26 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Em lista de animais mais ameaçados de extinção, cinco são brasileiros

Pela primeira vez, uma rede de 8000 pesquisadores ligados à União Internacional de Conservação da Natureza, compilou uma lista das 100 espécies de animais, plantas e fungos mais ameaçados de extinção no mundo.

Nesta lista constam cinco espécies de animais brasileiros:

O soldadinho-do-Araripe, ave cuja população é estimada em 779 espécimes. É encontrado apenas numa área de 28 km2, na Chapada do Araripe, no Ceará.

A Preá Cavia intermedia, considerada a espécie de mamífero mais rara do mundo, com uma população de cerca de 60 espécimes. Só existe nas Ilhas Moleques do Sul, arquipélago próximo a Florianópolis, em Santa Catarina.

O Muriqui-do-Norte, o maior primata das Américas, só existe na Mata Atlântica. Estima-se que existem menos de 1000 deles.

A borboleta Actinote zikani, espécie que habita áreas próximas à serra do mar, na Mata Atlântica.

A borboleta Parides burchellanus, espécie encontrada no Cerrado. População estimada de menos de 100.

Soldadinho-do-Araripe, espécie de ave ameaçada de extinção, só encontrada no Ceará

Soldadinho-do-Araripe, espécie de ave ameaçada de extinção, só encontrada no Ceará. Ciro Albano/France Presse

O muriqui-do-norte, o maior primata das Américas, que vive na copa das altas árvores da mata atlântica.

O muriqui-do-norte, o maior primata das Américas, que vive na copa das altas árvores da mata atlântica. Luciano Candisani

Fonte: Folha.com


14 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisadores descobrem espécie de borboleta na Mata Atlântica do RS

Novo inseto descrito por pesquisadores foi batizado de Prenda clarissa.
Biólogos alertam para risco de extinção de populações devido ao desmate.

Pesquisadores das universidades Estadual de Campinas (Unicamp) e Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) descreveram uma nova espécie de borboleta, encontrada na região denominada Campos em Cima da Serra, na Mata Atlântica gaúcha.

Chamada de Prenda clarissa – o gênero é uma homenagem à mulher gaúcha (chamada de prenda) e o nome da espécie remete ao livro do escritor sulista Érico Veríssimo — o exemplar foi encontrado durante expedição feita à Floresta Nacional de São Francisco de Paula, em 2009.

Descrita recentemente na revista científica “Neotropical Entomology” pela equipe de biólogos do laboratório de ecologia e sistemática de borboletas da Unicamp, a borboleta de cor marrom foi identificada como nova a partir de uma observação detalhada de especialistas.

“Reparei que ela tinha um jeito diferente. O padrão de ocelos (chamados de falsos olhos e que ficam na parte inferior das asas das borboletas) era diferente. É provável que esta espécie seja endêmica da região, porém, temos que pesquisar mais detalhes”, disse Cristiano Agra, doutor em Biologia Animal e um dos responsáveis pela descoberta.

Nova espécie de borboleta foi batizada de Prenda clarissa (Foto: Divulgação/André Freitas)

Nova espécie de borboleta foi batizada de Prenda clarissa (Foto: Divulgação/André Freitas)

Preservação
De acordo com André Freitas coordenador do laboratório paulista que estuda as borboletas – que tem seis anos de funcionamento – ao menos uma espécie nova deste inseto é descrita por ano pelos integrantes da equipe. O Brasil tem hoje 3.500 borboletas registradas.

O número de publicações sobre novas espécies só não é maior devido à carga de trabalho. “Já descobrimos ao menos 20, que ainda não foram descritas. Na semana passada mesmo, retornamos de uma viagem feita à Serra do Caparaó (entre os estados de Minas Gerais e Espírito Santo) onde encontramos mais uma espécie”, disse.

Entretanto, novos registros trazem também preocupação com a extinção de populações, já que muitas são encontradas em áreas onde a vegetação nativa está em degradação.

Freitas disse que grande parte das pesquisas foram realizadas na Mata Atlântica, considerado um dos biomas mais ameaçados no Brasil.

Segundo dados divulgados na última semana pelo Ministério do Meio Ambiente, o bioma, que abrange 15 estados brasileiros perdeu entre 2008 e 2009 cerca de 248 km² de sua cobertura vegetal – número considerado pelo governo abaixo da média, o que representaria uma desaceleração no desmate.

Entretanto, ainda há preocupação já que restam apenas 22,23% de sua vegetação original, que era equivalente a 1,1 milhão de km². O estado de Minas Gerais foi o principal responsável pelo desmate (115,8 km²), seguido da Bahia (65,8 km²) e Santa Catarina (17,6 km²).

“Na Serra do Cipó (MG) – que tem trechos de Mata Atlântica – descobrimos a espécieYphthimoides cipoensis já sabendo que sua população estava ameaçada, baseado em regras internacionais estipulas pela IUCN [União Internacional para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais, na tradução para o português]. Esta espécie só existe naquela região, bastante impactada pelo homem”, disse.

Espécie Yphthimoides cipoensis, encontrada na Serra do Cipó (MG) foi recentemente descoberta e já considerada ameaçada de extinção. (Foto: Divulgação/André Freitas)

Espécie Yphthimoides cipoensis, encontrada na Serra do Cipó (MG) foi recentemente descoberta e já é considerada ameaçada de extinção. (Foto: Divulgação/André Freitas)

Cadeia alimentar
As borboletas, segundo o especialista, são essenciais na cadeia alimentar principalmente no estágio de lagartas, pois alimentam outras espécies de insetos, além de aves e pequenos mamíferos. Porém, o desmatamento pode prejudicar o desenvolvimento das populações.

“Existem regiões críticas onde isto já ocorre, como na área de Mata Atlântica no Nordeste do país e na região de cerrado. Outra área grave é a transição entre o cerrado e a floresta amazônica, no Pará e Maranhão. Muitas espécies endêmicas estão em extinção nestas áreas”, comenta Freitas.

Ele cita ainda que para frear a redução de populações de borboletas o governo reuniu informações e criou o Plano Nacional de Proteção a espécies ameaçadas, idealizado pelo Instituto de Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Segundo Freitas, será uma forma de proteger também outros animais com risco de desaparecer na natureza.

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


6 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Borboletas inglesas evoluíram para fugir do aquecimento global, diz pesquisa

Espécie de borboleta que vivia apenas no sul do Reino Unido migrou para o norte, mais frio. Pesquisa identificou mudanças genéticas em grupos migrantes

Borboletas inglesas estão migrando para o norte do país para fugir das mudanças climáticas e se adaptando a novos habitats para sobreviver, segundo cientistas das universidades de Bristol e Sheffield, ambas da Grã-Bretanha. De acordo com os pesquisadores, é o primeiro caso documentado de evolução de uma espécie causada pelo aquecimento global.

“Nós comparamos marcadores genéticos do DNA dessas borboletas com diferentes populações de borboletas do Reino Unido e notamos que esses marcadores mostraram diferenças entre grupos da mesma espécie”, afirmou o biólogo James Buckley, do Instituto de Biodiversidade da Universidade de Glasgow, na Escócia, em entrevista ao site de VEJA. “Essas diferenças nesses marcadores indicam que houve mudança evolutiva durante a expansão para o norte. Mas, com esses dados, ainda não conseguimos identificar que genes podem estar sob seleção”, completa.

Esses marcadores genéticos são pontos específicos do DNA das borboletas. Eles são comparados com marcadores que estão na mesma posição no DNA de outros animais, para identificar diferenças genéticas entre elas.

As borboletas, da espécie Brown Argus (Aricia agestis), eram endêmicas na região sul da Grã-Bretanha, mas começaram a ser vistas na parte mais ao norte da ilha, em regiões da Escócia. A pesquisa buscou entender o papel da evolução nessa migração e os resultados foram publicados nesta quarta-feira na versão digital da revista Molecular Ecology.

Segundo os pesquisadores, outras espécies animais estão migrando para o norte, mas, provavelmente, muitas não conseguirão se adaptar à nova moradia. A capacidade evolutiva da Brown Angus impressiona porque a espécie, que voa baixo e se alimenta do pólen de flores, está habitando paisagens diferentes entre si e da região original onde eram encontradas originalmente.

Buckley acrescenta que essas descobertas são importantes pois entender a probabilidade e velocidade de mudanças adaptativas ajuda a determinar a taxa de extinção de espécies com as mudanças climáticas em curso.

Borboleta Brown Angus

Borboleta Brown Angus. A espécie inglesa está evoluíndo e migrando do sul para o norte do país para escapar das mudanças climáticas (Neil Hulme/Butterfly Conservation)

Fonte: Veja Ciência


14 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Borboleta ‘híbrida’ é descoberta por cientistas na América do Norte

Espécie tem traços visuais e genéticos idênticos a de outros dois insetos.
Cientistas publicaram estudo na revista ‘PLoS Genetics’ nesta 3ª feira.

Cientistas norte-americanos descobriram uma espécie rara de borboleta nas montanhas Apalache, cordilheira localizada entre Estados Unidos e Canadá, que foi considerada uma evolução de duas outras espécies de animais, já que continua traços visuais e composição genética idênticos.

A borboleta Tigre apalachiano swallowtail (Papilio appalachiensis) foi denominada como híbrida devido às características semelhantes às da borboleta Tigre oriental swallowtail (P. glaucus) e da Tigre canadense swallowtail (P. canadensis).

De acordo com estudo publicado nesta terça-feira (13) na revista “PLoS Genetics”, a borboleta Tigre apalachiano swallowtail raramente se reproduz com insetos da mesma espécie e é um dos poucos casos de animais híbridos, fenômeno que ocorre com mais frequência nas plantas.

“Com a pesquisa, será possível entender a formação das espécies, questão fundamental para explicar a diversidade de vida na Terra”, afirma Sam Scheiner, pesquisador da Fundação Nacional de Ciência dos EUA, que financiou a pesquisa.

“É uma demonstração notável de como a hibridização pode criar populações com uma nova combinação de história de vida e características morfológicas, permitindo a colonização de novos ambientes”, complementa o biólogo Larry Gilbert, da Universidade do Texas e um dos responsáveis pelo estudo científico.

De acordo com os cientistas, as borboletas Tigre oriental e canadense surgiram em épocas diferentes, em espaço de tempo de 600 mil anos. Já a Tigre apalachiano surgiu há 100 mil anos. Ainda existe dificuldade na diferenciação das espécies. São detalhes como manchas nas asas ou mesmo no tamanho, que segundo os pesquisadores, com o tempo se tornam fáceis de identificar.

Imagem da borboleta Tigre oriental (Foto: Divulgação/K. Kunte/Harvard University)

Imagem da borboleta Tigre oriental swallowtail (Foto: Divulgação/K. Kunte/Harvard University)

 

Borboleta Tigre canadense (Foto: Divulgação/K. Kunte/Harvard University)

Exemplar da borboleta Tigre canadense swallowtail. A partir da mistura das duas espécie, nasceu a borboleta Tigre apalachiano swallotail, com características visuais e genéticas idênticas (Foto: Divulgação/K. Kunte/Harvard University)

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


11 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Borboleta azul de Miami/EUA está sob proteção por 240 dias

A borboleta azul de Miami se tornou nesta quarta-feira (10) uma espécie protegida pelas autoridades americanas em uma tentativa de evitar sua extinção. O Departamento de Pesca e Vida Silvestre dos Estados Unidos decidiu estabelecer uma proteção de emergência temporária sobre esta espécie, que habita o extremo mais sudeste do país e que ocupava amplas áreas da península da Flórida.

“Para tomar esta determinação de emergência avaliou-se cuidadosamente a melhor informação científica disponível e comercial a respeito das ameaças passadas, presentes e futuras que a borboleta azul de Miami enfrenta”, explicou o departamento em comunicado.

A intenção das autoridades é atrair a atenção de ambientalistas e cientistas para que aumentem as pesquisas sobre a borboleta azul e os fundos destinados a manter seu ecossistema e garantir sua sobrevivência.

A proteção à borboleta estará vigente por 240 dias, mas as autoridades estão atuando para prolongar esse prazo.

A partir de agora também será considerado crime tentar apanhar alguma borboleta azul de Miami para colecionar, comercializar ou exportar.

Uma das maiores ameaças que as borboletas enfrentam são as tempestades tropicais e furacões que costumam atingir o Caribe nessa época do ano.

“A borboleta azul de Miami está em perigo de extinção devido à influência combinada da destruição de seu habitat, da ingestão das plantas que a hospedam por parte de exóticas iguanas verdes, do dano acidental por parte dos seres humanos, da perda de diversidade genética e de catástrofes ambientais, como os furacões”, explicaram as autoridades.

Fonte: Portal iG


1 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Transgênicos podem afetar borboleta monarca

Não faz mais de uma década. As fazendas do Meio-Oeste dos Estados Unidos ficavam normalmente desfiguradas – ao menos na visão dos fazendeiros – por manchas rebeldes de asclépias entre fileiras perfeitas de plantações de milho e soja.

Isso não acontece mais. Agora, nos campos estão plantações de milho e soja geneticamente modificados e resistentes ao herbicida Roundup. Com isso, os fazendeiros podem pulverizar a substância química para erradicar ervas daninhas, inclusive a asclépia.

Embora para os fazendeiros isso soe como uma boa notícia, para um número crescente de cientistas a redução da asclépia pode por em perigo as borboletas-monarca. A migração espetacular desses animais fazem delas um dos insetos mais queridos – “o Bambi do mundo dos insetos”, como afirmou certa vez um entomólogo.

As monarcas depositam os ovos nas asclépias e as larvas depois as comem.

Esse indício é preliminar e vem sendo contestado por especialistas. Para o especialista em insetos Chip Taylor, o aumento da prática de culturas geneticamente modificadas põe em risco as borboletas de cor laranja e preta, por retirar seu habitat.

“A asclépia desapareceu de pelo menos 40,5 milhões de hectares de canteiros de cultivo”, afirmou Taylor, ecologista especialista em insetos da Universidade de Kansas e diretor de pesquisa e conservação do programa Monarch Watch. “A asclépia dela praticamente se foi”.

O principal indício de que a população de monarcas está diminuindo aparece em um novo estudo. Ele mostra que a área ocupada pelas monarcas no centro do México, onde muitas delas passam o inverno, diminuiu nos últimos 17 anos.

Acredita-se que a área ocupada pelas borboletas seja representativa do tamanho da sua população.

“Pela primeira vez nós temos dados que podem ser analisados estatisticamente e que mostram uma tendência de queda”, afirmou Ernest H. Williams, professor de biologia do Hamilton College e autor do estudo, junto com Taylor e outros autores.

O artigo, publicado online na revista Insect Conservation and Diversity, atribui essa diminuição em parte à falta da asclépia devido ao uso de culturas Roundup Ready. Outras causas, segundo o artigo, são o desaparecimento da asclépia devido ao desenvolvimento rural, o corte ilegal de árvores nos locais de invernada no México e o inverno rigoroso.

O estudo não sugere que a borboleta entrará em extinção. Porém, ele questiona a sustentabilidade da migração anual, do incentivo ao festival das borboletas nos Estados Unidos e das ondas de turismo no México.

Entretanto, o artigo não apresenta nenhum dado que fundamente o argumento de que as culturas geneticamente modificadas estejam reduzindo a população de monarcas. Alguns especialistas alegam que a população dessas borboletas não está diminuindo e que não está claro se existe qualquer consequência relacionada à biotecnologia agrícola.

Segundo Andrew K. Davis, pesquisador assistente da Universidade da Georgia, o recenseamento da monarca adulta, realizado todo fim de ano em Cape May, Nova Jersey, e em Península Point, em Michigan, não apresentou uma diminuição.

Pode ser que “mesmo que a população de invernada esteja diminuindo cada vez mais, elas recuperem esse número quando se dirigem para o norte, na primavera”, afirma Davis. O artigo de Davis, em que ele contesta que esteja ocorrendo uma diminuição da população da monarca, foi publicado online pela mesma revista.

Leslie Ries, professora pesquisadora da Universidade de Maryland, examinou outras contagens de borboletas e, segundo conta, não revelaram uma diminuição, mas sim variações de ano para ano. Como é improvável que a população de asclépias varie tanto, provavelmente isso não é o determinante principal da população de borboletas, conforme afirma.

Porém, dois pesquisadores, Karen Oberhauser, da Universidade de Minnesota, e John M. Pleasants, do estado do Iowa, citam outros indícios da diminuição: o número de ovos de monarca nos campos do Meio-Oeste americano. “A produção das monarcas vem diminuindo de maneira significativa”, afirma Pleasants.

“Essa redução é causada pela perda das reservas de asclépias disponíveis”.

Os dois cientistas apresentaram um artigo a uma revista científica e afirmaram que não discutirão sobre os dados apresentados antes da publicação.

As culturas Roundup Ready contêm um gene de bactéria que permite a elas resistir ao herbicida Roundup ou ao seu equivalente genérico, o glifosato.

Isso permite matar as ervas daninhas sem prejudicar a colheita.

Como tornam bem mais fácil o controle de ervas daninhas, essas culturas têm sido amplamente adotadas pelos fazendeiros. Este ano, 94 por cento da soja e 72 por cento do milho cultivados nos Estados Unidos eram tolerantes a herbicidas, de acordo com o Departamento de Agricultura.

Por sua vez, isso levou ao aumento súbito da utilização do glifosato, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental americana. A quantidade de herbicida utilizada em 2007 foi 5 vezes maior do que em 1997, um ano após a introdução das culturas Roundup Ready e, e aproximadamente 10 vezes maior do que em 1993.

Os fazendeiros, como se sabe, sempre tentaram eliminar as ervas daninhas tratando a terra ou pulverizando outros herbicidas, sendo que esses muitas vezes precisavam ser usados antes que as culturas brotassem do solo. O glifosato, no entanto, pode ser pulverizado no período vegetativo, pois não prejudica as culturas resistentes. Esse fato e a eficácia geral do glifosato resultaram em um controle maior das ervas daninhas.

“Ele mata tudo”, afirmou Lincoln P. Brower, entomólogo do Sweet Briar College e um dos autores do artigo que documenta a diminuição da população de monarcas no inverno mexicano. “É como um Armagedom absoluto da biodiversidade sobre uma enorme área”.

A quantidade de asclépias nas fazendas do estado do Iowa diminuiu 90 por cento entre 1999 e 2009, de acordo com Robert G. Hartzler, agrônomo do estado. Em seu estudo, publicado no ano passado na revista Crop Protection, ele encontrou asclépias em apenas 8 por cento dos campos de milho e soja em 2009, 51 por cento menos do que 1999.

Devido às práticas de controle de ervas daninhas – mesmo antes do advento dos cultivos Roundup Ready – é improvável que as fazendas abriguem tal quantidade de asclépias.

Porém, a grande quantidade de terras agrícolas no cinturão do milho demonstra que as fazendas no todo são as responsáveis pela maior parte dos nascimentos de monarcas, segundo outro estudo, publicado em 2001 por Oberhauser e seus colegas. Este estudo avaliou que em Iowa, as propriedades rurais produziram 78 vezes mais monarcas do que em áreas não cultivadas, e 73 vezes mais em Wisconsin e Minnesota.

Embora as monarcas venham de outras partes dos Estados Unidos, de modo geral acredita-se que a maioria delas seja incubada no Meio-Oeste. Porém, até mesmo Hartzler afirmou em seu artigo que seria difícil avaliar o impacto da diminuição da asclépia no Iowa sobre a população de monarcas.

O porta-voz da Monsanto, empresa criadora das culturas Roundup Ready e fabricante do Roundup, concorda. Segundo ele “ainda estão sendo desenvolvidos dados biológicos sobre os possíveis efeitos da agricultura de Iowa sobre a população de monarcas”. O que é válido para Iowa pode não valer para outras regiões, afirma.

Não é a primeira vez que as culturas geneticamente modificadas são consideradas uma ameaça para as monarcas. Em 1999, pesquisadores da Universidade Cornell relataram que as lagartas das monarcas podiam morrer caso se alimentassem de asclépia polvilhada com pólen do também geneticamente modificado milho BT. Esse milho possui um gene de bactéria conhecido por produzir uma toxina que mata certos tipos de pragas.

Contudo, pesquisas posteriores, financiadas em parte pela indústria de biotecnologia, descobriram que as lagartas provavelmente não seriam expostas a quantidades letais de pólen de milho BT sob condições reais do campo. A preocupação diminuiu.

Segundo os cientistas, o efeito sobre os insetos de impedir o crescimento das ervas daninhas não é uma surpresa e, provavelmente, não atinge apenas a monarca.

A Academia Americana de Ciências examinou este efeito em 2007, em um relatório sobre abelhas e outros animais que polinizam as culturas. O relatório cita a descoberta de um estudo britânico de que nos campos onde são cultivadas beterraba e canola geneticamente modificadas, existem menos borboletas do que nos campos de culturas não modificadas.

Isso produz a ideia um tanto quanto radical de que as ervas daninhas das fazendas talvez devessem ser protegidas. “Está ocorrendo uma mudança na forma de pensar a agricultura, porque os campos sem ervas daninhas eram a referência”, afirmou May Berenbaum, chefe do departamento de entomologia da Universidade de Illinois.

Entretanto, May e outros especialistas em insetos acreditam ser ilusório supor que os fazendeiros irão abrir mão das culturas tolerantes a herbicidas. Por isso, deve-se tentar proteger as que existem ou germinar asclépias em outros locais, talvez em terras reservadas para a preservação.

A Monarch Watch está encorajando os jardineiros a cultivar asclépias.

Taylor, da Monarch Watch, fez uma proposta simples e talvez irônica às empresas de biotecnologia. “Peço encarecidamente que desenvolvam uma asclépia resistente ao Roundup”, afirmou.

Fonte: Portal iG






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26 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Em lista de animais mais ameaçados de extinção, cinco são brasileiros

Pela primeira vez, uma rede de 8000 pesquisadores ligados à União Internacional de Conservação da Natureza, compilou uma lista das 100 espécies de animais, plantas e fungos mais ameaçados de extinção no mundo.

Nesta lista constam cinco espécies de animais brasileiros:

O soldadinho-do-Araripe, ave cuja população é estimada em 779 espécimes. É encontrado apenas numa área de 28 km2, na Chapada do Araripe, no Ceará.

A Preá Cavia intermedia, considerada a espécie de mamífero mais rara do mundo, com uma população de cerca de 60 espécimes. Só existe nas Ilhas Moleques do Sul, arquipélago próximo a Florianópolis, em Santa Catarina.

O Muriqui-do-Norte, o maior primata das Américas, só existe na Mata Atlântica. Estima-se que existem menos de 1000 deles.

A borboleta Actinote zikani, espécie que habita áreas próximas à serra do mar, na Mata Atlântica.

A borboleta Parides burchellanus, espécie encontrada no Cerrado. População estimada de menos de 100.

Soldadinho-do-Araripe, espécie de ave ameaçada de extinção, só encontrada no Ceará

Soldadinho-do-Araripe, espécie de ave ameaçada de extinção, só encontrada no Ceará. Ciro Albano/France Presse

O muriqui-do-norte, o maior primata das Américas, que vive na copa das altas árvores da mata atlântica.

O muriqui-do-norte, o maior primata das Américas, que vive na copa das altas árvores da mata atlântica. Luciano Candisani

Fonte: Folha.com


14 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisadores descobrem espécie de borboleta na Mata Atlântica do RS

Novo inseto descrito por pesquisadores foi batizado de Prenda clarissa.
Biólogos alertam para risco de extinção de populações devido ao desmate.

Pesquisadores das universidades Estadual de Campinas (Unicamp) e Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) descreveram uma nova espécie de borboleta, encontrada na região denominada Campos em Cima da Serra, na Mata Atlântica gaúcha.

Chamada de Prenda clarissa – o gênero é uma homenagem à mulher gaúcha (chamada de prenda) e o nome da espécie remete ao livro do escritor sulista Érico Veríssimo — o exemplar foi encontrado durante expedição feita à Floresta Nacional de São Francisco de Paula, em 2009.

Descrita recentemente na revista científica “Neotropical Entomology” pela equipe de biólogos do laboratório de ecologia e sistemática de borboletas da Unicamp, a borboleta de cor marrom foi identificada como nova a partir de uma observação detalhada de especialistas.

“Reparei que ela tinha um jeito diferente. O padrão de ocelos (chamados de falsos olhos e que ficam na parte inferior das asas das borboletas) era diferente. É provável que esta espécie seja endêmica da região, porém, temos que pesquisar mais detalhes”, disse Cristiano Agra, doutor em Biologia Animal e um dos responsáveis pela descoberta.

Nova espécie de borboleta foi batizada de Prenda clarissa (Foto: Divulgação/André Freitas)

Nova espécie de borboleta foi batizada de Prenda clarissa (Foto: Divulgação/André Freitas)

Preservação
De acordo com André Freitas coordenador do laboratório paulista que estuda as borboletas – que tem seis anos de funcionamento – ao menos uma espécie nova deste inseto é descrita por ano pelos integrantes da equipe. O Brasil tem hoje 3.500 borboletas registradas.

O número de publicações sobre novas espécies só não é maior devido à carga de trabalho. “Já descobrimos ao menos 20, que ainda não foram descritas. Na semana passada mesmo, retornamos de uma viagem feita à Serra do Caparaó (entre os estados de Minas Gerais e Espírito Santo) onde encontramos mais uma espécie”, disse.

Entretanto, novos registros trazem também preocupação com a extinção de populações, já que muitas são encontradas em áreas onde a vegetação nativa está em degradação.

Freitas disse que grande parte das pesquisas foram realizadas na Mata Atlântica, considerado um dos biomas mais ameaçados no Brasil.

Segundo dados divulgados na última semana pelo Ministério do Meio Ambiente, o bioma, que abrange 15 estados brasileiros perdeu entre 2008 e 2009 cerca de 248 km² de sua cobertura vegetal – número considerado pelo governo abaixo da média, o que representaria uma desaceleração no desmate.

Entretanto, ainda há preocupação já que restam apenas 22,23% de sua vegetação original, que era equivalente a 1,1 milhão de km². O estado de Minas Gerais foi o principal responsável pelo desmate (115,8 km²), seguido da Bahia (65,8 km²) e Santa Catarina (17,6 km²).

“Na Serra do Cipó (MG) – que tem trechos de Mata Atlântica – descobrimos a espécieYphthimoides cipoensis já sabendo que sua população estava ameaçada, baseado em regras internacionais estipulas pela IUCN [União Internacional para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais, na tradução para o português]. Esta espécie só existe naquela região, bastante impactada pelo homem”, disse.

Espécie Yphthimoides cipoensis, encontrada na Serra do Cipó (MG) foi recentemente descoberta e já considerada ameaçada de extinção. (Foto: Divulgação/André Freitas)

Espécie Yphthimoides cipoensis, encontrada na Serra do Cipó (MG) foi recentemente descoberta e já é considerada ameaçada de extinção. (Foto: Divulgação/André Freitas)

Cadeia alimentar
As borboletas, segundo o especialista, são essenciais na cadeia alimentar principalmente no estágio de lagartas, pois alimentam outras espécies de insetos, além de aves e pequenos mamíferos. Porém, o desmatamento pode prejudicar o desenvolvimento das populações.

“Existem regiões críticas onde isto já ocorre, como na área de Mata Atlântica no Nordeste do país e na região de cerrado. Outra área grave é a transição entre o cerrado e a floresta amazônica, no Pará e Maranhão. Muitas espécies endêmicas estão em extinção nestas áreas”, comenta Freitas.

Ele cita ainda que para frear a redução de populações de borboletas o governo reuniu informações e criou o Plano Nacional de Proteção a espécies ameaçadas, idealizado pelo Instituto de Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Segundo Freitas, será uma forma de proteger também outros animais com risco de desaparecer na natureza.

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


6 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Borboletas inglesas evoluíram para fugir do aquecimento global, diz pesquisa

Espécie de borboleta que vivia apenas no sul do Reino Unido migrou para o norte, mais frio. Pesquisa identificou mudanças genéticas em grupos migrantes

Borboletas inglesas estão migrando para o norte do país para fugir das mudanças climáticas e se adaptando a novos habitats para sobreviver, segundo cientistas das universidades de Bristol e Sheffield, ambas da Grã-Bretanha. De acordo com os pesquisadores, é o primeiro caso documentado de evolução de uma espécie causada pelo aquecimento global.

“Nós comparamos marcadores genéticos do DNA dessas borboletas com diferentes populações de borboletas do Reino Unido e notamos que esses marcadores mostraram diferenças entre grupos da mesma espécie”, afirmou o biólogo James Buckley, do Instituto de Biodiversidade da Universidade de Glasgow, na Escócia, em entrevista ao site de VEJA. “Essas diferenças nesses marcadores indicam que houve mudança evolutiva durante a expansão para o norte. Mas, com esses dados, ainda não conseguimos identificar que genes podem estar sob seleção”, completa.

Esses marcadores genéticos são pontos específicos do DNA das borboletas. Eles são comparados com marcadores que estão na mesma posição no DNA de outros animais, para identificar diferenças genéticas entre elas.

As borboletas, da espécie Brown Argus (Aricia agestis), eram endêmicas na região sul da Grã-Bretanha, mas começaram a ser vistas na parte mais ao norte da ilha, em regiões da Escócia. A pesquisa buscou entender o papel da evolução nessa migração e os resultados foram publicados nesta quarta-feira na versão digital da revista Molecular Ecology.

Segundo os pesquisadores, outras espécies animais estão migrando para o norte, mas, provavelmente, muitas não conseguirão se adaptar à nova moradia. A capacidade evolutiva da Brown Angus impressiona porque a espécie, que voa baixo e se alimenta do pólen de flores, está habitando paisagens diferentes entre si e da região original onde eram encontradas originalmente.

Buckley acrescenta que essas descobertas são importantes pois entender a probabilidade e velocidade de mudanças adaptativas ajuda a determinar a taxa de extinção de espécies com as mudanças climáticas em curso.

Borboleta Brown Angus

Borboleta Brown Angus. A espécie inglesa está evoluíndo e migrando do sul para o norte do país para escapar das mudanças climáticas (Neil Hulme/Butterfly Conservation)

Fonte: Veja Ciência


14 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Borboleta ‘híbrida’ é descoberta por cientistas na América do Norte

Espécie tem traços visuais e genéticos idênticos a de outros dois insetos.
Cientistas publicaram estudo na revista ‘PLoS Genetics’ nesta 3ª feira.

Cientistas norte-americanos descobriram uma espécie rara de borboleta nas montanhas Apalache, cordilheira localizada entre Estados Unidos e Canadá, que foi considerada uma evolução de duas outras espécies de animais, já que continua traços visuais e composição genética idênticos.

A borboleta Tigre apalachiano swallowtail (Papilio appalachiensis) foi denominada como híbrida devido às características semelhantes às da borboleta Tigre oriental swallowtail (P. glaucus) e da Tigre canadense swallowtail (P. canadensis).

De acordo com estudo publicado nesta terça-feira (13) na revista “PLoS Genetics”, a borboleta Tigre apalachiano swallowtail raramente se reproduz com insetos da mesma espécie e é um dos poucos casos de animais híbridos, fenômeno que ocorre com mais frequência nas plantas.

“Com a pesquisa, será possível entender a formação das espécies, questão fundamental para explicar a diversidade de vida na Terra”, afirma Sam Scheiner, pesquisador da Fundação Nacional de Ciência dos EUA, que financiou a pesquisa.

“É uma demonstração notável de como a hibridização pode criar populações com uma nova combinação de história de vida e características morfológicas, permitindo a colonização de novos ambientes”, complementa o biólogo Larry Gilbert, da Universidade do Texas e um dos responsáveis pelo estudo científico.

De acordo com os cientistas, as borboletas Tigre oriental e canadense surgiram em épocas diferentes, em espaço de tempo de 600 mil anos. Já a Tigre apalachiano surgiu há 100 mil anos. Ainda existe dificuldade na diferenciação das espécies. São detalhes como manchas nas asas ou mesmo no tamanho, que segundo os pesquisadores, com o tempo se tornam fáceis de identificar.

Imagem da borboleta Tigre oriental (Foto: Divulgação/K. Kunte/Harvard University)

Imagem da borboleta Tigre oriental swallowtail (Foto: Divulgação/K. Kunte/Harvard University)

 

Borboleta Tigre canadense (Foto: Divulgação/K. Kunte/Harvard University)

Exemplar da borboleta Tigre canadense swallowtail. A partir da mistura das duas espécie, nasceu a borboleta Tigre apalachiano swallotail, com características visuais e genéticas idênticas (Foto: Divulgação/K. Kunte/Harvard University)

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


11 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Borboleta azul de Miami/EUA está sob proteção por 240 dias

A borboleta azul de Miami se tornou nesta quarta-feira (10) uma espécie protegida pelas autoridades americanas em uma tentativa de evitar sua extinção. O Departamento de Pesca e Vida Silvestre dos Estados Unidos decidiu estabelecer uma proteção de emergência temporária sobre esta espécie, que habita o extremo mais sudeste do país e que ocupava amplas áreas da península da Flórida.

“Para tomar esta determinação de emergência avaliou-se cuidadosamente a melhor informação científica disponível e comercial a respeito das ameaças passadas, presentes e futuras que a borboleta azul de Miami enfrenta”, explicou o departamento em comunicado.

A intenção das autoridades é atrair a atenção de ambientalistas e cientistas para que aumentem as pesquisas sobre a borboleta azul e os fundos destinados a manter seu ecossistema e garantir sua sobrevivência.

A proteção à borboleta estará vigente por 240 dias, mas as autoridades estão atuando para prolongar esse prazo.

A partir de agora também será considerado crime tentar apanhar alguma borboleta azul de Miami para colecionar, comercializar ou exportar.

Uma das maiores ameaças que as borboletas enfrentam são as tempestades tropicais e furacões que costumam atingir o Caribe nessa época do ano.

“A borboleta azul de Miami está em perigo de extinção devido à influência combinada da destruição de seu habitat, da ingestão das plantas que a hospedam por parte de exóticas iguanas verdes, do dano acidental por parte dos seres humanos, da perda de diversidade genética e de catástrofes ambientais, como os furacões”, explicaram as autoridades.

Fonte: Portal iG


1 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Transgênicos podem afetar borboleta monarca

Não faz mais de uma década. As fazendas do Meio-Oeste dos Estados Unidos ficavam normalmente desfiguradas – ao menos na visão dos fazendeiros – por manchas rebeldes de asclépias entre fileiras perfeitas de plantações de milho e soja.

Isso não acontece mais. Agora, nos campos estão plantações de milho e soja geneticamente modificados e resistentes ao herbicida Roundup. Com isso, os fazendeiros podem pulverizar a substância química para erradicar ervas daninhas, inclusive a asclépia.

Embora para os fazendeiros isso soe como uma boa notícia, para um número crescente de cientistas a redução da asclépia pode por em perigo as borboletas-monarca. A migração espetacular desses animais fazem delas um dos insetos mais queridos – “o Bambi do mundo dos insetos”, como afirmou certa vez um entomólogo.

As monarcas depositam os ovos nas asclépias e as larvas depois as comem.

Esse indício é preliminar e vem sendo contestado por especialistas. Para o especialista em insetos Chip Taylor, o aumento da prática de culturas geneticamente modificadas põe em risco as borboletas de cor laranja e preta, por retirar seu habitat.

“A asclépia desapareceu de pelo menos 40,5 milhões de hectares de canteiros de cultivo”, afirmou Taylor, ecologista especialista em insetos da Universidade de Kansas e diretor de pesquisa e conservação do programa Monarch Watch. “A asclépia dela praticamente se foi”.

O principal indício de que a população de monarcas está diminuindo aparece em um novo estudo. Ele mostra que a área ocupada pelas monarcas no centro do México, onde muitas delas passam o inverno, diminuiu nos últimos 17 anos.

Acredita-se que a área ocupada pelas borboletas seja representativa do tamanho da sua população.

“Pela primeira vez nós temos dados que podem ser analisados estatisticamente e que mostram uma tendência de queda”, afirmou Ernest H. Williams, professor de biologia do Hamilton College e autor do estudo, junto com Taylor e outros autores.

O artigo, publicado online na revista Insect Conservation and Diversity, atribui essa diminuição em parte à falta da asclépia devido ao uso de culturas Roundup Ready. Outras causas, segundo o artigo, são o desaparecimento da asclépia devido ao desenvolvimento rural, o corte ilegal de árvores nos locais de invernada no México e o inverno rigoroso.

O estudo não sugere que a borboleta entrará em extinção. Porém, ele questiona a sustentabilidade da migração anual, do incentivo ao festival das borboletas nos Estados Unidos e das ondas de turismo no México.

Entretanto, o artigo não apresenta nenhum dado que fundamente o argumento de que as culturas geneticamente modificadas estejam reduzindo a população de monarcas. Alguns especialistas alegam que a população dessas borboletas não está diminuindo e que não está claro se existe qualquer consequência relacionada à biotecnologia agrícola.

Segundo Andrew K. Davis, pesquisador assistente da Universidade da Georgia, o recenseamento da monarca adulta, realizado todo fim de ano em Cape May, Nova Jersey, e em Península Point, em Michigan, não apresentou uma diminuição.

Pode ser que “mesmo que a população de invernada esteja diminuindo cada vez mais, elas recuperem esse número quando se dirigem para o norte, na primavera”, afirma Davis. O artigo de Davis, em que ele contesta que esteja ocorrendo uma diminuição da população da monarca, foi publicado online pela mesma revista.

Leslie Ries, professora pesquisadora da Universidade de Maryland, examinou outras contagens de borboletas e, segundo conta, não revelaram uma diminuição, mas sim variações de ano para ano. Como é improvável que a população de asclépias varie tanto, provavelmente isso não é o determinante principal da população de borboletas, conforme afirma.

Porém, dois pesquisadores, Karen Oberhauser, da Universidade de Minnesota, e John M. Pleasants, do estado do Iowa, citam outros indícios da diminuição: o número de ovos de monarca nos campos do Meio-Oeste americano. “A produção das monarcas vem diminuindo de maneira significativa”, afirma Pleasants.

“Essa redução é causada pela perda das reservas de asclépias disponíveis”.

Os dois cientistas apresentaram um artigo a uma revista científica e afirmaram que não discutirão sobre os dados apresentados antes da publicação.

As culturas Roundup Ready contêm um gene de bactéria que permite a elas resistir ao herbicida Roundup ou ao seu equivalente genérico, o glifosato.

Isso permite matar as ervas daninhas sem prejudicar a colheita.

Como tornam bem mais fácil o controle de ervas daninhas, essas culturas têm sido amplamente adotadas pelos fazendeiros. Este ano, 94 por cento da soja e 72 por cento do milho cultivados nos Estados Unidos eram tolerantes a herbicidas, de acordo com o Departamento de Agricultura.

Por sua vez, isso levou ao aumento súbito da utilização do glifosato, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental americana. A quantidade de herbicida utilizada em 2007 foi 5 vezes maior do que em 1997, um ano após a introdução das culturas Roundup Ready e, e aproximadamente 10 vezes maior do que em 1993.

Os fazendeiros, como se sabe, sempre tentaram eliminar as ervas daninhas tratando a terra ou pulverizando outros herbicidas, sendo que esses muitas vezes precisavam ser usados antes que as culturas brotassem do solo. O glifosato, no entanto, pode ser pulverizado no período vegetativo, pois não prejudica as culturas resistentes. Esse fato e a eficácia geral do glifosato resultaram em um controle maior das ervas daninhas.

“Ele mata tudo”, afirmou Lincoln P. Brower, entomólogo do Sweet Briar College e um dos autores do artigo que documenta a diminuição da população de monarcas no inverno mexicano. “É como um Armagedom absoluto da biodiversidade sobre uma enorme área”.

A quantidade de asclépias nas fazendas do estado do Iowa diminuiu 90 por cento entre 1999 e 2009, de acordo com Robert G. Hartzler, agrônomo do estado. Em seu estudo, publicado no ano passado na revista Crop Protection, ele encontrou asclépias em apenas 8 por cento dos campos de milho e soja em 2009, 51 por cento menos do que 1999.

Devido às práticas de controle de ervas daninhas – mesmo antes do advento dos cultivos Roundup Ready – é improvável que as fazendas abriguem tal quantidade de asclépias.

Porém, a grande quantidade de terras agrícolas no cinturão do milho demonstra que as fazendas no todo são as responsáveis pela maior parte dos nascimentos de monarcas, segundo outro estudo, publicado em 2001 por Oberhauser e seus colegas. Este estudo avaliou que em Iowa, as propriedades rurais produziram 78 vezes mais monarcas do que em áreas não cultivadas, e 73 vezes mais em Wisconsin e Minnesota.

Embora as monarcas venham de outras partes dos Estados Unidos, de modo geral acredita-se que a maioria delas seja incubada no Meio-Oeste. Porém, até mesmo Hartzler afirmou em seu artigo que seria difícil avaliar o impacto da diminuição da asclépia no Iowa sobre a população de monarcas.

O porta-voz da Monsanto, empresa criadora das culturas Roundup Ready e fabricante do Roundup, concorda. Segundo ele “ainda estão sendo desenvolvidos dados biológicos sobre os possíveis efeitos da agricultura de Iowa sobre a população de monarcas”. O que é válido para Iowa pode não valer para outras regiões, afirma.

Não é a primeira vez que as culturas geneticamente modificadas são consideradas uma ameaça para as monarcas. Em 1999, pesquisadores da Universidade Cornell relataram que as lagartas das monarcas podiam morrer caso se alimentassem de asclépia polvilhada com pólen do também geneticamente modificado milho BT. Esse milho possui um gene de bactéria conhecido por produzir uma toxina que mata certos tipos de pragas.

Contudo, pesquisas posteriores, financiadas em parte pela indústria de biotecnologia, descobriram que as lagartas provavelmente não seriam expostas a quantidades letais de pólen de milho BT sob condições reais do campo. A preocupação diminuiu.

Segundo os cientistas, o efeito sobre os insetos de impedir o crescimento das ervas daninhas não é uma surpresa e, provavelmente, não atinge apenas a monarca.

A Academia Americana de Ciências examinou este efeito em 2007, em um relatório sobre abelhas e outros animais que polinizam as culturas. O relatório cita a descoberta de um estudo britânico de que nos campos onde são cultivadas beterraba e canola geneticamente modificadas, existem menos borboletas do que nos campos de culturas não modificadas.

Isso produz a ideia um tanto quanto radical de que as ervas daninhas das fazendas talvez devessem ser protegidas. “Está ocorrendo uma mudança na forma de pensar a agricultura, porque os campos sem ervas daninhas eram a referência”, afirmou May Berenbaum, chefe do departamento de entomologia da Universidade de Illinois.

Entretanto, May e outros especialistas em insetos acreditam ser ilusório supor que os fazendeiros irão abrir mão das culturas tolerantes a herbicidas. Por isso, deve-se tentar proteger as que existem ou germinar asclépias em outros locais, talvez em terras reservadas para a preservação.

A Monarch Watch está encorajando os jardineiros a cultivar asclépias.

Taylor, da Monarch Watch, fez uma proposta simples e talvez irônica às empresas de biotecnologia. “Peço encarecidamente que desenvolvam uma asclépia resistente ao Roundup”, afirmou.

Fonte: Portal iG