14 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Ministério cria grupo para discutir regras sobre sacolinhas plásticas

Ideia é debater uso sustentável e normatização das sacolinhas no país.
Portaria no Diário Oficial da União anunciou criação de grupo de trabalho.

O Ministério do Meio Ambiente criou um grupo de trabalho para discutir o uso sustentável das sacolinhas plásticas e propor normas sobre o tema para o Brasil, segundo uma portaria publicada nesta terça-feira (13) no Diário Oficial da União.

O fim da distribuição das sacolas no estado de São Paulo causou polêmica neste ano, após um acordo entre a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e a Associação Paulista de Supermercados (Apas), que previa que as sacolinhas não seriam mais entregues aos consumidor a partir de janeiro de 2012. Após idas e vindas, com manifestações do Procon, do Ministério Público e da Justiça sobre o tema, a distribuição acabou sendo retomada e normalizada pela Apas.

A ideia do grupo de trabalho criado pelo ministério é que ele estude o consumo sustentável e a normatização do uso das sacolinhas, de acordo com a portaria. Uma hipótese em análise é a de criar certificações para diferentes tipos de sacolas, como forma de orientar o consumidor.

Outra hipótese é a de formular campanhas para conscientizar sobre problemas do uso e descarte inadequado dos sacos plásticos, de acordo com o texto do Diário Oficial da União.

O grupo de trabalho será formado por membros de secretarias do Ministério do Meio Ambiente, por representantes do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro), de instituições de defesa do consumidor, ONGs, representantes do Ministério da Justiça e entidades que representam supermercados, produtores de embalagens plásticas e setores de reciclagem, entre outras instituições.

O grupo de trabalho terá duração de seis meses, podendo ser prorrogado por um período equivalente após sua convocação. A portaria entrou em vigor após a publicação, segundo o texto do Diário Oficial da União.

Fonte: Globo Natureza


23 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Leões doentes motivam campanhas nas redes sociais

Raquel faz carinho em Ariel que ela tem como quarto filho (Foto: Caroline Hasselmann/G1)

Raquel faz carinho em Ariel que ela tem como quarto filho (Foto: Caroline Hasselmann/G1)

O sofrimento de Ariel e Simba, dois leões doentes, provocou uma onda de solidariedade pelas redes sociais no Brasil, aproveitada por ativistas para sensibilizar a sociedade sobre os problemas enfrentados pelos animais.

Com três anos de idade, o leão Ariel – cujo nome em hebraico significa leão de deus – sofre uma rara doença degenerativa autoimune que lhe provocou paralisia das patas. Ele não pode andar e recebe cuidados quase maternais e atenção privilegiada para muitos seres humanos.

O animal, que vivia com cuidados especiais em cidade de Maringá (PR), nasceu em 2008 e ganhou fama ao aparecer na TV, vivendo em um sítio de uma família local. Foi levado a São Paulo para ser submetido a uma cirurgia.

Pelo tratamento, o sangue é extraído do corpo e processado de modo que os glóbulos brancos e vermelhos se separem do plasma. As células do sangue são devolvidas e se pratica uma reinfusão com plasma doado por outros exemplares de sua espécie.

“Muitas pessoas não conseguem entender o grande amor que sentimos por um animal”, disse Raquel Borges, que, junto a seu marido, se encarrega dos cuidados de 14 animais, entre os quais se encontra Ariel.

Raquel explicou que o felino, que faz tratamento na casa da médica veterinária Livia Pereira Teixeira, não foi levado a um hospital para que ela pudesse ficar 24 horas a seu lado.

Para Raquel, o grande apoio que recebe através das redes sociais é essencial para seguir adiante. “As pessoas me transmitem muita energia positiva. Sei que estão do meu lado, que não estou sozinha”, disse a dona do animal.

As redes sociais têm contribuído para sensibilizar e estimular as doações à causa. Até esta sexta-feira, 59 mil pessoas já haviam manifestado apoio à comunidade “Ajuda ao Leão Ariel” no Facebook.

Segundo os cálculos de Raquel, desde o fim do ano passado até agora, o tratamento que o animal está recebendo já custou cerca de R$ 18 mil, financiados em parte graças às doações arrecadadas através de organizações simpatizantes.

“A respiração de Ariel marca o ritmo quando estou perto. Todas as minhas energias estão com ele. Está fraco, mas só vamos parar quando ele se recuperar”, disse Raquel, que cuida do leão em um colchão no salão da casa da veterinária.

Em sua opinião, o pequeno Ariel está “lutando pela vida”; para ela, é “uma grande emoção mostrar às pessoas que vale a pena amar”.

Enquanto isso, no Mato Grosso do Sul, o leão Simba sofre de depressão após a morte de sua companheira e passa seus dias solitário em um zoológico fechado ao público desde 2005 no município de Ivinhema.

O estado de Simba também comoveu os internautas e suscitou uma corrente internacional de simpatia pelo Facebook. A comunidade “Leão Simba também precisa de você” recebe mensagens de apoio provenientes até do outro lado do Atlântico, como Portugal.

Para o prefeito de Ivinhema, Renato Pieretti Câmara, o leão recebe todos os cuidados necessários. Sua transferência a outro zoológico ou reserva, tal como pedem algumas vozes, depende de se encontrar o local adequado, além de resolver os custos necessários para isso.

Ariel e Simba não são dois casos isolados. Os responsáveis pelo bem-estar de outros animais doentes aproveitaram o exemplo dos dois leões para militar na internet, mobilizar campanhas de sensibilização e pedir contribuições econômicas.

O pastor alemão Buba, de dois anos, que chegou tetraplégico a uma clínica de São Paulo, seria sacrificado por seu dono que não podia pagar o tratamento, mas os veterinários decidiram adotá-lo.

Em três meses, recuperou peso, reflexos e sensibilidade e seus donos pediram ajuda a um site de apoio a animais para arrecadar os R$ 10 mil necessários para continuar o tratamento.

Já a gata Luciana, encontrada na rua por seu atual dono, tem problemas de crescimento por fraturar várias vértebras. Para cuidar do animal, seu responsável promove rifas e vende doces que o permitem financiar o custo das sessões de acupuntura e fisioterapia requeridas para seu desenvolvimento.

Também no caso de Luciana, uma comunidade do Facebook serviu para obter a ajuda financeira de “padrinhos”, que querem tornar mais alegre a vida dos animais em sofrimento.

Fonte: Marta Berard – EFE UOL


3 de junho de 2011 | nenhum comentário »

O que comemorar na Semana do Meio Ambiente?

Artigo do professor Heitor Scalambrini Costa, enviado pelo autor ao JCEmail.

No dia 5 de junho é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente e da Ecologia, A criação desta data foi estabelecida pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 1972 marcando a abertura da Conferência de Estocolmo sobre Ambiente Humano.

 

O meio ambiente e a ecologia passaram a ser uma preocupação em todo o mundo, em meados do século 20. Porém, foi ainda no séc. 19 que um biólogo alemão, Ernst Haeckel (1834-1919), criou formalmente a disciplina que estuda a relação dos seres vivos com o meio ambiente, ao propor, em 1866, o nome ecologia para esse ramo da biologia. Haeckel foi um naturalista que ajudou a popularizar o trabalho de Charles Darwin.

 

Este ano a Semana do Meio Ambiente está inserida no contexto global do Ano Internacional das Florestas, declarado pela Organização das Nações Unidas, e a nível nacional em sintonia com a Campanha da Fraternidade realizada anualmente pela Igreja Católica Apostólica Romana.

 

O tema da Campanha da Fraternidade de 2011 é “Fraternidade e a Vida no Planeta” e está voltada para o meio ambiente. A Igreja propõe como objetivo geral: contribuir para a conscientização das comunidades sobre a gravidade do aquecimento global e das mudanças climáticas, e motivá-las a participar dos debates e ações que visam enfrentar o problema e preservar as condições de vida no planeta.

 

Nesta data estabelecida pela ONU, em comemoração ao primeiro grande encontro internacional dedicado à temática ambiental, Gaia não tem muito o que festejar.

 

No caso do Brasil há uma forte contradição do governo entre o que se prega nos debates internacionais e o que se pratica no dia-a-dia. Somos conhecidos mundialmente até pouco tempo, devido ao setor energético ter praticamente metade do seu atendimento por fontes renováveis de energia, possuindo um eficaz sistema de gestão integrada das usinas hidrelétricas e uso de biomassa. Após a desastrosa privatização desse setor, com seu desmantelamento, os planejadores atuais identificam agora a necessidade de instalação de mega-hidroelétricas na região Amazônica, a instalação de usinas nucleares e de termoelétricas a combustíveis fósseis para atender a demanda futura de energia elétrica em nosso país. Assim caminhamos na contra mão das ações que estão em desenvolvimento em outros países que tem privilegiado as fontes renováveis de energia em suas matrizes energéticas.

 

Em Pernambuco o momento vivido deve ser analisado criticamente, pois seu atual crescimento econômico obedece a uma mentalidade que tem base na visão do século passado do “crescimento a qualquer custo”, ignorando a dimensão sócio-ambiental. Pois então vejamos as ações propostas e em execução, e respondamos a pergunta “O que comemorar na Semana do Meio Ambiente?”.

 

Barragem de Morojozinho – Esta barragem a ser construída em Nazaré da Mata (50 km de Recife), prevê o corte de 6,24 ha de Mata Atlântica, no riacho Morojozinho, no Engenho Morojó. Lembrando que em Pernambuco a Mata Atlântica ocupa menos de 2,5% da cobertura original.

 

Implantação e pavimentação do contorno rodoviário do Cabo de Santo Agostinho

A chamada “Via Expressa” prevê a ligação viária entre a BR-101 e o distrito de Nossa Senhora do Ó. O principal impacto ambiental é representado pela supressão de vegetação de Mata Atlântica. Dos 11,8 hectares a serem suprimidos, 2,6 ha estão localizados nas margens de riachos, em Áreas de Preservação Permanente (APP).

 

Usina Termoelétrica Suape II – A construção da usina termelétrica Suape II, no Complexo Industrial e Portuário de Suape, localizado entre os municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, há 40 km ao sul de Recife. A potência instalada será de 380 MW, e consumirá óleo combustível, uma sujeira só para o meio ambiente. O projeto pertence a um grupo formado pela Petrobras e a Nova Cibe Energia (Grupo Bertin), cujo início de operação comercial está prevista para janeiro de 2012. Estima-se a emissão anual de pelo menos 2 milhões de toneladas de CO², (considerando que para cada tonelada equivalente de petróleo-tep se produz 3,34 toneladas de CO², e que 1 m³ de óleo combustível é igual 0,946 tep).

Previsão de outra Termoelétrica em Suape III – Anunciada em julho de 2010 na reunião do Conselho Estadual de Políticas Industriais, Comerciais e de Serviços (Condic). Esta nova térmica a ser instalada também no Complexo Industrial e Portuário de Suape, consumindo óleo combustível, terá um potencia instalada de 1.450 MW. Estima-se preliminarmente que a emissão anual será de 8 milhões de toneladas de CO² .

 

Ampliação do Complexo Industrial e Portuário de Suape – Recentemente foi autorizado pela Assembléia Legislativa o desmatamento para a ampliação do Complexo Industrial e Portuário de Suape de 691 hectares (tamanho aproximado de 700 campos de futebol) de mata nativa, sendo 508 de mangue, 166 de restinga e 17 de Mata Atlântica. Inicialmente previsto o desmatamento de 1.076,49 hectares de vegetação nativa, mas foi reduzido devido a pressão de organizações da sociedade civil pelo absurdo proposto.

Governo estadual disputa instalação de usina nuclear – Anunciado que o Estado vai entrar na disputa para receber uma das duas centrais nucleares que o governo federal planeja instalar no Nordeste. É sabido que no artigo 216 a Constituição Estadual, proíbe a instalação de usinas nucleares enquanto não se esgotar toda a capacidade de produzir energia elétrica de outras fontes. Logo, terá que mudada a Constituição Estadual para instalar esta usina em Pernambuco.

 

Construção de Pequena Central Hidroelétrica (PCH) – Desmatamento de vegetação nativa autorizado pela Assembléia Legislativa de 7,4 hectares visando o alagamento de uma área para a formação do reservatório da PCH de 6,5 MW denominada Pedra Furada, localizada nos municípios de Ribeirão e Joaquim Nabuco, na Mata Sul, distante a 87 km do Recife.

 

Termope (Termoelétrica de Pernambuco) – Foi iniciada a construção a partir de 2001, como parte do Programa Prioritário de Termeletricidade (PPT) do Governo Federal. Entrou em operação em 2004, e esta localizada no Complexo Industrial e Portuário de Suape com potência instalada de 532 MW, e a plena carga consome 2 milhões de m³ de gás natural. Emissões anuais de CO² são estimadas em 1,8 milhões de toneladas (considerando que para cada tonelada equivalente de petróleo se produz 2,12 toneladas de CO², onde .1 m³ de gás é igual a 0,968 tep). O terreno ocupado possibilita a duplicação da usina podendo atingir a potência de 1.064 MW.

 

A construção de um estádio e da cidade da copa, para a Copa do Mundo de 2014

resultará no desmatamento de uma área considerável do fragmento da Mata Atlântica de São Lourenço da Mata, situada a 20 km de Recife. O projeto da Cidade da Copa prevê uma área de 239 hectares para construção de todos os equipamentos (previstos prédios residenciais e um hospital). O estádio ocupará cerca de 40 ha desse total.

 

A implantação do Estaleiro Construcap S.A. – Para a instalação desta planta naval, que irá ocupar 40 ha, a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) concedeu a licença de instalação autorizando a supressão de 28 ha de mangue (berçário natural de centenas de espécie) na ilha de Tatuoca. Sendo que as atividades típicas desse tipo de empreendimento poluem em todas suas formas, e a mão de obra necessária não é na sua grande maioria, oriunda da comunidade, e seu entorno, com vêm falando os interessados e o governador.

 

Heitor Scalambrini Costa é professor Associado da Universidade Federal de Pernambuco.

Fonte: Jornal da Ciência.






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Ministério cria grupo para discutir regras sobre sacolinhas plásticas

Ideia é debater uso sustentável e normatização das sacolinhas no país.
Portaria no Diário Oficial da União anunciou criação de grupo de trabalho.

O Ministério do Meio Ambiente criou um grupo de trabalho para discutir o uso sustentável das sacolinhas plásticas e propor normas sobre o tema para o Brasil, segundo uma portaria publicada nesta terça-feira (13) no Diário Oficial da União.

O fim da distribuição das sacolas no estado de São Paulo causou polêmica neste ano, após um acordo entre a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e a Associação Paulista de Supermercados (Apas), que previa que as sacolinhas não seriam mais entregues aos consumidor a partir de janeiro de 2012. Após idas e vindas, com manifestações do Procon, do Ministério Público e da Justiça sobre o tema, a distribuição acabou sendo retomada e normalizada pela Apas.

A ideia do grupo de trabalho criado pelo ministério é que ele estude o consumo sustentável e a normatização do uso das sacolinhas, de acordo com a portaria. Uma hipótese em análise é a de criar certificações para diferentes tipos de sacolas, como forma de orientar o consumidor.

Outra hipótese é a de formular campanhas para conscientizar sobre problemas do uso e descarte inadequado dos sacos plásticos, de acordo com o texto do Diário Oficial da União.

O grupo de trabalho será formado por membros de secretarias do Ministério do Meio Ambiente, por representantes do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro), de instituições de defesa do consumidor, ONGs, representantes do Ministério da Justiça e entidades que representam supermercados, produtores de embalagens plásticas e setores de reciclagem, entre outras instituições.

O grupo de trabalho terá duração de seis meses, podendo ser prorrogado por um período equivalente após sua convocação. A portaria entrou em vigor após a publicação, segundo o texto do Diário Oficial da União.

Fonte: Globo Natureza


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Leões doentes motivam campanhas nas redes sociais

Raquel faz carinho em Ariel que ela tem como quarto filho (Foto: Caroline Hasselmann/G1)

Raquel faz carinho em Ariel que ela tem como quarto filho (Foto: Caroline Hasselmann/G1)

O sofrimento de Ariel e Simba, dois leões doentes, provocou uma onda de solidariedade pelas redes sociais no Brasil, aproveitada por ativistas para sensibilizar a sociedade sobre os problemas enfrentados pelos animais.

Com três anos de idade, o leão Ariel – cujo nome em hebraico significa leão de deus – sofre uma rara doença degenerativa autoimune que lhe provocou paralisia das patas. Ele não pode andar e recebe cuidados quase maternais e atenção privilegiada para muitos seres humanos.

O animal, que vivia com cuidados especiais em cidade de Maringá (PR), nasceu em 2008 e ganhou fama ao aparecer na TV, vivendo em um sítio de uma família local. Foi levado a São Paulo para ser submetido a uma cirurgia.

Pelo tratamento, o sangue é extraído do corpo e processado de modo que os glóbulos brancos e vermelhos se separem do plasma. As células do sangue são devolvidas e se pratica uma reinfusão com plasma doado por outros exemplares de sua espécie.

“Muitas pessoas não conseguem entender o grande amor que sentimos por um animal”, disse Raquel Borges, que, junto a seu marido, se encarrega dos cuidados de 14 animais, entre os quais se encontra Ariel.

Raquel explicou que o felino, que faz tratamento na casa da médica veterinária Livia Pereira Teixeira, não foi levado a um hospital para que ela pudesse ficar 24 horas a seu lado.

Para Raquel, o grande apoio que recebe através das redes sociais é essencial para seguir adiante. “As pessoas me transmitem muita energia positiva. Sei que estão do meu lado, que não estou sozinha”, disse a dona do animal.

As redes sociais têm contribuído para sensibilizar e estimular as doações à causa. Até esta sexta-feira, 59 mil pessoas já haviam manifestado apoio à comunidade “Ajuda ao Leão Ariel” no Facebook.

Segundo os cálculos de Raquel, desde o fim do ano passado até agora, o tratamento que o animal está recebendo já custou cerca de R$ 18 mil, financiados em parte graças às doações arrecadadas através de organizações simpatizantes.

“A respiração de Ariel marca o ritmo quando estou perto. Todas as minhas energias estão com ele. Está fraco, mas só vamos parar quando ele se recuperar”, disse Raquel, que cuida do leão em um colchão no salão da casa da veterinária.

Em sua opinião, o pequeno Ariel está “lutando pela vida”; para ela, é “uma grande emoção mostrar às pessoas que vale a pena amar”.

Enquanto isso, no Mato Grosso do Sul, o leão Simba sofre de depressão após a morte de sua companheira e passa seus dias solitário em um zoológico fechado ao público desde 2005 no município de Ivinhema.

O estado de Simba também comoveu os internautas e suscitou uma corrente internacional de simpatia pelo Facebook. A comunidade “Leão Simba também precisa de você” recebe mensagens de apoio provenientes até do outro lado do Atlântico, como Portugal.

Para o prefeito de Ivinhema, Renato Pieretti Câmara, o leão recebe todos os cuidados necessários. Sua transferência a outro zoológico ou reserva, tal como pedem algumas vozes, depende de se encontrar o local adequado, além de resolver os custos necessários para isso.

Ariel e Simba não são dois casos isolados. Os responsáveis pelo bem-estar de outros animais doentes aproveitaram o exemplo dos dois leões para militar na internet, mobilizar campanhas de sensibilização e pedir contribuições econômicas.

O pastor alemão Buba, de dois anos, que chegou tetraplégico a uma clínica de São Paulo, seria sacrificado por seu dono que não podia pagar o tratamento, mas os veterinários decidiram adotá-lo.

Em três meses, recuperou peso, reflexos e sensibilidade e seus donos pediram ajuda a um site de apoio a animais para arrecadar os R$ 10 mil necessários para continuar o tratamento.

Já a gata Luciana, encontrada na rua por seu atual dono, tem problemas de crescimento por fraturar várias vértebras. Para cuidar do animal, seu responsável promove rifas e vende doces que o permitem financiar o custo das sessões de acupuntura e fisioterapia requeridas para seu desenvolvimento.

Também no caso de Luciana, uma comunidade do Facebook serviu para obter a ajuda financeira de “padrinhos”, que querem tornar mais alegre a vida dos animais em sofrimento.

Fonte: Marta Berard – EFE UOL


3 de junho de 2011 | nenhum comentário »

O que comemorar na Semana do Meio Ambiente?

Artigo do professor Heitor Scalambrini Costa, enviado pelo autor ao JCEmail.

No dia 5 de junho é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente e da Ecologia, A criação desta data foi estabelecida pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 1972 marcando a abertura da Conferência de Estocolmo sobre Ambiente Humano.

 

O meio ambiente e a ecologia passaram a ser uma preocupação em todo o mundo, em meados do século 20. Porém, foi ainda no séc. 19 que um biólogo alemão, Ernst Haeckel (1834-1919), criou formalmente a disciplina que estuda a relação dos seres vivos com o meio ambiente, ao propor, em 1866, o nome ecologia para esse ramo da biologia. Haeckel foi um naturalista que ajudou a popularizar o trabalho de Charles Darwin.

 

Este ano a Semana do Meio Ambiente está inserida no contexto global do Ano Internacional das Florestas, declarado pela Organização das Nações Unidas, e a nível nacional em sintonia com a Campanha da Fraternidade realizada anualmente pela Igreja Católica Apostólica Romana.

 

O tema da Campanha da Fraternidade de 2011 é “Fraternidade e a Vida no Planeta” e está voltada para o meio ambiente. A Igreja propõe como objetivo geral: contribuir para a conscientização das comunidades sobre a gravidade do aquecimento global e das mudanças climáticas, e motivá-las a participar dos debates e ações que visam enfrentar o problema e preservar as condições de vida no planeta.

 

Nesta data estabelecida pela ONU, em comemoração ao primeiro grande encontro internacional dedicado à temática ambiental, Gaia não tem muito o que festejar.

 

No caso do Brasil há uma forte contradição do governo entre o que se prega nos debates internacionais e o que se pratica no dia-a-dia. Somos conhecidos mundialmente até pouco tempo, devido ao setor energético ter praticamente metade do seu atendimento por fontes renováveis de energia, possuindo um eficaz sistema de gestão integrada das usinas hidrelétricas e uso de biomassa. Após a desastrosa privatização desse setor, com seu desmantelamento, os planejadores atuais identificam agora a necessidade de instalação de mega-hidroelétricas na região Amazônica, a instalação de usinas nucleares e de termoelétricas a combustíveis fósseis para atender a demanda futura de energia elétrica em nosso país. Assim caminhamos na contra mão das ações que estão em desenvolvimento em outros países que tem privilegiado as fontes renováveis de energia em suas matrizes energéticas.

 

Em Pernambuco o momento vivido deve ser analisado criticamente, pois seu atual crescimento econômico obedece a uma mentalidade que tem base na visão do século passado do “crescimento a qualquer custo”, ignorando a dimensão sócio-ambiental. Pois então vejamos as ações propostas e em execução, e respondamos a pergunta “O que comemorar na Semana do Meio Ambiente?”.

 

Barragem de Morojozinho – Esta barragem a ser construída em Nazaré da Mata (50 km de Recife), prevê o corte de 6,24 ha de Mata Atlântica, no riacho Morojozinho, no Engenho Morojó. Lembrando que em Pernambuco a Mata Atlântica ocupa menos de 2,5% da cobertura original.

 

Implantação e pavimentação do contorno rodoviário do Cabo de Santo Agostinho

A chamada “Via Expressa” prevê a ligação viária entre a BR-101 e o distrito de Nossa Senhora do Ó. O principal impacto ambiental é representado pela supressão de vegetação de Mata Atlântica. Dos 11,8 hectares a serem suprimidos, 2,6 ha estão localizados nas margens de riachos, em Áreas de Preservação Permanente (APP).

 

Usina Termoelétrica Suape II – A construção da usina termelétrica Suape II, no Complexo Industrial e Portuário de Suape, localizado entre os municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, há 40 km ao sul de Recife. A potência instalada será de 380 MW, e consumirá óleo combustível, uma sujeira só para o meio ambiente. O projeto pertence a um grupo formado pela Petrobras e a Nova Cibe Energia (Grupo Bertin), cujo início de operação comercial está prevista para janeiro de 2012. Estima-se a emissão anual de pelo menos 2 milhões de toneladas de CO², (considerando que para cada tonelada equivalente de petróleo-tep se produz 3,34 toneladas de CO², e que 1 m³ de óleo combustível é igual 0,946 tep).

Previsão de outra Termoelétrica em Suape III – Anunciada em julho de 2010 na reunião do Conselho Estadual de Políticas Industriais, Comerciais e de Serviços (Condic). Esta nova térmica a ser instalada também no Complexo Industrial e Portuário de Suape, consumindo óleo combustível, terá um potencia instalada de 1.450 MW. Estima-se preliminarmente que a emissão anual será de 8 milhões de toneladas de CO² .

 

Ampliação do Complexo Industrial e Portuário de Suape – Recentemente foi autorizado pela Assembléia Legislativa o desmatamento para a ampliação do Complexo Industrial e Portuário de Suape de 691 hectares (tamanho aproximado de 700 campos de futebol) de mata nativa, sendo 508 de mangue, 166 de restinga e 17 de Mata Atlântica. Inicialmente previsto o desmatamento de 1.076,49 hectares de vegetação nativa, mas foi reduzido devido a pressão de organizações da sociedade civil pelo absurdo proposto.

Governo estadual disputa instalação de usina nuclear – Anunciado que o Estado vai entrar na disputa para receber uma das duas centrais nucleares que o governo federal planeja instalar no Nordeste. É sabido que no artigo 216 a Constituição Estadual, proíbe a instalação de usinas nucleares enquanto não se esgotar toda a capacidade de produzir energia elétrica de outras fontes. Logo, terá que mudada a Constituição Estadual para instalar esta usina em Pernambuco.

 

Construção de Pequena Central Hidroelétrica (PCH) – Desmatamento de vegetação nativa autorizado pela Assembléia Legislativa de 7,4 hectares visando o alagamento de uma área para a formação do reservatório da PCH de 6,5 MW denominada Pedra Furada, localizada nos municípios de Ribeirão e Joaquim Nabuco, na Mata Sul, distante a 87 km do Recife.

 

Termope (Termoelétrica de Pernambuco) – Foi iniciada a construção a partir de 2001, como parte do Programa Prioritário de Termeletricidade (PPT) do Governo Federal. Entrou em operação em 2004, e esta localizada no Complexo Industrial e Portuário de Suape com potência instalada de 532 MW, e a plena carga consome 2 milhões de m³ de gás natural. Emissões anuais de CO² são estimadas em 1,8 milhões de toneladas (considerando que para cada tonelada equivalente de petróleo se produz 2,12 toneladas de CO², onde .1 m³ de gás é igual a 0,968 tep). O terreno ocupado possibilita a duplicação da usina podendo atingir a potência de 1.064 MW.

 

A construção de um estádio e da cidade da copa, para a Copa do Mundo de 2014

resultará no desmatamento de uma área considerável do fragmento da Mata Atlântica de São Lourenço da Mata, situada a 20 km de Recife. O projeto da Cidade da Copa prevê uma área de 239 hectares para construção de todos os equipamentos (previstos prédios residenciais e um hospital). O estádio ocupará cerca de 40 ha desse total.

 

A implantação do Estaleiro Construcap S.A. – Para a instalação desta planta naval, que irá ocupar 40 ha, a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) concedeu a licença de instalação autorizando a supressão de 28 ha de mangue (berçário natural de centenas de espécie) na ilha de Tatuoca. Sendo que as atividades típicas desse tipo de empreendimento poluem em todas suas formas, e a mão de obra necessária não é na sua grande maioria, oriunda da comunidade, e seu entorno, com vêm falando os interessados e o governador.

 

Heitor Scalambrini Costa é professor Associado da Universidade Federal de Pernambuco.

Fonte: Jornal da Ciência.