1 de abril de 2013 | nenhum comentário »

Países africanos prometem mobilizar soldados para proteger elefantes

Mais de 419 animais foram mortos por caçadores desde 2012, diz WWF.
Países da África Central fizeram reunião de urgência devido a massacres.

Países da região central da África, como Camarões e Chade, prometem mobilizar até mil soldados para realizar operações militares de proteção aos elefantes das savanas, que estão ameaçados por caçadores originários do Sudão, disse a organização ambiental WWF nesta terça-feira (26). A matança dos animais está em situação “desenfreada”, segundo a ONG.

“Nós recomendamos a mobilização de todas as forças de segurança e de defesa dos países afetados”, afirmaram representantes da Comunidade Econômica dos Estados da África Central em um acordo conjunto anunciado após uma reunião de emergência contra a matança dos animais, ocorrida na semana passada, entre os dias 21 e 23 de março.

A conferência, realizada na capital de Camarões, Yaoundé, decidiu por um plano de emergência conjunto que custará 1,8 milhão de euros (R$ 4,6 milhões) aos países. Aviões, veículos militares em terra e comunicação via satélite vão ser algumas das ferramentas usadas por um comando militar que combaterá os caçadores.

Foram identificados mais de 300 caçadores sudaneses fortemente armados, que têm massacrado elefantes na República Centro-Africana, no Chade e nos Camarões, diz a WWF. Pelo menos 419 animais foram mortos nos três países desde o ano passado.

Devem ser enviadas também missões diplomáticas para o Sudão e o Sudão do Sul, país criado recentemente, como forma de buscar apoio governamental no combate aos caçadores ilegais.

Elefante morto por caçadores ilegais em Camarões (Foto: Divulgação/Bouba N’Djida/WWF)

Elefante morto por caçadores ilegais em Camarões (Foto: Divulgação/Bouba N’Djida/WWF)

Fonte: Globo Natureza


6 de março de 2013 | nenhum comentário »

População de elefantes africanos de florestas cai 62% em uma década

Levantamento foi feito em cinco países, incluindo Camarões e Gabão.
Animais ocupam menos de 25% da área que poderiam ocupar, diz estudo.

A população de elefantes africanos de florestas foi reduzida em 62% em uma década, aponta um estudo publicado nesta semana no periódico “PLoS One”. Segundo os cientistas, estes paquidermes estão sob pressão crescente de caçadores e praticamente desapareceram das matas da República Democrática do Congo, onde antes existiam em abundância.

“A população [de elefantes] está agora em 10% do seu tamanho potencial, ocupando menos de 25% do espaço que poderia ocupar”, dizem os cientistas. Eles fizeram o levantamento em cinco países, incluindo Camarões, Gabão e República Democrática do Congo.

O estudo foi realizado por mais de dez instituições diferentes, como a Universidade Estadual do Colorado, nos EUA; a Universidade de Stirling, na Grã-Bretanha; a Universidade de Amsterdã, na Holanda; e a Universidade de Liège, na Bélgica.

Entre as causas para a redução no número de animais entre 2002 e 20011, período coberto pelo estudo, está o crescimento populacional em regiões onde antes havia florestas, falta de punição aos caçadores, leis fracas e proximidade com regiões onde há expansão de infraestrutura, afirmam os pesquisadores.

O estudo cobriu cerca de 260 mil km², aproximadamente 12% das florestas na África Central. “Cerca de metade dos elefantes sobreviventes estão no Gabão, e menos de um quinto na República Democrática do Congo. Estes países cobrem 13% e 62% da área total de mata estudada, respectivamente”, dizem os cientistas.

“Provavelmente, a espécie foi eliminada de grandes regiões em que antes ela era encontrada”, afirmam os pesquisadores, no estudo.

Elefante africano de floresta atravessa rio com filhote  (Foto: Divulgação/Thomas Breuer/"PLoS One")

Elefante africano de floresta atravessa rio com filhote (Foto: Divulgação/Thomas Breuer/"PLoS One")

Fonte: Globo Natureza


6 de março de 2013 | nenhum comentário »

Cerca de 3 mil grandes macacos são vítimas de caça a cada ano, diz ONU

Parte é capturada, e o resto morre, segundo programa de conservação.
Relatório sobre primatas foi apresentado em conferência na Tailândia.

Cerca de 3 mil grandes macacos morrem ou são capturados a cada ano devido ao comércio ilegal, segundo um relatório da ONU publicado nesta segunda-feira (4).

Entre 2005 e 2011 estima-se que mais de 20 mil exemplares de grandes macacos foram vítimas da caça ilegal, segundo o estudo elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que supervisiona um programa específico de conservação conhecido como Grasp.

“Este comércio está florescendo, e é extremamente perigoso para a sobrevivência no longo prazo dos grandes macacos”, disse o coordenador do Grasp, Doug Cress, que descreveu este negócio ilegal como “sofisticado, engenhoso, bem financiado e bem armado”.

“Nesse ritmo, os macacos desaparecerão muito rápido”, disse Cress.

Além disso, advertiu, a captura de um só chimpanzé envolve, às vezes, matar outros dez.

“Não pode se meter na selva e pegar só um. Tem que brigar. Tem que matar os outros chimpanzés do grupo”, disse Cress à imprensa, durante a conferência da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Ameaçadas (Cites) sobre espécies em perigo realizada em Bangcoc.

O comércio internacional de chimpanzés, bonobos e gorilas, as três espécies de grandes símios africanos, assim como de orangotangos, a única espécie asiática, está proibido em virtude da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES), cujos países membros estão reunidos nesta semana na capital tailandesa.

Segundo o relatório, muitos destes macacos são vendidos como animais domésticos a compradores ricos, que os veem como um símbolo de poder, ou são adquiridos por zoológicos de reputação duvidosa e explorados pela indústria do turismo ou do entretenimento.

Uma fêmea de gorila-da-montanha com seu filhote. População de primatas desta espécie aumentou, aponta censo (Foto: Divulgação/Martin Harvey/WWF)

Fêmea de gorila-da-montanha com seu filhote. (Foto: Divulgação/Martin Harvey/WWF)

 

Fonte: Globo Natureza


16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Cinco mamíferos são extintos da Mata Atlântica

Não é de hoje que biólogos da conservação sabem que pequenos fragmentos de floresta tropical, em meio a fazendas ou cidades, pouco contribuem para a sobrevivência de animais de médio e grande porte, que precisam de espaço para locomoção, alimentação e reprodução. Novo estudo de pesquisadores brasileiros mostra que, pelo menos para a Mata Atlântica, a realidade desafia essa teoria clássica.

Mesmo grandes remanescentes estão sendo incapazes de manter a biodiversidade. Sem proteção efetiva que impeça a entrada de pessoas, a pressão histórica e atual de caçadores diminui os benefícios de ter uma área remanescente grande com uma floresta relativamente intacta, explica o biólogo Carlos Peres, da Universidade East Anglia, que liderou a pesquisa publicada na revista PLoS ONE.

 

O trabalho inventariou 18 espécies de mamíferos em 196 fragmentos ao longo da Mata Atlântica, o bioma mais ameaçado, que já perdeu cerca de 90 % da cobertura original. Mais de 205 mil km de estradas foram percorridos. Os pesquisadores descobriram que cinco delas tinham sido totalmente ou virtualmente extintas numa escala regional: queixada, onça-pintada, anta, muriqui e tamanduá-bandeira. E observaram que o fator que fez mais diferença para a manutenção da biodiversidade foi uma proteção efetiva da área. Isso ficou claro quando compararam fragmentos de tamanhos parecidos em que a diferença entre era o nível de proteção – os mais protegidos tinham mais animais.

 

E falar em proteção significa não apenas criar unidades de conservação. Em muitos casos elas existem, mas não estão implementadas nem têm segurança, sendo incapazes de impedir, por exemplo, a entrada de caçadores ou madeireiros. “Apenas cinco dos remanescentes investigados eram protegidos na prática e foram os que apresentaram as maiores taxas de retenção de espécies”, diz Peres.

 

A situação se mostrou mais crítica nos fragmentos da Mata Atlântica na porção oeste do Nordeste, onde há menos unidades de conservação. “A disponibilidade de proteína animal nessa região é baixa, por conta das altas taxa de densidade demográfica na zona rural. A economia de muitas casas de baixa renda é subsidiada por um padrão de caça que varia de recreativo à subsistência. Só a fauna relativamente tolerante a essa pressão persiste”, conta Peres.

 

Muitas espécies de mamíferos desapareceram até do folclore. “Ninguém nunca viu um muriqui ou um tamanduá-bandeira. Naquele caso, as reservas já chegariam atrasadas”, complementa Gustavo Canale, primeiro autor do artigo, que fez a pesquisa para seu doutorado na Universidade de Cambridge (Inglaterra). “Mesmo se existirem populações muito isoladas, elas estão tão reduzidas que já não são mais viáveis”, diz o biólogo, professor da Universidade Estadual de Mato Grosso. “A gente vê aquela mata bonita, acha que tem bicho, mas a verdade é que são florestas vazias.”

 

Entre janeiro de 2004 e janeiro de 2006, ele, Peres e colegas entrevistaram 8.846 pessoas que viviam no entorno dos remanescentes florestais havia pelo menos 15 anos. Tinham intimidade com a mata. Em muitos casos eram caçadores ou madeireiros, apesar de ninguém se declarar como tal. “Todo mundo fala que come a carne daqueles bichos, mas ninguém admite que caça”, conta Canale.

 

A análise mostrou uma taxa impressionante de extinções locais na fauna de mamíferos. De 3.528 populações possíveis de existir nos 196 fragmentos, 767 foram contabilizadas. Os remanescentes retinham 3,9 das 18 espécies investigadas.

Fonte: O Estado de São Paulo


7 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Após ataques, França vai caçar tubarões na ilha Reunião

Após série de incidentes, moradores pediram ajuda às autoridades para caçar peixes, que teriam se multiplicado nos últimos anos

A França vai contratar pescadores profissionais para matar nesta semana cerca de 20 tubarões na costa da ilha Reunião, território francês no oceano Índico, na esperança de entender uma série de ataques nesse paraíso dos surfistas.

Dois deles foram atacados por tubarões em menos de uma semana. Um deles, mordido no domingo, sobreviveu por pouco, mas perdeu uma mão e um pé. O outro morreu na segunda-feira (30) da semana passada.

Autoridades municipais de Saint-Leu, perto do local do ataque de domingo, pediram a governos de nível superior que abatessem as populações de tubarões-tigres e tubarões-cabeça-chata, que teriam se multiplicado no último ano.

Cerca de 300 moradores e surfistas fizeram um protesto em frente à principal delegacia de polícia da ilha, pedindo o abate dos tubarões.

O governo francês, porém, descartou um abate generalizado, dizendo que é preciso realizar estudos científicos sobre uma toxina que existe na carne dos tubarões, e que desestimula sua pesca.

O tubarão-cabeça-chata é uma das espécies que mais ataca humanos. Brian J. Skerry / National Geographic Image Sales

Fonte: Portal iG


27 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Abate ilegal de elefantes é prioridade em convenção da ONU

A regulamentação efetiva do comércio de plantas e animais silvestres está no centro das discussões de representantes de 175 países, reunidos em Genebra até hoje (sexta-feira).

Eles formam o comitê da Convenção sobre o Tratado Internacional das Espécies Selvagens Ameaçadas da Fauna e Flora, Cites. O abate ilegal de elefantes e o comércio do marfim são debatidos com alta prioridade no encontro.
O grupo avalia várias recomendações, como a implementação urgente do Plano de Ação Africano para proteger elefantes; maior controle dos mercados domésticos de marfim e melhor colaboração entre países da África e da Ásia no combate ao contrabando.

Segundo o presidente do comitê da Cites, Øysten Størkersen, os “níveis de caça e contrabando ilegal de elefantes e rinocerontes são os piores em uma década.” Nos primeiros seis meses deste ano, mais de 280 rinocerontes foram mortos, só na África do Sul.
O comitê da Cites analisa ainda o aumento da demanda por chifres de rinoceronte; os progressos para reduzir a exploração de tartarugas e sapos do Madagáscar e o uso de cobras da Ásia na indústria de couro.

Iniciativas para proteger tigres e comércio ilegal de grandes símios, como gorilas e orangotangos, também estão na pauta. A Cites é responsável por regular o comércio internacional de 35 mil espécies selvagens de plantas e animais.

 

Fonte: UOL

 


26 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Biodiversidade cai em metade das florestas tropicais, aponta estudo

Análise publicada na revista ‘Nature’ avaliou 60 reservas em 20 a 30 anos.
Perturbação do habitat, caça e exploração são maiores fatores para declínio.

Metade das áreas protegidas de florestas tropicais do mundo está sofrendo um declínio na biodiversidade, segundo uma análise feita em 60 reservas e publicada na edição desta semana da revista “Nature”.

Para avaliar como esses locais estão funcionando, o pesquisador William Laurance e outros autores estudaram um grande conjunto de dados sobre as mudanças ocorridas ao longo dos últimos 20 a 30 anos.

A avaliação revela uma grande variação no estado dessas reservas, e 50% vivenciam perdas substanciais na variedade de animais e plantas. Perturbação do habitat natural, caça e exploração das florestas são os maiores fatores para esse declínio.

As reservas tropicais representam um último refúgio para espécies ameaçadas e processos naturais dos ecossistemas, em uma época que cresce a preocupação quanto ao impacto do homem sobre o crescimento da biodiversidade.

O estudo indica que, muitas vezes, áreas protegidas estão ecologicamente ligadas aos habitats ao redor, razão pela qual o destino delas é determinado por mudanças ambientais internas e externas.

Portanto, os pesquisadores afirmam que os esforços para manter a biodiversidade não devem se limitar a reduzir os problemas dentro das reservas, mas promover mudanças também fora dessas áreas.

Biodiversidade (Foto: Christian Ziegler/ZieglerPhotos.com/Nature)

Reservas são o último refúgio de espécies ameaçadas (Foto: Christian Ziegler/ZieglerPhotos.com/Nature)

Fonte: Globo Natureza


11 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Venda de ossos de leão vira novo ‘negócio’ da máfia na África do Sul

Foco de traficantes é alimentar mercado asiático.
Esqueleto de leão vale aproximadamente US$ 10 mil.

Os ossos de leões que vivem na África do Sul, utilizados para fazer poções tradicionais, se transformaram no novo negócio das máfias asiáticas que se dedicam ao tráfico do chifre de rinoceronte, ao qual são atribuídas propriedades medicinais na Ásia.

O novo objetivo das máfias ficou evidente em setembro de 2011, quando a polícia sul-africana conseguiu desmontar a maior rede de tráfico de chifres de rinoceronte até o momento, da qual participava um criador de felinos, que se dedicava à falsificação de permissões de caça para ambas as espécies.

Dados do governo afirmam que 13 rinocerontes foram mortos em 2007 e 448 em 2011. Já em 2012, segundo a rede de Parques Nacionais da África do Sul (Sanparks), 270 rinos pereceram sob as ações ilegais de caçadores.

“As mesmas máfias que traficam chifres de rinoceronte estão comercializando ossos de leão”, assegura Jo Shaw, especialista em Comércio e Tráfico de Espécies do Fundo para a Proteção da Vida Selvagem da África Austral (EWT, na sigla em inglês).

Devido ao aumento da demanda nos mercados asiáticos, o preço de um esqueleto de leão subiu de US$ 4 mil em 2010 para US$ 10 mil este ano, segundo site da ONG britânica Lion Aid.

Apelo ao governo
Para tentar frear o tráfico de ossos de leão, uma campanha na internet conseguiu quase 650 mil assinaturas de apoio desde o dia 28 de junho, e se transformou em um fenômeno através do Facebook.

A iniciativa, que começou no site da Avaaz, uma organização que propõe ações cidadãs em favor de causas sociais, reivindica um milhão de assinaturas para exigir do presidente da África do Sul, Jacob Zuma, que proíba o tráfico desses animais.

“Centenas de leões sul-africanos estão sendo esquartejados para a fabricação de falsas poções sexuais para homens asiáticos, mas uma campanha global pode acabar com este cruel comércio”, indica o site da Avaaz.

Além disso, a iniciativa acrescenta que “os leões são criados em péssimas condições para sua caça, onde turistas endinheirados atiram contra eles através das cercas”.

“Os analistas temem que o aumento do valor [dos ossos] acabe desencadeando a caça ilegal dos 20 mil leões que vivem em estado selvagem na África”, acrescenta a Avaaz.

Mercado ilegal alternativo
Conservacionistas temem agora que os felinos sul-africanos se transformem em um negócio tão lucrativo quanto o dos rinocerontes. “Ainda não sabemos quais podem ser as consequências do aumento deste comércio sobre os leões selvagens”, reconhece Shaw, cuja organização vai realizar um estudo, junto à Universidade de Oxford, para analisar o impacto da demanda asiática.

De acordo com Kelly Marnewick, especialista em felinos da EWT, o comércio de leão é uma realidade na África do Sul e aumentou desde que a caça de tigres se tornou cada vez mais complicada.

Ainda segundo Kelly, outras espécies também já são afetadas, como leopardos e guepardos. Entretanto, é difícil distinguir ossos uns dos outros, segundo a conservacionista sul-africana.

Exemplares de Leões africanos têm sido caçados e mortos para extração de ossos, que são vendidos para o mercado asiático. Tradicionalistas da região acreditam em cura com poções que utilizam esqueleto. (Foto: Reprodução/Chris vd Merwe)

Exemplares de Leões africanos têm sido caçados e mortos para extração de ossos, que são vendidos para o mercado asiático. Tradicionalistas da região acreditam em cura com poções que utilizam esqueleto. (Foto: Reprodução/Chris vd Merwe)

Fonte: Globo Natureza


18 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Espécie de arara pode entrar em extinção na Caatinga, diz estudo

População da arara-maracanã-verdadeira reduziu devido ao desmate e caça.
Criação de plano para conservar animais pode ser solução, afirma estudo.

Um alerta que vem da Caatinga, bioma brasileiro que abrange todos os estados do Nordeste e parte de Minas Gerais: a arara-maracanã-verdadeira (Ara maracana) pode entrar em extinção na região devido ao desmatamento e ao comércio ilegal de animais.

A espécie, que já é classificada como vulnerável na natureza pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), sofre com o avanço da devastação da vegetação e com a caça predatória, que foca principalmente nos filhotes de aves, vendidos em feiras clandestinamente.

Esse é o resultado de um estudo feito entre 2009 e 2011, liderado pelo pesquisador Mauro Pichorim, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A redução da vegetação, principalmente da quantidade de mulungus, árvore típica do bioma, afetaria a reprodução da espécie.

“A reprodução dessas aves é feita dentro do tronco oco do mulungu. Entretanto, essa vegetação tem sido derrubada devido ao aumento da atividade pecuária”, disse o professor da UFRN.

Dados divulgados no ano passado pelo ministério do Meio Ambiente mostram que a Caatinga já perdeu quase 46% de sua vegetação original. Mais de 376 mil km² foram destruídos, de uma área original de 826.411 km².

Distribuição pelo país
De acordo com Pichorim, essa espécie, que pertence à família dos papagaios, era possível ser encontrada em quase todos os estados brasileiros. Mas desde a década de 1970, de acordo com o estudo, não há notícias de exemplares da arara-maracanã-verdadeira no Sul e foi constatada a redução de animais no Sudeste.

Já no Nordeste, restariam aproximadamente 500 indivíduos, sendo que cerca de 50 estariam na região da Serra de Santana (RN). O levantamento foi feito pela equipe da UFRN, com apoio da Fundação Boticário,

Plano de conservação
O trabalho sugere a criação de um plano de conservação que contaria com ações de fiscalização na região para combater o comércio ilegal e o desmate nas áreas consideradas importantes para a espécie.

“A proposta inicial abrangeria a região da Serra de Santana. Queremos focar nesta área e depois expandir para o restante do bioma”, disse o professor.

O projeto do plano, segundo ele, já foi entregue para a superintendência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) do RN e será apresentada também ao ministério do Meio Ambiente.

Exemplar de arara-maracanã-verdadeira. Espécie pode desaparecer da Caatinga devido ao desmatamento e à caça. (Foto: Divulgação)

Exemplar de arara-maracanã-verdadeira. Espécie pode desaparecer da Caatinga devido ao desmatamento e à caça. (Foto: Divulgação)

À esquerda, visão da Caatinga, bioma que abrange todo o Nordeste e parte de Minas Gerais. À direita, árvore mulungu, onde a arara-maracanã utilizada para reprodução. (Foto: Divulgação)

À esquerda, visão da Caatinga, bioma que abrange todo o Nordeste e parte de Minas Gerais. À direita, árvore mulungu, onde a arara-maracanã utilizada para reprodução. (Foto: Divulgação)

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


28 de março de 2012 | nenhum comentário »

Animais gigantes da Austrália foram extintos por humanos

Teoria corrente creditava desaparecimento da megafauna australiana, por volta de 40 mil anos atrás, às mudanças climáticas

Pesquisa de seis universidades australianas mostrou que os primeiros habitantes da Austrália podem ter tido o costume de caçar animais gigantes, quando chegaram, há 40 mil anos, ao território onde hoje fica o país. Com isso, os cientistas acreditam ter posto fim ao longo debate sobre como esses vertebrados de grande porte – como cangurus, gansos e lagartos gigantes – desapareceram subitamente do ecossistema australiano.

Com a extinção desses animais herbívoros, o consumo de material vegetal caiu fortemente, o que teria causado uma rápida e dramática mudança na paisagem australiana. Antes, as terras mesclavam florestas com áreas abertas de pastagem. Mas as florestas depois passaram a se espalhar, e árvores de eucalipto roubaram a cena do lugar, segundo os pesquisadores.

Sabe-se que a maioria dos grandes animais terrestres foi extinta nos últimos 100 mil anos, mas as razões para este desaparecimento são tema de constantes discussões entre cientistas. Os últimos argumentos defendiam que a diminuição dessas espécies decorreu de uma grande mudança climática ou de um incêndio generalizado. Mas pesquisa publicada nesta sexta-feira na revista Sciencecontradisse essa teoria.

Para resolver o mistério, os cientistas rastrearam os herbívoros de grande porte ao longo dos anos por meio de um método que analisa os esporos (unidades de reprodução) de fungos específicos que viviam em seus excrementos. “Os esporos desses fungos podem ser preservados em sedimentos em pântanos e lagos. Como os sedimentos se acumulam ao longo do tempo, é possível saber em que período da história houve ou não abundância de grandes herbívoros no ambiente”, explica Chris Johnson, líder do estudo.

Segundo o pesquisador, partículas de pólen e de carvão vegetal também ficam presas nesses sedimentos, ou seja, é possível analisar a história e a abundância dos grandes animais em relação às mudanças na vegetação do ambiente e a um possível incêndio. A pesquisa se focou, em grande parte, em um pântano chamado Lynch’s Crater, no nordeste do estado australiano de Queensland.

Os cientistas descobriram que a quantidade de mamíferos gigantes era estável até pouco antes de 40 mil anos atrás, momento em que subitamente caiu. “Isto exclui as mudanças climáticas como causa da extinção, já que antes do desaparecimento houve vários períodos de seca que não causaram nenhum efeito sobre a quantidade dos animais. E no momento em que eles foram extintos, o clima era estável”, diz Johnson.

Ainda de acordo com os dados cronológicos levantados pela pesquisa, os cientistas perceberam que a extinção se seguiu logo após o momento em que pessoas chegaram à região – também há 40 mil anos –, por isso acreditam que os seres humanos foram os responsáveis por ela. “Nosso estudo não se concentrou em descobrir diretamente de que forma as pessoas causaram a extinção, mas o mecanismo mais provável é a caça”, conclui o pesquisador.

Sthenerus

Canguru gigante australiano pertencente ao extinto gênero Sthenurus. Ele chegava a medir até três metros de comprimento, sendo aproximadamente duas vezes maior que o canguru moderno (Divulgação/Wikipedia)

Fonte: Veja Ciência


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1 de abril de 2013 | nenhum comentário »

Países africanos prometem mobilizar soldados para proteger elefantes

Mais de 419 animais foram mortos por caçadores desde 2012, diz WWF.
Países da África Central fizeram reunião de urgência devido a massacres.

Países da região central da África, como Camarões e Chade, prometem mobilizar até mil soldados para realizar operações militares de proteção aos elefantes das savanas, que estão ameaçados por caçadores originários do Sudão, disse a organização ambiental WWF nesta terça-feira (26). A matança dos animais está em situação “desenfreada”, segundo a ONG.

“Nós recomendamos a mobilização de todas as forças de segurança e de defesa dos países afetados”, afirmaram representantes da Comunidade Econômica dos Estados da África Central em um acordo conjunto anunciado após uma reunião de emergência contra a matança dos animais, ocorrida na semana passada, entre os dias 21 e 23 de março.

A conferência, realizada na capital de Camarões, Yaoundé, decidiu por um plano de emergência conjunto que custará 1,8 milhão de euros (R$ 4,6 milhões) aos países. Aviões, veículos militares em terra e comunicação via satélite vão ser algumas das ferramentas usadas por um comando militar que combaterá os caçadores.

Foram identificados mais de 300 caçadores sudaneses fortemente armados, que têm massacrado elefantes na República Centro-Africana, no Chade e nos Camarões, diz a WWF. Pelo menos 419 animais foram mortos nos três países desde o ano passado.

Devem ser enviadas também missões diplomáticas para o Sudão e o Sudão do Sul, país criado recentemente, como forma de buscar apoio governamental no combate aos caçadores ilegais.

Elefante morto por caçadores ilegais em Camarões (Foto: Divulgação/Bouba N’Djida/WWF)

Elefante morto por caçadores ilegais em Camarões (Foto: Divulgação/Bouba N’Djida/WWF)

Fonte: Globo Natureza


6 de março de 2013 | nenhum comentário »

População de elefantes africanos de florestas cai 62% em uma década

Levantamento foi feito em cinco países, incluindo Camarões e Gabão.
Animais ocupam menos de 25% da área que poderiam ocupar, diz estudo.

A população de elefantes africanos de florestas foi reduzida em 62% em uma década, aponta um estudo publicado nesta semana no periódico “PLoS One”. Segundo os cientistas, estes paquidermes estão sob pressão crescente de caçadores e praticamente desapareceram das matas da República Democrática do Congo, onde antes existiam em abundância.

“A população [de elefantes] está agora em 10% do seu tamanho potencial, ocupando menos de 25% do espaço que poderia ocupar”, dizem os cientistas. Eles fizeram o levantamento em cinco países, incluindo Camarões, Gabão e República Democrática do Congo.

O estudo foi realizado por mais de dez instituições diferentes, como a Universidade Estadual do Colorado, nos EUA; a Universidade de Stirling, na Grã-Bretanha; a Universidade de Amsterdã, na Holanda; e a Universidade de Liège, na Bélgica.

Entre as causas para a redução no número de animais entre 2002 e 20011, período coberto pelo estudo, está o crescimento populacional em regiões onde antes havia florestas, falta de punição aos caçadores, leis fracas e proximidade com regiões onde há expansão de infraestrutura, afirmam os pesquisadores.

O estudo cobriu cerca de 260 mil km², aproximadamente 12% das florestas na África Central. “Cerca de metade dos elefantes sobreviventes estão no Gabão, e menos de um quinto na República Democrática do Congo. Estes países cobrem 13% e 62% da área total de mata estudada, respectivamente”, dizem os cientistas.

“Provavelmente, a espécie foi eliminada de grandes regiões em que antes ela era encontrada”, afirmam os pesquisadores, no estudo.

Elefante africano de floresta atravessa rio com filhote  (Foto: Divulgação/Thomas Breuer/"PLoS One")

Elefante africano de floresta atravessa rio com filhote (Foto: Divulgação/Thomas Breuer/"PLoS One")

Fonte: Globo Natureza


6 de março de 2013 | nenhum comentário »

Cerca de 3 mil grandes macacos são vítimas de caça a cada ano, diz ONU

Parte é capturada, e o resto morre, segundo programa de conservação.
Relatório sobre primatas foi apresentado em conferência na Tailândia.

Cerca de 3 mil grandes macacos morrem ou são capturados a cada ano devido ao comércio ilegal, segundo um relatório da ONU publicado nesta segunda-feira (4).

Entre 2005 e 2011 estima-se que mais de 20 mil exemplares de grandes macacos foram vítimas da caça ilegal, segundo o estudo elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que supervisiona um programa específico de conservação conhecido como Grasp.

“Este comércio está florescendo, e é extremamente perigoso para a sobrevivência no longo prazo dos grandes macacos”, disse o coordenador do Grasp, Doug Cress, que descreveu este negócio ilegal como “sofisticado, engenhoso, bem financiado e bem armado”.

“Nesse ritmo, os macacos desaparecerão muito rápido”, disse Cress.

Além disso, advertiu, a captura de um só chimpanzé envolve, às vezes, matar outros dez.

“Não pode se meter na selva e pegar só um. Tem que brigar. Tem que matar os outros chimpanzés do grupo”, disse Cress à imprensa, durante a conferência da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Ameaçadas (Cites) sobre espécies em perigo realizada em Bangcoc.

O comércio internacional de chimpanzés, bonobos e gorilas, as três espécies de grandes símios africanos, assim como de orangotangos, a única espécie asiática, está proibido em virtude da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES), cujos países membros estão reunidos nesta semana na capital tailandesa.

Segundo o relatório, muitos destes macacos são vendidos como animais domésticos a compradores ricos, que os veem como um símbolo de poder, ou são adquiridos por zoológicos de reputação duvidosa e explorados pela indústria do turismo ou do entretenimento.

Uma fêmea de gorila-da-montanha com seu filhote. População de primatas desta espécie aumentou, aponta censo (Foto: Divulgação/Martin Harvey/WWF)

Fêmea de gorila-da-montanha com seu filhote. (Foto: Divulgação/Martin Harvey/WWF)

 

Fonte: Globo Natureza


16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Cinco mamíferos são extintos da Mata Atlântica

Não é de hoje que biólogos da conservação sabem que pequenos fragmentos de floresta tropical, em meio a fazendas ou cidades, pouco contribuem para a sobrevivência de animais de médio e grande porte, que precisam de espaço para locomoção, alimentação e reprodução. Novo estudo de pesquisadores brasileiros mostra que, pelo menos para a Mata Atlântica, a realidade desafia essa teoria clássica.

Mesmo grandes remanescentes estão sendo incapazes de manter a biodiversidade. Sem proteção efetiva que impeça a entrada de pessoas, a pressão histórica e atual de caçadores diminui os benefícios de ter uma área remanescente grande com uma floresta relativamente intacta, explica o biólogo Carlos Peres, da Universidade East Anglia, que liderou a pesquisa publicada na revista PLoS ONE.

 

O trabalho inventariou 18 espécies de mamíferos em 196 fragmentos ao longo da Mata Atlântica, o bioma mais ameaçado, que já perdeu cerca de 90 % da cobertura original. Mais de 205 mil km de estradas foram percorridos. Os pesquisadores descobriram que cinco delas tinham sido totalmente ou virtualmente extintas numa escala regional: queixada, onça-pintada, anta, muriqui e tamanduá-bandeira. E observaram que o fator que fez mais diferença para a manutenção da biodiversidade foi uma proteção efetiva da área. Isso ficou claro quando compararam fragmentos de tamanhos parecidos em que a diferença entre era o nível de proteção – os mais protegidos tinham mais animais.

 

E falar em proteção significa não apenas criar unidades de conservação. Em muitos casos elas existem, mas não estão implementadas nem têm segurança, sendo incapazes de impedir, por exemplo, a entrada de caçadores ou madeireiros. “Apenas cinco dos remanescentes investigados eram protegidos na prática e foram os que apresentaram as maiores taxas de retenção de espécies”, diz Peres.

 

A situação se mostrou mais crítica nos fragmentos da Mata Atlântica na porção oeste do Nordeste, onde há menos unidades de conservação. “A disponibilidade de proteína animal nessa região é baixa, por conta das altas taxa de densidade demográfica na zona rural. A economia de muitas casas de baixa renda é subsidiada por um padrão de caça que varia de recreativo à subsistência. Só a fauna relativamente tolerante a essa pressão persiste”, conta Peres.

 

Muitas espécies de mamíferos desapareceram até do folclore. “Ninguém nunca viu um muriqui ou um tamanduá-bandeira. Naquele caso, as reservas já chegariam atrasadas”, complementa Gustavo Canale, primeiro autor do artigo, que fez a pesquisa para seu doutorado na Universidade de Cambridge (Inglaterra). “Mesmo se existirem populações muito isoladas, elas estão tão reduzidas que já não são mais viáveis”, diz o biólogo, professor da Universidade Estadual de Mato Grosso. “A gente vê aquela mata bonita, acha que tem bicho, mas a verdade é que são florestas vazias.”

 

Entre janeiro de 2004 e janeiro de 2006, ele, Peres e colegas entrevistaram 8.846 pessoas que viviam no entorno dos remanescentes florestais havia pelo menos 15 anos. Tinham intimidade com a mata. Em muitos casos eram caçadores ou madeireiros, apesar de ninguém se declarar como tal. “Todo mundo fala que come a carne daqueles bichos, mas ninguém admite que caça”, conta Canale.

 

A análise mostrou uma taxa impressionante de extinções locais na fauna de mamíferos. De 3.528 populações possíveis de existir nos 196 fragmentos, 767 foram contabilizadas. Os remanescentes retinham 3,9 das 18 espécies investigadas.

Fonte: O Estado de São Paulo


7 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Após ataques, França vai caçar tubarões na ilha Reunião

Após série de incidentes, moradores pediram ajuda às autoridades para caçar peixes, que teriam se multiplicado nos últimos anos

A França vai contratar pescadores profissionais para matar nesta semana cerca de 20 tubarões na costa da ilha Reunião, território francês no oceano Índico, na esperança de entender uma série de ataques nesse paraíso dos surfistas.

Dois deles foram atacados por tubarões em menos de uma semana. Um deles, mordido no domingo, sobreviveu por pouco, mas perdeu uma mão e um pé. O outro morreu na segunda-feira (30) da semana passada.

Autoridades municipais de Saint-Leu, perto do local do ataque de domingo, pediram a governos de nível superior que abatessem as populações de tubarões-tigres e tubarões-cabeça-chata, que teriam se multiplicado no último ano.

Cerca de 300 moradores e surfistas fizeram um protesto em frente à principal delegacia de polícia da ilha, pedindo o abate dos tubarões.

O governo francês, porém, descartou um abate generalizado, dizendo que é preciso realizar estudos científicos sobre uma toxina que existe na carne dos tubarões, e que desestimula sua pesca.

O tubarão-cabeça-chata é uma das espécies que mais ataca humanos. Brian J. Skerry / National Geographic Image Sales

Fonte: Portal iG


27 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Abate ilegal de elefantes é prioridade em convenção da ONU

A regulamentação efetiva do comércio de plantas e animais silvestres está no centro das discussões de representantes de 175 países, reunidos em Genebra até hoje (sexta-feira).

Eles formam o comitê da Convenção sobre o Tratado Internacional das Espécies Selvagens Ameaçadas da Fauna e Flora, Cites. O abate ilegal de elefantes e o comércio do marfim são debatidos com alta prioridade no encontro.
O grupo avalia várias recomendações, como a implementação urgente do Plano de Ação Africano para proteger elefantes; maior controle dos mercados domésticos de marfim e melhor colaboração entre países da África e da Ásia no combate ao contrabando.

Segundo o presidente do comitê da Cites, Øysten Størkersen, os “níveis de caça e contrabando ilegal de elefantes e rinocerontes são os piores em uma década.” Nos primeiros seis meses deste ano, mais de 280 rinocerontes foram mortos, só na África do Sul.
O comitê da Cites analisa ainda o aumento da demanda por chifres de rinoceronte; os progressos para reduzir a exploração de tartarugas e sapos do Madagáscar e o uso de cobras da Ásia na indústria de couro.

Iniciativas para proteger tigres e comércio ilegal de grandes símios, como gorilas e orangotangos, também estão na pauta. A Cites é responsável por regular o comércio internacional de 35 mil espécies selvagens de plantas e animais.

 

Fonte: UOL

 


26 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Biodiversidade cai em metade das florestas tropicais, aponta estudo

Análise publicada na revista ‘Nature’ avaliou 60 reservas em 20 a 30 anos.
Perturbação do habitat, caça e exploração são maiores fatores para declínio.

Metade das áreas protegidas de florestas tropicais do mundo está sofrendo um declínio na biodiversidade, segundo uma análise feita em 60 reservas e publicada na edição desta semana da revista “Nature”.

Para avaliar como esses locais estão funcionando, o pesquisador William Laurance e outros autores estudaram um grande conjunto de dados sobre as mudanças ocorridas ao longo dos últimos 20 a 30 anos.

A avaliação revela uma grande variação no estado dessas reservas, e 50% vivenciam perdas substanciais na variedade de animais e plantas. Perturbação do habitat natural, caça e exploração das florestas são os maiores fatores para esse declínio.

As reservas tropicais representam um último refúgio para espécies ameaçadas e processos naturais dos ecossistemas, em uma época que cresce a preocupação quanto ao impacto do homem sobre o crescimento da biodiversidade.

O estudo indica que, muitas vezes, áreas protegidas estão ecologicamente ligadas aos habitats ao redor, razão pela qual o destino delas é determinado por mudanças ambientais internas e externas.

Portanto, os pesquisadores afirmam que os esforços para manter a biodiversidade não devem se limitar a reduzir os problemas dentro das reservas, mas promover mudanças também fora dessas áreas.

Biodiversidade (Foto: Christian Ziegler/ZieglerPhotos.com/Nature)

Reservas são o último refúgio de espécies ameaçadas (Foto: Christian Ziegler/ZieglerPhotos.com/Nature)

Fonte: Globo Natureza


11 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Venda de ossos de leão vira novo ‘negócio’ da máfia na África do Sul

Foco de traficantes é alimentar mercado asiático.
Esqueleto de leão vale aproximadamente US$ 10 mil.

Os ossos de leões que vivem na África do Sul, utilizados para fazer poções tradicionais, se transformaram no novo negócio das máfias asiáticas que se dedicam ao tráfico do chifre de rinoceronte, ao qual são atribuídas propriedades medicinais na Ásia.

O novo objetivo das máfias ficou evidente em setembro de 2011, quando a polícia sul-africana conseguiu desmontar a maior rede de tráfico de chifres de rinoceronte até o momento, da qual participava um criador de felinos, que se dedicava à falsificação de permissões de caça para ambas as espécies.

Dados do governo afirmam que 13 rinocerontes foram mortos em 2007 e 448 em 2011. Já em 2012, segundo a rede de Parques Nacionais da África do Sul (Sanparks), 270 rinos pereceram sob as ações ilegais de caçadores.

“As mesmas máfias que traficam chifres de rinoceronte estão comercializando ossos de leão”, assegura Jo Shaw, especialista em Comércio e Tráfico de Espécies do Fundo para a Proteção da Vida Selvagem da África Austral (EWT, na sigla em inglês).

Devido ao aumento da demanda nos mercados asiáticos, o preço de um esqueleto de leão subiu de US$ 4 mil em 2010 para US$ 10 mil este ano, segundo site da ONG britânica Lion Aid.

Apelo ao governo
Para tentar frear o tráfico de ossos de leão, uma campanha na internet conseguiu quase 650 mil assinaturas de apoio desde o dia 28 de junho, e se transformou em um fenômeno através do Facebook.

A iniciativa, que começou no site da Avaaz, uma organização que propõe ações cidadãs em favor de causas sociais, reivindica um milhão de assinaturas para exigir do presidente da África do Sul, Jacob Zuma, que proíba o tráfico desses animais.

“Centenas de leões sul-africanos estão sendo esquartejados para a fabricação de falsas poções sexuais para homens asiáticos, mas uma campanha global pode acabar com este cruel comércio”, indica o site da Avaaz.

Além disso, a iniciativa acrescenta que “os leões são criados em péssimas condições para sua caça, onde turistas endinheirados atiram contra eles através das cercas”.

“Os analistas temem que o aumento do valor [dos ossos] acabe desencadeando a caça ilegal dos 20 mil leões que vivem em estado selvagem na África”, acrescenta a Avaaz.

Mercado ilegal alternativo
Conservacionistas temem agora que os felinos sul-africanos se transformem em um negócio tão lucrativo quanto o dos rinocerontes. “Ainda não sabemos quais podem ser as consequências do aumento deste comércio sobre os leões selvagens”, reconhece Shaw, cuja organização vai realizar um estudo, junto à Universidade de Oxford, para analisar o impacto da demanda asiática.

De acordo com Kelly Marnewick, especialista em felinos da EWT, o comércio de leão é uma realidade na África do Sul e aumentou desde que a caça de tigres se tornou cada vez mais complicada.

Ainda segundo Kelly, outras espécies também já são afetadas, como leopardos e guepardos. Entretanto, é difícil distinguir ossos uns dos outros, segundo a conservacionista sul-africana.

Exemplares de Leões africanos têm sido caçados e mortos para extração de ossos, que são vendidos para o mercado asiático. Tradicionalistas da região acreditam em cura com poções que utilizam esqueleto. (Foto: Reprodução/Chris vd Merwe)

Exemplares de Leões africanos têm sido caçados e mortos para extração de ossos, que são vendidos para o mercado asiático. Tradicionalistas da região acreditam em cura com poções que utilizam esqueleto. (Foto: Reprodução/Chris vd Merwe)

Fonte: Globo Natureza


18 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Espécie de arara pode entrar em extinção na Caatinga, diz estudo

População da arara-maracanã-verdadeira reduziu devido ao desmate e caça.
Criação de plano para conservar animais pode ser solução, afirma estudo.

Um alerta que vem da Caatinga, bioma brasileiro que abrange todos os estados do Nordeste e parte de Minas Gerais: a arara-maracanã-verdadeira (Ara maracana) pode entrar em extinção na região devido ao desmatamento e ao comércio ilegal de animais.

A espécie, que já é classificada como vulnerável na natureza pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), sofre com o avanço da devastação da vegetação e com a caça predatória, que foca principalmente nos filhotes de aves, vendidos em feiras clandestinamente.

Esse é o resultado de um estudo feito entre 2009 e 2011, liderado pelo pesquisador Mauro Pichorim, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A redução da vegetação, principalmente da quantidade de mulungus, árvore típica do bioma, afetaria a reprodução da espécie.

“A reprodução dessas aves é feita dentro do tronco oco do mulungu. Entretanto, essa vegetação tem sido derrubada devido ao aumento da atividade pecuária”, disse o professor da UFRN.

Dados divulgados no ano passado pelo ministério do Meio Ambiente mostram que a Caatinga já perdeu quase 46% de sua vegetação original. Mais de 376 mil km² foram destruídos, de uma área original de 826.411 km².

Distribuição pelo país
De acordo com Pichorim, essa espécie, que pertence à família dos papagaios, era possível ser encontrada em quase todos os estados brasileiros. Mas desde a década de 1970, de acordo com o estudo, não há notícias de exemplares da arara-maracanã-verdadeira no Sul e foi constatada a redução de animais no Sudeste.

Já no Nordeste, restariam aproximadamente 500 indivíduos, sendo que cerca de 50 estariam na região da Serra de Santana (RN). O levantamento foi feito pela equipe da UFRN, com apoio da Fundação Boticário,

Plano de conservação
O trabalho sugere a criação de um plano de conservação que contaria com ações de fiscalização na região para combater o comércio ilegal e o desmate nas áreas consideradas importantes para a espécie.

“A proposta inicial abrangeria a região da Serra de Santana. Queremos focar nesta área e depois expandir para o restante do bioma”, disse o professor.

O projeto do plano, segundo ele, já foi entregue para a superintendência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) do RN e será apresentada também ao ministério do Meio Ambiente.

Exemplar de arara-maracanã-verdadeira. Espécie pode desaparecer da Caatinga devido ao desmatamento e à caça. (Foto: Divulgação)

Exemplar de arara-maracanã-verdadeira. Espécie pode desaparecer da Caatinga devido ao desmatamento e à caça. (Foto: Divulgação)

À esquerda, visão da Caatinga, bioma que abrange todo o Nordeste e parte de Minas Gerais. À direita, árvore mulungu, onde a arara-maracanã utilizada para reprodução. (Foto: Divulgação)

À esquerda, visão da Caatinga, bioma que abrange todo o Nordeste e parte de Minas Gerais. À direita, árvore mulungu, onde a arara-maracanã utilizada para reprodução. (Foto: Divulgação)

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


28 de março de 2012 | nenhum comentário »

Animais gigantes da Austrália foram extintos por humanos

Teoria corrente creditava desaparecimento da megafauna australiana, por volta de 40 mil anos atrás, às mudanças climáticas

Pesquisa de seis universidades australianas mostrou que os primeiros habitantes da Austrália podem ter tido o costume de caçar animais gigantes, quando chegaram, há 40 mil anos, ao território onde hoje fica o país. Com isso, os cientistas acreditam ter posto fim ao longo debate sobre como esses vertebrados de grande porte – como cangurus, gansos e lagartos gigantes – desapareceram subitamente do ecossistema australiano.

Com a extinção desses animais herbívoros, o consumo de material vegetal caiu fortemente, o que teria causado uma rápida e dramática mudança na paisagem australiana. Antes, as terras mesclavam florestas com áreas abertas de pastagem. Mas as florestas depois passaram a se espalhar, e árvores de eucalipto roubaram a cena do lugar, segundo os pesquisadores.

Sabe-se que a maioria dos grandes animais terrestres foi extinta nos últimos 100 mil anos, mas as razões para este desaparecimento são tema de constantes discussões entre cientistas. Os últimos argumentos defendiam que a diminuição dessas espécies decorreu de uma grande mudança climática ou de um incêndio generalizado. Mas pesquisa publicada nesta sexta-feira na revista Sciencecontradisse essa teoria.

Para resolver o mistério, os cientistas rastrearam os herbívoros de grande porte ao longo dos anos por meio de um método que analisa os esporos (unidades de reprodução) de fungos específicos que viviam em seus excrementos. “Os esporos desses fungos podem ser preservados em sedimentos em pântanos e lagos. Como os sedimentos se acumulam ao longo do tempo, é possível saber em que período da história houve ou não abundância de grandes herbívoros no ambiente”, explica Chris Johnson, líder do estudo.

Segundo o pesquisador, partículas de pólen e de carvão vegetal também ficam presas nesses sedimentos, ou seja, é possível analisar a história e a abundância dos grandes animais em relação às mudanças na vegetação do ambiente e a um possível incêndio. A pesquisa se focou, em grande parte, em um pântano chamado Lynch’s Crater, no nordeste do estado australiano de Queensland.

Os cientistas descobriram que a quantidade de mamíferos gigantes era estável até pouco antes de 40 mil anos atrás, momento em que subitamente caiu. “Isto exclui as mudanças climáticas como causa da extinção, já que antes do desaparecimento houve vários períodos de seca que não causaram nenhum efeito sobre a quantidade dos animais. E no momento em que eles foram extintos, o clima era estável”, diz Johnson.

Ainda de acordo com os dados cronológicos levantados pela pesquisa, os cientistas perceberam que a extinção se seguiu logo após o momento em que pessoas chegaram à região – também há 40 mil anos –, por isso acreditam que os seres humanos foram os responsáveis por ela. “Nosso estudo não se concentrou em descobrir diretamente de que forma as pessoas causaram a extinção, mas o mecanismo mais provável é a caça”, conclui o pesquisador.

Sthenerus

Canguru gigante australiano pertencente ao extinto gênero Sthenurus. Ele chegava a medir até três metros de comprimento, sendo aproximadamente duas vezes maior que o canguru moderno (Divulgação/Wikipedia)

Fonte: Veja Ciência


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