23 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Grandes macacos surgiram há 25 milhões de anos, indicam fósseis

Reconstrução artística do _Rukwapithecus_ (à esq.) e do _Nsungwepithecus_ (à dir.)

Reconstrução artística do Rukwapithecus fleaglei (à esq.) e do Nsungwepithecus gunnelli (à dir.). Ilustração Mauricio Antón/Divulgação

Dois fósseis aparentemente insignificantes –uma mandíbula e um único dente– acabam de ajudar os cientistas a traçar um quadro mais claro da origem do grupo de primatas ao qual pertence o homem.

Ambos os fósseis têm 25 milhões de anos. O primeiro representa o mais antigo hominoide, ou grande macaco –animais como chimpanzés, gorilas, orangotangos e o Homo sapiens. Já o segundo é o mais velho entre os macacos com rabo do Velho Mundo, animais como babuínos e resos, por exemplo.

A pesquisa descrevendo os fósseis está na revista científica “Nature” e tem como primeira autora Nancy Stevens, da Universidade de Ohio (EUA). Os dois bichos viviam na Tanzânia, na África Oriental –região que já é famosa por outros fósseis importantes para entender a evolução humana.

Para quem acha estranho que cacos tão diminutos sejam usados para batizar duas espécies, é importante lembrar que, no caso dos mamíferos, as características da mandíbula e dos dentes são muito típicas de cada animal, ajudando a inferir não apenas sua dieta como também, em geral, suas relações de parentesco.

Em entrevista à Folha, Stevens contou que o maior dos bichos, o hominoideRukwapithecus fleaglei, devia ter uns 12 kg. É mais difícil estimar o tamanho do outro macaco, o Nsungwepithecus gunnelli, já que ele é só conhecido com base num dente, mas ele devia ter um pouco menos do que isso.

Os bichos viviam num ambiente um tanto apocalíptico: montanhas vulcânicas ladeavam uma região semiárida, na qual também havia pântanos e lagos. Na época, já estava começando a surgir o imenso vale que caracteriza a África Oriental de hoje, formado pelo afastamento de duas placas tectônicas –era isso o que gerava o vulcanismo na região.

E essa pode ser uma das peças do quebra-cabeças para explicar por que, afinal, os macacões ancestrais do homem surgiram nesse momento, separando-se dos macacos com cauda.

“Antes, havia ali inúmeros primatas relativamente pequenos”, conta Stevens. “Milhões de anos mais tarde, quando a África se encontra com a Ásia [antes, o continente era uma ilha], surgem primatas de maior tamanho, e uma das ideias é que eles tivessem evoluído para se adaptar à competição com a fauna asiática que invadiu a África.”

No entanto, o notável a respeito das novas espécies é que elas já são grandinhas. “Isso pode indicar que a formação do vale e dos vulcões na região criou ambientes heterogêneos, que favoreceram a diversificação dessas espécies”, diz o australiano Eric Roberts, geólogo da Universidade James Cook que é coautor do estudo. “Mas ainda não temos certeza disso.”

 

Fonte: Folha.com


20 de março de 2013 | nenhum comentário »

Chimpanzés são capazes de trabalhar em grupo, diz estudo

Duplas de animais dividiram ferramentas para abrir caixa com frutas.
Para cientistas, comportamento se assemelha ao de seres humanos.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Max Planck, na Alemanha, e pela Universidade de Warwick, na Grã-Bretanha, aponta que os chimpanzés são capazes de coordenar ações entre si, de forma semelhante ao que fazem os humanos. Eles demonstraram que podem trabalhar em grupo e pareceram entender que ajudar um colega a cumprir uma tarefa pode trazer um ganho coletivo, afirma o estudo, publicado nesta terça-feira (19) no periódico “Biology Letters”.

Na pesquisa, duplas de animais receberam ferramentas para ajudar a retirar uvas de caixas de plástico fechadas. O objetivo era que eles trabalhassem juntos, cada dupla com seus instrumentos, para abrir as caixas e obter as frutas.

Os chimpanzés foram capazes de cumprir as tarefas e trocar entre si as ferramentas para resolver o problema, dizem os cientistas.

“Muitas espécies de animais cooperam para atingir benefícios mútuos, como defender território ou caçar presas. No entanto, o nível de coordenação é muitas vezes vago, e o sucesso nas ações parece depender de ações simultâneas, mas independentes”, disse a cientista Alicia Melis, uma das autoras do estudo.

Alicia enfatizou, na pesquisa, que o objetivo foi “descobrir de onde as habilidades humanas de cooperação e trabalho em equipe possivelmente surgiram e se elas são únicas para nossa espécie ou não”. Foram estudados 12 primatas do Santuário Sweetwaters para Chimpanzés, localizado no Quênia, na África.

Os animais foram divididos em duplas e colocados diante de caixas de plástico fechadas com frutas – foram alocados chimpanzés tanto na frente quanto na parte de trás dos recipientes. Um dos animais de cada dupla recebia duas ferramentas para abrir a sua respectiva caixa.

Em 10 dos 12 casos, os animais perceberam que, para resolver o problema, teriam que dar uma ferramenta para seu colega de dupla. E em 73% das tentativas, os chimpanzés escolheram os instrumentos certos para entregar a seus companheiros para cumprir o objetivo de retirar as frutas, dizem os cientistas.

“O estudo mostra, pela primeira vez, que os chimpanzés prestam atenção nas ações de seus companheiros quando realizam uma atividade em colaboração”, diz a pesquisadora Alicia.

Ela afirma que, após a primeira troca de ferramentas entre os animais, a taxa de sucesso na execução repetida do teste subia: em 97% dos casos, o objeto entregue ao colega de dupla para cumprir a tarefa foi o correto; e os chimpanzés passaram a ser bem-sucedidos na tarefa em 86% das tentativas de obter as uvas.

Bebê chimpanzé acompanhado de grupo de adultos; bactéria pode matar animais selvagens, diz estudo (Foto: Brian Szekely/Virginia Tech/Divulgação)

Bebê chimpanzé acompanhado de grupo de adultos (Foto: Brian Szekely/Virginia Tech/Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


15 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas decodificam código genético do bonobo

Com o sequenciamento genético de um dos parentes mais próximos do homem, os cientistas esperam descobrir como era o ancestral comum entre o ser humano e outros primatas

Um grupo internacional de cientistas decodificou o código genético do bonobo. Entre os símios – grupo de primatas formado por orangotangos, chimpanzés, gorilas e bonobos -, esse é o último a ter seu genoma decodificado. O sequenciamento genético do bonobo foi publicado nesta terça-feira na revista Nature.

Para realizar a pesquisa, os cientistas obtiveram dados de Ulindi, uma fêmea de bonobo do zoológico de Leipzig, na Alemanha. Com essa informação genética, os cientistas esperam conhecer melhor a linhagem humana.

Semelhanças e diferenças — A comparação entre os genomas do bonobo, do chimpanzé e do homem mostrou que os humanos têm uma diferenciação de 1,3% de ambos. Chimpanzés e bonobos são mais próximos: a diferença genética entre eles é de apenas 0,4%

Embora sejam similares em muitos aspectos, os símios africanos diferem em comportamentos sociais e sexuais importantes e alguns demonstram mais similaridade com os humanos do que entre si.

Para o cientista Kay Pruefer, biólogo do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva (Alemanha), a pesquisa forneceu mais informações sobre bonobos e chimpanzés do que sobre os humanos.

Em busca do ancestral comum — “Esperamos que o entendimento das diferenças entre bonobos e chimpanzés nos ajude, um dia, a entender como era o ancestral comum (de humanos, chimpanzés e bonobos)”, disse Pruefer. ”Seria muito interessante descobrir qual foi o traço que os humanos adquiriram em sua evolução ao longo de milhões de anos”, concluiu.

Os cientistas explicaram que o sequenciamento genético demonstrou que bonobos e chimpanzés não se misturaram ou cruzaram entre si depois que seus caminhos se separaram geograficamente, cerca de dois milhões de anos atrás, provavelmente na época da formação do Rio Congo.

Chimpanzés

Os machos competem agressivamente por domínio e sexo e unem forças para defender seu território atacando outros grupos.

Esses animais se espalham ao longo da África equatorial.

Bonobos

Os machos costumam ser subordinados às fêmeas, não competem por hierarquia e não tomam parte em confrontos. São animais brincalhões e fazem sexo por diversão, não apenas para se reproduzir.

Estão restritos ao sul do Rio Congo, na República Democrática do Congo. Devido ao seu hábitat pequeno e remoto, os bonobos foram a última espécie de símios “descoberta” nos 1920, e são os mais raros de todos os símios em cativeiro.

Espécie de chimpanzé banobo

Cientistas divulgaram nesta terça-feira o sequenciamento genético dos bonobos, um dos parentes mais próximos do homem (Issouf Sanogo/AFP)

Fonte: Veja Ciência


4 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Entre chimpanzés, uso de ferramentas varia conforme o grupo

Dependendo de onde a refeição é servida, a pessoa talvez coma com vontade usando garfo e faca, pauzinhos ou as mãos. Constatou-se que o chimpanzé possui um tipo de variação cultural semelhante. Grupos vizinhos desses animais possuem modos diferentes de abrir nozes, relata um novo estudo, publicado no periódico Current Biology.

Os pesquisadores notaram que um grupo de chimpanzés selvagens do Parque Nacional de Tai, na Costa do Marfim, prefere usar ferramentas de pedra para abrir nozes por meio de golpes. Outros dois grupos de chimpanzés usaram ferramentas de pedra no início da temporada, quando as nozes estavam mais duras, mas mudaram para ferramentas de madeira conforme elas foram amolecendo.

As preferências dos grupos de chimpanzés também diferiam em relação ao tamanho da madeira, afirmou Lydia Luncz, primeira autora do estudo e primatologista do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, em Leipzig, na Alemanha.

Os chimpanzés exibem um tipo de preferência cultural na escolha de ferramentas, afirmou a estudante de pós-graduação.

“Trata-se apenas de uma preferência, pois eles cresceram assim”, afirmou. Ocasionalmente, quando não havia pedras suficientes à disposição, os chimpanzés que preferiam ferramentas de pedra recorriam ao uso de madeira.

“Eles sabem como fazer isso”, afirmou Luncz. “Eles apenas não gostam.”

Ela também percebeu que as fêmeas deixam seus grupos sociais na puberdade para se juntar a novos grupos. Nessa época, elas são especialistas em abrir nozes. Contudo, parece que adotam os métodos de abrir nozes utilizados por seu novo grupo, afirmou Luncz.

“Do contrário, haveria uma mistura. Mas vemos diferenças claras entre os grupos”, afirmou.

Embora os grupos de chimpanzés sejam vizinhos e interajam com frequência, as interações nunca são amigáveis e eles não aprendem uns com os outros.

“É uma guerra constante”, afirmou. “Eles não interagem de um modo que possibilite observar um ao outro abrindo nozes.” 

Fonte: Portal iG


25 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Com mil chimpanzés em laboratórios, EUA estuda mudar lei

Em uma jaula ao ar livre em forma de cúpula, dezenas de chimpanzés gritam. Os pelos das costas estão levantados. Segundo a Dra. Dana Hasselschwert, chefe de ciências veterinárias do Centro de Pesquisas de New Iberia, “isso é piloereção”, um sinal de excitação emocional.

Ela pede aos visitantes que mantenham distância. Os chimpanzés costumam atirar pequenas pedras ou objetos mais perigosos quando ficam agitados.

A semelhança dos chimpanzés com os humanos os torna importantes para pesquisas, mas também gera muita solidariedade. Para os pesquisadores, esses animais podem significar a melhor chance de descobrir a cura de doenças atrozes. Para muitas pessoas, porém, eles são nossos parentes atrás das grades.

A pesquisa biomédica com chimpanzés ajudou a produzir a vacina contra a hepatite B e tem por objetivo produzir a vacina contra a hepatite C, que infecta 170 milhões de pessoas em todo o mundo. Contudo, há muito que os protestos contra essa pesquisa consideram-na cruel e desnecessária. Devido à grande pressão atual de organizações de defesa dos animais, a decisão judicial que porá um fim a este tipo de pesquisa nos Estados Unidos pode vir em um ano. Atualmente, apenas os Estados Unidos e outro país conduzem pesquisas invasivas com chimpanzés. O segundo país é o Gabão, que fica na África central.

Segundo Wayne Pacelle, presidente e diretor executivo da Sociedade Humanitária dos Estados Unidos, “este é um momento bastante diferente dos outros”. “É o momento de tirar os chimpanzés da pesquisa invasiva e dos laboratórios”, afirma.

John VandeBerg, diretor do Centro Nacional de Pesquisa sobre os primatas do sudoeste, concorda que este é “um momento crucial”. O centro é um dos seis laboratórios do país onde há chimpanzés. As diversas tentativas dos opositores “podem levar ao fim de toda a pesquisa médica com os chimpanzés”, afirmou.

A sociedade e outros grupos pressionaram os NIH (Institutos Nacionais da Saúde) americanos para que fosse elaborado um relatório sobre a utilidade da pesquisa com chimpanzés, aguardado para este ano. A Sociedade Humanitária também se uniu ao Instituto Jane Goodall e à Sociedade para a Conservação da Vida Selvagem para elaborar uma petição ao Serviço de Fauna e Peixes dos Estados Unidos, na qual é declarado o risco de extinção dos chimpanzés em cativeiro, uma vez que os que vivem na natureza já estão ameaçados, oferecendo a eles mais proteção. A decisão é aguardada para setembro do ano que vêm.

Além disso, o Great Ape Protection and Cost Savings Act (Lei pela proteção e redução de custos com grandes símios) irá proibir o uso de todos os grandes símios nas pesquisas invasivas (incluindo bonobos, gorilas e orangotangos). O republicano Roscoe Bartlett, deputado pelo estado de Maryland, é um dos apoiadores da lei. Segundo Bartlett, a lei representará uma economia de US$ 30 milhões para o contribuinte, quantia que é gasta anualmente com os chimpanzés de propriedade do governo.

Segundo Pacelle, é alto o custo da pesquisa invasiva com chimpanzés, sendo que existem alternativas. Além disso, os procedimentos realizados são dolorosos e os animais são mantidos em isolamento, afirma. “Esta espécie está ameaçada de extinção e é a mais próxima dos humanos geneticamente”, afirma. “Além disso, não devemos abusar de nosso poder”, afirma.

VandeBerg, em contrapartida, afirma que suspender as pesquisas com chimpanzés representaria uma ameaça a vidas humanas. “A redução do índice de desenvolvimento de medicamentos para essas doenças significará a morte de centenas de milhares de pessoas, milhões de fato, devido a anos de atraso”, afirmou. Se a pesquisa permite salvar vidas humanas, afirmou VandeBerg, “seria totalmente antiético não realizá-la”, afirmou VandeBerg.

Maus-tratos
Os laboratórios de pesquisa dos Estados Unidos abrigam mil chimpanzés, e o Centro de Pesquisas de New Iberia é um deles. O centro pertence à Universidade de Louisiana em Lafayette, e ocupa 40 hectares do centro da Louisiana francesa ou acadiana, aproximadamente 210 km a oeste de Nova Orleans. Nele vivem 360 chimpanzés, sendo que 240 pertencem à universidade e 120 ao NIH, além de outros 6 mil primatas, a maioria da espécie macaco-rhesus.

A instituição foi acusada de maus-tratos no passado, sendo que foram descobertas e corrigidas algumas violações às normas de tratamento dos animais, de acordo com as inspeções do Departamento de Agricultura. Na última inspeção, ocorrida em julho, foram descobertos medicamentos para os animais com prazos de validade vencidos.

Em uma visita recente, verificou-se que alguns chimpanzés ficavam em cúpulas geodésicas de 10 m de diâmetro e outros em jaulas menores ao ar livre. Além destes, o doutor Thomas J. Rowell, diretor do centro, contou que um número inferior a 10 estava sob estudo ativo, em jaulas internas medindo 1,5 por 1,8 m e 2 m de altura. Os procedimentos práticos envolviam aplicação de injeções, retirada de amostras de sangue e biópsias hepáticas, as quais eram realizadas sob efeito de anestésicos.

Muitos estudos têm duração de apenas alguns dias, afirmou Rowell, mas alguns demoram mais tempo. Quase concluído, um estudo vinha sendo realizado há quatro meses. Rowell defendeu com entusiasmo o tratamento proporcionado aos chimpanzés no centro, enfatizando os cuidados veterinários e o empenho em melhorar a forma como vivem, tornando os ambientes do alojamento mais interessantes.

Histórico
Os chimpanzés são utilizados em pesquisas nos Estados Unidos desde a década de 1920, quando Robert Yerkes, professor de psicologia da Universidade de Yale, começou a leva-los para o país. Durante a década de 1950, a força aérea passou a reproduzi-los para o uso no programa espacial, a partir de 65 espécimes capturados na natureza. Os chimpanzés também foram procriados para serem usados em pesquisas da aids nos anos 1980, que não obtiveram avanços.

Em meados da década de 1970, o apoio à preservação de espécies ameaçadas de extinção havia aumentado, e a importação de chimpanzés retirados da natureza foi proibida. Nos anos 2000, foi aprovada uma lei federal exigindo a aposentadoria dos chimpanzés pertencentes ao governo após o fim de seu uso em experimentos. Foi inaugurado em Shreveport, na Louisiana, o Chimp Haven, um santuário nacional de chimpanzés, para dar assistência a esses a outros chimpanzés.

A tentativa de trazer de volta para a linha de pesquisa os chimpanzés semiaposentados do santuário Alamogordo Primate Facility, no Novo México, foi o que induziu em parte o recente aumento da oposição às pesquisas. O NIH queria transferir cerca de 200 de seus chimpanzés do Alamogordo para o centro de San Antonio, que pertence ao Instituto de Pesquisas Biomédicas do Texas. A Sociedade Humanitária intercedeu para evitar a transferência e o NIH cedeu, pedindo a realização de um relatório dos chimpanzés utilizados em experiências este ano ao Instituto de Medicina, um conselho consultivo.

O Chimp Haven é o potencial destino dos chimpanzés aposentados e possui atualmente 132 deles vivendo em um bosque de pinheiros de 80 hectares. Eles ficam alojados em uma variedade de jaulas e recintos cercados, incluindo um pátio de recreação a céu aberto, com 4 mil m² e envolto em muros de concreto, além de dois habitats de floresta, um de 16 e outro de 20 mil m², delimitados por um fosso e por cercas. Porém, os chimpanzés que estão nos centros de pesquisa, talvez nem saiam dali, mesmo após o fim dos experimentos. É possível que apenas fiquem ali, livres dos estudos invasivos.

Seja qual for a decisão, os pesquisadores e defensores dos chimpanzés sabem que eles representam uma pequena parte do total da pesquisa realizada com animais e do debate mais amplo. Segundo Kathleen Conlee, diretora sênior para questões de pesquisa animal da Sociedade Humanitária, a atual discussão em relação aos chimpanzés indica o caminho para o futuro.

“Este tipo de análise rigorosa deveria ser aplicada a toda a pesquisa com animais”, afirmou.

Muitos dos testes realizados em laboratório são dolorosos e os animais são mantidos em isolamento. Foto: The New York Times

Muitos dos testes realizados em laboratório são dolorosos e os animais são mantidos em isolamento Foto: The New York Times

Fonte: Portal Terra


9 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Chimpanzés falam, mentem e recitam poesia usando sinais

O casal formado pelos pesquisadores Deborah e Roger S. Fouts dedicou toda sua vida a combater a ideia de que a linguagem é o “último reduto” da singularidade humana, com o resultado de mais de 40 anos de trabalho com chimpanzés que não só aprenderam a se comunicar por sinais, mas a mentir e recitar poesia.

Este casal de psicólogos do Instituto de Comunicação entre Humanos e Chimpanzés da Washington University, se aposentará dentro de poucos meses sabendo que cumpriram sua missão e que puderam desmentir muitos cientistas – entre eles o linguista Noam Chomsky -, que durante décadas negavam esta possibilidade comunicativa, explicam em entrevista à Agência Efe.

Os Fouts deram sequência aos trabalhos iniciados nos anos 60 por outra parceria – os também psicólogos Allen e Beatrice Gardner – que a Nasa cedeu a chimpanzé Washoe depois que a agência espacial abandonasse sua pesquisa com “chimponautas”.

Washoe foi introduzida em um ambiente humano onde só se falava a linguagem dos surdos-mudos, um cenário muito diferente comparado com os das equipes que, décadas antes, tentaram ensinar linguagem oral a uma chimpanzé que em seis anos só pôde pronunciar, e não claramente, quatro palavras: “mamãe”, “papai”, “xícara” e “em cima”, explica Roger simulando os sons que saíram da boca da primata.

Os Gardner e sua equipe, no qual Roger era estagiário, acreditavam que a vocalização dos chimpanzés era involuntária, como o som que um humano faz ao bater o dedo com um martelo.

Então apostaram no movimento natural de suas mãos (como utilizam os exemplares selvagens, com dialetos próprios) e decidiram criar Washoe como uma menina surda, com a linguagem de sinais dos Estados Unidos.

A primata aprendeu mais de uma centena de sinais vendo como a equipe se comunicava e assim podia pedir comida ou que lhe coçassem, ou expressar conceitos complicados como “estou triste” ou pedir perdão.

Mas a vida com Washoe se tornou complicada. E logo quando os Gardner decidiram cedê-la a um centro de Oklahoma, Roger não quis deixá-la sozinha naquele laboratório – onde provavelmente passaria mal entre as jaulas junto a outros animais – e conseguiu convencer o casal para que a transferissem com ele a Washington para continuar com a pesquisa, até a morte da chimpanzé em 2007.

Em todos estes anos, o casal de pesquisadores pôde ver como Washoe ensinou a linguagem a sua “família”, Tatu, Dar e Loulis – uma criação adotada que aprendeu os sinais sem intervenção humana – até níveis surpreendentes: os chimpanzés chegavam a falar sozinhos enquanto “liam” uma revista, pois são capazes a nomear o que veem nas fotografias (bebida, comida, sorvete, sapatos…).

“Falam como uma família; se uns discutiam, tentava apaziguar; quando Loulis tirava uma revista de Washoe, ela chamava a atenção dele e lhe dizia ’sujo’”, explica Deborah, que indica que os primatas também sabem utilizar os sinais para mentir.

Assim é possível identificar em uma gravação na qual Dar convenceu Washoe que Loulis tinha o agredido e se atirou no chão encenando e pedindo com sinais a sua mãe um “abraço”.

Por sua vez, a mãe repreendeu o suposto agressor, uma infantil malícia típica de Bart Simpson ou de um atacante de futebol para provocar um pênalti.

Mais surpreendente foi registrado em outra gravação na qual um dos chimpanzés repetia “chorar, chorar; vermelho, vermelho; silêncio, silêncio; divertido, divertido”, um enigma para a equipe até que um amigo poeta do casal apontou que os sinais destas palavras eram similares e que se tratava de uma aliteração da língua de sinais, ou seja, uma composição poética.

“Há evidências que os chimpanzés são capazes de aprender os signos, de ordená-los e conversar, com sintaxes, inclusive são capazes de inventar e ensinar”, explica Roger Fouts.

Apesar de anunciarem que vão se aposentar da universidade para se dedicar a seus cinco netos que veem pouco, os pesquisadores reconhecem que seguirão visitando seus outros “netos” chimpanzés.

“Não podemos explicar que temos 68 anos e nos aposentamos, então vamos continuar visitando-os, mas não todos os dias”, antecipam.

O casal lamenta que a difusão de suas surpreendentes pesquisas não tenham servido para deter o maus-tratos a estes primatas, mas acreditam que estas cheguem às escolas e provoquem uma mudança de atitude nas novas gerações.

Fonte: Portal iG


2 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas descobrem como chimpanzés sentem a morte de filhotes

Um vídeo de cinco minutos gravado numa reserva de chimpanzés na Zâmbia mostra que o luto de uma mãe ao descobrir a morte de seu bebê pode ser de cortar o coração, não importa a espécie.

O vídeo, gravado em maio de 2010 por cientistas do Instituto Max-Planck de Psicolinguística no Orfanato de Vida Selvagem de Chimfushi, Zâmbia, registrou o comportamento de luto de uma fêmea à morte de seu filhote de 16 meses. Depois de carregar o corpo do bebê por um dia inteiro, ela o deixa no chão, e durante uma hora ela se alterna em se aproximar dele, tocando no pescoço e rosto, e se afastar, observando-o à distância. Depois ela carrega novamente o bebê o leva para um grupo de chimpanzés, e os acompanha enquanto eles investigam o corpo. No dia seguinte, ela não estava mais carregando o corpo do filhote.

Um dos vínculos mais fortes entre os chimpanzés é o de mãe e filho: as fêmeas costumam carregar os filhotes durantes os primeiros dois anos de vida, e os amamentam até os quatro ou seis anos de idade. Mesmo após o desmame, ambos continuam próximos. Outros cientistas já haviam observado outras fêmeas carregando filhotes mortos durantes semanas, o que mostra que a perda deste vínculo é muito difícil para a espécie.

Os cientistas do Max Planck acreditam terem captado o momento em que a mãe descobre a morte do bebê, um feito inédito, que pode colaborar para o entendimento de como os primatas reagem à morte de um ente próximo e o que eles entendem por morte. Mas alguns dos pesquisadores envolvidos no estudo se recusam a interpretar as informações.

“O vídeo é muito valioso, porque ele nos força a parar e imaginar o que está acontecendo na mente deste primata,” disse Katherine Cronin, do Instituto Max Planck, uma das líderes do estudo, em um comunicado. “Se a chimpanzé está realmente enlutada ou apenas curiosa a respeito do cadáver, não é tão importante quanto o momento que o internauta vai parar para considerar as possibilidades”.

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Já Mark Bodamer, da Universidade Gonzaga, em Washington, Estados Unidos, que também participou da pesquisa, não se fez de rogado e deu sua opinião sobre o vídeo: “Era apenas uma questão de tempo que, nas condições ideais, que a reação dos chimpanzés à morte fosse registrada e submetida à análise, que revelou similaridades notáveis com o comportamento humano.” (Fonte: Portal iG)


17 de janeiro de 2011 | nenhum comentário »

Aposentadoria de primatas é ameaçada

Chimpanzés de Alamogordo (EUA) não são usados como cobaias desde 2001, mas podem voltar às pesquisas.

O ano de 2011 será decisivo para os chimpanzés. Ou, ao menos, para os que eram usados como cobaias na cidade de Alamogordo, no Novo México (EUA). Após se “aposentarem”, os primatas quase retornaram aos laboratórios no ano passado, mas acabaram ganhando mais um tempo de descanso. 

A polêmica começou no ano passado, quando o NIH (Instituto Nacional da Saúde dos EUA), que pertence ao governo e realiza pesquisas biomédicas, anunciou a intenção de voltar a utilizar os macacos em seus estudos. 

Desde a década de 1950, os chimpanzés da instituição eram cobaias em pesquisas para a cura de doenças, tendo sido expostos a vírus como o da hepatite C e o HIV. 

Em 2001, porém, o NIH decidiu “aposentar” os chimpanzés, desde então, eles vivem como uma grande comunidade primata nos EUA.

Questionado pela Folha, o NIH afirmou que o contrato com as instalações de Alamogordo especifica que, depois de 10 anos, os animais poderiam voltar a ser usados para pesquisas. “Esses chimpanzés nunca foram aposentados”, ressalta o instituto.

Mas o sossego dos bichos pode acabar logo. A idéia é transferir os 184 chimpanzés que habitam o local para instalações no Texas e voltar a utilizá-los em experimentos.

“Cientistas acreditam que os chimpanzés são os únicos modelos animais capazes de possibilitar uma vacina contra a hepatite C, razão mais comum de transplante de fígado nos EUA”, diz o NIH.

A idéia gerou protestos dos defensores dos animais, que se manifestaram para impedir a transferência. “A maioria da população tem idade bastante avançada e está afetada por múltiplas doenças, podendo nem mesmo resistir ao transporte”, afirmou à Folha Laura Bonar, da Associação Protetora dos Animais no Novo México. “Até hoje, não há pesquisas provando que o uso de chimpanzés pode contribuir para a saúde humana”, completa.

Flo, a chimpanzé mais velha do grupo, tem 53 anos de idade. Em cativeiro, os chimpanzés vivem, em média, por cerca de 45 anos.

O movimento também mobilizou grandes nomes da ciência, como Jane Goodall, uma das mais renomadas primatologistas do mundo, e o então governador do Novo México, Bill Richardson.

No dia 15 de dezembro de 2010, senadores americanos escreveram ao NIH. No documento, eles informam que será conduzida uma análise da necessidade de se utilizar chimpanzés em experiências biomédicas e pedem que o instituto aguarde o resultado dessa pesquisa.

Assim, em 2011, o NIH anunciou oficialmente que os chimpanzés restantes permanecerão em Alamogordo até a conclusão do estudo, que deve durar 18 meses.

Brasil não usa chimpanzés em experimentos

Não há divulgação de um estudo oficial que use grandes primatas para experimentos biomédicos no Brasil. A informação é de Rosangela Ribeiro, que faz parte da Sociedade Mundial de Proteção Animal no Brasil.

“Aqui, são utilizados principalmente camundongos, ratos, hamsters, coelhos e, recentemente, porcos. Já o uso de cães e gatos tem sido reduzido”, afirmou ela à Folha.

“Isso não significa que eles serão tratados de forma inapropriada. Há regras de conduta para a realização de pesquisas sérias”, diz a professora Mariz Vainzof, do Instituto de Biociências da USP.

Os EUA, seguidos pelo Gabão, são os campeões no uso de chimpanzés em pesquisas, já proibido na União Européia.

(Luiz Gustavo Cristino)

(Folha de SP, 15/1)






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23 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Grandes macacos surgiram há 25 milhões de anos, indicam fósseis

Reconstrução artística do _Rukwapithecus_ (à esq.) e do _Nsungwepithecus_ (à dir.)

Reconstrução artística do Rukwapithecus fleaglei (à esq.) e do Nsungwepithecus gunnelli (à dir.). Ilustração Mauricio Antón/Divulgação

Dois fósseis aparentemente insignificantes –uma mandíbula e um único dente– acabam de ajudar os cientistas a traçar um quadro mais claro da origem do grupo de primatas ao qual pertence o homem.

Ambos os fósseis têm 25 milhões de anos. O primeiro representa o mais antigo hominoide, ou grande macaco –animais como chimpanzés, gorilas, orangotangos e o Homo sapiens. Já o segundo é o mais velho entre os macacos com rabo do Velho Mundo, animais como babuínos e resos, por exemplo.

A pesquisa descrevendo os fósseis está na revista científica “Nature” e tem como primeira autora Nancy Stevens, da Universidade de Ohio (EUA). Os dois bichos viviam na Tanzânia, na África Oriental –região que já é famosa por outros fósseis importantes para entender a evolução humana.

Para quem acha estranho que cacos tão diminutos sejam usados para batizar duas espécies, é importante lembrar que, no caso dos mamíferos, as características da mandíbula e dos dentes são muito típicas de cada animal, ajudando a inferir não apenas sua dieta como também, em geral, suas relações de parentesco.

Em entrevista à Folha, Stevens contou que o maior dos bichos, o hominoideRukwapithecus fleaglei, devia ter uns 12 kg. É mais difícil estimar o tamanho do outro macaco, o Nsungwepithecus gunnelli, já que ele é só conhecido com base num dente, mas ele devia ter um pouco menos do que isso.

Os bichos viviam num ambiente um tanto apocalíptico: montanhas vulcânicas ladeavam uma região semiárida, na qual também havia pântanos e lagos. Na época, já estava começando a surgir o imenso vale que caracteriza a África Oriental de hoje, formado pelo afastamento de duas placas tectônicas –era isso o que gerava o vulcanismo na região.

E essa pode ser uma das peças do quebra-cabeças para explicar por que, afinal, os macacões ancestrais do homem surgiram nesse momento, separando-se dos macacos com cauda.

“Antes, havia ali inúmeros primatas relativamente pequenos”, conta Stevens. “Milhões de anos mais tarde, quando a África se encontra com a Ásia [antes, o continente era uma ilha], surgem primatas de maior tamanho, e uma das ideias é que eles tivessem evoluído para se adaptar à competição com a fauna asiática que invadiu a África.”

No entanto, o notável a respeito das novas espécies é que elas já são grandinhas. “Isso pode indicar que a formação do vale e dos vulcões na região criou ambientes heterogêneos, que favoreceram a diversificação dessas espécies”, diz o australiano Eric Roberts, geólogo da Universidade James Cook que é coautor do estudo. “Mas ainda não temos certeza disso.”

 

Fonte: Folha.com


20 de março de 2013 | nenhum comentário »

Chimpanzés são capazes de trabalhar em grupo, diz estudo

Duplas de animais dividiram ferramentas para abrir caixa com frutas.
Para cientistas, comportamento se assemelha ao de seres humanos.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Max Planck, na Alemanha, e pela Universidade de Warwick, na Grã-Bretanha, aponta que os chimpanzés são capazes de coordenar ações entre si, de forma semelhante ao que fazem os humanos. Eles demonstraram que podem trabalhar em grupo e pareceram entender que ajudar um colega a cumprir uma tarefa pode trazer um ganho coletivo, afirma o estudo, publicado nesta terça-feira (19) no periódico “Biology Letters”.

Na pesquisa, duplas de animais receberam ferramentas para ajudar a retirar uvas de caixas de plástico fechadas. O objetivo era que eles trabalhassem juntos, cada dupla com seus instrumentos, para abrir as caixas e obter as frutas.

Os chimpanzés foram capazes de cumprir as tarefas e trocar entre si as ferramentas para resolver o problema, dizem os cientistas.

“Muitas espécies de animais cooperam para atingir benefícios mútuos, como defender território ou caçar presas. No entanto, o nível de coordenação é muitas vezes vago, e o sucesso nas ações parece depender de ações simultâneas, mas independentes”, disse a cientista Alicia Melis, uma das autoras do estudo.

Alicia enfatizou, na pesquisa, que o objetivo foi “descobrir de onde as habilidades humanas de cooperação e trabalho em equipe possivelmente surgiram e se elas são únicas para nossa espécie ou não”. Foram estudados 12 primatas do Santuário Sweetwaters para Chimpanzés, localizado no Quênia, na África.

Os animais foram divididos em duplas e colocados diante de caixas de plástico fechadas com frutas – foram alocados chimpanzés tanto na frente quanto na parte de trás dos recipientes. Um dos animais de cada dupla recebia duas ferramentas para abrir a sua respectiva caixa.

Em 10 dos 12 casos, os animais perceberam que, para resolver o problema, teriam que dar uma ferramenta para seu colega de dupla. E em 73% das tentativas, os chimpanzés escolheram os instrumentos certos para entregar a seus companheiros para cumprir o objetivo de retirar as frutas, dizem os cientistas.

“O estudo mostra, pela primeira vez, que os chimpanzés prestam atenção nas ações de seus companheiros quando realizam uma atividade em colaboração”, diz a pesquisadora Alicia.

Ela afirma que, após a primeira troca de ferramentas entre os animais, a taxa de sucesso na execução repetida do teste subia: em 97% dos casos, o objeto entregue ao colega de dupla para cumprir a tarefa foi o correto; e os chimpanzés passaram a ser bem-sucedidos na tarefa em 86% das tentativas de obter as uvas.

Bebê chimpanzé acompanhado de grupo de adultos; bactéria pode matar animais selvagens, diz estudo (Foto: Brian Szekely/Virginia Tech/Divulgação)

Bebê chimpanzé acompanhado de grupo de adultos (Foto: Brian Szekely/Virginia Tech/Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


15 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas decodificam código genético do bonobo

Com o sequenciamento genético de um dos parentes mais próximos do homem, os cientistas esperam descobrir como era o ancestral comum entre o ser humano e outros primatas

Um grupo internacional de cientistas decodificou o código genético do bonobo. Entre os símios – grupo de primatas formado por orangotangos, chimpanzés, gorilas e bonobos -, esse é o último a ter seu genoma decodificado. O sequenciamento genético do bonobo foi publicado nesta terça-feira na revista Nature.

Para realizar a pesquisa, os cientistas obtiveram dados de Ulindi, uma fêmea de bonobo do zoológico de Leipzig, na Alemanha. Com essa informação genética, os cientistas esperam conhecer melhor a linhagem humana.

Semelhanças e diferenças — A comparação entre os genomas do bonobo, do chimpanzé e do homem mostrou que os humanos têm uma diferenciação de 1,3% de ambos. Chimpanzés e bonobos são mais próximos: a diferença genética entre eles é de apenas 0,4%

Embora sejam similares em muitos aspectos, os símios africanos diferem em comportamentos sociais e sexuais importantes e alguns demonstram mais similaridade com os humanos do que entre si.

Para o cientista Kay Pruefer, biólogo do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva (Alemanha), a pesquisa forneceu mais informações sobre bonobos e chimpanzés do que sobre os humanos.

Em busca do ancestral comum — “Esperamos que o entendimento das diferenças entre bonobos e chimpanzés nos ajude, um dia, a entender como era o ancestral comum (de humanos, chimpanzés e bonobos)”, disse Pruefer. ”Seria muito interessante descobrir qual foi o traço que os humanos adquiriram em sua evolução ao longo de milhões de anos”, concluiu.

Os cientistas explicaram que o sequenciamento genético demonstrou que bonobos e chimpanzés não se misturaram ou cruzaram entre si depois que seus caminhos se separaram geograficamente, cerca de dois milhões de anos atrás, provavelmente na época da formação do Rio Congo.

Chimpanzés

Os machos competem agressivamente por domínio e sexo e unem forças para defender seu território atacando outros grupos.

Esses animais se espalham ao longo da África equatorial.

Bonobos

Os machos costumam ser subordinados às fêmeas, não competem por hierarquia e não tomam parte em confrontos. São animais brincalhões e fazem sexo por diversão, não apenas para se reproduzir.

Estão restritos ao sul do Rio Congo, na República Democrática do Congo. Devido ao seu hábitat pequeno e remoto, os bonobos foram a última espécie de símios “descoberta” nos 1920, e são os mais raros de todos os símios em cativeiro.

Espécie de chimpanzé banobo

Cientistas divulgaram nesta terça-feira o sequenciamento genético dos bonobos, um dos parentes mais próximos do homem (Issouf Sanogo/AFP)

Fonte: Veja Ciência


4 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Entre chimpanzés, uso de ferramentas varia conforme o grupo

Dependendo de onde a refeição é servida, a pessoa talvez coma com vontade usando garfo e faca, pauzinhos ou as mãos. Constatou-se que o chimpanzé possui um tipo de variação cultural semelhante. Grupos vizinhos desses animais possuem modos diferentes de abrir nozes, relata um novo estudo, publicado no periódico Current Biology.

Os pesquisadores notaram que um grupo de chimpanzés selvagens do Parque Nacional de Tai, na Costa do Marfim, prefere usar ferramentas de pedra para abrir nozes por meio de golpes. Outros dois grupos de chimpanzés usaram ferramentas de pedra no início da temporada, quando as nozes estavam mais duras, mas mudaram para ferramentas de madeira conforme elas foram amolecendo.

As preferências dos grupos de chimpanzés também diferiam em relação ao tamanho da madeira, afirmou Lydia Luncz, primeira autora do estudo e primatologista do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, em Leipzig, na Alemanha.

Os chimpanzés exibem um tipo de preferência cultural na escolha de ferramentas, afirmou a estudante de pós-graduação.

“Trata-se apenas de uma preferência, pois eles cresceram assim”, afirmou. Ocasionalmente, quando não havia pedras suficientes à disposição, os chimpanzés que preferiam ferramentas de pedra recorriam ao uso de madeira.

“Eles sabem como fazer isso”, afirmou Luncz. “Eles apenas não gostam.”

Ela também percebeu que as fêmeas deixam seus grupos sociais na puberdade para se juntar a novos grupos. Nessa época, elas são especialistas em abrir nozes. Contudo, parece que adotam os métodos de abrir nozes utilizados por seu novo grupo, afirmou Luncz.

“Do contrário, haveria uma mistura. Mas vemos diferenças claras entre os grupos”, afirmou.

Embora os grupos de chimpanzés sejam vizinhos e interajam com frequência, as interações nunca são amigáveis e eles não aprendem uns com os outros.

“É uma guerra constante”, afirmou. “Eles não interagem de um modo que possibilite observar um ao outro abrindo nozes.” 

Fonte: Portal iG


25 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Com mil chimpanzés em laboratórios, EUA estuda mudar lei

Em uma jaula ao ar livre em forma de cúpula, dezenas de chimpanzés gritam. Os pelos das costas estão levantados. Segundo a Dra. Dana Hasselschwert, chefe de ciências veterinárias do Centro de Pesquisas de New Iberia, “isso é piloereção”, um sinal de excitação emocional.

Ela pede aos visitantes que mantenham distância. Os chimpanzés costumam atirar pequenas pedras ou objetos mais perigosos quando ficam agitados.

A semelhança dos chimpanzés com os humanos os torna importantes para pesquisas, mas também gera muita solidariedade. Para os pesquisadores, esses animais podem significar a melhor chance de descobrir a cura de doenças atrozes. Para muitas pessoas, porém, eles são nossos parentes atrás das grades.

A pesquisa biomédica com chimpanzés ajudou a produzir a vacina contra a hepatite B e tem por objetivo produzir a vacina contra a hepatite C, que infecta 170 milhões de pessoas em todo o mundo. Contudo, há muito que os protestos contra essa pesquisa consideram-na cruel e desnecessária. Devido à grande pressão atual de organizações de defesa dos animais, a decisão judicial que porá um fim a este tipo de pesquisa nos Estados Unidos pode vir em um ano. Atualmente, apenas os Estados Unidos e outro país conduzem pesquisas invasivas com chimpanzés. O segundo país é o Gabão, que fica na África central.

Segundo Wayne Pacelle, presidente e diretor executivo da Sociedade Humanitária dos Estados Unidos, “este é um momento bastante diferente dos outros”. “É o momento de tirar os chimpanzés da pesquisa invasiva e dos laboratórios”, afirma.

John VandeBerg, diretor do Centro Nacional de Pesquisa sobre os primatas do sudoeste, concorda que este é “um momento crucial”. O centro é um dos seis laboratórios do país onde há chimpanzés. As diversas tentativas dos opositores “podem levar ao fim de toda a pesquisa médica com os chimpanzés”, afirmou.

A sociedade e outros grupos pressionaram os NIH (Institutos Nacionais da Saúde) americanos para que fosse elaborado um relatório sobre a utilidade da pesquisa com chimpanzés, aguardado para este ano. A Sociedade Humanitária também se uniu ao Instituto Jane Goodall e à Sociedade para a Conservação da Vida Selvagem para elaborar uma petição ao Serviço de Fauna e Peixes dos Estados Unidos, na qual é declarado o risco de extinção dos chimpanzés em cativeiro, uma vez que os que vivem na natureza já estão ameaçados, oferecendo a eles mais proteção. A decisão é aguardada para setembro do ano que vêm.

Além disso, o Great Ape Protection and Cost Savings Act (Lei pela proteção e redução de custos com grandes símios) irá proibir o uso de todos os grandes símios nas pesquisas invasivas (incluindo bonobos, gorilas e orangotangos). O republicano Roscoe Bartlett, deputado pelo estado de Maryland, é um dos apoiadores da lei. Segundo Bartlett, a lei representará uma economia de US$ 30 milhões para o contribuinte, quantia que é gasta anualmente com os chimpanzés de propriedade do governo.

Segundo Pacelle, é alto o custo da pesquisa invasiva com chimpanzés, sendo que existem alternativas. Além disso, os procedimentos realizados são dolorosos e os animais são mantidos em isolamento, afirma. “Esta espécie está ameaçada de extinção e é a mais próxima dos humanos geneticamente”, afirma. “Além disso, não devemos abusar de nosso poder”, afirma.

VandeBerg, em contrapartida, afirma que suspender as pesquisas com chimpanzés representaria uma ameaça a vidas humanas. “A redução do índice de desenvolvimento de medicamentos para essas doenças significará a morte de centenas de milhares de pessoas, milhões de fato, devido a anos de atraso”, afirmou. Se a pesquisa permite salvar vidas humanas, afirmou VandeBerg, “seria totalmente antiético não realizá-la”, afirmou VandeBerg.

Maus-tratos
Os laboratórios de pesquisa dos Estados Unidos abrigam mil chimpanzés, e o Centro de Pesquisas de New Iberia é um deles. O centro pertence à Universidade de Louisiana em Lafayette, e ocupa 40 hectares do centro da Louisiana francesa ou acadiana, aproximadamente 210 km a oeste de Nova Orleans. Nele vivem 360 chimpanzés, sendo que 240 pertencem à universidade e 120 ao NIH, além de outros 6 mil primatas, a maioria da espécie macaco-rhesus.

A instituição foi acusada de maus-tratos no passado, sendo que foram descobertas e corrigidas algumas violações às normas de tratamento dos animais, de acordo com as inspeções do Departamento de Agricultura. Na última inspeção, ocorrida em julho, foram descobertos medicamentos para os animais com prazos de validade vencidos.

Em uma visita recente, verificou-se que alguns chimpanzés ficavam em cúpulas geodésicas de 10 m de diâmetro e outros em jaulas menores ao ar livre. Além destes, o doutor Thomas J. Rowell, diretor do centro, contou que um número inferior a 10 estava sob estudo ativo, em jaulas internas medindo 1,5 por 1,8 m e 2 m de altura. Os procedimentos práticos envolviam aplicação de injeções, retirada de amostras de sangue e biópsias hepáticas, as quais eram realizadas sob efeito de anestésicos.

Muitos estudos têm duração de apenas alguns dias, afirmou Rowell, mas alguns demoram mais tempo. Quase concluído, um estudo vinha sendo realizado há quatro meses. Rowell defendeu com entusiasmo o tratamento proporcionado aos chimpanzés no centro, enfatizando os cuidados veterinários e o empenho em melhorar a forma como vivem, tornando os ambientes do alojamento mais interessantes.

Histórico
Os chimpanzés são utilizados em pesquisas nos Estados Unidos desde a década de 1920, quando Robert Yerkes, professor de psicologia da Universidade de Yale, começou a leva-los para o país. Durante a década de 1950, a força aérea passou a reproduzi-los para o uso no programa espacial, a partir de 65 espécimes capturados na natureza. Os chimpanzés também foram procriados para serem usados em pesquisas da aids nos anos 1980, que não obtiveram avanços.

Em meados da década de 1970, o apoio à preservação de espécies ameaçadas de extinção havia aumentado, e a importação de chimpanzés retirados da natureza foi proibida. Nos anos 2000, foi aprovada uma lei federal exigindo a aposentadoria dos chimpanzés pertencentes ao governo após o fim de seu uso em experimentos. Foi inaugurado em Shreveport, na Louisiana, o Chimp Haven, um santuário nacional de chimpanzés, para dar assistência a esses a outros chimpanzés.

A tentativa de trazer de volta para a linha de pesquisa os chimpanzés semiaposentados do santuário Alamogordo Primate Facility, no Novo México, foi o que induziu em parte o recente aumento da oposição às pesquisas. O NIH queria transferir cerca de 200 de seus chimpanzés do Alamogordo para o centro de San Antonio, que pertence ao Instituto de Pesquisas Biomédicas do Texas. A Sociedade Humanitária intercedeu para evitar a transferência e o NIH cedeu, pedindo a realização de um relatório dos chimpanzés utilizados em experiências este ano ao Instituto de Medicina, um conselho consultivo.

O Chimp Haven é o potencial destino dos chimpanzés aposentados e possui atualmente 132 deles vivendo em um bosque de pinheiros de 80 hectares. Eles ficam alojados em uma variedade de jaulas e recintos cercados, incluindo um pátio de recreação a céu aberto, com 4 mil m² e envolto em muros de concreto, além de dois habitats de floresta, um de 16 e outro de 20 mil m², delimitados por um fosso e por cercas. Porém, os chimpanzés que estão nos centros de pesquisa, talvez nem saiam dali, mesmo após o fim dos experimentos. É possível que apenas fiquem ali, livres dos estudos invasivos.

Seja qual for a decisão, os pesquisadores e defensores dos chimpanzés sabem que eles representam uma pequena parte do total da pesquisa realizada com animais e do debate mais amplo. Segundo Kathleen Conlee, diretora sênior para questões de pesquisa animal da Sociedade Humanitária, a atual discussão em relação aos chimpanzés indica o caminho para o futuro.

“Este tipo de análise rigorosa deveria ser aplicada a toda a pesquisa com animais”, afirmou.

Muitos dos testes realizados em laboratório são dolorosos e os animais são mantidos em isolamento. Foto: The New York Times

Muitos dos testes realizados em laboratório são dolorosos e os animais são mantidos em isolamento Foto: The New York Times

Fonte: Portal Terra


9 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Chimpanzés falam, mentem e recitam poesia usando sinais

O casal formado pelos pesquisadores Deborah e Roger S. Fouts dedicou toda sua vida a combater a ideia de que a linguagem é o “último reduto” da singularidade humana, com o resultado de mais de 40 anos de trabalho com chimpanzés que não só aprenderam a se comunicar por sinais, mas a mentir e recitar poesia.

Este casal de psicólogos do Instituto de Comunicação entre Humanos e Chimpanzés da Washington University, se aposentará dentro de poucos meses sabendo que cumpriram sua missão e que puderam desmentir muitos cientistas – entre eles o linguista Noam Chomsky -, que durante décadas negavam esta possibilidade comunicativa, explicam em entrevista à Agência Efe.

Os Fouts deram sequência aos trabalhos iniciados nos anos 60 por outra parceria – os também psicólogos Allen e Beatrice Gardner – que a Nasa cedeu a chimpanzé Washoe depois que a agência espacial abandonasse sua pesquisa com “chimponautas”.

Washoe foi introduzida em um ambiente humano onde só se falava a linguagem dos surdos-mudos, um cenário muito diferente comparado com os das equipes que, décadas antes, tentaram ensinar linguagem oral a uma chimpanzé que em seis anos só pôde pronunciar, e não claramente, quatro palavras: “mamãe”, “papai”, “xícara” e “em cima”, explica Roger simulando os sons que saíram da boca da primata.

Os Gardner e sua equipe, no qual Roger era estagiário, acreditavam que a vocalização dos chimpanzés era involuntária, como o som que um humano faz ao bater o dedo com um martelo.

Então apostaram no movimento natural de suas mãos (como utilizam os exemplares selvagens, com dialetos próprios) e decidiram criar Washoe como uma menina surda, com a linguagem de sinais dos Estados Unidos.

A primata aprendeu mais de uma centena de sinais vendo como a equipe se comunicava e assim podia pedir comida ou que lhe coçassem, ou expressar conceitos complicados como “estou triste” ou pedir perdão.

Mas a vida com Washoe se tornou complicada. E logo quando os Gardner decidiram cedê-la a um centro de Oklahoma, Roger não quis deixá-la sozinha naquele laboratório – onde provavelmente passaria mal entre as jaulas junto a outros animais – e conseguiu convencer o casal para que a transferissem com ele a Washington para continuar com a pesquisa, até a morte da chimpanzé em 2007.

Em todos estes anos, o casal de pesquisadores pôde ver como Washoe ensinou a linguagem a sua “família”, Tatu, Dar e Loulis – uma criação adotada que aprendeu os sinais sem intervenção humana – até níveis surpreendentes: os chimpanzés chegavam a falar sozinhos enquanto “liam” uma revista, pois são capazes a nomear o que veem nas fotografias (bebida, comida, sorvete, sapatos…).

“Falam como uma família; se uns discutiam, tentava apaziguar; quando Loulis tirava uma revista de Washoe, ela chamava a atenção dele e lhe dizia ’sujo’”, explica Deborah, que indica que os primatas também sabem utilizar os sinais para mentir.

Assim é possível identificar em uma gravação na qual Dar convenceu Washoe que Loulis tinha o agredido e se atirou no chão encenando e pedindo com sinais a sua mãe um “abraço”.

Por sua vez, a mãe repreendeu o suposto agressor, uma infantil malícia típica de Bart Simpson ou de um atacante de futebol para provocar um pênalti.

Mais surpreendente foi registrado em outra gravação na qual um dos chimpanzés repetia “chorar, chorar; vermelho, vermelho; silêncio, silêncio; divertido, divertido”, um enigma para a equipe até que um amigo poeta do casal apontou que os sinais destas palavras eram similares e que se tratava de uma aliteração da língua de sinais, ou seja, uma composição poética.

“Há evidências que os chimpanzés são capazes de aprender os signos, de ordená-los e conversar, com sintaxes, inclusive são capazes de inventar e ensinar”, explica Roger Fouts.

Apesar de anunciarem que vão se aposentar da universidade para se dedicar a seus cinco netos que veem pouco, os pesquisadores reconhecem que seguirão visitando seus outros “netos” chimpanzés.

“Não podemos explicar que temos 68 anos e nos aposentamos, então vamos continuar visitando-os, mas não todos os dias”, antecipam.

O casal lamenta que a difusão de suas surpreendentes pesquisas não tenham servido para deter o maus-tratos a estes primatas, mas acreditam que estas cheguem às escolas e provoquem uma mudança de atitude nas novas gerações.

Fonte: Portal iG


2 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas descobrem como chimpanzés sentem a morte de filhotes

Um vídeo de cinco minutos gravado numa reserva de chimpanzés na Zâmbia mostra que o luto de uma mãe ao descobrir a morte de seu bebê pode ser de cortar o coração, não importa a espécie.

O vídeo, gravado em maio de 2010 por cientistas do Instituto Max-Planck de Psicolinguística no Orfanato de Vida Selvagem de Chimfushi, Zâmbia, registrou o comportamento de luto de uma fêmea à morte de seu filhote de 16 meses. Depois de carregar o corpo do bebê por um dia inteiro, ela o deixa no chão, e durante uma hora ela se alterna em se aproximar dele, tocando no pescoço e rosto, e se afastar, observando-o à distância. Depois ela carrega novamente o bebê o leva para um grupo de chimpanzés, e os acompanha enquanto eles investigam o corpo. No dia seguinte, ela não estava mais carregando o corpo do filhote.

Um dos vínculos mais fortes entre os chimpanzés é o de mãe e filho: as fêmeas costumam carregar os filhotes durantes os primeiros dois anos de vida, e os amamentam até os quatro ou seis anos de idade. Mesmo após o desmame, ambos continuam próximos. Outros cientistas já haviam observado outras fêmeas carregando filhotes mortos durantes semanas, o que mostra que a perda deste vínculo é muito difícil para a espécie.

Os cientistas do Max Planck acreditam terem captado o momento em que a mãe descobre a morte do bebê, um feito inédito, que pode colaborar para o entendimento de como os primatas reagem à morte de um ente próximo e o que eles entendem por morte. Mas alguns dos pesquisadores envolvidos no estudo se recusam a interpretar as informações.

“O vídeo é muito valioso, porque ele nos força a parar e imaginar o que está acontecendo na mente deste primata,” disse Katherine Cronin, do Instituto Max Planck, uma das líderes do estudo, em um comunicado. “Se a chimpanzé está realmente enlutada ou apenas curiosa a respeito do cadáver, não é tão importante quanto o momento que o internauta vai parar para considerar as possibilidades”.

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Já Mark Bodamer, da Universidade Gonzaga, em Washington, Estados Unidos, que também participou da pesquisa, não se fez de rogado e deu sua opinião sobre o vídeo: “Era apenas uma questão de tempo que, nas condições ideais, que a reação dos chimpanzés à morte fosse registrada e submetida à análise, que revelou similaridades notáveis com o comportamento humano.” (Fonte: Portal iG)


17 de janeiro de 2011 | nenhum comentário »

Aposentadoria de primatas é ameaçada

Chimpanzés de Alamogordo (EUA) não são usados como cobaias desde 2001, mas podem voltar às pesquisas.

O ano de 2011 será decisivo para os chimpanzés. Ou, ao menos, para os que eram usados como cobaias na cidade de Alamogordo, no Novo México (EUA). Após se “aposentarem”, os primatas quase retornaram aos laboratórios no ano passado, mas acabaram ganhando mais um tempo de descanso. 

A polêmica começou no ano passado, quando o NIH (Instituto Nacional da Saúde dos EUA), que pertence ao governo e realiza pesquisas biomédicas, anunciou a intenção de voltar a utilizar os macacos em seus estudos. 

Desde a década de 1950, os chimpanzés da instituição eram cobaias em pesquisas para a cura de doenças, tendo sido expostos a vírus como o da hepatite C e o HIV. 

Em 2001, porém, o NIH decidiu “aposentar” os chimpanzés, desde então, eles vivem como uma grande comunidade primata nos EUA.

Questionado pela Folha, o NIH afirmou que o contrato com as instalações de Alamogordo especifica que, depois de 10 anos, os animais poderiam voltar a ser usados para pesquisas. “Esses chimpanzés nunca foram aposentados”, ressalta o instituto.

Mas o sossego dos bichos pode acabar logo. A idéia é transferir os 184 chimpanzés que habitam o local para instalações no Texas e voltar a utilizá-los em experimentos.

“Cientistas acreditam que os chimpanzés são os únicos modelos animais capazes de possibilitar uma vacina contra a hepatite C, razão mais comum de transplante de fígado nos EUA”, diz o NIH.

A idéia gerou protestos dos defensores dos animais, que se manifestaram para impedir a transferência. “A maioria da população tem idade bastante avançada e está afetada por múltiplas doenças, podendo nem mesmo resistir ao transporte”, afirmou à Folha Laura Bonar, da Associação Protetora dos Animais no Novo México. “Até hoje, não há pesquisas provando que o uso de chimpanzés pode contribuir para a saúde humana”, completa.

Flo, a chimpanzé mais velha do grupo, tem 53 anos de idade. Em cativeiro, os chimpanzés vivem, em média, por cerca de 45 anos.

O movimento também mobilizou grandes nomes da ciência, como Jane Goodall, uma das mais renomadas primatologistas do mundo, e o então governador do Novo México, Bill Richardson.

No dia 15 de dezembro de 2010, senadores americanos escreveram ao NIH. No documento, eles informam que será conduzida uma análise da necessidade de se utilizar chimpanzés em experiências biomédicas e pedem que o instituto aguarde o resultado dessa pesquisa.

Assim, em 2011, o NIH anunciou oficialmente que os chimpanzés restantes permanecerão em Alamogordo até a conclusão do estudo, que deve durar 18 meses.

Brasil não usa chimpanzés em experimentos

Não há divulgação de um estudo oficial que use grandes primatas para experimentos biomédicos no Brasil. A informação é de Rosangela Ribeiro, que faz parte da Sociedade Mundial de Proteção Animal no Brasil.

“Aqui, são utilizados principalmente camundongos, ratos, hamsters, coelhos e, recentemente, porcos. Já o uso de cães e gatos tem sido reduzido”, afirmou ela à Folha.

“Isso não significa que eles serão tratados de forma inapropriada. Há regras de conduta para a realização de pesquisas sérias”, diz a professora Mariz Vainzof, do Instituto de Biociências da USP.

Os EUA, seguidos pelo Gabão, são os campeões no uso de chimpanzés em pesquisas, já proibido na União Européia.

(Luiz Gustavo Cristino)

(Folha de SP, 15/1)