17 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisadores reclamam de corte na pasta de Ciência

O corte de 22% no orçamento do Ministério da Ciêcia, Tecnologia e Inovação previsto para 2012, anunciado nesta quarta-feira pelo Ministério da Fazenda, repercutiu nos corredores acadêmicos.

A SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), principal representante dos cientistas do país, classificou como “absurda” a redução nos investimentos no setor.

“Os reflexos na produção científica nacional serão sentidos”, disse à Folha a presidente da instituição, Helena Nader.

Ela contou que enviara uma carta à presidente Dilma Rousseff exatamente uma semana antes do anúncio dos cortes pedindo que ciência e educação fossem poupados. “Esses cortes são contra o discurso da presidente, que tem um compromisso com o desenvolvimento social do país”, disse Nader.

O orçamento previsto para o MCTI (Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação) em 2012 é de R$ 5,2 bilhões. O valor é R$ 1,48 bilhão menor do que no ano passado, quando a fatia de ciência foi de R$ 6,7 bilhões.

Em 2011, a pasta de ciência já havia sofrido um corte de 23% dos recursos.

Menos inovação – A Anpei (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadora) afirmou, em nota, que os cortes nos investimentos podem piorar os saldos negativos da balança comercial brasileira.

Isso porque a redução dos investimentos pode afetar a competitividade das empresas que fazem pesquisa e inovação.

Em 2011, o termo “inovação” foi incluído no nome do MCTI.

“Aumentamos a gama de atividades do ministério, incluindo a inovação, e diminuímos os recursos. Isso não faz o menor sentido”, diz Nader. 

Fonte: Folha.com


22 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Na Amazônia e no código, a ciência quer ser ouvida

Artigo de Washington Novaes no O Estado de S. Paulo desta sexta-feira (19).

Ao mesmo tempo que o Senado retomava nesta semana as discussões sobre propostas de mudanças no Código Florestal, a presidente da República baixava medida provisória que altera (para reduzi-los) os limites de três parques nacionais na Amazônia, de modo a permitir que se executem neles obras das Hidrelétricas de Tabajara, Santo Antônio e Jirau. Outros dois parques deverão seguir o mesmo caminho, para permitir o licenciamento de mais quatro usinas (no complexo Tapajós).

Reabrem-se, por esses caminhos, polêmicas e temores de que a nova legislação e o novo Código Florestal estimulem o aumento do desmatamento, como parece já estar ocorrendo. Segundo o Imazon, entre agosto de 2010 e julho de 2011 a área desmatada no bioma amazônico subiu para 6.274 quilômetros quadrados. E a progressão do desmate, segundo o Ibama de Sinop (MT), está sendo estimulada “pela expectativa de anistia aos desmatadores” no código. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o número de áreas de soja em novos desmatamentos em Mato Grosso, Rondônia e no Pará quase dobrou (de 76 para 147 áreas) em relação a 2010.

Dizem muitos defensores das alterações no Código Florestal que as mudanças são indispensáveis para a expansão do agronegócio. É uma visão contestada por cientistas, que apontam, só em Mato Grosso, 8 milhões de hectares de pastos degradados (Estado, 20/7). É a opinião também do respeitado biólogo norte-americano Thomas Lovejoy, lembrando que na Amazônia a média é de uma cabeça de gado por hectare ocupado, muitas vezes inferior à de outros lugares, mesmo no Brasil, e pode ser melhorada, sem novos cortes. E “a Amazônia é a galinha dos ovos de ouro do agronegócio brasileiro”, diz ele (Folha de S.Paulo, 16/8). O desmatamento maior permitido pelas alterações no código, afirma, “pode ser um tiro no pé dos ruralistas”, se chegar a 20% da floresta (está em 18%), e talvez atinja um “ponto de inflexão” em que o aumento da temperatura pode estender-se até a outras áreas no Sul-Sudeste, com muitos problemas para a agropecuária.

As preocupações com a relação entre desmatamento, mudanças climáticas e “desastres naturais” estão presentes em muitos estudos científicos recentes. O Inpe é uma das instituições preocupadas – e também com um crescimento de 100% nas tempestades e catástrofes “naturais” nos próximos 60 anos no Sudeste, e mais ainda nas regiões litorâneas; três vezes mais até 2070 (Estado, 9/8). Já na Amazônia, especificamente, estudo conjunto do Inpe e do Escritório Meteorológico Hadley Centre (Grã-Bretanha) prevê forte aumento da temperatura e queda significativa na precipitação fluvial. Isso poderá significar substituição da floresta por outros tipos de vegetação.

Pois é exatamente neste momento, de tantas advertências científicas, que vem mais um alerta da Amazônia: as instituições científicas não estão sendo ouvidas na questão do Código Florestal. Nem em outras, como a da espantosa decisão de reverter uma decisão judicial e retomar o projeto de construção de um porto diante do invejável Encontro das Águas, em Manaus, onde os Rios Solimões e Negro se encontram e correm separados por quilômetros – as águas barrentas de um ao lado das águas mais escuras do outro -, fenômeno que atrai gente do País e do mundo todo.

O perigo parecia afastado quando uma decisão judicial embargou, em julho de 2010, a pedido do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o licenciamento do porto. Mas há poucos dias outra decisão, da Justiça Federal em Manaus, alegando que não houve audiências públicas antes de ser pedida a suspensão do licenciamento ambiental, revogou o embargo. E o governo do Estado do Amazonas, favorável à instalação do porto, imediatamente concedeu a licença para o projeto. Diz o Iphan que vai recorrer da decisão, também contestada pelo Ministério da Cultura – e que vem na mesma direção do “facilitário do desenvolvimento econômico” presente no desmatamento.

E – é preciso reiterar – tudo se faz esquecendo a visão da ciência. Como em outro ângulo: um grupo do Museu da Amazônia e do Instituto de Pesquisas da Amazônia está dizendo, num paper, que existe “uma grande variedade de áreas úmidas” no País, como “áreas alagadas ao longo de grandes rios, com diferente qualidade de águas (pretas, claras, brancas), baixios ao longo de igarapés de terras firme, áreas alagáveis nos grandes interflúvios (campos, campinas e campinaranas alagáveis, campos úmidos, veredas, campos de murunduns, brejos, florestas paludosas), assim como áreas úmidas de estuário (mangues, banhados e lagoas costeiras”. Cada um desses tipos, diz o estudo, deve receber “tratamento específico em forma de artigo específico no Código Florestal, que deve conter flexibilidade suficiente para absorver os avanços do conhecimento científico”.

Mas isso não está ocorrendo, com prejuízos para a sociedade e o meio ambiente, já que as áreas úmidas “proporcionam benefícios e serviços ambientais importantes”. Como, por exemplo, estocagem de água, limpeza de água, recarga do lençol freático, regulação do clima local, manutenção da biodiversidade, regulação de ciclos biogeoquímicos, inclusive estocagem de carbono, hábitat e subsídios para populações humanas tradicionais (pesca, agricultura de subsistência, produtos madeireiros e não madeireiros e, em áreas abertas savânicas, pecuária extensiva).

Esse papel das áreas úmidas, afirma o texto, “vai aumentar ainda, considerando os impactos das mudanças climáticas previstas”. Só na bacia amazônica são 30% da área; no Pantanal, 160 mil quilômetros quadrados. Ao todo, incluindo outras áreas, 20% do território brasileiro. Por tudo isso, os usos potenciais dessas áreas “deverão ter reconhecimento específico, dentro do Código Florestal e em outras instâncias federais”.

É a voz da ciência. É preciso ouvi-la nesta nova discussão no Congresso. E no Encontro das Águas.

Washington Novaes é jornalista. Email: wlrnovaes@uol.com.br.

Fonte: Jornal da Ciência


26 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Ciência para o Brasil

Artigo de Alaor Chaves publicado na Folha de São Paulo de ontem (25).

Os cientistas brasileiros têm demonstrado um singular atavismo pelas colaborações científicas internacionais. Isso tem sido um dos obstáculos para que nossa ciência atinja a maioridade e também se torne agente propulsor do desenvolvimento do País. O volume da nossa produção científica tem crescido rapidamente, mas a elevação da sua qualidade não tem tido o mesmo vigor.

Reconhecemos a necessidade de dar um salto de qualidade, mas temos sido lerdos na adoção das políticas indispensáveis para esse salto. Os países com sucesso em desenvolver uma ciência tardia (ex-URSS, Japão, Coreia, China) praticaram por longo tempo um alto grau de introversão científica.

Empenharam-se na construção de uma ciência autônoma, com olhos atentos aos interesses nacionais, e só depois de se tornarem competitivos se abriram para uma colaboração mais intensa com o exterior. Nós temos trilhado o caminho inverso. No Brasil, temos exemplos emblemáticos do sucesso de programas em ciência e tecnologia perseguidos de forma autônoma.

Após longo insucesso com práticas agrícolas importadas, o Brasil decidiu seguir seu próprio caminho, e para isso criou a Embrapa. Hoje, nossa técnica agropecuária é a que avança mais rapidamente em todo o mundo. No caso da produção de etanol de cana, nem tínhamos com quem colaborar; com isso, desenvolvemos para o setor uma tecnologia sem rival.

O Brasil tem colaborado em projetos internacionais para a “big science”, o que requer equipamento muito dispendioso. Até o momento, temos feito parcerias que dão aos nossos pesquisadores acesso a boa infraestrutura sem dispêndios muito elevados. Neste ano, o Ministério da Ciência e Tecnologia assinou acordos de colaboração com o consórcio europeu responsável pelo ESO (European Southern Observatory) e com o Cern, consórcio dono do maior acelerador de partículas no mundo, que mudam a escala de nossos gastos nesse tipo de colaborações.

Só como taxa de ingresso no ESO pagaremos 130 milhões de euros; ainda nesta década, seremos provavelmente o seu maior financiador. Pelo acordo com o Cern, nossa contribuição inicial será de US$ 15 milhões/ano. Mas, até 2020, talvez o Brasil também se torne o seu maior financiador Generosamente, subsidiaremos a ciência europeia.

Há anos temos discutido um ótimo projeto 100% brasileiro em “big science”, a expansão do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron. Seu custo será de R$ 360 milhões. O empreendimento alavancará várias tecnologias importantes. Como os gastos serão realizados no Brasil, quase 40% deles retornarão ao Tesouro na forma de impostos.

A comunidade de usuários do Laboratório já é mais de dez vezes a dos potenciais usuários do ESO ou do Cern, e abrange biologia, química, física, ciência de materiais, nanociência e pesquisa industrial.

O impacto do Laboratório em nossa ciência e tecnologia será muito maior que o dos projetos aprovados. Mas o Ministério da Ciência e Tecnologia o considera muito caro. Nenhum país teve destaque na área com esse caminho.

Alaor Chaves, físico, é professor emérito da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Fonte: Jornal da Ciência


7 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Para secretário do MCT, o futuro do País é explorar a biodiversidade

Em audiência no Senado, Carlos Nobre falou também sobre a importância da ciência e da tecnologia para a agricultura sustentável.

A contribuição da ciência nas discussões sobre os Desastres Naturais e nas alterações propostas ao Código Florestal foi tema de debate ontem (6) em audiência na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado Federal, em Brasília.

 

Em sua exposição, o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia (SEPED), Carlos Nobre, mostrou a importância da ciência e da tecnologia para a expansão da agricultura sustentável no País. Ele destacou o programa de recuperação de áreas degradadas, a agricultura de baixo carbono e a exploração econômica da biodiversidade brasileira.

 

“O futuro do País é explorar o potencial de nossa biodiversidade. Para isso, precisamos de muita ciência, tecnologia, inovação e políticas públicas que sinalizem que esse e o caminho”, disse.

 

Sobre o Código Florestal, o especialista disse que é preciso parâmetros específicos para áreas urbanas e incorporar o princípio de salvaguarda da vida humana, além da proteção da biodiversidade, da água e do solo. “É muito importante que haja no Código uma visão diferenciada das áreas urbanas para prevenir desastres naturais.

 

Para o presidente da Comissão, senador Eduardo Braga (PMDB/AM), a discussão não deve envolver apenas ruralistas e ambientalistas, mas todo o povo brasileiro. “A ciência e a tecnologia são a chave para encontrar respostas”, disse Braga. De acordo com ele, o momento é de oportunidade para debater o tema de tanta importância econômica, social e ambiental.

 

Participaram também da audiência representantes da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Academia Brasileira de Ciência (ABC), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), dos ministérios da Agricultura (Mapa) e do Meio Ambiente (MMA), senadores e deputados.

Fonte: Agência MCT


13 de junho de 2011 | nenhum comentário »

O Código Florestal e a Ciência

Artigo de Marcelino Pequeno publicado na Coluna Ciência Viva do jornal O Povo (5/6) e também enviado ao JCEmail.

Quem acompanhou as conturbadas últimas semanas políticas em Brasília está ciente que o mês de maio foi dominado pela votação do novo Código Florestal brasileiro, que acabou por ser aprovado na Câmara Federal na sessão do dia 24 de maio.

 

A polêmica está longe do fim, entretanto. Primeiro, porque agora o processo segue para o Senado que já sinalizou que vai requerer pelo menos quatro meses de discussão antes de o colocar em votação. Depois, porque ele não foi bem recebido nem pelo governo nem pela sociedade, e ainda arranhou a imagem do Brasil no contexto internacional no que diz respeito à capacidade de conservação de seus recursos naturais.

 

Em que a ciência pode contribuir para a elaboração do Código Florestal? O título desta coluna foi retirado de um documento de 124 páginas, em realidade um livro, organizado pelas duas maiores entidades científicas brasileiras: a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC). O Grupo de Trabalho reuniu doze cientistas, e colaboradores, das mais diversas áreas, e ainda profissionais de diversas instituições: Embrapa, Inpe, Inpa, Ibama, Confea, Contag, Sbef, SBS, Abraflor e Rebraf, além do Ministério do Meio Ambiente e as universidades: Unicamp, UFRJ, UFRPE, UFV e USP (por questão de espaço deixo para o leitor a tarefa de decifrar esta sopa de letrinhas, o Google ajuda muito nesta hora). Pode-se dizer que a fina flor da ciência nacional esteve empenhada na elaboração do documento que foi entregue em abril para a sociedade. O leitor pode ter acesso à íntegra do texto no site da SBPC: http://sbpcnet.org.br/site/asbpc/livrogtflorestal.php.

 

Em que o Código aprovado desagradou aos cientistas? Pela falta de embasamento científico. Os cientistas reconhecem a necessidade de atualização do Código vigente que é de 1965 e refletiu os conhecimentos da época. Nestes 45 anos, a ciência progrediu muito e o mundo constatou a “finitude” dos recursos naturais.

 

Todos esperavam um Código mais rígido, e, principalmente, mais racional. O inverso se deu. As discussões se pautaram em posições retrógradas que contrapõem os interesses do agro-negócio ao meio ambiente, esquecendo que o estágio científico-tecnológico atual permite muitas vezes a conciliação deste antagonismo. A modernização tecnológica do ordenamento territorial é do interesse de ambas as partes.

 

Na discussão da Câmara Federal, a preservação das florestas foi vista como um estorvo, quando deve ser vista como uma vantagem competitiva brasileira. Afinal, qual outro país do mundo pode ter acesso à tão rica biodiversidade e recursos naturais hídricos e edafo-pedológicos que possibilitam os mais diversos usos da terra?

 

Inaceitável o argumento do relator, Aldo Rebelo, de não levar em conta a contribuição dos cientistas por esta ter chegado tarde demais. Se o Código está tramitando há mais de onze anos no Congresso, por que a pressa? Afinal, o novo Código decidirá o destino dos recursos naturais do país que se formam em uma escala de milhões de anos e podem ser depredados em décadas. Mais inaceitável ainda, sua afirmação, quando criticado sobre o teor do relatório aprovado, de que “parte dos pesquisadores são financiados por um ‘lobby ambientalista’ internacional”. Será que ele não atenta que ao levar a discussão para estes termos, se sujeita a ser alvo de ilações semelhantes muito mais verossímeis?

 

Os cientistas pediram que a discussão se prolongue por mais dois anos, talvez seja tempo demais. Parte deste tempo seria destinado para a elaboração de um detalhado mapeamento geomorfológico abrangendo todo o território nacional. Este mapeamento, além de embasar as decisões, estaria disponível pela internet, em uma espécie de ‘Google Earth’ agrário, de modo que todo agro-pecuarista pudesse conhecer as particularidades de sua terra, otimizando, assim, seu uso.

 

O Brasil não pode perder a oportunidade de ter um Código Florestal moderno, elaborado com a mais recente tecnologia disponível, e que sirva de referência para o mundo. O que foi aprovado já nasce defasado e representa um retrocesso.

 

Marcelino Pequeno é Secretário Regional da SBPC no Ceará.

Fonte: Jornal da Ciência


6 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Brasil detém a maior área de florestas tropicais do planeta

Seguindo a recomendação da Organização das Nações Unidas (ONU), que declarou 2011 como o Ano Internacional das Florestas, o Brasil prepara uma série de atividades para este ano. O país é detentor da maior área de florestas tropicais do planeta e o segundo em extensão de florestas, perdendo só para a Rússia, onde predominam as florestas temperadas.

De acordo com o diretor do Departamento de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João de Deus Medeiros, as atividades de divulgação, do Brasil, referentes ao Ano Internacional de Florestas, vão ressaltar a importância da proteção e envolvimento do homem com as florestas.

“Quando se fala em maior área de florestas tropicais, isso significa e faz uma diferença grande em termos de biodiversidade, diferentemente de quando se fala de florestas temperadas. Porque a biodiversidade é significativamente maior do que nas florestas temperadas”, observou Medeiros.

Para o diretor, essa característica faz com que o Brasil assuma um papel de destaque no que diz respeito a uma política nacional e no sentido de chamar a atenção para a relação do homem com a floresta. “A ideia é realmente aproveitar o Ano Internacional como uma forma de difundir a importância da preservação, como algo essencial para garantir a qualidade e o desenvolvimento das comunidades humanas e integrar um pouco mais o homem com a floresta.”

Ele lembrou ainda da importância da relação dos biomas florestais com o clima global. “No momento em que o planeta inteiro sofre não só uma crise de biodiversidade, mas, agora, de forma até mais emblemática e séria, esses efeitos das mudanças climáticas e a vinculação estreita das florestas com a regulação do clima do planeta, essa indicação do Ano Internacional de 2011 é importante para auxiliar neste movimento”, afirmou.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) instituiu como tema do Dia Mundial do Meio Ambiente, que se comemora neste domingo (5) o slogan Florestas: a Natureza a seu Serviço. E a Índia foi escolhida como anfitriã das comemorações. Segundo o Pnuma, o tema “ressalta a relação intrínseca entre qualidade de vida e saúde dos ecossistemas florestais e, abrange, também, o Ano Internacional das Florestas da ONU”.

O dia 5 de junho foi recomendado como a data comemorativa do meio ambiente pela Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, realizada em 1972, em Estocolmo, na Suécia. No Brasil, foi implantada em 1982, como parte do calendário de atividades de conscientização ambiental, a Semana Nacional do Meio Ambiente

No mundo, ambientalistas, cientistas, pesquisadores e a sociedade civil fazem mobilizações, realizam paradas, concertos, campanhas, divulgam estudos com o objetivo de chamar a atenção de seus governantes sobre os problemas causados pelo aquecimento do planeta e as necessidades de implantação de políticas públicas com o objetivo de preservar o meio ambiente. Com o tempo, surgiu a necessidade de ampliar as celebrações com a criação da Semana Mundial do Meio Ambiente.

Os cientistas destacam a importância da realização de estudos sobre a interferência do homem na natureza e suas influências para o planeta Terra. Segundo o coordenador-geral das Unidades de Pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia, Carlos Oití Berbert, a situação do planeta tende a se agravar com o aumento da população, que deve chegar a 11,2 bilhões de habitantes até o final do século.

“As novas tecnologias que têm surgido rapidamente têm ajudado a entender, primeiro, o planeta Terra. Em segundo lugar, a entender os fenômenos que acontecem na Terra. Há questão de 50 anos, não era possível, por exemplo, se prever uma erupção vulcânica. Hoje, já conseguimos prever com segurança. Ainda não se pode prever um terremoto, mas a ciência está desenvolvendo uma metodologia que, um dia, vai permitir a previsão de terremotos”, observa.

Berbert afirma que manter um ambiente com qualidade e saudável é dever de todos: governantes, empresários, pesquisadores, cientistas e cidadãos. “A ciência está ajudando na resolução de problemas, como deslizamentos de encostas e no planejamento territorial urbano. Está resolvendo problemas, também, de despoluição de águas superficiais e vai desenvolver soluções para despoluição eventual da água subterrânea, que vai ser uma das principais, senão a principal, fonte de abastecimento humano no futuro”.

Fonte: Deogracia Pinto/ Radiobrás


24 de maio de 2011 | nenhum comentário »

A necessidade urgente de mais investimentos em ciência, educação e saúde na Amazônia

Artigo do professor Claudio Guedes Salgado, da Universidade Federal do Pará, enviado pelo ao autor ao Jornal da Ciência Email.

Aqui estou eu em Oriximiná, Oeste do estado do Pará, no escritório da casa do meu amigo Domingos Wanderley Picanço Diniz, após a vista para o rio Trombetas desaparecer com o início da noite, com uma conexão lenta (não, eu não estou falando de 300K, estou falando lentidão tipo conexão discada, se é que vocês ainda lembram o que é isso), buscando inspiração para escrever um artigo sobre o que vi por aqui durante um trabalho de campo com hanseníase esta semana, quando recebi a edição 4261 do Jornal da Ciência, com duas matérias conflitantes, mas apropriadamente complementares.

 

A primeira com a ONU criticando o modelo de gestão das unidades de conservação do Brasil, dizendo que ficamos atrás de países mais pobres e menores nos quesitos funcionários e orçamentos por hectare, publicada no Correio Braziliense. Temos menos funcionários, e menos orçamento que outros países mais pobres!

 

A segunda, assinada pela assessoria de comunicação do Ministério da Ciência e Tecnologia, descrevendo as ações que estão sendo empreendidas para o combate ao desmatamento na Amazônia, que incluem satélites, avaliações, relatórios e reuniões semanais, além da instalação de um gabinete de crise e do deslocamento de mais agentes de fiscalização a locais com maior desmatamento, como foi o caso de 480 Km² desmatados no Mato Grosso durante os meses de março e abril, considerado atípico.

 

Como sou apenas médico, nascido, criado e vivido em Belém do Pará, não vou me ater a fazer considerações mais profundas sobre o assunto, pois seria inconseqüente de minha parte. Mas preciso dizer que 593 Km² de desmatamento na Amazônia em dois meses é muito! Nós, brasileiros, precisamos apenas de 20 meses para desmatar 5% do território de Portugal. Agora lembrei de uma propaganda do rúgbi no Brasil, dizendo que enquanto a Argentina está “estagnada”, a nossa situação melhora em um percentual enorme. Claro, o nosso pais vizinho tem a melhor seleção destas bandas do planeta, e não há como subir no ranking. Temos que começar a medir no positivo, desmatamos 593 Km², e não no negativo, dizendo que diminuiu alguns pontos percentuais em relação ao mesmo mês do ano passado, ou coisa que o valha, como se faz com a inflação ou com a bolsa de valores, que não são bens finitos, como é a Amazônia, pelo menos na atual situação. A noção de uma Amazônia sustentável ainda é apenas uma noção.

 

Mas voltemos a hanseníase. Contando com todo o apoio do município de Oriximiná, e do campus em transição da Universidade Federal do Pará (UFPA) para a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), coordenado pelo professor Domingos Diniz, que citei acima, voltamos a este município 18 meses após termos vindo aqui, eu e uma equipe de mais sete pesquisadores, por um projeto financiado pelo último edital de doenças negligenciadas do CNPq, quando visitamos escolas e casas de pacientes, coletando plasma para analisar a presença de anticorpos IgM anti-PGL-1, um glicolipídeo velho conhecido daqueles que trabalham com hanseníase, e que tem uma correlação com a baciloscopia do raspado dérmico, ou seja, quanto mais bacilos o sujeito tem, maior é a titulação desta IgM.

 

Para a nossa surpresa, encontramos 45% da população clinicamente saudável positiva para estes anticorpos, indicando uma disseminação maciça do bacilo na comunidade. Vejam que isto, a princípio não significa doença, e sim contato com o bacilo. Pois bem, voltamos agora ao município e fomos examinar estas pessoas. Como manda o manual, fizemos dois grupos, um de positivos e outro de negativos. Encontramos 26 (vinte e seis!) casos novos entre escolares e comunicantes de indivíduos positivos, e somente 4 (quatro) entre os negativos.

 

A Região Oeste do Pará sempre foi considerada de baixa endemicidade, com poucos casos. Por isso mesmo nós começamos o projeto por aqui. Chegamos no município com 2 (dois) casos multibacilares registrados no sistema de notificação (Sinam), e estamos saindo com 32, um aumento de 15x nos números oficiais. Custa-me acreditar que os municípios vizinhos, Amazônicos, fronteiriços ou não, tenham números diferentes. Na realidade, já temos números piores em outros municípios do Estado do Pará. Mesmo como uma estrutura razoável de saúde, faltam médicos e todos os outros profissionais de saúde, como nos outros municípios da Amazônia.

 

Temos um bom sistema de saúde na Amazônia? Temos boas faculdades e universidades no Brasil, formando profissionais capacitados para trabalhar na Amazônia? Dizem que para a quantidade de brasileiros que temos hoje, já formamos médicos em número suficiente… Que percentagem destes médicos recém-formados é estimulada a trabalhar na Amazônia? O país está penso, e cabe ao poder público balancear o sistema! Isso para não entrar no mérito da qualidade do serviço.

 

Não precisamos de um gabinete de crise, relatórios infindáveis e reuniões intermináveis para enxergar o óbvio. Os problemas são os mesmos, há séculos! Carlos Chagas e Oswaldo Cruz escreveram muito bem sobre esta situação. Temos que agir, com urgência, na floresta e no homem que vive por aqui.

 

Defendi em reunião do comitê Ciências Biológicas II da Capes no ano de 2010, entre outras medidas, bolsas perenes, de longa duração, associadas a fomento por 10 anos para aqueles que se disponham a trabalhar com ciência e educação na Amazônia.

 

Agindo desta forma, a fixação de mão de obra qualificada pode ser acelerada. Mesmo nossos alunos de Belém têm dificuldade para decidir em ir para o interior, e lá seguir carreira. Há muito receio do isolamento e da falta de fomento.

 

Nesse sentido, esta cidade nos ensina. Temos aqui mais de 300 bolsistas Pibic junior da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará (Fapespa), funcionando em um sistema inédito de tutoria com os alunos do curso de biologia, que se reportam a professores que vêm de Belém, Santarém, Manaus ou outras cidades, pendurados em apenas – pasmem – dois professores efetivos, do quadro da instituição, em um programa conhecido como PAI – Programa de Ação Interdisciplinar. Aliás, este programa foi visto de perto pela professora Helena Nader, atual presidente da SBPC, quando aqui esteve na SBPC regional de 2008. A manutenção do programa, a formação de novas turmas de biólogos para um sistema que está precisando deles, a abertura de novas vagas docentes e o fortalecimento deste campus podem mudar o perfil deste município em menos de 10 anos, e servir como modelo para outros municípios desta vasta região brasileira.

 

Claudio Guedes Salgado é professor da Universidade Federal do Pará, coordenador do Laboratório de Dermato-Imunologia e do Programa de Pós-Graduação em Neurociências e Biologia Celular do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA.

Fonte: Jornal da Ciência


11 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Código florestal com inteligência

Perguntas e respostas que esclarecem o posicionamento das entidades científicas SBPC e ABC a respeito do novo Código Florestal.

As duas edições anteriores do Código Florestal brasileiro – 1934 e 1966 – foram feitas com base na melhor ciência que se tinha na época. Para a definição de um novo Código Florestal, atualmente, não há sentido desprezar o conhecimento científico disponível, muito mais evoluído e preciso do que o existente há décadas.

 

Para a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e para a Academia Brasileira de Ciências (ABC) um Código Florestal definido com base na ciência e na tecnologia colocaria em harmonia a produção agrícola e a preservação do meio ambiente; ou seja, além de resultar em uma legislação moderna, revelaria ser artificial a oposição entre interesses de “ruralistas” e “ambientalistas”.

 

Como forma de auxiliar no debate, a SBPC e a ABC criaram um grupo de trabalho, composto por reconhecidos cientistas, que elaborou o documento O Código Florestal e a ciência – contribuições para o diálogo, distribuído para membros do governo e para os deputados federais. A íntegra desse estudo está em http://www.sbpcnet.org.br/site/arquivos/codigo_florestal_e_a_ciencia.pdf

 

Agora, o grupo de trabalho prepara um rol de perguntas e respostas, para facilitar a compreensão do posicionamento das duas entidades em relação ao novo Código. De maneira precisa e objetiva, é possível entender a importância da ciência e da tecnologia para a elaboração das novas regras para o uso do solo rural no Brasil. As 23 perguntas e respostas estão em http://www.sbpcnet.org.br/site/arquivos/perguntas_e_respostas.pdf

Fonte: Assessoria de Imprensa da SBPC


4 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Ciência e tecnologia podem perder R$ 1 bilhão com nova lei do pré-sal, alerta Mercadante

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, afirmou nesta terça-feira (3) que o setor pode perder até R$ 1 bilhão com a nova lei do pré-sal, em discussão no Congresso Nacional. Ele alertou que a falta de recursos poderá travar o desenvolvimento de pesquisas de ponta, fazendo com que o Brasil se acomode na posição de ser apenas um grande exportador de commodities.

Mercadante participou da Reunião Magna de 2011 da Academia Brasileira de Ciências, quando expôs aos cientistas as metas e os desafios de seu ministério. Ele disse que o setor só não foi prejudicado este ano, porque o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu último dia de governo, garantiu mais um ano de recursos para o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

“Este ano, nós já teríamos perdido R$ 900 milhões pela decisão do Congresso de como repartir os royalties do petróleo. O MCT, que tinha uma parcela assegurada de receita, teve ela [a parcela] diluída no Fundo Social, que ainda não está regulamentado, mas que jamais chegará ao que nós tínhamos. O [ex] presidente Lula manteve a participação e nos deu uma receita segura para 2011”, disse o ministro, que teme perder recursos para a pesquisa e inovação a partir de 2012.

Mercadante participa na quarta-feira (4) de audiência pública no Senado, quando vai expor o Plano de Ação de seu ministério na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT). Ele vai aproveitar a oportunidade para sensibilizar os senadores a evitarem a perda de recursos que deveriam ir para a ciência e tecnologia, mas que podem ir para a exploração petrolífera no pré-sal.

“Estou alertando o Congresso. Fiz esse debate na Câmara e farei no Senado. Vou dizer que essa disputa é central para a ciência, tecnologia e inovação. Temos que encontrar uma saída que preserve os recursos para o setor.”

O ministro enfatizou que o Brasil não pode cair na armadilha de se acomodar em ser apenas um grande exportador de commodities e precisa disputar o mercado mundial de tecnologia de ponta.

“O país hoje tem um momento excepcional. Os produtos agrícolas e o minério de ferro estão com preços excelentes e estamos virando exportadores de derivados de petróleo. Isso vai dar bem-estar, receita e superávit comercial para o Brasil. Mas o país tem que usar isso como uma janela de oportunidade. Não pode se acomodar nesse papel. Tem que desenvolver o setor de alta e média tecnologia.”

Para exemplificar o desafio proposto, Mercadante disse que o Brasil precisa vender 21 mil toneladas de minério de ferro ou 1.742 toneladas de soja para importar uma tonelada de circuito integrado, que custa, a preços atuais, US$ 848 mil.

“O que é um circuito integrado? É inteligência, ciência, tecnologia. Nós temos que disputar esses setores de ponta e, para isso, é preciso investir, assegurando uma margem do pré-sal para o futuro do Brasil.”

Fonte: Vladimir Platonow/ Agência Brasil


15 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Acadêmicos querem mudança de nome científico de novas espécies

Um grupo de acadêmicos que pertencem a duas instituições científicas renomadas – a Universidade Yale e o Instituto Smithsonian – vai defender, nesta sexta-feira (15), a mudança na nomenclatura científica das espécies recém-descobertas.

Pesquisadores envolvidos com a descoberta de fósseis, micro-organismos, peixes, aves e outras criaturas atestam que encontram dificuldades para dar nomes precisos, mas não há unanimidade na aposentadoria da norma que vigora há quase três séculos.

Segundo os que defendem a troca, a orientação tradicional desenvolvida há 275 anos pelo botânico sueco Carl Linnaeus não seria a mais correta pelo volume atual de informações disponíveis sobre a biodiversidade.

Linnaeus utilizou uma divisão de espécies com nomes latinos, como o Homo sapiens para humanos, com grupos que têm as características físicas como base.

A proposta dos acadêmicos é substituir o sistema de Linnaeus por um novo, o PhyloCode (abreviação inglesa para “código filogenético”, baseado nas relações evolutivas entre as espécies), em que as formas de vida seriam classificadas por ancestrais comuns e princípios de Darwin – em outras palavras, pela árvore genealógica molecular.

A mudança no nome de uma espécie seria uma forma de “correção” e ocorreria nos casos em que o novo nome refletisse o conhecimento adquirido até agora sobre as relações evolucionárias.

O assunto será debatido em uma conferência na Universidade Yale, com a ala pró e contra à adoção do PhyloCode.

Fonte: Folha.com


« Página anterior





Categorias

Tópicos recentes

Meta

 

novembro 2020
S T Q Q S S D
« mar    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30  

17 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisadores reclamam de corte na pasta de Ciência

O corte de 22% no orçamento do Ministério da Ciêcia, Tecnologia e Inovação previsto para 2012, anunciado nesta quarta-feira pelo Ministério da Fazenda, repercutiu nos corredores acadêmicos.

A SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), principal representante dos cientistas do país, classificou como “absurda” a redução nos investimentos no setor.

“Os reflexos na produção científica nacional serão sentidos”, disse à Folha a presidente da instituição, Helena Nader.

Ela contou que enviara uma carta à presidente Dilma Rousseff exatamente uma semana antes do anúncio dos cortes pedindo que ciência e educação fossem poupados. “Esses cortes são contra o discurso da presidente, que tem um compromisso com o desenvolvimento social do país”, disse Nader.

O orçamento previsto para o MCTI (Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação) em 2012 é de R$ 5,2 bilhões. O valor é R$ 1,48 bilhão menor do que no ano passado, quando a fatia de ciência foi de R$ 6,7 bilhões.

Em 2011, a pasta de ciência já havia sofrido um corte de 23% dos recursos.

Menos inovação – A Anpei (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadora) afirmou, em nota, que os cortes nos investimentos podem piorar os saldos negativos da balança comercial brasileira.

Isso porque a redução dos investimentos pode afetar a competitividade das empresas que fazem pesquisa e inovação.

Em 2011, o termo “inovação” foi incluído no nome do MCTI.

“Aumentamos a gama de atividades do ministério, incluindo a inovação, e diminuímos os recursos. Isso não faz o menor sentido”, diz Nader. 

Fonte: Folha.com


22 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Na Amazônia e no código, a ciência quer ser ouvida

Artigo de Washington Novaes no O Estado de S. Paulo desta sexta-feira (19).

Ao mesmo tempo que o Senado retomava nesta semana as discussões sobre propostas de mudanças no Código Florestal, a presidente da República baixava medida provisória que altera (para reduzi-los) os limites de três parques nacionais na Amazônia, de modo a permitir que se executem neles obras das Hidrelétricas de Tabajara, Santo Antônio e Jirau. Outros dois parques deverão seguir o mesmo caminho, para permitir o licenciamento de mais quatro usinas (no complexo Tapajós).

Reabrem-se, por esses caminhos, polêmicas e temores de que a nova legislação e o novo Código Florestal estimulem o aumento do desmatamento, como parece já estar ocorrendo. Segundo o Imazon, entre agosto de 2010 e julho de 2011 a área desmatada no bioma amazônico subiu para 6.274 quilômetros quadrados. E a progressão do desmate, segundo o Ibama de Sinop (MT), está sendo estimulada “pela expectativa de anistia aos desmatadores” no código. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o número de áreas de soja em novos desmatamentos em Mato Grosso, Rondônia e no Pará quase dobrou (de 76 para 147 áreas) em relação a 2010.

Dizem muitos defensores das alterações no Código Florestal que as mudanças são indispensáveis para a expansão do agronegócio. É uma visão contestada por cientistas, que apontam, só em Mato Grosso, 8 milhões de hectares de pastos degradados (Estado, 20/7). É a opinião também do respeitado biólogo norte-americano Thomas Lovejoy, lembrando que na Amazônia a média é de uma cabeça de gado por hectare ocupado, muitas vezes inferior à de outros lugares, mesmo no Brasil, e pode ser melhorada, sem novos cortes. E “a Amazônia é a galinha dos ovos de ouro do agronegócio brasileiro”, diz ele (Folha de S.Paulo, 16/8). O desmatamento maior permitido pelas alterações no código, afirma, “pode ser um tiro no pé dos ruralistas”, se chegar a 20% da floresta (está em 18%), e talvez atinja um “ponto de inflexão” em que o aumento da temperatura pode estender-se até a outras áreas no Sul-Sudeste, com muitos problemas para a agropecuária.

As preocupações com a relação entre desmatamento, mudanças climáticas e “desastres naturais” estão presentes em muitos estudos científicos recentes. O Inpe é uma das instituições preocupadas – e também com um crescimento de 100% nas tempestades e catástrofes “naturais” nos próximos 60 anos no Sudeste, e mais ainda nas regiões litorâneas; três vezes mais até 2070 (Estado, 9/8). Já na Amazônia, especificamente, estudo conjunto do Inpe e do Escritório Meteorológico Hadley Centre (Grã-Bretanha) prevê forte aumento da temperatura e queda significativa na precipitação fluvial. Isso poderá significar substituição da floresta por outros tipos de vegetação.

Pois é exatamente neste momento, de tantas advertências científicas, que vem mais um alerta da Amazônia: as instituições científicas não estão sendo ouvidas na questão do Código Florestal. Nem em outras, como a da espantosa decisão de reverter uma decisão judicial e retomar o projeto de construção de um porto diante do invejável Encontro das Águas, em Manaus, onde os Rios Solimões e Negro se encontram e correm separados por quilômetros – as águas barrentas de um ao lado das águas mais escuras do outro -, fenômeno que atrai gente do País e do mundo todo.

O perigo parecia afastado quando uma decisão judicial embargou, em julho de 2010, a pedido do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o licenciamento do porto. Mas há poucos dias outra decisão, da Justiça Federal em Manaus, alegando que não houve audiências públicas antes de ser pedida a suspensão do licenciamento ambiental, revogou o embargo. E o governo do Estado do Amazonas, favorável à instalação do porto, imediatamente concedeu a licença para o projeto. Diz o Iphan que vai recorrer da decisão, também contestada pelo Ministério da Cultura – e que vem na mesma direção do “facilitário do desenvolvimento econômico” presente no desmatamento.

E – é preciso reiterar – tudo se faz esquecendo a visão da ciência. Como em outro ângulo: um grupo do Museu da Amazônia e do Instituto de Pesquisas da Amazônia está dizendo, num paper, que existe “uma grande variedade de áreas úmidas” no País, como “áreas alagadas ao longo de grandes rios, com diferente qualidade de águas (pretas, claras, brancas), baixios ao longo de igarapés de terras firme, áreas alagáveis nos grandes interflúvios (campos, campinas e campinaranas alagáveis, campos úmidos, veredas, campos de murunduns, brejos, florestas paludosas), assim como áreas úmidas de estuário (mangues, banhados e lagoas costeiras”. Cada um desses tipos, diz o estudo, deve receber “tratamento específico em forma de artigo específico no Código Florestal, que deve conter flexibilidade suficiente para absorver os avanços do conhecimento científico”.

Mas isso não está ocorrendo, com prejuízos para a sociedade e o meio ambiente, já que as áreas úmidas “proporcionam benefícios e serviços ambientais importantes”. Como, por exemplo, estocagem de água, limpeza de água, recarga do lençol freático, regulação do clima local, manutenção da biodiversidade, regulação de ciclos biogeoquímicos, inclusive estocagem de carbono, hábitat e subsídios para populações humanas tradicionais (pesca, agricultura de subsistência, produtos madeireiros e não madeireiros e, em áreas abertas savânicas, pecuária extensiva).

Esse papel das áreas úmidas, afirma o texto, “vai aumentar ainda, considerando os impactos das mudanças climáticas previstas”. Só na bacia amazônica são 30% da área; no Pantanal, 160 mil quilômetros quadrados. Ao todo, incluindo outras áreas, 20% do território brasileiro. Por tudo isso, os usos potenciais dessas áreas “deverão ter reconhecimento específico, dentro do Código Florestal e em outras instâncias federais”.

É a voz da ciência. É preciso ouvi-la nesta nova discussão no Congresso. E no Encontro das Águas.

Washington Novaes é jornalista. Email: wlrnovaes@uol.com.br.

Fonte: Jornal da Ciência


26 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Ciência para o Brasil

Artigo de Alaor Chaves publicado na Folha de São Paulo de ontem (25).

Os cientistas brasileiros têm demonstrado um singular atavismo pelas colaborações científicas internacionais. Isso tem sido um dos obstáculos para que nossa ciência atinja a maioridade e também se torne agente propulsor do desenvolvimento do País. O volume da nossa produção científica tem crescido rapidamente, mas a elevação da sua qualidade não tem tido o mesmo vigor.

Reconhecemos a necessidade de dar um salto de qualidade, mas temos sido lerdos na adoção das políticas indispensáveis para esse salto. Os países com sucesso em desenvolver uma ciência tardia (ex-URSS, Japão, Coreia, China) praticaram por longo tempo um alto grau de introversão científica.

Empenharam-se na construção de uma ciência autônoma, com olhos atentos aos interesses nacionais, e só depois de se tornarem competitivos se abriram para uma colaboração mais intensa com o exterior. Nós temos trilhado o caminho inverso. No Brasil, temos exemplos emblemáticos do sucesso de programas em ciência e tecnologia perseguidos de forma autônoma.

Após longo insucesso com práticas agrícolas importadas, o Brasil decidiu seguir seu próprio caminho, e para isso criou a Embrapa. Hoje, nossa técnica agropecuária é a que avança mais rapidamente em todo o mundo. No caso da produção de etanol de cana, nem tínhamos com quem colaborar; com isso, desenvolvemos para o setor uma tecnologia sem rival.

O Brasil tem colaborado em projetos internacionais para a “big science”, o que requer equipamento muito dispendioso. Até o momento, temos feito parcerias que dão aos nossos pesquisadores acesso a boa infraestrutura sem dispêndios muito elevados. Neste ano, o Ministério da Ciência e Tecnologia assinou acordos de colaboração com o consórcio europeu responsável pelo ESO (European Southern Observatory) e com o Cern, consórcio dono do maior acelerador de partículas no mundo, que mudam a escala de nossos gastos nesse tipo de colaborações.

Só como taxa de ingresso no ESO pagaremos 130 milhões de euros; ainda nesta década, seremos provavelmente o seu maior financiador. Pelo acordo com o Cern, nossa contribuição inicial será de US$ 15 milhões/ano. Mas, até 2020, talvez o Brasil também se torne o seu maior financiador Generosamente, subsidiaremos a ciência europeia.

Há anos temos discutido um ótimo projeto 100% brasileiro em “big science”, a expansão do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron. Seu custo será de R$ 360 milhões. O empreendimento alavancará várias tecnologias importantes. Como os gastos serão realizados no Brasil, quase 40% deles retornarão ao Tesouro na forma de impostos.

A comunidade de usuários do Laboratório já é mais de dez vezes a dos potenciais usuários do ESO ou do Cern, e abrange biologia, química, física, ciência de materiais, nanociência e pesquisa industrial.

O impacto do Laboratório em nossa ciência e tecnologia será muito maior que o dos projetos aprovados. Mas o Ministério da Ciência e Tecnologia o considera muito caro. Nenhum país teve destaque na área com esse caminho.

Alaor Chaves, físico, é professor emérito da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Fonte: Jornal da Ciência


7 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Para secretário do MCT, o futuro do País é explorar a biodiversidade

Em audiência no Senado, Carlos Nobre falou também sobre a importância da ciência e da tecnologia para a agricultura sustentável.

A contribuição da ciência nas discussões sobre os Desastres Naturais e nas alterações propostas ao Código Florestal foi tema de debate ontem (6) em audiência na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado Federal, em Brasília.

 

Em sua exposição, o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia (SEPED), Carlos Nobre, mostrou a importância da ciência e da tecnologia para a expansão da agricultura sustentável no País. Ele destacou o programa de recuperação de áreas degradadas, a agricultura de baixo carbono e a exploração econômica da biodiversidade brasileira.

 

“O futuro do País é explorar o potencial de nossa biodiversidade. Para isso, precisamos de muita ciência, tecnologia, inovação e políticas públicas que sinalizem que esse e o caminho”, disse.

 

Sobre o Código Florestal, o especialista disse que é preciso parâmetros específicos para áreas urbanas e incorporar o princípio de salvaguarda da vida humana, além da proteção da biodiversidade, da água e do solo. “É muito importante que haja no Código uma visão diferenciada das áreas urbanas para prevenir desastres naturais.

 

Para o presidente da Comissão, senador Eduardo Braga (PMDB/AM), a discussão não deve envolver apenas ruralistas e ambientalistas, mas todo o povo brasileiro. “A ciência e a tecnologia são a chave para encontrar respostas”, disse Braga. De acordo com ele, o momento é de oportunidade para debater o tema de tanta importância econômica, social e ambiental.

 

Participaram também da audiência representantes da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Academia Brasileira de Ciência (ABC), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), dos ministérios da Agricultura (Mapa) e do Meio Ambiente (MMA), senadores e deputados.

Fonte: Agência MCT


13 de junho de 2011 | nenhum comentário »

O Código Florestal e a Ciência

Artigo de Marcelino Pequeno publicado na Coluna Ciência Viva do jornal O Povo (5/6) e também enviado ao JCEmail.

Quem acompanhou as conturbadas últimas semanas políticas em Brasília está ciente que o mês de maio foi dominado pela votação do novo Código Florestal brasileiro, que acabou por ser aprovado na Câmara Federal na sessão do dia 24 de maio.

 

A polêmica está longe do fim, entretanto. Primeiro, porque agora o processo segue para o Senado que já sinalizou que vai requerer pelo menos quatro meses de discussão antes de o colocar em votação. Depois, porque ele não foi bem recebido nem pelo governo nem pela sociedade, e ainda arranhou a imagem do Brasil no contexto internacional no que diz respeito à capacidade de conservação de seus recursos naturais.

 

Em que a ciência pode contribuir para a elaboração do Código Florestal? O título desta coluna foi retirado de um documento de 124 páginas, em realidade um livro, organizado pelas duas maiores entidades científicas brasileiras: a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC). O Grupo de Trabalho reuniu doze cientistas, e colaboradores, das mais diversas áreas, e ainda profissionais de diversas instituições: Embrapa, Inpe, Inpa, Ibama, Confea, Contag, Sbef, SBS, Abraflor e Rebraf, além do Ministério do Meio Ambiente e as universidades: Unicamp, UFRJ, UFRPE, UFV e USP (por questão de espaço deixo para o leitor a tarefa de decifrar esta sopa de letrinhas, o Google ajuda muito nesta hora). Pode-se dizer que a fina flor da ciência nacional esteve empenhada na elaboração do documento que foi entregue em abril para a sociedade. O leitor pode ter acesso à íntegra do texto no site da SBPC: http://sbpcnet.org.br/site/asbpc/livrogtflorestal.php.

 

Em que o Código aprovado desagradou aos cientistas? Pela falta de embasamento científico. Os cientistas reconhecem a necessidade de atualização do Código vigente que é de 1965 e refletiu os conhecimentos da época. Nestes 45 anos, a ciência progrediu muito e o mundo constatou a “finitude” dos recursos naturais.

 

Todos esperavam um Código mais rígido, e, principalmente, mais racional. O inverso se deu. As discussões se pautaram em posições retrógradas que contrapõem os interesses do agro-negócio ao meio ambiente, esquecendo que o estágio científico-tecnológico atual permite muitas vezes a conciliação deste antagonismo. A modernização tecnológica do ordenamento territorial é do interesse de ambas as partes.

 

Na discussão da Câmara Federal, a preservação das florestas foi vista como um estorvo, quando deve ser vista como uma vantagem competitiva brasileira. Afinal, qual outro país do mundo pode ter acesso à tão rica biodiversidade e recursos naturais hídricos e edafo-pedológicos que possibilitam os mais diversos usos da terra?

 

Inaceitável o argumento do relator, Aldo Rebelo, de não levar em conta a contribuição dos cientistas por esta ter chegado tarde demais. Se o Código está tramitando há mais de onze anos no Congresso, por que a pressa? Afinal, o novo Código decidirá o destino dos recursos naturais do país que se formam em uma escala de milhões de anos e podem ser depredados em décadas. Mais inaceitável ainda, sua afirmação, quando criticado sobre o teor do relatório aprovado, de que “parte dos pesquisadores são financiados por um ‘lobby ambientalista’ internacional”. Será que ele não atenta que ao levar a discussão para estes termos, se sujeita a ser alvo de ilações semelhantes muito mais verossímeis?

 

Os cientistas pediram que a discussão se prolongue por mais dois anos, talvez seja tempo demais. Parte deste tempo seria destinado para a elaboração de um detalhado mapeamento geomorfológico abrangendo todo o território nacional. Este mapeamento, além de embasar as decisões, estaria disponível pela internet, em uma espécie de ‘Google Earth’ agrário, de modo que todo agro-pecuarista pudesse conhecer as particularidades de sua terra, otimizando, assim, seu uso.

 

O Brasil não pode perder a oportunidade de ter um Código Florestal moderno, elaborado com a mais recente tecnologia disponível, e que sirva de referência para o mundo. O que foi aprovado já nasce defasado e representa um retrocesso.

 

Marcelino Pequeno é Secretário Regional da SBPC no Ceará.

Fonte: Jornal da Ciência


6 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Brasil detém a maior área de florestas tropicais do planeta

Seguindo a recomendação da Organização das Nações Unidas (ONU), que declarou 2011 como o Ano Internacional das Florestas, o Brasil prepara uma série de atividades para este ano. O país é detentor da maior área de florestas tropicais do planeta e o segundo em extensão de florestas, perdendo só para a Rússia, onde predominam as florestas temperadas.

De acordo com o diretor do Departamento de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João de Deus Medeiros, as atividades de divulgação, do Brasil, referentes ao Ano Internacional de Florestas, vão ressaltar a importância da proteção e envolvimento do homem com as florestas.

“Quando se fala em maior área de florestas tropicais, isso significa e faz uma diferença grande em termos de biodiversidade, diferentemente de quando se fala de florestas temperadas. Porque a biodiversidade é significativamente maior do que nas florestas temperadas”, observou Medeiros.

Para o diretor, essa característica faz com que o Brasil assuma um papel de destaque no que diz respeito a uma política nacional e no sentido de chamar a atenção para a relação do homem com a floresta. “A ideia é realmente aproveitar o Ano Internacional como uma forma de difundir a importância da preservação, como algo essencial para garantir a qualidade e o desenvolvimento das comunidades humanas e integrar um pouco mais o homem com a floresta.”

Ele lembrou ainda da importância da relação dos biomas florestais com o clima global. “No momento em que o planeta inteiro sofre não só uma crise de biodiversidade, mas, agora, de forma até mais emblemática e séria, esses efeitos das mudanças climáticas e a vinculação estreita das florestas com a regulação do clima do planeta, essa indicação do Ano Internacional de 2011 é importante para auxiliar neste movimento”, afirmou.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) instituiu como tema do Dia Mundial do Meio Ambiente, que se comemora neste domingo (5) o slogan Florestas: a Natureza a seu Serviço. E a Índia foi escolhida como anfitriã das comemorações. Segundo o Pnuma, o tema “ressalta a relação intrínseca entre qualidade de vida e saúde dos ecossistemas florestais e, abrange, também, o Ano Internacional das Florestas da ONU”.

O dia 5 de junho foi recomendado como a data comemorativa do meio ambiente pela Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, realizada em 1972, em Estocolmo, na Suécia. No Brasil, foi implantada em 1982, como parte do calendário de atividades de conscientização ambiental, a Semana Nacional do Meio Ambiente

No mundo, ambientalistas, cientistas, pesquisadores e a sociedade civil fazem mobilizações, realizam paradas, concertos, campanhas, divulgam estudos com o objetivo de chamar a atenção de seus governantes sobre os problemas causados pelo aquecimento do planeta e as necessidades de implantação de políticas públicas com o objetivo de preservar o meio ambiente. Com o tempo, surgiu a necessidade de ampliar as celebrações com a criação da Semana Mundial do Meio Ambiente.

Os cientistas destacam a importância da realização de estudos sobre a interferência do homem na natureza e suas influências para o planeta Terra. Segundo o coordenador-geral das Unidades de Pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia, Carlos Oití Berbert, a situação do planeta tende a se agravar com o aumento da população, que deve chegar a 11,2 bilhões de habitantes até o final do século.

“As novas tecnologias que têm surgido rapidamente têm ajudado a entender, primeiro, o planeta Terra. Em segundo lugar, a entender os fenômenos que acontecem na Terra. Há questão de 50 anos, não era possível, por exemplo, se prever uma erupção vulcânica. Hoje, já conseguimos prever com segurança. Ainda não se pode prever um terremoto, mas a ciência está desenvolvendo uma metodologia que, um dia, vai permitir a previsão de terremotos”, observa.

Berbert afirma que manter um ambiente com qualidade e saudável é dever de todos: governantes, empresários, pesquisadores, cientistas e cidadãos. “A ciência está ajudando na resolução de problemas, como deslizamentos de encostas e no planejamento territorial urbano. Está resolvendo problemas, também, de despoluição de águas superficiais e vai desenvolver soluções para despoluição eventual da água subterrânea, que vai ser uma das principais, senão a principal, fonte de abastecimento humano no futuro”.

Fonte: Deogracia Pinto/ Radiobrás


24 de maio de 2011 | nenhum comentário »

A necessidade urgente de mais investimentos em ciência, educação e saúde na Amazônia

Artigo do professor Claudio Guedes Salgado, da Universidade Federal do Pará, enviado pelo ao autor ao Jornal da Ciência Email.

Aqui estou eu em Oriximiná, Oeste do estado do Pará, no escritório da casa do meu amigo Domingos Wanderley Picanço Diniz, após a vista para o rio Trombetas desaparecer com o início da noite, com uma conexão lenta (não, eu não estou falando de 300K, estou falando lentidão tipo conexão discada, se é que vocês ainda lembram o que é isso), buscando inspiração para escrever um artigo sobre o que vi por aqui durante um trabalho de campo com hanseníase esta semana, quando recebi a edição 4261 do Jornal da Ciência, com duas matérias conflitantes, mas apropriadamente complementares.

 

A primeira com a ONU criticando o modelo de gestão das unidades de conservação do Brasil, dizendo que ficamos atrás de países mais pobres e menores nos quesitos funcionários e orçamentos por hectare, publicada no Correio Braziliense. Temos menos funcionários, e menos orçamento que outros países mais pobres!

 

A segunda, assinada pela assessoria de comunicação do Ministério da Ciência e Tecnologia, descrevendo as ações que estão sendo empreendidas para o combate ao desmatamento na Amazônia, que incluem satélites, avaliações, relatórios e reuniões semanais, além da instalação de um gabinete de crise e do deslocamento de mais agentes de fiscalização a locais com maior desmatamento, como foi o caso de 480 Km² desmatados no Mato Grosso durante os meses de março e abril, considerado atípico.

 

Como sou apenas médico, nascido, criado e vivido em Belém do Pará, não vou me ater a fazer considerações mais profundas sobre o assunto, pois seria inconseqüente de minha parte. Mas preciso dizer que 593 Km² de desmatamento na Amazônia em dois meses é muito! Nós, brasileiros, precisamos apenas de 20 meses para desmatar 5% do território de Portugal. Agora lembrei de uma propaganda do rúgbi no Brasil, dizendo que enquanto a Argentina está “estagnada”, a nossa situação melhora em um percentual enorme. Claro, o nosso pais vizinho tem a melhor seleção destas bandas do planeta, e não há como subir no ranking. Temos que começar a medir no positivo, desmatamos 593 Km², e não no negativo, dizendo que diminuiu alguns pontos percentuais em relação ao mesmo mês do ano passado, ou coisa que o valha, como se faz com a inflação ou com a bolsa de valores, que não são bens finitos, como é a Amazônia, pelo menos na atual situação. A noção de uma Amazônia sustentável ainda é apenas uma noção.

 

Mas voltemos a hanseníase. Contando com todo o apoio do município de Oriximiná, e do campus em transição da Universidade Federal do Pará (UFPA) para a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), coordenado pelo professor Domingos Diniz, que citei acima, voltamos a este município 18 meses após termos vindo aqui, eu e uma equipe de mais sete pesquisadores, por um projeto financiado pelo último edital de doenças negligenciadas do CNPq, quando visitamos escolas e casas de pacientes, coletando plasma para analisar a presença de anticorpos IgM anti-PGL-1, um glicolipídeo velho conhecido daqueles que trabalham com hanseníase, e que tem uma correlação com a baciloscopia do raspado dérmico, ou seja, quanto mais bacilos o sujeito tem, maior é a titulação desta IgM.

 

Para a nossa surpresa, encontramos 45% da população clinicamente saudável positiva para estes anticorpos, indicando uma disseminação maciça do bacilo na comunidade. Vejam que isto, a princípio não significa doença, e sim contato com o bacilo. Pois bem, voltamos agora ao município e fomos examinar estas pessoas. Como manda o manual, fizemos dois grupos, um de positivos e outro de negativos. Encontramos 26 (vinte e seis!) casos novos entre escolares e comunicantes de indivíduos positivos, e somente 4 (quatro) entre os negativos.

 

A Região Oeste do Pará sempre foi considerada de baixa endemicidade, com poucos casos. Por isso mesmo nós começamos o projeto por aqui. Chegamos no município com 2 (dois) casos multibacilares registrados no sistema de notificação (Sinam), e estamos saindo com 32, um aumento de 15x nos números oficiais. Custa-me acreditar que os municípios vizinhos, Amazônicos, fronteiriços ou não, tenham números diferentes. Na realidade, já temos números piores em outros municípios do Estado do Pará. Mesmo como uma estrutura razoável de saúde, faltam médicos e todos os outros profissionais de saúde, como nos outros municípios da Amazônia.

 

Temos um bom sistema de saúde na Amazônia? Temos boas faculdades e universidades no Brasil, formando profissionais capacitados para trabalhar na Amazônia? Dizem que para a quantidade de brasileiros que temos hoje, já formamos médicos em número suficiente… Que percentagem destes médicos recém-formados é estimulada a trabalhar na Amazônia? O país está penso, e cabe ao poder público balancear o sistema! Isso para não entrar no mérito da qualidade do serviço.

 

Não precisamos de um gabinete de crise, relatórios infindáveis e reuniões intermináveis para enxergar o óbvio. Os problemas são os mesmos, há séculos! Carlos Chagas e Oswaldo Cruz escreveram muito bem sobre esta situação. Temos que agir, com urgência, na floresta e no homem que vive por aqui.

 

Defendi em reunião do comitê Ciências Biológicas II da Capes no ano de 2010, entre outras medidas, bolsas perenes, de longa duração, associadas a fomento por 10 anos para aqueles que se disponham a trabalhar com ciência e educação na Amazônia.

 

Agindo desta forma, a fixação de mão de obra qualificada pode ser acelerada. Mesmo nossos alunos de Belém têm dificuldade para decidir em ir para o interior, e lá seguir carreira. Há muito receio do isolamento e da falta de fomento.

 

Nesse sentido, esta cidade nos ensina. Temos aqui mais de 300 bolsistas Pibic junior da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará (Fapespa), funcionando em um sistema inédito de tutoria com os alunos do curso de biologia, que se reportam a professores que vêm de Belém, Santarém, Manaus ou outras cidades, pendurados em apenas – pasmem – dois professores efetivos, do quadro da instituição, em um programa conhecido como PAI – Programa de Ação Interdisciplinar. Aliás, este programa foi visto de perto pela professora Helena Nader, atual presidente da SBPC, quando aqui esteve na SBPC regional de 2008. A manutenção do programa, a formação de novas turmas de biólogos para um sistema que está precisando deles, a abertura de novas vagas docentes e o fortalecimento deste campus podem mudar o perfil deste município em menos de 10 anos, e servir como modelo para outros municípios desta vasta região brasileira.

 

Claudio Guedes Salgado é professor da Universidade Federal do Pará, coordenador do Laboratório de Dermato-Imunologia e do Programa de Pós-Graduação em Neurociências e Biologia Celular do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA.

Fonte: Jornal da Ciência


11 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Código florestal com inteligência

Perguntas e respostas que esclarecem o posicionamento das entidades científicas SBPC e ABC a respeito do novo Código Florestal.

As duas edições anteriores do Código Florestal brasileiro – 1934 e 1966 – foram feitas com base na melhor ciência que se tinha na época. Para a definição de um novo Código Florestal, atualmente, não há sentido desprezar o conhecimento científico disponível, muito mais evoluído e preciso do que o existente há décadas.

 

Para a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e para a Academia Brasileira de Ciências (ABC) um Código Florestal definido com base na ciência e na tecnologia colocaria em harmonia a produção agrícola e a preservação do meio ambiente; ou seja, além de resultar em uma legislação moderna, revelaria ser artificial a oposição entre interesses de “ruralistas” e “ambientalistas”.

 

Como forma de auxiliar no debate, a SBPC e a ABC criaram um grupo de trabalho, composto por reconhecidos cientistas, que elaborou o documento O Código Florestal e a ciência – contribuições para o diálogo, distribuído para membros do governo e para os deputados federais. A íntegra desse estudo está em http://www.sbpcnet.org.br/site/arquivos/codigo_florestal_e_a_ciencia.pdf

 

Agora, o grupo de trabalho prepara um rol de perguntas e respostas, para facilitar a compreensão do posicionamento das duas entidades em relação ao novo Código. De maneira precisa e objetiva, é possível entender a importância da ciência e da tecnologia para a elaboração das novas regras para o uso do solo rural no Brasil. As 23 perguntas e respostas estão em http://www.sbpcnet.org.br/site/arquivos/perguntas_e_respostas.pdf

Fonte: Assessoria de Imprensa da SBPC


4 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Ciência e tecnologia podem perder R$ 1 bilhão com nova lei do pré-sal, alerta Mercadante

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, afirmou nesta terça-feira (3) que o setor pode perder até R$ 1 bilhão com a nova lei do pré-sal, em discussão no Congresso Nacional. Ele alertou que a falta de recursos poderá travar o desenvolvimento de pesquisas de ponta, fazendo com que o Brasil se acomode na posição de ser apenas um grande exportador de commodities.

Mercadante participou da Reunião Magna de 2011 da Academia Brasileira de Ciências, quando expôs aos cientistas as metas e os desafios de seu ministério. Ele disse que o setor só não foi prejudicado este ano, porque o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu último dia de governo, garantiu mais um ano de recursos para o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

“Este ano, nós já teríamos perdido R$ 900 milhões pela decisão do Congresso de como repartir os royalties do petróleo. O MCT, que tinha uma parcela assegurada de receita, teve ela [a parcela] diluída no Fundo Social, que ainda não está regulamentado, mas que jamais chegará ao que nós tínhamos. O [ex] presidente Lula manteve a participação e nos deu uma receita segura para 2011”, disse o ministro, que teme perder recursos para a pesquisa e inovação a partir de 2012.

Mercadante participa na quarta-feira (4) de audiência pública no Senado, quando vai expor o Plano de Ação de seu ministério na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT). Ele vai aproveitar a oportunidade para sensibilizar os senadores a evitarem a perda de recursos que deveriam ir para a ciência e tecnologia, mas que podem ir para a exploração petrolífera no pré-sal.

“Estou alertando o Congresso. Fiz esse debate na Câmara e farei no Senado. Vou dizer que essa disputa é central para a ciência, tecnologia e inovação. Temos que encontrar uma saída que preserve os recursos para o setor.”

O ministro enfatizou que o Brasil não pode cair na armadilha de se acomodar em ser apenas um grande exportador de commodities e precisa disputar o mercado mundial de tecnologia de ponta.

“O país hoje tem um momento excepcional. Os produtos agrícolas e o minério de ferro estão com preços excelentes e estamos virando exportadores de derivados de petróleo. Isso vai dar bem-estar, receita e superávit comercial para o Brasil. Mas o país tem que usar isso como uma janela de oportunidade. Não pode se acomodar nesse papel. Tem que desenvolver o setor de alta e média tecnologia.”

Para exemplificar o desafio proposto, Mercadante disse que o Brasil precisa vender 21 mil toneladas de minério de ferro ou 1.742 toneladas de soja para importar uma tonelada de circuito integrado, que custa, a preços atuais, US$ 848 mil.

“O que é um circuito integrado? É inteligência, ciência, tecnologia. Nós temos que disputar esses setores de ponta e, para isso, é preciso investir, assegurando uma margem do pré-sal para o futuro do Brasil.”

Fonte: Vladimir Platonow/ Agência Brasil


15 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Acadêmicos querem mudança de nome científico de novas espécies

Um grupo de acadêmicos que pertencem a duas instituições científicas renomadas – a Universidade Yale e o Instituto Smithsonian – vai defender, nesta sexta-feira (15), a mudança na nomenclatura científica das espécies recém-descobertas.

Pesquisadores envolvidos com a descoberta de fósseis, micro-organismos, peixes, aves e outras criaturas atestam que encontram dificuldades para dar nomes precisos, mas não há unanimidade na aposentadoria da norma que vigora há quase três séculos.

Segundo os que defendem a troca, a orientação tradicional desenvolvida há 275 anos pelo botânico sueco Carl Linnaeus não seria a mais correta pelo volume atual de informações disponíveis sobre a biodiversidade.

Linnaeus utilizou uma divisão de espécies com nomes latinos, como o Homo sapiens para humanos, com grupos que têm as características físicas como base.

A proposta dos acadêmicos é substituir o sistema de Linnaeus por um novo, o PhyloCode (abreviação inglesa para “código filogenético”, baseado nas relações evolutivas entre as espécies), em que as formas de vida seriam classificadas por ancestrais comuns e princípios de Darwin – em outras palavras, pela árvore genealógica molecular.

A mudança no nome de uma espécie seria uma forma de “correção” e ocorreria nos casos em que o novo nome refletisse o conhecimento adquirido até agora sobre as relações evolucionárias.

O assunto será debatido em uma conferência na Universidade Yale, com a ala pró e contra à adoção do PhyloCode.

Fonte: Folha.com


« Página anterior