de conservação”, reconheceu Telles.

Essa pesquisa em si não traz resultados tão significativos para a preservação da espécie, mas serve de exemplo, mostra que as ferramentas já existem. “A gente (UFG), enquanto instituição, não tem condições de decidir nada, mas a gente tem argumentos para ajudar numa decisão”, disse a professora.

O Centro-Oeste depende economicamente da agropecuária, que, em vários casos, invade as áreas do cerrado e descaracteriza o bioma original. Porém, tratar os fazendeiros como inimigos não é uma opção. “A gente precisa da soja, então é um desafio conseguir equalizar essas duas coisas”, lembrou a pesquisadora.

“Se a gente tiver algum sistema de incentivo para um empresário manter as áreas que preservam um bioma qualquer, acho que é uma moeda de troca interessante para ele, que não tem essa visão romântica de conservação”, sugeriu Telles, pensando nos incentivos fiscais como alternativa para o futuro do cerrado.

“Eu acho que o Ministério do Meio Ambiente, o Ministério da Ciência e Tecnologia [e Inovação] e o Ministério da Agricultura precisam conversar efetivamente e planejar em conjunto”, completou.

Baru é uma árvore típica do cerrado (Foto: UFG)

Baru é uma árvore típica do cerrado (Foto: UFG)

Fonte: Tadeu Meniconi, G1, Águas de Lindoia(SP)


4 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Cerrado pode ser monitorado por satélite mensalmente a partir de 2012

Inpe pode ‘vigiar’ bioma por sistema que mede desmatamento da Amazônia.
Governo afirma que ação está nos planos do Ministério do Meio Ambiente.

O combate ao desmatamento do cerrado pode ser intensificado no próximo ano com a implantação de monitoramento por satélite nos moldes do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que verifica a devastação na Amazônia.

A informação foi divulgada ao Globo Natureza pelo diretor da instituição, Gilberto Câmara. Segundo ele, o Inpe está pronto para começar a monitorar o bioma, o que facilitaria a detecção de crimes ambientais numa área que abrange grande parte da Região Centro-Oeste e parte do Nordeste do Brasil.

“Queremos começar no ano que vem, mas dependemos do orçamento do governo para isso. A estimativa é que o custo para a manutenção deste sistema seja de R$ 4 milhões anuais, a mesma quantidade aplicada atualmente na vigilância do desmatamento na Amazônia”, disse Câmara.

Atualmente, o desmatamento no cerrado é medido anualmente pelo Centro de Sensoriamento Remoto do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) por meio do sistema Prodes. Esta medição é realizada há dois anos, segundo o Ministério do Meio Ambiente.

Deter do cerrado
Se o “Deter do cerrado” for implantado, os dados serão medidos a cada mês, o que proporcionaria o aumento na fiscalização. Hoje, apenas as queimadas e focos de calor que atingem o bioma são medidos em tempo real pelo Inpe.

“O sistema seria um benefício para o Brasil e o valor (orçamento para o sistema) não é nada, se comparado ao retorno”, afirmou o diretor do Inpe.

Com uma área total de 2.039.286 km², em abril o Ministério do Meio Ambiente divulgou que o bioma perdeu 7.637 km² de sua vegetação original entre 2008 e 2009, dados mais recentes disponíveis. A perda equivale a cinco vezes o tamanho do município de São Paulo.

O cerrado sofre regularmente com incêndios criminosos, provocados em grande parte em benefício da atividade agropecuária, e com atividades carvoeiras. No último levantamento, o estado que mais desmatou foi Maranhão (2.338 km²), seguido de Tocantins (1.311 km²) e Bahia (1.000 km²).

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a proposta de monitorar mensalmente o desmatamento no cerrado está dentro do Plano Plurianual, que rege as políticas públicas do governo federal entre 2012 e 2015.

Existem ainda outros dez planos setoriais de combate ao desmatamento e ações em favor das florestas que ainda não têm orçamento definido. O PPA precisa ser enviado ao Congresso até 31 de agosto para ser aprovado pelo Ministério do Planejamento, que dá o aval para a liberação de verbas.

África
A tecnologia de monitoramento desenvolvida pelo Inpe para detectar a devastação da Amazônia foi adotada pela República Democrática do Congo, país africano que é o segundo no mundo com maior cobertura de florestas tropicais (atrás apenas do Brasil).

O sistema operacional do Congo será lançado durante a COP 17, encontro da Organização das Nações Unidas que debate ações para conter as mudanças do clima e que ocorrerá em novembro, na África do Sul.

De acordo com Cláudio Almeida, chefe do Centro Regional da Amazônia, unidade do Inpe localizada no Pará, o país africano foi o primeiro a adotar o sistema operacional. “Estamos capacitando técnicos de várias partes do mundo e estão previstos mais cursos para a Bacia do Congo, além da América Latina e Ásia”, disse o pesquisador.

Plantação no cerrado, em Goiás (Foto: Marcelo Nunes)

Plantação no cerrado, em Goiás (Foto: Marcelo Nunes)

Fonte: Eduardo Carvalho, do Globo Natureza, em São Paulo


27 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Ritmo do desmatamento da Mata Atlântica cai 55%

Inpe e SOS Mata Atlântica apresentaram novo atlas do bioma.
Foram destruídos 311 km² de floresta entre 2008 e 2010; MG lidera.

O Brasil perdeu 31.195 hectares (311,95 km²) de Mata Atlântica entre 2008 e 2010, mas houve redução de 55% no ritmo de desmatamento desse bioma, informaram nesta quinta-feira (26) a organização SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ao apresentarem um novo atlas feito a partir de imagens de satélite.

A área desmatada equivale a 194 vezes o Parque Ibirapuera, em São Paulo. A redução de 55% ocorreu em relação ao período entre 2005 e 2008, coberto pela análise anterior, numa comparação anualizada.

“Comemoramos, mas temos que fazer um alerta porque identificamos perdas de florestas principalmente nas matas secas de Minas Gerais e da Bahia. Os dois municípios que perderam mais área estão nessas matas secas”, diz Márcia Hirota, uma das coordenadoras do Atlas da Mata Atlântica.

Essa paisagem natural brasileira é uma das mais ricas em biodiversidade, e até 60% de suas espécies de plantas são endêmicas, ou seja, só existem ali. Ao mesmo tempo, se estende pela porção mais populosa do país. Na área que originalmente ocupava, atualmente vivem cerca de 112 milhões de pessoas.

Com os dados atualizados, sabe-se que restam 7,9% da cobertura original da Mata Atlântica no Brasil, considerando áreas acima de 100 hectares (1 milhão de metros quadrados). Levando em conta os pequenos fragmentos de mata, com no mínimo 3 hectares (30 mil metros quadrados), restam 11,62%. “Está bem abaixo do que deveríamos ter”, avalia Marcia.

Minas lidera desmatamento
Minas Gerais é o estado que mais destruiu o bioma nesse período: foram 12.467 hectares (124 km²) de desflorestamento. A Bahia vem logo em seguida, com 7.725 hectares (77 km²). Nove dos dez municípios com mais desflorestamento estão nesses dois estados.

Na composição do atlas, foram avaliados 16 dos 17 estados que detêm pedaços de Mata Atlântica. Apenas o Piauí ficou de fora, porque os critérios sobre a formação dessa vegetação no estado estão indefinidos.

Código Florestal
A SOS Mata Atlântica atribui a queda do ritmo de destruição em parte à criação da Lei da Mata Atlântica, em 2006, que definiu a extensão e o uso da vegetação do bioma. É por isso, segundo a organização, que a aprovação do novo Código Florestal na Câmara gera preocupação, já que, em alguns pontos, o texto flexibiliza o uso da terra.

O problema do Brasil não é a lei. É a falta de capacidade de aplicar a lei”, avalia Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da ONG. “O que aconteceu com a Mata Atlântica não precisa acontecer com a Amazônia, com o Cerrado. Tivemos um modelo errado de ocupação. [O Código Florestal] é uma volta ao passado. A anistia [a quem desmatou antes de 2008] não vai melhorar nossa performance. É uma ‘deseconomia’”, avalia.

Mapa mostra em verde as áreas remanescentes de Mata Atlântica e em vermelho os pontos de desmatamento no período de 2008 a 2010. (Foto: Divulgação)

Mapa mostra em verde as áreas remanescentes de Mata Atlântica e em vermelho os pontos de desmatamento no período de 2008 a 2010. (Foto: Divulgação)

 

Fonte:Globo Natureza, em São Paulo, Dennis Barbosa.


7 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Estudo indica dez florestas mais ameaçadas do mundo

Mata Atlântica está na lista, feita pela ONG Conservação Internacional.
Nações Unidas lançam 2011 como o ‘Ano Internacional das Florestas’.

A organização não governamental (ONG) Conservação Internacional (CI) lançou nesta quarta-feira (2) uma pesquisa que lista as dez florestas mais ameaçadas em todo o mundo. A divulgação do estudo ocorre na mesma data em que a Organização das Nações Unidas (ONU) promove oficialmente 2011 como o “Ano Internacional das Florestas”.

Todas as florestas consideradas como as mais ameaçadas pela CI já perderam 90% ou mais de sua cobertura vegetal e cada uma abriga pelo menos 1.500 espécies que só existem em nível local. De acordo com a ONG, as áreas têm espécies que estão sob o risco de extinção.

O bioma brasileiro da Mata Atlântica aparece como a quinta vegetação mais ameaçada do mundo, das quais restam apenas 8% da cobertura original, segundo a ONG. Já a floresta com maior risco de extinção fica na Indo-Birmânia, na Ásia, e já teve 95% de sua vegetação original destruída.

A lista da CI segue com a segunda vegetação mais ameaçada, que está em florestas tropicais da Nova Zelândia, também com 5% de cobertura original, seguida da floresta de sunda, na Indonésia, Malásia e Brunei (7% de cobertura original), a de Filipinas (7%), a Mata Atlântica no Brasil (8%), as montanhas das regiões central e sul da China (8%) e florestas da Califórnia, nos EUA (10%).

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De acordo com a ONG, a oitava floresta mais ameaçada do mundo fica na costa oriental da África e tem 10% da vegetação original, seguida de florestas em Madagascar e em ilhas do Oceano Índico, ainda na África (10% de cobertura original) e das florestas de Afromontane, no mesmo continente, com 11% da vegetação original.

As ONU escolheu 2011 como o “Ano Internacional das Florestas” para chamar a atenção sobre a necessidade de preservação desses locais pelo mundo. De acordo com o órgão, as florestas cobrem 30% da área do Planeta, mas abrigam 80% da biodiversidade mundial.

Fonte: Globo Natureza


15 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Remanescente de Mata Atlântica preserva aves

Estudo feito no remanescente de Mata Atlântica, em Pombos, identificou 11 espécies endêmicas, 10 delas ameaçadas de extinção

Levantamento realizado em fragmento florestal de Pombos, a 57 quilômetros do Recife, revela a presença de 11 espécies de aves endêmicas da Mata Atlântica, 10 delas consideradas ameaçadas de extinção. A pesquisa foi feita entre abril de 2007 e maio de 2008 na Mata da Ronda, um remanescente de vegetação nativa com 512 hectares. Endêmicos, lembram os especialistas em conservação, são os animais ou plantas restritos a um bioma ou região.

 

O estudo, de autoria de Gilmar Beserra de Farias, Angélica Uejima e Glauco Pereira, está na edição de julho-agosto da revista Atualidades Ornitológicas. Além de identificar as espécies, o grupo quantificou cada uma delas. A mais abundante é a choca-da-mata, pássaro de aproximadamente 15 centímetros que se alimenta de insetos. Na Mata da Ronda, a ave procura alimento no solo, ramos e folhas, ocupando diferentes planos da floresta.

 

Durante a pesquisa, os ornitólogos registraram ainda grupos de três e até de quatro tipos de aves deslocando-se sob as árvores do lugar em busca de alimento. Uma exceção à regra, uma vez que bandos de pássaros compostos de várias espécies que comem insetos são característicos de grandes extensões de floresta, e não de pequenos fragmentos.

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Para Gilmar Beserra, professor da Universidade Federal de Pernambuco (Centro Acadêmico de Vitória) e primeiro autor do artigo científico, localizar espécies endêmicas e ameaçadas de extinção é importante para nortear as políticas de conservação da biodiversidade no Nordeste.

 

“Algumas dessas aves ocorrem em ambientes restritos e apresentam certa vulnerabilidade, demandando esforços dos tomadores de decisão para a criação de uma unidade de conservação, por exemplo, com o objetivo de diminuir o risco de extinção local dessas espécies”, justifica.

 

A Mata da Ronda é um dos fragmentos do chamado Centro de Endemismo Pernambuco, compreendido pela floresta atlântica localizada entre Alagoas e Rio Grande do Norte.

 

Nessa área há 38 espécies de aves endêmicas. Já na Mata Atlântica de Pernambuco, existem 41 tipos de aves ameaçadas de extinção. No Brasil, esse ecossistema abriga 682 espécies de aves, das quais 83 estão ameaçadas de extinção e 207 são endêmicas.

Jornal do Commercio, 12/10






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31 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Mata Atlântica perdeu 133 km² de vegetação em um ano, afirma censo

Desmatamento caiu 57% na comparação com último levantamento.
Minas Gerais liderou o desmatamento no período, segundo dados do Inpe.

Área de Mata Atlântica no estado do RJ. Censo ajudará na criação de políticas de preservação (Foto: Divulgação/Governo do Rio de Janeiro)

Área de Mata Atlântica no estado do RJ. No Brasil, bioma perdeu 133 km² de cobertura vegetal devido ao desmatamento entre 2010 e 2011. (Foto: Divulgação/ Governo do Rio de Janeiro)

O bioma Mata Atlântica perdeu 133 km² de área em um ano no Brasil, segundo o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica divulgado nesta terça-feira (29) pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe) e pela Fundação SOS Mata Atlântica, que analisou o período entre 2010 e 2011.

O ritmo de desmatamento caiu 57% se comparado com o período 2008 – 2010, quando o bioma perdeu ao todo 311 km².

No novo período medido, Minas Gerais liderou o desmatamento, com 63 km². A Bahia ficou na segunda posição, com desflorestamento de 46 km². Na sequência estão o vêm Mato Grosso do Sul (5,8 km²), Santa Catarina (5,6 km²), Espírito Santo (3,6 km²), São Paulo (2,1 km²) e Rio Grande do Sul (1,1 km²). Rio de Janeiro, Paraná e Goiás registraram desmatamento inferior a 1 km²

Os Estados de Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo foram avaliados parcialmente no estudo, por causa da cobertura de nuvens que prejudicou a captação de imagens por satélite. O estudo analisou dez dos 17 Estados que possuem o bioma, que representam 93% da área total de Mata Atlântica.

Desmatamento estável
“Embora tenha tido uma leve queda, provavelmente o índice apresentado hoje seria maior se não tivéssemos problemas com nuvens. O (ritmo de) desmatamento continua estável, o que é preocupante”, disse a coordenadora do Atlas pelo SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota, em referência a Minas Gerais e Bahia, que encabeçam o ranking dos que mais desmataram no período.

Em relação aos municípios, os pesquisadores alertam para a região que chamam de “triângulo do desmatamento”, entre Bahia e Minas Gerais. No ranking dos municípios, cidades dos dois Estados ficam no topo.

Nos últimos 25 anos, a Mata Atlântica perdeu 17.354 km² (quase três vezes o tamanho do Distrito Federal) ficando reduzida a 7,9% de sua área original, se considerados os remanescentes florestais em fragmentos acima de 100 hectares, representativos para a conservação de biodiversidade.

Fonte: G1

 


1 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Genética pode ser aplicada na conservação de árvores do cerrado

Pesquisadores de Goiás conduziram a pesquisa com o baru.
Projeto selecionou genes e criou população com grande diversidade.

O estudo da genética oferece ferramentas para proteger espécies antes mesmo que elas estejam, de fato, ameaçadas de extinção. É o objetivo de uma equipe da Universidade Federal de Goiás (UFG), coordenada por Mariana Telles, professora de genética de populações.

Eles estão preocupados com o futuro do cerrado, segundo maior bioma do Brasil, que só perde em extensão para a Amazônia. A vegetação é predominante no Centro-Oeste, em Minas Gerais, em Tocantins e em algumas partes do Nordeste.

O baru é uma árvore típica da região e sofre com o extrativismo – a semente é consumida como uma iguaria, o que afeta a reprodução da planta. Ela ainda está longe da extinção, mas foi escolhida para um estudo dos especialistas da UFG.

Eles pesquisaram populações de barus ao longo de toda a área do cerrado, observando as características de cada uma delas. Essas características são predeterminadas por variantes genéticas – os alelos. Então, eles decidiram juntar as populações com a maior diversidade possível desses alelos e colocar numa só população as características de toda uma espécie.

“A ideia é usar ferramentas da genética molecular para entender o processo evolutivo, isso é a genética de populações”, explicou a professora. “Só que a genética de populações tem se comunicado com outras áreas, como a ecologia e a agronomia e, nesse sentido, auxiliado não só no entendimento desses processos evolutivos, mas como isso pode ser usado para a conservação”, completou.

Dessa forma, eles escolheram sete populações de barus de diferentes pontos, englobando características diversas e levaram para Goiânia. O número de populações coletadas tem que ser pequeno para que o projeto seja viável.

Política pública
“Se a gente pensar em política pública, por exemplo, os recursos são limitados, não dá para conservar todas [as populações]. A gente precisa de estratégias para minimizar custos sem perder nada em termos de conservação”, reconheceu Telles.

Essa pesquisa em si não traz resultados tão significativos para a preservação da espécie, mas serve de exemplo, mostra que as ferramentas já existem. “A gente (UFG), enquanto instituição, não tem condições de decidir nada, mas a gente tem argumentos para ajudar numa decisão”, disse a professora.

O Centro-Oeste depende economicamente da agropecuária, que, em vários casos, invade as áreas do cerrado e descaracteriza o bioma original. Porém, tratar os fazendeiros como inimigos não é uma opção. “A gente precisa da soja, então é um desafio conseguir equalizar essas duas coisas”, lembrou a pesquisadora.

“Se a gente tiver algum sistema de incentivo para um empresário manter as áreas que preservam um bioma qualquer, acho que é uma moeda de troca interessante para ele, que não tem essa visão romântica de conservação”, sugeriu Telles, pensando nos incentivos fiscais como alternativa para o futuro do cerrado.

“Eu acho que o Ministério do Meio Ambiente, o Ministério da Ciência e Tecnologia [e Inovação] e o Ministério da Agricultura precisam conversar efetivamente e planejar em conjunto”, completou.

Baru é uma árvore típica do cerrado (Foto: UFG)

Baru é uma árvore típica do cerrado (Foto: UFG)

Fonte: Tadeu Meniconi, G1, Águas de Lindoia(SP)


4 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Cerrado pode ser monitorado por satélite mensalmente a partir de 2012

Inpe pode ‘vigiar’ bioma por sistema que mede desmatamento da Amazônia.
Governo afirma que ação está nos planos do Ministério do Meio Ambiente.

O combate ao desmatamento do cerrado pode ser intensificado no próximo ano com a implantação de monitoramento por satélite nos moldes do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que verifica a devastação na Amazônia.

A informação foi divulgada ao Globo Natureza pelo diretor da instituição, Gilberto Câmara. Segundo ele, o Inpe está pronto para começar a monitorar o bioma, o que facilitaria a detecção de crimes ambientais numa área que abrange grande parte da Região Centro-Oeste e parte do Nordeste do Brasil.

“Queremos começar no ano que vem, mas dependemos do orçamento do governo para isso. A estimativa é que o custo para a manutenção deste sistema seja de R$ 4 milhões anuais, a mesma quantidade aplicada atualmente na vigilância do desmatamento na Amazônia”, disse Câmara.

Atualmente, o desmatamento no cerrado é medido anualmente pelo Centro de Sensoriamento Remoto do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) por meio do sistema Prodes. Esta medição é realizada há dois anos, segundo o Ministério do Meio Ambiente.

Deter do cerrado
Se o “Deter do cerrado” for implantado, os dados serão medidos a cada mês, o que proporcionaria o aumento na fiscalização. Hoje, apenas as queimadas e focos de calor que atingem o bioma são medidos em tempo real pelo Inpe.

“O sistema seria um benefício para o Brasil e o valor (orçamento para o sistema) não é nada, se comparado ao retorno”, afirmou o diretor do Inpe.

Com uma área total de 2.039.286 km², em abril o Ministério do Meio Ambiente divulgou que o bioma perdeu 7.637 km² de sua vegetação original entre 2008 e 2009, dados mais recentes disponíveis. A perda equivale a cinco vezes o tamanho do município de São Paulo.

O cerrado sofre regularmente com incêndios criminosos, provocados em grande parte em benefício da atividade agropecuária, e com atividades carvoeiras. No último levantamento, o estado que mais desmatou foi Maranhão (2.338 km²), seguido de Tocantins (1.311 km²) e Bahia (1.000 km²).

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a proposta de monitorar mensalmente o desmatamento no cerrado está dentro do Plano Plurianual, que rege as políticas públicas do governo federal entre 2012 e 2015.

Existem ainda outros dez planos setoriais de combate ao desmatamento e ações em favor das florestas que ainda não têm orçamento definido. O PPA precisa ser enviado ao Congresso até 31 de agosto para ser aprovado pelo Ministério do Planejamento, que dá o aval para a liberação de verbas.

África
A tecnologia de monitoramento desenvolvida pelo Inpe para detectar a devastação da Amazônia foi adotada pela República Democrática do Congo, país africano que é o segundo no mundo com maior cobertura de florestas tropicais (atrás apenas do Brasil).

O sistema operacional do Congo será lançado durante a COP 17, encontro da Organização das Nações Unidas que debate ações para conter as mudanças do clima e que ocorrerá em novembro, na África do Sul.

De acordo com Cláudio Almeida, chefe do Centro Regional da Amazônia, unidade do Inpe localizada no Pará, o país africano foi o primeiro a adotar o sistema operacional. “Estamos capacitando técnicos de várias partes do mundo e estão previstos mais cursos para a Bacia do Congo, além da América Latina e Ásia”, disse o pesquisador.

Plantação no cerrado, em Goiás (Foto: Marcelo Nunes)

Plantação no cerrado, em Goiás (Foto: Marcelo Nunes)

Fonte: Eduardo Carvalho, do Globo Natureza, em São Paulo


27 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Ritmo do desmatamento da Mata Atlântica cai 55%

Inpe e SOS Mata Atlântica apresentaram novo atlas do bioma.
Foram destruídos 311 km² de floresta entre 2008 e 2010; MG lidera.

O Brasil perdeu 31.195 hectares (311,95 km²) de Mata Atlântica entre 2008 e 2010, mas houve redução de 55% no ritmo de desmatamento desse bioma, informaram nesta quinta-feira (26) a organização SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ao apresentarem um novo atlas feito a partir de imagens de satélite.

A área desmatada equivale a 194 vezes o Parque Ibirapuera, em São Paulo. A redução de 55% ocorreu em relação ao período entre 2005 e 2008, coberto pela análise anterior, numa comparação anualizada.

“Comemoramos, mas temos que fazer um alerta porque identificamos perdas de florestas principalmente nas matas secas de Minas Gerais e da Bahia. Os dois municípios que perderam mais área estão nessas matas secas”, diz Márcia Hirota, uma das coordenadoras do Atlas da Mata Atlântica.

Essa paisagem natural brasileira é uma das mais ricas em biodiversidade, e até 60% de suas espécies de plantas são endêmicas, ou seja, só existem ali. Ao mesmo tempo, se estende pela porção mais populosa do país. Na área que originalmente ocupava, atualmente vivem cerca de 112 milhões de pessoas.

Com os dados atualizados, sabe-se que restam 7,9% da cobertura original da Mata Atlântica no Brasil, considerando áreas acima de 100 hectares (1 milhão de metros quadrados). Levando em conta os pequenos fragmentos de mata, com no mínimo 3 hectares (30 mil metros quadrados), restam 11,62%. “Está bem abaixo do que deveríamos ter”, avalia Marcia.

Minas lidera desmatamento
Minas Gerais é o estado que mais destruiu o bioma nesse período: foram 12.467 hectares (124 km²) de desflorestamento. A Bahia vem logo em seguida, com 7.725 hectares (77 km²). Nove dos dez municípios com mais desflorestamento estão nesses dois estados.

Na composição do atlas, foram avaliados 16 dos 17 estados que detêm pedaços de Mata Atlântica. Apenas o Piauí ficou de fora, porque os critérios sobre a formação dessa vegetação no estado estão indefinidos.

Código Florestal
A SOS Mata Atlântica atribui a queda do ritmo de destruição em parte à criação da Lei da Mata Atlântica, em 2006, que definiu a extensão e o uso da vegetação do bioma. É por isso, segundo a organização, que a aprovação do novo Código Florestal na Câmara gera preocupação, já que, em alguns pontos, o texto flexibiliza o uso da terra.

O problema do Brasil não é a lei. É a falta de capacidade de aplicar a lei”, avalia Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da ONG. “O que aconteceu com a Mata Atlântica não precisa acontecer com a Amazônia, com o Cerrado. Tivemos um modelo errado de ocupação. [O Código Florestal] é uma volta ao passado. A anistia [a quem desmatou antes de 2008] não vai melhorar nossa performance. É uma ‘deseconomia’”, avalia.

Mapa mostra em verde as áreas remanescentes de Mata Atlântica e em vermelho os pontos de desmatamento no período de 2008 a 2010. (Foto: Divulgação)

Mapa mostra em verde as áreas remanescentes de Mata Atlântica e em vermelho os pontos de desmatamento no período de 2008 a 2010. (Foto: Divulgação)

 

Fonte:Globo Natureza, em São Paulo, Dennis Barbosa.


7 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Estudo indica dez florestas mais ameaçadas do mundo

Mata Atlântica está na lista, feita pela ONG Conservação Internacional.
Nações Unidas lançam 2011 como o ‘Ano Internacional das Florestas’.

A organização não governamental (ONG) Conservação Internacional (CI) lançou nesta quarta-feira (2) uma pesquisa que lista as dez florestas mais ameaçadas em todo o mundo. A divulgação do estudo ocorre na mesma data em que a Organização das Nações Unidas (ONU) promove oficialmente 2011 como o “Ano Internacional das Florestas”.

Todas as florestas consideradas como as mais ameaçadas pela CI já perderam 90% ou mais de sua cobertura vegetal e cada uma abriga pelo menos 1.500 espécies que só existem em nível local. De acordo com a ONG, as áreas têm espécies que estão sob o risco de extinção.

O bioma brasileiro da Mata Atlântica aparece como a quinta vegetação mais ameaçada do mundo, das quais restam apenas 8% da cobertura original, segundo a ONG. Já a floresta com maior risco de extinção fica na Indo-Birmânia, na Ásia, e já teve 95% de sua vegetação original destruída.

A lista da CI segue com a segunda vegetação mais ameaçada, que está em florestas tropicais da Nova Zelândia, também com 5% de cobertura original, seguida da floresta de sunda, na Indonésia, Malásia e Brunei (7% de cobertura original), a de Filipinas (7%), a Mata Atlântica no Brasil (8%), as montanhas das regiões central e sul da China (8%) e florestas da Califórnia, nos EUA (10%).

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De acordo com a ONG, a oitava floresta mais ameaçada do mundo fica na costa oriental da África e tem 10% da vegetação original, seguida de florestas em Madagascar e em ilhas do Oceano Índico, ainda na África (10% de cobertura original) e das florestas de Afromontane, no mesmo continente, com 11% da vegetação original.

As ONU escolheu 2011 como o “Ano Internacional das Florestas” para chamar a atenção sobre a necessidade de preservação desses locais pelo mundo. De acordo com o órgão, as florestas cobrem 30% da área do Planeta, mas abrigam 80% da biodiversidade mundial.

Fonte: Globo Natureza


15 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Remanescente de Mata Atlântica preserva aves

Estudo feito no remanescente de Mata Atlântica, em Pombos, identificou 11 espécies endêmicas, 10 delas ameaçadas de extinção

Levantamento realizado em fragmento florestal de Pombos, a 57 quilômetros do Recife, revela a presença de 11 espécies de aves endêmicas da Mata Atlântica, 10 delas consideradas ameaçadas de extinção. A pesquisa foi feita entre abril de 2007 e maio de 2008 na Mata da Ronda, um remanescente de vegetação nativa com 512 hectares. Endêmicos, lembram os especialistas em conservação, são os animais ou plantas restritos a um bioma ou região.

 

O estudo, de autoria de Gilmar Beserra de Farias, Angélica Uejima e Glauco Pereira, está na edição de julho-agosto da revista Atualidades Ornitológicas. Além de identificar as espécies, o grupo quantificou cada uma delas. A mais abundante é a choca-da-mata, pássaro de aproximadamente 15 centímetros que se alimenta de insetos. Na Mata da Ronda, a ave procura alimento no solo, ramos e folhas, ocupando diferentes planos da floresta.

 

Durante a pesquisa, os ornitólogos registraram ainda grupos de três e até de quatro tipos de aves deslocando-se sob as árvores do lugar em busca de alimento. Uma exceção à regra, uma vez que bandos de pássaros compostos de várias espécies que comem insetos são característicos de grandes extensões de floresta, e não de pequenos fragmentos.

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Para Gilmar Beserra, professor da Universidade Federal de Pernambuco (Centro Acadêmico de Vitória) e primeiro autor do artigo científico, localizar espécies endêmicas e ameaçadas de extinção é importante para nortear as políticas de conservação da biodiversidade no Nordeste.

 

“Algumas dessas aves ocorrem em ambientes restritos e apresentam certa vulnerabilidade, demandando esforços dos tomadores de decisão para a criação de uma unidade de conservação, por exemplo, com o objetivo de diminuir o risco de extinção local dessas espécies”, justifica.

 

A Mata da Ronda é um dos fragmentos do chamado Centro de Endemismo Pernambuco, compreendido pela floresta atlântica localizada entre Alagoas e Rio Grande do Norte.

 

Nessa área há 38 espécies de aves endêmicas. Já na Mata Atlântica de Pernambuco, existem 41 tipos de aves ameaçadas de extinção. No Brasil, esse ecossistema abriga 682 espécies de aves, das quais 83 estão ameaçadas de extinção e 207 são endêmicas.

Jornal do Commercio, 12/10